Já era quase
noite quando
o avião
vindo de
Lisboa,
aterrou no
Aeroporto
Internacional
de São
Paulo/Guarulhos.
Chegou um
pouco
atrasado e
daí a minha
preocupação
em não poder
apanhar
outro avião
para
Florianópolis/SC. Mas tive
sorte pois o
avião que ia
apanhar,
também
chegou um
pouco
atrasado.
Estava
cansado de
tantas horas
de avião;
procurei o
balcão para
fazer o
chek-in,
comer dois
bolos e
beber um
sumo não me
recordo de
que fruta.
Meia hora
depois, já
estava no ar
a caminho do
Sul do
Brasil.
Adormeci e
até sonhei
com a Iara,
em trajos de
índia, com
penas na
cabeça, arco
e flechas e
pinturas
guerreiras
no rosto.
Clamava ela
que ia a
Blumenau
reclamar as
terras que
os alemães
tinham
colonizado.
Quando
acordei, dei
boas
gargalhadas.
Voltei a
adormecer e
só acordei
quando uma
aeromoça,
com voz
meiga me
disse: “Sr.
Passageiro,
chegámos a Carianos.
Muito
ensonado,
perguntei-lhe:
- O que é
Carianos ?
Sorriu ao
notar que eu
era
português e
apressou-se
a dizer:
“Sr.
Passageiro,
chegámos ao
Aeroporto
Internacional
“Hercílio
Luz” em
Florianópolis SC –
Brasil”.
“Sobrando”
ainda muito
sono,
levantei-me
e saí do
avião. Meia
hora depois
saia do
aeroporto e
logo quando
cheguei à
rua, uma voz
me chamou:
“Carlos,
Carlos estou
aqui!. Era a
figura
altíssima do
nosso
entrevistado,
o Dr.
Caminha”.
Depois da
praxe dos
cumprimentos,
rumámos a
sua casa,
que na sua
frente, tem
uma piscina
e duas
torres
.
Não me
apeteceu
comer nada e
o Caminha
indicou-me a
torre do
lado
esquerdo. Já
no quarto,
despi-me e
adormeci
rapidamente…
Comecei
então a
sonhar (ou
seria um
pesadelo?)
que estava
em Londres
(Inglaterra)
nos
calabouços
de uma das
Torres da
ponte que
atravessa o
rio Tamisa.
Aos meus
olhos,
começaram a
desfilar a
Ana Bolena e
a Catarina
Howard e por
fim,
“apareceu” a
rainha
Isabel 1ª.
Encolhi-me
todo,
receando
poder ser
violado. Mas
não, a
majestade
foi
entregar-me
um barril de
cerveja, por
sinal,
produto
alemão.
- Carlos,
Carlos ? –
era a voz do
Caminha que
me chamava –
já está
acordado ?
Levantei-me
rapidamente,
tomei um
duche e
desci da
torre.
Cumprimentei
os presentes
que me
aguardavam
para o
pequeno
almoço.
Perguntaram-me
se eu queria
dar um
mergulho na
piscina, mas
eu nado como
um prego …
Despedimos e
iniciámos o
percurso até
Blumenau,
não sei
antes o meu
entrevistado
exclamasse:
“Estou de
volta da
terrinha (Florianópolis)
para o "térron"
(como dizem
os alemães)
- Blumenau.”.
Íamos fazer
uma viagem
de cerca de
130 Km.
Aproveitámos
e iniciámos
a
entrevista:
CEN – Luiz
Caminha,
acredita em
fantasmas ou
em “almas do
outro
mundo”?:
Caminha: -
Não acredito
em
fantasmas.
Acredito, no
entanto, no
espírito que
há em cada
um de nós. O
mesmo que
vive numa
outra
dimensão, na
Eternidade,
junto de
Deus ou no
Inferno.
CEN: - E em
histórias
fantástica
?:
Caminha: -
Não. Muito
embora, às
vezes, me
assombre
algumas
coisas,
algumas
histórias
que
acontecem.
Atribuo-as
mais a
coincidências
do que ao
fantástico.
CEN: - E na
reencarnação
?:
Caminha? : -
Não gostaria
de ferir
suscetibilidades,
Carlos. Esta
é uma
pergunta
ruim de se
responder,
mas vamos
lá. Eu
acredito que
Deus é
misericordioso,
Deus é o Bem
e é bom. É
justo. Nada
do que
acontece de
bom, de
venturoso,
acontece sem
o concurso
da vontade
do Pai. As
guerras, os
sofrimentos,
as doenças,
a morte, não
vem de Deus.
