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(Deuses, Guerreiros e
Lendas)
TERCEIRO BLOCO
GUERRA de TRÓIA
QUARTO BLOCO
Guerra lendária que conserva a recordação
das expedições dos Aqueus às costas da Ásia
Menor, no século XIII antes de Cristo. Foi
narrada, sob forma poética, na Ilíada de
Homero. Ficou célebre a estratégia do
Cavalo de Tróia. Um gigantesco cavalo feito
de madeira que os Gregos teriam abandonado
em frente de Tróia. Os Troianos
introduziram-no na sua cidade, e com ele os
guerreiros gregos que estavam escondidos lá
dentro. Este estratagema permitiu que os
Gregos se apoderassem da cidade.
Lenda de Tróia
A guerra de Tróia começou quando Páris, o
jovem filho de Príamo, rei de Tróia, raptou
Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta.
Helena era a mulher mais bela do Mundo, e
filha de Zeus. Muitos reis gregos e os seus
melhores guerreiros fizeram uma aliança e
seguiram com os seus exércitos para vencer
Tróia e levar Helena. E assim começou a
guerra.
A história desta campanha em massa é
bastante complicada. Até os deuses tomaram
partido, alguns ajudando os Gregos, outros
os Troianos. Mas foram os nomes dos grandes
chefes que chegaram até nós nas lendas e na
literatura da Grécia antiga. 0 comandante
dos exércitos gregos era o poderoso
Agamémnon, rei de Micenas, irmão de Menelau,
marido de Helena. Individualmente, o maior
guerreiro dos Gregos foi Aquiles. Entre os
que reuniram os seus próprios exércitos para
resgatar Helena e a honra grega,
encontravam-se Diomedes, cujos soldados eram
homens de Argos e de Tirinto, e Ájax,
comandante dos Lócrios. Pátroclo, amigo de
Aquiles, e o esperto Ulisses, que se
juntaram mais tarde à guerra, também
desempenham papel importante na história. Os
Troianos eram governados por Príamo, rei de
Tróia, mas, como ele era demasiado velho
para combater, o exército de defesa ficou
sob o comando do filho mais velho, Heitor.
Um ramo mais novo da família era
representado por Eneias, filho de Afrodite.
Durante a mais importante destes foi
Pentesileia, rainha das Amazonas, Sarpédon e
Glauco, chefes dos Lícios, e Reso, da Trácia
do Norte. Tróia ficava situada num pequeno
planalto do país da Frigia, na Ásia Menor,
do outro lado do mar Egeu, em frente à
Grécia. Estendia-se na sua frente uma vasta
planície, e à distância podiam ver-se as
águas estreitas do Helesponto. Aquiles era o
maior dos guerreiros gregos. A mãe era a
nereida Tétis e quis torná-lo imortal como
ela e invulnerável. Para isso fez uma longa
viagem com o filho até ao Mundo Inferior, e
mergulhou-o nas águas mansas do Estige,
segurando-o pelo calcanhar, e assim o
calcanhar ficou seco e continuou vulnerável.
Depois foi ao monte Pélion e entregou-o aos
cuidados do centauro Quíron, que tinha
treinado tantos heróis do passado. Quando
Tétis ouviu contar que Helena tinha sido
levada para Tróia, ficou muito preocupada, e
foi logo ao monte Pélion. Mas a notícia já
lá tinha chegado, e encontrou Aquiles a
preparar-se para partir. Lançou-lhe um
feitiço, vestido com trajes de mulher e
navegou com ele até à ilha de Squiro,
apresentando-o ao rei Licomedes como sua
filha. E deixou-o aos cuidados do rei.
Entretanto, os reis e príncipes gregos
juntavam-se em Áulis com os seus exércitos.
Enquanto os exércitos se iam juntando, os
navios que os deviam conduzir a Tróia
navegavam desde as ilhas e das cidades
costeiras para o continente grego.
Ulisses de ítaca hesitava em se juntar à
expedição, porque se tinha casado apenas
havia um ano e não queria deixar a mulher e
o filho. Por fim, tudo ficou pronto em Áulis.
Os soldados entraram para os navios, e
desfraldaram-se as velas brancas.
Lentamente, a armada saiu da baía e navegou
sobre o vasto mar Egeu a caminho de Tróia.
