(Deuses, Guerreiros e Lendas)

 

QUARTO BLOCO

 

POSÍDON

 

 

 

 

Deus dos Mares, na mitologia grega. Filho de Cronos e de Reia, coube-lhe em partilha o Mar, enquanto a seu irmão Zeus herdou o Céu e Hades os Infernos. Esposo de Anfitrite, armado com um tridente, tinha a sua morada na profundezas do mar, donde fazia tremet a terra. Era venerado em numerosos lugares de culto, principalmente em Delfos, Atenas, Corinto, nos cabos Súnio, Ténaro, e em todas as costas marítimas. Primordialmente Zeus terá obrigado seu pai Cronos a regurgitar e restabelecer a vida aos filhos que este sistematicamente engolia, e entre os salvos está Posídon, explicando assim Zeus como o irmão mais novo. Posídon fora criado entre os Telquines, os demónios de Rodes. Quando atinge a maturidade, ter-se-á apaixonado por Hália, uma das irmãs dos Telquines, e desse romance nascem seis filhos e uma filha, de nome Rodo, daí o nome da ilha de Rodes. Em uma famosa disputa entre Posídon e Atena para decidir qual dos dois seria o padroeiro de Atenas, ele atirou uma lança ao chão para criar a fonte da Acrópole. Entretanto, Atena conseguiu superá-lo criando a oliveira. Na Ilíada, Posídon aparece-nos como o deus supremo dos mares, comandando não apenas as ondas, correntes e marés, mas também as tempestades marinhas e costeiras, provocando nascentes e desmoronamentos costeiros com o seu tridente. Embora seu poder pareça ter se estendido às nascentes e lagos, os rios, por sua vez, têm as suas próprias deidades, não obstante o facto de que Posídon fosse dono da magnífica ilha de Atlântida. Geralmente, Posídon usava a água e os terramotos para exercer vingança, mas também podia apresentar um carácter cooperativo. Ele auxiliou bastante os gregos na Guerra de Tróia, mas levou anos se vingando de Odisseu, que havia ferido a cria de um de seus ciclopes. Os navegantes oravam a ele por ventos favoráveis e viagens seguras, mas seu humor era imprevisível. Apesar dos sacrifícios, que incluíam o afogamento de cavalos, ele podia provocar tempestades, maus ventos e terramotos por capricho. Como Zeus, projectava seu poder e a sua masculinidade sobre as mulheres, tendo muitos filhos homens pois não podia ter filhas mulheres. Considerando que as inúmeras aventuras amorosas de Posídon foram todas frutíferas em descendentes, é de notar que, ao contrário dos descendentes de seu irmão Zeus, os filhos do deus dos mares, tal como os de seu irmão Hades, são todos maléficos e de temperamentos violentos. Alguns exemplos: de Teosa nasce o ciclope Polifemo; de Medusa nasce o gigante Crisaor e o cavalo alado, Pégaso; de Amimone nasce Náuplio; com Ifimedia, nascem os irmãos gigantes Oto e Efialtes (os Aloídas), que chegaram mesmo a declarar guerra aos deuses. Por sua vez, os filhos que teve com Halia cometeram tantas atrocidades que o pai teve de os enterrar para evitar-lhes maior castigo. Casou ainda com Anfitrite, de quem nasceu o seu filho Tritão, o deus dos abismos oceânicos, que ajudou Jasão e os seus argonautas a recuperar o Velo de ouro.

 

 

 

TESEU

 

 

 

