Distrito de VIANA DO CASTELO

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Concelhos de: Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura,

Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo (Capital e Sede do Distrito),

Vila Nova da Cerveira

 

 

 

 

 

O distrito de Viana do Castelo, pertencente à província tradicional do Minho. Limita a norte e a leste com Espanha, a sul com o Distrito de Braga e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 2 255 km². . Capital e Sede de distrito: Viana do Castelo.
O distrito de Viana do Castelo subdivide-se nos seguintes 10 municípios:


Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“O distrito de Viana do Castelo, é formado de uma parte da antiga província do Minho. É o distrito mais setentrional de Portugal e, está separado da Galiza (Espanha) pelo rio Minho. Superfície de 2.221, 30 Km2 e uma população de 215.267 habitantes. Compreende 10 concelhos e 186 freguesias. Serra principal é a de Peneda com 1.373 metros de altitude. É banhado pelos rios Minho, Ancora, e Lima;  e pelos afluentes rio Coura (afluente da margem esquerda do Minho) e pelo Vez (afluente da margem direita do Lima. Férteis várzeas, intensamente cultivadas; população densa, trabalhadora e formosa”.

 

 

 

Viana do Castelo - (Capital e Concelho do Distrito de Viana do Castelo

 

 

 

 

 

 

“Vianna do Castello cidade minhota, capital de distrito e cabeça de concelho, tem 9:851 habitantes e é servida pelo Real Caminho de Ferro. Está situada numa planície, no sopé do monte de Santa Luzia, próxima da barra e na margem direita do rio Lima. O concelho tem 40 freguesias e 46:178 habitantes”
(Apontamento do “Jornal do Comércio  -  Lisboa) de 05 de Março de 1900) 
Origem do nome:

“Rodrigo Mendes da Silva, na Población de España; tomo 1, pág.1, fol. 363 e 376, Covarruivias no Thesouro da língua castelhana, Andrete, Raymundo, Castelão, Machado, Vilas Boas, Frei Thomaz, Frei Manuel Esperança e outros, dizem que os Celtas deram o nome de VIANA à nova cidade, em respeito e amor à sua pátria no distrito de Viana (Delfinado) nas margens do rio Ródano.
Discordam outros, alegando que era pouco provável que os galos conservassem tão viva memória da sua pátria, porque havia já 657 anos que dela tinham saído ...
Talvez a causa que houve para lhes dar tal nome foi haver nesse sítio um formoso templo à deusa Diana, no sítio onde hoje está a capela de Santa Luzia, querendo talvez os católicos apagar assim a lembrança do paganismo, venerando sob a ara derribada de Astarté a ínclita mártir cristã.
Também há que afirme que Viana é corrupção de “biduana”, por esta obra ter sido feita em dois anos ...”
(Dr. Luís de Figueiredo da Guerra  -  1878)
“... Na essência a “derivação” deve ser a tradição popular, que tenho encontrado memória de pessoas idosas: Havia naquele sítio uma taberneira muitíssimo linda, ANA, de nome, cuja venda nunca deixava de ser frequentada pelos mareantes que por ali passavam. A beleza da taberneira era tão famosa que, em qualquer terra, quando apareciam mareantes chegados da foz do Lima, logo lhes perguntavam: “viste ANA?”  a que outros respondiam: “Vi Ana”  daí  Viana ...”
(origem anedótica do Dr. Cláudio Bastos  -  1906)
“O nome de Viana, segundo a mais plausível das hipóteses, deve ter origem celta. Sabe-se que os Celtas tiveram uma povoação naquele monte, hoje chamado de Santa Luzia. Mas o nome posto à povoação, que hoje é Viana, de certo era proveniente doutro topónimo, também de origem celta, e que nomeava outra povoação celta donde provinham os fundadores da nossa Viana. Isto é, Viana deve ser o mesmo nome que Vienna cidade sobre o Ródano, que, segundo Quicherat e outros etimólogos estrangeiros, foi metrópole de um povo chamado Alóbroges. Não se deve confundir esta Vienna sobre o rio Ródano com a Viena de Áutria, a qual é banhada pelo rio Danúbio.
O “castelo” de Viana posto que existia havia séculos, não entrava no nome de Viana. Todavia, no tempo da chamada Revolução da Maria da Fonte, deu azo a que Viana ficasse seguida do determinativo  -  do Castelo”.
(Prof. Vasco Botelho do Amaral  -  1949)
Alguém chamou a Viana, um dia, a capital do folclore. Com efeito, não só o trajo é o mais belo que se conhece em Portugal, como também as suas romarias são do mais típico que se pode encontrar em Portugal.
O trajo regional da mulher vianesa é um dos mais típicos da Europa, tanto da corda marítima (Carreço, Areosa e Afife, como do famoso vale do rio Lima (Meadela, Santa Marta de Portuzelo, Bertiandos, Correlhã, Geraz).
Grandes variedades de padrões, de enfeites e tipos decorativos e coloridos. Predominam as cores garridas: vermelho, roxos, verdes  -  mas estes alternam e conjugam-se, em regra, com um admirável sentido de sortilégio, com os tons graves e mais discretos: o preto, o azul e o branco. Sais de larga roda, de pregas de castorina. Aventais bordados, com vários andares de decoração e temas. Lenços cruzados no peito, lindíssimos. Camisas brancas de linho, de manga comprida a sobressair sobre esses lenços garridos, e colete de atacadores. Grande profusão de riqueza de ourivesaria: cordões, colares, corações, medalhões, cruzes.
Sobre a cabeça e as tranças, lenços de seda. Nos pés chinelas de verniz, bordados com arrebiques. 
Não só prosadores, poetas e pintores, mas também o comum dos homens, se deixaram envolver pelo encanto e singular harmonia da paisagem de Viana do Castelo. A cidade debruça-se sobre o rio Lima e encosta-se à colina de Santa Luzia. Lá está também o mar, a oferecer poentes admiráveis de cor e longes carregados de azul. Bem como o vale, aberto, escancarado, coalhado de verdes, a rasgar o nascente.
O local onde, em 1258, D. Afonso lll estabeleceu a vila denominava-se Adro, impondo-lhe o monarca o nome de Viana da Foz do Lima e concedendo-lhe o primeiro foral. O território onde se situa a cidade deve ter sido habitado desde épocas pré-histórias, o que se confirma pelos numerosos vestígios encontrados. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512. Em 1563 o rei cardeal D. Henrique concedeu-lhe o título de notável. Por fim, em 1848, D. Maria ll elevou-a à categoria de cidade.
