Distrito de VILA REAL

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Concelhos de:
Alijó, Boticas, Chaves, Mesão Frio, Mondim de Basto, Montalegre, Murça,
Peso da Régua, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião,
Valpaços, Vila Pouca de Aguiar

 

 

 

 

O Distrito de Vila Real,  pertencente à província tradicional de Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte com a Espanha, a leste com o Distrito de Bragança, a sul com o Distrito de Viseu e a oeste com o Distrito do Porto e com o Distrito de Braga. Área: 4328 km². Capital e Sede do  Distrito: a cidade de Vila Real.


Apontamento de 1900 (Jornal do Comércio):”O distrito de Vila Real é formado de uma parte da antiga província de Trás-os-Montes; tem uma superfície de 4.273,20 Km2 e uma população de 242.196 habitantes. Compreende 14 concelhos e 254 freguesias. Povoações principais: Vila Real, Chaves e Peso da Régua. Serras principais: Barroso (1.279 metros) e Pedrela (1.146 m). É banhado pelos rios Cavado e seu afluente Rabagão; pelos rios Tâmega, Corgo, Pinhão, Tinhela e Tua (afluentes da margem direita do rio Douro. A região do Vinho do Porto fica principalmente nesta região”.


 
Vila Real – (Capital e Concelho do Distrito de Vila Real)

 
 


 

 

Embora o primeiro foral tivesse sido concedido por D. Afonso lll, em 1272, foi D. Dinis quem garantiu à povoação estruturas políticas e económicas para que fosse a herdeira dos privilégios da velha Constantim, a antiga capital de medieva Terra de Panóias, pelo foral de 1289. Em 1515, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo.
Origem do nome::
A cidade de Vila Real mantém, apesar de ser cidade o nome de Vila, porque o adjectivo Real é o melhor pergaminho da terra: a fundação dada por el-rei D. Dinis.
Por isso, lhe ficou para sempre o nome de Vila Real a que às vezes se acrescenta, como todos sabemos, um determinativo – Vila Real de Trás-os-Montes para não haver confusões com outra Vila Real, a de Santo António, que fica no Algarve.
(Prof. Dr. Vasco Botelho do Amaral   1947).
“Apontamento do ano de 1900 do “Jornal do Comércio”:
“Vila Real é capital do distrito e cabeça de concelho. Fica situada entre os rios Cabril e Corgo, perto da serra do Marão, com 6.736 habitantes. É servida pelos caminhos de ferro do Douro. O concelho tem 28 freguesias e 36.062 habitantes.
O distrito de Vila Real tem uma superfície de 4.273,2 Km2 e uma população de 242.196 habitantes.
Compreende 14 concelhos e 254 freguesias. Os concelhos são: Alijó, Boticas, Chaves, Mesão Frio, Mondim de Basto, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Ribeira da Pena, Sabrosa, Santa Maria de Penaguião, Vale Passos, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real.
Serras principais: Barroso (1.279 metros de altitude) e Padrela (1.146 m). É banhado pelos rios Cávado e seu afluente Rabagão e também pelos afluentes da margem direita do rio Douro, Tamega, Corgo, Pinhão, Tinhela e Tua.
Neste distrito fica principalmente a região do afamado vinho do Porto”.
“Quem vier de Vila Real parará no Alto do Velão, e daí desfrutará inesquecível panorâmica. É desse empolgante palco natural que importa ir contactar com as Fisgas do Ermelo, de onde o rio Olo se despenha, onde as águias ainda fazem ninho”. (Trindade Coelho in “Trás-os-Montes).
Embora o primeiro foral tivesse sido concedido por D. Afonso lll, em 1272, foi D. Dinis quem garantiu à povoação estruturas políticas e económicas para que fosse a herdeira dos privilégios da velha Constantim, a antiga capital de medieva Terra de Panoias, pelo foral de 1289, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1515.
A característica cidade maronesa pode definir-se como agradável encruzilhada de acesso terrestre e aéreo, a Trás-os-Montes.
Emoldurada em policroma e fascinante paisagem natural, contempla permanentemente as contíguas serras do Marão (que outrora, dizia o, “não dá palha nem grão”, mas hoje se encontra quase inteiramente florestada, nela se situa a Pousada Nacional de São Gonçalo) e do Mesio, cuja beleza rústica nos conduz à vivência planática e medieva de Lamas de Olo. Ambas as serras contribuem, frequentemente no Inverno, para vestir Vila Real com esplendoroso manto de neve.
Próximo deste cenário foi tentado, no dealbar da Nacionalidade, o povoamento de Constantim, a que o Conde D. Henrique (pai do 1º rei de Portugal, D. Afonso Henriques) deu foral em 1096.
Como não tivesse resultado, D. Afonso lll criou Vila Real por carta de foro de 1272. No entanto, foi o rei D. Dinis (o verdadeiro povoador e construtor de toda a província de Trás-os-Montes e Alto Douro) quem, por seus forais de 1289 e 1293, instituiu na realidade Vila Real de Panóias, determinando-a com “mil probadores”, população que, aliás, ainda não tinha quando, em 1515, D. Manuel l lhe concedeu novo foral. E Vila Real de Panóias (ou Panóias) era, na Baixa Idade Média, o centro de um vasto território que teria por fronteiras líquidas os rios Tua, Teixeira e Douro, e onde tanto o culto dos deuses como o poderio militar eram romanos.
Extinta a hegemonia de Roma e atido a Lamego o domínio árabe, Vila real (de Panóias) apenas surgiu promissora quando a protecção dionisíaca a cingiu de muralhas e de um castelo na “vila velha”, monumento que, embora bem edificado sobre o promontório do Corgo, foi destruído no século passado.
Urbe com 700 anos de existência, não surpreende a beleza dos seus monumentos, de entre os quais se detaca a igreja (hoje Sé-Catedral da diocese e monumento nacional) do antigo convento de São Domingos, ali surgido no século XV. Sobressaem ainda a magnífica fachada da Capela Nova (obra do arquitecto Nasoni; a antiga Capela da Misericórdia; a janela em ângulo, do século XVl, da Casa dos Correias Mesquita e as janelas geminadas (manuelinas) do antigo Palácio dos Marqueses de Vila Real; o famoso e formoso Solar dos Mateus; a frontaria dos Paços do Concelho; a Casa dos Brocas, que foi da família do escritor Camilo Castelo Branco; as igrejas de São Pedro e São Dinis e a bela e muito antiga Capela de São Brás, dos primórdios da fundação de Vila real, onde se encontra o túmulo do Espadeiro, companheiro de armas de D. Afonso Henriques; a casa onde se supõe Ter nascido o grande navegador Diogo Cão; o sóbrio edifício do Governo Civil que foi solar do conde de Amarante, e, nas cercanias da cidade, a Torre de Quintela, vinda do século XlV, em Vila Marim, onde Camili Castelo Branco situa cenas de alguns dos seus romances; as Igrejas de Mondrões, de Guadalupe e de Mouçós (nas cercanias da cidade), extraordinariamente ricas em arte; os pelourinhos de Vila Real, de Lordelo e de Vale de Nogueira (Galegos). Enfim, tudo isto é Vila real, que se ufana de ter sido berço do comandante Carvalho de Araújo (comandante dum submarino que foi afundado pelos alemães durante a 1ª Guerra Mundial, ao largo dos açores após valorosa luta com os alemães) e de Diogo Cão (que em 1482, no reinado de D. Manuel l, descobriu o rio Zaire (Angola) e o reino do Congo. No ano seguinte percorreu toda a costa de Angola).
Têm igualmente interesse as Pontes de Piacais (do século Xlll, de três arcos e talha-mares), de Santa Margarida (século XVl, devida ao abada de Mouçós, D. Pedro de Castro), de Almodena (século XlX), a ponte romana de Torneiros, bem como o viaduto metálico sobre o rio Cargo, construído em 1904, de onde se avista um dos bairros mais antigos e típicos da cidade, a rua dos Ferreiros, ou Bairro Latino, com  as suas casas de granito dotadas de castiças adufas de madeira trabalhada, espécie de balcões ou sacadas..
No exterior da citada “vila velha”, de escarpas abruptas, assiste-se à confluência dos rios Cabril e Corgo, tendo neste sido construída uma pequena central eléctrica, que possibilitou a Vila Real tornar-se, em 1895, a primeira cidade portuguesa a ser iluminada por energia eléctrica.
Do outro lado, o monte Forca é panoramicamente valioso,  enquanto do Alto do Calvário se obtém larga perspectiva citadina. No picoto da Relva, acessível por estrada (a 1.150 metros de altitude), observa-se parte das margens do Corgo.
São bastante interessantes a etnografia e o folclore do concelho de Vila Real. É assim que, à boa maneira antiga existem as Tunas Populares de Meneses, Arrabães, Bisalhães, gontães e Campeã; as Bandas de Música de Nogueira, Mateus, Portela e Sanguinhedo; os Ranchos Folclóricos de Constantim, Nossa Senhora da Conceição, Borbela, Couto e Lordelo (este infantil), e os tradicionais zés-pereiras (bombos – tambores enormes) de Arrabães, Abambres e Campeã.
No que concerne ao artesanato, são de referir os bordados de Agarez e os diversificados barros de Bisalhães, de extraordinária arte popular.  Estes são vendidos no local, à beira da estrada, ou na tradicional Feira de São Pedro, anualmente realizada em Vila Real, de 27 a 29 de Junho.
Anote-se que a cozinha transmontana é muito valorizada por estes barros típicos, ficando primoroso o arroz no forno e outros cozinhados, quando eles são utilizados.
 Aliás, tanto a gastronomia de Vila Real como os seus afamados vinhos da região o chamado vinho rosé Mateus, mundialmente conhecido, são virtudes da melhor mesa, mormente quando tem o cabrito assado, o fumeiro e o excelente bacalhau à Espadeiro, o bacalhau com batatas a murro (batatas com casca), as tripas aos molhos, a bola de carne, não esquecendo a deliciosa doçaria tradicional: os pastéis de toucinho do céu, os covilhetes (pastéis de carne), os pitos (na Santa Luzia), as ganchas (no São Brás) e o serrabulho doce (na alturada matança do porco).
Em Trás-os-Montes é velho o adágio de que “para cá do Marão mandam os que cá estão”,  terá sido nesta escala silenciosa mas profícua que se desenvolveu toda uma cultura, primeiro conventual, quer por via de influência monástica, quer através da acção de dezenas de solares e do progresso de arquivos, bibliotecas e escolas.
Mas interessa do mesmo modo lembrar que a cidade possuí valioso recheio bibliográfico, herdado dos antigos conventos de Santa Clara e de São Francisco, bem como do Arquivo Distrital e de bibliotecas particulares.
Quem vier a Vila real “à descoberta de Portugal”, há-de atentar na sua história, no seu património artístico e na versátil panorâmica maronesa. 
Para além dos montes que limitam a leste o Minho, fica situada outra região, cuja fisionomia geográfica é bem diferente e que daquela circunstância expressivamente a designação: Trás-os-Montes. As próprias formas do relevo marcam bem o contraste entre as duas antigas províncias. Trás-os-Montes e Alto Douro, compreende sobretudo vastas extensões planálticas elevadas (à volta de 700-800 metros de altitude), dominadas por algumas serras não muito altas e cortadas por bacias que correspondem a abatimentos tectónicos e por entalhes erosivos muitas vezes guiados por acidentes estruturais.
SOLAR  DE  MATEUS
A silhueta do Solar Mateus é conhecida no mundo inteiro através dos rótulos do vinho rosé do mesmo nome. Uma visita a esta propriedade vale bem o esforço da longa viagem, pois este solar marca um dos pontos culminantes da arquitectura portuguesa.
O Solar de Mateus fica situado a cerca de três quilómetros da cidade de Vila Real.  Ao chegar à propriedade, envereda-se por um caminho curto até ao grande terreiro onde está o edifício. O espaço cenário, com gravita e areia a toda a volta, é ponteado por canteiros de flores e de buxos verdejantes, constantemente irrigados para que permaneçam viçosos. A casa está isolada no terreno, sendo possível caminhar à sua volta e observá-la em pormenor de qualquer ângulo, de modo que cada um dos quatro lados pode ser visto como uma fachada de estrutura simétrica.
VINHOS   DE  MESA
Sabe-se que já durante a ocupação romana se cultivava a vinha e se fazia vinho nos vales de Terras Transmontanas. Nesta região os solos são predominantemente xistosos, existindo também algumas manchas graníticas e, numa pequena área, manchas calcárias de gneises e aluvião. São duma maneira geral, solos ricos em potassa mas pobres em cal e ácido fosfórico. Assim, os vinhos de mesa da região de Trás-os Montes são bastante diferenciados, segundo os microclimas a que estão sujeitos (altitude, exposição solar, continentalidade, pluviosidade, temperaturas, etc.), tendo todos características de grande qualidade.
VINHO  DO  PORTO
Foi na segunda metade do século XVll que se deu a grande expansão do “Vinho de Riba d’ Oiro”, mais tarde chamado “Vinho de Embarque” e só depois se começou a chamar “Vinho do Porto”. Com a exportação deste vinho para Inglaterra, foram criadas taxas aduaneiras especiais, demarcando-se a região do Douro, com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.
Neste trabalho falámos no grande escritor português CAMILO  CASTELO  BRANCO:
Camilo nasceu em Lisboa em 1825. Autor de muitos romances dos considerados clássicos da Literatura Portuguesa, como: “Anatema” – “Mistérios de Lisboa” – “Livro Negro do Padre Dinis” – “A Filha do Arcediago” – “Cenas Contemporâneas” – “Onde está a Felicidade?” – “O que fazem as Mulheres” – “Memórias do Cárcere” – “A Bruxa do Monte Cordová” – “Agulha em Palheiro” – “Amor de Perdição” (a sua obra-prima, escrita em quinze dias de exaltação e de febre) – “Luta de Gigantes” – “A Queda de um Anjo” – “A doida do Candal” – “Eusébio Macário”, e muito outras obras, umas de pura imaginação, outras de paciente investigação histórica, outras ainda de crítica mordaz e acerba.
A vida do Camilo Castelo Branco foi também um grande romance de aventuras e cenas dramáticas e dolorosas.
A cegueira, de que foi acometido, e grandes desgostos morais, que o atormentaram na velhice, arrastaram-no para o suicídio em 1900.
Nos romances de Camilo desfila todo o cortejo das paixões humanas, tipos, caracteres, costumes, principalmente do norte de Portugal, aparecem nas suas páginas, desenhados e descritos com relevo magistral. O seu estilo é irregular, agitado, mas pitoresco e incisivo; o seu vocabulário é de uma incalculável riqueza. Pouco tempo antes do seu desastrado fim, o autor de ”Amor de Perdição” , fora agraciado com o título de visconde de Correia Botelho. Mas a História não registará senão o nome de CAMILO  CASTELO  BRANCO.
 
Vila Real
http://www.solaresdeportugal.pt/PT
Vila Real é a capital da província de Trás-os-Montes e uma cidade com vários séculos de história. Segundo se julga, terá sido habitada no Paleolítico. Depois, por ela passaram os celtiberos, os romanos, os bárbaros e os muçulmanos, sendo da época dos romanos o Santuário rupestre de Panóias. A região, pouco povoada, foi alvo de uma política de povoamento no século XII. No século XIII, D. Dinis fundou a "Pobra" de Vila Real de Panóias, que deu origem à cidade de hoje. Uma cidade onde se cruzam igrejas e conventos de várias épocas e estilos. Por ali passou o famoso arquitecto Nicolau Nasoni, deixando a sua obra visível na fachada da Igreja dos Clérigos e no solar que é um dos mais belos exemplos de arquitectura barroca em Portugal - a Casa de Mateus. Além deste solar, podem-se encontrar muitos outros nesta cidade que já chegou a ser conhecida como "A Corte de Trás-os-Montes".
Depois de descobrir as potencialidades de uma cidade que é capital de uma das mais importantes províncias vinícolas do país, não é preciso andar muito em torno de Vila Real para descobrir a simplicidade de uma pequena aldeia chamada Vilarinho da Samardã, onde Camilo Castelo Branco passou os primeiros e únicos felizes anos da sua vida. Depois, uma visita a Bisalhães e Vilar de Nantes remete-nos para a simplicidade do barro preto e das mãos que lhe sabem dar diferentes formas. São já as mulheres de Agarez que aplicam as suas capacidades no trabalho manual do linho.
 
Vila Real
http://www.apm.pt
VILA REAL é sede de concelho, capital de distrito e sede de Bispado desde 1922.
Os primórdios da  história da cidade remonta aos alvores  da formação de Portugal, mas para se perceber a sua fundação é necessário recuar brevemente a eras  mais longínquas.
Num tempo (desde o séc. I)  em que as legiões romanas percorriam  os caminhos pedregosos e hostis desta chão bravio, houve a norte de Douro um espaço geográfico a  que deram nome de  Terra de  Panóias, uma vasta região  rica e que tinha como núcleo populacional  mais relevante a localidade de Constantim. Um pouco mais adiante desta localidade,  erigiram os latinos, nos finais do século II ou nos inícios do séc. III ,  um santuário rupestre em honra e culto  a divindades  orientais,  e que ainda hoje pode ser visitado, como resíduo e enigma de uma era  florescente. Mas a névoa ensombrou o império romano e a noite apoderou-se do ocidente  europeu.   Ultrapassado o ano mil drapejavam, aqui, ao vento as bandeiras mouriscas, nos castelos de Aguiar, Lamego e Chaves (até 1160) . O território, ermado por frequentes razias cristãs e mouramas, raramente foi percorrido por D. Afonso Henriques, preocupado com outras campanhas e outros problemas.  O esforço de  povoamento havia de fazer nascer Vila Real dos escombros de Panóias, facto que  ocorreu nos finais do século XIII, por acção real,  tendo a região recebido, então,  o nome de Tras-los-montes. A fundação da nova povoação é atribuída ao rei D. Dinis, que concretiza iniciativas  frustadas dos monarcas anteriores, ao conceder-lhe  foral em 1289. Ficou na tradição que El-Rei veio aqui em pessoa e que foi ele que escolheu o lugar – um promontório de altas vertentes pedregosas, encaixado sobre a confluência dos rios Corgo e Cabril -  que não o nome, pois este dever-se-á a D. Afonso III.
Eleito rei, foi em Vila Real que D. João I agrupou as suas forças para ir ( início do Outono de 1385) submeter Chaves, fiel a  D. Beatriz. No século XV  e XVI, Vila Real,  tornou-se  num domínio senhorial dos Menezes descendentes, o primeiro governador de Ceuta  (D. Pedro de Menezes). O 3ºConde,  feito também  marquês em 1489,  mandou edificar o  Palácio da Torre ou Casa dos Arcos  (sita na actual Av. Carvalho Araújo) e à volta do qual se juntaram várias outras famílias nobres. Vila Real assemelhava-se, então, a  uma pequena corte. Mas com a Restauração todo este brilho se  extinguiu. Em 1641, considerado implicado, com outros, numa tentativa de regicídio de D. João IV, foi  degolado o 7º marquês e 3º duque e extinta a estirpe dos Menezes.
Depois da Revolução Liberal de 1820, Vila Real foi por vezes palco de muitos episódios. Em 26 de Fevereiro de 1823 foi mesmo constituído, aqui, no auge  do entusiasmo absolutista em luta contra o liberalismo vintista,  a Regência Provisória do Governo interino da nação, em nome de  El-rei D. João VI, presidido pelo incansável caudilho miguelista, Marechal Manuel da Silveira, 2º  Conde de Amarante.
Novos acontecimentos de relevância só no séc. XX, aquando da insurreição  realista promovida pelo monárquico Paiva Couceiro. Então, em 1919, Vila Real recebeu com dureza um ataque de civis e militares que ocupou, por pouco tempo,  a cidade e destruiu o Café Club.
No panorama sócio-económico, Vila Real é uma cidade ligada ao sector dos serviços (60%) sejam privados (banca e seguros) ou  públicos (correios, tribunais, finanças, saúde, ensino) e  está  em franco crescimento. A  agro-pecuária, a indústria alimentar, o comércio retalhista, a construção civil são outros sectores que compõem este ramalhete. Várias são as escolas básicas, secundárias, e profissionais com estruturas na cidade. A UTAD foi a grande impulsionadora da revitalização da urbe.  Na globalidade, o número de alunos rondará os 10.000 estudantes.
Animação cultural não falta. Inúmeras discotecas animam a noite. Colóquios, debates, lançamento de livros, concertos acontecem  frequentemente. No Museu  quinzenalmente acontece a tertúlia História ao Café que conta já com um público fidelíssimo.
São vários os monumentos  que constituem o seu património  arquitectural  artístico religioso e civil. Citamos a Capela Nova ou dos Clérigos, a Capela de S. Brás,  a Igreja de S. Dinis, a Igreja do Calvário, a Sé, a Igreja de S. Pedro, a Casa do Arco, os Paços do Concelho,, o Pelourinho e Solar de Mateus, o ex-libris da região,  obra de Nicolau Nasoni, verdadeira  jóias do barroco, obra-prima da arquitectura e heráldica setecentista, moradia do 2º Morgado de Mateus, antigo governador de S. Paulo, no Brasil, que o fez construir. Aqui existe o ambiente próprio para a realização de concertos de música clássica, que se realizam ao longo do ano, com particular ênfase para o Festival de Verão de Música Barroca. A fundação da Casa de Mateus é patrocinadora do Prémio D. Dinis. 
Não são abundantes os pratos culinários de crisma especificamente vilarealense. Há no entanto alguns  que são únicos:  bacalhau à Espadeiro, medalhões de  porco à Espadeiro, tripas aos molhos, posta à maronesa, milhos à romana; sopa tramontana, caldo de castanha, caldo d’unto, sopa à lavrador. Para um bom lanche há a bola de carne e para um bom chá  os pastéis de Santa Clara, as cristas de galo, as cavacas,  o toucinho do céu, as tigelinhas de laranja. Os covilhetes servem para qualquer ocasião.
A região transmontana tem para oferecer muitos e variados vinhos de versatilidade invulgar, provenientes de castas de eleição. Há-os macios e aromáticos ou acídulos,  há-os de taninos suaves, uns mostram a sua cor intensa  ou rubi, outros são frutados e aromáticos etc.
Vila Real é uma cidade airosa, dominada pelos perfis  dos morros curvilíneos, graníticos e  bronzeados  do Marão, do  Alvão e mais além dos da Padrela. Perto desenha-se  o anfiteatro único do Douro inolvidável, que  o homem e a tecnologia alteraram,  moldando-lhe as feições , sem lhe mudar, todavia,  o carácter, a beleza e a graça.
Vila Real pertence a uma  terra de afinidades  e de oposições. De um lado há   terras moles, de outro terras duras,  terras  onde o  granito  e o xisto  quartzíferos pré-câmbricos  dialogam. Esta é uma terra de altitudes e de ravinas e de vales profundos, de  rios e ribeiros, de frios e de calores, tempos de chuvas e de secas, terra de nove meses de inverno e três de inferno.
 A simplicidade das gentes  que agem por dois impulsos  contraditórios e complementares. De um lado o individualismo e de outro o comunitarismo. Por isso, podemos falar de um Reino Maravilhoso. “ Embora haja muita gente que diz que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. O que agora vou descrever, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que um ser humano pode imaginar .Senão reparem: Fica ele no alto der Portugal, como os ninhos ficam no alto das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. Quem o namora cá de baixo, se realmente é rapaz  e gosta de ninhos, depois de trepar e atingir a crista do sonho contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedra. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus genesíaco. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente rasga a crosta do silêncio uma voz atroadora:
 -Para cá do Marão, mandam os que cá estão! ...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de ,nós. Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
-Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
Os naturais... Homens de uma só peça, inteiriços, altos e espadaúdos, que olham de frente e têm no rosto as mesmas rugas do chão. Castiços nos usos e nos costumes... Ufanos da alma que herdaram querem-na sempre lavada nem que seja com sangue. A lendária franqueza que vem nos livros, é deles, realmente. (...) Bata-se  a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
- Entre quem é!  ( Miguel Torga)
Ribeiro Aires
 
Vila Real
http://www.cm-vilareal.pt/concelho
Nas margens do Rio Corgo, um dos afluentes do Douro, a cidade de Vila Real ergue-se a cerca de 450 metros de altitude, numa região que revela indícios de ter sido habitada desde o Paleolítico. Vestígios de povoamentos posteriores, como o Santuário Rupestre de Panóias, denunciam com segurança a presença dos romanos na região, mas os tempos que se seguiram, durante as invasões bárbaras e sobretudo muçulmanas, impuseram um despovoamento gradual que só terminou com a aproximação do séc. XII, com a outorga em 1096 do foral de Constantim de Panóias, pelo Conde D. Henrique.
Em 1289, por foral de D. Dinis (o primeiro dado por este monarca a Vila Real) é fundada a pobra de Vila Real de Panóias, que viria a transformar-se na cidade de hoje.
O êxito da povoação então fundada comprova-se com a evolução do número de moradores: dos cerca de 480 habitantes de 1530, Vila Real passa para cerca de 3.600 em 1795. Este crescimento deve-se em grande parte a uma localização geográfica privilegiada, entre o litoral e o interior, com ligações ao Porto, Chaves, Bragança e terras do Sul.
Nos sécs. XVII e XVIII Vila Real consolida o epíteto de “Corte de Trás-os-Montes”, que havia ganho com a presença dos nobres que aqui se fixaram por influência da Casa dos Marqueses de Vila Real, presença ainda hoje visível nas inúmeras pedras-de-armas que atestam os títulos de nobreza dos seus proprietários.
Como povoação mais importante em Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real adquiriu o estatuto de capital de província e, já neste século, na década de 20, viu reconhecido o seu peso económico, demográfico e administrativo com dois actos de grande relevo: a criação da Diocese em 20 de Abril de 1922 e a elevação a cidade em 20 de Julho de 1925.
Actualmente, Vila Real vive uma fase de crescente desenvolvimento, a nível industrial, comercial e dos serviços, com relevo para a saúde, o ensino, o turismo, etc, apresentando-se como local de eleição para o investimento externo.
População do Concelho: cerca de 50 mil habitantes.
Área do Concelho: cerca de 370 km2.

