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Entrevistado: Neyd Maria Makiolka Montingelli



 

 

Por: Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 

 

 

Mais um vez no Brasil, desta vez no Aeroporto de São Paulo, aguardando ligação aérea para Curitiba, capital do Estado do Paraná. Para passar o tempo, foi passando os olhos por uma breve resenha da História do Paraná. “Tendo sido abandonada pelos portugueses no século XVI, a área do atual Paraná foi explorada principalmente pelos espanhóis, a quem se deve a fundação dos primeiros núcleos urbanos. No século XVII, o bandeirismo encaminhou-se para esta região, vindo a ocasionar a descoberta de ouro aluvionar e a intensa escravização dos nativos. A produção aurífera não se mostrou sobejamente rentável, tendo sido interrompida ao fim de pouco tempo. A perseguição aos índios gerou genocídio e também a destruição de aldeias e missões jesuítas. Após a descoberta de ouro no Estado de Minas Gerais, os paranaenses passaram a ocupar-se do abastecimento, em especial da comercialização do gado bovino, destinada àquela região. Adiantado na história, em 1811 criou-se a comarca de Paranaguá e Curitiba, integrada na capitania de São Paulo, Em 1853, instituiu-se a Província do Paraná, e, incentivou-se então uma rica e diversificada população de imigrantes europeus. Entre 1912 e 1916, desenrolou-se a Guerra do Contestado, que pôs em conflito os interesses de sertanejos e os do Paraná frente aos do Estado de Santa Catarina…”.

O tempo foi passando e poucas horas depois aterrei no aeroporto de Curitiba. Depois de passar pela alfândega, à saída do aeroporto a amiga Neyd Maria já esperava-me. Depois dos comprimentos da praxe, convidou-me a fazer um tour pela cidade, que me pareceu logo muito bela.

Neyd: - Curitiba é uma linda, limpa e organizada cidade do sul do Brasil, que foi colonizada por italianos, alemães e poloneses (eu descendo desses). Curitiba tem 1.890.000 habitantes, é o município mais populoso da região Sul e o 8º do Brasil em número de habitantes. Foi fundada em 1693 para ser a parada dos bandeirantes que se dirigiam ao sul do país. É famosa internacionalmente pelas suas inovações urbanísticas e cuidado com o meio ambiente. Conta com elevada posição nos indicadores de educação, a menor taxa de analfabetismo e a melhor qualidade na educação entre as capitais brasileiras. Tem um clima temperado, com médias abaixo de 18ºC nos meses de inverno, caindo por vezes para perto de 0ºC em dias mais frios. Já teve a incidência de neve. Possui 30 áreas preservadas de Parques e Praças, sendo as principais: O Parque Barigui, o Bosque do Papa, Jardim Botânico, Passeio Público, Zoológico.

 

 

 

 

Curitiba tem uma grande quantidade de museus: o Museu Paranaense, Museu Oscar Niemeyer, Museu de Arte Sacra, Museu do Expedicionário, de Arte Contemporânea, Metropolitano de Arte, de História Natural. No centro da cidade está a maior biblioteca pública da Região Sul, com quase 600.000 livros e em vários bairros existem os Faróis do Saber que servem de bibliotecas e centros de cultura. Curitiba tem 3 principais times de futebol com seus estádios e a cidade foi uma das sedes nas duas Copas realizadas no Brasil em 1950 e em 2014. Nesta última a Arena da Baixada do Clube Atlético Paranaense foi reformada e serviu de palco para o mundial.

 

 

Carlos: Desculpe interrompe-la: Como é que a amiga de autodefine?

Neyd: - Uma pessoa feliz, de bem com a vida, com a minha linda família e com o que me cerca.

Carlos: - E como vai de amores?

Neyd: - Muito bem. 36 anos de casada e me apaixono por meu marido várias vezes ao ano.

Carlos: - E seus passatempos preferidos?

Neyd: - Fazer bolos confeitados, tricô, costura, ler, ver filmes policiais, plantar.

Carlos: - Sua melhor qualidade, e seu maior defeito?

Neyd: - Qualidade ouvir; defeito dar opinião.

 

Carlos: - Quando a Neyd era criança ...?

Neyd: - Gostava de conversar com os mais velhos, brincar lá fora, brincar de faz de conta (armazém, princesas, Bonanza).

 

Carlos: - Qual a personagem que mais admira?

 

Neyd: - Meu falecido sogro, que era uma pessoa íntegra, virtuosa e amável. Seus princípios de vida contribuíram para melhorar a minha. Escrevi um livro biográfico sobre ele. Núncio Montingelli - Inesquecível homem de família.

