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O MUNDO
MARAVILHOSO DA RÁDIO
Carlos
Leite Ribeiro
Desde que nos servimos da palavra (isto
é verdade em todos os casos), a do
locutor; a do conferencista; o a do
conversador – pretendemos PERSUADIR.
Persuadir alguém, é ser capaz de lhe
comunicar o nosso pensamento – é tentar
mostrar que se possui uma verdade, e,
que essa verdade é susceptível de ser
compartilhada.
E, nos tempos que vão correndo, a arte
de “persuadir”, é uma verdade, com as
regras e os seus costumes. As regras são
necessárias, e o saber aplicá-las
depende, muitas vezes, de certa
espontaneidade ou de um certo dom
pessoal. A rádio, iniciou uma nova “arte
de persuadir” ... ? Há ou não há, uma
diferença entre a palavra dita ao
público, quando este está na presença de
quem a diz, ou aquela que se dirige a um
auditório distante, e é enviada por
meios técnicos ...?. Para quem fala,
simultaneamente, a um público presente e
vivo e a outro distante – tratar-se-á de
se associarem dois pontos diferentes e,
possivelmente antagónicos...?.
À primeira vista, se quem fala, consegue
comunicar directamente com aqueles que o
conhecem, pode ter fortes razões para
comunicar com os que não conhece e, que
nem sabem quem é que lhes está a falar.
Mas, os meios que nos servimos, diferem
segundo o público radiouvinte que nos
escuta – o que se diz para os ouvintes
que nos conhecem, pode deixar
indiferente os ouvintes que não nos
conhecem. É a tal grande diferença entre
o auditivo e o visual.
Este estado de coisas, põe-nos um
problema de múltiplos aspectos difíceis
de resolver, relacionados com a missão
da palavra – esse precioso instrumento
de comunicação entre os homens.
Há na palavra uma espécie de milagre
perpétuo – basta abrir-se uma boca para
se pronunciar um som. Este som, apesar
do seu carácter material, é destinado a
transmitir uma realidade de carácter
espiritual. De todas as formas da
matéria, o som, parece ser a mais fluida
e impalpável – é, na realidade, evasante.
O pronunciar, desaparece sem deixar
vestígios – mas, se um gravador o
reanima – o pensamento que exprime,
ressuscita com ele. Mas, a palavra não é
somente uma intermediária entre o
pensamento e a expressão – entre o
espiritual e o material.
Goza ainda do poder excepcional de pôr,
necessariamente em relação, dois órgãos
diferentes – com efeito, a palavra,
inseparável da voz, é ouvida. Estes dois
aspectos da palavra proferida e ouvida,
coincidem no mesmo homem – quem se fala,
ouve-se ...
Esta relação entre a voz e o ouvido, é
sem dúvida inseparável da consciência
humana. A voz, exprime actividade,
enquanto que a audição, exprime uma
passividade. E, porque o homem pode
ouvir o que se diz, que ele se pode
rectificar, na caso de não ser
correspondido à intenção pretendida, à
significação que pretendia alcançar. Por
consequência, graças a esta actividade
da palavra, e a esta passividade de
audição, numa modalidade autocrítica
perpétua, é um controlo pelo qual o
homem tenta comunicar, precisamente, o
que ele quer dizer a quem o ouve.
A consciência realiza, por este meio, um
diálogo consigo própria.
Em contrapartida, na comunicação entre
dois seres, produz-se uma espécie de
divórcio entre a palavra e a audição. É,
precisamente sobre este divórcio entre a
actividade da voz e a passividade da
audição, que repousa toda a
possibilidade de comunicação entre
consciências.
Esta actividade e esta passividade,
aparecem profundamente ligadas uma com a
outra – um ouvinte, ouvindo o que lhe
dizem em silêncio, não pode compreender
o que dizem, sem reconstruir para si –
embora, de determinada maneira.
A “palavra interior”, que cada ouvinte
pronuncia para si mesmo, logo que ouve a
palavra de outrem, é a base de toda a
compreensão.
Quais são as transformações que a Rádio
pode introduzir neste quadro de
compreensão, que implique um estreito
entendimento entre a voz e o ouvido ?...
Antes de mais nada, a Rádio aparece-nos
como um instrumento de análise.
Quando um público ouve quem lhes fala,
vê um corpo humano, um homem (ou uma
mulher), cuja intervenção é a de
comunicar a outro o seu pensamento.
Assim o ouvinte vê a sua fisionomia,
observa os seus gestos. De certa
maneira, todo o homem que fala, o faz
com todo o seu corpo – a palavra é
sempre uma forma parcial de expressão,
porque essa expressão põe em jogo o
corpo inteiro.
Perante um público presente, é possível
separar e mímica da palavra. Em todos os
tempos, a pantomima conseguiu, isolando
os gestos daqueles que tentavam
comunicar. Juntando o gesto à palavra,
para mais se parecer com a realidade, a
televisão criou uma ilusão mais
complexa.
