Recreio dos
Bandeirantes. Uma
continuação da Barra da
Tijuca, ainda tranquilo.
A praia é menos
frequentada, apesar das
redondezas, estar a
ficar cheia de
construções. Apresámos a
entrevista para as 16 /
17 horas, num quiosque
gostoso, com o sol
bonito mas não forte
demais, e o céu
totalmente rosado, como
convém às energias
renovadoras, que descem
do Cosmo nesse início de
Era-Nova, como é o
movimento que
atravessamos – e a
renovação é sempre bem
vinda. O quiosque ficava
junto às palmeiras na
beira da bela praia. Já
me encontrava neste
paraíso terreal a algum
tempo, a beber uma
cerveja e a admirar a
beleza da paisagem,
quando o celular tocou,
e, no outro lado estava
uma voz de timbre
agradável – daquelas
habituadas a falar em
público – a dizer-me: -
“Carlos ! estou um pouco
atrasada e sobretudo
muito cansada !”. Sorri
e logo repliquei: -“Márcia
! também já estou
terrivelmente cansado
... de estar à sua
espera !”. Do outro lado
veio um silêncio que
pareceu não ter fim, mas
por fim, este silêncio
quebrou. – “Estou a
compreendê-lo apesar de
não poder aceitar, pois,
vocês os homens, por as
mulheres se atrasarem
uns minutozinhos (já
passava 90 minutos da
hora combinada), começam
logo a ficarem alterados
e até “estragados” !.
Vocês, os homens, nunca
mais compreendem o
trabalho das mulheres:
trabalho profissional,
trabalho em casa, aturar
os filhos e, sobretudo,
aturar os maridos !”.
Claro, que um
entrevistador, terá
(???) sempre de dar
razão ao entrevistado –
e foi o que fizemos –
pois, senão, ainda não
era naquele dia que
conseguia entrevistar a,
MÁRCIA MARIA MONTEIRO
LEITE e SILVA
Mas, por fim, lá
apareceu, elegante como
sempre, com o seu ar
distinto, alegre e
jovial. Parecia outra
pessoa, e não aquela que
minutos antes quase
“queimou” o
entrevistador. Com o seu
ar simpático aproximou-se
de onde eu estava
sentado e com uma
“Óiiiii” prolongado,
também se sentou na
minha mesa. – “Desculpa,
Carlos ! O atraso foi só
pelo trânsito caótico a
esta hora (?)”. Por
favor não faças essa
cara de espanto ...”.
Quase sem dar por tal,
e, ingénuamente
repliquei: - “Márcia,
mas você não mora aqui
perto ?...”. Pareceu-me
ficar algo corada, mas
mesmo assim foi dizendo:
- “Sabes, eu não estava
em casa ...”.
Compreendi e,
filosoficamente, pensei,
“Nada a fazer contra a
psicologia feminina
...”.
Foi nos dizendo que
nasceu num belo ano, a
14 de Julho, sendo por
isso Caranguejo de signo
(... a lua dá-lhe um
grande poder de intuição
e sabe utilizá-lo para
fazer felizes todos
aqueles que estão à sua
volta ...”.
Quando era criança, teve
sempre a sorte de ter
uma infância feliz,
protegida com espaço
para ser criança de
verdade. É filha de José
e de Martha (ainda uma
linda senhora), duas
pessoas que sabem Amar!.
Adora música, tendo até
formatura nesta área,
embora nunca tem
exercido
profissionalmente. Gosta
dos clássico como Bach,
Mozart, Bizet, Puccini e
tantos outros. Gosta de
Ópera desde Puccini até
Chico Buarque de
Hollanda. Sabe tocar, e
bem , piano – mas só
para familiares e
amigos.
