MARCHAS POPULARES

DE LISBOA

Lisboa na noite de Santo António, (12 para 13 de Junho) vem para a rua para o desfile das Marchas Populares dos Bairros de Lisboa. Tradicionalmente, este desfile dá-se na Avª da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores – mil metros. Sensivelmente ao meio da Avª da Liberdade, por alturas da estátua aos Combatentes da Grande Guerra, às portas do Parque Mayer, e em frente à tribuna principal, todas as Marchas fazem as suas evoluções em cantares e em marcações corográficas. É Luz! , é Cor! , é Alegria!
Tudo começou em 1932 por iniciativa de Leitão de Barros, então director do “Notícias Ilustrado”, com o apoio de Norberto de Araújo e do “Diário de Lisboa”, promoveu as primeiras marchas: “percorreram algumas ruas de Lisboa e entraram no Parque Mayer, onde fizeram demonstrações ao ar livre, e no, e no palco do Salão capitólio. Concorreram a princípio 3 bairros (Alto Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique) e ainda deram a sua adesão, outros tantos Alcântara, Alfama e Madragoa).
Foi muito, para uma quase improvisação. Nesse ano, na marcha de Alcântara, figurou uma jovem humilde e ignorada, a mesma que, tempos depois, a cantar o fado, veio a marcar, de forma precisa, nas crónicas nacionais e estrangeiras: AMÁLIA RODRIGUES".


Este trabalho teve apoio de EBAHL – Equipamento dos Bairros Históricos de Lisboa F.P.


SINFONIA DE LISBOA
Música de RAÚL FERRÃO
Versos de NORBERTO DE ARAÚJO


“Lisboa é sempre/Namoradeira,/Tantos derriços/Que até fazem já fileira. Não digas sim, /Não me digas não; /Amar é destino, /Cantar é condãoUma cantiga, /Uma aguarela, /Um cravo aberto /Debruçado da janela /Debruçado da janela. /Lisboa linda, / Do meu bairro antigo, /Dá-me o teu bracinho, /Vem bailar comigo.

(Estribilho – refrão)

Lisboa nasceu / Pertinho do céu /Toda embalada na fé. /Lavou-se no rio, /Ai, ai, ai, menina /Foi baptizada na Sé. Já se fez mulher / E hoje o que ela quer / É trovar e dar ao pé. / Anda em desvario / Ai. Ai. Ai, menina / Mas que linda que ela é ! Ó noite de Santa António ! Ó Lisboa de encantar ! / De alcachofras a florir / De foguetes a estoirar./ Enquanto os bairros cantarem, / Enquanto houver arraiais, / Enquanto houver Santo António / Lisboa não morre mais. Toda a cidade flutua / No mar da minha canção / Passeiam na rua / Retalhos da lua / Que caem do meu balão. / Deixem Lisboa folgar, / Não há mal que me arrefeça, / A rir, a cantar, / Cabeça no ar, / Eu hoje perco a cabeça.

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro da AJUDA
 


“No topo de uma das colinas de Lisboa encontra-se o bairro da AJUDA . Entre a fresca brisa do Tejo e os rumores das árvores do Monsanto. Ruelas castiças e casario simples que tornam o bairro um dos mais agradáveis da capital”


A FLORESTA
ÀS PORTAS DE LISBOA


Outrora, considerada arrabalde de Lisboa, e caracterizada pela floresta e pela actividade pastorícia, a Ajuda ficou, desde cedo, ligada à realeza, transformando-se numa zona onde se misturavam as residências aristocráticas e as moradias populares. Segundo a lenda, a Ajuda começou a ser povoada quando se espalhou a notícia de uma aparição da Virgem a um pastor que lhe tinha pedido ajuda. Os devotos chamaram-lhe Nossa Senhora da Ajuda e a Rainha Catarina, mulher de D. João lll, mandou erigir uma ermida no local da aparição. A freguesia nasceu no século XVl, com características tipicamente rurais. Rebanhos e pastores deambulavam por aqueles campos e os moinhos davam um cunho particular à paisagem. Foi D. João V quem procedeu à aquisição de três quintas na zona de Belém. Passando, assim, a pertencerem à Coroa muitas das terras que, hoje em dia, cercam a Calçada da Ajuda. Porém, só com D. José l se fixaria ali uma morada real, devido ao terramoto de 1755. O monarca apanhou um susto com os estragos no Paço da Ribeira e mandou construir uma morada em madeira, mas esta não resistiu e ardeu. Em 1802, foi mandado construir o Palácio da Ajuda. E tão majestoso era o projecto que, do plano primitivo, só foi construída uma das suas quatro fachadas.
Actualmente, é nos seus esplêndidos salões que se realizam os grandes banquetes e festas oferecidos pelo Chefe de estado ao corpo diplomático ou a outros visitantes oficiais. Ao lado do palácio, ergue-se o “Galo da Ajuda”, torre sineira cujo relógio começou a trabalhar em 1776. Foi também depois do terramoto que o Marquês de Pombal mandou plantar o Jardim Botânico, o primeiro de Lisboa, datado de 1768. Neste espaço foram plantadas espécies vegetais desconhecidas da população citadina e que suscitaram a curiosidade de vários investigadores. Hoje em dia, o jardim está sob os cuidados do Instituto Superior de Agronomia. Desde 1934, o Ajuda Clube assumiu a responsabilidade pela organização da marcha popular da Ajuda, que é ensaiada no Pátio do Bonfim. É, também, neste pátio que se realiza, todos os anos, o arraial. Um acontecimento que já é característico das populações locais. O Ajuda Clube foi fundado em 22 de Outubro de 1912. A sua sede situa-se na Rua do Jardim Botânico, nº 02 e, ao longo dos anos, tem desenvolvido actividades na área do desporto e da cultura, merecendo especial referência o “karaté”, o futebol de salão, a dança jazz, o ténis de mesa e o grupo de teatro.


MARCHA DO BAIRRO DA AJUDA
Letra de Raúl Ferrão
Música de Raúl Ferrão
(Chitas)


“Ajuda bairro modesto / Mora na parte mais alta / Dava da grandeza o gesto / Se tivesse o resto / Que ainda lhe falta / Se um dia a sorte muda / Adeus brilhante passado / Nem há esperança que o iluda / Se o bairro da Ajuda / Não fôr ajudado.
Não faz bem quem se demora / Nem quem vai cedo demais / Sei que vais à Boa-Hora / Mas vê agora / A que horas vais / Passas ao páteo das Damas / E p’las Damas perguntas / Elas sabem que as não amas / Se por uma chama, vêm todas juntas. Quem passar pelo Cruzeiro / E cruzar com os olhos teus / Acautele-se primeiro / Que há jogo matreiro / Nesses dois judeus / Quando vou p’lo miradouro / Ponho-me a mirar a rua / Não há por meu desdouro / Para meu namoro cara como a tua.
(Refrão)
Ajuda é sempre bairro da alegria / Que a luz dia primeiro beija / Aonde a mocidade a golpes de vontade / Defende aquela graça que o bafeja / Conservar uma beleza primitiva / É tão altiva que em nada muda / Seu nome anda a mostrar / Que é mau quem se gabar / Que nunca precisou ter uma ajuda “.

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALCÂNTARA


 
“Nas docas, as velhas fragatas e as canoas foram substituídas por veleiros e iates e os antigos armazéns do peixe recebem, agora, a visita dos noctívagos da Capital. Mas, pelas vielas mais interiores, a Alcântara castiça – do Tejo e do Fado – continua a tentar resistir”.
UMA PONTE DE CULTURAS
“Uma “ponte” tinha de marcar o destino deste populoso bairro lisboeta. Na verdade, o seu nome vem do árabe e “Alcântara” significa ponte. Essa tal ponte fazia a ligação entre duas margens de uma ribeira que corria sob o que hoje é a Avenida de Ceuta, desaguando no Tejo. Curiosamente, nos nossos dias, Alcântara é marcada por uma outra ponte: a 25 de Abril. Alcântara foi local da batalha perdida por D. António Prior do Crato, contra as tropas castelhanas, em 1580. E foi, a partir do início da expansão ultramarina, lugar procurado pelos monarcas e fidalgos. Primeiro como ponto de passagem para Belém. Mais tarde, porque acham ali locais privilegiados para casas de campo e centro de caçadas. Foram, então, surgindo os principais edifícios do sítio que viria a ser o bairro popular e operário que conhecemos. Foi o caso do palácio real (no Calvário), da Igreja das Flamengas, dos conventos do Calvário e do Livramento, da belíssima Capela de Santo Amaro, assim como o Palácio das Necessidades. Alcântara, cujas águas cristalinas terão atraído os povoadores, estava repleta de hortas, azenhas e sulcada de vinhedos. A Revolução Industrial trouxe-lhe a implantação de fábricas e de muitas habitações para os respectivos trabalhadores, transformando Alcântara num bairro operário e marinheiro. Ali se instalou uma das primeiras escolas industriais do país, a “Marquês de Pombal”. Também ali a rainha D. Amélia criou um dispensário, a partir do qual se iniciou a campanha contra a tuberculose em Portugal”.

