"NUNCA É TARDE"

Carlos Leite Ribeiro

 

Naquela tarde de fins de Maio, ao fundo de uma tortuosa rua em muito mau estado de conservação, uma mulher já idosa seguia acompanhada pela sua inseparável cabra, a quem chamava de "Chiba".

 

- 1ª Pers. : - Lá vem a "Tia Amélia do Casal" e traz cá uma "osga" (bebedeira)!

- 2ª Pers. : - Nem sei como é que ela se aguenta em pé.

- 3ª Pers. : - Mas, infelizmente, é este o seu estado normal ...

- 4ª Pers. : - Mas parece-me que hoje é demais pois traz cá umas grandes "marteladas" !

- 2ª Pers. : - Talvez, talvez ... seja por estar muito calor ...

- 4ª Pers. : - E em vez de água, bebeu vinho !

 

- Amélia do Casal: - ... olhem só para isto, olhem só para isto ... esta cabra, nem se aguenta em pé. Que vergonha, que vergonha, cabra ! ... levanta-te maldita ... está bonita a chiba, está bonita a chiba ! ...

 

- 1ª Pers. : - Olhem ! A pobre cabra até é bem capaz de também estar bêbeda, só com a respiração da "Tia Amélia do Casal" !

- 2ª Pers. : - É uma vergonha, é uma vergonha pessoa andar neste estado na rua....

- 4ª Pers. : - Tens toda a razão: é uma vergonha, mas aquela mulher nem sempre foi assim. Ainda me recordo dela, como uma mulher limpa, geniquenta, que nunca virava a cara ao trabalho. Era como se costuma dizer, uma mulher de cabeleira farta ...

- 2ª Pers. : - A minha mãe ainda diz que era uma boa modista.

 

- Amélia : - ... ainda caio por tua causa, maldita cabra ! ... não te ponhas à frente dos meus pés, cabra do inferno ! ... anda, anda ... está bonita a chiba, está bonita a chiba ! ...

 

- 3ª Pers. : - Então porque motivo ela se encontra neste estado deplorável ? ...

- 4ª Pers. : - Não sei bem porquê, mas segundo ouvi dizer ela se zangou com o marido, e este abandonou-a e, depois foi para os "Brasis", como a "Tia Amélia do Casal" diz ...

- 2ª Pers. : - Estou mesmo a palpitar que daqui a pouco, a "Tia Amélia", cai no chão. A pobre cabra nem sabe se há-de seguir pela direita, se pela esquerda ...

 

- Amélia : - ... Óh cabra, hoje não sei o que tu tens ... óh chiba, não me dês encontrões ... por tua causa, ainda vou cair ... vem para aqui, chiba de um raio ... és teimosa ... está bonita a chiba, está bonita a chiba ! ...

 

- 3ª Pers. : - Reparem, quem é aquela mocinha que se está a aproximar da "Tia Amélia do Casal" ?...

- 4ª Pers. : - É o verdadeiro anjo da guarda dela ! ...

- 3ª Pers. : - Mas, quem é aquela moça ?

- 4ª Pers. : - É a filha mais velha do Reinaldo, aquele que está na Alemanha e que fez aquela casa junto à orla do pinhal. Se não fosse aquela moça, com certeza que a "Tia Amélia" já não era viva !

- 1ª Pers. : - A moça tem  ar de simpática e cara de boazinha ... e é muito bonita. Olha lá, como é que a moça se chama ?...

- 4ª Pers. : - Chama-se Isabel, ou Isabelita para os amigos. Ela é que a lava, que lhe dá de comer, que a atura ... olha, faz-lhe o que a verdadeira filha, a tal que dizem que anda lá por Lisboa, nunca lhe fez !

- 3ª Pers. : - Reparem que embora cambaleante, a "Tia Amélia", desde que a Isabelita chegou junto dela, já não implica tanto com a cabra ...

- 4ª Pers. : - Ela tem muito respeito à Isabelita. Estou a imaginar o que ela lhe está a dizer ... deve estar a ralhar-lhe, e bem ...

