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(Deuses, Guerreiros e
Lendas)
PRIMEIRO
BLOCO
É a história fabulosa dos
deuses, semideuses e dos heróis da
Antiguidade. Ou seja, a Ciência dos
Mitos. O nascimento e a função do mito
constituem para os antropólogos e
psicanalistas, de Malinowski até aos
trabalhos de Freud (Moisés e o
monoteísmo, 1939), de Jung, e exercem
seu impacto entre os fenomelólogos.
Segundo estes (M. Eliade), os mitos
encarnam fenómenos fundamentais da vida:
o amor, a morte, o tempo, etc., e certos
fenómenos como as florestas, as
tempestades, têm sempre um mesmo valor
simbólico, seja qual for a civilização
considerada. C. Lévi-Strauss põe em
xeque essas interpretações ao propor um
novo método, a análise estrutural que
faz de cada mito um conjunto de
variáveis combinatórias. Este descreve a
vida sensorial de cada povo, sua maneira
de comer, de caçar, etc., bem como a sua
vida social ou ritual. O mito é, para
cada povo, um modo de “contar” sua
maneira de ser (parentesco, filiação,
produção), na sua especialidade, e na
sua relação com o meio natural onde
vive. A Mitologia Grega, é um conjunto
de crenças e práticas ritualistas dos
antigos gregos, cuja civilização
formou-se por volta do ano 2000 antes de
Cristo. É composta basicamente de um
conjunto de histórias e lendas sobre uma
grande variedade de deuses. A mitologia
grega desenvolveu-se plenamente por
volta do ano 700 antes Cristo. Nessa
data já existiam três colecções
clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisseia, do
poeta Homero. A mitologia grega possui
várias características específicas. Os
deuses gregos assemelham-se
exteriormente aos seres humanos e
apresentam, ainda, sentimentos humanos.
A diferença em relação a outras
religiões antigas, como o hinduísmo ou o
judaísmo, consiste em não incluir
revelações ou ensinamentos espirituais.
Práticas e crenças também variam
amplamente, sem uma estrutura formal,
como uma instituição religiosa de
governo, nem um código escrito, como um
livro sagrado. Os gregos acreditavam que
os deuses tinham escolhido o monte
Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência. No
Olimpo, os deuses formavam uma sociedade
organizada no que diz respeito a
autoridade e poder, movimentavam-se com
total liberdade e formavam três grupos
que controlavam o universo conhecido: o
céu ou firmamento, o mar e a terra. Os
doze deuses principais, conhecidos como
Olímpicos, eram Zeus, Hera, Hefesto,
Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite,
Héstia, Hermes, Deméter e Posídon. A
mitologia grega enfatizava o contraste
entre as fraquezas dos seres humanos e
as grandes e aterradoras forças da
natureza. O povo grego reconhecia que
suas vidas dependiam completamente da
vontade dos deuses. Em geral, as
relações entre os humanos e os deuses
eram amigáveis. Porém, os deuses
aplicavam severos castigos aos mortais
que revelassem conduta inaceitável, como
orgulho complacente, ambição extrema ou
prosperidade excessiva. Na Mitologia
Grega era assunto principal nas
aprendizagens das crianças da Grécia
Antiga, como meio de orientá-las no
entendimento de fenómenos naturais e em
outros acontecimentos que ocorriam sem o
intermédio dos humanos. Com a tecnologia
precária da época, as ciências – como a
medicina, a física, a matemática, e
outras áreas voltadas para os estudos
racionais – tinham muito menos
desenvolvimento que áreas como a
filosofia e, por isso, os gregos usavam
a imaginação para atribuir a causa dos
fenómenos a seu redor. Fundamentalmente,
os poetas da Grécia Antiga — tidos como
pessoas escolhidas pelos deuses para
relatar suas histórias — escreviam
textos que não explicavam racionalmente
a origem das coisas, mas utilizavam
lendas, isto é, histórias imaginárias,
para interpretá-las. Para o povo grego,
embora a sabedoria plena e completa
pertencesse aos deuses, os homens
poderiam desejá-la e amá-la, tornando-se
um filósofo
O Oráculo de Delfos foi um grande local
sagrado da Grécia Antiga, dedicado ao
deus Apolo (deus da luz, sol, profecia e
verdade). Ele localizava-se no sopé do
Monte Parnaso (região central da
Grécia). No centro do oráculo havia um
grande templo em homenagem ao deus
Apolo. Os gregos recorriam ao oráculo
para perguntar aos deuses sobre
problemas quotidianos, questões de
guerra, vida sentimental, previsões de
tempo, etc. Os gregos acreditavam que os
deuses ficavam neste oráculo, junto com
ninfas e musas, orientando as pessoas. O
Oráculo de Delfos tornou-se, na
antiguidade clássica, um dos mais
importantes centros religiosos da Grécia
Antiga. Hoje, suas ruínas atraem muitos
turistas do mundo todo.