Alcântara participa nas marchas desde 1932 com o patrocínio de SFAE – Sociedade Filarmónica Alunos Esperança, sediada neste bairro na Rua de Alcântara. Este ano completa 149 anos de existência. Devem-se à SFAE alguns dos grandes nomes do teatro amador, bem como de artistas que representam a colectividade na Grande Noite do Fado, organizada pela Casa da Imprensa. As suas actividades desportivas, em várias modalidades, constituem uma ocupação dos tempos livres dos jovens residentes no bairro. Destacando-se o ténis de mesa, tendo a SFAE organizado o 1º torneio de Lisboa.


MARCHA DE ALCÂNTARA (Alcântara é diferente)
Letra de Constantino Menino
Letra de Martinho da Silva


“Que linda Alcântara / Vem hoje a desfilar / Bonitas vão / As suas carvoeiras / Lisboa, Lisboa / Alcânt’ra sabe a mar / É moça gaiata / Nos gestos e maneiras. Seus olhos são fogo / Que aquece o coração / calor que’spalha / Pelas ruas da cidade / Certinho compasso / Tem a sua canção / Alcân’ra que canta / Lisboa sem idade.
(Refrão)
Olhai / Olhai p’rás carvoeiras / Alfacinhas brejeiras / Gaivotas a voar / Cantei / Cantai com o coração / Os tempos que lá vão / D’Alcânt’ra à beira mar.
A noite é de festa / Meu bairro é Alcânt’ra / Alcânt’ra é Lisboa / Alegre e sorridente / Voando, voando / A marcha que encanta / É mais popular / Alcânt’ra é diferente. Na garganta o cantar / Do arrais pelo convés / Cantigas de amor / São trovas feitas ao Tejo / Bela carvoeira / trás ondas das marés / a alma se acalma / Lisboa ao dar-lhe um beijo”.
(Refrão)

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALFAMA
 

 

“Fado é Alfama. Vadio e cantado ao desafio. Nos restaurantes minúsculos onde os turistas se deliciam com sardinha assada ou nas rascas de pedra, nas escadinhas das ruelas íngremes ou nos becos mais escondidos. Como se o tempo
tivesse parado neste pedaço de Lisboa”.

UM BAIRRO DE MARINHEIROS

Alfama, barro velho da Capital, conserva ainda os traços característicos da Lisboa antes da conquista aos mouros. Nem o sismo de 1755, que devastou boa parte da Capital de Portugal, nem as exigências da evolução dos tempos modernos conseguiram alterar o seu estilo. Nascido fora da alcáçova do castelo, o Bairro de Alfama, transformou-se, a partir do século XlV, num local marinheiro, frequentado por marinheiro, frequentado por pescadores, mareantes e trabalhadores das fainas do rio ou do mar. No seu labirinto de escadinhas, becos e ruelas, Alfama possui grandes riquezas de uma arquitectura única, onde, ainda hoje, se encontram gravados nas pedras sinais que indicam as casas de pilotos e capitães do mar. Nestes sítios de traços singulares é possível tocar nos telhados através das janelas rendadas e dos estendais de roupa a enxugar, tantas vezes, retratados pelos homens das artes. No “Chafariz de Dentro”, dono de um invejável caudal, recolhia-se a água que abastecia as naus que atracavam no Tejo. Toda a sua vida era feita em função do rio e do mar. Mesmo as práticas religiosas eram influenciadas pela actividade marítima. Assim foram surgindo capelas e irmandades, como a dos Remédios e do Espírito Santo.
Ninguém a descreveu melhor que o jornalista e olisipógrafo Norberto de Araújo que tem o seu nome numa das ruas do bairro de Alfama. Este apaixonado por Alfama descrevia-a ao pormenor : “Labiríntica, confusa, aglomerada, polícroma, torturosa, contorcida, cheia de abraços de ruelas e de beijos, arcos, alfujas, becos, escadarias e planos, serventias e pátios, um único Rossio: o “Chafariz de Dentro”; uma única Avenida: Os “Remédios”; um único monumento: a “Torre de São Pedro”; postigos, quintas, cunhais, muros floridos, brasões, balcões, poiais; Cruzes de ermida, registos de azulejos, lápides foreiras, siglas, grades, portais esquecidos, colunas, pedras soltas, restos de muralha; empenas em bico, andares de ressalto, varões de apoio, frestas, balaústres, janelas arrendadas, janelas geminadas, janelas de reixa; mil baiúcas, exércitos de gatos, coros de pregões, tumulto e resignação, arraial perpétuo de roupas estendidas (...); gentes do mar, gentes das oficinas, vendilhões, nuvens de meninos (...).
A Marcha de Alfama é promovida desde 1983 pelo Centro Cultural Dr. Magalhães de Lima. Já obteve resultados excelentes, entre eles, quatro primeiros lugares, dois segundos e dois terceiros. Fundada em 1975, esta colectividade
pretende servir, sobretudo, os jovens o seu bairro, desenvolvendo várias actividades culturais e desportivas: A sua acção junto dos moradores do bairro mereceu o reconhecimento público coma distinção de Membro da Ordem da Liberdade, entregue por Mário Soares, na altura Presidente da República de Portugal.

MARCHA DE ALFAMA
Música de Amadeu do Vale
Música de Carlos Dias

“Alfama não envelhece / E hoje parece / Mais nova ainda / Iluminou a janela / Reparem nela / Como está linda, / Vestiu a blusa clarinha / Que a da vizinha / É mais modesta / E pôs a saia garrida / Que é só vestida / Em dias
de festa.
(Refrão)
Becos escadinhas / Ruas estreitinhas / Onde em cada esquina / Há um bailarico. / Trovas tão singelas / E em todas elas / Perfume de mangerico. / Rios, gargalhadas, / Fados, desgarradas, / Hoje em Alfama é o demónio / E em cada canto, / O suave encanto, / Dum trono de Santo António. Já se não ouvem cantigas / E as raparigas / De olhos cansados / ‘Inda aproveitam o ensejo / P’ra mais um beijo / Dos namorados. / Já se ouvem sinos vibrando / Galos cantando / À desgarrada, / Mas mesmo assim dona Alfama / Não vai para a cama / Sem ser madrugada.
 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO ALTO DO PINA

 

“Com o passar do tempo, as antigas quintas do senhor Pina transformaram-se. Agora, restam as lembranças das hortas e dos espaços abertos de outrora, ficou a Alameda D. Afonso Henriques da Fonte Luminosa”.
Alto do Pina era formado por um conjunto de quintas, outrora os grandes jardins da Capital. Verdadeiros exemplares da harmonia entre o Homem e a Natureza, propriedades das famílias abastadas de Lisboa, era nestes espaços privilegiados que trabalhava grande parte da população que residia na encosta que desce até Santa Apolónia. A maioria ganhava o seu sustento nas terras altas, as quais eram atravessadas por grandes artérias que ligavam a cidade ao interior. Eram propriedades do senhor Pina, um familiar de Pina Manique, Intendente da polícia nos tempos de Marquês de Pombal e da rainha D. Maria l. Assim, o nome deste bairro deve-se, essencialmente, à população que baptizou as terras altas por Alto do Pina. Esta era a zona escolhida para o lazer dos habitantes, nos dias de festas, domingos e feriados, que aproveitando a sombra das árvores, cantavam fado e modinhas, acompanhados à viola e à guitarra. Ao longo dos caminhos, ficavam os “famosos retiros”, locais de boémia, de apreciadores da “boa mesa”, da Literatura e do Fado.
Estes eram tão apreciados pelo povo como pelos fidalgos residentes no Areeiro. Actualmente, este bairro representa grande parte da freguesia de São João e vai até à do Beato. Hoje, o Alto do Pina é um bairro de contrastes, onde se misturam arquitecturas da Lisboa doutros tempos com as deste fim de século, como por exemplo, as Olarias e a Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques. Este ainda é o local de lazer escolhido pelos mais novos para brincarem e
jogarem à bola, e pelos mais idosos que aproveitam a sombra para descansarem
e jogarem às cartas”.É na Rua Barão de Sabrosa que se situa o Ginásio do Alto do Pina, fundado a 11 de Novembro de 1911. Esta colectividade promove o desporto, especialmente junto das camadas mais jovens, tendo os seus sócios a oportunidade de praticar modalidades como ténis de mesa, futebol de cinco, atletismo e ginástica, entre outras. Ainda têm à disposição uma biblioteca, uma oficina de artesanato e uma secção de teatro.
Desde 1932 que durante os primeiros seis meses do ano, o Ginásio do Alto do Pina deposita grande parte das suas energias na organização da sua Marcha.


MARCHA DO ALTO
DO PINA
(Aguarela de Lisboa)


“A marcha do Alto do Pina / Vem manter a tradição / De saudar na Avenida / Santo António e São João.
Tem o cheiro de Lisboa / Tráz a chalaça brejeira / São mangericos, ai são / Perfumando Lisboa inteira.

(Refrão)
Meu bairro, é Alto Pina / É uma aguarela / Sobre Lisboa / Pintado em tela fina / Pois Santo António / Virou “Malhoa” ! / As cores vieram do céu / Foi São João / Que as foi buscar / Quando do alto desceu / Ficou p’ra sempre / Lá a morar !
Santo António tão feliz / Como a tela que pintou / Foi ao velho chafariz / Bebeu água, descansou.
Na “Manuel dos Passarinhos” / Sentiu Lisboa num fado / Para a moça mais formosa / Arranjou-lhe um namorado.

