Eneida Magalhães Caetano
 

 

Formato de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 
O avião saiu atrasado do Rio de Janeiro mais de uma hora e como é lógico, chegaria atrasado ao Aeroporto de Tancredo Neves, em Belo Horizonte no Estado de Minas Gerais. Tinha combinado telefonicamente com a entrevistada a nossa querida Eneida, que logo percebi que era pessoa muito ocupada. Receei que devido ao atraso, ela não estivesse à minha espera e eu, numa cidade que não conhecia ficasse a fazer “meditação” no aeroporto. Mas meus receios eram infundados, pois logo na rampa que dá acesso à saída do aeroporto, um linda voz me chamou:

- “Carlos ! estou aqui. Sou a Eneida !
- Olá Eneida ! receei que você não estivesse à minha espera e eu ficasse para aqui a “meditar”.
Deu uma gargalhada ao responder: - Olha Carlos, meditar faz bem a toda a gente !
A caminho do parque de estacionamento automóvel, a Eneida foi cantarolando “Eu tenho tanto pra lhe falar … mas com palavras não sei dizer …”. O Carlos conhece esta canção do Roberto Carlos ?
Já dentro do carro, a nossa entrevistada foi falando da bela cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais: “Moro perto do Circuito Cultural Praça da Liberdade região onde concentra 10 espaços culturais, arte, cultura popular, conhecimento e diversão, com seus belos jardins, arquitetura do Oscar Niemeyer, prédio Rainha da Sucata, Biblioteca Pública e o Palácio do Governo”.
Parámos em uma pastelaria no caminho, para bebermos uns sumos naturais de frutas. Aproveitei para começar a entrevista.

Carlos: - Eneida, quais seus passatempos preferidos ?:
Eneida: - Ficar dentro d'água. Olhar a natureza.

Carlos: - Quando você era criança … ?:
Eneida: - Gostava de cantar: "No Nepal tudo é barato...no Nepal tudo é muito barato... no Nepal existe uma praça onde fica um monte de dinheiro, quem precisa tira o que precisa e quem ganha bota lá de novo..." Meus irmãos diziam que eu era o banco e sempre tinha para dar aos outros.

Carlos: - Qual a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito?
Eneida: - Qualidade, a objetividade: Tenho foco e sempre consigo o que preciso; defeito, condescendência: Trabalho comigo para saber ser dura quando preciso.

Carlos: - Como se auto-define?:
Eneida: - Uma mulher madura que cumpre com muita alegria uma missão aqui na terra.

Carlos: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros ?:
Eneida: - Procuro sempre uma qualidade e aprecio aquela (que a pessoa tem).

Carlos: - Como vai você de amores ?:
Eneida: - Já amei e fui amada, fui feliz e agora sou feliz assim, sozinha por opção. Estou em um momento só meu, me fortalecendo, me descobrindo, escrevendo outro livro.
 
Tivemos que interromper aqui pois, a Eneida Magalhães recebeu um telefonema e tinha que ir rapidamente ao Instituto LAM RIM. Convidou-me a ir com ela o que eu acedi com todo o prazer. Disse-me que me oferecia um “Banho Rejuvenescedor” o que agradeci e ao mesmo tempo perguntei-lhe que se não era massagens. Ela riu-se e eu complementei: “É que tenho cócegas”. Deu uma gargalhada.
Fomos até o Vale do Sereno e já dentro do instituto, e depois de visitar o belíssimo jardim, meti-me dentro de uma celha com um líquido muito suave. Comecei a relaxar naquele banho rejuvenescedor; parece que adormeci e comecei a sonhar que tinha voltado aos meus trinta anos: “Atenção moças mineiras, o Carlos voltou a ter 30 anos !”. Só acordei quando ouvi a  voz da Eneida perto dos meus ouvidos: “Carlos ! você está bem ou a delirar ?”. E assim acabou o sonho …Mas... ao contar para Eneida, ela logo me mostrou o espelho, onde me surpreendi com uma aparência mais jovem e radiante.
Como estava na hora do almoço, fomos almoçar ao restaurante “Fonte de Minas. Ela encomendou “Tofu” e Suco de Luz, e eu, como estava com fome de “lobo”, aceitei acompalhá-la naqueles pratos exóticos. Enquanto esperámos pela refeição e durante esta, continuámos a entrevista.
 
Carlos: - Para a Eneida, qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?:
Eneida: - Bem, beleza, a que vem de dentro e brilha; fealdade, a doença. Qualquer pessoa, por mais bonita que era, quando está doente fica feia.

Carlos: - Que vício gostaria de não ter ?:
Eneida: - Perfeccionismo. Já relaxei muito, mas ainda sou bastante exigente comigo e com meus filhos.

Carlos: - O arrependimento mata ?:
Eneida: - Não, me faz mudar e recomeçar.

Carlos: - As piadas às louras são injustas ?:
Eneida: - Não gosto de piadas e nem de brincadeiras ofensivas.