A essência da Rádio, consiste em separar
os ecos e os sons ( o princípio da
Radiodifusão), suprimir o aspecto
visível da expressão. Fica no
desconhecido uma multiplicação de
movimentos, sem a qual a palavra parece
perder a sua condição essencialmente
viva.
A Rádio, põe-nos o seguinte problema: em
que consiste a significação do som,
examinando só a sua pureza ...?.
O som, é um modo de expressão,
absolutamente separado.
O importante é que uma comunicação que
se estabelece pela palavra, pressupõe
dois participantes: um que fala e outro
que ouve. A palavra é a cadeia, ou seja,
a ponte que os liga.
Considerada na sua essência, isola este
modo de comunicação, e, a cadeia deixa
de ter as suas extremidades visíveis –
isto é, o que fala e o que ouve. Em
Rádio, verifica-se o isolamento do som
que liga os dois interlocutores. É, por
isso que ela é o melhor sistema de
estudo do som, em si próprio, como puro
meio de comunicação entre as
consciências, quaisquer que elas sejam.
A diferença essencial entre a
comunicação real, imediata, que se pode
estabelecer entre os homens, e a
comunicação estabelecida entre eles,
através da Rádio, põe em jogo o
contraste entre a presença e a ausência.
Na palavra há como uma dupla presença.
Em Rádio, uma dupla ausência – aquele
que fala não vê o que escuta – o que
escuta, não vê quem fala.
E, para mais, enquanto a conversa, o
discurso, etc., são sempre inseparáveis
de acontecimentos vivos nesse momento, a
Rádio capta o relato do acontecimento,
indiferente ao tempo e ao lugar onde se
verifica.
Basta que o ouvinte queira ouvir um som
gravado anteriormente para que, dando
uma volta a um botão do seu aparelho de
escuta e gravação, esse som se torne
presente.
Esta possibilidade dá ao ouvinte uma
espécie de soberania sobre o som,
tornando-o o seu amo, talvez como
compensação da ausência de vida real,
parece inseparável de toda a
conversação.
A palavra gravada fica,
indiscutivelmente à disposição de quem a
possui, independentemente da vontade de
quem a produziu, e, com o qual crê
comunicar sempre que o queira fazer.
Aqui chamamos a atenção de todos aqueles
que pretendem ser profissionais da Rádio
. Pensei sempre que nunca estão sozinhos
e a palavra pode não ser tão fugidia
como muitos pensam...
Quais são, pois, perante a Rádio, as
atitudes do ouvinte e do apresentador
...?
Nem uma nem outra coincidem com as que
têm na vida de todos os dias (no nosso
dia a dia), quando nenhum aparelho (de
emissão ou de recepção) está em jogo.
Com efeito, o ouvinte, ao desejar pelo
som (neste caso pela Rádio) e só pelo
som adquirir uma informação, ou receber
uma mensagem (não interessa de que
género), interessa-se pelo que lhe
comunica o seu interlocutor invisível,
pedindo-lhe apenas uma certa verdade
objectiva.
Tornando-se, pois, necessário que aquele
que pretende comunicar, por intermédio
do microfone, o faça com um tom de
objectividade susceptível de criar
adesão e confiança. Em muitos casos, a
Rádio, não se contentando em emitir
apenas um som, estabelece uma espécie de
comunicação, ideal e imaginária, entre
diferentes sentidos, porque o ouvinte
tenta perceber, além do que é audível.
Para tanto, até inconscientemente, ele
trata de reconstruir na sua imaginação o
espectáculo que mais lhe convém, para
melhor compreender o que lhe explicaram
pelo som.
Podemos assim dizer que a Rádio utiliza
o meio sonoro, mas evoca o meio da
visão.
Tudo isto, é apenas um aspecto da
atitude do ouvinte, que não pode deixar
de se influenciar pelo timbre da voz que
ouve.
Certas vozes deixam-no insensível,
outras provocam emoções. Há nas vozes um
elemento comparável à fisionomia. Não se
vê aquele que fala ao microfone – dá-se
uma espécie de abolição da sua imagem
visual – mas ouve-se, e a tonalidade
dessa voz é inseparável da tentativa de
um conhecimento do homem.
Chega-se a supor reconhecer o que há de
mais profundamente essencial num ser,
pela tonalidade da sua voz, muitas vezes
mais expressiva do que a sua fisionomia,
que pode ser imóvel.
Falar, é um acto no qual aquele que
fala, põe todo o seu ser. É por isso que
a voz é em muitos casos tão reveladora,
e que, mais do que o rosto, descobre
quase sempre a individualidade de um
carácter.
Assim, uma nova revelação é feita ao
ouvinte atento, apresentando-lhe um
pormenor importante e sugestivo. Pode
ser que a Rádio “apague” tudo quanto uma
voz tenha de particular e de original –
ou aquele que fala, a deturpe ou a
modifique, voluntariamente ou
involuntariamente. O ideal será sempre
que, aquele que fala, embora sentindo a
presença do microfone, se deixe em
presença de si mesmo e do seu
pensamento. Eis, sem dúvida, o último
ponto ao qual a Rádio é capaz de chegar.
