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MARCHAS POPULARES
DE LISBOA
Lisboa na noite de Santo António, (12 para
13 de Junho) vem para a rua para o desfile
das Marchas Populares dos Bairros de Lisboa.
Tradicionalmente, este desfile dá-se na Avª
da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os
Restauradores – mil metros. Sensivelmente ao
meio da Avª da Liberdade, por alturas da
estátua aos Combatentes da Grande Guerra, às
portas do Parque Mayer, e em frente à
tribuna principal, todas as Marchas fazem as
suas evoluções em cantares e em marcações
corográficas. É Luz! , é Cor! , é Alegria!
Tudo começou em 1932 por iniciativa de
Leitão de Barros, então director do
“Notícias Ilustrado”, com o apoio de
Norberto de Araújo e do “Diário de Lisboa”,
promoveu as primeiras marchas: “percorreram
algumas ruas de Lisboa e entraram no Parque
Mayer, onde fizeram demonstrações ao ar
livre, e no, e no palco do Salão capitólio.
Concorreram a princípio 3 bairros (Alto
Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique) e
ainda deram a sua adesão, outros tantos
Alcântara, Alfama e Madragoa).
Foi muito, para uma quase improvisação.
Nesse ano, na marcha de Alcântara, figurou
uma jovem humilde e ignorada, a mesma que,
tempos depois, a cantar o fado, veio a
marcar, de forma precisa, nas crónicas
nacionais e estrangeiras: AMÁLIA RODRIGUES".
Este trabalho teve apoio de EBAHL –
Equipamento dos Bairros Históricos de Lisboa
F.P.
SINFONIA DE LISBOA
Música de RAÚL FERRÃO
Versos de NORBERTO DE ARAÚJO
“Lisboa é sempre/Namoradeira,/Tantos derriços/Que até fazem já fileira. Não digas sim, /Não me
digas não; /Amar é destino, /Cantar é condãoUma
cantiga, /Uma aguarela, /Um cravo aberto /Debruçado da janela /Debruçado da janela. /Lisboa
linda, / Do meu bairro antigo, /Dá-me o teu
bracinho, /Vem bailar comigo.
(Estribilho – refrão)
Lisboa nasceu / Pertinho do céu /Toda embalada na
fé. /Lavou-se no rio, /Ai, ai, ai, menina /Foi
baptizada na Sé. Já se fez mulher / E hoje o que
ela quer / É trovar e dar ao pé. / Anda em
desvario / Ai. Ai. Ai, menina / Mas que linda
que ela é ! Ó noite de Santa António ! Ó Lisboa
de encantar ! / De alcachofras a florir / De
foguetes a estoirar./ Enquanto os bairros
cantarem, / Enquanto houver arraiais, / Enquanto
houver Santo António / Lisboa não morre mais.
Toda a cidade flutua / No mar da minha canção /
Passeiam na rua / Retalhos da lua / Que caem do
meu balão. / Deixem Lisboa folgar, / Não há mal
que me arrefeça, / A rir, a cantar, / Cabeça no
ar, / Eu hoje perco a cabeça.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro da AJUDA
“No topo de uma das colinas de Lisboa
encontra-se o bairro da AJUDA . Entre a fresca
brisa do Tejo e os rumores das árvores do
Monsanto. Ruelas castiças e casario simples que
tornam o bairro um dos mais agradáveis da
capital”
A FLORESTA
ÀS PORTAS DE LISBOA
Outrora, considerada arrabalde de Lisboa, e
caracterizada pela floresta e pela actividade
pastorícia, a Ajuda ficou, desde cedo, ligada à
realeza, transformando-se numa zona onde se
misturavam as residências aristocráticas e as
moradias populares. Segundo a lenda, a Ajuda
começou a ser povoada quando se espalhou a
notícia de uma aparição da Virgem a um pastor
que lhe tinha pedido ajuda. Os devotos
chamaram-lhe Nossa Senhora da Ajuda e a Rainha
Catarina, mulher de D. João lll, mandou erigir
uma ermida no local da aparição. A freguesia
nasceu no século XVl, com características
tipicamente rurais. Rebanhos e pastores
deambulavam por aqueles campos e os moinhos
davam um cunho particular à paisagem. Foi D.
João V quem procedeu à aquisição de três quintas
na zona de Belém. Passando, assim, a pertencerem
à Coroa muitas das terras que, hoje em dia,
cercam a Calçada da Ajuda. Porém, só com D. José
l se fixaria ali uma morada real, devido ao
terramoto de 1755. O monarca apanhou um susto
com os estragos no Paço da Ribeira e mandou
construir uma morada em madeira, mas esta não
resistiu e ardeu. Em 1802, foi mandado construir
o Palácio da Ajuda. E tão majestoso era o
projecto que, do plano primitivo, só foi
construída uma das suas quatro fachadas.
Actualmente, é nos seus esplêndidos salões que
se realizam os grandes banquetes e festas
oferecidos pelo Chefe de estado ao corpo
diplomático ou a outros visitantes oficiais. Ao
lado do palácio, ergue-se o “Galo da Ajuda”,
torre sineira cujo relógio começou a trabalhar
em 1776. Foi também depois do terramoto que o
Marquês de Pombal mandou plantar o Jardim
Botânico, o primeiro de Lisboa, datado de 1768.
Neste espaço foram plantadas espécies vegetais
desconhecidas da população citadina e que
suscitaram a curiosidade de vários
investigadores. Hoje em dia, o jardim está sob
os cuidados do Instituto Superior de
Agronomia. Desde 1934, o Ajuda Clube assumiu a
responsabilidade pela organização da marcha
popular da Ajuda, que é ensaiada no Pátio do
Bonfim. É, também, neste pátio que se realiza,
todos os anos, o arraial. Um acontecimento que
já é característico das populações locais. O
Ajuda Clube foi fundado em 22 de Outubro de
1912. A sua sede situa-se na Rua do Jardim
Botânico, nº 02 e, ao longo dos anos, tem
desenvolvido actividades na área do desporto e
da cultura, merecendo especial referência o “karaté”,
o futebol de salão, a dança jazz, o ténis de
mesa e o grupo de teatro.
MARCHA DO BAIRRO DA AJUDA
Letra de Raúl Ferrão
Música de Raúl Ferrão
(Chitas)
“Ajuda bairro modesto / Mora na parte mais alta
/ Dava da grandeza o gesto / Se tivesse o resto
/ Que ainda lhe falta / Se um dia a sorte muda /
Adeus brilhante passado / Nem há esperança que o
iluda / Se o bairro da Ajuda / Não fôr ajudado.
Não faz bem quem se demora / Nem quem vai cedo
demais / Sei que vais à Boa-Hora / Mas vê agora
/ A que horas vais / Passas ao páteo das Damas /
E p’las Damas perguntas / Elas sabem que as não
amas / Se por uma chama, vêm todas juntas. Quem
passar pelo Cruzeiro / E cruzar com os olhos
teus / Acautele-se primeiro / Que há jogo
matreiro / Nesses dois judeus / Quando vou p’lo
miradouro / Ponho-me a mirar a rua / Não há por
meu desdouro / Para meu namoro cara como a tua.
(Refrão)
Ajuda é sempre bairro da alegria / Que a luz dia
primeiro beija / Aonde a mocidade a golpes de
vontade / Defende aquela graça que o bafeja /
Conservar uma beleza primitiva / É tão altiva
que em nada muda / Seu nome anda a mostrar / Que
é mau quem se gabar / Que nunca precisou ter uma
ajuda “.
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALCÂNTARA
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“Nas docas, as velhas fragatas e as canoas
foram substituídas por veleiros e iates e os
antigos armazéns do peixe recebem, agora, a
visita dos noctívagos da Capital. Mas, pelas
vielas mais interiores, a Alcântara castiça
– do Tejo e do Fado – continua a tentar
resistir”.
UMA PONTE DE CULTURAS
“Uma “ponte” tinha de marcar o destino deste
populoso bairro lisboeta. Na verdade, o seu
nome vem do árabe e “Alcântara” significa
ponte. Essa tal ponte fazia a ligação entre
duas margens de uma ribeira que corria sob o
que hoje é a Avenida de Ceuta, desaguando no
Tejo. Curiosamente, nos nossos dias,
Alcântara é marcada por uma outra ponte: a
25 de Abril. Alcântara foi local da batalha
perdida por D. António Prior do Crato,
contra as tropas castelhanas, em 1580. E
foi, a partir do início da expansão
ultramarina, lugar procurado pelos monarcas
e fidalgos. Primeiro como ponto de passagem
para Belém. Mais tarde, porque acham ali
locais privilegiados para casas de campo e
centro de caçadas. Foram, então, surgindo os
principais edifícios do sítio que viria a
ser o bairro popular e operário que
conhecemos. Foi o caso do palácio real (no
Calvário), da Igreja das Flamengas, dos
conventos do Calvário e do Livramento, da
belíssima Capela de Santo Amaro, assim como
o Palácio das Necessidades. Alcântara, cujas
águas cristalinas terão atraído os
povoadores, estava repleta de hortas,
azenhas e sulcada de vinhedos. A Revolução
Industrial trouxe-lhe a implantação de
fábricas e de muitas habitações para os
respectivos trabalhadores, transformando
Alcântara num bairro operário e marinheiro.
Ali se instalou uma das primeiras escolas
industriais do país, a “Marquês de Pombal”.
Também ali a rainha D. Amélia criou um
dispensário, a partir do qual se iniciou a
campanha contra a tuberculose em Portugal”.
