Estados
do Brasil
(resumo)
Trabalho
e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
O Brasil possui 26 Estados e um Distrito
Federal. A divisão político – administrativa é de
1998, quando o Estado de Tocantins, a partir do
desmembramento de Goiás, e os territórios do Amapá e
de Roraima são transformados em Estados.
Estado da BAHIA
O Estado da Bahia, é
limitado ao N por Sergipe, Alagoas, Pernambuco e
Piauí, a W por Goiás, ao S Por Minas Gerais e
Espírito Santo. Tem uma superfície de 561.026 Km2 e
a sua capital é Salvador. Possui 336 municípios e os
seus principais centros urbanos são: Salvador, Feira
de Santana, Ilhéus, Itabuna, Jaquié e Vitória da
Conquista.
A Bahia é dos maiores
produtores brasileiros de petróleo e gás natural.
Tem um subsolo rico em recursos minerais, o Estado é
o primeiro produtor de chumbo, cromo e baritina, e o
segundo em amianto e magnesita.
O Turismo é importante,
com as suas belezas naturais, o acervo histórico, o
folclore e a culinária, fazem da Bahia um pólo
turístico importantíssimo.
A Costa da Bahia foi o
primeiro ponto do Brasil a ser tocado pelos
portugueses da frota de Pedro Álvares Cabral, que
chegaram à baía Cabrália em 22 de Abril de 1500,
descobrindo oficialmente o Brasil. A baía de Todos
os Santos só foi descoberta em 1501, por Américo
Vespúcio. Durante os primeiros trinta anos do século
XVI, Portugal não se preocupou com o povoamento da
nova colónia. O território baiano era visitado
apenas pelos que iam buscar pau-brasil.
Em 1511, porém, já
existia uma feitoria na baía de Todos os Santos.
Alguns degradados, desertores e náufragos uniram-se
às índias e originaram as primeiras famílias
baianas. Um desses náufragos, foi Diogo Álvares,
conhecido por Caramuru. O pau-brasil também atraiu
contrabandistas franceses que conseguiram conquistar
a confiança dos índios. Só em 1534, a Bahia começou
a ser povoada. Nesse ano, D. João III achou que a
melhor maneira de colonizar e assegurar a posse da
Bahia era dividi-lo em capitanias. Ao território do
actual Estado da Bahia correspondiam as capitanias
da baía de Todos os Santos, de Ilhéus e de Porto
Seguro. A capitania de Porto Seguro foi doada a Pêro
de Campo Tourinho e, nela, o seu donatário fundou,
em 1535, a vila de Santa Cruz, na baía Cabrália; no
outro ano, outra vila, a de Porto Seguro. Na
capitania de Ilhéus, o donatário Jorge de Figueiredo
Correia, fundou a povoação de Ilhéus. Francisco
Pereira Coutinho, recebeu a capitania da baía de
Todos os Santos e fundou a povoação do Pereira
(depois Vila Velha), no local do actual Porto da
Barra.
Em 1548, D. João III
comprou a capitania da Bahia para nela instalar a
sede do Governo-geral. O primeiro Governador-geral
foi Tomé de Sousa, que chegou à povoação do Pereiro
em 1549 e logo iniciou a construção da sede do
Governo, a cidade de Salvador, a primeira capital do
Brasil.
A conquista e a
colonização do Recôncavo foi um novo impulso no
povoamento da região. Mas, a conquista do interior
só foi consolidada pelo criadores de gado, cujos
currais se espalharam pela região do rio São
Francisco.
No século XVII, o
território do actual Estado da Bahia já estava
completamente explorado e utilizado.
Depois de repelidos
ingleses e, principalmente, holandeses, o século
XVIII marcaria a expansão da economia baiana, graças
ao alto preço alcançado pelo açúcar e às grandes
safras de tabaco que exportava.
Ideias liberais e de
independência começaram a ser difundidas e várias
rebeliões ocorreram, que no conjunto, levaram ao
sete de Setembro.
Em 1808, a Família Real
portuguesa, chegou à Bahia, fugida do exército
francês que invadira Portugal.
Quando em 1822, a
Cortes portuguesas substituíram o baiano Freitas
Guimarães, comandante das Armas da Bahia, pelo
português Madeira de Melo, os baianos revoltaram-se.
Reunidas no Recôncavo, as tropas baianas iniciaram a
luta contra os portugueses. Só em 2 de Julho de
1823, os portugueses foram definitivamente
derrotados.
Durante as primeira
décadas do Império brasileiro, a Bahia passou por
grande agitação política e social. Ocorreram várias
revoltas contra a permanência de portugueses que
haviam lutado contra os baianos na Guerra da
Independência. O movimento de maior importância e
duração, porém, foi a Sabinada, iniciada em Novembro
de 1837. Em Março de 1838, os sabinos já estavam
derrotados.
Na primeira metade do
século XIX, a produção açucareira do Recôncavo
entrou num período de crise, da qual nunca recuperou
completamente. Contudo, o cacau começou a ganhar
importância e, a partir de 1880, a produção
acelerou-se.
A República foi
proclamada na Bahia pelo coronel Frederico Buys,
comandante do forte de São Pedro, em 16 de Novembro
de 1889, assim que recebeu a notícia do Rio de
Janeiro.
O início do período
republicano foi marcado também, por agitação e
instabilidade política no Estado. O primeiro
governador, Virgílio Clímaco Damásio, só governou
cinco dias. Luís Viana foi o primeiro a ser eleito
por voto directo. Ao assumir, em 1896 o poder, teve
de enfrentar a revolta dos Canudos. Posteriormente,
desentendimentos em torno da candidatura de J.J.
Seabra provocaram o mais grave incidente; ou seja, o
bombardeamento de Salvador por tropas federais em
1812.
Depois de acalmados os
ânimos dos primeiros tempos, vale destacar os nomes
dos governadores Juraci Magalhães (que no seu
primeiro mandato foi descoberto petróleo no campo de
Lobato), Octávio Mangabeira, Luís Régis Pacheco
Pereira, Luís Viana Filho, António Carlos Magalhães,
e outros.