Depois de termos enumerado os aspectos
diferentes que se podem distinguir na
maneira de escutar a Rádio, façamos uma
distinção análoga das diferentes
maneiras de se exprimir perante o
microfone.
- Se não há público que assista, a
quem se deve dirigir aquele que fala
?...
Indiscutivelmente, ao aparelho que tem
na sua frente, que personifica esse
público. A maioria dos que falam ao
microfone, dizem que este é
singularmente enervante, impedindo
muitas vezes o curso normal do
pensamento, dificultando a expressão,
estabelecendo como uma barreira, entre a
palavra e o espírito. O microfone impõe
a sua presença aos que falam na Rádio,
apesar de não ser mais do que um
aparelho. Mas, que se sente um certo
embaraço perante este aparelho, é por
uma razão grave. O microfone não
personifica uma personagem ideal, um
radiouvinte imaginário, embora possua um
carácter quase “divino” ou mesmo
“diabólico”, no sentido em que é um
intermediário entre aquele que fala e um
número considerável de ouvintes
invisíveis.
Ele, tem um poder extraordinário, que a
voz não possui – mostra a
responsabilidade e o peso da mais
insignificante palavra.
Nada lhe escapa, e o seu papel de
intermediário é cumprido rigorosamente,
levando ao auditório tudo quanto se diga
ou faça por meio do som.
Em que tipo de ouvintes pensa um locutor
quando fala ao microfone ?... Quem são
eles ?...
Primeiramente, esses ouvintes são
numerosos e ausentes – têm um carácter
anónimo.
Com efeito, um locutor (ou apresentador)
fala a uma multiplicidade infinita de
ouvintes possíveis.
A voz, dirige-se a todos quanto a ouçam
ou venham a ouvir através de uma
gravação. Consequentemente, a palavra
destina-se, não a um ser isolado, não a
público mais ou menos numeroso, mas a
todos os ouvintes que têm, ou poderão
vir a ter a possibilidade de ouvir – a
palavra tem um carácter de
universalidade potencial.
Parece pois que a Rádio pretende cortar
todas as relações entre aquele que fala
e quem o escuta, particularmente vivo,
situado num ponto determinado do espaço
e do tempo.
Em todo o caso, este facto não passa de
uma ilusão, pois, ou ouvintes são
elementos de um público, embora de
características muito diferentes.
Cada ouvinte encontra-se quase sempre só
perante o seu receptor. Portanto, no
momento em que um locutor fala,
dirigindo-se a este público (que
normalmente ultrapassa em número
qualquer assembleia normal), apenas o
faz, na realidade, e um único ouvinte.
É por esta razão que se diz (e
justamente) que há, nas comunicações
estabelecidas pela Rádio, um certo
carácter confidencial. O bom ouvinte,
deve sentir-se o único ouvinte.
A Rádio realiza, portanto, um facto
extraordinário: dirige-se (deve) a todos
os ouvintes. “Uma voz para todos e para
cada um”.
É ainda por esta razão que a Rádio pode
ter um carácter impessoal e
indeterminado – mas também e ao mesmo
tempo, um carácter mais íntimo, mais
confidencial e mais secreto.
Eis duas possíveis atitudes daquele que
fala ao microfone: “Falar para todos e
falar para um” e também “Falar a si
mesmo”.
Falar para todos e falar para um. No
entanto, a atitude melhor, e que atinge
o cúmulo das possibilidades de
comunicação entre as consciências, é bem
outra:
Falar a si mesmo:
O locutor, pretendendo comunicar o seu
pensamento, como que esquecido do
microfone, indiferente aos radiouvintes,
consegue estabelecer uma perfeita
ligação com quem o ouve.
Aquele que fala na Rádio, antes de falar
com outrem, deve falar consigo próprio.
Incapaz de comunicar o seu pensamento,
se o pretende comunicar, antes de mais
nada, que esse pensamento nasça no fundo
de si mesmo.
Para comunicar a outrem o seu
pensamento, é necessário que este
pensamento apareça com a expressão mais
profunda do que o homem tem de mais
pessoal, e que, no momento em que se
procura, precisamente, atingir o maior
auditório possível, ele fala sempre como
se falasse a si próprio.
Aquele que ouve, no fim de contas, tem
também a impressão de que os pensamentos
que lhe comunicam são os seus.
Isto só se consegue se o que se
comunicou se tornar para quem ouve, o
seu pensamento. Daqui se infere que
apenas se pode estabelecer uma
comunicação actual, viva e espiritual,
entre duas consciências. É este o ponto
mais alto que a Rádio pode atingir.
Para se persuadir realmente, não se deve
procurar a persuasão.