Alcântara participa nas marchas desde 1932
com o patrocínio de SFAE – Sociedade
Filarmónica Alunos Esperança, sediada neste
bairro na Rua de Alcântara. Este ano
completa 149 anos de existência. Devem-se à
SFAE alguns dos grandes nomes do teatro
amador, bem como de artistas que representam
a colectividade na Grande Noite do Fado,
organizada pela Casa da Imprensa. As suas
actividades desportivas, em várias
modalidades, constituem uma ocupação dos
tempos livres dos jovens residentes no
bairro. Destacando-se o ténis de mesa, tendo
a SFAE organizado o 1º torneio de Lisboa.
MARCHA DE ALCÂNTARA (Alcântara é diferente)
Letra de Constantino Menino
Letra de Martinho da Silva
“Que linda Alcântara / Vem hoje a desfilar /
Bonitas vão / As suas carvoeiras / Lisboa,
Lisboa / Alcânt’ra sabe a mar / É moça
gaiata / Nos gestos e maneiras. Seus olhos
são fogo / Que aquece o coração / calor que’spalha
/ Pelas ruas da cidade / Certinho compasso /
Tem a sua canção / Alcân’ra que canta /
Lisboa sem idade.
(Refrão)
Olhai / Olhai p’rás carvoeiras / Alfacinhas
brejeiras / Gaivotas a voar / Cantei /
Cantai com o coração / Os tempos que lá vão
/ D’Alcânt’ra à beira mar.
A noite é de festa
/ Meu bairro é Alcânt’ra / Alcânt’ra é
Lisboa / Alegre e sorridente / Voando,
voando / A marcha que encanta / É mais
popular / Alcânt’ra é diferente. Na garganta
o cantar / Do arrais pelo convés / Cantigas
de amor / São trovas feitas ao Tejo / Bela
carvoeira / trás ondas das marés / a alma se
acalma / Lisboa ao dar-lhe um beijo”.
(Refrão)
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALFAMA
“Fado é Alfama. Vadio e cantado ao desafio.
Nos restaurantes minúsculos onde os turistas
se deliciam com sardinha assada ou nas
rascas de pedra, nas escadinhas das ruelas
íngremes ou nos becos mais escondidos. Como
se o tempo
tivesse parado neste pedaço de Lisboa”.
UM BAIRRO DE MARINHEIROS
Alfama, barro velho da Capital, conserva
ainda os traços característicos da Lisboa
antes da conquista aos mouros. Nem o sismo
de 1755, que devastou boa parte da Capital
de Portugal, nem as exigências da evolução
dos tempos modernos conseguiram alterar o
seu estilo. Nascido fora da alcáçova do
castelo, o Bairro de Alfama, transformou-se,
a partir do século XlV, num local
marinheiro, frequentado por marinheiro,
frequentado por pescadores, mareantes e
trabalhadores das fainas do rio ou do mar.
No seu labirinto de escadinhas, becos e
ruelas, Alfama possui grandes riquezas de
uma arquitectura única, onde, ainda hoje, se
encontram gravados nas pedras sinais que
indicam as casas de pilotos e capitães do
mar. Nestes sítios de traços singulares é
possível tocar nos telhados através das
janelas rendadas e dos estendais de roupa a
enxugar, tantas vezes, retratados pelos
homens das artes. No “Chafariz de Dentro”,
dono de um invejável caudal, recolhia-se a
água que abastecia as naus que atracavam no
Tejo. Toda a sua vida era feita em função do
rio e do mar. Mesmo as práticas religiosas
eram influenciadas pela actividade marítima.
Assim foram surgindo capelas e irmandades,
como a dos Remédios e do Espírito Santo.
Ninguém a descreveu melhor que o jornalista
e olisipógrafo Norberto de Araújo que tem o
seu nome numa das ruas do bairro de Alfama.
Este apaixonado por Alfama descrevia-a ao
pormenor : “Labiríntica, confusa,
aglomerada, polícroma, torturosa,
contorcida, cheia de abraços de ruelas e de
beijos, arcos, alfujas, becos, escadarias e
planos, serventias e pátios, um único
Rossio: o “Chafariz de Dentro”; uma única
Avenida: Os “Remédios”; um único monumento:
a “Torre de São Pedro”; postigos, quintas,
cunhais, muros floridos, brasões, balcões,
poiais; Cruzes de ermida, registos de
azulejos, lápides foreiras, siglas, grades,
portais esquecidos, colunas, pedras soltas,
restos de muralha; empenas em bico, andares
de ressalto, varões de apoio, frestas,
balaústres, janelas arrendadas, janelas
geminadas, janelas de reixa; mil baiúcas,
exércitos de gatos, coros de pregões,
tumulto e resignação, arraial perpétuo de
roupas estendidas (...); gentes do mar,
gentes das oficinas, vendilhões, nuvens de
meninos (...).
A Marcha de Alfama é promovida desde 1983
pelo Centro Cultural Dr. Magalhães de Lima.
Já obteve resultados excelentes, entre eles,
quatro primeiros lugares, dois segundos e
dois terceiros. Fundada em 1975, esta
colectividade
pretende servir, sobretudo, os jovens o seu
bairro, desenvolvendo várias actividades
culturais e desportivas: A sua acção junto
dos moradores do bairro mereceu o
reconhecimento público coma distinção de
Membro da Ordem da Liberdade, entregue por
Mário Soares, na altura Presidente da
República de Portugal.
MARCHA DE ALFAMA
Música de Amadeu do Vale
Música de Carlos Dias
“Alfama não envelhece / E hoje parece / Mais
nova ainda / Iluminou a janela / Reparem
nela / Como está linda, / Vestiu a blusa
clarinha / Que a da vizinha / É mais modesta
/ E pôs a saia garrida / Que é só vestida /
Em dias
de festa.
(Refrão)
Becos escadinhas / Ruas estreitinhas / Onde
em cada esquina / Há um bailarico. / Trovas
tão singelas / E em todas elas / Perfume de
mangerico. / Rios, gargalhadas, / Fados,
desgarradas, / Hoje em Alfama é o demónio /
E em cada canto, / O suave encanto, / Dum
trono de Santo António. Já se não ouvem
cantigas / E as raparigas / De olhos
cansados / ‘Inda aproveitam o ensejo / P’ra
mais um beijo / Dos namorados. / Já se ouvem
sinos vibrando / Galos cantando / À
desgarrada, / Mas mesmo assim dona Alfama /
Não vai para a cama / Sem ser madrugada.
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO ALTO DO PINA
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“Com o passar do tempo, as antigas quintas
do senhor Pina transformaram-se. Agora,
restam as lembranças das hortas e dos
espaços abertos de outrora, ficou a Alameda
D. Afonso Henriques da Fonte Luminosa”.
Alto do Pina era formado por um conjunto de
quintas, outrora os grandes jardins da
Capital. Verdadeiros exemplares da harmonia
entre o Homem e a Natureza, propriedades das
famílias abastadas de Lisboa, era nestes
espaços privilegiados que trabalhava grande
parte da população que residia na encosta
que desce até Santa Apolónia. A maioria
ganhava o seu sustento nas terras altas, as
quais eram atravessadas por grandes artérias
que ligavam a cidade ao interior. Eram
propriedades do senhor Pina, um familiar de
Pina Manique, Intendente da polícia nos
tempos de Marquês de Pombal e da rainha D.
Maria l. Assim, o nome deste bairro deve-se,
essencialmente, à população que baptizou as
terras altas por Alto do Pina. Esta era a
zona escolhida para o lazer dos habitantes,
nos dias de festas, domingos e feriados, que
aproveitando a sombra das árvores, cantavam
fado e modinhas, acompanhados à viola e à
guitarra. Ao longo dos caminhos, ficavam os
“famosos retiros”, locais de boémia, de
apreciadores da “boa mesa”, da Literatura e
do Fado.
Estes eram tão apreciados pelo povo como
pelos fidalgos residentes no Areeiro.
Actualmente, este bairro representa grande
parte da freguesia de São João e vai até à
do Beato. Hoje, o Alto do Pina é um bairro de
contrastes, onde se misturam arquitecturas
da Lisboa doutros tempos com as deste fim de
século, como por exemplo, as Olarias e a
Fonte Monumental da Alameda D. Afonso
Henriques. Este ainda é o local de lazer
escolhido pelos mais novos para brincarem e
jogarem à bola, e pelos mais idosos que
aproveitam a sombra para descansarem
e jogarem às cartas”.É na Rua Barão de
Sabrosa que se situa o Ginásio do Alto do
Pina, fundado a 11 de Novembro de 1911. Esta
colectividade promove o desporto,
especialmente junto das camadas mais jovens,
tendo os seus sócios a oportunidade de
praticar modalidades como ténis de mesa,
futebol de cinco, atletismo e ginástica,
entre outras. Ainda têm à disposição uma
biblioteca, uma oficina de artesanato e uma
secção de teatro.
Desde 1932 que durante os primeiros seis
meses do ano, o Ginásio do Alto do Pina
deposita grande parte das suas energias na
organização da sua Marcha.
MARCHA DO ALTO
DO PINA
(Aguarela de Lisboa)
“A marcha do Alto do Pina / Vem manter a
tradição / De saudar na Avenida / Santo
António e São João.
Tem o cheiro de Lisboa / Tráz a chalaça
brejeira / São mangericos, ai são /
Perfumando Lisboa inteira.
(Refrão)
Meu bairro, é Alto Pina / É uma aguarela /
Sobre Lisboa / Pintado em tela fina / Pois
Santo António / Virou “Malhoa” ! / As cores
vieram do céu / Foi São João / Que as foi
buscar / Quando do alto desceu / Ficou p’ra
sempre / Lá a morar !
Santo António tão feliz / Como a tela que
pintou / Foi ao velho chafariz / Bebeu água,
descansou.
