Distrito de VISEU

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Concelhos de:

 

Armamar, Carregal do Sal, Castro Daire, Cinfães, Lamego, Mangualde, Moimenta da Beira, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Penedono, Resende,

Santa Comba Dão, São João da Pesqueira, São Pedro do Sul, Sátão, Senancelhe, Tabuaço, Tarouca, Tondela, Vila Nova de Paiva, Vouzela.

 

 

 

 

 

O Distrito de Viseu pertencente, na sua maior parte, à província tradicional da Beira Alta, mas incluindo também concelhos pertencentes ao Douro Litoral e a Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte com o Distrito do Porto, o Distrito de Vila Real e o Distrito de Bragança, a leste com o Distrito da Guarda, a sul com o Distrito de Coimbra e a oeste com o Distrito de Aveiro. Área: 5007 km². Capital e Sede de distrito: Viseu.
O distrito de Viseu subdivide-se nos seguintes 24 municípios:

 

 

 

Viseu – (Capital e Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Apontamento do “Jornal do Comércio” do ano de 1900:
“Vizeu é capital do Distrito e cabeça de concelho. Fica situada numa bela campina, entre os rios Vouga e Dão, com 8.216 habitantes. É servida pelo Caminho de Ferro do Norte. Cidade episcopal, muito antiga. Seus monumentos Cava do Viriato, Sé Catedral onde estão os quadros de Vasco Fernandes conhecido por “Grão Vasco”. O concelho tem 32 freguesias e 54.047 habitantes”. 
Viseu é cidade de origens muito remotas, que parece remontar aos tempos neolíticos, como o demonstram os inúmeros achados pré-históricos encontrados na cidade e na região. Sob o domínio romano, era já um centro urbano de assinalado relevo, comprovado pelos numeroso espólio recolhido, como: moedas, sepulturas, marcos milenários, e, sobretudo, pelo castelo, cujas estruturas são ainda visíveis nos edifícios actuais da catedral e anexos, e também pela Cava de Viriato.
Devido às numerosas vias romanas, a cidade parece ter sido um entroncamento da época e ponto de passagem de uma via proveniente de Mérida que convergia para a que ligava Olisipo (Lisboa) e Brácara (Braga).
Viseu foi identificada até com a célebre Talábriga luso-romana, mencionada por Apiano de Alexandria, Antonino Pio, Ravenate e outros geógrafos da Antiguidade.
Em 1057, Fernando Magno faz a conquista definitiva de Viseu para os cristãos, deixando os seus próceres apoderarem-se da terra, que tarda a renovar-se de modo a poder sustentar um bispo próprio. Ou então a explicação para a ausência deste será a emulação entre Porto e Coimbra, cidades com maior ambição pelas rendas que pela devoção.
São Teotónio, ao tempo do 1º rei de Portugal, D. Afonso Henriques, é um dos últimos priores no governo da diocese, que pouco depois restaura de forma a dinamizar todo o processo histórico de progresso em que se empenham bispos como Ortiz de Vilhegas, Miguel da Siva, Alexandre Lobo, Alves Martins.
Como elemento catalisador deste processo, traduzido num surto económico que se manifesta na construção monumental e no fomento da cultura, das artes e das letras, terá estado a presença, por vezes prolongada, de alguns reis e senhoras. Viseu honra-se de D. Duarte, de D. Pedro e da Virtuosa Benfeitoria, que guarda como preciosidade, e bem assim do Infante D. Henrique, que foi o seu primeiro duque.
Mas o patrono-mor é o pintor Vasco Fernandes, o Grão Vasco, que deixou a Viseu a herança sem paralelo: os seus quadros, reveladores de toda a pujança da cidade quinhentista. Foi um tempo de epopeia, de que ficaram dispersos pelas ruas antigas numerosos portais e janelas, bem como panos de muros de granito que nos impressionam como se fossem relíquias  -  sobretudo na Rua Direita e nas pequenas ruas que dela se desprendem, e cuja perspectiva constitui sem dúvida o mais encantador monumento de Viseu.
No cruzamento das ruelas e nos arcos da muralha, nas lojinhas baixas dos bairros antigos, nas rendas das pedras das janelas manuelinas, na penumbra das igrejas com altares magníficos, como que sentimos ainda vivos os fidalgos e os homens dos mesteres, os rendeiros das margens do Pavia, os judeus ligados à finança e também seduzidos pelas artes, os eclesiásticos atraídos por pingues rendimentos ou movidos pela força da fé.
 Nos séculos XVll e XVlll a arte voltou a resplandecer. Igrejas, capelas, fontes e paços singularizaram a cidade. Sentimos a atmosfera perturbada do barroco nas frontarias de templos, com naves iluminadas para o desenvolver de uma liturgia impressionante; e nas correntezas de janelas, nos portais ou escadarias com balaústres de pedra dos solares dos senhores a quem os entreténs da fidalguia marcaram um tempo de permanência, sem poderem transferir-se para um espaço com outras concepções de vida.
Agora, nesta herança social que haverá de conservar-se, pouco mais do que a pedra fica como documento directo em que a cidade encontra parte importante da sua alma.
Em Viseu residiram por vezes, o conde D. Henrique e D. Teresa, que em 1123 lhe concedeu o primeiro foral. Mais tarde, em 1187, D. Afonso Henriques outorgou-lhe novo foral, o qual foi confirmado em 1217 por D. Afonso ll, o "GORDO”; para 1513, D. Manuel l lhe conceder o último foral. 
“Deu-lhe o nome a boa vista que lhe oferece o ameno de seus vales e o delicioso dos prados que está dominando”.
Assim escreve sobre Viseu o Frei Manuel da Mealhada.
Na realidade, porém, sem pôr em causa o enquadramento poético que o autor tece, o nome terá origens mais antigas que o termo “viso” (lugar de boa vista), que tem apenas a ver com os romanos.  A designação de Vesgo que parece mais aplicada ao aglomerado pré-romano nada tem a ver com aquela raíz.
Viseu tem hoje um aspecto renovado. Sente-se a vida fervilhar nas terças feiras de mercado, com as ruas transformadas em formigueiro no mês em que dura a velha feira franca, agora remoçada, que voltou a chamar gente de outras nações, como antes cá trazia do Algarve e de Espanha mercadores de Granada, Sevilha e Toledo.
Mas Viseu também vive nos outros dias. A ela conduzem muitas estradas, pois é uma estrela de caminhos.
Quase todos os historiadores que se ocupam do estudo de suas incertas origens, sempre se sentiram obsessionados por este correr de vias para o ponto intermédio do imenso alpiplano que vai do rio Vouga ao Mondego e da serra do Caramulo  à da Estrela, onde a cidade, por força da história, se implantou.
Referem o velho castro, o qual nunca foi estudado a sério, no cerro da cidade que sempre deve ter sido importante. Mas insistem no povoamento serôdio da zona baixa do arrebalde, onde se cruzavam os caminhos, os soldados amigos e inimigos, os gados da transumância, os mercadores.
Esta polarização entre o Sul e o Norte, o interior e o mar, é, ontem como hoje, a justificação de Viseu, a sorte do seu futuro como foi a força do seu passado, extraordinariamente definido no vigor do seu traçado urbano e no poderoso significado dos 1.000 monumentos que se implantam em toda a malha do casario.
A Cava de Viriato, o maior monumento peninsular romano, não foi ainda descoberta em toda a sua grandeza, e as escavações arqueológicas na cidade, que serviriam como importantíssimo recurso para traçar o desenvolvimento de Viseu, ainda terão de ser feitas para se apreciarem os outros núcleos de vida romana aqui fixados na faixa do arrebalde, ao Bairro do Cerrado, pela zona da Regueira.
Os heróicos tempos medievais  estão povoados de lendas. Desde a que conta a sorte de Rodrigo, o último rei godo, que nos terrenos de São Miguel terá encontrado o derradeiro sossego da vida e da morte, à que fala do traçado das primeiras muralhas, que resistiram às arremetidas incertas de cristãos e árabes, que nesta faixa de terra se dirimiam constantemente, impedindo o crescimento certo, a administração segura, o enraizamento da fé. 
Felizmente, a memória colectiva da cidade, naquilo que de mais material possui  -  o ser físico, a ordenação do seu espaço urbano, tradicional histórico  -  é um valor real e intrínseco.
Quem circula por Viseu sente que vive e sente uma atmosfera não desagregada do passado.  Quem vem de fora e contempla a perspectiva do casario do casario crescente e do leque de vias que se adensam de moradas sente que a dinâmica vai seguindo certa, com algum esforço todavia, com alguns atropelos que os homens hão-de redimir-se.
O exemplo mais extraordinário apresenta-se a quem entra na cidade vindo de nascente. Viseu tem a luz toda da sua juventude, mas possui também presença toda do equilíbrio das gerações transcrito no recorte da cidadela, com as torres gémeas da Sé e da Misericórdia, o corpo do velho colégio e o pendor dos antigos telhados, que lentamente foram envolvendo a colina e deram à urbe um ar de cidade de meseta. E os nossos olhos reclamarão sempre aquela nesga de céu roubada por um arranha-céus que ali nasceu recentemente como um pesadelo.
Para a descoberta da cidade há sempre um convite. E haverá sempre algo de novo mesmo para quem nasceu aqui e ainda a não soube encontrar. Porque a cidade é como um ser vivo  -  um corpo e uma alma cujos segredos só se desvendam na amizade quente os anos somados. Mas muito mais haverá ainda para quem vier de longe e assomar no horizonte, saindo entre os pinheiros que cercam com imponência e deixam bem defendida a antiqua et nobilissima cidade de Viseu. 
Viseu é propriamente chamada a Cidade Verde Pinho. Com efeito, se à sua volta tudo é verde, é o verde dos pinheirais imensos aquele que sobressai.  E quem sai ou entra por algum dos sete caminhos que partem da cidade ou a ela conduzem logo, sente o perfume acre da resina pairando no ar durante a Primavera; ou goza a sombra fresca das árvores no Verão; ou repousa o olhar na caruma que atapeta o solo banhado de luz no Outono; ou aconchega-se ao calor da lenha que arde nas fogueiras de Inverno.
Este verde deixou a sua marca em toda a cidade de Viseu. Cidade com o seu casario que envolve a colina da catedral, seu terreiro da feira franca, seu Rossio – onde se encontra toda a gente como se fora um amigo. Cidade com a Cava de Viriato e outros monumentos aos seus heróis, com o Museu de Grão Vasco, seu patrono, com a Rua Direita, que é o seu mais característico documento, e com todos os solares e igrejas que por toda a parte se encontram, hoje por entre casas de gente comum, enobrecida no trabalho e no carácter. 


ALGUNS  MONUMENTOS 
SÉ  CATEDRAL
Mandada construir, provavelmente pelo Conde D. Henrique, é de estrutura romântica, patente nas três naves, transepto, abside, colunas, paredes e aberturas. A frontaria é formada por três corpos sobrepostos, sendo o último encimado por um frontão rematado por uma cruz, e nela se resgam seis nichos com esculturas de pedra figurando a padroeira, Santa Maria da Assunção, os Quatro Evangelistas, acompanhados dos seus símbolos, a águia, o boi, o leão e o homem alado, e, na parte central, São Teotónio, padroeiro da cidade.
Na antiga e bela sala do cabido, com o seu tecto de caixotões e lambril de azulejos setecentistas representando cenas de caça e de guerra, admiram-se dois pequenos cofres de Limoges, de cobre esmaltado e dourado, do século Xll, um outro de madeira, também do mesmo século, um hostiário de marfim, trabalho luso-africano dos fins do século XV, talvez de 1495, uma cruz peitoral bizantina de cobre dourado e um evangeliário, manuscrito iluminado em pergaminho, com capa de madeira de ornatos em prata, dos séculos Xlll ou XlV. Entre as peças de ourivesaria, registam-se uma custódia de prata dourada, gótica, datada de 1533, e dois cálices de prata dourada, um datado de 1626 e outro de 1629, do século XVlll, uma valiosa cruz processional de prata cinzelada, provavelmente de 1754, e um jarro de água de 1759. Noutra sala expõem-se paramentos de grande valor, como o conhecido Paramento de Macau, e outro, igualmente de pontifical, designado por Paramento de Roma, e além deles, algumas belas colchas de seda bordadas a prata. 
CASA DO MIRADORO  -  Foi construída no século XVl. Conserva duas janelas geminadas, de volta inteira, com ornatos de estilo gótico. Na porta o brasão dos Melos. 
MUSEU  DE  GRÃO – VASCO  - com muitos trabalhos deste grande pintor . 
HOSPITAL  DE  SÃO  TEOTÓNIO  -  De proporções clássicas, ostenta um frontão triangular sobrepujado pelas estátuas das Virtudes Teologais. A sua construção iniciou-se em 1793. 
CAVA  DE  VIRIATO  - Deve tratar-se de uma obra romana que serviria para acampamento das legiões imperiais. Enorme entrincheiramento de muros de terra, tem a forma de um octógono, embora actualmente apenas dois dos lados do polígono conservem a sua forma regular. Parece Ter sido construído no tempo de Décio Júnio Bruto, durante a guerra contra os Galaicos. 
CASTELO  ROMANO  -  Da primitiva fortificação, de quatro faces, apenas restam duas torres quadrangulares e o pano da muralha do lado sul, que corria entre elas. Da muralha medieval que D. João l mandou erguer e D. Afonso V concluiu subsistem somente escassos trechos e duas portas: a do Solar e a dos Cavaleiros. 
DÓLMEN  DA  LAPA  DO  REPILAU  -  A 10 Km a oeste de Viseu, na freguesia de Couto de Cima, encontra-se um dólmen de corredor, com câmara de nove esteios coberta por um chapéu com 3 metros de diâmetro. O corredor, com 5 metros de comprimento, apresenta a particularidade de alguns dos seus esteios terem covinhas. 
DÓLMEN  DE  RIO  DE  LOBA  -  A cerca de 5 Km a nordeste de Viseu, nesta freguesia, no lugar de Mamaltar de Vale de Fachas, encontra-se um dólmen de câmara de nove esteios com 3 metros de diâmetro e corredor com 7 metros de comprimento. O chapéu da câmara desapareceu, mas o corredor conserva quatro lajes de cobertura. Em alguns esteios subsistem vestígios de gravuras, cujo significado é porém, mal definido. O espólio encontrado nas escavações é constituído por micrólitos , pontas de setas e outros objectos de silex, pedra polida e cerâmica. Do conjunto destaca-se uma pedra placa-ídolo de xisto pintada a vermelho, que permite situar este monumento no Neolítico Médio (mais ou menos 3.500 anos antes de Cristo). 
ALGUMAS   FIGURAS HISTÓRICAS  CITADAS   NESTE   TRABALHO 
CONDE  D.  HENRIQUE  -  Conde de Borgonha, França) nasceu em 1057. Pai do 1º rei de Portugal D. Afonso Henriques. Em 1086, veio com seu primo Raimundo de Borgonha, alistar-se no exército de Afonso Vl, rei de Leão e Castela. Casou com D. Teresa, filha bastarda deste rei. Em 1093, o exército cristão conquistou todas as terras em poder dos mouros, até ao rio Tejo. Depois deste feito militar, D. Henrique foi nomeado governador do condado de Portucal, sob a soberania de Raimundo, então Conde da Galiza. Em 1097, já governava independentemente o condado Portucalense (donde derivou o nome de Portugal). Em 1103-1105 integrou uma Cruzada á terra Santa. Voltando ao Condado, continuou a guerra contra os mouros. Morreu em Astorga em 1114.
Jaz na Sé de Braga. 
D. TERESA  -  Mulher do Conde D. Henrique e mãe de D. Afonso Henrique, nasceu em 1073, filha de Afonso Vl de Leão e Castela. A sua biografia tem dados muito incertos. Também não há conhecimentos exactos sobre o verdadeiro valor da concessão, que seu pai lhe fez, do Condado Portucalense, nem do papel que desempenhou após a morte de seu marido. Sabe-se contudo que,  por ambição pessoal  -  intitulava-se rainha  -  que apoiou as ideias de feudalismo que D. Henrique trouxera de França e caracterizadas pela autonomia dos senhores em face do rei. Após a morte do marido, governou o Condado até à maioridade de D. Afonso Henriques. Travou disputas com a irmã, D. Urraca, que sucedeu ao pai no trono de Castela e Leão, e com o filho o sucessor daquela, Afonso Vll de Leão. Sua vida política terminou com a revolta de seu filho, D. Afonso Henriques, que em 1128 a venceu na Batalha de São Mamede, sendo então obrigada a abandonar o Condado em companhia do conde galego, Fernando Peres de Trava, seu favorito. 
D. AFONSO ll  o “Gordo”, terceiro rei de Portugal, nasceu em Coimbra em 1185, filho de D. Sancho l e de D. Dulce, filha do Conde de Barcelona. Governou de 1211 a 1223.Começou o seu reinado reunindo perto de Coimbra (Cria), uma Cortes, que promulgou várias leis, ampliando ainda mais os privilégios de que já gozava o clero. D. Afonso ll, por não quer cumprir o testamento de seu pai na parte em que D. Sancho l legava às filhas o senhorio de importantes terras, teve com as suas irmãs discórdias e guerras.  O Papa Inicêncio lll, a quem foi submetido o litígio, atribuiu ao rei a propriedade das terras e às irmãs os seus rendimentos. Em 1212, D. Afonso ll acudiu em socorro do rei de Castela, ameaçado por uma grande invasão de mouros, e os dois reis aliados derrotaram-nos na Batalha de Navas de Tolosa, onde a infantaria portuguesa se cobriu de glória. A reconquista de Alcácer do Sal, que os mouros haviam reconquistado a D. Sancho l, é outro ponto alto deste reinado. Não tendo índole guerreira, D. Afonso ll evitava os campos de batalha, mas era um político enérgico, muito cioso da autoridade real, que sempre procurou fortalecer. Afrontou sem temor as iras dos nobres, cujos abusos nunca hesitou em reprimir e teve também graves discórdias com o clero, ficando na memorável a sua luta com o poderoso arcebispo de Braga, que teve que fugir de Portugal. Nem a ameaça de excomunhão papal o fez tremer. Dos ódios, que sua política semeou veio a ser vítima seu filho e sucessor, D. Sancho ll.
D. Afonso ll jaz na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, junto de seu pai e de seu avô.

 

Viseu
http://viseu.com.sapo.pt
Segundo os vestígios descobertos, a povoação da época neolítica que deu origem a Viseu, nasceu no alto do monte onde se situa a Sé.
Desde sempre que a posição estratégica de Viseu a fez um ponto de passagem obrigatória entre o Norte e o Sul de Portugal, tal como entre o litoral e o interior ou o estrangeiro.
Já durante a dominação romana, Viseu era a capital do um grande território, a Lusitânia, e um centro de grande importância. São prova deste facto os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na região, de que se destacam moedas, sepulturas, marcos miliários e principalmente as estradas, de que aí convergia um grande número.
A título de curiosidade, refira-se que o novo traçado da estrada IP5, entre Aveiro e Vilar Formoso, com passagem, é claro, próximo de Viseu, reproduz em muitos pontos o traçado de uma via romana.
A Cava de Viriato, um monumento octogonal com 2 km de perímetro, era um ponto de vigia e de defesa das diversas vias que ali convergiam.
No séc. VI, com o domínio dos Visigodos, a cidade de Viseu é elevada a sede de diocese. Conta a tradição que Ramiro, rei visigodo, morreu e foi sepultado da Igreja de S. Miguel do Fétal. 
A Reconquista Cristã
Posteriormente, alternou por diversas vezes entre o poder dos cristãos e dos árabes. No séc. IX foi conquistada por Afonso III, no final do século seguinte por Almançor, e de novo em definitivo por Fernando I o Magno, em 1057. A sua importância estratégica tornou-a muito cobiçada por todos. é assim que se assiste aos sucessivos ataques destes povos, o que provocou a sua inevitável destruição com a consequência da estagnação ou até mesmo recuo a nível urbanístico e económico.
Os Condes D. Henrique e D. Teresa, que ali residiram diversas vezes, concederam-lhe foral em 1123.
D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral novo em 1187, confirmado em 1217 por D. Afonso II.
Atribui-se a D. Sancho I, em 1188, a criação da Feira Franca, mas também se afirma que foi D. João I que a legalizou. Realizava-se no dia 23 de Abril, dentro dos muros da Cava.
A Construção da Muralha
Em 1385, Viseu foi atacada, saqueada e incendiada pelas tropas de Castela, vencidas em Aljubarrota. Depois deste ataque, D. João I fez iniciar a construção de uma muralha para defesa da cidade. Esta muralha foi terminada unicamente no reinado de D. Afonso V, de onde lhe vem o nome de “muralha afonsina”. Restam alguns troços e duas portas, a Porta do Soar e a Porta dos Cavaleiros.
A partir do séc. XIV a cidade começou a desenvolver-se na parte alta, o que a levou a expandir-se para fora das muralhas e em direcção ao actual centro. 
Conta a tradição que D. Duarte terá nascido numa casa da actual Rua de D. Duarte. Esta casa é uma torre medieval que foi transformada e melhorada no séc. XVI. O rei D. Duarte confirmou a realização da Feira Franca, mas transferiu-a para a Ribeira, depois denominado campo de Viriato, e para o dia 21 de Setembro, dia de S. Mateus. Suspensa a sua realização, foi de novo restabelecida por D. Afonso V, com a duração de 15 dias e o início em 20 de Outubro, localizada novamente dentro da Cava.
Viseu é doada em 1416 ao Infante D. Henrique, o 1º Duque de Viseu, cuja estátua, construída em 1960, se encontra no actual centro, o Rossio.
Em 1513 D. Manuel concede a Viseu foral novo. O mesmo rei fez deslocar a Feira Franca para o Rossio de Santo António, a actual Praça da República. De novo a Feira voltou para o Campo de Viriato, agora realizando-se entre 8 de Setembro e 5 de Outubro. 
A Expansão e Desenvolvimento
Só no séc. XVI a expansão da cidade começa a atingir a actual zona central, o Rossio. A primeira referência que se conhece a este novo centro é de 1534. Em pouco tempo este novo centro começaria a ser o local de encontro da sociedade. Contudo, teriam que passar 3 séculos para se dar a transferência do centro da cidade da parte alta para o actual centro, onde é construida a nova Câmara Municipal.
No séc. XVI destaca-se um dos pintores mais importantes de Portugal, Vasco Fernandes mais conhecido por Grão Vasco, que deu origem a uma escola de pintura em Viseu. A sua obra está actualmente no museu com o seu nome, Museu Grão Vasco.
A actual Rua Direita que, como habitual, de direita só tem o nome, atravessava a cidade de uma ponta à outra. Aí se encontra concentrado uma grande parte do comércio, e aí se podem ver exemplares de construções medievais e de outras, que formam uma mistura de estilos.
Existe indústria de madeiras, marcenaria, produtos resinosos, produtos alimentares, cerâmica, metalomecânica.
O distrito de Viseu é o centro produtor dos famosos vinhos de Dão (do nome do rio Dão) e de Lafões (dos Lafões, família nobre que ali habitou).

 

Viseu
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A Biblioteca Municipal de Viseu e a história da cidade
863: «Por conhecer por experiência própria a grande falta que tem a cidade de Viseu, aonde nasci e me criei, de uma Biblioteca Pública para uso e instrução de seus habitantes: dôo com a melhor vontade à minha pátria a minha copiosa e escolhida livraria de mais de dez mil volumes1.»
António Nunes de Carvalho, «Conselheiro [...], fidalgo cavaleiro, bibliotecário-mor da Casa Real, omendador da Ordem de Cristo de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, lente jubilado da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra2» é o autor da doação. Não são, no entanto, 10 mil os volumes, mas 6892 de obras completas e 800 de folhetos e obras truncadas3. Consta, alguns anos depois, que alguns desses volumes os obtivera A. Nunes de Carvalho alguns anos antes no Convento de S. Francisco, em Lisboa, quando estava à frente da comissão encarregada de receber os livros provenientes das bibliotecas e arquivos das ordens religiosas extintas4.
Com esses volumes abre em 1864 a BMV no Paço dos Três Escalões, ao lado da Sé, onde fica até 1953. Passa, então, para o primeiro piso do edifício da Câmara Municipal, no Rossio, e em 1960 ocupa o l.º andar da Casa Amarela, antiga casa de nobres, onde hoje se encontra5. Entretanto, dos menos de 8 mil volumes que conta no início. chega-se agora aos 36 mil6.
36 mil volumes é hoje um número pequeno para uma biblioteca não especializada. Pior, no entanto, é que nesse número raras são as obras recentes, aquelas verdadeiramente novas, sejam do domínio das ciências sociais, sejam do domínio das ciências exactas.
Uma comunicação forte com o público poderia ajudar a contrabalançar essa situação: exposições periódicas bem organizadas e com larga divulgação, a publicação de um boletim, outras actividades. Porém, ela é inexistente – e o orçamento reduzido não o consegue completamente justificar.
Por isso, a BMV ocupa no conjunto das bibliotecas portuguesas uma posição de importância secundária7.
A quem a pretende utilizar deparam-se outras falhas.
Catálogo geral não existe. Em 1866 publicou-se um que poderia ajudar, pelo menos. na procura de obras anteriores. No entanto, inacreditavelmente, não consta que dele haja algum exemplar na BMV!?...
Há uma lista dactilografada de manuscritos e incunábulos mas é de pouca utilidade para quem os não conhecer. No caso dos manuscritos torna-se quase numa inutilidade pois, por exemplo, há diversos maços que reúnem espécies de natureza diversa e apenas o título vago atribuído aos maços é indicado. Fica-se, assim, a desconhecer completamente o conteúdo.
Em vez de catálogo há, numa das salas de leitura, um ficheiro de autores e outro de títulos. Porém, algumas fichas não se encontram na ordem e outras há que cortam os títulos pelo meio de tal modo que algumas vezes é impossível saber do que se trata.
Há um ficheiro de publicações periódicas que não se encontra em nenhuma das duas salas públicas mas que, por pedido, pode ser consultado. Não está, no entanto, actualizado e pode-se tocar na dúvida se determinada colecção está ou não completa: um jornal que não tenha começado a ser publicado num dos primeiros dias de Janeiro ou de que tenha saído o último número bastante antes de Dezembro é provável que tenha a indicação de colecção incompleta.
Por outro lado, qualquer trabalho extenso torna-se difícil devido à inexistência de qualquer fotocopiadora ou de outro aparelho de reprodução8.
No entanto, quase paradoxalmente. qualquer estudo sobre a história de Viseu deve ser feito também sobre as consultas aqui efectuadas.
Isso deve-se a dois factos.
Na BMV existem algumas publicações locais, muitas de pequena tiragem. que dificilmente se poderão encontrar noutras bibliotecas. A colecção de periódicos é. porventura. a mais importante deste fundo.
Entre 1848 e 1922 publicaram-se no concelho de Viseu 120 jornais e publicações periódicas. Segundo a classificação de A. Campos, 21 % são de características académicas, 16,8 % republicanos, 16 % católicos, 10,1 % monárquicos, 9,3 % literários. A importância que assim se entrevê é, no entanto. modificada se atentarmos na duração de cada um. Os jornais académicos raramente ultrapassam os 40 números publicados, os republicanos são também de pouca duração como todos os outros referidos, à excepção do Districto de Viseu, órgão do Partido Progressista, de que se publicaram 1089 números na l.ª série, de 1879 a 1890. Pelo contrário. dos três jornais operários, de um, A Voz da Oficina, publicaram-se 1219 números entre 1898 e 1921 e de O Viriato, jornal que se diz político, instrutivo e comercial, saem 3798 números entre 1855 e 1892. «Por tal forma se popularizou esta folha – escreve A. Campos em 1923 – que ainda hoje na Beira muita gente emprega o termo Viriato para designar qualquer jornal»9.
De metade destes 120 jornais há exemplares na BMV, a que se juntam outros publicados nos restantes concelhos do distrito e os que em Viseu saíram depois de 192210.
Juntamente com a colecção da Biblioteca Nacional, de Lisboa, esta deve ser a melhor colecção de periódicos de Viseu.
Este é um dos factos que torna indispensável a utilização da BMV para o estudo da história de Viseu.
O outro motivo reside na colecção de manuscritos, constituída por alguns núcleos, individualizados pelos assuntos ou tão-só pela proveniência11.
O mais conhecido e mais vezes consultado formam-no alguns textos inéditos da historiografia visiense.
As Memórias Históricas e Cronológicas dos Bispos de Viseu, escritas por Fr. Leonardo de Sousa, datadas de 1767, são um enorme repositório de 3 volumes que, segundo alguém que bem os conheceu, «é o mais notável catálogo dos bispos de Viseu»12. É provável que, de igual modo, sejam de bastante utilidade para o conhecimento da sociedade e da economia visiense, sobretudo do século XVIII.
As Notícias de Viseu acompanhando o registo das freguesias que presentemente organizam o concelho, memória apresentada em 1838 à Câmara Municipal por José de Oliveira Berardo, é importante pelas estatísticas que apresenta: rendimentos das confrarias e ordens religiosas, recenseamento dos fogos das povoações do concelho, mapa com a indicação do número de engenhos movidos pelas águas das ribeiras do concelho, recenseamento dos fogos de cada freguesia do bispado e mapa demográfico do concelho em 1834 que, por freguesia, apresenta o número de fogos, o de habitantes segundo o sexo, o de nascimentos (distinguindo os sexos e os expostos), o de óbitos (separando homens, mulheres e crianças), o número de solteiros, casados e viúvos e, finalmente, a população segundo os escalões etários (menos de '7 anos, dos 7 aos 15, dos 15 aos 25 e dos 25 aos 60; em qualquer dos casos distingue os sexos).
O Registo Bibliográfico e Jornalístico Visiense, dois volumes de A. Campos, terminados em 1923, é um longo inventário de publicações periódicas13 e de autores de Viseu e seu concelho onde, para cada, dá as «suas características biográficas e enumeração e detalhe dos seus trabalhos literários»14.
O segundo núcleo é constituído pelos manuscritos de Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo. Como dele existe um minucioso inventário15 torna-se desnecessário dar quaisquer outras indicações.
O terceiro é formado pelo antigo arquivo da Câmara Municipal: algumas dezenas de volumes das Actas das sessões camarárias (1534 a 1950)16, os livros de registos de juros (1772 a 1825), os de receita e despesa (1702 a 1877), os de preços (1754 a 1877). os de prazos (1514 a 1836) e diversos outros livros, sobretudo dos séculos XVIII e XIX, de registos de leis, de patentes, de privilégios, de licenças, de fintas, de arrematações de rendas. etc., etc. Pela proveniência, nele se poderia incluir as Notícias de Viseu, de José de Oliveira Berardo, já referido.
Destes livros raras são as séries que se encontram completas. Isso deve-se ao incêndio da Câmara em 1796, às invasões francesas e às mudanças da BMV.
O quarto núcleo teve origem nos arquivos religiosos – nos de algumas ordens e no do Cabido mas. sobretudo, no do Seminário. Também aqui são as faltas numerosas pois, após a implantação da República, «os livros e demais recheio da biblioteca do Seminário andaram aos montões pelas ruas da cidade. Dos que escaparam [...] uns foram vendidos a peso aos comerciantes; outros deram ingresso na Biblioteca e Arquivo Distrital»17.
Além de alguns estatutos religiosos dos séculos XVI e XVII, formam-no os livros de assentos de entradas e saídas do Oratório e do Seminário (1750 a 1890), de noviços que professaram no convento de Santo António (1674 a 1725) e de religiosos aí defuntos (1725 a 1834), livros do cofre do Seminário (iniciado em 1857). de rendas do Oratório (iniciado em 1787), de apréstemos do Cabido (1575 a 1832), de ordenados do Seminário (iniciado em 1881) e de foros pagos à Sé e um tombo das propriedades que a ela pertenciam.
Finalmente, há alguns manuscritos de natureza e proveniência diversa que, apenas por isso, podem formar um outro núcleo (porém, ao contrário dos restantes, este não tem qualquer unidade).
Nele se encontram os forais manuelinos de Viseu e Povolide, vários maços provenientes das Câmaras dos extintos concelhos do Barreiro, de Povolide e de Ranhados (pequenos enclaves no concelho de Viseu), 5 volumes com traslados de emprazamentos e outras escrituras dos séculos XII a XVI, várias pastas de manuscritos do bispo D. Francisco Alexandre Lobo e outra com manuscritos de diversas pessoas. Os maços oriundos dos concelhos extintos e um outro do concelho de Viseu são, sobretudo de natureza económica.
Embora esta colecção de manuscritos com interesse para a história de Viseu existente na BMV já tenha sido múltiplas vezes pesquisada e algumas pessoas a tenham conhecido razoavelmente bem – tal é o caso, por exemplo, de Maximiano de Aragão, de Alexandre de Lucena e Vale e de Amorim Girão –, ela está praticamente por aproveitar. À excepção de manuscritos com interesse administrativo como as actas camarárias ou de alguns outros como as Memórias Históricas e Cronológicas dos Bispos de Viseu, de Fr. Leonardo de Sousa, poucos são aqueles que chamaram a atenção dessas pessoas. Isso deve-se sobretudo ao facto de a historiografia visiense teimar em não sair do espaço da história tradicional18. Por isso. todos os outros domínios da história encontrarão aqui fontes quase intocadas, algumas com importância que ultrapassa largamente a história de Viseu. Exemplo são as fontes de natureza económica: com estas e com outras que se guardam fora da BMV um dia se poderá estudar um dos mercados regionais de Portugal.
1 BMV, Actas da Câmara Municipal de Viseu, 1862-1863, fs. 89 vº.
2 Ibidem.
3 Pedro Augusto Ferreira. Portugal Antigo e Moderno, 12.º vol., Lisboa, 1890, p. 1811.
4 Ibidem. p. 1809.
5 «Obras raras e valiosas na Biblioteca Municipal», in suplemento sobre Viseu de O Primeiro de Janeiro. Porto. 27/2/1979, p. 10.
6 António Rocha, «A Biblioteca Municipal de Viseu. Algumas considerações», in Viseu Ilustrado, 6, Viseu, Setembro de 1983, p. 7.
7 Por exemplo. nenhuma referência nos guias de A. H. de Oliveira Marque (Guia do Estudante de História Medieval Portuguesa, 2.ª ed., Lisboa. Estampa, 1979 e Guia de História da 1.ª República Portuguesa, Lisboa, Estampa. 1981), nenhuma referência na longa série de artigos reunidos em «Biblioteca», in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 3.º vol,. Lisboa. Verbo, 1965, cols. 1268-1297. Apenas uma breve referência, sobretudo preocupada com as edições raras, no artigo «Bibliotecas Portuguesas», in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, 4.º vol., Lisboa-Rio de Janeiro. Ed. Enciclopédia. s.d., p. 665.
8 Esta enumeração das falhas da BMV foi, no essencial, retirada de António João de Carvalho da Cruz, «A situação da Biblioteca Municipal de Viseu», in A Voz das Beiras, 464, Viseu, 15/9/1983. Este artigo teve uma resposta: António Rocha, «A situação da Biblioteca Municipal de Viseu. Esclarecimentos do director», in A Voz das Beiras, 466, Viseu, 29/9/1983.
9 Do meu artigo «A imprensa periódica visiense (2). Uma fonte de história .social», in A Voz das Beiras, 488, Viseu, 15/3/1984.
10 No meu inventário «Viseu. Roteiro bibliográfico», in Beira Alta, XL. 4. Viseu, 1981, pp. 643-651, refs. 421-660, estão indicadas as publicações periódicas do distrito existentes na BMV.
11 Estes manuscritos estão indicados, a partir da lista dactilografada depositada na BMV, em António João de Carvalho da Cruz, «Viseu. Roteiro bibliográfico», in Beira Alta. XLI, 1, Viseu, 1982, pp. 276-283, refs. 680-762.
12 Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, nova edição preparada e dirigida por Damião Peres, l.º vol., Barcelos, Portucalense, 1967. p. 68, n. 5
13 Aqui retoma e completa Maximiano de Aragão, A Imprensa do Districto de Vizeu. Fragmento Histórico, 2.ª ed. Viseu. 1900.
14 Nele se baseou Maximiano de Aragão, Viseu. Letras e letrados viseenses, ed. de Aquilino Riheiro, Lisboa, Seara Nova, 1934.
15 Mário Fiúza, «Breve descrição dos manuscritos e papéis particulares de Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo que se guardam na Biblioteca Municipal de Viseu», in Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidário, ed. crítica de Mário Fiúza, reimpressão, Porto-Lisboa, Civilização, 1984, 1.º vol., pp. 33-51.
16 Alexandre de Lucena e Vale publicou o primeiro dos volumes no Livro dos Acordos de 1534 da Cidade de Viveu, Viseu, 1945, e os restantes, até 1914,. resumiu-os de maneira deficiente numa série de 5 volumes, todos separatas da Beira Alta: Livros dos Acordos da Câmara de Viseu. Índice dos livros do século XVI, Viseu, 1969; Um Século de Administração Municipal. Viseu. 1605-1692, Viseu, 1954; Viseu do Século XVIII nos Livros de Actas da Câmara, Viseu, 1963; Livros de Actas da Câmara de Viseu. Século XIX, Viseu, 1968; Os Finais da Monarquia e Começos da República nas Actas da Câmara de Viseu. 1900-1914, Viseu, 1971.
17 José Henriques Mouta citado em Maria Fiúza, «Introdução», in op. cit., p. 13.
18 Cf. António João de Carvalho da Cruz «Cultura e sociedade: a historiografia visiense», in História, 63, Lisboa, Janeiro de 1984, pp. 84-88.

