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(Deuses, Guerreiros e
Lendas)
SEGUNDO BLOCO
CADMO
Herói lendário, que terá sido um dos
divulgadores da civilização entre os Gregos.
Tendo participado à procura da sua irmã
Europa, raptada por Zeus, foi retido em
Delfos pelo oráculo, que lhe ordenou que
seguisse uma vaca marcada com o sinal da Lua
e construísse uma cidade onde ela parasse.
Foi assim que Cadmo fundou na Beócia a Cadmeia, primeira fortaleza de Tebas. Quando
Europa desapareceu, o rei Agenor ordenou aos
filhos Cadmo, Fénix e Cílix que saíssem à
sua procura e que não voltassem à sua
presença sem ela. Durante a longa busca, os
irmãos de Europa fundaram diversas cidades e
acabaram se instalando definitivamente em
outras regiões. Fênix se estabeleceu na
Fenícia; Cílix, na Cilícia; e Cadmo, o mais
velho, na Grécia. Cadmo viajou acompanhado
da mãe, Teléfassa, e dirigiu-se inicialmente
para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu
algum tempo. Pouco depois da morte da mãe,
aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de
procurar Europa e fundou a Cadméia, a
acrópole fortificada da futura cidade de
Tebas. Segundo a tradição, o oráculo havia
mandado Cadmo escolher o local seguindo uma
vaca até que ela caísse de cansaço. Ao
encontrar uma vaca com um sinal diferente,
Cadmo a seguiu até a Beócia e, no local onde
ela parou, fundou a cidade. Para obter água
de uma fonte próxima, teve de matar a
pedrada um dragão, tido por filho de Ares;
logo depois, a conselho de Atena, semeou os
dentes do dragão morto. Dos dentes nasceram
diversos guerreiros, totalmente armados e de
aspecto ameaçador. Instado por Atena, Cadmo
lançou, sem ser visto, uma pedra sobre eles.
A pedra desencadeou uma violenta disputa e,
no fim da luta, restaram apenas cinco
guerreiros vivos, os espartos (i.e., "os
semeados"). Eles auxiliaram Cadmo na
fundação da cidade e eram considerados
ancestrais das famílias nobres de Tebas.
Devido à morte do dragão, Cadmo foi
condenado pelos deuses a servir Ares durante
8 anos. No fim do período, Zeus concedeu-lhe
a mão de Harmonia, filha de Ares e de
Afrodite. Os deuses imortais comparecerem em
peso ao casamento, as musas cantaram durante
os festejos e a noiva recebeu dois presentes
fabulosos: um maravilhoso vestido, tecido
pelas Cárites, e um belíssimo colar de ouro,
feito por Hefesto. Cadmo tornou-se rei de
Tebas e seu reinado foi longo, tranquilo e
próspero; consta que ele civilizou a Beócia
e ensinou aos gregos o uso da escrita. Teve
vários filhos: Autónoe, Ino, Agave, Sêmele e
Polidoro. Já idoso, Cadmo entregou o trono
de Tebas a Penteu, filho de Agave e Équion
(um dos espartos), e retirou-se com Harmonia
para a Ilíria, onde se tornou rei e teve
outro filho, Ilírio. Viveu ainda algum tempo
e, no final da vida, foi transformado pelos
deuses em serpente, juntamente com Harmonia.
CRONOS
Deus da primeira geração do panteão
helénico, a dos Titãs. Filho de Úrano e de
Geia, castrou o seu próprio pai e tomou o
poder no lugar dele. Da sua união com Reia,
teve numerosos filhos, que ele devorava. Só
um escapou a esta sorte, Zeus, que destronou
Cronos e o lançou para o Tártaro,
obrigando-o a devolver à luz os deuses que
tinha devorado: Héstia, Deméter, Hera, Hades
e Posidon. Quando a mãe de todos finalmente
se cansou de Úrano, urdiu um plano para
libertar os filhos e ao mesmo tempo se
livrar do incómodo vigor do marido. Criou em
suas entranhas o ferro mais resistente, fez
com ele uma afiada foice e pediu ajuda aos
filhos. Somente Crono, o mais novo, de
"pensamentos tortuosos", que odiava o pai e
não o temia, concordou em ajudá-la. Armado
da foice, Crono se escondeu e à noite,
quando Úrano recobriu Gaia, decepou com um
só golpe os genitais do pai e lançou-os no
mar. Libertou, a seguir, todos os irmãos
presos no interior da terra. Úrano continuou
a cobrir Gaia diariamente, mas sem tocá-la:
privado da capacidade geradora,
"aposentou-se" e não procriou novamente. O
esperma que caiu dos genitais cortados
produziu, ao atingir o mar, a espuma de onde
saiu a deusa Afrodite. Já o sangue de sua
ferida, ao cair sobre a terra, gerou as
ninfas melíades, as Erínias e,
posteriormente, os gigantes.
