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(Deuses, Guerreiros e
Lendas)
QUARTO BLOCO
POSÍDON
Deus dos Mares, na mitologia grega.
Filho de Cronos e de Reia, coube-lhe em
partilha o Mar, enquanto a seu irmão
Zeus herdou o Céu e Hades os Infernos.
Esposo de Anfitrite, armado com um
tridente, tinha a sua morada na
profundezas do mar, donde fazia tremet a
terra. Era venerado em numerosos lugares
de culto, principalmente em Delfos,
Atenas, Corinto, nos cabos Súnio, Ténaro,
e em todas as costas marítimas.
Primordialmente Zeus terá obrigado seu
pai Cronos a regurgitar e restabelecer a
vida aos filhos que este
sistematicamente engolia, e entre os
salvos está Posídon, explicando assim
Zeus como o irmão mais novo. Posídon
fora criado entre os Telquines, os
demónios de Rodes. Quando atinge a
maturidade, ter-se-á apaixonado por Hália, uma das irmãs dos Telquines, e
desse romance nascem seis filhos e uma
filha, de nome Rodo, daí o nome da ilha
de Rodes. Em uma famosa disputa entre
Posídon e Atena para decidir qual dos
dois seria o padroeiro de Atenas, ele
atirou uma lança ao chão para criar a
fonte da Acrópole. Entretanto, Atena
conseguiu superá-lo criando a oliveira.
Na Ilíada, Posídon aparece-nos como o
deus supremo dos mares, comandando não
apenas as ondas, correntes e marés, mas
também as tempestades marinhas e
costeiras, provocando nascentes e
desmoronamentos costeiros com o seu
tridente. Embora seu poder pareça ter se
estendido às nascentes e lagos, os rios,
por sua vez, têm as suas próprias
deidades, não obstante o facto de que Posídon fosse dono da magnífica ilha de
Atlântida. Geralmente, Posídon usava a
água e os terramotos para exercer
vingança, mas também podia apresentar um
carácter cooperativo. Ele auxiliou
bastante os gregos na Guerra de Tróia,
mas levou anos se vingando de Odisseu,
que havia ferido a cria de um de seus
ciclopes. Os navegantes oravam a ele por
ventos favoráveis e viagens seguras, mas
seu humor era imprevisível. Apesar dos
sacrifícios, que incluíam o afogamento
de cavalos, ele podia provocar
tempestades, maus ventos e terramotos
por capricho. Como Zeus, projectava seu
poder e a sua masculinidade sobre as
mulheres, tendo muitos filhos homens
pois não podia ter filhas mulheres.
Considerando que as inúmeras aventuras
amorosas de Posídon foram todas
frutíferas em descendentes, é de notar
que, ao contrário dos descendentes de
seu irmão Zeus, os filhos do deus dos
mares, tal como os de seu irmão Hades,
são todos maléficos e de temperamentos
violentos. Alguns exemplos: de Teosa
nasce o ciclope Polifemo; de Medusa
nasce o gigante Crisaor e o cavalo
alado, Pégaso; de Amimone nasce Náuplio;
com Ifimedia, nascem os irmãos gigantes
Oto e Efialtes (os Aloídas), que
chegaram mesmo a declarar guerra aos
deuses. Por sua vez, os filhos que teve
com Halia cometeram tantas atrocidades
que o pai teve de os enterrar para
evitar-lhes maior castigo. Casou ainda
com Anfitrite, de quem nasceu o seu
filho Tritão, o deus dos abismos
oceânicos, que ajudou Jasão e os seus
argonautas a recuperar o Velo de ouro.
TESEU
Herói ático, filho de Egeu, rei de
Atenas. Enviado para Creta na intenção
de ser devorado pelo Minotauro, acabou
por matar o monstro com a ajuda de
Ariadne, filha do rei, que por se havia
apaixonado. Teseu levou Ariadne de
Creta, mas abandonou-a em Naxos. Sucedeu
a seu pai como rei e declarou então
guerra às Amazonas, cuja rainha cativa
lhe deu um filho, chamado Hipólito.