Presume-se que por ocasião da fundação da vila afonsina, já existisse, mais ou menos a mil passos da foz do rio, no local do chamado S. Salvador do Átrio, um obscuro povoamento de pescadores ...
Dada, porém, a acessibilidade que o rio oferecia à entrada da pirataria e ao abrigo de qualquer navio desse tempo, por maior que fosse, o mesmo monarca mandou erguer junto da foz, uma robusta torre chamada de Roqueta, destinada à vigia e defesa da vila. E isso desviou, de certo modo, Viana para a Foz do Lima, da rota dos piratas, permitindo aos vianeses que se dedicassem mais ao mar, aponto de com os anos se dedicarem à navegação de larga travessia, demandando os países do Norte, aos quais levariam o vinho, as frutas e o sal, trazendo panos, cutelarias, vidros e tapeçarias.
Ainda para sua defesa, foi esta vila dotada com muralhas, estas concluídas durante as guerras fernandinas, (reinado de D. Fernando – o “Formoso) em 1374.
Na crise do interregno, Viana opôs-se à escolha do Mestre de Avis. Mas D. João l (o “Boa Memória), acompanhado pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira, uma vez submetidas as terras do Neiva com seu castelo, ataca Viana, tendo vencido o obstinado alcaide Vasco Lourenço de Lira, fiel a D. Leonor Teles e sua filha, D. Beatriz, casada com o  rei de Castela.
Com o século XlV a vila entrou em franco incremento mercatil e maior actividade náutica  -  era a época dos Descobrimentos. Da foz do Lima saíram algumas caravelas que iriam experimentar as novas rotas atlânticas, uns por espírito de aventura outros por puro interesse mercantil. O que deu origem a que em 1439, aqui se fixasse uma importante colónia judaica, proveniente da Catalunha, tendo-se fixado, primeiro na Praça Velha, e, mais tarde, nas vielas de Sequeiros e Seitais, onde fundaram a chamada Judiaria.
No reinado de D. Afonso V (o “Africano), Viana converte-se em condado, com o título de Conde de Viana dado pelo monarca português à estirpe dos Meneses, descendentes do heróico governador de Alcácer Ceguer e salvador da vida do rei. Então a nobreza começa a proliferar, transformando-se com o tempo numa vila predominantemente nobre.
Foi D. Manuel l (o “Venturoso”), por ocasião da sua visita a Viana que promoveu o alargamento dos seus estaleiros no chão de São Bento; que amplia e reforma a velha torre Roqueta, e em 1512, dá-lhe novo foral.
A vila enriquece e torna-se formosa. Surgem casas apalaçadas e igrejas de boa traça. Levanta-se o belo edifício da Misericórdia. Constroem-se os novos Paços do Concelho. As famílias mais poderosas, os Velhos, os Távoras, os Lemos, os Alpoins, fazem as suas magníficas moradias. Ao longo do rio matraqueavam os carpinteiros e calafates.
Os nobres, em sua grande maioria, ocupavam a Rua do Poço, a Rua Grande e a Rua de São Bento. O comércio estava concentrado na Praça Velha, na Rua do Cais e na Rua de Viana. Os mesteirais viviam dispersos, ao contrário dos homens do mar, cujas pousadas se estendiam ao largo de toda a Ribeira.
Viana chegou mesmo a possuir uma das maiores frotas do reino. E a sua fama de riqueza levou alguns corsários franceses a tentarem um assalto em 8 de Novembro de 1574, os quais foram repelidos pela guarnição do castelo, auxiliada pela população, não obstante disporem de oito navios com que tentaram forçar a barra.
Viana do Castelo esteve ainda presente em todos os grandes momentos históricos da vida nacional, desde o desastre de Alcântara, passando pelas Revoluções Francesas, até às Lutas Liberais, altura em que a vila, submetida ao regime miguelista( D. Miguel), foi liberta em 3 de Abril de 1834, pela expedição naval de Napier.
Durante a confusa revolução da Patuleia, o castelo de Viana foi teatro de vários eventos. O mais dramático foi o da luta travada na fortaleza com a vila em 21 de Outubro de 1846, culminando pelo misterioso assassinato do comandante ocasional da força (o tenente Pinotes) seguido de uma rendição, irregular e bárbara.