Baía de Todos os Santos
A capitania doada por
D. João III a Francisco Pereira Coutinho,
compreendia 50 léguas de costa, entre a foz do rio
São Francisco e a ponta do Padrão. O donatário e
seus colonos desembarcaram em Dezembro de 1536 na
baía, extremo meridional e melhor ancoradouro da
capitania, em torno cresceu a povoação denominada
vila do Pereira, mais tarde Vila Velha, onde ainda
em 1536 foram distribuídas sesmarias. A sua política
de distribuir sesmarias, espalhando umas das outras,
aliou-se aos desentendimentos entre os colonos e à
acção hostil dos silvicultores na tarefa de baldar
todos os esforços de colonização. Forçado a
abandonar a terra, Francisco Pereira Coutinho
refugiou-se nas capitanias de Ilhéus e Porto Seguro.
Julgando pacificados os ânimos, dispôs-se Caramuru a
trazê-lo de volta em 1547. Ocorreu, no entanto, o
naufrágio da nau que o conduzia, sendo o donatário
aprisionado e morto pelos índios da ilha de
Itaparica.
Fracassada a primeira
tentativa de colonização, foi a região escolhida
para sede do Governo-geral, criado em 1548.
Salvador
Salvador foi fundada por Tomé de Sousa, em 1549
e, foi durante mais de 200 anos, sede do
Governo-geral do Brasil. No primeiro século de
sua existência, girou em torno da exportação do
açúcar, pois as plantações de cana haviam-se
expendido ao longo dos rios que desaguam na Baía
de Todos os Santos. Para isso, a cidade contava
com um porto bem localizado, naturalmente
protegido do Atlântico por um promontório.
Posteriormente, desenvolveu-se a cultura do
tabaco, na região periférica à Baía, ocupando as
terras impróprias para a cana-de-açúcar, ao
mesmo tempo que, pelo sertão, foi-se expandido a
criação de gado, intensificando o movimento
portuário. No final do século XVll, a cidade
sofreu novo impulso com a construção de
palácios, igrejas, conventos e solares. Em 1763,
com a transferência da capital do Brasil para o
Rio de Janeiro, diminuiu o ritmo de seu
crescimento. Contudo, ainda no século XVlll,
Salvador começou a exportar ouro e diamantes
provenientes da chapada Diamantina. No início do
século XlX, o porto exportava, açúcar, tabaco,
couro, madeira e oleaginosas. Em 1829, a cidade
passou a ter iluminação pública a óleo, para em
1862 passar a gás. Na altura, foi implantado o
serviço telegráfico. Em 1912, sob a intervenção
federal, sofreu vários bombardeamentos, devido
às reacções da população.
Salvador fica situada à entrada da
Baía de Todos os Santos, e ocupa a ponta da
península que se estende ao Norte e a Leste
desta. O terreno em que foi edificada a cidade,
apresenta dois níveis: a Cidade Baixa, que fica
na faixa litorânea, e a Cidade Alta,
aproximadamente a 70 metros acima do nível do
mar. Nesta parte da cidade, concentra as funções
portuárias e comercial, principalmente os
retalhistas. Aí também se encontram bancos,
escritórios, o Mercado Modelo e a feira de São
Joaquim.
A Cidade Alta é formada sobretudo por
bairros residenciais, mas conta também com
órgãos administrativos, escritórios e comércio
dedicado ao turismo. A Cidade Baixa e a Cidade
Alta são ligadas por ladeiras, modernas rampas,
dois funiculares e o Elevador Lacerda, que data
de 1873. Entre as principais atracções
turísticas, estão as igrejas, como a abadia de
São Bento, do século XVl, a catedral Basílica
Maior e a igreja do Desterro, do século XVll; as
igrejas da Ordem Terceira de São Domingos, do
Convento de São Francisco, da Ordem Terceira de
São Francisco e do Bonfim, todas do século XVlll.
Os fortes mais procurados são os de Santo
António da Barra (1536) e os de Santa Maria, São
Marcelo, São Pedro e São Diogo, todos do século
XVll. São também locais turísticos o convento do
Desterro, o convento da Lapa, o Solar do Unhão,
a Reitoria, a Baixa do Sapateiro, o Largo do
Pelourinho e a Rampa do Mercado. Entre as praias
da cidade, destacam-se as de Amaralina, Arembepe,
Armação, Paraguaçu, Boa Viagem, Farol da Barra,
Itapuã, Ondina. Piatã e Pituba. Muito visitada
também é a Lagoa do Abaeté.
Senhor do Bonfim
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim – Uma
promessa do Capitão Teodósio Rodrigues de Faria
deu início a irmandade de devoção ao Nosso
Senhor do Bonfim em 1745 e às romarias de
peregrinação ao templo a partir de 1754. A
imagem do santo, feita sob encomenda em Setúbal,
Portugal, chegou em 1740 e foi colocada na
Igreja de Nossa Senhora da Penha, na Ribeira. A
construção da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim
durou 14 anos e o tempo foi inaugurado com a
entronização da imagem, em 1754. As torres,
porém, só foram concluídas em 1772. Sua fachada,
voltada para o centro da cidade, é parcialmente
revestida de azulejos brancos portugueses de
1873, que contrastam com a pedra morena dos
cunhais, portais, contornos e parte frontal. A
pintura do teto da nave é uma obra-prima do
mestre Franco Velazco. A sala de ex-votos, por
sua vez, é uma prova de fé de milhares de
peregrinos que aí estiveram agradecendo graças
alcançadas. A tradição de amarrar uma fita no
pulso com três nós, repetindo em cada um deles o
pedido, é sagrada entre os católicos e entre os
praticantes do candomblé. Na segunda
quinta-feira de Janeiro após o Dia de Reis, uma
procissão de baianas de acarajé acompanhada pelo
povo sai numa caminhada de oito quilómetros da
Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia em
direcção à Igreja do Bonfim. Tipicamente
vestidas e levando potes brancos com flores e
água, as baianas lavam o adro e as escadarias do
templo em meio a cantorias e saudações. O Hino
ao Senhor do Bonfim é uma música sagrada, sendo
cantado em solenidades religiosas e cívicas do
povo baiano.
Há 456 anos, em 29 de Março de 1549,
chegava à enseada do Porto da Barra a frota que
conduzia Tomé de Sousa e os que, com ele, vinham
fundar a Cidade do Salvador.