São
inerentes ao
ser humano,
à sua vida
biológica,
às vezes são
provocadas
pelos
próprios
homens, como
expressão de
uma vida
desregrada,
da inveja,
do ódio,
enfim dos
sentimentos
humanos,
materiais.
E, por isso,
acho um
pouco
difícil
entender a
reencarnação,
a expiação
de pecados
de vidas
passadas.
Seria
injusto, a
pessoa já
viria ao
mundo para
sofrer, como
se este
sofrer fosse
uma espécie
de reparação
a erros do
passado.
Entretanto,
sou daqueles
que respeita
a
diversidade
de credos e
opiniões.
Respeito os
que
acreditam na
reencarnação.
São muitos
os caminhos
que levam a
Deus. Nós,
cristãos,
acreditamos
e pregamos
que Cristo é
O Caminho,
não Um
Caminho. Mas
eu acredito
que outros
caminhos
também
possam levar
a Deus.
Todos somos
Filhos de
Deus. Em nós
sopra o
Sopro da
Vida, em
latim
"anima", em
português
"alma". Que
tem animação
provocada
por Deus,
pelo Sopro
Divino.
Somos
Sacrários
deste Deus
do Universo.
Eu sou
católico,
mas não sou
fundamentalista.
A igreja
católica
cometeu,
porque é
feita por
homens,
muitos erros
no passado.
Daí os
cismas, as
dissenções.
Ruim para a
doutrina
cristã? Nem
tanto.
Aproximou
tendências
na crença de
que Cristo é
o Filho de
Deus, o
Centro. Deus
não é o
centro do
Universo.
Ele é o
próprio
Universo. O
Criador de
tudo. Cristo
é o Centro.
Hoje, depois
do Concílio
Vaticano II
a Igreja
admitiu
muitos erros
e reconheceu
na "Lumen
Gentium" e
na "Ad
Gentes" a
presença de
Deus mesmo
entre
aqueles que
nunca
tiveram
contato com
a
civilização,
mas
acreditam
num Ser
Superior,
que são
movidos por
uma vida
reta,
centrada no
serviço, na
caridade, na
justiça. Ela
alarga,
sobremaneira,
o universo
do que chama
"O Povo de
Deus", mesmo
aqueles que
ainda
necessitem
de um
trabalho
missionário
para
conhecer a
Boa Nova.
Mas, é mais
abrangente
quando propõe
uma
caminhada
com os
não-cristãos.
Veja que
interessante.
Quando houve
a Reforma
Pombalina
(Marquês de
Pombal) os
jesuítas
foram
expulsos de
Portugal e
de suas
colônias. No
Brasil,
muitos deles
acabaram se
refugiando
nos chamados
7 Povos das
Missões. Uma
terra de
ninguém que
era ocupada
pelos índios
tupi-guaranís.
Há uma cena
do filme "A
missão" em
que um
bispo,
emissário de
Roma, vem
visitar as
missões para
relatar ao
papa se os
índios eram
humanos ou
não, tinham
alma ou não,
já que Roma
os
considerava
sem alma e
por isto
semelhantes
a qualquer
animal. Na
verdade era
mais uma
forma de
desprestigiar
ainda mais a
Ordem
Jesuíta por
influência
de um irmão
de Pombal
que era
Bispo. No
filme,
aparece o
bispo
escrevendo
ao Papa uma
pergunta
mais ou
menos assim:
seria
possível que
seres que
faziam
instrumentos,
como
violinos,
violoncelos
e flautas
que estavam
presentes
nas
Orquestras
da Europa
(os guaranís
haviam se
transformado
em exímios "luthiers")
não fossem
humanos? Na
verdade, os
jesuítas já
sabiam da
crença
destes
índios.
Muito antes
de seu
contato com
os brancos
europeus
eles
acreditavam
na
existência
de "Nhanderú
etê" que
traduzido
significa
Deus
Verdadeiro,
acreditavam
também em um
filho deste
Ser, chamado
"Nhanderú
ra'y ou
Filho de
Deus, o K
ray´ -
Iluminado. E
veja, isto
antes de
qualquer
contato com
a fé cristã.
