(Deuses, Guerreiros e Lendas)

 

 

PRIMEIRO BLOCO

 

É a história fabulosa dos deuses, semideuses e dos heróis da Antiguidade. Ou seja, a Ciência dos Mitos. O nascimento e a função do mito constituem para os antropólogos e psicanalistas, de Malinowski até aos trabalhos de Freud (Moisés e o monoteísmo, 1939), de Jung, e exercem seu impacto entre os fenomelólogos. Segundo estes (M. Eliade), os mitos encarnam fenómenos fundamentais da vida: o amor, a morte, o tempo, etc., e certos fenómenos como as florestas, as tempestades, têm sempre um mesmo valor simbólico, seja qual for a civilização considerada. C. Lévi-Strauss põe em xeque essas interpretações ao propor um novo método, a análise estrutural que faz de cada mito um conjunto de variáveis combinatórias. Este descreve a vida sensorial de cada povo, sua maneira de comer, de caçar, etc., bem como a sua vida social ou ritual. O mito é, para cada povo, um modo de “contar” sua maneira de ser (parentesco, filiação, produção), na sua especialidade, e na sua relação com o meio natural onde vive. A Mitologia Grega, é um conjunto de crenças e práticas ritualistas dos antigos gregos, cuja civilização formou-se por volta do ano 2000 antes de Cristo.  É composta basicamente de um conjunto de histórias e lendas sobre uma grande variedade de deuses. A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 antes Cristo. Nessa data já existiam três colecções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisseia, do poeta Homero. A mitologia grega possui várias características específicas. Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos. A diferença em relação a outras religiões antigas, como o hinduísmo ou o judaísmo, consiste em não incluir revelações ou ensinamentos espirituais. Práticas e crenças também variam amplamente, sem uma estrutura formal, como uma instituição religiosa de governo, nem um código escrito, como um livro sagrado. Os gregos acreditavam que os deuses tinham escolhido o monte Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência. No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade organizada no que diz respeito a autoridade e poder, movimentavam-se com total liberdade e formavam três grupos que controlavam o universo conhecido: o céu ou firmamento, o mar e a terra. Os doze deuses principais, conhecidos como Olímpicos, eram Zeus, Hera, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e Posídon. A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza. O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva. Na Mitologia Grega era assunto principal nas aprendizagens das crianças da Grécia Antiga, como meio de orientá-las no entendimento de fenómenos naturais e em outros acontecimentos que ocorriam sem o intermédio dos humanos. Com a tecnologia precária da época, as ciências – como a medicina, a física, a matemática, e outras áreas voltadas para os estudos racionais – tinham muito menos desenvolvimento que áreas como a filosofia e, por isso, os gregos usavam a imaginação para atribuir a causa dos fenómenos a seu redor. Fundamentalmente, os poetas da Grécia Antiga — tidos como pessoas escolhidas pelos deuses para relatar suas histórias — escreviam textos que não explicavam racionalmente a origem das coisas, mas utilizavam lendas, isto é, histórias imaginárias, para interpretá-las. Para o povo grego, embora a sabedoria plena e completa pertencesse aos deuses, os homens poderiam desejá-la e amá-la, tornando-se um filósofo
O Oráculo de Delfos foi um grande local sagrado da Grécia Antiga, dedicado ao deus Apolo (deus da luz, sol, profecia e verdade). Ele localizava-se no sopé do Monte Parnaso (região central da Grécia). No centro do oráculo havia um grande templo em homenagem ao deus Apolo. Os gregos recorriam ao oráculo para perguntar aos deuses sobre problemas quotidianos, questões de guerra, vida sentimental, previsões de tempo, etc. Os gregos acreditavam que os deuses ficavam neste oráculo, junto com ninfas e musas, orientando as pessoas. O Oráculo de Delfos tornou-se, na antiguidade clássica, um dos mais importantes centros religiosos da Grécia Antiga. Hoje, suas ruínas atraem muitos turistas do mundo todo.