Carlos: - Para a Eneida, o dia começa bem se … ?:
Eneida: - Lembrarmos que somos a pessoa mais importante e merecemos nos tratar com carinho.

Carlos: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?:
Eneida: - Muita, pois é o momento de introspecção, de voltar para o ser interior, é o momento em que as árvores fortalecem as raízes e devemos fazer o mesmo, ganhar força para em seguida expandir e florir.

Carlos: - O que é para você o termo Esoterismo ?:
Eneida: - Um conjunto de princípios adotados e praticados por uma egrégora.

Carlos: - Acredita na reencarnação ?:
Eneida: - Devemos viver o hoje e os conteúdos daqui e agora são reflexos do que vivemos no passado ressente ou em outras vidas. Se mudarmos o hoje, estamos mudando todas as gerações futuras.

Carlos: - Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?:
Eneida: - Ainda não conheci e nem senti a presença de nenhum fantasma.

Carlos: - O Imaginário será um sonho da realidade ?:
Eneida: - É o desejo. Acredito que, se andarmos em direção aos nossos sonhos, com dedicação e perseverança, eles se tornam realidade.

Carlos: - Acredita em histórias fantásticas ?:
Eneida: - Tudo é possível. As histórias, os fatos acontecem primeiro dentro de nós. Tudo que somos capazes de imaginar, estivesse nascido e crescido dentro de seus costumes, atraímos para o plano físico.
 
Carlos: - A cultura será uma botija de oxigénio ?:
Eneida: - Sim, somos abastecidos pela cultura, assim como pelo ar, alimento, movimento e também pela paz.

Carlos: - Que género de filme daria sua vida ?:
Eneida: - Auto-ajuda.

Carlos: - De que mais se orgulha ?:
Eneida: - De seguir meu caminho, de fazer o que vim fazer aqui na terra, apesar de ofertas de outros caminhos aparentemente mais fáceis.

Carlos: - Qual a personagem que mais admira ?:
Eneida: - Dalai Lama

Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?:
Eneida: - A vista do mosteiro que fica acima das nuvens e as estátuas de Buda confeccionadas pelos monges para que possamos presentear e transmitir os bons fluidos emanados por aquele lugar sagrado.

Carlos: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?:
Eneida: - Viajar a pé vários dias, depois de vários outros meios se transporte, pela Cordilheira do Himalaia até chegar a um mosteiro que fica literalmente acima das nuvens.

Carlos: - Como foi a sua estadia e vivência no Tibete ?:
Eneida: - De grandes descobertas, quebra de paradigmas. Plenitude. Me senti uma Tibetana, como se estivesse nascido e crescido dentro de seus costumes.

Carlos: - Que livro anda a ler ?:
Eneida: - Vários ao mesmo tempo. Descanso minha mente com os haikais da Monja Mariângela Ryosen, que viveu 10 anos em solidão no Mosteiro Pico de Raios, no topo da montanha da cidade histórica e patrimônio da humanidade - Ouro Preto - que lhe serviu como um portal para o seu templo interior:  "Palavras do Silêncio".
 
O tempo passava a correr e a hora de apanhar o avião para o regresso ao Rio de Janeiro, aproximava-se a passos largos. Esta última parte da entrevista foi feita a caminho do Aeroporto Tancredo Neves e dentro deste.
 
Carlos: - Eneida, qual o filme comercial de que mais gostou ?:
Eneida: - "O dia da marmota" mostra que só mudando a nós mesmos teremos resultados diferentes.

Carlos: - Música e autor preferido ?:
Eneida: - "No templo invisível" - Marcus Viana, proporciona um relaxamento, remetendo a uma viagem interior recheada de descobrimento.

Carlos: - Autor e livro preferido ?:
Eneida: - Axel Munthe - "O livro de San Michele", uma história real de extrema humanidade e beleza. Mostra que a bondade e capacidade de fazermos um mundo melhor está dentro de nós.

Carlos: - Quase a finalizar, vamos falar um pouco da sua Obra Literária ?:
Eneida: - Livro "Os 21 Ritos Tibetanos", lançado em 21 de agosto de 2007 no Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil, e Ritos e Dicas para Mulher Madura, que será lançado no próximo dezembro (2009)  na Ilha da Madeira em Portugal.

Carlos: - Sua Home Page ?:
Eneida: - www.lamrim.com.br

Eneida: - Carlos, agora sou eu que lhe faço uma pergunta: Você conhece algumas obras literárias sobre assuntos tibetanos ?:
Carlos resposta: - Eneida, dizer que conheço seria uma ousadia de minha parte, mas li tenho em minha biblioteca, entre outros, alguns livros de Lobsang Rampa, como por exemplo: “A Terceira Visão” – “O Eremita” – “Capítulos da Vida” – “Avela nº 13”, etc.
 
Carlos: - Eneida, Deus existe ?:
Eneida: - Sim e está dentro de mim.
Carlos: - Eneida, Deus está dentro de todos nós !
 