Na “Manuel dos Passarinhos” / Sentiu Lisboa
num fado / Para a moça mais formosa /
Arranjou-lhe um namorado.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO ALTO
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“Ruas antigas e sinuosas onde se
cruzam velhos moradores e as gerações
mais novas, frequentadoras da noite. Os
bares modernos, as lojas de roupa e de
artesanato foram substituindo as
“boites” de alterne e os “dancing”. E,
apesar do ar tradicional, o bairro
ganhou nova vida”.
Em 1515, a Companhia de Jesus construiu
uma ermida dedicada a São Roque,
intercessor contra a peste. Era este o
nome inicial do Bairro Alto. Nessas
terras, as casas eram poucas ou nenhuma.
O terreno servia, essencialmente, para a
agricultura. Mas, em 1528, nasceu uma
urbanização diferente das existentes até
então na cidade. Vila Nova de Andrade
era composta por ruas e quarteirões com
u traçado rectilíneo. O nome deve-se ao
facto de ter sido erguida na Herdade da
Cotovia. O espaço dava lugar a hortas e
vinhedos pertencentes a Nicolau de
Andrade. Só dois séculos e meio mais
tarde é que este tipo de urbanização
começou a aparecer na baixa. Nessa
altura, são edificadas duas capelas: a
das Chagas e a do Loreto. A primeira,
foi construída, sobretudo, para os
navegadores; a Segunda para os italianos
que visitavam ou moravam em Lisboa. Com
o terramoto de 1755, parte do bairro
ficou destruída. A reconstrução foi
feita de acordo com a arquitectura
Pombalina e obedeceu a um esquema
geométrico e rectilíneo. Devido a esta
intensa modernização, o local cativou a
nobreza e foram construídas residências
de luxo e palácios. Em 1768, ergueu-se,
no Bairro Alto, o edifício da Santa Casa
da Misericórdia. A primeira Escola de
Artes marítimas e o Conservatório
Nacional, actual Escola Superior de
Arte, teatro e Cinema também nasceram
nesta zona. Actualmente, o bairro Alto
divide-se em três freguesias: a de Santa
Catarina, a das Mercês e a da
Encarnação. Esta última, antiga
freguesia do Loreto, viu nascer a
maioria dos jornais lisboetas. Aliás, em
quase todas as ruas do bairro Alto
existia um órgão de imprensa. A
influência foi tal que alterou a própria
toponímia da cidade. A Rua dos
Calafates, por exemplo, passou a
chamar-se Rua do Diário de Notícias e a
Paiva de Andrade era a antiga Rua da
Luta.
Aqui surgiram e persistiram alguns
jornais. Como o “Diário de Notícias”, o
“Diário de Lisboa”, o “Diário Ilustrado”
ou o “Jornal da Tarde”. O Lisboa Clube
Rio de Janeiro resultou da fusão de
outras duas colectividades existentes no
bairro, em 1938. O Lisboa Clube focava
as suas actividades principais nos
campos cultural e recreativo. O União
Clube Rio de Janeiro estava mais
vocacionado para a vertente desportiva,
principalmente, para o ciclismo. Talvez
por isso, a primeira actividade a ser
fortemente impulsionada pelo clube foi,
precisamente, a desportiva, mas dando
maior destaque à luta, ao boxe, ao ténis
de mesa, ao basquetebol, à ginástica e
ao futebol de cinco. Na luta, a
colectividade já tem cerca de quarenta
atletas praticantes que competem a nível
internacional e conseguem, quase sempre,
excelentes resultados. Porém, o ciclismo
continua a ser “a menina bonita dos
olhos” da colectividade. Sem esquecer a
atenção que depositam nas marchas
populares do bairro e no arraial, que
são de âmbito cultural.
MARCHA DO BAIRRO ALTO (Olhem bem o Bairro Alto)
“O Bairro Alto / Vistoso e com
“Gajé” / Mora tão alto / para mostrar
quem é.
Bairro de artistas / Que colhe
tanto génio / Quer dar nas vistas / Ao
chegar ao milénio!
E com vaidade / Dizer que é alguém /
Nesta cidade / A quem quer tanto bem.
Bairrismo eterno / Vive em seu coração /
Está mais moderno / Mas honra a
tradição.
(Refrão)
Olhem bem o Bairro Alto / Cantando /
Bailando / Com garbo e alegria / Olhem
bem o bairro Alto / Que a “Estranja” / É
canja ! / Visita noite e dia.
Olhem bem o Bairro Alto / Artista /
Fadista / Que mostra ter bom gosto. / Ó
Lisboa que és amiga / Aceita esta
cantiga / E vem cantar co´nôsco.
No Bairro Alto / Com tascas nas vielas /
Ouve-se o fado / Cantado à luz de velas.
E a juventude / Em noites de lazer / Vem
amiude / Ciosa de aprender.
No Bairro Alto / Altar desta cidade / Há
sempre um beco / Onde mora a saudade.
Gente modesta / Mas sempre aberta ao
génio / Já está em festa / Sonhando com
o milénio.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BENFICA
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“A origem do nome concedido à
freguesia de Benfica é ainda um
mistério. Foram avançadas as mais
diversas propostas, desde as mais
românticas e palacianas até às puramente
linguísticas. Uma das teorias defende
que se dizia que bem fica” localizada
esta zona. Uma ideia criada pela riqueza
agrícola e pela abundância e qualidade
das suas águas. Outra conta que D. João
l, ao dar a sua bela Quinta de São
Domingos aos padres dominicanos, dissera
a D. João das Regras que o acompanhava:
“Aqui bem-fica o convento”.
O que se sabe e está registado, é que no
século Xlll já existia a localidade com
esse nome. Os habitantes mais antigos,
desde o princípio da nacionalidade,
foram apelidados de “saloios”, palavra
que vem do árabe e designava os mouros
“forros” ou livres. Este muçulmanos
tinham decidido acomodar-se a algumas
normas dos cristãos e puderam, por isso,
continuar nas suas terras. Eram uma
gente esperta, trabalhadora, astuta nos
negócios, alegre e persistente. Se,
outrora, Benfica esteve fora da área
limítrofe de Lisboa, hoje é uma
freguesia urbanizada. Benfica de outros
tempos é descrita como uma localidade
onde as quintas se seguiam umas às
outras, a verdadeira horta de Lisboa.
Entre as quintas mais famosas
encontram-se a de Pedralvas, Tojal,
Charquinho e Casquinha.
Os saloios de Benfica deslocavam-se a
Lisboa para venderem frutos, legumes e
flores. Ao mesmo tempo, coexistia a
Benfica dos palácios, quintas grandiosa
e casas de campo da aristocracia que
fugia da vida da cidade, refugiando-se
na então distante província. As festas
sempre foram uma constante do bairro.
Bastará lembrar que alguns dos mais
famosos retiros de “fora de portas”
ficavam nesta zona. Bailes, arraiais,
fados e petiscos eram uma constante na
região. As grandes mudanças na
fisionomia de Benfica ocorreu já no
século XX, quando o ar rural desapareceu
e deu lugar a grandes urbanizações. Hoje
em dia, é um bairro habitacional dos
mais populosos de Lisboa, mas Benfica
não perdeu a sua alma”.
O Clube Futebol Benfica (CFB) – o
popular “Fófó”, fundado em 1933, tem um
passado de que se orgulha. Foi, várias
vezes campeão em diversas modalidades,
destacando-se os Campeonatos nacionais
de Hóquei em Patins e Hóquei em campo.
Mas nada de confusões com o outro
Benfica, (o Sport Lisboa
e), conhecido mundialmente,
principalmente, no mundo do futebol e
onde jogou o grande Eusébio.
O Clube Futebol Benfica, dedica grande
parte das suas energias à causa
despostiva, sem descurar a componente
cultural que tem como ponto forte a
Marcha de Benfica. Assim, mais de mil
jovens e adultos da freguesia têm a
oportunidade de ocupar os seus tempos
livres em modalidades desportivas como o
futebol, voleibol, andebol de sete,
basquetebol, “Râguebi”, atletismo,
ginástica, pesca desportiva, natação,
ténis de mesa e “karaté”.
MARCHA DE BENFICA (1935) Letra de Norberto de Araújo Música de Raúl Ferrão
“Eh raparigas / Isto agora é
andarmos p’ra frente / Saltam cantigas
aos molhos / Um riso nos olhos / E
coração quente.
Cá vai Benfica / E quem fica não vai
concerteza / Ser alegre é que é preciso
/ Pois quem tem o riso /Tem sempre
beleza.
(Refrão)
Olha a marcha de Benfica / Qual saloia
cantadeira / Que entra na festa contente
/ Ai, ninguém fica sem cantar / a vida
inteira / A linda marcha da nossa gente.
Hája alegria / Alegria é um bem que se
abraça / Um desejo uma quimera / Por
isso se espera / A marcha que passa.
Cá vai Benfica / Toda alegre e contente
p’ra dançar / Há sempre um sorriso
suspenso / Um tesouro imenso / Que nos
vem da herança.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE BICA
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“O elevador (bondinho) amarelo,
sob a forma de um pequeno eléctrico da
carris, continua a galgar a encosta
íngreme da Bica. E, durante a viagem
lenta, podemos avistar as calçadas e os
becos mais típicos do Bairro”.
Os moradores da Bica sempre mantiveram
uma estreita ligação com a vida marítima
do Tejo. Este pitoresco bairro é
composto por um conjunto de calçadas,
escadinhas, quelhas e becos. A sua
origem remonta a uma catástrofe natural.
