GRANDES ENTREVISTAS

Ivone Boechat de Oliveira

FORMATO DE ENTREVISTA DE CARLOS LEITE RIBEIRO

   Ivone Boechat de Oliveira

         

Ainda hesitei em ir à Praça 15 de Novembro e apanhar uma barca, ou apanhar um táxi até Niterói. Como estava um pouco de vento, resolvi apanhar um táxi.

Durante o percurso, fui lendo uns apontamentos antigos que tenho sobre Niterói: “Com a criação da Vila da Praia Grande em 1819, passou a configurar quatro freguesias, São João de Icaraí, São Sebastião de Itaipu, São Lourenço dos Índios e São Gonçalo. Além disso, em 1820, recebe seu primeiro plano de arruamento, compreendendo as áreas da Praia Grande e São Domingos. O desenho proposto foi uma malha xadrez, destacando o Largo do Rocio mais tarde denominado Largo de São João – este, projeto foi encomendado pelo Juiz de Fora José Clemente Pereira ao arquiteto Francês Arnaud Julien. Vários melhoramentos passaram a ser realizados pela câmara, os caminhos que não passavam de picadas, transformaram-se em estradas mais largas e ruas novas foram demarcadas, em prosseguimento àquelas que vinham do litoral. Em 1828, é instituída a 1º Lei Orgânica do município. A criação da Província do Rio de Janeiro, elevou a Vila da Praia Grande a capital provisória em 1834. A lei Provincial n.º 6 de 1835 eleva a Vila à categoria de cidade, recebendo a denominação de Nictheroy. O titulo imperial cidade de Nictheroy é concedido em 1841 por D. Pedro II.
A cidade se reestruturava gradativamente. Em 1841, é idealizado o Plano Taulois ou Plano da Cidade Nova, abrangendo o bairro de Icaraí e parte de Santa Rosa, constituindo-se num plano de arruamento de autoria do Engenheiro francês Pedro Taulois e organizado após a elevação da cidade a condição de capital. O traçado ortogonal da malha viária se iniciava na Praia de Icaraí e terminava na Rua Santa Rosa, duplicando a área urbanizada de Niterói.
A condição de capital estabelecida à cidade, determinou uma série de desenvolvimentos urbanos, dentre os quais, a implantação de serviços básicos como a barca a vapor em 1835, efetuado pela Cantareira e Viação Fluminense, a iluminação publica a óleo de baleia em1837, e os primeiros lampiões a gás em 1847, abastecimento de água em1861, o surgimento da Companhia de Navegação de Nictheroy em 1862, bonde de tração animal da Companhia de Ferro-Carril Nictheroyense  em 1871, Estrada de Ferro de Niterói, ligando a cidade com localidades do interior do Estado em 1872, bondes elétricos em 1883 entre outros. No fim do século XIX, a eclosão da revolta da armada em 1893, destruiu vários prédios na zona urbana e bairros litorâneos, e paralisou as atividades produtivas da cidade, fez com que divergências políticas internas interiorizassem a cidade-sede, principal causa da transferência da capital para Petrópolis. Esta condição permaneceu por quase 10 anos, possibilitando sua entrada no século XX com o projeto de reedificação da Capital. A cidade já havia sofrido fragmentação de seu território em 1890, dada a separação das freguesias de São Gonçalo, Nossa Senhora da Conceição de Cordeiro e São Sebastião de Itaipu, que passaram a constituir o município de São Gonçalo. Com isso a área de Niterói foi reduzida de 245,42km² para 84km².

No final da ponte e já na entrada de Niterói, o taxista perguntou-me para onde queria ir. Respondi-lhe: “Leve-me ao Museu de Arte Contemporânea”

Já anteriormente tinha visitado este museu, que tem uma forma arquitetónica de uma nave espacial. Nessa altura, estava em manutenção e o acervo era pouco atrativo; mas o que se avista de suas janelas, principalmente para a Baía de Guanabara é maravilhoso com a cidade do Rio de Janeiro ao fundo.

Quando cheguei, já a Ivone Boechat me esperava, para ser entrevistada.