 

Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?

Neyd: - Eu conversando com minhas avós Zeneida e Maria.

Carlos: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje?

Neyd: - Publicar o primeiro livro e antes disso, a prova do Mestrado.

Carlos: - De que mais se orgulha? De ter criado 4 filhas lindas e inteligentes junto com meu amado marido.

Carlos: - Que vício gostaria de não ter?

Neyd: - Comer doces. E para falar em comer, está na hora do almoço. Convido o Carlos para almoçar comigo. Vamos ao Restaurante Gianfranco Massas, comer um saboroso Mignon de pimentas verdes.

Carlos: - Aceito a sua gentileza!

Antes e depois da refeição, continuámos a entrevista:

Carlos: - Que gênero de filme daria sua vida?

Neyd: - Romance, certamente!

Carlos: - O dia começa bem para Neyd se...?

Neyd: - Eu fizer uma oração, abrir as janelas e conversar com meus pássaros.

 

Carlos: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?

 

Neyd: - A lembrança que meu nariz vai ser a parte mais importante do meu corpo, pois tenho rinite. Fora isso, gosto do sentido da renovação: caem as folhas velhas para dar lugar às novas.

 

Carlos: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros? 

 

Neyd: - Em mim, a criatividade; nos outros, a gentileza.

 

Carlos: - Qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade?

 

Neyd: - Beleza, o pezinho de um bebê; da fealdade, meninas de 10 anos usando roupas, maquiagem e sapatos de adultos.

 

Carlos: - As piadas às louras são injustas?

 

Neyd: - São, mas deixa estar que algumas merecem...

 

Carlos: - O arrependimento mata?

 

Neyd: - Não, justifica novas atitudes.

 

Carlos: - Deus existe?

 

Neyd: - Sim.

 

Carlos: - Acredita em histórias fantásticas, e em fantasmas ou em "almas do outro mundo"? 

 

Neyd: - Não, até prova pessoal em contrário.

 

Carlos: - Acredita na reencarnação?

Neyd: - Não, mas preciso estudar a respeito.

Carlos: - O imaginário será um sonho da realidade?

Neyd: - Ele parte da realidade e voa por caminhos não conhecidos.

Carlos: - O que é para você o termo Esoterismo?

Neyd: - Oculto. Desperta minha curiosidade. Desconhecido.

Carlos: - Mudando de tema: A cultura será uma botija de oxigênio?

Neyd: - Sempre.

Carlos: - O filme comercial que mais gostou?

Neyd: - De volta para o passado, O segredo do abismo.

Carlos: - Música e autores preferidos?

Neyd: -  Sou eclética. Tirando o rock barulho, funk e rap. Escuto e aprecio todas as músicas. Gosto de ler a letra e saber da mensagem, da poesia. Gosto de ouvir música clássica e seus cantores a plenos pulmões. Gosto de música de criança e de hinos religiosos.

Carlos: - Autores e livros preferidos?

Neyd: - Autor brasileiro do passado, gosto de Machado de Assis e Dom Casmurro. Do presente gosto de Isabel Furini em O livro do escritor. Estrangeiros gosto de livros de ficção, romance e dramas.

Carlos: - Tem um amigo/a escritor?

Neyd: - Tenho vários: Isabel Furini, Rogério Coelho, Izabelle Valladares, Andréia, Elieder, Marilena, Vanice e mais...

Carlos: - Sua obra literária?

Neyd: - Tenho 19 livros publicados e participo em parcerias e antologias em 74 outros livros.

Carlos: - Literariamente, seus projetos para o futuro?

Neyd: No meu desktop, tenho 16 títulos começados (este número sempre cresce). Todos os dias dou uma beliscadinha em dois ou três. Quando um livro é publicado. Fico dias decidindo qual dos muitos vou dar continuidade.

E assim falámos de:

Neyd Maria Makiolka Montingelli (nome literário: Neyd Montingelli)

Nascida a 05/11/1957

Aposentada pela Caixa Econômica Federal; já teve um laticínio e agora é escritora.