AFRODITE
Deusa do Amor e da Sedução, na mitologia grega. Nascida num
turbilhão do mar – daí o seu nome de
Afrodite Anadiomene – no sítio onde
caíram o sangue e os órgãos genitais
de Úrano, é a esposa infiel de
Hefesto, o deus coxo, e a mãe de
Eros e de Anteros. Foi por ela, na
sequência do julgamento de Páris –
onde ela triunfa sobre Hera e Atena,
concedendo a este a mão de Helena –
que se desencadeou a Guerra de
Tróia.
Mais tarde, foi adoptada pelos
Romanos com o nome de Vénus.
A Lenda de Afrodite
Na lenda escrita por Homero, ela é
dita como sendo a filha de Zeus e
Dione, uma de suas consortes, mas na
Teogonia de Hesíodo, ela é descrita
como nascida da espuma do mar a
partir do falo de Urano lançado no
oceano e, etimologicamente, seu nome
quer dizer "erguida da espuma." De
acordo com Homero, Afrodite é a
esposa de Hefaístos, o deus das
artes manuais. Seus amantes incluem
Ares, deus da guerra, que
posteriormente foi representado como
seu marido. Era a rival de Perséfone,
rainha do mundo subterrâneo, pelo o
amor do belo jovem Adónis. Talvez a
lenda mais famosa sobre Afrodite
diga respeito à causa da Guerra de
Tróia. Eris, a personificação da
discórdia - a única deusa que não
foi convidada ao casamento de Peleu
e da ninfa Tétis - ressentida com os
deuses, arremessou uma maçã dourada
no corredor onde se realizava o
banquete, sendo que na fruta estavam
gravadas as palavras "à mais bela."
Quando Zeus se recusou a julgar
entre Hera, Atena, e Afrodite, as
três deusas que reivindicaram a
maçã, elas pediram a Páris, príncipe
de Tróia, para fazer um concurso.
Cada deusa ofereceu a Páris um
suborno: Hera, prometeu-lhe que
seria um poderoso governante; Atena,
que ele alcançaria grande fama
militar; e Afrodite, que ele teria a
mulher humana mais linda do mundo.
Páris declarou Afrodite como a mais
bela e escolheu como prémio Helena,
a esposa do rei grego Menelau. O
rapto de Helena por Páris foi a
causa da Guerra de Tróia.
AGAMÉMNON
Rei lendário de Micenas e de Argos
que chefiou os Gregos na Guerra de
Tróia. Filho de Atreu e irmão de
Menelau, desposou Clitemnestra, irmã
de Helena, de quem teve três filhos:
Ifigénia, Electra e Orestes. Para
paziguar e hostilidade de Ártemis em
relação a ele, aceitou sacrificar a
sua filha Ifigénia.
Quando regressou a casa, no fim da
guerra, foi assassinado por
Clitemnestra e seu amante Egisto.
Lenda de Agamenon
Agamenon, filho de Atreu e Aérope,
foi rei de Micenas ou Argos no
chamado período heróico da história
grega. Ele e seu irmão Menelau
esposaram as filhas do rei de
Esparta, Clitemnestra e Helena.
Quando Páris, filho do rei de Tróia,
raptou Helena, Agamenon recorreu aos
príncipes da Grécia para formar uma
expedição de vingança contra os
troianos, o tema da Ilíada No porto
de Áulis (Áulide), sob a chefia
suprema de Agamenon, reuniu-se uma
frota de mais de mil navios com
enorme exército. No momento de
partir, porém, foram impedidos por
uma calmaria. Isso se devia à
interferência de Ártemis, deusa da
caça, enfurecida por Agamenon ter
abatido um cervo em um de seus
bosques sagrados. A deusa só se
aplacaria com o sacrifício de
Ifigénia, uma das filhas do
violador. Durante o rito, Ártemis
aplacou-se e substituiu-a por uma
corça, mas levou Ifigénia consigo A
frota partiu e durante nove anos os
gregos sitiaram Tróia, tendo sofrido
pesadas baixas. No décimo ano,
Agamenon despertou a cólera de
Aquiles, rei dos Mirmidões, ao
tomar-lhe a escrava Briseida.