A Casa de Mateus
http://www.casademateus.com
A Casa de Mateus foi edificada durante a primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão (1688-1746), 3º Morgado de Mateus. A capela foi terminada pelo seu filho: D. Luís António de Sousa Botelho Mourão (1722-1798).
A Casa de Mateus é uma edificação barroca de planta rectangular, estruturada em dois corpos laterais, implantados no sentido noroeste/sudeste, e ligadas entre si, ao nível das fachadas posterior e principal, por duas alas que lhe são perpendiculares, conferindo ao conjunto uma grandiosidade e beleza de raro efeito plástico e arquitectónico.
“Planta composta em U, volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de quatro águas. Com dois pisos é intersectado ao meio por um corpo, destinado ao hall nobre de entrada, donde origina um pátio interior de planta quadrada e um outro pátio de entrada também em U, onde se desenvolve uma sumptuosa escadaria dupla. A fechar o pátio de entrada, um murete, suporte de uma balaustrada onde apoiam seis pináculos de granito. A fachada principal orientada a O., apresenta as extremidades das alas do U, empregando sobre as aberturas do 1º piso frontões triangulares simples, como os que percorrem as extensas fachadas laterais. No interior do pátio de entrada e a contrastar com esta linguagem seca, os vãos do mesmo piso possuem frontões ondulados e interrompidos. A encimar a frontaria onde se adossa a escadaria de entrada e ao centro uma pedra de armas. Sobre os telhados, assentes em cornijas de granito, nos cunhais e ângulos apoiam-se altos pináculos. Também no pátio interior desenvolvem-se duas escadarias duplas em fachadas opostas. Através do arco localizado debaixo do patamar de acesso ao andar nobre da escadaria do pátio de entrada estabelece-se ligação entre estes dois pátios. A relaciona-los uma sala a toda a extensão para a paragem das carruagens puxadas por cavalos. Após a passagem deste espaço e alinhados pelo arco já referido um outro na extremidade da fachada nascente conduz ao jardim. A capela junto à fachada lateral N. é de planta rectangular, dividida em três espaços, correspondendo às extremidades a capela-mor e ao sub-coro. O espaço intermédio possui um tecto em cúpula, encimado por um lanternim. O coro está apoiado num arco abatido. O arco cruzeiro que antecede a capela-mor, com um tecto em abóbada de berço apoia-se em colunas jónicas. A fachada principal da Capela orientada a O. apresenta um portal simples ladeado por quatro colunas onde assenta um arco de volta perfeita que envolve uma pedra de armas. Sobre este arco uma cartela com a data inscrita da fundação. A encimar este conjunto, duas volutas interrompidas.” IPA – Nº. 1714150004, Descrição, http://www.monumentos.pt.
A ala anterior é recuada, e dotada de uma dupla escadaria, que permite o acesso desafogado ao primeiro
piso, antecedida de um pátio de generosas dimensões e que, com os corpos laterais mais avançados, formatam a fachada principal do edifício.
A ala posterior fecha um outro pátio interior, de menores dimensões, aberto, e remata a fachada a sudeste, que abre para os jardins da Casa e fachada lateral da Capela.
É de admitir a possibilidade de intervenção de Nicolau Nasoni nesta edificação, pelo menos na secção central do palácio (fachada poente), conforme defende Vasco Graça Moura, no seu livro “Figuras em Mateus” (pp. 18-28), com base nos estudos de Robert Smith sobre este arquitecto toscano, a que acrescenta uma bem estruturada fundamentação técnica e artística em abono desta teoria, remetendo para o período que medeia entre 1739 e 1743, a elaboração do “risco” e respectiva execução da secção referida.
Esta forte probabilidade de Nicolau Nasoni ter intervido, senão na totalidade, ao menos em parte do edifício, confere-lhe um valor acrescido ao, já de si, importante (e imponente) palácio, quer pelas generosas dimensões que ostenta, quer pela forma como foi concebido nas suas relações espaciais e funcionais.
O conjunto é ainda complementado com a Capela da Casa, situada a nordeste da mesma, de natureza estilística algo diferenciada do corpo principal do palácio, mas nem por isso menos exuberante nos pormenores decorativos, e igualmente marcante pela altura que patenteia e pela volumetria que lhe está associada, conferindo um equilíbrio notável à totalidade da edificação.
Os diversos anexos existentes no espaço da cerca, com realce para o edifício da “Nova Adega”, uma construção que data, originariamente, do séc. XVI, situada nas proximidades da capela, em frente à fachada norte do edifício principal; o denominado “Barrão”, localizado em zona mais distante da Casa, certamente celeiro e espaço de “arrumos” da eira que se estende à sua frente; e ainda os magníficos jardins que rodeiam o edifício principal, completam toda esta estrutura edificada, conferindo-lhe características muito próprias e permitindo possibilidades de “tratamento” museológico excepcional, pela funcionalidade e capacidade de adaptação de cada espaço considerado às novas funções que se pretendem introduzir no circuito expositivo da Casa.
Agostinho Ribeiro - Conservador Museólogo
 
 



 
Alijó – (Concelho do Distrito de Vila Real)
 

 

 
 
Teve foral concedido por D. Sancho ll em 1226 e renovado por D. Afonso lll em 1269. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1514. Pertenceu ao marquês de Távola e mais tarde foi integrada nos bens da Coroa.
Origem do nome:
«Pinho Leal em Portugal Antigo e Moderno (1874)»:”Parece que Alijó vem do hebraico azoh a quem os árabes chamam azzof, significa hisopo, erva. Os mouros lhe juntaram o seu artigo al, e ficou Alzof ou Alzob, que facilmente se corrompeu para Alijó. Se assim é, quer dizer, terra o hisopo.
Em um manuscrito, que possuo, e que trata de muitas antiguidades (mas sem data nem nome de autor) diz-se que esta povoação é do tempo dos romanos, ou, pelo menos, dos godos, e que sendo conquistada pelos árabes, foi senhor dela Ali-Job, que lohe deu o nome. Acho isto mais verosímil que o tal alzof ou alzob”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Ainda se fés eco duma varsão fantasista, que pode ser assim narrada pouco mais ou menos. No tempo, em que Jesus-Cristo andava pelo mundo, sucedeu uma vez passar por aqueles sítios, quando Job lhe perguntou onde estavam os ladrões. Jesus-Cristo respondeu-lhe: “Ali Job. Daí o nome do lugar.
Há mais outra versão, que também não passa de fantasia e que costuma ser contada como anedota. Segundo esta, em tempos muito remotos dirigiam-se alguns viajantes s determinado ponto, quando, já fartos de caminhar, perguntaram ao guia se ainda faltava muito para completar o percurso. A resposta foi que “era ali já”, mas, como os viajantes reconhecessem que tal resposta fora dada apenas para os animar, retorquiram que “não era ali já”, mas seria Alijó (ali jó) o lugar que avistavam. E assim lhe ficou o nome…
O étimo Alijó ter que ser outro muito diferente. O vocábulo foi devidamente estudado por autores do nosso tempo e a conclusão mais aceitável é a que o apresenta como forma prostética de Lijó, por sua vez resultante do diminutivo latino lajeola, que significa lajeazinha ou pedrazinha. A evolução é perfeitamente idêntica à que se deu com o latim ecclesiola até chegar ao nosso topónimo Grijó…
Alijó é, pois, nome que nos veio do latim medieval e que tem etimologicamente o significado que foi indicado”.

Alijó
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A vila de Alijó, situada a cerca de 45 quilómetros da capital do Distrito - Vila Real - localiza-se numa vasta área de cultura castreja. Sofreu, como tantas outras localidades do actual concelho, as vicissitudes resultantes da romanização e da ocupação mourisca.
Implantada num eixo que terá servido de fronteira em permanentes mutações, dividia cristãos e árabes. Foi por estes destruída e posteriormente abandonada.
Só a partir do primeiro quartel do século XII é que graças aos sucessivos forais outorgados por D. Sancho II, (1226), D. Afonso III (1269) e, mais tarde, por D. Manuel I , já no século XVI (em Julho de 1514), recomeçou o seu povoamento.
Serviu de motivação para os que demandaram este concelho, além das regalias concedidas, o seu clima e solos extraordinariamente ricos, particularmente para a produção de vinho generoso, acreditado "embaixador português" em todo o Mundo.
No entanto, só a partir dos séculos XII e XIII é que se assistiu a uma ocupação ordenada, tendo sido atraídos vários representantes da nobreza e da alta burguesia. Foi o caso do marquês de Távora - primeiro donatário de Alijó e seus termos, bens incorporados na Coroa após a execução dos Távoras, em pleno consulado pombalino.
Pelo Concelho de Alijó, existem dispersas várias manifestações do seu povoamento antigo, desde castros a pinturas rupestres e a vestígios de estradas romanas. A própria hagio-toponímia evidencia que do século VII ao século XIII se manteve na área do concelho uma população laboriosa, a qual conseguiu sobreviver às investidas quer dos mouros quer dos cristãos das Astúrias.
Alijó, cuja etimologia teria origem na existência da história Legio Spetima Gemina, outras teses nos indicam que o topónimo advém da palavra Ligioo, mais tarde Lijó, que pretenderia significar a natureza pedregosa do local naquela época, tem a sua monumentalidade representada pelo pelourinho, algumas casas solarengas e a igreja com o seu conjunto de alfaias, objectos de culto e várias imagens de relativo valor.
O conjunto de arquitectura religiosa nesta vila, completa-se com as capelas do Senhor do Andor ou dos Passos; a capela de Nossa Senhora dos Prazeres, no monte da Cunha, a de Santo António, no monte do Vilarelho;
A arquitectura civil, com excepção do pelourinho, está praticamente circunscrita à existência do edifício da Câmara Municipal - Paços do Concelho - parte do qual construído no século XVIII e outra parte no século XIX. O brasão que coroa este edifício encontra-se picado, feito levado a cabo pelos soldados franceses na Guerra Peninsular e no qual, em vez das armas do concelho, mandaram pintar as águias napoleónicas, então ainda triunfantes.
Próximo do monumental Plátano oriental, considerado M.N., mandado plantar pelo visconde da Ribeira de Alijó, em 1856, fica a antiga Casa dos Távoras; porém, o mais importante solar que existiu nesta vila, foi sem dúvida, o Solar dos Viscondes de Alijó, no qual se encontra instalado grande parte do comércio local.
Alijó é sede de um concelho essencialmente agrícola que se estende desde a margem direita do rio Douro até aos limites do Concelho de Murça e , ainda, entre os rios Tinhela, Tua e Pinhão, que lhe conferem uma área aproximada de 300 km2 envolvendo 49 povoações, em 19 freguesias e quase 20.000 habitantes.
São as suas gentes, na sua maioria, rurais que contribuem para o desenvolvimento e riqueza do concelho, aplicando-se na dureza do trabalho do campo; A norte, a zona de planalto granítico e a sul o terreno xistoso, inclinado para o Douro, onde predomina a cultura da vinha e onde se produz o Vinho do Porto.
Terra rica em manifestações etnográficas, a sua gastronomia possui um sabor requintado e poderoso, onde reinam o cabrito assado, o cozido à portuguesa, as tripas à transmontana, as carnes fumadas, a célebre bola de carne, e os milhos (da zona da montanha). É de salientar também o famoso pão de Favaios muito apreciado e procurado por toda a região. Na doçaria, o destaque vai para as célebres cavacas e amêndoas cobertas de Santa Eugénia, quinzinhos, pudim de amêndoa, pão-de-ló de água, bolo borrachão e muitos outros de reminiscência conventual.
No campo do turismo, Alijó tem imensas propostas a oferecer aos visitantes, como o turismo fluvial no rio Douro; o turismo ecológico na foz do Tua, local privilegiado para a pesca desportiva, e uma riqueza imensa de miradouros e paisagens.
Tendo Alijó tradições antiquíssimas no que respeita às feiras, festas e romarias, são estas também uma importante atracção turística.
Por tudo isto e pelas suas características de uma tranquilidade e hospitalidade únicas, Alijó constitui sem dúvida, um dos locais mais aprazíveis para passar umas férias de sonho, na quietude de um cenário quase paradisíaco.
 
Alijó
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 presença humana dentro da área do concelho de Alijó, vem da noite dos tempos.
O espólio recolhido pelos apaixonados da arqueologia testemunha essa presença desde a Idade da Pedra Lascada, presença também assinalada, relativamente a outras idades pré-históricas em momentos vários espalhados por todo o concelho, alguns de raro valor.
No campo da arte primitiva, (Neolítico e Idade do Bronze), existem as Pinturas Rupestres da Pala Pinta - Carlão, um dos três únicos exemplares actualmente conhecidos no país.
Regista-se também a existência de Gravuras Rupestres: Igreijinha e Botelhinha em Pegarinhos a que se podem acrescentar as Gravuras (fossetes e pegadas), do Castro do Castelo em Carlão, em cuja área se encontra igualmente um curioso exemplar de incultura. Um berrão.
Da cultura Megalítica, destaca-se o Dólmen ou Anta da Fonte Coberta, a cerca de um quilómetro para noroeste da povoação de Vila Chã.
 
Alijó
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Estamos em plena paisagem duriense, sempre bela e imprevista a cada elevação de terreno. Há estradas que são miradouros contínuos, como a que desce de Alijó para o Pinhão. A própria zona planáltica de Alijó e Favaios, coberta de vinha, tem uma beleza invulgar. Vê-se em tudo que é o vinho a seiva da região. Alijó produz de tudo: vinhos de mesa, finos, moscatéis, até espumantes. E é ainda o vinho o tema duma notável série de azulejos na estação do caminho-de-ferro do Pinhão.
O concelho foi povoado desde a pré-história, como provam os monumentos megalíticos, como a Anta da Fonte Coberta, os castros e as pinturas rupestres (Pala Pinta e Pegarinhos). Os romanos passaram por aqui e deixaram a sua marca, sobretudo pontes (Cheires, Sanfins do Douro e Carlão). Já em plena nacionalidade, Alijó teve forais de D. Sancho II, D. Afonso III e D. Manuel I. Um pelourinho recorda as prerrogativas medievais. São Mamede de Ribatua foi também povoação de certa importância: recebeu carta de foral e ostenta o seu pelourinho de gaiola.
No séc. XVIII, com o incremento económico trazido pela demarcação pombalina, a região conhece uma certa prosperidade, manifestada na construção de solares em muitas povoações e na reconstrução de velhas igrejas herdadas da Idade Média.
A cultura de raiz popular tem grandes tradições no concelho. A gastronomia é forte e bem temperada, como pertence a terras de montanha, e regada com a sua generosa carta de vinhos. Grupos folclóricos mantêm laços com velhas formas musicais e coreográficas. As festas e romarias conservam um travo de épocas antigas em que constituíam acontecimentos de capital importância não só religiosa, como também económica e social. Salientem-se as romarias de Nossa Senhora de Perafita, no extremo norte, cujo ponto de atracção é uma bonita capela barroca onde se guardam uma vasta colecção de ex-votos; e a de Nossa Senhora da Piedade, alcandorada num mirante de largos horizontes próximo da vila de Sanfins do Douro, que se faz no segundo domingo de Agosto com grande concurso de romeiros, que disputam por bom preço a honra de pegar ao andor da Senhora, na procissão.

 
 

 


Boticas – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 
 

 
Região demarcada desde a 1ª Dinastia, tendo sido doada por D. João l ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, que nestas paragens casou com a viúva, ainda jovem, D. Leonor Alvim.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)».”Deve ser o mesmo nome comum, sinónimo popular de farmácia, mas que antigamente exprimia a ideia de “qualquer pequena loja de mantimentos ou de miudezas”. O étimo de botica está no latim apotheca, por intermédio do francês boutique”
 
Boticas
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O concelho de Boticas, com uma população residente de 6411 (Sensos de 2001), é uma realidade e instituição recente. É uma criação do liberalismo Português do Século XIX, bem como o produto das grandes reformas da Administração e da divisão territorial Portuguesa, desencadeada pela Segunda Revolução Liberal de 1832. O concelho de Boticas foi legal e definitivamente constituído através do Decreto de 6 de Novembro de 1836, com freguesias desanexadas dos vizinhos concelhos de Chaves e Montalegre e extinção do concelho de Dornelas. Apesar da fundação do concelho de Boticas ser recente, não significa que os povos que o constituem datem de tão fresca data. Pelo contrário, as suas origens perdem se na imensidão dos tempos. Desse facto nos falam designadamente os abundantes castros pré históricos, bem como os variadissimos monumentos romanos existentes em toda a área do concelho. Naturalmente que sob tão clarividência de factos fica bem provado que quando em 1836 Boticas se emancipou, havia já muito tempo que tinha atingido a maioridade. 1.° Domínio Português Barroso, como aglomerado político remonta ao tempo dos Afonsinos. D. Afonso II, o Bolonhês, tentou em 1273 aglutinar a população de Barroso, mas não o conseguiu. D. Afonso IV continuou a obra dos seus antecessores e em 1331 concluiu os castelos e muralhas do castelo de Montalegre. D. Fernando doou estas terras a Rui Vasques Pereira em 1367, e mais tarde a Vasco Gonçalves Barroso. De mão em mão andou esta terra, até que D. João I fez o seu amigo D. Nuno Alvares Pereira, senhor das Terras de Barroso, e desde então tal senhorio nunca mais saiu dos Duques de Bragança, seus descendentes. 2.° Tempo dos Mouros Do fluxo e refluxo dos bárbaros e sobretudo dos Mouros por estas terras durante a Idade Média falam abundantemente as tradições locais, que para se referirem a tudo o que é antigo dizem ser do tempo dos mouros. (Ex. Côto dos Mouros, Penedo dos Mouros, Estrada dos Mouros, Cova da Moura, Moura Encantada, Mouril ...) 3.° Tempo dos Romanos Para provar o domínio dos Romanos nesta região durante as remotas eras da História Antiga, bastaria mencionar a título de exemplo, as moedas dos Imperadores Constantino Ducas, encontradas em Covas de Barroso em 1880, e a de Adriano (117 138) achada em Pinho em 1900, os Poçosdas Freitas ou as minas de Carvalhelhos, onde os romanos exploraram largamente o ouro e o estanho, a Ponte Pedrinha, sobre o rio Beça... 4.° Tempos Pré Históricos Dos povos pré históricos, indígenas ou aborígenes, que aqui viveram ou por aqui evoluíram, nos falam os numerosos ( 27 ) Castros, a saber: 1: Cornos das Alturas, 2: Mena ou Couto dos Mouros, 3: Castelo de S. Romão (Alturas de Barroso), 4: Cunhas, 5: Gorda, 6: Malhó ou Amalhó, 7:Nossa Senhora das Neves (Ardãos), 8: Carvalhelhos, 9: Torre (Beça), 10: Nogueira, 11: Brejo, 12: Calhau dos Corvos, 13 Cidadonha (Bobadela), 14: Couto de Mouros, 15:Outeiro do Pardo (Boticas), 16: Poio ou Naia, 17: Secerigo (Codeçoso), 18: Poio (Covas de Barroso), 19: Giestosa ou Souto da Lamas, 20: Lousas ou Ervas Ruivas (Domelas), 21: Cabêço (Granja), 22: Mouril (Pinho), 23: Sapelos, 24: Muro ou Cerca, 25: Ribeira (Sapiãos), 26: Castelo dos Mouros (Vilar), 27: Lesenho (Viveiro). Pelo estado de conservação e pela sua importância, de entre os vinte e sete castros existentes, no concelho de Boticas, destacam se dois, o de Carvalhelhos e o de Lesenho, respectivamente. O primeiro, é uma das mais conhecidas estações castrejas do Noroeste Peninsular e está situado na freguesia de Beça, no cimo de um monte sobranceiro à estância termal de Carvalhelhos. O segundo situado nas proximidades da aldeia de Campos, freguesia de S. Salvador de Viveiro que é classificado como imóvel de interesse público e considerado como o mais importante santuário castrejo lusitano existente. Aí foram encontradas quatro estátuas de Guerreiros Calaicos ou castrejos, que são actualmente o expoente máximo da arqueologia Nacional e representam, segundo os melhores especialistas nesta matéria, a imagem da divindade e o caracter guerreiro das civilizações castrejas que habitaram esta região. Actualmente, as estátuas, encontram se em Lisboa sendo o ex libris, do Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. Refira se a propósito que as autoridades e população de Boticas anseiam e reclamam o regresso destes guerreiros, às suas origens. Por se considerar de interesse para a história do concelho de Boticas e também por se tratar de figuras ilustres, vamos elencar os nomes de todos aqueles que foram presidentes da Câmara Municipal de Boticas, bem como as datas de início dos respectivos mandatos. A instalação e l.a reunião da Câmara Municipal de Boticas teve lugar no dia 18 de Janeiro de 1837. Foi presidida pelo Dr. Ignácio José Gomes Calvão, que se tornou no 1.° presidente da Câmara, cargo que acumulava com os de juiz e notário. Sucederam lhe no cargo de presidente da Câmara: 2 Francisco Dias de Freitas 10/1/1838; 3 José Narciso Alves Vieira 9/6/1838; 4 Ignácio José Gomes Calvão 1/1/1839; 5 Francisco de Paulla Dias Sanches 1/1/1840; 6 Domingos Gonçalves 2/1/1843; 7 António Afonso 2/1/1845; 8 Domingos Gonçalves da Fonte 21/9/1846; 9 Francisco Xavier Teixeira 2/1/1850; 10 André Gonçalves da Costa 2/1/1852; 11 Francisco Gonçalves Sanches 25/03/1852; 12 Domingos Gonçalves da Fonte 9/1/1854; 13 Francisco Bernardo Machado 2/1/1856; 14 José António Gomes Pereira 2/1/1858; 15 Domingos Gonçalves da Fonte 2/1/1860; 16 António Annes 2/2/1862; 17 Francisco José Monteiro 2/5/1864; 18 José António Gomes Pereira 30/10/1865; 19 Dr. João de Sousa Vilhena 1/04/1868; 20 Francisco José Ferreira de Andrade 2/1/1870; 21 António Annes 5/1/1872; 22 José António Gomes Pereira 2/1/1876; 23 António Anes 2/1/1878; 24 José António Gomes Pereira 24/8/1878; 25 Francisco José Monteiro 2/1/1887; 26 Anselmo José Martins 2/1/1893; 27 Padre Pedro José Maria de Freitas 2/1/1899; 28 José Manoel Rodrigues 2/3/1903; 29 André Ferreira da Costa 3/1/1906; 30 Padre José Maria Pereira Alves Sanches 30/11/1908; 31 Dr. Joaquim Alves Carneiro 10/10/1910; 32 Pedro António Vieira 3/1/1914; 33 Francisco Venâncio de Medeiros Pereira 2/1/1915; 34 Henrique Adelino Lopes Carneiro 2/1/1918; 35 António Joaquim Pereira da Silva 9/6/1919; 36 Dr. Armindo Arnaldo Martins 2/1/1923; 37 Am'bal Augusto Monteiro 24/7/1926; 38 Virgílio António de Miranda 17/8/1929; 39 Dr. José Pinto de Freitas 16/1/1932; 40 João Evangelista Gonçalves Dias 15/3/1937; 41 Dr. António José Monteiro Dias de Oliveira 2/1/1945; 42 Avelino Alves de Miranda Junior 14/5/1948; 43 Avelino Alves de Miranda 9/6/1948; 44 António Pastoria Mourão 2/10/1950; 45 Eng.° Tec.° Agrário Albino dos Santos Oliveira 9/2/1959; 46 Dr. Rogério Braúlio Martins 22/ 02/1971; 47 Eng.° Tec.° Agrário João Manuel Vidigal Caldeira Pais 12/2/1973; 48 Manuel Lourenço de Carvalho 26/6/1974; 49 Prof. João Batista Fernandes 4/11/1974; 50 Prof. Domingos Magalhães 11/7/1975; 51 Dr. José Joaquim de Sousa Fernandes 05/1/1977; 52 Eng.° Tec Agrário Fernando Pereira Campos 07/1/1994
LOCALIZAÇÃO
O concelho de Boticas está situado na parte noroeste de Portugal, província de Trás os Montes, Distrito de Vila Real. Os seus limites confinam com cinco concelhos. Do Norte com os de Montalegre e Chaves; Do sul com o de Ribeira de Pena; A Nascente com o de Chaves e Vila Pouca de Aguiar e do Poente com o de Montalegre e Cabeceiras de Basto. Actualmente o concelho de Boticas ocupa uma área de 312,41 Km2, estendendo se desde o rio Tâmega à Serra das Alturas e das Serras de Melcas e dos Marcos às serras do Leiranco e Pastoria. Integra se no agrupamento de municípios de Alto Tâmega, fazendo também parte integrante da lendária Região de Barroso a qual é constituída, na sua generalidade, por uma massa compacta de terras altas, de topografia complicada, onde sobressai um aglomerado de picos e serras separadas por largas depressões de planaltos.
CLIMA
O clima, frio mas seco, está condicionado por numerosos factores, tais como a latitude, a altitude, a aproximação do mar e vegetação predominante. Desta forma a região é caracterizada por um inverno agreste e prolongado durante o qual ocorrem alguns nevões e geadas, atingindo temperaturas com vários graus negativos. A Primavera é, em regra, bastante fresca, podendo estar sujeita a geadas. Em Maio tudo começa a florir. No Verão as temperaturas poderão subir acima dos 35 ou 40 graus durante o dia. Contém duas zonas agrícolas bem diferentes: a mais baixa, formada pelas bacias interiores dos rios Terva e Beça e a margem direita do rio Tâmega que apesar de muito restrita constitui uma das zonas mais ricas do concelho, visto aí existir uma exuberante vegetação e variedade de culturas, desde a vinha aos pomares e cereais. Na zona mais alta do concelho, existem extensas áreas de prados naturais (lameiros) mas desconhece se a oliveira e a videira, cultivando se em larga escala, o centeio e a batata.
TRADIÇÕES
Boticas tem o encanto próprio das terras transmontanas, encanto de que naturalmente participam os seus habitantes, orgulhosos das suas origens e tradições. Festa das papas: Festa em honra de São Sebastião, que se realiza no lugar de Vila Grande, freguesia de Dornelas, no dia 20 de Janeiro de cada ano. A sua famosa mesa, designada por mesinha de São Sebastião é posta ao longo das ruas da aldeia, coberta com toalha de linho, que chega a ter mais de 500 metros de comprimento, para servir gratuitamente a todos os habitantes e forasteiros, um almoço composto de pão, arroz e carne de porco cozida. Diz a lenda que aquando da 2.ª invasão francesa, S. Sebastião fez um "milagre" e evitou que os soldados de Napoleão os espoliassem porque passaram ao largo. O povo acredita que nos anos em que se fizer a festa em honra de S. Sebastião, não haverá nesta aldeia nem fome nem peste. "Os mortos de Boticas". Nome lúgubre! São contudo, deliciosos os vinhos que eles designam, pois de vinhos apenas se trata, vinhos que constituem uma autêntica especialidade regional. O vale de Boticas produz um delicioso vinho verde amadurado, palhete, conhecido em quase todo o país pelo nome de " Mortos de Boticas". Trata se de um vinho com características muito especiais e de qualidade única e precioso. Conta se que por ocasião das invasões francesas (2.ª 1808) os moradores de Boticas tiveram necessidade de esconder todos os seus haveres, a fim de se protegerem das pilhagens dos invasores. O vinho não fugiu à regra. Foi engarrafado e de seguida enterrado. Mais tarde e após a partida dos invasores, o vinho foi desenterrado e para surpresa e gáudio das pessoas, este adquiriu qualidades excepcionais, mais apurado e agradável ao paladar, antes desconhecidas. Tornou se tradição enterrar o vinho e que perdura até aos nossos dias. Para efeitos comerciais, foi registada a sua patente pela antiga casa dos " Mirandas". As famílias dos Martins, Queirogas, Macedos, Lameiras, do Padre Bento e Dr. Pinto de Freitas foram as que mais se salientaram, designadamente na selecção das castas, (Alvarelho, Fernão Pires, Bastardo e Tinta Carvalha), as quais lhes conferem uma qualidade superior. Hoje, este produto regional é já uma raridade.
São Cristóvão no Rio: Por ocasião das festas de Boticas, é costume colocar a imagem de S. Cristóvão no rio, com o Menino Jesus num dos ombros, parecendo que vai transportà lo assim, mais uma vez... mais uma vez cada ano, em dia da Senhora da Livração, padroeira de Boticas. Esta imagem gigantesca é colocada no espelho de água, do ribeiro de Fontão, também conhecido por Lago de S. Cristóvão, situado no centro da Vila de Boticas, com o intuito de fazer se a revivescência da história de S. Cristóvão. Este homem gigantesco que ao bem se dedicara, passando aos ombros, de um para outro lado do rio, todos aqueles que de outra forma o não conseguiriam. Em Boticas, esta tradição remonta aos anos trinta do Século XIX.
Ponte Pedrinha no rio Beça: Conta se que quando os mouros andavam a construir a ponte, só trabalhavam de noite. De dia não o faziam com medo de que os matassem. Dessa maneira foram construindo a ponte, utilizando apenas pedras miúdas. Acontece que, quando estavam quase a terminar  tiveram que fugir. Faltava apenas uma pedrinha, mas nunca a conseguiram colocar. Daí o nome da ponte.