Herói ático, filho de Egeu, rei de Atenas. Enviado para Creta na intenção de ser devorado pelo Minotauro, acabou por matar o monstro com a ajuda de Ariadne, filha do rei, que por se havia apaixonado. Teseu levou Ariadne de Creta, mas abandonou-a em Naxos. Sucedeu a seu pai como rei e declarou então guerra às Amazonas, cuja rainha cativa lhe deu um filho, chamado Hipólito. Encontrava-se então os Argonatas. Durante a sua ausência de Atenas, foi preparada uma revolta contra ele, que não conseguiu dominar. Refugiuou-se então em Ciros, onde acabou por ser assassinado por Licomedes.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. "Nasceu um menino, que cresceu vigoroso e forte como um herói. Aos dezasseis anos seu vigor físico era tão impressionante que Etra decidiu contar-lhe quem era o pai e o que se esperava dele. Teseu ergueu então a enorme pedra antes movida por Egeu, recuperou a espada e as sandálias do pai, e dirigiu-se para Atenas. Na sua viagem, chegou a Epiadouro, onde encontrou Perifetes, filho de hefesto e de Anticléia. Perifetes, assim como seu pai, era coxo e usava sua muleta como clava para matar os peregrinos que estavam indo para epiadouro. Teseu Matou-o com a sua própria muleta/clava e guardou-a como lembrança de sua primeira vitória. Teseu passou por várias outras batalhas, entre elas, batalhou uma vez com Sínis, gigante filho de Poseidon, que amarrava seus inimigos em um pinheiro e os arremessava contra rochas, envergando o mesmo até o chão. Teseu fez o mesmo com sínis, e prosseguiu em sua viagem. Egeu reconheceu seu filho ao ver a espada e as sandálias e anunciou a todos que Teseu era seu filho e herdeiro. Quando Teseu chegou em Atenas já era conhecido pelos seus feitos, mas o rei Egeu não sabia que ele era seu filho. Medéia já estava instalada no palácio real depois de fugir de Corinto após o assassinato de 4 pessoas, inclusive seus dois filhos. Medéia sabia da identidade do herói, mas não contou a Egeu e sim convenceu-o a matar o forasteiro que poderia ser uma ameaça ao seu reinado. Colocou veneno no vinho e ofereceu ao visitante ilustre. Teseu tirou a espada para seu conforto à mesa e Egeu o reconheceu, evitando assim a sua morte. Medéia mais uma vez foi expulsa de um reino, só que desta vez voltou para a Cólquida. Variantes do mito contam que Medéia mandou seu enteado na missão de capturar um touro bravo que vivia perto de Atenas, na planície de Maratona. Este touro seria o de Creta, do 7º trabalho de Héracles. Depois de morto o touro, foi feito um sacrifício para Apolo e, quando Teseu sacou da espada foi reconhecido pelo pai. Na véspera da caçada uma senhora hospedou Teseu em sua humilde casa e prometeu um sacrifício para Zeus se ele voltasse vivo e vitorioso. Quando voltou para ver sua anfitriã que chamava-se Hécale, Teseu encontrou-a morta e instituiu um culto a Zeus Hecalésio para sua honra. Antes de virar rei nosso herói precisou enfrentar a sua própria fúria animal na forma de um touro. Este mesmo touro foi o responsável pelo encontro de Teseu com Ariadne, e veremos que pode ter sido o início de sua derrocada. Ao tomar conhecimento que seus primos, os cinquenta Palântidas, queriam tirar o trono de seu pai, Teseu resolveu acabar com eles. Os primos se dividiram para fazer uma emboscada, mas não adiantou muito, pois Teseu foi avisado pelo arauto chamado Leos. Conta-se que depois da 'limpeza familiar' Teseu teve de se exilar por um ano em Trezena. Para combater o touro de Creta, foi enviado anteriormente por Egeu, o jovem Androgeu que era filho de Minos e sua esposa Pasífae, reis de Creta. Dizem que o motivo foi a inveja pelo desempenho do jovem nos jogos de Atenas. Como o jovem pereceu tentando matar o touro, seu pai Minos resolveu fazer uma guerra contra Atenas, da qual saiu vencedor. Uma variante do mito dá a morte de Androgeu por motivos políticos, pois este teria se unido aos Palântidas que eram inimigos de Egeu. Minos rumou para Mégara com sua poderosa esquadra e logo partiu para cercar Atenas. Durante a guerra uma peste enviada por Zeus contra os atenienses provocou a derrota de Egeu, o que levou o rei Minos a cobrar uma taxa a cada nove anos. A taxa foi em forma de 7 rapazes e 7 moças atenienses enviados para Creta, onde seriam colocados no labirinto para serem devorados pelo seu filho monstruoso, o Minotauro. Na terceira remessa de jovens, Teseu estava presente e resolveu intervir no problema. Entrou no lugar de um jovem e partiu para Creta para entrar no Labirinto. Na partida usou velas pretas para navegar e seu pai entregou-lhe um jogo de velas brancas, para usar caso saísse vitorioso na missão. Com efeito, a linda Ariadne, filha do poderoso Minos, apaixonou-se