Aquiles retirou-se com seus soldados
e, só quando os troianos mataram seu
amigo Pátroclo, consentiu em voltar
à luta, o que resultou na queda de
Tróia, Cassandra irmã de Páris que
coube a Agamenon como presa de
guerra, em vão alertou-o para não
retornar à Grécia. Em sua ausência,
Clitemnestra, inconformada com a
perda da filha, tramara sua morte
com o amante Egisto. Quando o marido
saía do banho, atirou-lhe um manto
sobre a cabeça e Egisto
assassinou-o. Ambos mataram também
seus companheiros e Cassandra.
Orestes, filho mais velho de
Agamenon, com a ajuda da irmã,
Electra, vingou o crime, matando a
mãe e Egisto.
APOLO
Deus grego da Beleza, da Luz e das
Artes. Filho de Zeus e de Latona,
irmão de Artemis, nasceu em Delos.
Depois de ter permanecido entre os
Hiperbóreos, estabeleceu-se em
Delfos, onde matou o dragão Piton. A
partir de então ergueu-se sobre
estes lugares o seu santuário, onde
eram proferidos os seus oráculos
pela sacerdotisa. A Pítia, colocada
em cima de uma trípode. Procurou
seduzir ora uma das Musas – ele é,
aliás, o chefe do seu coro -, ora
uma ninfa, como Dafne, que, para
fugir dele, se metamorfoseou em
loureiro, a árvore consagrada a este
deus da Sedução. Com a musa Talia,
gerou os Coribantes; com Urânia, os
músicos Lino e Orfeu. Deus da Música
e da Poesia, deus solar – os Romanos
chamaram-lhe Febo, o Brilhante -,
protector dos rebanhos, amigo das
festas e dos coros, Apolo é uma
personalidade múltipla, como se, por
uma espécie de sincretismo, nele se
fundissem muitas divindades.
Lenda de Apolo
Apolo era um deus filho de Zeus e
Leto, e irmão gémeo da deusa Ártemis,
da caça. Em época mais tardia foi
identificado com Hélios, deus do
sol, pois era antes o deus da luz, e
por arrastamento, a sua irmã foi
identificada com Selene, deusa da
lua. Mais tarde ainda, foi conhecido
primordialmente como uma divindade
solar. Na mitologia etrusca, foi
conhecido como Aplu. Ao seu nome
acrescenta-se, por vezes, epítetos
relacionados com os locais onde era
venerado, como o título de "Abeu"
como era conhecido em Chipre. Mas o
seu culto estendia-se muito para
além do culto solar. Apolo é também
o deus da cura e das doenças, pai de
Asclépio, ou Esculápio, venerado
junto com este em grandes
templos-hospitais, onde se curavam
várias doenças, sobretudo através do
sono. É ainda o deus da profecia.
Inúmeros oráculos eram-lhe
atribuídos, sendo o mais famoso o
oráculo de Delfos, o mais importante
da antiguidade que era visitado por
inúmeros visitantes, alguns dos
quais nem eram gregos. Como deus da
música Apolo era representado
tocando a sua lira, e é o corifeu
das musas.
Zeus, seu pai, presenteou-o com arco
e flechas de ouro, além de uma lira
do mesmo material (sua irmã Ártemis
ganhou os mesmos presentes, porém de
prata). Todos eram obra de Hefesto,
o Deus do fogo e das forjas. Algumas
versões dizem que Apolo ganhou a
lira como um presente de Hermes.
Outra faceta deste deus é a sua
parte mais violenta, quando ele usa
o arco, para disparar dardos letais
que matam os homens com doenças ou
mortes súbitas. Ainda assumindo este
lado mais negro, Apolo é o deus das
pragas de ratos e dos lobos, que
atormentavam muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos
jovens rapazes, ajudando na
transição para a idade adulta.
Assim, ele é sempre representado
como um jovem, frequentemente nu,
para simbolizar a pureza e a
perfeição, já que ele é também o
deus destes dois atributos.
Apolo participa em diversos mitos,
incluindo a famosa guerra de Tróia,
onde esteve ao lado troiano,
dizimando os Aqueus com praga quando
estes ofenderam o seu sacerdote
troiano, e acabando por matar
Aquiles. A maioria dos mitos que
dizem respeito a Apolo falam dos
seus inúmeros amores, sendo os mais
famosos Dafne, uma ninfa que foi
transformada em loureiro - daí a
sacralidade da árvore para Apolo -,
Jacinto, que se transformou na flor
com o mesmo nome, e Ciparisso, o
qual se transformou em Cipreste.