Em 1597, um aluimento de terras entre o
Alto de Santa Catarina e o
Alto das Chagas formou um vale que deu o
aspecto íngreme à Bica. Nesta altura,
Lisboa era muito procurada por pessoas
de fora que queriam trabalhar no rio. O
grande aumento populacional fez que as
zonas da Bica, São Paulo e Boavista
fossem habitadas por mareantes,
pescadores, aguadeiros, peixeira e
todo o tipo de vendedeiras. Julga-se que
o nome do bairro deriva de uma bica cuja
água flui ruidosamente para um tanque do
século XVlll, no Pátio de Broas ou Vila
Pinheiro. Fica na Calçada da Bica. Para
além desta, este espaço é composto por
nomes como a Calçada da Bica Pequena, o
Beco dos Aciprestes, o Largo de Santo
Antoninho, a Bica Duarte Melo, a Rua do
Almada, e o famoso elevador da Bica. É
este que mantém estreitos os laços entre
a Bica e Santa catarina ou o Bairro
Alto. Porém, nem todas as bicas e fontes
se resumem à toponímia. Construída em
1675, a Bica dos Olhos é conhecida pela
sua eficácia no tratamento de doenças
dos olhos. Neste bairro, eram frequentes
os pregões dos aguadeiros, na sua grande
maioria Galezes, que enchiam as ruas de
sons e de presença humana. Em Lisboa, a
falta de água era frequente. As bicas e
fontes eram habitualmente locais de
encontro.
A origem do Marítimo Lisboa Clube foi
muito influenciada pelo Tejo e pelas
suas actividades marítimas. Em 1944, um
grupo de homens ligados à faina marítima
resolveu fundar a colectividade. Em
1952, a Marcha da Bica saiu pela
primeira vez à rua. Nesse ano, o bairro
atingiu o primeiro lugar. O que voltaria
a acontecer em 1955, 1958, 1963, 1970 e
1992. Todos os meses de Junho, a Bica
veste-se a rigor para a folia. As
sardinhas, o vinho, o caldo verde e o
arroz doce perfumam o ar. Por entre
estes cheiros característicos de Lisboa
neste mês, a alegria dos cantares
tradicionais: “É este amor, revolto e a
saber a sal, que cantam as gargantas das
mulheres deste bairro, tão frescas como
a água que jorra das bicas, tão rebeldes
como o mar que lhes leva os seus
amados”. A organização das marchas
populares da Bica está, desde sempre, a
cargo do clube. O mesmo acontece com os
Arraiais, que também já foram premiados.
Em 1989, 1922 e 1995 a Bica ganhou o
prémio pelo melhor arraial das festas da
cidade. O bairro também já levou para
casa o título da rua mais bem enfeitada.
Além da componente cultural, o clube
dedica-se à prática desportiva, onde se
inclui o atletismo, o futebol e o ténis
de mesa.
MARCHA DA BICA (Na Bica o sol brilha mais) Letra de Carlos Barrela Música de António Miguel Henriques
“Na Bica o sol brilha mais /
Vem aquecer as gaivotas / Que andam a
namoriscar / Primeiro incendeia o cais /
Depois vai de porta em porta / Por todo
o bairro a brilhar.
Beija os corpos enlaçados / Afaga a
curva de um rosto / Cobre de ouro a
solidão / E anda a tecer bordados /
Desde manhã ao sol posto / Sobre as
pedrinhas do chão.
(Refrão)
A bica aquece / Quase endoidece / E a
vida parece / Menos dura / A Bica brilha
/ Que maravilha / Veste-se de poesia / E
de ternura / A Bica aquece / Quase
endoidece / Por com tanto calor / Ser
abraçada / A Bica brilha / Que maravilha
/ Sente-se mais feliz e / Mais amada.
Na Bica o sol brilha mais / Vem
maquilhar as tristezas / Que passam de
rua em rua / Faz das janelas seus
vitrais / Come à mesa pobreza / Anda às
avessas com a lua.
Conhece histórias velhinhas / Sabe de
cor as cantigas / Que andam na Bica pelo
ar / E quando chega a tardinha / Apesar
de mil fadigas / Teima em não se querer
deitar ...
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE CAMPO DE OURIQUE
 |
“Em
Campo de Ourique já quais ninguém se recorda dos
velhos moinhos e do pão que se distribuía pela
Cidade. Agora, apesar de cosmopolita, o bairro
na abdica das suas avenidas frondosas e do
Jardim da Parada”.
O bairro que fornecia farinha e pão à grande
cidade. Campo de Ourique era terra de moinhos e
padeiros. Uma espécie de Campolide onde o trigo
imperava.
Está, essencialmente, dividida em duas zonas
distintas: uma mais ligada a Santa Isabel, a
outra chegada ao Santo Condestável. A primeira,
a mais antiga, desenvolve-se a partir de 1755,
ano do grande terramoto. Depois da catástrofe, a
população concentrava-se nos locais menos
atingidos. A segunda, tinha uma aparência
moderna. Substituiu os olivais e as quintas que
ali existiam. Apresentava traçados geométricos
que remontam ao século XVll e às primeiras
décadas dos anos 90. A Arte Nova, corrente
artística que se enraízou nas tendências
criativas dos artistas do século XlX, deixou
vestígios um pouco por todo o bairro. Já na
segunda metade do século XlX que o bairro sentiu
necessidade de projectar novas ruas. A razão foi
a construção do Cemitério do Prazeres; Campo de
Ourique passou a ser conhecido por “Bairro
Latino”. A designação deve-se aos inúmeros e
talentosos artistas que ali residiam. Vivia-se
um ambiente de boémia e intelectualidade.
Escritores, artistas e estudantes completavam o
cenário nos cafés e cervejarias da zona. Entre
eç Pessoa. A casa do artista é hoje um centro de
cultura. Campo de Ourique passa a ser apelidada
de liberal e republicana. O primeiro título
justifica-se pela quantidade de
ruas que homenageiam personagens do liberalismo,
como sejam ferreira Borges ou Almeida e Sousa. O
segundo, pela presença dos conspiradores de
1910, algures entre quatro paredes da Rua
Saraiva de Carvalho.
A Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo surge da
união entre cabos de polícia e civis a 26 de
Maio de 1872. O projecto inicial dos Cabos de
Segurança Pública da Freguesia de Santa Isabel
pretendia formar uma banda filarmónica. Tinha a
intenção de chamar-lhe “União e Capricho”.
Depois aceitaram a ajuda de alguns membros da
população, concluíram que esta nova estrutura
não poderia funcionar, tal era a divergência de
opiniões entre os dois grupos. A “União e
Capricho” acabou por desaparecer e assim surgiu
a SFAA – Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo.
Actualmente, a principal dinâmica do grupo são
as danças de salão, que criou pólos da
modalidade no
Porto, Santarém e Setúbal, formalizando a
Federação Portuguesa de Dança Desportiva.
MARCHA DE CAMPO DE OURIQUE (Alfacinha)
Letra de Constantino Menino
Música de Mário Gualdino
“A
marcha cá vai / Alegre contente / Por esta
Lisboa ao luar / E Lisboa sai / Feliz
sorridente / P’ra ver a marcha passar / É
Campo de Ourique / Meu bairro aqui vai /
Calados; não fiquem não / Venham para a rua
/ A noite está bela / Venham ver Lisboa / E
cantem com ela.
(Refrão)
A marcha que passa / É Campo de Ourique /
Com arte e com graça / Cá vai no despique /
A canção qu’entoa / É alma é vida / Da nossa
Lisboa / É minha é tua / Pois anda cantar /
Olha como a lua / Está, hoje a brilhar / Vai
lá meu bairro / P’ra Rainha Santa / Te
abençoar. A noite é de festa / Por Santo
Antoninho / Devoto e casamenteiro / Lisboa
modesta / Enfeita o arquivo / E marcha com
ar brejeiro / É Campo de Ourique / Meu
bairro é pessoa / Na forma mais popular /
Olhem que o meu bairro / É bem alfacinha /
Reza a Santo António / E à Santa Rainha.
(Refrão) “
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE CAMPOLIDE
 |
Outrora, o bairro foi local de vinhedos e de
escaramuças. Um campo de lides `beira de Lisboa.
Com o correr de tempo, as lembranças foram-se
diluindo, até ficarem apenas os monumentos. Como
o majestoso Aqueduto da Águas Livres” “Campos de
lides” ou “Campolit” significa terra de cultivo
ou espaço de desavenças com os invasores.
Campolide já foi uma freguesia bem maior do que
é hoje em dia. Abrangia as zonas de Campo de
Ourique, Estrela, Lapa, São Bento e Santos,
chegando mesmo até Alcântara. Toda esta área era
habitada por construtores modestos. A Calçada
dos Mestres presta homenagem aos que ergueram o
túnel monumental que aproxima o Rossio de
Campolide, ou o aqueduto que D. João V mandou
criar para abastecer Lisboa de água. A
urbanização foi posterior à Primeira Guerra
Mundial. Antes o espaço estava reservado a
quintas, pomares, olivais e vinhedos. Segundo
testemunhos escritos do período afonsino, já
nessa altura, o vinho de Campolide deliciava as
pessoas da cidade. Escrituras de 1340 comprovam
que uma parte das vinhas de Campolide pertencia
a D. Fernando l. Esta cultura chega ao século
XVl. Mas não era só vinho que ia para Lisboa. A
fruta e o azeite também eram produzidos naquelas
terras. Campolide é reflexo de um plano de
urbanização que deu lugar a construções de
pequenos proprietários, nos terrenos do Conde do
Paço do Lumiar. Para além do Aqueduto das Águas
Livres (*) e do túnel do Rossio (que liga o
combóio entre o Rossio e Campolide), o bairro
sustenta outras vias de acesso à cidade como o
viaduto Duarte Pacheco, administrador da
povoação nas décadas 30 a 40, Duarte Pacheco
também dá nome a uma das ruas de Lisboa. Dos
monumentos e edifícios destacam-se, igualmente,
a Ermida de Nosso Senhor das Almas, o palacete
Roque Gameiro, o relógio de sol da Rua de
Campolide e o Batalhão de Caçadores 5.