Ivone: - Carlos, convido-o para uma volta a Niterói, principalmente ao centro histórico.

Durante o percurso, a nossa entrevistada foi falando da “sua” cidade: “Como sabe, moro em Niterói, também conhecida por Cidade Sorriso. A dominação francesa deu inicio à história niteroiense. Em 1557,  o cacique tupi, Araribóia (nome que significa cobra feroz), a convite de Mém de Sá, transferiu-se da Ilha do Governador para Niterói, com o objetivo de proteger a região de invasões. O nome da cidade foi dado, segundo consta na história, porque “é uma região de águas escondidas”, que em tupi guarani significa Niterói. Temos belíssimas praias, um visual deslumbrante do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor, um acervo histórico muito denso, porque esta cidade tem registros importantes na trajetória do Brasil.  O Museu de Arte Contemporânea de Niterói é um dos projetos arquitetônicos de destaque, entre as criações do arquiteto Oscar Niemeyer”.

Parámos num banco de madeira, no Parque da Cidade, onde começámos a entrevista:

Carlos: - Ivone, qual foi o maior desafio que aceitou até hoje?

Ivone: - Assumir o cargo de Superintendente Itinerante da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, a maior instituição de criação de escolas comunitárias da América Latina. Foram fundadas mais de mil escolas, em todo o território nacional.

Carlos: - Que género de filme daria sua vida?

Ivone: - Uma comédia para eu mesma ficar na platéia morrendo de rir!

Carlos: - Qual a sua melhor qualidade, e, maior defeito?

Ivone: - Minha maior qualidade é o meu maior defeito administrado: impaciência.

Carlos: - de que mais se orgulha?

Ivone: Da minha vontade de vencer, de chegar, de ajudar aos outros.

Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?

Ivone: - Meu pai à cabeceira da mesa do café da manhã, minha mãe e meus irmãos, orando para começar um novo dia.

Carlos: - Qual a personagem que mais admira?

Ivone: - Jesus!

Carlos: - Para a Ivone, qual o cúmulo da Beleza, e, da Fealdade?

Ivone: Respetivamente, saber viver, e, ingratidão.

Carlos: - Que vício gostaria de não ter?

Ivone: - Trabalhar tanto!

Carlos: - O dia para si começa bem…?:

Ivone: Se o Senhor estiver comigo, então, todo dia é carimbado com a palavra vitória.

Carlos: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?

Ivone: - Enfrento o frio, o calor, o vento, o sol, transformo as dificuldades em desafio, o sóbrio uso para relax, os problemas são operários vestidos de oportunidades.

Carlos: - O arrependimento mata?

Ivone: - Não. Ele nos aproxima do perdão.

Carlos: - As piadas às louras são injustas?

Ivone: - A piada inteligente é rara! A maioria é de mau gosto.

Carlos: - Seus passatempos preferidos?

Ivone: - Ir à praia, plantar flores e frutos no sítio, ler.

Carlos: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros?

Ivone: - Em mim, um grande esforço para aprender sempre; nos outros, honestidade.

Carlos: - Quando era criança…?

Ivone: - Gostava de fazer rimas, de fazer redações na escola, inventava músicas, fiz o curso de acordéon... Eu ria de tudo. Sempre fui bem-humorada. Aprendi a gostar de viver e valorizar as chamadas pequenas coisas. Hoje sei que são elas que fazem a diferença.

Carlos: - Como vai de amores?

Ivone: - Meus amores são meu marido, meus filhos, meus netos, enfim, a lista é grande de amigos também.

Carlos: - Como é que a Ivone se autodefine?

Ivone: - Uma pessoa determinada, simples, amiga.

Entretanto, tinha a chegado a hora do almoço. Fomos ao restaurante “Seu António” em Piratininga. Como sabia que a Ivone gosta muito de qualquer culinária em que entre o milho, fui-lhe dizendo que não tinha cateterísticas de “galináceo” mas que tinha grande prazer em comer milho, num bom filé de costela, também acompanhado de farofinha, feijão preto, arroz, vinagrete e salada.