 

 

 



 

Armamar - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Chamou-se em tempos remotos Ermomor. Teve foral concedido por D. Manuel l, em 1514.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O antigo nome desta vila era Ermamar (séculos Xll e Xlll). Embora sem a unanimidade de opiniões dos vários autores, predomina, todavia, a indicação, segundo o qual o topónimo é de origem germânica e significa etimologicamente “forte cavalo”, compondo-se das formas evolucionadas, ermans = forte e march = cavalo. Disparate é pretender que o nome Armamar se derivou de ermo mau, como se escreveu algures.

Parece que também se chamou antigamente Ermo-mó, segundo regista Pinho Leal”

 

Armamar
http://www.cm-armamar.pt

Armamar está implantada a sul do vale do douro numa encosta íngreme e tem aos seus pés a cascata da Misarela, um miradouro de onde se avista o cenário paisagístico do douro. Tem 1222 habitantes distribuídos por 554 alojamentos familiares (segundo dados do Censos 2001). Da freguesia faz ainda parte a povoação de Travanca.
É aqui que estão concentradas as infra-estruturas e os serviços que dão apoio a todo o Município: Câmara Municipal, Tribunal, Centro de Saúde, Escola EB 23, GNR, Correios, Repartição de Finanças, agências bancárias, entre outros.
Do património histórico destaca-se: a igreja matriz, de invocação a São Miguel, patrono da freguesia (embora as festas anuais sejam feitas a São João) único monumento no Município classificado como monumento nacional; algumas capelas, (capela do Espírito Santo, capela de Santa Bárbara, capela de São Lázaro, etc.) muitas propriedades anexa de casas brasonadas; as ruelas do lugar do Outeiro com reminiscências do período medieval; e a cascata da Misarela com o seu miradouro.
No lugar de Travanca há também diversas casas brasonadas que são dignas da atenção de quem por ali passa, exemplo da Casa Grande. Um dos últimos senhores da Casa Grande foi o Dr. António Carlos de Magalhães de Mendonça Pimentel, juiz conselheiro e Governador Civil do Distrito de Viseu entre 1893 e 1894. Merecem ainda destaque a capela de São Cristóvão, padroeiro de Travanca, a capela de Santo António (1665) anexa da Casa Grande, a capela Sra. do Bom Despacho (1679) e a Capela da Sra. Das Neves (1669).
Armamar tem actualmente como estruturas de educação: dois jardins-de-infância (um público e outro privado); duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico (uma em Armamar e outra em Travanca); a única creche existente em todo o Município é propriedade de uma instituição privada sem fins lucrativos, a Fundação Gaspar e Manuel Cardoso, que também possui um lar de idosos.
Na freguesia têm expressão, em termos económicos, o sector dos serviços mas também a agricultura, caracterizada pela produção sobretudo de vinhos, de mesa e generosos, e maçã. O sector secundário está também representado por unidades de transformação de carnes instaladas em Travanca, algumas industrializadas e outras de âmbito mais familiar.

 

 

 



 

Carregal do Sal - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Poucos ignorarão que esta expressão designa um concelho do distrito de Viseu, mas também pouquíssimos saberão que Carregal do Sal está em vez de Carregal D’Osal, e que ossal é um derivado do arcaico osso, precisamente o mesmo que urso. Quer dizer: não obstante a aparência, Carregal do Sal nada tem a ver com o cloreto de sódio, tão empregado nas cozinhas como tempero, mas refere-se a ursos que possivelmente teriam encontrado noutros tempos na correspondente região”.

 

Carregal do Sal
http://www.carregal-digital.pt
 O concelho de Carregal do Sal, situado em plena Plataforma do Mondego, num amplo maciço antigo do Planalto Beirão, e enquadrado pelos rios Dão, a Norte, e pelo Mondego, a Sul, foi sendo ocupado pelo Homem desde tempos pré-históricos, evidenciando inúmeros vestígios arqueológicos daquela época e de ocupação contínua do seu espaço, desde o Período Romano e Época Medieval, sendo actualmente um Município nascido com a reforma administrativa de Passos Manuel, a 6 de Novembro de 1836.
A importância histórica do Concelho está bem documentada em fontes escritas medievais e modernas, remontando aos alvores da nacionalidade as povoações que foram dando corpo e consistência à actual realidade económico-social e administrativa, quer através de vicissitudes históricas quer através da consolidação de uma identidade que se foi firmando ao longo dos seus séculos de existência.
Salientam-se, nomeadamente, os forais concedidos a Oliveira do Conde, pelos reis Dom Dinis em 1286 e por Dom Manuel I, em 1516, bem como as referências feitas às diversas povoações do Concelho nas Inquirições de Dom Afonso III e nas Chancelarias dos nossos primeiros monarcas, nomeadamente: Ulveyra de Conde ou Ulvaria de Conde, Travanca, Villa Mediana, Alvarelias, Cabanas, Beagios, Papizeos e Pineyro, entre outras.
Estas povoações apresentam ainda hoje uma malha de traçado medieval, depois de expurgadas algumas construções da última centúria. Aqueles antigos núcleos destacam-se, assim, pelas suas habitações, que caracterizam a construção popular antiga da região e pelos exuberantes pelourinhos que marcam aquela época, mormente o de Currelos e de Oliveira do Conde.
Nesse sentido, e já desde pelo menos a época romana, ter-se-iam construído, um pouco por todo o lado, prósperas comunidades agrícolas que foram deixando, ao longo dos tempos, marcas insofismáveis da sua presença, na paisagem.
A partir da Idade Média, todo o espaço que hoje constitui o Concelho, foi sendo dividido em propriedades senhoriais de médias e grandes dimensões, as quais foram administradas por ricas e influentes famílias (vidé “Carregal do Sal , no Coração da Beira”). Esta nobreza rural, alguma de grande importância a nível nacional, nomeadamente D. Nuno Martins da Silveira, senhor de Góis, e, seu filho, D. Luís da Silveira, guarda-mor dos Reis Dom Manuel I e Dom João III e 1º Conde de Sortelha, entre outros, foram os principais responsáveis, a par da Igreja, pela grande quantidade e diversidade do património arquitectónico existente. Dentre esse numeroso e diversificado património arquitectónico, que inclui a arquitectura religiosa, destacam-se, pela quantidade e qualidade estética, os seus imponentes solares e casas solarengas distribuídos pelas freguesias do Concelho, principalmente em Oliveira do Conde, Cabanas de Viriato, Alvarelhos e Oliveirinha, entre outros.
Estes solares, a par de uma arquitectura popular bem expressiva, surgem, na maior parte das vezes, integrados em frondosas quintas muradas, deles sobressaindo uma enorme riqueza estética e artística, que constituem e espelham um elemento fundamental na paisagem do Município.
De salientar que as suas tipologias são reveladoras da evolução da arquitectura ao longo dos séculos, das mudanças de gosto ao nível da decoração e, acima de tudo, das transformações culturais que se reflectiram no modo como foram edificados.
Este património arquitectónico e arqueológico, mormente os diversos monumentos megalíticos, presentemente visitáveis, e as inúmeras sepulturas escavadas na rocha, certamente não dispensarão uma visita a este Concelho, uma vez que todos esses valores de memórias fazem parte integrante da nossa herança cultural e identidade de todos nós, enquanto nação, constituindo uma referência a um tempo e espaço singulares, salientando-se que a sua conservação e compreensão futuras nos permitirão um melhor conhecimento do passado e consequentemente do presente. Contudo, se não forem estes os motivos para uma visita, outros os justificarão plenamente, lembrando que foi em Cabanas de Viriato que residiu Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul Português em Bordéus que, por ocasião do Holocausto nazi arriscou a própria vida ao passar inúmeros vistos, salvando a vida a milhares de judeus.

 

 

 

 

 

 

Castro Daire - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

É uma povoação muito antiga, cuja origem deve ter sido castrense, como o próprio topónimo indica. Recebeu foral em 1514, concedido por D. Manuel l. Vila rainha no Montemuro, a sua influência estende-se a todas as povoações da serra. Alcandorado na encosta, o casario de Castro Daire – castro de bons ares – oferece um recorte surpreendente de beleza a quem vem do sul. Terra muito antiga, tem muitas casas fidalgas e cruzeiros de via sacra até ao Miradouro do Calvário.

Origem do nome:

«Do, Arquivo Histórico de Portugal (1898)»:”O nome vem-lhe de um castelo que esteve num monte, e do qual ainda se vêem alguns destroços, que o tempo desfez pouco a pouco”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”É sabido que o vocábulo é o representante directo do latim castrum, fortaleza; apenas o nome comum na primitiva, passou a empregar-se também como nome próprio, tornando-se vulgar na toponímia. Castro Daire, em que o segundo elemento pode estar por d’Aire, é vila e sede concelhia do distrito de Viseu”.

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»:”Assenta a vila de Castro Daire no cume dum monte, em terreno fértil, apesar de muito acidentado. O nome da vila provém dum antigo castro que se levantava na parte mais elevada deste monte”. 


Olá meus queridos amigos:
Vou falar-vos muito resumidamente da terra que me viu nascer., Castro Daire - Portugal. É uma vila situada entre as cidades de Viseu e Lamego, bem no meio.
A uma altitude de cerca de 500 m foi uma antiga fortaleza, um castro, e quem vier no sentido Viseu - Castro Daire, verá como que um presépio, verá bem no cimo de morro o extenso casario que agora cada vez mais se espraia por toda a encosta. Ao fundo e a beijar os seus lindos pés corre o Paiva, rio considerado o menos poluído da Europa, isso sim, por certo, bastante oxigenado, atento o seu caudal e leito rochoso. São famosas as suas trutas que encantam sejam elas grelhadas ou recheadas com o extraordinário presunto que pelas nossas aldeias, curado pelo fumo de ancestrais lareiras, também é famoso. Por falarmos em gastronomia aproveitamos para falar no nosso excelente cabrito, nos nossos enchidos e em especial as nossas couves com feijão as nossas migas, e na doçaria o característico e único bolo de ovos conhecido por bolo podre, parecido com o folar transmontano porém sem qualquer carne e melhor adoçado.
Se Castro Daire é a princesa do Paiva é de de certeza a rainha do Montemuro, serra que se percorre desmaindo o olhar por infinitas paisagens graníticas no percurso Castro Daire- Cinfães. Claro que vos posso falar da Fonte dos Peixes em plena vila de Castro Daire que dizem que caba bica tem a sua nascente e que quem beber delas ficará para sempre preso a esta linda vila. Da Nossa Senhora do Calvário lindo prontório no cimo de vila, com a sua capelinha cheia de beleza e encanto, da sua Bandde música ou dos seus Bombeiros Voluntários ou mesmo do seu airoso jardim. Por falar em airoso diga-se que CASTRO DAIRE, o DAIRE, segundo muitos , derivaria precisamente do facto de os NOSSOS ARES SEREM ESPANTOSAMENTE AGRADÁVEIS E BONS.
O templo das siglas, com mais de 8 séculos de construção único no género no País a uns 5 Kms de distância da vila, para poente, assim conhecido pelas pedras estarem sinalizadas com o que se julga ser, não havendo unanimidade de opiniões, assinaturas dos seus operários de então.
Já agora ficam a saber que existe carvalha, A carvalho do Presépio, que é monumento nacional(a maior parte caiu nos últimos temporais).Tem 22 freguesias Castro Daire que é sede concelho e comarca, com uma forte emigração para Suíça, França e Brasil, havendo aldeias  a extinguir-se aos poucos...escolas com 2, 3 alunos, sendo uma dura realidade a  conhecida e dramática desertificação rural. O agricultor vai sobrevivendo com a criação própria de animais, suínos, vacas, galinhas, com as míseras pensões de velhice, e com a sua cultivada frugalidade de costumes. São habitantes arreigados profundamente em costumes ancestrais e não é raro ocorrerem  grossas cenas de pancadaria por causa de 1h de água não respeitada.
Culturalmente a vila inaugurou o seu centro municipal de cultura no seu seio tem um historiador Dr. Abílio de Carvalho que já publicou livros de interesse concelhio e não só, Clara Guerra escreveu um conto, ela que é uma das fundadoras, A VOZ e a alma de grupo tradicional de recolha de música portuguesa BANDA DE LÁ dos mais prestigiados do nosso país e sediado em Castro Daire.
Socialmente podemos dizer que vive com alguns  graves problemas, não havendo em muitas aldeias rede de esgotos ou de canalização de água, ali com o rio Paiva tão perto (!) quando se fala que este irá abastecer a cidade do Porto.
As mini-hídricas como polvo instalaram-se em Castro Daire criando mastodontes de cimento na nossa querida Paiva(é assim que é designado por aqui o rio Paiva) porém a Associação Amigos de Castro Daire travou decisivo  combate que venceu impedindo a Generg da construção de mais uma mini-hídrica que destruiria todo o eco-sistema no curso nascente-poente do seu leito.
Finalmente falemos das Termas do Carvalhal  a uns 5 Kms da vila, estrada Viseu- Castro Daire óptimo para descansar e com águas termais ótimas, segundo afirmam, para tramentos de pele e figado.
O nosso vinho é conhecido por vinhop de 2 mãos uma para erguer o copo a outra para urinar. Isto é um vinho que se pode beber à vontade pois tem uma graduação fraca, vinho de transição entre um maduro do Dão excelente e ali tão perto e um cherinho já a verde...
As festas da vila, 29 de Junho padroeiro São Pedro teimam há uns anos a esta parte fazer-se e bem assim as de 15 de Agosato da Nossa Senhora do Calvária estas sim as verdadeiras festas da vila, acabando ambas por não terem a notoriedade que deveriam ter dse qualquer modo as marchas populares no dia 28 de Junho à noite atraem já imensos forasteiros.Por falar em festas no mês de Junho a Agosto um pouco por todo o concelho polvilham as pequenas festas aonde é normal e característico ouvir-se o fado à desgarrada acompanhado por concertina ou rabeca e viola. Dois cantadores ou cantadeiras desafiam-se e por vezes insultam-se em verso cantado que faz as delícias do povo cheio de calos nas mãos e na alma.
Um Abraço a todos.
JOÃO SEVIVAS  

 

Castro Daire
http://www.cm-castrodaire.pt
A Vila de Castro Daire, freguesia e sede de concelho, é composta por aldeias limítrofes numa área dos cerca de 32,9 quilómetros quadrados: Arinho, Baltar, Braços, Custilhão, Farejinhas, Fareja, Folgosa, Lamelas, Mortolgos, Mosteiro, Santa Margarida, Vale de Matos e Vila Pouca, contendo 4578 habitantes.
Geograficamente encontra-se situada num cume de um monte, o seu topónimo tem origem num antigo castro que se encontrava na parte mais alta deste lugar.
Sabe-se que aqui habitaram romanos devido ao aparecimento de documentos epigráficos. Havia várias pontes romanas, entre elas, a Ponte Pedrinha, demolida em 1877 construindo-se a que ainda hoje possui a mesma designação e onde se encontrou uma lápide podendo data-la da altura do imperador Caio Júlio César.
Está historicamente comprovado que Castro Daire fez parte do padroado real e posteriormente à Casa do Infantado.
Castro Daire foi dominado pelo julgado da Terra de Moção, cabeça de concelho do mesmo nome com foral antigo, crê-se de D. Afonso III e foral novo no século XVI. Teve carta de foro por D. Afonso Henriques e carta de privilégios dada por D. Dinis. D. Manuel concedeu-lhe foral novo em Lisboa a 14 de Março de 1514.
No que concerne ao património arquitectónico edificado na freguesia evidenciam-se insígnias de um passado aristocrático, nomeadamente, a casa dos Fidalgos da Cerca, do século XVIII, que é referenciada por Camilo no “Amor de Perdição”, e a Casa brasonada dos Aguilares.

 

 

 


 

Cinfães - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Pêro do Douro, em região muito verde de milho, vinha de enforcado e laranjais. Cinfães foi, historicamente, o centro das Terras de Ribadouro senhoreadas por D. Egas Moniz, que aqui criou D. Afonso Henriques.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Frequentes vezes aparece erradamente a grafia com “S” inicial (Sinfães). Mas não há dúvida que a exacta escrita é Cinfães, que é a forma recomendada pelo Vocabulário da Academia, bastando notar que está documentada a grafia arcaica, Cynfanes, que data, pelo menos, do século Xl”.

«Prof. Aleixo Gomes – incerto no Boletim da Sociedade de Língua Portuguesa (1953)»:”Por se ver no topónimo Cinfães uma evolução do plural sinfões, entende a maioria que se deve escrever com um “s”. Sempre que digo para escrever Cinfães, respondem-me: então sifão com a variante sinfão não é com “s”? A não ser os etimologistas, quase todos se convencem que o topónimo tem “s” por se relacionar com sinfão, forma que já é tempo de os dicionários registarem.

Todos os filólogos conhecem a etimologia do topónimo e só por hábito arreigado alguns escrevem sinfães. Seria injúria supor que os filólogos não conhecem a origem da palavra. Para os leigos e só para esses, direi que é o genitivo do nome germano-latino Cynfa ou Kynfa, isto é, Cynfanis ou Kynfanis. A expressão completa seria Cynfanis (villa). Esta palavra subentendia-se como se subentendem as palavras house, chuch, etc., no genitivo de posse inglês. O processo era conhecido do latim clássico; apenas tomou maior desenvolvimento no latim popular”.

 

Cinfães
http://casalodao.no.sapo.pt
Enquadramento Histórico e local:
    Cinfães é terra muito antiga. Os vestígios de povoamento por culturas antigas e pré-históricas são imenso e o próprio vale do Bestança, é também disso um bom exemplo. Ai existem alguns importantes monumentos megalíticos, como o Menir de Tendais e as Mamoas de Chão de Brinco, em S. Pedro do Campo, mas também notáveis vestígios de povoações castrejas como o Castro de Aldeia (conhecido também como Castro Cio, Monte das Corôas); o Castelo de Tendais; o Castro das Portas de Montemuro; o de Paradela; etc...
    Todo o concelho se encontra, aliás, repleto de monumentos arqueológicos dignos de interesse, como se pode ver no seu recente Roteiro Arqueológico.(1)
    A romanização também se fez sentir de forma bem vincada em Cinfães e até os próprios castros já citados acabaram por ser "romanizados". Algumas estradas romanas cruzaram o território cinfanense, pois que na documentação medieval alguns caminhos surgem "designados como carreirum antiquum ou então por carril veterem (2).
    Estas estradas, partiam do Douro para o interior e foram construídas ao longo dos vales dos principais rios de Cinfães - Paiva; Bestança; Sampaio e Cabrum. Para além das estradas romanas outros vestígios da mesma época têm aparecido um pouco por todo o concelho de Cinfães, como é o caso de uma estrutura habitacional em Passos (Tarouquela); Chieira (Cinfães); Paradela/Sequeiro Longo (Cinfães), para além de vários achados avulsos, como estelas funerárias; epígrafes; fustes e colunas; moedas; fragmentos cerâmicos; etc...
   A presença árabe encontra-se aliás bem assinalada, sobretudo por uma toponímia expressiva, em aldeias como Boassas; Saímes (...). No entanto também outros vestígios poderemos ver dessa época, nomeadamente: lagares escavados na rocha na Chamusca e no Tapado; uma azenha datada de 1072 em Boassas; os azulejos "mudéjares" da Igreja de Escamarão; etc.(...)
   O período medieval a que corresponde a arte românica e em que as terras do actual concelho de Cinfães tiveram grande preponderância, (o próprio rei D. Afonso Henriques foi criado em Cresconhe), é exaltado, sobretudo através de monumentos classificados como a Igreja de Tarouquela, a Igreja de S. Cristóvão de Nogueira e a já mencionada Igreja de Escamarão, mas também em pequenas construções menos conhecidas, como a "Casa do Cubo" em Boassas e a pequena "Ermida do Douro" em Oliveira.
    Mas toda a história se encontra bem documentada em monumentos de cada época em Cinfães, (...) no portão armoriado da Quinta da Fervença em pleno centro da vila, do século XVIII, com brasão esquartelado de Vasconcelos, Gaio, Melo e Pereira, na profusão de capelas e de casas e quintas brasonadas (...).
   Toda esta riqueza patrimonial é ainda complementada em Cinfães pela exuberância das manifestações populares nas suas mais variadas vertentes - arquitectura; artesanato; tradições; etnografia; gastronomia; etc. - e por uma paisagem não menos esplendorosa.

(1) PINHO, Luís M. Silva/ LIMA, António M. C./ CORREIA, Alexandre L. - Roteiro Arqueológico de Cinfães, Cinfães, Câmara Municipal de Cinfães/ Pronorte, 1998
(2) PINHO, Luís M. Silva/ LIMA, António M. C./ CORREIA, Alexandre L. - Roteiro Arqueológico de Cinfães, Cinfães, Câmara Municipal de Cinfães/ Pronorte, 1998, pag 15
Excertos do texto: Turismo de alta qualidade "Num cenário Idílico"
Da autoria de: Arq. FERREIRA, Manuel dos Santos C.Pinto

Monumentos e Sítios
Neste concelho, sobre o qual um dia foi escrito “ Cinfães jóia incrustada, altaneira, luxuriante e inigualável serra de Montemuro, espreguiça-se para norte e ouve, a seus pés, o rio Douro cantar-lhe poemas de amor” (Barbosa de Vasconcelos, jornal Miradouro, de 27 de Julho de 1962), encontra-se beleza natural majestosa nas suas paisagens, mas também beleza patrimonial nos monumentos e sítios que abrangem um vasto espaço cronológico-cultural desde a pré-história até aos séculos mais recentes.
Assim sendo pode admirar-se obras de arquitectura, composições e criações valorizadas outras mais recatadas, porém todas de interesse histórico, arqueológico, artístico, científico e social, que ajudam a conhecer a história do actual espaço geográfico conhecido por concelho de Cinfães e consequentemente dão o seu modesto, mas importante, contributo para a História de Portugal.
Começando pelos primórdios da actividade artística humana, foram descobertos 4 núcleos de monumentos megalíticos (5.000 a 3.000 a.C.) que se coadunam com as características dos restantes encontrados na Beira Alta: mamoas, dolméns e menires. Sítios megalíticos constituídos por 3 monumentos:
 
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Mamoa I de Chã de Brinco*: o aglomerado de Chã de Brinco encontra-se a 1 km para norte do núcleo de Lameiro de Pastores (2 km aproximadamente da povoação de Ervilhais). Esta Mamoa é conhecida entre os pastores por marco da serra. Actualmente, encontra-se a descoberto das terras e pedras sendo visível o dolmén. Monumento megalítico de cariz fúnebre, dolmén com câmara e corredor. À entrada encontra-se um pequeno corredor onde está implantada uma laje granítica alongada com forma geométrica sub rectangular. Do espólio deste arqueo-sítio fazem parte 4.000 minúsculas contas de colar em xisto perfurado, cerâmica decorada campaniforme e vários micrólitos.


          Da Idade do Ferro até ao domínio romano foram localizados possíveis povoados pré-históricos: Roda do Meronço, Alto Castelinho - Nespereira, Castelo Velho – Tendais, Monte Castro - Travanca, Castelo de Sampaio- S. Cristóvão, Chieira – Cinfães e Coroas – Ferreiros *2. Relativamente aos três últimos devido a prospecções, escavações efectuadas e espólio encontrado pode afirmar-se tratar-se de povoados fortificados com muralha pertencentes à civilização castreja situada mais concretamente do séc. IV a.C. ao I d.C., de referir a reutilização das estruturas dos castros aquando do domínio romano.
Texto da autoria da: Drª  AMARAL, Rute Maria Pereira. A quem agradecemos a colaboração

 

 

 



 

Lamego – (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

A caminho de Lamego desfruta-se uma paisagem de íngremes colinas verdejantes e bravias.
A terra é antiga. Do velho castro resta apenas a torre no seio da nobre cidade, onde, segundo reza a história, se realizaram as primeiras Cortes de Portugal.
Caminhe até ao castelo, passando pelo pitoresco Bairro de Almacave, cheio de lojecas, pequenas oficinas e modestas moradias que partilham as ruas com algumas casas brasonadas.
Lá em baixo, na urbe pacata, a vida corre sem pressa e sem destinos. Da avenida principal, Dr. Alfredo Sousa, avista-se, solitário no alto dos céus, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios  e a sua majestosa escadaria. Se as pernas fraquejarem não suba os degraus, vá de carro na estrada em volta mas não deixe de ir. Olhe de perto esta Igreja de traços barrocos com vitrais de cores vivas e cristalinas. Desça novamente à cidade para visitar a Igreja de Santa Cruz, outrora parte de um convento, hoje quartel militar. O edifício de aspecto sóbrio e grave acolhe um impressionante local de culto, pelos seus altares de talha dourada, azulejos, confessionários e orgão de tubos. Pelo Lamego religioso entre ainda n Sé Catedral, na Capela do Espírito Santo e não se esqueça de ir ao Museu Regional.
Se a fome apertar, prove o cabrito assado no forno, a truta recheada de presunto ou a lebre à serrana regada com um divinal vinho verde. Findo o passeio, pense num passeio até A aldeia do Campo Benfeito. 
De origem remontíssima, Lamego, foi cidade importante sob a dominação visigótica, nomeadamente no reinado de Sisebuto, que aqui fez cunhar moeda. Definitivamente conquistada aos mouros por Fernando Magno, em 1057, foi elevada a diocese em 1071.
O seu povoamento foi incrementado por Egas Moniz, um dos tenentes de Lamego, que se instalou em Britiande (*), nos arredores.
Em 1191, D. Sacho 1 concedeu-lhe carta de couto. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1514.
Para Lamego foram convocadas Cortes por D. Afonso Henriques, em 1139, e por D. Pedro ll, em 1679.
(*) Britiande “Brite-e-ande – disse, displicentemente, o lavrador terra-tenente ao romeiro que passava, no Outono, mendigando castanhas dos ouriços a abrir. Daí o nome da terra.  Aqui teve casa, no século Xll, D. Egas Moniz, fidalgo de Ribadouro e dono da terra. O povo guarda hoje, na pracinha fundeira, a antiga construção, de um granito com o belo tom castanho maduro de oito séculos”. 
A  ORIGEM  DO  NOME 
 “Segundo alguns autores, citados no dicionário de Pinho Leal, a actual cidade de Lamego, foi fundada pelos gregos, cerca de 500 anos antes de Crito. Outros contentam-se em dar-lhe por fundadores os galo-celtas, 381 anos antes de Cristo. Estrabão chamou-lhe Laconimburgo e diz que foi fundada pelos lacões (povos da Grécia) que lhe deram este nome, quer dizer, “cidade dos lacões”. Esta afirmação é duvidosa. O que não parece duvidoso, porém, é a grande antiguidade desta terra, que no tempo dos romanos se chamava, de facto, Lameca – e daí, Lamego”. (Mensageiro das Casas do Povo – 1951). 
”No tempo dos romano, sob o domínio de Trajano, tinha o nome de Lameca ou Lama e daqui lhe veio o seu nome actual; alguém o escreveu pela primeira vez e muitos o têm repetido sem mais adiantarem.
A nós parece-nos: Lamego de Lama, não; Lamego de Lameca, possivelmente, desde que se justifique de modo aceitável a mudança do a final em o. Mas, que é Lameca e que significa ?
Na Gramática Histórica Portuguesa, de José Joaquim Nunes (1919, pág. 204), aparece o topónimo Lamego incluído entre vários nomes próprios geográficos, que detam dos povos que antes do romanos aqui dominaram. Leite de Vasconcelos, não obstante o seu imenso saber, também nada adiantou; limitou-se a dizer (Lições de Fililogia Portuguesa, 1911, pág. 338) que Lamego talvez tenha vindo de “Lam-aecus”, sem nada acrescentar.
Não repugna acreditar que Lamego tenha vindo de Lamaecus, mas esta forma deve ter sido deduzida, porque não está  documentada, não deve ser propriamente latina, mas latanizada e só nesta hipótese terá tido razão o professor J.J. Hunes ao escrever que Lamego data dos povos que cá estiveram antes dos romanos. Paralelamente, galego, grego e Mondego devem Ter vindo respectivamente de Gallaecus, Graecus e Mondaecus, derivações estas que estão perfeitamente em harmonia com as regras da gramática histórica.
Mas, se é hipotética ou de existência duvidosa a forma Lamaecus, se é também hipotético (o próprio Leite de Vasconcelos, ao dizê-lo, empregou “talvez”) que tenha sido e étimo do topónimo estudado, procuraremos outra solução com probalidade de aceitação.
Há uma raiz primitiva indo-europeia, que aparece representada no grego e no germânico por “lam” – e no moderno alemão por “lehm -, barro. Os latinos a receberam e cá temos também em muitos vocábulos, mesmo na toponímia (Lamares, Lamarigo, etc).  – Não existirá esta raiz também no nome pré-romano, Lamego ?...
Quanto ao elemento final, pode Ter fácil explicação, pois – ego é conhecido como sufixo de formação ibérica, que exprime ideia de proveniência como, por exemplo, em manchego (que é natural ou provém de “Mancha”).      (Dr. Xavier Fernandes  -  1944). 
UMA  DAS  MUITAS  LENDAS  DESTA  REGIÃO:  Ardinga. 
“Ardinga era uma formosa princesa moura, pouco mais que adolescente. O pai, “váli”  de Lamego no século X, guardava para o califa de Córdova (hoje Espanha) esta terra, mas verdadeiramente guardava-a para si das tentativas de conquista do rei leonês.
Neste cenário de guerra desabrochou o amor no coração de Ardinga. No castelo contavam-se histórias de heróicos cavaleiros cavaleiros cristãos e de um melhor que todos – D. Telon, que batalhava nas montanhas de nascente.
Ardinga ouvia estas narrativas e sentia mais fervor por elas que pelas repetidas histórias das Mil e uma Noites que as ais lhe contavam com os olhos de sono. E o seu coração prendeu-se ao cavaleiro cristão com o mais belos dos amores. Certa noite, juntamente com uma irmã que lhe anima o sonho formoso, fugiu do castelo. Seu amor levava asas e guiou-lhe os passos por caminhos das cristas difíceis de transpor, por vales onde repousa à sombras das ermidas.
Num alcantil do rio Távora – São Pedro das Águias, eremitério confundido com os rochedos - , o abade Gelásio animava os guerreiros a curava-lhes feridas da alma e do corpo. Ardinga beijou-lhe o manto, e, contou-lhe o seu segredo. Mas o seu cavaleiro, perdido nas lutas, demorava a tomar posse do seu coração, já feito cristão pelo baptismo.
Enfurecido, o “váli” seu pai procurou Ardinga pelo caminho que conduz aos cristãos. Encontra-ª E, duro no perdão, mistura o sangue mártir da filha com as águas inocentes do rio.
Quando o cavaleiro cristão chegou, só conheceu a tragédia. Nunca mais o seu coração de poeta havia de amar senão a memória do amor da jovem princesa moura.
Hoje, as rotas de Ardinga passam por muitos templozinhos cristãos de românico saboroso, construídos com amor sobre as ruínas das ermidas que guiam a princesa “. 
As origens de Lamego são incertas. O cerro do castelo foi, sem dúvida, a primeira morada da sua gente. Raros são os documentos antigos. Sob o domínio dos romanos, os rudes povoadores aprenderam a trabalhar melhor a terra, a dominá-la com novas técnicas.
Os godos que vieram dominaram Lamego e fizeram dela uma metrópole. Em 569, era diocese. Em 572, as actas do Concílio de Braga trazem a assinatura do primeiro bispo, Sardinário.
No 1º quartel do século Xll, o rei Sisebuto cunha moeda e manda porventura construir no seu aro a Basílica de Balsemão, um dos mais antigos templos cristãos do território. Os árabes apossam-se da Península, e em breve atingem os limites de Lamego. Mas não dominam o ângulo do nordeste peninsular, onde alguns cristãos se refugiam para organizar a luta.
O árabe Almançor em 987 e 997, devasta a cidade, como exigência do conflito. Nela se estabelece um “váli”, que só aparentemente depende do califado de Córdova. Aqui surge a lenda de Ardinga, num cenário de reconquista que só se efectiva em 1057, com Fernando Magno. 
Os primeiros reis de Portugal favorecem a cidade. E a diocese, restaurada no segundo quartel do século Xll, catalisa o desenvolvimento da urbe. Fora de muros, na Igreja de Almacave, vão situar-se, em 1143, as Cortes de Lamego. Estas Cortes poderão ter existido como assembleia de gente de guerra do rei, que regressava das lutas nos campos de Trancoso e Fonte Arcada. Tiveram pelo menos uma força histórica, influenciaram a jurisprudência e a legislação portuguesa.
No século Xll a cidade ainda se confinava ao Bairro ou Cerca do Castelo, com seu alcaide-mor. Ainda se vêem hoje, bem implantadas na muralhas, as Portas dos Figos e do Sol. Depois, a cidade cresce, e dois novos bairros se constroem extramuros, na Sé e em Almacave.
Lamego continua a progredir. No século Xll, os notários e escrivães tornam-se importantes. Acentua-se um desenvolvimento económico significativo, que sobe paralelamente ao respeito pelas liberdades municipais e pela independência administrativa. Esmera-se o artesanato de peles e tecidos, de ferraria, de cerâmica.
Os mercados da praça do castelo e, mais tarde, os do exterior das portas e as feiras anuais a que D. Dinis deu grande impulso atraem mercadores de Granada (hoje Espanha). E há artigos exportados para a serra, para Lisboa, para o Algarve.
Nos termos de Lamego produz-se, essencialmente vinho e cereais (trigo, centeio, cevada, painço, aveia) e também frutas e hortaliças. O gado da serra é o complemento desta actividade e o sustentáculo das oficinas de tecelagem e de curtimento.
Incentivo de interesse para a economia é a presença dos judeus, atestada em documentos do século XlV. Eles entregaram-se, fundamentalmente, às artes dos metais, do comércio e da medicina. Na agricultura, apenas cuidam de vinhas. Concentrados principalmente na Judiaria Velha, junto à Porta do Sol, eram de boa convivência. 
No século XlV, a cidade é atingida por forte depressão, originada pela política do primeiro rei da dinastia de Avis, D. João l, seguido por outros, em especial por D. Afonso V, e que consistiu na redução extrema dos termos da cidade com doações à nobreza, impondo elevados impostos ao comércio e indústria e levando as fáceis exorbitâncias dos fidalgos a entravar as liberdades municipais.
Verificou-se assim o aniquilamento da cidade, segundo dizem alguns cronistas, que para tal se baseiam num cadastro da população acusador de uma recessão demográfica a mais de um quarto.
Claro que a panorâmica não deve ter sido tão pessimista se equacionarmos outros dados, como, por exemplo, o facto de na primeira metade do século XVl ter sido encomendado em Lamego, um políptico para a Sé, no ano de 1505, a mestre Vasco Fernandes (Grão-Vasco, de Viseu) e de quadros que restam revelarem um forte empenho financeiro e garantir semelhante qualidade – isto além da presença dos riquíssimos panos de armar, vindos de Bruxelas, que hoje se conservam no Museu.
De qualquer modo, em meados do século XVlll a população quintuplicara, o que só poderia explicar-se graças a uma desafogada situação económica. 
 Todavia, o mal que atingia Portugal, sentiu-se também em Lamego. A riqueza converteu-se mais em obras de sumptuária (construção ou transformação das residências senhoriais, dotação de conventos. Igrejas cobertas de ouro) do que numa aplicação rentável em estruturas que apoiassem um comércio exigente e uma indústria, aos quais não de sacrificou.
Repensou-se o passado. Mas  com o advento do liberalismo não melhorou a sorte da cidade. Para conseguir trunfos políticos ou prerrogativas na administração (como a solicitação para ser cabeça de distrito e província). Lamego apontava para o passado, por exemplo para a realização das Cortes de Almacave.
Hoje, a cidade começa a despertar de certa modorra. Este facto e também o apelo, agora saudável e de forma dinâmica, à tradição criarão novos pólos de interesse que relançarão a velha urbe episcopal, das mais antigas da Península Ibérica. 
Hoje, quatro caminhos vêm dar à cidade de Lamego. São os quatro caminhos de sempre. De leste e de oeste, de norte e de sul. São os caminhos de Espanha e do mar, da Beira Interior e de além do Douro. Escolhem para passar os desvãos das serras, deixando-as libertas para os vigiar, como sentinelas nos tempos heróicos: Santa Helena, mais longe São Domingos e, sobranceira de norte a poente, a serra das Meadas. E quem chega por um destes caminhos encanta-se com a cidade de Lamego – uma cidade pequena e branca, familiar e humanizada.
Vive quase só da terra. Da vinha e das hortas. As suas encostas são quase todas plantadas, em Maio verdes e com flores, no Outono com os tons sanguíneos das videiras despidas de cachos.
Mas os quatro caminhos de hoje foram importantes em tempos passados. Percorriam-nos mercadores e romeiros das beiras e do Douro, e outros que vinham da Espanha cristãs e do reino mouro de Granada.
A cidade era um pólo, embora nos tempos heróicos fosse mais religioso do que físico. A administração, a guerra, a justiça e a economia tinham muito a ver com a fé. O governo, com o bispado. E a cidade, com o bispado. E a cidade era o que a diocese era: extensa.
Daqui partiam as rotas do romance. Do romanice da língua e da arte (românica). Da arte fruste que encheu as encostas do rio Douro e dos seus afluentes de pequenos templos, igrejinhas românicas que ainda sobrevivem, lirismos testemunhos de uma época iluminada pela fé. Para quem passa por aqui e viaja dentro dos limites de Lamego, a cidade continua a ser o pólo dessas rotas de sonho.