- 2ª Pers. : - Até a cabra parece estar com ar de comprometida, a ouvir a reprimenda que a dona está a ouvir da Isabelita ! ... que adorável moça ! - ela estuda ? ...

- 4ª Pers.: - É aluna universitária, e tem sido uma boa estudante. Nunca chumbou e tem tido sempre boas notas.

- 3ª Pers. : - Mas eu já tenho visto a ajudar a mãe, naquele pedaço de terra que ela amanha ali no vale. Pelos vistos, é muito trabalhadora !

- 4ª Pers. : - A Isabelita, além de boa estudante, também é muito boa dona de casa, além de ajudar a mãe no campo. E quando é preciso, até dá serventia aos pedreiros nas obras que fazem lá em casa. O meu compadre (que vocês conhecem bem) o Jorge Pedreiro, já me tem dito que ela é o "servente" que o mais obriga a trabalhar !

- 3ª Pers. : - Estão quase a chegar a casa da "Tia Amélia" ...

2ª Pers. : - O que se irá lá passar ? ... bem gostava de ser mosca ...

 

- Isabel : - ... olhe "Tia Amélia", sente-se aqui neste banco ... mas com cuidado ... por favor, veja se não cai ! ... cuidado tia !

- Amélia : - Eu cair ?! ... eu?! ... aquela maldita cabra, a chiba, é que está com uma grande "pedrada" ! ... podes crer Isabelita, que ela cada vez está pior ... dá cabo de mim ! ...está bonita a chiba, está bonita a chiba ...

- Isabel: - Pois, pois ... eu já vi tudo. A chiba é que está com uma grande "pedrada" ... tia, sente-se, sente-se aqui com calam , e por favor não caia.

- Amélia : - Tu nem parece que me conheces ! ... eu nunca caio ... nunca caiu ... eu para cair, só se for a chiba a atirar-me ao chão !

- Isabel : - Tantas lamúrias ! Pronto, pronto. Mas agora não saia daí, pois eu vou guardar a chiba. Volto já.

- Amélia : - Vai lá meu anjo. Se por acaso a cabra ... a chiba não te obedecer, por favor diz-me, que eu depois ajusto contas com ela ... ajusto contas com ela ... está bonita a chiba, está bonita a chiba ...

... ... ...

- Isabel : - ..."Tia Amélia", já voltei e agora vamos entrar em casa, pois temos muito, muito mesmo de falar...

 

Já dentro de casa a conversa entre a jovem e a tia continua ...:

 

- Amélia : - Tu não me vais ralhar, pois não Isabelita ?! ... fala, diz qualquer coisa ...

- Isabel : - O que é que a tia quer que eu lhe diga ? ... olhe, contente consigo, é que eu não posso estar ... tome cuidado com esse degrau ...

- Amélia : - Isabelita, hoje não me ralhes, pois a culpa foi da chiba ... tu bem viste, não queres é admitir ... ela dava-me encontrões nas minhas pernas, e eu, para me manter direita, tinha que a empurrar ... eu andava um pouco para a direita, às vezes para a esquerda ... outras vezes tropeçava. A culpa é da chiba. Está bonita a chiba, está bonita a chiba ! ...

- Isabel : - A tia já acabou ?! ... Pense bem : a culpa é da "Tia Amélia", pois a pobre chiba não a leva para a taberna. A tia é que vai por sua livre vontade. Que maldito vício esse," Tia Amélia" !

- Amélia : - Tu estás enganada ... Pois é, por eu estar com um pouco de febre, para ti, estou bêbeda. Olha que eu ainda sou uma mulher que sabe fazer tudo ... tudo, ouviste ?!

- Isabel : - Ouvi e talvez acredite ... lá saber, a tia sabe, mas fazer, é que não faz ! veja só aquele tecido que está ali e que eu trouxe à mais de um mês ...

- Amélia : - Há mais de um mês ?! Olha como o tempo passa tão depressa ! Mas eu não me esqueci ...

- Isabel : - Pois não ! ... não se esqueceu, mas também não se lembrou ! E eu gostava de levar o vestido ao casamento da Rita, e ainda nem sequer a "Tia Amélia" o começou a cortar !