Nestes mitos amorosos, Apolo nunca
tem sorte, e existe um mito que
conta que isto se deve ao facto de
ele se gabar de ser o melhor
arqueiro entre os deuses, o que faz
com que Eros, deus do amor, sinta
inveja.
AJAX
Herói grego, participou na Guerra de Tróia.
Filho de Télamon (rei de Salamina) e de Peribéa,
foi dos mais intrépidos e valentes guerreiros;
bateu-se um dia inteiro com Heitor, sem ser
subjugado; e, vencido por Ulisses, na disputa
das armas de Aquiles, sentiu-se ferido em seu
amor próprio, enlouqueceu de desgosto, e degolou
o rebanho dos gregos, certo de que enfrentava os
adversários; ao tornar a si desse delírio, tendo
conhecimento do que fizera, voltou contra o
peito a espada, e se matou. Conta-se que, mais
tarde, tendo Ulisses perdido, no mar, as armas
de Aquiles, as ondas arremessaram-nas ao pé do
túmulo de Ajax, como homenagem póstuma dos
deuses. Homero descreveu Ájax como uma muralha,
muito mais alto do que os outros homens, com um
escudo na forma de torre e uma lança comprida.
Utilizava pedras colossais para combater seus
oponentes. Quando Aquiles se retirou da luta,
Ájax enfrentou Heitor em um único combate. Os
dois heróis lutaram o dia inteiro e só Heitor
sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de
Aquiles, Ájax disputou com Odisseu a armadura do
herói morto. Odisseu provou ser melhor orador e
ganhou o prémio. Num acesso de loucura, ele
degolou os animais dos rebanhos dos gregos,
certo de que matava os adversários. Ao
reconhecer o erro, suicidou-se. A loucura de Ájax inspirou a Sófocles a tragédia Ájax
Furioso.
ARES
Deus grego da guerra, equivalente ao deus Marte
dos Romanos. Originário de Trácia, é
representado como um guerreiro em armas. Filho
de Zeus e de Hera, opõe-se especialmente a
Atenas, cuja inteligência triunfa sobre a sua
força guerreira. Ares era completamente obcecado
pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua
quadriga os campos de batalha, coberto com uma
armadura de bronze e munido com uma enorme
lança, espalhando o terror. Habitualmente era
acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas
sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco. Todo
o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai
não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente,
o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era
Atena, deusa da razão, com quem entrava
frequentemente em conflito. Ela dominava-o e
atormentava-o facilmente, pois a violência de
Ares era tão primária nas suas manifestações,
tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em
situações humilhantes. Recordemos, a propósito,
a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o
prenderam durante treze meses num vaso de
bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a
pior de todas as suas humilhações foi-lhe
infligida por Hefesto.
Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu
exactamente com o deus da guerra. Ora, para
evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu
segredo, Ares colocou como sentinela o seu
favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este
adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e
avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da
metalurgia lançou sobre os amantes uma rede
invisível, a fim de os aprisionar. Depois
convocou todas as divindades do Olimpo, para que
elas assistissem ao despertar dos culpados e ao
seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança,
transformou o seu favorito num galo que, a
partir desse dia, vigiaria e anunciaria,
pontualmente, o nascer do sol. Afrodite foi, sem
dúvida, o seu grande e único amor entre as
imortais, a ponto de Ares se comportar como um
amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se
ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a
quem ele inspirou a paixão pela aventura,
conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita
nasceram diversas crianças (destacamos, entre
outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas
também o povo guerreiro das Amazonas,
descendente de Ares, é apresentado, por vezes,
como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares
contraiu outras uniões, mas a sua posteridade
não conheceu uma sorte invejável. Os filhos
nascidos destes amofes são, todos eles,
apresentados como seres sem grande importância,
seres violentos e salteadores.
ATENA
Deusa grega da Sabedoria, das Ciências e das
Artes. Filha de Zeus, saída completamente armada
do cérebro deste, personifica por isso a
vivacidade da inteligência criadora. Tendo como
emblema a coruja, Atena preside a todas as
manifestações do génio humano. É também uma
deusa guerreira representada de pé, com
capacete, uma couraça, a égide, e armada com uma
lança. Deusa eternamente jovem, ela é a virgem
em honra de quem foi erigido o Pártenon de
Atenas, cidade cujos habitantes, ela, com o nome
de Atena Pallas, protege à sombra da sua
estátua, ou Palládion. Atena era principalmente
a deusa das cidades gregas, da indústria e das
artes, e mais tarde, tornou-se a deusa da
sabedoria. Era também deusa da guerra. Atena foi
forte defensora dos gregos na Guerra de Tróia.