Ao princípio, a expedição parecia condenada
à derrota. Levantou-se vento e grandes
tempestades sacudiram os navios, que ficaram
em péssimo estado com as velas rasgadas ou
perdidas, os mastros quebrados. Os remadores
estavam exaustos e muitos dos víveres
tinham-se estragado com a água do mar. Era
evidente que a expedição não podia seguir
naquelas condições, e não houve outro
remédio senão voltar à Grécia para consertar
os navios. Havia outra razão para voltar
atrás. Durante a tempestade, Agamémnon
lembrara-se de que o adivinho Calcas lhe
dissera que Tróia não cairia enquanto
Aquiles não estivesse entre os guerreiros
gregos. Quando o exército chegou a Áulis são
e salvo, Agamémnon mandou procurar Aquiles.
Por fim correu a notícia de que ele estava
em Squiro, a viver como uma rapariga no
palácio de Licomedes.
Por um estratagema de Ulisses, conseguiram
encontrar Aquiles, que despiu de boa vontade
os trajes de mulher, e começou a reunir o
seu exército. Assim que o exército de
Aquiles ficou reunido e partiram todos da
Tessália, a armada grega saiu novamente do
porto. E desta vez a viagem foi calma. Assim
que chegaram à praia, as tripulações
saltaram para a água baixa sob uma chuva de
setas, lanças e pedras. Depois os Troianos
recolheram-se às muralhas da cidade, e dali
ficaram a ver os exércitos gregos
estabelecer o seu acampamento, desembarcar
as provisões, os cavalos e os carros de
guerra. Fora travada a primeira batalha da
guerra e a vitória coubera a Agamémnon. Mas
com uma batalha não se vence uma guerra.
Para evitar sangue, Menelau mandou um
emissário ao rei Príamo, desafiando Páris
para combater com ele até à morte, em
combate singular. Se Menelau ganhasse,
Helena voltaria para ele. Se perdesse,
morreria honrosamente, e Páris; ganharia
Helena num combate justo. Fosse como fosse,
os exércitos gregos voltariam à pátria e
Tróia ficaria em paz. Páris aceitou o
desafio. E combateram os dois
encarniçadamente junto às portas da cidade.
Por fim, urna enorme estocada feriu Páris na
coxa, fazendo-o cair no chão. Antes que
Menelau tivesse tempo de dar o golpe final,
os soldados troianos saíram da cidade,
rodearam Páris e levaram-no são e salvo. As
grandes portas fecharam-se: atrás deles e
Menelau voltou furioso para o acampamento
grego. Embora a própria Tróia recusasse
render-se, os Gregos devastavam muitas vezes
as regiões e cidades vizinhas leais à
capital troiana. Assim como arranjar
alimentos para o seu exército, os Gregos
queriam cortar todos os fornecimentos de.
água e comida para a própria Tróia. Se as
forças troianas pudessem ser completamente
isoladas e passassem bastante fome, depressa
ficariam demasiado fracas para combater.
Depois viria a rendição. Os soldados gregos
tentaram por todos os meios guardar as
saídas da cidade, mas as tropas de assalto
troianas; ainda conseguiam chegar às linhas
inimigas durante a noite, ajudadas é claro
pelo bom conhecimento da região. Um dia
Aquiles conduzia uma expedição para roubar
gado através do rio Escamandro, no sitio
onde ele corre no vale do monte Ida, a cerra
distância de Tróia. Dirigia-se com os seus
homens para a cidade de Lirnesso, a oeste.
Passavam a vau as águas baixas do rio,
avançando cautelosamente, para o caso de
espias da cidade os perseguirem. E Lirnesso
foi arrasada, e com o saque de guerra
trazido por Aquiles e os seus soldados
vinham duas raparigas cuja beleza rivalizava
com a da própria Afrodite, Criseis e Briseis.
Agamémnon, como chefe de todos os exércitos,
tinha direito à primeira divisão dos saques,
e escolheu Criseis sem hesitar.
Pouco tempo depois disto, espalhou-se pelo
acampamento uma estranha doença. Tornava-se
pior de dia para dia, até que os homens já
estavam tão fracos que não podiam combater e
morreram muitos nas suas tendas. Agamémnon
chamou um adivinho e pediu-lhe conselho.
- Grande rei - disse o velho -, tens na tua
tenda uma rapariga de que fizeste tua
escrava. É uma sacerdotisa de Apolo. Na sua
fúria, ele mandou esta peste ao teu
acampamento.
- Como podemos remediar o mal? perguntou
Agamémnon.
0 adivinho disse-lhe que devia mandar
Criseis imediatamente para o seu templo com
presentes e sacrifícios feitos ao deus.