Aprecia, e muito, a
leitura, tendo vários
autores seus preferidos,
como Shakespeare,
Fernando Pessoa, Manuel
Barros, Guimarães Rosa,
Machado de Assis, Eça de
Queiroz, e tantos outros
! Actualmente, estou
lendo muito, de novo,
Mário Quintana e Garcia
da Lorca, mas sem nenhum
livro “preferido”. – “
Uso muito no meu
trabalho o Dicionário de
Símbolos de Jean
Chevalier e Alain
Gheerbrant, que, numa
determinada época da
minha vida foi o MAIS
importante, pelas
respostas lá encontradas
às “metáforas” divinas
... Já li Shogum (todinho),
mais de três vezes; os
costumes orientais têm
um encanto todo
especial para o meu
imaginário. Agora, estou
(re)lendo “Meninas
boazinhas vão para o céu;
As más vão à luta !”.
O filme comercial da sua
vida, diz que não existe
um só : - “Love at first
sight” com Merryl Streep
e Robert de Niro (vi
pelo menos umas 5 vezes
...) sendo esse o meu
lado romântico, pois, é
um filme de amor
simpleszinho; outro
filme que me tocou
demais “Lanternas
Vermelhas” (vi pelo
menos 3 vezes ...). Ah,
também adoro todos os de
Fellini. Ainda está
hesitante quanto ao
argumento do filme de
sua vida, mas não deve
de andar longe de contar
andorinhas e outros
pássaros, de realçar as
belezas naturais de
Urca, Barra da Tijuca e
Jacarepaguá, uma casinha
bem pequenina em
Itaipava e uns Outonos
passados em Paris.
Também será focada a sua
futura home pague, que,
como a Márcia diz, está
como o Bocage “à espera
da última novidade ... .
Nos seus passatempos
preferidos, diz-nos,
meio a bricar meia a
sério: “Contar
andorinhas, cumprimentar
o bem-te-vi que vem
todos os dias, solitário
também me cumprimentar
no terraço e ver os
sanhaços namorando na
palmeira que fica
embaixo da minha janela
... . Aqui não podemos
de exclamar :-
“Bisbilhoteira !” , o
que a nossa
interlocutora logo
vivamente replicou: -
“Eu ?! bisbilhoteira ?!
... não, como estou
sempre em continuada
construção, pretendo
estar sempre a par das
novas inovações, mesmo
as de cariz amorosa !”.
Com tal argumentação,
tivemos de concordar, e
a nossa entrevistada
continuou o seu
raciocínio: “E ter
também coisas para fazer
/ cria ao mesmo tempo;
aí está a minha grande
contradição, exposta”.
Vai bem de amores, e,
uma das grandes paixões
é gente, animais e
Natureza. Auto-difine-se
como: - “Uma pessoa
constantemente “em
construção”; sendo a sua
melhor qualidade “A
Gratidão”; e seu maior
defeito (?)
“Meio-preguiçosa, e,
muito impaciente com
certos tipos de pessoas
(mesmo depois de contar
até dez ...”. Seus ódios
de estimação: -
“Cretinices e injustiças”.
Márcia, vamos abrir
outro capítulo e vamos
falar na sua obra
literária – quer começar:
- “Perfil 96; Perfil 98;
Perfil 2000; Agenda –
Cadernos de Poesia; Mais
Prosa – Oficina, RJ;
Antologia EROS – SP;
Horizontes – SP. Chega
?...”. – “Até à
próxima, chega” –
respondemos nós. A
Márcia Leite sorriu e
continuou: -“Embora não
seja minha “obra
literária”, direi que
sou filiada em APPERJ –
Associação Profissional
de Poetas do estado do
Rio de Janeiro e também
na AJEB – Associação de
Jornalistas e Escritoras
do Brasil. Na APPERJ,
sou dirigente e uma das
responsável pelo
departamento da
juventude (e diremos nós
que, pela sua
jovialidade, a Márcia
está muito bem colocada
neste departamento).
Assim falámos de MÁRCIA
MARIA MONTEIRO LEITE
e SILVA
Decoradora (utilizando
muito o Feng Shui),
tradutoras e, claro,
também poeta .