Meu Querido PAI


O que vou te dizer hoje,
já há muito que te quero dizer.
Mas eu conheço-te muito bem:
quando eu começasse a falar,
tu encolhias os ombros e tentavas mudar
logo o rumo à conversa.

Pai,
desculpa-me mas hoje tens
de ouvir o teu filho João,
que também é Pai e que em tudo
 te tenta imitar, embora seja
terrivelmente difícil.

Quando a Mãe morreu eu tinha 13 anos
e o mano 18 e este já andava na universidade.
Ficámos os dois sozinhos em casa.
Sei o que tiveste de passar,
 o que tiveste recusar para que nós (eu e o mano)
tivéssemos o melhor que nos era possível na altura.
Quantas vezes tiveste de te esquecer de ti próprio?!

Tu nunca nos bateste,
mas só em pensar em ti,
mesmo de longe, sentíamos o teu respeito,
o teu exemplo, a tua força de vontade,
o teu desprendimento pela tua própria vida.
 Os tempos eram difíceis e as solicitações
aos longos dos tempos foram muitas.
Mas a tua figura era sempre respeitada,
era como um talismã que ali estava sempre
a proteger-me e a indicar-me o bom caminho.

PAI,
eu vou usar uma frase conhecida,
mas que sai dentro do meu coração:
Pai, tu és o meu HERÓI!

Quando estiveste gravemente doente
eu senti-me como que perdido,
 mas DEUS salvou o meu PAI,
o meu HERÓI!
Bendito seja o SENHOR!

Um beijo PAI e muito obrigado por tudo,

Teu filho

 João Carlos

Portugal, 19 de março de 1998
 
 

 

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