Carlos: - Sua melhor
qualidade?
Malude: -Sinceridade,
Fidelidade e Honestidade
( em resumo sou íntegra
que procura mais e mais
se aperfeiçoar
espiritual e
mentalmente)
Carlos: - Seu maior
defeito?
Malude: - Nervosismo
devido ao DNA tenho o
"pavio curto"; expressão
usada para quem não
consegue ter um bom auto
controle diante das
situações.Eu detesto ser
assim.
Carlos: - Qual a
característica que mais
aprecia em si?
Malude: - A
espontaneidade. Se estou
bem meu sorriso é
contagiante, mas o
contrário é
verdadeiro.Normalmente
sou alegre e gosto de um
bom papo, mas não sei
fingir para agradar a
quem quer que seja. Me
considero muito
verdadeira.
Carlos: - E nos outros?
Malude: - Admiro as
pessoas seguras de si,
empolgadas, que dão a
volta por cima
rapidamente. Porém fico
cativa de gente simples,
humilde que não precisa
propagar seu valor
deixando que os demais o
reconheçam. Em suma: a
simplicidade e a
segurança.
Carlos: -
O arrependimento mata?
Malude: -
Tudo pode matar, ou seja,
arrasar com o indivíduo se
não for bem trabalhado.
Primeiramente não se deve
olhar pra trás pois o tempo
não para nem volta mais. É
desgastante ficar remoendo
coisas e fatos se "águas
passadas não movem moinho".
O negócio é tocar pra frente
que atrás vem gente. Não sou
de chorar sobre leite
derramado.
Carlos: -
A personagem que mais
admira?
Malude: -
Jesus Cristo
Carlos: -
Como vai de amores?
Malude: -
Sou uma felizarda porque me
casei com o primeiro amor da
minha vida e já vamos fazer
quarenta anos dessa união
que nos deu três filhos
varões dos quais muito me
orgulho e agradeço a Deus
por isso. Não digo que a
vida a dois seja um "mar de
rosas", mas é importante
vivê-la intensamente. Sou
feliz!
Carlos: -
Uma imagem do passado que
não quer esquecer no futuro?
Malude: -
As imagens do meu casamento
quando ousei entrar na
igreja usando um lindo
chapéu em organdi, lançando
moda e depois seguida por
muitas. Minha foto em
tamanho gigante ficou em
exposição no estúdio de Ciel,
na rua da Matriz.
Carlos: -
O maior desafio que aceitou
até hoje?
Malude: -
Ser uma verdadeira mãe. Isso
custou minha carreira
profissional e não me
arrependo. Foi a melhor
coisa da vida, mas foi
desafiante e continua sendo.
Carlos: -
Que género de filme daria
sua vida?
Malude: -
Caso Verídico de uma jovem
com tudo para brilhar e
fazer carreira
profissionalmente e abdicar
em favor da família. Um
melodrama com final feliz.
Carlos: -
Quais seus passatempos
preferidos?
Malude:-
Ler, escrever, ver bons
programas televisados,
inclusive os jornais para me
manter atualizada e viajar.
Graças a Deus conheço
algumas partes do mundo
especialmente do meu país.
Estive em Lisboa na minha
excursão pela Europa e
adorei.
Carlos: -
E quando a Malude era
criança, como era...?
Malude: -
Uma criança carente
afetivamente. Menina calma,
boazinha e chorona. Um
sentimentalismo à flor da
pele. Muito estudiosa e
apegada às tarefas
escolares.
Carlos: -
E agora, como se
auto-define?
Malude: -
Uma pessoa sonhadora e
confiante no porvir (graça
de Deus), fazendo a minha
parte o mais corretamente
possível eliminando os erros
e escorregões. Tentando
viver um dia de cada vez e
pedindo sempre a proteção
divina. "Tudo posso Naquele
que me fortalece".
Entretanto, tinha chegado a
hora do almoço. Regressamos
ao Centro de Caruaru e
continuamos a entre vista.
Carlos: -
Qual o cúmulo da beleza?
Malude: -
A beleza suprema de Deus. O
homem iluminado pela luz
divina demonstra
características dessa
beleza.
Carlos: -
E da fealdade?
Malude: -
O mau caráter transmite toda feiúra possível.
Carlos: -
As piadas às louras são
injustas?
Malude: -
Acho que sim, porém são de
um humor incrível e produzem
grandes gargalhadas.
Carlos: -
Que vício gostaria de não
ter?
Malude: -
Dormir após o almoço.
Carlos:-
O dia começa bem se ...?
Malude: -
A pessoa logo ao acordar
entregar todo o seu dia ao
soberano Deus, pedindo
proteção e livramento de
todo mal.
Carlos: -
Que influência tem em si a
queda da folha e a chegada
do frio?
Malude: -
Nos dias ensolarados existe
um melhor ânimo para as
atividades diárias e nos
dias frios, normalmente a
gente se encolhe e se
refugia num cobertor quente.