 

AFRODITE
 

 



Deusa do Amor e da Sedução, na mitologia grega. Nascida num turbilhão do mar – daí o seu nome de Afrodite Anadiomene – no sítio onde caíram o sangue e os órgãos genitais de Úrano, é a esposa infiel de Hefesto, o deus coxo, e a mãe de Eros e de Anteros. Foi por ela, na sequência do julgamento de Páris – onde ela triunfa sobre Hera e Atena, concedendo a este a mão de Helena – que se desencadeou a Guerra de Tróia.
Mais tarde, foi adoptada pelos Romanos com o nome de Vénus.
A Lenda de Afrodite
Na lenda escrita por  Homero,  ela é dita como sendo a filha de Zeus e Dione, uma de suas consortes, mas na Teogonia de Hesíodo, ela é descrita como nascida da espuma do mar a partir do falo de Urano lançado no oceano e, etimologicamente, seu nome quer dizer "erguida da espuma." De acordo com Homero, Afrodite é a esposa de Hefaístos, o deus das artes manuais. Seus amantes incluem Ares, deus da guerra, que posteriormente foi representado como seu marido. Era a rival de Perséfone, rainha do mundo subterrâneo, pelo o amor do belo jovem Adónis. Talvez a lenda mais famosa sobre Afrodite diga respeito à causa da Guerra de Tróia. Eris, a personificação da discórdia - a única deusa que não foi convidada ao casamento de Peleu e da ninfa Tétis - ressentida com os deuses, arremessou uma maçã dourada no corredor onde se realizava o banquete, sendo que na fruta estavam gravadas as palavras "à mais bela." Quando Zeus se recusou a julgar entre Hera, Atena, e Afrodite, as três deusas que reivindicaram a maçã, elas pediram a Páris, príncipe de Tróia, para fazer um concurso. Cada deusa ofereceu a Páris um suborno: Hera, prometeu-lhe que seria um poderoso governante; Atena, que ele alcançaria grande fama militar; e Afrodite, que ele teria a mulher humana mais linda do mundo. Páris declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como prémio Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris foi a causa da Guerra de Tróia.
 

AGAMÉMNON
 

 

Rei lendário de Micenas e de Argos que chefiou os Gregos na Guerra de Tróia. Filho de Atreu e irmão de Menelau, desposou Clitemnestra, irmã de Helena, de quem teve três filhos: Ifigénia, Electra e Orestes. Para paziguar e hostilidade de Ártemis em relação a ele, aceitou sacrificar a sua filha Ifigénia.
Quando regressou a casa, no fim da guerra, foi assassinado por Clitemnestra e seu amante Egisto.
Lenda de Agamenon
Agamenon, filho de Atreu e Aérope, foi rei de Micenas ou Argos no chamado período heróico da história grega. Ele e seu irmão Menelau esposaram as filhas do rei de Esparta, Clitemnestra e Helena. Quando Páris, filho do rei de Tróia, raptou Helena, Agamenon recorreu aos príncipes da Grécia para formar uma expedição de vingança contra os troianos, o tema da Ilíada No porto de Áulis (Áulide), sob a chefia suprema de Agamenon, reuniu-se uma frota de mais de mil navios com enorme exército. No momento de partir, porém, foram impedidos por uma calmaria. Isso se devia à interferência de Ártemis, deusa da caça, enfurecida por Agamenon ter abatido um cervo em um de seus bosques sagrados. A deusa só se aplacaria com o sacrifício de Ifigénia, uma das filhas do violador. Durante o rito, Ártemis aplacou-se e substituiu-a por uma corça, mas levou Ifigénia consigo A frota partiu e durante nove anos os gregos sitiaram Tróia, tendo sofrido pesadas baixas. No décimo ano, Agamenon despertou a cólera de Aquiles, rei dos Mirmidões, ao tomar-lhe a escrava Briseida. Aquiles retirou-se com seus soldados e, só quando os troianos mataram seu amigo Pátroclo, consentiu em voltar à luta, o que resultou na queda de Tróia, Cassandra irmã de Páris que coube a Agamenon como presa de guerra, em vão alertou-o para não retornar à Grécia. Em sua ausência, Clitemnestra, inconformada com a perda da filha, tramara sua morte com o amante Egisto. Quando o marido saía do banho, atirou-lhe um manto sobre a cabeça e Egisto assassinou-o. Ambos mataram também seus companheiros e Cassandra. Orestes, filho mais velho de Agamenon, com a ajuda da irmã, Electra, vingou o crime, matando a mãe e Egisto.