 
 

 

 



Chaves – (Concelho do Distrito de Vila Real)
 
 


 
 
Os romanos chamavam a Chaves Aquae Flaviae. Desenvolveu-se junto às nascentes termais a que deve a sua prosperidade. Ficou a pertencer definitivamente à Coroa Portuguesa em 1160, pois fez parte do dote de D. Teresa. Recebeu o primeiro foral e privilégios em 1258 de D. Afonso lll, confirmados em 1350 por D. Afonso lV. Devido à sua situação estratégica, foi teatro de variadíssimos combates ao longo dos séculos, o último dos quais em 1912, aquando da última tentativa de restauração da Monarquia.
A  ORIGEM  DO  NOME:
“A cidade de Chaves deve a sua origem a umas nascentes de águas sulfúreas, que foram ali descobertas no tempo dos romanos.
O imperador Flávio Vespasiano, tendo notícia de tão importante descoberta, ordenou no ano 78 de Cristo, que se edificasse próximo das nascentes uma povoação, a qual denominou “Aquae Flaviae”, ficando logo considerada colónia romana. Mais tarde o nome foi substituído por “Aquae Calidade” que queria dizer “águas quentes”. Mas este segundo nome não durou muito, e, como se supõe, por abreviatura chamaram-lhe “Clavis”, e, finalmente, no tempo de D. Afonso Vl, de Leão, no ano 1080, principiou a chamar-se “Lhaves”. Daqui, como tudo nos leva a crer o seu actual nome – Chaves”. (Dr. Teixeira Monteiro de Barros – 1898).
“Chaves, hoje progressiva cidade da província de Trás-os-Montes, foi uma antiquíssima povoação, a que os árabes deram o nome de Campo da Roda correspondente a Jardim  das  Hespérides, segundo conta um panegirista local.
Chaves é o legítimo representante do ablativo latino “Flaviis”, donde derivou normalmente, notando-se que não é este o exemplo único de um topónimo provir do caso ablativo, pois o mesmo sucedeu, por exemplo, com Sagres, tirado de "“Sacris".
Note-se ainda que o nome próprio de Chaves nada tem que ver com o nome comum de chaves, que nos veio do acusativo latino clavem (plural, claves), e isto apesar de o brasão da conhecida cidade transmontana conter cinco chaves representadas, facto este que a história local não justifica e que nenhum cronista conseguiu ainda explicar, constituindo por isso um contra-senso histórico, como acertadamente lhe chamou Leite de Vasconcelos”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Não bastaria a Chaves a sua posição fronteiriça, quanto mais ser jóia apetecida com a sua fertilíssima veiga que se estende do outro lado do rio Tâmega. Ocupa-nos, porém, aqui a Chaves histórica que, sem embargo de importância que teve o povoamento local nas épocas pré e proto-histórica, passa a ter uma projecção peninsular, com a ocupação do território e o polimento das gentes indígenas, conseguida por obra e graça da romanização.
Povoação de passagem, local do atravessamento do rio Tâmega pela Via Nova que ligava duas cidades que ostentavam o título de “augustas”, a Brácara e a Asturica, ou seja Braga e Astorga, orgulha-se Chaves da ponte construída quando em Roma imperava Trajano. Esse magnífico monumento, com 16 anos, quatro dos quais se encontram soterrados, e um tabuleiro de quase centena e meia de metros de extensão, edificado à custa dos aquiflavienses.
Com este exemplo se silencia o acto dessoutros “chavenses” que, nos anos 80 do século passado, em nome do progresso largueirão, camartelo erguido, deitaram abaixo as guardas de pedra laterais da velha ponte romana, cegos pela luz fátua do desenvolvimento ilimitado, se mostraram incapazes de construir, de raiz e noutro local, uma nova ponte que lhes permitisse atravessarem o Tâmega com a imponência da sua mecânica e o peso da sua presunção.
Mas estas Aquae Flaviae não se ficava apenas como entreposto entre a futura cidade clerical portuguesa e o centro mineiro e aurífero que Astorga dominava. Seria decerto cidade de lazer, se para tanto considerarmos centros de lazer estabelecimentos termais, de carácter terapêutico, como os que fizeram famosa a cidade transmontana das “água Flávias”, centro urbano que parece Ter possuído, para gozo dos seus cidadãos aquistas, um anfiteatro de público usufruto.
Mas a povoação irá sucumbir ao decorrer dos tempos. Na Idade Média portuguesa a vila de Chaves terá de Chaves terá de ser novamente feita, no mesmo local onde estivera implantada a povoação romana, entretanto despovoada. O topónimo, embora evoluído, não desaparecera, é certo. Fora, porém, recuperado pelos habitantes do castelo vizinho de São Estêvão (São Estêvão de Chávias, ou Tchávias), local humilde mas que teve a glória de servir de cenário ao ajuste de um casamento. Aquele em que foram intervenientes o português Afonso lll e a noiva Beatriz, filha ilegítima do grande Afonso X, o Sábio, rei de Castela. Boda, esqueça-se que muito católica mas pouco cristã, já que Matilde, a legítima esposa de Afonso estava bem viva e sobreviveria ainda alguns anos à celebração do novo matrimónio do seu real esposo...
Dá-se, pois, no início dos anos 50 do século XlV a restauração da abandonada povoação de Chaves. O traçado das muralhas desta vila nova é de uma regularidade admirável. Rectangular, a alcáçova do castelo ocupa naturalmente a cota superior, no lado oposto do rio. Aqui se ergue a formidável torre de menagem, a olhar sobranceiro do alto dos seus 28 metros. O sistema viário é de carácter ortogonal, com as ruas a cruzarem-se em ângulo recto. Junto à alcáçova, a igreja matriz e o seu largo, centro social de primeira importância, comum às vilas medievais.
Pela regularidade da malha urbana – tão regular é ela – há, mesmo, quem tenha aventado uma continuidade entre a estrutura urbana de Aquae Flaviae e Chaves, com aquela a modelar a vila afonsina. Isto apesar do hiato existente no seu povoamento. Entre o topo sudeste do castelo e o rio Tâmega, entre a cortina de muralha e a ponte romana, permanecia um espaço livre que viria a ser preenchido pela implantação de um arrebalde.
Saltemos para o século XVll, para a época da Restauração. Posicionada no vale do Tâmega, Chaves iria atrair as tropas espanholas. Em 1658, ao que escreve um autor, iniciam-se as novas obras de defesa. A cerca medieval irá ser integrada no novo polígono militar, alcáçova e torre de menagem reforçando um baluarte a meio do muro e o pano de muralha do lado sul a delinear um troço de cortina.
As obras de cerco da vila atribui-as um manuscrito de 1721, da autoria do flaviense Tomé de Távora e Abreu (secretário do Governo das Armas da Província de Trás-os-Montes) ao ano de 1663, quando governa a praça de Chaves o conde de São João, Luís Alves de Távora. Então “se principiou a fortificação moderna que circunda a vila, com três baluartes e dois meios (baluartes), fechando as cortinas destes no (...) forte de Nossa Senhora do Rosário”.
Reforça o polígono o Forte de São Francisco, que ainda subsiste. Denominado de início Forte do Riosário, acabará por tomar o nome do convento ali localizado. A igreja abrigou durante muito tempo o túmulo do filho bastardo de D. João l, D. Afonso, aquele que foi o primeiro Duque de Bragança. Curiosamente, neste local foram encontradas duas preciosas jóias de ouro da época castreja, o que nos permite balizar, com mais rigor, a antiguidade do sítio.
No exterior serão construídas mais duas fortificações. A mais importantes, talvez, é o Fote de São Neutel, a ocupar um morro então denominado do Alto da Trindade. Dado,pela sua posição, o sítio permitir que a artilharia ali postada pudesse atingir a cidade, é imediatamente ali levantado um fortim, de início utilizando materiais de mais fácil acesso, juntando a terra e a pedra, depois com a solidez que hoje ali tem para mostrar aos visitantes. Aqui, no início do século, em 1912, teriam lugar combates entre forças fiéis à República e os sublevados monárquicos que, do seu refúgio espanhol, comandados por Paiva Couceiro, tinham invadido o país e atacado Chaves.
Desta fortificação escreve-se, no manuscrito acima referido, estar “à distância de um tiro de mosquete” da de São Francisco e ter sido mandada levantar “de terra” no tempo do governador de armas da província de Trás-os-Montes, D. Rodrigo de Castro, Code de Mesquitela. De acordo com o mesmo texto, e como acima vimos, só mais tarde se terá procedido à sua construção “de pedra e cal”.
Saliente-se também como o autor do texto que estamos seguindo atribui estas obras ao desenho do “insigne engenheiro Miguel de As (?) Escol”. Trata-se de Miguel (Michel) de L´École (ou Lescole, que também assim aparece grafado), engenheiro francês, vindo para Portugal na época da Restauração, que teve importante papel entre nós. Trabalhou como engenheiro-arquitecto praticamente por todo o Portugal e aqui deixou obra quer militar, quer civil quer religiosa.
Por último, refira-se a queixa de Tomé de Távora, ao afirmar ser digno de reparo que nenhuma destas obras esteja finalizada. Explica este facto o nosso autor, e secretário do Governo de Armas da Província de trás-os-Montes, por razões de ciumeira e inveja intermilitar, pois “os generais não mandam acabar obra que outro tenha começada”.
Voltamos à estrada que segue para a cidade flaviense. Para trás vai ficando uma torre que nos acena lá do alto de um dos montes- é a torre de Monforte do Rio Livre. Estamos a poucos minutos de Chaves. Rainha da margem direita do Tâmega, e é lá que vamos encontrar a fortaleza que “passou a perna” a Santo Estêvão. Os seus atractivos desde cedo captaram a atenção de vários povos. Os romanos chamaram-lhe “Áquae Flaviae”, devido às águas termais em que são pródigas, os bárbaros chamaram-lhe “Chávias” ou “Xávias” e nela se converteram à religião de Cristo.
Por ela passaram muitos povos e gerações e por isso foi destruída e reconstruída por diversas vezes. Durante os anos da Reconquista, os irmãos Rui e Garcia Lopes conseguiram expulsar os mouros., oferecendo a sua vitória a D. Afonso Henriques, que lhes deu o governo da praça e o direito a usar o apelido Chaves. Mas foi o rei “Lavrador”, D. Dinis que res´construiu o castelo e levantou nova cintura de muralhas, bem como a Torre de Menagem que hoje se mantém bem firme aos olhos dos visitantes.
Durante a crise de 1385, Chaves guardou fidelidade a D. Beatriz, o que lhe valeu o cerco de D. João l e do Condestável do Reino, D, Nuno Álvares Pereira. A este, o rei entregou o senhorio do castelo, que depois acabaria por ser dotado à sua filha, por ocasião do seu casamento com D. Afonso, Duque de Bragança. O castelo passou, assim, a servir de aposento aos Duques de Bragança, onde acabariam por morrer os dois.
Durante a Guerra da Restauração foram inúmeras as batalhas travadas na região, o que acabou por trazer algumas modernizações à forma de fortificar a cidade. Foi construída uma muralha abaluartada e mais dois fortes – o de São Francisco e o de São Neutel.
O Forte de São Francisco foi construído no Alto da Pedisqueira, onde existia a capela de Nossa Senhora do Rosário e onde foi edificado o Convento dos frades de São Francisco, em meados do século XVll. Dali era possível bater com artilharia a antiga vila acastelada e nele estava instalada a cavalaria de Chaves e o Hospital Militar. Foi o ciclo preparatório até há pouco tempo atrás e agora está a sofrer de remodelação para fins turísticos.
O Forte de São Neutel, tem propoções análogas ao de São Francisco e hoje encontra-se preenchido pelos exercícios do Exército. Uma das suas atracções é a festa do santo que todos os anos é celebrada na capelinha do forte; outra é o mercado ao ar livre que se estende ao seu redor.
Quando visitar o castelo, se subir ao eirado da Torre de Menagem pode disfrutar de uma bela panorâmica sobre os fortes de São Francisco e São Neutel, que em tempos fizeram parte de um todo dentro da muralha que cercava a cidade.
Mas a panorâmica não é o único motivo de interesse desta torre erguida por D. Dinis. Além de Ter as suas curiosidades inerentes, como a cisterna que o povo diz ser uma antiga passagem secreta que ia desembocar no forte de São Neutel, a Torre de Menagem possui também um espólio que lhe vale o título de Museu Militar. Já fora do edifício, é o jardim que inspira paz e serenidade, contrastando com as canhoeiras que por ele se espalham.
Os concelhos de Chaves e Valpaços fazem parte do todo que é a zona ecológica do Alto Tâmega, geografia humana, física e económica que soube criar uma comunidade de interesses. Em Cheves dominam as serras de Brunheiro (próxima) e as de Larouco e de Mairos (respectivamente de 1.500 e 1.083 metros de altitude), além da bacia hidrográfica do Tâmega.
O caminho de ferro ( linha estreita do Corgo) com os seus morosos 97 Km, só chegou a Chaves em 1923, e a linha terá mais características que sirvam o turismo indispensável do que o comércio urgente.
As ligações económicas e afectivas com a ancestral Terra de Barroso e com a parte vizinha da Galiza (Verin) constituem poderosos estímulos e várias escalas.
Quanto a Valpaços, concelho fundado em 1836 pelo estadista liberal Passos Manuel, trata-se do mais jovem no distrito de Vila Real. As serras da Padrela e de Santa Comba, assim como os rios Calvo, Tinhela e Torto, são elementos geográficos importantes que condicionam quase permanentemente a produtividade, nesta se relevando a do vinho, azeite, cereais, castanha e pecuária.
NARRATIVA  HISTÓRICA DE  MONFORTE  DE  RIO  LIVRE:
 Do castelo, mandado construir no século XlV por D. Dinis (onde terá existido a capela de Nossa Senhora do Prado), e da zona coercivamente povoada na centúria seguinte por D. João ll resta-nos a saborosa narrativa histórica que a seguir transcreve-mos, uma vez que a povoação fazia parte da casa do Infantado, de que era donatário o infante D. Francisco, irmão do rei D. João V.
“Conta-se que numa visita que ele fez àquele concelho no século XVlll (município extinto), ao receber as homenagens dos seus vassalos, à frente dos quais estavam o governador do castelo e o Senado da Câmara, tiveram os vereadores a iniciativa de mandar que as mais bonitas raparigas do lugar lhe oferecessem em açafates ordenados de flores a única fruta de que  dispunham, figos. Alguém tinha alvitrado que lhe fossem oferecidas pinhas, outro fruto daquela região. A Câmara optara no entanto pelos figos.
Como não lhe agradasse a mesquinha oferta, tomou-a como desconsideração à sua augusta pessoa. Dando largas à sua ira, mandou que o vereador que teve a ideia fosse amarrado a um poste e servisse de alvo aos lacaios do seu séquito, num tiroteio de grande galhofa, cujo projécteis eram os saborosos figos, desfeitos na face do pobre e envergonhado homem, que idealizara oferecer o melhor do pouquíssimo de que dispunham.
Conta-se ainda que o humilde vereador, com a cara lambuzada pelos figos, dizia com ar de fortuna, depois de semelhante castigo, que ele considerou aplicado com brandura;
- Ainda bem que não lhe oferecemos pinhas !”.
Desde sempre o rio Tâmega, importante afluente do rio Douro, condicionou a economia flaviense, quer pelo vale em que se enquadra, quer pela ubérrima veiga que atravessa. Esta dilata-se por cerca de 5Km. De largura e 10 de extensão, é parcialmente irrigada e nela se pratica importante policultura, em grande parte mecanizada. No chamado Açude da Veiga, entre a cidade e a fronteira, fica um dos mais bucólitos lugares do Tâmega, onde é grato repousar e que os habitantes transformaram em praia fluvial.
A agricultura flaviense tem apreciável produção de batata, vinhos, frutas e produtos hortículas. A actividade comercial é constante, até pela citadina localização raiana, que, por sua vez, põe a buliçosa cidade alvoroçada com o linguajar espanhol-português bem misturado, que pouco se entende. O labor industrial traduz-se sobretudo por antigas mas renovadas cerâmicas.
É claro que também por aqui os usos e costumes estão a ser pouco a pouco vencidos pela tecnologia e pela televisão. No entanto, em Curalha, Bustelo e Santo António de Monforte, são dignos de apreço os chamados Autos da Paixão e do Ramo, em genuínas representações populares.
A riqueza etnográfica flaviense compreende também festas, romarias e feiras tradicionais. Destas, é de salientar a dos Santos, que faz afluir à velha e dinâmica cidade muitos milhares de portugueses e de espanhóis, já que a fronteira de Vila verde da Raia (a segunda mais movimentada de Portugal) dista apenas 10 Km. E serve de permanente intercâmbio entre Chaves e a linda zona galega de Orense.
A etnografia flaviense guarda ainda interessantes lendas, cantares e contos. Os Estudos Flavienses  arquivam esses documentos preciosos, como sejam a fascinante lenda da Maria Matela e os pitorescos Cantares das Janeiras , de que a seguinte quadra é exemplo:
 
Chegaram aqui três rosas
Três ou quatro, ou cinco, ou seis,
Se os senhores nos dão licença
Vamo-lhes cantar os Reis.
 
No que concerne a vivência rústica, o artesanato tem expressão nos barros pretos de Vilar de Nantes, na confecção de cestos e no fabrico de cobertores e mantas em Soutelo, São Pedro de Agostém e outros lugares.
 
Chaves
 
http://www.cm-chaves.pt
São numerosos os vestígios aqui presentes, legados por civilizações pré-históricas que levam a admitir mesmo a existência de povoamentos no longínquo período Paleolítico. É considerado deste período um instrumento de pedra encontrado na encosta da serra do Brunheiro.  Porém, são abundantes os achados procedentes do Neolítico, do Calcolítico de Mairos, Pastoria, S.Lourenço,etc e das civilizações proto-históricas, nomeadamente nos múltiplos Castros  situados no alto dos montes que envolvem toda a região do Alto Tâmega.        
Foram as legiões romanas, que há dois milénios, dominaram esses homens, que até aí tinham vivido, como deuses, alcandorados no cimo das montanhas e se instalaram de mopdo especial no vale, fertilíssimo do Tâmega. Fixaram-se onde hoje é a cidade e distribuíram pequenas fortificações pelas alturas circundantes, aproveitando, para tais guardas-avançadas, alguns dos castros conquistados.
        Edificaram, presumivelme, a primeira muralha que envolveu o aglomerado populacional; construíram a imponente ponte de Trajano, sobre a via Bracara-Asturica; tiraram proveito das águas quentes mínero-medicinais, implantando balneários termais; exploraram filões auríferos e outros recursos do solo e subsolo.  
Tanta importância adquiriu este núcleo urbano, nessa época, que foi elevado à categoria de Município, quando no ano 79 dominava Vespasiano, primeiro César da Família Flavia. Será esta a origem de Aquae Flaviae, designação antiga da actual cidade de Chaves.
Situar-se-ia o imponente núcleo monumental e centro cívico da cidade no cerro envolvente da área hoje ocupada pela Igreja Matriz. O seu actual recorte lembra ainda o traçado de um acampamento romano, com o Forum, o Capitólio  e a Decumana que seria a rua Direita. De facto, neste perímetro foram encontrados os mais relevantes vestígios arqueológicos a testemunhá-lo, expostos no Museu da Região Flaviense, sendo mesmo de evidenciar uma lápide alusiva a um combate de gladiadores. A florescência da dominação romana verificou-se até ao início do século III, apagando-se gradualmente com a invasão dos povos denominados vulgarmente por Bárbaros. As invasões dos Suevos, Visigodos e Alanos, provenientes do leste europeu, puseram termo à colonização romana. As guerras entre Remismundo e Frumário  que disputavam o direito ao trono, tiveram como consequência uma quase total destruição da cidade, a vitória de Frumário e a prisão do Idácio, notável Bispo de Chaves. 
O período de dominação bárbara durou até que os mouros, povos do Norte de África, invadiram a região e venceram Rodrigo, o último monarca visigodo, no início do século VIII.
Com a invasão dos árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado  pelo cristianismo o que determinou uma azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas noroestinas com as inevitáveis destruições. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI.
A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Leão que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quartel do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Leão,  a resgatou, mandou reconstruir, povoar e cercar de muralhas.
Da presença islâmica remanesce, quase tão somente na cultura popular, uma grande variedade de lendas interligando castros, tesouros fabulosos e mouras encantadas.
Foi, provavelmente, por volta de 1160 que Chaves foi integrada no país que já era então Portugal, com a relevante intervenção dos lendários Ruy e Garcia Lopes tão intimamente ligados à história desta terra.
Pela sua situação fronteiriça, Chaves era vulnerável ao ataque dos invasores. D. Dinis, como medida de protecção, mandou levantar o Castelo e a fortificação muralhada que ainda hoje dominam o burgo citadino e a sua periferia, num grande raio
      Em 1253 realizou-se em Chaves. o casamento de D. Afonso III com a sua sobrinha D. Beatriz, filha de Afonso X, o Sábio; foi o Bolonhês quem concedeu à povoação o seu 1º foral, a 15 de Maio de 1258; D. Manuel I outorgaria novo foral em 1514. Aquando da Guerra da Independência, D. João I montou em redor de Chaves um cerco que durou 4 meses; tendo-se-lhe rendido a praça,.O senhorio da vila foi então dada a D. Nuno Alvares Pereira, que o viria a ceder a D. Afonso, seu genro, fundador da Casa de Bragança, na qual Chaves, se conservou durante vários séculos.       
      A Cidade foi cenário de diversos episódios bélicos no século XIX, nela se tendo celebrado, a 20 de Setembro de 1837, a designada Convenção de Chaves, após o combate de Ruivães, pondo termo à revolta cartista de 1837, conhecida pela revolta dos marechais. Em Chaves travou-se a 8 de Julho de 1912, o combate entre as forças realistas de Paiva Couceiro e as do governo republicano, chefiadas pelo coronel Ribeiro de Carvalho, de que resultou o fim da 1ª incursão monárquica.
A 12 de Março de 1929 Chaves foi elevada à categoria de cidade.