É preciso que o pensamento tenha um
carácter espontâneo. Que apresente, só
por si, e fazendo parte integrante, uma
forma da sua sinceridade e que se
expressou seja o testemunho dessa
sinceridade. Se esta condição se
realizar, os homens apercebem-se de que
há, entre eles, uma espécie de fundo
comum – o que é verdade para um, também
o é para outro.
Logo que nós descemos até às raízes da
nossa intimidade, em vez de sermos
separados por diferenças
intransponíveis, comunicamos, mesmo sem
o queremos e sem o sabermos.
O ponto extremo que nos é dado pela
Rádio, parece ser, sem dúvida nenhuma, o
mesmo que se verifica naquele que fala e
naquele que ouve.
Este ponto extremo não se saberá atingir
sem se consentir numa outra mediação,
que se resume numa contínua atenção
sobre nós próprios.
Se alguém lhe pedisse para colaborar num
programa de Rádio, qual seria a sua
reacção ?... Se você for como a maioria
das pessoas, entrará simplesmente em
pânico.
Pensará logo: será que possamos melhorar
os nossos dotes oratórios ?... Claro que
sim. Qualquer pessoa o pode, para que
seja possível, basta aprender.
Deve ter em conta dois pontos
fundamentais: a preparação e a
apresentação. Ambas são muito
importantes, senão vejamos:
- Deve escolher bem o assunto, o qual
deve ser um tópico sobre o qual você
tenha opiniões bem firmes. A única
maneira de nos sentirmos à vontade
diante dum microfone, é entender da
matéria que vamos apresentar, e,
sobretudo acreditar naquilo que tentamos
transmitir (seja em que situação for).
Escolha um assunto que interesse
directamente os ouvintes e adapte a eles
a sua mensagem;
- Organize com lógica os seus
argumentos. Mas você precisa de
engendrar um ponto de partida
(geralmente uma descrição sumária do
assunto que vai falar) e, depois um
corpo de texto que enumere os pontos
principais. E, por fim, precisa de um
final que resuma toda a sua exposição.
Atenção:
A palavra em Rádio é muito fugidia,
razão que deve repetir sempre e por
outras palavras o que se disse
anteriormente. Ouvir é muito diferente
de ler e até de ver.
- Depois de tudo bem planeado, você vai
precisar de ensaiar a melhor maneira de
transmitir os assuntos aos seus
ouvintes: Se lhe for possível, ensaia em
casa sozinho e depois peça a opinião de
quem saiba. Nunca tenha receio de uma
crítica;
- Seja natural e faça desde logo amizade
com os seus ouvintes (um bem muito
precioso para que fala aos microfones.
Lembre-se sempre que o ouvinte é que faz
o favor de o escutar). Dê preferência a
termos simples e a frases curtas (mais
fáceis de ficar no ouvido do ouvinte);
- Haja sempre com naturalidade e
segurança (nada de falsas personalidades
e pense que o ouvinte já há muitos anos
aprendeu a ouvir Rádio). Se por acaso se
apercebeu que cometeu algum deslize, não
tente emendar. Se por acaso se esqueceu
do que ia a dizer a seguir, guarde
consigo esse segredo, pois, os outros
não o vão saber (a menos que você lhes
diga). Nestes casos meta um pouco de
música instrumental que poderá
interromper a qual altura, ao contrário
da música cantada que nunca deverá ser
interrompida. Depois siga com outro
tópico. Não fale muito e tenha sempre a
preocupação de não saturar o ouvinte.
Nunca se esqueça que a grande e
imprescindível decoração da Rádio, é a
música.
REGRA DE OURO:
Não existe nenhuma lei que diga que se
devam empregar palavras compridas,
quando se fala.
Existem palavras pequenas que se podem
aplicar para exprimir o que se quer
dizer. Pode ser que a gente leve um
pouco mais de tempo para as encontrar,
mas às vezes vale a pena.
As palavras curtas são concisas,
eficazes, e, vão directas ao assunto
como uma faca. E têm um encanto muito
próprio pois dançam, ondulam e cantam.
Palavras curtas podem encerrar grandes
pensamentos e exibi-los para que todos
as entendam.
Essas palavrinhas movem-se facilmente,
enquanto as grandonas ficam isoladas, ou
pior ainda, atrapalham aquilo que
queremos dizer.
Não existe muita coisa que as palavras
curtas não consigam exprimir – e bem.
ATENÇÃO: Nunca grite para o
microfone pois ele não é surdo!
fale para ele como se fosse um
amigo que estivesse àquela
distância.
A Rádio foi o primeiro meio de
comunicação ao dispor do homem moderno,
que assumiu este aspecto fascinante:
falar, ao mesmo tempo, a um indivíduo e
a uma massa colectiva.
Saliente-se, no entanto, mais uma vez, o
facto essencial de a Rádio se dirigir
especialmente a um só ouvinte isolado,
embora atingindo simultaneamente uma
soma considerável de outros ouvintes
também isolados, que, no seu conjunto,
formam uma autêntica multidão onde cada
elemento se encontra separado dos outros
por compartimentos estanques.