 

 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO  ALTO

 

 

“Ruas antigas e sinuosas onde se cruzam velhos moradores e as gerações mais novas, frequentadoras da noite. Os bares modernos, as lojas de roupa e de artesanato foram substituindo as “boites” de alterne e os “dancing”. E, apesar do ar tradicional, o bairro ganhou nova vida”.
Em 1515, a Companhia de Jesus construiu uma ermida dedicada a São Roque, intercessor contra a peste. Era este o nome inicial do Bairro Alto. Nessas terras, as casas eram poucas ou nenhuma. O terreno servia, essencialmente, para a agricultura. Mas, em 1528, nasceu uma urbanização diferente das existentes até então na cidade. Vila Nova de Andrade era composta por ruas e quarteirões com u traçado rectilíneo. O nome deve-se ao facto de ter sido erguida na Herdade da Cotovia. O espaço dava lugar a hortas e vinhedos pertencentes a Nicolau de Andrade. Só dois séculos e meio mais tarde é que este tipo de urbanização começou a aparecer na baixa. Nessa altura, são edificadas duas capelas: a das Chagas e a do Loreto. A primeira, foi construída, sobretudo, para os navegadores; a Segunda para os italianos que visitavam ou moravam em Lisboa. Com o terramoto de 1755, parte do bairro
ficou destruída. A reconstrução foi feita de acordo com a arquitectura Pombalina e obedeceu a um esquema geométrico e rectilíneo. Devido a esta intensa modernização, o local cativou a nobreza e foram construídas residências de luxo e palácios. Em 1768, ergueu-se, no Bairro Alto, o edifício da Santa Casa da Misericórdia. A primeira Escola de Artes marítimas e o Conservatório Nacional, actual Escola Superior de Arte, teatro e Cinema também nasceram nesta zona. Actualmente, o bairro Alto divide-se em três freguesias: a de Santa Catarina, a das Mercês e a da Encarnação. Esta última, antiga freguesia do Loreto, viu nascer a maioria dos jornais lisboetas. Aliás, em quase todas as ruas do bairro Alto existia um órgão de imprensa. A influência foi tal que alterou a própria toponímia da cidade. A Rua dos Calafates, por exemplo, passou a chamar-se Rua do Diário de Notícias e a Paiva de Andrade era a antiga Rua da Luta.
Aqui surgiram e persistiram alguns jornais. Como o “Diário de Notícias”, o “Diário de Lisboa”, o “Diário Ilustrado” ou o “Jornal da Tarde”. O Lisboa Clube Rio de Janeiro resultou da fusão de outras duas colectividades existentes no bairro, em 1938. O Lisboa Clube focava as suas actividades principais nos campos cultural e recreativo. O União Clube Rio de Janeiro estava mais vocacionado para a vertente desportiva, principalmente, para o ciclismo. Talvez por isso, a primeira actividade a ser fortemente impulsionada pelo clube foi, precisamente, a desportiva, mas dando maior destaque à luta, ao boxe, ao ténis de mesa, ao basquetebol, à ginástica e ao futebol de cinco. Na luta, a colectividade já tem cerca de quarenta atletas praticantes que competem a nível internacional e conseguem, quase sempre, excelentes resultados. Porém, o ciclismo continua a ser “a menina bonita dos olhos” da colectividade. Sem esquecer a atenção que depositam nas marchas populares do bairro e no arraial, que são de âmbito cultural.

MARCHA DO BAIRRO ALTO
(Olhem bem o Bairro Alto)

“O Bairro Alto / Vistoso e com “Gajé” / Mora tão alto / para mostrar quem é.
Bairro de artistas / Que colhe tanto génio / Quer dar nas vistas / Ao chegar ao milénio!
E com vaidade / Dizer que é alguém / Nesta cidade / A quem quer tanto bem.
Bairrismo eterno / Vive em seu coração / Está mais moderno / Mas honra a tradição.
(Refrão)
Olhem bem o Bairro Alto / Cantando / Bailando / Com garbo e alegria / Olhem bem o bairro Alto / Que a “Estranja” / É canja ! / Visita noite e dia.
Olhem bem o Bairro Alto / Artista / Fadista / Que mostra ter bom gosto. / Ó Lisboa que és amiga / Aceita esta cantiga / E vem cantar co´nôsco.
No Bairro Alto / Com tascas nas vielas / Ouve-se o fado / Cantado à luz de velas.
E a juventude / Em noites de lazer / Vem amiude / Ciosa de aprender.
No Bairro Alto / Altar desta cidade / Há sempre um beco / Onde mora a saudade.
Gente modesta / Mas sempre aberta ao génio / Já está em festa / Sonhando com o milénio.
 
 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BENFICA

 


  “A origem do nome concedido à freguesia de Benfica é ainda um mistério. Foram avançadas as mais diversas propostas, desde as mais românticas e palacianas até às puramente linguísticas. Uma das teorias defende que se dizia que bem fica” localizada esta zona. Uma ideia criada pela riqueza agrícola e pela abundância e qualidade das suas águas. Outra conta que D. João l, ao dar a sua bela Quinta de São Domingos aos padres dominicanos, dissera a D. João das Regras que o acompanhava: “Aqui bem-fica o convento”.
O que se sabe e está registado, é que no século Xlll já existia a localidade com esse nome. Os habitantes mais antigos, desde o princípio da nacionalidade, foram apelidados de “saloios”, palavra que vem do árabe e designava os mouros “forros” ou livres. Este muçulmanos tinham decidido acomodar-se a algumas normas dos cristãos e puderam, por isso, continuar nas suas terras. Eram uma gente esperta, trabalhadora, astuta nos negócios, alegre e persistente. Se, outrora, Benfica esteve fora da área limítrofe de Lisboa, hoje é uma freguesia urbanizada. Benfica de outros tempos é descrita como uma localidade onde as quintas se seguiam umas às outras, a verdadeira horta de Lisboa. Entre as quintas mais famosas encontram-se a de Pedralvas, Tojal, Charquinho e Casquinha.
Os saloios de Benfica deslocavam-se a Lisboa para venderem frutos, legumes e flores. Ao mesmo tempo, coexistia a Benfica dos palácios, quintas grandiosa e casas de campo da aristocracia que fugia da vida da cidade, refugiando-se na então distante província. As festas sempre foram uma constante do bairro.
Bastará lembrar que alguns dos mais famosos retiros de “fora de portas” ficavam nesta zona. Bailes, arraiais, fados e petiscos eram uma constante na região. As grandes mudanças na fisionomia de Benfica ocorreu já no século XX, quando o ar rural desapareceu e deu lugar a grandes urbanizações. Hoje em dia, é um bairro habitacional dos mais populosos de Lisboa, mas Benfica não perdeu a sua alma”.
O Clube Futebol Benfica (CFB) – o popular “Fófó”, fundado em 1933, tem um passado de que se orgulha. Foi, várias vezes campeão em diversas modalidades, destacando-se os Campeonatos nacionais de Hóquei em Patins e Hóquei em campo. Mas nada de confusões com o outro Benfica, (o Sport Lisboa
e), conhecido mundialmente, principalmente, no mundo do futebol e onde jogou o grande Eusébio.
O Clube Futebol Benfica, dedica grande parte das suas energias à causa despostiva, sem descurar a componente cultural que tem como ponto forte a Marcha de Benfica. Assim, mais de mil jovens e adultos da freguesia têm a oportunidade de ocupar os seus tempos livres em modalidades desportivas como o futebol, voleibol, andebol de sete, basquetebol, “Râguebi”, atletismo, ginástica, pesca desportiva, natação, ténis de mesa e “karaté”.
 
MARCHA DE BENFICA
(1935)
Letra de Norberto de Araújo
Música de Raúl Ferrão

“Eh raparigas / Isto agora é andarmos p’ra frente / Saltam cantigas aos molhos / Um riso nos olhos / E coração quente.
Cá vai Benfica / E quem fica não vai concerteza / Ser alegre é que é preciso / Pois quem tem o riso /Tem sempre beleza.
(Refrão)
Olha a marcha de Benfica / Qual saloia cantadeira / Que entra na festa contente / Ai, ninguém fica sem cantar / a vida inteira / A linda marcha da nossa gente.
Hája alegria / Alegria é um bem que se abraça / Um desejo uma quimera / Por isso se espera / A marcha que passa.
Cá vai Benfica / Toda alegre e contente p’ra dançar / Há sempre um sorriso suspenso / Um tesouro imenso / Que nos vem da herança.
 