E assim falámos de:
Eneida Magalhães Caetano
Nascida em Belo Horizonte (Minas Gerais BR)
Num belo dia de 2 de Janeiro de 1959
Professora dos “21 Ritos Tibetanos” e terapeuta LAM RIM
 
Texto tirado do livro: Os 21 RITOS TIBETANOS - de Eneida Magalhães Caetano
 
Assim que chegamos a Lhasa, capital do Tibete, localizada a quatro mil metros de altitude, percebi que coexistem dois países num só. Isso porque, desde a invasão chinesa em 1959, os tibetanos, com sua imensa sabedoria, resistem pacificamente ao autoritarismo chinês e preservam a sua cultura e suas crenças, apesar de todas as proibições do exército vermelho, independentemente do lugar onde estejam. A diferença entre os chineses e os filhos da terra é enorme e evidente. Os tibetanos, com suas vestimentas coloridas, carregam uma doçura no olhar, possuem um comportamento extremamente correto e uma postura majestosa, apesar da humildade. 
Dos seis meses que ficamos no Oriente, permanecemos no Tibete apenas sete dias, tempo máximo permitido pelas rígidas regras do governo chinês. Esse período, porém, foi suficiente para constatar que, apesar de todos os ataques sofridos ao longo dos anos e de sua aparente pobreza material, os tibetanos são um povo com um poder interior muito grande. Entrar em contato com a cultura tibetana nos leva a repensar nossos paradigmas, nossos padrões culturais e mentais. 
Além da força manifestada através da autonomia e da dignidade, expressas na postura, o que mais impressiona nos tibetanos é a sua energia superior. O Tibete, localizado na linha do Himalaia, é conhecido como o “telhado do mundo”. Encontramos inacreditáveis mosteiros incrustados nas montanhas. As casas típicas dos tibetanos são esculpidas no barro da própria montanha, como uma obra de arte viva, e nelas encontramos apenas um fogão a lenha no centro da sala, onde sempre há alimento. Vêem-se também velhas roupas coloridas penduradas e o ambiente iluminado por velas de manteiga de iaque,  bovídeo típico da região. Essa simplicidade não se interpõe à inevitável sensação de estarmos adentrando um templo, no   momento em que somos recebidos por eles. Um imenso amor move esse povo acolhedor que, mesmo com poucas posses materiais, compartilha sem restrições o que tem com aqueles que chegam. 
Fazia muito frio e eu estava bastante cansada pela longa caminhada de todo o dia. Estava ainda aflita por um banho, mas fiquei constrangida em revelar minha necessidade, por saber que os tibetanos raramente tomam banho. Isso porque o frio, o vento intenso e a altitude exagerada os deixam expostos aos raios solares. Então, a gordura do corpo acumulada acaba funcionando como um protetor, e mantê-la sobre a pele é uma necessidade fisiológica. Além disso, o aquecimento da água teria um custo muito alto, devido à escassez de lenha. Mesmo assim, os meus anfitriões compreenderam a minha aflição e prepararam-me um banho com água aquecida no fogão, em uma cocheira que ficava ao lado da casa. Não bastasse isso, a dona da casa ficou de pé, ao lado da soleira, para me resguardar dos olhares de qualquer pessoa que se aproximasse. 
Em Lhasa, conhecida como a “Terra dos Deuses”, encontramos o Palácio Potala, símbolo do poder político e religioso até a invasão chinesa. Foi construído por volta de 1640, no topo da colina Marpe-ri, o pico mais alto da cidade, para ser a residência do Dalai Lama. É interessante comentar que, no Tibete, a hierarquia era constituída de acordo com o conhecimento. Desde 1959, o 14º Dalai Lama vive refugiado na cidade de Dharamsala, na Índia. Toda a riqueza espiritual e científica acumulada ao longo de milhares de anos está, hoje, restrita, por ordem do governo chinês, à visitação turística. 
Na região de Barkhor, encontramos o templo sagrado Jokhang, considerado o mais importante para os tibetanos que ainda vivem no Tibete, por ser o único a manter o ritual para elevação dos espíritos dos mortos exatamente como era praticado por seus ancestrais. É também o lugar onde eles preferem concentrar suas residências. 
Antes da ocupação, os mosteiros abrigavam milhares de monges e funcionavam como escolas de ensino superior de artes e medicina milenar tibetana. As principais aulas eram baseadas na observação, quando os iniciantes acompanhavam os médicos mais experientes. O mosteiro de Sera-me era uma faculdade de música bastante avançada. Atualmente, quase todos os mosteiros foram transformados em locais de visitação com cobrança de ingresso. Há milhares de monges refugiados em magníficos mosteiros no Nepal, onde esses exilados montaram um “Tibete fora do Tibete”. São lugares escondidos e isolados. 
E foi ali, entre os tibetanos, que eu tive certeza de quem sou e de minha missão na Terra, onde eu encontrei simplicidade, força, autonomia e reafirmei a fidelidade aos meus princípios. Esse foi o incrível tesouro que conquistei no Tibete e que trarei comigo para sempre.

 


Formato de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 
 

 

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