O avião partiu de Lisboa para a cidade do Recife já atrasado e, quando
chegámos ao Aeroporto Internacional do Recife – Guararapes – Gilberto
Freire, já era noite. Cá fora chovia e logo apanhei um táxi, dizendo ao
motorista: “Mar Hotel, à rua Barão de Sousa Leão (Boa Viagem)”. À entrada
do hotel, cruzei-me com a cantora Maria Betânia, que estava de saída com o
seu staff para ir actuar em Olinda, no Chevrolet Hall. Depois das
formalidades, subi ao meu quarto onde tomei um reparador banho de imersão.
De seguida desci ao restaurante onde jantei e vi pela TV um jogo de futebol
Flamengo x Vasco da Gama.
Quando regressei ao quarto, liguei para a entrevistada, Ana Lucila Maranhão
e para a Iara Melo, que na altura estava a passar férias no Recife. Ficou
combinado com ambas tomarmos o café da manhã no hotel, onde combinaríamos a
forma de fazer a entrevista.
Antes de adormecer, dei uma vista de olhos a uns apontamentos que tinha
levado de Portugal, sobre o Recife e Olinda:
“Recife, é cidade e capital do Estado Brasileiro de Pernambuco. Situada no
litoral atlântico ocupa as ilhas formadas pelos rios Beberibe, Capibaribe e
Tijipió. É o maior pólo industrial do Nordeste do Brasil, com destaque para
a indústria manufatureira. Foi sede do governo holandês até à sua expulsão e
elevada a cidade em 1823. O seu legado arquitetônico e muito importante”.
“Olinda, foi fundada por Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania de
Pernambuco e, ascendeu a vila em 1537. O desenvolvimento da cana-de-açúcar
transformou a cidade num dos mais importantes centros do Brasil colonial.
Contudo, a sua localização geográfica, num segmento da costa sem abrigo
portuário, fez com a sua importância fosse progressivamente transferida para
o Recife, em especial depois da conquista de Pernambuco pelos holandeses em
1630. Depois de restaurado o domínio português em Pernambuco, em 1654,
Olinda voltou a ser sede de capitania e foi capital de Pernambuco até 1837,
data em que a sede do governo passou para o Recife. Em 1982, Olinda foi
considerada Património Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO”
Na manhã seguinte, acordei com o som do telefone a tocar. Logo reconheci a
voz que me interpelava do outro lado da linha: “Seu dorminhoco, já são 8
horas e está na hora de se levantar – era a voz da Iara Melo, que continuou
– Ana e eu já estamos à sua espera à mais de um hora. Despache-se!”
Alguns minutos depois desci o elevador ao encontro destas duas amigas.
- Até que enfim aparece. Já estávamos quase a ir embora – disse a Iara –
esta é a amiga Ana Lucila.
- Desculpem a demora, mas tive que tomar banho…
Logo a Iara Melo interrompeu: “Pelos vistos, você veio “encardido” de
Portugal!”.
Depois do café da manhã, quando nos dirigíamos para o parque onde estava
estacionado o carro da Lucila, um jovem moça loura chocou e pisou um pé da
Lucila. Meio a Brincar fiz-lhe a primeira pergunta:
Carlos: - Lucila, as piadas às louras são injustas?
Lucila: - Acho que sim, Carlos. Conheço até algumas louras muito
inteligentes!
Aproveitando o convite da nossa entrevistada, entramos no seu carro para
uma volta pela cidade do Recife. Curiosamente, foi a Iara Melo que começou a
falar do nosso passeio “turístico”:
Iara: - Embora já há anos que não viva no Recife, ainda me lembro de Boa
Viagem que, como o Carlos vê, fica no litoral sul e faz divisa com a cidade
de Jaboatão dos Guararapes. Também fica perto das cidades de Cabo de Santo
Agostinho e Ipojuca, onde se situam as conhecidas praias de Porto de
Galinhas e Serrambi (que tantas vezes lhe tenho falado), além do Porto de
Suape. Carlos, a partir deste momento, a “guia turística” vai ser a nossa
querida amiga, Ana Lucila.
Lucila: - De acordo, Iarinha. Vamos em direção ao Centro da cidade, passando
pelo Porto do Recife, seguidamente vamos passar pelo Recife Antigo onde
podemos ver e admirar casarões, prédios e ruas antigas. Depois vamos
conhecer o Shopping Paço da Alfândega, situado à beira do rio.