por Teseu e combinou com ele um meio de encontrar a saída do terrível labirinto. Um meio bastante simples: apenas um novelo de lã. Ariadne ficaria à entrada do palácio, segurando o novelo que Teseu iria desenrolando a medida que fosse avançando pelo labirinto. Pra voltar ao ponto de partida, teria, apenas, que ir seguindo o fio que Ariadne seguraria firmemente. Teseu avançou e matou o monstro com um só golpe na cabeça. No caminho de volta pára na ilha de Naxos e de lá zarpa deixando Ariadne dormindo. Esta é a versão mais conhecida e numa outra é Dionísio que pede para Teseu deixar a jovem lá. Como presente de núpcias para Ariadne, Dioniso lhe deu um diadema de ouro cinzelado feito por Hefesto. Este diadema foi mais tarde transformado em constelação. Dioniso e Ariadne tiveram quatro filhos: Toas, Estáfilo, Enópion e Pepareto. Em outra variante, Teseu abandona Ariadne porque amava Egle filha de Panopleu. Em uma quarta variante leva Ariadne para a praia da ilha para amenizar seu enjoo. Um vento muito forte deixa o navio a deriva e quando ele consegue voltar encontra a princesa morta. A próxima escala foi na ilha de Delos, onde consagrou uma estátua de Afrodite, presente de Ariadne. Depois ele e seus companheiros realizaram uma dança circular que se tornou um rito na ilha de Apolo e foi executado por muito tempo. Ao se aproximar de Atenas, Teseu esqueceu de trocar as velas negras pelas velas brancas e seu pai quando avistou o navio achou que ele havia morrido na empreitada, atirando-se do penhasco e precipitando-se no mar, que então passou a levar o seu nome. Subindo ao trono, Teseu organizou um governo em bases democráticas, reunindo os habitantes da Ática, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Vendo que tudo corria bem e os atenienses estavam felizes, Teseu mais uma vez se ausentou em busca das aventuras que tanto apreciava. Teseu liderou uma luta contra as Amazonas e suas origens são contadas com alguma diferença. Numa das versões lutou junto com Héracles e recebeu como prémio a Amazona Antíope e teve com ela um filho chamando Hipólito. Em outra versão Teseu foi sozinho a terra das Amazonas e raptou Antíope. Então as Amazonas invadiram a Ática para vingar o rapto. Numa terceira variante, as Amazonas invadiram Atenas, pois Teseu tinha abandonado Antíope para se casar com a irmã de Ariadne, Fedra. De qualquer maneira para comemorar a vitória sobre as Amazonas os atenienses instituíram as festas chamadas Boedrómias. Em uma de suas aventuras com Pirítoo resolveu raptar Helena ainda uma criança e logo em seguida ir ao Hades raptar Perséfone. Este fato foi estimulado porque as duas eram de descendência divina. Resolveram que Helena seria esposa de Teseu e Perséfone de Pirítoo. Os heróis foram a Esparta e raptaram Helena de dentro de templo de Ártemis, mas não contavam que os irmãos da jovem, Castor e Pólux, fossem atrás da irmã. Teseu levou Helena para Afidna para ficar sob os cuidados de sua mãe Etra e foram ao Hades raptar Perséfone. Durante esta aventura Castor e Pólux conseguiram resgatar a sua irmã. Este resgate foi facilitado por Academo que revelou o esconderijo da princesa. No Hades foram convidados pelo seu rei para sentarem e comerem, com isso ficaram presos nos assentos infernais. Quando Héracles foi ao inferno libertá-los, somente lhe foi permitido levar Teseu, ficando Pirítoo preso na "cadeira do esquecimento". Quando Teseu retornou para Atenas encontrou a cidade transtornada e transformada. Cansado de tanta luta e do trabalho administrativo enviou seus filhos para Eubéia, onde reinava Elefenor (enganar com promessas) e resolveu morar na ilha do Ciros. Licomedes (o que age como lobo), o rei da ilha de Ciros sentindo-se ameaçado, resolveu matar o herói, jogando-o de um penhasco. Mesmo depois de sua morte, o eidolon (alma sem o corpo) de Teseu ajudou os atenienses durante a batalha de Maratona, em 480 a.C., afugentando os persas. Depois de sua morte, porém, os atenienses, arrependidos, foram a Ciros buscar suas cinzas e ergueram-lhe um templo magnífico. Esta fábula, que tem sido objecto de investigações dos historiadores, parece indicar que Atenas, durante muito tempo, esteve dominada pelos reis de Creta, que lhe exigiam pesados tributos. O episódio de Teseu e do Minotauro deve indicar uma revolução que libertou os atenienses. Escavações realizadas na ilha de Creta, no início do século, revelaram a existência de um grande palácio provido de imensos corredores que lembravam um labirinto. Por outro lado, afirmam os especialistas que existem elementos que permitem dizer que os reis de Creta usavam, em certas festas e cerimónias religiosas, máscaras representando cabeças de touros.