 

 

Herói morto ou covarde vivo - de Neyd Montingelli

 

Era uma tarde ensolarada de verão e se ouvia o canto dos canários vindo das 3 gaiolas presas na parede laranjada da casa da minha avó. Capinhas de plástico colorido envolviam o fundo e folhas de couve murchas pelo sol pendiam pelas grades. Eu lavava minhas roupas de boneca em uma grande bacia de churrasco com mais sabão do que água e me divertia com a enorme quantidade de espuma.
A sinfonia dos pássaros entremeada pelos meus risos foi interrompida pelo chamado urgente do Seu Genésio, um vizinho, que chegou no portão. Meu avô que cochilava preguiçosamente na cadeira de vime da varanda, levantou limpando a baba e catando os chinelos de pano. Foi até o portão levantando a tradicional calça de pijama listrado com os fundilhos caídos, ajeitando a camiseta regata para dentro da cintura de elástico, como se isso o deixasse mais apresentável.
Assim que falou com o homenzinho barrigudo, tomou de assalto e entrou em casa tão rapidamente que aquele homem que dormitava na varanda desapareceu completamente para dar lugar a um policial semifardado em segundos. Com bota de cano alto, calça e camisa de trabalho e até o capacete. Subiu em sua moto gigantesca, também de trabalho, pois era policial Rodoviário e saiu cantando pneu, deixando o mini senhor vizinho parado no portão, como um anão de jardim.
As minhas mãos ficaram geladas e pegajosas por eu ficar brincando com o sabonete amolecido distraidamente enquanto observava o vai e vem com os dois. Foi até difícil tirar o sabonete grudado entre os dedos e unhas. Isto porque eu não queria mais brincar daquilo. Agora eu queria ver de perto o que estava acontecendo.
De cima dos meus 8 anos eu precisava saber. Devia ser alguma coisa muito séria, pois meu avô em casa, era muito pacato e para ele se alterar, tinha que ser algo muito perigoso mesmo.
Entrei na casa da minha avó tentando enxugar as mãos na minha calça, não sem antes deixar um rastro de água e sabão pela cozinha. Ela estava apreensiva olhando pela janela. Quando cheguei perto, ela me abraçou bem forte que quase me esmagou e, logo me deu uma bronca por estar toda molhada.
Uns minutos depois escutamos a barulhenta motocicleta do meu avô e corremos para a porta da cozinha a tempo de ver o meu tio sendo tirado da garupa pelos cabelos. O meu avô agarrou aquela franja negra ondulada dele com a mão esquerda e com a direita dava uns sopapos nele.
Minha avó já estava na 5ª. Ave Maria e não saia do lugar e eu, que era bem esperta, me agarrei no avental dela e fiquei bem perto e bem quietinha.
O meu avô era um homem muito grande, um libanês de 1,90m de altura e devia pesar uns 100kg. Vestido como policial parecia maior ainda. Brabo e gritando então…
Ele veio da moto até a porta de casa dando tanto safanão no moço, tanto tapa na orelha e falando e gritando tanto que até aquela hora eu não entendi nada. O filho tentava falar, mas não adiantava. Apesar de não ser mais criança com seus 18 anos, os clamores eram em vão.
Eu estava morrendo de vontade de perguntar para a vovó o que o Tico tinha feito, mas estava com mais medo de interromper do que curiosidade. Até que ouvi uma frase do meu avô que me deixou mais curiosa ainda:
- Para mim, Herói morto pode ser o filho de qualquer vizinho. Prefiro que o meu filho seja um COVARDE VIVO.
Depois de falar isso ele largou o pobre do meu tio e entrou em casa. Minha avó foi lá cuidar do que eu pude deduzir ser o “Herói QUASE morto” que estava parado ao lado da casa, todo enlameado e arranhado. Ele foi tomar um banho e minha avó fez vários curativos nos braços e nas costas dele.
O que ele fez?
Bem, ele e os rapazes do bairro estavam tomando banho no rio e um deles aventurou-se nas cavas, um lugar perigoso, com areal no fundo. Só para se exibir para as moças que estavam junto. Ficou preso na mistura de areia, lama e galhos do fundo e estava se afogando. Os outros companheiros não queriam ir até lá porque sabiam do perigo, mas o Tico era corajoso e foi salvar o amigo. Quase se afogou, pois havia muitos galhos e aquele que estava preso se agarrou nele e o estava puxando cada vez mais para o lodo. Com muito custo conseguiu tirar o amigo para a margem e quase que o meu tio é que se afoga.
Daí que o meu avô ficou muito irado, pois pela bravura e coragem dele, o amigo seria salvo e ele morreria. Por isso que ele disse que preferia um filho covarde, mas VIVO.

 

Formato de entrevista de: Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 
 
 
 

 

 

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Créditos: Fotos de Curitiba adquiridas na Internet

 

 

 

 

 

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