 

Lamego
http://www.cm-lamego.pt
As razões históricas deste agrupamento de Concelhos remontam à época em que o Apóstolo dos Suevos fundou os Bispados de Portucale, Lamego e Viseu. Sob o domínio Visigótico fixaram-se as balizas diocesanas "englobavam ao poente as terras de Paiva e Arouca e ao nascente chegavam a Trancoso e daí ao Douro". De facto, o códice atribuído ao rei Vamba diz-nos: "Lamego tenaet de sorte usque petra, de tara usque ortosa". Isto é, desde Orta (de Numão) à Pedra de Couto (junção das freguesias de Arões, Albergaria e Cepelos) e de Trancoso até ao Ribeiro de Areja.
  Estas balizas fixadas na época Visigótica mantiveram-se até à remodelação dos bispados em 1882. A tenência de Egas Moniz, nos Séculos XII e XIII, correspondia a este território, e o mais extraordinário é que esta circunscrição eclesiástica e administrativa corresponde, afinal, a uma perfeita unidade geográfica.
  Este agrupamento de concelhos constitui o exemplo perfeito do que é uma região. Exprime uma unidade perfeita de território individualizado não só pela geografia, pela história, pela ecologia e pelo grau de desenvolvimento como zona homogénea.
Em Julho de 1835, Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro do Reino, assina o decreto que estabelece a divisão administrativa do país criando o Distrito de Lamego integrado na Província da Beira- Alta.
  Em Agosto do mesmo ano é nomeado Governador Civil do Distrito de Lamego Manoel Metello de Nápoles e Lemos. Quando em Dezembro do mesmo ano, Mouzinho de Albuquerque transfere a capital de Distrito para Viseu muita foi a indignação que se fez ouvir na cidade e nas Cortes do Reino.
Em Janeiro de 1836, Macário de Castro defende nas Cortes a pretensão de Lamego a Capital de Distrito, outros se lhe seguiram destacando-se as constantes tentativas de reivindicação do Visconde Guedes Teixeira e Cassiano Neves junto do Poder Régio.
  É após a proclamação da República, em 1912, que a restauração do Distrito Administrativo de Lamego se impõe com mais ímpeto, destacando-se as figuras de Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa, Francisco Lopes de Sousa Gama, José Mendes Guerra, que elaboraram uma Representação que enviaram a 21 de Março ao Parlamento visando a criação do Distrito Administrativo de Lamego.
  De 1913 a 16 de Fevereiro realizou-se um "Comício" na cerca do extinto Mosteiro das Chagas para o qual foram "convidados todos os concelhos que desejem fazer parte do mesmo distrito, associações, colectividades, habitantes da cidade de Lamego e povo do concelho".
  Foi então nomeada uma comissão que se deslocou a Lisboa para pugnar uma vez mais pela formação do Distrito, tendo sido recebida por Afonso Costa.
  O Presidente do Governo fez saber a essa comissão " o encargo que a Câmara de Lamego tem de tomar para as despesas do primeiro ano da sustentação do Distrito que diz ser calculado em 26 contos". A Câmara em reconhecimento pelo bom acolhimento que a comissão teve por parte de Afonso Costa enviou-lhe um telegrama com "votos de profundo reconhecimento pelo interesse que vossa excelência toma pela constituição do Distrito de Lamego".
  Desta comissão faziam parte os cidadãos: Dr. Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa, Luís José Teixeira e Nápoles, António Pinto Ribeiro, António Lopes da Gama, José Ribeiro Conceição, José de Vasconcelos Dias, Manuel Luís de Sena, Duarte Lobo, Basílio Pereira da Trindade, Joaquim Duarte Veloso, José Mendes Guerra, Manuel Correia de Lucena, Francisco Pereira Rebelo, Jaime Correia de Sousa, Manuel Bernardo, João Maria Cambezes e José Teixeira Rebelo Júnior. 
  Em 1916, Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa na altura deputado da nação pelo Círculo de Lamego apresentou à Câmara dos Deputados um projecto de lei que criava o Distrito Administrativo de Lamego. 
  Na sessão camarária de 20 de Janeiro do mesmo ano o referido deputado comunicou que no seu projecto de lei "estabelecia autorização para esta Câmara Municipal poder modernizar e melhorar a cidade". 
  Em 1919, inicia-se no Porto um movimento insurreccional com Paiva Couceiro, neste contexto "é criado provisoriamente o Distrito Administrativo de Lamego" pela Junta Governativa do Reino que nomeava o Dr. Rufino César Osório Júnior Governador Civil do Distrito Administrativo de Lamego e o Padre Abel Moura para secretário geral.
  Esta efémera situação política que durou de Janeiro a Fevereiro deste ano não trouxe quaisquer progressos às pretensões das gentes de Lamego. 
  Em 1927, o Governo criou uma comissão com a incumbência de elaborar um projecto do mapa da nova Divisão Administrativa, aproveitando este facto o então Presidente de Lamego Dr . Luís Rodrigues Guedes Osório redige uma representação (transcrita na íntegra no livro de actas da CML de 20 de Outubro de 1927 ), que pessoalmente entrega no Ministério do Interior.
  Só em 1931 a questão vem novamente a lume com a apresentação à Câmara Municipal de Lamego do trabalho de J. P. Manique e Albuquerque (Acta da CML de 28 de Fevereiro de 1931), que complementava em argumentos os já apresentados em 1927. De tal modo que a Câmara o enviou juntamente com a representação de 1927 para o Tribunal Supremo, achando-o "uma bem fundamentada defesa, lógica rigorosa e rigor técnico e científico".
Uma vez mais o pedido repetia-se "Lamego deseja ser e precisa ser Sede de um Distrito composto por treze concelhos, a saber: Lamego, Cinfães, Resende, Armamar, Tabuaço, São João da Pesqueira, Meda, Foz- Côa, Penedono, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca e Castro- Daire".
  Na sessão camarária de 18 de Março de 1931, o Dr. Luís Guedes Osório dá conta das "demarches realizadas em Lisboa e Porto para a criação de um Distrito Administrativo com Sede em Lamego capital de uma nova região denominada Beira-Douro". Mais informa que " a bem da sua missão se fez acompanhar por dois representantes da imprensa local que o auxiliaram em todos os trabalhos realizados e no conseguimento de casa próprias para as conferências com projecções cinematográficas da fita da cidade realizadas no Grémio Beirão em Lisboa e na Sociedade Almeida Garret no Porto.
  A 24 de Abril de 1940, na acta da sessão ordinária da Câmara, dá-se conta da publicação da obra de J. Pina Manique e Albuquerque "Representação de Lamego para a emancipação da Beira Douro", a executar pela tipografia "Voz de Lamego " pela quantia de 5 contos de reis.
  Foi sob os auspícios que a Casa Regional da Beira Douro, a 26 de Junho de 1967 faz uma Exposição ao Governo pedindo a criação do Distrito Administrativo de Lamego.
Dessa comissão fizeram parte: Dr. João de Almeida, Dr. Artur Castilho, Sr. José Lopes Salgado, Alberto Melo e Faro, Gastão Mineiro, Comandante Humberto Leitão, Aarão Lacerda , Jorge Silva e J. Pina Manique de Albuquerque.
  Toda a informação sobre este assunto pode ser consultada na Biblioteca/Arquivo Municipal de Lamego.
in comunicado de 15.11.2002 do Gabinete de Apoio à Presidência

 

 

 

Mangualde - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, já existia no século Xll, tendo recebido o primeiro foral do conde D. Henrique, em 1102. Este foral foi confirmado em 1218 por D. Afonso lll e renovado em 1514, por D. Manuel l.

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado (1898)»:”A origem do nome de Mangualde não é conhecida, mas não passa além do domínio português por nosso idioma. Mangual ou Mangualde é instrumento lavoratório. Mangual era antigamente o nome aplicado ao jogo da bola e do fito”.

 

Mangualde
http://www.cmmangualde.pt
Mangualde situa-se na Região Centro, mais concretamente na Beira Interior.
Localiza-se a mais ou menos 15 km da sede do distrito de Viseu.
O concelho de Mangualde confronta-se a Norte com o concelho de Penalva do Castelo, a Oeste com o concelho de Viseu, a Sul com os concelhos de Nelas, Seia e Gouveia e a Este com o concelho de Fornos de Algodres. Dispõe de uma superfície de 220,72 km2 abrangendo um total de 18 freguesias. A forma topográfica dominante é o planalto que se inclina para Sul, cortado pelos vales encaixados dos Rios Dão e Mondego. Nas encostas destes vales encontram-se terras férteis de aluvião. Neste concelho existe uma cadeia de pequenas montanhas destacando-se a Nascente a Serra do Bom Sucesso, que se prolonga para Guimarães de Tavares. Neste encadeamento sucedem-se as Serras de Abrunhosa-a-Velha, Cunha Alta e Almeidinha que se ligam à da Senhora do Castelo. Na parte central do concelho aparecem as terras de vegetação fértil - freguesias de Mangualde, Fornos de Maceira Dão, Espinho e Alcafache. Dispersas e de fraca altitude notam-se as elevações de Tabosa, Roda e Fagilde.
Do ponto de vista geomorfológico, Mangualde insere-se num conjunto denominado Maciço Antigo, datado do Paleozóico. Foi, desde então, sujeito a um processo prolongado de erosão e aplanação, sofrendo mais tarde um rejuvenescimento com os movimentos Alpinos. Toda a área é granítica, sendo as suas formas actuais consequência da acção erosiva da sua rede hidrográfica. O clima é mediterrâneo com feição continental, apresentando Invernos frios e verões quentes e secos.
O concelho é atravessado a Norte pelo rio Dão e a Sul pelo rio Mondego, constituindo ambos fronteiras naturais do mesmo. Além destes rios, Mangualde é ainda atravessado por uma série de ribeiras e riachos todas elas de fraco caudal, sendo de destacar a ribeira de Frades, a ribeira do Castelo e a ribeira de Videira, na metade Oeste do concelho. A barragem de Fagilde é a maior extensão hidrográfica existente e limita a fronteira a Norte do concelho.
Por esta região passaram todos os caminhos antigos e por eles viajaram antigos povos – guerreiros de Viriato, pastores da transumância, romanos, mouros e cristãos falados em lendas, soldados de Castela, de França, romeiros e feirantes.
Em tempos modernos Mangualde é entreposto histórico e importante dos tecidos produzidos nas fábricas da Covilhã, de Seia e de Gouveia. Mangualde, situado num planalto fronteiro à Serra da Estrela e marginando pelo Norte o rio Mondego, foi devido à sua situação geográfica, ocupado natural e sucessivamente por várias civilizações desde a pré-história até aos nossos dias, como o comprovam monumentos deixados pela civilização dolménica, o espólio encontrado nos castros existentes e as escavações arqueológicas que permitem a descoberta de vilas romanas. Normalmente atribui-se uma ocupação pré-romana ao monte de Nossa Sª do Castelo, onde teria existido um castro e posteriormente uma fortaleza romana.
Os romanos, atraídos pelas inúmeras riquezas naturais da Península Ibérica, nomeadamente a exploração mineira, iniciam em finais do séc. 11 A.C., a sua ocupação progressiva, que irá perdurar até ao séc. V, altura em que toda a Europa ocidental é assolada por invasões bárbaras. Com a romanização, há uma autêntica difusão e assimilação das estruturas culturais, políticas, sociais, económicas e religiosas por parte dos povos que, então, habitavam a península. Por aqui passava uma das principais vias da Lusitânia, ligando “Emerita Augusta” (Mérida) a “Bracara Augusta” (Braga). Nela destacam-se dois marcos milenários encontrados em Abrunhosa – a – Velha aludindo a reparações da via pelos imperadores Adriano e Numeriano.
 Uma segunda via entrava no concelho através da ponte de Alcafache, cujos alicerces são de origem romana, seguindo para Espinho, atravessando algures o Rio Mondego. Uma outra atravessaria o concelho pelo lado norte. Depois da passagem dos Bárbaros, no séc. V, sofreu, dois séculos mais tarde a invasão dos muçulmanos. Estes teriam ocupado o monte da Sra. do Castelo, cujo alcaide teria sido um mouro de nome Zurara, passando então a fortaleza a chamar-se "Castelo de Zurara ou Azurara", dando origem ao antigo nome deste concelho, "Azurara da Beira".
 A história de Mangualde medieval prende-se com a do país que nessa altura surgia e se afirmava como nação independente na luta contra os mouros e subsequente repovoamento. No monte da Sra. do Castelo; onde se terá erguido a fortaleza, uma zona privilegiada de vigia e posto de observação de várias milhas em redor; descobre-se uma das mais vastas paisagens desde o Buçaco ao Caramulo, Montemuro e Gralheira.
Na idade Média, a vila, hoje cidade de Mangualde, nasceu à volta de dois bairros primitivos – o primeiro genericamente designado por "Cabo da Vila" e o segundo por “Rossio”. Com o desenvolvimento da população surgiu a necessidade de novas construções pelo que naquele baldio público, o Rossio, se começou a formar um novo bairro. Por essa mesma altura (meados do Séc. XVIl) os “Paes do Amaral” ainda não tinham erguido o seu magnífico palácio e no seu lugar existiam umas modestas casas onde residiam. A partir do século XVII com a fundação da Misericórdia por D. Filipe II (1613), a criação do Juiz de Fora por D. João IV ( 1655) e a instituição da feira por D. Pedro II (1681), Mangualde conheceu um forte surto de desenvolvimento. No séc. XlX, o casario começou a aumentar nessa zona. Porém, foi a construção da estrada que, atravessando-a em toda a sua extensão, dirigindo-se à Guarda, contribuiu para esse desenvolvimento.
Durante o século passado, os dois bairros acabaram por ficar ligados, assumindo o segundo bairro (do Rossio) uma importância maior, pois, foi aí que se veio a concentrar toda a vida social e económica de Mangualde, onde se instalaram repartições públicas, sucursais de bancos, estabelecimentos comerciais, cafés, etc.
 A Assembleia da República elevou Mangualde à categoria de cidade em 3 de Julho de 1986.
"Foral de Azurara"
Em 1058, o castelo Medieval deste concelho, foi conquistado aos mouros, por Fernando Magno, Rei de Leão. Assim, em 1102, ainda não eram decorridos 40 anos após a conquista de Coimbra pelos Cristãos aos Mouros, o Conde D. Henrique e D. Teresa, antes da independência de Portugal, deram foral às terras de Zurara, entre o Dão e o Mondego. Este foral foi confirmado por D. Afonso II aquando das Ordenações Afonsinas em Fevereiro de 1217 bem como por D. Manuel I em 1514 pelas ordenações Manuelinas.
 " Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, amen, Eu, Conde Henrique e minha mulher D. Teresa, filha do rei Afonso, damos carta de foral às populações de Zurara (que fica) entre o rio Dão e Mondego e entre Penalva e o Rio Real E, (...). Aquele Conde D. Henrique outou ( Zurara ) desde o rio Dão até ao Mondego com foro de 15000 módios e, qualquer homem que aí entrar (no território de Azurara) com mão armada em perseguição de algum assassino ou servo fugidiço, e , enfim , outro qualquer indivíduo ou por qualquer motivo, que pague multa (os 1500 módios ) ou, então, que lhe sejam decepadas as mãos ou arrancados os olhos.(.... ) Todos os homens entre os rios Dão e Mondego correspondam a Zurara com serviço e com foro. E eu, Conde Henrique e minha esposa rainha D. Teresa fazemos jurar esta (carta por Egas Moniz, D. Rabaldo e D. Gonçalo Pedro en nossa vez " (Ano de Cristo de 1102 ).

 

 

 

 

 

Moimenta da Beira - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»”O nome, porém, revela uma remota explicação, pois se trata dum plural monumenta (de monumentum, isto é, moimento ou edificação funerária); tivera sido aqui, porventura, qualquer necrópole dos povos proto-históricos de Leomil e Caria, respectivamente a oeste e oriente, os quais se defenderam em vastas fortificações castrejas, existindo da sua presença absurdamente disseminados pela região vizinha de Moimenta. A tradição local apega-se um tanto a esta presumível verdade, porquanto é referido como no lugar da vila foi morto ou morreu, com muitos vassalos, um rei mouro, tendo aí todos ficado sepultados; acrescenta-se mesmo que, não há grandes anos, foram destruídos tais “monumentos” para se aplicar a sua pedra em obras públicas.

“Mouro” ou de “mouros” supõe o povo tudo quanto lhe pareça possuir o maior grau de antiguidade, mesmo o ante-histórico”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”O étimo de Moimenta é, sem dúvida, o latim monimenta, de monimentus, monumento”. 
 

 

Moimenta da Beira
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O Município de Moimenta da Beira, implantado numa zona granítica, de transição e paisagem tipicamente beiraltina, confronta a norte com Armamar, e Tabuaço, a sul com Sátão, Sernancelhe a Leste e a poente Tarouca e Vila Nova de Paiva.
Tem a àrea de 219.48 Km2 e 11.500 habitantes, distribuidos por 20 Freguesias: Aldeia de Nacomba, Alvite, Arcozelos, Ariz, Baldos, Cabaços, Caria, Castelo, Leomil, Moimenta da Beira, Nagosa, Paradinha, Paçô, Peravelha, Peva, Rua, Sarzedo, Segões, Sever, Vilar.
É relativamente recente a história da Municipalidade Moimentense, mas não as origens do território que constituiu o actual Município.
Já quando Afonso III das Astúrias conquistou Lamego aos Mouros, começou o Povoamento do Douro com a assenhoramento de Terras pelos "presores Godos".
"E os que assim entravam à posse, ficavam senhores absolutos de tudo o que à força das armas haviam tomado" Escreve Santa Rosa Viterbo no seu elucidário.
Estes "presores" criaram vilas rurais, vilares e casais que deles receberam os nomes, como Leomil, Baldos, Alvite, Toitam, Mileu, Segões, Sever e Ariz. Os habitantes de montes e castros já anteriormente ocupados, como Pêra, Caria e S. Félix, começaram a descer para os vales; deixavam as rudimentares e frágeis defesas e castrejas e trabalhavam nas "Vilas" dos novos Senhores.
Nesta época começa a notar-se uma Terra até aí insignificante, cujo nome é reminiscência do lugar preferido dos povos vizinhos para cerimónias fúnebres e o culto dos mortos.
Era Moimenta, "Monumento", Mausoléu levantado em honra dos mortos ...
A História regista quase todas as nossas aldeias actuais como existentes já no séc. XII; diz-nos também que, só Leomil (Couto) e Caria (Honra) tinham Juizes próprios antes de 1258.
Cem anos depois, no séc. XIV, as Terras do actual Município de Moimenta da Beira, tinham só três paróquias: Santa Maria de Caria, Santa Maria de Lobozaim e S. Tiago de Leomil. Sever e Alvite estavam no Couto de S. João de Tarouca criado em 1140. O Vilar era da Honra de Fonte Arcada.
É a partir deste quadro que desde o séc. XIV, a existência de montes e pastos baldios, a necessidade de regulamentar a exploração agrária e pecuária, o uso comunitário das Terras Comunais, o aumento e fixação das gentes conduz à formação de oito Municípios que chegaram ao séc. XIX: Paçô, Nagosa e/castelo, Sever e /Alvite, Pêra e/Peravelha, Ariz e Peva, Moimenta, chamada então Moimenta de S. João Baptista de Leomil, formar-se mais tarde e à custa de Leomil, com as Freguesias posteriores de Paradinha, Cabaços e Baldos, deixando Leomil reduzida à sua Freguesia, com Sarzedo e Paraduça; e finalmente, o grande Município de Caria, já com sede e Pelourinho na Vila da Rua, cobrindo além destas Freguesias as de Arcozelos, Aldeia de Nacomba, Faia, Penso, Carregal, Lamosa, Quintela da Lapa e Segões.
A Reforma Administrativa de 1834 iniciou a concentração que conduziu ao Município que hoje temos: extinguiu e incorporou no Município de Moimenta, os pequenos Municípios de Peravelha, Castelo, Nagosa e Arcos; do Município de Caria deve ter recebido na mesma data, as Freguesias de Arcozelos, Aldeia de Nacomba e Segões; por sua vez Leomil crescia com a incorporação dos Municípios de Paçô e Sever.
Em 1855 era extinto o Município de Leomil e todo ele incorporado no de Moimenta da Beira, que no mesmo ano recebe o Vilar, do extinto Município de Sernancelhe.
Em 21 de Maio de 1896, Caria e Rua passavam de Sernancelhe para Moimenta da Beira. O pequeno Município de quatro pobres Freguesias, Moimenta, Paradinha, Cabaços e Baldos, em 1834, alargara-se no curto período de 21 anos, para dezanove Freguesias em 1855, estendendo-se de Arcos até Segões e de Paçô ao S. Francisco; e em 1896 estavam definitivamente marcados os contornos geográficos actuais do Município de Moimenta da Beira.

 

Moimenta da Beira
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História, Cultura, Artesanato e Gastronomia ... 
 O confronto natural entre a paisagem agreste e imponente da serra e os deslumbrantes cenários da zona ribeirinha da Albufeira do Vilar atraíram, ao longo dos séculos, ao concelho de Moimenta da Beira, povos pré-históricos, civilizações castrejas, romanos e arábes. Povos cuja passagem testemunham ainda hoje as formas dos gigantescos penedos e fragas da Serra da Nave e as necrópoles e dólmens encravados no solo árido dos montes circundantes.
Fidalgos como D. Egas Moniz, responsável pela formação da vila no longínquo século XIII ou Fernão Mergulhão, fundador do Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Purificação, enriqueceram as ruas e praças da vila com solares majestosos e casas apalaçadas. As mesmas que encantaram Aquilino Ribeiro e que vivem eternizadas nas páginas dos seus contos e histórias.
Pela estrada fora, adivinha-se facilmente a razão da fama da gastronomia e do artesanato destas gentes beirãs, ao contemplar os longos pomares de maçã, os campos de batata e cereais, recortados entre pastos verdes, abundantes em gado e rebanhos de ovelhas. 
Nas aldeias em redor, as mulheres tecem mantas e capuchas, cozem o melhor pão regional para acompanhar o cabrito assado e os enchidos que nas festas populares enchem a mesa, ao lado das trutas do Vilar, dos doces conventuais e do vinho "Terras do Demo". Os homens dividem os dias entre o trabalho do campo, o artesanato, a pesca e a caça, tirando proveito dos bens que a natureza generosamente lhes doou ao dotar o concelho de extensos vales e rios de límpidas águas. Dedicam-se aos trabalhos da latoaria e da ferraria muitas vezes depois de repasto de trutas com presunto, coelho à caçador ou míscaros com coelho bravo, haveres trazidos para casa depois de mais um dia passado nos montes circundantes.

 

 


 

Mortágua - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Conta-se que houve em Mortágua um juiz cujas sentenças desagradavam ao povo, que um dia se juntou e o matou. Vieram inquirir os meirinhos do rei: - Quem matou o Juiz ?, mas, todos um a um, respondiam: Foi Mortágua !. E o processo teve de ser arquivado.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:” Para explicar a origem do nome, houve quem o decompusesse em dois elementos, Mort-água, atribuindo-lhe o significado literal de “água da Morte”.

 

Mortágua
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Diz a história que Mortágua terá sido resgatada aos Mouros por Fernando Magno mas, provavelmente, milénios antes já estas terras teriam sido ocupadas. Alguns vestígios de um castro pré-romano localizados nas proximidades do Santuário do Senhor do Mundo, parecem indicá-lo. Dos árabes é certo que ficaram na toponímia local algumas sonoridades: Alcordal, Almaça, Almacinha... Há ainda lugares que para sempre nos ajudam a perceber a história natural e humana destas terras: são nomes ligados ao lugar que os Mouros ocupam no imaginário popular, ou nos falam da graciosidade do coberto vegetal antes das profundas modificações que a Barragem da Aguieira e novas formas de economia florestal introduziram no terreno.
A varonia de D. Sancho de Noronha, viu a doação que destas terras lhes havia feito D. Duarte, sucessivamente confirmada por Afonso V, D. Manuel I e D. João III. Dos tempos da monarquia ficaram ainda nas páginas escritas, a passagem da corte de D. Pedro II que aqui se alojou, despertando a curiosidade dos vizinhos e os cuidados de fidalgos, oficiais e, naturalmente, da Igreja. A Matriz de Mortágua foi edificada na centúria de quinhentos e é certo que a devoção a Nossa Senhora da Assumpção, a quem ela é dedicada, é bem anterior à edificação da Igreja.

 

 

 

 

Nelas - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

No fim do planalto de Viseu, quase onde a Serra da Estrela começa, nasceu esta vila, explicada principalmente pelo cruzamento de caminhos de norte e sul, este oeste.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Desde o ano de 1850 é sede dum pequeno concelho. É topónimo de étimo obscuro, pois não é admissível a origem popularmente e com fantasia se lhe tem atribuído. Nelas, nome de terra, nada tem que ver com nelas, plural feminino de nele”.

 

Do Lugar de Nelas à Formação do Concelho
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Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão
Presidente da Academia Portuguesa da História
Não haverá decerto em Portugal uma terra com destino histórico comparável ao de Nelas, quando da sua elevação a concelho, por decreto de 9 de Dezembro de 1852. Sendo notório que a povoação, ainda que diminuta em habitantes, já existia nos alvores do Estado, longa foi a evolução até alcançar o estatuto municipal. Desde o século XII integrada no território de Senhorim, formou durante muitos anos apenas uma freguesia da invocação de Nossa Senhora da Conceição de Arco de Nelas. Quase sempre na órbita do concelho de Canas outras vezes nomeada nos documentos em ligação com o senhorio da Aguieira, foi percorrendo Nelas o seu percurso histórico que continua a ser, no nosso tempo, em grande parte ainda, ignorado. E, foi graças, sobretudo, à sua posição geográfica que viu com o advento de liberalismo a sua importância reconhecida (1).
Situada entre os vales do Mondego e do Dão, na estrada que conduz de Viseu a Seia, a terra viu-se ao longo dos séculos ofuscada pela situação de Canas como a povoação cimeira da mesma região. Tenha-se, aliás, na devida conta, que a estrada com início em Coimbra e que veio a chamar-se da Beira, seguia o itinerário da Ponte da Mucela e daqui tomava a direcção de Celorico, por Venda Nova, Galices, S. Paio de Gramaços e Carrapichana.
Esse trajecto levava 22 horas a percorrer e era, sem dúvida, o que mais cedo conduzia à fronteira de Ribacoa. Enquanto o percurso da Ponte da Mucela na faixa do interior era de 6 horas a Santa Comba Dão e mais 10 horas por tondela e Sabugosa até atingir a capital dos Hermínios(2).
Por estranho que pareça, foi a 3ª invasão Francesa que trouxe ao de cima as vantagens deste trajecto que conduzia os viajantes a Nelas e os aproximava em distância da cidade de Viseu. A história da passagem de Massena e das suas tropas pela Beira Alta mostrou que a linha do Dão tinha menos obstáculos a vencer que a zona mais vizinha às alturas da Serra da Estrela, Forçoso se torna, pois, reconhecer a posição do lugar de Nelas como um dos principais eixos de circulação do interior de Portugal, o que não acontecia com Canas de Senhorim, Santar e outras freguesias daquele concelho. Estas razões decerto pesaram no espírito dos governantes ao decretarem a desanexação das terras ditas de Senhorim e com elas formando um novo e promissor concelho, como mais adiante será referido(3).