 
 

 

 

 

Mesão Frio – (Concelho do Distrito de Vila Real)
 
 


 
 
A 1ª rainha de Portugal, D. Mafalda, dotou Mesão Frio de uma albergaria e instituiu no Douro a passagem gratuita de barca, que se praticou durante séculos.
A criação em 1756 da Real Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, trouxe-lhe prosperidade.
Origem do nome:
«Da, Revista Lusitana (1887-1889)»: "Em Mesão Frio muitas pessoas explicavam-me o nome desta vila, dizendo-me “estes méjão frio”. Esta última forma representa efectivamente a pronúncia do povo naqueles sítios, provavelmente em virtude da reacção desta falsa etimologia sobre a pronúncia. A verdadeira etimologia parece ser o latim Massione”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: ”Tem a designação formada de dois vocábulos, que na fala popular e local soam nitidamente como a escrita fosse Meijão Frio. Ao contrário da opinião expressa algures, o primeiro-elemento, Mesão, não deve interpretar-se como sendo um aumentativo de mesa e, para assim se pensar ainda que outras razões faltassem, bastará atender-se às formas antigas do topónimo, entre as quais registamos Meiam Frio …
O étimo é o latim mansione - , morada, residência, estalagem, etc., que evolucionando sucessivamente, através de formas intermédias (Mansion. Meison e outras) se fixou na forma moderna e actual”
 
Mesão Frio
http://www.minhaterra.com.pt
Pórtico da afamada Região Demarcada do Douro, encravado entre as faldas da serra do Marão e as águas do Douro, o concelho de Mesão Frio é constituído por sete freguesias: Barqueiros, Cidadelhe, Oliveira, Santa Cristina, S. Nicolau, Vila Jusã e Vila Marim. Tem uma área de 2.685 hectares e a sua população, pelo censo de 1991, era de 5.098 habitantes. O clima é ameno com uma temperatura média anual de 16 graus. As suas linhas de altitude distribuem-se entre os 190 e os 1.075 metros. Os seus cursos de água mais significativos são os rios Douro, Teixeira e Sermenha. Os limites territoriais do concelho confinam com os dos concelhos de Peso da Régua, Baião, Lamego e Resende, estes dois situados na margem esquerda do rio Douro.
Em 1152, Mesão Frio recebia o seu primeiro foral que haveria de ser confirmado e aumentado em rendas, benesses e obrigações até ao foral novo de 1513. Mas ainda antes da monarquia portuguesa, em 1059, já o vocábulo “Mansion Frigido” aparece documentado. Era a adulteração do vocábulo originariamente feminino que significava “Albergaria Fria”, obras de caracter assistencial que desde os romanos prestavam relevantes serviços aos viandantes. Nos inícios do século XII, em tempos de D. Teresa, Gonçalo Eriz fundou aqui uma das mais antigas albergarias do nosso reino. A importância de Mesão Frio devia ser já significativa e alguns anos depois, segundo alguns antiquários, D. Mafalda, esposa do nosso primeiro rei, fundou a Igreja de S. Nicolau, notável templo que possui uma custódia de forma igual à que se admira na Igreja de Santa Maria de Oliveira, em Guimarães. D. Mafalda manifestou também o intento de construir uma ponte sobre o Douro, junto a Barqueiros, o que não se concretizou.
Mas concretizou-se a concessão do raro privilégio de beetria a Mesão Frio e a Cidadelhe. Em todo o reino existiam apenas dez. Também Vila Marim acumulou benesses durante os primeiros séculos da monarquia. Foi honra com privilégio de beetria e participou dos forais de Mesão Frio, daí decorrendo a presunção de se ter constituído em concelho e julgado por si. Igualmente concelho foi a freguesia de Barqueiros. A reforma de 1836 tratou de o extinguir.
Ao tempo de D. Sebastião era tal a grandeza de Mesão Frio que constituía uma comarca abrangendo Torre de Moncorvo, o concelho de Gestaçô e as terras do Corgo para baixo. Vieram os espanhóis e tudo se desmoronou. As terras deste concelho atravessaram um período de decadência, ressurgiram, e conheceram o esplendor após a demarcação do Marquês de Pombal. Novo golpe seria vibrado pelos franceses, mas uma vez mais a perseverança destas gentes saberia combater o infortúnio e reerguer a sua terra. Como souberam também fazer renascer a multissecular Feira de Santo André que foi sempre ponto de encontro e de troca de produtos agrícolas de todo o género, das terras à volta até à região de Basto. E hoje como ontem o seu maior atractivo é a feira de gado.
Este concelho é a terra de Domingos Monteiro. Não é o único ilustre filho de Mesão Frio, pois eles são muitos e com méritos diversos. Mas Domingos Monteiro foi um desses homens, um maravilhoso contador de histórias, com mais de uma dúzia de livros que permanecem gratos de ler e ouvir contar, cada qual com um bom punhado de narrativas escritas a mão de mestre, de estrutura muito bem concebida e delineada por um profundo conhecedor da natureza humana e dos seus conflitos interiores, que transportou igualmente para muitos dos seus contos figuras das gentes e características das paisagens da terra que lhe serviu de berço — Barqueiros —, das terras de todo o concelho ou, embora mais longe, se encontram intrinsecamente ligadas ao Douro.
Um dos muitos atractivos deste concelho é o seu valioso património arquitectónico do qual abundantemente ressaltam majestosos solares como, por exemplo, a Casa da Rede. Trata-se de um belo edifício precedido por um monumental portão barroco coroado por grifos alados, possuindo uma bela e equilibrada fachada, cujas portas centrais, que ladeiam um tanque caracteristicamente barroco, dão acesso a um átrio com escadaria para o andar nobre. Num dos extremos da casa fica a capela de S. Sebastião que exibe sumptuosos painéis e azulejos policromos. No interior, coberto por tectos artesoados, de castanho, conservam-se um altar de talha e magníficos azulejos setecentistas. Para além dos solares em todas as freguesias se levantam igrejas que guardam esbeltas esculturas, alfaias e paramentos, ermidas, nichos, fontanários e outras obras de arte que viram a luz do dia graças à prosperidade que este concelho alcançou no século XVIII, após a demarcação do Marquês de Pombal. O comércio dos vinhos generosos prosperou rapidamente originando aqui um assinalável surto de construção, no qual, o bom gosto desde sempre imperou. Se a tudo isto se juntar o riquíssimo património cultural e paisagístico deste concelho, obtém-se a multifacetada expressão de uma terra que é imperdoável não conhecer.

 

Mesão Frio
http://www.cm-mesaofrio.pt
História do Concelho » Carta de Foral Concedida aos Povoadores de Mesão Frio
"In Christi nomine. Ego Alfonsus Portugalis rex et uxor mea regina Mahalta, placuit nobis per bonam pacem et uoluntatem un faceremus cartam de bonos foror ad uos bonos homines de Meigion Frio Qui ibi sunt populatori usque in finem. In primo de unaquaque domo in uno anno reddatis XII denarios de illa festa Santcti Andree usque ad alia festa Sancti Andree. Et de uestros bancos ubi uenditis carnes XII denarios. De caualo et de equa uendere XII denarios. De asino VI denarios. De troxel que uenerit in caualo et aut in XII denarios. De troxel de asino VI denarios. De pedone III denarios. De pelle conelia III denarios. De manto II denarios. De capa II denarios. De sagia I denarium. De boue aut de uacca II denarios. De capra aut oue I denarium. De porco aut de orca I denarium. De bragale I denarium. De corio de boue aut de uacca I denarium . de ulla re que se uendederit pro minus de XII denarius non prendat portaticum. Et Qui percusserit cum punio clauso reddat XII denarios. De mnu extensa V solidos. Pro sffusione sanguinis VII solidos et medium. De arma extensa per iram fora de casa LX solidos. De ferida per quam cadat VII solidos et medium. Vestrum ganadum si fuerit ad pascendum fora nemo in illlum mittat manum suam per malam uolumtatem sine iudicio. Nullo homine de Meigion Frio non sit pignoratus in omni mea terra nisi debitore aut fiadore, et qui illum pignorauerit pectet nobis quingentos solidod et ded ipsum auer duplatum ad suum dominum. Et qui uendiderit aut conparauerit ullum auer in Meigion Frio ante concilium habeat illum liber t nemo sit ausus postea requirere illum per male et reddat suum portaticum sicut est scriptum. Et nullum caballarium non habeat pausatam ibi nisi per amorem cuius fuerit casa. Et nullus sagio sit ausus intrare in casa de burges per malam uoluntatem sed si habuerit ibi directum petat fiadorem qui faciat ei directum in quinque solidos et ille mittat fiadorem in quinque solidis ad sagionem Qui fecerit calumoniam ut faciat directum anre iudicem qui eretum fuerit de concilio et ille iudex iudicet rectum iudicium inter illum sagionem et illum burges qui calumpniam fecerit. Et si ille sagio intrauerit in casa de burges super istum pactum et ibi occisus fuerit non pecter ipsam calumpniam. Et si occisus fuerit per occasionem pectet pro eo Qui eum mactauerit CCC solidos. Et ipsi homines de Meigion Frio tam longe uadant in apelido quomodo in uno die possint ire et in alio die reuerti. Et si duo homines aut plus inter se rixam habuerint et de pugno aut de palma aut de fuste se percusserint aut de capillis tractatis non habeat ibi sagio calumpniam ergo so se clamauerit unus de illis, et si clamorem non fecerit non requirat inde calumpniam sagio. Et qui istos foros frangerit sit maledictus a Deo et excomunicatus et cum luda traditore et cum diabolo et na gelis eius in inferno in secula seculorum dampnatus, amen. Ego A (Ifonsus) Portugalenis rex et uxor mea regina Mahalta uobis bonis hominibus de Meigion Frio hanc cartam de bonos foros nostris manibus confirmamus. Facta carta mense Februarij Era M.ª C.ª LX.ª"
 
 


 
Mondim de Basto – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 



 
 

Recebeu de D. Sancho l o seu 1º foral. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1514.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): ”Proveio de Mandini ou Mundini que representa o genitivo do nome Mundinus, formado do gótico Munds, protecção, o qual se encontra na forma – monde como elemento componente final de muitos topónimos”.
 
Mondim de Basto
http://www.cm-cabeceiras-basto.pt/26
Entre as serranias da Cabreira e do Marão, num extenso vale que ocupa mais de 18km no sentido mais longo e 8km de largo, mesmo à margem do Rio Tâmega, encontra-se Cabeceiras de Basto, um dos mais antigos e históricos concelhos do Minho. Cabeceiras de Basto é uma terra antiga e por isso uma terra sábia. Uma terra que soube preservar a paisagem na qual convivem o Minho e Trás-os-Montes.
Riquezas de um lado, riquezas do outro, este concelho apresenta um vasto património paisagístico e arquitectónico, cunhado pelas marcas, pelos saberes e sabores tradicionais, testemunhos de um povo e do seu modus vivendi.
Integrado nas Terras de Basto, pequena sub-região com características individualizantes e próprias, outrora uma vasta circunscrição administrativa na bacia média do Tâmega, já em 1258 estava organizada com três julgados: o de Cabeceiras de Basto, o de Celorico de Basto e o de Amarante. Este último, quase limitado á sua Villa e a Telões, onde se haviam implantado vários mosteiros e uma importante fidalguia medieval. Em 1220 esta circunscrição compreendia ainda Mondim de Basto, algumas localidades dos concelhos de Amarante e Felgueiras, Ribeira de Pena e Vieira do Minho.
Actualmente abrange uma área territorial de 239km2 por onde se espalham 17 freguesias com uma população de cerca de 18 mil habitantes.
Mas a história do concelho perde-se no tempo. Apesar de da pouca informação existente sobre o seu primitivo povoamento, vários achados arqueológicos permitem dizer, com convicção, que Cabeceiras de Basto remonta a um período anterior a Cristo, nomeadamente a épocas pré-românicas, senão antes, pela existência de vestígios castrenses e construções dolménicas.
Também a arqueologia, nos desvenda outras informações através das ruínas do Mosteiro de St.ª Comba, onde se supõe terá existido, um tempo de vestais. Os objectos de cerâmica e inscrições achadas, as estátuas de guerreiros e as moedas de prata e bronze com as efígies de Augusto, Galliano e Constantino dão força á tese da existência da povoação no tempo dos romanos.
A própria etimologia de Cabeceiras de Basto, apesar de controversa, leva-nos a crer que o primeiro povo que deu o nome à região foram os Bastos (Bástulos ou bastianos) que, oriundos da Andaluzia, passaram por esta bela província de Entre Douro e Minho e fundaram uma cidade chamada Basto, que se localizava próxima do Mosteiro de Santa Senhorinha, cuja presença árabe nestas terras, se encarregou de destruir. Corria o ano de 711. Daí que, com Cabeceiras no sentido de cabeça destas antigas regiões e Basto de Bástulos, se explique a designação deste concelho
No entanto, entre o século XII e XVI, é praticamente inexistente a documentação escrita sobre Cabeceiras de Basto. Apesar de se tratar de uma povoação antiga, que gozava de grande prosperidade, como atesta o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, outrora o mais rico do Minho, só em 1514 é que Cabeceiras vê criado o concelho, por Foral de D. Manuel I. Foi, igualmente, um importante centro de peregrinação na Idade Média. Por este motivo a ele se associaram nomes de santos, nobres e guerreiros como são o caso de Santa Senhorinha de Basto, D. Pedro, D. Inês de Castro, D. Nuno Álvares Pereira, que aqui casou em 1376.
Aqui passaram, também, nomes de vulto ligados à literatura como Sá de Miranda com a obra “Carta a D. António Pereira”, senhor de Basto, Bernardim Ribeiro e Camilo Castelo Branco, com várias das suas obras a referirem Cabeceiras de Basto, nomeadamente, a “Bruxa de Monte Cordova” e “Noites de Lamego”.
No entanto, além desta vertente cultural, quando percorremos o concelho de Cabeceiras de Basto deparamos com uma série de monumentos, alguns dos quais, de interesse nacional (como é o caso do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e a Ponte de Cavez) e casas solarengas datadas, a maioria delas, dos séculos XVII, XVIII e XIX, que conferem à região um cunho ímpar e, simultaneamente, desvendam alguns dos segredos que a história guardou das gentes que por aqui passaram. Construções que, por montes e vales, vão pincelando este quadro de grande beleza, reflexos das marcas dos tempo, das vivências dos povos que desde a antiguidade o elegeram para viver.
Consequentemente, aos elegerem esta terra para viver, nela construíram lugares da memória, lugares da nossa identidade, nos quais o tempo registou os itinerários, os sítios e os vestígios, as coisas e o que delas pensavam, as gerações que nos antecederam.
Assim, e após um levantamento exaustivo do património edificado, quer pela sua beleza, quer por constituírem um marco histórico, destacam-se:
Mosteiro S. Miguel e Pelourinho das Pereiras – freguesia de Refojos
Casa da Portela e Ponte Velha – freguesia do Arco de Baúlhe
Casa do Forno e Igreja de Stª. Senhorinha – freguesia de Basto
Casa da Torre – freguesia de Alvite
Casa da Taipa – freguesia de Outeiro
Casa do Casal e Casa da Breia – freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau)
Casa de Pedraça – freguesia de Pedraça
Casa do Tronco ou da Torre do Tronco – freguesia de Abadim
Ponte de Cavez – freguesia de Cavez
Casa da Tojeira - freguesia da Faia
(...)
Contudo, outros locais existem que importa referir, pela sua genuinidade e pelas marcas registadas, que, apesar de se afastarem das características gerais da região, são determinantes para um estudo preciso e completo do concelho. Exemplo disso são as aldeias de Carrazedo, na freguesia de Bucos, e as casas rurais localizadas no Vilar e no Samão, cuja conjuntura se reveste de grande interesse para a salvaguarda do património existente, bem como para a sua área envolvente.
De salientar também, a existência de vários locais cuja origem remonta à época pré-histórica. É o caso, e tal como comprova a arqueologia, dos vestígios encontrados na zona de Chacim e Outeirinho de Mouros, na freguesia de Refojos, em Formigueiro, na freguesia de Riodouro, e que constituem, um testemunho do tempo, de grande significado e importância histórica.
De referir também a existência de testemunhos da época medieval encontrados no Lugar de Eiró, freguesia de Riodouro, que tudo indica, e tendo em conta as suas características arquitectónico-construtivas, tratar-se de uma construção tipo "mota" da qual se encontram exemplos de extraordinária semelhança na região francesa da Bretanha, onde foram comuns no séc. XI e XII. Em Portugal deve ter sido ocupado durante o século XIII. Este tipo de construção, de grande valor histórico-cultural regional, pelos contextos sociais e históricos que evoca, traduz-se num excepcional exemplar de arquitectura senhorial fortificada, dos séculos centrais da Idade Média em Portugal.
Também o local pré-histórico de Lameiras Chãs, freguesia de Cabeceiras de Basto, concentra diversos vestígios de ocupação antiga, certamente correspondentes à pré-história, reveladores de uma distinta modalidade de apropriação e exploração do espaço.
Pelas suas características e pela diversidade funcional, e ainda pelos vestígios arqueológicos que aí se implantam, traduz-se num excelente exemplo de uma boa obra conjunta do ser humano e da natureza que se constitui de valor inegável para a compreensão humana da região durante a pré-história.
Já anteriormente referido, o povoado proto-histórico de Formigueiro, freguesia de Riodouro, é o único do género conhecido na Serra da Cabreira, tanto pela morfologia, como pela altitude em que se situa, bem como pela eventual associação, com evidências arqueológicas do tipo “megalítico”. Constitui assim um testemunho importante da ocupação antiga dos espaços serranos da região, com grande interesse etnográfico e paisagístico, onde persistem as características desde o tempo da fixação medieval.

Mondim de Bastos
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Concelho com uma área de 174,48 quilómetros quadrados, Mondim de Basto distribui-se por 8 freguesias: Atei, Bilhó, Campanhó, Ermelo, Mondim de Basto, Paradança, Pardelhas e Vilar de Ferreiros, com uma população total de 9.518 habitantes, de acordo com o Censos/91.
Este concelho tem assento no maciço montanhoso entre as serras do Marão e do Alvão. É atravessado por diversos cursos de água, sendo os principais o Tâmega, o Ôlo e o Cabril. O seu clima é de certa forma temperado, exceptuando os Invernos mais rigorosos na zona acima dos 500 metros de altitude. Terra de inexcedíveis belezas naturais, aqui se situa a fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes. Como fronteira é coisa que verdadeiramente não existe, este concelho pode assim comungar dos atributos das duas províncias.
No dizer de João Carvalho Branco, “como em nenhuma outra região do País, aqui se unem o património paisagístico e ambiental, com o património arquitectónico, civil ou religioso, numa rara e forte expressão de sobriedade e grandeza, em que a mão dos artistas, moldadores da pedra, se deixou guiar pela força telúrica do Marão e Alvão, e pela constante presença da Mãe de Deus no Altar Natural da Senhora da Graça”. Quer se queira ou não, quando se fala do concelho de Mondim de Basto, pensa-se de imediato no Monte Farinha e na Senhora da Graça. O conjunto monte/ermida é indubitavelmente a atracção maior deste concelho. Uma grande parte dos portugueses conhecem pelo menos os nomes. Os acontecimentos desportivos (automobilismo e ciclismo) ali realizados tornaram aquele binómio extremamente conhecido. Muitos nem sonham quão indescritível é a sensação de subir aquela estrada que vai contornando o monte em espirais, progressivamente mais apertadas, e gradualmente oferecendo horizontes cada vez mais vastos, até se atingir o clímax proporcionado pelo vértice do cone. Mas com o que quase ninguém sonha, por desconhecimento, é com as sensações que podem ser obtidas numa das principais maravilhas deste concelho: o Parque Natural do Alvão.
Começou por ser concebido como um corpo de 50 mil hectares que, partindo da serra do Alvão, incluía o imponente Marão, a fecundíssima veiga da Campeã, a serrana Alvadia e o promontório da Senhora da Graça. Mas, por razões financeiras e políticas, quando foi criado, em 1983, viu-se reduzido a uma superfície de apenas 7.220 hectares, confinada à cabeceira e troço médio do rio Ôlo. No tamanho é hoje a mais pequena área protegida do País, no resto, é um verdadeiro jardim babilónico escondido na montanha. O parque distribui-se por dez aldeias dos concelhos de Mondim de Basto e de Vila Real. Bem lá no cume, a 1.250 metros de altitude, nasce o Ôlo, o pequeno e puríssimo rio que opera o milagre da vida naquelas fragosas e frias paragens. O mesmo rio é ainda responsável pelo principal monumento geológico do parque, pela sua raridade e beleza: as quedas de água das Fisgas de Ermelo, o local onde o rio se precipita em cascata de uma altura de mais de 200 metros, desaparecendo depois por debaixo das fragas, para continuar a sua caminhada, de novo tranquilamente, agora em solos de xisto.
Ermelo é a maior aldeia do Parque. Em tempos idos chegou a ser sede de concelho, hoje é apenas cabeça de freguesia, no concelho de Mondim. Perdeu importância política, mas soube manter a beleza, com as suas casas de xisto, os lagares, os espigueiros e as eiras de pedra. Ermelo é uma aldeia conquistada com suor e perícia durante oitocentos anos à encosta declivosa. Para sobreviver, arquitectou um engenhoso sistema de levadas a partir do rio Ôlo, que conduzem a água à povoação, movimentando pelo caminho cinco moinhos e dois lagares de azeite e regando à passagem campos agrícolas dispostos em socalcos assentes sobre formações xistosas. Confinante com a freguesia de Ermelo, situa-se a de Pardelhas, onde havia minas de ferro e ardósia. Na aldeia há um cruzeiro ao Senhor dos Aflitos, secular e muito raro por ser alpendrado e com alminhas ao lado.
Tanto que ficou por dizer sobre o concelho de Mondim de Basto! O melhor será descobri-lo, e ouvir as palavras de qualquer Mondinense, reflectidas nas de Fernando Pinto de Moura, presidente da Câmara Municipal: “Bem-vindos sejam á fronteira entre Minho e Trás-os-Montes, a este recanto maravilhoso onde contrastam o verde e a montanha, onde os horizontes ganham mais profundidade e os próprios homens parecem assumir a telúrica dimensão dos elementos que a rodeiam. Bem-vindos, pois, à descoberta de Mondim de Basto”.

 
 
 

 

Montalegre – (Concelho do Distrito de Vila Real)
 
 

 
D. Afonso lll concedeu-lhe o seu primeiro foral em 9 de Junho de 1273, confirmado por D. Dinis em 1289, por D. Afonso lV em 1340 e por D. João ll em 1491. Finalmente, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1515.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Este topónimo é formado de Monte e Alegre. É, pois, uma forma encurtada desta”.
 
Montalegre
http://www.cm-montalegre.espigueiro.pt
O nosso Concelho tem uma história de 800 anos e tem por isso um riquíssimo património construído, a sua história, a sua cultura mas, sobretudo, o seu património humano. Desde logo as nossas aldeias típicas, pontos de referência importantes na nossa história e na nossa cultura, o castelo de Montalegre a ponte lendária da Misarela, o mosteiro de Pitões, o passo de Vilar de Perdizes, a cascata de Pitões e o património arqueológico espalhado por todo o Concelho. Junto com toda esta beleza paisagística temos recursos turísticos extraordinários que queremos valorizar. Esta beleza paisagística, impar em cada época do ano e em qualquer local em que nos encontremos, é deslumbrante para os olhos do visitante, a serra, os rios, as barragens, mas também a nossa gastronomia é riquíssima.
 
Montalegre
http://www.turibarroso.com/p
Não existe documentação suficiente para fazer a história desta vila, que se deve ter perdido pela acção do tempo e incúria dos homens. A que chegou até aos anos 20, e já não seria muita, perdeu-se num incêndio que destruiu os Paços do Concelho e repartições públicas, em Novembro de 1923 .
A investigação arqueológica revela vestígios de o Planalto Barrosão ter sido habitado desde os tempos pré-históricos, possivelmente desde a idade da pedra. Há muitos dolmens que foram identificados e estudados e, também, um numero significativo de castros.
No local onde se encontra a vila de Montalegre, é provável que tenha existido um povoado castrejo pré-histórico que, mais tarde, teria dado lugar a um povoado de vocação agro-pastoril.
Os primeiros documentos que referem a existência da vila, datam do reinado de D. Afonso III, o Bolonhês. É este rei, que reconhecendo-lhe importância estratégica para a defesa da fronteira, concede à “pobra de Montalegre” o primeiro foral, em 9 de Junho de 1273. Em 1289 o rei D. Dinis, confirmou e renovou o foral. Aconteceu o mesmo com D. Afonso IV, em 1491.
Diz-se que o castelo de Montalegre foi mandado construir por D. Afonso IV, em 1331. Contudo há indícios para poder datar a sua edificação no reinado de D. Dinis. 
  Este será o terceiro castelo a ser construído no termo de Montalegre, o que comprova a sua importância militar. O primeiro de que há notícia é o da Piconha, com foral de D. Sancho I, de 1187. Este castelo foi arrasado pelos espanhóis em 1650 (Guerra da Restauração). Desta fortaleza resta a cisterna e uns laços de escadas. Passou para território espanhol após a assinatura do Tratado de Limites, entre Portugal e Espanha, de 29 de Setembro de 1864. O segundo castelo a ser construído foi o de Portelo, perto de Sendim, do qual não restam vestígios.
Esta concentração de fortalezas militares, provam bem a importância que Montalegre teve na defesa da fronteira. É certo que não se deu aí nenhuma batalha importante, mas as sortidas e escaramuças entre os dois exércitos, português e espanhol, eram frequentes. 
Por ocasião da Guerra Peninsular, o exército Napoleónico, comandado pelo Marechal Soult (2ª invasão), perseguido desde o Porto pelos exércitos português e inglês comandados por Wellesley, passou perto de Montalegre a caminho do Larouco, em 17 de Maio de 1809, onde atravessou a fronteira.
 