Encontrava-se então os Argonatas.
Durante a sua ausência de Atenas, foi
preparada uma revolta contra ele, que
não conseguiu dominar. Refugiuou-se
então em Ciros, onde acabou por ser
assassinado por Licomedes.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
"Nasceu um menino, que cresceu vigoroso
e forte como um herói. Aos dezasseis
anos seu vigor físico era tão
impressionante que Etra decidiu
contar-lhe quem era o pai e o que se
esperava dele. Teseu ergueu então a
enorme pedra antes movida por Egeu,
recuperou a espada e as sandálias do
pai, e dirigiu-se para Atenas. Na sua
viagem, chegou a Epiadouro, onde
encontrou Perifetes, filho de hefesto e
de Anticléia. Perifetes, assim como seu
pai, era coxo e usava sua muleta como
clava para matar os peregrinos que
estavam indo para epiadouro. Teseu
Matou-o com a sua própria muleta/clava e
guardou-a como lembrança de sua primeira
vitória. Teseu passou por várias outras
batalhas, entre elas, batalhou uma vez
com Sínis, gigante filho de Poseidon,
que amarrava seus inimigos em um
pinheiro e os arremessava contra rochas,
envergando o mesmo até o chão. Teseu fez
o mesmo com sínis, e prosseguiu em sua
viagem. Egeu reconheceu seu filho ao ver
a espada e as sandálias e anunciou a
todos que Teseu era seu filho e
herdeiro. Quando Teseu chegou em Atenas
já era conhecido pelos seus feitos, mas
o rei Egeu não sabia que ele era seu
filho. Medéia já estava instalada no
palácio real depois de fugir de Corinto
após o assassinato de 4 pessoas,
inclusive seus dois filhos. Medéia sabia
da identidade do herói, mas não contou a
Egeu e sim convenceu-o a matar o
forasteiro que poderia ser uma ameaça ao
seu reinado. Colocou veneno no vinho e
ofereceu ao visitante ilustre. Teseu
tirou a espada para seu conforto à mesa
e Egeu o reconheceu, evitando assim a
sua morte. Medéia mais uma vez foi
expulsa de um reino, só que desta vez
voltou para a Cólquida. Variantes do
mito contam que Medéia mandou seu
enteado na missão de capturar um touro
bravo que vivia perto de Atenas, na
planície de Maratona. Este touro seria o
de Creta, do 7º trabalho de Héracles.
Depois de morto o touro, foi feito um
sacrifício para Apolo e, quando Teseu
sacou da espada foi reconhecido pelo
pai. Na véspera da caçada uma senhora
hospedou Teseu em sua humilde casa e
prometeu um sacrifício para Zeus se ele
voltasse vivo e vitorioso. Quando voltou
para ver sua anfitriã que chamava-se
Hécale, Teseu encontrou-a morta e
instituiu um culto a Zeus Hecalésio para
sua honra. Antes de virar rei nosso
herói precisou enfrentar a sua própria
fúria animal na forma de um touro. Este
mesmo touro foi o responsável pelo
encontro de Teseu com Ariadne, e veremos
que pode ter sido o início de sua
derrocada. Ao tomar conhecimento que
seus primos, os cinquenta Palântidas,
queriam tirar o trono de seu pai, Teseu
resolveu acabar com eles. Os primos se
dividiram para fazer uma emboscada, mas
não adiantou muito, pois Teseu foi
avisado pelo arauto chamado Leos.