No entanto, este isolamento pode não ser
físico, e muitas vezes não o é – mas sim
um isolamento interior. Este carácter
íntimo da comunicação radiofónica é de
tal forma imperioso, que ele determina o
estilo dos trabalhos radiofónicos.
A Rádio veio impor modificações
profundas nos hábitos e na maneira de
viver dos homens modernos. É, talvez
difícil ter-se a medida exacta desta
interferência, tal como não é fácil
atinar com a sua razão fundamental.
Parece que a Rádio pôs fim a uma espécie
de isolamento no qual vivia o homem.
Muitos seres humanos que antes do
aparecimento da Rádio, se sentiam e
realmente se encontravam isolados, têm
agora o sentimento de fazer parte de uma
comunidade. A mensagem fraternal da
Rádio é permanente, regular, insistente.
Uma nova forma de comunicação foi
estabelecida: os ouvintes sentem-se
menos sós e participam na vida social.
Atinge-se assim, um ponto extremamente
importante. A reacção instintiva contra
um sentimento de solidão, por um lado, e
a tomada de consciência colectiva (que
muitos consideram uma autêntica
revolução), por um lado, são como uma
réplica interior ao carácter bivalente
da Rádio.
Pelo que se sabe do ouvinte, verificamos
claramente que a luz não vira do seu
lado, limitando-se este, a exigir que a
Rádio o informe, a desejar que a Rádio o
divirta e a aceitar que a Rádio o
eduque.
Informar, divertir e educar, eis o que
pedem à Rádio os ouvintes, cada um
colocado no seu campo vedado.
Caracteriza-se assim a massa ouvinte:
conjunto de elementos individuais,
conjuntos de compartimentos habitados –
enorme colmeia, onde, em cada alvéolo,
existe um receptor e um ou mais ouvintes
isolados entre si.
A profissão de um profissional de Rádio,
cada vez é mais exigente. Exige-se dele
que tenha sempre presente o desejo de
trabalhar para todo o auditório, e, só
depois para o seu gosto pessoal, assim
como o gosto dos amigos, estes, muitas
vezes, responsáveis morais de uma fraca
qualidade que alguns programas
radiofónicos apresentam.
A produção radiofónica tem um papel
muito importante a cumprir: Divulgar,
Ensinar, Entreter.
No entanto, ponhamos desde já de
sobreaviso todos quantos se dedicam ao
assunto ou se interessam por eles,
contra os maus resultados de certa
“cultura popular”, arremedo da
verdadeira cultura, utilizada pelos mais
divulgadores ou por aqueles que, sem
altura para tanto, pretendem tratar
assuntos de nível elevado. E aqui é como
o povo diz :”A ignorância é muito
atrevida”.
NADA CUSTA FAZER - É PRECISO É
SABER FAZER !
A Rádio, neste aspecto, necessita de
especialistas, pois é muito mais difícil
divulgar pela palavra falada do que pela
palavra escrita. Quando são abordadas
ideias totalmente novas, que requerem
“segunda leitura”, o auditório
fatiga-se, satura-se, perde-se e não
acompanha.
Para se fazer compreender pela Rádio, há
regras estabelecidas e pequenas
subtilezas na elaboração dos textos para
serem lidos ao microfone, que são
imprescindíveis.
Uma Rádio que nuca ou quase nunca se
destina à reflexão pessoal, à ânsia de
aprender, que não estimula no auditório
a vontade do estudo ou de investigação –
não cumpre um dos seus principais
pressupostos. Os outros (e também muito
importantes, são a Informação, a
Divulgação e a Música, esta adequada ao
auditório que a Rádio tenha e conforme
os horários que é mais ouvida).
A MÚSICA É A DECORAÇÃO RADIOFÓNICA
!
Como também não estão a cumprir aqueles
que não vêem na Rádio um meio excelente
de educar o povo, e, que partindo “à
prior” deste princípio errado, desprezam
um valor social inestimável e uma arma
contra a ignorância.
Não se pode escrever para a Rádio como
se escreve, por exemplo, para um jornal
ou revista. Não é unicamente porque os
meios são diferentes, que suportam mal
os efeitos literários e o tom enfático
que a imprensa permite; é,
principalmente, porque o fim é outro,
porque a escuta difere da leitura,
porque essa escuta tem condições que
levam o ouvinte ao uso do esforço mínimo
e porque ouvir não é o mesmo que ler.
O ouvinte encontra-se quase sempre sem
compromisso de entrega, sem conceder ao
locutor (ou apresentador) uma atenção
muito especial e recusando-se, muitas
vezes, à boa-vontade que daria a
compreensão de um texto qualquer que
lesse.
O ouvinte pensa que o locutor (ou
apresentador) deve – e pode –
imputar-se-lhe uma adesão, um esforço de
compreensão, uma disposição para receber
o espectáculo radiofónico que provocou
(ou procurou) voluntariamente.