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE BICA

 


 
“O elevador (bondinho) amarelo, sob a forma de um pequeno eléctrico da carris, continua a galgar a encosta íngreme da Bica. E, durante a viagem lenta, podemos avistar as calçadas e os becos mais típicos do Bairro”.
Os moradores da Bica sempre mantiveram uma estreita ligação com a vida marítima do Tejo. Este pitoresco bairro é composto por um conjunto de calçadas, escadinhas, quelhas e becos. A sua origem remonta a uma catástrofe natural. Em 1597, um aluimento de terras entre o Alto de Santa Catarina e o
Alto das Chagas formou um vale que deu o aspecto íngreme à Bica. Nesta altura, Lisboa era muito procurada por pessoas de fora que queriam trabalhar no rio. O grande aumento populacional fez que as zonas da Bica, São Paulo e Boavista fossem habitadas por mareantes, pescadores, aguadeiros, peixeira e
todo o tipo de vendedeiras. Julga-se que o nome do bairro deriva de uma bica cuja água flui ruidosamente para um tanque do século XVlll, no Pátio de Broas ou Vila Pinheiro. Fica na Calçada da Bica. Para além desta, este espaço é composto por nomes como a Calçada da Bica Pequena, o Beco dos Aciprestes, o Largo de Santo Antoninho, a Bica Duarte Melo, a Rua do Almada, e o famoso elevador da Bica. É este que mantém estreitos os laços entre a Bica e Santa catarina ou o Bairro Alto. Porém, nem todas as bicas e fontes se resumem à toponímia. Construída em 1675, a Bica dos Olhos é conhecida pela sua eficácia no tratamento de doenças dos olhos. Neste bairro, eram frequentes os pregões dos aguadeiros, na sua grande maioria Galezes, que enchiam as ruas de sons e de presença humana. Em Lisboa, a falta de água era frequente. As bicas e fontes eram habitualmente locais de encontro.
A origem do Marítimo Lisboa Clube foi muito influenciada pelo Tejo e pelas suas actividades marítimas. Em 1944, um grupo de homens ligados à faina marítima resolveu fundar a colectividade. Em 1952, a Marcha da Bica saiu pela primeira vez à rua. Nesse ano, o bairro atingiu o primeiro lugar. O que voltaria a acontecer em 1955, 1958, 1963, 1970 e 1992. Todos os meses de Junho, a Bica veste-se a rigor para a folia. As sardinhas, o vinho, o caldo verde e o arroz doce perfumam o ar. Por entre estes cheiros característicos de Lisboa neste mês, a alegria dos cantares tradicionais: “É este amor, revolto e a saber a sal, que cantam as gargantas das mulheres deste bairro, tão frescas como a água que jorra das bicas, tão rebeldes como o mar que lhes leva os seus amados”. A organização das marchas populares da Bica está, desde sempre, a cargo do clube. O mesmo acontece com os Arraiais, que também já foram premiados. Em 1989, 1922 e 1995 a Bica ganhou o prémio pelo melhor arraial das festas da cidade. O bairro também já levou para casa o título da rua mais bem enfeitada. Além da componente cultural, o clube dedica-se à prática desportiva, onde se inclui o atletismo, o futebol e o ténis de mesa.
 
MARCHA DA BICA
(Na Bica o sol brilha mais)
Letra de Carlos Barrela
Música de António Miguel Henriques
 
 “Na Bica o sol brilha mais / Vem aquecer as gaivotas / Que andam a namoriscar / Primeiro incendeia o cais / Depois vai de porta em porta / Por todo o bairro a brilhar.
Beija os corpos enlaçados / Afaga a curva de um rosto / Cobre de ouro a solidão / E anda a tecer bordados / Desde manhã ao sol posto / Sobre as pedrinhas do chão.
(Refrão)
A bica aquece / Quase endoidece / E a vida parece / Menos dura / A Bica brilha / Que maravilha / Veste-se de poesia / E de ternura / A Bica aquece / Quase endoidece / Por com tanto calor / Ser abraçada / A Bica brilha / Que maravilha / Sente-se mais feliz e / Mais amada.
Na Bica o sol brilha mais / Vem maquilhar as tristezas / Que passam de rua em rua / Faz das janelas seus vitrais / Come à mesa pobreza / Anda às avessas com a lua.
Conhece histórias velhinhas / Sabe de cor as cantigas / Que andam na Bica pelo ar / E quando chega a tardinha / Apesar de mil fadigas / Teima em não se querer deitar ...

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE CAMPO DE OURIQUE

 


 “Em Campo de Ourique já quais ninguém se recorda dos velhos moinhos e do pão que se distribuía pela Cidade. Agora, apesar de cosmopolita, o bairro na abdica das suas avenidas frondosas e do Jardim da Parada”.
O bairro que fornecia farinha e pão à grande cidade. Campo de Ourique era terra de moinhos e padeiros. Uma espécie de Campolide onde o trigo imperava.
Está, essencialmente, dividida em duas zonas distintas: uma mais ligada a Santa Isabel, a outra chegada ao Santo Condestável. A primeira, a mais antiga, desenvolve-se a partir de 1755, ano do grande terramoto. Depois da catástrofe, a população concentrava-se nos locais menos atingidos. A segunda, tinha uma aparência moderna. Substituiu os olivais e as quintas que ali existiam. Apresentava traçados geométricos que remontam ao século XVll e às primeiras décadas dos anos 90. A Arte Nova, corrente artística que se enraízou nas tendências criativas dos artistas do século XlX, deixou vestígios um pouco por todo o bairro. Já na segunda metade do século XlX que o bairro sentiu necessidade de projectar novas ruas. A razão foi a construção do Cemitério do Prazeres; Campo de Ourique passou a ser conhecido por “Bairro Latino”. A designação deve-se aos inúmeros e talentosos artistas que ali residiam. Vivia-se um ambiente de boémia e intelectualidade.
Escritores, artistas e estudantes completavam o cenário nos cafés e cervejarias da zona. Entre eç Pessoa. A casa do artista é hoje um centro de cultura.  Campo de Ourique passa a ser apelidada de liberal e republicana. O primeiro título justifica-se pela quantidade de
ruas que homenageiam personagens do liberalismo, como sejam ferreira Borges ou Almeida e Sousa. O segundo, pela presença dos conspiradores de 1910, algures entre quatro paredes da Rua Saraiva de Carvalho.
A Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo surge da união entre cabos de polícia e civis a 26 de Maio de 1872. O projecto inicial dos Cabos de Segurança Pública da Freguesia de Santa Isabel pretendia formar uma banda filarmónica. Tinha a intenção de chamar-lhe “União e Capricho”. Depois aceitaram a ajuda de alguns membros da população, concluíram que esta nova estrutura não poderia funcionar, tal era a divergência de opiniões entre os dois grupos. A “União e Capricho” acabou por desaparecer e assim surgiu a SFAA – Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo. Actualmente, a principal dinâmica do grupo são as danças de salão, que criou pólos da modalidade no
Porto, Santarém e Setúbal, formalizando a Federação Portuguesa de Dança Desportiva.

MARCHA DE CAMPO DE OURIQUE (Alfacinha)
Letra de Constantino Menino
Música de Mário Gualdino


“A marcha cá vai / Alegre contente / Por esta Lisboa ao luar / E Lisboa sai / Feliz sorridente / P’ra ver a marcha passar / É Campo de Ourique / Meu bairro aqui vai / Calados; não fiquem não / Venham para a rua / A noite está bela / Venham ver Lisboa / E cantem com ela.
(Refrão)
A marcha que passa / É Campo de Ourique / Com arte e com graça / Cá vai no despique / A canção qu’entoa / É alma é vida / Da nossa Lisboa / É minha é tua / Pois anda cantar / Olha como a lua / Está, hoje a brilhar / Vai lá meu bairro / P’ra Rainha Santa / Te abençoar. A noite é de festa / Por Santo Antoninho / Devoto e casamenteiro / Lisboa modesta / Enfeita o arquivo / E marcha com ar brejeiro / É Campo de Ourique / Meu bairro é pessoa / Na forma mais popular / Olhem que o meu bairro / É bem alfacinha / Reza a Santo António / E à Santa Rainha.
(Refrão) “
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE CAMPOLIDE
 