A cidade, que foi a Capital do Império
Português na América e a Capital do Atlântico
Sul, não é assim o resultado da evolução de um
grupo vicinal às categorias de povoado, vila e,
finalmente, cidade. Já nasceu com todas às
prerrogativas de sede de governo, local de
decisões políticas e administrativas.
Com Tomé de Sousa (que acumulava o
título de Governador, o de Capitão desta
capitania que fora doada a Francisco Pereira
Coutinho e revertera ao domínio pleno da Coroa)
chegaram cerca de mil homens - entre
voluntários, marinheiros, degredados, soldados,
e sacerdotes. Este grupo, mais a tripulação da
nau de um certo Gramatão Teles, que viera dar
notícias da Fundação decidida em Lisboa, somado
ao que restava da Vila do Pereira, fundada treze
anos antes pelo donatário e mantida pela
liderança do "Caramuru", e que implanta a cidade
e lhe dá vida.
Apesar de fundada em 1549, noventa e
seis anos depois da data que livros didácticos
convencionaram como sendo a do fim da Idade
Média, a Cidade do Salvador ainda foi
influenciada por muitos e muitos factores
medievais na escolha do sítio do seu núcleo
inicial e no sistema de defesa que nele se
desenvolveu.
Os planos discutidos na metrópole e
aqui implementados pelo "mestre de risco e
pedraria" que foi Luís Dias, determinavam,
basicamente, a construção de uma "fortaleza
grande e forte". A preocupação com a defesa
superava todas as outras. A habitação e a
circulação ficavam em segundo plano,
subordinadas aos propósitos de segurança militar
para a "cabeça da colónia do Brasil" e para as
frotas que buscavam abrigo da baía de Todos os
Santos nas suas rotas para o Oriente, seja pelo
caminho do Cabo da Boa Esperança, seja pela rota
do Pacífico, contornando o extremo sul da
América.
Foram estas ideias que determinaram a
escolha do ponto mais alto da costa em torno do
golfo, para nele situar a cidade. Preferiu-se o
local que oferecia maiores facilidades naturais
à defesa, tanto dos possíveis ataques pelo mar,
quanto das investidas dos índios agredidos com
os novos fatos da presença colonizadora.
Limitou-se a cidade, ao sul, pela
porta de Santa Luzia, no sítio onde,
actualmente, a rua Chile encontra-se com a Praça
Castro Alves. Ali, a escarpa natural, hoje
desaparecida com as muralhas do próprio largo e
as das ladeiras da Conceição e da Montanha,
compunha a defesa em acidente natural que se
estendia por toda a face oeste desse núcleo
básico - a "montanha da cidade".
Pela face leste, uma escarpa de menor
porte, uma barroca pequena - e por isto
Barroquinha - também apoiava a defesa em sistema
integrado com a "vala na cidade", curso d'água
nascente onde se fizeram as Hortas de São Bento,
no local do primeiro matadouro que por lançar
ali os seus restos baptizou o curso de Rio das
Tripas.
O limite norte da cidade, conquanto
tenha apresentado alguns pontos de controvérsias
entre historiadores, ficou perfeitamente
definido em pesquisas e interpretações mais
recentes. Esteve, ainda que por breve tempo, na
porta de Santa Catarina, no limite actual. entre
a Praça Municipal e a Rua da Misericórdia, junto
da esquina com a Ladeira da Praça. Daí foi logo
avançando para a actual. face esquerda do
Palácio Arquiepiscopal, onde bem mais tarde foi
levado para o meio do declive, hoje ocupado pelo
Largo do Pelourinho, onde podem ser encontrados
restos da muralha fortificada.
A conjuntura que inspirou a fundação
da Cidade do Salvador e sua locação neste ponto
da costa do Brasil foram elementos básicos do
traçado do seu destino. Ainda hoje, quem nela
habita está, naturalmente, vinculado àquelas
opções.
Hão de ser especificamente referidos
os jesuítas da primeira leva e os Oficiais do
Senado da Câmara.
Quando D. João III iniciou o trabalho
de por ordem e dar rentabilidade ao império que
alcança a sua maior amplitude no reinado
anterior de D. Manuel 1º, cuidou de se prover de
respaldo religioso para as terras do Brasil, da
África e da Índia. As ordens que vinham da Idade
Média, apoiados em uma visão contemplativa da
Fé, já tinham dado o melhor da sua presença.
Surgia àquele tempo uma nova visão caquéctica,
criada por Inácio de Loiola: a Companhia de
Jesus. Nela, o rei de Portugal buscou homens
para mandar ao ultramar.
De início, lhe foram dados os padres
Francisco Xavier e Simão Rodrigues. O primeiro,
logo viajando para o Oriente, seria o Apóstolo
das Índias, com marcada presença em Goa e no
Japão. O segundo organizou a "assistência" de
Portugal, e a ele se deve o recrutamento e o
envio do Padre Manuel da Nóbrega chefiando os
jesuítas que vieram na armada da fundação.
Saltando na Barra e exercendo os
primeiros ministérios na "maneira de igreja" que
já encontraram em devoção a Nossa Senhora da
Graça, os inacianos foram dos primeiros a se
transferirem para cidade que se fundava e,
certamente, os responsáveis pela fisionomia da
sua face setentrional, com a locação do seu
colégio e da sua igreja. A eles coube não só o
trabalho de pregação, como todo o aparelho
pedagógico da colónia, aspecto em que exerceram
o monopólio até a expulsão de 1759.
O Senado da Câmara, ou seja, os
vereadores da cidade merecem, na história destes
primeiros tempos, referência muito destacada e
específica.
Em uma estrutura de governo absoluto,
quando o rei podia tudo sobre as pessoas e as
coisas, funcionava, paralelamente, um colegiado
eleito a que cumpria a administração civil da
cidade. E, mais do que isso: além da vigilância
ao bom cumprimento das posturas que elaborava,
ainda lhe era inerente a fiscalização do bom
cumprimento dos ofícios dos servidores do Reino.
Ao ponto de ser disposição específica o fato da
cadeia pública ter que funcionar,
necessariamente, no mesmo prédio das suas
reuniões, como forma directa e material de
colocar, sob permanente vigilância, qualquer
possível abuso de autoridade. Estas atribuições
aos vereadores da cidade dão bem a medida da
importância do seu papel naqueles dias iniciais.