A um ouvinte, embora se lhe pudesse
pedir outro tanto, retira-se-lhe esse
compromisso, atendendo ao carácter quase
imperativo da Rádio e não à determinação
dos seus programas perante seu público;
é, por assim dizer, um espectáculo que
se impõe e que não tem em conta o
direito do espectador.
Além disso, o ouvinte é vítima do
carácter fugidio da impressão auditiva.
Se, durante uma leitura, se encontram
passagens de compreensão mais difícil, o
leitor pára e reflecte, relê e pensa.
Na Rádio, esta suspensão é impossível.
Aquele que escreve, lê ou fala, tem de
saber que, se o ouvinte “perder o fio à
meada”, dificilmente o torna a apanhar
...
Por isso, quem escreve para a Rádio,
deverá recorrer às repetições
necessárias à compreensão auditiva, sem
entrar em exageros.
O escritor, evita as repetições, tanto
de palavras, como de ideias – concentra,
apura, sintetiza.
Esta preocupação deve desaparecer,
quando se escreve para a Rádio, mas
tendo sempre em atenção que, de uma
maneira geral o ouvinte prefere um texto
curto e simples.
O laconismo e a simplicidade constituem
o melhor meio de elaboração de um texto
radiofónico, capaz de servir e maioria,
pois é difícil achar meio termo que
permita o tom suficiente oral um e para
todos.
A tolerância do ouvinte é também um
pormenor a ter em conta, pois o seu
sentido crítico apura-se, requinta-se.
Não é necessário um estudo longo do
assunto para se reconhecer que, dadas as
particularidades do meio que serve, a
heterogeneidade do público, etc., a
redacção radiofónica é condicionada a
valores diferentes dos da simples
leitura.
Escrever para a Rádio, sem ter presente
que o fim é totalmente diferente
daqueles que se visa ao escrever para um
jornal ou livro, é arriscar-se a não ser
percebido e não atingir o que se
pretende, independentemente do grau
literário e gramatical que se escreve.
INFORMAÇÃO RÁDIOFÓNICA:
O Jornalismo falado pode talvez ser
considerado como uma regressão, pois a
comunicação verbal das notícias procedeu
à invenção da Imprensa.
Infelizmente, a Rádio obriga a uma
compreensão imediata, pois a leitura das
notícias faz-se de uma só vez, e não se
repete no mesmo noticiário.
O jornal permite Segunda leitura
imediata; a Rádio não proporciona
segunda audição. Se o ouvinte não
percebeu totalmente, os detalhes serão
esquecidos, os nomes modificados, as
cifras alteradas, e as ideias, pelo
menos, adulteradas.
E, para terminar este quadro, também
pode estar em jogo um mau ouvinte, que
não preste à leitura do noticiário toda
a atenção necessária.
Pelo que se disse, nota-se perfeitamente
uma certa semelhança da Imprensa com a
Rádio, mas atenção, aquela tem a forma
global e, esta tem a forma analítica, o
que quer dizer que qualquer texto de
jornal, em radiodifusão terá que ser
apresentado m forma de comentário, e não
deverá exceder a terça parte (o máximo)
do corpo escrito.
E aqui, abrindo um “parêntesis”,
aconselhamos que façam sempre um
comentário às notícias dadas, que poderá
ser de forma global.
Também sabemos que, como qualquer
indústria, a Rádio, como organização, é
susceptível de eufeudamentos,
directrizes patronais, regulamentos
limitadores, que determinam irrevogáveis
de trabalho, nem sempre ao gosto do
ouvinte médio, para quem a Rádio deve
trabalhar.
A experiência de outras profissões,
ensinou-nos que a incompetência pode ser
tão noviça como a má intenção.
Houve um período, quando apareceram
simultaneamente muitas Rádios, nem dando
tempo a um autodidactismo eficaz, e o
método de aprender pelo trabalho, foi o
único possível.
Mas esta desordenada aprendizagem,
provou pelos seus resultados que é
possível ao “prático”, não saber tudo o
que poderia saber ou tê-lo aprendido com
prejudicial lentidão.
E dá-se, muitas vezes o caso de se
aprender a fazer várias coisas de um só
modo, quando existem soluções diferentes
mais aconselháveis.
Tradicionalmente, é também a teimosia do
profissional, capaz de continuar a usar
um método já ultrapassado ou ineficaz,
só porque aquele foi o seu método.
Sabem que o êxito de uma frase
passa pela respiração oportuna,
transições de tom e inflexões
apropriadas ?...
A FALA:
As crianças normais, atravessam todas as
mesmas fases para aprender a sua língua
materna, e conseguem mais ou menos ao
mesmo tempo. Quer estejam privadas do
contacto com ela, ou ainda que sejam
estimuladas pelos pais, a praticar
exercícios para o seu desenvolvimento.
Com apenas alguns anos de idade, as
crianças ficam de posse integral do
sistema linguístico, que lhes permite
pronunciar e compreender frases, que
nunca tinham ouvido antes.