Montalegre
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Terra onde ainda se cultivam importantes valores comunitários e outros, o concelho de Montalegre é constituído por 35 freguesias. Já foram terras longínquas, para lá dos altos montes, a frisar a raia. Hoje, bons e modernos traçados viários permitem com facilidade descobrir uma das mais visitadas regiões do País.
Um dos principais atractivos são os belos lagos artificiais nascidos do represamento dos cursos de água que escorrem das serranias. A partir de 1950 ergueram-se muros imensos que deram origem a um complexo de barragens hidroeléctricas. Quem passa em Covelães ou visita Tourém não terá muito que andar para contemplar, e de belos mirantes naturais, duas obras de engenharia transfiguradoras do curso do Alto-Cávado: uma é a barragem que tem precisamente esse nome, a outra é a enorme barragem da Paradela, construída poucos quilómetros a jusante. Mais ao fundo, junto da confluência do Cávado e do Rabagão, oculta-se a Central de Vila Nova, cujas turbinas são movidas pelas águas da Paradela e da barragem da Venda Nova. A montante desta última, encontra-se, finalmente, o mais notável de todos estes empreendimentos: é a colossal barragem do Alto-Rabagão. Todas estas barragens e correlativas albufeiras situam-se dentro do concelho de Montalegre. E todas elas são propícias ao prazer do Sol e dos desportos náuticos que por aqui se fazem sem pressas.
O concelho faz parte de uma região montanhosa que ocupa o planalto situado a Noroeste do distrito de Vila Real que nos documentos medievais portugueses é tratada por “Terras de Barroso”. O planalto barrosão enquadra-se no maciço galaico-duriense e tem lugar de relevo no ângulo noroeste da meseta ibérica. Cinco serras dominam o seu vasto e grandioso horizonte: Larouco, Gerês, Cabreira, Alturas e Leiranco. O historiador espanhol Morales diz-nos que há perto de dois milénios havia no Larouco um templo pagão consagrado ao deus Júpiter. Em algumas aldeias existem gravuras rupestres que testemunham uma forte religiosidade popular pagã. À serra do Larouco os romanos chamaram Montes Ladiços. Este povo deixou aqui bem vincada a sua presença, construindo vias, pontes e romanizando os castros, quantos deles já existentes desde muito antes. Aliás, toda esta região de Barroso foi habitada pelo homem desde os longínquos tempos da pré-história. É extraordinariamente grande o número de resíduos dolménicos que a região possui. No concelho de Montalegre estão referenciados dezenas de dólmenes, bem como dezena e meia de povoações castrejas. Entre Paradela do Rio e Outeiro, junto à albufeira do Cávado, foram achados três torques (colares) em ouro, do tipo dos figurados em estátuas de guerreiros lusitanos.
Os árabes, se por aqui passaram, fizeram-no fugazmente, pois 40 anos depois do seu desembarque no sul da Península, já a reconquista asturiana atingia as terras de Montalegre. Quase todas as actuais freguesias seriam terra portuguesa desde os primeiros momentos da formação do reino. Mas uma houve que se distinguiu muito antes da Nacionalidade: Pitões das Júnias, onde foi edificado o famoso convento cisterciense dedicado a Santa Maria. Tudo terá começado num eremitério fundado no século IX, como atesta um documento do cartório bracarense; no século seguinte esse cenóbio montanhês teria aderido à reforma de Cister, unindo-se primeiro ao mosteiro galego de Osera e mais tarde ao de Santa Maria de Bouro. O certo é que o recatado convento é já testemunhado, nos meados do século XII, pelo arquivo do Convento de Santa Maria de Osera.
A sede deste concelho é a vila de Montalegre que nasceu e cresceu à volta do seu imponente castelo, um dos mais belos e mais bem conservados de Portugal. Juntamente com os castelos do Portelo e da Piconha constituiu o conjunto defensivo das terras de Barroso. A conservação e defesa do castelo do Portelo estavam confiadas aos povos das redondezas: Padroso, Padornelos, Meixedo, Gralhas, Solveira, Santo André e Vilar de Perdizes. O castelo da Piconha era o escudo defensivo do concelho de Tourém. Antes da construção do castelo de Montalegre, D. Afonso III contemplou a povoação com um foral em 9 de Junho de 1273, posteriormente renovado por D. Manuel I em 1515. Do castelo, de planta poligonal, iniciado por D. Dinis e finalizado no reinado de D. Afonso IV, erguem-se ainda os panos de muralha e os torreões. Domina o conjunto a torre de menagem, que se situa num dos ângulos, com quase três dezenas de metros de altura, rematada por ameias, com frestas e varandins apoiados em matacães. A torre onde se abre a porta de acesso tem uma altura de dez metros, e entre ela e a torre de menagem existem mais duas, de menores proporções, apresentando todas uma planta quadrangular. A Igreja de Santa Maria do Castelo, de exterior simples, conserva altares de talha dourada e algumas esculturas de bom nível. O pelourinho, símbolo da autoridade municipal ostenta as armas de D. Sancho I. No centro da vila encontra-se a Casa do Cerrado, com portal heráldico gravado em pedra sobre o portão, antiga residência dos alcaides da povoação.


 
 

 

 
 

Murça – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 



 
A porca de Murça: diz-se que nas lutas políticas do século passado, se ganhava o Partido Regenerador, pintavam-na de verde; se venciam os progressistas, pintavam-na de vermelho, e com a República foi pintada com ambas as cores.
Murça em 1900: “Vila e cabeça de concelho do distrito de Vila Real (província de Trás-os-Montes), com 1.507 habitantes. O concelho tem 10 freguesias e 7.533 habitantes”.
Zona de Murça no agreste Trás-os-Montes
Em 1224 D. Sancho ll “O Capelo” concedeu-lhe foral, renovado por D. Afonso lll “O Bolonhês”, e, mais tarde por seu filho, D. Dinis “O Lavrador”, esposo de Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel).
Com D. Manuel l “O Venturoso”, Murça começa a reger-se por foral novo. Na praça principal conserva-se, sobre um pedestral, uma escultura zoomórfica, certamente relacionada com um culto remoto dos povos pré-romanos e representando uma porca (a célebre Porca de Murça – que dá nome a um conhecido e apreciado vinho da região).
Uma das ruas de Murça
Ainda neste século se chamava Murça de Panóias esta singela vila transmontana, necessariamente povoada pelos romanos, dominada pelos árabes e a que D. Sancho ll deu foral em 1224.
O bem conservado troço da via imperial (romana), que segue de Tinhela até ao Alto do Pópulo, e a ponte romana permanecem no vale que procede a vila.
Já na vila importará sobretudo ver o monumento totémico que se situa no largo ajardinado, a célebre Porca de Murça, que tem de comprimento 1,85 m., de altura 1,10 m. e de circunferência abdominal 2,80 m.
O magnífico pelourinho fica em frente ao edifício da Câmara, que foi convento de freiras beneditinas, próximo da igreja paroquial, erguida entre 1707 e 1734.
Também é digna de nota a frontaria da Capela da Misericórdia
Capela da Misericórdia
Do século XVlll, contém alguns altares em talha dourada e um tríptico do século XVl, do pintor Pedro de França. Da imaginária sobressai um Cristo crucificado, de linhas vigorosas e de expressão dramática e simultaneamente resignada. Digna de registo é ainda uma imagem gótica figurando São Vicente.
Casa de campo dos Condes de Murça
Como solares ou casas significativas, Murça ufana-se da dos Morgadinhos, dos Condes de Murça e daquela onde nasceu D. Diogo de Murça, que no século XVl foi reitor da Universidade de Coimbra, assim como a de D. Inácio de Morais Cardoso, que foi cardeal-patriarca de Lisboa.
Concelho misto de “terra fria” e “terra quente”, é atravessado pelo rio Tinhela e balizado em parte pelo rio Tua. É deveras apreciável a sua produção de azeite e de vinhos.
Simultaneamente parcelas da Região Demarcada do Douro e de Trás-os-Montes, os concelhos de Sabrosa, Alijó e Murça, têm na vinicultura a sua economia essencial (embora muito associada ao azeite).
É assim que nesta sub-região de Cima Corgo em cerca de 6.000 há. Se espalham uns 35 milhões de cepas (ou videiras) produzindo em média 65.000 pipas de vinho, um terço do qual é vinho do Porto, desde os rios e ribeiros até ao cume das montanhas, mormente nuns sumptuosos antiteatros vinhateiros cula beleza arrebata, sobretudo após as vindimas, quando a Natureza lhe empresta efémera policromia, com tons de ouro e de cobre.
A  ORIGEM  DO  NOME:
“Com respeito à origem do seu nome, duas opiniões se aventam:
Segundo uma, deriva da quantidade de ursos, que pelo território andava à solta, no tempo dos árabes; segundo outro o nome não é Murça mas Muça e foi tomado do nome de um alto personagem mouro que aqui dominou.
Há outra versão ainda, em virtude da qual muçaun lhe transmitiram a denominação, aproximado à sua. Estes muçaun eram agarenos, sectários do Korão, e vieram em grandes grupos invadir a Lusitânia, anteriormente à ocupação mourisca que se realizou nos anos 713 a 716.
O certo é que em todos os documentos antigos se chama à povoação Muça e não Murça”. (Dr. Olegário Mariano – 1898).

 
 
 

 

 

 
Peso da Régua – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 
 


 
O seu povoamento é de origem germânica. Pertenceu primitivamente à terra de Penaguião.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Houve noutros tempos duas povoações distintas – Peso e Régua, aquela mais antiga do que esta e que parece ter tirado o nome do monte do Peso, situado junto. Com o decorrer dos anos e o desenvolvimento da população, os dois povoados próximos acabaram por se juntar num só, que é hoje a vila de concelho do distrito de Vila Real…
O lugar da grande vila de hoje era, portanto, da “terra”, de Penaguião, mas não possuía ainda qualquer importância, porque só iniciado o século XVlll é que começou a tomar alguma. No entanto, é um facto que a beleza e a situação do local deviam tê-lo feito aproveitar desde remotos evos – principiando, a julgar dos étimos do próprio topónimo, respectivamente os termos latinos “penso” (refeição dada aos animais de transporte e, por extensão, o próprio local em que era costume dar-se-lhes), e Regula, certamente indicativo da existência, junto ao rio Douro, de uma “vila” romana, cujo possuidor lhe tivesse dado o nome sem a usada adjectivação pelo sufixo próprio. O topónimo que hoje se refere a uma só povoação pelo crescimento do número de habitantes, correspondia, há um século para trás, realmente a duas: o Peso e a Régua – esta junta do Douro, e aquele disposta, pela banda oposta do monte do Peso, que domina esta e que possível é que tivesse aproveitado e fortificado pelos povos primitivos, visto que se prestava naturalmente para isso”.
 
Peso da Régua
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A história e o vinho legaram a Peso da Régua a sua condição natural de Capital da Região Demarcada do Douro. Os pergaminhos deste povo são os dos cultivadores, que há séculos desbravaram e fecundaram as terras, que ainda hoje cultivam, honrando a memória dos primeiros povoadores.
A toponímia desta região ficou marcada pela importância vitícola que o mundialmente afamado Vinho do Porto lhe concedeu, cujas virtudes são realçadas pela glória e um punhado de lendas.
Alguns historiadores consideram que o concelho de Peso da Régua foi habitado durante as invasões romanas e bárbaras, concluindo que o nome deriva da existência de uma casa romana de campo, soterrada em lugar da cidade - Vila Regula. Outros, porém, defendem a hipótese de a origem entroncar em "récua", devido aos ajuntamentos de récuas ou cavalgaduras que passavam o rio Douro. Há ainda uma terceira teoria, de acordo com a qual, o nome deriva de "reguengo", designação atribuída às terras dos reis. Mas, não ficamos por aqui, dado que também se defende a hipótese de Régua ter origem no termo "regra", aludindo ao direito que podia ser herdado de ascendentes ou conferido a descendentes através de um foral. Os historiadores que defendem esta hipótese justificam-na com o facto de o Conde D. Henrique ter doado estas terras a D. Hugo, que por sua vez as doou a D. Egas Moniz. Seria, portanto, esta "regra" a dar origem à palavra Régoa, mais tarde Régua.
Em relação à proveniência do nome Peso existem duas correntes de opinião: a primeira defende a hipótese de derivar do lugar onde as mercadorias eram pesadas e cobrados os impostos; a segunda explica a probabilidade de o nome ter evoluído a partir de um lugar onde os animais de transporte eram alimentados ou pensados, o "Penso".
A Régua é uma cidade moderna, que apenas conheceu a sua condição de concelho após a época pombalina, no ano de 1836. Toda a importância reconhecida se inicia por culpa e graça da criação, na Régua, da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, pelo Marquês de Pombal em 1756.
Tendo mandado delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito - Marcos de Feitoria - determinando assim as áreas de produção dos melhores vinhos, Portugal criava no Douro a primeira Região Demarcada do Mundo. A partir daí, e por via do comércio e sua centralização local, a Régua passou a ser o centro do Douro, o local onde todos chegavam e de onde tudo partia.
No dia 3 de Fevereiro de 1837, Peso da Régua foi elevada a vila, tendo-lhe sido anexado o concelho de Godim, com as freguesias de S. José de Godim, S. Pedro de Loureiro, S. Miguel de Fontelas, Santa Comba de Mouramorta e Santa Marta de Sedielos. A 31 de Dezembro de 1859, foram-lhe adicionadas, pela extinção do concelho de Canelas, as freguesias de Poiares, Covelinhas, Vilarinho de Freires e Galafura. A 11 de Dezembro de 1933 foi criada a freguesia de Vinhós, desanexada da freguesia de Sedielos. Com esta desanexação, o concelho de Peso da Régua integrava onze freguesias: Peso da Régua, Godim, Poiares, Fontelas, Loureiro, Mouramorta, Sedielos, Vilarinho de Freires, Covelinhas, Galafura e Vinhós. Com a integração de Canelas, o concelho completava o número actual de freguesias.
Peso da Régua foi elevada à categoria de cidade a 14 de Agosto de 1985.
Em 1988 foi reconhecida, pelo Office International de la Vigne ed du Vin, Cidade Internacional da Vinha e do Vinho.
Peso da Régua é um concelho rural de primeira ordem. Pertence ao distrito de Vila Real e está situado na margem direita do rio Douro.
Tem uma extensão de 94,72 Km2. Dista 25 Km da sede do distrito e está a 110 Km da foz do rio Douro, no Porto.
A norte está limitado pelo concelho de Santa Marta de Penaguião, a este pelo concelho de Sabrosa, a sul pelo rio Douro e a oeste pelo concelho de Mesão Frio.
O clima é de características mediterrânicas (micro-clima), com variações climatéricas acentuadas.
A cidade do Peso da Régua encontra-se a 125 m de altitude. O solo é constituído por xistos-argilosos e por algumas zonas granítinas. O concelho, de um modo geral, é muito acidentado.
A partir do rio Douro encontra-se uma pequena faixa de poucos metros de largura, de terras planas, onde se situa a grande zona urbana da Régua. Este vale estende-se pela zona do Rodo até ao limite do concelho com Santa Marta de Penaguião. A partir destas faixas planas, o terreno sobe acentuadamente, estando todas as freguesias localizadas em plena encosta.
Peso da Régua está ligada à cidade do Porto por via rodoviária, ferroviária e fluvial. É um centro vital nas comunicações para Trás-os-Montes e para a Beira Alta, através das cidades de Lamego e Vila Real.
Três pontes atravessam o Douro na Régua, uma ferroviária, datada de 1872, outra rodoviária, datada de 1932, e uma de recente construção, que serve de passagem no Douro, do eixo Chaves/Vila Real/Régua/Lamego, Viseu e Figueira da Foz, através do Itinerário Principal N.º 3.
Capital da Região Demarcada mais antiga do mundo, Peso da Régua não sendo uma cidade de grandes monumentos, é um paraíso histórico de inegável valor. Mergulhada num dos mais belos rios de Portugal, preenche a encosta e o vale onde montes cobertos de vinha e prenhes de história se combinam numa escadaria de gigantes.
É aqui que se encontra a Casa do Douro, a delegação no Douro Superior do Instituto do Vinho do Porto, a Rota do Vinho do Porto, a Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro e o Instituto de Navegabilidade do Douro.
Os vinhedos que dão origem ao Vinho do Porto situam-se nas encostas abruptas e grandiosas do rio Douro e dos seus afluentes. O terraceamento, indispensável à instalação da cultura da vinha, originou uma paisagem deslumbrante, de características ímpares, construídas e cultivadas graças à perseverança de Homens que durante gerações cavaram a rocha mãe. Aos sufocantes verões da região - quentes e secos - seguem-se invernos agrestes. O carácter nobre e delicado do Vinho do Porto tem origem nos solos pobres e no clima adverso de tipo mediterrânico. É curioso que numa zona tão hostil nasça um dos vinhos mais apreciados do mundo inteiro. Este é o principal mistério do Vinho do Porto.
O ritmo da Régua é marcado pela religiosidade das suas tradições. Por isso, se a visita à Régua se fizer no mês de Agosto, sugere-se a participação na alegria colectiva que marca a celebração da festa em honra de Nossa Senhora do Socorro, nos dias 14, 15 e 16.
A festa em honra de Nossa Senhora do Socorro é uma herança cultural antiga, momentos que põem à prova o carácter de um povo e de uma Nação. Na altura da Procissão do Triunfo, a cidade ganha vestes iluminadas e os crentes montam altares de rua.
A vida quotidiana tem deixado intocado o carácter dos reguenses, ficando bem patente a sua devoção para com a Nossa Senhora do Socorro.
As raízes desta devoção mergulham no rio Douro quando neste navegavam os barcos rabelos, que eram baptizados com nomes de frases religiosas, em busca de protecção divina contra os vários perigos com que se confrontavam. Quando eram lançados à água prendiam à proa flores de papel e à popa um ramo de oliveira com azeitonas. Diziam eles que era para dar sorte. Debaixo da ponte de comando colocavam uma caixa de esmolas, as "Alminhas do Barco", para depositarem as promessas feitas em momentos de aflição. Quando a noite descia, os marinheiros, ancorados nas margens, rezavam o terço e suplicavam em côro: "Senhora do Socorro... vieste para a Régua para pôres teus pés sobre as águas do Douro; Tua mão, agarrada à espadela, guiando o nosso rabelo". Este é um exemplo da fé do povo duriense.
 
Peso da Régua
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Concelho relativamente recente, criado em 1836, e actualmente constituído por 12 freguesias, Peso da Régua está situado na margem direita do Douro, rio que o limita a sul, e encravado entre os concelhos de Santa Marta de Penaguião, Sabrosa e Mesão Frio.
O concelho possui alguns castros e diversos templos e construções de eras remotas, além de outros vestígios que denotam a antiguidade do povoamento e fundação de suas terras. Em Poiares, por exemplo, situa-se o “Castellum” da Fonte do Milho, fortaleza carregada de reminiscências romanas, as quais também se encontram em diversas freguesias. O próprio topónimo Régua filia-se na existência de uma casa de campo romana — Villa Regula — soterrada algures sob os alicerces da cidade, ou no nome que os funcionários da administração imperial davam a esta passagem estratégica do rio. A toponímia concelhia garante a presença dos povos germânicos e as lendas atestam a maior ou menor ocupação mourisca. No repovoamento pós-reconquista foi decisivo o papel desempenhado pelas ordens militares que deixaram marcas em Vilarinho dos Freires, Moura Morta e Poiares, entre outras freguesias. D. Teresa, D. San-cho I e os bispos do Porto também aqui exerceram a sua influência. Mas a personagem mais marcante para este concelho viria a ser o Marquês de Pombal com a instituição da Companhia das Vinhas do Alto Douro. A vila do Peso cresceu em população e riqueza, transferindo-se para junto do rio, onde se ergueram múltiplas moradias de mercadores, vendeiros, comissários e agentes de fiscalização do tratamento e tráfico dos vinhos generosos. A Régua converte-se num verdadeiro entreposto da Companhia e a partir dessa altura este concelho passou a ser uma terra próspera, desenvolvida economicamente e em crescimento populacional.
Régua já não é a pequena vila a que se referia Ramalho Ortigão, nas “Farpas”. Alargou, desde a confluência do Corgo até ao fundo do Salgueiral, tudo ligadinho. A cidade, sendo antiga, não possui muralhas nem torres castelãs para mostrar aos turistas, mas possui edifícios importantíssimos, e que merecem ser visitados. Aqui encontramos a Casa do Douro, obra da lavoura duriense, e que é a sua sala de visitas. É digno de ser visitado também o edifício que foi sede da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, fundada em 1756 com poderes majestáticos, pelo Marquês de Pombal. Dignas também de visita a igreja matriz, onde se encontra uma tela fora do vulgar, e que representa a Ceia de Cristo, obra do famoso pintor Pedro Alexandrino; a Câmara Municipal; o quartel dos Bombeiros Voluntários e monumento aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral e ainda o cais fluvial.
Na Régua cidade e no concelho existem três vectores turísticos fundamentais: rio, vinho e termas. Na freguesia de Fontelas existe a afamada estância termal das Caldas do Moledo. Localizada num frondoso parque, composto por ancestrais plátanos, tudo aqui convida ao descanso e ao relax, apanágio duma cura termal. Em todas as freguesias há quintas e mais quintas, vinhedos e mais vinhedos. É o “país real” do Vinho Fino que nasce e cresce nessa cadeia de montes de socalcos com videiras, onde a pertinácia do homem ergueu o mais belo anfiteatro agrícola de Portugal. O rio proporciona a prática dos desportos náuticos, outro dos atractivos destas paragens. Possuindo uma excelente pista na albufeira da barragem e um grande estuário na cidade, a Régua tem algumas provas incluídas nos campeonatos nacionais das modalidades de remo, vela e motonáutica.
Mas o rio que banha e embeleza este concelho tem outro grande atractivo: o deleite que provoca a quem o contempla. E para isso nada melhor do que um dos muitos miradouros em que estas terras são férteis. Escolha-se o de S. Leonardo de Galafura como fez Miguel Torga e tenha-se uma panorâmica soberba, única no mundo — ou o Douro não fosse uma das maravilhas do dito. Quando se lá chega já os olhos vão rasos de Douro e a alma extasiada com tanta grandeza. Ali a paisagem é Natureza e Homem misturados. Um dia, o grande escritor viu ali S. Leonardo à sirga de um rabelo, mas já antes tinha anotado no seu diário o sentimento e a força que lhe invadiu a alma com aquele “Doiro Sublimado”:
“Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da Natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limites plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema ecológico. A beleza absoluta”.

 
 

 

 

Ribeira de Pena – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 

 
Pertenceu à Terra de Aguiar da Pena e teve o seu primeiro foral em 1331, concedido por D. Afonso lV em Tentúgal (Figueira da Foz – Coimbra). D. Manuel l em 1517 concedeu-lhe foral novo.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Ribeira é o nome comum, ribeira, que vem do latim riparia e que pode significar «pequeno rio ou ribeiro”, e ainda “terras marginais ou porções de terreno banhadas por uma corrente de água, mais ou menos abundante”.
 
