Esperar é sempre maçador, principalmente
quando se espera num aeroporto. Desta vez calhou ter que esperar no
aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro, para a ligação ao aeroporto
Presidente Juscelino Kubitscek, em Brasília. Depois de um bate-papo
bravo com o gerente da companhia de aviação, pois não há maneira de
fazer entrar na cabeça destes responsáveis que, quem embarca em
Portugal para percorrer o Brasil, deve ser considerado como “voo
internacional” e nada devia ter que pagar do “excesso de peso na
bagagem” que eles alegam ser “voo doméstico”. Como vai sendo
habitual, tive que pagar o tal “excesso de peso” que fica
demasiadamente caro. Em Portugal os brasileiros não têm este
problema, mas …
Resolvido este problema, aproveitei para
passar o olhar por uns apontamento que tirei sobre a Cidade Capital
Federal do Brasil: “ (…) O Marquês de Pombal, em 1716, sugeriu pela
primeira vez a necessidade de interiorizar a capital do país. Em
1821, José Bonifácio de Andrada e Silva, estadista brasileiro,
retoma o assunto da interiorização da capital, sugerindo o nome
Brasília.
A primeira Constituição da República, de 1891, estabeleceu
legalmente a região onde deveria ser instalada a futura capital, mas
somente em 1956, com a eleição de Juscelino Kubitschek, teve início
a construção de Brasília.
Em 21 de Abril de 1960, após mil dias de construção, o Presidente
Juscelino Kubitschek inaugura a nova Capital, construída no formato
de um avião, e instala o Distrito Federal (…).
Finalmente chegou a hora de embarcar e
cerca de duas horas depois aterrava em Brasília.
Passados alguns minutos, encontrei-me com o
amigo Paccelli. Depois dos cumprimentos, e como ambos estávamos com
sede, fomos até um bar do aeroporto, beber uns sumos e começar a
entrevista.
CEN: - Para o Paccelli, qual o cúmulo da
beleza, e, da fealdade ?
Paccelli: - Carlos, no meu conceito de
beleza, posso considerar a exterior Angelina Jolie e Catherina Zeta
Jones; fealdade, toda pessoa, por mais feia que seja, sempre tem um
lado belo. A educação é fundamental. Não adianta ser bela e
mal-educada. A beleza tem que ser vista em seu conjunto. Eu diria
que o cúmulo da fealdade são as pessoas prepotentes, que se acham.
CEN: - As piadas às louras são injustas ?
Paccelli: - Totalmente, assim com as de
negros, deficientes, mentalmente incapazes, etc. Só as de políticos
são justas.
Entretanto, saímos do aeroporto para dar um
giro pela bela cidade (embora tenha muito betão (concreto). Enquanto
passeávamos, o entrevistado foi falando de Brasília: “Morar em
Brasília é como morar em uma cidade de esculturas ao ar livre.
Infelizmente, é muito concreto, mas é bonita. Eu gosto daqui. É
tombada pelo patrimônio histórico nacional e está sofrendo com o
excesso populacional. Políticos oportunistas incentivaram a vinda de
pessoas, principalmente do nordeste do Brasil, sem qualificação
profissional e sem lugar para morar, com a promessa de ganharem um
lote em Brasília. Com isso, os problemas sociais se agravaram”.
Parámos em frente à Catedral de Brasília e
fomos até à Esplanada dos Ministérios, onde continuámos a
entrevista.
CEN: - Qual foi i maior desafio que o
Paccelli aceitou até hoje?
Paccelli: - Fazer um curso de ciências
humanas (filosofia) tendo uma formação técnica (agronomia).
CEN: - De que mais se orgulha ?
Paccelli: - Das conquistas obtidas no campo
literário, mesmo tendo uma formação técnica totalmente distinta.
CEN: - Qual a característica que mais
aprecia em si, e, nos outros ?
Paccelli: - E mim, A garra, a vontade de
construir um mundo mais justo. Nos outros, a sociabilidade.
CEN: - O filme comercial que mais gostou ?
Paccelli: - A Cruz de Ferro. É um filme
antigo, mas mostra que a gente faz por merecer uma medalha com o
trabalho árduo, não com títulos obtidos em academias.
CEN - Seus passatempos preferidos ?
Paccelli: - Leitura e navegação pela
internet.
CEN: - Qual a personagem que mais admira ?
Paccelli: - O vagabundo de Charles Chaplin.
CEN: - Uma imagem do passado que não quer
esquecer no futuro ?
Paccelli: - O pouso do homem na Lua.
CEN: - Sua melhor qualidade, e, maior
defeito ?
Paccelli: - Qualidade, a busca da Verdade,
sempre, mesmo que tenha que ferir os sentimentos da outra pessoa.
Defeito, sonhar com um mundo mais justo, acreditando que todas as
pessoas são boas.
CEN: - O arrependimento mata ?
Paccelli: - Sim, pode matar, mas não tem
como voltar atrás.
CEN: - Que vício gostaria de não ter ?
Paccelli: - Não tenho vícios.
CEN: - O dia começa bem para o Paccelli, se
… ?
Paccelli: - A noite for bem dormida, com a
consciência do dever cumprido.
CEN: - Que influência tem em si a queda da
folha e a chegada do frio ?
Paccelli: - Um dia vamos ter nossas folhas
caídas e o frio vai tomar conta do nosso corpo ao descermos à tumba.
Se a consciência estiver tranqüila, não há o que temer.
CEN: - Acredita na reencarnação ?
Paccelli: - Quando morrermos, saberemos.
CEN: - Acredita e fantasmas ou em “almas do
outro mundo”?
Paccelli: - Talvez sejam projeções de nossa
mente, o reflexo de nossos temores; ou um surto psicótico
esquizofrênico.
CEN: - Acredita em histórias fantásticas ?:
Paccelli: - Sim, mas como fruto das nossas
fantasias, pois a realidade às vezes nos sufoca. Só as histórias
fantásticas nos aliviam da pressão do dia a dia.
CEN: - O imaginário será um sonho da
realidade ?
Paccelli: - Um ensinamento restrito àqueles
que têm um conhecimento mais avançado de Filosofia.
CEN: - Como vai de amores ?
Paccelli: - Apesar dos percalços de saúde,
não tenho do que reclamar.
CEN: - Quando o Paccelli era criança … ?
Paccelli: - Sonhar com a conquista
espacial.
CEN: - E agora, como se auto-define ?:
Paccelli: - Um idealista, um buscador, um
sonhador de um mundo mais justo e melhor.
CEN: - Que género de filme daria sua vida ?
Paccelli: - Uma aventura.
Com a conversa tão agradável, quase nos
íamos esquecendo o almoço. Fomos até ao restaurante “Feitiço
Mineiro”, onde no cardápio escolhemos arroz, salada e bife,
acompanhado por água filtrada. No final da refeição, fomos até ao
Bar Beirute (107 norte) onde bebemos um uísque e fizemos a última
parte da entrevista.
CEN: - Que livro anda o Paccelli a ler ?
Paccelli: - A origem da obra de arte, de
Martin Heidegger.
CEN: - A cultura será uma botija de
oxigénio ?
Paccelli: - Se considerada como um fator
para mudar a sociedade atual, sim.
CEN: - Falando de música, quais seus
autores preferidos?
Paccelli: - Tenho preferência pelo
Beethoven, pela superação de sua deficiência física, a surdez.
CEN: - E autores e livros preferidos ?
Paccelli: - Ultimamente, tenho preferido os
clássicos da Filosofia. Não imaginava o quanto eles são atuais.
CEN: - Sua obra literária ?
Paccelli: - Amaryllis (poesia), obra
física, há muitas outras virtuais na biblioteca virtual do Portal "Cá
Estamos Nós".
CEN: - Para terminar, Deus existe ?
Paccelli: - Só vamos saber ao morrer. O
Deus católico, muçulmano, protestante, etc., são frutos da nossa
imaginação, do nosso desejo de encontrar justiça em um mundo
injusto. O verdadeiro Deus está em nosso interior e só vamos
encontrá-lo ao morrermos.
Assim, falámos de:
Paccelli José Maracci Zahler
http://www.geocities.com/paccelli
Nascido a 7 de Abril de 1958
Engenheiro agrônomo, Fiscal Federal
Agropecuário.
CULTURA GERAL (miniconto) - Paccelli José
Maracci Zahler
- Vivemos uma época onde todos observam o comportamento de todos,
câmeras por todo lado, até parece que o ‘Big Brother’ está
observando a gente.
- É mesmo! Com tantas câmeras, parece que estamos no ‘Big Brother’
Brasil, como o Rafinha, a Gy, o Marcão e a Nat.
- Ops! Eu estava me referindo ao `Big Brother` do livro “1984”, do
George Orwell.
-George Orwell? Quem é esse cara?
- Meu Deus! Ó, meu Deus!
NA AGÊNCIA FRANQUEADA DOS CORREIOS (miniconto)
- Por que minha correspondência retornou?
- Porque o senhor colocou o nome do destinatário, a Caixa Postal,o
Código de Endereçamento Postal, mas não colocou o endereço completo.
- A senhora sabe o que significa Caixa Postal?
- Ora, deve ser uma caixa para colocar cartas. Na certa, na casa não
tinha caixa postal. Por que?
- Vamos fazer o seguinte, a senhora procura saber o que é uma Caixa
Postal e da próxima vez conversamos.