Ao contrário do que acontece com esse
ordenado amadurecimento (facto
extraordinário que se processa
espontaneamente), muitas crianças têm
dificuldade de aprender a ler ou a fazer
operações aritméticas, mesmo que recebam
um bom número de horas de instrução. A
criança vai aprendendo a sua língua, ao
ouvi-la falar às pessoas que a rodeiam –
embora essa linguagem seja tão complexa,
que são necessárias páginas e mais
páginas de diagramas, fórmulas e notas
explicativas, para avaliar qualquer
pronunciamento feito através dela, ainda
que breve.
Durante o resto da sua vida, a criança
irá dizer frases que nunca ouviu, e,
quando está a pensar ou a ler, mesmo
assim estará na realidade a falar
consigo própria.
A Rádio poderá dar uma forte
contribuição para a aprendizagem da
língua materna às crianças.
Sem dúvida, a voz e o seu completo
domínio, constituem a base do trabalho
da maioria de determinados profissionais
da Rádio, embora, frequentemente, seja
notório que alguns locutores têm na voz
o ponto mais débil da sua actuação.
A base fundamental para se adquirir uma
boa voz, consiste numa eficaz respiração
que facilite a obtenção da maior
quantidade de ar, com o menor esforço
possível, numa inspiração rápida e
silenciosa – e uma expiração regular e
controlada, também, num mínimo de
interferências com o mecanismo que
produz os tons na garganta.
Falar bem, com a voz sonora, ou é um
hábito sem mérito, ou, um produto de
exercícios. São raras as gargantas
privilegiadas.
Melhorar a qualidade da voz, requer
prolongados estudos, e, há um sintoma
que pode orientar aquele que pretende
essa melhoria de voz. Esse sintoma é o
esforço. Quem fala com esforço, quem
atinge este ou aquele efeito vocal, este
ou aquele tom, por intermédio de um
esforço considerável, terá de corrigir a
sua maneira de falar.
A maioria das vozes desagradáveis, ou,
cansadas, é consequência da falta de
simplicidade na emissão vocal.
Um timbre demasiadamente agudo ou
metálico, uma voz mal colocada, provocam
fadigas, inflamações (com o seu
infindável cortejo de anginas,
rouquidão, etc.) e, muitas vezes causa a
perda definitiva da voz.
Nunca se deve empregar a voz até ao
limite do seu volume. Qualquer exercício
que canse ou cause irritação, é um mau
exercício, ou mal praticado.
A voz profissional (e só a esta nos
referimos) deverá sempre ter como apoio
uma respiração que arranque do
diafragma, deixando todos os músculos em
distensão.
Para obter maior volume, deve
alimentar-se a pressão da respiração ao
expirar, mas sem elevar a altura do som.
Numa consideração muito breve e mais
simples, diremos que, o trabalho ao
microfone, exige, quase sempre, um
prolongamento das vogais e uma livre
vibração das cordas vocais, num total
uso de todas as ressonâncias.
Algumas considerações:
- Ausência de ímpetos súbitos –
relâmpagos de voz – quando não
intencionais;
- Altura exacta (entre o tom íntimo e o
falar alto), deve preferir-se o tom
íntimo, sem prejuízo de um timbre
suficientemente sonora;
- Descontracção (a voz oprimida é
desagradável), devendo falar-se com a
voz livre e fácil;
- Tom de nível médio (a voz situada,
como instrumento vocal, na gama própria.
Continuando a tentativa de resumir,
terminaremos por afirmar que, a voz
falada ao microfone, exige a aplicação
de uma técnica especial, que não se pode
inventar, nem mesmo quando se possuam
verdadeiros dotes vocais. Esse técnica,
tem de se aprender, e, pode-se
resumir-se assim:
- Boa respiração, suave e silenciosa;
- Emissão fácil, com a voz bem situada
“para a frente”; para facilitar o
diafragma, tente falar sempre com a
ponta do nariz um pouco empinada;
- Articulação dos maxilares clara e, por
vezes, exagerada;
- Pronúncia impecável;
- Tom na gama média (variável de
indivíduo para indivíduo);
- Dicção lenta, bem matizada (devemos
fazer uma bem estudada simbiose entre os
tons graves e os tons agudos);
- Expulsão regulada e vagarosa do ar
pulmonar;
- Pronúncia até ao fim da última sílaba
de cada palavra, recalcando os finais
das frases – nunca “comer” as últimas
sílabas de cada palavra.
Estas exigências implicam uma diminuição
da rapidez de dicção. Por isso, o
profissional de Rádio que usa a voz ao
microfone, deverá falar com mais
lentidão e com mais força do que na vida
corrente.
Na Rádio, a interpretação vocal falada
constitui, sempre não só base do
trabalho, como também a única ao alcance
de muitos dos seus profissionais. O
trabalho de quase todos os locutores (ou
apresentadores), baseia-se no trabalho
dos autores, realizadores e redactores –
sem esquecer os sonoplastas (também
chamados assistentes).