O Topónimo "Nelas": a Sua Controversa Origem
A origem do topónimo, que continua a suscitar a divergência dos estudiosos, já mereceu o exame filológico do considerado toponimista Dr. Joaquim da Silveira (4). Na sua esteira vêm seguindo os estudiosos das origens de Nelas, com especial realce para o Dr. José Pinto Loureiro.
Tendo em consideração a antiga grafia do étimo, considera-se ser a mesma "asnellas", ou seja o diminutivo de "asinus" (asno). Desta forma o nome da povoação equivaleria ao de "burrinha" ou "jumenta", num processo filológico idêntico ao que ocorreu com o nome de outras povoações do nosso país. A evolução da palavra justificava-se assim, segundo o Dr. Joaquim da Silveira, pela vontade inconsciente da população local em afastar o topónimo do radical "asno", que estava na base de alusões desprimorosas para a terra e os seus habitantes(5),
Resta, todavia, explicar o topónimo na sua integração regional, o que permite supor que as origens de Nelas se ligaram a uma "venda" ou "hospedaria", local de paragem dos viajantes em direcção ao norte e ao sul da Beira Alta. Muita gente, para o seu transporte e de mercadorias, nobres e religiosos, mercadores e almocreves, certamente encontrariam em Nelas o meio animal de que careciam para prosseguir a viagem(6). A conjectura pode encontrar um argumento válido na existência, a menos de uma légua de distância, de um afluente do Dão, que, na primeira metade do século XII, era conhecido por rio ou "ribeiro dos Asnos". Este topónimo poderia facilmente aplicar-se à povoação vizinha, que era ainda um local de passagem que assegurava o transporte animal a quem dele carecia para atravessar o Dão.
Como diminutivo de "ribeira de asnos", na forma de "asnellas", a palavra tomou a forma de uma corruptela cujo emprego não seria do agrado dos habitantes do lugar.
O étimo orográfico passou a ter aplicação focal na transposição de que se encontram muitos exemplos de nomes de rios depois adaptados para as terras da vizinhança. A supressão da primeira sílaba tinha plena justificação, pela maior facilidade da pronúncia e, em seguida, porque afastava o sentido da palavra que não podia ser do agrado da população da terra. Aliás, três diplomas do tempo em que nasceu o Estado português, favorecem a nossa interpretação sobre a origem do topónimo Nelas na depreciativa versão inicial.
Numa carta a favor do mosteiro de Lorvão, de 20 de Março de 1133, o principe D. Afonso Henriques manda coutar o mosteiro de Sperandei (7), as "villae" de Sabugosa, Freixedo e Midões, dando a Lorvão toda a propriedade reguenga situada no couto do Rio dos Asnos(8).
Já elevado à coroa de Portugal, o monarca concede a Gonçalo Pires da Silva e sua mulher Ermenda Martins, em Maio de 1150, várias propriedades no termo de Viseu e junto ao mencionado rio (9). Dois anos mais tarde, em 30 de Setembro de 1152, D. Afonso Henriques faz doação à Sé de Viseu do coutamento de S. Pedro de Mouraz, no actual concelho de Tondela, que fora doado aos monges de Claraval e que estes, por razões pouco conhecidas, vieram a abandonar (10). Mais uma vez se menciona aquele rio: "et venit usare ad focem rivuli Asinorum", o que comprova a importância regional deste afluente do Dão.
A Formação da "Terra de Senhorim"
Quando da formação do Condado Portucalense, nos fins do século XII, já surgira o território de Senhorim aplicado a uma região mais ou menos extensa entre as áreas dos rios Dão e Mondego. Uma dessas vilas chamava-se Vilar Seco ("Vilar Siccu") e dela existe notícia pela ano de 1100, quando Pedro Dias e sua mulher Gontena Pelaio doaram duas casas, em testamento, ao mosteiro de Pedroso (11). Outro desses lugares tinha o nome de Santar, referido em diploma de 16 de Julho de 1110, quando o prebístero Mendo legou à Sé de Coimbra vários bens que obtivera de presúria, entre os quais a igreja de S. Pedro de Santar (12). Em 17 de Agosto do mesmo ano, ocorreu a doação das igrejas de Senhorim e Moreira ao bispado conimbricense(13),
A terra de Canas foi também incorporada no território de Senhorim, vindo a receber uma carta de foral de D. Sancho I, em Abril de 1196, em favor da Sé de Viseu (14). Este documento revela importância histórica, por certificar a existência de um grupo de povoadores em Canas de Senhorim, que se davam ao labor da agro-pecuária. Que se tornava urgente arrotear a terra, fica patente no texto ao especificarem-se as rendas a cumprir pelos lavradores "destas herdades que hora são rotas como das que se depois se romperem"(15). Seria, pois, este o primeiro foral de Canas de Senhorim, que o Rei D. Manuel haveria de reformar em 30 de Março de 1514, como será adiante referido.
Não se aceita hoje que fosse dirigido aos povoadores de "Ville asine" o foral de D. Afonso III, dado em Lamas de Orelhão, em 2 de Maio de 1253 (16). Durante muito tempo atribuído a Nelas e vendo o seu texto em latim traduzido pelo historiador Fortunato de Almeida (17), torna-se mais do que evidente, pelos danos do seu conteúdo, que o diploma respeita à povoação homónima do Alto Douro. Tal certeza levou o Dr. Pinto Loureiro a chamar-lhe um pseudo-foral na sua atribuição ao povoado do território de Senhorim. Mas outras terras envolventes, ainda na idade média, receberam essa incorporação, como foi o caso de Folhadal a quem o rei D. Dinis concedeu uma carta de foro para os seus 26 moradores (18). Também a Aguieira, conhecida igualmente por Vila Nova das Moreiras, já existia no ano de 1503 englobando as duas povoações (19).
Alguns documentos soltos do tempo de D. Dinis permitem alargar a história dessas povoações oriundas de antigas "villae" e cujo conhecimento se estende ao território de Senhorim. Desta forma conclui-se que aquele monarca recuperou o direito de padroado de algumas igrejas da diocese de Viseu, como foi o caso de S. Pedro de Santar: "que se mostra ser d'El Rei era 1349", ou seja no ano de 1311 (20). Não é tão pouco isenta de interesse a sentença de Lourenço Peres, juiz de Oliveira do Conde, que recebera instruções para proceder às demarcações do couto de Canas de Senhorim (21). Do reinado anterior data ainda a carta de foral da terra regalenga de Algiraz, com o nome dos moradoresb do território de Senhorim, que eram beneficiados com a mercê de D. Afonso III (22).
Da realeza de D. Fernando impõe-se destacar a carta de doação da terra de Senhorim, dada em Coimbra a 21 de Fevereiro de 1372. Querendo o monarca agradecer os serviços de Afonso Gomes da Silva, vassalo do Infante D. João, ordena-lhe que tome posse do referido lugar e exerça nele a própria autoridade, excepto no âmbito da justiça, "pois que rressaluamos pera nos as appelações do crime e a correicam" (23). Tratava-se de uma mercê de tipo senhorial, com o direito implícito de Gomes da Silva poder transmitir aos seus herdeiros e sucessores a terra de Senhorim "e com o seu termo e com as suas entradas e saídas e com todas suas jusisdições altas e baixas". Sem que o topónimo de "Asnellas" venha mencionado na carta régia, assim como os dos restantes lugares do território de Senhorim, a verdade é que houve uma doação da coroa que se aplicava às vilas e terras envolventes.
De maior interesse regional, parece ser a medida de D. Fernando, dada em Santarém, a 5 de Janeiro de 1370, com uma nova regulamentação das jurisdições locais, mormente no que respeita aos encargos militares com a defesa do reino. Tratando-se dos moradores de Viseu, o monarca faz-lhes doação, não apenas da jurisdição do castelo e alcácer da cidade, como de vários lugares circunvizinhos. Entre eles Zurara e Senhorim e os coutos de "Rio de Asnes", Sabugosa, juntamente com a aldeia de Ferreirões, e Cota (24). Torna-se importante a menção feita à futura vila de Nelas, na medida em que esses julgados não pudessem ter juízes, vereadores, procuradores do concelho, meirinhos, tabeliões ou outros oficiais "salvo os que lá forem postos". O que equivale a dizer que "Asnellas" não usufruiam o direito de eleger funcionários da administração local, tendo de aceitar os que a coroa, para o efeito, para lá viesse a nomear.
A Terra de Senhorim com a Dinastia de Aviz
Com a ascensão ao trono de D. João I, mestre de Avis, aumenta a documentação referente ao território de Senhorim, com especial destaque para o funcionalismo régio ou municipal ligado à povoação de Canas. O cabido da Sé de Viseu abriria um processo judicial contra Diogo Soares de Albergaria, por este se haver apossado, de forma violenta, da aldeia de Carvalhal Redondo que ficava no termo do concelho e era património da referida Sé. Tendo o monarca aceite as razões da diocese, ordenou aos juízes de Canas de Senhorim e "e outras justiças do Reino" para fazerem cumprir a sentença. Filho de Fernão Gonçalves de Leiria, fiel servidor de D. João I e a quem o monarca dera a coutada do monte e rio a par das terras de Santar (25), o acusante decerto obteve o perdão da coroa. Para o efeito apresentou cartas régias que o davam como senhor das terras de Santar e de Barreiro, além de outras na comarca da Beira, sem esquecer que herdou também a coutada de monte e rio que seu pai detivera.
O filho e homónimo viu esta mercê confirmada por D. Duarte (26), não havendo dúvida de que gozou de valimento na corte, como Cavaleiro da Casa Real. Ainda no tempo de D. João I, na defesa dos seus direitos senhoriais, obteve que "non constrangesen nem mandasem constranger os moradores da terra de Asentar e de Barreiro". Como prova o Professor Vaquero Moreno, Diogo Soares de Albergaria participou em 1437 na frustrada expedição a Tânger (27). A circunstância de haver tomado o partido da rainha D. Leonor de Aragão contra o infante D. Pedro, nas cortes de Lisboa de 1439, não o impediu de manter a alcaidaria do castelo da Guarda. Seguiu depois a causa de D. Afonso V quando da batalha de Alfarrobeira, pelo que foi confirmado na coutada do monte e rio a par das terras de Santar. Tudo explica que o monarca lhe houvesse também doado o lugar de Canas de Senhorim com todas as rendas, direitos e jurisdição (28).
Um dado referido por Braancamp Freire, com a autoridade que punha nas suas investigações, surpreende o estudioso da matéria.
O cavaleiro Egas Coelho que servira a causa de D. João na guerra de 1383-1385 contra Castela, veio depois a participar "traições e maldades", invadindo com nobres do reino vizinho alguns pontos da fronteira. Por tal motivo, viu os seus bens confiscados em favor de Diogo Lopes de Sousa, filho maior de Frei Lopo dias, mestre da Ordem de Cristo. Entre os bens que passaram de mãos, contava-se o "lugar de Nelas", que havia pertencido a João Afonso Telo, 6º Conde de Barcelos (29). A menos que se trate da terra de igual nome em Trás-os-Montes, o que o documento não comprova, impõe-se concluir que o senhorio de Nelas recaiu em vários fidalgos antes de ser concedido por D. Afonso V, no ano de 1449, a Diogo Soares de Albergaria, filho e neto de antigos senhores da terra de Senhorim.
Já com D. João II no trono, o lugar de "Asnellas", manteve-se integrado com as terras de Noa e Barreiro, a D, Luis da Cunha, fidalgo da Casa Real (30). Os textos da chancelaria régia nomeiam Gonçalo de Cáceres como coudel dos concelhos de Azurara e de Senhorim (31), passando o cargo, no ano seguinte, para Diogo Gonçalves (32). Antes disso, o monarca concedera a Rodrigo Afonso o ofício de escrivão das sisas de Canas de Senhorim (33). E não deixa de ser interessante referir que Diogo Fernandes, morador em Casal Sancho do concelho de Senhorim, por se haver negado a ajudar o juiz Pedro Álvares a prender João Gonçalves, por quem fora ofendido, viu-se condenado a degredo em Marrocos, pena que D. João II depois comutou no pagamento de 600 reais para a Arca da Piedade(34).
A chancelaria de D. Manuel ainda é mais abundante em fontes sobre o território de Senhorim com a nomeação de muitos ofícios públicos. Brás Rodrigues ali morador, foi nomeado tabelião da terra em substituição de Rodrigo Afonso (35); Lourenço Pires, morador em Canas, recebeu carta de inquiridor das inquirições judiciais de lugar e do concelho (36); como escrivão das sisas, surge, em 1504, Afonso Gonçalves para todo o concelho de Canas de Senhorim (37); os juizes, concelho e homens bons de Canas de Senhorim foram notificados pela coroa, no mesmo ano, da eleição de Fernão Talesso, escudeiro de Nuno Martins da Silveira, para o ofício de tabelião do público e judicial (38); assim com igual notificação sobre a mercê concedida a Domingos Pereira, morador em Nelas, do concelho de Canas de Senhorim, do ofício de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos (39).
Os Forais de 1514 e a População em 1527
O Dr. José Pinto Loureiro demonstrou que, desde os meados do século XIII, a cabeça do território de Senhorim se encontrava, não em Canas, mas no lugar de Vilar Seco.
A terra era um curato do abade de Santar e a sede administrativa do concelho, com casa de audiências, cadeia e pelourinho (40). Tal proeminência vinha, sem dúvida, do maior número de habitantes que residia naquele lugar em comparação com os restantes da terra de Senhorim. Mas a tradição medieval havia fortalecido os nomes de Senhorim e de Canas no conjunto do mesmo território, o que explica a inclusão das duas povoações na reforma dos forais ordenada pelo rei D. Manuel. Assim se justifica a outorga do foral novo de Canas de Senhorim, com data de 30 de Fevereiro de 1514 (41), assim como o concedido a Senhorim, em 30 de Março do mesmo ano (42)
Nenhum dos forais se refere concretamente a Nelas, como é óbvio ainda que muitas das disposições neles contidas tivessem aplicação legal na mencionada terra, que continuou por muitos a ser chamada de "asnellas"" A vida comunitária regulava-se por uma série de disposições ligadas à vida agrícola e ao comércio, às artes e ofícios, ao vestuário e aos géneres de alimentação habituais. O papel dos tabeliães, as taxas prescritas para a entrada e a saída das terras, quem eram os privilegiados das portagens, todos esses aspectos são mencionados nos dois forais. O seu exame torna-se de molde a estabelecer uma radiografia económica e social da vida corrente no território de Senhorim.
Também a coroa não deixava de conceder a devida atenção ao respeito que se dava às normas judiciais, o que explica o número de nomeações feitas nessa área na parte final do reinado de o Venturoso. Assim, João Correia, escudeiro e morador em Lobelhe do Mato, viu-se confirmado no ofício de escrivão dos órfãos do concelho de Senhorim (43), Diogo Dias, morador em Santar, teve idêntica confirmação como tabelião do mesmo concelho, "por os outros dois tabeliões não serem ali moradores" (44); Afonso Gonçalves, morador em Canas de Senhorim, recebeu os cargos de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos, "porquanto Domingos Pereira, que os servia, fizera neles tais erros por que os perdera" (45); e outro Domingos Pereira, morador em "As Nelas" teve o cargo de tabelião do público e judicial do concelho de Canas de Senhorim, "além de outro que aí tem por nos ser dito que não há mais que um e que este concelho é de 200 vizinhos" (46).
O cadastro da população de Portugal no ano de 1527, oferece ao estudioso números de interesse no que respeita à comarca da Beira. A delimitação do concelho de Senhorim era feita nos seguintes termos: "Este concelho tem de termo huma legoa e mea em comprydo e huma legoa em llarguo, parte e confronta com ho concelho de canas de senhorym e com ho concelho de Zurara e com hos concelhos do sexo e casall pelo ryo demóndeguo"(47) . No lugar e concelho de Senhorim viviam 51 moradores que pelos coeficientes de 4 e 4,5 correspondiam a uma população entre 204 e 228 de habitantes. O total desdobrava-se nos seguintes números: o lugar de Senhorim, 32 moradores (entre 128 e 142 habitantes) e o lugar de Moreira, 19 moradores (entre 76 e 86 habitantes).
O concelho de Senhorim, englobando as terras envolventes, chegava a 306 moradores, ou seja, uma população ao redor de 1224 e 1327 habitantes. Formavam o concelho os seguintes lugares: Vilar Seque, cabeça do mesmo, com 56 moradores (entre 226 e 249 habitantes) Casal Sanche, 22 moradores (entre 88 e 99 habitantes); Santar (Sumtar), com 57 moradores entre 228 e 256 habitantes); o lugar de Moreira e Vale, com 25 moradores entre 100 e 112 habitantes); Algirás, com 17 moradores (entre 68 e 77 habitantes); Vila Nova de S. João, com 11 moradores (entre 44 e 50 habitantes); Vila Ruiva, com 16 moradores (entre 64 e 72 habitantes); Vila Nova, com 8 moradores (entre 32 e 36 habitantes) Gondufe e Fontelo, 23 moradores (entre 92 e 104 habitantes); e por fim, As Nelas e Roçadas, com 31 moradores (entre 124 e 140 habitantes) (48) .
Com tudo o que haja de precário na avaliação feita, pode concluir-se que o então lugar de Nelas tinha uma população ao redor de 130 habitantes, o que podia corresponder a uma trintena de famílias. Tudo o mais se ignora para o tempo, acerca da vida e das actividades económicas da povoação. Um dado regional com interesse diz respeito à passagem de D. Edmé de Saulieu, visitador da Ordem de Cister, que no mês de Dezembro de 1532, vindo de Santa Comba Dão, passou cerca de Nelas a caminho do convento da Maceira.
O secretário anotou no relato: "Desde Santa Comba, ele seguiu uma boa estrada até à vila de Canas, perto da qual se está a construir uma casa de monges da nossa ordem, colocada sob a invocação de São Bernardo e submetida à jurisdição do abade de Clairvaux" (49). Tratava-se do mosteiro de Vale de Madeiro, fundado havia pouco por D. Filipa de Eça, que foi primeira abadessa antes de se transferir para Lorvão (50). Por não possuir rendimentos bastantes nem acomodações para um grande número de freiras e para assegurar os ofícios divinos, o convento veio a ser extinto em 1560 pelo cardeal D. Henrique e dele não resta hoje qualquer vestígio.
Notas Soltas Sobre Nelas
(Séculos XVI a XVIII)
Por mais extensa que fosse a pesquisa, não se tornou possível encontrar o nome de pessoas naturais de Nelas que tivessem caído sob a alçada do Santo Ofício, como réus ou simples denunciantes. No livro de sumários da Inquisição de Coimbra, não se acha referência a nenhum habitante ou oriundo daquele lugar da terra de Senhorim (51). Apenas se deparou com um exemplo no inventário coligido pelo historiador António Baião e que merece ser mencionado. Assim, no dia 29 de Novembro de 1588, compareceu no tribunal de Lisboa o licenciado Pedro Dias, clérigo prebístero, natural de Nelas, que denunciou uma Inês Lourenço por haver casado duas vezes, sem antes se certificar se o primeiro marido estava ou não vivo (52). Devemos estar em presença de um caso de alguém que se ausentou para as possessões do além-mar e nunca mais deu notícias do seu paradeiro.
Outra notícia solta acerca de um "nelense", encontra-se na época da Restauração com o alvará concedido a Francisco Pais Alpalhão, morador em Nelas, concelho de Canas de Senhorim, na comarca de Viseu. Era filho de António Lopes Alpalhão e recebeu os foros de escudeiro-fidalgo e, mais tarde, de cavaleiro-fidalgo, com 700 reis de moradia por mês e 1 alqueire de cevada por dia, pelos serviços que prestara no referido concelho (53). Ignora-se a qualidade dos préstimos que Francisco Alpalhão teria feito à coroa, não sendo de excluir que tivessem relação com o advento da dinastia Nova. O que parece não oferecer dúvida é que, nos meados do século XVII, o topónimo Asnellas (As Nelas) já cedera, na grafia e no uso corrente, à forma modernizada de Nelas que se regista no documento.
Ainda que os textos oficiais pouco refiram acerca de Nelas no período anterior ao século XVIII, não deixa de ser verdade que na então freguesia havia muitos traços de vida social, económica e religiosa. Basta mencionar os livros paroquiais de Canas de Senhorim, para conhecer os registos de baptismos desde 1682 a 1700, os de casamentos de 1619 a 1801 e os de óbitos entre 1619 1 1911. A consulta dessas fontes coevas, verdadeiras radiografias de viver comunitário, trará decerto ao de cima muitos aspectos da vida local. Nomes e laços de família, profissões e ofícios, poderão extrair-se com proveito para aprofundar a história de Nelas, desde o tempo dos Filipes à proclamação da República. Vamos mesmo ao ponto de considerar os arquivos paroquiais como uma preciosa mina de informações a explorar (54).
A Freguesia de Nelas em 1758
No dia 10 de Maio de 1758, era cura da igreja da Nossa Senhora da Conceição de Nelas o padre José Teodoro do Amaral. Recebeu este a incumbência de responder ao questionário acerca do estado da povoação, que lhe fora dirigido por circular pelo prelado de Viseu, D. Júlio Francisco de Oliveira.
O inquérito não variava em relação aos que a coroa havia enviado às autoridades religiosas do reino e que constituem hoje uma fonte histórica de consulta obrigatória para conhecer a situação das várias freguesias na época posterior ao terramoto de 1755 (55). A resposta do pároco de Nelas afigura-se, pois, da maior importância quanto a esta freguesia do concelho de Senhorim e anexa à sua igreja de Santa Maria, integrada desde sempre na diocese e comarca de Viseu.
A freguesia de Nelas pertencia ao padroado da coroa e não tinha donatários, contando ao tempo 247 fogos num total correspondente a 385 habitantes. Sendo o lugar cabeça de freguesia, dele faziam parte o lugar de Algirás, com 47 fogos e 160 pessoas; o lugar de Folhadal, com 75 fogos e 248 pessoas; a póvoa da Roçada, com 3 fogos e 16 pessoas; e, por fim, a póvoa da Venda do Gato, com igual número de fogos e 15 pessoas. A igreja estava situada fora do lugar de Nelas, constituindo o centro da vida religiosa na região envolvente. A justiça era regida por um juiz, um procurador e um escrivão eleitos anualmente, ainda que dependentes do corregedor da comarca de Viseu. Quanto à casa da audiência, cadeia e pelourinho, dependentes do concelho de Senhorim, estavam situados na freguesia de Vilar Seco.
O cura Teodoro do Amaral traça depois a descrição geográfica do lugar: "Nelas é cabeça de freguesia e está situada em campina e dele se descobre a vila de Gouveia, a vila de Seia, a vila de S. Romão, o lugar de Touraes e o de Paranhos e o de Santa Marinha, casas, povoações ficam nas abas da serra da Estrela e no bispado de Coimbra. As ditas vilas ficam em distância de quatro léguas e na de duas o lugar de Touraes e o de Paranhos uma, e estas ficam mais distantes da serra: O lugar de Santa Marinha fica em distância de quatro léguas e vizinho à mesma serra. O lugar de Algirás, que é também da mesma freguesia de Nelas, fica situado em campina descoberta e o do Folhadal fica em um monte e a Póvoa da Roçada fica em vale e a Póvoa da venda do Gato fica em campina e junto da estrada real que vai de Almeida para a Corte".
A povoação não dispunha, ao tempo, de casa da Misericórdia ou de hospital, nem existia nas redondezas qualquer convento de frades ou monjas. A igreja tinha por orago Nossa Senhora da Conceição, dispondo de três altares com o altar-mor ao meio, mas desprovido de nave.
No lado da Epístola encontrava-se a imagem do apóstolo Santiago metida na parede, sendo dela administradores João Ferreira de Abreu, morador no lugar da Lousã, e António José Morais, que vivia em Nelas. Nos dois altares colaterais viam-se: no lado da Epístola, a imagem de Nossa Senhora do Rosário, ladeada pelas de S. Miguel e Santo António, e no lado Evangelho, a imagem do mártir S. Sebastião. Acrescenta o pároco; "e a todas estas imagens se fazem anualmente festas na dita igreja e não há nela mais que a irmandade do anjo S. Miguel. E o sacrário está colocado no altar mayor".
O padre José Teodoro do Amaral apresentado pelo vigário da matriz de Santa Maria de Senhorim, que era do padroado da coroa. A côngrua da cura de Nelas, era de 6.800 reis, dois alqueires de trigo para hóstias, e dois almudes de vinho para as missas, e mais o rendimento do pé do altar. Dentro do lugar erguera-se, em data não referida, uma ermida a Santo Cristo com celebração anual em 3 de Maio, "dia da Invenção da Santa Cruz". À festa acorriam somente os moradores da freguesia e nem sempre havia sermão por serem parcos os rendimentos da ermida. Outras ermidas existiam nos lugares ao redor: em Algirás, um altar cujos oragos eram S. Domingos e S. Jorge com sermão e procissão anuais; e, com maior fervor religioso, a capela consagrada a Nossa Senhor da Tosse, no lugar de Folhadal, com celebração na segunda oitava da Páscoa (56).
Quanto às produções da terra, acrescenta-se que eram, em maior quantidade, o milho grosso e o vinho, que chegava para consumo dos moradores e uma parte ainda enviada para fora do país. A colheita de azeite costumava ser abundante, mas ficava toda na freguesia. Quanto à produção do trigo e do centeio era fraca e ainda menor a da cevada, o que ocorria igualmente com a fruta. No distrito da freguesia passava o rio conhecido por castelo, sem dúvida o antigo Rio dos Asnos que era afluente do Mondego. Neste havia abundância de peixes, sobretudo de barbos, bogas e enguias, cuja pesca se efectuava nos meses de Junho a Agosto. Refere-se em seguida: "Suas pescarias são comuns para todos e só algumas pessoas principais que nele têm algumas levadas lhes guardam respeito os pescadores e não lhe vão a elas pescar".
Numa alusão às caldas hoje chamadas da Felgueira, o pároco esclarece: "Não há nele fonte nem lagoa célebre mais do que a fonte ou ribeiras das Caldas, que divide esta freguesia da de Canas de Senhorim, cuja água tem virtude para banhos quentes". Também as águas do Mondego gozavam, ao tempo, de alguma fama: "são especiais e virtuosas para aquellas queixas que tem o seu remédio nos banhos frescos". Aliás, o curso do grande rio, nas vizinhanças de Nelas, não era "arrebatado" antes sim corre pelas suas áreas com sossego e sem susurro grande das suas águas".
Na freguesia de Nelas, laboravam em água do Mondego três moinhos de moer pão e no rio Castelo estavam quatro azenhas em funcionamento. Não refere o pároco a existência de qualquer ponte, a não ser Ponte Nova, de pedra e cantaria com três arcos, que era o local obrigatório de comunicação para o bispado de Coimbra e a Serra da Estrela.
A parte final da resposta ao inquérito do estado de Nelas no ano de 1758, não deixa de comprovar o diminuto valor em tradições e valores que a terra possuía: "Não há memória que desta terra e freguesia florescessem alguns homens insignes em virtudes, letras ou armas e não tem feira franca nem cativa, mas somente naquele dia da festividade de Nossa Senhora da Tosse se armam algumas tendas e se vendem coisas comestíveis no lugar de Folhadal. Não tem correios e se servem as pessoas para a comunicação com o da cidade de Viseu, que dista três léguas". O pároco Teodoro do Amaral continua a enunciar a falta de valores históricos: "Não tem privilégios, antiguidades e outras coisas dignas de memória (...) Não há porto de mar. Não há na terra praça de armas nem castelo (...) Não há nesta freguesia coisa alguma que mereça fazer-se dela memória".
E para concluir a resposta ao questionário, o pároco afirma não haver notícias de jamais se extrair da terra envolvente ouro ou outro metal. Uma curiosa referência, aliás notória, em outros povoados do reino, declara que os moradores desta freguesia usavam livremente de suas águas para fertilidade de suas terras. A conclusão de depoimento não deixa de ser clara e objectiva: Não há coisa alguma notável mais nesta freguesia, nem as pude indagar por notícias que as tenho referidas neste papel, para que fiz todas as diligências, como súdito obediente".
Um século depois, graças à onda de progresso que se fez sentir no lugar de Nelas e seus arredores, era o mesmo elevado a vila e sede do concelho que antes fora de Canas de Senhorim. Vale a pena reunir alguns dados históricos que permitem compreender essa ascensão municipal.
Dos Finais do Antigo Regime ao 3º Liberalismo
A expulsão da Companhia de Jesus criou em várias cidades, como Viseu, um grave problema para o ensino das primeiras letras e das matérias que integravam a preparação para a Universidade de Coimbra. A reforma do Marquês de Pombal levou a que antigos sacerdotes e pessoas laicas tivessem concorrido aos lugares de mestres de ler e escrever que foram criados em vários pontos do reino. Um dos candidatos foi António de Melo Serrano, secular, natural do lugar de Ancada, arciprestado de Aro e morador em Nelas.
Contava 28 anos e boa conduta, tendo sido aprovado por seis meses "para acabar de se aperfeiçoar na sílaba", ou seja, na dicção (57).
Mas tudo permite crer que não foi escolhido para ensinar em Nelas, pelo que a terra não foi distinguida em 1772 com qualquer mestre de ler, escrever e contar; nomeado para a comarca de Viseu (58).
O atraso no campo da instrução primária, que ao tempo se verificava em Nelas, não impediu contudo um aumento da população, como se extrai do numeramento de 1798, por ordem de Pina Manique. O Intendente Geral da Polícia de Lisboa mandou proceder à contagem dos fogos por freguesias, a fim de apurar recrutas para o exército. Por cada 100 fogos escolhiam-se, na proporção 1/25,4 novos soldados para apetrechar os regimentos de infantaria (59) . No que respeita à freguesia de Senhorim, a população total deu o cômputo de 1271 fogos e 51 recrutas, assim discriminados: Nossa Senhora de Assumpção de Senhorim, 315 fogos; s: Pedro de Santar, 352 fogos; Nossa Senhora da Conceição do Aro de Nelas 227 fogos; S. João Evangelista do Carval, 141 fogos; Nossa Senhora da Expectação de Vilar Seco, 177 fogos; e S. Pedro de Espinho, 59 fogos. O que equivale a dizer que, nos finais do século XVIII a freguesia de Nelas, com os seus 900 habitantes, era já a terceira, em ordem numérica, da terra de Senhorim (60).
O período da 3ª. Invasão Francesa, causou grandes prejuízos na Beira Alta, não apenas quando os invasores de Massena desceram, em Outubro-Novembro de 1810, até às linhas de Torres Vedras, como no seu regresso a França quatro meses depois. Muitas casas de Nelas foram arrombadas à coronhada e, pelo menos 6 habitantes foram mortos. O Real Corpo de Engenheiros instalou-se na aldeia em Novembro de 1810, para acudir às necessidades de exército (61). O brigadeiro Francisco de Paula e Azeredo, no fim desse ano, instalou o seu quartel-general em Nelas para guarnecer; com os voluntários do Batalhão Académico, a linha defensiva da ponte de Alcafache às margens do Mondego. Não se põe em dúvida que a posição estratégica do lugar foi então reconhecida pelas autoridades militares, como um dos eixos da defesa do centro do país.
Por provisão régia de 7 de Fevereiro de 1820, criou-se em Nelas uma feira franca e isenta de sisas, a realizar todos os meses no sítio do Cruzeiro. Mas pela circunstância de a feira coincidir com a de Santar, e de Mangualde satisfazer as necessidades comerciais de toda a região, os moradores obtiveram a sua transferência para o quarto domingo de cada mês (62).
A Revolução de 1820, ocorrida no Porto, em 24 de Agosto, foi acolhida com aplauso pela população local, numa altura em que o número de fogos subira na povoação para 363, o que correspondia a uns 1 400 habitantes. Era, ao tempo, advogado em Nelas e em Celorico da Beira o Dr. António Bernardo da Costa Cabral, que haveria de distinguir-se na política oitocentista como lider do partido cabralista (63). A adesão da câmara de Canas de Senhorim à realeza de D. Miguel, no ano de 1828, não foi aceite pela população, o que levou ao exílio de Costa Cabral, após o movimento da Belfastada e ao seu regresso na expedição de D. Pedro que desembarcou em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo.
No dia 4 de Maio, em Vilar Seco, o concelho de Canas de Senhorim jurou a realeza de D. Maria II, sendo juiz presidente o Dr. José de Melo Pais do Amaral (64). A região de Senhorim passou a depender, na área militar; do Governo da Província da Beira, com sede em Viseu, tendo por capitão José Maria Leite de Portugal. Dois anos depois, o concelho aderia à Revolução de Setembro e jurava nova Constituição de 1838. No ano seguinte, uma estimativa da população apresentava os seguintes números: Nelas, concelho de Senhorim e comarca de Tondela, com 1.578 habitantes; Carvalhal Redondo (Aguieira), com 1.000 habitantes; A vila e freguesia de Canas de Senhorim; com 1.200 habitantes; Senhorim; vila e freguesia, respectivamente com 1.506 habitantes; e Vilar Seco, com 670 habitantes (65). Mas as convulsões ocasionadas pela queda do Setembrismo levou a que o número de fogos, em Nelas, houvesse descido em 1842 para 294, num cômputo aproximado a 1.200 habitantes (66).
A Criação do Concelho de Nelas
Razões de vária ordem, desde a posição geográfica aos valimentos políticos que se fizeram sentir com o advento da Regeneração, justificam que o lugar de Nelas, por decreto de 9 de Dezembro de 1852, se tornasse cabeça de concelho com as freguesias que antes formavam o concelho de Canas de Senhorim. O texto legal não podia oferecer dúvidas: "Havendo eu por decreto de hoje mandado reunir os concelhos de Senhorim e Canas de Senhorim em um só concelho com o nome de concelho de Nelas: Hei por bem ordenar que sejam dissolvidas as Câmaras Municipais de Senhorim e Canas de Senhorim, procedendo-se logo na conformidade da lei à eleição da Câmara Municipal do Conselho de Nelas" (67). Torna-se por demais evidente que o ministro do reino, Rodrigo da Fonseca, teve um papel determinante na decisão régia que iria provocar um forte diferendo entre as populações vizinhas.
Não foi imediata a execução do decreto de D. Maria II, uma vez que as primeiras actas da câmara de Nelas, segundo o Dr. Pinto Loureiro, apenas datam de 7 de Janeiro de 1845. Constituiam a edilidade Miguel António Ponces de Carvalho, futuro conde de Vilar Seco, como presidente, tendo como vereadores Antero Dias Ferreira, João de Sacadura Botte Corte-Real, Bernardo Homem Freire de Luné e João Carlos Lobo de Abrantes Mascarenhas. Quinze anos depois, a nova divisão administrativa suprimiu o concelho de Nelas e restabeleceu o de Senhorim, quando estavam em projecto as construções dos Paços do Concelho, do Tribunal Judicial e das casas para magistrados. A passagem do caminho de ferro da Beira Alta próximo da vila concedeu a Nelas uma situação de privilégio na região de Senhorim pelo que o concelho foi restabelecido. No ano de 1876 já se encontrava ao serviço a estação, embora a inauguração oficial datasse apenas de 1884 (68).
O surto demográfico da vila fora-se acentuando desde os meados do século XIX. Assim, o senso de 1864 apresenta dados de interesse quanto às 6 freguesias do concelho de Nelas (69):
FogosVarõesFêmeasTotal
Canas de Senhorim6121.3351,4142.749
Carvalhal Redondo 3697477981545
Nelas5061.1041.0892.202
Santar5131.1001.1732.283
Senhorim5001.0801.0742.164
Vilar Seco 2564845471.031
Total2.7625.8706.10411.974
No decénio seguinte verifica-se uma certa estabilização no quadro demográfico do concelho, de acordo com um dicionário corográfico então publicado. Assim, Nelas surge como vila, cabeça de concelho e julgado e dependente da comarca de Mangualde, com uma população global de 2.198 habitantes. Dispunha já de uma direcção de correios e da escola feminina do Conde de Ferreira, erguendo-se vozes contra a falada extinção do seu julgado: Quanto à freguesia de Canas de Senhorim, que dependia do mesmo julgado, mantinha-se ao redor dos 2.785 habitantes. Também não se verificaram alterações sensíveis quanto à população de Carvalhal Redondo, com os seus 1.540 habitantes, e à de Santar, que se mantinha nos 2.267 habitantes (70). Já ao tempo fora posta em arrematação a construção da estrada desde Santar a Canas de Senhorim (71).
Para se ajuizar a projecção que a passagem do caminho de ferro trouxe ao desenvolvimento de Nelas, basta mencionar as úteis reflexões do seu melhor cronista: "Foi o mais importante factor do desenvolvimento do concelho e especialmente da sua sede. Por Nelas passou a fazer-se todo o tráfego de além-Mondego, grande parte do da capital do distrito, ligada à estação com Viseu e com Seia por carreiras diárias de diligência. O movimento de Viseu enfraqueceu e quase se eclipsou com a construção do caminho de ferro de Santa Comba Dão a Viseu; mas o de além-Mondego só muito mais tarde, com o desenvolvimento da camionagem, passou a escoar-se em certa medida, pela estrada da Beira na direcção de Coimbra" (72).
Como era corrente no regime liberal, havia pessoas de notoridade local que conseguiam obter da coroa um título de nobreza que revertia em prestígio da terra. Assim sucedeu com José Bernardo dos Anjos e Brito, proprietário em Nelas, que por decreto de D. Luís de 22 de Agosto de 1870, recebeu o título de 1º. Barão da localidade (73). Quase tudo se ignora a seu respeito, incluindo os anos do nascimento e da morte, sabendo-se apenas que casou com D. Maria Cândida de Santana Pais (1829-1868), de quem teve geração com apelido de Pais de Brito. Nada se tornou possível apurar acerca do 1º. Barão de Nelas, nem da influência que gozou junto da corte portuguesa. Mas, segundo o Dr. Pinto Loureiro, o titular fez parte, durante muitos anos, do Conselho municipal de Nelas, onde gozava da maior consideração (74).
Nascidas no concelho de Nelas houve, na segunda metade do século XIX, algumas figuras de destaque na vida política e cultural portuguesa. Tal o caso do Dr. José Marques Rito e Cunha (1876-1936), natural da freguesia do Folhadal, que foi cónego da Sé de Viseu, e algumas vezes governador do bispado, que esteve proposto para as dioceses de Angra e de Beja. O engenheiro agrónomo Francisco Coelho de Amaral Reis, visconde de Pedralva, nasceu em Santar, foi deputado no tempo da monarquia e na vigência da República, ministro da Agricultura e governador geral de Angola (75). Mas, no campo das letras, a figura mais notável do concelho foi o Dr. Fortunato de Almeida Pereira de Andrade (1862-1933), nascido em Vilar Seco, que se impôs pela obra de historiador a que se ligou o nome (76).
No ano de 1893 deu-se início à exploração das nascentes das águas da Felgueira, na freguesia de Canas de Senhorim, concelho de Nelas (77), cuja fama terapêutica não tem cessado de aumentar com os anos. A câmara concedera o alvará a José Maria Marques Caldeira, que fundou a Companhia das Águas Medicinais da Felgueira em 24 de Dezembro de 1880. Assim desapareceu a antiga designação vizinha, e surgiu o nome que perdura de Felgueira, para tratamento de moléstias das vias respiratórias e da pele (78). Entretanto, a região de Nelas foi-se tornando, de igual modo, conhecida pela qualidade dos seus vinhos, pela valia da sua pecuária e pelo incremento das explorações agrícolas que, nos fins do século XIX, haviam tomado um peso importante na economia da região.
O progresso da vila acentuou-se no tempo da Primeira República, com a instalação no ano de 1912 de uma casa para quartel do Regimento de Cavalaria nº. 7. Por se encontrar numa zona privilegiada pelas suas belezas naturais e riqueza histórica, viria depois a portaria nº 16.314, de 22 de Dezembro de 1928, que considerou o concelho de Nelas como uma estância de turismo. Sete anos depois, a portaria nº 8.059, de 25 de Março de 1935, aprovaria a constituição heráldica da bandeira, armas e selo do município local. Uma faixa ao centro da primeira, de cor negra, representava três espigas de milho, como símbolo da riqueza agrícola do concelho. Três cachos de uvas completavam o conjunto heráldico, dois no chefe da bandeira, de púrpura e folhados de verde, e no contra-chefe um cacho igual. Assim se prestava justiça à abundância vinícola da região, identificando-se os seus vinhos com o lema municipal (79).
Não comporta este trabalho a descrição do progresso que na vila se fez sentir nos últimos cem anos, fazendo de Nelas um dos centros vitais da Beira Alta. Hoje dotada com todos os serviços públicos, nos campos da administração central, da justiça e da instrução, a povoação representa um eixo fundamental para quem de Coimbra segue para Santa Comba Dão e desta vila prossegue numa tripla direcção: para Viseu, a sede do distrito, para Mangualde, na estrada que conduz a Espanha, e para Seia caminhando para a serra da Estrela. O desenvolvimento industrial faz-se igualmente sentir no concelho de Nelas, com as vantagens decorrentes da sua localização na área territorial dos rios Dão e Mondego.
(1) A única obra documentada sobre o tema, pelo menos do nosso conhecimento, é do Dr. José Pinto Loureiro, Concelho de Nelas (subsídios para a História da Beira), 1ª edição, Coimbra,1940, 2ª. Edição, pela Cãmara Municipal de Nelas, 1956, e 3ª. Edição, idem, 1988. A obra será mencionada, com frequência, ao longo do nosso estudo.
(2) Veja-se António Pedro Vicente, Manuscritos de Arquivo Histórico de Vincennes referentes a Portugal, volume III (1807-1811), Paris, 1983, p.p. 86-87-88.
(3) Veja-se o texto do decreto de 9 de Dezembro de 1852 e as razões por que o diploma não teve aplicação imediata, em José Pinto Loureiro, Concelho de Nelas (Subsídios para a sua História), obra citada, pp, 208-208.
(4) Veja-se do mesmo autor "Toponymia Portuguesa (esboços", em revista Lusitana, volume XVI, Lisboa, 19/3, pp 154/155, e mais recentemente, "Notas sobre a toponímia do concelho de Nelas", O Instituto, volume 97, Coimbra, pp296,e e segs.
(5) Veja-se idem, ibidem, p. 154: "... ou internacionalmente para afastar o topónimo do seu radical asno, que daria ocasião a gracejos e alusões chocantes".
(6) Na falta de mapas regionais para os séculos XIII a XV. Veja-se o valioso contributo do professor Humberto Vaquero Moreno, "Alguns documentos para o estudo das estradas medievais portuguesas" em revista das Ciências do Homem, volume V, série A, Lourenço Marques, 1972. Não havendo menção concreta a Nelas, regista-se num dos itinerários a estrada mais utilizada entre Coimbra e Viseu, no reinado de D. Fernando (1377).
(7) Trata-se do antigo mosteiro de Sperantam Dei, no concelho de Viseu, que não se tornou possível identificar.
(8) Veja-se Documentos Medievais Portugueses. Documentos Régios, volume I, tomo I (1095-1185), por Rui de Azevedo, Lisboa, 1958. Pp 154-155. "ET DEPRONT PER ILLUM RIVULUM DE Sabugosa de Asines usque in illa ponte et pergit in festum per illum stratam de Sancte Maria de Canas...".
(9) Idem, ibidem, p. 286, doc. 234: "scilicet habuerunt de ipso termini de Barrosa de Routar usque ad riuulum de Asinos".
(10) Idem, ibidem, p. 294, doc, 201.
(11) Portugaliae Monumenta Histórica. Diplomata et Chartae, volume I, p. 552, Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 313.
(12) Veja-se Livro Preto. Cartulário da Sé de Coimbra. Direcção de Manuel Augusto Rodrigues e Avelino de Jesus da Costa, Coimbra, 1999.
(13) Ibidem, idem, idem, fol. 125,p.
(14) Museu Grão Vasco, 2º. Livro dos Privilégios do Cabido de Viseu, doc, nº. 50, publicado por José Pinto Loureiro, ibidem, pp 315-316, nº. III
(15) Este passo comprova a política agréria do rei D. Sancho I no que concerne ao povoamento e cultivo das terras da Beira.
(16) A..N.T.T., Livro 2º. Das Doações de D. Afonso III, traduzido em português pelo Dr. Fortunato de Almeida, publicado por José Pinto Loureiro, ibidem, pp, 316-317, nº. IV.
(17) Do conteúdo do documento claramente se extrai que o foral não respeita a Nelas da Beira, mas a idêntico lugar no Alto Douro.
(18) A..N.T.T. Chancelaria de D. Dinis, Doações, Livro 1, fol. 159.
(19) A..N.T.T., Chancelaria de D. Manuel I, Livro 35, fol. 33. 33vº. Carta régia de Lisboa, 31 de Maio de 1503.
(20) Veja-se Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos reis de Portugal (1574), com introdução de Joaquim Veríssimo Serrão, Paris, 1971, p. 41.
(21) Veja-se Documentos do Cabido de Viseu, sentença de 4 de Março de 1303, em Anais das Bibliotecas e Arquivos, 3ª. Série, lº. volume, p. 320, nº. 52,
(22) A.N.T.T., Livro 1º. Do Rei D. Afonso III, fol. 132 vº., col, 1, publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 317-318,nº. V.
(23) Veja-se José Pinto Loureiro, ibidem, pp. 318-319, nº. VI.
(24) A.N.T.T., Chancelaria de D. Fernando, livro 1, fol. 49vº.
(25) Carta régia de 23 de Junho de 1395. ªN.T.T., Chancelaria de D. João I, livro 2, fol. 103vº., publicada em História Florestal, Aquícola e Cinegética, volume I (1208-1438). Lisboa, 1980, p. 186, doc. 245.
(26) Carta régia de Almeirim, 17 de Abril de 1434, publicada, ibidem, livro 1, fols. 97, vº.-98. Veja-se a sua biografia em Anselmo Braancamp Freire, Livro Segundo dos Barões da Sala de Sintra, 2ª. Edição, Coimbra, 1927, pp. 77-78.
(27) Veja-se a Batalha de Alfarrobeira, Antecedentes e Significado Histórico, 2ª edição, Coimbra, 1979, pp. 687.
(28) Veja-se a descrição da terra envolvente na carta de confirmação de 15 de Julho de 1449, confirmando a Albergaria, a coutada de monte e rio na terra de Santar, pela qual é proibido matar porcos e pescar sob certas penas. Publicado na História Florestal, Aquícola e Cinegética, volume II (1439-1481), Lisboa, 1982, pp. 59-61, nº. k 152.
(29) Veja-se Brasões da Sala de Sintra, Livro 1º., 2ª. Edição, Coimbra, 1921,pp. 284-285.
(30) Carta régia, dada em Montemor-o-Novo,, em 19 de Dezembro, de 1484, A..N.T.T., Beira, Livro 1, fols. 41-41vº.
(31) Carta régia dada em Santarém, a 12 de Fevereiro de 1487, A..N.T.T., Chancelaria de D. João II, livro 19, fol. 148vº.
(32) A..N.T.T., ibidem, livro 14, fol. 9vº.
(33) Carta régia, dada em Almeirim, a 28 de Novembro de 1482, A..N.T.T., ibidem, livro 3, fol. 102
(34) Carta régia, dada em Lisboa, a 4 de Maio de 1492, A..N.T.T., ibidem, livro 26,fol. 39, publicado em Documentos inéditos de Marrocos. Chancelaria de D. João II, por Laranjo Coelho, vol. I, 1943, pp. 383, nº. CCCLXX.
(35) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Maio de 1498, A..N.T.T., ibidem, livro 44, fol. 2vº.
(36) Carta régia, dada em Lisboa, a 19 de Fevereiro de 1500, A..N.T.T., ibidem, livro 12, fol. 1vº.
(37) Carta régia, dada em Lisboa, a 12 de Janeiro de 1504, A..N.T.T., ibidem, livro 35, fol. 69.
(38) Carta régia, dada em Lisboa, a 28 de Abril de 1504, A..N.T.T., ibidem, livro 23,fol. 12.
(39) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Novembro de 1503, A..N.T.T., ibidem, livro 15, fol. 53vº.
(40) Além do numeramento de 1527, que adiante se refere, a notícia da importância concelhia de Vilar Seco consta também das Memórias Paroquiais de Nelas, do ano de 1758, mencionadas infra, capítulo VII.
(41) A..N.T.T., Livro dos Forais Novos da Beira, fol. 110, publicado por José Pinto Loureiro. O Concelho de Nelas, pp. 329-355, do. IX
(42) Publicado por idem, ibidem, pp. 320-329, doc. VIII
(43) Carta régia dada em Lisboa, a 16 de Julho de 1521 A..N.T.T., Chancelaria de D. Manuel, livro 18, fols. 95-95vº.
(44) Carta régia, dada em Lisboa, a 25 de Junho de 1515, Idem, ibidem, livro 24, fol. 70.
(45) Carta régia, dada em Évora, a 23 de Maio de 1520, Idem, ibidem, livro 38, fol. 26vº.
(46) Carta régia, dada em Lisboa, a 27 de Março de 1521, Idem, ibidem, livro 39, fol. 28vº.
(47) Veja-se o "Cadastro da População do Reino (1527). Actas das Comarcas de entre Tejo e Odiana e da Beira", por J.M. de Magalhães Collaço. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano II, Lisboa, 1934, p. 189.
(48) Veja-se idem, ibidem, p. 190.
(49) Veja-se Frère Claude de Bronseval, Peregrinatio Hispanica (1521-1533), tomo II, Paris, 1970,p. 507, nota 271.
(50) Veja-se Dom Maur Cocheril, Routier des Abbayes Cisterciennes du Porugal, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1986, pp. 140-141.
(51) Veja-se Luis de Bivar Guerra, Inventário dos Processos da Inquisição de Coimbra (1541-1820), Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1972.
(52) Veja-se António Baião. "A Inquisição em Portugal e no Brasil", Archivo Historico Portuguez, volume VIII, Lisboa, 1910, p. 472.
(53) Veja-se Inventário dos Livros de matrícula dos Moradores da Casa Real, volume II (1640-1744), Lisboa, 1914, p. 136.
(54) Veja-se Inventário Colectivo dos registos Paroquiais, volume I, Centro e Sul, Lisboa, 1993. P, 426.
(55) Veja-se A..N.T.T., Dicionário Geográfico, volume 25, rolo 463, Memórias, 14, Nelas.
(56) Pouco se conhece acerca do culto a Nossa Senhora da Tosse, no lugar de Folhadal, onde acorriam, na Páscoa, muitas populações dos arredores de Canas de Senhorim. Tudo leva a supor que os romeiros eram enfermos, antigos ou recentes, de foro tisiológico que pediam alívio para os seus males.
(57) Veja-se António Alberto Banha de Andrade, A Reforma Pombalina dos Estudos Secundários (1759-1771), 2º. Volume e documentação, Coimbra, 1981, p. 318.
(58) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, volume VI (1750-1807), Lisboa 1983, p. 259, e José Timóteo Montalvão Machado, No II Centenário da Instrução Primária, 1772-1972, Lisboa, 1972, mapa entre as páginas 116/117.
(59) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, A População de Portugal em 1798. O Censo de Pina Manique, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1970.
(60) Alguns dados soltos na obra de Ângelo Pereira, D. João VI, Principe e Rei, volume III, Lisboa, 1956, p. 17-95 e sgs.
(61) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, obra citada, 1.105
(62) Veja-se idem, ibidem, p. 109
(63) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, volume VIII (1832-1851), p. 98.
(64) Documento publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 110.
(65) Veja-se Taboa Geográfico-Estatística Luzitana ou Dicionário abreviado de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal ... por um Flaviense, 1839. Pp. 19-44-96 - 120-123-144.
(66) Veja-se Baptista de Lima. Terras Portuguesas. Arquivo Histórico-Corográfico ou Corografia Histórica Portuguesa, Póvoa de Varzim, 1935,p. 353.
(67) Publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, obra citada, p. 207.
(68) Veja-se, idem, ibidem, p. 208, nota 286.
(69) Veja-se Censo de 1864. Relação das freguesias do Continente e Ilhas, População, sexos, fogos, Divisão civil, militar, judicial e eclesiástica por J. da Costa Brandão e Albuquerque, Lisboa 1866, p. 159.
(70) Veja-se Agostinho Rodrigues de Andrade. Diccionario Chorographico do Reino de Portugal ..., Coimbra, 1878, p. 44-47-124-163.
(71) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 216,
(72) José Pinto Loureiro, ibidem, p. 216.
(73) Veja-se Nobreza de Portugal, vol II, Lisboa, 1962. P. 47.
(74) O último titular era, no ano de 1962, Fernando Manuel da Veiga Brito, verificador da alfândega de Lisboa.
(75) Veja-se a enumeração de figuras ilustres em José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 243-260.
(76) Veja-se Justino Mendes de Almeida "Fortunato de Almeida": O Homem e o Historiador", Anais da Academia Portuguesa da História, II Série, volume 31, Lisboa, 1986, pp. 465-482
(77) Veja-se Manuel Bento de Sousa. O Estabelecimento Termal das Caldas da Felgueira, Relatório do Dr. João Felício, Lisboa, 1895
(78) Veja-se a bibliografia reunida por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 227, nota 304.
(79) Veja-se o Diário do Governo, I Série, nº. 68, 25 de Março de 1935, p. 427.