Agamémnon não teve outro remédio senão
obedecer, e ordenou imediatamente a Aquiles
que lhe desse a outra rapariga, Briseis.
Aquiles recusou-se, mas, quando Agamémnon o
nomeou seu comandante, foi obrigado a
obedecer. E voltou furioso à sua tenda,
jurando que nem ele nem nenhum dos seus
homens tomaria mais parte na guerra enquanto
Agamémnon não lhe devolvesse Briseis e lhe
pedisse desculpa. A notícia desta desavença
chegou imediatamente a Tróia. Os soldados de
Príamo tomaram coragem. Novos aliados tinham
chegado recentemente para os ajudar, e todos
juntos fariam um ataque-surpresa às linhas
gregas, empurrando-as para o mar e para lá
das muralhas de madeira que tinham
construído ao longo da praia. 0 último homem
a abandonar as barricadas foi Ájax,
comandante dos Lócrios. Deixou muitos mortos
atrás de si, mas, embora fosse ele o herói
do dia, os Gregos tinham sofrido uma cruel
derrota. Pátrocles, o melhor amigo de
Aquiles, tentou persuadi-lo a não ficar
fechado na tenda como uma criança amuada.
- Não saio daqui enquanto Agamémnon não vier
ter comigo e me pedir desculpa - respondeu
Aquiles.
- Muito bem - disse Pátrocles. - Então vou
levar a tua armadura e usá-la no campo de
batalha, para os Troianos julgarem que
voltastes a ter juízo.
Pegou no capacete de Aquiles, no escudo, na
espada e na lança, e saiu da tenda, furioso.
No dia seguinte, os Gregos voltaram todos às
barricadas, e os Troianos viram com receio a
figura imponente de Aquiles à frente dos
soldados. Voltaram imediatamente para dentro
das muralhas da cidade e, embora o seu chefe
Heitor os mandasse ficar a pé firme, os
Gregos rechaçaram impiedosamente o seu
ataque. Quando chegou às portas da cidade,
Heitor, sozinho, barrou-lhe a passagem. Mas
nessa altura Pátrocles perdera o capacete de
Aquiles e já não podia continuar a esconder
a sua verdadeira identidade. Cansado de tão
violenta batalha, não podia medir-se com
Heitor. Depois de apenas alguns toques de
espada, o valente amigo de Aquiles caía
morto. A toda a velocidade, um mensageiro
grego correu à tenda de Aquiles para o
avisar. Quando ouviu o que tinha acontecido,
o grande guerreiro pôs-se de pé e saiu da
tenda. E, na manhã seguinte, os Troianos
saíram novamente e deu-se outra grande
batalha. A morte de Pátrocles enchera
Aquiles de um ódio invencível contra todos
os Troianos, ódio maior ainda por saber que
fora ele o principal causador da morte de
Pátrocles. Perante o ataque de Aquiles e dos
seus homens, os Troianos recuaram, e mais
uma vez combateram em volta das muralhas da
cidade. Começava a parecer que desta vez os
Gregos acabariam por vencer, mas as portas
da cidade fecharam-se uma a uma sobre os
soldados troianos que batiam em retirada.
Apenas a porta principal ficou aberta,
defendida até ao fim por Heitor. Como de
costume, Heitor conduzira os Troianos com
enorme coragem durante todo o dia, mas,
desta vez, nem ele mesmo conseguiu evitar a
derrota. Aquiles viu-o do seu carro e atirou
a lança com toda a força. 0 golpe teria
feito derrubar as próprias muralhas de
Tróia, e Heitor caiu com uma enorme ferida
no pescoço.
- Assim morrerão todos os cães! - gritou
Aquiles, saltando para o chão e avançando de
espada erguida para o homem caído. Mas
Heitor Já estava morto quando ele chegou.
Ainda no seu acesso de raiva, Aquiles
amarrou os pés de Heitor com uma corda e
prendeu-o às traseiras do carro, arrastando
três vezes o maior dos filhos de Príamo em
volta das muralhas de Tróia.
Tal procedimento para com um inimigo vencido
chocou até mesmo os amigos de Aquiles, e
trouxe novos receios ao exército grego.
- Deixem-no como pasto dos abutres - disse
ele com secura. - Amanhã veremos apenas os
seus OSSOS.
Quando nasceu o Sol, o rei Príamo olhou do
alto das muralhas e viu o corpo do filho
ainda na planície. Disfarçou-se e conseguiu
chegar até ao acampamento grego sem ninguém
desconfiar. Quando entrou na tenda de
Aquiles, revelou quem era e entregou-se à
vontade do chefe grego.