A actuação radiofónica do locutor, do
apresentador, do conferencista, do
cronista, etc., exige que essa
interpretação vocal se baseie numa
dicção clara e num frasear correcto
(deve ler com o sentido da frase, sem
perder qualquer som emitido).
Cada frase, encerra uma imagem que lhe
dá o seu verdadeiro sentido. Esta
imagem, pode ser representada por uma só
palavra, ou por um conjunto de palavras,
que chamaremos “palavra (ou palavras) de
valor”.
Ao dizer a frase, fixar-se-á o destaque
principal (acento, mais ênfase, mais
força, etc.) nestas palavras de valor,
concentrando nelas toda a atenção,
embora sem aumentar o volume da voz.
As frases possuem, muitas vezes, vários
acentos e, neste caso, terá que dar-se a
preferência a um, que será o dominante,
sendo os restantes secundários.
Até o locutor interpreta quando lê um
noticiário, pois, procurará dar a
sensação de uma total ausência de
adesão, precisamente através de uma
interpretação. Ao interpretar (ou ler,
se preferimos um texto, apenas e
exclusivamente de acordo com o sentido
da frase, este notará imediatamente que
a pontuação gramatical não corresponde,
quase sempre, ao modo natural de dizer a
frase, nem origina inflexões necessárias
– isso, obrigá-lo-á a estabelecer certas
“regras de frasei”, que se tornam
inseparáveis da locução ou da
interpretação radiofónica.
Estas regras determinam-se por meio de
pausas, da mais variada duração. Assim,
a pausa pode ser um breve instante
(tempo de respiração) ou, alcançar uma
duração considerável (ponte de
transição).
Do valor artístico e estético destas
pausas, e o seu aproveitamento, depende
o exito pela ordenação da frase –
respiração oportuna, transições de tom e
inflexões apropriadas.
Eis as principais “regras de fraseio”
aplicáveis à Rádio:
- A vírgula não significa forçosamente
uma pausa breve – em muitos casos deve
ignorar-se;
- Faltam, num texto para ser lido ao
microfone, com muita frequência, os
sinais gramaticais respectivos – neste
caso, deverá fazer-se uma pequena pausa;
- O ponto e vírgula, pode significar,
tanto uma pausa breve como uma pausa
prolongada – terá que definir-se de
acordo com o sentido do texto;
- O ponto final não significa sempre um
abaixamento de voz, embora, signifique
sempre uma pausa grande;
- As reticências significam, geralmente,
quando incluídas no meio de uma frase,
pausas breves, sem que a voz caia ou se
torne mais grave – quando se pretender
dar a impressão de que se procuram as
palavras, o tom deve permanecer o mesmo,
ou, deve subir, independentemente da
pausa ou das pausas que se efectuarem;
- As reticências, no final de uma frase,
significam uma ideia inacabada, devendo
provocar uma pausa muito lenta. Isto é,
o locutor ou interprete deve completar a
frase mentalmente, tratando de não fazer
um corte súbito onde começam as
reticências – se por falta de
concentração do contracenante (nos
programas feitos por mais de uma
pessoa), se este não “entrar” a tempo, o
primeiro, ao ler as reticências, deve,
automaticamente, completar a frase que
devia ter deixado incompleta ou em
suspenso;
- O final das frases, independentemente
da pausa que provocam, não deve
precipitar-se ou perder-se. Em teatro,
diz-se muitas vezes “não deixar cair os
finais”, o que não se aplica em Rádio,
visto que a voz baixa quase sempre onde,
definitivamente, se conclui uma ideia:
- É preferível abrir uma pausa sem
justificação estética, a não ter ar para
emitir claramente um som vocal;
confundir o som das vogais, ou
pronunciar defeituosamente;
- O ponto de interrogação determina uma
grande pausa, antes do começo da
pergunta – quando a frase começa com um
elemento interrogativo – tal como
“porquê ?” – “onde ?” – “quem é ?” –
etc.. Também existem perguntas que são,
na verdade, exclamações, e é como tal
que se devem ser inflacionadas.
Saber dizer uma frase com o seu acento
lógico, aplicando as pausas de modo
inteligente, é indispensável para o
locutor, e também a todos que falam pelo
microfone.
Uma vez vencido o respeito da pontuação
gramatical (só a que se deve ignorar)
deve ler-se para a locução, quer para a
interpretação propriamente dita, de
acordo com o verdadeiro sentido da
frase.
Se se lhe juntar uma dicção clara e o
conhecimento das “regras de fraseio”, a
palavra falada atinge, pela Rádio, o
valor único que este meio lhe concede e
que, simultaneamente, lhe exige.
FALAR NÃO É DECLAMAR !
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Fundo Musical:
Retrato Brasileiro * Composição:
Baden Powell
Resolução do Ecrã: Acima de 1.280 px
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