Não é
fantástico?
A diferença
para a fé
cristã é que
este
Nhanderú etê
vem para a
terra salvar
o povo que
se perdeu e
se casa
tendo 5
filhos.
1) Kraí í
(Poder
Divino), 2)
Nhamandú
(Reflexo do
Sol), 3)
Djatchir
(Dona da
Noite), 4)
Wherá Tupã
(Deus da
Chuva), 5)
Wherá
Nhimbodjerê
(Dia e
Noite, o
giro da
Terra) e 6)
Pará Guatchú
(Oceano).
Mas existem
outras
coincidências:
eles
acreditavam
em "Nhandeý
pý" -
Primeiro
Homem
Espírito, ou
seja, o
Centro da fé
Cristã, a
Trindade (O
Pai, o Filho
e o Espírito
Santo) já
era uma
crença deste
seres "sem
alma". E se
eu te disser
que eles
acreditavam
num lugar
para onde
nós iríamos
depois da
morte, ou
seja a
Eternidade.
Sim, eles
chamavam
este lugar
de "Nhe'ê
Rekuagui"
que
significa
"lugar das
almas". Vale
dizer,
embora eu
não acredite
em
reencarnação,
embora
professe a
fé católica,
eu estou
convicto de
que Deus
está muito
acima disto
tudo, acima
do mundo e,
porquê Ele é
misericordioso,
mesmo que o
que
professemos
ou
acreditemos
possa não
estar de
acordo com
os
ensinamentos
de Cristo,
mesmo que
isto seja
verossímel,
o que
importará em
nosso
julgamento
será a nossa
reta
intenção. E
esta reta
intenção,
este norte
que damos às
nossas
vidas, desde
que de forma
convicta
será
considerado
por Deus.
Seja eu
católico,
luterano,
judeu,
ortodoxo,
espírita ou
guaraní.
Putzgrilla!
Abusei,
não?! Falei
demais. Te
cansei e vou
cansar
àqueles que
me lêem. Se
achares de
pouca
importância
isto tudo,
por favor
risca fora.
CEN: - O que
é para você
o termo
esoterismo
?: -
Caminha: - É
a moda, não?
Mas
disvirtuou-se
do seu
sentido. O
Esoterismo,
das escolas
filosóficas
gregas,
pregava que
a verdade,
ou pelo
menos o seu
ensinamento,
nos seus
três
vértices -
científico,
filosófico
ou religioso
- deveriam
ser
reservados a
uns poucos
escolhidos
(ou
iniciados,
como em
algumas
sociedades
secretas)
cujos
valores de
inteligência
ou moral
eram os
critérios de
escolha.
Hoje, o que
vemos é um
Esoterismo
mais ligado
ao
Ocultismo.
Mas, há
facetas
interessantes.
As pessoas
estão se
questionando
mais no que
diz respeito
à célebre
interrogação
no Templo de
Delfos:
"quem sou?
para onde
vou? E
continua a
se
questionar
com base
nesta nave
terra: de
onde viemos?
para o que
fomos
criados?
para onde
estamos
indo? No
fundo, esta
vertente do
exoterismo
tenta dar
resposta ao
eterno
questionamento
existencial.
Aos poucos,
acabam se
aproximando
de uma
verdade
inconteste:
temos que
admitir,
existem
criaturas,
existe um
Criador.
Deus
existe!!! E
isto é bom,
penso eu.
CEN: - O
imaginário
será um
sonho da
realidade ?:
-
Caminha: -
Tá piorando,
Carlos.
Daqui a
pouco eu
caio numa
fria. Talvez
sim, mas não
como fuga da
realidade.
Sonhar a
realidade
que se quer
construir,
viver, o
mundo ideal
não precisa
necessariamente
ser
imaginário,
fantasioso,
penso que
está mais
próximo de
um ideário,
um ideal.
Mas não há
dúvida que
um dos
sonhos da
realidade
possa ser o
imaginário o
fantástico
no sentido
do
irrealizável.
Eu prefiro
sonhar
sonhos,
ideais, que
sejam
plausíveis,
palpáveis,
realizáveis.
CEN: - Para
o Caminha,
Deus existe
?: -
Caminha: -
Penso que já
dei
respostas
evidentes
sobre isto.