Nelas
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Nascido das reformas liberais do século passado, que racionalizaram a caótica administração local, com a existência de mais de 800 municípios a debaterem-se com a falta de recursos, o Município de Nelas reuniu os anteriores Concelhos de Senhorim (com sede em Vilar Seco) e de Canas de Senhorim.
Por Decreto de 9/12/1852, sendo Rainha de Portugal D. Maria II e Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca Magalhães, foi “mandado reunir os Concelhos de Senhorim e Canas de Senhorim em um só concelho com o nome de Concelho de Nelas.
Nos 152 anos que se seguiram, o Concelho de Nelas caminhou no sentido de uma crescente afirmação, beneficiando de uma privilegiada situação geográfica, no cruzamento das estradas, que da fronteira conduz ao litoral e de Viseu liga à Serra da Estrela, e também da passagem do caminho de ferro.
Este factor geográfico, aliado ao dinamismo das suas gentes, fizeram com que Nelas, durante todo o séc. XX, assumisse a primazia industrial no Distrito de Viseu. Primeiro, com os Fornos Eléctricos e as Minas da Urgeiriça, em Canas de Senhorim, na actualidade, após a decadência daquelas empresas, com o surto de industrialização de Nelas.
Orgulhoso do radioso presente que soube construir, o Município de Nelas está porém virado para o futuro, procurando aproveitar todas as potencialidades que a Região do Dão, de que é o coração, lhe pode proporcionar.
É assim com o Vinho, marca de referência da região. Em Nelas produzem-se os melhores vinhos Dão, está aqui sediado o Centro de Estudos Vitivinícolas, é em Nelas que se realiza a Festa/Feira do Vinho do Dão, o maior evento de promoção deste produto com tão grandes potencialidades de crescimento. Mas, associado ao vinho, também temos um magnífico Queijo da Serra, de cuja Região Demarcada fazemos parte, e uma rica Gastronomia, patente em excelentes restaurantes do Concelho. Outro produto de referência, o Azeite, fabricado num moderno, funcional e ecológico Lagar recentemente construído.
Esta região, situada entre o Dão e o Mondego, debruada mais ao longe pelas Serras da Estrela e do Caramulo, possui uma rara beleza. Por isso, o turismo tem aqui enormes potencialidades, quer para desfrutar de uma inigualável paisagem natural, quer para usufruir da riqueza termal das modernas Caldas da Felgueira, quer para visitar e admirar o valioso património arquitectónico. Referimo-nos aos solares e casas solarengas, testemunhos de um rico passado histórico.
Finalmente, a indústria. Fruto de uma inteligente e pioneira política de industrialização, instalaram-se em Nelas modernas empresas, que criaram emprego para toda a região e geraram rendimento bastante para pôr em marcha, o comércio e os serviços.
Nelas e o Concelho estão a crescer, sem pôr em causa a beleza e o equilíbrio naturais e sem desprezar sectores económicos tradicionais. Pelo contrário, estes também se reestruturaram e são hoje marcas de referência do Concelho e da Região.
Concluída a fase das infra-estruturas básicas, a Câmara Municipal, que muitas vezes foi locomotiva daquela transformação, virou-se já para os equipamentos sociais, culturais e desportivos. É uma melhor qualidade de vida que se almeja, para que a nossa juventude sinta gosto em viver em Nelas e na região, abandonando a quimera da grande cidade.

 

 

 

 

 

 

Oliveira de Frades - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Origem do nome:

«Rocha Martins, do  Arquivo Nacional (1936)»:”Faltam as fontes que nos possam elucidar sobre a história da fundação desta vila da província da Beira Alta.

Há quem afirme que a sua fundação data de D. Afonso Henriques, mas não é muito digna de fé esta asserção, pois que no tempo de D. Tareja (D. Teresa), auxiliada por seu filho D. Afonso Henriques, se fundou o Convento de São Cristóvão, na outra margem do rio que lhe fica fronteiro e lhe deram a povoação de Ulveira, presumindo-se deste termo lhe derive o nome de Oliveira.

Como pertencia aos frades de São Cristóvão, tomaria o nome de Uliveira dos Frades e da corrupção do primeiro nome deu Oliveira de Frades”.

 

Oliveira de Frades
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Oliveira de Frades é terra antiquíssima. Comprova-o a Carta de Couto e Confirmação de Doação do Couto da Vila de Ulveira, aos frades de Santa Cruz de Coimbra, de 1169, concedida por D. Afonso Henriques, no Balneário de Lafões (actuais Termas de S. Pedro do Sul), onde se encontrava em tratamentos após a queda do cavalo, durante o cerco de Badajoz.
Estes desejos de autonomia, já parcialmente corporizados no referido Couto deram origem a um longo processo de gestação municipal, que culminou com a restauração definitiva do Concelho de Oliveira de Frades, por Decreto de D. Maria II, de 7 de Outubro de 1837.
Por todo o concelho proliferam vestígios de um passado longínquo, manifestações de um património rico e diversificado. Ao longo de milhares de anos, por aqui passaram e se fixaram diferentes povos, deixando vestígios de uma prolongada permanência, contribuindo para a humanização da paisagem.
O megalitismo tem no concelho uma grande expressão. Classificados como Monumento Nacional, revestem-se de especial importância: o Dólmen de Arca e o Dólmen de Antelas. O último, pelas pinturas que ostenta na superfície dos seus esteios, a vermelho e a negro, com mais de 5 000 anos, é considerado uma jóia valiosíssima da pintura rupestre europeia.
Da Idade dos Metais, abundam vestígios de castros e fortificações defensivas, como o Murado da Várzea.
Contemporâneas da época castreja, podemos encontrar gravuras e insculturas rupestres. São sinais gravados em lajes graníticas, das quais se destacam a Pedra das Ferraduras Pintadas, que as gentes locais interpretaram como sendo os “pés de todos os animais que havia em outro tempo” (laje onde as “mouras traziam o ouro ao sol”); a Pedra dos Cantinhos, onde, segundo o povo, estão representados moinhos de vento e alfaias agrícolas, como pás, enxadas e gadanhas; e o Rasto dos Mouros, onde se podem observar pegadas humanas e algumas covinhas ou fossetes, que segundo a crença popular, são vestígios deixados pelo “cacete de ferro” dos Mouros.
Desta época, podemos também encontrar, escavadas na rocha, sepulturas rupestres escavadas na rocha.
Roma também deixou, no concelho, marcas da sua presença. Destacam-se os troços bem preservados de calçada romana, que integravam o trajecto da estrada que ligava Viseu a Águeda; e os marcos miliários (expostos no Museu Municipal) que se erguiam ao longo dessa via.
Na via romana, também conhecida por estrada “velha” ou do “peixe”, durante séculos cruzaram-se almocreves, que forneciam de peixe as gentes da serra, e peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, que na Albergaria de Reigoso encontravam o acolhimento de uma refeição, o calor do fogo, a frescura da água e o conforto de uma cama.
Excelentes obras de engenharia encontram-se ao longo do percurso de outros dois eixos viários estruturantes do concelho: a Estrada Nacional 16, sucessora da Estrada Real, com o seu traçado sinuoso, em ziguezague constante, e a Linha-de-comboio do Vale do Vouga, desactivada na década de 80 do século XX.
Também o património arquitectónico é rico, encontrando-se disseminados por todo o concelho, notáveis edifícios. Solares e casas apalaçadas, casas do Brasileiro e de casas de matriz rural beirã, reflectem influências diversificadas que marcaram diferentes épocas.
Espalhados pelo concelho, no interior das povoações, em lugares isolados, ao longo de caminhos, em propriedades particulares, encontram-se diversos edifícios e monumentos de cariz religioso, como igrejas, capelas, cruzeiros, estelas funerárias e alminhas.
De todos os edifícios religiosos, reveste-se de especial importância a Igreja de Souto de Lafões, pelos vestígios românicos do exterior e pela riqueza artística da talha dourada, das pinturas e dos frescos medievais.
Reflexo da religiosidade das populações locais, às festas religiosas e romarias, acorrem muitos fiéis em busca de ajuda divina. A devoção à Senhora Dolorosa ultrapassou as fronteiras da freguesia de Ribeiradio e a sua romaria é das mais concorridas da região.

 

 

 

 

 

 

 

Penalva do Castelo - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Primitivamente Castendo, passou a designar-se Penalva do Castelo por decreto de 4 de Agosto de 1957. Tomada aos mouros por Fernando Magno, em 1058, aqui se estabeleceu mais tarde a Ordem do Sepulcro. A mais antiga referência às “Terras de Penalva” aparece na crónica dos godos de 1056, e mais tarde no foral de Azurara de 1102. D. Sancho l concedeu-lhe foral, confirmado por D. Manuel l em 1514. O seu ex-libris é a Casa da Ínsua, palácio de grande beleza, monumentalidade e opulência, construído na 2ª metade do século XVlll para residência de senhores, que têm como símbolo a flor-de-lis, presente por toda a parte. Os seus jardins são dos mais belos do País.

Origem do nome:

«Américo Costa em Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular (1943)»:”Acerca da etimologia do nome de Penalva do Castelo pretendem certos historiadores que ele deriva de um antiquíssimo castelo romano que se erguia sobre umas penhas que se encontram na povoação. Outros, segundo menciona o tenente-coronel Duarte Veiga no seu opúsculo “Castelos e Monumentos Militares da Beira” opinam que o castelo se encontrava na chamada serra de Peramuca, numa grande povoação romana que ali teria existido”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: "É outra expressão toponímica céltico-latina, que quer dizer (Penalva) ou seja, pedra branca”.

 

Penalva do Castelo
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Segundo alguns estudiosos, os restos da antiga vila misturam-se com as ruínas (na Quinta do Mosteiro, em Trancozelos) do templo da ordem monástica do Santo Sepulcro, talvez o primeiro da Península, sob protecção de D. Afonso Henriques e da sua mãe. Assim ficou conhecida por Vila do Santo Sepulcro.
Há, igualmente, vestígios que comprovam os povoamentos Celta e Romano. A antiga sede concelhia localizava-se em Castelo de Penalva, documentada já em 1058. Castendo recebeu carta de foral de D. Sancho II, em 1240, e D. Manuel I outorgou-lhe novo foral, em 10 de Fevereiro de 1514.
O nome teve origem na existência de antiquíssima fortaleza (na margem direita do rio Alva), de que não existem vestígios. A mais antiga referência, que se conhece, a Penalva ( Pena Alva), diz respeito à tomada do castelo aos mouros pelo rei de Leão e Castela, Fernando o Magno, em 1058, depois das conquistas de Lamego e Viseu.
O primitivo núcleo da vila ter-se-á situado nas margens do rio Om, actual Dão, entre este e o rio Côja. Primitivamente, Castendo passou a designar-se pelo nome actual por decreto de 4 de Agosto de 1957. Ainda hoje, porém, é costume algumas pessoas, sobretudo as mais idosas, referirem-se à Vila pelo topónimo antigo, como exemplifica a expressão: vou à feira a ... Castendo.

Ao visitar-se o concelho, deparamos com quadros paisagísticos de grande beleza entre os vales dos rios e as encostas das serras. As deslumbrantes paisagens com os vales recortados por rios e rodeados por majestosos montes graníticos são um regalo para os sentidos.  Nos montes, com suas manchas de pinheiro bravo, abundam perdizes, lebres, coelhos e javalis, proporcionando excelentes caçadas.  
Para recolha dos gados, encontram-se nos montes as chamadas cabanas, cortes ou cibanas, onde também são guardadas as alfaias agrícolas e se abrigam os agricultores em tempo de chuva.  
 Do mesmo modo, nos quatro rios que atravessam o concelho (Dão, Carapito, Ludares e Côja), há em quantidade barbos, bogas e bordalos.
Trata-se de um concelho essencialmente agrícola. Fruto de um clima muito próprio, as terras de Penalva produzem um soberbo vinho de elevadíssima qualidade bem como a tão apreciada maçã Bravo de Esmolfe e o conhecidíssimo queijo da serra.

  

 

 

 


 

Penedono - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

É mencionada num documento de doação feita no século X, por D. Flâmula, ao Mosteiro de Guimarães. No século Xl Fernando Magno, de Leão, apoderou-se do castelo e povoou a região, concedendo-lhe foral, confirmado em 1195 por D. Sancho l e, em 1217, por D. Afonso ll. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512. A gente de Penedono sente orgulho em identificar a figura de Álvaro Gonçalves Coutinho, galhardo fidalgo da terra, com a do “Magriço”, o mais aventuroso dos Doze de Inglaterra, que a este país se deslocou para desagravar a honra de damas ofendidas.

Origem do nome:

«Rocha Martins, do Arquivo Nacional (1936)»:”Há várias versões sobre a origem do nome Penedono. Dizem uns que vem de Pena do Dono, isto é, Penha do Senhor; segundo outros, é a contracção de Peña Donosa ou Penha Donairosa, alegre, etc.

Seja qual for a origem, o certo é que esta origem beirã tem a esmaltá-la os feitos de Álvaro Gonçalves Coutinho e seus antecessores, celebrados nos romances de cavalaria e na obra do genial Camões “Os Lusíadas”, a bíblia de Portugal”.

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»:”Não goza esta vila de abundantes tradições históricas, bem como o seu alfoz, não obstante a sua feição de indiscutível nobreza. A sua nomeada principal provém do seu castelo e de se presumir pátria do célebre “Magriço”. Situa-se a pequena e vetusta vila do alto da serra do Serigo, expondo a vista das suas torres a uma extensão de muitas léguas. O primeiro lugar ocupado por estas terras na história, é-lhe marcado pelo próprio nome da serra – Serigo, que parece genuinamente o nome pessoal Sigerigo (Sigericus, ainda usado no século X e significando à letra “o rei da vitória”, pois que este topónimo é germânico). Em 960 a opulenta dona portugalense D. Flâmula (ou Chama) Rodrigues, numa doação ao mosteiro vimiaranense, fundado por sua tia materna, a condessa Mumadona, dispõe sobre muitos castelos desta região: “ordinamos nostros castellos … cum alias penellas et populaturas que sunt in ipsa Stremadura omnia vindere et pró remédio anime captivos et peregrinos et monasteria distribuere in ipsa terra” (Dip. Et Ch, nº 81). Entre seus ditos “castelos”, menciona aquela dama os de “Pena de Dono” e “Alcobria”, com seus vizinhos.

Não há dúvida tratar-se do actual, de Penedono, cujo étimo é o exposto:”pena” ou castelo roqueiro de um Dommo ou Dono, nome usado no século X ainda (a não ser que o segundo elemento seja o apelativo domum “dono” senhor – vindo, portanto, a tratar-se de um chamadouro, “castelo do senhor”, da terra, sem nome particular)”

 

Penedono
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Penedono, outrora Pena do Dono, é sede do Concelho homónimo, situado a nordeste do Distrito de Viseu e praticamente equidistante das cidades da Guarda, Lamego e da sua Capital Administrativa, à qual se encontra ligada, desde sempre, por fortes laços económicos, académicos, culturais e afectivos.
Celebrada como uma das mais belas vilas de Portugal, assim como o seu airoso e esbelto castelo pentagonal (ou hexagonal imperfeito?), erigido em data bem anterior ao dealbar da Nacionalidade, o é entre os seus pares, mantem inalterado o perfil medievo do seu centro histórico, já que as obras de restauro e edificações ulteriores, incluindo as mais recentes, têm, como ponto de honra, respeitar escrupulosamente o traço arquitectónico e o material granítico da região, nele se integrando de forma coerente e harmoniosa.
Para além do seu altivo pelourinho de gaiola, fronteiro ao Castelo, com a qual delineia uma perspectiva estética de rara elegância, Penedono exibe, ainda, um património de atractivos múltiplos, consignado nas suas seculares igrejas e capelas, recheadas de arte sacra nas suas expressões plásticas e de paramentaria, a que se junta o austero e majestoso Solar dos Freixos, há poucos anos recuperado para acolher, condigna e funcionalmente, os Paços do Concelho e outros serviços da administração pública central e local.
Rezam a tradição e as crónicas que, aqui, teve berço Álvaro Gonçalves Coutinho, o insigne "Magriço", passado à imortalidade por Camões no canto VI dos "Lusíadas", quando o vate descreve e enaltece, ao ritmo épico dos decassílabos, o seu protagonismo exemplar de valentia e cavalheirismo na façanha, ímpar, cometida à frente dos denominados "Doze de Inglaterra", em chãos estranhos e longínquos da loira Albion.
E os seus feitos, misto de galanteria e bravura, reconhecidos e aclamados até pela nata da nobreza europeia coeva, tiveram continuidade na Flandres e reconfirmação no país natal, realçando mais e mais o vinco da sua personalidade, que saltou da História para a lenda e desta para o mito.
Sobre a presença do Homem nestas paragens, pedregosas e frias, desde os primórdios da nossa Civilização, mais e melhor que os muito ulteriores forais, que sucessivos reis ourtorgaram ou confirmaram a Penela, Penedono e Souto, falam as pegadas da sua errância ou os vestígios da sua permanência ou passamento, as penedias, a escrita do cinzel, a toponímia, o artesanato e sobretudo o carácter miscegenado, mas inteiro, do seus naturais, com os quais o visitante não pode esquivar-se ao diálogo e, descodificando o contributo de toda esta gama de interlocutores, enriquecer a sua base de conhecimento, questionar e procurar respostas sobre a genuína cultura da nossa ascendência primeva.
Aqui se fixou o "Homo sapiens" do megalítico, como o atestam o dólmen sobre o qual a Cristandade, muitos milénios depois, fez erigir a Capela da Senhora do Monte, hoje em ruínas, e os demais espécimes similares entretanto identificados e agrupados na estação arqueológica do mesmo nome, iniciada no termo de Penela, mas alargando-se, já, até ao de Castaínço, e as diversas antas da paróquia que, nas encostas da Serra do Sirigo, delas herdou o nome baptismal.
Ao partir à descoberta do Concelho, muito provavelmente não virá a deparar com ânforas de barro cheias de moedas reluzentes, mas tesouros outros o esperam e não o desapontarão em qualquer ponto da sua área que, de dimensões reduzidas embora, é altamente diversificada, a começar pela geomorfologia.
Sendo fundamentalmente granítico, Penedono detém uma zona xistosa e ainda outra constituída por terras de aluvião, bordejando as linhas de água, o que condiciona e explica a heterogeneidade da sua vegetação e a fauna que povoam as suas leiras, olgas, courelas, poisados e os próprios baldios.
Encontrará, assim, espécies vegetais que vão da batata ao castanheiro, do centeio às oliveiras e amendoeiras, da videira às pomóideas, do carvalho ao pinheiro e à nogueira, da cerdeira aos tão apreciados míscaros, sejam eles "pachancas" ou "gasalhos".
Penedono é realmente um concelho-mosaico ou, talvez melhor, um espaço-síntese. Posiciona-se onde "a Beira acaba e o Douro começa". As aquilianas Terras-do-Demo, a seguir a uma piscadela de olho a Luiz de Veiga Leitão e outra a José Augusto Seabra, espreitam, além Douro, como que embaladas ao som de acordes arrancados ao piano por Sequeira Costa, os domínios de Torga, Araújo Correia, Junqueiro e Trindade Coelho.
Aqui vem cear e pernoitar o frio que, partido da Estrela, almoçou e jantou pelo caminho. As estradas, nacionais ou municipais, conduzem aos quatro ventos do País e do Continente.
A terra fria confraterniza com um micro-clima de solos quentes. A neve e o sincelo, de Inverno, revezam-se, chegada a hora, com a canícula, tantas vezes, de "inferno". E as domesticadas vacas, cabras e ovelhas apascentam-se quase ao lado do coelho, da lebre, da perdiz e até do "reco-bravo", da raposa, do texugo, ou do lobo.
Percorra calma e atentamente o seu território, que o tempo despendido trar-lhe-á sempre mais-valia. Aqui detê-lo-à uma igreja ou uma capelinha, talvez com ex-votos expostos, adiante um pelourinho, um cruzeiro ou umas alminhas, uma torre de relógio, mós guardando as portas de azenhas desactivadas, quiçá uma inscrição rupestre, um castro ou um menir, um esquecido brasão, estações de passos e água cantarolando nos côrregos e nas bicas das fontes ou, então, reflectindo o voo de um bando de pássaros numa barragem de rega, ou num açude destinado à captação de água potável.
Sorva, em êxtase, este ar despoluído, relaxe os sentidos no silêncio do vazio e na profundeza dos horizontes que se estendem por léguas e léguas ao redor dos miradouros, convencionais ou de ocasião, desfrute as paisagens únicas que guardará para todo o sempre, mire bem as pedras, decifre-lhes a linhagem dos liquenes, afague-lhes os musgos, perscrute-lhes os seus muitos segredos.
Terras na maioria de minifúndio, sem apreciável aptidão agrícola, subsolo de expectativas ciclicamente adiadas (a própria exploração do volfrâmio, nos idos da II Guerra Mundial, e quase toda a céu aberto, não passou de um "fogo–fátuo" na animação económica do Concelho), indústria só agora a dar os primeiros passos, determinaram, com o rigor climático, as drenagens migratórias com um início porventura tão velho como a conquista dos novos mundos pelas caravelas pátrias, e consumadas, não raras vezes, após incursões exploratórias nas rogas para os trabalhos agrícolas, em terras durienses, ligadas aos ciclos do vinho, do azeite e até do pão, quando, não mesmo, dirigidas a Sul, à beira-Tejo.
E em todas as freguesias, da Póvoa à Beselga, do Ourozinho a Castainço, das Antas à Granja ou Souto, de Penedono a Penela, em especial aqui, analise os sinais exteriores desse êxodo de curta ou longa data.
Vistosas moradias de estilos datados, algumas já do século passado, alinhadas com outras de figurino rústico tradicional ou contemporâneo, vêem-se, em regra, por toda a parte, identificando até os destinos e o corte temporal da emigração:
do Brasil à Africa, da França ao Reino Unido, da Suíça à Alemanha e Luxemburgo, de Lisboa ao Porto.
Uma constante, porém. As vias desimpedidas, sempre, para a visita curta de férias ou o regresso definitivo às raízes, decidida mediante o voto conjunto da segunda geração e mesmo da terceira.
Apesar desta sangria laboral, Penedono não pára no tempo. A agricultura do centeio, do milho e da batata sofre a metamorfose que leva ao pomar bem estruturado e dimensionado e à florestação, e o pinheiro, até há pouco dominante, cansado dos maus tratos dos incêndios, dá lugar a vastas manchas de árvores mais pirorresistentes, em especial o castanheiro, cujos frutos reivindicam, em terras lusas, o primado da excelência. E da videira ajustam-se castas e métodos de cultivo, ficando, a jusante, a vinificação e comercialização entregues à Cooperativa da região demarcada.
A indústria aguarda a sua implantação decisiva para a conquista de pequenos nichos, ou da fatia de sobrevivência e crescimento no competitivo mercado mundial, tão exigente nos padrões de qualidade e adequação à procura como nas técnicas de penetração, mas sempre bem-vindas, desde que benigno o impacte da sua laboração no ambiente local e global.
Com todas as freguesias dotadas de saneamento básico, electrificação e fornecimento domiciliário de água, recolha diária de lixo, vias de comunicação em melhoria permanente, ensino infantil e básico, com continuação até ao terceiro ciclo em nóveis e modelares instalações na sede do Concelho – onde se situam também o Centro de Saúde, Casa do Povo, Biblioteca, Museu e Mercado Municipais, Pavilhão Desportivo Polivalente, um Centro de Dia e Lar da Terceira Idade a juntar aos de Penela – Penedono prepara-se, a ritmo acelerado, para vencer o desafio do futuro europeu, sem descuidar a preservação e valorização do seu rico património arqueológico, histórico, social, paisagístico, etnográfico, folclórico e gastronómico. Numa palavra, a sua identidade.
O Cine –forum, aberto ao público praticamente em cima do primeiro centenário do advento do cinema, será o palco privilegiado para a demonstração dos valores culturais que personalizam o Município (e de que o Rancho Folclórico de Penedono e o Grupo de Cantares "O Sincelo" são os seus lídimos representantes), e, franqueado ao mundo, o traço-de-união entre o passado ilustre e a justificada esperança no porvir.
Em suma, o curriculum e a modernidade do Concelho de Penedono de mãos dadas para o bem–estar e prosperidade da sua população, esta, de braços bem abertos para receber, de forma hospitaleira e cordial, todos aqueles que vierem por bem.
Texto de Rui Ferreira Bastos

 

Penedono
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São antiquíssimas as terras de Penedono. Por todos os lados se depara com testemunhos de uma remota ocupação humana, cujos primórdios se perdem na névoa espessa dos tempos.
Da cultura dolménica chegaram até nós ecos significativos. Por exemplo, o topónimo ANTAS, de uma das freguesias do concelho, tem a sua origem, precisamente, naqueles monumentos pétreos, de finalidade religioso-funerária, que os homens do Neolítico, com esforço sobre-humano, levantaram há milhares de anos por estes confins da Beira. Nos visos dos montes, implantaram-se os castros; e os Romanos rasgaram os seus caminhos através destas serranias ásperas, onde vieram encontrar o ouro e a prata, metais preciosos, sempre apetecidos.
Por aqui erraram, pilhando haveres e aniquilando vidas, hordas de povos bárbaros, alanos, vândalos, suevos e godos, oriundas do leste europeu. E dois séculos após, outros povos invasores, vindos do Norte de África – os Muçulmanos – aqui viriam fixar-se por longo tempo, até serem definitivamente expulsos, na 2.ª metade do século XI, por Fernando Magno, rei de Leão.
Data de 960 o primeiro documento conhecido, onde o nome de Penedono é referido na forma Pena de Dono, o que quer dizer, segundo a opinião mais comummente aceite, Penha ou Castelo de Dono, sendo Dono um nome pessoal, vulgar no século X. Tal documento é uma carta, pela qual uma riquíssima dona, a "deovota" Flâmula (ou Chama), encontrando-se doente e temendo o dia da sua morte, lega a sua tia Mumadona, fundadora do mosteiro de S. Salvador de Guimarães, inúmeras propriedades, castelos e povoações, aquém e além-Douro, incluindo salinas em Aveiro, para que tudo fosse vendido, revertendo o produto da venda em benefício dos cativos, peregrinos e mosteiros. Entre os castelos legados, figuravam os de Trancoso, Moreira, Longroiva, Numão, Vacinata, Almendra, Pena de Dono, Alcobia (será Alcarva?...), Sernancelhe e Caria, e bem assim outras "penellas et populaturas".
Nos finais do século XII, pertencia a villa de penna de dono à coroa dos reis de Portugal. Com o intuito de incrementar o seu repovoamento, outorgou-lhe D. Sancho I, juntamente com seus filhos, no ano de 1195, carta de foral, pela qual são concedidos aos moradores, especialmente aos cavaleiros vilãos, muitos privilégios.
Em Outubro de 1217, foi foral confirmado por D. Afonso II, filho e sucessor de D. Sancho I, juntamente com a sua mulher, a rainha D. Dulce, e seus filhos, os infantes D. Sancho, D. Afonso e Dona Leonor. "A importância de tal confirmação – sublinha Mário Guedes Real – ressalta do número e qualidade das pessoas que nela intervieram como confirmantes, nada menos do que oito bispos: Estêvão, arcebispo de Braga; Martinho, bispo do Porto; Pedro, bispo de Coimbra; Soeiro, bispo de Lisboa; Soeiro, bispo de Évora; Pelágio, bispo de Lamego; Bartolomeu, bispo de Viseu; Martinho, bispo da Guarda; e ainda Martinho João, alferes-mor do Rei; Pedro João, mordomo da Cúria; e mais doze Senhores da Corte, sendo sete como confirmantes e cinco testemunhas".
O último foral de Pena de Dono data do tempo de El- Rei D. Manuel I, o Venturoso. Trata-se do "foral novo", subscrito por Fernão de Pina, a 27 de Novembro de 1512. As rendas e os direitos anuais, devidos à Coroa, fixados em 2970 réis, deviam ser pagos pelos moradores e concelho ao alcaide do castelo da vila. Do gado miúdo (ovino e caprino) que sem licença entrasse nos montados, levaria o concelho 1 real por cabeça; e do gado vacum, 10 reais.
Seguem-se os capítulos de Armas, Sentenças e Gado do Vento, referentes, o primeiro, à pena de arma; o segundo, à execução das sentenças; e o terceiro ao gado do vento, isto é, o gado encontrado a vaguear pelos montes, sem dono conhecido. Entre os direitos particulares, são mencionados a portagem e o forno de cozer pão.
Do Cadastro da População do Reino, elaborado em 1527 por ordem de D. João III, consta que na vila de Penedono e seu termo havia então 486 moradores ou fogos, o que equivalia a cerca de 1500 habitantes. O lugar mais populoso era o das Antas, com 130 moradores, seguindo-se Castaínço com 85, a Beselga com 82 e a Prova com 78. Em penúltimo vinha a Vila com 73 e, por fim, Alcarva com 48. Só as Antas, por conseguinte, contavam quase um terço do total da população do concelho.
Em 1708, segundo refere o Pe. Carvalho da Costa, pertencia Penedono à comarca de Pinhel. Contava a vila 350 vizinhos (portanto, cinco vezes mais que em 1527), repartidos por duas paróquias, de S. Salvador e de S. Pedro, abadias do padroado real. Tinha Casa da Misericórdia, Hospital e cinco ermidas e sete freguesias no termo, a saber, Granja, Castainço, Alcarva, Prova, Antas, Beselga e Ourozinho. Pedro Álvares Cabral de Lacerda e Valadares, descendente de D. Fernando Afonso Correia, senhor de Farelães e Valadares, era o alcaide-mor do castelo.
Na 2.ª metade do mesmo século, quando D. Joaquim de Azevedo, abade de Cedavim, compunha a sua História Eclesiástica da cidade e Bispado de Lamego, já Penedono, ao deixar de fazer parte da comarca de Pinhel, passara para a de Trancoso.
Por decreto de 23 de Dezembro de 1873, foi suprimido o julgado de Penedono, apenas ficando a existir o concelho. Este, por seu turno, seria extinto em 1895, por decreto de 7 de Setembro, mas de novo restaurado em 1898, por decreto de 13 de Janeiro, com todas as freguesias que o constituíam antes da extinção.
Em 1321, reinando D. Dinis, existiam em Penedono três igrejas paroquiais, das invocações de S. Pedro, S. Salvador e Santa Maria Madalena, cujas rendas foram calculadas, respectivamente, em 50, 40 e 100 libras cada uma. No decorrer do tempo, extinguiu-se a paróquia de Santa Maria Madalena, repartindo-se os fregueses pelas de S. Pedro e S. Salvador. Hoje já só existe a de S. Pedro.
Texto de Alexandre Alves

 

 

 

Resende - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado (1900)”:” O nome deste concelho provém de D. Rosendo, primeiro senhor cristão que o povoou. Este fidalgo era filho de D. Hermígio Godines e de D. Dordia Ozores. Por seu avô D. Ramiro ll, rei de Leão era de raça real, mas pela avó, que era a Formosíssima Zaira e provinha de sangue árabe”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Para explicar a proveniência do nome, escreveu-se em tempos que Rezende (em vez de Resende) provém de D. Rozendo, primeiro senhor cristão que povoou o concelho; que este fidalgo era filho de D. Ermígio ou Hermígio Godines e de D. Dordia Ozores, que por seu avô, D. Ramiro ll, rei de Leão, era de raça real, mas pela avó, que era a Formosíssima Zaira, provinha de sangue árabe. Ora, o nome de Resende foi devidamente estudado por vários autores (Carolina Michaelis, Leite de Vasconcelos, J. Piel, etc). Tratar-se primitivamente dum genitivo possessivo, de origem gótica, Redisindi, de Redisindus, de Reds, concelho, e Sinths, caminho, expedição, etc., revelam bem que se deve ser aberto o “e” da primeira sílaba (Rèsende)”.