 
APOLO
 



Deus grego da Beleza, da Luz e das Artes. Filho de Zeus e de Latona, irmão de Artemis, nasceu em Delos. Depois de ter permanecido entre os Hiperbóreos, estabeleceu-se em Delfos, onde matou o dragão Piton. A partir de então ergueu-se sobre estes lugares o seu santuário, onde eram proferidos os seus oráculos pela sacerdotisa. A Pítia, colocada em cima de uma trípode. Procurou seduzir ora uma das Musas – ele é, aliás, o chefe do seu coro -, ora uma ninfa, como Dafne, que, para fugir dele, se metamorfoseou em loureiro, a árvore consagrada a este deus da Sedução. Com a musa Talia, gerou os Coribantes; com Urânia, os músicos Lino e Orfeu. Deus da Música e da Poesia, deus solar – os Romanos chamaram-lhe Febo, o Brilhante -, protector dos rebanhos, amigo das festas e dos coros, Apolo é uma personalidade múltipla, como se, por uma espécie de sincretismo, nele se fundissem muitas divindades.
Lenda de Apolo
Apolo era um deus filho de Zeus e Leto, e irmão gémeo da deusa Ártemis, da caça. Em época mais tardia foi identificado com Hélios, deus do sol, pois era antes o deus da luz, e por arrastamento, a sua irmã foi identificada com Selene, deusa da lua. Mais tarde ainda, foi conhecido primordialmente como uma divindade solar. Na mitologia etrusca, foi conhecido como Aplu. Ao seu nome acrescenta-se, por vezes, epítetos relacionados com os locais onde era venerado, como o título de "Abeu" como era conhecido em Chipre. Mas o seu culto estendia-se muito para além do culto solar. Apolo é também o deus da cura e das doenças, pai de Asclépio, ou Esculápio, venerado junto com este em grandes templos-hospitais, onde se curavam várias doenças, sobretudo através do sono. É ainda o deus da profecia. Inúmeros oráculos eram-lhe atribuídos, sendo o mais famoso o oráculo de Delfos, o mais importante da antiguidade que era visitado por inúmeros visitantes, alguns dos quais nem eram gregos. Como deus da música Apolo era representado tocando a sua lira, e é o corifeu das musas.
Zeus, seu pai, presenteou-o com arco e flechas de ouro, além de uma lira do mesmo material (sua irmã Ártemis ganhou os mesmos presentes, porém de prata). Todos eram obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas. Algumas versões dizem que Apolo ganhou a lira como um presente de Hermes. Outra faceta deste deus é a sua parte mais violenta, quando ele usa o arco, para disparar dardos letais que matam os homens com doenças ou mortes súbitas. Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o deus das pragas de ratos e dos lobos, que atormentavam muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a idade adulta. Assim, ele é sempre representado como um jovem, frequentemente nu, para simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o deus destes dois atributos.
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa guerra de Tróia, onde esteve ao lado troiano, dizimando os Aqueus com praga quando estes ofenderam o seu sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A maioria dos mitos que dizem respeito a Apolo falam dos seus inúmeros amores, sendo os mais famosos Dafne, uma ninfa que foi transformada em loureiro - daí a sacralidade da árvore para Apolo -, Jacinto, que se transformou na flor com o mesmo nome, e Ciparisso, o qual se transformou em Cipreste. Nestes mitos amorosos, Apolo nunca tem sorte, e existe um mito que conta que isto se deve ao facto de ele se gabar de ser o melhor arqueiro entre os deuses, o que faz com que Eros, deus do amor, sinta inveja.