Cabe, ainda, uma referência especial à
Santa Casa da Misericórdia, ou Casa da Santa
Misericórdia para usar a expressão coeva. O
Concílio de Trento ordenando as chamadas "obras
de misericórdia" como que legislou sobre o que,
hoje, chamaríamos de "obrigações
providenciarias" dos estados em que a religião
católica era culto oficial.
O estado português não tinha nem
vocação, nem condição para implementar tais
serviços. A instituição das Misericórdias, que
vinha do tempo do milagre da rainha Isabel, era
a naturalmente indicada para tais encargos.
Funcionando como pólo gregário,
agência de prestígio e organização de serviços
públicos, a Misericórdia da Bahia, desde os
primeiros dias da fundação da cidade,
desempenhou todos aqueles papéis que a tornaram
supletiva da actividade assistencial de um poder
público que se voltava, fundamentalmente, para a
actividade fiscalista destinada a enriquecer,
cada vez mais, um Reino deslumbrado com suas
conquistas.
Fora de portas, a "praia" e o caminho
do conselho. Na "praia", os estaleiros onde se
faziam e consertavam naus de todos os calados,
usando a boa madeira das matas do vale do
Jaguaribe. Na Ribeira dos Galeões, hoje ocupada
pelos edifícios de capitania dos Portos,
carpinteiros e calafates, vindo de Portugal e
seus aprendizes que se formam na Bahia fazem
urcas, caravelas, patachos e quanto mais tipo de
embarcação lhe fosse encomendado. Na estreita
rua, colada ao sopé da montanha, o atestado do
carácter internacional da cidade.
Quando a administração Portuguesa
retirou Tomé de Sousa do encargo que lhe
cometera, a cidade já estava implantada e, já
merecendo que dela se gostasse. Inclusive o
próprio fundador que declara em frase registrada
por Frei Vicente do Salvador : "... verdade é
que eu o desejava muito, e me crescia água na
boca quando cuidava em ir para Portugal; mas não
sei que é que agora se me seca a boca de tal
modo que quero cuspir e não posso".
A história da cidade de Salvador
inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial
com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em
1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de
localização, o que a tornou referência para os
navegadores, passando a ser um dos pontos mais
conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso
fomentou a ideia de construção da cidade. O rei
D. João III, então, nomeou o militar e político
Tomé de Sousa para ser o Governador-geral do
Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira
metrópole portuguesa na América.
Em 29 de Março de 1549, a armada
portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da
Barra), comandada pelo português Diogo Alvares,
o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de
Cidade do São Salvador da Baía de Todos os
Santos, que desempenhou um papel estratégico na
defesa e expansão do domínio lusitano entre os
séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil
de 1549 a 1763.
O trecho que vai da actual. Praça
Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais
alto do sítio, foi escolhido para a construção
da cidade fortaleza. Tomé de Sousa chegou com
uma tripulação de cerca de mil homens – entre
voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes,
que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.
Em 1550, os primeiros escravos
africanos vieram da Nigéria, Angola, Senegal,
Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o
trabalho deles, a cidade prosperou,
principalmente devido a actividade portuária,
cultura da cana de açúcar e comercialização o
algodão o fumo e gado do Recôncavo.
A riqueza da Capital atraiu a atenção
de estrangeiros, que promoveram expedições para
conquistá-la. Durante 11 meses, de Maio de 1624
ao mês de Abril de 1625, Salvador ficou sob
ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa
de invasão da Holanda, desta vez com o Conde
Maurício de Nassau que não obteve êxito.
A cidade foi escolhida como refúgio
pela família real portuguesa ao fugir das
investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa
ocasião, o príncipe regente D. João abriu os
portos às nações amigas e fundou a escola
médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina
do País.
Em 1823, mesmo um ano depois da
proclamação da Independência do Brasil, a Bahia
continuou ocupada pelas tropas portuguesas do
Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de Julho
do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais
importantes acontecimentos históricos para o
estado e que consolidou a total independência do
Brasil. A data passou a ser referência cívica
dos baianos, comemorada anualmente com intensa
participação popular.
Dos planos iniciais de D. João III,
expressos na ordem de aqui ser construída "A
fortaleza e povoação grande e forte", o
compromisso foi cumprido por Tomé de Sousa e
continuado pelos que os sucedem. São filhos de
Catarina e Caramuru, que se misturaram com os
negros da mãe África e legaram à Salvador a
força de suas raças criando um povo "gigante
pela própria natureza".
 |
 |
Hino da Bahia “Dois
de Julho”
Letra: Ladislau dos
Santos Titara / Música: José dos Santos Barreto
Nasce o sol a 2 de
julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro
Nunca mais o despotismo
Referá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Salve, oh! Rei das campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será
Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender,
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer.
Estado da Bahia
http://pt.wikipedia.org/
Local de chegada
dos primeiros portugueses ao Brasil no ano de
1500, a região do que viria a ser o estado da
Bahia começou a ser povoada na primeira metade
do século XVI. Através da exploração do
território, se descobriu a existência do
pau-brasil, essa matéria-prima passou a ser
largamente explorada, atraindo desde
comerciantes portugueses a contrabandistas
europeus, em especial, os franceses. Várias
outras explorações ocorreram, a partir daí,
chegando lentamente portugueses com interesses
nas novas terras.
Gradualmente, o território baiano actual foi
colonizado, povoado e conquistado por expedições
denominadas de Entradas, as quais partiam de
Salvador, Ilhéus e Porto Seguro em direcção ao
interior do estado. As entradas eram feitas do
mesmo jeito das bandeiras de São Paulo, mas não
tiveram tanto reconhecimento e valorização como
as bandeiras.
Partindo do litoral em direcção ao
norte/nordeste brasileiro, subindo os rios São
Francisco, das Contas, Paraguaçu, Grande e
Verde, desbravaram o interior da Bahia e os
territórios do Piauí, Minas Gerais e Maranhão.
Chegaram ao sul/sudeste brasileiro também,
descendo os rios Pardo, Jequitinhonha, Mucuri e
Doce.
Durante os séculos XVI e XVII, apesar dessas
explorações do território terem ocorrido apenas
com o intuito de povoar e reconhecer as terras
descobertas, foram de grande importância para o
reconhecimento inicial da geografia, da
hidrografia, da fauna, das flora e dos minerais
da Bahia, além de ter ajudado bastante na
demarcação do território baiano, estabelecendo
os limites com seus estado vizinhos.