Acredito não
apenas que
exista. Deus
É. O Tudo,
em todos. O
princípio e
o fim. O
alfa e o
ômega. Saber
que milhões
de
espermatozóides,
cada um com
uma carga
genética
diferente,
são jogados
numa corrida
frenética e
justo um,
aquele que
me fez,
vence a
corrida,
penetra o
óvulo e me
fez - imagem
e semelhança
de Deus - já
é uma prova
de sua
existência.
CEN: - Qual
a personagem
que mais
admira ?: -
Caminha: -
Podem ser
mais que um,
Carlos?
Admiro Jesus
Cristo, Deus
que se fez
homem para
nos salvar.
Mas, até aí,
tudo bem.
Ele era, e
é, Deus.
Tenho uma
admiração
muito grande
por duas
figuras
humanas que
levaram ao
extremo, os
seus
compromissos
com a
verdade, a
fé. Maria,
que com seu
"fiat"
permitiu que
a Salvação
viesse ao
mundo. O
Sacrário-ventre
mais
perfeito da
humanidade e
Francisco de
Assis,
porque de
sua loucura,
nós, poetas,
temos um
pouco.
Admiro-os
porque, como
nós, são
humanos,
estão numa
escala de
perfeição
abaixo de
Deus e do
Cristo, mas
se deixaram
envolver de
tal forma
pelo
Espírito de
Deus que
habita cada
um de nós,
que chegaram
à perfeição.
Para mim,
tê-los como
norte, me dá
esperanças.
Minha
humanidade
tem um
caminho, um
espaço pela
frente em
que pode se
aperfeiçoar.
CEN: - Para
si, qual o
cúmulo da
beleza, e,
da fealdade
?: -
Caminha: -
Beleza, é o
Amor entre
as pessoas.
Fealdade, as
guerras
fratricidas.
CEN: - O dia
começa bem,
se… ?: -
Caminha: -
Faço minhas
orações,
leio a
Bíblia e
medito.
CEN: - Que
influência
tem em si a
queda da
folha e a
chegada do
frio ?: -
Caminha: -
Detesto o
frio.
Principalmente
o de minha
cidade,
Blumenau
(embora eu
seja
manézinho da
ilha, de
Floripa). É
muito úmido.
Vivo
encorujado.
Ainda bem
que são só
dois meses.
(Julho e
Agosto). Já
vivi em
terras de
inverno
seco. É mais
suportável.
Mas, a queda
das folhas
ao chão é um
espetáculo
ímpar. Me dá
a certeza de
que a vida
hiberna,
para se
acordar em
novas
primaveras,
novos
verões.
CEN: - Seus
passatempos
preferidos
?: -
Caminha: -
Tocar um
violãozinho
(1/10 do que
toca o Luiz
Poeta e o
Marcos
Sousa);
Cantar;
Pescar em
Alto Mar;
Navegar;
Mergulhar -
só para
ficar no
fundo d'água
e bater
fotos
submarinas;
Viajar;
Conhecer
gente e a
História dos
lugares e
dos povos;
Escrever e
escrever.
CEN: - Qual
a
característica
que mais
aprecia em
si, e, nos
outros ?: -
Caminha: -
Em mim, a
sinceridade
– mas
sincero
demais, às
vezes, causa
dissabores
aos outros.
Nos outros,
o mesmo,
gosto dos
sinceros,
daqueles que
não escondem
a verdade.
Mas confesso
que admiro
muito as
pessoas que
têm fé.
Talvez até
porque eu
considero
que a minha
é uma
peninha,
leve, que o
vento leva
com
facilidade.
mas tento
sustentá-la.
CEN: - Qual
foi o maior
desafio que
aceitou até
hoje ?: -
Caminha: -
Penso que
ter ido, com
minha esposa
e filhos,
fazer uma
Pós
Graduação de
6 meses na
Inglaterra e
Alemanha,
apenas com
uma Bolsa de
U$ 10 mil,
que ganhei
em outro
desafio - um
concurso
entre 3.500
pessoas,
para 10
vagas,
promovido
pela
Encyclopaedia
Brittanica
do Brasil.
CEN: - O
arrependimento
mata ?: -
Caminha: -
Não diria
mata, mas
aniquila.
Acredito que
Deus
plantou, em
todos nós,
uma semente
de Sua
Infinita
Consciência.
Sabemos
diferenciar
o certo, do
errado, o
que é bom, o
que é ruim,
a bondade da
maldade.