- Deixa-me levar Heitor comigo para a cidade
a fim de podermos dar-lhe um funeral próprio
e seguir em paz até ao Eliseu.
- Podes levar o teu filho - disse ele -, mas
tens que me dar o peso dele em ouro.
Príamo concordou e fizeram-se tréguas
durante aquele dia. Foi trazida de Tróia uma
enorme balança e colocada junto da muralha.
Os Gregos puseram o corpo de Heitor num dos
pratos da balança enquanto os Troianos
punham no outro montes de ouro vindo das
caves de Tróia. Mas a cidade empobrecera
devido à prolongada guerra e o ouro trazido
não chegava para equilibrar a balança. A
irmã de Heitor, Polixena, quando viu o pai
afastar-se de Aquiles, tirou imediatamente
do pescoço um pesado colar de ouro e
atirou-o para a balança. Com mais este peso,
o prato desceu e ficou equilibrado com o
outro. Nas semanas que se seguiram, Aquiles
descobriu que se apaixonara por Polixena e
mandou dizer a Príamo que, se pudesse ter
Polixena como esposa, a guerra terminaria. 0
rei troiano ficou radiante. Todavia Paris
temia que, se a guerra acabasse, fosse
forçado a devolver Helena ao marido. E
quando Aquiles se aproximou da cidade, em
termos de paz, lançou-lhe uma seta
envenenada. A seta atingiu Aquiles no
calcanhar, justamente no sítio por onde
Tétis o segurara tantos anos antes para o
mergulhar no rio Estige. E naquele dia a
batalha foi mais renhida do que nunca, e
continuou ainda mais violenta todos os dias,
parecendo que não teria fim. Então, uma
manhã, os Troianos olharam através da
planície e verificaram com espanto que os
invasores tinham desaparecido. Não se via
nada, a não ser os restos dos acampamentos.
Em frente da porta principal da cidade,
sobre uma plataforma com rodas mal talhadas,
estava um gigantesco cavalo de madeira. E,
num dos flancos, os Troianos descobriram uma
inscrição que dedicava o cavalo 'a deusa
Atena e pedia o regresso calmo dos exércitos
gregos à pátria. Cautelosamente, os Troianos
inspecionaram o cavalo, mas acabaram por
acreditar que não passava de uma oferenda à
deusa Atena, e resolveram levá-lo para
dentro da cidade, onde poderia ficar corno
recordação da sua inesperada vitória sobre
os Gregos. Amarraram fortes cordas na base
do cavalo e levaram-no pelas ruas até uma
vasta praça junto do palácio. Chegou a noite
e fez-se urna festa em Tróia. Dançou-se e
cantou-se em volta do cavalo de madeira, e
passava muito da meia-noite quando o último
noctívago adormeceu. junto das portas da
cidade, os guardas dormiam também, cheios de
vinho. Quando, por fim, tudo sossegou, uma
porta disfarçada na barriga do enorme cavalo
abriu-se sem ruído. Cinqüenta dos guerreiros
gregos mais audazes saltaram para o chão.
Alguns deles correram imediatamente para as
portas, outros dirigiram-se ao palácio real.
0 plano do esperto Ulisses tinha resultado
tal e qual como ele previra. Enquanto os
Troianos prestavam honras ao cavalo, a
armada grega tinha-se escondido na enseada
de uma i lha próxima. E, assim que
anoiteceu, os Gregos voltaram com todas as
cautelas, e quando os soldados que estavam
dentro da cidade tinham morto os guardas
adormecidos, o exército juntou-se na
planície. Com o inimigo no interior da
cidade, os Troianos estavam perdidos:
apanhados de surpresa, foi a sua última
batalha. Antes de amanhecer, a cidade caíra
nas mãos dos Gregos, muitos dos maiores
guerreiros foram mortos e as mulheres e
filhos levados como escravos.
Quanto a Helena, causadora dos dez anos de
guerra e da morte de tantos heróis, voltou
mais uma vez para a Grécia, para junto do
marido.
HADES
Deus dos Infernos, na mitologia grega.
Filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e
Posídon, era um deus de poucas palavras e
seu nome inspirava tanto medo que as pessoas
procuravam não pronunciá-lo. Era descrito
como austero e impiedoso, insensível a
preces ou sacrifícios, intimidativo e
distante. Invocava-se Hades geralmente por
meio de eufemismos, como Clímeno (o Ilustre)
ou Eubuleu (o que dá bons conselhos). Seu
nome significa, em grego, o Invisível, e era
geralmente representado com o elmo mágico
que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou
dos ciclopes quando participou da
titanomaquia contra os titãs. No fim da luta
contra os titãs, vencidos os adversários,
Zeus, Posídon e Hades partilharam entre si o
universo, Zeus ficou com o céu, e a terra,
Posídon ficou com os mares e Hades tornou-se
o deus do inferno e das riquezas.
HEFESTOS
Deus do fogo entre os Gregos. Era coxo e
considerado o ferreiro divino e patrono dos
artífices. Tinha a sua forja debaixo do
vulcão Etna e era assistido por ciclopes.
Ironicamente, deram-lhe a infiel Afrodite
como esposa. Hefestos fez uma rede invisível
e apanhou-a em flagrante delito. Hefesto foi
responsável, entre outras obras, pela égide,
escudo usado por Zeus em sua batalha contra
os titãs. Construiu para si um magnífico e
brilhante palácio de bronze, equipado com
muitos servos mecânicos. De suas forjas saiu
Pandora, primeira mulher mortal. Casou-se
com Afrodite, porém ela lhe foi infiel,
tendo vários amantes dentre eles deuses e
mortais. O seu principal rival era Ares,
deus da guerra. Outra versão do mito conta
que Afrodite o amava realmente, e suas
traições reflectiam as outras faces do amor,
(ela lhe queria causar ciúmes, ou tinha
desejos passageiros), e uma terceira ainda
fala que ele divorciou-se de Afrodite e
casou-se com as Cárites (ou a Cárite).
Atenas, cidade que dava valor ao artesanato,
estimava-o.
HELENA (de Tróia)
Foi Homero que, narrando um episódio da
Guerra de Tróia, chamou a atenção para a
lenda, cujo personagem principal é Helena,
princesa grega famosa pela sua beleza. Ela
era filha de Leda e irmã de Castor e Pólux.
Esposa de Menelau, foi raptada por Páris, o
que originou a expedição dos gregos contra
Tróia. O rapto de Helena, que a mitologia
grega descrevia como a mais bela das
mulheres, desencadeou a lendária guerra de
Tróia. Personagem da Ilíada e da Odisseia,
Helena era filha de Zeus e da mortal Leda,
esta esposa de Tíndaro, rei de Esparta.
Ainda menina, Helena foi raptada por Teseu,
depois libertada e levada de volta para
Esparta por seus irmãos Castor e Pólux (os
Dioscuri). Para evitar uma disputa entre os
muitos pretendentes, Tíndaro fez com que
todos jurassem respeitar a escolha da filha.
Ela se casou com Menelau, rei de Esparta,
irmão mais novo de Agamenon, que se casara
com uma irmã de Helena, Clitemnestra.
Helena, contudo, abandonou o marido para
fugir com Páris, filho de Príamo, rei de
Tróia. Os chefes gregos, solidários com
Menelau, organizaram uma expedição punitiva
contra Tróia que originou uma guerra de sete
anos de duração. Após a morte de Páris em
combate, Helena casou-se com seu cunhado
Deífobo, a quem atraiçoou quando da queda de
Tróia, entregando-o a Menelau, que retomou-a
por esposa. Juntos voltaram a Esparta, onde
viveram até a morte. Foram enterrados em
Terapne, na Lacónia.
HERA
Deusa grega do Casamento que simbolizava a
grandeza da Maternidade. Filha de Cronos e
de Reia, casou como seu irmão Zeus, e esta
união tornou-se, apesar das infidelidades e
desavenças, o modelo dos casamentos humanos,
Hera foi também deusa da Fecundidade e da
Vegetação. Retratada como ciumenta e
agressiva, odiava e perseguia as amantes de
Zeus e os filhos de tais relacionamentos,
tanto que tentou matar Hércules quando este
era apenas um bebé. O único filho de Zeus
que ela não odiava, antes gostava, era
Hermes e sua mãe Maia, porque ficou surpresa
com a sua inteligência. Possuía sete templos
na Grécia. Mostrava apenas seus olhos aos
mortais e usava uma pena do seu pássaro para
marcar os locais que protegia. Hércules
destruiu seus sete templos e, antes de
terminar sua vida mortal, aprisionou-a em um
jarro de barro que entregou a Zeus. Depois
disso, ele foi aceito como deus do Olimpo.