Capitanias Hereditárias: No território
correspondente ao actual da Bahia, foram
formadas cinco capitanias hereditárias entre
1534 e 1566, conservadas até a segunda metade do
século XVIII. As quais foram a da Bahia, doada a
Francisco Pereira Coutinho em 5 de Abril de
1534; de Porto Seguro doada a Pêro do Campo
Coutinho em 27 de Maio de 1534; de Ilhéus doada
a Jorge de Figueiredo Correia em 26 de Julho de
1534; das Ilhas de Itaparica e Tamarandiva doada
a D. António de Ataíde em 15 de Março de 1598;
do Paraguaçu ou do Recôncavo da Bahia doada a
Álvaro da Costa em 29 de Março de 1966.
Capitania da Bahia: Com a morte do donatário,
Francisco Pereira Coutinho, cuja descendência
veio a receber da Coroa Portuguesa quer o
morgadio do juro real da Redízima da Bahía (séc.
XVI), quer os títulos de Visconde da Bahía, de
juro e herdade (1796), e de Conde da Bahía
(1833), a Capitania da Bahia foi vendida pela
viúva à Coroa Portuguesa, para fins da
instalação da sede do governo-geral, com a
fundação da cidade do Salvador (1549).
Depois de passar por vários herdeiros, sendo o
último donatário, o Marquês de Gouveia, a
capitania foi tomada pela Coroa e foi unida à da
Bahia, formando uma só.
Capitania de Ilhéus: Após um período próspero,
a capitania entrou em longa disputa judiciária.
Incorporada, junto com a Capitania de Porto
Seguro, à Capitania da Bahia entre 1754 e 1761,
a Capitania de Ilhéus deu origem ao moderno
estado da Bahia.
Capitania das Ilhas de Itaparica
e
Tamarandiva: Em 6 de Abril de 1763 foi unida à
Capitania da Bahia.
Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral do
Brasil, fundou Salvador, que se tornou a
primeira capital do país em 1549, sendo por
muitos anos a maior cidade das Américas. Em 1572
o governo colonial dividiu o país em dois
governos, um em Salvador, e o outro no Rio de
Janeiro, esta situação se manteve até 1581,
quando a capital do Brasil passou a ser
novamente apenas Salvador. A capital foi
transferida para o Rio de Janeiro
definitivamente em 1763, pelo Marquês de Pombal.
Em Salvador concentrou-se uma grande população
de europeus, índios, negros e mestiços - em
decorrência da economia, centrada no comércio
com engenhos instalados no vasto Recôncavo. A
extensa costa não esteve livre de ameaças e
ataques estrangeiros, ameaças que ensejaram a
fortificação de vários pontos. Porto Seguro, por
exemplo, teve seu primeiro fortim levantado em
1504 por Gonçalo Coelho e reforçado no século
XVII. Quando, em 1595, os franceses atacaram
Ilhéus e foram repelidos, já existia na entrada
do porto o fortim de Santo António, transformado
em 1611 em forte de pedra e cal. Cairu, fundada
depois da guerra contra os Aimorés,
provavelmente em 1610, nasceu também com sua
fortaleza.
O território original da Bahia compreendia a
margem direita do rio São Francisco (a esquerda
pertencia a Pernambuco). Estava, basicamente,
dividido entre dois grandes feudos: a Casa da
Ponte e a Casa da Torre, dos senhores Guedes de
Brito e Garcia d'Ávila, respectivamente -
promotores da ocupação de seu território e muito
importantes em sua defesa.
Invasão holandesa
Ingleses e holandeses atacaram a Bahia no século
XVII. Durante o Governo de D. Diogo de Mendonça
Furtado, Salvador foi invadida pelos holandeses
que vencendo a resistência dos cidadãos que
deixaram a cidade, dominaram Salvador de 1624 a
1625. Mas em 1º de Maio de 1625, depois de
vários conflitos, os holandeses estando cercados
e isolados, com a ajuda de morgados como a Casa
da Torre e dos espanhóis, a cidade foi retomada
pelos portugueses.
Por sua posição estratégica, à entrada da baía
de Todos os Santos, e por ali se refugiarem
barcos inimigos e contrabandistas, o Governador
Diogo Luís de Oliveira determinou em 1631 a
construção de um forte em Morro de São Paulo,
ampliado em 1730, transformando-se em uma das
maiores fortificações da costa, com 678 m de
cortina. Os holandeses, antes de atacarem
Salvador, em 1624, estiveram em Morro de São
Paulo e utilizaram o seu canal como tocaia para
atacar navios lusos, entre os quais um barco
jesuíta que vinha de São Vicente, conduzindo 15
religiosos da Companhia e outros de outras
Ordens. Um ano mais tarde, ali se refugiou a
numerosa armada de Boudewijn Hendriczzood que,
ao ter conhecimento da retomada de Salvador
pelos espanhóis e portugueses, rumou para o
Norte.
Os holandeses fizeram outras tentativas para
retomar Salvador, mas todas sem sucesso,
principalmente, após a construção do Forte de
São Marcelo em ponto estratégico da Baía de
Todos os Santos não há registros de invasões de
estrangeiros. Com isso, a Bahia se tornou uma
referência em resistência na Colónia, em
especial, aos holandeses que dominaram com
sucesso Recife.
Enquanto estiveram em Recife, os holandeses não
deixaram de rondar a costa baiana, atacando
Caravelas (1636), Camamu e Ilhéus (1637), mas
todas as tentativas sem sucesso. Os ataques
provocaram a construção em Camamu, em 1649, do
forte de Nossa Senhora das Graças, com quatro
baluartes, reedificado entre 1694/1702 e,
possivelmente, a construção do forte de São
Sebastião em Ilhéus, pois documento de 1724 já o
assinala sobre um monte.