Temos um
sino em
nossas
mentes que
se chama
consciência.
Para uns é
um sininho,
uma sineta,
para outros
um sino de
Catedral.
Quando
fazemos algo
errado o
sino toca,
nos avisa. O
maior
problema da
humanidade é
que está
deixando de
lado este
sino da
consciência,
faz que não
escuta as
badaladas da
ética, da
moral, da
verdade, da
justiça. E
aí, cada vez
que vamos
pondo de
lado estes
valores, o
sino vai
deixando de
tocar, a
corda
apodrece ou
o sineteiro
envelhece, o
sino
enferruja
e... de
desuso,
passa a não
badalar
mais.
Perdemos aí
a
referência.
E a maldade,
a injustiça,
a corrupção,
a ardileza
passam a ser
confundidos
como valores
tais quais
àqueles das
virtudes. A
hipocrisia
passa a
ditar as
normas e a
mentira, "o
tirar
vantagem em
tudo",
passam a
vigorar como
leis.
CEN: - Uma
imagem do
passado que
não quer
esquecer no
futuro ?: -
Caminha: -
Minha avó
materna,
meus avós
paternos,
meu pai, que
já se foram
e minha mãe,
graças a
Deus ainda
viva, todos
reunidos nas
festas de
aniversário
e nas festas
juninas que
fazíamos em
nossa casa.
Meu
casamento e
o nascimento
de meus
filhos.
CEN: - De
que se mais
orgulha ?: -
Caminha: -
Da esposa
que tenho e
de meus
filhos.
CEN: - Que
vício
gostaria de
não ter ?: -
Caminha: -
Bem, não
tenho
vícios. Mas
há uma coisa
que eu
gostaria de
ver banida
de minha
vida: apesar
da fé em
Deus, na
minha
completa
cura, tenho
notado que
ando um
pouco
tristonho.
Já não rio
mais como o
fazia. Faz
tempo que
não conto
uma piada. E
eu era dos
bons nisto.
Fiz uma ruga
de expressão
na minha
testa,
resultado de
meu
estresse. Eu
não era
assim, antes
de minha
doença. Ou
tão assim.
São três
anos e meio
lidando com
as minhas
doenças e
não podendo
me dedicar
àquele dom
que eu mais
amava:
cuidar das
doenças dos
outros,
torná-los a
viver. Acho
que um pouco
é depressão.
Gostaria que
isto
sumisse.
Rezem por
mim, para
que isto
ocorra.
CEN: - Como
vai de
amores ?: -
Caminha: -
Muito bem!
Ela,
coitada, que
vai mal. Com
estes três
anos e meio
de doença,
reconheço
que estou
mais ranzinza e a
coitada da
minha mulher
é quem paga
o pato.
Somos
casados há
32 anos,
somos pais
de 3 filhos
(2 homens e
uma menina)
maravilhosos.
Temos uma norinha
fantástica.
Quatro jóias
que Deus nos
dispensou.
Mas,
sobretudo,
nos amamos.
Seluta é o
nome da
minha
cara-metade.
Mulher de
luta,
valente e
sempre
disponível.
Aliás se não
fosse ela e
os frutos de
nosso amor -
nossos
filhos - eu
já teria
sucumbido...
há muito
tempo!!!
CEN: -
Quando o
Luiz Caminha
era criança
?: -
Caminha: -
Correr,
pular,
nadar,
soltar
pandorga
(depois
vieram as
pipas);
brincar de
boi-de-mamão
(bumba meu
boi), jogar
bolinha de
vidro (de
gude), pião,
ah! e
"roubar"
frutas no
pomar de um
vizinho e no
dos padres
jesuítas.
CEN: - Como
se
auto-define
?: -
Caminha: -
Um gajo que
gosta da
vida, que
admira a
amizade, que
acredita no
amor, na paz
e na
fraternidade.
CEN: - Que
género de
filme daria
sua vida ?:
-
Caminha: -
Penso que
Aventura e
Romance
Entretanto,
tínhamos
chegado a
Blumenau.
Embora fosse
hora do
almoço,
demos uma
voltinha
pela bonita
cidade.
Depois, o
Luiz Caminha
voltou-se
para mim e
perguntou-me:
“Vamos
almoçar? Há
um bar-restaurante
muito legal,
defronte à
Fundação de
Cultura de
Blumenau
(Antigo
Prédio da
Prefeitura
que hoje é
em enxaimel)
chamado
Biergarten.