 

 

 

 

ULISSES

 

 

 

 

 

Herói grego, filho e sucessor de Laertes, rei de Ítaca, e pai de Télémaco. É o herói principal da Odisseia, de Homero, e aparece também na Ikíada. Foi um homem de extraordinaria bravura, eloquência e astucia. A Odisseia, narra as suas aventuras durante um período de dez anos que se seguiram à queda de Tróia. Atacou primeiro, os Cícones, em Ismarus, e visitou, depois, opaís dos Lotófagos, ou "comedores de lotos", e mais tarde o dos Ciclopes. Aqui, Ulisses caíu nas mãos de Polifemo. Mas conseguiu escapar cegando o único olho do gigante, apenas depois de o ciclope ter devorado seis dos seus companheiros de Aventura. Chegou, em seguida, à Eólia, pátria de Éolo, que lhe deu num saco os ventos, excepto o necessário para levar Ulisses de regresso à sua pátria. Enquanto Ulisses dormia, a sua tripulação abriu o saco, mas o seu conteúdo imediatamente soprou o seu barco de regresso à Eólia, cujos habitantes declinaram continuar a ajudá-los. Após seis dias de navegação, Ulisses chegou à cidade dos lestrigões. Escapou a esse perigo apenas para atracar em Ea, ilha da feiticeira Circe, que imeditamente transformou em porcos um grupo de homens enviados em reconhecimento. Por ordem de Circe, Ulisses viajou para a terra dos Cimérios, onde entrou nos Hades. Aí encontrou Tirésias, que lhe mostrou muitos outros fantasmas do mundo inferior e o aconselhou a oferecer um sacrifício a Posídon para apaziguar a ira do deus causada pela injúria feita a seu filho Polifemo. Regressando a Ea, Ulisses foi enviado por Circe numa viagem que o levou à ilha das Sereias, entre Cila e Caribdis. Nesta viagem, Ulisses perdeu alguns membros da sua tripulação. Ulisses chegou então, à ilha onde pastava o gado de Hélios (deus do Sol). Os seus homens mataram alguns dos animais para obterem alimento. Quando eles se fizeram novamente ao mar, Hélios, enfurecido, levou Zeus a destruir os seus navios com um raio. Apenas Ulisses se salvou, andando à deriva num fragmento do barco até Ogígia, onde habitava a ninfa Calipso. Aí ficou prisioneiro durante sete anos. Finalmente, foi libertado por ordem de Zeus – graças à intervenção de Atenas – e construiu um barco com o qual se aproximou da ilha de Esquéria, pátria dos Feaces. Mas naufragou novamente, desta vez por ordem de Posídon, já com terra à vista. Ulisses nadou para terra e adormeceu. Nausícas e as suas servidoras acordaram-no. Na corte do rei Alcino, pai de Nausicas, Ulisses contou as suas aventuras e infortúnios e recebeu um barco para, finalmente, regressar à pátria, após uma longa ausência.

Ao chegar a Ítaca, disfarçou-se de pedinte, mas, seu fiel cão “Argus” reconheceu-o. Com a ajuda de Telémaco, seu filho, agora um homem, venceu os pretendentes de sua mulher, Penélope, matando-os com o arco que apenas ele podia disparar. Reconciliado com a sua família, vinte anos depois após a sua partida, Ulisses sossegou.