Séculos XVIII e XIX
A economia do litoral foi extrativista. A
princípio, pau-brasil, valorizado na Europa como
pau de tinta e disputado por comerciantes
portugueses, contrabandistas e piratas. Depois,
incluíram-se na pauta de exportação e
contrabando madeiras para a construção naval e
civil, cortadas entre Ilhéus e Valença. Em 1722,
os jesuítas do Colégio da Bahia instalaram uma
serraria hidráulica em Camamu à qual se somavam
mais duas de terceiros, no final do século. No
imposto extorquido para a reconstrução de
Lisboa, após o terramoto, a vila pagaria sua
contribuição com madeira e farinha de mandioca.
Desde a coroação de Dom José I, em 1750, e a
nomeação do conde de Oeiras, futuro Marquês de
Pombal como primeiro-ministro, havia-se
inaugurado uma política mais actuante com
relação ao Brasil e, em particular, à Bahia.
Pela Carta Régia datada de 1755, decidiu-se
transformar em vilas as missões jesuíticas, com
a intenção de afastar os índios da influência
dos padres. São criadas as vilas de Prado
(1755), antiga Aldeia de Jucururu; Alcobaça
(1755), com território desmembrado de Caravelas;
Nova Santarém (1758), antiga aldeia de São
Miguel e Santo André de Serinhaém, atual cidade
de Ituberá; Barcelos (1758), ex-aldeia de Nossa
Senhora das Candeias, emancipada de Camamu;
Troncoso (1759), ex-aldeia de S. João Batista
dos Índios; Vale Verde (1759), antiga Aldeia do
Espírito Santo; Maraú (1761), ex-Aldeia de S.
Sebastião de Maraú.
Por solicitação de Dom Marcos de Noronha, Conde
dos Arcos, e através de Provisão do Conselho
Ultramarino de 4 de Março de 1761, D. José I
ordenou ao ouvidor da Comarca da Bahia,
Desembargador Luís Freire Veras, que tomasse
posse da Capitania dos Ilhéus para a Coroa.
Igual providência foi adoptada com relação à
Capitania de Porto Seguro, transformando-se as
duas em comarcas. Estas medidas estavam
relacionadas com a preocupação do Governo Geral
em controlar o contrabando no litoral sul e
proteger as populações da região de Cairu e
Camamu, centros de abastecimento da capital,
contra os frequentes ataques dos Guerens, que
voltaram a atacar, no período entre 1749 e 1755.
Foram elevadas a vila a Aldeia de Belmonte
(1765); a missão de N. S. da Escada, com o nome
de Nova Olivença (1768), em Ilhéus; o povoado de
Campinhos (1720), com a denominação de Vila
Viçosa (1768) e a Aldeia do Mucuri, com o nome
de São José de Porto Alegre (1769), actual
cidade de Mucuri. Três destes municípios foram
surpresos nas três primeiras décadas do século
actual: Vila Verde, Trancoso e Barcelos. Com a
mudança da capital do país para o Rio de
Janeiro, o Governo da Bahia ordenou em 1777 ao
Ouvidor de Porto Seguro criar paradas de
correio, vilas e povoações entre Salvador e
Espírito Santo, mas pouca coisa se fez. No fim
do século XVIII, a Povoação de Amparo, à margem
do rio Una, foi levada a vila com o nome de
Valença (1799), sendo seu território desmembrado
de Cairu.
De nada valeu o protesto de Silva Lisboa, juiz
conservador das matas, em 1779, contra a
devastação da Mata Atlântica. Ainda no início do
século XIX o inglês Thomas Lindley seria preso
em Porto Seguro por contrabando de pau-brasil,
cujo comércio foi monopólio do Estado até 1859.
Na Baía de Tinharé, cessados os ataques
indígenas, os colonos refugiados na Ilha de
Boipeba voltaram ao continente. Em 1811, Boipeba
chegou a tal ruína que perdeu sua condição de
vila para o povoado de Jequié, em terra firme,
que recebeu o nome de Vila Nova de Boipeba, hoje
Nilo Peçanha. Por sua vez, a Vila de Nova
Boipeba perdia, em 1847, o foro de vila para
Taperoá, uma povoação surgida em torno a uma
capela jesuítica que, em 1637, pertencia à
Freguesia de Cairu. Nova Boipeba foi restaurada,
em 1873, com território desmembrado de Taperoá.
Todos os demais municípios do litoral sul foram
criados no século XX.
Conjuração Baiana: O ano de 1798 testemunhou a
Conjuração Baiana, que propunha a formação da
República Bahiense - movimento pouco difundido,
mas com repressão superior àquela da
Inconfidência Mineira: seus líderes eram negros
instruídos (os alfaiates João de Deus, Manuel
Faustino dos Santos Lira e os soldados Lucas
Dantas e Luís Gonzaga das Virgens) associados a
uma elite liberal (Cipriano Barata, Moniz
Barreto, Aguilar Pantoja, membros da Casa da
Torre e outros aristocratas), mas só os
populares foram executados, mais precisamente no
Largo da Piedade a 8 de Novembro de 1799.
Independência: Mesmo após a declaração de
independência do Brasil, em 7 de Setembro de
1822, a Bahia continuou ocupada pelas tropas
portuguesas, até à rendição destes, ocorrida no
dia 2 de Julho de 1823. Por essa razão a data é
comemorada pelos baianos como o Dia da
Independência da Bahia.
Com a independência do Brasil, os baianos
exigiram maior autonomia e destaque. Como a
resposta foi negativa, organizaram levantes
armados que foram sufocados pelo governo
central.
Brasil República: Com a República ocorreram
outros incidentes políticos importantes, como a
Guerra de Canudos e o bombardeio de Salvador, em
1912.
A Bahia contribuiu activamente para a história
brasileira, e muitos expoentes baianos
constituem nomes de proa na política, cultura e
ciência do país.
Salvador
 
http://www.emtursa.ba.gov.br/
A história da
cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de
sua fundação oficial com a descoberta da Baía de
Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia
qualidades portuárias e de localização, o que a
tornou referência para os navegadores, passando
a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados
do Novo Mundo. Isso fomentou a ideia de
construção da cidade. O rei D. João III, então,
nomeou o militar e político Tomé de Sousa para
ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às
margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa
na América.
Em 29 de Março de 1549, a armada portuguesa
aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra),
comandada pelo português Diogo Alvares, o
Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de
Cidade do São Salvador da Baía de Todos os
Santos, que desempenhou um papel estratégico na
defesa e expansão do domínio lusitano entre os
séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil
de 1549 a 1763.