Conta-se que depois da 'limpeza
familiar' Teseu teve de se exilar por um
ano em Trezena. Para combater o touro de
Creta, foi enviado anteriormente por
Egeu, o jovem Androgeu que era filho de
Minos e sua esposa Pasífae, reis de
Creta. Dizem que o motivo foi a inveja
pelo desempenho do jovem nos jogos de
Atenas. Como o jovem pereceu tentando
matar o touro, seu pai Minos resolveu
fazer uma guerra contra Atenas, da qual
saiu vencedor. Uma variante do mito dá a
morte de Androgeu por motivos políticos,
pois este teria se unido aos Palântidas
que eram inimigos de Egeu. Minos rumou
para Mégara com sua poderosa esquadra e
logo partiu para cercar Atenas. Durante
a guerra uma peste enviada por Zeus
contra os atenienses provocou a derrota
de Egeu, o que levou o rei Minos a
cobrar uma taxa a cada nove anos. A taxa
foi em forma de 7 rapazes e 7 moças
atenienses enviados para Creta, onde
seriam colocados no labirinto para serem
devorados pelo seu filho monstruoso, o
Minotauro. Na terceira remessa de
jovens, Teseu estava presente e resolveu
intervir no problema. Entrou no lugar de
um jovem e partiu para Creta para entrar
no Labirinto. Na partida usou velas
pretas para navegar e seu pai
entregou-lhe um jogo de velas brancas,
para usar caso saísse vitorioso na
missão. Com efeito, a linda Ariadne,
filha do poderoso Minos, apaixonou-se
por Teseu e combinou com ele um meio de
encontrar a saída do terrível labirinto.
Um meio bastante simples: apenas um
novelo de lã. Ariadne ficaria à entrada
do palácio, segurando o novelo que Teseu
iria desenrolando a medida que fosse
avançando pelo labirinto. Pra voltar ao
ponto de partida, teria, apenas, que ir
seguindo o fio que Ariadne seguraria
firmemente. Teseu avançou e matou o
monstro com um só golpe na cabeça. No
caminho de volta pára na ilha de Naxos e
de lá zarpa deixando Ariadne dormindo.
Esta é a versão mais conhecida e numa
outra é Dionísio que pede para Teseu
deixar a jovem lá. Como presente de
núpcias para Ariadne, Dioniso lhe deu um
diadema de ouro cinzelado feito por
Hefesto. Este diadema foi mais tarde
transformado em constelação. Dioniso e
Ariadne tiveram quatro filhos: Toas,
Estáfilo, Enópion e Pepareto. Em outra
variante, Teseu abandona Ariadne porque
amava Egle filha de Panopleu. Em uma
quarta variante leva Ariadne para a
praia da ilha para amenizar seu enjoo.
Um vento muito forte deixa o navio a
deriva e quando ele consegue voltar
encontra a princesa morta. A próxima
escala foi na ilha de Delos, onde
consagrou uma estátua de Afrodite,
presente de Ariadne. Depois ele e seus
companheiros realizaram uma dança
circular que se tornou um rito na ilha
de Apolo e foi executado por muito
tempo. Ao se aproximar de Atenas, Teseu
esqueceu de trocar as velas negras pelas
velas brancas e seu pai quando avistou o
navio achou que ele havia morrido na
empreitada, atirando-se do penhasco e
precipitando-se no mar, que então passou
a levar o seu nome. Subindo ao trono,
Teseu organizou um governo em bases
democráticas, reunindo os habitantes da
Ática, fazendo leis sábias e úteis para
o povo. Vendo que tudo corria bem e os
atenienses estavam felizes, Teseu mais
uma vez se ausentou em busca das
aventuras que tanto apreciava. Teseu
liderou uma luta contra as Amazonas e
suas origens são contadas com alguma
diferença. Numa das versões lutou junto
com Héracles e recebeu como prémio a
Amazona Antíope e teve com ela um filho
chamando Hipólito. Em outra versão Teseu
foi sozinho a terra das Amazonas e
raptou Antíope. Então as Amazonas
invadiram a Ática para vingar o rapto.
Numa terceira variante, as Amazonas
invadiram Atenas, pois Teseu tinha
abandonado Antíope para se casar com a
irmã de Ariadne, Fedra. De qualquer
maneira para comemorar a vitória sobre
as Amazonas os atenienses instituíram as
festas chamadas Boedrómias. Em uma de
suas aventuras com Pirítoo resolveu
raptar Helena ainda uma criança e logo
em seguida ir ao Hades raptar Perséfone.