Hera era muito vaidosa e sempre quis ser
mais bonita que Afrodite, sua maior inimiga.
Irmã e esposa de Zeus, a mais excelsa das
deusas, é representada na Ilíada como
orgulhosa, obstinada, ciumenta eagressiva.
Odiava sobretudo Héracles, que procurou
diversas vezes matar. Na guerra de Tróia por
ódio dos troianos, devido ao julgamento de
Páris, ajudou os gregos.
HÉRACLES
Herói grego, personificação da Força. É
geralmente considerado como filho de Zeus e
de Alcmena, mulher de Anfitrião. Ainda na
berço, sufocou duas serpentes que Hera lá
colocara para o devorar. Foi Héracles o mais
célebre dos heróis da mitologia, símbolo do
homem em luta contra as forças da natureza.
Desde que nasceu teve de vencer as
perseguições de Hera. Tanto é que, com oito
meses de vida estrangulou com as mãos duas
serpentes que a deusa mandou ao seu berço
para o matarem. Quando homem, sobressaiu-se
pela sua enorme força. A sua primeira
façanha deu-se quando se dirigiu a Beócia,
cidade próxima de Tebas, e perseguiu e matou
apenas com as mãos um enorme leão que
devorava os rebanhos de Anfitrião e de
Téspio. A caçada durou cinquenta dias
consecutivos, durante que Héracles foi
hóspede de Téspio, que aproveitou para unir
cada uma das suas cinquenta filhas com ele,
de maneira a criar uma aguerrida
descendência, conhecidos pelos Tespíadas,
que se espalharam até a Sardenha. Por livrar
a cidade de Tebas de um tributo que tinha de
pagar à de Orcómeno, o rei da primeira,
Creonte (filho de Meneceu), casou-o com a
sua filha mais velha, Mégara. Num acesso de
loucura provocado por Hera, Héracles matou
os filhos tidos com Mégara. Após recuperar a
sanidade, Héracles foi a Delfos consultar um
oráculo sobre o meio de se redimir desse
crime e poder continuar com uma vida normal.
O oráculo ordenou-lhe que servisse, durante
doze anos, o seu primo Euristeu, rei de
Micenas e de Tirinto. Pondo-se Héracles ao
seu serviço, o rei, simpatizante de Hera,
que não cessava de perseguir os filhos
adulterinos de Zeus, impôs-lhe, com a oculta
intenção de o eliminar, doze perigosíssimos
trabalhos, dos quais o herói saiu vitorioso.
01 - Matar o leão de Nemeia;
02 - Matar a hidra de Lema;
03 - Capturar a corça de Cerineia;
04 - Trazer vivo o javali de Erimanto;
05 - Abater os pássaros antropófagos do lago
Estínfalo;
06 - Limpar as cavalariças do rei Augias;
07 - Capturar o touro cretense de Minos;
08 - Matar Diomedes;
09 - Apoderar-se do cinto da amazona
Hipólita;
10 - Matar Gérion;
11 - Colher as maçãs de ouro das Hespérides;
12 - Acorrentar o cão Cérbero.
Héracles participou também na expedição dos
Argonautas, matou o centauro Nesso e
sustentou o céu sobre os seus ombros para
aliviar Atlas. Encarnando, com tudo isto, um
ideal de virilidade e de tenacidade, recebeu
a imortalidade que os deuses concedem aos
heróis.
HERMES
Deus grego que vigia os caminhos e os que os
percorrem: Viajantes, arautos, mercadores e
até salteadores. Protector do comércio e da
actividade urbana, é venerado também como
divindade psicopompa, na qualidade de
condutor das almas do Inferno, e como
inventores de todas as ciências, em especial
da escrita e da magia. Foi neste sentido que
os Gregos o identificaram, na época
helenística, com Toth, o deus lunar do
Egipto, e lhe atribuíram o qualificativo de
"trismegisto", ou seja, três vezes supremo,
bem como a antologia intitulada "Corpus
Hermeticum". Era um dos 12 deuses do Olimpo.
Filho de Zeus e de Maia, nasceu na Arcádia,
revelando logo extraordinária inteligência.
Conseguiu livrar-se das fraldas e foi à
Tessália, onde roubou parte do rebanho
guardado por seu irmão Apolo, escondendo o
gado em uma caverna. A seguir voltou para o
berço, como se nada tivesse acontecido.