O trecho que vai da actual Praça Castro Alves
até a Praça Municipal, o plano mais alto do
sítio, foi escolhido para a construção da cidade
fortaleza. Tomé de Sousa chegou com uma
tripulação de cerca de mil homens – entre
voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes,
que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.
Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram
da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin,
Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a
cidade prosperou, principalmente devido a
actividade portuária, cultura da cana de açúcar
e comercialização o algodão o fumo e gado do
Recôncavo.
A riqueza da Capital atraiu a atenção de
estrangeiros, que promoveram expedições para
conquistá-la. Durante 11 meses, de Maio de 1624
ao mês de Abril de 1625, Salvador ficou sob
ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa
de invasão da Holanda, desta vez com o Conde
Maurício de Nassau que não obteve êxito.
A cidade foi escolhida como refúgio pela família
real portuguesa ao fugir das investidas de
Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o
príncipe regente D. João abriu os portos às
nações amigas e fundou a escola
médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina
do País.
Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da
Independência do Brasil, a Bahia continuou
ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro
Madeira de Mello. No dia 2 de Julho do mesmo
ano, Salvador foi palco de um dos mais
importantes acontecimentos históricos para o
estado e que consolidou a total independência do
Brasil. A data passou a ser referência cívica
dos baianos, comemorada anualmente com intensa
participação popular.
Dos planos iniciais de D. João III, expressos na
ordem de aqui ser construída "A fortaleza e
povoação grande e forte", o compromisso foi
cumprido por Tomé de Sousa e continuado pelos
que os sucedem. São filhos de Catarina e
Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe
África e legaram à Salvador a força de suas
raças criando um povo “gigante pela própria
natureza”.
Baía Cabrália
http://pt.wikipedia.org/
Santa Cruz Cabrália,
município do nordeste brasileiro, localizado no
extremo sul do estado da Bahia, na Costa do
Descobrimento, cidade-berço da Civilização
Brasileira. Sua baía, por séculos chamada de
"porto seguro" e actualmente de "cabrália", é o
local de chegada das caravelas dos portugueses
por ocasião do descobrimento do Brasil, em 21 de
Abril de 1500.
Dados gerais: Abrangendo os municípios de
Belmonte, Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, a
Costa do Descobrimento possui uma extensão
litorânea de 165 km. 35% da população nasceu
nesta região; 30% é oriunda de outros municípios
do sul da Bahia e os 35% restantes é formado por
pessoas que vieram de outros estados brasileiros
e até mesmo de outros países, como Portugal,
Itália, França, Alemanha, Espanha, Argentina e
Estados Unidos;
Santa Cruz Cabrália é uma das cidades históricas
do estado da Bahia, por nela terem sido
realizadas a 1ª (Domingo de Páscoa) e a 2ª (de
Posse) Missas no Brasil, ambas celebradas por
Frei Henrique de Coimbra, capelão da armada de
Pedro Álvares Cabral, em 26 de Abril e 01 de
Maio de 1500, respectivamente, a primeira delas
na extremidade sul da Baía Cabrália, mais
precisamente no Ilhéu da Coroa Vermelha, e a
segunda na Foz do Rio Mutary.
Santa Cruz Cabrália é uma cidade construída em 2
planos, seguindo a tradição portuguesa, tendo
sido criada na margem norte da foz do Rio Mutary
pelo navegador português Gonçalo Coelho,
comandante da 2ª Expedição ao Brasil, que
aportou na Baía Cabrália em 1503 para ali deixar
os primeiros missionários, aventureiros e
degredados, deixados ao lado da Santa Cruz de
Posse, e que trouxe consigo, como Observador, o
navegador Américo Vespúcio. Neste ano de 1503 o
Brasil mudou seu nome de Terras de Vera Cruz
para Terras de Santa Cruz.
Oito décadas depois a Vila de Santa Cruz foi
transferida para um platô na foz do Rio João de
Tiba, o actual Centro Histórico, como forma de
proporcionar à população melhores condições de
defesa para os frequentes ataques indígenas.
Além de belas paisagens, esta histórica cidade,
berço da Civilização Brasileira, é um bonito
porto de pesca.
Na parte alta da cidade, encontram se a Igreja
de N. Sra. da Conceição, construída no século
XVII, a Casa de Câmara e Cadeia, que abrigou a
1ª Intendência do Brasil, prédio do século XVIII,
e ainda as ruínas de um Colégio Jesuíta do
século XVI. A 400 mts fica o Morro do Mirante de
Coroa Vermelha, que proporciona uma maravilhosa
e inesquecível vista panorâmica de toda a
bonita, larga e histórica Baía Cabrália.
Praias: Pela BR-367, que liga os municípios de
Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Eunápolis; o
visitante que chegue na costa vindo de Eunápolis,
chegará ao trevo da entrada de Porto Seguro.
Seguindo à esquerda para a Orla Norte, pela
Rodovia do Descobrimento, o visitante passará
por 22 km de belas praias, até chegar em Santa
Cruz Cabrália, na foz do Rio João de Tiba.
Aproximadamente 16 km depois do trevo de Porto
Seguro, o visitante chegará em Coroa Vermelha,
um dos diversos distritos de Santa Cruz Cabrália,
e local da celebração da 1ª Missa no Brasil, e
onde se encontram fixadas diversas famílias de
índios da tribo dos Pataxó que ali residem, e
que vivem do comércio de artesanato indígena.
Neste local vale conhecer tanto o Memorial da 1ª
Missa quanto a réplica da Cruz feita para esta
1ª Missa, monumentos que servem para recordar os
primeiros momentos do nosso país.
Andando mais 6 km o visitante chegará no centro
comercial da sede deste município, privilegiado
por nele se encontrarem as melhores praias da
região para a prática de desportos - como o
surf. Santa Cruz Cabrália possui um belo Mirante
para se observar tanto o nascer do sol como o da
lua cheia: o Mirante da Coroa Vermelha. No morro
ao lado fica o Centro Histórico com destaque
para a Igreja de N. Sra. da Conceição, para a
antiga Casa de Câmara e Cadeia e para o Mirante
do Rio João de Tiba.
Em um passeio de balsa à outra margem do Rio
João de Tiba, podem-se conhecer os distritos de
Santo André, hoje parte de uma APA - Área de
Protecção Ambiental, de Santo António e do Guaiú.