Situa-se na
Praça
Hercílio Luz
aonde ficava
o pequeno
porto da
cidade (da
colônia até
a década de
70/80).
Serve almoço
e jantar.
Agora está
trocando de
dono. Mas a
comida
típica
sempre foi o
seu forte.
Vamos lá ?
Foi um
almoço
agradável e
aproveitei o
ensejo para
lhe formular
uma
pergunta:
CEN : Para o
Luiz
Caminha, a
cultura será
um botija de
oxigénio ?:
-
Caminha: -
Sem qualquer
sombra de
dúvidas. Eu
diria que um
balão de
oxigênio,
que deveria
cobrir toda
a
humanidade.
Sem a
cultura, a
tradição, os
povos jamais
escreveriam
suas
histórias.
Sou daqueles
que pensa:
nossa
eternidade
começa a ser
construída
aqui, com
nossos pés,
como se
andássemos
numa calçada
de cimento
fresco.
Temos o
dever de
deixar
nossas
marcas,
nossas
"patas",
aonde
passamos. A
impressão
digital do
mundo, dos
povos, é a
cultura.
Pena que os
governos,
sucessivamente,
sejam
insensíveis
a isto.
Fazem o
discurso que
a área da
cultura quer
ouvir, mas,
na prática,
depois de
eleitos,
abandonam o
discurso nas
prateleiras
das
promessas
não
cumpridas,
nos
escaninhos
da
hipocrisia.
Saímos do
restaurante
e fomos até
à Cerveja Eisenbahn
que também
tem o melhor
point da
cidade para
bate-papos,
"beliscos" e
visitação à
produção da
mesma. Fica
na Rua Bahia,
no bairro do
Salto. E aí,
continuámos
a
entrevista:
-
CEN: - O
filme
comercial
que o
Caminha mais
gostou ?: -
Caminha: -
Há muitos.
Deixe ver. O
que mais
gostei? Só
pode ser um?
"A Missão".
"Dr. Jivago"
também, "O
Grande
Ditador".
Mas vou
ficar por
aqui.
CEN: - E
música e
autores
preferidos
?: -
Caminha: -
Carlos, a
música
funciona em
mim, junto
com o ato de
escrever,
navegar e
mergulhar,
como uma
ponte para o
estágio Alfa
da mente. Eu
me desligo
de mim
mesmo. É
como
estivesse
orando. A
sensação que
tenho é que
a alma se
desprende de
meu corpo. É
quando
entendo que
somos
Espírito e
Matéria.
Gosto de
quase todos
os gêneros,
mas
considero-me
um pouco
saudosista.
Serestas e
Românticas
(compositores
e
intérpretes):
Ataulfo
Alves, Mário
Lago,
Lupicínio
Rodrigues,
Jair Amorim,
Evaldo
Gouveia,
Luís Vieira,
Nelson
Gonçalves,
Orlando
Silva, Cauby
Peixoto,
Samba e
Samba de
Raiz:
Cartola,
Pixinguinha,
Jacó do
Bandolim,
Noel Rosa,
Passando
pelos mais
recentes,
Martinho da
Vila,
Clementina
de Jesus,
Beth
Carvalho,
Beto sem
braço, Luiz
Agneto, Zéca
Pagodinho,
Jorge
Aragão, Lecy
Brandão,
etc. MPB e
Bossa Nova:
Tom Jobim,
Vinícius,
Toquinho,
Baden Powel,
Caetano,
Chico
Buarque,
Gilberto Gil
de outrora,
Fagner,
Gonzaguinha,
Gonzagão,
Armandinho,
Elis, Joanna,
Cazuza,
Renato
Russo,
Legião
Urbana,
Paralamas do
Sucesso,
gosto também
de Roberto
Carlos.
Internacionais:
Nat King
Cole, Earl
Grant, Billy
Voughan,
Ella
Fitzgerald,
Willie
Nelson,
Frannk
Sinatra, Ray
Coniff,
Beatles, Bee
Gees, Procol
Harum, Queen,
Montserrat
Cabalet,
Nana
Mouskoury.
Boleros:
Miguel A.