Este fato foi estimulado porque as duas
eram de descendência divina. Resolveram
que Helena seria esposa de Teseu e
Perséfone de Pirítoo. Os heróis foram a
Esparta e raptaram Helena de dentro de
templo de Ártemis, mas não contavam que
os irmãos da jovem, Castor e Pólux,
fossem atrás da irmã. Teseu levou Helena
para Afidna para ficar sob os cuidados
de sua mãe Etra e foram ao Hades raptar
Perséfone. Durante esta aventura Castor
e Pólux conseguiram resgatar a sua irmã.
Este resgate foi facilitado por Academo
que revelou o esconderijo da princesa.
No Hades foram convidados pelo seu rei
para sentarem e comerem, com isso
ficaram presos nos assentos infernais.
Quando Héracles foi ao inferno
libertá-los, somente lhe foi permitido
levar Teseu, ficando Pirítoo preso na
"cadeira do esquecimento". Quando Teseu
retornou para Atenas encontrou a cidade
transtornada e transformada. Cansado de
tanta luta e do trabalho administrativo
enviou seus filhos para Eubéia, onde
reinava Elefenor (enganar com promessas)
e resolveu morar na ilha do Ciros.
Licomedes (o que age como lobo), o rei
da ilha de Ciros sentindo-se ameaçado,
resolveu matar o herói, jogando-o de um
penhasco. Mesmo depois de sua morte, o
eidolon (alma sem o corpo) de Teseu
ajudou os atenienses durante a batalha
de Maratona, em 480 a.C., afugentando os
persas. Depois de sua morte, porém, os
atenienses, arrependidos, foram a Ciros
buscar suas cinzas e ergueram-lhe um
templo magnífico. Esta fábula, que tem
sido objecto de investigações dos
historiadores, parece indicar que
Atenas, durante muito tempo, esteve
dominada pelos reis de Creta, que lhe
exigiam pesados tributos. O episódio de
Teseu e do Minotauro deve indicar uma
revolução que libertou os atenienses.
Escavações realizadas na ilha de Creta,
no início do século, revelaram a
existência de um grande palácio provido
de imensos corredores que lembravam um
labirinto. Por outro lado, afirmam os
especialistas que existem elementos que
permitem dizer que os reis de Creta
usavam, em certas festas e cerimónias
religiosas, máscaras representando
cabeças de touros.
ULISSES
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Herói grego, filho e sucessor de Laertes,
rei de Ítaca, e pai de Télémaco. É o
herói principal da Odisseia, de Homero,
e aparece também na Ikíada. Foi um homem
de extraordinaria bravura, eloquência e
astucia. A Odisseia, narra as suas
aventuras durante um período de dez anos
que se seguiram à queda de Tróia. Atacou
primeiro, os Cícones, em Ismarus, e
visitou, depois, opaís dos Lotófagos, ou
"comedores de lotos", e mais tarde o dos
Ciclopes. Aqui, Ulisses caíu nas mãos de
Polifemo. Mas conseguiu escapar cegando
o único olho do gigante, apenas depois
de o ciclope ter devorado seis dos seus
companheiros de Aventura. Chegou, em
seguida, à Eólia, pátria de Éolo, que
lhe deu num saco os ventos, excepto o
necessário para levar Ulisses de
regresso à sua pátria. Enquanto Ulisses
dormia, a sua tripulação abriu o saco,
mas o seu conteúdo imediatamente soprou
o seu barco de regresso à Eólia, cujos
habitantes declinaram continuar a
ajudá-los. Após seis dias de navegação,
Ulisses chegou à cidade dos lestrigões.
Escapou a esse perigo apenas para
atracar em Ea, ilha da feiticeira Circe,
que imeditamente transformou em porcos
um grupo de homens enviados em
reconhecimento. Por ordem de Circe,
Ulisses viajou para a terra dos Cimérios,
onde entrou nos Hades. Aí encontrou
Tirésias, que lhe mostrou muitos outros
fantasmas do mundo inferior e o
aconselhou a oferecer um sacrifício a
Posídon para apaziguar a ira do deus
causada pela injúria feita a seu filho
Polifemo. Regressando a Ea, Ulisses foi
enviado por Circe numa viagem que o
levou à ilha das Sereias, entre Cila e
Caribdis. Nesta viagem, Ulisses perdeu
alguns membros da sua tripulação.