Depois da queda de Tróia, entretanto, os gregos
não conseguiram respeitar a santidade de um
templo de Atena em que a profetisa Cassandra
procurou abrigo. Como castigo, tempestades
enviadas pelo deus do mar, Posêidon, a pedido de
Atena, destruiu a maioria dos navios gregos que
retornavam de Tróia. Atena era também uma
patrona das artes agrícolas e do artesanato
feminino, especialmente a arte de tecer e fiar.
AQUILES
Herói grego da guerra de Tróia, personagem
central da Ilíada. Filho do rei Peleu e da deusa
Tétis, foi o guerreiro mais temível dos
troianos, mas retirou-se para a sua tenda quando
Agamémnon lhe arrebetou Briseida, uma jovem que
ele obtivera como parte dos despojos. Dominado
por uma violenta cólera, volta a pegar nas armas
para vingar o seu amigo Pátrocolo, que partira
para combater em seu lugar e fora morto por
Heitor. Este último cai sob os golpes de
Aquiles, que por sua vez morrerá ferido no
calcanhar – único ponto vulnerável do seu corpo
– por uma flecha lançada por Paris e guiada por
Apolo. Ao nascer, a mãe o mergulhou no Estige, o
rio infernal, para torná-lo invulnerável. Mas a
água não lhe chegou ao calcanhar, pelo qual ela
o segurava, e que assim se tornou seu ponto
fraco - o proverbial "calcanhar de Aquiles".
Segundo uma das lendas, Tétis fez Aquiles ser
criado como menina na corte de Licomedes, na
ilha de Ciros, para mantê-lo a salvo de uma
profecia que o condenava a morrer jovem no campo
de batalha. Ulisses, sabedor de que só com sua
ajuda venceria a guerra de Tróia, recorreu a um
ardil para identificá-lo entre as moças.
Aquiles, resoluto, marchou com os gregos sobre
Tróia. No décimo ano de luta, capturou a jovem
Briseida, que lhe foi tomada por Agamenon, chefe
supremo dos gregos. Ofendido, Aquiles retirou-se
da guerra. Mas persuadiram-no a ceder a seu
amigo Pátroclo a armadura que usava. Pátroclo
foi morto por Heitor, filho do rei de Tróia,
Príamo. Sedento de vingança, Aquiles
reconciliou-se com Agamenon.
De armadura nova, retornou à luta, matou Heitor
e arrastou seu cadáver em torno da sepultura de
Pátroclo. Pouco depois, Páris, irmão de Heitor,
lançou contra Aquiles uma flecha envenenada;
dirigida por Apolo, atingiu-lhe o calcanhar e
matou-o. As proezas de Aquiles e muitos temas
correlatos foram desenvolvidos na Ilíada, de
Homero, que relata a guerra de Tróia. O cadáver
de Aquiles, segundo a versão mais comum, foi
enterrado no Helesponto junto ao de Pátroclo.
ARTEMISA
Deusa grega da Natureza e da Caça. Filha de Zeus
e de Leto, irmã mais velha de Apolo, armada com
um arco e flechas forjadas por Hefesto, faz-se
acompanhar pelo cães que Pã lhe deu e vive nas
montanhas ou bosques. Inviolável e inviolada,
exprime a sua colara contra as virgens que cedem
ao amor e apoia as que o rejeitam fazendo delas
suas sacerdotisas. Artemisa é a mais pura e
casta das deusas e, como tal, foi ao longo dos
tempos uma fonte inesgotável da inspiração dos
artistas. Zeus, seu pai, presenteou-a com arco e
flechas de prata, além de uma lira do mesmo
material (seu irmão Apolo ganhou os mesmos
presentes, só que de ouro). Todos eram obra de
Hefesto, o Deus do fogo e das forjas, que era um
dos muitos filhos de Zeus, portanto também irmão
de Artemisa. Zeus também lhe deu uma corte de
Ninfas, e fê-la rainha dos bosques. Como a luz
prateada da lua, percorre todos os recantos dos
prados, montes e vales, sendo representada como
uma infatigável caçadora. Tinha por costume
banhar-se nas águas das fontes cristalinas; numa
das vezes, tendo sido surpreendida pelo caçador
Acteon que, ocasionalmente, para ali se dirigiu
para saciar a sede, transformou-o em veado e
fê-lo vítima da voracidade da própria matilha.