Ribeira de Pena
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O concelho de Ribeira de Pena proporciona ao visitante múltiplas leituras da sua história, pela exploração de um percurso civilizacional da pré-história até aos nossos dias.
Da Pré- História à Romanização...
O povoamento inicial era pouco significativo, não ultrapassando a sedentarização de pequenos grupos de carácter familiar, que se terão fixado apenas com o objectivo de encontrarem alimentos e abrigo. O que sabiam estas gentes, aplicaram-no no lugar de Lamelas, ao marcarem o granito com figuras geométricas e símbolos antropomórficos, numa tradição que se prolongou até a idade do Ferro.
As terras férteis da região, propícias ao desenvolvimento da agricultura e da pastorícia, favoreceram a progressiva fixação dos povos que por aqui passaram, permitindo um conhecimento mais alargado sobre o povoamento de Ribeira de Pena. Posteriormente, testemunhos da presença romana, espalhados um pouco por todo o concelho, evidenciam uma organização do território e das suas estruturas rurais, nomeadamente através da construção de pontes, abertura de vias e novos modos de cultivar a terra.
Da Idade Média à Idade Contemporânea...
Ribeira de Pena, povoação antiga e anterior à fundação da monarquia, só em 29 de Setembro de 1331 os seus moradores receberam, do rei Afonso IV, o 1° foral para ali fazerem "pobra" (povoamento). Posteriormente, o território designado por "Terra de Pena" foi domínio senhorial de D. Nuno Álvares Pereira, da Casa de Bragança e da Casa Azevedo até 1517, ano em que D. Manuel I lhe concedeu novo foral, fazendo reverter para a Coroa os direitos de jurisdição: rendas, foros e pensões.
Em 1853, o concelho de Cerva, antigo município com foral outorgado por D. Manuel I em 1514, foi extinto. Como consequência, o território ribeirapenense foi alargado, dele passando a constar seis freguesias: Salvador, Sto. Aleixo de Além-Tâmega, Sta. Marinha e Cerva, Limões e Alvadia, cuja sede se localizava no lugar de Venda Nova (Largo do Pelourinho).
Em 1895, foi-lhe anexado a freguesia de Canedo, que pertencera ao concelho de Boticas, ficando assim constituído o território com a configuração que actualmente mantém e com sede na freguesia de Salvador.
Quando, hoje em dia, se fala tanto e tão frequentemente da supremacia atractiva do litoral em termos de população, talvez nos seja difícil imaginar que, no passado, o território que hoje é designado por Trás-os-Montes não só tinha condições para atrair gentes, mas ainda para aqui fixar grandes famílias de alta estirpe. Esta é, aliás, uma das razões para a existência de um tão elevado número de casas senhoriais em Ribeira de Pena e a sua ligação a nomes tão sonantes da nossa História como Nuno Álvares Pereira ou os Marqueses de Marialva.
E esta é também uma história tão aliciante, que tem vindo a atrair jovens descendentes destas velhas famílias, no seu afã de traçarem uma árvore genealógica tão completa quanto possível e de investirem os seus esforços na manutenção da casa de seus avós.
De quando começou o povoamento destas terras, só sabemos dizer com certa segurança que desde os tempos pré-históricos os homens acharam que o território lhes oferecia condições de vida, pois desses primeiros povoadores encontramos inúmeros legados, entre os quais sobressai o espaço conhecido por Santuário Rupestre de Lamelas, com numerosíssimas inscrições, que foram estudadas e divulgadas por Manuel José Carvalho Martins. Este investigador foi infatigável estudioso deste espaço, tendo mesmo organizado o fruto dos seus estudos numa obra publicada pela Camara Municipal de Ribeira de Pena, em 1981, sob o título de "Santuário Rupestre de Lamelas".
Além disso, por todo o concelho encontramos restos de monumentos funerários representados por dólmens e mamoas, como se mostra no capítulo respectivo, respeitante à riqueza arqueológica do Concelho.
Da passagem e estada dos Romanos há testemunhos também, representados por estradas, pontes e utensílios que têm sido encontrados tantas vezes em tarefas triviais da faina agrícola, como a lavrar ou a arrotear a terra para novas culturas.
É, contudo, a partir da época da Reconquista Cristã aos Árabes que nos vem notícia de certeza mais garantida da existência de uma grande área designada por Pena. Esta designação, segundo uns, era devida às numerosas fragas e penedos e, segundo outros, a um castelo roqueiro que existiria perto, na que é a povoação de Pontido, e que actualmente faz parte de Vila Pouca de Aguiar. Estas terras constituíam um município cuja sede se situaria na povoação denominada Concelho e que se localiza na freguesia, de Salvador. Estes municípios antigos tinham certa autonomia que lhes era própria, mas com o tempo, algumas prerrogativas foram-se perdendo, e quando Afonso VI era rei de Castela, portanto ainda antes de ter nascido Portugal, este monarca doou a D. Guedo, o Velho, as terras de Aguiar e Pena, Basto e Barroso, que, evidentemente, incluíam o território de Ribeira de Pena.
De D. Guedo e de seu pai, Mem Gomes, se diz, descenderam as grandes famílias dos Barrosos, Bastos e Aguiares. Quando era rei de Portugal D. Afonso IV, os moradores de Pena, que era como então se chamava a terra, enviaram emissários ao rei e pediram-lhe que mandasse fundar ali uma povoação ('proba'), de modo a ter os instrumentos legais que lhes permitissem defender-se e "castigar os desmandos de alguns viajantes que atravessavam as suas terras e lhes tomavam de seus dinheiros, fazendas e vitualhas, sem que os moradores tivessem os meios se fazerem respeitar".
O rei Bravo da Batalha do Salado, o rei Cru que mandou degolar Inês de Castro, a "mísera e mesquinha, que depois de morta foi rainha", achou por bem mandar investigar a solicitação e de tal tarefa incumbiu Vasco Domingues, ao tempo almoxarife de Guimarães, e João de Santarém, escrivão real, que 'deviam ir pessoalmente ao dito lugar de Pena e verificar se o dito lugar era o mais conveniente para fundar-se uma povoação e se isso era, até serviço para o rei', isto é, se era vantajoso ou não. Foram os dois emissários cumprir a sua missão e comunicaram por carta, que, idos ao referido lugar, ouviram os "homens bons" da terra ou seja, as pessoas mais importantes, de mais valia, as mais respeitadas, e os mesmos tinham confirmado a necessidade de fundar uma povoação, justificando-se com o facto de, à volta, não haver outra a menos de 5 léguas, (Vila Real), ou 8 léguas, como era o caso de Guimarães, ou de 10 léguas, (Braga e Montalegre).
Quanto à terra em si, diziam que era rica de pão e de vinho "assim como de muitas carnes", o que significava que existia muita caça.
Perante estas afirmações fidedignas, D. Afonso IV aproveitou uma sua estada em Tentúgal(aquela ridente terra do concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, famosa pelos seus deliciosos pastéis) e aí concedeu foral a Pena. Assim, os seus moradores ficavam autorizados a escolherem entre si um juíz porque ele, o rei, o confirmaria no seu cargo e lhe daria a autoridade sobre a, legislação que achasse por bem aplicar. Isto apesar de os Juízes de Fora começarem a ser nomeados no reinado de D. Afonso IV. Mais determinou que os moradores ficariam dispensados de pagar portagem ao Senhorio do rei, ao mesmo tempo que confirmou os limites do concelho, que seriam os que tinham sido dados. Para evitar concorrências que poderiam ser impeditivas do desenvolvimento da nova povoação, determinou que não houvesse venda ou retalho (regatia) a uma légua de distância, mas todos poderiam vender das suas produções, usando como medidas e foro os de Guimarães.
Foi este foral dado a 29 de Setembro de 1331 da era cristã (era de César de 1369) e deu aos moradores um prazo (21 meses) para fazer a povoação, que deveria estar pronta pelo S. João (24 de Junho) de 1371, da mesma era de César, por que então se contava o tempo - logo 1333 da era de Cristo.
No tempo em que era rei de Portugal D. Fernando, o representante da nobre genealogia que entroncava naquele distante D. Guedo era Vasco Gonçalves Barroso, filho de Gonçalves Barroso e de D. Mécia Rodrigues de Vasconcelos e, sendo já entrado em anos, casou com D. Leonor Alvim, que ficou viúva, sem filhos. Moravam D. Leonor e seu idoso marido na Quinta da Pedraça, em terras de Basto. Ora como não havia descendente deste casamento, metade dos bens de D. Vasco Barroso foram por este legados ao mosteiro de S. Miguel de Refojos, mas a outra metade coube à viúva, que a trouxe consigo quando contraíu segundas núpcias com o jovem Nuno Álvares Pereira.
Na altura do casamento, o futuro Condestável contava apenas 16 anos, pois tinha nascido a 24 de Junho de 1360 e o enlace realizou-se no dia de Nossa Senhora da Assunção, portanto a 15 de Agosto de 1376 e, como era costume da época, o casamento fora concertado entre os pais dos nubentes. Nuno Álvares era então um jovem idealista que queria nortear a sua vida pelas regras da cavalaria e dedicar-se a valores mais altos - a defesa de boas causas e uma castidade assumida.
Não o quis assim seu pai que, com a principal intenção de retirar da Corte onde pontificava Leonor Teles, o casou com aquela herdeira rica e de nobre linhagem, que contava entre seus avoengos a figura preclara de Egas Moniz. E o jovem Nuno, pelo menos durante três anos, teria passado um tempo de montarias e cavalgadas, preparando-se por dentro e por fora para vir a ser o grande consolidador da Independência de Portugal, correndo por estes mesmos montes e vales, tão nossos conhecidos.
É que pelo casamento D. Nuno tomara-se um dos senhores de Basto e Barroso, o que incluía os bens e domínio senhorial de Ribeira de Pena. Naquela Quinta de Pedraça nasceram dois filhos varões que morreram praticamente à nascença e uma filha, D. Beatriz, que iria fundar uma poderosíssima estirpe - a Casa de Bragança. À medida que a sua acção como Condestável lhe merecia mais terras e mercês, mais D. Nuno recuperava aquele espírito de pobreza voluntária, pelo que é sabido que entre os seus homens dividiu muitas das honras que lhe foram oferecidas. Assim é o caso de Ribeira de Pena, que durante algum tempo deveu as suas rendas ao vedor Afonso Pires, pois desta forma o Condestável o quis recompensar de seus trabalhos e feitos nas hostes do senhor.
No entanto, quando, em 1401, é contratado o casamento entre D. Beatriz e D. Afonso, filho bastardo de D. João I, mas que o rei legitimara antes do ajuste do casamento, aquela doação cessou, pois estas terras e muitas outras, como Aguiar, Pena, Montalegre, Chaves, com seus coutos e honras, faziam parte do dote da noiva.
Foi criado então um novo título nobiliárquico que não era usado em Portugal, o de duque, e que tinha vindo da pátria da rainha-mãe, D. Filipa de Lencastre, ela mesma filha do duque de Lencastre - e o casal passou a ser designado por Duque e Duquesa de Bragança. E certamente que estes noivos se sentiram honrados por, da sua lista de casamento, constarem as Quintas de Temporã e de Canedo, assim como vários casais de Bustelo.
Por volta de meados do século XV, todos os direitos de jurisdição, tanto cível como criminal, que eram prerrogativa da doação, aparecem, certamente por troca, na posse da Casa Azevedo, de Entre-Douro e Minho, tendo permanecido na sua posse até que, logo nos princípios do séc. XVI, o representante da Casa, Diogo Lopes de Azevedo, faleceu sem descendentes.
Como, logo em 1517, a 16 de Maio, D. Manuel concedeu novo foral a Pena, fazendo reverter para a coroa as rendas, foros e pensões que até então eram pagas ao senhorio de Pena, podemos dizer que Diogo Lopes de Azevedo foi o último senhorio donatário de Aguiar e Pena.
Enquanto houve donatário, as rendas, foros e pensões eram pagas e armazenadas em local próprio, pois sendo esses tributos representados maioritariamente em géneros, havia necessidade de instalações adequadas a essa recolha. Em Ribeira de Pena esta situava-se muito perto do seu centro cultural, pois seria no local onde existiu a Quinta do Paço.
Com D. Manuel I assistimos a uma reorganização administrativa, sendo então promulgados muitos Forais Novos, que esclareciam, definiam ou modificavam dados dos forais já muito antigos. O foral novo de Pena foi concedido a 16 de Maio de 1517 e fazia reverter para o Estado o sistema tributário, numa acção iniciada por D. João II e continuada pelo seu cunhado e sucessor, o Rei Venturoso, com a finalidade de reduzir o poder das grandes casas nobres e aumentar a força do rei. Ao mesmo tempo procurava dar-se um novo fôlego aos moradores dos concelhos, que os antigos senhorios tinham sugado o mais que podiam para manterem o seu trem de vida e as suas guerras, quantas vezes privadas.
O foral de D. Manuel manda fazer a justificação dos tributos que cada um deveria pagar, pois o foral que estivera na posse do falecido D. Diogo Azevedo tinha desaparecido com a sua morte e não havia outro registo ou tombo por onde se pudessem organizar de novo. Assim, a partir das listas que se tinham encontrado se fez novo rol, em que cada um confirmava sob juramento o que era costume pagar. Este concelho agora definido neste foral era composto pelas freguesias de Salvador, Santa Marinha e Santo Aleixo de Além-Tâmega, e a sua sede localizava-se no lugar da Venda Nova.
Quanto à organização concelhia, esta assentava numa câmara que era eleita pelas populações e as suas causas eram dirimidas pelos corregedores de Guimarães, mas possuía dois juízes de ordenação, um juiz de órfãos com escrivão privativo, três escrivães de serviço público, judicial e de notas, almotacém, meirinho, contador, distribuidor e inquiridor, entre outros oficiais como era costume da organização judicial e administrativa de então.
No tempo de D. Sebastião, e após a reforma do sistema de ordenanças, Ribeira de Pena constituía em si mesma uma capitania-mor, com três companhias de ordenanças, que era composta por um capitão-mor, um sargento-mor, um capitão, um ajudante e seis alferes.
Da importância destes capitães-mores basta observar uma lista que represente uma recolha patrimonial do concelho, para verificar que quase não há 1ugar onde não exista ou tenha existido 'A Casa do Capitão' que tanto pode ser solarenga como grande casa de lavoura. O primeiro capitão-mor de que há notícia foi Francisco Pacheco de Andrade, pertencente a uma grande casa da região, a casa do Picanhol.
De facto, os capitães-mores eram escolhidos localmente, entre as suas figuras mais gradas e destinavam-se a chefiar as ordenanças ou grupos que recebiam instrução militar e que deviam estar sempre prontos a intervir em caso de necessidade.
Como era encargo de importância, esteve durante mais de dois séculos a cargo dos morgados da Casa de Santa Marinha, uma das mais ilustres famílias de Ribeira de Pena, da qual saiu o primeiro Barão de Ribeira de Pena, Francisco Xavier de Andrade e Almeida Pacheco e Sousa Leitão. Foi este um denodado defensor dos interesses da sua terra natal, sendo a sua acção especialmente meritória como grande obreiro do Concelho, tal como ele se apresenta hoje.
De facto, quando o Concelho de Cerva foi extinto por acção da reorganização administrativa, o 1.º Barão de Ribeira de Pena utilizou todas as possibilidades e conhecimentos para que esse território fosse anexado, na sua totalidade, às terras de Pena.
Mas voltemos à história do Concelho, que durante séculos foi seguindo o seu curso normal, sem grandes sobressaltos, quase sem história, afinal, o que é bom sintoma, porque dos povos, como dos homens, se diz que "dos felizes não reza a história"...
Sabia-se, contudo, que longe dos favores da corte e a viver quase praticamente daquilo que a terra dava, os ribeirapenenses não estavam absolutamente desprovidos dos meios necessários à obtenção de instrução.
Segundo o "Dicionário de Portugal " de Esteves Pereira, durante o governo do Marquês de Pombal foram criadas duas escolas primárias no concelho - e lembremos que então só tinha três freguesias -e as cadeiras de Francês e de Gramática Latina. Aliás, basta pensarmos nas "escolas" frequentadas por Camilo Castelo Branco em Vilarinho da Samardã e em Ribeira de Pena, onde fez, afinal, os estudos para os preparatórios, que eram mais ou menos uma aptidão à universidade, para termos uma ideia correcta da vontade das nossas gentes em não se deixar dominar pelo peso das serras que as abraçam e protegem mas que também podem sufocar.
Em 1853, o território do Concelho foi alargado com as freguesias de Cerva, Limões e Alvadia e por decreto de 26 de Outubro de 1895, quando foi extinto o Concelho de Boticas, foram também incorporadas as freguesias de Canedo e Fiães de Tâmega, tendo esta última regressado ao anterior município de Boticas quando o mesmo foi restaurado pelo decreto de 13 de Janeiro de 1899.

 
Ribeira da Pena
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O concelho de Ribeira de Pena pertence à área geográfica designada por Trás-os-Montes e constitui uma das zonas fronteiriças ao Minho. Esta situação-limite faz de Ribeira de Pena uma zona de transição em que as características não se encontram ainda perfeitamente definidas, simultaneamente minhotas e transmontanas.
Espartilhado entre os concelhos vizinhos, Ribeira de Pena confronta ao norte com o concelho de Boticas, a este com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, a sul com Vila Pouca de Aguiar, com Vila Real e com Mondim de Basto, a oeste essencialmente com Cabeceiras de Basto.
A sua geografia é profundamente marcada pela passagem, dentro do seu território, do rio Tâmega. Este atravessa o concelho a meio e juntamente com os seus subsidiários Beça, Poio, Louredo, Ouro e outras pequenas ribeiras da sua bacia hidrográfica, define os vales férteis e agrícolas de maior densidade de povoamento. Para lá desta rede hidrográfica ficam, a norte, as zonas montanhosas do Barroso, a leste e a sul as montanhas do Alvão e contrafortes do Marão.
O concelho de Ribeira de Pena aponta para a existência de três zonas distintas. Apresenta uma zona de vale profundamente marcada pelo Tâmega e pela sua bacia hidrográfica, a mais povoada; a sul e a SE, a zona de montanha, marcada pelo planalto do Alvão e seus contrafortes, menos povoada; e a norte, entra já pelo Barroso sofrendo-lhe as influências toda a freguesia de Canedo.
Ribeira de Pena possui 7 freguesias: Alvadia, Canedo, Cerva, Limões, Salvador, Santa Marinha e Santo Aleixo d’Além Tâmega.
As gentes de Ribeira de Pena são, desde sempre, gentes ligadas à agricultura. E a agricultura, é ainda hoje uma actividade de subsistência, salvo algumas excepções. Dedicado a produtos para que a terra tem especial apetência, o concelho produz vinho (está integrado na zona demarcada do Vinho Verde), azeite, milho, centeio, batata.
O seu subsolo é rico em volfrâmio e estanho, tendo a actividade mineira sido um dos principais factores de receita em época relativamente recente.
Nas últimas décadas e mercê de uma forte campanha de florestação, o concelho passou a ser dos de maior percentagem florestal do País, riqueza que é significativa, apesar dos numerosos e devastadores incêndios dos últimos anos.
Mas a maior fonte de receita para o concelho, deve ser o dinheiro transferido pelos milhares de ribeirapenenses que estão no estrangeiro e que canalizam todas as suas economias para construírem na sua terra as estruturas indispensáveis ao seu bem-estar futuro.
Mais recentemente o concelho de Ribeira de Pena tem sabido tirar partido das suas riquezas naturais, passando a produzir energia hidroeléctrica. Numa intervenção conjunta com os municípios do Alto Tâmega, projectou e levou a efeito um Empreendimento Hidro-eléctrico no Rio Alvadia que se encontra a produzir e se tornou, rapidamente, na principal fonte de receita do município. Em Bragadas, encontra-se já em fase de construção um segundo projecto. Foram ainda analisadas as possibilidades de aproveitamento de energia eólica, sendo detectado em Ribeira de Pena as condições mais favoráveis do norte do País. Esta nova fonte de riqueza poderá abrir novos horizontes à capacidade do município de criar condições de desenvolvimento.
O concelho de Ribeira de Pena, tal como é hoje constituído, só existe a partir de meados do século passado. Antes de 1855, o concelho de Ribeira de Pena limitava-se às freguesias de Salvador, de Santa Marinha e de Santo Aleixo de Além-Tâmega, tendo como cabeça de concelho a povoação da Venda Nova. A partir dessa data, e perante a ameaça de extinção, passou a englobar o antigo concelho de Cerva, composto pelas freguesias de Alvadia, Cerva e Limões. Já no dealbar do século, em 1895, foi-lhe anexada a freguesia de Canedo, anteriormente pertença de Boticas.
O povoamento da região abrangida pelo actual concelho vem de tempos pré-históricos como o atestam numerosos vestígios arqueológicos. São exemplo e testemunho o “Santuário Rupestre de Lamelas” e numerosos castros que coroam os cumes de alguns montes do concelho.
A terra de Pena, como inicialmente foi designada, constituiu desde a Reconquista Cristã aos árabes um núcleo municipal que teve inicialmente a sua sede, crê-se, na povoação do Concelho. D. Afonso IV, rei de Castela, fez doação entre outras, da terra de Pena a D. Guêdo-o-Velho, progenitor das famílias dos Barrosos, Bastos e Aguiares. O seu primeiro foral foi concedido pelo rei D. Afonso IV e outorgado em Tentúgal em 1331.
No século XV o domínio da Terra de Pena aparece na Casa dos Azevedos, senhores de S. João de Rei. Em 1517, D. Manuel I atribui novo foral a Pena, segundo a reforma conhecida pelos “Forais Novos”. Depois da reforma das ordenanças feita por D. Sebastião, ficou constituindo este concelho numa Capitania-Mor.
O antigo concelho de Cerva, hoje integrado em Ribeira de Pena, foi domínio de Afonso Sanches, filho de D. Dinis, no século XIV. No século XV pertenceu a Vasco Martins de Sousa e, no século XVII, a sua posse era de D. António Luís de Meneses, Marquês de Marialva.
Teve foral concedido por D. Manuel I em 1514.
Ainda de referir que foram concedidos forais por D. Sancho I ao Casal de Outeiro e por D. Afonso III a Viela e a Escarei, bem como a Canedo, Seirós e Penalonga.
Ribeira de Pena está recheada de pormenores de inegável valor, até hoje muito pouco divulgados e, infelizmente, alguns já muito degradados.
Na sede da Vila, no Salvador, encontramos a Igreja Matriz do Salvador, construída no último quartel do século XVIII.
Hoje isolada e num acentuado grau de decadência deparamos com a pequena Capela de S. Pedro, capela anexa à antiga Igreja do Salvador demolida quando da construção da nova. Esta capelinha apresenta elementos góticos e era cabeça de um vínculo da Casa do Bucheiro, edificada no século XVI e que possui, na fachada sul, elementos manuelinos. Descendo a caminho do Tâmega encontramos a meia encosta o Solar de Santa Marinha, edifício que apresenta um cunho característico dos palácios do século XVIII mas que remonta ao século XVI. A Igreja de Santa Marinha possui um rico altar em talha dourada e tem anexa a capela vincular de S. Francisco Xavier, com altar em talha do século XVII. Numa das paredes da igreja, encontra-se uma ara votiva a Júpiter, descoberta por acaso quando das obras de restauro.
Subindo a encosta encontramos a Capela de Nossa Senhora da Guia, padroeira do concelho, edifício religioso do século XVIII de grande harmonia e com tecto em granito. Este edifício tem conotações camilianas pois foi aqui que o romancista fez acabar o seu 6.º dos “Doze Casamentos Felizes”.
Retomando a descida para o Tâmega alcança-se a Venda Nova, onde esteve situada em tempos a sede do concelho. Aqui se pode observar a Casa da Temporã, com traça do século XVIII, que possui umas curiosas sacadas em pedra. A Capela da Granja Velha surge adiante, à direita da estrada, e merece ser visitada para se contemplar o altar, a pintura do tecto e uma linda credência, à entrada da sacristia. No lugar de Senra, entre várias casas senhoriais, destaca-se a Casa de Senra de Cima e a sua capela anexa de N.ª S.ª da Assunção. Foi construída no século XVIII por artistas vindos da Corte para um antigo Capelão de D. João V.
Em Santo Aleixo d’Além-Tâmega, encontram-se belas edificações como a Casa da Aldeia, a Casa da Fêcha, construída no século XVII e a Casa do Fragão. Mas toda a povoação é digna de ser percorrida atendendo à qualidade arquitectónica das suas edificações e à harmonia de todo o conjunto. Em Bragadas, pequeno lugar da freguesia de Santo Aleixo, fica situada a Casa do Barroso, edifício digno de nota pelo seu portal de entrada, pelas pedras de armas e por uma bela varanda interior em pedra. Esta casa serviu a Camilo para a ficção do seu conto “História de uma Porta”, dada à luz na colectânea “Noites de Lamego”.
Na freguesia mais afastada de Canedo existe, na povoação do mesmo nome, a Capela dos Matos, edifício com características do século XVIII completamente abandonado. A igreja de Canedo, de feição gótica faz um belo conjunto com os edifícios anexos que terão albergado um pequeno mosteiro beneditino. Noutra povoação, Penalonga, existe um belo conjunto de espigueiros alcandorados numa elevação granítica junto ao casario. A freguesia de Canedo termina no monte do Lesenho, que partilha com o concelho de Boticas e onde fica situado um enorme castro.
Na Portela de Santa Eulália, encontra-se o santuário Rupestre de Lamelas, uma das pedras com maior densidade de desenhos insculpidos na cultura megalítica do noroeste peninsular.
Na freguesia de Alvadia são de referir os ricos conjuntos arquitectónicos de Lamas e de Alvadia, constituídos por muitas casas ainda cobertas a colmo. Em Favais, surge um pormenor insólito, uma bela pedra frontal à capela do lugar e na qual dois anjos coroam uma figura humana tocando viola.
Descendo para Cerva, há que referir o castro do Mourão, logo seguido, em Cabriz, pelo castro do Castelo. Em Alvie existe uma bela ponte medieval com duas vertentes e patamar. Já na vila de Cerva são de referir a Capela das Almas, edifício religioso do século XVIII, o pelourinho de Cerva, do século XVII e símbolo da antiga autoridade municipal, a Capela de S. Sebastião com as suas colunas torsas em granito e a Igreja Paroquial de S. Pedro que ainda apresenta pormenores românicos na cachorrada exterior. Na antiga calçada que ligava Cerva a Ribeira de Pena fica uma outra ponte medieval, a ponte do Louredo, com duas vertentes e uma grande altura de arco.
A povoação de Limões, cabeça de freguesia do mesmo nome, é um conjunto arquitectónico de interesse público. Embora sem essa classificação, o conjunto arquitectónico de Agunchos é também digno de nota pela qualidade e quantidade dos edifícios que o compõem.
Por último, em Asnela, destaca-se a Casa da Costa com duas alas fronteiras, uma do século XVII e outra do XVIII.
A produção de artesanato em Ribeira de Pena liga-se às necessidades imediatas da sua população, comtempla os artigos de vestuário e os utensílios agrícolas, usando maioritariamente a matéria vegetal (linho, madeira, junco) com a excepção da lã, produzida nas regiões montanhosas.
O conhecido escritor do século XIX, Camilo Castelo Branco, está ainda profundamente ligado a este concelho. Na sua infância, residiu em Ribeira de Pena. Aos 16 anos terá vindo viver para a povoação de Friúme na qual vivia uma filha da sua tia tutora e onde também terá contraído matrimónio. Na sua obra transporta a lembrança transmontana de Ribeira de Pena. Fê-lo pela introdução dos topónimos locais, das casas e famílias da Ribeira, pelas figuras típicas. Fê-lo transportando para a ficção muitos dos enredos de que teve conhecimento durante o curto período de permanência. Fê-lo retratando a alma do povo simples que aqui conheceu entre 1840 e 1842.
Camilo foi seguramente a figura mais significativa que escreveu sobre Ribeira de Pena e é, ainda hoje, um dos seus melhores divulgadores.

 
 

 


 
Sabrosa – (Concelho do Distrito de Vila Real)


 

 
Recebeu foral no século Xll, concedido pelos magistrados de Panóias, em nome de D. Sancho l. Em 1196 este monarca, sua mulher D. Dulce, e o rico-homem D. Rodrigo Mendes de Sousa outorgaram-lhe carta de foral.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Sabrosa, supõe-se derivado de sabro e este do latim sabulu -, areia, que deu o nome comum Sabro, no português arcaico, convertido depois em saibro”.
 