Ulisses chegou então, à ilha onde
pastava o gado de Hélios (deus do Sol).
Os seus homens mataram alguns dos
animais para obterem alimento. Quando
eles se fizeram novamente ao mar,
Hélios, enfurecido, levou Zeus a
destruir os seus navios com um raio.
Apenas Ulisses se salvou, andando à
deriva num fragmento do barco até Ogígia,
onde habitava a ninfa Calipso. Aí ficou
prisioneiro durante sete anos.
Finalmente, foi libertado por ordem de
Zeus – graças à intervenção de Atenas –
e construiu um barco com o qual se
aproximou da ilha de Esquéria, pátria
dos Feaces. Mas naufragou novamente,
desta vez por ordem de Posídon, já com
terra à vista. Ulisses nadou para terra
e adormeceu. Nausícas e as suas
servidoras acordaram-no. Na corte do rei
Alcino, pai de Nausicas, Ulisses contou
as suas aventuras e infortúnios e
recebeu um barco para, finalmente,
regressar à pátria, após uma longa
ausência.
Ao chegar a Ítaca, disfarçou-se de
pedinte, mas, seu fiel cão “Argus”
reconheceu-o. Com a ajuda de Telémaco,
seu filho, agora um homem, venceu os
pretendentes de sua mulher, Penélope,
matando-os com o arco que apenas ele
podia disparar. Reconciliado com a sua
família, vinte anos depois após a sua
partida, Ulisses sossegou.
Lenda
Além de constituir, ao lado da Ilíada,
obra iniciadora da literatura grega
escrita, a Odisseia, de Homero, expressa
com força e beleza a grandiosidade da
remota civilização grega. A Odisseia
data provavelmente do século VIII a.C.,
quando os gregos, depois de um longo
período sem dispor de um sistema de
escrita, adoptaram o alfabeto fenício.
Na Odisseia ressoa ainda o eco da guerra
de Tróia, narrada parcialmente na
Ilíada. O título do poema provém do nome
do protagonista, o grego Ulisses (Odisseu).
Filho e sucessor de Laerte, rei de Ítaca
e marido de Penélope, Ulisses é um dos
heróis favoritos de Homero e já aparece
na Ilíada como um homem perspicaz, bom
conselheiro e bravo guerreiro. A
Odisseia narra as viagens e aventuras de
Ulisses em duas etapas: a primeira
compreende os acontecimentos que, em
nove episódios sucessivos, afastam o
herói de casa, forçado pelas
dificuldades criadas pelo deus Posidon.
A segunda consta de mais nove episódios,
que descrevem sua volta ao lar sob a
protecção da deusa Atena. É também
desenvolvido um tema secundário, o da
vida na casa de Ulisses durante sua
ausência, e o esforço da família para
trazê-lo de volta a Ítaca. A Odisseia
compõe-se de 24 cantos em verso
hexâmetro (seis sílabas), e a acção se
inicia dez anos depois da guerra de
Tróia, em que Ulisses lutara ao lado dos
gregos. A ordem da narrativa é inversa:
tem início pelo desfecho, a assembleia
dos deuses, em que Zeus decide a volta
de Ulisses ao lar. O relato é feito, de
forma indirecta e em retrospectiva, pelo
próprio herói aos feaces - povo mítico
grego que habitava a ilha de Esquéria.