Lenda
Além de constituir, ao lado da Ilíada, obra iniciadora da literatura grega escrita, a Odisseia, de Homero, expressa com força e beleza a grandiosidade da remota civilização grega. A Odisseia data provavelmente do século VIII a.C., quando os gregos, depois de um longo período sem dispor de um sistema de escrita, adoptaram o alfabeto fenício. Na Odisseia ressoa ainda o eco da guerra de Tróia, narrada parcialmente na Ilíada. O título do poema provém do nome do protagonista, o grego Ulisses (Odisseu). Filho e sucessor de Laerte, rei de Ítaca e marido de Penélope, Ulisses é um dos heróis favoritos de Homero e já aparece na Ilíada como um homem perspicaz, bom conselheiro e bravo guerreiro. A Odisseia narra as viagens e aventuras de Ulisses em duas etapas: a primeira compreende os acontecimentos que, em nove episódios sucessivos, afastam o herói de casa, forçado pelas dificuldades criadas pelo deus Posidon. A segunda consta de mais nove episódios, que descrevem sua volta ao lar sob a protecção da deusa Atena. É também desenvolvido um tema secundário, o da vida na casa de Ulisses durante sua ausência, e o esforço da família para trazê-lo de volta a Ítaca. A Odisseia compõe-se de 24 cantos em verso hexâmetro (seis sílabas), e a acção se inicia dez anos depois da guerra de Tróia, em que Ulisses lutara ao lado dos gregos. A ordem da narrativa é inversa: tem início pelo desfecho, a assembleia dos deuses, em que Zeus decide a volta de Ulisses ao lar. O relato é feito, de forma indirecta e em retrospectiva, pelo próprio herói aos feaces - povo mítico grego que habitava a ilha de Esquéria. Hábeis marinheiros, são eles que conduzem Ulisses a Ítaca. O poema estrutura-se em quatro partes: na primeira (cantos I a IV), intitulada "Assembléia dos deuses", Atena vai a Ítaca animarTelémaco, filho de Ulisses, na luta contra os pretendentes à mão de Penélope, sua mãe, que decide enviá-lo a Pilos e a Esparta em busca do pai. O herói porém encontra-se na ilha de Ogígia, prisioneiro da deusa Calipso. Na segunda parte, "Nova assembleia dos deuses", Calipso liberta Ulisses, por ordem de Zeus, que atendeu aos pedidos de Atena e enviou Hermes com a missão de comunicar a ordem. Livre do jugo de Calipso, que durou sete anos, Ulisses constrói uma jangada e parte, mas uma tempestade desencadeada por Posidon lança-o na ilha dos feaces (canto V), onde é descoberto por Nausícaa, filha do rei Alcínoo. Bem recebido pelo rei (cantos VI a VIII), Ulisses mostra sua força e destreza em competições desportivas que se seguem a um banquete. Na terceira parte, "Narração de Ulisses" (cantos IX a XII), o herói passa a contar a Alcínoo as aventuras que viveu desde a saída de Tróia: sua estada no país dos Cícones, dos Lotófagos e dos Ciclopes; a luta com o ciclope Polifemo; o episódio na ilha de Éolo, rei dos ventos, onde seus companheiros provocam uma violenta tempestade, que os arroja ao país dos canibais, ao abrirem os odres em que estão presos todos os ventos; o encontro com a feiticeira Circe, que transforma os companheiros em porcos; sua passagem pelo país dos mortos, onde reencontra a mãe e personagens da guerra de Tróia. Na quarta parte, "Viagem de retorno", o herói volta à Ítaca, reconduzido pelos feaces (canto XIII). Apesar do disfarce de mendigo, dado por Atena, Ulisses é reconhecido pelo filho, Telémaco, e por sua fiel ama Euricléia, que, ao lavar-lhe os pés, o identifica por uma cicatriz. Assediada por inúmeros pretendentes, Penélope promete desposar aquele que conseguir retesar o arco de Ulisses, de maneira que a flecha atravesse 12 machados. Só Ulisses o consegue. O herói despoja-se em seguida dos andrajos e faz-se reconhecer por Penélope e Laerte. Segue-se a vingança de Ulisses (cantos XIV a XXIV): as almas dos pretendentes são arrastadas aos infernos por Hermes e a história termina quando Atena impõe uma plena reconciliação durante o combate entre Ulisses e os familiares dos mortos. A concepção do poema é predominantemente dramática e o carácter de Ulisses, marcado por obstinação, lealdade e perseverança em seus propósitos, funciona como elemento de unificação que permeia toda a obra. Aí aparecem fundidas ou combinadas uma série de lendas pertencentes a uma antiquíssima tradição oral com fundo histórico. Há forte crença de que a Odisseia reúna temas oriundos da época em que os gregos exploravam e colonizavam o Mediterrâneo ocidental, daí a presença de mitos com seres monstruosos no Ocidente, para eles ainda misterioso. Pela extrema perfeição de seu todo, esse poema tem encantado o homem de todas as épocas e lugares. É consenso na era moderna que a Odisseia completa a Ilíada como retrato da civilização grega, e as duas juntas testemunham o génio de Homero e estão entre os pontos mais altos atingidos pela poesia universal.

 

 

 

ZEUS

 

 

 

 

Na mitologia grega, era o pai dos deuses e dos homens e o mais poderoso dos imortais. Era pré-helénico e adorado como divindade do céu. A sua presença manifestava-se pelos rais, trovoadas e chuvas. Seus pais foram Cronos e Reia e, seus irmãos, Posídon, Hades, Hestia, Demeter e Hera. Hera foi também sua esposa. Ao dividirem o mundo entre eles, após terem destronado Cronos, Posídon ficou com o mar, Hades com os infernos e Zeus com o céu e regiões superiores, sendo a Terra comum a todos. Zeus civilera considerado o deus mais importante - Zeus Polieus - e protector da liberdade política (Soter), da lei e da moral. Dike (Justiça), Témis e Némesis eram seus servos. Mas Zeus permaneceu o senhor das trovoadas, com uma pele de cabra representando uma núvem, a qual ao tremer, provocava as tempestades. Quando chegou à idade adulta enfrentou o pai. Zeus disfarçou-se de viajante, dando-lhe a Cronos uma bebida que o fez vomitar todos os filhos que tinha devorado, agora adultos. Após libertar os irmãos, iniciou a guerra Titanomaquia. Cronos procurou seus irmãos para enfrentar os rebeldes, que reuniram-se no Olimpo. A guerra duraria 100 até que seguindo um conselho de Gaia, Zeus liberta os Hecatónquiros, então os deuses olímpicos venceram e aprisionaram os titãs no Tártaro, em outras versões os aprisionaram em baixo de montanhas. Então partilhou-se o universo, Zeus ficou com o céu e a Terra, Posídon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos.
Zeus casou-se primeiro com Métis, a deusa da prudência, quando Métis estava grávida de Atena, Gaia profetizou que este filho iria destronar seu pai Zeus, como havia acontecido com Cronos e com Urano, e que isso era um ciclo eterno. Zeus, temendo que isto acontecesse, montou uma armadilha: fez uma brincadeira com Métis, no qual eles se metamorfoseavam, Métis não foi prudente e aceitou, em algum momento Métis se metamorfoseou em uma mosca e foi engolida viva por Zeus, isso não adiantaria de nada, pois depois a cabeça de Zeus cresceria assustadoramente e Atena nasceria adulta da cabeça de Zeus, a profecia de Gaia estava errada.
A segunda esposa de Zeus foi Témis, uma titã, deusa da justiça, as Moiras levam Témis até Zeus para se tornar sua segunda esposa, e as Moiras profetizam que Zeus tem muito a aprender com Témis, que é tão sábia quanto Métis.
O matrimónio com Témis acabaria e Zeus se casaria finalmente com sua irmã Hera. Apesar de casado com Hera, Zeus tinha inúmeras amantes (as paixões de Zeus). Usava dos mais diferentes artifícios de sedução, como a metamorfose em qualquer objecto ou criatura viva, sendo dois dos mais famosos o cisne de Leda e o touro de Europa. Assim sendo, teve muitos filhos ilegítimos com deusas e mortais, que se tornaram proeminentes na mitologia grega; Heracles e Helena, por exemplo. Hera é ciumenta e perseguia as amantes e os filhos bastardos de Zeus.

 

 

 

Hino a Zeus

 


"Ouvi-me vós, ó deuses todos e deusas todas,
para que vos diga o que o coração me impele a dizer.
Que não tente feminina deusa alguma ou deus viril
desobedecer às minhas palavras, mas aquiescei todos vós,
para que rapidamente eu faça cumprir estes trabalhos.
Quem eu observar separado dos deuses com tensão
de quer aos Troianos, quer aos Dánaos, prestar auxílio,
golpeado e de forma ignominiosa regressará ao Olimpo.
Ou então agarrarei nele para lançar no Tártaro sombrio,
para muito longe, para o abismo mais fundo sob a terra,
onde os portões são de ferro e o chão é de bronze,
tão longe sob o Hades como sob o céu está a terra.
Sabereis então que sou eu o mais forte de todos os deuses,
Experimentai, pois, ó deuses, para que todos saibais!
Do céu pendurai uma corrente feita de ouro
e agarrai nela, ó deuses todos e deusas todas!
Mas não arrastaríeis do céu para a planície terrena
Zeus, o sublime conselheiro, ainda que vos esforçásseis.
Porém no momento em que eu quisesse puxá-la,
arrastaria a própria terra e o próprio mar;
e de seguida ataria a corrente à volta do cume do Olimpo,
e todas as coisas ficariam suspensas no espaço:
em tal medida sou superior aos deuses e aos homens."

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal


 
 

 

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