Outrora, o bairro foi local de vinhedos e de escaramuças. Um campo de lides `beira de Lisboa. Com o correr de tempo, as lembranças foram-se diluindo, até ficarem apenas os monumentos. Como o majestoso Aqueduto da Águas Livres” “Campos de lides” ou “Campolit” significa terra de cultivo ou espaço de desavenças com os invasores. Campolide já foi uma freguesia bem maior do que é hoje em dia. Abrangia as zonas de Campo de Ourique, Estrela, Lapa, São Bento e Santos, chegando mesmo até Alcântara. Toda esta área era habitada por construtores modestos. A Calçada dos Mestres presta homenagem aos que ergueram o túnel monumental que aproxima o Rossio de Campolide, ou o aqueduto que D. João V mandou criar para abastecer Lisboa de água. A urbanização foi posterior à Primeira Guerra Mundial. Antes o espaço estava reservado a quintas, pomares, olivais e vinhedos. Segundo testemunhos escritos do período afonsino, já nessa altura, o vinho de Campolide deliciava as pessoas da cidade. Escrituras de 1340 comprovam que uma parte das vinhas de Campolide pertencia a D. Fernando l. Esta cultura chega ao século XVl. Mas não era só vinho que ia para Lisboa. A fruta e o azeite também eram produzidos naquelas terras. Campolide é reflexo de um plano de urbanização que deu lugar a construções de pequenos proprietários, nos terrenos do Conde do Paço do Lumiar. Para além do Aqueduto das Águas Livres (*) e do túnel do Rossio (que liga o combóio entre o Rossio e Campolide), o bairro sustenta outras vias de acesso à cidade como o viaduto Duarte Pacheco, administrador da povoação nas décadas 30 a 40, Duarte Pacheco também dá nome a uma das ruas de Lisboa. Dos monumentos e edifícios destacam-se, igualmente, a Ermida de Nosso Senhor das Almas, o palacete Roque Gameiro, o relógio de sol da Rua de Campolide e o Batalhão de Caçadores 5. Recentemente, Campolide foi enriquecido pelo Palácio da Justiça. A antiga terra de lides é hoje um modesto mas audaz miradouro de onde se avista Lisboa. Ao longo dos tempos, a freguesia sofreu várias transformações física subsequentes à construção de novos bairros.
(*) AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES: “Quando, em 1748, a água correu pela primeira vez no Aqueduto, Lisboa festejou o acontecimento. Fontanários e chafarizes depressa se tornaram centros de abastecimento, de convívio e, não raro, de violentas discussões. Era um verdadeiro rachar de bilhas e de cabeças ! Enquanto a água corria fresca, “fervia” pancada em redor das bicas. Hoje, duzentos e cinquenta e dois anos depois, fontanários e chafarizes estão bem mais calmos. “... o caminho pedonal do Alto da Serafina até Campolide, passando por cima dos Arcos de Alcântara. Era o caminho que os saloios de belas e de Queluz percorriam quando se dirigiam à capital. Chegados ao Arco Grande, estamos a 65 metros acima do solo e pisando pedras que, no século XlX, foram testemunhas silenciosas dos assaltos de Diogo Alves...”. Uma rainha fresca... :” Ninguém melhor que a rainha D. Carlota Joaquina soube aproveitar o ambiente refrescante do Aqueduto das Águas Livres em Campolide. Quando os calores de verão apertavam, a rainha dirigia-se até à Mãe d’Água nova e por ali passava horas que, de refrescante, na verdadeira acepção da palavra, pouco tinham... Ao que diziam as más-línguas da época, a rainha ia refrescar-se não propriamente dos calores de Verão mas de “calores” de outra natureza ... Só assim se compreende, dizem ainda as más-línguas, que os filhos de Carlota Joaquina fossem uma bela “estampa” (quer ela quer o marido, D. João Vl, eram feissímos). Pudera ! Com a rainha a mudar de cocheiro (sempre escolhidos a dedo) de dois em dois anos... Se D. João Vl deixava muito a desejar no que toca a saciar as sedes da rainha, o mesmo não acontecia com o seu antecessor, D. João V. O monarca não só saciava a sede da esposa como de outras damas. Até em matéria de amores era magnânimo!

Quando lhe chamaram a atenção para as suas aventuras amorosas, que não eram do particular agrado do prior da corte, o monarca encarregou o cozinheiro de servir somente um prato de galinha ao eclesiástico. Farto de só comer galinha às refeições, o prior questionou o monarca sobre tão estranha ementa, Subtil, D. João V, o rei magnânimo, ter-lhe-ia dito: “Nem sempre galinha nem sempre rainha ...”. Se as pedras daquela Mãe d’ Água falassem...
O Sport Lisboa e Campolide teria sido fundado em 1925, numa taberna do bairro. Até 1939, ainda sem sede própria, a colectividade preocupou-se, principalmente, em desenvolver actividades no campo desportivo e recreativo. Organizadora da Marcha, o SLC tem outras práticas culturais e desportivas, como futebol de salão, a ginástica, o teatro e espectáculos musicais, etc.
 

MARCHA DE CAMPOLIDE
(Presente e Futuro)


“Segue em frente Campolide / É o que hoje te peço. / No teu qu’rer é que reside / Toda a força do progresso ...
Muita coisa já tens feito / Muito mais tens p’ra dar, / O amor só é perfeito / Se se pode partilhar
(Refrão)
Não fiques parado / Sem nada fazer, / Trabalho é suado / Para é morrer ... / No fim do milénio / Estuda e progride, / Aguça o teu génio / Por ti, Campolide !
(Bis)
Bem ousada tens a gare / Imponente e futurista, / Mas é sempre no ousar / Que o futuro se conquista ...
Se não fosse a ousadia / Que é génio, um tributo, / Não terias a alegria / De ter’s hoje o Aqueduto !...
Emprega-te a fundo / Trabalha sem peias, / Conquista o teu mundo / Sem falsas ideias ... / Do mau ambiente / Transpõe esse muro / De pé, marcha em frente ! / Conquista o FUTURO ! ...(Final)
No fim do milénio / Estuda e progride, / Aguça o teu génio / Por ti, Campolide !...
Do mau ambiente / Transpõe esse muro, / De pé, marcha em frente ! /
Conquista o Futuro !

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO de CARNIDE
 

 
 
“Para se conhecer Carnide há que deambular, sem destino definido, pelas antigas azinhagas. O inesperado pode ser descoberto: os portões enferrujados de uma quinta abandonada, o murete de pedra de uma velha exploração agrícola, a avenida de alcatrão que rasga o terreno baldio”.
Antigo povoado dos arredores de Lisboa, Carnide era um belo conjunto de quintas, hortas e casas ricas, além de possuir ainda conventos e um hospital. Ao longo da história, predominaram as funções religiosas, agrícola, artesanal, militar, industrial e habitacional, motivadas pela sua acessibilidade. No final do século XlX, o aglomerado que é hoje de Lisboa já possuía iluminação, água canalizada, posto de polícia, uma filarmónica, um teatro e duas escolas. Perde-se no tempo a origem rural de Carnide que também foi lugar eleito para veraneio dos nobres, que ali ergueram palácios e quintas ajardinadas. Desse passado ilustre, ficou uma herança patrimonial: o Palácio dos Condes de Carnide, o Palacete do Largo das Pimentas actual Junta de Freguesia), a Igreja da Luz ou o Convento de Santa Teresa do Carmo.
A freguesia tem crescido muito a nível populacional desde que as grandes urbanizações chegaram ao bairro, o que aconteceu pelos anos 60. Mas Carnide velho continua a sobreviver, com as suas casas e a fácil relação entre vizinhos.
Fundada em 28 de Junho de 1913, a Sociedade Dramática de Carnide (SDC), mantém-se fiel aos seus objectos de carácter sócio-cultural. Inserido neste conjunto de objectos destaca-se a existência do Grupo de Teatro de Carnide, em actividade há 35 anos. O Grupo de Teatro tem sido merecedor de vários prémios, entre estes, registe-se a Medalha de Prata de Mérito da Cidade de Lisboa, vencendo ainda alguns importantes festivais de teatro, tanto a nível regional como nacional. A Sociedade Dramática de Carnide organiza a Marcha de desde 1966.

 MARCHA DE CARNIDE
(Carnide Lavrador)
Letra de Maria Valejo
Música de Mário Valejo

“Que belo é Carnide o Lavrador / Altaneiro na sua singeleza / Orgulhoso mostra que o seu amor / pertence a esta terra Portuguesa / deixou as hortas veio ver a cidade / engalanou-se vestiu fato novo / e marchar cheio de brio e com vaidade / por entrar nesta festa que é do povo.
(Refrão)
Carnide Carnide / Carnide que passa / Marchando ele mostra / Sua Lusa Raça / Carnide Carnide / Ai quanta beleza / Traz de braço dado / A Alma Portuguesa / Carnide Carnide / Canta em viva voz / A Língua bendita / Que é de todos nós.
Angola e Brasil também aqui vão, / Cabo verde marcha Pôs na alma a Fé / São Tomé e Príncipe ai quanta emoção / Cá vai Moçambique e também Guiné / Não esqueceu as Ilhas mais belas que viu / Herança d’avós d’amor sem igual /
Lembra Macau, Goa, Damão e Diu / Tudo em Português, viva Portugal!.
 


MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO do CASTELO
 

 

“As velhas muralhas foram palco de lutas entre mouros e cruzados. Mais tarde, do interior da cidadela, avistaram-se as naus que partiram à Descoberta de novos povos e mundos. Agora, o desafio é recuperar este
património histórico e dar melhor condições de vida aos habitantes do  bairro”.
A história de Lisboa começa no alto da colina do Castelo. O local onde se encontra hoje o bairro foi um dos primeiros a ser urbanizados. Situado num ponto militar estratégico foi, desde sempre, cobiçado por inúmeros povos. Em 1147, depois da reconquista cristã, D. Afonso Henriques transformou Santa Cruz do Castelo na primeira freguesia da Lisboa portuguesa. Ao construir nas torres sul a casa forte do tesouro e o arquivo da coroa, D. Dinis centralizou o poder neste espaço. Mais tarde, D. Afonso lll instalou aí a sede da corte, transformando Lisboa na capital do Reino. No século XlV, após o fim da guerra com Castela, D. João l resolveu incentivar o culto a São Jorge. O mártir guerreiro consagrou-se então defensor do castelo. Com o início da expansão marítima, viveram ali anos de grande fulgor. O Castelo foi, nesta altura, palco de inúmeras manifestações culturais e religiosas. Destaque para 1502, ano que em o Castelo assistiu ao nascimento do teatro português. Por esta altura, foi também construída a ermida do Espírito Santo, local de culto dos navegadores do Oriente. Com a transferência da corte para o Palácio da Ribeira, o castelo de São Jorge entrou num longo período de declínio. O terramoto de 1775 agravou ainda mais a situação ao provocar diversos estragos no berço da cidade. Depois de algumas reconstruções, o intendente Pina Manique levou para lá a primeira sede da Real Casa Pia de Lisboa. Nessa altura, o Castelo também funcionava como prisão. Em 1940, as atenções voltaram a estar viradas para o local. Nesta altura, pelas comemorações do centenário da formação de Portugal, teve lugar uma profunda reconstrução. O objectivo era devolver ao Castelo de São Jorge o seu aspecto inicial.
Actualmente, o município de Lisboa está a tentar renovar o bairro através do Projecto Integrado de Valorização do Castelo de São Jorge. A organização das Marchas Populares tem estado a cargo do Grupo Desportivo do Castelo, que desta forma, procura defender os usos e costumes de uma freguesia com uma forte tradição bairrista. A cultura e o desporto sempre estiveram na lista de prioridades da colectividade. As vitórias alcançadas com o futebol levaram, mais tarde, ao aparecimento do ténis de mesa e do basquetebol. Presentemente só pratica o futebol de cinco.