Recentemente, Campolide foi enriquecido pelo
Palácio da Justiça. A antiga terra de lides é
hoje um modesto mas audaz miradouro de onde se
avista Lisboa. Ao longo dos tempos, a freguesia
sofreu várias transformações física subsequentes
à construção de novos bairros.
(*) AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES: “Quando, em 1748,
a água correu pela primeira vez no Aqueduto,
Lisboa festejou o acontecimento. Fontanários e
chafarizes depressa se tornaram centros de
abastecimento, de convívio e, não raro, de
violentas discussões. Era um verdadeiro rachar
de bilhas e de cabeças ! Enquanto a água corria
fresca, “fervia” pancada em redor das bicas.
Hoje, duzentos e cinquenta e dois anos depois,
fontanários e chafarizes estão bem mais calmos.
“... o caminho pedonal do Alto da Serafina até
Campolide, passando por cima dos Arcos de
Alcântara. Era o caminho que os saloios de belas
e de Queluz percorriam quando se dirigiam à
capital. Chegados ao Arco Grande, estamos a 65
metros acima do solo e pisando pedras que, no
século XlX, foram testemunhas silenciosas dos
assaltos de Diogo Alves...”. Uma rainha
fresca... :” Ninguém melhor que a rainha D.
Carlota Joaquina soube aproveitar o ambiente
refrescante do Aqueduto das Águas Livres em
Campolide. Quando os calores de verão apertavam,
a rainha dirigia-se até à Mãe d’Água nova e por
ali passava horas que, de refrescante, na
verdadeira acepção da palavra, pouco tinham...
Ao que diziam as más-línguas da época, a rainha
ia refrescar-se não propriamente dos calores de
Verão mas de “calores” de outra natureza ... Só
assim se compreende, dizem ainda as más-línguas,
que os filhos de Carlota Joaquina fossem uma
bela “estampa” (quer ela quer o marido, D. João
Vl, eram feissímos). Pudera ! Com a rainha a
mudar de cocheiro (sempre escolhidos a dedo) de
dois em dois anos... Se D. João Vl deixava muito
a desejar no que toca a saciar as sedes da
rainha, o mesmo não acontecia com o seu
antecessor, D. João V. O monarca não só saciava
a sede da esposa como de outras damas. Até em
matéria de amores era magnânimo!
Quando lhe chamaram a atenção para
as suas aventuras amorosas, que não eram do
particular agrado do prior da corte, o
monarca encarregou o cozinheiro de servir
somente um prato de galinha ao eclesiástico.
Farto de só comer galinha às refeições, o
prior questionou o monarca sobre tão
estranha ementa, Subtil, D. João V, o rei
magnânimo, ter-lhe-ia dito: “Nem sempre
galinha nem sempre rainha ...”. Se as pedras
daquela Mãe d’ Água falassem...
O Sport Lisboa e Campolide teria sido
fundado em 1925, numa taberna do bairro. Até
1939, ainda sem sede própria, a
colectividade preocupou-se, principalmente,
em desenvolver actividades no campo
desportivo e recreativo. Organizadora da
Marcha, o SLC tem outras práticas culturais
e desportivas, como futebol de salão, a
ginástica, o teatro e espectáculos musicais,
etc.
MARCHA DE CAMPOLIDE
(Presente e Futuro)
“Segue em frente Campolide / É o que hoje te
peço. / No teu qu’rer é que reside / Toda a
força do progresso ...
Muita coisa já tens feito / Muito mais tens
p’ra dar, / O amor só é perfeito / Se se
pode partilhar
(Refrão)
Não fiques parado / Sem nada fazer, /
Trabalho é suado / Para é morrer ... / No
fim do milénio / Estuda e progride, / Aguça
o teu génio / Por ti, Campolide !
(Bis)
Bem ousada tens a gare / Imponente e
futurista, / Mas é sempre no ousar / Que o
futuro se conquista ...
Se não fosse a ousadia / Que é génio, um
tributo, / Não terias a alegria / De ter’s
hoje o Aqueduto !...
Emprega-te a fundo / Trabalha sem peias, /
Conquista o teu mundo / Sem falsas ideias
... / Do mau ambiente / Transpõe esse muro /
De pé, marcha em frente ! / Conquista o
FUTURO ! ...(Final)
No fim do milénio / Estuda e progride, /
Aguça o teu génio / Por ti, Campolide !...
Do mau ambiente / Transpõe esse muro, / De
pé, marcha em frente ! /
Conquista o Futuro !
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO de CARNIDE
 |
“Para se conhecer Carnide há que deambular,
sem destino definido, pelas antigas
azinhagas. O inesperado pode ser descoberto:
os portões enferrujados de uma quinta
abandonada, o murete de pedra de uma velha
exploração agrícola, a avenida de alcatrão
que rasga o terreno baldio”.
Antigo povoado dos arredores de Lisboa,
Carnide era um belo conjunto de quintas,
hortas e casas ricas, além de possuir ainda
conventos e um hospital. Ao longo da
história, predominaram as funções
religiosas, agrícola, artesanal, militar,
industrial e habitacional, motivadas pela
sua acessibilidade. No final do século XlX,
o aglomerado que é hoje de Lisboa já possuía
iluminação, água canalizada, posto de
polícia, uma filarmónica, um teatro e duas
escolas. Perde-se no tempo a origem rural de
Carnide que também foi lugar eleito para
veraneio dos nobres, que ali ergueram
palácios e quintas ajardinadas. Desse
passado ilustre, ficou uma herança
patrimonial: o Palácio dos Condes de Carnide,
o Palacete do Largo das Pimentas actual
Junta de Freguesia), a Igreja da Luz ou o
Convento de Santa Teresa do Carmo.
A freguesia tem crescido muito a nível
populacional desde que as grandes
urbanizações chegaram ao bairro, o que
aconteceu pelos anos 60. Mas Carnide velho
continua a sobreviver, com as suas casas e a
fácil relação entre vizinhos.
Fundada em 28 de Junho de 1913, a Sociedade
Dramática de Carnide (SDC), mantém-se fiel
aos seus objectos de carácter sócio-cultural.
Inserido neste conjunto de objectos
destaca-se a existência do Grupo de Teatro
de Carnide, em actividade há 35 anos. O
Grupo de Teatro tem sido merecedor de vários
prémios, entre estes, registe-se a Medalha
de Prata de Mérito da Cidade de Lisboa,
vencendo ainda alguns importantes festivais
de teatro, tanto a nível regional como
nacional. A Sociedade Dramática de Carnide
organiza a Marcha de desde 1966.
MARCHA DE CARNIDE
(Carnide Lavrador)
Letra de Maria Valejo
Música de Mário Valejo
“Que belo é
Carnide o Lavrador / Altaneiro na sua
singeleza / Orgulhoso mostra que o seu amor
/ pertence a esta terra Portuguesa / deixou
as hortas veio ver a cidade / engalanou-se
vestiu fato novo / e marchar cheio de brio e
com vaidade / por entrar nesta festa que é
do povo.
(Refrão)
Carnide Carnide / Carnide que passa /
Marchando ele mostra / Sua Lusa Raça /
Carnide Carnide / Ai quanta beleza / Traz de
braço dado / A Alma Portuguesa / Carnide
Carnide / Canta em viva voz / A Língua
bendita / Que é de todos nós.
Angola e Brasil também aqui vão, / Cabo
verde marcha Pôs na alma a Fé / São Tomé e
Príncipe ai quanta emoção / Cá vai
Moçambique e também Guiné / Não esqueceu as
Ilhas mais belas que viu / Herança d’avós
d’amor sem igual /
Lembra Macau, Goa, Damão e Diu / Tudo em
Português, viva Portugal!.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO do CASTELO
 |
“As velhas muralhas foram palco de lutas
entre mouros e cruzados. Mais tarde, do
interior da cidadela, avistaram-se as naus
que partiram à Descoberta de novos povos e
mundos. Agora, o desafio é recuperar este
património histórico e dar melhor condições
de vida aos habitantes do bairro”.
A história de Lisboa começa no alto da
colina do Castelo. O local onde se encontra
hoje o bairro foi um dos primeiros a ser
urbanizados. Situado num ponto militar
estratégico foi, desde sempre, cobiçado por
inúmeros povos. Em 1147, depois da
reconquista cristã, D. Afonso Henriques
transformou Santa Cruz do Castelo na
primeira freguesia da Lisboa portuguesa. Ao
construir nas torres sul a casa forte do
tesouro e o arquivo da coroa, D. Dinis
centralizou o poder neste espaço. Mais
tarde, D. Afonso lll instalou aí a sede da
corte, transformando Lisboa na capital do
Reino. No século XlV, após o fim da guerra
com Castela, D. João l resolveu incentivar o
culto a São Jorge. O mártir guerreiro
consagrou-se então defensor do castelo. Com
o início da expansão marítima, viveram ali
anos de grande fulgor. O Castelo foi, nesta
altura, palco de inúmeras manifestações
culturais e religiosas. Destaque para 1502,
ano que em o Castelo assistiu ao nascimento
do teatro português. Por esta altura, foi
também construída a ermida do Espírito
Santo, local de culto dos navegadores do
Oriente. Com a transferência da corte para o
Palácio da Ribeira, o castelo de São Jorge
entrou num longo período de declínio. O
terramoto de 1775 agravou ainda mais a
situação ao provocar diversos estragos no
berço da cidade. Depois de algumas
reconstruções, o intendente Pina Manique
levou para lá a primeira sede da Real Casa
Pia de Lisboa. Nessa altura, o Castelo
também funcionava como prisão. Em 1940, as
atenções voltaram a estar viradas para o
local. Nesta altura, pelas comemorações do
centenário da formação de Portugal, teve
lugar uma profunda reconstrução. O objectivo
era devolver ao Castelo de São Jorge o seu
aspecto inicial.