Iara: - Estou ansiosa para chegar ao Shopping, para beber um cafezinho.
Carlos: - A Iara não devia ter o apelido de Melo, mas sim de Café, pois não
pode viver sem esta agradável bebida.
No Shopping começamos com a entrevista:
Carlos: Para a Lucila, Deus existe?
Lucila: - Com toda a certeza e está sempre entre nós.
Carlos: - Quando você era criança…?
Lucila: - Como sou do signo Leão, era muito teimosa, mas também meiga e
muito prestável.
Carlos: - E agora, como se auto-define?
Lucila: - Uma mulher de fé cristã, muito religiosa, uma pessoa gosta de
fazer o bem e ajudar as pessoas, procura manter a calma, que ama, valoriza
e defende a sua família.
Carlos: - Como vai de amores?
Lucila: - Sou casada com João Maria Dias Fernandes, advogado e contador do
Grupo Farias há quase 40 anos, somos bem felizes.
Carlos: - Seus passatempos preferidos?
Lucila: - Palavras cruzadas, passear nos shoppings, conversar no telefone ou
enviar mensagens pelo celular ou no computador nos sites de relacionamentos.
Carlos: - Que género de filme daria sua vida?
Lucila: - Romance, algumas vezes escaldante.
Carlos: - Sua ocupação profissional?
Lucila: - Sou professora concursada e aposentada pela Prefeitura da Cidade
do Recife, hoje me dedico a escrever, faço textos , gosto de fazer
acrósticos e homenagens, que sempre são publicados no Diário de Pernambuco,
o jornal mais antigo da América Latina e, também já escrevi, editei e
lancei quatro livros. Mantenho na internet um jornalzinho familiar há cinco
anos:
Carlos: - Tem site na Internet?
Lucila: - Tenho um blogue:
Iara: - Carlos, embora não seja jornalista, gostava de fazer umas
perguntas à nossa querida amiga. Posso?...
Carlos: - Claro que pode, mas veja que perguntas vai fazer à entrevistada.
Entretanto, vou-me ausentar um pouco para fumar um cigarro.
Iara: - Aninha, o que é para ti, o cúmulo da beleza, e, também da fealdade?
Lucila: - Da beleza, um nasceu ou um pôr-do-sol; da fealdade, todas as
omissões e tudo que for menos digno.
Iara: - Que vício gostarias de não ter?
Lucila: - Passar (ou perder) horas na frente do computador, e às vezes roer
as unhas.
Iara: - O dia começa bem se …?
Lucila: - Se o sol raiar.
Iara: - Que influência tem em ti a queda da folha e a chegada do frio?
Lucila: - Dá-me uma certa nostalgia.
Iara: - Que livro andas a ler?
Lucila: - Curtindo o meu e os demais e-books criados por ti, minha querida
Iarinha.
Iara: - Pela parte que me toca, os meus agradecimentos. O Carlos já vem aí e
vai continuar a entrevista.
Carlos: - O que é para você o termo Esoterismo?
Lucila: - Não sou descrente, mas, também não procuro e nem creio em tudo.
Carlos: - Acredita na reencarnação?
Lucila: - Ainda tenho dúvidas ...
Carlos: - Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?
Lucila: - Não!
Carlos: - O Imaginário será uma realidade?
Lucila: - Podemos torná-lo às vezes realidade.
Carlos: Antes de voltarmos ao nosso passeio “turístico” ao Recife, uma
pergunta: - Acredita em histórias fantásticas?
Lucila: - Sim, acredito.
Já dentro do carro, a entrevistada recomeçou a falar do locais
importantes do Recife: “Recife tem belas pontes. Vamos atravessar a ponte
Santa Isabel para chegarmos à praça da República, onde vamos encontrar o
Palácio das Princesas (sede do governo estadual), o Palácio da Justiça, o
Teatro Santa Isabel e o Liceu de Artes. Pela rua do Sol, vamos passar junto
da Casa da Cultura (antigo prédio de Detenção), e ao lado vamos avistar a
Estação Ferroviária onde fica o Museu do Trem”.
Iara: - Quando paramos novamente para eu poder beber mais um cafezinho?