Situada no distrito com o mesmo nome, a praia de
Santo António não possui construções na orla,
sendo ainda bastante primitiva, com águas
tranquilas e extensas áreas de coqueirais. Aqui
foi erguido, no monte mais elevado do Parque
Ecológico da Fazenda Santuário, a maior (16,5 mt)
estátua do mundo erigida a Sto. António. O
distrito do Guaiú, local também ainda bastante
primitivo, é muito procurado por naturistas. Com
a estrada pavimentada até Belmonte, na divisa
com a Costa do Cacau, ficou fácil o acesso a
todas estas praias. De Santa Cruz Cabrália a
Belmonte são apenas 50 kms, sendo que o Rio João
de Tiba é cruzado por balsas que garantem o
transportam de pessoas e veículos, um serviço
regular 24 hrs por dia, com saídas diurnas a
cada 30 minutos, nos dois sentidos. A travessia,
calma por ser água de rio, é feita em 10
minutos.
Monte Pascoal mapa
português do séc. XVII
http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Pascoal
O Monte Pascoal é
um pequeno monte (586 metros de altura)
localizado no estado da Bahia, a cerca de 156
quilómetros da cidade de Porto Seguro. Segundo
os registros históricos, o Monte Pascoal teria
sido a primeira porção de terra avistada por
Pedro Álvares Cabral e sua tripulação no dia 22
de Abril de 1500, data do Descobrimento do
Brasil. O acidente geográfico recebeu este nome
justamente porque o desembarque ocorreu na época
da Páscoa do ano de 1500.
Em 29 de Novembro de 1961 foi oficialmente
criado o Parque Nacional de Monte Pascoal, com
22,5 mil hectares e 110 quilómetros de
perímetro, no município de Porto Seguro.
Porto Seguro
Porto Seguro
foi o primeiro local onde aportaram os
navegantes portugueses comandados por Pedro
Álvares Cabral, quando do descobrimento do
Brasil, em 1500. Possui antigos monumentos
históricos, além de paisagens naturais de
rara beleza ao longo da costa.
Visitar o sítio histórico da Cidade Alta é
quase uma obrigação para os milhares de
turistas que chegam a Porto Seguro - cidade
Monumento Nacional instituída por decreto
presidencial em 1973. Primeiro núcleo
habitacional do Brasil, Porto Seguro, além
de ostentar o marco do Descobrimento,
desempenhou papel importante nos primeiros
anos da colonização. São desta época prédios
históricos que podem ser visitados durante o
dia ou apreciados à noite, quando sob efeito
de iluminação especial.
O passeio histórico pode começar pelo marco
do Descobrimento, de onde se descortina uma
das mais belas paisagens do litoral de Porto
Seguro. O marco veio de Portugal entre 1503
e 1526, e simboliza o poder da coroa
portuguesa, utilizado para demarcar suas
terras. Todo em pedra de cantaria, de um
lado está esculpida a cruz da Ordem de Avis
e, do outro, o brasão de armas de Portugal.
Na mesma área está a igreja de Nossa Senhora
da Pena, construída em 1535 pelo donatário
da capitania, Pero do Campo Tourinho. Aí
estão guardadas imagens sacras dos séculos
XVI e XVII, entre elas a de são Francisco de
Assis - primeira imagem trazida para o
Brasil - e a de Nossa Senhora da Pena,
padroeira da cidade, festejada a 8 de
Setembro. Para se ter uma melhor ideia de
como era a capitania no século de Tourinho e
da chegada dos jesuítas, poderá ler alguns
trechos das cartas escritas por Manuel da
Nóbrega ou por José de Anchieta, padres da
Companhia de Jesus sobre a região.
Mais adiante o Paço Municipal ou Casa de
Câmara e Cadeia, datada do século XVIII, uma
das mais belas construções do Brasil
colónia. Nesse prédio funciona o Museu
Histórico da Cidade ou Museu do
Descobrimento. A igreja da Misericórdia, ou
como igreja do Senhor dos Passos, de estilo
singelo, guarda imagens barrocas,
destacando-se a do Senhor dos Passos e um
Cristo crucificado.
Ainda em meio do casario tombado como
monumento nacional, se ergue a igreja de são
Benedito, ao lado das ruínas da antiga
residência e colégio dos jesuítas. A igreja
foi construída pelos jesuítas em 1551 e era
conhecida como de são Pedro e de Nossa
Senhora do Rosário. Do lado oposto, ainda na
Cidade Alta, localizam-se a estação
rodoviária e o aeroporto.
Teve seu primeiro fortim levantado em 1504
por Gonçalo Coelho e reforçado no século
XVII.
Índios Pataxós
Os Pataxó são um povo indígena de língua da
família Maxakali, do tronco Macro-Jê.
Abandonaram sua língua original e
expressam-se apenas em português.
Em 1990, eram aproximadamente 1600 índios.
Na faixa costeira do sul da Bahia, nas áreas
indígenas de Barra Velha, Coroa Vermelha e
Monte Pascoal;
Nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz
Cabrália;
Nas áreas indígenas de Mata Medonha,
Imbiriba e Trevo do Parque.
Na Terra Indígena Comexatiba (Aldeias Tauá,
Tibá, Cahy, Pequi, Alegria Nova) nos
municípios de Prado e Itamaraju.
PAtaxó-Hã-Hã-Hãe
Na Reserva Caramuru/Paraguaçu nos municípios
de Camacã, Itaju e Pau-Brasil
Na aldeia Fazenda Bahiana/Nova Vida,
município de Camamu
Índios Tuxás
Os Tuxás são um
grupo indígena que vive próximo ao submédio
rio São Francisco, mais precisamente nos
limites dos municípios brasileiros de
Ibotirama (Área Indígena Ibotirama) e do
município de Rodelas (Áreas Indígenas
Rodelas e Nova Rodelas), ambos no estado da
Bahia, e à margem direita do rio Moxotó,
junto aos limites do município pernambucano
de Inajá, desta vez na Terra Indígena
Fazenda Funil.
Trabalho e pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

Recomende
Voltar

FORMATAÇÃO E ARTE:
IARA MELO
Copyright © 2007 - Carlos Leite Ribeiro Web Page
Todos os Direitos Reservados
|