Quando Apolo descobriu o roubo, conduziu
Hermes diante de Zeus, que o obrigou a
devolver os animais. Apolo, no entanto,
encantou-se com o som da lira que Hermes
inventara e ofereceu em troca o gado e o
caduceu. Mais tarde, Hermes inventou a
seringue (flauta de Pã), em troca de que
Apolo lhe concedeu o dom da adivinhação. Foi
famoso também por ser o único filho que Zeus
tivera que não era filho de Hera, que ela
gostou, pois ficou impressionada pela sua
inteligência. Divindade muito antiga, Hermes
era invocado, a princípio, como deus dos
pastores e protector dos rebanhos, dos
cavalos e animais selvagens; mais tarde
tornou-se deus dos viajantes, e em sua
homenagem foram erguidas estátuas à beira
das estradas (hermas). Posteriormente,
Hermes tornou-se deus do comércio e até dos
ladrões; para proteger compradores e
vendedores, inventou a balança. Hermes era
quem guiava as almas dos heróis ou pessoas
importantes até o rio Estige, lugar que
ligava o reino dos vivos com o reino dos
mortos. Também considerado deus da
eloquência e patrono dos desportistas, é
representado como um jovem de belo rosto,
normalmente nu, vestido com túnica curta. Na
cabeça tem um capacete com asas, calça
sandálias aladas e traz na mão seu principal
símbolo, o caduceu. Pã foi fruto dos amores
de Hermes com a ninfa Dríope. Ela não foi a
única mortal nem a única deusa honrada pelos
seus favores. Teve ainda como amantes,
Acacalis, filha de Minos; Herse, filha de
Cécrope; Eupolémia; Antianira, mãe de Equion;
Afrodite, a deusa do amor, com quem teve
Hermafrodito; a ninfa Lara, náiade de Almon;
e finalmente sua irmã, a deusa Perséfone, a
quem pediu em casamento para Deméter, mãe da
moça, que recusou o pedido. Mas foi Hermes
quem tentou resgatar Perséfone do reino dos
mortos quando ela foi sequestrada por Hades.
HÉSTIA
Deusa grega do Lar. Filha de Cronos e de
Reia, virgem a quem se apresentava a esposa
e os recém-nascido, era venerada no pritaneu,
edifício que, em cada cidade, se mantinha
iluminado em sua honra e representava o
centro da vida pública. Embora não apareça
com frequência nas histórias mitológicas,
era admirada por todos os deuses. Era a
personificação da moradia estável, onde as
pessoas se reuniam para orar e oferecer
sacrifícios aos deuses. Era adorada como
protectora das cidades, das famílias e das
colónias. Sua chama sagrada brilhava
continuamente nos lares e templos. Todas as
cidades possuíam o fogo de Héstia, colocado
no palácio onde se reuniam as tribos. Esse
fogo deveria ser conseguido directo do sol.
Quando os gregos fundavam cidades fora da
Grécia, levavam parte do fogo da lareira
como símbolo da ligação com a terra materna
e com ele, acendiam a lareira onde seria o
núcleo político da nova cidade. Sempre fixa
e imutável, Héstia simbolizava a perenidade
da civilização. Em Delfos, era conservada a
chama perpétua com a qual se acendia a
héstiade outros altares. Cada peregrino que
chegava a uma cidade, primeiro fazia um
sacrifício à Héstia. Seu culto era muito
simples: na família, era presidido pelo pai
ou pela mãe; nas cidades, pelas maiores
autoridades políticas.
IO
Sacerdotisa de Hera, na mitologia grega. Era
filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era
filho de Oceanus e Tétis. Foi sacerdotisa da
Hera argiva e pertenceu a raça real de Argos.
Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que a
seduziu e a transformou em vitela para assim
subtraí-la aos ciúmes de Hera A estratégia
falhou e a deusa, desconfiada, desceu do
monte Olimpo para averiguar o que estava
acontecendo. Numa vã tentativa de iludir sua
esposa ciumenta, o deus transformou sua
amante em uma belíssima novilha branca.
Intrigada pelo interesse do marido no animal
e maravilhada com a beleza do mesmo, Hera
exigiu a novilha para si e a pôs sob a
guarda do gigante Argos Panoptes. Argos
quando dormia mantinha abertos cinquenta de
seus cem olhos.