Hábeis marinheiros, são eles que
conduzem Ulisses a Ítaca. O poema
estrutura-se em quatro partes: na
primeira (cantos I a IV), intitulada "Assembléia
dos deuses", Atena vai a Ítaca
animarTelémaco, filho de Ulisses, na
luta contra os pretendentes à mão de
Penélope, sua mãe, que decide enviá-lo a
Pilos e a Esparta em busca do pai. O
herói porém encontra-se na ilha de
Ogígia, prisioneiro da deusa Calipso. Na
segunda parte, "Nova assembleia dos
deuses", Calipso liberta Ulisses, por
ordem de Zeus, que atendeu aos pedidos
de Atena e enviou Hermes com a missão de
comunicar a ordem. Livre do jugo de
Calipso, que durou sete anos, Ulisses
constrói uma jangada e parte, mas uma
tempestade desencadeada por Posidon
lança-o na ilha dos feaces (canto V),
onde é descoberto por Nausícaa, filha do
rei Alcínoo. Bem recebido pelo rei
(cantos VI a VIII), Ulisses mostra sua
força e destreza em competições
desportivas que se seguem a um banquete.
Na terceira parte, "Narração de Ulisses"
(cantos IX a XII), o herói passa a
contar a Alcínoo as aventuras que viveu
desde a saída de Tróia: sua estada no
país dos Cícones, dos Lotófagos e dos
Ciclopes; a luta com o ciclope Polifemo;
o episódio na ilha de Éolo, rei dos
ventos, onde seus companheiros provocam
uma violenta tempestade, que os arroja
ao país dos canibais, ao abrirem os
odres em que estão presos todos os
ventos; o encontro com a feiticeira
Circe, que transforma os companheiros em
porcos; sua passagem pelo país dos
mortos, onde reencontra a mãe e
personagens da guerra de Tróia. Na
quarta parte, "Viagem de retorno", o
herói volta à Ítaca, reconduzido pelos
feaces (canto XIII). Apesar do disfarce
de mendigo, dado por Atena, Ulisses é
reconhecido pelo filho, Telémaco, e por
sua fiel ama Euricléia, que, ao
lavar-lhe os pés, o identifica por uma
cicatriz. Assediada por inúmeros
pretendentes, Penélope promete desposar
aquele que conseguir retesar o arco de
Ulisses, de maneira que a flecha
atravesse 12 machados. Só Ulisses o
consegue. O herói despoja-se em seguida
dos andrajos e faz-se reconhecer por
Penélope e Laerte. Segue-se a vingança
de Ulisses (cantos XIV a XXIV): as almas
dos pretendentes são arrastadas aos
infernos por Hermes e a história termina
quando Atena impõe uma plena
reconciliação durante o combate entre
Ulisses e os familiares dos mortos. A
concepção do poema é predominantemente
dramática e o carácter de Ulisses,
marcado por obstinação, lealdade e
perseverança em seus propósitos,
funciona como elemento de unificação que
permeia toda a obra. Aí aparecem
fundidas ou combinadas uma série de
lendas pertencentes a uma antiquíssima
tradição oral com fundo histórico. Há
forte crença de que a Odisseia reúna
temas oriundos da época em que os gregos
exploravam e colonizavam o Mediterrâneo
ocidental, daí a presença de mitos com
seres monstruosos no Ocidente, para eles
ainda misterioso. Pela extrema perfeição
de seu todo, esse poema tem encantado o
homem de todas as épocas e lugares. É
consenso na era moderna que a Odisseia
completa a Ilíada como retrato da
civilização grega, e as duas juntas
testemunham o génio de Homero e estão
entre os pontos mais altos atingidos
pela poesia universal.
ZEUS
Na mitologia grega, era o pai dos deuses
e dos homens e o mais poderoso dos
imortais. Era pré-helénico e adorado
como divindade do céu. A sua presença
manifestava-se pelos rais, trovoadas e
chuvas. Seus pais foram Cronos e Reia e,
seus irmãos, Posídon, Hades, Hestia,
Demeter e Hera. Hera foi também sua
esposa. Ao dividirem o mundo entre eles,
após terem destronado Cronos, Posídon
ficou com o mar, Hades com os infernos e
Zeus com o céu e regiões superiores,
sendo a Terra comum a todos. Zeus
civilera considerado o deus mais
importante - Zeus Polieus - e protector
da liberdade política (Soter), da lei e
da moral. Dike (Justiça), Témis e
Némesis eram seus servos. Mas Zeus
permaneceu o senhor das trovoadas, com
uma pele de cabra representando uma
núvem, a qual ao tremer, provocava as
tempestades. Quando chegou à idade
adulta enfrentou o pai. Zeus
disfarçou-se de viajante, dando-lhe a
Cronos uma bebida que o fez vomitar
todos os filhos que tinha devorado,
agora adultos. Após libertar os irmãos,
iniciou a guerra Titanomaquia. Cronos
procurou seus irmãos para enfrentar os
rebeldes, que reuniram-se no Olimpo. A
guerra duraria 100 até que seguindo um
conselho de Gaia, Zeus liberta os
Hecatónquiros, então os deuses olímpicos
venceram e aprisionaram os titãs no
Tártaro, em outras versões os
aprisionaram em baixo de montanhas.