Actualmente, o município de Lisboa está a
tentar renovar o bairro através do Projecto
Integrado de Valorização do Castelo de São
Jorge. A organização das Marchas Populares
tem estado a cargo do Grupo Desportivo do
Castelo, que desta forma, procura defender
os usos e costumes de uma freguesia com uma
forte tradição bairrista. A cultura e o
desporto sempre estiveram na lista de
prioridades da colectividade. As vitórias
alcançadas com o futebol levaram, mais
tarde, ao aparecimento do ténis de mesa e do
basquetebol. Presentemente só pratica o
futebol de cinco.
MARCHA DO CASTELO
(Vem p’rá roda que é Santo António)
Letra de Helder Carlos
Letra de Armindo Campos
“O meu castelo,
iluminado / Dá gosto vê-lo / É relíquia do
passado / Mas de verdade, doa a quem doa /
Tem mocidade / E foi berço de Lisboa.Santo
guerreiro, foste um valente / És padroeiro /
Do Castelo e sua gente / Bom alfacinha, vem
conhecê-lo / Sobe a escadinha / E entra no
teu Castelo.
(Refrão)
Vem p’rá roda, rapariga / Dá-me o braço / E
vem saltar à fogueira / Tem cuidado
rapazinho / Hoje há festa / Vou dançar a
noite inteira Mangericos, à janela / Vem p’rá
rua / Que é dia de pandemónio / Sardinheiras
encarnadas / Vem p’rá marcha / Que é noite
de Santo António. Recolhimento minha rua /
Sem um lamento / Se recolhe à noite a lua /
Espírito Santo, saudades minhas / Te beijei
tanto / Lá no Largo das Cozinhas.
Rua das Flores, rosas aos molhos / São como
as cores / E a beleza dos teus olhos / Beco
do forno abrasador / E em Stª. Cruz /
Casarei com meu amor.
(Refrão)
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da GRAÇA
“Do alto da colina avista-se quase toda a
cidade. A GRAÇA, com o seu miradouro e os
seus eléctricos, é um poiso de turistas,
esconde casais de namorados e dá refúgio às
tradições alfacinhas”.
O local onde se situa o bairro da Graça é
uma das primitivas colinas da Lisboa cristã.
Como era uma importante zona estratégica, D.
Afonso Henriques escolheu-a para montar o
seu quartel general, em 1147. Conhecido pelo
nome árabe de “Almofala”, era um subúrbio da
poderosa “Aschbouna” , a Lisboa Mourisca.
Nesta zona onde se encontrava o Almocáver,
cemitério mouro, fundaram-se dois conventos
de grandes proporções, o dos cónegos
regrantes em São Vicentes e, um pouco mais
acima, o dos Agostinhos. Ambos ficaram sob a
invocação de Nossa Senhora da Graça.
A influência dos frades Agostinhos da Graça
foi determinante na edificação urbana desta
colina de Lisboa que, embora só tenha
adquirido classificação administrativa numa
época relativamente recente, a verdade é que
se trata de um bairro e de um sítio bem
demarcado há, pelo menos, três séculos. Da
Graça que cresceu no século XV até ao
terramoto de 1755 apenas sobreviveu o
Convento dos Agostinhos, situado no Largo da
Graça. Entre 1891 a 1911, do bairro de Santo
António formaram-se outros dois, o da Estela
D’Ouro e o Ermida. Assim, as ruínas dos
velhos palácios deram lugar às vilas
habitadas por uma população operária, numa
zona cujas raízes mergulham na própria
fundação da nacionalidade.
Dos primórdios da monarquia lusitana, o
Bairro da Graça, guarda apenas os vestígios
assinalados na capela da Nossa Senhora do
Monte, erguida após a tomada de Lisboa. Este
bairro voltou a fazer história na
Implantação da república, uma época em que
acolhe diversos nomes ilustres que se
destinguiram na luta pela democracia.
O Clube Desportivo da Graça nasceu a 12 de
Marco de 1935. Esteve desde sempre, ligado à
cultura, beneficência e ao desporto. Na área
do desporto, funciona com escolas de
atletismo, futebol de cinco e ténis de mesa.
Na área da cultura, a colectividade
dedica-se quase em exclusivo à organização
das Marchas Populares.
MARCHA DA GRAÇA
(Venham dançar com a Graça)
Letra de Ester Correia
Música de J. M. David
“A Graça tem /
O Senhor dos Passos a passar, / Erguendo os
braços para a Graça abençoar / E, o Santo
António apaixonado / Que num suspiro
contente lhe canta um fado.
A Graça tem / Nos arraiais muita alegria /
Os seus balões são de eterna fantasia, / E
um cavalinho sempre a tocar / Ela é festa de
Lisboa, a cantar.
Há um cheirinho a manjericos; / Cravos
sorrindo aos namoricos; / O povo acorda, o
povo só dança, / No arraial ninguém se
cansa.
As sardinheiras estão às janelas / A ver a
Graça saltar fogueiras / E os santos
populares, pelas vielas, / Atrás das moças
bonitas, namoradeiras.
A Graça tem / O Senhor dos Passos a passar,
/ Erguendo os braços para a Graça abençoar /
E, o Santo António apaixonado / Que num
suspiro contente lhe canta um fado.
Está aqui a nossa Graça / Que é de Lisboa a
sua graça, / Só ela abraça, só ela nos beija
/ com a ternura de quem deseja.
Só ela tem aquele olhar, / Num coração
sempre a dançar, / A Graça salta de
alcachofra na mão, / E acorda o sol ao sabor
de uma canção”.
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da MADRAGOA
“À beira do Tejo, Madragoa sempre foi um
local de cruzamento de raças e culturas
diferentes, sem distinção, albergava os
negros que amanhavam os campos e dava abrigo
aos pescadores que fainavam no rio, e, na
memória dos mais velhos, ainda ecoa o pregão
das varinas”
A lenda conta que o bairro nasceu dos
milhares de grãos de areia que as gaivotas
transportaram para ali. A origem do nome
perde-se no tempo. Há quem afirme que a
palavra corresponde ao apelido de uma
fidalga madeirense “Mandragam” ou que vem de
“Madre de Goa”. Antes do terramoto, no
século XVll, o bairro tinha o nome de
“Moçambo” e não era mais do que uma pequena
póvoa habitada essencialmente por pessoas de
origem africana. No passado, parte da
Madragoa foi um aglomerado de conventos e
palácios, onde viveram as Trinas, as
Bernardas ou as Inglezinhas. Ms foram os
trabalhadores que deram vida ao bairro.
Entre os séculos XVlll e XlX, a população
sofreu grandes alterações. Nessa altura,
veio para Lisboa muita gente da região da
ria de Aveiro, em especial de Ovar, daí o
nome ovarinas. Comercializavam legumes
frescos e peixe. Posteriormente, grande
parte destas pessoas optou por ficar na
Madragoa. Na maioria, eram casais de
pescadores e varinas. Era habitual ouvi-las
apregoarem o peixe de canastra à cabeça.
De entre muitas das obras arquitectónicas da
Madragoa, destaca-se o Palácio dos Duques de
Aveiro, a Casa dos Marqueses de Abrantes e a
mais antiga e modesta das capelas lisboetas,
a dos Mártires. Também lá se encontra a
Embaixada de França, onde Gil Vicente
(depois do Castelo de São Jorge), deu início
ao teatro português.
No coração do bairro, está a sede do
esperança Atlético Clube, está a sede do
Esperança Atlético Clube, fundado a 16 de
Agosto de 1936. O clube organiza muitas
iniciativas no campo cultural, como é o caso
da Festa de São Martinho, do Dia da Criança
ou da Festa de Natal. E desde 1982, o
Esperança Atlético Clube é responsável pela
organização das marchas populares da
Madragoa. Em 1988, alcançou o primeiro
Prémio de Canto e o segundo lugar na
classificação global. No ano a seguir, o
clube atingiu o quarto lugar da global e o
primeiro Prémio de Coreografia.
MARCHA DA MADRAGOA
(Marcha Nova da Madragoa)
Letra de Frederico de Brito
Música de Raúl Ferrão
“Hoje é que a
marcha vai / Que a Madragoa é linda / Vai de
chinela vai / Pois é varina ainda.
Leva um arco e um balão, / Perna ao léu, e
toca a andar, / É que a Madragoa / Corre
Lisboa / Sempre a cantar.
Uma varina tem / Um riso bom que alastra; /
Se uma tristeza vem, / Cabe-lhe na canastra.
Arraiais de São João, / Quem os tem para nos
dar ? / Só este bairro infindo /Que é o mais
lindo / Da beira mar.
Andam balões no ar, / Quem é que não alcança
/ A espr’ança de os achar, / Aqui na velha
Espr’ança.
Dê a volta pelas Madres, / P’lo Castelo do
Picão, / Vanha bailar com ela, / À luz da
vela / Do meu balão.
E se quiser cantar / O vira das varinas, /
Já não precisa andar / Cantando pelas
esquinas;
Vai pedir ao Guarda-Mor / Que lhe guarde uma
qualquer, / Que lhe guarde uma qualquer, /
Que tenha nos olhitos, / Os mais bonitos /
Balões que houver.
(refrão)
Cabe toda a Lisboa / Na Madragoa / Que é
pequenina; / E a Madragoa calma / Cabe na
alma duma varina.
Sem que ninguém a gabe, / Tem não sei quê no
jeito. / Só o meu bairro sabe, / Como ela
cabe / Dentro do peito.
