Lígia Antunes Leivas

 

Depois de uma tranquila viagem desde Florianópolis, aterrei com suavidade no Aeroporto Internacional de Pelotas RS. Durante a viagem, consultei alguns apontamentos que levava sobre Pelotas, cidade onde ia entrevistar a querida amiga, Lígia Antunes Leivas.

“(...) A história do município de Pelotas começa em Junho de 1758, através da doação que Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, fez ao Coronel Thomáz Luiz Osório, das terras que ficavam às margens da Lagoa dos Patos. Em 1763, fugindo da invasão espanhola, muitos habitantes da Vila de Rio Grande buscaram refúgio nas terras pertencentes a Thomáz Luiz Osório. Mais tarde, vieram também os que se tinham retirado da Colónia do Sacramento, entregue pelos portugueses aos espanhóis em 1777.
Em 1780, instala-se em Pelotas o charqueador português José Pinto Martins. A prosperidade do estabelecimento estimulou a criação de outras charqueadas e o crescimento da região, dando origem à povoação que demarcaria o início do município de Pelotas. A Freguesia de São Francisco de Paula, fundada em 7 de Julho de 1812 por iniciativa do padre Pedro Pereira de Mesquita, foi elevada à categoria de Vila em 7 de Abril de 1832. Três anos depois, em 1835, a Vila é elevada à condição de cidade, com o nome de Pelotas (...).

Esperei pela chegada a Lígia Leivas alguns minutos, que alegou a culpa do atraso ao facto de naquela altura estar a chover bastante.

CEN: - Olá Lígia ! Está bem? – perguntei à entrevistada, que logo me respondeu:

Lígia: - Se vou bem? Sim... em especial na minha atividade como 'batalhadora' cultural.

Cá fora, a chuva caía implacavelmente o que nos levou a sentarmos num bar, até o tempo melhorar. Entre uns sumos, começámos a entrevista.

 

CEN: - Lígia, que mais se orgulha ?

Lígia: - De ser guerreira, enfrentar, não desistir...

 

CEN: - Qual a personagem que mais admira ?

Lígia: - Ghandi.

 

CEN: - Seus passatempos preferidos ?

Lígia: - Ler, escrever, caminhar, dançar(mesmo sem muito praticar...), internet, bom papo, cuidar dos meus cães, sair com meus netos.

 

CEN: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros ?

Lígia: - Em ambos os casos a lealdade.

 

CEN: - E a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito ?

Lígia: - Qualidade, Ler, escrever, caminhar, dançar(mesmo sem muito praticar...), internet, bom papo, cuidar dos meus cães, sair com meus netos. Defeito, ansiedade e não saber dizer 'não'.

 

CEN: - Qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?

Lígia: - Beleza, se bem entendi (?) seria o exagero das cirurgias plásticas. Fealdade, o mau humor.

 

CEN: - Que vício a Lígia gostaria de não ter ?

Lígia: - Compulsão.

 

CEN: - Para si, as piadas às louras são injustas ?

Lígia: - Sempre que se radicaliza, corre-se o risco de cometer injustiças...

 

CEN: - O arrependimento mata ?

Lígia: - Quase …

 

CEN: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?

Lígia: - Assumir a presidência da Academia Sul-Brasileira de Letras.

 

CEN: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?

Lígia: - Um grande amor vivido …

 

CEN: - Como vai de amores ?

Lígia: - Em meu coração vive um grande amor...

 

CEN: - A Lígia recorda-se quando era criança … ?

Lígia: - Sim. Criava minhas histórias com meus bichos de pano, minhas bonecas... chorava, ria, me divertia, sofria com eles.

 

CEN: - E agora, como se auto-define ?

Lígia: - Vivo apaixonada pela espera; espero apaixonada pela vida.

 

CEN: - O filme comercial que mais gostou ?

Lígia: - " Eu sou o senhor do castelo".

 

CEN: - E que género de filme daria sua vida ?

Lígia: - Como a de quase todos os mortais, minha vida seria no gênero tragi-cômico...

 

Entretanto, o tempo acalmou e a chuva deu lugar a um radioso sol. Aproveitámos dar dar uma volta pela cidade antes de irmos almoçar. No percurso, a Lígia Leivas falou-nos um pouco da sua cidade: “A cidade de Pelotas, no Estado do Rio Grande do Sul, situado no extremo sul do Brasil. Minha cidade tem 196 anos. Fica às margens da Lagoa dos Patos e é banhada por vários rios. Dizem que é a 2ª cidade mais úmida do planeta. Tem 360 mil habitantes,com a metade da população negra. Tem muitas colônias: alemã, italiana, árabe, francesa, mas é predominantemente de origem portuguesa (eu, inclusive, sou neta de portugueses). Pelotas tem 5 universidades e é pólo cultural. Tem museus, teatros (inclusive o 3º mais antigo do Brasil até hoje em funcionamento - Teatro Sete de Abril), praças, vários núcleos culturais de artes plásticas, literatura (duas academias literárias e um centro literário), dança (clássica e popular), arte circense (THOLL), orquestra sinfônica, ópera, capoeira, carnaval, enfim, é uma cidade reconhecidamente cultural e festeira! Aqui se vive de festas e essas geram empregos e comércio (o forte da cidade). É quase plana, com traçado das ruas estilo espanhol e casario em estilo neoclássico (português). Fica a 40min do Oceano Atlântico (Praia do Cassino, cidade de Rio Grande), a 13 km da praia do Laranjal (Lagoa dos Patos) e a 10 minutos da Serra Geral - zona montanhosa  conhecida  por "Cascata".