Lucila: - Mais adiante paramos para bebermos mais um café. Agora, retornamos
pela Ponte Velha, em direção a Olinda, descendo pela rua Aurora, beirando a
rio Capibaribe vamos passar ao lado da bela ponte da Boa Vista, em frente ao
Cine São Luís, da Assembléia Legislativa do Estado, e do Ginásio
Pernambucano, fundado em 1855. Ali perto existe uma esplanada onde a Iara
poder beber mais um café.
Aproveitando esta pausa para continuar a entrevista.
Carlos: - Lucila, Qual a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito?
Lucila: - Qualidade, ser sincera e honesta em todas as facetas da vida;
defeito, ser sincera demais.
Carlos: - O arrependimento mata?
Lucila: - Não quando se pode consertá-lo ainda.
Carlos: - De que mais se orgulha?
Lucila: - Da minha família.
Carlos: - Qual a personagem que mais admira?
Lucila: - Jesus e sua santíssima Mãe a Virgem Maria.
Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?
Lucila: - A minha querida Mãe.
Carlos: - Quais os filmes comerciais que mais gostou?
Lucila: - Entre outros, Perfume de Mulher, Zorba – o Grego, A Noviça
Rebelde.
Carlos: - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros?
Lucila: - Em mim a caridade; nos outros a generosidade.
Carlos: - Qual foi o seu maior desafio que aceitou até hoje?
Lucila: - Por graça, direi que foi ter vindo a este mundo.
Depois de mais esta pausa, regressamos à estrada a caminho de Olinda, com
as preciosas indicações da nossa entrevistada, Lucila: “Vamos continuar,
deleitando-nos com a deliciosa brisa dos rios e avistando as pontes do
centro da cidade do Recife, vamos chegar na divisa de Olinda. Seguimos
depois pela Avª. Agamenom Magalhães, que liga Recife a Olinda, passando
então pela frente da Fábrica Tacaruna, desactivada e que foi transformada em
casa de eventos culturais. Depois passamos pela Escola de Aprendizes de
Marinheiro e vendo sempre o mar, seguimos a Olinda, como sabem património da
Humanidade, e começamos a ver a cidade alta. Vamos passar pelo Varadouro, e
avistamos o Mosteiro de São Bento e outras igrejas. Finalmente vamos chegar
à praça do Carmo com os seus coretos, avistando do lado direito o belo mar
com arrecifes ( o mar está avançando na cidade), passamos depois pelo
Fortinho, subimos até ao Alto da Sé, onde vamos encontrar a respectiva
catedral, várias igrejas, o museu de Arte Sacra, contornando a Academia de
Santa Gertrudes, finalmente vamos chegar ao bairro do Amparo, onde fica o
restaurante Oficina do Sabor, onde iremos almoçar, camarão na moranga.
Enquanto esperávamos pela refeição e depois no fim, finalizamos esta
entrevista.
Carlos: - Lucila, a cultura será uma botija de oxigénio?
Lucila: - Sim, pois a cultura/literatura terá de ser alimentada por algo que
não se vê mas que se sente.
Carlos: - Vamos falar de música e seus autores preferidos?
Lucila: - Músicas que gosto são : Ave Maria todas , em especial com Fafá de
Belém, Fascinação, New York , New York, Aquarela, Emoções, Gente Humilde,
Cálice do Chico Buarque e o Tema de Lara. Autores, gosto de Chico Buarque,
Roberto Carlos e Toquinho.
Carlos: - Autores e livros preferidos?
Lucila: - Autores, entre outros, goste de Jorge Amado, Manuel Bandeira e
José de Alencar.
Carlos: - Vamos falar da sua obra literária?
Lucila: - Escrevi o livro “ Nossas Raízes” , apresentado pelo médico
escritor Ruy Santos Pereira e as orelhas escritas pelo jornalista João
Alberto Sobral do Diário de Pernambuco, e também, do meu irmão médico e
professor Éfrem Maranhão, na época Secretário de Educação do Estado de
Pernambuco e Presidente do Conselho Nacional de Educação. Nele narro as
minhas origens e histórias da minha família materna Aguiar e falando ainda
um pouco das famílias Catanho e Maranhão. Foi lançado em 2001, no Memorial
da Medicina pela Editora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Nessa época a minha mãe ainda era viva e representante mais velha da família
Catanho Aguiar.