- Amélia : - Olha lá Isabelita , quando é que a Rita se casa ? ...

- Isabel : - Olhe, casa-se no próximo Domingo !

- Amélia : - Então ... então vou já cortar o tecido. Olha, passa-me aquele papel que está ali naquela mesa, e que tem as tuas medidas. Logo ... logo já podes vir cá fazer a primeira prova ... vou já começar a trabalhar ...

Isabel : - Óh tia, por favor, deixe-se disso !... pois não está em condições nem para enfiar uma agulha, quanto mais cortar o tecido !

- Amélia: - Tens razão, minha filha. Esta febre consome-me e não me deixa trabalhar. Apanhei-a no Inverno passado. Assim como este maldito reumatismo, que não me deixa de doer e de me incomodar. Nem sequer me deixa estar de pé ... e aquela maldita chiba, também tem muita culpa ! ... que raio de chiba que eu tenho !

- Isabel : - Deixe a chiba em paz! Venha mas é lavar-se para depois comer o que eu lhe trouxe ...

- Amélia : - Mas minha filha, eu ainda sei cozinhar !

- Isabel : - Ai, ai mas que paciência que é preciso ter ! ... a tia lave-se, depois coma e deite-se. Quando acordar, já estará completamente curada dessa febre e desse reumatismo que tanto a está a apoquentar ...

- Amélia : - Isabelita, olha lá, a chiba está bem ?! ...

- Isabel : - Óh tia, deixe lá a chiba em paz ! ...

 

((( A "Tia Amélia" deita-se e adormece. Entretanto, batem à porta da rua ...)))

 

- Isabel : - Quem é ?! ...

- Um Carteiro : - É aqui que mora a Srª. "Amélia do Casal" ?

- Isabel : - É sim ! ...

- Isabel : - É que tenho aqui uma carta registado para ela. Veio do Brasil ... ...

 

NOTA: A cena passa-se numa casa pequena e de aspecto exterior pouco limpo.

Num quarto, a "Tia Amélia do Casal" está deitada numa cama a dormir, enquanto uma jovem, a Isabelita, está sentada num banco, tendo nas mãos uma carta. Parece meditar ...

Nesse momento, a pessoa que está deitada, ou seja a "Tia Amélia" começa a dar sinais de querer acordar ...

 

- Isabel : - ... então tia, acorda hoje ou não ?! ...

- Amélia : - Annn, annn ... deixa-me espreguiçar ... Áh és tu ... que terrível pesadelo ! Quase que não posso abrir os olhos, com tantas dores de cabeça que tenho ...

- Isabel : - Tia, tome lá este comprimido.

- Amélia : - Não quero nenhum comprimido ...

- Isabel : - Vá, vá não seja rabugenta. Engula ... engula ... beba mais um pouco de água ...

- Amélia : - Tu és um anjo, minha filha. Se não fosses tu, nem sei o que seria de mim !

- Isabel : - Pois é, tia, só que por vezes os anjos estão de folga, ou ficam entretidos no céu ! ...

- Amélia : - Mas tu és um anjo, Isabelita !

- Isabel : - Óh tia, desperte para a realidade e não se refugie no vinho. Que raio de vício, que vergonha ! ainda à pouco passei pela mercearia e a Madalena chamou-me de parte para me dizer: " a tia Amélia do Casal, cada vez está a beber mais e cada vez está pior. Agora quem paga as favas é a pobre da cabra. Quem a viu e quem a vê esta mulher ! ...".

- Amélia : - O quê ?! ... a Madalena teve o descaramento de te dizer isso, minha filha ?!

- Isabel : - Disse sim, tia ...

- Amélia : - Ela tem muita razão ... A mulher que eu fui e a mulher que eu sou hoje ... sinto-me um autêntico traste ! Mas que hei-de eu fazer ? ... eu não posso passar sem ele, aquele maldito vinho. Mas ele dá-me força e sobretudo coragem ...

- Isabel : - Mas o vinho não dá força nem coragem a ninguém, tia !

- Amélia : - Mas que hei-de eu fazer ?! ...