Então partilhou-se o universo, Zeus
ficou com o céu e a Terra, Posídon ficou
com os oceanos e Hades ficou com o mundo
dos mortos.
Zeus casou-se primeiro com Métis, a
deusa da prudência, quando Métis estava
grávida de Atena, Gaia profetizou que
este filho iria destronar seu pai Zeus,
como havia acontecido com Cronos e com
Urano, e que isso era um ciclo eterno.
Zeus, temendo que isto acontecesse,
montou uma armadilha: fez uma
brincadeira com Métis, no qual eles se
metamorfoseavam, Métis não foi prudente
e aceitou, em algum momento Métis se
metamorfoseou em uma mosca e foi
engolida viva por Zeus, isso não
adiantaria de nada, pois depois a cabeça
de Zeus cresceria assustadoramente e
Atena nasceria adulta da cabeça de Zeus,
a profecia de Gaia estava errada.
A segunda esposa de Zeus foi Témis, uma
titã, deusa da justiça, as Moiras levam
Témis até Zeus para se tornar sua
segunda esposa, e as Moiras profetizam
que Zeus tem muito a aprender com Témis,
que é tão sábia quanto Métis.
O matrimónio com Témis acabaria e Zeus
se casaria finalmente com sua irmã Hera.
Apesar de casado com Hera, Zeus tinha
inúmeras amantes (as paixões de Zeus).
Usava dos mais diferentes artifícios de
sedução, como a metamorfose em qualquer
objecto ou criatura viva, sendo dois dos
mais famosos o cisne de Leda e o touro
de Europa. Assim sendo, teve muitos
filhos ilegítimos com deusas e mortais,
que se tornaram proeminentes na
mitologia grega; Heracles e Helena, por
exemplo. Hera é ciumenta e perseguia as
amantes e os filhos bastardos de Zeus.
Hino a Zeus
"Ouvi-me vós, ó deuses todos e deusas
todas,
para que vos diga o que o coração me
impele a dizer.
Que não tente feminina deusa alguma ou
deus viril
desobedecer às minhas palavras, mas
aquiescei todos vós,
para que rapidamente eu faça cumprir
estes trabalhos.
Quem eu observar separado dos deuses com
tensão
de quer aos Troianos, quer aos Dánaos,
prestar auxílio,
golpeado e de forma ignominiosa
regressará ao Olimpo.
Ou então agarrarei nele para lançar no
Tártaro sombrio,
para muito longe, para o abismo mais
fundo sob a terra,
onde os portões são de ferro e o chão é
de bronze,
tão longe sob o Hades como sob o céu
está a terra.
Sabereis então que sou eu o mais forte
de todos os deuses,
Experimentai, pois, ó deuses, para que
todos saibais!
Do céu pendurai uma corrente feita de
ouro
e agarrai nela, ó deuses todos e deusas
todas!
Mas não arrastaríeis do céu para a
planície terrena
Zeus, o sublime conselheiro, ainda que
vos esforçásseis.
Porém no momento em que eu quisesse
puxá-la,
arrastaria a própria terra e o próprio
mar;
e de seguida ataria a corrente à volta
do cume do Olimpo,
e todas as coisas ficariam suspensas no
espaço:
em tal medida sou superior aos deuses e
aos homens."
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
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