ISABEL DE ALMEIDA V. CAETANO
 
 
 

 

 

 

Formato de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

Sai do Aeroporto Internacional de Guarulhos (São Paulo – Brasil), já de madrugada. Apanhei um táxi que me levou até à Avª Paulista, ao Hotel do Grupo Pestana. Tinha poucas horas para descansar da estafante (mas sempre agradável) viagem de mais de dez horas desde Lisboa.

Manhã cedo e à hora marcada, a nossa entrevistada entrava na sala de recepção do hotel. Depois das habituais apresentações, gentilmente convidou-me para um tour pela linda cidade de São Paulo. Durante o tour, foi-me falando um pouco da sua cidade:

“Após a Independência do Brasil, ocorrida onde hoje fica o Monumento do Ipiranga, São Paulo recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por Dom Pedro I do Brasil em 1823. Em 1827, houve a criação de cursos jurídicos no Convento de São Francisco (que daria origem à futura Faculdade de Direito do Largo de São Francisco), e isso deu um novo impulso de crescimento à cidade, com o fluxo de estudantes e professores, graças ao qual, a cidade passa a ser denominada Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga.
Outro fator do crescimento de São Paulo foi a expansão da produção do café, inicialmente na região do Vale do Paraíba paulista, e depois nas regiões de Campinas, Rio Claro, São Carlos e Ribeirão Preto. De 1869 em diante, São Paulo passa a beneficiar-se de uma ferrovia que liga o interior da província de São Paulo ao porto de Santos, a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, chamada de A Inglesa.
Surgem, no final do século XIX, várias outras ferrovias que ligam o interior do estado à capital, São Paulo. São Paulo tornou-se, então, o ponto de convergência de todas as ferrovias vindas do interior do estado. A produção e exportação de café permite à cidade e à província de São Paulo, depois chamada de Estado de São Paulo, um grande crescimento económico e populacional.
De meados desse século até o seu final, foi o período que a província começou a receber uma grande quantidade de imigrantes, em boa parte italianos, dos quais muitos se fixaram na capital, e as primeiras indústrias começaram a se instalar.
Com o fim do Segundo Reinado e início da República a cidade de São Paulo, assim como o estado de São Paulo, tem grande crescimento económico e populacional, também auxiliado pela política do café com leite e pela grande imigração europeia e asiática para São Paulo.
Durante a República Velha (1889-1930), São Paulo passou de centro regional a metrópole nacional, se industrializando e chegando a seu primeiro milhão de habitantes em 1928. Seu maior crescimento, neste período, relativo se deu, na década de 1890, quando dobrou sua população. O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX e pela avenida Paulista em 1900, onde se construíram muitas mansões”.

 

Carlos: - A Isabel nasceu nesta bela cidade?
Isabel: - Nasci a 13 de Maio de 1951 e fui chamada Isabel em homenagem à Isabel de Orleans e Bragança, a Princesa, filha do Imperador D. Pedro II, do Brasil, porque, como se sabe, a 13 de Maio de 1888 a Princesa assinou a Lei Áurea, que acabou com a escravidão dos negros em nosso país.
Nasci na Rua Vergueiro, num antigo casarão, a alguns quarteirões da Avenida Paulista, onde vim morar há 26 anos passados. A avenida tem apenas 11 prédios residenciais em seus 2,5 kms de extensão. Os demais prédios são comerciais. Aqui estão os grandes bancos e é comum se dizer que a avenida abriga “o maior PIB por m2 do país”. Mas há também 28 cinemas, 3 teatros, 6 museus, 3 mil empresas, 8 heliportos, 10 entradas par as estações de metro, 5 mil moradores e, por suas calçadas, circulam 1 milhão e meio de pessoas por dia. Eu moro num prédio que foi construído em 1958, erguido no terreno onde, antes, fora a primeira casa da Avenida. A Paulista foi um empreendimento idealizado e realizado pelo urbanista Joaquim Eugênio de Lima, um uruguaio, naturalizado brasileiro, que foi responsável pela criação de alguns dos mais importantes bairros da cidade. A Avenida Paulista foi concebida como um grande boulevard e destinava-se a abrigar as famílias da elite paulistana, o que, de fato, ocorreu. Grande mansões de arquitetura “eclética” (ou de gosto duvidoso) foram erguidas aqui nos primeiros anos do século XX. Nas décadas seguintes a avenida foi palco das primeiras corridas de automóveis e, nos carnavais, ostentava seus famosos corsos, desfiles em carros abertos, onde a nata da nossa sociedade divertia-se com fantasias, confetes, serpentinas e inocentes lança-perfume... Restam pouquíssimas casas dessa época, todas tomabadas pelo Patrimônio Histórico quando já era um pouco tarde para isso. Muitas delas, para evitar o tombamento (que desvaloriza o imóvel, num terreno que vale cerca de 10 mil dólares o m2), foram demolidas na calada da noite por bombas misteriosas. O fato é que as famosas casas da Paulista começaram a ser substituídas por prédios na década de 1950. Os primeiros prédios eram residenciais e, no máximo, tinham andares térreos destinados a estabelecimentos comerciais. Depois vieram os grandes espigões onde se foram instalando empresas e bancos. Os tombamentos das mansões que restaram se iniciaram muito tardiamente, nos anos 1980. Um das casas mais famosas era a do Conde Matarazzo, imigrante italiano que começou a vida vendendo latas de banha no interior do estado de São Paulo e se tornou o mais rico italiano do mundo, com seu império industrial. Essa casa também foi “bombardeada” de 1986 e só neste ano de 2011 está se erguendo no seu enorme terreno um grande Shopping Center.
A Avenida é ainda o palco preferido das manifestações e comemorações populares, uma tradição que se iniciou em 1977 com uma festa do time de futebol Corinthians quando este ganhou um campeonato depois de anos e anos amargando derrotas. A avenida viu movimentos inesquecíveis, como a Primeira Parada do Orgulho Gay (e já estamos na 15. em 2011), a vitória de Lula na eleições presidenciais em 2002, o movimento dos cara-pintadas no Fora Collor no começo dos anos 1990 e inúmeras outras manifestações, de todas as dimensões, que ocorrem pelo menos uma vez por semana. No meu site há uma página chamada “Janela da Paulista”, uma página brincalhona onde eu, cá da minha janela do apartamento, filmo toda e qualquer manifestação que aconteça.

Nota: Embora o tour fosse feito em bom andamento, passámos pelos Monumentos: às Bandeiras; a Duque de Caxias; aos Heróis da Travessia do Atlântico; à Independência do Brasil; Museu do Ipiranga; Largo da Memória; Marco zero da cidade de São Paulo; Monumento a Ayrton Senna; Monumento ao Migrante Nordestino; Obelisco do Piques; Monumento a Ramos de Azevedo; e outros.

Por fim, começámos a entrevista, comodamente instalados sob as centenárias árvores do Parque Trianon (Parque Ten. Siqueira Campos, seu nome oficial, mas todo mundo o chama de Trianon). O parque é uma área de mata Atlântica preservada pelos empreendedores da Avenida, construída em 1891.

Nota: Conheço a rua Siqueira Campos (da Revolta dos Tenentes) em Copacabana (Rio de Janeiro)

Carlos: - O que considera a sua melhor qualidade e, seu maior defeito:
Isabel: - Só uma resposta, Sinceridade!

Carlos: - Qual a característica que mais aprecia em si, e nos outros?
Isabel: Nunca Desistir.

Carlos: - O arrependimento mata?
Isabel: - Não sei. Não me lembro de nenhum grande arrependimento na vida.

Carlos: - Qual o cúmulo da beleza, e da fealdade?
Isabel: - Bom, beleza, céu cheio de estrelas. Fealdade, os depósitos de lixo das grandes cidades.

Carlos: - Que vício gostaria de não ter?
Isabel: - Já tive alguns. Me livrei de todos.

Carlos: - O que é para você o termo Esoterismo ?
Isabel: - Atualmente é a banalização das antigas escolas de mistério. Há mais “esotéricos de almanaque” do que verdadeiros místicos e foram estes que criaram as organizações secretas que preservaram das fogueiras da Inquisição Católica os grandes segredos da magia.

Carlos: - Acredita na reencarnação?
Isabel: - Acredito. Já vivi em muitos e diferentes planetas.

Carlos  - Acredita em fantasmas ou em "almas do outro mundo"?
Isabel: - Claro. Principalmente no Fantasma da Paulista.

Carlos: - O Imaginário será um sonho da realidade?
Isabel: - Não. O Imaginário é fruto da realidade.

Carlos: - Acredita em histórias fantásticas?
Isabel: - Sim. A vida é fantástica!

Carlos: - Deus existe?
Isabel: - Claro! Deus existe. Mas não deve ser só unzinho, não é?

Carlos - O dia começa bem se...?
Isabel: - ...eu tiver mais alguma coisa a conquistar.

Carlos: - - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?
Isabel: - Pouca. Adoro todas as estações. Quando vem a primavera, as plantas ficam lindas e o frio já estava cansando. Quando vem o verão é ótimo, pouca roupa e pele bronzeada. O Outono é o tempo de deixar os vasos descansarem cheios de adubo e de começar a organizar as roupas de inverno. E o inverno... ah, que elegância! E vinho quente, chás maravilhosos... Vivemos numa época  e em países muito privilegiados. Podemos curtir a vida e seus ciclos. Se bem que, neste país tropical, as estações são menos definidas e, em particular, em São Paulo, costuma ser inverno e verão no mesmo dia.

Carlos: - Prato preferido, assim como a bebida?
Isabel: - Peixe e Vinho.

Carlos: - Qual a personagem que mais admira?
Isabel: - O Conde Fosca, de Todos os Homens São Mortais, de Simone de Beauvoir.

Carlos: - Quando era criança ... e, como hoje se auto-define?
Isabel: - Em criança, muitos livros, Ballet e esqui aquático... era o máximo! Hoje, considero-me Criativa.

Carlos - As piadas às louras são injustas?
Isabel: - Completamente!

Carlos: - De que mais se orgulha?
Isabel: - Dos meus livros.

Carlos: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje?
Isabel: - Fazer e manter meu programa de TV por duas décadas.

Carlos: - Como vai de amores?
Isabel: - Maravilhosamente bem, há 28 anos com o mesmo marido e amante.

Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?
Isabel: - O sorriso que meu marido abriu pra mim no dia em que fomos apresentados.

Carlos: - Que género de filme daria sua vida?
Isabel: - De ação e suspense.

Carlos: - O filme comercial que mais gostou?
Isabel: - Guerra nas Estrelas III, IV e V.

Carlos: - Que livro anda a ler?
Isabel: - Estou lendo “Justa” de Monica Schpun, que conta a história de duas mulheres, uma brasileira e uma alemã, que salvaram muitos judeus da persiguição nazista. Mas estou lendo também “Solo”, as memórias do músico Cesar Camargo Mariano, que viveu o auge da bossa nova, foi casado com duas cantoras maravilhosas (Marisa Gata Mansa – como a sua Marisa do fado, aí em Portugal – e Elis Regina) e está na ativa, no cenário musical, até hoje.
Não tenho preferência por livros biográficos. Trata-se de uma coincidência.

Carlos: - A cultura será uma botija de oxigénio?
Isabel: - Sempre.

Carlos: - Música e autores preferidos?
Isabel: - Tchaikowsky, Cole Poter, Ira e George Gershwin, Mozart, Bizet, Tom Jobim, Noel Rosa.

Carlos: - Autores e livros preferidos?
Isabel: - Fernando Pessoa, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Maria José Silveira, Vinícius de Moraes, Simone de Beauvoir, Phillippa Gregory e, claro, os clássicos. De longe, os meus livros preferidos são Incidente em Antares, de Éric Veríssimo, Todos os Homens São Mortais, de Simone de Beauvoir e A Mãe da Mãe de Sua Mãe e Suas Filhas, de Maria José Silveira.

Carlos: - Para terminar, vamos falar na sua obra Literária ? :
Isabel: - Tenho 8 livros publicados e vou lançar o nono no próximo dia 31 de outubro. Como é difícil publicar ficção eu escrevo livros sobre assuntos de interesse, como saúde e comportamento, e ilustro cada capítulo com um conto correspondente. Assim consigo publicar minha ficção que é o que realmente mais me interessa. Tenho apenas dois livros de pura ficção: o primeiro publicado, que são contos reunidos sob o título de “Histórias de Mulher”, e o sétimo, uma ficção que narra as aventuras do idealizador da Avenida Paulista, em sua jornada pós-morte, como um fantasma transparente, pelo leito da Avenida, em diversas épocas, contando assim um pouco da própria história da Paulista.
Livros publicados:
2011, Mergulho na Sombra, com Kalil Duailibi, Medicina, Comportamento e Contos, Ed. Cultrix.
2009, O Fantasma da Paulista (romance) Ed. República Literária
2007, A Depressão na Mulher (co-autoria Prof.Dr.Kalil Duailibi, médico psiquiatra), Medicina e Comportamento, Ed. Segmento
2006 Todas As Mulheres São Bruxas (Comportamento e Contos) Ed.Soler
2005, Sexo Sem Vergonha (Comportamento e Contos) Ed.Soler
2004, A Menstruação e Seus Mitos (Saúde e Contos) Ed.Mercuryo
2002, 5O Anos da Rosa (Romance) Ed.Universal
2000, Histórias de Mulher  (Contos) Ed. Scortecci

 

E assim, falamos de:

Isabel de Almeida Vasconcellos Caetano

Jornalista, produtora e apresentadora de TV e rádio e escritora.

Que luta pela melhoria da condição feminina sobre o planeta.

www.isabelvasconcellos.com.br  
 

A Árvore – de Isabel Vasconcellos


A Árvore nascera num terreno ainda não povoado, em 1705. Fora uma sementinha, trazida pelo vento. Crescera. Primeiro uma plantinha. Mas foi crescendo. Quando os homens chegaram, em 1871, ela já era uma Árvore robusta e adulta. Os homens construíram uma chácara, perto dela. E ela, em alguns momentos, temeu que eles a cortassem para abrir espaço àquelas construções que, então, pareceram à nossa heroína, desenfreadas.
Duas décadas depois, o arquiteto e empreendedor Joaquim Eugênio de Lima comprou todas aquelas chácaras, inclusive aquela onde estava a Árvore, para realizar na região dos Altos do Caaguaçú, um empreendimento que se tornaria, no futuro, histórico: a Avenida Paulista. Um boulevard que se destinava a ser o abrigo das eslites paulistanas. A Árvore temeu por seu destino. Seria ela tombada e morta por aquela frenética ebulição em nome do progresso dos humanos? Mas resistiu. A nova avenida passava a poucos metros dela e ela lá permaneceu. Quase na esquina da avenida. Depois, vieram as mansões. A elite paulistana, no começo do século XX, construía freneticamente suas ricas residências no leito da nova avenida. E a Árvore passou a ser parte integrante do jardim de uma dessas residências. Ela, que vira tantas das suas irmãs serem mortas, na avidez dos construtores, ainda reinava, impávida, sobre uma das esquinas da avenida.
O pior momento da sua vida, aconteceria, porém, nas décadas de 1950 e 60 do século XX. A mansa avenida residencial viu as mansões serem postas abaixo para dar lugar aos arranha-céus, colossos de concreto, desafiando o firmamento. A nossa Árvore pensou: desta vez, não vai ter jeito. Eles vão me derrubar. Mas, como num milagre, ainda desta vez ela resistiu. Ficou ali, na esquina da rua que viria a ter o nome do idealizador da avenida, Joaquim Eugênio de Lima, com a Av. Paulista. Logo, junto da marquise de um grande prédio que foi erguido no terreno, onde, um dia, houvera uma residência (e a Árvore se lembrava bem de quantas gerações de crianças vira crescer sob a sua sombra, até balanços haviam sido instalados em seus galhos) , surgiu um bar. E, por décadas, nas mesas sobre a calçada e sob a sua sombra, a Árvore escutou conversas de intelectuais, estudantes, trabalhadores, que se reuniam no buteco. Gente da Fundação Cásper Líbero, gente da Radio Joven Pan, jornalistas, casais de namorados... Ah, quantas histórias se multiplicavam naquela esquina, sob a sombra de seus frondosos galhos. A Árvore viu mendigos, crianças engraxates, crianças pedintes e ate grandes artistas, conversando ao lado de seu frondoso tronco. Mas muito pouca gente prestava atenção à sua majestosa presença. E muito menos ao signiicado das grandes memórias que ela guardava.
Afinal, ela era apenas uma árvore.
Outro dia, estava eu tomando um chopp de vinho, servido pela Lady Zu (cujo verdadeiro nome é Zuleide) no boteco ao lado da Árvore. E foi então que ela, a Árvore, me contou toda a sua história. E me disse que, depois que instalaram aquele telão ali em frente à sua copa, ela ficou sabendo muito mais sobre o mundo dos homens. Não que tivesse tido grandes surpresas. Afinal, sobre a Terra, as árvores sabem tudo, assim como sobre o Universo e as Leis Cósmicas, já que todas as plantas se comunicam, por suas raízes, que repousam sob a terra e recebem todas as energias que ali circulam. Mas a Árvore se mostrava surpresa que os seres humanos, que raramente têm raízes, tivessem acumulado tanto conhecimento sobre os mistérios do Universo. A Árvore me disse ainda que abrigava alguns ninhos de passarinhos,escondidos sob seus galhos frondosos, e que, brevemente, daria novamente flores, apesar da poluição do ambiente, já que estávamos chegando à Primavera. Ela estava um pouco triste, pois se achava meio inútil, hoje em dia, já que quase ninguém sequer percebia a sua existência, todos tão ocupados com tão grandes afazeres da grande cidade. “Quem passa nos carros, então – disse ela – , e são tantos, nem percebe que eu existo.”
- Oh, mas percebo! – retruquei eu – E percebo a sua grande majestade. Eu vou morrer, mas você continuará aí por anos e anos.
Ela se esticou,  orgulhosa.
Meu chopp acabou. Paguei a conta e fui embora. Não sem antes acenar para ela, do meio da faixa de pedestres.
E ela, agradecida, balançou levemente suas folhas.
Isabel. 


Programa Web TV Só Saúde
Revista 7 Dias com Você
Revista UpPharma
Rádio Tupi AM

 

***


Entrevista (virtual) formato Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

Formatação e Arte Final: Iara Melo
 
 

 

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