 

Resende
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Resende estende-se na margem Sul do Douro entre os concelhos de Cinfães e Lamego numa extensão de cerca de 17 km. Divide uma área total de 122,7 km2 por 15 freguesias: Anreade, Cárquere, Feirão, Felgueiras, Freigil, Miomães, Ovadas, Panchorra, Paus, Resende, S. Cipriano, S. Romão, S. João de Fontoura, S. Martinho de Mouros e Barrô, que marca o início da Região Demarcada do Douro.
O Concelho é essencialmente rural, com uma actividade baseada no cultivo de cereais, batata e produções de azeite, vinho e cereja. A cereja, que amadurece duas a três semanas mais cedo do que no resto da Europa, é considerada o ex-libris do concelho, ocupando uma posição de destaque na economia local.
Com raízes anteriores à nacionalidade, doada a D. Egas Moniz por D. Afonso Henriques em 1130, foi durante a Idade Média uma das Honras mais respeitadas do reino.
Uma população que continua a viver do que a terra oferece, num cenário que preserva a ruralidade, mas que acompanhou a história e guardou dela memórias grandiosos.
 O concelho de Resende, compreendido entre 40º 59' 8'' de latitude Norte, cota 1120 m nas margens do ribeiro da Gralheira, afluente da margem direita do Cabrum, 41º8'55'' cota no rio Douro em S. Gonçalo da Ribeira, Freguesia de Barrô, e entre 1º 17' 8'' cota 960m no ribeiro Cabril, serra das Meadas (Mesquitela), longitude Oriental de Lisboa.
Toda a fronteira Norte do concelho é banhada pelo rio Douro, desde S. Gonçalo da Ribeira (Barrô), até à confluência do Cabrum, na extensão aproximada de 17 quilómetros. O concelho administrativamente pertence ao Distrito de Viseu. A sua superfície é classificada entre os de menor extensão territorial, apenas 120,60 Km2.
O seu território é essencialmente Montemurano, porque se encontra totalmente localizado na serra de Montemuro na sua vertente setentrional, na secção de Leste (com excepção de Feirão) e vai desde o Cabrum, a Oeste, até á linha de Cumeeiras da serra das Meadas, última ramificação de Montemuro em relação ao Norte.
A serra de Montemuro é limitada ao norte pelo rio Douro, no Sul e Oeste pelo rio Paiva e a Leste por uma linha que se desdobra desde Castro Daire em direcção a Lamego e á Régua.
Esta análise sumária permite-nos concluir que a região, agora em estudo, corresponde a uma área de relevo acidentado e de formas contrastadas.
A natureza litológica dos conjuntos montanhosos a Sul e a Leste as serras do Mouro e do Poio – ligada certamente a acidentes de origem tectónica, explica, em parte, a existência de vertentes bastante declivosas e vales encaixados.
De uma maneira geral, pode referir-se que as altitudes diminuem de SSE para NNW, havendo poucas superfícies planas, visto que, além dos topos dos relevos principais, só nos aparecem alguns interflúvios de topos ligeiramente aplanados.
Os vales são normalmente estreitos, à excepção de certas áreas aplanadas nas margens do rio Douro e de duas pequenas áreas ligeiramente inclinadas no ribeiro de S. Martinho de Mouros.
As vertentes são rectilíneas na sua maior parte, podendo por vezes apresentar certos sectores côncavos ou convexos que lhes dão um aspecto mais complexo. O horizonte visual do concelho é vasto, abrangendo Baião e Mesão Frio, bem como parte da serra do Marão.
O megalitismo é um fenómeno cultural que é representado, materialmente, pela utilização de grandes pedras, em granito ou xisto, quase sempre em bruto ou sumariamente afeiçoadas, com as quais se construíram, em recuadas épocas pré-históricas, determinado tipo de monumentos, tais como menires, cromeleques, alinhamentos, cistas e antas (ou dólmenes).
Espalhando-se preferencialmente pela fachada atlântica europeia, as construções megalíticas, nomeadamente as antas ou dólmenes, evoluíram, arquitectonicamente, a partir do Neolítico Médio, isto é, sensivelmente do 5º. milénio antes de Cristo, até à Idade do Bronze.
Admite-se, hoje, que os dólmenes sempre estiveram recobertos por um montículo de terra e pedras, engenhosamente colocadas (ou, em alguns casos, só de terra ou só de pedras) que envolvia o túmulo megalítico, destacando-o quase sempre, na paisagem.
Porque estas pequenas colinas artificais apresentam, geralmente, a configuração de uma calote esférica, o povo passou a chamar-lhes mamoas, embora outros termos como “madorras”, etc., sejam também vulgares. A principal função destas era a de servir de túmulos para enterramentos colectivos.
Em 1991, aquando do desaterro para construção de habitação surgiu grande número de fragmentos cerâmicos e grandes lajes, o que motivou a paragem dos trabalhos para averiguação e consequente processo de uma intervenção arqueológica de emergência. Este conjunto de sepulturas e muros que as envolvem, localizam-se num campo agricultado.
Trata-se de uma necrópole de cronologia ampla, composta por três sepulturas. Duas, tendo em conta a sua tipologia, são apontadas como sendo tardo-romanas. São de inumação e em caixão. Cronologia - séc.V d.C.
A terceira, da qual resta apenas a parede da cabeceira, pela sua estrutura, é posterior às duas supra citadas, datando do séc. VIII.
Desde os finais do século passado têm sido inúmeras as referências ao aparecimento, por variados motivos e em circunstâncias diversas, grande número de materiais arqueológicos, acções nunca acompanhadas de qualquer estudo ou apenas registo sumário.
Estes, segundo algumas vagas indicações, surgiram por toda a área de implantação do mosteiro de Santa Maria de Cárquere e por toda a elevação, a norte.
Do conjunto de materiais, destacam-se as muitas placas funerárias, de granito, epigrafadas, algumas com elementos decorativos, objecto de estudos, tentativas mais ou menos conseguidas de perceber cronologias de ocupação e inserção no contexto da romanização desta área.
Da ocupação deste local restam ainda secções de fustes de colunas, bases e em granito, fragmentos de mós manuais, cerâmicas comuns e outros vestígios superficiais sem quaisquer contextos.
Em 1998 deu-se início a um projecto de estudo sobre a ocupação romana de Santa Maria de Cárquere, tendo nascido a ESTACA, Estação Arqueológica de Cárquere.

 

 

 



 

Santa Comba Dão - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Povoação de origem provavelmente visigótica, deve seu nome à abadessa beneditina Columba, martirizada com outras religiosas quando de uma invasão árabe. Recebeu foral de D. Teresa e do conde D. Henrique, em 1192. D. Manuela l concedeu-lhe foral novo, em 1514. Seu nome liga-se a uma das mais discutidas figuras da história portuguesa, do século XX, António de Oliveira Salazar, aqui nascido.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Todos os autores concordam em que a designação desta vila beiroa provém do referido facto passado no ano de 9º3, em que o chefe mouro Almançor mandou martirizar uma freira, conhecida por Santa Comba e que foi uma das quatro santas do mesmo nome, martirizadas em território português (as outras três foram: Santa Comba do Alentejo, Santa Comba de Coimbra e Santa Comba de Lamas de Orelhão).

Dão, como se sabe, é um afluente do rio Mondego. Parece que o seu verdadeiro nome era simplesmente OM, mas começou a dizer-se d’Om, depois rio Don, e por fim Dão”.

Do mesmo autor e da mesma obra: “Certamente por se quis homenagear a memória da freira mártir, deu-se ao povoado o seu nome e, para caracterizar melhor, acrescentou-se-lhe como determinativo o nome do rio.

Deste modo, devia ter ficado Santa Comba do Dão, de que resultou haplologicamente Santa Comba Dão.

A vila que recebeu o seu primeiro foral dado pelo conde D. Henrique em 1102 e, renovado por D. Manuel l em 1514, tem os seus pergaminhos históricos. Em 19 de Setembro de 1810 lá se travou uma batalha entre portugueses e as tropas francesas comandadas por Massena. No século XV, Santa Comba Dão foi título de condado, concedido a D. João Galvão, que foi bispo de Coimbra de 1460 a 1481”

“Pai e Verdugo” de Lendas de Portugal, da escritora portuense Emília de Sousa Costa – Porto (edição sem data):

“Roma poderosa e imortal estende o seu domínio sobre a Ibéria.

Comba, alma sensível e ardente, flor de misterioso encanto, formosura maravilhosa e deslumbrante, virtude irrepreensível, é filha dum conde – cujo nome a lenda não fixa.

Inflamada pelos esplendores da fé cristã, na qual fora iniciada pela aia que a ocultas a fez baptizar, entrega-se ao seu credo com a firmeza do sentimento mais puro, vivo e penetrante.

A uma época de tolerância religiosa, sucedem as perseguições contra cristãos.

O pai de Comba é dos primeiros magnates ibéricos a acatar o édito imperial.

Certo guerreiro e nobre romano vê Comba e, fascinado pela sua beleza, namorado das suas graças, apaixona-se por ela. Declara ao conde a sua paixão. Este recebe a confidência, como honra insigne, com grande orgulho e infinito prazer.

Chama a filha e dá-lhe conhecimento da deliberação tomada: Casá-la com o romano. A ordem paterna admite discussões. Meigamente, Comba pede apenas que lhe seja permitido, antes, o comunicar com o guerreiro. Obtida a mercê, corajosa e decidida lealmente lhe assevera:

- Sou cristã, pela graça de Deus. Se quer casar comigo, terá de abjurar as suas crenças heréticas, não mais sacrificar aos falsos deuses.

O romano, confuso, não sabe se há-de tomar a sério, se a brincar a inesperada e ousada proposta. Afigura-se-lhe frívola infantilidade.

Procura de novo o conde, participa-lhe a imposição de Comba e estranha, por palavras ásperas, que assim se cumpram os éditos do imperador.

O conde, enfurecido, chama a filha à sua presença. Em frases curtas e impressivas, os olhos coruscantes, anuncia-lhe que o casamento se realizará na manhã seguinte.

Para mostrar fiel obediência aos éditos imperiais, dispõe ainda que em seus domínios se procure, sem demora, dar caça implacável e morte afrontosa a todos os cristãos.

Comba recolhe aos seus aposentos, e, apesar de bem vigiada, consegue fugir, acompanhada pela aia, sua catequista.

Por entre selvas e matagais, abrem caminho as fugitivas, correm velozmente, insensíveis à dor, sem medo à treva, ferindo-se, ensanguentando-se, lacerando as roupas e os corpos. Quase extenuadas, chegam próximo de Coimbra, mas não se atreveram a entrar na povoação. Desviando-me de trilhos desconhecidos, apenas rompe o dia, continuam a caminhar até um monte, onde uma pastorinha boa e carinhosa, condoída, lhes dá alimento e agasalho na sua gruta.

A aia não se demora. As instigações imperativas de Comba, parte para mais longe, andando só de noite, e conseguindo milagrosamente furtar-se aos perseguidores.

Comba a Deus entrega e confia a sua sorte. Alguns dias vive no monte, em companhia da pastorinha, a quem oculta a sua condição. Medita e reza.

Não abranda a cólera do conde pelo desaparecimento da filha. Pelo contrário, à medida que se vão manifestando infrutíferas as buscas, requinta a sua ira.

O apaixonado guerreiro romano, agora ciumento e despeitado, não só estimula a perseguição como nela toma parte activíssima.

Pletórico de rancores, com frenesis de cólera, percorre dia e noite, montes e vales, seguido dos seus homens de armas, fazendo batidas minuciosas nas serras. Ao fim de grande canseira, descobre o esconderijo de Comba.

Ressuma ódio, delira em sôfregos ímpetos de vingança bárbara, ao denunciá-la ao pai. Este abrasado em fúria parte açodado com o seu séquito e dirige-se ao local onde se encontra a filha.

Do alto duns penhascos a pastorinha vê ao longe o galopar da cavalaria sinistra. Desconfiada, ávida Comba, que imediatamente compreende o perigo ameaçador a pairar sobre a sua cabeça. Manda afastar a pastorinha e o rebanho apressadamente. O conde não se aproxima. Em voz tonitruante e sarcástica ordena:

- Lancem o fogo ao mato para fazer sair os coelhos ! Cerquem a monte !

Executaram imediatamente as suas ordens cruéis. Prodígio singular ! – o mato não arde. Arrebatado por sanha feroz, o pai carrasco não pode conter-se. Rangendo os dentes, os olhos chamejantes, acomete ele próprio contra o mato incombustível, na tentativa de incendiá-lo. Em vão.

A raiva cega-o. Não atenta em milagres. No seu peito, sobrepõem-se, a todos os naturais instintos humanos, a ira de ver-se desobedecido, o temor de desagradar a Roma.

Manda que os soldados percorram a serra e arrastem a filha até junto dele, viva ou morta. Os soldados, após afadigadas buscas, encontram Comba de joelhos, em êxtase, as mãos levantadas, um nimbo de oiro a aureolar-lhe a cabeça de finos e sobrenaturais resplendores. Não se atrevem a tocar-lhe. Pedem que os acompanha à presença de seus pai, que a espera.

Comba levanta-se e animosa segue os soldados.

O conde, a pedido do apaixonado romano, que ao ver Comba se sente prisioneiro dos seus encantos, do sacrilégio da sua formosura peregrina, de novo impõe à filha que case com o noivo por ele escolhido. Comba responde com voz doce, clara e firme, em singeleza expressiva:

- Sim, meu pai e senhor – casarei, se ele abjurar o paganismo e quiser professar a religião de Cristo que por nós morreu na Cruz.

O pai manda levantar uma cruz e ameaça-a:

- Ou casas, ou, se preferes a cruz, nela sofrerás morte vil e afrontosa.

Comba levanta ao céu os olhos meigos e lindos ao exclamar:

- Senhor, só Vós sois a minha esperança ! Dai-me forças para morrer alegremente por Vosso amor !Eu vos entrego a minha alma !

Estende os braços ao suplício. Os olhos castos e luminosos sorriem. A sua beleza transfigura-se, subtiliza-se, ascende – torna-se divina.

No local onde Santa Comba foi crucificada, levanta-se uma capelinha. Na gruta que foi seu abrigo, jorra uma fonte. Com o seu nome abençoado por Deus, se baptizou a povoação próxima”

 

Santa Comba Dão
http://www.cm-santacombadao.pt
No coração de Portugal, terra beiraltina por excelência, Santa Comba Dão tem uma história que se perde no tempo. Local de confrontos quando os romanos dominavam na península ibérica, o carácter do santacombadense transporta consigo o código genético e a vontade indomável dos lusitanos. As escarpas acidentadas desenhadas pelos rios Dão, Mondego e Criz que fazem deste concelho uma península, obrigam o Homem a uma constante luta com a Natureza. Mas é a água que molda o espírito e a montanha que transforma o corpo! Santa Comba Dão é a imagem das suas gentes: rebelde, activa, leal, determinada mas também sensível e de grande coração!
A orografia marca bem a paisagem. Os rios e as inúmeras ribeiras ligam-nos à água fonte da vida e cura de todos os males. Santa Comba Dão possui características únicas para o turismo de qualidade. Aqueles que apreciam o bem-estar, a segurança e o descanso, encontram neste concelho todas as condições para usufruir de uma qualidade de vida inigualável.
O Concelho é relativamente pequeno, 114 Km2 de área e 14.000 habitantes. No entanto, possui dos mais altos índices de densidade populacional da Região Dão – Lafões, distribuídos por 9 freguesias praticamente cobertas por todas as infraestruturas básicas. A separá-las, o rio Dão, deixando cinco na margem Norte – Nagosela, Treixedo, São Joaninho, Couto do Mosteiro e Santa Comba Dão, e quatro na margem sul – Vimieiro, Óvoa, Pinheiro de Ázere e São João de Areias. Boas acessibilidades rodoviárias, IP3, IC12, EN234 e estradas de ligação municipais com condições razoáveis, misturam-se com caminhos rurais e florestais que conduzem aos locais mais belos da albufeira da Barragem da Aguieira. O caminho-de-ferro continua também a ser meio de transporte privilegiado para aqueles que gostam do conforto dos comboios intercidades da Linha da Beira Alta que fazem escala na Estação de Santa Comba Dão. A malha de transportes completa-se com uma cobertura via Autocarro, pois Santa Comba Dão é paragem obrigatória para mais de uma centena de destinos da rede Expresso no País.
As infraestruturas de apoio são de boa qualidade, pois possui um Centro de Saúde de última geração, bem equipado e com profissionais competentes, um corpo de Bombeiros altamente treinados e equipados, heliporto com helicóptero permanente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, um quartel da GNR moderno, dotado de várias valências como sejam equipas de SEPNA, GIPS e NIC, que garantem aos cidadãos uma cobertura eficaz em termos de segurança de pessoas e bens, infraestruturas para a prática desportiva e actividades culturais em todas as freguesias, cobertura social em franca evolução, comércio e serviços para dar resposta a todas as solicitações e, acima de tudo, um povo alegre, bem disposto, amigo, que sabe e gosta de receber aqueles que visitam a sua terra. A gastronomia é tipicamente beirã, destacando-se os pratos de caça como o coelho e o javali e os pratos tradicionais como a chanfana, a lampreia e o bacalhau, os enchidos de porto, as bolas de bacalhau e carne com míscaros, a broa de milho, etc., tudo regado com o bom vinho do Dão.
Umbilicalmente ligada a 40 anos da história recente do nosso País, Santa Comba Dão ainda vive com as marcas de ter sido o berço de António de Oliveira Salazar. Passados mais de 30 anos desde que se deu a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, começam agora os santacombadenses a enfrentar com dignidade a “herança” que a História lhes legou. Em preparação está a construção de um Museu e Centro de Estudos nos terrenos e edifícios onde nasceu e viveu Oliveira Salazar, cujo objectivo é proporcionar às novas gerações e aos que viveram o Estado Novo, uma abordagem séria e pragmática e, portanto, isenta de qualquer carga ideológica, desse período da História de Portugal, aproveitando-se um manancial de documentos e bens pessoais que se encontram na posse do município.
Ligado a este projecto está em marcha a transformação da antiga Linha de Caminho de Ferro do Dão, em Ecopista, a qual proporcionará, aos cada vez mais adeptos do turismo ambiental, um passeio único pelas margens do rio Dão. A malha dos projectos âncora ao nível do turismo fica completa com a construção de um complexo hoteleiro ligado à saúde termal, junto à povoação do Granjal, que tirará partido da captação de águas sulfurosas quentes em execução, e com a aprovação do Plano de Pormenor da Senhora da Ribeira, local de uma beleza sem igual, banhado pelo rio Mondego, aqui semelhante a um lago consequência da proximidade da Barragem da Aguieira, onde se prevê a construção de dois aldeamentos turísticos e um Hotel Turístico num total de 400 camas, de um porto de recreio para 150 embarcações e de espaços públicos para lazer e fruição do espelho de água.
Santa Comba Dão está, pois, no limiar de uma grande transformação. Ciente das potencialidades que tem num sector fundamental para o País, prepara-se para alterar a matriz de uma sociedade eminentemente agrícola, com uma economia ligada ao sector primário, e apostar fortemente na indústria do futuro – O TURISMO.
É pois, a hora de investir neste sector. Há terrenos disponíveis, há vontade da autarquia, há enormes potencialidades, há mercado nacional e estrangeiro, faltam as infraestruturas de qualidade para responder a este desafio. Os santacombadenses, com o seu carácter, saberão adaptar-se aos novos tempos e estarão prontos para embarcar no comboio que os há-de levar a um futuro bem melhor! O desafio aos investidores está feito; quem aproveitar a grande oportunidade que começa a surgir estará na linha da frente de um Plano de Desenvolvimento que irá projectar não só este concelho, mas também a região.

 

Santa Comba Dão
http://www.cm-santacombadao.pt
Presume-se que a origem de Santa Comba Dão remonte ao tempo anterior à Reconquista Cristã, surgindo como primeiros documentos duas cartas de doação, datadas, respectivamente, de 974 e 975. A primeira tem como doador Oveco Garcia e a segunda Nunio Gonçalves, fazendo ambos uma vasta doação ao Mosteiro de Lorvão. Em 1102 esta instituição religiosa outorga uma carta de foro aos moradores de Santa Comba e Treixedo, procurando atrair moradores, uma vez que esta zona fora bastante devastada durante a reconquista. Vivia-se então um clima de instabilidade política administrativa, facto que deve ter estado na base da transferência das terras de Santa Comba , do Mosteiro de Lorvão para o Bispado de Coimbra. Situação que se manteve pelo menos até 1472, já que é deste ano um documento onde D. Galvão, Bispo de Coimbra, se intitula Conde de Santa Comba Dão.
Resultante da reforma Manuelina dos forais, mas não no sentido de autonomia dos municípios, aos 12 de Setembro de 1514, D. Manuel concede a Santa Comba Dão a sua carta de foral. Da mesma época são também os forais de São João de Areias, Pinheiro de Ázere, Óvoa e Couto do Mosteiro.
Em 1836 foram extintos os concelhos de Óvoa, Couto do Mosteiro e Pinheiro e integrados como freguesias no concelho de Santa Comba Dão.
Em 04 de Junho de 1837, Nagosela até então pertencente ao concelho de Tondela foi integrada na freguesia de Treixedo.
Em 1895, foi extinto o concelho de São João de Areias e incorporado como freguesia no concelho de santa Comba Dão.
Já nos nossos dias através da Lei n.º 40/84, de 31 de Dezembro, Nagosela desmembra-se da freguesia em que havia sido integrada em 1837 e dá lugar à criação de uma nova freguesia, mantendo a designação de “Freguesia de Nagosela”.

Outros Contributos Históricos
A origem de Santa Comba Dão perde-se no tempo. Diz-se que uma Abadessa Beneditina, de sua graça, Columba teria sido martirizada, numa das incursões árabes sobre a Península Ibérica. Estava-se no ano de 982 da Era Cristã e o tempo era de guerra entre Mouros e Cristãos.
Columba ficou Santa e o tempo tornou-a Santa Comba. As águas do Dão fizeram o resto.
Mas a história de Santa Comba Dão começou muitos séculos antes. Há vestígios na toponímia que nos levam a supor que desde o Paleolítico estas terras seriam habitadas. Anta, um pequeno lugar, na margem esquerda do Dão, teima em revelar-nos essa probabilidade. São depois vestígios dispersos de que vários autores nos dão notícia, ou a leitura atenta dos Documentos Medievais Portugueses que nos confirmam a existência de um chamado "Castro de Comba". Mas há vestígios de ocupação Romana dispersos por vários locais: em Patarinho, Óvoa, onde provavelmente existia uma "Villae" Romana, no Passal das Igrejas de Couto de Mosteiro ou de Treixedo onde um olhar atento nos devolve da terra restos de cerâmica Romanos.
E naturalmente que vias do Império cruzariam estas terras. Há mesmo quem defenda que Vila de Barba tenha sido um povoado fortificado pelos Visigodos, que teriam ocupado o castro aqui existente e a este lugar teriam chamado Borga. Mas certas são as notícias que temos do Século X: em 974 sabemos que Oveco Garseani faz doação do que possuía na villa de Sancta Columba ao Mosteiro do Lorvão; em 981 é o Conde de Coimbra, Gonçalo Moniz e sua mulher Mamodona que doa ao Mosteiro do Lorvão villas diversas onde é apontada a "Villa de Treixedo com o seu monasterio" e é na doação de 985 que é referido o "monasterio Sancti Georgi". É pois correcto afirmar que por estes anos do Século X, Santa Comba era bastante povoada e os seus pequenos Mosteiros marcariam a paisagem.
Nos conturbados anos da Reconquista e, pelas cartas de povoamento atribuídas quer pelo Mosteiro do Lorvão, quer pelo Bispo de Coimbra aos habitantes de Santa Comba e Treixedo, sabemos que toda esta região foi fortemente devastada. Correm os anos e também os desentendimentos entre o Mosteiro do Lorvão e o "tenente da terra" de Besteiros, ali ao lado, a propósito da posse de Santa Comba. Mas é certo que o Prior do Lorvão diz ter povoado, reedificado e restaurado o castro de Santa Comba "com o consenso dos mandantes pátrios". Era o Conde D. Henrique, Senhor de Portugal.
Entre a Sé de Coimbra e o Lorvão passam depois as desinteligências sobre os bens que aqui, uns e outros possuíam. D. Afonso Henriques confirma as doações de seus pais e atribui cartas de confirmação de couto a Santa Comba, S. João de Areias e Treixedo.

 

 

 

 

São João da Pesqueira - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Embora a vila antiga e moderna da Pesqueira se situe a uns três quilómetros do Douro, onde se precipita um apertado e declivoso vale, o topónimo respectivo deriva da existência de algum importante local de pesca com todos os seus requisitos e denominados “pesqueira” (de um latim piscaria ?); e a sua aplicação é anterior à fundação da Nacionalidade – e, decerto, mesmo de séculos anterior a ela”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Sobre São João da Pesqueira, o último vocábulo foi por certo aproveitado do mesmo nome comum, pesqueira, tirado dum baixo latim, piscaria. Provável é que a localização do antigo povoado, sobre a margem esquerda do rio Douro, e o possível estabelecimento de armações de pesca possam explicar a adopção do mesmo determinativo final do topónimo”.

 

São João da Pesqueira
http://www.esprodouro.com

O concelho de São João da Pesqueira está situado no coração do Douro, sendo limitado a norte, pelo rio Douro, a leste, por Vila Nova de Foz Côa, a ocidente, por Tabuaço, a sudeste, por Penedono e, a sudoeste, por Sernancelhe.
Este município ocupa uma área de cerca de 266 Km2, distribuída por catorze freguesias: Castanheiro do Sul, Ervedosa do Douro, Espinhosa, Nagozelo do Douro, Paredes da Beira, Pereiro, Riodades, São João da Pesqueira, Soutelo do Douro, Trevões, Vale de Figueira, Valongo dos Azeites, Várzea de Trevões e Vilarouco.
O concelho de São João da Pesqueira é dos maiores e dos melhores produtores de vinho fino, uma das mais importantes fontes de receita e sobrevivência da lavoura duriense.
Terra de raízes antigas, o apelido de Pesqueira no XII, vem-lhe da abundância em peixes no cachão da Valeira, local aqui próximo. Apesar do Douro não lhe ser mais do que limite, é este o gerador das suas maiores riquezas  
O povoamento deste território remonta a tempos longínquos, tal como se pode verificar nos consideráveis vestígios arqueológicos.
No período da alta Idade Média, a vila era acastelada, devendo-se um dos primeiros repovoamentos a Afonso III de Leão. Esta teve o seu foral em 1110, concedido por D. Afonso Henriques, ainda infante.  Contudo, segundo Viterbo, já D. Fernando Magno, bisavô do nosso primeiro rei, lhe havia concedido tal prerrogativa no ano de 1055.
            Pela sua localização geográfica e pela sua história, o concelho de São João da Pesqueira é detentor de um vasto, diversificado e rico património natural, arqueológico e arquitectónico, que fará as delícias dos turistas mais atentos, aconselhando-se uma visita demorada a cada uma das simpáticas e acolhedores catorze freguesias.

 

São João da Pesqueira
http://riodades.no.sapo.pt/historia.htm
Seguramente, é das vilas mais antigas do reino de Portugal....e dos Algarves.
E tem vaidade nisso, tem sim, senhores! Pergunte-se a um pesqueirense da rua e logo dirá que o rei que o rei de Leão e Castela (Fernando Magno), depois de conquistar o castelo de S. João aos mouros, deu-lhe foral antes do bisneto (Afonso Henriques) nascer e fundar Portugal.
Famílias fidalgas, da mais antiga nobreza, tiveram em São João da Pesqueira origem ou estirpe, outras adoptaram a terra pesqueirense para erguer nas suas "terras", honras e solares brasonados. Pergaminhos da nobreza ficaram, ainda assim, documentados nas fachadas fidalgas de solares e residências senhoriais. Que cidade cosmopolita não gostaria de ter, por exemplo, a Casa do Cabo? A vila tem mais referências e memórias que não lhe pertencem exclusivamente, parcelas importantes do nosso colectivo ou da nossa própria história.
Sigam o roteiro para não se perderem no mar das vinhas que a Pesqueira é coração (e altar) do vinho fino, versus, Vinho do Porto.
"Vinho do Porto" uma ova que o Porto tem ruas, avenidas, bairros e vielas. Ah...tem também o rio!
A vila é ponto de chegada (e partida) para uma série de visitas que terão o rio Douro (ciclóptico e grandioso) como denominador comum.
Fascinante itinerário de visitas com três escalas importantes: centro histórico onde a fachada da Misericórdia predomina, a Casa do Cabo (Solar dos Castros) e o Ermo, resumem o encontro com a sede do concelho (que por mais breve que seja) não pode saldar-se sem visita a estes locais. Se quiserem conhecer o Douro (um dia não chega) é forçoso passar aqui. A vila tem boas camas e saborosa cozinha regional, a preços normais. Marquem quatro, deixem as malas e venham conhecer o passado (e o presente) do concelho para melhor conhecerem a história do país. Paisagens pesqueirenses das mais curiosas eloquentes e sugestivas da região vinhateira.
Solene amenidade de sítios idílicos, e solitários, altares imponentes da Natureza Prodigiosa. Que sol!

MARCOS PINTO

 

 

 


 

São Pedro do Sul - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Chamou-se do Sul por ser este o nome dum dos rios (o outro é o Vouga), que banham a povoação e que dentro desta se reúnem”.