Enquanto esperávamos pelo almoço e durante a refeição, continuámos a entrevista.  

Carlos: - Ivone, O Imaginário será um sonho da realidade?

Ivone: - O imaginário é um arquivo necessário. Nele existe de tudo: sonho e realidade. A educação dá competência para acessar.

Carlos: - O que é para si o termo Esoterismo?

Ivone: - O sinônimo até sei: a palavra deriva do grego e significa "interno" ou "escondido". Não me aprofundei no conteúdo. Cada um escolhe seu estilo de viver e respeito.

Carlos: - Acredita na reencarnação?

Ivone: - Acredito na reencarnação celular. Tenho a voz da minha avó, os cabelos do meu pai, a cor da minha mãe...Somos um banco genético de dados.

Carlos: - Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?

Ivone: - Tudo existe se bem alimentado. Meus fantasmas estão subnutridos.

Carlos: - Acredita em histórias fantásticas?

Ivone: - Sim. A história de cada pessoa é fantástica! Às vezes, mal representada.

Carlos: - Mudando de assunto: A cultura será uma botija de oxigênio?

Ivone: - A cultura dá ao homem a capacidade de se sintonizar com o outro e com o Universo.

Carlos: - O filme comercial que mais gostou?

Ivone: - Mozart.

Carlos: - Autores e livros preferidos?

Ivone: - Meu livro preferido é a Bíblia, com 66 livros.

O almoço tinha sido demorado e a hora de apanhar o avião para Lisboa, aproximava-se rapidamente. Esta parte da entrevista já foi feita a caminho do cais onde ia apanhar uma barca para o Rio de Janeiro.

Carlos: - Música e autores preferidos

Ivone: - A música popular brasileira com seus autores maravilhosos. Todos em destaque.

Carlos: - Que livro anda a ler?

Ivone: - Psicologia das Relações Interpessoais - Almir Del Prette e Zilda A.P.Del Prette-6ª.ed.  Editora-Vozes- 2007-RJ.

Carlos: - Vamos falar de sua obra literária?

Ivone: - "A família no Século XXI-3ª.edição" -;- "Amanhecer (Poesias) – 3ª edição" -;- "Amor – A força mágica da Educação (et alii) -;- "Competência Emocional – 4ª edição" -;- "Educar para a felicidade – 3ª edição" -;- "Escola Comunitária – 4ª edição" -;- "Escola, doce Escola – 6ª edição" -;- "Estratégias para encantar educadores na arte de aprender" -;- "Nós da educação 2ª.edição" -;- "Nós da maturidade" -;- "Nós mulheres" -;- 
O Desafio da Educação para um Novo Tempo – 3ª edição -;- "O futuro chegou – 2ª edição" -;- "Por uma Escola Humana – 5ª edição" -;- "Projeto Político Pedagógico da Escola Comunitária, (et alii)" -;- "Reflexões sobre a nova LDB, (et alii)" -;- "Uma Escola que Ensina a Amar – 5ª edição".
www.ivoneboechat.blogspot.com

Já dentro da barca que se afastava em direção à cidade do Rio de Janeiro, gritei à Ivone: “Deus existe?”

No mesmo tom a amiga e entrevistada respondeu: “Deus existe! Ninguém precisa provar, porque Ele mesmo prova.”  

E assim, falámos de:

Ivone Boechat de Oliveira

Nasceu num lindo dia 9 de Janeiro

De profissão: Consultora em Educação

 

MUDE! – Ivone Boechat
 
Ao invés de transportar
preocupações e pesadelos,
ao invés de contar desgraça
pelos cotovelos:
plante flores
em qualquer lugar.
Olhe pra cima,
admire o luar,
olhe pra frente,
faça o  lugar,
ande depressa
pra enfeitar a vida,
cante, agradeça,
por tudo o que se vê.
Faça aquilo que você
sempre quis,
não deixe
que a morte
o fantasie de flores,
e saia rindo
toda feliz.

 

Formato de entrevista de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

também pode consultar em:

         http://www.caestamosnos.org/Autores/Ivone_Boechat.htm

 

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