Zeus encarregou Hermes de libertar sua
amada. Para tanto, o mensageiro dos deuses,
usando a flauta de Pã, pôs para dormir os
olhos despertos de Argos, enquanto os outros
cinquenta dormiam um sono natural, e cortou
sua cabeça. Hera recolheu os olhos de seu
servo e os pôs na cauda do pavão, animal
consagrado a ela. Io estava livre do
cativeiro, mas não dos tormentos de Hera. O
fantasma de Argos continuava a persegui-la.
Para piorar sua situação, a deusa enviou um
moscardo para picar a novilha constantemente
durante sua fuga, sempre perseguida por um
moscardo. Io perambulou de Micenas para
Eubéia. Atravessou a Ilíria e subiu o monte
Hemos, na Trácia. O mar cujas praias
percorreu recebeu o nome de Mar Iônio. O
Estreito de Bósforo, que liga o Mar de
Mármara ao Mar Negro, cujo significado é
Passagem da Vaca, foi baptizado assim após
Io tê-lo cruzado a nado. Atravessou a Cítia
e ao chegar ao monte Cáucaso, encontrou
Prometeu acorrentado em uma rocha. O titã
disse que, ao alcançar o Egipto, ela seria
restaurada a sua forma humana por Zeus e
teria um filho. A criança seria a primeira
de uma linhagem que culminaria com Hércules,
que acabaria por libertar o próprio
Prometeu. Io fatalmente chegou às margens do
Nilo. Cansada de tanto sofrimento, implorou
a Zeus por um fim. O deus comovido foi falar
com Hera e ambos restauram Io a sua forma
humana. Ela teve um filho, Épafo, que foi
roubado pelos Curetes sob ordens de Hera. Io
recuperou o menino e reinou sobre o Egipto,
sob nome de Ísis e casada com Telégono. Sua
coroa tinha dois pequenos chifres de ouro,
lembranças de sua transformação. O mito de
Io pode ser interpretado como uma alegoria
lunar, na qual a fuga da novilha
representaria o movimento da Lua e os olhos
de Argos, o céu estrelado. Por vezes o mito
de Io se confunde com os da deusa Ísis,
Hator e mesmo Ishtar.
PERSEU
Herói da mitologia grega, filho de Zeus e de
Danae. Perseu e sua mãe foram banidos pelo
avô, Acrísio, que temia a profecia de que
seria assassinado pelo neto, atirando-os
numa urna para que levasse os dois para bem
longe. Protegida por Zeus a embarcação
chegou a ilha de Serifo, onde foi encontrada
por um pescador, Díctis, irmão do rei de
Serifo. Perseu e sua mãe viveram na casa de
Díctis e sua esposa por anos, até que um
dia, o rei, Polidectes, quando passava pela
casa de seu irmão resolveu visitá-lo. Ao ver
Danae, se apaixonou e quis se casar com ela.
Perseu se tornou um grande homem, forte,
ambicioso, corajoso, aventureiro e protector
da mãe. Polidectes, com medo da ambição de
Perseu levá-lo a lhe tirar o trono, propôs
um torneio no qual o vencedor seria quem
trouxesse a cabeça da Medusa, e o instinto
aventureiro de Perseu não o deixou recusar.
Ele, conhecendo a sua mãe disse que iria
participar do torneio, mas não disse que
iria enfrentar a Medusa, com receio dela
impedi-lo. Foi vitorioso graças à ajuda de
Atena e Hermes. Atena deu a ele um escudo
tão bem polido, que podia se ver o reflexo
ao olhar para ele, e Hermes deu a ele suas
sandálias aladas, dois objetos que foram
definitivos para a vitória de Perseu. Então
Perseu, guiado pelo reflexo do escudo, mas
sem olhar directamente para a Medusa,
derrotou-a cortando sua cabeça, que ofereceu
à deusa Atena. Diz a lenda que, quando
Medusa foi morta, o cavalo alado Pégaso e
Crisaor surgiram de seu ventre. Na volta
para casa, matou um terrível monstro marinho
e libertou a linda Andrómeda, com quem se
casou. Conforme a profecia, Perseu acabou
assassinando o avô durante uma competição
desportiva, em que participava da prova de
arremesso de discos. Fazendo um lançamento
desastroso, acertou acidentalmente seu avô
sem saber que ele estava ali. Assim
cumpriu-se a profecia que Acrísio mais
temia. Apesar disso Perseu se recusou a
governar Argos - trocando de reinos com
Megapente filho de Preto - e governou
Tirinto e Micenas (cidade que fundou),
estabelecendo uma família cujos descendentes
incluíam Hércules.
Trabalho e
pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro –
Marinha Grande
Portugal
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