Mejia,
Agustin Lara,
Roberto
Cantoral,
Luis Miguel,
Julio
Iglesias, e
os outros
todosAprecio
Clássicos: (Mozart,
Schubert,
Gounod,
Tchaikovsky,
Beethoven,
Bach);
Cantos
Gregorianos,
e tudo o
mais que diz
respeito a
música e que
se fosse
elencar eu
encheria o
saco de quem
venha a ler
esta
entrevista.
CEN: -
Autores e
livros
preferidos
?: -
Caminha: -
Carlos
Drummond de
Andrade,
Fernando
Pessoa,
Fernando
Sabino,
Mário
Quintana, Jô
Soares,
Emmet Fox,
Richard Bach,
Robert
Ludlum,
Frederich
Forsyth,
Bernie
Siegel. Há
muitos
outros.
Livros? Eu
destacaria:
A Bíblia
(meu
verdadeiro
livro de
cabeceira);
"Fernando
Pessoa -
Obra
Poética";
"Mensagem"
único de
Pessoa; "O
Sermão da
Montanha",
de Emmet Fox;
"Cabeça de
Turco" de G.
Wallraff;
"Amor,
Medicina e
Milagres" de
Bernie
Siegel; "A
luta é minha
vida" de
Mandela; "Eu
Paulo", de
Frederico
Dattler; a
Obra de
Drummond e
Quintana.
Mas tenho um
gosto um
tanto
estranho:
Adoro livros
históricos e
romances
históricos
(tipo Guerra
e Paz, de
Tolstoi), "Anita
Garibaldi,
uma heroína
brasileira"
de Paulo
Markum; "O
Conde de
Monte
Cristo", "Os
Três
Mosqueteiros"
"La Tulipe
Noir"; "O
homem da
Máscara de
Ferro" e
"Memórias de
Garibaldi"
todos de
Alexander
Dümas, père
(pai); "O
Príncipe" de
Maquiavel,
comentado
por Napoleão
Bonaparte;
Gosto de ler
Enciclopédias
(A Brittanica
para mim é o
máximo); e
vai por aí
afora...
CEN: - Vamos
falar da sua
obra
Literária e
da sua Home
Page ?: -
Caminha: -
De 1985 a
1989, editou
o Jornal
“Clarins do
Vale”,
impresso nas
oficinas da
Fundação
Cultural de
Blumenau. Meu
primeiro
livro, de
poesias,
intitulado
“Reflexos”,
foi editado
em 1995. Em
1997 foi
co-autor da
Coletânea
Florilégios
Poéticos” da
SOBRAMES
(Sociedade
Brasileira
de Médicos
Escritores),
em 2005
participou
da
Antologia
“Um Rio de
Letras” da
Sociedade de
Escritores
de Blumenau
e em
Junho/2006
participou
da
Antologia
"Asas e Vôos".
com 4 contos
e 3 poemas
selecionados
no II
Concurso de
Contos,
Crônicas e
Poesias da
Editora
Guemanisse.
Em 2002
escreveu a
coluna
“Stammtisch
blatt” no
Jornal
Diário do
Vale e
Revista
BTVocê.
Na verdade
minha
"grande
obra" está
no
computador.
São mais de
150 poesias,
3 livros de
crônicas e
contos, um
romance
sobre Anita
Garibaldi,
um livro sob
o título "A
Via Crucis
de Maria",
um outro
sobre as
inquietudes
de um
adolescente,
chamado “No
mundo da
Lua”, e
ainda outros
dois: um que
retrata todo
um trabalho
de pesquisa
histórica
sobre a
Tradição dos
Stammtische
e mais um
cujo título
deverá ficar
assim
“Câncer e
outras
doenças,
você pode
curá-las”.
Mas estão
todos em
arquivo,
esperando
que um dia o
absurdo
cobrado pelo
mercado
editorial
brasileiro
caia na
real.
Meu Site "Stammtisch,
Confrarias e
Patotas"
http://www.stmt.com.br
Meu BLOG
http://luizeduardocaminha.spaces.msn.com
Depois da
agradável
visita a
Blumenau,
tinha
chegado a
hora de
regressarmos
a
Florianópolis.
Aproveitámos
a viagem
para fazer a
última parte
desta
entrevista:
-
CEN: - Entre
sonhos e
realidades;
encontros e
desencontros, o
Luiz Caminha
é um
dos Coordenadores
indigitados
para a
organização
do 3º
Encontro do
Portal CEN –
“Cá Estamos
Nós em
Blumenau:
Quais as
suas
perspectivas,
neste
momento ?