Após a destituição e "aposentadoria" de
Úrano, Crono passou a residir no céu e se
tornou o novo "rei" dos deuses. Conforme as
versões mais tardias da lenda, seu reinado
foi uma verdadeira Idade de Ouro.
DEMÉTER
Deusa grega da terra cultivada - ao
contrário de Geia, divindade da Terra
concebida como entidade cosmogónica. Quando
Hades raptou a sua filha Perséfone (Coré),
Deméter, lavada em lágrimas, percorreu o
mundo à sua procura até que Zeus, ordenou ao
deus dos Infernos que restituísse a filha a
sua mãe durante seis meses por ano.
Constantemente assediada por Posídon que a
desejava, disfarçou-se em égua a fim de
iludir seu pretendente. Foi inútil
tentativa, pois Posídon, descobrindo tudo,
disfarçou-se em cavalo logrando assim seu
intento de unir-se a Deméter. Dessa
indesejável união nasceu Aríon, cavalo com a
capacidade da fala e da predição do futuro e
uma filha cujo nome poucos conheceram.
Indignada com a atitude de Posídon, Deméter
retirou-se do Olimpo. A terra tornou-se a
partir daí estéril e estabeleceu-se um
período de fome absoluta. Por causa desse
incidente recebeu muitos cognomes, entre
eles a de “Negra” por haver se vestido de
luto e de “Erínia” por causa da ira que se
abateu sobre ela. Foi somente após banhar-se
no rio Ládon, cuja característica era a de
fazer apagar mágoas e ressentimentos, que
Deméter, purificada, voltou ao Olimpo. De
seu romance de trágico desfecho com Iásion,
Deméter teve um filho chamado Pluto, que
posteriormente tornou-se a personificação da
riqueza e da abundância. Iásion morreu
atingido por um raio fulminante enviado pelo
enciumado Zeus ao surpreender juntos os dois
amantes. De sua união com Zeus nasceu Core,
que estando certo dia a colher flores no
campo foi subitamente raptada por Hades e
levada às profundezas. Amargurada com o
desaparecimento da filha, Deméter vagou pelo
mundo inteiro à sua procura. Hélio, o deus
Sol que a tudo vê foi quem lhe revelou seu
paradeiro. Revoltada com Hades e também com
Zeus que permitira o seqüestro, retirou-se
do Olimpo e metamorfoseada em velha,
dirigiu-se a Eléusis, cidade da Ática. Lá
chegando, interpelada pelas filhas do rei
Céleo a respeito de sua identidade, mentiu
dizendo ser Doso, vítima de piratas que a
haviam sequestrado de Creta, cidade onde
residia. Convidada a cuidar do recém nascido
Demofonte, filho de Metanira, a esposa do
rei, aceitou a incumbência. Deméter decidiu
tornar o rebento imortal e para tanto,
alimentava-o com ambrosia e com o néctar dos
deuses, esfregando-o todas as noites com o
fogo da imortalidade. Aconteceu, porém, que
certa feita Deméter foi surpreendida pela
rainha em seus rituais mágicos. Esta, ao se
deparar com a imagem de seu filho exposto às
chamas, lançou um grito desesperado. Irada
com tamanha ignorância e incompreensão, a
deusa interrompeu o ritual, condenando
Demofonte a prosseguir como simples mortal e
surgiu em todo seu esplendor denunciando sua
verdadeira origem. Ordenou que se erguesse
um templo em sua homenagem no qual ela
pudesse ensinar aos homens seus ritos
secretos. Uma vez construído seu santuário,
retirou-se do Olimpo e ali se refugiou para
chorar a saudade que sentia de sua amada
filha. Amaldiçoou a terra lançando sobre ela
uma implacável seca e impedindo que ali
nascesse qualquer tipo de vegetação.
Inutilmente, tentando convencê-la a mudar de
atitude, Zeus se viu forçado a interceder
junto a Hades para que devolvesse Coré a sua
mãe. O soberano dos infernos consentiu mas,
antes de deixar partir sua amada, fez com
que ela comesse um bago de romã. Prendeu-a
com isso, para sempre, aos Infernos, uma vez
que, quem ali se alimentasse, ficaria
eternamente condenado a retornar. Quando mãe
e filha se reencontraram, a terra novamente
se cobriu de verde e a abundância voltou a
reinar.
DIONISO
Deus grego da Vegetação mais concretamente
da Vinha e do Vinho, bem como da Geração. Os
ritos dionisíacos continham procissões
animadas por coros que, a cantar e a dançar,
executavam em honra do deus um hino chamado
"ditirambo". Os participantes eram então
dominados pela exaltação mística. Nas festas
chamadas "dionisíacas" havia concursos de
representações teatrais que contribuíram
muito para o desenvolvimento da tragédia e
da arte lírica na Grécia. Dionísio é o
símbolo da afirmação, do riso e da dança, em
oposição à metafísica, à religião e à moral
niilistas. Às mulheres que o seguiam como
loucas, bêbadas e desvairadas se dava o nome
de bacantes. É considerado também o deus
protector do teatro. Em sua honra faziam-se
ditirambos na Grécia Antiga e festas
dionisíacas. Segundo o mito, Dionísio
ordenou a seus súbitos que lhe trouxesse uma
bebida que o alegrasse e envolvesse todos os
sentidos. Trouxeram-lhe néctares diversos,
mas Dionísio não se sentiu satisfeito até
que ofereceram o vinho. O deus encheu-se de
encanto ao ver a bebida, suas cores, nuances
e forma como brilhava ao Sol, ao mesmo tempo
em que sentia o aroma frutado que exalava
dos jarros à sua frente. Quando a bebida
tocou seus lábios, sentiu a maciez do corpo
do vinho e percebeu seu sabor único, suave e
embriagador. De tão alegre, Dionísio fez com
que todos os presentes brindassem com suas
taças, e ao som do brinde pôde ser ouvido
por todos os campos daquela região. A parti
daí, Dionísio passou a abençoar e a proteger
todo aquele que produzisse bebida tão
divinal, sendo adorado como deus do vinho e
da alegria.
ÉDIPO
Herói de mitologia grega, filho de Laio, rei
de Tebas e de Jocasta. Um oráculo dissera
àquele que o seu filho o mataria e casaria
com sua mulher. Édipo, que precaução fora
afastado desde seu nascimento, recebeu um
dia do oráculo de Delfos o conselho de fugir
para evitar a maldição de que Laio já fora
informado. No caminho teve uma querela com
um viajante e matou-o – era o seu pai.
Depois, dirigiu-se a Tebas, na altura
aterrada pela Esfinge que devorava os que
passavam e eram incapazes de resolver os
seus enigmas. Édipo, tendo sabido
responder-lhe, matou o monstro. Os Tebanos
tomaram-no então por rei e deram-lhe em
casamento Jocasta. Segundo Sófocles, quando
Édipo se apercebeu de que estava na situação
incestuosa prevista pelo oráculo, trespassou
os seus próprios olhos. Acompanhado por sua
filha Antígona, errou de terra em terra até
se fixar em Colona, onde morreu.
Lenda
Édipo, cujo nome significa "o de pés
inchados", era filho dos reis de Tebas, Laio
e Jocasta (a quem Homero chamou Epicasta). O
oráculo do deus Apolo em Delfos profetizou
que, quando chegasse à idade adulta, ele
mataria o pai e se casaria com a mãe. Laio,
horrorizado, ordenou que o filho fosse
abandonado no bosque, com os tornozelos
amarrados por uma corda. Um pastor encontrou
a criança ainda com vida e levou-a a
Corinto, onde foi adoptada pelo rei Políbio.
Já adolescente, Édipo ouviu também a
profecia do oráculo e, acreditando-se filho
de Políbio, fugiu de Corinto para escapar ao
destino. No caminho, encontrou um ancião
acompanhado de vários servos. Desentendeu-se
com o viajante e matou-o, sem saber que era
seu verdadeiro pai, Laio. Ao chegar a Tebas,
Édipo encontrou a cidade desolada. Uma
esfinge às portas da cidade propunha aos
homens um enigma e devorava os que não
conseguiam decifrá-lo. A rainha viúva,
Jocasta, prometera casar-se com quem
libertasse a cidade desse monstro. Édipo
decifrou o enigma e casou-se com sua mãe,
consumando a profecia. Desse matrimónio
nasceram quatro filhos: Etéocles, Polinice,
Antígona e Ismene. Passado o tempo, uma
peste assolou Tebas e o oráculo afirmou que
só vingando-se a morte de Laio a peste
cessaria. As investigações que se seguiram e
as revelações do adivinho Tirésias
demonstraram a Édipo e Jocasta a tragédia de
que eram protagonistas. A rainha matou-se e
Édipo vazou os próprios olhos e abandonou
Tebas, deixando seu cunhado Creonte como
regente. Acolhido em Colona, perto de
Atenas, graças à hospitalidade do rei Teseu,
Édipo morreu misteriosamente num bosque
sagrado e converteu-se em herói protector da
Ática. A maldição de Édipo transmitiu-se a
seus filhos, que tiveram igualmente destino
trágico.