As folhas caem, mas nascem
outras no lugar e a chegada
do frio pede aconchego.
Chegámos
ao restaurante “Caruarense”
, onde comemos um manjar
tipicamente nordestino:
Carne de sol com farinha
quebradinha, bode guisado e
feijão verde, acompanhado
por Espumante do Vale dos
Vinhedos do Rio Grande do
Sul RS.
Continuámos a entrevista
enquanto nos preparavam o
almoço.
Carlos: -
Acredita em histórias
fantásticas?
Malude: -
O fantástico sempre atrai a
curiosidade e fatos
históricos ou simplesmente
estórias, se bem contadas,
são admirados e bem-vindos,
independente de serem
verídicas ou não. Cabe a
cada um, ter bom senso para
distinguir entre uma coisa e
outra.
Carlos: -
Acredita na reencarnação?
Malude: -
Não.
Carlos: -
Acredita em fantasmas ou em
“almas do outro mundo”?
Malude: -
Também Não.
Carlos: -
O Imaginário será um sonho
da realidade?
Malude: -
A mente humana é
poderosíssima e a imaginação
não tem limites. Sonhar é
salutar, porém cada sonho
deve se pautar numa possível
realidade.
Carlos: -
O que é para você o termo
Esoterismo?
Malude: -
É a prática do ocultismo e
ensinamentos de um grupo
fechado e misterioso. Jesus
pregava abertamente no
templo e é assim que deve
ser ministrada qualquer
doutrina.
Carlos:
- Qual a sua profissão?
Malude: -
No momento estou aposentada,
dedicando-me aos meus
escritos, minha casa e
família e à minha única
neta: Rebecca, mas pertenço
à Academia de Letras e ao
Clube de Serviço Lionesse
Clube de Caruaru (Lions)
onde há uma Creche com o meu
nome: Creche Tia Malude e
não me falta ocupação.
Também sou voluntária no
Projeto Viver da Igreja
Presbiteriana de Caruaru.
Estou envolvida com esses
trabalhos sociais, mas já
fui professora, funcionária
pública e empresária.
Depois do
almoço, fomos para uma
esplanada perto de onde se
apanha o “pau de arara”,
perdão, o ónibus para a
cidade do Recife, onde
terminámos a entrevista.
Carlos: -
Que livro anda a ler?
Malude: -
Estou lendo a edição
especial do livro, romance:
Terra de Caruaru, do autor
caruaruense José Condé,
falecido no Rio de Janeiro
há 40 anos. É uma obra prima
de valor nacional e
internacional.
Carlos: -
Para a Malude, a cultura
será uma botija de oxigénio?
Malude: -
O modo de vida de um povo é
que forma sua cultura. Cada
povo tem a sua diferenciada
e expressa através da dança,
das canções e músicas, do
artesanato, das comidas, dos
credos, das artes em geral
(pintura, teatro, etc.) e da
literatura. Não existe povo
sem cultura como não existe
vida sem oxigênio, embora
haja algumas culturas
privilegiadas, ricas,
divulgadas, mas é uma
questão de valorização. No
Brasil, os hábitos e
costumes dos africanos,
europeus e índios que nos
colonizaram se uniram
aflorando uma mistura de
raças e consequentemente de
cultura, o que é
maravilhoso.
Carlos: -
Vamos falar de sua obra
Literária?
Malude: -
Publiquei dois livros.
Primeiro: "No Meu Caminho"
pelo Lions e atualmente o
segundo: "Reminiscências"
que foi lançado durante os
trabalhos do FLIC - festival
LITERÁRIO DE CARUARU
promovido pela ACACCIL e
pela Fundação de Cultura e
Turismo Municipal, porém
toda semana tem artigo de
minha lavra publicado nos
Jornais Vanguarda e Extra,
além do Diário de
Pernambuco. Acho que
enquanto Deus me inspirar
estarei escrevendo num
desenvolvimento dos talentos
que Ele me deu.
Carlos: -
Autores e livros seus
preferidos?
Malude: -
Gosto de passar uma vista em
tudo que me cai às mãos e
logo analiso o conteúdo, mas
ler mesmo como curtição eu
aprecio a obra de Jorge
Amado, pois tenho toda a
coleção e daqui da terrinha
tenho inúmeros livros de
Nelson Barbalho.
Carlos: -
Falando de Música e autores
preferidos?
Malude: -
Considero Chico Buarque de
Holanda nosso melhor
compositor na fase
contemporânea, Caetano
Veloso, Gilberto Gil também
me agradam muito. Como
melhor voz, classifico a
cantora Gal Costa.
Carlos: -
O filme comercial que mais
gostou?
Malude: -
Quase Deuses
Carlos:
Uma última pergunta. Para a
Malude, Deus existe?:
Malude: -
Claro. Como não? Quem
seríamos nós sem a
existência de Deus? Nada
existiria.
Assim,
falámos de: