Luiz Eduardo Caminha
 
 

 

 

Já era quase noite quando o avião vindo de Lisboa, aterrou no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Chegou um pouco atrasado e daí a minha preocupação em não poder apanhar outro avião para Florianópolis/SC. Mas tive sorte pois o avião que ia apanhar, também chegou um pouco atrasado. Estava cansado de tantas horas de avião; procurei o balcão para fazer o chek-in, comer dois bolos e beber um sumo não me recordo de que fruta. Meia hora depois, já estava no ar a caminho do Sul do Brasil. Adormeci e até sonhei com a Iara, em trajos de índia, com penas na cabeça, arco e flechas e pinturas guerreiras no rosto. Clamava ela que ia a Blumenau reclamar as terras que os alemães tinham colonizado. Quando acordei, dei boas gargalhadas. Voltei a adormecer e só acordei quando uma aeromoça, com voz meiga me disse: “Sr. Passageiro, chegámos a Carianos. Muito ensonado, perguntei-lhe:

- O que é Carianos ?

Sorriu ao notar que eu era português e apressou-se a dizer: “Sr. Passageiro, chegámos ao Aeroporto Internacional “Hercílio Luz” em Florianópolis SC – Brasil”.

“Sobrando” ainda muito sono, levantei-me e saí do avião. Meia hora depois saia do aeroporto e logo quando cheguei à rua, uma voz me chamou: “Carlos, Carlos estou aqui!. Era a figura altíssima do nosso entrevistado, o Dr. Caminha”. Depois da praxe dos cumprimentos, rumámos a sua casa, que na sua frente, tem uma piscina e duas torres . Não me apeteceu comer nada e o Caminha indicou-me a torre do lado esquerdo. Já no quarto, despi-me e adormeci rapidamente…

Comecei então a sonhar (ou seria um pesadelo?) que estava em Londres (Inglaterra) nos calabouços de uma das Torres da ponte que atravessa o rio Tamisa. Aos meus olhos, começaram a desfilar a Ana Bolena e a Catarina Howard e por fim, “apareceu” a rainha Isabel 1ª. Encolhi-me todo, receando poder ser violado. Mas não, a majestade foi entregar-me um barril de cerveja, por sinal, produto alemão.

- Carlos, Carlos ? – era a voz do Caminha que me chamava – já está acordado ?

Levantei-me rapidamente, tomei um duche e desci da torre. Cumprimentei os presentes que me aguardavam para o pequeno almoço. Perguntaram-me se eu queria dar um mergulho na piscina, mas eu nado como um prego …

Despedimos e iniciámos o percurso até Blumenau, não sei antes o meu entrevistado exclamasse: “Estou de volta da terrinha (Florianópolis) para o "térron" (como dizem os alemães) - Blumenau.”. Íamos fazer uma viagem de cerca de 130 Km. Aproveitámos e iniciámos a entrevista:

 

CEN – Luiz Caminha, acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?:

 

Caminha: - Não acredito em fantasmas. Acredito, no entanto, no espírito que há em cada um de nós. O mesmo que vive numa outra dimensão, na Eternidade, junto de Deus ou no Inferno.

 

CEN: - E em histórias fantástica ?:

 

Caminha: - Não. Muito embora, às vezes, me assombre algumas coisas, algumas histórias que acontecem. Atribuo-as mais a coincidências do que ao fantástico.

 

CEN: - E na reencarnação ?:

 

Caminha? : - Não gostaria de ferir suscetibilidades, Carlos. Esta é uma pergunta ruim de se responder, mas vamos lá. Eu acredito que Deus é misericordioso, Deus é o Bem e é bom. É justo. Nada do que acontece de bom, de venturoso, acontece sem o concurso da vontade do Pai. As guerras, os sofrimentos, as doenças, a morte, não vem de Deus. São inerentes ao ser humano, à sua vida biológica, às vezes são provocadas pelos próprios homens, como expressão de uma vida desregrada, da inveja, do ódio, enfim dos sentimentos humanos, materiais. E, por isso, acho um pouco difícil entender a reencarnação, a expiação de pecados de vidas passadas. Seria injusto, a pessoa já viria ao mundo para sofrer, como se este sofrer fosse uma espécie de reparação a erros do passado.  Entretanto, sou daqueles que respeita a diversidade de credos e opiniões. Respeito os que acreditam na reencarnação. São muitos os caminhos que levam a Deus. Nós, cristãos, acreditamos e pregamos que Cristo é O Caminho, não Um Caminho. Mas eu acredito que outros caminhos também possam levar a Deus. Todos somos Filhos de Deus. Em nós sopra o Sopro da Vida, em latim "anima", em português "alma". Que tem animação provocada por Deus, pelo Sopro Divino. Somos Sacrários deste Deus do Universo.
Eu sou católico, mas não sou fundamentalista. A igreja católica cometeu, porque é feita por homens, muitos erros no passado. Daí os cismas, as dissenções. Ruim para a doutrina cristã? Nem tanto. Aproximou tendências na crença de que Cristo é o Filho de Deus, o Centro. Deus não é o centro do Universo. Ele é o próprio Universo. O Criador de tudo. Cristo é o Centro. Hoje, depois do Concílio Vaticano II a Igreja admitiu muitos erros e reconheceu na "Lumen Gentium" e na "Ad Gentes" a presença de Deus mesmo entre aqueles que nunca tiveram contato com a civilização, mas acreditam num Ser Superior, que são movidos por uma vida reta, centrada no serviço, na caridade, na justiça. Ela alarga, sobremaneira, o universo do que chama "O Povo de Deus", mesmo aqueles que ainda necessitem de um trabalho missionário para conhecer a Boa Nova. Mas, é mais abrangente quando propõe uma caminhada com os não-cristãos. Veja que interessante. Quando houve a Reforma Pombalina (Marquês de Pombal) os jesuítas foram expulsos de Portugal e de suas colônias. No Brasil, muitos deles acabaram se refugiando nos chamados 7 Povos das Missões. Uma terra de ninguém que era ocupada pelos índios tupi-guaranís. Há uma cena do filme "A missão"  em que um bispo, emissário de Roma, vem visitar as missões para relatar ao papa se os índios eram humanos ou não, tinham alma ou não, já que Roma os considerava sem alma e por isto semelhantes a qualquer animal. Na verdade era mais uma forma de desprestigiar ainda mais a Ordem Jesuíta por influência de um irmão de Pombal que era Bispo. No filme, aparece o bispo escrevendo ao Papa uma pergunta mais ou menos assim: seria possível que seres que faziam instrumentos, como violinos, violoncelos e flautas que estavam presentes nas Orquestras da Europa (os guaranís haviam se transformado em exímios "luthiers") não fossem humanos? Na verdade, os jesuítas já sabiam da crença destes índios. Muito antes  de seu contato com os brancos europeus eles acreditavam na existência de "Nhanderú etê" que traduzido significa  Deus Verdadeiro, acreditavam também em um filho deste Ser, chamado "Nhanderú ra'y  ou Filho de Deus, o K ray´ - Iluminado. E veja, isto antes de qualquer contato com a fé cristã. Não é fantástico?
A diferença para a fé cristã é que este Nhanderú etê vem para a terra salvar o povo que se perdeu e se casa tendo 5 filhos. 
1) Kraí í (Poder Divino), 2) Nhamandú (Reflexo do Sol), 3) Djatchir (Dona da Noite), 4) Wherá Tupã (Deus da Chuva), 5) Wherá Nhimbodjerê (Dia e Noite, o giro da Terra) e 6) Pará Guatchú (Oceano).  Mas existem outras coincidências: eles acreditavam em "Nhandeý pý" - Primeiro Homem Espírito, ou seja, o Centro da fé Cristã, a Trindade (O Pai, o Filho e o Espírito Santo) já era uma crença deste seres "sem alma". E se eu te disser que eles acreditavam num lugar para onde nós iríamos depois da morte, ou seja a Eternidade. Sim, eles chamavam este lugar de  "Nhe'ê Rekuagui" que significa "lugar das almas". Vale dizer, embora eu não acredite em reencarnação, embora professe a fé católica, eu estou convicto de que Deus está muito acima disto tudo, acima do mundo e, porquê Ele é misericordioso, mesmo que o que professemos ou acreditemos possa não estar de acordo com os ensinamentos de Cristo, mesmo que isto seja verossímel, o que importará em nosso julgamento será a nossa reta intenção. E esta reta intenção, este norte que damos às nossas vidas, desde que de forma convicta será considerado por Deus. Seja eu católico, luterano, judeu, ortodoxo, espírita ou guaraní. Putzgrilla! Abusei, não?! Falei demais. Te cansei e vou cansar àqueles que me lêem. Se achares de pouca importância isto tudo, por favor risca fora.

 

CEN: - O que é para você o termo esoterismo ?: -

 

Caminha: - É a moda, não? Mas disvirtuou-se do seu sentido. O Esoterismo, das escolas filosóficas gregas, pregava que a verdade, ou pelo menos o seu ensinamento, nos seus três vértices - científico, filosófico ou religioso - deveriam ser reservados a uns poucos escolhidos (ou iniciados, como em algumas sociedades secretas) cujos valores de inteligência ou moral eram os critérios de escolha. Hoje, o que vemos é um Esoterismo mais ligado ao Ocultismo. Mas, há facetas interessantes. As pessoas estão se questionando mais no que diz respeito à célebre interrogação no Templo de Delfos: "quem sou? para onde vou? E continua a se questionar com base nesta nave terra: de onde viemos? para o que fomos criados? para onde estamos indo? No fundo, esta vertente do exoterismo tenta dar resposta ao eterno questionamento existencial. Aos poucos, acabam se aproximando de uma verdade inconteste: temos que admitir, existem criaturas, existe um Criador. Deus existe!!! E isto é bom, penso eu.

 

CEN: - O imaginário será um sonho da realidade ?: -

 

Caminha: - Tá piorando, Carlos. Daqui a pouco eu caio numa fria. Talvez sim, mas não como fuga da realidade. Sonhar a realidade que se quer construir, viver, o mundo ideal não precisa necessariamente ser imaginário, fantasioso, penso que está mais próximo de um ideário, um ideal. Mas não há dúvida que um dos sonhos da realidade possa ser o imaginário o fantástico no sentido do irrealizável. Eu prefiro sonhar sonhos, ideais, que sejam plausíveis, palpáveis, realizáveis.

 

CEN: - Para o Caminha, Deus existe ?: -

 

Caminha: - Penso que já dei respostas evidentes sobre isto. Acredito não apenas que exista. Deus É. O Tudo, em todos. O princípio e o fim. O alfa e o ômega. Saber que milhões de espermatozóides, cada um com uma carga genética diferente, são jogados numa corrida frenética e justo um, aquele que me fez, vence a corrida, penetra o óvulo e me fez - imagem e semelhança de Deus - já é uma prova de sua existência.

 

CEN: - Qual a personagem que mais admira ?: -

 

Caminha: - Podem ser mais que um, Carlos? Admiro Jesus Cristo, Deus que se fez homem para nos salvar. Mas, até aí, tudo bem. Ele era, e é, Deus. Tenho uma admiração muito grande por duas figuras humanas que levaram ao extremo, os seus compromissos com a verdade, a fé. Maria, que com seu "fiat" permitiu que a Salvação viesse ao mundo. O Sacrário-ventre mais perfeito da humanidade e Francisco de Assis, porque de sua loucura, nós, poetas, temos um pouco. Admiro-os porque, como nós, são humanos, estão numa escala de perfeição abaixo de Deus e do Cristo, mas se deixaram envolver de tal forma pelo Espírito de Deus que habita cada um de nós, que chegaram à perfeição. Para mim, tê-los como norte, me dá esperanças. Minha humanidade tem um caminho, um espaço pela frente em que pode se aperfeiçoar.

 

CEN: - Para si, qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?: -

 

Caminha: - Beleza, é o Amor entre as pessoas. Fealdade, as guerras fratricidas.

 

CEN: - O dia começa bem, se… ?: -

 

Caminha: - Faço minhas orações, leio a Bíblia e medito.

 

CEN: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ?: -

 

Caminha: - Detesto o frio. Principalmente o de minha cidade, Blumenau (embora eu seja manézinho da ilha, de Floripa). É muito úmido. Vivo encorujado. Ainda bem que são só dois meses. (Julho e Agosto). Já vivi em terras de inverno seco. É mais suportável. Mas, a queda das folhas ao chão é um espetáculo ímpar. Me dá a certeza de que a vida hiberna, para se acordar em novas primaveras, novos verões.

 

CEN: - Seus passatempos preferidos ?: -

 

Caminha: - Tocar um violãozinho (1/10 do que toca o Luiz Poeta e o Marcos Sousa); Cantar; Pescar em Alto Mar; Navegar; Mergulhar - só para ficar no fundo d'água e bater fotos submarinas; Viajar; Conhecer gente e a História dos lugares e dos povos; Escrever e escrever.

 

CEN: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros ?: -

 

Caminha: - Em mim, a sinceridade – mas sincero demais, às vezes, causa dissabores aos outros. Nos outros, o mesmo, gosto dos sinceros, daqueles que não escondem a verdade. Mas confesso que admiro muito as pessoas que têm fé. Talvez até porque eu considero que a minha é uma peninha, leve, que o vento leva com facilidade. mas tento sustentá-la.

 

CEN: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?: -

 

Caminha: - Penso que ter ido, com minha esposa e filhos, fazer uma Pós Graduação de 6 meses na Inglaterra e Alemanha, apenas com uma Bolsa de U$ 10 mil, que ganhei em outro desafio - um concurso entre 3.500 pessoas, para 10 vagas, promovido pela Encyclopaedia Brittanica do Brasil.

 

CEN: - O arrependimento mata ?: -

 

Caminha: - Não diria mata, mas aniquila. Acredito que Deus plantou, em todos nós, uma semente de Sua Infinita Consciência. Sabemos diferenciar o certo, do errado, o que é bom, o que é ruim, a bondade da maldade. Temos um sino em nossas mentes que se chama consciência. Para uns é um sininho, uma sineta, para outros um sino de Catedral. Quando fazemos algo errado o sino toca, nos avisa. O maior problema da humanidade é que está deixando de lado este sino da consciência, faz que não escuta as badaladas da ética, da moral, da verdade, da justiça. E aí, cada vez que vamos pondo de lado estes valores, o sino vai deixando de tocar, a corda apodrece ou o sineteiro envelhece, o sino enferruja e... de desuso, passa a não badalar mais. Perdemos aí a referência. E a maldade, a injustiça, a corrupção, a ardileza passam a ser confundidos como valores tais quais àqueles das virtudes. A hipocrisia passa a ditar as normas e a mentira, "o tirar vantagem em tudo", passam a vigorar como leis.

 

CEN: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?: -

 

Caminha: - Minha avó materna, meus avós paternos, meu pai, que já se foram e minha mãe, graças a Deus ainda viva, todos reunidos nas festas de aniversário e nas festas juninas que fazíamos em nossa casa. Meu casamento e o nascimento de meus filhos.

 

CEN: - De que se mais orgulha ?: -

 

Caminha: - Da esposa que tenho e de meus filhos.

 

CEN: - Que vício gostaria de não ter ?: -

 

Caminha: - Bem, não tenho vícios. Mas há uma coisa que eu gostaria de ver banida de minha vida: apesar da fé em Deus, na minha completa cura, tenho notado que ando um pouco tristonho. Já não rio mais como o fazia. Faz tempo que não conto uma piada. E eu era dos bons nisto. Fiz uma ruga de expressão na minha testa, resultado de meu estresse. Eu não era assim, antes de minha doença. Ou tão assim. São três anos e meio lidando com as minhas doenças e não podendo me dedicar àquele dom que eu mais amava: cuidar das doenças dos outros, torná-los a viver. Acho que um pouco é depressão. Gostaria que isto sumisse. Rezem por mim, para que isto ocorra.

 

CEN: - Como vai de amores ?: -

 

Caminha: - Muito bem! Ela, coitada, que vai mal. Com estes três anos e meio de doença, reconheço que estou mais ranzinza e a coitada da minha mulher é quem paga o pato. Somos casados há 32 anos, somos pais de 3 filhos (2 homens e uma menina) maravilhosos. Temos uma norinha fantástica. Quatro jóias que Deus nos dispensou. Mas, sobretudo, nos amamos. Seluta é o nome da minha cara-metade. Mulher de luta, valente e sempre disponível. Aliás se não fosse ela e os frutos de nosso amor - nossos filhos - eu já teria sucumbido... há muito tempo!!!

 

CEN: - Quando o Luiz Caminha era criança ?: -

 

Caminha: - Correr, pular, nadar, soltar pandorga (depois vieram as pipas); brincar de boi-de-mamão (bumba meu boi), jogar bolinha de vidro (de gude), pião, ah! e "roubar" frutas no pomar de um vizinho e no dos padres jesuítas.

 

CEN: - Como se auto-define ?: -

 

Caminha: - Um gajo que gosta da vida, que admira a amizade, que acredita no amor, na paz e na fraternidade.

 

CEN: - Que género de filme daria sua vida ?: -

 

Caminha: - Penso que Aventura e Romance

 

Entretanto, tínhamos chegado a Blumenau. Embora fosse hora do almoço, demos uma voltinha pela bonita cidade. Depois, o Luiz Caminha voltou-se para mim e perguntou-me: “Vamos almoçar? Há um bar-restaurante muito legal, defronte à Fundação de Cultura de Blumenau (Antigo Prédio da Prefeitura que hoje é em enxaimel) chamado Biergarten. Situa-se na Praça Hercílio Luz aonde ficava o pequeno porto da cidade (da colônia até a década de 70/80). Serve almoço e jantar. Agora está trocando de dono. Mas a comida típica sempre foi o seu forte. Vamos lá ?

Foi um almoço agradável e aproveitei o ensejo para lhe formular uma pergunta:

 

CEN : Para o Luiz Caminha, a cultura será um botija de oxigénio ?: -

 

Caminha: - Sem qualquer sombra de dúvidas. Eu diria que um balão de oxigênio, que deveria cobrir toda a humanidade. Sem a cultura, a tradição, os povos jamais escreveriam suas histórias. Sou daqueles que pensa: nossa eternidade começa a ser construída aqui, com nossos pés, como se andássemos numa calçada de cimento fresco. Temos o dever de deixar nossas marcas, nossas "patas", aonde passamos. A impressão digital do mundo, dos povos, é a cultura. Pena que os governos, sucessivamente, sejam insensíveis a isto. Fazem o discurso que a área da cultura quer ouvir, mas, na prática, depois de eleitos, abandonam o discurso nas prateleiras das promessas não cumpridas, nos escaninhos da hipocrisia.

 

Saímos do restaurante e fomos até à Cerveja Eisenbahn que também tem o melhor point da cidade para bate-papos, "beliscos" e visitação à produção da mesma. Fica na Rua Bahia, no bairro do Salto. E aí, continuámos a entrevista: -

 

CEN: - O filme comercial que o Caminha mais gostou ?: -

 

Caminha: - Há muitos. Deixe ver. O que mais gostei? Só pode ser um? "A Missão". "Dr. Jivago" também, "O Grande Ditador". Mas vou ficar por aqui.

 

CEN: - E música e autores preferidos ?: -

 

Caminha: - Carlos, a música funciona em mim, junto com o ato de escrever, navegar e mergulhar, como uma ponte para o estágio Alfa da mente. Eu me desligo de mim mesmo. É como estivesse orando. A sensação que tenho é que a alma se desprende de meu corpo. É quando entendo que somos Espírito e Matéria.
Gosto de quase todos os gêneros, mas considero-me um pouco saudosista. Serestas e Românticas (compositores e intérpretes): Ataulfo Alves, Mário Lago, Lupicínio Rodrigues, Jair Amorim, Evaldo Gouveia, Luís Vieira, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Samba e Samba de Raiz: Cartola, Pixinguinha, Jacó do Bandolim, Noel Rosa, Passando pelos mais recentes, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Beth Carvalho, Beto sem braço, Luiz Agneto, Zéca Pagodinho, Jorge Aragão, Lecy Brandão, etc. MPB e Bossa Nova: Tom Jobim, Vinícius, Toquinho, Baden Powel, Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil de outrora, Fagner, Gonzaguinha, Gonzagão, Armandinho, Elis, Joanna, Cazuza, Renato Russo, Legião Urbana,  Paralamas do Sucesso, gosto também de Roberto Carlos.
Internacionais: Nat King Cole, Earl Grant, Billy Voughan, Ella Fitzgerald, Willie Nelson, Frannk Sinatra, Ray Coniff, Beatles, Bee Gees, Procol Harum, Queen, Montserrat Cabalet, Nana Mouskoury.
Boleros: Miguel A. Mejia, Agustin Lara, Roberto Cantoral, Luis Miguel, Julio Iglesias, e os outros todosAprecio Clássicos: (Mozart, Schubert, Gounod, Tchaikovsky, Beethoven, Bach); Cantos Gregorianos, e tudo o mais que diz respeito a música e que se fosse elencar eu encheria o saco de quem venha a ler esta entrevista.

 

CEN: - Autores e livros preferidos ?: -

 

Caminha: - Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Fernando Sabino, Mário Quintana, Jô Soares, Emmet Fox, Richard Bach, Robert Ludlum, Frederich Forsyth, Bernie Siegel. Há muitos outros. Livros? Eu destacaria: A Bíblia (meu verdadeiro livro de cabeceira); "Fernando Pessoa - Obra Poética"; "Mensagem"  único de Pessoa; "O Sermão da Montanha", de Emmet Fox; "Cabeça de Turco" de G. Wallraff; "Amor,  Medicina e Milagres" de Bernie Siegel; "A luta é minha vida" de Mandela; "Eu Paulo", de Frederico Dattler; a Obra de Drummond e Quintana.
Mas tenho um gosto um tanto estranho: Adoro livros históricos e romances históricos (tipo Guerra e Paz, de Tolstoi), "Anita Garibaldi, uma heroína brasileira" de Paulo Markum; "O Conde de Monte Cristo", "Os Três Mosqueteiros" "La Tulipe Noir"; "O homem da Máscara de Ferro" e "Memórias de Garibaldi" todos de Alexander Dümas, père (pai); "O Príncipe" de Maquiavel, comentado por Napoleão Bonaparte; Gosto de ler Enciclopédias (A Brittanica para mim é o máximo); e vai por aí afora...

 

CEN: - Vamos falar da sua obra Literária e da sua Home Page ?: -

 

Caminha: - De 1985 a 1989, editou o Jornal “Clarins do Vale”, impresso nas oficinas da Fundação Cultural de Blumenau.  Meu primeiro livro, de poesias, intitulado “Reflexos”, foi editado em 1995. Em 1997 foi co-autor da Coletânea Florilégios Poéticos” da SOBRAMES (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores), em 2005 participou da Antologia  “Um Rio de Letras” da Sociedade de Escritores de Blumenau e em Junho/2006 participou da Antologia "Asas e Vôos". com 4 contos e 3 poemas selecionados no II Concurso de Contos, Crônicas e Poesias da Editora Guemanisse. Em 2002 escreveu a coluna “Stammtisch blatt” no Jornal Diário do Vale e Revista BTVocê.
Na verdade minha "grande obra" está no computador. São mais de 150 poesias, 3 livros de crônicas e contos, um romance sobre Anita Garibaldi, um livro sob o título "A Via Crucis de Maria", um outro sobre as inquietudes de um adolescente, chamado “No mundo da Lua”, e ainda outros dois: um que retrata todo um trabalho de pesquisa histórica sobre a  Tradição dos Stammtische e mais um cujo título deverá ficar assim “Câncer e outras doenças, você pode curá-las”. Mas estão todos em arquivo, esperando que um dia o absurdo cobrado pelo mercado editorial brasileiro caia na real.
Meu Site "Stammtisch, Confrarias e Patotas" http://www.stmt.com.br

Meu BLOG http://luizeduardocaminha.spaces.msn.com

 

Depois da agradável visita a Blumenau, tinha chegado a hora de regressarmos a Florianópolis. Aproveitámos a viagem para fazer a última parte desta entrevista: -

 

CEN: - Entre sonhos e realidades; encontros e desencontros, o Luiz Caminha é um dos Coordenadores indigitados para a organização do 3º Encontro do Portal CEN – “Cá Estamos Nós em Blumenau: Quais as suas perspectivas, neste momento ? 

 

Caminha: - Eu já te disse num e-mail, Carlos, que nunca algo me motivou tanto. Eu estava muito ruim comigo mesmo após dois episódios hemorrágicos que me causaram duas internações depois do II Encontro. Não se descobriu a causa. A insegurança é grande. As portas se fechavam à minha frente. Daí, Deus opera este milagre. Te usa como instrumento, como se dissesse: "Vai lá, Carlos, abre uma janelinha para o Caminha entrar de volta à vida". Isto sim, é uma história fantástica. Estou me reempolgando. Já disparei uma série de contatos, já comprometi o nosso Presidente do Parque Vila Germânica (Norberto Mette) que nos garantiu uma Mini-Oktoberfest, a Terezinha já conseguiu o apoio da Fundação de Cultura e sei que a Prefeitura vem junto. A Terezinha é muito mais ligada e mais influente na área cultural e no mundo das letras que eu. Falei com ela para realizarmos junto o 1o. Encontro do Das Letras Stammtisch, do nosso Site. A própria já conversou com alguns sobre a realização de uma Feira de Livros. Conversei com o Governo do Estado e já vamos preparar um Projeto de Apoiamento; o Tchello de Barros está encantado e vai mobilizar as Alagoas e o Conselho Nacional de Cultura (do qual é membro). Temos quase certa, uma noite portuguesa e, talvez, a inclusão da "noite de Portugal" um jantar dançante que ocorre todos os anos em Blumenau, como parte do III Encontro.  Enfim, as perpectivas são as melhores possíveis. Vamos dar tudo de nós. Vou deixar a Terezinha falar um pouco. Mas não das surpresas que vamos preparar. A Família "Cá Estamos Nós" vai ficar maravilhada. Vai sobrar salsicha e cozido prá todos.

 

CEN: - Quer aproveitar para mandar uma saudação aos Autores, Colaboradores, Leitores e Amigos do Portal CEN – “Cá Estamos Nós” ?: -

 

Caminha: - Primeiro quero pedir desculpas por falar muito. Costumo dizer que a mistura de sangue português e espanhol deu um cara impulsivo, chorão e falastrão. Agora um depoimento. Eu só conheço poucos desta família, mas sinto que fui adotado numa família fantástica, de gente que sabe o que faz, que ainda tem fé e que é suficientemente louca como eu para continuar a trilhar as linhas da poesia, da escrita, da cultura. A família CEN está toda em minhas orações. Mesmo aqueles que ainda não conheço.

 

CEN: - Caminha, qual a sua ocupação profissional ?: -

 

Caminha: - Médico, mas não me restrinjo apenas a este dom que Deus me emprestou. Sou, com muita honra, Escritor, um Arremedo de Poeta (Pessoa e Drummond que não leiam, nem ouçam isto), Produtor e Apresentador do Programa Stammtisch (TV Galega), Mentor e (proprietário - quanta empáfia!) do Site "Stammtisch, Confrarias e Patotas". A par disto tudo em que estou "metido" escrevo uma página semanal no Jornal "Folha de Blumenau".

 

 

C  A N  T  O - Luiz Eduardo Caminha
  
Ouço um canto triste,
Uma toada gemente,
Um gemido na madrugada.
 
A lua alta,
Lá bem distante,
Não consegue esconder,
Com seu encanto,
O triste pranto,
Da alma errante.
 
São sombras confusas,
Semimoventes,
Que se esquivam,
Noite adentro.
 
Um lampião mostra,
No lusco-fusco,
A silhueta esguia,
Dum seresteiro,
Duma viola.
 
Um choro amargo,
Canta a dor,
Do abandono,
Da solidão,
Ausência da amada,

Que foi embora,
Deixou saudades.

 


Formato de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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