BELEROFONTE
Herói mitológico grego. Matou as quimeras e
venceu as Amazonas, montando Pégaso, o cavalo
alado. Belerofonte era um jovem forte e
corajoso, e possuía o desejo de realizar um
feito grandioso: domar o cavalo alado Pegasus.
Após diversas tentativas infrutíferas, ele
procurou Polyeidus por ajuda. Seguindo as
instruções de Polyeidus, ele passou a noite em
um altar dedicado à Atenas. Lá ele teve um sonho
no qual a deusa lhe entregava um arreio dourado.
Ele acordou e encontrou o arreio do seu sonho em
suas mãos. Ele então sacrificou tanto à Atena
quanto à Poseidon. Feito isso, ele se dirigiu ao
local onde Pegasus pastava e foi capaz de montar
o cavalo sem nenhuma dificuldade. Triunfante em
seu sucesso, ele foi até a presença do rei
Pittheus e recebeu a permissão para desposar sua
filha Aethra. Contudo, pouco antes do casamento,
ele acidentalmente matou um homem, possivelmente
um dos seus irmãos, e foi banido. Ele foi até o
Rei Proetus para ser purificado do seu crime, o
que foi feito. Porém, enquanto estava na casa de
Proetus, a esposa do rei, Stheneboea, tentou
seduzi-lo. Como um homem honrado, Belerofonte
rejeitou seus avanços, mas a enfurecida
Stheneboea o acusou falsamente de tentar
seduzi-la. Tremendamente chateado, Proetus
desejava se livrar de Belerofonte sem precisar
acusá-lo publicamente. Ele estava preocupado
também em não ferir um hóspede da sua casa, pois
isso seria uma ofensa aos deuses. Então ele
enviou Belerofonte para entregar uma mensagem ao
pai de sua esposa, o Rei Iobates. Chegando sobre
o Pegasus, Belerofonte foi calorosamente
recebido, e foi aceite na casa do Rei Iobates
como hóspede. Iobates retorou o selo e leu a
carta, tomando conhecimento das acusações de
Stheneboea contra Belerofonte. Porém ele estava,
agora, com o mesmo dilema com relação ao seu
hóspede que estava Proteus. A solução que
encontrou foi pedir que Belerofonte realizasse
uma série de actos heróicos, porém altamente
perigosos. Porém, a coragem de Belerofonte, sua
habilidade como arqueiro e tendo Pégasus como
montaria, fizeram com que tivesse sucesso em
todas as tarefas. Além disso, sua origem, seus
sacrifícios e seus actos de honra fizeram-no
conquistar a simpatia dos deuses. Sua primeira
tarefa era matar a terrível Quimera. Sendo
vitorioso, ele foi mandado conquistar os Solymi,
uma tribo vizinha, de quem Iobates era inimigo
há longa data. Quando ele os derrotou, recebeu a
ordem de lutar contra as Amazonas. Novamente o
herói foi o vencedor. Desesperado, o Rei armou
uma armadilha contra Belerofonte utilizando toda
sua armada, que foi morta até o último homem.
Neste instante Iobates teve a sabedoria de
perceber que algo estava errado. Ele concluiu
que os deuses deviam estar favorecendo o herói,
e que tal graça não seria concedida a alguém que
desonrasse a hospitalidade de um anfitrião.
Iobates se redimiu entregando a Belerofonte
metade de seu reino, incluindo as melhores
plantações e sua filha Philonoe em casamento.
Parecia que Belerofonte viveria uma vida feliz
após toda essa luta. Seus feitos gloriosos eram
cantados em todos os lugares da Grécia. Ele
contraiu um feliz casamento. Philonoe deu à luz
dois filhos, Isander and Hippolochus, e duas
filhas, Laodameia and Deidameia. Como rei, era
amado e louvado por seus súbitos. Tudo isso não
parecia ser suficiente para Belerofonte. Em sua
arrogância decidiu que poderia voar com Pégasus
ao Monte Olimpo e visitar os deuses. Zeus
rapidamente pôs um fim a sua viagem, enviando
uma vespa para picar Pegasus e derrubar
Belerofonte. Ele sobreviveu à sua queda, mas
estava aleijado. Ele passou o resto de sua vida
vagando pela terra, sem que ninguém o ajudasse,
devido à sua ofensa aos deuses. Ele morreu
solitário, sem ninguém para compartilhar seu
destino.
Trabalho e
pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro –
Marinha Grande
Portugal
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