Fomos almoçar ao restaurante “Boa Boca” situado na rua Anchieta (Centro da cidade). Escolhemos no cardápio uma refeição à base de galinha; para bebida, água e sumos.

Durante o almoço, ainda tivemos oportunidade de fazer duas perguntas à entrevistada.

 

CEN: - O dia começa bem para a Lígia, se … ?

Lígia: - O despertador não tiver de tocar …

 

CEN: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ?

Lígia: - Acho-os LINDOS!!!! Saturno é meu regente... e meus anjos chegam com o vento, o frio, o cinza, o inverno, a chuva!

 

Depois do almoço, fomos até ao Bar Souza, na rua 7 de Novembro (Três Vendas) que fica a caminho do aeroporto. Pelo caminho continuámos a entrevista.

 

CEN: - O que é para a Lígia o termo esoterismo ?

Lígia: - Alguma coisa mística.

 

CEN: - Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo” ?

Lígia: - Não; apenas em energias que não morrem e ficam sob a forma de ondas biotermoeletromagnéticas.

 

CEN: - E em histórias fantásticas ?

Lígia: - Tudo que nossa mente possa "criar" é possível "ser", "acontecer".

 

CEN: - E na reencarnação, acredita ?

Lígia: - Até que me provem …

 

CEN: - O imaginário será um sonho da realidade ?

Lígia: - E por que não?... De repente, correr atrás dos sonhos, daquilo que a imaginação sente, não seria a própria realidade?

 

CEN: - E para a Lígia, Deus existe ?

Lígia: - Como energia dentro de nós mesmos... Deus, o Céu, o inferno... estão dentro de nós.

 

Entretanto, chegámos ao Bar Souza, onde fizemos a parte final desta entrevista.

 

CEN : - A cultura será uma botija de oxigénio ?

Lígia: - Cultura É !!!! Apenas... Sem cultura não se É...

 

CEN: - Que livro anda a ler ?

Lígia: - "Dançando um tango em Porto Alegre" (leitura atual)

 

CEN: - E autores e livros preferidos ?

Lígia: - :U-A-U!!! Complicado... são tantos!!! Mas ficaria com AUTORES: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Olavo Bilac, Camões, Carlos Drumonnd, João Simões Lopes Neto, Francisco Lobo da Costa,  Lilla Ripoll, Florbela Espanca, Antero de Quental, Baltazar Gracián, Mathias Ayres, Fernando Pessoa, Jorge Luiz Borges, Franz Kafka, Raul de Leôni, Nietzsche, Cecília Meirelles, Simone de Beauvoir, Zolá, Musset, Lygia Fagundes Telles, Lygia Boyunga, Gabriel Garcia Marquez, Françoise Sagan... entre póstumos e vivos. LIVROS: Grande Sertão Veredas; Dentro de um mês, dentro de um ano; Quando o espiritual domina; O corpo; Farwell; Causos do Romualdo;  Lucubrações; Ode a um poeta; Memorial de Ayres; Dom Casmurro; O amor no tempo do cólera; Cem anos de solidão.

 

CEN: - E sua obra literária ?

Lígia: - Seis livros publicados (poemas, frases, pensamentos, contos, crônicas, prosa poética) pela UFPEL; dois ensaios (um na área de Semântica; outro na área de Historiografia Literária) e um livro secreto.

 

CEN: - Para terminar e falando de música: quais os seus autores preferidos ?

Lígia: - Bolero de Ravel; autores: Tchaikovski, Ray Connif, Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso.

 

E assim, falámos de:

 

Lígia Antunes Leivas

Nascida num belo dia de 7 de Janeiro

Revisora de Textos em Língua Portuguesa

 

   Na dança da madrugada

No palco da madrugada mexem-se as sombras.
O tablado sacode... range.
Desequilibra-se... reequilibra-se.
Espectros executam os bailados
(segredos secretos... inquietos).
Há os que os vêem (muitos se escondem).
E o tempo escorre por entre os dedos
...areia fina... impossível conter.
O mundo, na girândola de seus dias,
dá o recado. Poucas surpresas.
Gigante, a roda se move
pelo exercício de muitas mãos!
Lá de cima, sem querer, alguns despencam-se,
outros escolhem a hora para o tombo final.
(Quase todos seguem o andar da carruagem...)
Tudo se acomoda... outro dia se aproxima.


Formato de entrevista virtual de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

 

 

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