GAIA
Tal como Caos, Gaia parece possuir uma
natureza forte, pois gera sozinha, Urano,
Pontos e as Montanhas. Hesíodo sugere que
ela tenha gerado Urano com o desejo de se
unir a alguém semelhante a si mesma em
natureza. Isso porque Gaia personifica a
base onde se sustentam todas as coisas, e
Urano é então o abrigo dos deuses
"bem-aventurados". Com Urano, Gaia gerou os
12 Titãs, após, os Ciclopes e os
Hecatônquiros (Gigantes de Cem Mãos). Sendo
Urano capaz de prever o futuro, temeu o
poder de filhos tão grandes e poderosos e os
encerrou novamente no útero de Gaia. Ela,
que gemia com dores atrozes sem poder parir,
chamou seus filhos Titãs e pediu auxílio
para libertar os irmãos e se vingar do pai.
Somente Cronos aceitou. Gaia então tirou do
peito o aço e fez a foice dentada. Colocou-a
na mão de Cronos e os escondeu, para que,
quando viesse Urano, durante a noite não
percebesse sua presença. Ao descer, Urano,
para se unir mais uma vez com a esposa, foi
surpreendido por Cronos, que atacou-o e
castrou-o, separando assim o Céu e a Terra.
Cronos lançou os testículos de Urano ao mar,
mas algumas gotas caíram sobre a terra,
fecundando-a. Do sangue de Urano derramado
sobre Gaia, nasceram os Gigantes, as Eríneas
e as Melíades. Após a queda de Urano, Cronos
subiu ao trono do mundo e libertou os
irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos,
também os temia e os aprisionou mais uma
vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e
intolerância do filho, tramou uma nova
vingança. Quando Cronos se casou com Réia e
passou a reger todo o universo, Urano lhe
anunciou que um de seus filhos o
destronaria. Ele então passou a devorar cada
recém nascido por conselhos do pai. Mas Gaia
ajudou Réia a salvar o filho que viria a ser
Zeus. Réia então, em vez de entregar seu
filho para Cronos devorar entregou-lhe uma
pedra, e escondeu seu filho em uma caverna.
Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos
demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante
10 anos nenhum dos lados chegava ao triunfo.
Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele
venceria e se tornaria rei do universo se
descesse ao Tártaro e libertasse os 3
Ciclopes e os 3 Hecatônquiros. Ouvindo os
conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a
ajuda dos filhos libertos da Terra e se
tornou o novo soberano do Universo. Todavia,
Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros
para que estes vigiassem os Titãs no fundo
do Tártaro. Gaia pela terceira vez se
revoltou e lançou mão de todas as suas armas
para destronar Zeus. Num primeiro momento,
ela pariu os incontáveis Andróginos, seres
com quatro pernas e quatro braços que se
ligavam por meio da coluna terminado em duas
cabeças, além de possuir os órgãos genitais
femininos e masculinos. Os Andróginos
surgiam do chão em todos os quadrantes e
escalavam o Olimpo com a intenção de
destruir Zeus, mas, por conselhos de Témis,
ele e os demais deuses deveriam acertar os
Andróginos na coluna, de modo a dividi-los
exactamente ao meio. Assim feito, Zeus
venceu. Em uma outra oportunidade, Gaia
produziu uma planta que ao ser comida
poderia dar imortalidade aos Gigantes;
todavia a planta necessitava de luz para
crescer. Mas ao saber disto Zeus ordenou que
Hélios, Selene, É os e as Estrelas não
subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix,
ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo
assim Gaia incitou os Gigantes a colocarem
as montanhas umas sobre as outras na
intenção de subir o céu e invadir o Olimpo.
Mas Zeus e os outros deuses venceram
novamente. Enfim, Gaia cedeu e acordou com
Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu
governo. Dessa forma, ela foi recebida como
uma deusa Olímpica.
Trabalho e
pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro –
Marinha Grande
Portugal
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