MARCHA DO CASTELO
(Vem p’rá roda que é Santo António)
Letra de Helder Carlos
Letra de Armindo Campos

“O meu castelo, iluminado / Dá gosto vê-lo / É relíquia do passado / Mas de verdade, doa a quem doa / Tem mocidade / E foi berço de Lisboa.Santo guerreiro, foste um valente / És padroeiro / Do Castelo e sua gente / Bom alfacinha, vem conhecê-lo / Sobe a escadinha / E entra no teu Castelo.
(Refrão)
Vem p’rá roda, rapariga / Dá-me o braço / E vem saltar à fogueira / Tem cuidado rapazinho / Hoje há festa / Vou dançar a noite inteira Mangericos, à janela / Vem p’rá rua / Que é dia de pandemónio / Sardinheiras encarnadas / Vem p’rá marcha / Que é noite de Santo António. Recolhimento minha rua / Sem um lamento / Se recolhe à noite a lua / Espírito Santo, saudades minhas / Te beijei tanto / Lá no Largo das Cozinhas.
Rua das Flores, rosas aos molhos / São como as cores / E a beleza dos teus olhos / Beco do forno abrasador / E em Stª. Cruz / Casarei com meu amor.
(Refrão)
 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da GRAÇA
 

 
 
“Do alto da colina avista-se quase toda a cidade. A GRAÇA, com o seu miradouro e os seus eléctricos, é um poiso de turistas, esconde casais de namorados e dá refúgio às tradições alfacinhas”.
O local onde se situa o bairro da Graça é uma das primitivas colinas da Lisboa cristã. Como era uma importante zona estratégica, D. Afonso Henriques escolheu-a para montar o seu quartel general, em 1147. Conhecido pelo nome árabe de “Almofala”, era um subúrbio da poderosa “Aschbouna” , a Lisboa Mourisca. Nesta zona onde se encontrava o Almocáver, cemitério mouro, fundaram-se dois conventos de grandes proporções, o dos cónegos regrantes em São Vicentes e, um pouco mais acima, o dos Agostinhos. Ambos ficaram sob a invocação de Nossa Senhora da Graça.
A influência dos frades Agostinhos da Graça foi determinante na edificação urbana desta colina de Lisboa que, embora só tenha adquirido classificação administrativa numa época relativamente recente, a verdade é que se trata de um bairro e de um sítio bem demarcado há, pelo menos, três séculos. Da Graça que cresceu no século XV até ao terramoto de 1755 apenas sobreviveu o Convento dos Agostinhos, situado no Largo da Graça. Entre 1891 a 1911, do bairro de Santo António formaram-se outros dois, o da Estela D’Ouro e o Ermida. Assim, as ruínas dos velhos palácios deram lugar às vilas habitadas por uma população operária, numa zona cujas raízes mergulham na própria fundação da nacionalidade.
Dos primórdios da monarquia lusitana, o Bairro da Graça, guarda apenas os vestígios assinalados na capela da Nossa Senhora do Monte, erguida após a tomada de Lisboa. Este bairro voltou a fazer história na Implantação da república, uma época em que acolhe diversos nomes ilustres que se destinguiram na luta pela democracia.
O Clube Desportivo da Graça nasceu a 12 de Marco de 1935. Esteve desde sempre, ligado à cultura, beneficência e ao desporto. Na área do desporto, funciona com escolas de atletismo, futebol de cinco e ténis de mesa. Na área da cultura, a colectividade dedica-se quase em exclusivo à organização das Marchas Populares.

MARCHA DA GRAÇA
(Venham dançar com a Graça)
Letra de Ester Correia
Música de J. M. David

“A Graça tem / O Senhor dos Passos a passar, / Erguendo os braços para a Graça abençoar / E, o Santo António apaixonado / Que num suspiro contente lhe canta um fado.
A Graça tem / Nos arraiais muita alegria / Os seus balões são de eterna fantasia, / E um cavalinho sempre a tocar / Ela é festa de Lisboa, a cantar.
Há um cheirinho a manjericos; / Cravos sorrindo aos namoricos; / O povo acorda, o povo só dança, / No arraial ninguém se cansa.
As sardinheiras estão às janelas / A ver a Graça saltar fogueiras / E os santos populares, pelas vielas, / Atrás das moças bonitas, namoradeiras.
A Graça tem / O Senhor dos Passos a passar, / Erguendo os braços para a Graça abençoar / E, o Santo António apaixonado / Que num suspiro contente lhe canta um fado.
Está aqui a nossa Graça / Que é de Lisboa a sua graça, / Só ela abraça, só ela nos beija / com a ternura de quem deseja.
Só ela tem aquele olhar, / Num coração sempre a dançar, / A Graça salta de alcachofra na mão, / E acorda o sol ao sabor de uma canção”.

 

 MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO da MADRAGOA

 

 

“À beira do Tejo, Madragoa sempre foi um local de cruzamento de raças e culturas diferentes, sem distinção, albergava os negros que amanhavam os campos e dava abrigo aos pescadores que fainavam no rio, e, na memória dos mais velhos, ainda ecoa o pregão das varinas”
A lenda conta que o bairro nasceu dos milhares de grãos de areia que as gaivotas transportaram para ali. A origem do nome perde-se no tempo. Há quem afirme que a palavra corresponde ao apelido de uma fidalga madeirense “Mandragam” ou que vem de “Madre de Goa”. Antes do terramoto, no século XVll, o bairro tinha o nome de “Moçambo” e não era mais do que uma pequena póvoa habitada essencialmente por pessoas de origem africana. No passado, parte da Madragoa foi um aglomerado de conventos e palácios, onde viveram as Trinas, as Bernardas ou as Inglezinhas. Ms foram os trabalhadores que deram vida ao bairro. Entre os séculos XVlll e XlX, a população sofreu grandes alterações. Nessa altura, veio para Lisboa muita gente da região da ria de Aveiro, em especial de Ovar, daí o nome ovarinas. Comercializavam legumes frescos e peixe. Posteriormente, grande parte destas pessoas optou por ficar na Madragoa. Na maioria, eram casais de pescadores e varinas. Era habitual ouvi-las apregoarem o peixe de canastra à cabeça.
De entre muitas das obras arquitectónicas da Madragoa, destaca-se o Palácio dos Duques de Aveiro, a Casa dos Marqueses de Abrantes e a mais antiga e modesta das capelas lisboetas, a dos Mártires. Também lá se encontra a Embaixada de França, onde Gil Vicente (depois do Castelo de São Jorge), deu início ao teatro português.
No coração do bairro, está a sede do esperança Atlético Clube, está a sede do Esperança Atlético Clube, fundado a 16 de Agosto de 1936. O clube organiza muitas iniciativas no campo cultural, como é o caso da Festa de São Martinho, do Dia da Criança ou da Festa de Natal. E desde 1982, o Esperança Atlético Clube é responsável pela organização das marchas populares da Madragoa. Em 1988, alcançou o primeiro Prémio de Canto e o segundo lugar na classificação global. No ano a seguir, o clube atingiu o quarto lugar da global e o primeiro Prémio de Coreografia.

MARCHA DA MADRAGOA
(Marcha Nova da Madragoa)
Letra de Frederico de Brito
Música de Raúl Ferrão

“Hoje é que a marcha vai / Que a Madragoa é linda / Vai de chinela vai / Pois é varina ainda.
Leva um arco e um balão, / Perna ao léu, e toca a andar, / É que a Madragoa / Corre Lisboa / Sempre a cantar.
Uma varina tem / Um riso bom que alastra; / Se uma tristeza vem, / Cabe-lhe na canastra. Arraiais de São João, / Quem os tem para nos dar ? / Só este bairro infindo /Que é o mais lindo / Da beira mar.
Andam balões no ar, / Quem é que não alcança / A espr’ança de os achar, / Aqui na velha Espr’ança.
Dê a volta pelas Madres, / P’lo Castelo do Picão, / Vanha bailar com ela, / À luz da vela / Do meu balão.
E se quiser cantar / O vira das varinas, / Já não precisa andar / Cantando pelas esquinas;
Vai pedir ao Guarda-Mor / Que lhe guarde uma qualquer, / Que lhe guarde uma qualquer, / Que tenha nos olhitos, / Os mais bonitos / Balões que houver.
(refrão)
Cabe toda a Lisboa / Na Madragoa / Que é pequenina; / E a Madragoa calma / Cabe na alma duma varina.
Sem que ninguém a gabe, / Tem não sei quê no jeito. / Só o meu bairro sabe, / Como ela cabe / Dentro do peito.
Colo da ave marinha / Olhos de tentação, / Sempre tão maneirinha / Cabe inteirinha / Num coração.


MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO da MARVILA


 
“As hortas e as pequenas quintas desapareceram em poucas décadas, com o advento da industrialização. As fábricas e as vilas operárias moldaram a paisagem de Marvila e o carácter da sua gente. Hoje, Marvila, é um bairro a
descobrir com urgência”.
O sítio de Marvila, tão velho quanto a fundação da nacionalidade, é dos bairros mais típicos da zona oriental da cidade de Lisboa. Até ao século XlX, sucediam-se agradáveis quintas nesta vasta zona de Lisboa e era grande a fertlidade das terras banhadas pelo Tejo. Por isso, Marvila era, até há pouco tempo, uma freguesia essencialmente rural, onde proliferavam as
quintas e as hortas. Ainda hoje, os exemplos são fáceis de detectar: a Quinta dos Ourives, a da Rosa, a das Flores, a das Amendoeiras, a do Leal, a do Marquês de Abrantes ... Estas propriedades eram exploradas, na sua maioria, por gentes originárias do norte do País e abasteciam os mercados ambulantes, espalhados pelo bairro e pela vizinhança. E, mais tarde, por toda a Capital. Ao antigo mercado da Praça da Ribeiro, a mercadoria chegava transportada por carroças. Essa população originária do norte trouxe muitos dos seus hábitos e costumes, nomeadamente, a Feira da Espiga, que poderá ter origem num costume dos hortelões nortenhos. Mas de zona rural, Marvila transformou-se, com o passar dos anos, em zona urbana de fisionomia bairrista e fabril. Todavia, ainda hoje se vêem vestígios de uma grande actividade hortícola. O palácio do Marquês de Abrantes, na rua de Marvila, ou o da Mitra, na rua do açúcar, são verdadeiros exemplares dos vários solares que ali foram edificados. Também os monumentos de carácter religioso abundavam, como o antigo Mosteiro de Marvila. No século XX, continuou a instalação de unidades fabris desde a rua do Açúcar até Braço de Prata. São deste período as tanoarias da rua Capitão Leitão e os armazéns de vinhos de Abel Pereira da Fonseca (que, pouco antes de morrer disse a seus descendentes “enquanto o Tejo tiver água, nunca deve faltar vinho a  Lisboa”). Hoje, estes armazéns estão transformados em centros culturais. A actual Marvila, freguesia criada em 1959, é bem significativa da zona
periférica de uma grande cidade europeia em franco crescimento. Beneficiou, consideravelmente, com a realização do grande evento que foi a Expo 98.
A Sociedade Musical nasceu a 3 de Agosto de 1885, em pleno Poço do Bispo, tendo sido transferida pouco tempo depois para o Pátio Marquês de Abrantes, vulgarmente conhecido como Pátio do Colégio. Esta colectividade centenária tem vindo a assistir, do interior do seu palácio medieval, à vertiginosa transfiguração do seu bairro, em parte devido à realização da Expo 98.
Contudo, no pátio onde está instalada a sua sede, o cariz e as tradições ainda continuam populares. A Sociedade Musical que organiza a Marcha de Marvila, representa orgulhosamente na Avenida da Liberdade toda a área das
freguesias de Marvila e do Beato.

MARCHA DE MARVILA
(Milenar Marvila)
Letra de Mário Silva
Música de Álvaro Martins

1ª Estrofe
“Imaginação, futuro !... / Milénios, passados são !... / Outro tempo e outro mundo: / Marvila, quer tradição!
Foguetão vem do futuro / Pelo tempo viajando. / E, travessando o “muro”, / Procura a animação.
1º Refrão
Santo António milagreiro / Como amigo e companheiro / Deslumbra’mente surgiu / Com resplendente clarão ! / E o santo do passado, / Como um novo coração / P’ro futuro é transportado / Já a dar inspiração !
(BIS)
2ª Estrofe
Este foguetão parou / Aterrando no passado !... / Veio ouvir os sons da alma / De novo, ser programado!
E surge um milagre novo ! ... / E tudo se transformou ! ... / Os “robots” já são o povo / Que a marcha antiga adptou !
2º Refrão
De joelhos, o futuro / Pede ao Santinho perdão ! / Por ter esquecido que a alma / É raiz da tradição. / Marvila aqui presente / Nesta festa popular: / Vê o terceiro milénio / A apar’cer e a raiar !
(BIS)
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO da MOURARIA

 

 

“Urbe antiga, povoada pelo mouros escorraçados pela conquista cristã da cidade. A Mouraria é um labirinto de ruas que sobem da praça do Martim Moniz em direcção ao castelo de São Jorge. Tão estreitas que, por vezes, o sol apenas consegue espreitar com esforço”.
Tão antigo como a nacionalidade, o bairro da Mouraria, após a conquista de Lisboa, em 1147, por D. Afonso Henriques, foi o local escolhido para albergar os mouros que se mantiveram na cidade. Era um território próprio que formava um núcleo populacional afastado dos cristãos. Mas antes da vitória dos cruzados, toda aquela zona era transformada por hortas e terras de cultivo. Os mouros dedicavam-se ao fabrico de azeite e *a olaria, ofícios de que restam ainda alguns vestígios, como os velhos lagares. No reinado de D. Manuel l, com a expulsão dos mouros e dos judeus, uma parte do bairro alojou populações cristãs, formando-se assim uma Mouraria a que podemos chamar aristocrática, onde se incluem o Coleginho – o primeiro colégio jesuíta do mundo - , a Igreja de São Lourenço e o Palácio da Rosa. O bairro ganhou má fama quando os marginais e as prostitutas passaram a ser frequentadores assíduos. Como, em regra, uns e outros se dedicavam ao fado, acabou por nascer a fama de que a Mouraria, o fado “canalha”, as cenas de facada e malandragem estavam ligadas por uma espécie de “cordão umbilical”.
Não é possível falar da Mouraria e da rua do Capelão sem recordar a Severa, célebre fadista que ali morou e morreu com apenas 26 anos de idade. O labirinto de ruas que compunha a parte baixa da Mouraria desapareceu na primeira metade do século XX, dando lugar ao espaço que é hoje o largo de Martins Moniz. Com elas desapareceram a antiga igreja paroquial, o palácio do Marquês do Alegrete e o respectivo arco.Grupo Desportivo Da Mouraria, fundado em 1 de Maio de 1936 e que se transformou numa das mais populares e castiças colectividades de Lisboa.
Organiza a marcha da Mouraria. Neste grupo, em tempos chamado os “Leões da Mouraria, pratica-se luta greco-romana, ginástica, boxe, futebol e ténis de mesa. A colectividade continua a ter como principais objectivos promover o desporto e a cultura. E, neste último caso, o expoente máximo são as sessões na famosa “Catedral do Fado Vadio”.

MARCHA DA MOURARIA
(Boémia e Fadista)
Letra de Ester Jesus Correia
Música de José Manuel Jesus

“Em todos os bairros de Lisboa, / O amanhecer / É fonte da nossa inspiração, / Mas Mouraria / Tu és o verso / Sempre perfeito da nossa canção.
Da guia até às olarias / Gente boa, / Um bairro que acorda a sorrir / Ès mouraria / És de Lisboa / És sempre dança / E a noite a cair.
Salta a fogueira / Dança a marcha e canta o fado, / Convida um beijo / É noite de Santo António. / Tenho um desejo / De acender um balão, pois então! / E de fazer amor / Sempre a teu lado.
Salta a fogueira / Dança a marcha e canta o fado, / Convida um beijo / É noite de Santo António. / Tenho o desejo / De acender um balão, pois então! / No meio do arraial.
Janelas abertas p’ra ver / A marcha passar, / As quadras com um sabro bairrista / Saem dos cravos / Dos mangericos / Feitas de sonho, grito de um fadista.
A boémia é sina de viver / Na mouraria, / Lisboa de voz sentida e quente / É uma chama / É um alento / É madrugada / De um povo que sente”.
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO dos OLIVAIS
 

“O bairro está irreconhecível. A exposição mundial de Lisboa, dedicada aos oceanos, mudou por completo a sua face ribeirinha. Do tempo das oliveiras restam, ainda, a igreja e o coreto dos Olivais velhos”.
A paróquia de Santa Maria dos Olivais é tão antiga como a sua igreja. Os arqueólogos garantem que é habitada desde os tempos pré-históricos. Zona essencialmente agrícola, os Olivais foram sendo progressivamente conquistados pela indústria, chegando a ser considerada das áreas mais industrializadas no século passado. Talvez por isso, foi criado o concelho dos Olivais em 1860, englobando 21 freguesias. Mas esta condição durou apenas até 1886, quando volta a pertencer ao concelho de Lisboa. O território a que se chama Olivais Velho pode considerar-se uma verdadeira ilha no meio dos prédios modernos que o cercam. Essa área, possui uma riqueza histórica relevante. É aqui que se situa a igreja matriz onde, em 1700, existia um tronco de árvore com propriedades milagrosas. Este pedaço de oliveira assinalava a aparição da Nossa Senhora dos Olivais, padroeira do bairro. São ainda, de realçar os azulejos do interior do templo e um cruzeiro do século XVll. Depois, no largo principal, sobressaem o coreto e o chafariz. Hoje em dia, a freguesia de Santa Maria dos Oivais é uma das mais populosas na cidade de Lisboa e, no último ano, viu acrescentada uma mais – valia: a Expo 98, hoje Parque das Nações. Desde 1965, o Centro de Cultura e Desporto dos Olivais Sul (CCDOS) organiza a Marcha Popular dos Olivais, tendo já obtido algumas classificações honrosas. Fundado em 2 de Maio de 1964, o CCDOS, tem essencialmente preocupações de carácter desportivo e social. No plano desportivo, o Clube marcou presença numa série de modalidades incluindo ténis de mesa, basquetebol, andebol e futebol. No atletismo e na ginástica desportiva sobressaem vários recordistas nacionais, dois dos quais conseguiram as marcas mínimas necessárias para estarem presentes nos Jogos Olímpicos de Seul. Também a pesca desportiva merece destaque, pois foi três vezes campeã nacional.
 