 

 

AJAX

 


Herói grego, participou na Guerra de Tróia. Filho de Télamon (rei de Salamina) e de Peribéa, foi dos mais intrépidos e valentes guerreiros; bateu-se um dia inteiro com Heitor, sem ser subjugado; e, vencido por Ulisses, na disputa das armas de Aquiles, sentiu-se ferido em seu amor próprio, enlouqueceu de desgosto, e degolou o rebanho dos gregos, certo de que enfrentava os adversários; ao tornar a si desse delírio, tendo conhecimento do que fizera, voltou contra o peito a espada, e se matou. Conta-se que, mais tarde, tendo Ulisses perdido, no mar, as armas de Aquiles, as ondas arremessaram-nas ao pé do túmulo de Ajax, como homenagem póstuma dos deuses. Homero descreveu Ájax como uma muralha, muito mais alto do que os outros homens, com um escudo na forma de torre e uma lança comprida. Utilizava pedras colossais para combater seus oponentes. Quando Aquiles se retirou da luta, Ájax enfrentou Heitor em um único combate. Os dois heróis lutaram o dia inteiro e só Heitor sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de Aquiles, Ájax disputou com Odisseu a armadura do herói morto. Odisseu provou ser melhor orador e ganhou o prémio. Num acesso de loucura, ele degolou os animais dos rebanhos dos gregos, certo de que matava os adversários. Ao reconhecer o erro, suicidou-se. A loucura de Ájax inspirou a Sófocles a tragédia Ájax Furioso.



 
ARES



Deus grego da guerra, equivalente ao deus Marte dos Romanos. Originário de Trácia, é representado como um guerreiro em armas. Filho de Zeus e de Hera, opõe-se especialmente a Atenas, cuja inteligência triunfa sobre a sua força guerreira. Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma enorme lança, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco. Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa da razão, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violência de Ares era tão primária nas suas manifestações, tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em situações humilhantes. Recordemos, a propósito, a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o prenderam durante treze meses num vaso de bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhações foi-lhe infligida por Hefesto.
Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como sentinela o seu favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lançou sobre os amantes uma rede invisível, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e ao seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol. Afrodite foi, sem dúvida, o seu grande e único amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a quem ele inspirou a paixão pela aventura, conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita nasceram diversas crianças (destacamos, entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas também o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares, é apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares contraiu outras uniões, mas a sua posteridade não conheceu uma sorte invejável. Os filhos nascidos destes amofes são, todos eles, apresentados como seres sem grande importância, seres violentos e salteadores.
 

 

ATENA



Deusa grega da Sabedoria, das Ciências e das Artes. Filha de Zeus, saída completamente armada do cérebro deste, personifica por isso a vivacidade da inteligência criadora. Tendo como emblema a coruja, Atena preside a todas as manifestações do génio humano. É também uma deusa guerreira representada de pé, com capacete, uma couraça, a égide, e armada com uma lança. Deusa eternamente jovem, ela é a virgem em honra de quem foi erigido o Pártenon de Atenas, cidade cujos habitantes, ela, com o nome de Atena Pallas, protege à sombra da sua estátua, ou Palládion. Atena era principalmente a deusa das cidades gregas, da indústria e das artes, e mais tarde, tornou-se a deusa da sabedoria. Era também deusa da guerra. Atena foi forte defensora dos gregos na Guerra de Tróia. Depois da queda de Tróia, entretanto, os gregos não conseguiram respeitar a santidade de um templo de Atena em que a profetisa Cassandra procurou abrigo. Como castigo, tempestades enviadas pelo deus do mar, Posêidon, a pedido de Atena, destruiu a maioria dos navios gregos que retornavam de Tróia. Atena era também uma patrona das artes agrícolas e do artesanato feminino, especialmente a arte de tecer e fiar.