Colo da ave marinha / Olhos de tentação, /
Sempre tão maneirinha / Cabe inteirinha /
Num coração.
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da MARVILA
 |
“As hortas e as pequenas quintas
desapareceram em poucas décadas, com o
advento da industrialização. As fábricas e
as vilas operárias moldaram a paisagem de
Marvila e o carácter da sua gente. Hoje,
Marvila, é um bairro a
descobrir com urgência”.
O sítio de Marvila, tão velho quanto a
fundação da nacionalidade, é dos bairros
mais típicos da zona oriental da cidade de
Lisboa. Até ao século XlX, sucediam-se
agradáveis quintas nesta vasta zona de
Lisboa e era grande a fertlidade das terras
banhadas pelo Tejo. Por isso, Marvila era,
até há pouco tempo, uma freguesia
essencialmente rural, onde proliferavam as
quintas e as hortas. Ainda hoje, os exemplos
são fáceis de detectar: a Quinta dos
Ourives, a da Rosa, a das Flores, a das
Amendoeiras, a do Leal, a do Marquês de
Abrantes ... Estas propriedades eram
exploradas, na sua maioria, por gentes
originárias do norte do País e abasteciam os
mercados ambulantes, espalhados pelo bairro
e pela vizinhança. E, mais tarde, por toda a
Capital. Ao antigo mercado da Praça da
Ribeiro, a mercadoria chegava transportada
por carroças. Essa população originária do
norte trouxe muitos dos seus hábitos e
costumes, nomeadamente, a Feira da Espiga,
que poderá ter origem num costume dos
hortelões nortenhos. Mas de zona rural,
Marvila transformou-se, com o passar dos
anos, em zona urbana de fisionomia bairrista
e fabril. Todavia, ainda hoje se vêem
vestígios de uma grande actividade
hortícola. O palácio do Marquês de Abrantes,
na rua de Marvila, ou o da Mitra, na rua do
açúcar, são verdadeiros exemplares dos
vários solares que ali foram edificados.
Também os monumentos de carácter religioso
abundavam, como o antigo Mosteiro de
Marvila. No século XX, continuou a
instalação de unidades fabris desde a rua do
Açúcar até Braço de Prata. São deste período
as tanoarias da rua Capitão Leitão e os
armazéns de vinhos de Abel Pereira da
Fonseca (que, pouco antes de morrer disse a
seus descendentes “enquanto o Tejo tiver
água, nunca deve faltar vinho a Lisboa”).
Hoje, estes armazéns estão transformados em
centros culturais. A actual Marvila,
freguesia criada em 1959, é bem
significativa da zona
periférica de uma grande cidade europeia em
franco crescimento. Beneficiou,
consideravelmente, com a realização do
grande evento que foi a Expo 98.
A Sociedade Musical nasceu a 3 de Agosto de
1885, em pleno Poço do Bispo, tendo sido
transferida pouco tempo depois para o Pátio
Marquês de Abrantes, vulgarmente conhecido
como Pátio do Colégio. Esta colectividade
centenária tem vindo a assistir, do interior
do seu palácio medieval, à vertiginosa
transfiguração do seu bairro, em parte
devido à realização da Expo 98.
Contudo, no pátio onde está instalada a sua
sede, o cariz e as tradições ainda continuam
populares. A Sociedade Musical que organiza
a Marcha de Marvila, representa
orgulhosamente na Avenida da Liberdade toda
a área das
freguesias de Marvila e do Beato.
MARCHA DE MARVILA
(Milenar Marvila)
Letra de Mário Silva
Música de Álvaro Martins
1ª Estrofe
“Imaginação, futuro !... / Milénios,
passados são !... / Outro tempo e outro
mundo: / Marvila, quer tradição!
Foguetão vem do futuro / Pelo tempo
viajando. / E, travessando o “muro”, /
Procura a animação.
1º Refrão
Santo António milagreiro / Como amigo e
companheiro / Deslumbra’mente surgiu / Com
resplendente clarão ! / E o santo do
passado, / Como um novo coração / P’ro
futuro é transportado / Já a dar inspiração
!
(BIS)
2ª Estrofe
Este foguetão parou / Aterrando no passado
!... / Veio ouvir os sons da alma / De novo,
ser programado!
E surge um milagre novo ! ... / E tudo se
transformou ! ... / Os “robots” já são o
povo / Que a marcha antiga adptou !
2º Refrão
De joelhos, o futuro / Pede ao Santinho
perdão ! / Por ter esquecido que a alma / É
raiz da tradição. / Marvila aqui presente /
Nesta festa popular: / Vê o terceiro milénio
/ A apar’cer e a raiar !
(BIS)
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da MOURARIA
 |
“Urbe antiga, povoada pelo mouros
escorraçados pela conquista cristã da
cidade. A Mouraria é um labirinto de ruas
que sobem da praça do Martim Moniz em
direcção ao castelo de São Jorge. Tão
estreitas que, por vezes, o sol apenas
consegue espreitar com esforço”.
Tão antigo como a nacionalidade, o bairro da
Mouraria, após a conquista de Lisboa, em
1147, por D. Afonso Henriques, foi o local
escolhido para albergar os mouros que se
mantiveram na cidade. Era um território
próprio que formava um núcleo populacional
afastado dos cristãos. Mas antes da vitória
dos cruzados, toda aquela zona era
transformada por hortas e terras de cultivo.
Os mouros dedicavam-se ao fabrico de azeite
e *a olaria, ofícios de que restam ainda
alguns vestígios, como os velhos lagares. No
reinado de D. Manuel l, com a expulsão dos
mouros e dos judeus, uma parte do bairro
alojou populações cristãs, formando-se assim
uma Mouraria a que podemos chamar
aristocrática, onde se incluem o Coleginho –
o primeiro colégio jesuíta do mundo - , a
Igreja de São Lourenço e o Palácio da Rosa.
O bairro ganhou má fama quando os marginais
e as prostitutas passaram a ser
frequentadores assíduos. Como, em regra, uns
e outros se dedicavam ao fado, acabou por
nascer a fama de que a Mouraria, o fado
“canalha”, as cenas de facada e malandragem
estavam ligadas por uma espécie de “cordão
umbilical”.
Não é possível falar da Mouraria e da rua do
Capelão sem recordar a Severa, célebre
fadista que ali morou e morreu com apenas 26
anos de idade. O labirinto de ruas que
compunha a parte baixa da Mouraria
desapareceu na primeira metade do século XX,
dando lugar ao espaço que é hoje o largo de
Martins Moniz. Com elas desapareceram a
antiga igreja paroquial, o palácio do
Marquês do Alegrete e o respectivo
arco.Grupo Desportivo Da Mouraria, fundado
em 1 de Maio de 1936 e que se transformou
numa das mais populares e castiças
colectividades de Lisboa.
Organiza a marcha da Mouraria. Neste grupo,
em tempos chamado os “Leões da Mouraria,
pratica-se luta greco-romana, ginástica,
boxe, futebol e ténis de mesa. A
colectividade continua a ter como principais
objectivos promover o desporto e a cultura.
E, neste último caso, o expoente máximo são
as sessões na famosa “Catedral do Fado
Vadio”.
MARCHA DA MOURARIA
(Boémia e Fadista)
Letra de Ester Jesus Correia
Música de José Manuel Jesus
“Em todos os
bairros de Lisboa, / O amanhecer / É fonte
da nossa inspiração, / Mas Mouraria / Tu és
o verso / Sempre perfeito da nossa canção.
Da guia até às olarias / Gente boa, / Um
bairro que acorda a sorrir / Ès mouraria /
És de Lisboa / És sempre dança / E a noite a
cair.
Salta a fogueira / Dança a marcha e canta o
fado, / Convida um beijo / É noite de Santo
António. / Tenho um desejo / De acender um
balão, pois então! / E de fazer amor /
Sempre a teu lado.
Salta a fogueira / Dança a marcha e canta o
fado, / Convida um beijo / É noite de Santo
António. / Tenho o desejo / De acender um
balão, pois então! / No meio do arraial.
Janelas abertas p’ra ver / A marcha passar,
/ As quadras com um sabro bairrista / Saem
dos cravos / Dos mangericos / Feitas de
sonho, grito de um fadista.
A boémia é sina de viver / Na mouraria, /
Lisboa de voz sentida e quente / É uma chama
/ É um alento / É madrugada / De um povo que
sente”.
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO dos OLIVAIS
“O bairro está
irreconhecível. A exposição mundial de
Lisboa, dedicada aos oceanos, mudou por
completo a sua face ribeirinha. Do tempo das
oliveiras restam, ainda, a igreja e o coreto
dos Olivais velhos”.
A paróquia de Santa Maria dos Olivais é tão
antiga como a sua igreja. Os arqueólogos
garantem que é habitada desde os tempos
pré-históricos. Zona essencialmente
agrícola, os Olivais foram sendo
progressivamente conquistados pela
indústria, chegando a ser considerada das
áreas mais industrializadas no século
passado. Talvez por isso, foi criado o
concelho dos Olivais em 1860, englobando 21
freguesias. Mas esta condição durou apenas
até 1886, quando volta a pertencer ao
concelho de Lisboa. O território a que se
chama Olivais Velho pode considerar-se uma
verdadeira ilha no meio dos prédios modernos
que o cercam. Essa área, possui uma riqueza
histórica relevante. É aqui que se situa a
igreja matriz onde, em 1700, existia um
tronco de árvore com propriedades
milagrosas. Este pedaço de oliveira
assinalava a aparição da Nossa Senhora dos
Olivais, padroeira do bairro. São ainda, de
realçar os azulejos do interior do templo e
um cruzeiro do século XVll. Depois, no largo
principal, sobressaem o coreto e o chafariz.