MARCHA DOS OLIVAIS
(Hortelãs e Hortelãos)
Letra de Mário Silva
Música de Sales Martins

“Olivais que a marcha entoa / Renovado dia a dia: / Foste horta em Lisboa; / És guião: serves de guia.
Bandeirinhas tremulando, / Corações a palpitar ! / Sementinha germinando, / Vidas duras, doce amar !
(Refrão)
Hortelã e hortelãos ... / Foi o nosso começar ! / Coração nas nossas mãos, / P’lo futuro a trabalhar !
Couves, nabos, rabanetes, / Uvas doces, coisa boa ! / Plantámos, fomos crescendo, / Fizemos crescer Lisboa ! / Toca a banda no Coreto, / Dançam pares ao redor ... / Trabalhar e divertir, / Tratar d’ hortas com amor !
(BIS)
E nos serões, ocarinas / Reunidas, musicavam; / Moças novas em cantigas / Enquanto os pares dançavam !
Olivais ! ... Ó terra querida, / Que passado ! Realeza !... Vida, que vida, óh Vida !?... / Povo nobre, que nobreza !...
Verdes campos, malmequeres, / Entre olivedos ... Olivais / Bairro novo ...
Hortas antigas: / Exemplo p’ra muito mais !!?”
 
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO da PENHA DE FRANÇA

 

 

“A água, o pão e o vinho são os elementos que constituem o brasão deste bairro. A freguesia é recente, tem apenas 50 anos de existência. Mas as suas tradições são tão antigas como a cidade”.
Freguesia criada a 13 de Abril de 1918, a Penha de França foi, durante anos, o local com mais habitantes de Lisboa.
Este bairro da zona oriental ocupa um dos pontos mais altos da capital e, do miradouro da sua igreja, avista-se o Tejo e boa parte da cidade. O que inicialmente não passava de uma ermida construída em madeira, deu lugar à igreja de sólida construção que remonta ao ano de 1597. A Igreja da Nossa Senhora da Penha foi edificada no então Cabeço de Alperche, hoje Alto da Penha de França. A igreja foi totalmente destruída com o terramoto de 1755 e, num local que era composto por quintas e hortas, ergueram-se imponentes e majestosos solares, onde viveram algumas famílias senhoriais. Reconstruída após o terramoto, a igreja actual possui no seu altar-mor a imagem de Nossa Senhora da Penha de França e, num dos lados, uma reprodução da antiga ermida. No outro extremo do altar está uma figura representando um homem adormecido com o famoso “Lagarto da Penha” que, reza a lenda, o salvou milagrosamente de um ataque de uma cobra. Umas da tradições mais antigas é a famosa "Procissão do Ferrolho”. Corria o ano de 1599, quando um surto de peste assolou a cidade. O povo da cidade, aflito, solicitou ajuda à Senhora da Penha. O mal foi debelado e os habitantes cumpriram a sua promessa organizando, todos os anos, uma romagem à Virgem. Os crentes participavam descalços na procissão e, entre a casa do Santo António, a Sé, a Mouraria e a Penha de França, batiam nos ferrolhos das portas para acordar os devotos.
O Sporting Clube da Penha foi fundado a 8 de Dezembro de 1939. Organiza a marcha do seu bairro. Na parte cultural já obteve vários prémios no Festival de Teatro de Amadores de Lisboa, em 1991, e honras de participação na iniciativa “Lisboa, Capital Europeia da Cultura”, em 1994.

 MARCHA DA PENHA DE FRANÇA
(Uma Estrela na Penha)
 Letra de Rosa Lobato Faria
Música de Fernando Correia Martins

(Refrão)
“Penha de França / Penha de França / Tu és criança entre as outras Freguesias / Penha de França / A tua trança / É penteada pela mão das ventanias / Penha de França / Ninguém se cansa / E a tradição uma vez mais vai ser verdade / Entra na dança / Penha de França / Bate ao ferrolho p’ra acordar / Toda a cidade.
Tens Lisboa / Toda a teus pés / Vês Alfama, vês Rossio / Vês o povo entrar na Sé / Vês os barcos singrar no rio, pois é .../ Foste ermida / De muita fé / Tens orgulho na tradição / E o ex-voto dum bom jacaré / Que salvou uma vez / Quem lá está a dormir / Na igreja que um bom Português / Prometeu ao Senhor em Alcácer-Quibir.
(Refrão)
Tens fadista / Tens foliões / Que marcaram no carnaval / Tens guitarras e tens brazões / muita casa senhorial, que tal ? ... / No convento de teus avós / Jesus Cristo vela por nós / Desde o tempo em que os Homens do mar / Iam ao Ferrugento beber e cantar / És Penha de França e de Vida / Que desce a Avenida / Que sabe marchar.
 
 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
 BAIRRO de SÃO VICENTE
 

 

“O santo padroeiro de Lisboa dá o nome à freguesia e à igreja onde, segundo a história, os seus restos mortais foram depositados por um casal de corvos que, graças a São Vicente, nunca foram olhados como aves de mau agoiro”.
O bairro de São Vicente está intimamente ligado ao nome do mártir padroeiro de Lisboa. A igreja de São Vicente de fora, cuja obra foi mandada erguer por D. Afonso Henriques em consagração ao santo de quem era devoto, é dos templos mais representativos desta cidade. O monumento foi reedificado em 1629. Junto à igreja encontra-se a Capela de Santo António, construída no mesmo local onde foram encontrados os ossos da mão de São Vicente.
Actualmente realiza-se junto à Igreja de São Vicente de Fora, a popular Feira da Ladra. Nesta feira, tipicamente alfacinha e quase tão velha quanto Lisboa, encontra-se de tudo um pouco: antigos gramofones e discos usados, roupa dos anos 60 e material militar, livros e ferramentas. Mas só às terças-feiras e sábados. Paredes meias, está o imponente Panteão de Santa
Engrácia. Um monumento nacional que demorou tantos anos a ser construído que até entrou no anedotório lisboeta com a expressão popular “obras de Santa Engrácia”. O Jardim de Santa Clara e o Palácio do Tribunal Militar, e edifício do mercado e o Hospital da Marinha são outros dos pontos de interesse da freguesia. O resto fica ao cuidado dos visitantes, que tanto podem deambular por travessas esconsas ou encontrar becos inesperados.
A Academia Leais Amigos, fundada em 27 de Abril de 1915, desenvolveu actividades na área de cultura e desporto, com prática do futebol e do ténis de mesa. A colectividade organiza, todos os anos, a festa no Largo da Igreja de São Vicente de Fora, com espectáculos de variedades durante as Festas Populares. E, para manter a tradição criada em 1934, vai mais uma vez desfilar em festa pela Avenida da Liberdade.

MARCHA DE SÃO VICENTE

(Por culpa do Manjerico)
Letra de António José
Música de João César


“À minha porta ouvi / Que alguém batia / Fui abrir e P’ra meu espanto / Vi que não estava ninguém / Mas logo descobri / No chão havia / Arrumadinho num canto / Um manjerico também ... / Trazia um verso assim: / Meu céu aberto / És tu e mais ninguém, repara e lê / O teu amor está tão perto / Só um cego é que não vê.
Quem é, quem o diz por favor / Quem é, quem é o meu amor / Ai manjerico vê lá bem o que fizeste ! ... / Já perguntei aqui ... ali / O bairro inteiro já corri / Tudo por culpa / Desta quadra que me deste / Quem é diz onde está / Quem é, quem é mas quem será / Hei-de encontrar, ainda não perdi a fé / Eu sei que mora em São Vicente / Já perguntei a toda a gente / agora falta, somente é saber quem é !
Não sei o que dizer / a tudo isto / Porque alguém deve ter visto / Quem foi que o deixou ali ... / Já andam pelo ar /Mas na boca dos vizinhos / A verdade não ouvi ... / Será que eu pensei / É quase certo / Mas se és, porque não diz ! Não sei porquê ! / O teu amor está tão perto / Só um cego não vê.
Que é, quem é diz por favor / Quem é o meu amor / Ai manjerico vê lá bem o que fizeste ! ... / Já perguntei aqui ... ali / O bairro inteiro já corri / Tudo por culpa / Desta quadra que me deste / Quem é, quem é diz onde está / Quem é, quem é mas quem será / Hei-de encontrar, ainda não perdi a fé / Eu sei que mora em São Vicente / Já perguntei a toda a gente / Agora falta, somente é saber quem é ! “.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

 

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