 

São Pedro do Sul
http://www.cm-spsul.pt
As referências documentais mais precisas ao território de S. Pedro do Sul datam do século XI, mas é possível encontrar, a montante daquela data, linhas de continuidade histórica que nos ajudam a compreender a actual matriz de organização do seu povoamento. Esse quadro referencial torna perceptível que o território se achava então, e já, povoado e organizado em características unidades de exploração agrária (“villas”), disseminadas pelas zonas de vale, numa malha dispersa e em estreita articulação com o rio Vouga e os seus dois principais afluentes. O rio Sul e o rio Varoso. Constituíam, então, e também já, um contraponto à expressiva polarização nas áreas de S. Pedro e Termas.
Razões diversas justificam esses pólos, mas verifica-se que os suportes de fixação estão intimamente relacionados com pontos de cruzamento e/ou apoio dos suportes de circulação, sejam as principais “vias” naturais de penetração no território como os rios Vouga, Sul, Varoso ou a própria Ribeira da Landeira, sejam as vias artificiais de traço romano estruturantes das articulações territoriais ainda durante o período medieval. Dois eixos principais asseguram essas articulações em três direcções: um primeiro, que progredia por Vouzela e Banho (Termas), articulava o litoral - centro (Águeda) com o interior (Viseu) e cruzava-se na área de S. Pedro com o segundo que, progredindo por Manhouce, constituía a articulação com o litoral – noroeste (Porto).
Nas áreas do Concelho os elementos congregadores são unidades religiosas conventuais, que pela sua proximidade e mútuo benefício ao traçado viário contribuem para a polarização do povoamento: o primeiro de evocação a S. Pedro, que o seu patrono doa á Sé Episcopal de Coimbra (entre 1092/1098) e que se implantou próximo do local onde os rios Vouga e Sul se cruzam e onde igualmente se entroncavam as vias de traço romano – o segundo da evocação a S. Cristóvão, da ordem de Cister aqui implantada no século XII, situado próximo do rio Varoso e junto do traçado da via que progredia por Manhouce, exercia o controle da grande parte das propriedades nessa zona ocidental do território pela Carta de Couto de D. Afonso Henriques (1132), que lhe aplicou os seus domínios constituídos por doações. Na área do Banho (Termas), a polarização justificar-se-á pelo aproveitamento termal da nascente sulfurosa, na continuidade da ocupação romana (o Balneum , confirmado em absoluto pelas escavações arqueológicas em curso) e que terá, certamente, reforçado o ponto onde a via romana haveria de cruzar o rio Vouga.
Mas essa continuidade de ocupação desde a permanência romana não se evidenciará apenas na área das Termas; ela ter-se-á verificado, muito provavelmente, nas já referidas “villas” agrárias que, a coberto das eminências castro-castelejas, se disseminaram pelos vales. Com efeito, alguns topónimos registados já no século XI ou, mais tarde, no século XIII permitirão inferir origens romanas e alti - medievais (Reconquista Cristã) para algumas das actuais povoações: Baiões, Ansiães (Ansilanis, “villa” de Ansila), Goja, Cotães, Segadães (Sagates), Nodar (Notarei, “villa” de Notarius), Bordonhos (Iban Ordonius), Filmir, Recemir, etc.
Este é um aspecto da continuidade histórica do povoamento do território de S. Pedro do Sul que se acha presente noutras regiões; a complementaridade entre a ocupação das zonas de vale, de encosta e de cimo dos montes é hoje um dado adquirido para o período pós- castrejo. O próprio Banho (Termas) é um sucedâneo de uma ocupação castreja – Castro do Banho (classificado) – lhe ficava próximo, na margem norte do rio Vouga (Ferreiros). Outros castros distribuíam-se pelo território, controlando áreas de extensão variável, numa característica hierarquia que se referencia muito directamente ás próprias características topográficas de cada sítio – Monte Redondo, Sul (Castelo), Cárcoda, Senhora da Guia, Gumei, Ribamá, Lafão, Senhora do Castelo, Picoto. Os mais importantes no contexto territorial são os de Lafão, Senhora da Guia e Senhora do Castelo, sendo estes últimos os de maior influência no enquadramento da área de S. Pedro pela sua estratégica localização sobre o vale do rio Vouga.
É precisamente um destes (Senhora do Castelo) que, após acastelamento, irá manter-se como centro militar e administrativo da “terra medieval de Lafões”. Também aqui se segue uma prática comum de implantação e organização dos domínios dos senhores, anterior á segunda metade do século XIII; são ruínas de antigos castros da idade do ferro que os senhores escolhem para construírem os seus castelos e, daí, se defenderem de ataques inimigos, vigiarem as estradas onde circulam homens e mercadorias e dominarem as populações que trabalham as terras (José Matoso, 1985). O da Senhora do Castelo ergue-se praticamente no centro do território de Lafões, entre S. Pedro do Sul e Vouzela, podendo exercer um controle militar e administrativo (económico e jurídico) extremamente eficaz sobre a principal via de articulação deste espaço.
Este e outros pontos defensivos, que se distribuíam pelo território, são eficientes atalaias e importantes referenciais para todas as unidades de povoamento que congregavam as diversas comunidades de vizinhos: as chamadas paróquias, cujas as sedes religiosas constituíam, já em pleno século XIII (Inquirições de 1258), praticamente a totalidade das actuais freguesias.
Por outro lado, a distribuição desses pontos defensivos por acastelamento está directamente articulada com a implantação dos domínios dos senhores e com organização das suas propriedades – as chamadas “honras”. Das Inquirições de 1258 revela uma mancha de sedes de “honra” cobrindo a zona centro - norte do território, localizadas precisamente a coberto das eminências fortificados de Senhora da Guia, Cárcoda e Castelo (Sul), distribuindo-se a maior parte delas pelas freguesias de Baiões (Baiões, Segadães e Calvos), Bordonhos (Bordonhos e Figueirosa), Carvalhais (Paços, Casal de Renda, Sá, Torre, Mourel...), Várzea (Ansiães, IDrises e Beirós), Vila Maior, Pinho ( Pinho, Sobral e Moldes) ou Sul (Amaral). Em contrapartida, nas zonas sudoeste e nordeste do território dominavam as propriedades dos mosteiros e ordens militares, com destaque para o mosteiro de S. Cristóvão de Lafões ( toda Valadares e Covelo, praticamente toda Sta Cruz da Trapa e toda S. Cristóvão de Lafões que era o couto propriamente dito), mosteiro de S. João de Pendurada (quase todas S. Martinho das Moitas e Covas do Rio) ou a Ordem do Hospital (o couto de Goja em Vila Maior).
As propriedades Régias, embora presentes nas diversas Freguesias, concentravam-se em Serrazes e S. Pedro do Sul.
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Todas essas unidades de povoamento integravam uma mesma unidade territorial e administrativa a “ Terra “ ou “ Julgado de Lafões”, sucessivamente “ Concelho de Lafões” e “Comarca de Lafões”. Sabe-se que ainda no reinado de D. Dinis todo o território se agrupava sob o designativo de Lafões, aparecendo no arrolamento do imposto geral sobre os tabeliães de todo o reino, estabelecido em 1287-9, incluindo no bispado de Viseu e com um no de tabeliães fixado em 3, entre Trancoso ( com 4, que era o nº máximo) e Viseu (com 2).
A realização de uma importante feira em Vouzela, confirmada por carta datada de 1307, em muito concorreria, é certo, para essa elevada concentração de tabeliães. Mas ela pode compreender-se melhor se tivermos em conta a extensão da unidade administrativa quando coincidente com a própria unidade territorial, justificando-se assim um nº de tabeliães superior a Viseu que era, sem dúvida, uma entidade urbana mais importante e mais concentrada.
Aquela coincidência haveria de prolongar-se por séculos e sob essa designação de Lafões D. Manuel lhe atribuiu foral novo em 1514. ainda deste mesmo século, um interessante documento confirma aquela conjuntura política e administrativa, revelando uma singular circunstância, no Cadastro da População do Reino, de 1527, Lafões é referido como um “concelho com duas vilas e ambas são cabeça”; alusão a S. Pedro e Vouzela unidas em concelho” e dentro dele jazem outros concelhos “. Aos outros, se referiam a Caldas de Lafões (século XII) e Sul (século XIII)- aqui se conserva o pelourinho – extintos ambos no século XIX: o de Sul em 1853 e o de Caldas em 1834, quando se determinou a divisão em dois concelhos apartados – S. Pedro do Sul ( que englobaria o das Caldas) e Vouzela.
Estas circunstância não impediu que a unidade territorial prevalecesse como uma realidade projectável, para a qual se poderia ( e se deveria ) conseguir melhorar as articulações regionais, explorando o elemento - base de organização de todo o território : o rio Vouga. Datam do último quartel do século XVIII os estudos iniciais para tornar navegável o rio Vouga, precisamente até S. Pedro do Sul, e estão perfeitamente integrados no contexto político e económico da época, quando se projectaram várias infra-estruturas de circulação interna e de articulação do país com o exterior. Foi em 1777 que os dois engenheiros militares Isidoro Paulo Pereira e Manuel de Sousa Ramos – quando acompanharam Guilherme Elsden nos trabalhos da barra de Aveiro – elaboraram um relatório “ sobre o poder ser navegável o rio Vouga até S. Pedro do Sul”. Em 1780, um Aviso Régio ordenava mesmo que os trabalhos visassem também “facilitar quanto possível a Navegação do Rio Vouga”, mas instruções posteriores viriam a colocar este objectivo em segundo plano relativamente á abertura da barra. 
O projecto não seria de todo abandonado; em 1829, Joaquim Baptista, médico em Lafões, reelabora um plano para a navegabilidade do rio, alicerçado em interessantes argumentos de carácter económico desenvolvidos nas suas “ Reflexões sobre a navegação do rio Vouga” apresentadas á Academia Real das Ciências. Ainda em 1837, uma Portaria colocava de novo a questão do encanamento do rio Vouga, até S. Pedro do Sul, e mesmo em 1853 o projecto ainda se mantinha presente. Mas o desenvolvimento da circulação ferroviária fazia a ideia já obsoleta e a tão desejada articulação seria resolvida pela linha do “Vale do Vouga”, também ela atrasada pois, não obstante ter sido projectada e realizada ainda no século XIX ( respectivamente em 1879 e 1895), só no século XX (1914) viria a ser uma realidade com algum benefício e relativa influência na dinâmica económica do território de Lafões.
Verdadeiramente consequente parecer ser o incremento da actividade termal, que se expressa na reforma do complexo das Termas com a construção de um novo estabelecimento em 1885 ( designado Termas Rainha D. Amélia, em 1895), ou no desenvolvimento das explorações mineiras, que se multiplicam pelo território e de que se extraem “ riquezas rápidas” patentes nas novas edificações oitocentistas e nos palacetes que acentuam o carácter urbano dos principais aglomerados.
As linhas de força enunciadas permitem compreender a emergência de três núcleos com carácter urbano. Com efeito, a dinâmica das circulações pelo território, proporcionou, na origem, a fixação de três principais pontos de cruzamento que haveriam de se afirmar como pólos de concentração preferencial. Para essa preferência terá concorrido a presença de outros elementos, cuja a implantação se situa próximo daqueles pontos de cruzamento e que, pela sua natureza económica, religiosa e / ou assistencial, se apresentaram como estruturas de apoio e enquadramento da fixação, complementando os principais suportes da circulação. Acresce a essa diversa natureza, o facto dos acontecimentos geradores terem ocorrido em momentos históricos igualmente diversos, o que nos ajudará a compreender as diferenciadas características morfológicas dos três núcleos, que passamos a referir.
Assim, encontramos duas situações de verdadeira “ testa de ponte” nas Termas e no Bairro da Ponte, as duas unidades de concentração que se desenvolveram em áreas adjacentes aos locais onde as antigas vias transpuseram, respectivamente, os rios Vouga e Sul – esta circunstância, já por si “ quase sempre favorável a uma permanência, terá sido reforçada por outros acontecimentos que se constituíram em factores de fixação, como seja, no caso das Termas o aproveitamento da nascente sulfurosa, pelo menos desde a dominação romana, e no caso do Bairro da Ponte a realização periódica da mencionada feira Velha (para, assim, se distinguir da feira de S. Pedro do Sul), cuja origem poderá situar-se na época moderna e que terá reforçado qualquer nuclearização já existente.
Quanto ao terceiro núcleo, o de S. Pedro do Sul, desenvolveu-se próximo do ponto onde a via antiga se dividia, havendo um traçado que se dirigia ao leito das duas linhas de água e ligava a Viseu, outro que progredia pela encosta em direcção a Manhouce para ligar ao litoral Noroeste (Porto) – bem próximo deste ponto de cruzamento de vias, onde ainda existe a Igreja de S. Pedro, poderá ter-se situado a unidade conventual que vocatur Sancti Petri in terra Alaphoen ( Dip. Et Ch. º 894), documentada entre 1092 e 1098 pela doação á Sé de Coimbra, feita pelo presbítero Troitosendo, e da qual se diz – no Século XII que est fundamentum secus de cursos rivulos Sur et Vauga ( idem nº 163), constituindo um significativo elemento congregador.
A estrutura morfológica de cada um dos referidos núcleos é diversa, naturalmente por força dos elementos físicos historicamente representativos que, em cada um deles, se acham ainda presentes.
Na área das Termas, a unidade termal romana, em parte subsistente na actual estrutura classificada como valor patrimonial, implantando-se na plataforma subranceira ao rio e situada a Norte do eixo da actual ponte e da antiga via, marcaria em definitivo toda a estruturação. É aceitável que aquela unidade termal, que constitui o testemunho mais evidente desse “estrato” de ocupação, não estivesse isolada como, aliás, era comum em unidades termais romanas. Desconhecem-se, ainda, quais e como se organizavam as outras estruturas complementares do balneum romano das Termas, mas sabe-se que a área envolvente conheceu uma continuidade de ocupação na Alta Idade Média, testemunhada por materiais arqueológicos e arquitectónicos, entre os quais os restos de um ajimez, integrado hoje na cabeceira da pequena capela de fácies gótico situada mais a Norte. A importância dessa ocupação, cujos contornos ainda se desconhecem, pode estar na origem da atribuição, por D. Afonso Henriques, do foral que se institui o concelho do Banho.
O chamado “Estabelecimento Velho” só viria a ser substituído no século XIX, reconhecendo-se os sinais de reformas medievais e quinhentistas ( atribuídas ao reinado de D. Manuel) e também já se havia identificado uma estrutura complementar, conhecida como Banho Seco, cuja edificação está documentada por uma lápide datada (1639) que hoje se encontra colocada junto á nascente principal. O edifício que veio substituir o antigo complexo termal (1885 e designado ” Termas Rainha D. Amélia” em 1895) ainda se pode considerar incluído na área que, desde a origem, estaria “reservada” para o sector balnear, já que o povoado, tendencialmente, se estruturou pelas zonas de encosta adjacentes, numa urbanização de tipo arruado. A construção desse equipamento, coadjuvado pelas instalações do Grande Hotel das Termas já neste século, reforçaria aquela tendência e proporcionaria a configuração de um largo de acentuado cariz urbano. 
No núcleo do Bairro da Ponte é precisamente o Largo da Feira, configurado em plataformas de sucalco para anular a agressividade topográfica, que se constitui como elemento de articulação unitária das habitações que evidenciam, maioritariamente, uma qualificada estrutura edificada, mais rural que urbana.
Quanto ao núcleo de S. Pedro, a sua estrutura urbana resultou, em grande parte, da própria estrutura dos elementos originais; de facto, é a actual rua Direita que se apresenta como elemento base da sua morfologia e o mais significativo referencial urbano. Ela configura o antigo traçado viário romano / medieval, ao longo do qual se desenvolveu a vila, e está contida por dois largos que se constituíram, muito provavelmente, em tempos distintos . o primeiro ( a Sul), junto á Igreja de S. Pedro e localizado no ponto em que se “bifurcava” a via, afirmou-se como uma verdadeira frente de S. Pedro do Sul até ao século XIX. A localização do primitivo convento, embora seja difícil demarcá-la com rigor , pode ter concorrido para a sua constituição: ainda hoje se inicia nesse largo uma ruela que se dirige ao rio Vouga e que conserva o significativo topónimo de Chão do Mosteiro.
Também nesse largo se conservavam as edificações que evidenciam os sinais construtivos de maior antiguidade e as construções solarengas dos séculos XVII e XVIII. 
A tendência para um desenvolvimento para Norte, ao longo da via, terá sido sempre constante e mesmo incrementada a partir de seiscentos, tendo concorrido a instalação dos frades observantes com o seu convento, hoje ocupada pela Câmara Municipal. Desde então se estruturou um segundo largo, junto ao convento, o palco da chamada Feira Nova, que hoje se realiza na zona da antiga Estação de Caminhos de Ferro; é um traço de vitalidade económica e urbana, que se apresenta como um testemunho histórico da riqueza da região, em pleno setecentos, patente nas ricas construções solarengas e na reforma das fachadas ou das estruturas religiosas a cerca desse convento deveria desenvolver-se para Sul da igreja e terá mesmo “garantido” uma reserva de espaço que assim sendo, proporcionou o primeiro espaço ajardinado da vila. Esta, até ao século XIX, foi uma estrutura urbana debruçado sobre si própria, com uma única frente virada ao seu “corredor interior” configurado pela rua Direita. Uma nova via se abre então, num traçado “fontista”, com algumas articulações transversais á antiga rua, e para a qual se abrem as novas edificações oitocentistas, evidenciando riquezas rápidas extraídas das explorações mineiras. A extensão para Sudoeste é, igualmente, um fenómeno recente, despertado pela passagem do caminho de ferro que, por razões topográficas, não se aproximará do “centro” quanto desejado. Uma singular Avenida da Estação é, então, traçada, com a sua característica arborização lateral e edificação de alguns palacetes, contribuindo para a extensão da vila até ás suas imediações, mais pela instalação de alguns serviços (hospital, escola) e comércio do que pela habitação.

 

 

 


 

 

Sátão - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

O conde D. Henrique e D. Teresa, concederam-lhe foral em 1111. O passado histórico do seu concelho é, de um ponto de vista arqueológico, etnográfico e artístico, verdadeiramente notável. Com efeito, são numerosas as antas, ou dólmens, os costumes antigos, os solares, as capelas e igrejas.

Origem do nome:

«O nome é indiscutivelmente árabe, quer o tenhamos como corrupção de Setam – derivado do verbo árabe Santama – entupir, entulhar – quer como proveniente de Zaatam, nome próprio de varão”.

 

Sátão
http://www.cm-satao.pt/portal
O património cultural e natural existente no concelho de Sátão pode ser admirado de diversas maneiras. Propomos-lhe um dos vários circuitos para o descobrir. No entanto, o visitante poderá explorar outros circuitos de acordo com os seus interesses. Para além das tradicionais rotas (Estrada do Nascente, Terras do Alto Vouga, Terras do Paiva e Rota do Sol), sugerimos-lhe um passeio que abrange as rotas referidas. Comece por ler um livro na Biblioteca Municipal de Sátão, onde encontra a monografia do concelho. Regressando ao Sátão refresque-se com as límpidas águas da Fonte do Seixo fazendo depois, no centro da Vila, uma pausa para olhar o cartaz do nosso Cine-teatro e quem sabe aí encontrará em exibição um espectáculo ou um filme que deseje assistir. Retomando o passeio e indo em direcção ao Tojal admire a Capela da Nossa Senhora da Oliva. Chegando ao cruzamento vire para as Fontaínhas e admire a paisagem no Miradouro. Siga para Lamas em direcção a Forles e Águas Boas. No Cruzamento dirija-se à aldeia de Fraga onde poderá ver a famosa Igreja do Santo Cristo da Fraga.
Ao sair da Biblioteca vire à direita e percorra as famosas “curvas “ do Sátão, onde avistará em Contige a maior árvore de Portugal (em copa, perímetro, diâmetro e altura) – o Eucalipto de Contige. Siga pela estrada de Contige ao encontro do Pelourinho do Ladário. Passando por Abrunhosa, pare e admire a Capela de Nossa Senhora da Esperança na qual existe um órgão de Tubos, considerado monumento nacional, sendo este um dos três existentes no país. Saindo de Abrunhosa dirija-se à Freguesia de Rio de Moinhos e visite a Cadeia recentemente restaurada assim como o Pelourinho. Depois direccione-se a Vila Boa e suba até à Serra de S. Matias onde poderá maravilhar-se avistando a paisagem que a circunda, aproveitando para descansar um pouco. Retomado o passeio visite a Igreja de Ferreira e deslumbre-se com os famosos azulejos do século XVII, aí existentes. Daqui volte para trás e dirija-se ao Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos, onde poderá comer o seu farnel. Continuando o seu percurso não deixe por visitar a Capela de Nossa Senhora do Barrocal em Romãs. Termine o seu passeio na Freguesia do Avelal visitando a Capela do Senhor da Agonia, sendo conhecida por se situar dentro de um rochedo. Volte à vila do Sátão onde poderá descansar deste longo passeio no Parque do Bussaquinho.
Encontram-se nesta região, de lastro bastante frescal, árvores donairosas, sobretudo carvalhas e castanheiros.
Mas a rainha das árvores do concelho é o famoso “Eucalipto de Contige” à beira da Estrada Nacional 229, que liga Viseu ao Sátão. Mede de Perímetro, a cerca de um palmo do solo, mais de doze metros e tem mais de cem anos.
É ditado pelo povo, que quem planta uma árvore não passa inútil pela vida.
No seu conjunto de altura, copa e perímetro junto ao solo, pode considerar-se, hoje, a maior árvore de Portugal.
Foi plantada quando se abriu a Estrada das Donárias e é monumento nacional.
Rotas Turísticas  
1º Rota do Sol
Sátão, Estrada da Serra do Seixo e a sua bonita fonte, seguindo para Rio de Moinhos onde poderá observar os extensos vinhedos e pomares e provar a saborosíssima boroa e o afamado pão tradicional desta freguesia.
Segue-se para o ladário e a Abrunhosa onde deve visitar a bela Capela de Nossa Senhora da Esperança e o seu órgão de tubos (um dos últimos exemplares existentes em Portugal). O regresso de novo ao Sátão pela frescal e pitoresca Estrada das Donárias, com visita às talhas da Capela de Contige e ao monumental Eucalipto que se encontra nesta localidade e de fácil visibilidade dada a sua opolência, (considerado o maior de Portugal)
2º Estrada do Nascente
Sátão, Tojal e visita à artística e renovada Igreja de Nossa Senhora da Oliva, com riquíssima talha joanina, o mais famoso sacrário das Beiras e, sobretudo, valorosíssimos e raros panos de azulejo do Séc. XXVII, a cobrir quase todo o interior da Igreja.
Depois, por lages de Mioma, Silvã, os seus solares e pelourinho. Romãs, Capela de Nossa Senhora de Barrocal, a Manressa do Sátão, onde houve um Castro e, no séc. XXVII, foi construído o Santuário pelo Bispo Dom João de Melo, o mesmo que fez a Capela-Mor da Sé e construiu a Via Sacra da Mata do Buçaco. Segue-se depois pelo Avelal de volta ao Sátão.
3º Terras do Alto Vouga
Sátão, Romãs – Rãs e pare no conhecido Santuário do Senhor dos Caminhos – o Santuário mais visitado e reconhecido de todo o Concelho. Na Freguesia de Ferreira de Aves visite o Convento do Nº Senhor de Fraga, Cruzeiro Vermelho, e siga para as Freguesias de Águas Boas, Forles, se tiver oportunidade aventure-se a visitar a Orca dos Juncais e regresse de novo ao Sátão. 
4º Rota Arqueológica
Descubra as localizações arqueológicas dando uma volta por todo o concelho. Começando pelo Sátão, Pedrosas, Ladário, Rio de Moinhos. Seguidamente visite Silvã de Cima, Romãs, Decermilo, Avelal, Meã, Fontainhas. Depois dirija-se a Lamas, Covelo, Corujeira, Outeiro de Cima, Convento e termine em Douro Calvo.

 

Sátão
http://www.addzi.com
O Concelho de Sátão com uma área aproximada de 200 Km2, e uma população de cerca de 13.000 habitantes, faz parte da Região do Planalto da Beira Alta, distrito de Viseu, tendo como concelhos limitrofes, a Norte, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva; Sul, Penalva do Castelo; Este, Aguiar da Beira e a Oeste, Viseu.
Situando-se no maciço antigo, apresenta superfícies aplanadas (planaltos) que descem para os vales de encostas mais ou menos suaves do Rio Vouga (de nascente para poente, praticamente dividindo o concelho a meio), e do Ribeiro de Sátão (de nordeste para sudoeste), entroncando com o Rio Dão, do qual é afluente.
O conselho de Sátão integra-se ainda na Região de Turismo Dão-Lafões e pertence à Região demarcada dos vinhos do Dão.
O primitivo Concelho de Sátão é antiquíssimo e teve o seu primeiro foral outorgado em 9 de Maio de 1111 pelo Conde D. Henrique e sua esposa D. Teresa.
O actual Concelho de Sátão, constituiu-se em 1834, com a união de seis velhos concelhos: Sátão, Ferreira de Aves, Golfar, Silvã, Rio de Moinhos e Ladário.
Presentemente o Concelho agrega 12 freguesias: Águas-Boas, Avelal, Decermilo, Forles, Ferreira de Aves, Mioma, Rio de Moinhos, Sátão, S.º Miguel de Vila Boa, Silvã de Cima e Vila Longa.
Um concelho desconhecido, de certo, mas de sonho, deslumbrante e cheio de encantos.
Para quem visita a Região de Dão-Lafões é imperioso, não esquecer o Sátão, onde o tempo não parece ter passado pelos carvalhais, soutos e pinhais, no seu estado mais puro de preservação.
Por estas terras se luta desde a pré-história, mas quem por aqui passa, aqui quer ficar. Partem..., mas ficam-Ihe gravadas na alma as imagens desta encantadora terra, de gente nobre e acolhedora, de onde saíram ilustres figuras, sempre presentes nas horas altas da história e da Pátria.
O encanto das paisagens verdejantes, a riqueza histórica, a robustez dos monumentos e uma hospitalidade ímpar no saber receber, aliada à tradição, cultura, artesanato, histórias, e costumes de cada Aldeia, sem esquecer um vasto leque de festas, feiras, romarias, a sua gastronomia típica e o famosíssimo vinho do Dão, são factores que, por si só, garantem uma visita inesquecível.
As razões para se visitar o Concelho de Sátão multiplicam-se à medida que se vão enumerando, descrevendo e conhecendo os seus atractivos ..., O CONCELHO DE SÁTÃO ABRE AS SUAS PORTAS ...PARA QUE DESCUBRA O FASCÍNIO DE UMA TERRA, O ENCANTO DE UM POVO.

 

 


 

Sernancelhe - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Já existia do século X, crendo-se que foi edificada sobre as ruínas de um antigo castro. Recebeu a primeira carta de foral em 1124, concedida por D. Egas Gosendas e por D. João Viegas. D. Afonso ll confirmou o foral em 1220 e D. Dinis em 1295. Em 1514, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo. Sernancelhe é principalmente a história. O passado deixou vestígios em muitos solares em ruína, e a história humilde das gentes ligadas às fontes dechafurdo vindas da Idade Média e às pequenas casas encostadas a rochedos, voltadas para caminhos que conduzem aos soutos que dão a melhor castanha do País.

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira»:”Não pode haver dúvida de que o topónimo Sernancelhe é também de origem antroponímica; parece pela sua forma antiga, Semorzelli (século X), o genitivo de um nome pessoal Seniorcellus, que deve ser um derivado do latim Sénior (com o sufixo – cellus, apesar de mais vulgar aplicado a nome comum: Arcozelo, de Arcuellu – portozelo, de Portucellu - , pontezelo, etc.). Este nome pessoal Seniorcellus, diminutivo, parece um perfeito paralelo de Seniorinus /sufixo – inus), também representado toponímicamento (Senhorim- não merece qualquer atenção a forma Semorzelli, ou Sermozelli, que trazem certos autores – má leitura de Seniorzelli, única forma verdadeira). A evolução fonética deste importante topónimo foi a seguinte: Seniorzelli (- celli) (século X) Sern(i)ocelli Cernonce (l)li (século Xll), Cernancelle (século XV). Não pode haver qualquer dúvida de que Seniorzelli seja hoje Senancelhe: por isso, surpreende que tão cedo apareça a grafia Cern – sabido que a pronúncia sw “S” então diversa do C – (Ce-Ci). Provavelmente na transição anterior à nacionalidade, de Sénior – para Sern (i) – actuou a influência de topónimos em Cern (Cernada, Cernache, etc., de sentido topográfico e de tal diversidade de étimo – o latim cernuata - , cernuatu -, Sernache). De outro jeito, não parece explicável tal anomalia fonética. O que certamente sucedeu por acaso foi a oficialização da grafia com “S”, pois desde o século Xll, pelo menos foi constante o “C” – (no século XVl até encontramos Cernancelhe) e parece dubitável o conhecimento da única forma (anterior ao século Xll) documentada com “S”. Dos meados do século X é a primeira referência a Sernancelhe, o que não quer dizer que então se fundasse o castelo ou a povoação”.

 

Sernancelhe
http://www.cm-sernancelhe.pt
  Dos documentos escritos, a primeira referência mais antiga relativa a Sernancelhe data de 960 e figura    num testamento em que a notável condessa D. Flámula (ou Chamoa) manda vender mais de dez castelos    seus na Estremadura. Entre esses, está incluído o de Sernancelhe do qual existem diversos vestígios tais como as cercaduras da muralha, a célebre Porta do Sol, e restos da fachada norte de uma das torres.
Indubitável é, porém, vir Sernancelhe de muito longe. Pois, sabe-se que o seu castelo foi conquistado   pelos Romanos aos Lusitanos e que há ainda vestígios da civilização castreja nas fundações de diversas  casas quer de forma circular, quer rectangular.                                                                                             
Os Romanos estabeleceram aqui um centro de civilização que se estendia por uma vasta área, havendo ainda hoje diversos sinais da sua longa permanência tais como nomes de origem romana ou latina e diversos objectos que se têm encontrado e que algumas pessoas guardam ciosamente. Não esqueçamos que uma das principais vias romanas que ligavam o Norte de Portugal à Espanha passava precisamente por aqui seguido por Guilheiro, Trancoso, Almeida até Espanha.                                                               
Muitas moedas do tempo imperial, pesos e objectos de cerâmica fazem parte do riquíssimo espólio de Sernancelhe ligado a esse povo conquistador.                                                                                           
 

Os Árabes permaneceram aqui até meados do século XI (à volta de 1057) quando o Norte de Portugal foi totalmente liberto do domínio dos seguidores do Islão. É nessa altura, tempo de D. Teresa, que a vila de  Sernancelhe é doada aos ricos homens Égas Gosende e João Viegas (pai e filho) que procederam à  reedificação do respectivo castelo e promoveram o povoamento. Com D. Afonso Henriques fizeram os Sernancelhenses um contrato de que a vila  nunca seria doada a nenhum rico senhor mas pertenceria sempre à Coroa. Aí começa o desenvolvimento de Sernancelhe assim como a sua profunda caracterização que levaram esta vila e sede do concelho a ter importância e influência em diversos assuntos de nível nacional.
Esta ascensão durou até ao século XIX, época marcada pelo início de um período de decadência motivada principalmente pelas lutas políticas partidárias em que Sernancelhe tomou parte muito activa. Com esta razão de ordem política e também relacionada com ela veio o facto da estrada nacional ao tempo, rasgada à volta de 1805 ter passado a 3 Km de distância isolando Sernancelhe. A luta pela transferência da sede do concelho arrastou-se por muitos anos e consumiu todas as energias e rendimentos do concelho. Só em meados deste século, a vila libertou-se desse pesadelo e reencontrou o seu fio histórico que o leva a enfileirar ao lado dos concelhos mais progressivos da região.
No perímetro antigo e moderno coexistiram com o concelho de Sernancelhe mais dois concelhos e três vilas: aqueles foram Caria e Fonte Arcada e estas foram Guilheiro, Vila da Ponte e Lapa. O concelho de Caria foi extinto em 1855 e dele passaram para o de Sernancelhe as freguesias de Caria, Rua, Quintela, Segões, Carregal, Penso e Faia. Do concelho de Fonte Arcada, também extinto pela divisão administrativa de 24 de Outubro do mesmo ano, as freguesias de Fonte Arcada (sede), Freixinho, Ferreirim, Maciera, Escurquela e Chosendo.
Mas ainda pela reforma de 1855, passaram a pertencer a Sernancelhe, Vila da Ponte e Vila da Lapa. Por sua vez, a vila de Guilheiro passou a pertencer desde 1855 a Trancoso. E em 1896, Caria e Rua passaram para o concelho de Moimenta da Beira. As reformas administrativas criaram um estado de espírito e fomentaram tais atitudes que em vez de contribuirem para o desenvolvimento do concelho de Sernancelhe foram a causa da sua decadência.
Foi a Câmara de Sernancelhe, a primeira do país, que proclamou a restauração de D. João VI como rei absoluto pela queda da constituição de 1820. E foi ainda a primeira que protestou contra o desembarque das tropas liberais no Mindelo. Depois, as guerras entre D. Pedro e D. Miguel, com os Marçais, o Tenante da Tabosa ou Espagadão, o Chuça, etc... passaram por aqui como sombras sinistras.
A origem do nome de Sernancelhe é ainda hoje assunto muito discutido. Há opiniões meramente populares e outras mais ou menos científicas. O abade Vasco Moreira, baseado no foral de 1124, disse que a origem do nome está em "Cernancelli" ou "Cernancelle", que seria o nome próprio, no contexto romano, do senhor ou dono da vila de Sernancelhe e que por isso, a grafia deveria ser com "C" como se escreveu até ao século XV. Entretanto, a verdadeira origem, segundo o autor, estaria na forma "Sénior" mais diminutivo "Cellus" que veio a dar Sernancelhe e portanto, segundo esta opinião, a correcta grafia é com "S" e não com"C".

 

Sernancelhe
http://sernancelhe.planetaclix.pt
Os caminhos da História de Sernancelhe começam em horizonte neolítico com povoadores mal conhecidos que decerto construiram dólmens, semeadores de pão e pastores de gados que se enraizaram na época castreja em povoados mais fortes, receberam influência romana segura e constituíram-se como núcleos originais numa Alta Idade Média cristã e camponesa.
Igrejas românticas de extrema valia (Sernancelhe e Fonte Arcada) assentes sobre antigos cemitérios e lugares de culto, fontes (Fonte Arcada, Ferreirim, Sernancelhe) e pontes (Rio Távora) de tradição romântico-gótica, Paços (Paço de D. Loba, Fonte Arcada), são excelente memória deste tempo heróico no qual se combateu a mourama e de que chegam lendas ligadas a nomes reais.
Nos séculos XV e XVI melhoram-se os povoados, enriquecem-se igrejas com pinturas a fresco  (Sernancelhe, Sarzeda)  ou  óleo  (Sernancelhe, Fonte Arcada) nasce a Lapa com os prodígios de seus milagres, o Santuário de importantes romarias e tesouros e o Colégio, melhora-se a organização municipal (forais, casas de câmara, pelourinhos).
Os séculos XVII e XVIII trazem o triunfo da fidalguia ( Solares em Sernancelhe e Fonte Arcada, Adbarros, Lapa, Escurquela, Vila da Ponte, etc. ) e da organização religiosa com igrejas que se cobrem de altares de talha dourada, capelas, conventos e mosteiros. Ao século XIX pertence o essencial das aglomerações urbanas onde se impõem tipos de casa de camponês pobre e lavrador abastado emparceirando com as moradias senhoriais e mosteiros que entram depois em ruinoso caminho.
Hoje, os caminhos são mais fáceis mas são ainda de interior. A vida é desafogada mas há ainda emigrantes saindo. O progresso acentua-se e elementos novos de cultura não subvertem os sinais de viver tradicional que se guarda com honrosa memória.

 

Sernancelhe
http://sernancelhe.planetaclix.pt
Os caminhos da História de Sernancelhe começam em horizonte neolítico com povoadores mal conhecidos que decerto construíram dólmens, semeadores de pão e pastores de gados que se enraizaram na época castreja em povoados mais fortes, receberam influência romana segura e constituíram-se como núcleos originais numa Alta Idade Média cristã e camponesa.
Igrejas românticas de extrema valia (Sernancelhe e Fonte Arcada) assentes sobre antigos cemitérios e lugares de culto, fontes (Fonte Arcada, Ferreirim, Sernancelhe) e pontes (Rio Távora) de tradição romântico-gótica, Paços (Paço de D. Loba, Fonte Arcada), são excelente memória deste tempo heróico no qual se combateu a mourama e de que chegam lendas ligadas a nomes reais.
Nos séculos XV e XVI melhoram-se os povoados, enriquecem-se igrejas com pinturas a fresco  Sernancelhe, Sarzeda)  ou  óleo (Sernancelhe, Fonte Arcada) nasce a Lapa com os prodígios de seus milagres, o Santuário de importantes romarias e tesouros e o Colégio, melhora-se a organização municipal (forais, casas de câmara, pelourinhos).
Os séculos XVII e XVIII trazem o triunfo da fidalguia ( Solares em Sernancelhe e Fonte Arcada, Adbarros, Lapa, Escurquela, Vila da Ponte, etc. ) e da organização religiosa com igrejas que se cobrem de altares de talha dourada, capelas, conventos e mosteiros. Ao século XIX pertence o essencial das aglomerações urbanas onde se impõem tipos de casa de camponês pobre e lavrador abastado emparceirando com as moradias senhoriais e mosteiros que entram depois em ruinoso caminho.
Hoje, os caminhos são mais fáceis mas são ainda de interior. A vida é desafogada mas há ainda emigrantes saindo. O progresso acentua-se e elementos novos de cultura não subvertem os sinais de viver tradicional que se guarda com honrosa memória.

 

 

 


 

 

Tabuaço - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

Embora os limites do seu concelho estejam cheios de monumentos antigos, a sua importância histórica impôs-se principalmente no século XlX com o advento do liberalismo, que lhe deu a força de centro administrativo.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em topónimos e Gentílicos (1944)»:”É derivado de tábua com o sufixo – aço, uma das formas do sufixo latino aceu”.