 

 

AQUILES


Herói grego da guerra de Tróia, personagem central da Ilíada. Filho do rei Peleu e da deusa Tétis, foi o guerreiro mais temível dos troianos, mas retirou-se para a sua tenda quando Agamémnon lhe arrebetou Briseida, uma jovem que ele obtivera como parte dos despojos. Dominado por uma violenta cólera, volta a pegar nas armas para vingar o seu amigo Pátrocolo, que partira para combater em seu lugar e fora morto por Heitor. Este último cai sob os golpes de Aquiles, que por sua vez morrerá ferido no calcanhar – único ponto vulnerável do seu corpo – por uma flecha lançada por Paris e guiada por Apolo. Ao nascer, a mãe o mergulhou no Estige, o rio infernal, para torná-lo invulnerável. Mas a água não lhe chegou ao calcanhar, pelo qual ela o segurava, e que assim se tornou seu ponto fraco - o proverbial "calcanhar de Aquiles". Segundo uma das lendas, Tétis fez Aquiles ser criado como menina na corte de Licomedes, na ilha de Ciros, para mantê-lo a salvo de uma profecia que o condenava a morrer jovem no campo de batalha. Ulisses, sabedor de que só com sua ajuda venceria a guerra de Tróia, recorreu a um ardil para identificá-lo entre as moças. Aquiles, resoluto, marchou com os gregos sobre Tróia. No décimo ano de luta, capturou a jovem Briseida, que lhe foi tomada por Agamenon, chefe supremo dos gregos. Ofendido, Aquiles retirou-se da guerra. Mas persuadiram-no a ceder a seu amigo Pátroclo a armadura que usava.  Pátroclo foi morto por Heitor, filho do rei de Tróia, Príamo. Sedento de vingança, Aquiles reconciliou-se com Agamenon.
De armadura nova, retornou à luta, matou Heitor e arrastou seu cadáver em torno da sepultura de Pátroclo. Pouco depois, Páris, irmão de Heitor, lançou contra Aquiles uma flecha envenenada; dirigida por Apolo, atingiu-lhe o calcanhar e matou-o.  As proezas de Aquiles e muitos temas correlatos foram desenvolvidos na Ilíada, de Homero, que relata a guerra de Tróia.  O cadáver de Aquiles, segundo a versão mais comum, foi enterrado no Helesponto junto ao de Pátroclo.
 


 
ARTEMISA

 


 
Deusa grega da Natureza e da Caça. Filha de Zeus e de Leto, irmã mais velha de Apolo, armada com um arco e flechas forjadas por Hefesto, faz-se acompanhar pelo cães que Pã lhe deu e vive nas montanhas ou bosques. Inviolável e inviolada, exprime a sua colara contra as virgens que cedem ao amor e apoia as que o rejeitam fazendo delas suas sacerdotisas. Artemisa é a mais pura e casta das deusas e, como tal, foi ao longo dos tempos uma fonte inesgotável da inspiração dos artistas. Zeus, seu pai, presenteou-a com arco e flechas de prata, além de uma lira do mesmo material (seu irmão Apolo ganhou os mesmos presentes, só que de ouro). Todos eram obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas, que era um dos muitos filhos de Zeus, portanto também irmão de Artemisa. Zeus também lhe deu uma corte de Ninfas, e fê-la rainha dos bosques. Como a luz prateada da lua, percorre todos os recantos dos prados, montes e vales, sendo representada como uma infatigável caçadora. Tinha por costume banhar-se nas águas das fontes cristalinas; numa das vezes, tendo sido surpreendida pelo caçador Acteon que, ocasionalmente, para ali se dirigiu para saciar a sede, transformou-o em veado e fê-lo vítima da voracidade da própria matilha.
 


 
BELEROFONTE

 


Herói mitológico grego. Matou as quimeras e venceu as Amazonas, montando Pégaso, o cavalo alado. Belerofonte era um jovem forte e corajoso, e possuía o desejo de realizar um feito grandioso: domar o cavalo alado Pegasus. Após diversas tentativas infrutíferas, ele procurou Polyeidus por ajuda. Seguindo as instruções de Polyeidus, ele passou a noite em um altar dedicado à Atenas. Lá ele teve um sonho no qual a deusa lhe entregava um arreio dourado. Ele acordou e encontrou o arreio do seu sonho em suas mãos. Ele então sacrificou tanto à Atena quanto à Poseidon. Feito isso, ele se dirigiu ao local onde Pegasus pastava e foi capaz de montar o cavalo sem nenhuma dificuldade. Triunfante em seu sucesso, ele foi até a presença do rei Pittheus e recebeu a permissão para desposar sua filha Aethra. Contudo, pouco antes do casamento, ele acidentalmente matou um homem, possivelmente um dos seus irmãos, e foi banido. Ele foi até o Rei Proetus para ser purificado do seu crime, o que foi feito. Porém, enquanto estava na casa de Proetus, a esposa do rei, Stheneboea, tentou seduzi-lo. Como um homem honrado, Belerofonte rejeitou seus avanços, mas a enfurecida Stheneboea o acusou falsamente de tentar seduzi-la. Tremendamente chateado, Proetus desejava se livrar de Belerofonte sem precisar acusá-lo publicamente. Ele estava preocupado também em não ferir um hóspede da sua casa, pois isso seria uma ofensa aos deuses. Então ele enviou Belerofonte para entregar uma mensagem ao pai de sua esposa, o Rei Iobates. Chegando sobre o Pegasus, Belerofonte foi calorosamente recebido, e foi aceite na casa do Rei Iobates como hóspede. Iobates retorou o selo e leu a carta, tomando conhecimento das acusações de Stheneboea contra Belerofonte. Porém ele estava, agora, com o mesmo dilema com relação ao seu hóspede que estava Proteus. A solução que encontrou foi pedir que Belerofonte realizasse uma série de actos heróicos, porém altamente perigosos. Porém, a coragem de Belerofonte, sua habilidade como arqueiro e tendo Pégasus como montaria, fizeram com que tivesse sucesso em todas as tarefas. Além disso, sua origem, seus sacrifícios e seus actos de honra fizeram-no conquistar a simpatia dos deuses. Sua primeira tarefa era matar a terrível Quimera. Sendo vitorioso, ele foi mandado conquistar os Solymi, uma tribo vizinha, de quem Iobates era inimigo há longa data. Quando ele os derrotou, recebeu a ordem de lutar contra as Amazonas. Novamente o herói foi o vencedor. Desesperado, o Rei armou uma armadilha contra Belerofonte utilizando toda sua armada, que foi morta até o último homem. Neste instante Iobates teve a sabedoria de perceber que algo estava errado. Ele concluiu que os deuses deviam estar favorecendo o herói, e que tal graça não seria concedida a alguém que desonrasse a hospitalidade de um anfitrião. Iobates se redimiu entregando a Belerofonte metade de seu reino, incluindo as melhores plantações e sua filha Philonoe em casamento. Parecia que Belerofonte viveria uma vida feliz após toda essa luta. Seus feitos gloriosos eram cantados em todos os lugares da Grécia. Ele contraiu um feliz casamento. Philonoe deu à luz dois filhos, Isander and Hippolochus, e duas filhas, Laodameia and Deidameia. Como rei, era amado e louvado por seus súbitos. Tudo isso não parecia ser suficiente para Belerofonte. Em sua arrogância decidiu que poderia voar com Pégasus ao Monte Olimpo e visitar os deuses. Zeus rapidamente pôs um fim a sua viagem, enviando uma vespa para picar Pegasus e derrubar Belerofonte. Ele sobreviveu à sua queda, mas estava aleijado. Ele passou o resto de sua vida vagando pela terra, sem que ninguém o ajudasse, devido à sua ofensa aos deuses. Ele morreu solitário, sem ninguém para compartilhar seu destino.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande Portugal
 
 

 

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