Lairton Trovão de Andrade
 
 

 

 
Aproveitando a estadia do amigo Lairton Trovão em Curitiba, apanhei um ônibus em Florianópolis para esta cidade e capital do Paraná PR.
Quando cheguei, combinámos fazer esta entrevista num bar no belo Parque Barigui.
Este parque foi criado em 1972, recebendo o mesmo nome do rio que foi represado para formar um grande lago em seu interior. Está entre os maiores da cidade, sendo, também, um dos mais antigos. Diversas espécies de animais vivem livres no parque, como aves e pequenos roedores.
À entrada deste parque, uma voz conhecida me chamou:
- Carlos ! por aqui ? que surpresa agradável ! – Era a querida amiga Andrea Motta.
Depois dos cumprimentos, tive o prazer de a apresentar ao Lairton. Convidámos a Andrea a beber uns sumos connosco, mas ela recusou alegando ter naquele dia a agenda profissional demasiadamente cheia. Com grande pena, vimos a afastar-se de nós.

CEN: - O Lairton não mora em Curitiba. Quer falar-nos de onde mora ?
Lairton: - Moro em Pinhalão, pequenina cidade, com aproximadamente 7.000 habitantes, encravada entre outras pequenas cidades do Norte Pioneiro do Paraná. O nome "pinhalão" é de origem cabocla, designação dada pelos primeiros habitantes da região, em memória aos pinheiros (araucárias) que cobriam a localidade. É município de intensa e diversificada atividade agrícola e pecuária. A título de exemplo, o parque cafeeiro de Pinhalão está entre os maiores e mais produtivos do Estado do Paraná, ao lado de outras atividades agrícolas como: feijão, soja, arroz, morango, maracujá, uva, tomate, pimentão, etc.
Conta o Município com excelente rebanho bovino leiteiro e de corte, além de inúmeras granjas de frangos, de suínos, de carneiros, etc.  A rigor, em Pinhalão, não há favelas, não há desemprego e a mortalidade infantil é zero desde o ano de 2002.
Pinhalão encontra-se a 320 k. de Curitiba, a 180 de Londrina e a 107 de Jacarezinho.

CEN: - Vamos tentar conhece-lo um pouco melhor. Qual a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito ?
Lairton: - Em mim, a constância em alcançar os objetivos propostos. Nos outros, o espírito de fraternidade.

CEN: - O arrependimento mata ?
Lairton: - O arrependimento não mata, mas o remorso certamente causa aleijão na mente e no coração.

CEN: - Seus passatempos preferidos ?
Lairton: - Navegar pela internet, tocar piano, assistir futebol profissional pela TV, bater papo com amigos, escrever ...

CEN: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?
Lairton: -  Sem dúvida, foi o de procurar ser um homem de alta credibilidade perante a comunidade, onde vivo.

CEN: - De que mais se orgulha ?
Lairton: - De várias coisas, uma delas: O de jamais ter dado um cheque sem fundo. Rsss

CEN: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?
Lairton: - Minha infância, ainda no sítio, onde nasci e vivi até aos cinco anos de idade.

"Num certo dia de chuva,
Lembro-me bem como foi,
Meu pai me fez um brinquedo
– Um mini-carro de boi.
 
Cheguei a brincar contente
Com o primo Vitor Hugo.
Aquele carro de boi
Tinha seis bois de sabugo."

CEN: - Quando o Lairton era criança … ?
Lairton: - Respirava o ar puro da fazenda e sentia-me como integrante daquela natureza exuberante:

"Lá no sítio, onde nasci
Floresciam cafezais;
Terra cheia de magia
E de encantos naturais."

CEN: - Para si, qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?
Lairton: - Beleza, a humildade no coração, na mente e nos lábios de uma grande personalidade. Fealdade, o inchaço pustulento da soberba.

CEN: - Que vício gostaria de não ter ?
Lairton: - Um vício que não tenho e não gostaria de ter é o de mentir.

CEN: - Qual a personagem que mais admira ?
Lairton: - Jesus Cristo

CEN: - Como vai de amores ?
Lairton: - Oba! (rss) Muito bem! Ainda na flor da idade, vivo cheio de amor pra dar. Sinto-me no ápice da minha eterna adolescência! rssssss.

CEN: - Como se auto-define ?
Lairton: - Como um ser humano cuja vida se confunde com as dos outros homens da Comunidade, e que, às vezes, escreve poemas e outros gêneros literários, para entretenimento dos seus amigos.

CEN: - Que género de filme daria sua vida ?
Lairton: - Dramático, com pinceladas de humor.

CEN: - E o filme comercial que mais gostou ?
Lairton: - São tantos, mas ultimamente assisti "O Pianista". Gostei, apesar de ter sofrido com as terríveis cenas de barbárie.

Interrompemos a entrevista para o almoço. Entretanto, antes de irmos ao Restaurante Famiglia Fadanelli, na Avª. Manoel Ribas (Santa Felicidade), fomos visitar o belo edifício da Ópera do Arame. É todo construído com tubos de aço e estruturas metálicas e coberto com placas transparentes de policarbonato, lembrando a fragilidade de uma construção em arame. De forma circular, a edificação é parcialmente circundada por um lago artificial, de maneira que o acesso ao auditório é feito por uma passarela sobre as águas. Foi montada em apenas 75 dias e inaugurada em 1992. Passou por uma reforma para manutenção e melhorias na segurança, concluída em meados de 2006. O auditório tem capacidade física para 2,1 mil espectadores, mas após a reforma de 2006 pretende-se limitar a entrada para um máximo de mil pessoas, visando a preservação da estrutura. Próximo à ópera está a Pedreira Paulo Leminski, aberta em 1990. Juntos, os dois locais formam o Parque das Pedreiras
Já no restaurante, depois de escolhermos a refeição (File de boi e arroz com feijão, acompanhado por cerveja), continuámos a entrevista.
Em homenagem à moça loura que nos atendia, perguntei ao Lairton:

CEN: - Para você, as piadas às louras são injustas ?
Lairton: - Não. São brincadeiras engraçadas. Todos sabemos que as louras são inteligentes. rsss.

CEN: - Mudando de assunto. O que é para o Lairton o termo esoterismo?
Lairton: - Uma doutrina espiritualista que busca o sobrenatural, através do conhecimento de princípios e leis enigmáticas que regem o universo.

CEN: - E na reencarnação acredita ?
Lairton: - Não. Acredito na doutrina da Igreja Católica.

CEN: - Acredita em fantasmas ou em "almas do outro mundo" ?
Lairton: - Não, porque fantasmas são meras fantasias; e almas do outro mundo, se existem, são do outro mundo, não deste em que vivemos.

CEN: - E em histórias fantásticas ?
Lairton: - Acredito como produções da fantasia. Assim como no prego sonhado, pode-se pendurar um chapéu sonhado.

CEN: - O imaginário será um sonho da realidade ?
Lairton: - O imaginário pode-se realizar ou não. Portanto, será, no mínimo, sonho da realidade.

CEN: - A cultura será uma botija de oxigénio ?
Lairton: - A cultura, quando encontra corações verdadeiramente educados, areja o mundo e faz germinar a semente de uma vida melhor e mais humana.

CEN: - Que livro anda a ler ?
Lairton: - A História da Civilização de Will Durant, Flor do Mar de Ruth Moore, além de ler tudo que me é interessante do meu correio eletrônico.

Depois da refeição fomos ao Centro de Curitiba à Rua Marechal Deodoro, ao Arrumadinho Café Bar, onde fizemos a parte final da entrevista.

CEN: - Sabemos que é um apreciador de música. Quais os seus autores preferidos ?
Lairton: - Gosto de todos os gêneros de música, porém, minha preferência está na música clássica, principalmente nas árias  de Verdi, contidas em La Traviata, Il Trovatore, Aida, dentre outras.

CEN: - Falando de literatura. Seus autores e livros preferidos ?
Lairton: - Na Filosofia, gosto dos  gregos Platão e principalmente Aristóteles; Santo Agostinho, entre os padres da Igreja Antiga; Duns Scoto e, principalmente, Santo Tomás de Aquino, na Idade Média; entre os modernos, prefiro Godofredo Leibniz; e, concordo, geralmente, com as teses de Jacques Maritain e do brasileiro Padre Leonel Franca, para citar dois dentre os eminentes filósofos do século XX.
Na Literatura, Aprecio autores de Portugal e do Brasil. Entre os portugueses,  Eça de Queirós, Almeida Garret, as últimas fases de Guerra Junqueiro, com seu brilhante estilo. Entre os brasileiros, José de Alencar, Machado de Assis e Paulo Setúbal; Casimiro de Abreu, Castro Alves, Mário Quintana e centenas de poetas e trovadores da atualidade; finalmente, não poderia deixar de enaltecer, participando do coro da multidão de fãs, ao ilustre Jornalista e Escritor Carlos Leite Ribeiro, por sua extraordinária gama literária, onde, além do seu atraente estilo, exibe magnífica inteligência criativa, capaz de prender a atenção do leitor em todos os seus trabalhos de tanta expressão literária.

CEN: - E sua obra literária ?
Lairton: - Foram editados sete livros, sendo três de poesias, dois de reflexões filosóficas e um de trovas líricas e filosóficas. Além disso, diversos livros eletrônicos (e-books), editados pelo  Portal CEN -"Cá Estamos Nós", pela web designer Iara Melo.

CEN: - Mudando novamente de assunto. O dia começa bem para o Lairton, se …?
Lairton: - Se estiver bem de saúde e, principalmente, sem contas para pagar. Rsss

CEN: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ?
Lairton: - Influência negativa, porque, onde moro, há um jardim e as folhas caem, sujam tudo... A gente limpa, elas caem novamente.  É aquele círculo vicioso.

CEN: - Para terminar. Para o Lairton Deus existe ?
Lairton: - A Filosofia prova a existência Deus, e minha fé a proclama solenemente:


"Há um Ser que nós não vemos,
que jamais teve um "outrora";
é o Eterno que nós cremos,
pois, há nele só o "Agora".
 
"Este Ser, nós o adoramos
e tem nome de Elohim.
É o Infinito a quem oramos
e que faz morada em mim."

E assim, falámos de:

Lairton Trovão de Andrade
Aposentado de Professor de Filosofia e História
Nascido a 28 de Fevereiro de 1943

QUE SÃO AS HORAS - Lairton Trovão de Andrade
 
Que são as horas?
Ora, que são as horas?!
 
As horas são
A contagem ininterrupta do movimento
Do veloz universo
Em que vivemos.
 
As horas são,
Do passar do tempo,
A numeração.
 
O tempo que passa
Morre no tempo presente,
Que parte para o tempo futuro,
Que se torna novo presente,
Enquanto os seres
E o mundo vão acumulando
Cicatrizes do passado,
Que já não existe mais.
 
Que são as horas?
 
Na eternidade,
A hora é marcada
Por um relógio
Que não tem ponteiros
E não tem números.
É a hora inerte – sempre a mesma –
Sem passado nem futuro,
Que não transcende do presente
Para tempo algum.
 
Que são as horas?
 
Quando se está
Num amoroso relacionamento,
As horas não importam,
Porque o amor,
Nesta hora,
É interação eterna
E o tempo está morto...
Morto...


Formato de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
 
 

 

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