Sabrosa
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A Região onde se implanta o Concelho de Sabrosa mostra sinais evidentes de ter sido habitada desde tempos remotos.
Há vestígios que datam do Neolítico, como sejam os numerosos monumentos funerários, antas ou dólmenes, de tipo mamoa.
A cultura Castreja (Idade do Ferro) está representada por alguns Castros, povoações fortificadas no cume dos montes, defendidas por fossos e linhas de muralha.
Destes Castros, é justo salientar o da Sancha, próximo da sede do Concelho, que posteriormente sofreu um processo de romanização, documentado pela descoberta de moedas e outro espólio inegavelmente romano.
Da época da Romanização, subsistem ainda alguns restos de estradas em vários pontos do Concelho.
Finalmente, da Idade Média, restam muitas sepulturas paleocristãs escavadas na Rocha, em diversos lugares.
A maioria das povoações hoje integradas no Concelho remonta também à Idade Média, sendo mesmo algumas delas anteriores à fundação da nacionalidade, como por exemplo Provesende.
Os primeiros séculos de existência dessas povoações, contudo, estão praticamente indocumentados, para além de algum foral dado pelos reis povoadores do início da dinastia Afonsina. Mas no século XV é já possível rastrear na região uma classe nobre, de apreciáveis privilégios e valimento. Foi no seio duma destas famílias que nasceu naquele século o grande navegador Fernão de Magalhães, a quem se devem os planos e execução parcial da primeira viagem de circum - navegação do planeta.
A existência e poderio dessa classe nobre são ainda hoje recordados por inúmeros solares e casas brasonadas, espalhadas um pouco por todo o Concelho, a começar pela casa dos Pereiras, onde terá nascido Fernão de Magalhães. Outros exemplos poderão admirar-se em Sabrosa, Provesende, Celeirós, Vilarinho de S. Romão, Gouvães, Gouvinhas, Paradela, Paços, S. Lourenço de Ribapinhão, Parada do Pinhão etc.
Esta nobreza reforçou o seu poder e a sua influência no século XVIII ( de que datam a maioria dos solares referidos), em virtude da prosperidade económica dessa época, baseada na produção do vinho e estimulada pela criação da Companhia da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, e a primeira região demarcada do Mundo, em 1756, pelo Marquês de Pombal. Pois nas terras de Sabrosa nasceu um dos mais conceituados vinhos mundiais, o vinho do Porto.
Em 2001 as paisagens do Alto Douro Vinhateiro, que inclui a parte sul do concelho de Sabrosa, foram elevadas pela UNESCO a património mundial da humanidade.
Sabrosa foi elevada a freguesia em 1826.O Concelho foi criado por Decreto de 06 de Novembro de 1836, tendo sido concedido em 12 de Maio de 1837 o Brasão d' Armas.
 
Sabrosa
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Constituído por quinze freguesias, o concelho de Sabrosa situa-se no Alto Douro, numa região agrícola privilegiada. Abrangendo uma área de 180 quilómetros quadrados, é delimitada pelos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Murça, Alijó, Vila Real e Peso da Régua. O rio Douro delimita-o a sul.
O povoamento desta vasta região começou bem cedo. Diversos monumentos funerários estão espalhados um pouco por todo o concelho, especialmente antas e mamoas. Da época castreja, quase todas as freguesias registam na sua área vestígios de povoamento desse período. Redutos castrejos, de tipo defensivo, que os romanos ocuparam e extinguiram, obrigando essas populações a descer para as planícies aluviais. O Castro da Sancha deverá ser o mais importante de todos, devido ao numeroso espólio que foi encontrado nas diversas escavações levadas a cabo. Foi também romanizado, como se comprova pelo achado de moedas romanas e outros objectos desse período.
Inicialmente integrado no julgado medieval de Panóias, Sabrosa acabou por receber foral em 1196, por D. San-cho I. Nesta época, não era uma importante circunscrição administrativa, antes pelo contrário, não passava de um dos muitos pequenos municípios da bacia do rio Pinhão. Elevada a sua actual sede a freguesia, apenas em 1826, passou a concelho em 1836, depois de uma reorganização administrativa que extinguiu mais de quatrocentos concelhos e criou menos de cinquenta. Quando a actual Sabrosa foi criada, o seu território estava disperso por três outros concelhos: Vilar de Maçada, Sabrosa e Provesende.
Sabrosa foi sempre uma terra de grandes tradições nobiliárquicas. Hoje, como no passado, amontoam-se os vestígios de uma classe nobre e extremamente privilegiada. É o caso dos magníficos solares brasonados existentes em quase todas as freguesias. Na sede do concelho, encontra-se a casa da Pereira, onde nasceu Fernão de Magalhães, o célebre descobridor que fez a primeira viagem mundial de circum-navegação marítima. A prosperidade económica desta zona, ao longo de toda a Idade Moderna, baseava-se na produção e exploração de vinho, fomentada pela criação da Companhia da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro em 1756.
Além de Fernão de Magalhães, uma outra ilustríssima personalidade portuguesa nasceu em Sabrosa. Miguel Torga, escritor e poeta recentemente falecido, nasceu em S. Martinho de Antas. Um dos maiores vultos nacionais do século XX, que caracterizou como poucos a sua terra-natal. Num “Regresso” que impôs a si próprio no fim da sua vida: “Regresso às fragas onde me roubaram / Ah! Minha terra, minha dura infância / Como os rijos carvalhos me acenaram / Mal eu sorri cansado na distância / Cantava cada fonte à sua porta: / O Poeta voltou! / Atrás ia ficando a terra morta / Dos versos que o desterro esfarelou / Depois o céu abriu-se num sorriso / E eu deitei-me no colo dos penedos / A contar aventuras e segredos / Aos deuses do meu velho paraíso”.
A localização geográfica do concelho permite que o seu visitante desfrute de magníficas paisagens. Verdadeiros miradouros naturais, varandas debruçadas sobre o Douro, fazem as delícias de todos aqueles que propositadamente se deslocam a Sabrosa para conhecer uma zona que ficou famosa pelos seus vinhos. O turismo aposta forte nessa realidade, passível de concretizar os anseios de uma população que vê na vinicultura e na vitivinicultura grande base do seu sustento.
De resto, é Sabrosa um concelho que mantém intacta a sua componente rural. Uma grande religiosidade, com inúmeras festas e romarias dedicadas aos santos da predilecção do povo. Um artesanato que ainda se vai mantendo, com os seus cesteiros tanoeiros e tamanqueiros. Uma gastronomia saborosa, marcada pela típica bola de carne, pelo cabrito assado e pelo cozido à portuguesa.

 
 
 
 
Em 1202, D. Sancho l concede-lhe foral, D. Afonso lll renova-o e em 1519, D. Manuel l concede-lhe foral novo. Em 1719, Sebastião José de Carvalho e Melo (marquês de Pombal), declara esta região a mais antiga demarcada e regulamentada do Mundo.
Origem do nome:
«Prof. José Leite de Vasconcelos em Boletim da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa»:”Aguiam, nome geográfico, de aguião, nome de vento, aquilo-onis, em Santa Marta de Penaguião, foi já explicada por mim, em 1884, na Revista da Sociedade de Instrução, do Porto, lV. 31: Penaguião em vez de pena de Aguião latim auilonem; todavia, esta explicação não é tão simples como parece, pois no século Xlll dizia-se Pena Goiam, Penagoiam e Penaguiam )veja Inquisitionis, págs 63 e 201, e notas), e nesta época não podia – am corresponder a – onem; por outro lado, Viterbo, Elucidário s. v. cajam, cita Pena Gedeam como do século Xll”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: ”Não obstante, parece, porém, certo que Penaguião é nome céltico latino, em que o primeiro elemento componente, é penn -, latinizado em pinna e aportuguesado em pena, donde o atribuir-se ao vocábulo o significado próprio de “pedra do vento norte”, sentido, aliás, pouco presumível, por causa do acusativo aquilonem”.
«Américo Costa em Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular (1948)»:”Refere a tradição que as terras deste concelho foram conquistadas aos mouros, cerca do ano 1000, pelos irmãos D. Tedo e D. Gusendo.
Quando os cristãos se viram senhores delas, teriam hasteado o guião dos referidos irmãos no cimo de uma penha, donde derivou – diz a tradição – o nome de Penaguião.
Este vetusto concelho teve a sua primitiva sede num lugar denominado Pousadoro, até que se mudou para o de Santa Marta, freguesia de Lobrigos (São Miguel). Este lugar tomou o nome do referido concelho para se diferençar de outras povoações de igual denominação”.
 
Santa Marta de Penaguião
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Do passado mais remoto a romanização. A antiguidade histórica de Santa Marta de Penaguião é afirmada por vestígios de Castros nas freguesias de Fontes, Lobrigos, Cumieira, Louredo e Medrões. Todas estas freguesias existiam já nos primórdios da nacionalidade.
Alguma toponímia pode levar-nos muito mais longe no tempo, aos primitivos povos sedentários, ..., não porém de forma inequívoca.
O Concelho de Santa Marta de Penaguião é o prolongamento temporal das Terras de Penaguião, espécie de diviso administrativa que na baixa idade média (sécs. XI -XIV) compreendia o território existente entre os rios Douro e Corgo, a Serra do Marão e as Terras de Panóias (Vila Real). Compreendia assim a área actual do concelho de Santa Marta de Penaguião e parte significativa dos concelhos de Peso da Régua e Vila Real.
No reinado de D. Afonso Henriques era governador destas terras D. Moço Viegas, filho de D. Egas Moniz.
D. Sancho I concede foral a Santa Marta em 1202; (fac-similado do documento existente nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, A.N.T.T., em Lisboa).
D. Manuel I vem em 15 de Dezembro de 1519 a conceder nova Carta de Foral a Penaguião; (fac-similado do documento igualmente existente nos A.N.T.T.)
Os forais, documentos escritos e por isso inequívocos, constituem insubstituíveis recursos para interpretação do passado. Neles eram fixados direitos, privilégios e deveres dos moradores. O período de ouro, os séculos XVII e XVIII, e a crise que se lhe seguiu.
De grandes rendimentos nos falam as construções dos séculos XVII e XVIIl, para além de outra documentação que no-lo certifica; boas casas, solares e igrejas, património arquitectónico que hoje podemos admirar neste concelho.
Com a valorização dos vinhos exportados, o cultivo da vinha foi incrementado, os vinhedos passaram a cobrir todas as encostas, e mais que houvesse, e os rendimentos subiram em flecha.
A euforia trouxe o oportunismo, as misturas com vinhos de fora da região, e a crise tem lugar com o desinteresse causado pela redução da qualidade.
A 10 de Setembro de 1756 é ... criada a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no reinado de D. José, por grande influência de um filho de Santa Marta, Frei João de Mansilha, junto do Marques de Pombal.
Com a Companhia Geral surge um "nom d ' appelation" para esta área produtora de "Vinho do Porto", antes que outra Denominação de Origem surgisse na Europa.
Santa Marta de Penaguião foi pioneira. E a disciplina começou a imperar na Região Demarcada do Douro. A extinção e a Restauração do concelho de Santa Marta de Penaguião. No século XIX foram várias as reformas administrativas. Em cada uma delas houve extinção e criação de concelhos.

Lenda de Santa Marta de Penaguião
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Uma lenda é sempre uma lenda. Umas vezes, com algum fundamento histórico, outras vezes, nem por isso. Sobretudo, as que pretendem explicar a origem de certos topónimos, ou localidades, eivadas de graciosa ingenuidade popular. E, por isso, curiosas, como a tão divulgada lenda de Santa Marta, e que pretende fundamentar a nascença da localidade do mesmo nome. É assim:
Certo e desconhecido cavaleiro francês, um tal conde de Guillon que andou por estas terras, mandou queimar a capela de Santa Marta. Consumado o acto sacrílego, a santa apareceu-lhe ditando o castigo: que plantasse uma vinha, e cuidasse dela. Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos. Mas, ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada, de acordo com crenças antigas, símbolo do mau agoiro que pressente a morte com o seu grasnar.
O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, ele que nunca tinha produzido nada na vida. E lembrou-se de oferecer à santa as uvas, fruto do seu suor. Em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação. Estava perdoado. E, desde então, a localidade começou a ter o nome: Santa Marta de Pena Guillon. Que, segundo a tradução (e tradição) popular quer dizer "Santa Marta de Pena (castigo) Guillon" (traduzido para Guião).
Marta, Maria Madalena e Lázaro (todos irmãos) são conhecidas personagens bíblicas. Marta, o símbolo do trabalho e, talvez por isso, a protectora escolhida da Região Vinhateira do Douro; Maria, o símbolo do descanso. Os Evangelhos falam-nos dessa figura singular e cativante, da Marta que recebeu Jesus em sua casa.
O seu dia litúrgico celebra-se a 29 de Julho, e na representação iconográfica aparece-nos como diligente dona de casa (também é padroeira das donas de casa) e com os seguintes atributos: uma vassoura, e noutros casos, uma concha de sopa, ou um molho de chaves na mão.
Santa Marta tornou-se hagiotopónimo (ou topónimo com o nome da santa) ligado a uma devoção muito antiga (pré-nacional), e divulgada na Idade Média (ou Cristã). Já antes da Nacionalidade o culto era dos mais antigos na Península, sobretudo no norte que viria a ser de Portugal.
Protectora (como se disse) da Região Demarcada do Douro, o papel de ofício utilizado pelo provedor e deputados da Junta da Administração da Companhia-Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (criada por Pombal, e instituída por alvará régio de 10 de Setembro de 1756) utilizava o Selo ou, como se diria hoje, o logotipo da Instituição com a efígie da Santa e, no fundo, uma videira com a seguinte inscrição latina:Providentia Regitur. Isto é, a Divina Providência governa (ou rege) tudo.
Santa Marta encontra-se reproduzida em belo vitral (edifício da Casa do Douro, na Régua) do Pintor António Uno. Penaguião também adaptou o seu nome por que é conhecido o Concelho: Santa Marta de Penaguião, erigindo-lhe capela que deu o nome ao lugar. Curiosamente, Santa Marta, vila da freguesia (sede) de Lobrigos, tem outro padroeiro:
S. Miguel-o-Anjo. Mas Marta ficou sempre na boca (e no coração) do povo crente e diligente de Penaguião.
 
Santa Marta de Penaguião
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Localizado na parte sul do distrito de Vila Real, o concelho de Santa Marta de Penaguião ocupa uma área de cerca de sete mil hectares. A sua ocupação é anterior à época romana, como o atesta alguns castros originalmente lusitanos e abundante espólio encontrado nesses locais.
Quando se deu a fundação de Portugal, em meados do século XII, algumas das actuais freguesias do concelho já estavam constituídas: Fontes, Lobrigos, Cumieira, Louredo e Medrões. Nessa altura, as terras de Penaguião, nome que a lenda atribui ao nobre francês Guillon, compreendiam o território existente entre o rio Douro e Corgo, a serra do Marão e as terras de Panóias (Vila Real). Algumas destas freguesias, como as de Peso da Régua e as de Vila Real, iriam passar no século XIX para outros concelhos. Recebeu foral em 1202, por D. Sancho I, em 1256 e 1519.
Apesar dos documentos que regularam a sua actividade municipal ao longo dos séculos, foi a criação da Região Demarcada do Douro, em 1756, que mais contribuiu para o desenvolvimento das terras do concelho. Este representa mais de metade da área ocupada por essa região demarcada.
Um concelho belíssimo, de norte a sul e oriente a ocidente. Sant’Anna Dionísio compreendeu-o bem e caracterizou estas terras da seguinte forma: “Sobe-se então para a concha vinhateira, excepcionalmente rica, de Santa Marta de Penaguião. Para qualquer lado que nos voltemos, é a vinha. Sobre esta concentram-se todos os cuidados. Salpicando a verdura dos vinhedos, manchas brancas de casais, armazéns, vivendas solarengas. A uns cem metros dos paços do concelho, existe uma estrada camarária, relativamente breve (uns 8 quilómetros) que nos proporciona uma encantadora digressão. Sempre em ascensão, embora suave, atravessando belos vinhedos que rodeiam as povoações de Sanhoane e de Medrões, atingimos a povoação de Fontes (1600 habitantes a cerca de 600 metros de altitude), donde é oriunda a família dos editores Lellos, do Porto. Os panoramas que desta última povoação se desfrutam são particularmente impressivos, uns pela extraordinária imponência da serra do Marão que fica próxima, outros pela beleza de uma sucessão sem fim de promontórios e declives, cobertos de vinhedos que o homem desveladamente trata, como se fosse um recital imenso.
A paisagem é um encanto desde Penaguião até ao Alto dos Lobrigos. Mas quando se descobre, de repente, ao fundo, o rio Douro, não é só encanto: é deslumbramento. Em vastidão, harmonia e solene grandeza, tão rica de intimidade, será difícil achar paisagem que a irmane. Só para ver este trecho do vale do Douro valia a pena suportar cem (ou mil) milhas de monotonia. (...)
Por um lado ou pelo outro — pelo vale do Corgo ou pela concha enorme e verdejante de Santa Marta de Penaguião -o viajante que desce dos cimos de Trás-os-Montes para o coração do Douro, não poderá deixar de sentir que se encontra perante um dos mais belos panoramas do Velho Mundo”.
Convite feito para uma visita ao concelho, apontem-se outros aspectos de grande importância para uma visita às suas dez povoações. É uma terra marcada pela prática da agricultura (em especial a viticultura), integrada na Região Demarcada do Douro. Aqui se encontram as Caves Santa Marta, que se constituem na maior adega cooperativa do Douro e à qual estão associados cerca de 70% dos viticultores do concelho. A componente rural de Penaguião, e a consequente tipicidade que a sua população mantém, atinge o seu apogeu com a gastronomia — destaque para o saboroso cabrito assado, o cozido à portuguesa ou a açorda de Medrões — e o artesanato (como a cestaria e a tanoaria, ainda ligados ao fabrico do vinho do Douro).

 
 
 



Valpaços – (Concelho do Distrito de Vila Real)

 
 
 
 
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”A antiga povoação situada a umas três léguas de Vila real, nunca teve qualquer foral e chamava-se simplesmente Paços; só em 1861, quando recebeu a categoria de vila, alterou o nome, passando a chamar-se Valpaços, o que mostra que a designação é um dos muitos compostos toponímicos de Val €, e como Valbom, Valcovo, Valmor, Valperaíso, Valverde e tantos outros. Paços, sabe-se bem o que é: o mesmo nome comum, plural de paço, do arcaico paaço, do latim palatiu…
Dizia Pinho Leal da sede do concelho: “A vila está situada em pequeno vale, na encosta de uma serra pouco elevada, e, quando eu ali estive em 1847, ainda mal merecia o nome de vila; mas desde então, tem progredido muito, e está hoje uma bonita povoação”.
Todavia, não é certo o que o dito autor diz sobre o nome, isto é, quele, até 1861, fosse apenas Paços (erradamente Passos), porque já no século Xlll se lê Vale de Paço”.
 
Valpaços
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Valpaços, por razões sólidas, estruturais, específicas, ascendeu à cidadania.
No entanto, Valpaços merece muito mais e melhor. Valpaços não tem pergaminhos, mas história tem, e até com raízes nos primórdios da "nacionalidade".
Esta convicção baseia-se na estrutura lexical do próprio topónimo que é formado por duas palavras que, mais tarde, se uniram numa só -"Vale e Paço"-. Até ao século XVII se dizia e escrevia "Vale de Paços". Aliás, Valpaços assenta, de facto, num vale bonito e muito fértil. Quanto ao "Paço", Santa Rosa Viterbo, estudioso e esquadrinhador de toponímias antigas, dá-nos uma boa ajuda. No seu célebre Elucidário diz-nos que em tempos recuados empregava-se a palavra Paço para designar "Casa onde se administrava Justiça" e se pagavam "multas e coimas" dos contraventores das disposições folarengas. Designava, ainda, "Casa Senhorial" de algum fidalgo ou vassalo nobre e honrado. No entanto, foi muito mais tarde que a palavra foi usada para designar "Palácio do Rei ou do Bispo" e, mais tarde, aplicada a concelho "Paços Municipais", entre outros. O mais grave aconteceu há cerca de um século quando, canhestros escrivinhadores começaram a grafar Valpaços com dois "ss" para recordar os santos passos na subida para o Gólgota?... Os passos perdidos do Parlamento?... Os passos que por aqui davam os caminhantes?...A verdade é que não fazia sentido, não tinha qualquer razão de ser e, por isso, se voltou à forma antiga, com a perda da preposição "de" e o plural de "Paços", fixando-se, morfologicamente, numa só palavra - Valpaços -.
Ao nome do acidente geográfico, juntou-se outro de certo modo aristocrático "Paços". Seria naqueles remotos tempos tão só uma "mansão senhorial", "solar com torre" ou "casa grande". Certo é que, em 1751, o Padre Cardoso no seu dicionário geográfico, e Oliveira Mascarenhas no seu Portugal e Possessões, não têm qualquer dúvida em afirmar que, Valpaços, segundo documentos arquivados na "Torre do Tombo", já existia no tempo de D. Sancho I, que lhe deu foral. Todavia, não nos parece certo nem verosímil. Acreditamos, porém, que teria sido concedida "Carta Foreira", com imposição de reguengo e pagamento anual de determinado fôro. Os reguengos eram terras de valores fixos que os Reis conservavam para si, constituindo um imenso fundo dominial, do qual saiam parcelas, cedidas a Organismos Religiosos, Igrejas, Ordens, Conventos. Outras vezes à Alta Nobreza e até a Povoações e Pessoas, muitas das vezes, graciosamente, por recompensa de serviços prestados ou contra o pagamento de uma renda.
Foi no início do século XV, por ocasião do casamento do Infante D. Afonso, bastardo de D. João I, com D. Brites Pereira, única filha do "Condestável" que, as doações e arras aos nubentes, foram de tal magnitude que se deu a formação da opolenta Casa de Bragança.
Com a dinastia inaugurada em 1640, por D. João IV, Duque de Bragança, fundiram-se os dois enormes patrimónios em um conglomerado económico-social, passando todos os reguengos para o Rei ou para a Coroa. A demolição deste imenso fundo dominial começou a operar-se a partir de 1820, ao longo de diversas etapas, até à sua total extinção, obviamente com o advento da República em 1910.
Assim, que Valpaços foi reguengo e deveras importante, não resta a mais pequena dúvida. Já o Dr. Francisco Pereira de Aial na "Notícia a respeito de Valpaços", escrita em Março de 1758, dizia que a freguesia de Valpaços tinha um privilégio de "El-Rei" pelo que paga a "casa de Bragança, muito célebre, porque não conhece ao dito senhor Rei, senão com sisa e décima, do mais de tudo está isenta", coisa muito rara, portanto a muito poucos concedida.
Tal benesse, articula-se com os privilégios expressamente confirmados pela Rainha D. Maria I, em 1796 em Carta que, especificamente, fixa esses singulares privilégios, que fariam inveja a tantos e tantos outros reguengueiros.
De grande valia e merecimento são aqueles privilégios que aos moradores de Valpaços foram concedidos e também confirmados pelos Reis e Administradores da Casa de Bragança, predecedores da Rainha, que textualmente afirma "Hei por bem fazer mercê aos moradores de Valpaços, de confirmar-lhes os seus privilégios na forma que o foram pelos meus predecedores, de serem escusos e privilegiados enquanto eu o houver por bem e não mandar o contrário, de todos os encargos de concelho; nem serão constrangidos a pagar fintas, talhas, fontes, pontes caminhos, estradas, salvo nas suas testadas e casas de morada, nem irão com presos, nem com dinheiros, nem serão tutores nem euradores de nenhuma pessoa; nem irão a montarias nem outros ajuntamentos fora dos lugares onde vivem, nem pousarão com eles, nem lhes tomarão suas casas de morada, adegas, nem estrebarias para neles pousarem; nem outrossim lhes tomarão, pão, vinho, roupas, galinhas, gado, bois, camas, nem outra alguma cosa contra sua vontade, porque de todas elas quero e me praz que os moradores do dito lugar, sejam isentos e privilegiados, contanto que entre si elejam juizes, quadrilheiros e jurados, que hajam de servir no dito lugar. Porém não deixarão de pagar talhas, nem jugadas nem qualquer outro direito que deverem à minha fazenda, porque para isso os não hei por escudos, nem privilegiados; nem deixarão de ir a procissões solenes e sendo caso que eu, o dito príncipe D. João, vá a dita Vila de Chaves, e as referidas causas forem necessárias para o meu ou seu serviço, em tal caso os não exceptuo de concorrerem com elas".
Os privilégios foram concedidos por D. João IV aos moradores de Valpaços para os recompensar da sua fidelidade à Restauração, pugnando denodadamente pela Independência de Portugal, não tomando voz por Espanha como alguns fizeram com aleivosia e traição. Que honroso pergaminho para Valpaços...
Mas as raízes de Valpaços podem, ainda, buscar-se mais longe. Nas célebres inquirições ordenadas por D. Afonso III, foram abrangidas terras foreiras, ou melhor, reguengos de Veiga do Lila e de S. Pedro de Veiga do Lila e aí se refere "que sunt querem domine regis". Existe, assim, uma fortíssima presunção de que também tenham sido abrangidas as terras reguengas de Valpaços. Primeiro porque a Rainha D. Maria I, ao confirmar os privilégios citados, refere que já vinham concedidos e confirmados pelos Reis, seus predecessores. Segundo, porque eram bem mais apetecíveis para a Coroa as terras e bens reguengos de Valpaços, do que aqueles do vale do Lila e terceiro, porque J. Castro Lopo, ouviu da boca do sábio arqueólogo e etnológo, Dr. Leite de Vasconcelos que havia lido nas memórias do notável pesquisador D. Jerónimo Contador de Argote.
Assim, pode-se concluir que Valpaços não era a mísera e mesquinha pobra ou lugarejo que alguns julgam que tenha sido. A fertilidade da terra e o hercúleo esforço do homem, mereceu a inteligente atenção do notabilíssimo Estadista Passos Manuel.
Num rasgo de excelente visão político-administrativa criou, há 164 anos, o concelho de Valpaços. A motivação não foi apenas a comodidade dos povos, mas também o convencimento de que o território e população mereciam essa ascensão, confiando inteiramente no seu futuro
A criação do concelho teve um significado decisivo para a vida e progresso de Valpaços. Começou a pensar-se que a Justiça era um bem inalienável para a defesa, segurança, vida, honra e fazenda da população. Por isso, não tardou a instauração da Comarca, em 1853. Alguma coisa, porém, faltava para nobilitar Valpaços.
Oito anos depois, Valpaços é elevada à categoria de Vila, em Abril de 1861. Na carta de Mercê, elogia-se rasgadamente a povoação dizendo que "ela possui os requisitos necessários para poder gozar da consideração de Vila, assim pela sua população e riqueza, como pelo grande merecimento que ali tem tido várias obras de utilidade pública sob a inteligente direcção e eficaz impulso da respectiva municipalidade".
Expostas estas considerações, existem os motivos etimológicos do onomástico geográfico.
Como já foi referido, é certo que, outrora, nesses tempos cavaleirescos da Idade Média, existiu neste vale aprazível e fertilíssimo, alguma torre ou castelo senhorial e foi desta casa forte ou solar que veio parte do nome aristocrático de VALPAÇOS. Aqui apareceram e têm aparecido pedras lavradas, silhares, dintéis, fustes e outros vestígios de velhas construções urbanas.
Seja porém o que for, do que não resta qualquer dúvida é que Valpaços é uma povoação cuja origem se perde na noite dos tempos. Deste facto, testemunham os toponímicos com que são designados alguns sítios do seu vasto termo, nomeadamente, entre outros, "Mempaz, Penascais, Bufão, Bilhão, Sanheiras, Guitarro".
Em Valpaços e nos arredores existe, assim, um vasto património Antropológico, designadamente monumentos pré-históricos, castros em várias localidades do concelho de origem pré-celta, de acordo com opiniões autorizadas.
Por pura e merecida justiça, a cidade de Valpaços acaba de nascer e existem fortes razões, sólidas, estruturais, específicas para que possa ascender à cidadania.
Com a elevação de Valpaços a cidade é natural que apareça, agora, a possibilidade de obtenção de alguma riqueza, e daí alguma opulência, a educação requintada, o progresso intelectual, o desenvolvimento das artes e das ciências, o conforto e próprio lazer.