Hoje em dia, a freguesia de Santa Maria dos
Oivais é uma das mais populosas na cidade de
Lisboa e, no último ano, viu acrescentada
uma mais – valia: a Expo 98, hoje Parque das
Nações. Desde 1965, o Centro de Cultura e
Desporto dos Olivais Sul (CCDOS) organiza a
Marcha Popular dos Olivais, tendo já obtido
algumas classificações honrosas. Fundado em
2 de Maio de 1964, o CCDOS, tem
essencialmente preocupações de carácter
desportivo e social. No plano desportivo, o
Clube marcou presença numa série de
modalidades incluindo ténis de mesa,
basquetebol, andebol e futebol. No atletismo
e na ginástica desportiva sobressaem vários
recordistas nacionais, dois dos quais
conseguiram as marcas mínimas necessárias
para estarem presentes nos Jogos Olímpicos
de Seul. Também a pesca desportiva merece
destaque, pois foi três vezes campeã
nacional.
MARCHA DOS OLIVAIS
(Hortelãs e Hortelãos)
Letra de Mário Silva
Música de Sales Martins
“Olivais que a
marcha entoa / Renovado dia a dia: / Foste
horta em Lisboa; / És guião: serves de guia.
Bandeirinhas tremulando, / Corações a
palpitar ! / Sementinha germinando, / Vidas
duras, doce amar ! (Refrão) Hortelã e hortelãos ... / Foi o nosso
começar ! / Coração nas nossas mãos, / P’lo
futuro a trabalhar ! Couves, nabos, rabanetes, / Uvas doces,
coisa boa ! / Plantámos, fomos crescendo, /
Fizemos crescer Lisboa ! / Toca a banda no
Coreto, / Dançam pares ao redor ... /
Trabalhar e divertir, / Tratar d’ hortas com
amor ! (BIS) E nos serões, ocarinas / Reunidas,
musicavam; / Moças novas em cantigas /
Enquanto os pares dançavam ! Olivais ! ... Ó terra querida, / Que passado
! Realeza !... Vida, que vida, óh Vida !?...
/ Povo nobre, que nobreza !... Verdes campos, malmequeres, / Entre olivedos
... Olivais / Bairro novo ... Hortas antigas: / Exemplo p’ra muito mais
!!?”
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da PENHA DE FRANÇA
 |
“A água, o pão
e o vinho são os elementos que constituem o
brasão deste bairro. A freguesia é recente,
tem apenas 50 anos de existência. Mas as
suas tradições são tão antigas como a
cidade”.
Freguesia criada a 13 de Abril de 1918, a
Penha de França foi, durante anos, o local
com mais habitantes de Lisboa.
Este bairro da zona oriental ocupa um dos
pontos mais altos da capital e, do miradouro
da sua igreja, avista-se o Tejo e boa parte
da cidade. O que inicialmente não passava de
uma ermida construída em madeira, deu lugar
à igreja de sólida construção que remonta ao
ano de 1597. A Igreja da Nossa Senhora da
Penha foi edificada no então Cabeço de
Alperche, hoje Alto da Penha de França. A
igreja foi totalmente destruída com o
terramoto de 1755 e, num local que era
composto por quintas e hortas, ergueram-se
imponentes e majestosos solares, onde
viveram algumas famílias senhoriais.
Reconstruída após o terramoto, a igreja
actual possui no seu altar-mor a imagem de
Nossa Senhora da Penha de França e, num dos
lados, uma reprodução da antiga ermida. No
outro extremo do altar está uma figura
representando um homem adormecido com o
famoso “Lagarto da Penha” que, reza a lenda,
o salvou milagrosamente de um ataque de uma
cobra. Umas da tradições mais antigas é a
famosa "Procissão do Ferrolho”. Corria o ano
de 1599, quando um surto de peste assolou a
cidade. O povo da cidade, aflito, solicitou
ajuda à Senhora da Penha. O mal foi debelado
e os habitantes cumpriram a sua promessa
organizando, todos os anos, uma romagem à
Virgem. Os crentes participavam descalços na
procissão e, entre a casa do Santo António,
a Sé, a Mouraria e a Penha de França, batiam
nos ferrolhos das portas para acordar os
devotos.
O Sporting Clube da Penha foi fundado a 8 de
Dezembro de 1939. Organiza a marcha do seu
bairro. Na parte cultural já obteve vários
prémios no Festival de Teatro de Amadores de
Lisboa, em 1991, e honras de participação na
iniciativa “Lisboa, Capital Europeia da
Cultura”, em 1994.
MARCHA DA PENHA DE
FRANÇA
(Uma Estrela na Penha)
Letra de Rosa Lobato Faria
Música de Fernando Correia Martins
(Refrão)
“Penha de França / Penha de França / Tu és
criança entre as outras Freguesias / Penha
de França / A tua trança / É penteada pela
mão das ventanias / Penha de França /
Ninguém se cansa / E a tradição uma vez mais
vai ser verdade / Entra na dança / Penha de
França / Bate ao ferrolho p’ra acordar /
Toda a cidade.
Tens Lisboa / Toda a teus pés / Vês Alfama,
vês Rossio / Vês o povo entrar na Sé / Vês
os barcos singrar no rio, pois é .../ Foste
ermida / De muita fé / Tens orgulho na
tradição / E o ex-voto dum bom jacaré / Que
salvou uma vez / Quem lá está a dormir / Na
igreja que um bom Português / Prometeu ao
Senhor em Alcácer-Quibir.
(Refrão)
Tens fadista / Tens foliões / Que marcaram
no carnaval / Tens guitarras e tens brazões
/ muita casa senhorial, que tal ? ... / No
convento de teus avós / Jesus Cristo vela
por nós / Desde o tempo em que os Homens do
mar / Iam ao Ferrugento beber e cantar / És
Penha de França e de Vida / Que desce a
Avenida / Que sabe marchar.
MARCHAS
POPULARES DE LISBOA
BAIRRO de SÃO VICENTE
 |
“O santo padroeiro de Lisboa dá o nome à
freguesia e à igreja onde, segundo a
história, os seus restos mortais foram
depositados por um casal de corvos que,
graças a São Vicente, nunca foram olhados
como aves de mau agoiro”.
O bairro de São Vicente está intimamente
ligado ao nome do mártir padroeiro de
Lisboa. A igreja de São Vicente de fora,
cuja obra foi mandada erguer por D. Afonso
Henriques em consagração ao santo de quem
era devoto, é dos templos mais
representativos desta cidade. O monumento
foi reedificado em 1629. Junto à igreja
encontra-se a Capela de Santo António,
construída no mesmo local onde foram
encontrados os ossos da mão de São Vicente.
Actualmente realiza-se junto à Igreja de São
Vicente de Fora, a popular Feira da Ladra.
Nesta feira, tipicamente alfacinha e quase
tão velha quanto Lisboa, encontra-se de tudo
um pouco: antigos gramofones e discos
usados, roupa dos anos 60 e material
militar, livros e ferramentas. Mas só às
terças-feiras e sábados. Paredes meias, está
o imponente Panteão de Santa
Engrácia. Um monumento nacional que demorou
tantos anos a ser construído que até entrou
no anedotório lisboeta com a expressão
popular “obras de Santa Engrácia”. O Jardim
de Santa Clara e o Palácio do Tribunal
Militar, e edifício do mercado e o Hospital
da Marinha são outros dos pontos de
interesse da freguesia. O resto fica ao
cuidado dos visitantes, que tanto podem
deambular por travessas esconsas ou
encontrar becos inesperados.
A Academia Leais Amigos, fundada em 27 de
Abril de 1915, desenvolveu actividades na
área de cultura e desporto, com prática do
futebol e do ténis de mesa. A colectividade
organiza, todos os anos, a festa no Largo da
Igreja de São Vicente de Fora, com
espectáculos de variedades durante as Festas
Populares. E, para manter a tradição criada
em 1934, vai mais uma vez desfilar em festa
pela Avenida da Liberdade.
MARCHA DE SÃO
VICENTE
(Por culpa do Manjerico)
Letra de António José
Música de João César
“À minha porta
ouvi / Que alguém batia / Fui abrir e P’ra
meu espanto / Vi que não estava ninguém /
Mas logo descobri / No chão havia /
Arrumadinho num canto / Um manjerico também
... / Trazia um verso assim: / Meu céu
aberto / És tu e mais ninguém, repara e lê /
O teu amor está tão perto / Só um cego é que
não vê.
Quem é, quem o diz por favor / Quem é, quem
é o meu amor / Ai manjerico vê lá bem o que
fizeste ! ... / Já perguntei aqui ... ali /
O bairro inteiro já corri / Tudo por culpa /
Desta quadra que me deste / Quem é diz onde
está / Quem é, quem é mas quem será / Hei-de
encontrar, ainda não perdi a fé / Eu sei que
mora em São Vicente / Já perguntei a toda a
gente / agora falta, somente é saber quem é
!
Não sei o que dizer / a tudo isto / Porque
alguém deve ter visto / Quem foi que o
deixou ali ... / Já andam pelo ar /Mas na
boca dos vizinhos / A verdade não ouvi ... /
Será que eu pensei / É quase certo / Mas se
és, porque não diz ! Não sei porquê ! / O
teu amor está tão perto / Só um cego não vê.
Que é, quem é diz por favor / Quem é o meu
amor / Ai manjerico vê lá bem o que fizeste
! ... / Já perguntei aqui ... ali / O bairro
inteiro já corri / Tudo por culpa / Desta
quadra que me deste / Quem é, quem é diz
onde está / Quem é, quem é mas quem será /
Hei-de encontrar, ainda não perdi a fé / Eu
sei que mora em São Vicente / Já perguntei a
toda a gente / Agora falta, somente é saber
quem é ! “.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal
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