Caminha: -
Eu já te
disse num
e-mail,
Carlos, que
nunca algo
me motivou
tanto. Eu
estava muito
ruim comigo
mesmo após
dois
episódios
hemorrágicos
que me
causaram
duas
internações
depois do II
Encontro.
Não se
descobriu a
causa. A
insegurança
é grande. As
portas se
fechavam à
minha
frente. Daí,
Deus opera
este
milagre. Te
usa como
instrumento,
como se
dissesse:
"Vai lá,
Carlos, abre
uma
janelinha
para o
Caminha
entrar de
volta à
vida". Isto
sim, é uma
história
fantástica.
Estou me
reempolgando.
Já disparei
uma série de
contatos, já
comprometi o
nosso
Presidente
do Parque
Vila
Germânica
(Norberto
Mette) que
nos garantiu
uma
Mini-Oktoberfest,
a Terezinha
já conseguiu
o apoio da
Fundação de
Cultura e
sei que a
Prefeitura
vem junto. A
Terezinha é
muito mais
ligada e
mais
influente na
área
cultural e
no mundo das
letras que
eu. Falei
com ela para
realizarmos
junto o 1o.
Encontro do
Das Letras
Stammtisch,
do nosso
Site. A
própria já
conversou
com alguns
sobre a
realização
de uma Feira
de
Livros. Conversei
com o
Governo do
Estado e já
vamos
preparar um
Projeto de
Apoiamento;
o Tchello de
Barros está
encantado e
vai
mobilizar as
Alagoas e o
Conselho
Nacional de
Cultura (do
qual é
membro).
Temos quase
certa, uma
noite
portuguesa
e, talvez, a
inclusão da
"noite de
Portugal" um
jantar
dançante que
ocorre todos
os anos em
Blumenau,
como parte
do III
Encontro.
Enfim, as
perpectivas
são as
melhores
possíveis.
Vamos dar
tudo de nós.
Vou deixar a
Terezinha
falar um
pouco. Mas
não das
surpresas
que vamos
preparar. A
Família "Cá
Estamos Nós"
vai ficar
maravilhada.
Vai sobrar
salsicha e
cozido prá
todos.
CEN: - Quer
aproveitar
para mandar
uma saudação
aos Autores,
Colaboradores,
Leitores e
Amigos do
Portal CEN –
“Cá Estamos
Nós” ?: -
Caminha: -
Primeiro
quero pedir
desculpas
por falar
muito.
Costumo
dizer que a
mistura de
sangue
português e
espanhol deu
um cara
impulsivo,
chorão e falastrão.
Agora um
depoimento.
Eu só
conheço
poucos desta
família, mas
sinto que
fui adotado
numa família
fantástica,
de gente que
sabe o que
faz, que
ainda tem fé
e que é
suficientemente
louca como
eu para
continuar a
trilhar as
linhas da
poesia, da
escrita, da
cultura. A
família CEN
está toda em
minhas
orações.
Mesmo
aqueles que
ainda não
conheço.
CEN: -
Caminha,
qual a sua
ocupação
profissional
?: -
Caminha: -
Médico, mas
não me
restrinjo
apenas a
este dom que
Deus me
emprestou.
Sou, com
muita honra,
Escritor, um
Arremedo de
Poeta
(Pessoa e
Drummond que
não leiam,
nem ouçam
isto),
Produtor e
Apresentador
do Programa
Stammtisch
(TV Galega),
Mentor e
(proprietário
- quanta
empáfia!) do
Site "Stammtisch,
Confrarias e
Patotas". A
par disto
tudo em que
estou
"metido"
escrevo uma
página
semanal no
Jornal
"Folha de
Blumenau".
C A N T O
- Luiz
Eduardo
Caminha
Ouço um
canto
triste,
Uma toada
gemente,
Um gemido na
madrugada.
A lua alta,
Lá bem
distante,
Não consegue
esconder,
Com seu
encanto,
O triste
pranto,
Da alma
errante.
São sombras
confusas,
Semimoventes,
Que se
esquivam,
Noite
adentro.
Um lampião
mostra,
No
lusco-fusco,
A silhueta
esguia,
Dum
seresteiro,
Duma viola.
Um choro
amargo,
Canta a dor,
Do abandono,
Da solidão,
Ausência da
amada,
Que foi
embora,
Deixou
saudades.