- Isabel : - Olhe lá tia, deixe de beber. A tia sabe que o vinho lhe faz mal, e continua a bebê-lo ! ... e com isto tudo, já me esquecia que tenho uma novidade a dar-lhe : tenho aqui uma carta para si, que veio do Brasil.

- Amélia : - Do Brasil ?! ... nunca recebi correspondência desses lados. Isabelita, por favor, lê-me já essa carta ...

Isabel : - Está bem tia ...

 

((( rasga o envelope e desdobra a carta ...)))

 

Isabel lê, lê a carta em voz alta: -

 

"Amélia !

Há vinte e sete anos que estou neste país, e é a primeira vez que te escrevo. Soube pela filha do Reinaldo, a qual não conheço e que se chama Isabel, que tu te emendaste e que hoje és a mesma Amélia do Casal que eu tão bem conheci, e que tanto te amei. Sei que te fiz sofrer muito, mas eu também sofri, o que eu só sei. Mas este maldito orgulho, não permitiu que há mais tempo te escrevesse.

Eu não devia de ter feito o que fiz, tu não devias ter dito o que disseste, mas, águas passadas, não moem farinha e eu quero esquecer o passado.

Como a Isabel me mandou dizer, tu não gostas desse lugar onde habitas. Pois bem, junto te envio um cheque internacional com valor suficiente para tu comprares uma casita para nós, onde tu escolheres, pois eu também tenho saudades de Portugal e, sobretudo da minha querida mulher.

A nossa querida e única filha, a Cristina, há cinco anos que está comigo. Já se casou e tu já és avó, pois a Cristina tem um belo moço de 2 anos, que se chama Moacir. Ela, o marido e o filho, irão comigo para Portugal, assim que eu arrume os negócios que aqui tenho. Em breve estaremos todos aí. E desta vez, para sempre !"

teu António”

 

- Isabel : - Porque é que a tia está a chorar ?...

- Amélia : - Porquê ?!!! ainda me perguntas porquê ... tu minha filha, tu minha querida Isabelita, escreveste ao meu António ! ...

- Isabel : - Pois claro que escrevi. Ou a tia queria continuar com esta vida : " A Tia - Amélia do Casal e a sua chiba ? ...

- Amélia : - Agradeço-te muito, Isabelita, mas eu tenho que continuar assim, pois não presto para nada. Sou uma alcoólica ... até tenho vergonha de mim mesmo ! Mas que hei-de eu fazer, meu Deus ?! ... Olha, Isabelita, escreve já ao meu António e diz-lhe que não venha para Portugal. Conta-lhe toda a verdade, que sou uma alcoólica e não sirvo para nada ... que só o ia envergonhar ...

- Isabel : - Óh tia, tenha juízo, pois eu não vou escrever ao Tio a dizer-lhe isso ! Tia, a partir deste momento, acabou a "Amélia do Casal". Ponha isso na sua cabecinha !

- Amélia : - Mas eu não sou digna deles, não sou digna deles. Eu sou uma alcoólica ! Escreve, escreve por favor ao meu António ...

- Isabel : - Tia, pare, pare com isso ! A tia se quiser é digna; só é preciso que faça um esforçozinho, um simples esforçozinho. Precisa de ter vontade, de ter quer, percebe ?! ... Existem centros de reabilitação de alcoólicos. Qualquer médico a ajuda. Todos nós a ajudaremos. Enxugue por favor essas lágrimas, pois não é com lágrimas que a tia consegue vencer. É preciso é a tia Amélia ter muita vontade, muito e muito crer, e verá que vencerá ! Para a frente, para a frente, tia Amélia !!!

- Amélia : - É fácil dizer, minha filha, mas eu já estou velha e não vou conseguir ! ...

- Isabel : - Consegue, consegue - tem de conseguir ! eu vou ajudá-la, todos nós a vamos ajudar. Vai conseguir, tem de conseguir !!!

- Amélia : - Minha filha, eu já não posso recuperar. Toda a gente aqui do lugar me conhece como uma alcoólica, como uma bêbeda, que culpa sempre a pobre chiba ! ... este lugar e esta casa, são para mim como fantasmas, pois perseguem-me por todos os lados. Isabelita, meu anjo, eu já não tenho forças para me libertar deste maldito destino. Eu sou uma falhada ! ...

- Isabel : - Olhe tia Amélia, chegue aqui a esta janela ... veja ali o Ernesto que é cego de nascença. Sabe porque é que ele tem vencido na vida ? ...é porque tem muito quer, muita coragem e sobretudo muito respeito por ele próprio, e também muito amor à vida ! ... mas a tia Amélia, que Graças a Deus tem boa visão, é mais cega do que o Ernesto, pois não quer ver não quer encarar a realidade ! ... Tia, o destino em parte, somos nós que o fazemos, e o tio, o seu António, manda-lhe aqui este cheque, cujo valor dá bem para comprar uma boa casa onde quiser. O destino, o seu destino está nas suas mãos !!!

- Amélia : - Mas, Isabelita, eu ...

- Isabel : - Áh não,não e não ! não me venha cá outra vez com essas pieguices. Seja mas é forte, e assim vencerá. Tem de ter muita coragem - de ter muito quer !!!

- Amélia : - O meu António ainda se lembra de mim ... ainda se lembra ! ...

- Isabel : - Pois é, lembra-se de si, mas como a tia era dantes, como ele a conheceu. Não como é agora, que é um autêntico "farrapo humano" !

- Amélia : - O quê ?! ... o que é que tu disseste ?! ... "farrapo humano" ?! ... eu, a "Tia - Amélia do Casal" ser um " farrapo humano" ?! ... eu ?! ... olha que gosto muito de ti, Isabelita, mas essa não, essa não te admito ...não te admito - ouviste bem ?! ... não te admito .. não te A-DMI-TO !!!

- Isabel : - A tia só pode não admitir as minhas palavras, quando tiver vontade para se tratar, de se emendar. A tia deve deixar de beber ...

- Amélia : - Eu já nem te vejo nem te ouço bem ... ...

- Isabel : - Tia, não é por mim que lhe peço que se trate. Peço-lhe sobretudo, pelo seu netinho, pela sua filha, pelo seu António, que ainda hoje acredita em si, assim como todos nós acreditamos na tia Amélia. Com certeza que não quer que o seu netinho, que ainda não conhece, que mais tarde a aponte como uma avó que só sabia beber vinho, e que depois, caricatamente culpava um pobre animal, do seu vício ?! ...

- Amélia : - Eu já não aguento mais ... já não aguento mais ...

- Isabel : - Agora, agora chora, mas esse choro de nada vale se não se quiser tratar. De fingidos e de hipócritas, está o mundo cheio. Trate-se "Tia Amélia do Casal" - trate-se !!!

- Amélia : - Só para não te ouvir mais, eu vou-me tratar... Mas é só para não te ouvir mais... Tu vais ver, eu vou voltar a ser a verdadeira "Amélia do Casal". Vou voltar a ser digna e trabalhadora como era dantes ...

- Isabel : - Trabalhadora ?! ... a tia vai voltar a ser trabalhadora ?! ...

- Amélia : - Sim ! ... Sim, vou voltar a ser trabalhadora. Mas porquê tanta admiração Isabelita ? ...olha, que eu não admito que duvides de mim. Olha que eu sou trabalhadora ...

- Isabel : - Ainda bem, ainda bem, a tia Amélia que vai voltar a ser trabalhadora ! Deus é enorme !!! ...

- Amélia : - Olha lá, menina ... ainda bem ... porquê ?! ...

- Isabel : - Porque eu no Domingo vou ao casamento da Rita, e quero levar o vestido feito pela "Tia Amélia do Casal" !!!

- Amélia : - Ai é isso !!! ... esta Isabelita (este estupor ...) deu-me volta à cabeça ... !!! ...

 

F I M

 

Original de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Esta peça teatral “Nunca é Tarde”, passou na Radiodifusão Portuguesa e também em palcos, em ambos os casos com assinalável êxito. Este texto que aqui apresento, está preparado com “deixas” para Teatro Radiofónico. Embora convidado algumas vezes, nunca aceitei que este texto entrasse em qualquer concurso literário.

Carlos Leite Ribeiro

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