O segundo livro: “Histórias de Mulheres Admiráveis e Apaixonadas de A a Z”,
apresentado pela industrial e Presidente do Grupo Farias, Geralda Farias,
com orelhas escritas por meu irmão Magno Maranhão, gestor universitário, e,
uma das minhas tias maternas professora Maura de Aguiar Coutinho. Nele
relato 26 histórias verídicas de mulheres, em ordem alfabética, mas, com
nomes fictícios, que sofreram por amor e conseguiram ser felizes e dar a
volta por cima, como diz por aqui. Também foi editado Na EDUFEPE-UFPE,
lançado em 2008 , nas cidades de Recife no Círculo Militar do Recife e
Caruaru na ACCACIL.
O terceiro livro: “Receitas especiais e amorosas da Mamãe”, apresentado
pela minha sobrinha a educadora Ana Carolina Maranhão Santana, sendo as
orelhas escritas por minha irmã, a orientadora educacional Ana Zoraide
Maranhão, seu filho e meu sobrinho assessor parlamentar Juan Pablo Maranhão
Santana e minha prima, Pós graduada em Literatura de Línguas Portuguesas
Rosângela Aguiar de Oliveira. Nele registrei as receitas que a minha
inesquecível mãe, Analgesina, que era professora mas, gostava de cozinhar e
criava bolos, doces, pratos especiais e os denominava colocando os nomes do
marido, filhos, netos, bisnetos, etc. Editado na Luci Artes Gráficas Ltda.,
lançado em 2009, no Recife, no Restaurante do Círculo Militar do Recife.
O quarto livro: “Histórias Maravilhosas de Homens Notáveis de A a Z”,
apresentado pela desembargadora federal Margarida Cantarelli, e as orelhas
escritas pelo advogado e professor de Direito emérito da UFPE Palhares Reis
e da poetisa luso brasileira vice Presidente do Portal CEN Iara Melo. Nele
relato a trajetória profissional de 26 homens, histórias verídicas, quase
uma biografia de homens que se fizeram e construíram suas vidas, prestígio e
elevação social, às custas de muito trabalho e estudo, por seus próprios
méritos. Editado na Luci Artes Gráficas Ltda. Foi lançado em
Recife, em agosto de 2010, no Círculo Militar do Recife e publicado no
Portal CEN, em forma de e-book, numa edição de Iara Melo.
E assim, falámos de:
Ana Lucila de Aguiar Maranhão
Escritora
Nascida a 5 de Agosto de 1950
Moradora na cidade do Recife PE
Homenagem às Mulheres - Ana Lucila Maranhão
A cada dia a mulher vem desempenhando cada vez melhor o seu papel. Não
estamos aceitando ser mais rotuladas com sexo frágil, estamos assumindo
papéis importantes e necessários na sociedade atual, não somos mais a
costela de Adão; somos mais fortes, corajosas, capazes de executar qualquer
missão; nossos direitos deveriam ser iguais aos dos homens, mas estamos
chegando lá.
Não queremos ser iguais aos homens nem mais do que eles, queremos
reconhecimentos, ter os mesmos direitos como: o mesmo salário e o mesmo
respeito.
Hoje somos maioria, modéstia a parte brilhamos em tudo que fazemos, sejam
nas escolas, nas universidades, nos campos, na advocacia, somos boas
médicas, pesquisadoras, empresárias, juízas, dentistas, militares,
motoristas, políticas, apresentadoras de televisão, jornalistas, atrizes,
radialistas fotógrafas, jogadoras de futebol, juízas de futebol, sem terras,
donas de casa, etc. Assumimos chefias... Enfim em qualquer profissão e
função.
As mulheres sempre foram e serão: fortes, corajosas, sensíveis, sedutoras,
lutadoras, tenras, tímidas, mestras, batalhadoras, aprendizes, agressivas
quando necessário, mães, amorosas, carinhosas, meigas, doces às vezes
também vingativas, somos na verdade: espetacularmente MULHER!
Homenageio a todas as Mulheres, principalmente aquelas que batalham todos os
dias por um lugar ao sol, a todas as Mulheres Mães, Donas de Casa e também
as que se destacam em suas Profissões.
Deus o nosso Pai Maior, se fez humano para nascer de uma mulher, Maria, que
foi e sempre será a grande Mãe e Mulher, a mais Admirável de toda História
da Humanidade.