Tabuaço
http://cm-tabuaco.pt
As raízes da vila de Tabuaço remontam a tempos mais velhos do que a própria nacionalidade portuguesa. Durante a Pré-História, vários foram os povos que aqui se instalaram e desenvolveram a sua acção, visível quer em ruínas de abrigos e castros, quer em vestígios de instrumentos de trabalho, como peças de cerâmica ou primitivos lagares e lagaretas de azeite e vinho. Durante a Idade Média, o antigo couto de S. Pedro das Águias acolheu uma pequena comunidade de monges da ordem de Cister.
Esta comunidade representou um papel histórico muito importante, não só pela sua acção religiosa, numa época de combate ao paganismo trazido pelos povos invasores, como os mouros e os romanos, mas também pelo fomento da economia local, já que o convento era prolífero na cultura do vinho, de frutos e mesmo na gastronomia. As receitas dos monges de S. Pedro das Águias são até hoje recordadas e confeccionadas. Tabuaço foi testemunha de curiosos momentos da História, que ainda hoje passam de boca em boca, de pais para filhos, como, por exemplo, a trágica história de amor entre a princesa moura Ardínia e o destemido cruzado cristão D. Thedon, ou o Cisma de Granja do Tedo, em que a família de Maria Coroada se dedicava a um estranho culto, que chegou a atrair inúmeros adeptos para a sua «Arca da Aliança».
O Período Românico deve ter sido palco de uma certa prosperidade, dada a riqueza de igrejas e monumentos no estilo da época. No século XVI, o actual território de Tabuaço era constituído por onze concelhos (Arcos, Barcos, Chavães, Granja do Tedo, Longa, Paradela, Pinheiros, Sendim, Tabuaço, Távora e Valença do Douro), pequenos retalhos de terra que, com as reformas administrativas do séc. XIX, entre 3 de Novembro de 1836 e 24 de Outubro de 1855, e depois em 7 de Setembro de 1895, vieram a constituir as actuais freguesias do Concelho de Tabuaço.

 

 

 

 

 

 

Tarouca - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

  

 

 

O primeiro foral de Tarouca, datado de 1262, foi-lhe concedido por D. Afonso lll. D. Afonso V confirmou-o em 1348 e D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1348.

Origem do nome:

«Abade Vasco Moreira na, Monografia do Concelho de Tarouca (1924)»: ”Foi sempre sede de concelho de Castro Rei ou Castro do rei, que depois do século XlV se começou a chamar Tarouca. Sempre pertenceu à comarca de Lamego. Em documentos antigos aparece-nos Tarouqua, deixando de se usar esta grafia depois do século XVl. O primeiro nome, porém, desta povoação foi Tarouca, assim designada na carta de D. Afonso Henriques acerca do foral do Couto de Algeriz, em 1163, sobre o concelho de Castro Rei.

Desconhecemos a origem desta palavra e não é fácil determinar-lhe o étimo. Um monge do convento de São João que, no princípio do século XVll, apresentou à Universidade de Coimbra umas teses, cujas conclusões se encontram no véu dum cálix que oferecemos ao Museu Etnológico de Lisboa, pretendeu derivá-la das palavras latinas – inter aquas; mas nem esta vila fica tão cercada de água, para dessa circunstância derivar o nome, nem a lei da evolução das palavras autoriza a etimologia de Tarouca de inter aquas. Tarouca parece-nos vir da palavra árabe taroca, que significa frequentado. Muito perto de Lamego, centro comercial ligado a Córdova, onde os árabes tinham muitas fábricas exerciam florescentes indústrias, Tarouca participou deste movimento. Nos seus limites cruzavam-se duas estradas românicas que dali seguiam para Viseu e Almeida. Era, pois, Tarouca um centro frequentado por forasteiros. Bem pode esta circunstância dever-se a origem do seu nome, traduzida pela palavra árabe já designada”.

 

Tarouca
http://www.douronet.pt
Encravada num cenário edílico banhado pelo Vale do Varosa e protegida pela serra de Santa Helena encontra-se a vila de Tarouca. Outrora conhecida por  reis e monges como Castro Rei, pertenceu aos domínios do Infante D. Henrique  e mereceu dois forais nos séculos XIII e XVI. 

Lugar de culto e meditação ao longo dos séculos, recebeu dos monges de  Cister a sua maior herança patrimonial. Por estas terras extensas e fecundas  prosperaram Mosteiros, Conventos e Abadias Cistercienses.
Desde o alto do monte de Santa Helena, um dos mais soberbos miradouros sobre  o Vale do Varosa, até onde a vista alcança casario, culturas e pastagens, o  horizonte mostra-se pontilhado por belos exemplares de arquitectura medieval  como o Mosteiro de Salzedas, a Igreja do Mosteiro de S. João de Tarouca, a  Torre da Ucanha, exemplar único na Península Ibérica de ponte fortificada.
A sabedoria e o espírito dinâmico dos monges que ali fundaram o primeiro  Mosteiro de Cister em Portugal, perpetuou-se no génio das suas gentes. Nas  feiras e mercados e em dias de festas aos santos padroeiros encontra-se todo  o tipo de artesanato típico e à mesa não faltam os sabores da rica  gastronomia, acompanhada pelos brancos e tintos da Região Demarcada  Távora-Varosa e o melhor espumante da Região. Em perfeita harmonia com o progresso do novo século, Tarouca e todo o  planalto onde estão incrustadas as suas freguesias é também paraíso dos  amantes de desportos ao ar livre e praticantes de parapente e asa delta. Não  obstante todo o concelho constituir para os seus visitantes uma autêntica viagem ao passado, onde a história se cristalizou e a Arte deixou traços de imortal beleza.

 

 

 


 

Tondela - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944):”Contou-se algures – e a historieta tem-se repetido com as características de lenda insustentável – que o nome Tondela, designativo duma pitoresca vila beiroa, teve a sua origem numa corneta, porque era ao tom dela que se juntavam os povos da região (Caramulo, Vale de Besteiros, etc.), para combater os inimigos – romanos ou mouros.

A explicação pode ser curiosa, mas com ela não se satisfazem a história, a filologia e até o bom senso.

Certo é que o nome Tondela é antiquíssimo e já existia, pelo menos, nos primórdios da monarquia portuguesa. No foral de D. Afonso Henriques, concedido em 1137 a Santa Comba e outras vilas próximas, já se encontra referência a uma estrada “qui venit de Tondela”.

Parece ser o próprio nome que revela a fundação da povoação, como se infere do que expomos a seguir.

Todela é um derivado aferético de atondo, vocábulo do português arcaico que significa “direito de arrotear, agricultar ou romper algum terreno maninho e utilizar-se dos seus produtos, mas sem o poder dar, doar, trocar ou vender, sendo assim um mero usufrutuário e não senhorio directo”.

Segundo rezam velhos documentos, muitos anos antes da fundação da nacionalidade portuguesa as terras do actual concelho de Tondela eram denominadas de Balistarriis.

Aí, precisamente, um núcleo de povoadores fixou um modesto atondo, tratando de aproveitar o terreno inculto, utilizando-se das suas produções, mas sem o poder alienar.

Assim teve início a actual vila de Tondela, cujo nome – à semelhança de Mirandela, Palmela, Penela, Portela, Vizela e outros topónimos – é um verdadeiro diminutivo, significando, portanto, etimologicamente pequeno atondo”.

 

Tondela
http://www.prof2000.pt/users
É de tradição ao chegar a Tondela ir matar a sede no Chafariz das Sereias, onde um belo trabalho em pedra nos revela uma mulher com uma trompa na mão.
Trata-se de uma mulher que, segundo a lenda, vigiava os movimentos dos mouros do cimo dos montes. Ao avistar o perigo, tocava a trompa e ao tom dela se juntava o povo para enfrentar o inimigo.
O actual concelho de Tondela compreende as freguesias que constituíam o antigo concelho de Besteiros , ao qual vieram a anexar-se, com o andar dos tempos e depois de múltiplas reformas administrativas, os antigos coutos, depois concelhos da Serra do Caramulo - S. João do Monte e Guardão
 e, na terra chã, os de Mouraz, Sabugosa, Santa Maria de Canas, S. Miguel de Outeiro e algumas freguesias que pertenciam ao termo de Viseu e a outros pequenos concelhos, Barreiro e Treixedo.
Segundo documentos dos séculos X, XI e XII designava-se esta região por Terra de Balistariis. Esta designação tem por origem a palavra balista ou besta, máquina de guerra usada pelos besteiros na idade média.
Quando se fala de arte, este vocábulo permite-nos englobar diversas formas da expressão artística do ser humano, desde a arquitectura à escultura, passando pela pintura e diferentes manifestações do artesanato. Nesta página poderás ver essencialmente exemplos relacionados com a arquitectura e, dentro desta, com a arte religiosa.
Em diversas localidades poderás encontrar belas igrejas e capelas de estilos arquitectónicos e apreciar também pinturas, magníficas custódias em prata dourada e ainda a cruz procissional da Igreja Paroquial de S. João do Monte.
Por todo o concelho, encontram-se também casas solarengas, quase todas datadas do século XVIII.

 

 

 



 

Vila Nova de Paiva - (Concelho do Distrito de Viseu)

 

 

 

 

 

Primitivamente denominada Barrelas, foi doada por D. Teresa, em 1128, a Garcia Garcês. Só em 1883 passou a ter o nome actual.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”O último elemento do topónimo é o nome do rio, Paiva, que atravessa a povoação, e do concelho faz parte”.

 

Vila Nova de Paiva
http://www.cm-vilanovadepaiva.pt

Já não se apresentam tão inóspitas estas serras, como antigamente. É diferente a configuração das zonas urbanizadas, pois a modernidade também trouxe progresso e riqueza. Mas as águas das mil e umas nascentes continuam a irrigar o concelho, onde se espraiam e estrangulam os caudais do Vouga, do Paiva e do Côvo. As serranias conservam seu manto telúrico, esfarripado desde as fraldas da Nave; lá de cima, douradas de soberania, acompanham o agricultor no cultivo do terrunho e orientam o viandante perdido nos caminhos de Deus. A paisagem continua salpicada de ancestrais moinhos de água ou de monumentos megalíticos, num testemunho fero de tempos remotos. Aqui e além ainda se encontram mulheres com capuchas de burel, como as pinta Aquilino.’ (H. Almeida, 2003)
O estudo do primitivo povoamento
Quando, em finais do século XIX, J. Leite de Vasconcelos apresentou a Orca de Juncais à comunidade científica, inicia-se a divulgação da riqueza arqueológica de Vila Nova de Paiva. O pioneirismo é ainda do casal alemão Georg e Vera Leisner que percorreu a região nos anos ‘30 e mais tarde na década de ‘50, fazendo o inventário de vários monumentos megalíticos.
Nos anos ‘70 E. Shee Twohig dedicou-se ao levantamento de pinturas e insculturas em monumentos megalíticos da Beira Alta.
Nova fase significativa começa quando, nos inícios dos anos ‘90, Domingos J. Cruz se interessa pelos monumentos funerários neolíticos e calcolíticos da região. Segue-se a direcção de um projecto de grande diacronia – ‘Alto Paiva: sociedade e estratégias de povoamento desde a Pré-história Recente à Idade Média’ (1998-2002) –, no âmbito do qual empreendeu campanhas de escavações e prospecções.
Actualmente desenvolvem-se três projectos de investigação, para estudar os períodos ainda pouco conhecidos em toda a Beira Alta, nomeadamente a Idade do Bronze Final, Idade do Ferro e Romanização, Antiguidade Tardia e Alta Idade Média.
Estão referenciadas mais de três centenas de sítios arqueológicos no Alto Paiva, compreendendo uma cronologia vasta que começa em cerca de 5000 a. C., testemunhada por habitats diversos, locais fúnebres e de culto, alguns pressupondo já ligações das gentes a um território. De momento são conhecidos cerca de 130 sítios arqueológicos nos limites do Concelho, avultando os de cronologia Neo-calcolítica (entre o V e o II milénios a. C.), não só pelo seu número, como também por representarem uma diversidade tipológica pouco comum a nível nacional. Da Pré e Proto-história sobressaem nesta região beiroa dois importantes povoados, um da Idade do Bronze Final e outro da Idade do Ferro. Destaca-se ainda a grande riqueza dos vestígios da época alto medieval, testemunho da primeva cristandade.
No intuito de auxiliar a descoberta desse património cultural por diversos segmentos de público, no ano de 2000 foi editado um breve roteiro e, em 2001, iniciou-se a construção do Museu Arqueológico do Alto Paiva (MAAP), com a missão de preservar e valorizar, através da divulgação, as colecções, os monumentos e os sítios. Enquanto centro natural de uma unidade geomorfológica que se repercutiu na economia e sociedade do Alto Paiva desde a Pré-História até ao crepúsculo da Alta Idade Média, o Concelho de Vila Nova de Paiva propõe-se acolher no Centro Interpretativo espólios oriundos da região.
Da Romanização às Invasões Bárbaras
No século I d. C. o Alto Paiva, pacificado pelos Romanos, incluía-se na província da Lusitânia. Nesse período ocorre a integração do território no Império e dá-se um complexo processo de aculturação. O concelho de Vila Nova de Paiva deveria corresponder aos limites entre as civitates (centros urbanos e seu território) de Lamego e de Viseu, pólos de irradiação da cultura dominante. A inscrição monumental de Cavalinho (Alhais) – FINIS – testemunha a importância que terá assumido a demarcação territorial, indicando que aí existiria uma fronteira entre povos.
A malha organizativa de época romana deixava um grande espaço ao mundo rural, pois a área de influência dos centros urbanos estaria limitada pela distância. A estas terras chegariam apenas ecos da presença romanizadora, imperando um modo de vida agro-pastoril, de auto-subsistência. Vila Nova de Paiva seria atravessada por caminhos que corresponderiam a vias secundárias de cronologia antiga e medieval. Estas serviriam a população local, permitindo ligações regionais, e também transregionais. São dois os eixos fundamentais que se desenham na topografia – corredores naturais que cruzam a região sensivelmente nas direcções dos quatro pontos cardeais. No eixo Sul-Norte teríamos uma via a ligar Viseu e Lamego, passando junto a Fráguas e Adomingueiros (Touro). Cruzando esta por alturas de Vila Cova-à-Coelheira, encontra-se o eixo Oeste-Este que, vindo de Castro Daire, demandaria o poente através do vale do Paiva.
A proximidade de linhas de água e da rede viária terão constituído factores determinantes do estabelecimento dos locais de exploração agropastoril – pequenas quintas, casais, e também espaços vocacionados para a assistência aos viandantes, à beira dos caminhos. Regista-se ainda mineração de ouro e estanho em Queiriga e forjas em Fráguas. As populações terão adoptado certo número de novidades introduzidas pelos latinos, designadamente ao nível dos materiais de construção, como a telha, e outros reveladores de algum requinte, no caso da utilização de cerâmica de mesa importada, a sigillata.
Em suma, a Época Romana foi um período de integração das populações do concelho de Vila Nova de Paiva numa rede mais vasta de intercâmbio cultural e económico.
A escalada da instabilidade do poder imperial precipitará as Invasões Bárbaras que se estenderão à Península Ibérica no século V. O Norte de Portugal foi ocupado pelos Suevos, e na centúria seguinte pelos Visigodos. Apesar da aproximação de interesses entre germanos e a elite hispano-romana, resultou afinal um novo quadro ao nível da administração e fiscalidade, de feição ruralizante e permeável à invasão Muçulmana em Setecentos.
O estudo das terras do Alto Paiva dos séculos V a XII está condicionado pela irregularidade ou ausência de fontes, particularmente para o período entre os séculos V e VIII. Os documentos escritos aparecem só escassamente a partir dos finais do século X, e os dados arqueológicos, sobretudo de natureza funerária, não permitem apurar a cronologia fina, ao passo que as contribuições da toponímia levantam ainda muitas dúvidas.
Dos Muçulmanos à Reconquista Cristã
A reocupação de povoados fortificados, de origem proto-histórica, e os novos encastelamentos, foram uma reacção generalizada de defesa das populações entre os séculos VIII e X. O núcleo habitacional medievo em redor da muralha pétrea do Castro de Vila Cova-à-Coelheira corresponderá à estratégia de aproveitamento das características de invisibilidade oferecidas pela orografia local.
Malgrado Viseu e Lamego se assumirem como cidades estratégicas de acesso a Galiza e a Leão, tendo sido intermitentemente conquistadas por Muçulmanos, sobretudo entre os séculos X-XI, o Alto Paiva terá passado marginalmente ao domínio islâmico efectivo, mais identificado com o modo de vida mediterrânico, sustentáculo da sua vocação urbana e comercial. O avanço cristão, liderado por Fernando I, recuperaria em 1057 aquelas capitais beirãs, e em 1064 Coimbra. À maneira dos seus predecessores, o rei leonês estimulou a presúria, participada então pelos infanções e pequena nobreza local. No Alto Paiva, as famílias de Ribadouro e Garcia Rodrigues (do couto de Leomil) foram os principais agentes senhorializadores da região, em prejuízo do processo municipalista, primeiro sob vassalagem dos monarcas leoneses, depois fidelizando-se à realeza lusa.
Apesar de os assentamentos populacionais estarem testemunhados na documentação escrita somente a partir do século XII, tal não invalida a sua existência anterior. Em abono dessa proposição, é possível que a pressão produtiva associada, desde o século X, à estabilização do povoamento e apropriação feudalizante de espaços anteriormente livres de obrigações tenha estado na origem da exploração de energia hidráulica, podendo conjecturar-se sobre uma tradição medieval do uso de moinhos no Concelho. Equacionáveis com a ocupação do território durante a primeira fase da Reconquista existem importantes vestígios funerários, que prevalecem na forma de sepulturas escavadas na rocha. Dois sítios de grande relevo são a necrópole rupestre de Carvalhais (V. N. de Paiva), com os seus doze sepulcros de morfologia heterogénea, e a necrópole de S. Martinho de Almoneixe (Touro), original concentração de dez sarcófagos monolíticos de tipologia arcaica junto do templo da mesma invocação. A tumulação nas dependências do local de culto beneficiava os mortos das preces dos vivos e da protecção do espaço sagrado. Entre os séculos X a XII é frequente outro género de cemitérios, não rupestres, que se associam a um templo, por desejo de inserção no lugar santo. Os sarcófagos encontrados na Igreja Matriz de Vila Cova-à-Coelheira sugerem a origem pré-nacional da paróquia, entre os séculos X e XII.
Tempo de Vila Nova de Paiva
Já não se apresentam tão inóspitas estas serras, como antigamente. É diferente a configuração das zonas urbanizadas, pois a modernidade também trouxe progresso e riqueza. Mas as águas das mil e umas nascentes continuam a irrigar o concelho, onde se espraiam e estrangulam os caudais do Vouga, do Paiva e do Côvo. As serranias conservam seu manto telúrico, esfarripado desde as fraldas da Nave; lá de cima, douradas de soberania, acompanham o agricultor no cultivo do terrunho e orientam o viandante perdido nos caminhos de Deus. A paisagem continua salpicada de ancestrais moinhos de água ou de monumentos megalíticos, num testemunho fero de tempos remotos. Aqui e além ainda se encontram mulheres com capuchas de burel, como as pinta Aquilino.’ (H. Almeida, 2003)
Tempo de Vila Nova de Paiva
1128, Março, 30
D. Teresa couta a vila de Fráguas a Garcia Garcês e a sua mulher Elvira Mendes, referindo o lugar de Barrelas.
1514, Julho, 16
Fráguas recebe carta de foral de D. Manuel, constituindo a sede do concelho onde se inclui Barrelas.
1836, Novembro, 6
São extintos os concelhos de Alhais, Pendilhe e Vila Cova-à-Coelheira, e incorporados no de Fráguas.
1881, Junho, 28
A Câmara Municipal dirige carta ao Governo solicitando que em Barrelas se estabelecesse a sede do concelho sob o nome de Vila Nova de Paiva.
1883, Março, 2
O Governo substitui o topónimo de Barrelas pelo de Vila Nova de Paiva, assim determinada sede do concelho de Fráguas.
1895, Setembro, 14
É extinto o concelho de Fráguas, sendo as freguesias anexadas aos concelhos vizinhos.
1898, Janeiro, 15
O Concelho foi restaurado com os limites actuais, e passa a denominar-se Vila Nova de Paiva. Pertence-lhe as freguesias de Fráguas, Queiriga, Pendilhe, Vila Cova-à-Coelheira, Alhais e Touro.

 

Achados arqueológicos relacionam Pendilhe com fundição
http://www.pendilhe.ynismon.com
Tuesday, October 31 @ 08:22:46 WET por celta (10 leituras)
tiago escrever "Viseu, 26 Out (Lusa) - Um forno, um almofariz de granito e dejectos de fundição foram encontrados nos últimos trabalhos arqueológicos realizados em Pendilhe, Vila Nova de Paiva, revelando que o local terá sido usado para actividades ligadas à transformação do ferro.
Os trabalhos arqueológicos, desenvolvidos durante Setembro, deram continuidade aos iniciados no ano passado, no âmbito do projecto de investigação "Da Serra da Nave ao Vouga: Paisagens Humanas da Antiguidade Tardia à Alta Idade Média", inscrito no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos e financiado pelo Instituto Português de Arqueologia.
Segundo disse à Agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Pendilhe, Orlando Canseiro, a Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva está a equacionar a possibilidade de musealizar o local, de forma a permitir que seja visitado.
"Já tivemos várias conversas sobre essa possibilidade, que penso que se concretizará. Mas as descobertas são muito recentes, e a câmara está à espera da opinião dos arqueólogos", acrescentou.
O local, designado Largo da Latada, junto à Igreja Matriz, terá sido utilizado para actividades relacionadas com a transformação do ferro na época tardo romana, ou seja, do século IV em diante.
Segundo a autarquia, "são testemunho desta forja um forno rústico, construído de pedra e cerâmica, um almofariz de granito, que seria usado para triturar minério, e uma grande quantidade de dejectos de fundição, como escória e pingos".
"Entre o espólio recolhido contam-se centenas de pregos e rebites em ferro, bem como pesos pétreos que seriam usados no labor do ferreiro", acrescenta.
Todos estes achados arqueológicos se encontram "muito bem conservados" e permitem aos estudiosos "abrir uma janela sobre as actividades quotidianas do passado".
"A breve trecho, será possível reconstituir a actividade desta oficina, que funcionaria no âmbito de uma grande exploração agro- pecuária, situada junto a um eixo viário de importância trans- regional", sublinha a autarquia.
A musealização do local possibilitaria "uma leitura permanente do sítio", o que a autarquia considera "uma mais valia para a população local e para a região do Alto Paiva".
Orlando Canseiro mostrou-se convencido de que "esta ideia irá para a frente", o que poderá tornar a sua freguesia - onde já existe uma anta e um conjunto de 12 espigueiros tradicionais - "um importante pólo de atracção turística" na região.
A Câmara Municipal de Vila nova de Paiva tem apoiado os trabalhos arqueológicos que, além dos objectivos científicos, pretendem também funcionar como escola, ajudando a formar jovens estudantes de arqueologia.
Este ano, praticaram em Pendilhe as técnicas de trabalho de campo alunos das Universidades de Coimbra, Porto e Minho.
O sítio arqueológico em causa foi identificado em 2005 e "permitiu recuar quase mil anos as origens da povoação de Pendilhe", tendo os vestígios já recuperados levado a deduzir que terá tido ocupação humana a partir dos primeiros séculos desta era.
Segundo a autarquia, "as diferentes estruturas que estão em processo de escavação pertencem a distintas fases, que se estendem desde a época romana até à alta Idade Média, atestando várias remodelações na ocupação do mesmo espaço".
"São visíveis no local muros graníticos bem conservados, vêm- se as entradas de algumas divisões com as suas soleiras de porta e até alguns degraus. Existem vários pisos de argamassa, também bem preservados", descreve.
AMF Lusa/fim
Viseu, 26 Out (Lusa) - Um forno, um almofariz de granito e dejectos de fundição foram encontrados nos últimos trabalhos arqueológicos realizados em Pendilhe, Vila Nova de Paiva, revelando que o local terá sido usado para actividades ligadas à transformação do ferro.
Os trabalhos arqueológicos, desenvolvidos durante Setembro, deram continuidade aos iniciados no ano passado, no âmbito do projecto de investigação "Da Serra da Nave ao Vouga: Paisagens Humanas da Antiguidade Tardia à Alta Idade Média", inscrito no Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos e financiado pelo Instituto Português de Arqueologia.
Segundo disse à Agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Pendilhe, Orlando Canseiro, a Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva está a equacionar a possibilidade de musealizar o local, de forma a permitir que seja visitado.
"Já tivemos várias conversas sobre essa possibilidade, que penso que se concretizará. Mas as descobertas são muito recentes, e a câmara está à espera da opinião dos arqueólogos", acrescentou.
O local, designado Largo da Latada, junto à Igreja Matriz, terá sido utilizado para actividades relacionadas com a transformação do ferro na época tardo romana, ou seja, do século IV em diante.
Segundo a autarquia, "são testemunho desta forja um forno rústico, construído de pedra e cerâmica, um almofariz de granito, que seria usado para triturar minério, e uma grande quantidade de dejectos de fundição, como escória e pingos".
"Entre o espólio recolhido contam-se centenas de pregos e rebites em ferro, bem como pesos pétreos que seriam usados no labor do ferreiro", acrescenta.
Todos estes achados arqueológicos se encontram "muito bem conservados" e permitem aos estudiosos "abrir uma janela sobre as actividades quotidianas do passado".
"A breve trecho, será possível reconstituir a actividade desta oficina, que funcionaria no âmbito de uma grande exploração agro- pecuária, situada junto a um eixo viário de importância trans- regional", sublinha a autarquia.
A musealização do local possibilitaria "uma leitura permanente do sítio", o que a autarquia considera "uma mais valia para a população local e para a região do Alto Paiva".
Orlando Canseiro mostrou-se convencido de que "esta ideia irá para a frente", o que poderá tornar a sua freguesia - onde já existe uma anta e um conjunto de 12 espigueiros tradicionais - "um importante pólo de atracção turística" na região.
A Câmara Municipal de Vila nova de Paiva tem apoiado os trabalhos arqueológicos que, além dos objectivos científicos, pretendem também funcionar como escola, ajudando a formar jovens estudantes de arqueologia.
Este ano, praticaram em Pendilhe as técnicas de trabalho de campo alunos das Universidades de Coimbra, Porto e Minho.
O sítio arqueológico em causa foi identificado em 2005 e "permitiu recuar quase mil anos as origens da povoação de Pendilhe", tendo os vestígios já recuperados levado a deduzir que terá tido ocupação humana a partir dos primeiros séculos desta era.
Segundo a autarquia, "as diferentes estruturas que estão em processo de escavação pertencem a distintas fases, que se estendem desde a época romana até à alta Idade Média, atestando várias remodelações na ocupação do mesmo espaço".
"São visíveis no local muros graníticos bem conservados, vêm- se as entradas de algumas divisões com as suas soleiras de porta e até alguns degraus. Existem vários pisos de argamassa, também bem preservados", descreve.
AMF Lusa/fim
Texto enviado por Myst Cerridwen para a Mailing list de Pendilhe.

 

 

 

 

 

Vouzela

 

 

 

 

A história de Vouzela (“… Ai Vouzela … como os cristãos a adoravam e os mouros gostavam dela !” – nos versos de Correia de Oliveira.

Origem do nome:

«Do, Arquivo de História Pátria (1902)»:” O nome desta nobre vila provém, segundo alguns investigadores, de um árabe, mas é mais verosímil que seja oriundo dos rios Vougas e Zella, este último que atravessa a vila na parte extrema do oeste.

Os romanos chamaram ao rio Vouga, que corre quilómetro e meio a sul da vila, Vaca e Vácua, mas os de Leão chamavam-lhe Bauca e às duas ribeiras confluentes davam o nome de Bauceela.

Com a transformação da linguagem ficamos chamando Vouga e Vouzela ao rio e a um dos ribeiros, e Zela ao outro confluente.

Enquanto a fundação da vila está imersa em completa escuridade, mas como faz parte integrante do território de Lafões, deve ter a mesma origem histórica”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”O Dr. José Leite de Vasconcelos diz que “Vouzela” supõe Vaucella, de Vácua, nome do rio Vouga, na antiguidade”.

Em Vouzela, pode, de facto, ver-se o diminutivo de Vácua, ou melhor, da forma Vauca, por Vaucella (pequeno Vouga), nada tendo a surpreender chamar-se assim ao pequeno rio (hoje Zela) de preferência a outro afluente do Vouga, pois a denominação tem origens psicológicas muito acentuadas em qualquer topónimo. Além disto, apreferência é aparente, porque o Vouga inicial parece ter-se chamado Vouzela (co Tuela, o Tua superior), tendo-se indubitavelmente chamado assim um pequeno afluente do Vouga superior (como se vê no foral de Aguiar da Beira, século Xlll).

Como esse pequeno tributário se chamou Vouzela, o mesmo pode chamar-se outro – o riozinho que passa nesta vila e desagua, um pouco ao norte, no Vouga.

A denominação Zela actual, ver-se-á, representa, puramente, uma forma popular eferética (perda da sílaba inicial, foneticamente facilitada na expressão “rio Vouzela” por vocalização do V -, regular no conjunto, com assimilação do ou – resultante ao – o do primeiro termo).

Em todo o caso, a étimo Vaucella pode não ser o verdadeiro, apesar de ter por si a opinião de Leite de Vasconcelos, se – zella, representar o sufixo diminutivo – cella”.

 

Vouzela
http://www.cm-vouzela.pt/concelho.html
Situada na Beira Alta, Vouzela é um dos 24 concelhos do distrito de Viseu, e encontra-se a 350 m de altitude na margem esquerda do Rio Vouga, tendo ao seu lado direito a Serra da Gralheira e à esquerda a Serra do Caramulo. Sede concelhia de doze freguesias, com a extensão de 189 Km2, e uma população que ronda os 13.200 habitantes, tendo na sua sede pouco mais de 1.100 habitantes, Vouzela está situada em pleno coração da Região de Lafões.
A vila é pequena mas airosa: servida por boas vias de comunicação, ligada por camionagem a todo o concelho, possuindo transportes rápidos para os grandes centros e dotada de todas as infra-estruturas que tornam a vida cómoda e calma.
As suas várias casas quinhentistas, a atestar seu passado valor, harmonizam-se com construções modernas surgidas em zonas novas e espalhadas por toda a vila.
Junto à vila há paisagens maravilhosas a impressionar o visitante: a estrada que nos leva à foz do Rio Zela, tem um aspecto caracteristicamente alpino, com a esplêndida piscina natural que o Vouga ali nos proporciona. E o Monte do Castelo onde se localiza o magnífico Parque de Campismo, com todas as infra-estruturas que lhe proporcionam umas excelentes férias, para onde se vai numa estrada sinuosa de uns três quilómetros, permite-nos lançar a vista para um quadro estupendo, a conquistar o turista mais viajado, que dirá jamais ter visto igual beleza de tantos contrastes harmoniosos.
Mas o concelho é todo de percorrer com agrado.
Seguindo pela estrada do caramulo, repare-se em Paços de Vilharigues, de torre altaneira, infelizmente em ruínas, de vista bonita sobre a vila; demore-se em Cambra, de rico artesanato - tecedeiras de linho e cesteiros de vime; passando em Cambarinho, com os seus raríssimos Loendros (rododendros) floridos em Maio; olhe-se Campia, de motivos dignos de grande artista; e chegue-se a Alcofra, terra antiquíssima do Condado Portucalense.
Por outra estrada caramulana, podemos ir a Ventosa, com o seu Cruzeiro da Independência, donde se avista a vila de um ângulo maravilhoso. Subindo sempre por uma estrada florestal, faz-se o Circuito da Penoita, com um desvio ao Outeiro das Abas, panorama dos mais vastos do País, desde a Estrela portentosa à imensidão do mar.
Covas, centenas de metros adiante, é a aldeia tipicamente caramulana, tal como Carvalhal de Vermilhas que se adivinha ao longe, e Fornelo do Monte, já na encosta de Vale de Besteiros.
Vista de Covas - Fornelo do Monte
Por outra estrada, pode ir-se a Fataúnços, terra nobre de solares brasonados e observar os recantos de Figueiredo das Donas, da curiosa tradição do Tributo das Cem Donzelas. Mais longe, Queirã e S. Miguel do Mato, terras que foram de ricos subsolos, hoje modernizados num conjunto ameno aos olhos do visitante.
São estas as terras de Vouzela, ricas de culinária com a célebre Vitela de Lafões e o seu agradável vinho verde (Vinho de Lafões), a doçaria regional, onde têm lugar cimeiro os folares e os inigualáveis Pastéis de Vouzela, terras de tradições e de lendas, pletóricas de belezas naturais que, conjuntamente com as comodidades da época de que muito se orgulham, se oferecem ao turista e ao visitante para lhes proporcionar umas férias agradáveis e uns aprazíveis fins de semana.
As Freguesias:
* Alcofra * Cambra * Campia * Carvalhal de Vermilhas * Fataúnços
* Figueiredo das Donas * Fornelo do Monte * Paços de Vilharigues
* Queirã * S. Miguel do Mato * Ventosa * Vouzela

 

Vouzela
http://automaticnetwork.com

Concelho de Vouzela  ... a princesa de lafões 
Situada na Beira Alta, Vouzela é um dos 24 concelhos do distrito de Viseu, encontrando-se a Vila a 350 m de altitude na margem esquerda do Rio Vouga, tendo ao seu lado direito a Serra da Gralheira e à esquerda a Serra do Caramulo. Sede concelhia de doze freguesias, com a extensão de 193,7 Km2, e uma população que ronda os 11 916 habitantes, tendo na sua sede pouco mais de 1 485 habitantes, Vouzela está situada em pleno coração da Região de Lafões.
A vila é pequena mas airosa: servida por boas vias de comunicação, ligada por camionagem a todo o concelho, possuindo transportes rápidos para os grandes centros e dotada de todas as infra-estruturas que tornam a vida cómoda e calma.
As suas casas quinhentistas, a atestar o seu valioso passado, harmonizam-se com construções modernas surgidas em zonas novas e espalhadas por toda a vila.
Junto à vila há paisagens maravilhosas a impressionar o visitante: a estrada que nos leva à foz do Rio Zela tem um aspecto caracteristicamente alpino, com a esplêndida piscina natural que o Vouga ali nos proporciona. E o Monte do Castelo onde se localiza o magnífico Parque de Campismo, com todas as infra-estruturas que lhe proporcionam umas excelentes férias, para onde se vai numa estrada sinuosa de uns três quilómetros, permite-nos lançar a vista para um quadro estupendo, a conquistar o turista mais viajado, que dirá jamais ter visto igual beleza de tantos contrastes harmoniosos.
  Mas o concelho é todo de percorrer com agrado.
Seguindo pela estrada do caramulo, repare-se em Paços de Vilharigues, de torre altaneira, infelizmente em ruínas, de vista bonita sobre a vila; demore-se em Cambra, de rico artesanato - tecedeiras de linho e cesteiros de vime; passando em Cambarinho, com os seus raríssimos Loendros (rododendros) floridos em Maio; olhe-se Campia, de motivos dignos de grande artista; e chegue-se a Alcofra, terra antiquíssima do Condado Portucalense.
Por outra estrada caramulana, podemos ir a Ventosa, com o seu Cruzeiro da Independência, donde se avista a vila de um ângulo maravilhoso. Subindo sempre por uma estrada florestal, faz-se o Circuito da Penoita, com um desvio ao Outeiro das Abas, panorama dos mais vastos do País, desde a Estrela portentosa à imensidão do mar.
Covas, centenas de metros adiante, é a aldeia tipicamente caramulana, tal como Carvalhal de Vermilhas que se adivinha ao longe, e Fornelo do Monte, já na encosta de Vale de Besteiros.
Por outra estrada, pode ir-se a Fataúnços, terra nobre de solares brasonados e observar os recantos de Figueiredo das Donas, da curiosa tradição do Tributo das Cem Donzelas. Mais longe, Queirã e S. Miguel do Mato, terras que foram de ricos subsolos, hoje modernizados num conjunto ameno aos olhos do visitante.
São estas as terras de Vouzela, ricas de culinária com a célebre Vitela de Lafões e o seu agradável vinho verde (Vinho de Lafões), a doçaria regional, onde têm lugar cimeiro os folares e os inigualáveis Pastéis de Vouzela, terras de tradições e de lendas, pletóricas de belezas naturais que, conjuntamente com as comodidades da época de que muito se orgulham, se oferecem ao turista e ao visitante para lhes proporcionar umas férias agradáveis e uns aprazíveis fins de semana.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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