Valpaços
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Constituído por trinta e uma freguesias, o concelho de Valpaços distribui-se numa área que ultrapassa os quinhentos quilómetros quadrados.
A toponímia demonstra-nos que o povoamento deste território começou ainda em tempos pré-históricos. A região era defendida por uma série de castelos de origem castreja, que mais tarde seriam romanizados. Grande parte das freguesias do actual concelho conheceram este tipo de povoamento.
A configuração do actual concelho deve-se ao desmembramento de três concelhos, Carrazedo de Montenegro (a sul), Monforte do Rio Livre (a norte) e Chaves (ao centro). Os dois primeiros seriam extintos no século XIX, enquanto que Chaves sofreria no mesmo período algumas transformações.
Com a Reconquista Cristã, ultrapassada que fora a invasão mourisca, foi necessário incrementar o povoamento desta região. Assim surgiram os primeiros forais, que mais não eram do que cartas de privilégios aos eventuais moradores. Monforte do Rio Livre recebeu-o em 1273 por D. Afonso III e Carrazedo de Montenegro em 1301 (D. Dinis). Mas com o decorrer dos séculos estes concelhos foram perdendo importância e um outro ganhou uma crescente autonomia, o de Vale de Paços - assim se escrevia na Idade Média. Inicialmente maior do que actualmente, perdeu algumas das suas freguesias iniciais em 1853, outras em 1855 e as últimas em 1895.
O conhecido político Montalvão Machado, em “Pinceladas Transmonta-nas”, descrevia esta bonita região: “Vale a pena visitar Valpaços. Tem muita originalidade provinciana - rude e são transmontanismo! A cerca de meio do caminho, entre Chaves e Mirandela, fica a linda vila enterrada nas suas matas de olivais e vinhedos, conservando lá no alto do monte dos Poçacos, como alegre sentinela de absoluta confiança, a capelinha da milagrosa Nossa Senhora da Saúde, a comandar e bem defender o seu tradicionalismo ferrenho, - na linguagem, religião e política, costumes e hábitos.
Estaremos habituados a deitar azeite na lampada e vinho nas gargantas sequiosas; pois aqui há vinho, Poçacos e Santa Valha, que dizem alumia na torcida da candeia, dá chispa e azeite grosso, depois de uns bons pitéus, lhes corre sensualmente pelo queixinho abaixo. (...) A sala de visitas é assim frequentes vezes na adega, grande ou pequena, como cada um a tem; ali se recebem as pessoas que são amigas de verdade, amigas do peito - e cerrada a porta, puxam-se mochos e cepos, e para o centro da roda vai um caixote de pinho, coberto com alva toalha de linho grosso, tecido nos teares caseiros de Sá e Nozelos”.
Neste pequeno excerto, podem encontrar-se as mais importantes características deste concelho de Valpaços. A beleza das paisagens, a hospitalidade das gentes, a qualidade da gastronomia, a importância da agricultura. Tudo é acolhedor nesta região. Tudo merece uma cuidada visita.

 
 
 

 
Vila Pouca de Aguiar – (Concelho do Distrito de Vila Real)
 

 
 
 
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»:”Conta-se que noutros tempos os naturais da terra, por interpretarem erradamente o sentido do título de Pouca, preferiram chamar-lhe Vila de Aguiar da Pena ou da Penha ou ainda simplesmente Vila de Aguiar. Supunham que Pouca era um conhecido adjectivo português, não lhe agradando este designativo, mas Pouca parece resultado da Transformação de Cauca, através de Couca, e Couca foi o nome de uma cidade do tempo dos romanos localizada juntamente onde está Vila Pouca de Aguiar, sabendo-se até que foi a terra natal do imperador Teodósio, o “Grande”, que reinou nas alturas de cerca de quatro séculos antes de Cristo. Também o grande Dicionário Latino-Português, do padre Basto Pereira (1ª edição, 1634) regista textualmente Cauca.ae, uo Vila Pouca de Aguiar, em Castela. Enfim, Vila Cauca deu Vila Couca, que o povo foi corrompendo passando a chamar-lhe Vila Pouca.
Sobre Aguiar, ver o que se disse do topónimo Aguiar da Beira, vila concelhia do distrito da Guarda …
Diz Leite de Vasconcelos em anotação filológica: “A palavra Aguiar significa, de origem, como creio que já expliquei algures, local por onde andam águias. A esta palavra corresponde Aguilar em espanhol. Ambas do tema de aquila. Creio também já algures expliquei Vila Pouca por quinta pequena; (…) pouca é o adjectivo latino pauca, que tomou com o tempo aquele sentido (Cf. Pauc, em provençal, “pequeno”, e, ainda que o autor o não diga, a inexistência de Vila Pouca entre nós pode dizer-se, antes do século Xlll, talvez se deva a importação do provençal, na designação de “villa” desta época, século Xl – XlV, ou, melhor, Xll – Xlll).
Diz o padre Carvalho que o nome da “vila e concelho de Aguiar” é Vila Pouca de Aguiar, mas por ser habitada de honrados cavaleiros, não gostam que lhe chamem Pouca, e assim a têm introduzido por Vila de Aguiar da Penha. Vê-se que a significação etimológica de Pouca tal como a indiquei, não se conhecia lá. Penha, está em vez de Pena”
 
Vila Pouca de Aguiar
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Conhecidas nos primórdios da nacionalidade como as terras de Aguiar de Pena, nome tirado do velho castelo roqueiro com a mesma designação, ou seja da Pena, assente num
penedo colossal que seria uma das referências da região, com o nome de Aguiar adivinha-lhe do facto de ser um povoado de águias.
Delimitada a norte pela terra de Chaves e Montenegro, a leste e sul pela terra de Panóias e a ocidente pelas terras de Bastos. A ocupação humana deste território, remonta à época megalítica, muito anterior à ocupação romana, como testemunham as várias, antas, mamoas, sepulturas e o espólio arqueológico encontrado em vários locais, principalmente na serra do Alvão.
Nos finais do século III a.C. começa a colonização romana do território actualmente português.
Posteriormente e até à fundação do reino de Portugal, este território foi sucessivamente ocupado por Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Após a criação do Reino, é atribuído o primeiro foral à Terra de Aguiar de Pena pelo Rei D. Sancho I, em 1206.
Em meados do século XIX as reformas administrativas efectuadas ao nível autárquico, deram a actual configuração ao município.
Património Histórico e Cultural
Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado ou em Vias de Classificação
As Antas da Serra do Alvão (freguesia da Lixa do Alvão), estão classificadas como Monumento Nacional desde 1910, erguem-se numa planície junto ao Rio Torno, nas proximidades de Soutelo de Aguiar.
Escavada ainda no final do século XIX pelos sacerdotes e grandes estudiosos da região de Vila Pouca de Aguiar, José Rafael Rodrigues e José Brenha, esta necrópole megalítica seria originalmente constituída por um conjunto de dez monumentos, cinco dos quais foram destruídos, muito provavelmente na sequência dos trabalhos agrícolas desenvolvidos ao longo dos tempos nos terrenos particularmente férteis onde se encontram implantados, assim como das constantes violações às quais foi sujeita parte substancial dos exemplares arqueológicos desta região transmontana e, muito especialmente, os exemplares desta tipologia arqueológica.
Também conhecida por "Chã das Arcas", a primeira anta deste conjunto apresenta uma mamoa - tumulus - edificada com terra e pedra miúda, cujas dimensões a transformam num dos monumentos megalíticos mais impressionantes do concelho.
Consegue ainda manter in situ três dos grandes esteios graníticos que comporiam originalmente a câmara sepulcral, bem como a correspondente pedra da cabeceira, à semelhança, aliás, da segunda anta (exceptuando o último elemento pétreo), apartada daquela por cerca de vinte metros para Ocidente. Quanto ao terceiro exemplar desta necrópole megalítica, parece ser apenas possível percepcionar a mamoa primitiva, de cuja câmara sepulcral não se identificaram ainda quaisquer elementos estruturais, o mesmo sucedendo, ademais, com o quarto espécime, identificado pela cota
mais elevada do terreno. Finalmente, o quinto monumento deste conjunto funerário parece ser aquele que se encontra em melhores condições de conservação, apresentando, quer três dos blocos que formariam de início a câmara sepulcral, quer múltiplos vestígios do corredor que atingiria um comprimento de aproximadamente dois metros e uma largura de metro e meio.
Quanto aos artefactos recolhidos no local, dever-se-á relembrar que o conhecido espólio do Alvão, composto de várias dezenas de placas gravadas, fragmentos cerâmicos, machados executados em pedra, pontas de seta e contas de colar, entre outros elementos, procede, precisamente, deste arqueossítio, a revelar, no fundo, a sua relevância para um melhor entendimento deste período do
Noroeste peninsular. O Castelo de Aguiar (freguesia de Telões), singular conjugação da natureza com o engenho humano, está localizado nos contrafortes da Serra do Alvão, junto da aldeia do
Castelo, na freguesia de Telões está classificado como Monumento Nacional desde 26 de Fevereiro de 1982..
Na zona abundam gigantescos blocos graníticos. O Castelo, isolado e inexpugnável, como um ninho de águias, dominando o vale fértil de Aguiar e as serras vizinhas, está apoiado no mais elevado deles.
Com o desenvolvimento das vilas e cidades, no fim da Idade Média, a estabilização de fronteiras e as múltiplas reformas administrativas e políticas, o Castelo de Aguiar, como muitas outras fortalezas isoladas, perdeu importância. Progressivamente foi deixando de218 Revisão do Plano Director Municipal de Vila Pouca de Aguiar
Estrutura e Dinâmicas Urbanas Estudos de Caracterização do Território Municipal ser frequentado pelos seus donos, até ficar abandonado. A passagem do tempo e a erosão foram-no degradando, até chegar ao estado ruinoso em que hoje se encontra.
Apesar disso, está classificado como Monumento Nacional desde 26 de Fevereiro de1982.
O Pelourinho de Alfarela de Jales (freguesia de Alfarela de Jales, lugar de Alfarela de Jales), datado do século XVI este elemento está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.
O primeiro dos quatro degraus do pelourinho está bastante enterrado no pavimento. Todos são de forma quadrada com pouca altura e de aparelho ligeiro. A Plataforma com a altura de oitenta centímetros tem forma de plinto quadrado e possui na base, mais
encorpamento. Na parte superior existe um bordo saliente, boleado. Neste elemento pousa o fuste cilíndrico monolítico com a altura de dois metros e vinte centímetros e o diâmetro de trinta centímetros. No topo pousa um ligeiro capitel saliente, liso, seguido de um rebordo mais encorpado e boleado. O remate é composto por um tabuleiro quadrangular que num dos lados tem um escudo das armas de Portugal encimado por uma coroa aberta.
Por peça terminal existe elemento cilíndrico com base de maior diâmetro e com o topo saliente e boleado onde pousa uma pirâmide circular.
No ano de 1953 o pelourinho foi deslocado para sul a fim de dar lugar a um fontanário.
Estátua – Estela (freguesia da Vreia de Jales, lugar de Barrela), Escultura em granito, de forma antropomórfica, está em processo de classificação desde 1997. Tem2.30 metros de altura, e encontra-se ainda no que se presume ser a sua implantação original. Situa-se ao lado da via romana que segue para o campo mineiro de Jales e
Trêsminas. A cronologia destas estátuas-estelas é, genericamente, atribuída ao bronze final/idade do ferro, se bem que esta poderá talvez ser mais tardia, podendo mesmo ser de época romana.
A Mamoa do Alto do Catorino (freguesia da Lixa do Alvão), é um dos maiores monumentos megalíticos do concelho de Vila Pouca de Aguiar, e talvez aquele que se encontra em melhor estado de conservação, está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1990. Apesar de ter sido alvo de várias acções de violação, a mamoa apresenta a sua estrutura pétrea quase intacta. Esta compõe-se por uma câmara de configuração poligonal, onde permanecem “in situ” sete do conjunto dos oito esteios, e uma lage de maiores dimensões que parece vedar o espaço de tumulação. Não se notam quaisquer vestígios relacionados com a existência de um corredor. A mamoa possui uma altura de dois metros e um diâmetro superior a vinte.
Recinto fortificado de Cidadelhe (freguesia da Vila Pouca de Aguiar, lugar de Cidadelhe), classificado como Imóvel de Interesse Público em1990, ergue-se no topo de um pequeno cabeço da Serra do Alvão, sobranceiro ao Rio Avelames, ao vale de Vila Pouca de Aguiar e à própria aldeia de Cidadelhe, que lhe deu o nome, numa situação geográfica que lhe concede um domínio privilegiado sobre toda a envolvente territorial,
Estudos de Caracterização do Território Municipal Estrutura e Dinâmicas Urbanas conquanto destituído das condições naturais de defesa essenciais a uma comunidade humana que aí se instalasse. Terá sido, na verdade, esta última condição a ditar a construção de uma única linha de muralha bem aparelhada, a maior parte da qual bastante derrubada na actualidade, e que chegaria, nalguns troços, a atingir cerca de dois metros de altura.
A zona intermuralhas, de forma relativamente elíptica, apresenta múltiplos afloramentos graníticos de reduzidas dimensões, não tendo sido encontrados, até ao momento, quaisquer vestígios indicadores de uma provável existência de estruturas de carácter doméstico, como seria, certamente, de esperar num povoado fortificado da Idade do Ferro, como este.
Complexo Mineiro de Tresminas (freguesia de Tresminas), neste importante centro mineiro classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997, segundo um investigador espanhol, já eram explorados metais nos fins do Neolítico e sobretudo na idade do bronze e do ferro. Mas é sobretudo a romanização que marca profundamente a actividade mineira neste local.
A exploração que os romanos levaram a efeito em Tresminas, pela sua importância e duração, fez com que os vestígios deixados se revistam de grande importância, não só do ponto de vista do conhecimento da estadia romana por terras lusas, mas também da ompreensão dos seus métodos de exploração e tratamento metalúrgico.
As minas romanas de extracção a céu aberto, foram provavelmente já durante o reinado de Augusto (27 aC, 14 dC), que iniciaram a exploração sistemática deste complexo, tendo-se prolongado até à segunda metade do século II dC. Sendo o domínio imperial e fiscal, o distrito mineiro estava sob a orientação estatal directa. Ainda não são conhecidos os limites exactos da povoação mineira de Tresminas. Depois de algumas prospecções efectuadas, pressupõe-se a existência de determinadas construções, nomeadamente, edifícios administrativos, casernas, balneários, complexos industriais, armazéns, silos, mercados, lojas, casas de habitação, templos e santuários.
A exploração mineira em Tresminas realizava-se essencialmente pelo desmonte a céu aberto, sendo disso resultado os desfiladeiros que são as cortas (ou lagos) de Covas e Ribeirinha. Numa terceira Corta existente, a dos Lagoínhos, não estudada, a exploração era subterrânea. Esta Corta resulta do aluimento de uma grande extensão daquela que seria a galeria principal de uma complicado conjunto de galerias.
Em jeito de curiosidade um Engenheiro de Minas Inglês, calculou que 2000 trabalhadores operando diariamente levariam 200 anos a fazer estes desmontes, sendo necessário remover pelo menos5.800.000 m3. Na Corta ou Lago de Covas, foram reconhecidas várias galerias que terão sido utilizadas, uma para o escoamento de aterros e águas, outra como oficinas de tratamento minério. Nas imediações das grandes covas, terá existido uma grande povoação, e foram descobertos vestígios da eventual existência de um anfiteatro e uma necrópole.
Cerca de 300 m a sudeste da corta de Covas encontra-se uma estrutura do tipo muro de terra batida, em parte nivelada e deformada por trabalhos agrícolas. Não se trata certamente de um muro defensivo derrubado de uma fortificação mas, muito provavelmente , de restos da fundação para a cave de um pequeno anfiteatro.
Estrutura e Dinâmicas Urbanas Estudos de Caracterização do Território Municipal
Por volta de 1937, quando se efectuavam trabalhos de construção rodoviária, foram encontrados, em local não especificamente designado, três pedras sepulcrais e um número indefinido de sepulturas de cremação. Em 1986 foi possível localizar os pontos achados das mencionadas estelas bem como, de uma outra pedra sepulcral, desenterrada por um arado a norte da zona mineira. Parece que a necrópole se estendia pelos dois lados da estrada sobre um talude que descai em direcção a Oeste. A sua extensão é ainda desconhecida. Até à data não existem indícios para uma actividade mineira pré-romana em Tresminas, não podendo, no entanto excluir-se à partida tal possibilidade tendo em vista o castro, da idade do ferro, situado cerca de 4km a sudoeste numa curva do Rio Tinhela.
As inscrições encontradas na zona de Tresminas formam a estrutura para a cronologia da exploração mineira romana. O povoamento do local, ou seja, a exploração mineira sistemática deverá ter tido início, o mais tardar, sob o governo de Tiberius.
O estacionamento de militares em Tresminas, além de soldados da sétima legião está comprovada a estadia de secções da cohors I Gallica equitata civium romanorum, reflecte sem dúvida, um ponto alto das actividades na primeira metade do século II. Aponta também para o status legal da mina como domínio imperial, ou seja, propriedade fiscal. É altamente provável que o distrito de Tresminas tivesse estado ligado ao de Jales formando uma unidade administrativa, territorium metallorum.
A Igreja de Santa Eulália (freguesia de Pensalvos, lugar de Pensalvos) encontra-se em processo de classificação desde 2003.
Na obra Portugalie Monumenta Historica, faz-se referência a este templo “De Sancta Eolália de Penzalvos, Gomecius Menendiz Abbas, Johanes Johanis, Martinus Nuniz, Petrus Gunzalvis, Fernandus Manendiz, Jurati Dixerunt quod rex non est patronus”. De estilo Românico, ostenta uma imponente sineira de granito e, na fachada sobressaem ainda as duas cruzes, um geométrico quadrifólio e uma escultura de Santa Eulália, que se pensa ser da autoria da Escola Flamenga.
No interior do templo, destacam-se a capela-mor, em estilo barroco, e o belíssimo arco cruzeiro, onde ao centro se evidencia a imagem de São Miguel Arcanjo a dominar o dragão, enquanto que do lado direito, sobressaem dois ricos retábulos. Do lado esquerdo do pórtico em arco de volta perfeita, vislumbra-se uma bela imagem “Lá Pietá”, escultura pungente da dor da mãe com o cadáver do filho sobre os joelhos. São vários os altares que embelezam a igreja, dando-se especial relevo ao das Almas e ao de Nossa Senhora do Rosário. Pensa-se que este último foi mandado erguer pelo Comendador Martins Aguiar, da Casa do Cabo, já que a encimar a porta principal pode ler-se o seguinte: “Levantou esta igreja a toda a roda a su cuidado Sargento-mor Miguel Borges Aguiar (?)”. Este retábulo mariano tem a ornar a imagem, pintados a óleo, os quinze mistérios do Rosário. O tecto, trabalho de fino recorte e valor precioso, são 55 caixotões com variadas pinturas a óleo, emolduradas com os mais diversos temas.
Estudos de Caracterização do Território Municipal Estrutura e Dinâmicas Urbanas
Painéis com motivos emblemáticos, Adão e Eva e o pecado original, motivos hagiológicos, as Santas Virgens e Mártires, os doutores da Igreja (Santo Agostinho segura na mão um coração em chamas.
O tecto desta Igreja, com os seus caixotões pintados é de facto um precioso livro pictural com motivos Bíblicos, Cristológicos e Hagiológicos.

Vila Pouca de Aguiar
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O concelho de Vila Pouca de Aguiar está situado no amplo e fértil vale de Aguiar, na parte norte do distrito de Vila Real. Estende-se por uma área de mais de quatrocentos quilómetros quadrados, nos quais se distribuem dezassete freguesias: Afonsim, Alfarela de Jales, Bornes de Aguiar, Bragado, Capeludos, Gouvães da Serra, Parada de Monteiros, Pensalvos, Sabroso de Aguiar, Santa Marta da Montanha, Soutelo de Aguiar, Telões, Três Minas, Valoura, Vreia de Bornes, Vreia de Jales e Vila Pouco de Aguiar.
O concelho encontra-se na ponte nevrálgica do distrito. Daqui partem e a ela convergem importantes eixos rodoviários para Valpaços, Murça, Chaves, Vila Real e Ribeira de Pena. Paralelamente, existem estradas que conduzem ao litoral, nordeste transmontano e às Beiras.
Por todo o concelho, encontram-se testemunhos da presença humana desde épocas remotas, que constituem importantes património histórico e arqueológico. Em Povoação, sepulturas antigas atestam a sua longevidade. Nas serras de Alvão e Padrela impõem-se importantes monumentos megalíticos, levando alguns historiadores a designarem estas terras de Catedral dos Dólmens. A civilização castreja, os godos e os árabes deixaram também as suas marcas. Mas foram os romanos que ocuparam mais intensamente esta área. Aliás, em busca das cascalheiras auríferas, eles foram os grandes senhores do Império Dourado da exploração mineira. Os jazigos de Três Minas e Campo de Jales foram explorados por aquele povo entre os anos de 21 a. C. e 211 d. C.. A par do ouro e da prata, extraíram chumbo nesta zona mineira de Vila Pouca de Aguiar. O castelo roqueiro, em Telões, do alto do qual se domina grande parte do vale de Vila Pouca, representa, no fundo, a história do concelho.
A terra de Aguiar da Pena era delimitada a norte pela terra de Chaves e Montenegro, a leste e sul pela terra de Panóias e a ocidente pelas terras de Basto. Assim designadas até ao século XIII, receberam diversos forais ao longo dos séculos. O primeiro foi em 1206, por D. Sancho I, o segundo a confirmação de D. Afonso II, em 1220. Nesta altura, representava sensivelmente o mesmo espaço do actual concelho de Vila Pouca de Aguiar. Apenas com Três Minas, Alfarela e Vreia de Jales, integradas na terra de Panóias, tal não acontecia.
O último foral, recebeu-o em 1516 por D. Manuel I, chamando já ao concelho Vila Pouca de Aguiar. Uma peça de extraordinária precisão, com menção dos casais que formavam cada aldeia, o nome dos seus proprietários, os privilégios que lhes assistiam, os foros que pagavam e como os pagavam.
Portela situada entre duas serras, Vila Pouca de Aguiar desempenhou sempre papel de grande valor estratégico. Desde a ligação que, no tempo de D. Afonso Henriques, fazia entre o Condado Portucalense e a terra dos Bragançãos, até aos episódios relacionados com as Invasões Francesas de 1809. Aqui se fixou, em Março desse ano, o General Silveira, numa emboscada às tropas de Soult que se revelou decisiva.
Desde meados do século XIX, o concelho manteve a actual configuração. Muito mais recentemente, em 1993, era criada uma nova freguesia, a de Sabroso de Aguiar, que antes estava integrada no termo de Vreia de Bornes.
Em termos económicos, a agricultura continua a ser a principal actividade da população do concelho. Aqui se produz batata, milho, centeio castanha e fruto de boa qualidade. A pastorícia e a criação de gado bovino são outras actividades características. As indústrias extractivas, por seu lado, têm vindo a aumentar o seu peso na economia concelhia.
Todo o concelho merece uma visita pormenorizada. Desde as Pedras Salgadas ao mini-museu de coches de Pensalvos, desde a serra do Alvão ao planalto de Santa Marta, Vidoedo e Pinduradouro, desde a própria vila-sede de concelho, com as suas muitas belezas, até à serra da Padrela e ao inevitável circuito turístico da “Rota do Ouro”.

 
 
 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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