Outro foi o cerco do mesmo castelo, durante 45 dias, em 1847, pelo conde das Antas, comandante das tropas da Junta do Porto, sublevada contra o regime dos Cabrais. A guarnição, por fim, retirou-se e o comandante da praça dirigiu-se a Lisboa, para entregar à rainha a chave do castelo. D. Maria ll (a “Educadora), para premiar esse gesto de lealdade, elevou Viana à categoria de cidade e determinou, por decreto, que se passasse a denominar Viana do Castelo.
As antigas muralhas, de que ainda restam alguns pequenos troços, foram mandadas construir por D. Afonso lll, com o começo em 1263, concluídas 111 anos depois, isto é, em 1374. Tinham 685 metros de extensão e era dotadas com 4 portas. A Torre de Menagem situava-se no sítio da Laje, ou Penedo, que era o ponto mais elevado. Tendo sido sobre esta Laje que D. João l, mais tarde, mandou construir a igreja Matriz.
Actualmente Viana do Castelo é uma cidade moderna, tendo sido no final dos séculos XVll e XVlll que se construíram a maioria das casas de gente abastada e remediada nas Ruas de São Sebastião, das Rosas e da Piedade; e dentro dos muros as ruas Grande e São Pedro. Isto implica com a sua grande uniformidade arquitectónica de grande número de prédios das épocas manuelina e joanina.
Podendo a outra fase do desenvolvimento da cidade situar-se no período em que foi rectificada toda a linha do cais, desde o castelo às azenhas do Dom Prior, na extensão de 1.000 metros, mais tarde prolongada até o Caranguejeiro, numa extensão de algumas centenas de metros a montante da ponte sobre o rio Lima. O porto foi sempre, de resto, a razão de ser de uma terra que ao rio e ao mar deveu e ainda deve ainda as suas principais condições de existência e progresso, e também da sua esplendente beleza panorâmica.
A cidade de Viana do Castelo, oferece múltiplos atractivos arquitectónicos e arqueológicos. O seu ar está impregnado de evocações históricas e de discretas criptomnésias, de estirpes e figuras anímicas. É a terra dos Távoras, dos Limas, dos Alpoins, dos Velhos, dos Reimões, dos Maciéis, dos Vila-Boas, dos Espregueiras. Razão por que através das suas ruas se depara, a cada momento com antigas moradias, muitas delas ainda com pedras de armas, que essas linhagens de fidalgos ou mercadores e navegantes enobrecidos levantaram dentro dos antigos muros afonsinos e, a partir do século XVl, nos imediatos subúrbios. 
O principal ponto da cidade é a antiga Praça da rainha, assim designada a partir de 1852, em virtude da visita que nesse ano D. Maria ll e seu esposo D. Fernando ll, fizeram a Viana. Antes era conhecida pelo Campo do Forno, e depois de 1910, passou a chamar-se Praça da República.
Fica nesta Praça a antiga Casa da Câmara, edifício quinhentista, iniciado no reinado de D. Manuel l, e concluído no de D. João lll. Ao lado desta, segue-se a Cada da Misericórdia, a mais interessante e original obra de arquitectura civil da cidade, e única no género em Portugal. A sua construção começou em 1520, e arrastou-se por todo o século XVl. 
Igreja Matriz - templo de raiz gótica do século XV.
Igreja da Misericórdia - Construída nos finais do século XVll, substituindo o anterior templo quinhentista, entretanto demolido por ameaçar ruína.
Igreja de Nossa Senhora da Agonia - Possui um retábulo de 1762 atribuído a André Soares, e interessantes talhas douradas setecentistas.
Igreja de Nossa Senhora da Caridade  -  Pertenceu ao antigo Convento das Freiras Beneditinas. O templo, que conserva a primitiva traça, é de nave única, coberta por um tecto de caixotões pintados com motivos de inspiração bíblica.
Igreja do Carmo  -  Pertenceu ao antigo Convento da Ordem Carmelitas, fundado no século XVll.
Igreja de Santo António - No interior, a Capela do Nascimento guarda imagens de santos pretos que,  segundo a tradição, representam os padroeiros dos escravos.
Capela de Nossa Senhora das Candeias  -  É um templo do século XVll dedicado aos Santo Bom Homem, padroeiro dos sirgueiros e alfaiates.
Capela de Santa Catarina  -  De devoção dos mareantes, foi construída no século XVl.
Outros
Hospital  Velho  -  Foi fundado em 1468 por João Pais  -  o Velho  -  conforme se lê numa lápide sobre a porta principal.
Casa dos Arcos  -  Também conhecida por Casa de João Velho, por ter pertencido ao célebre navegador.
Janela Renascença  - Fica situada num prédio que tem as armas dos Costas Barros e é a única janela de Viana do Castelo.
Colunas da Ponte  -  Junto ao rio Lima erguem-se as colunas comemorativas da construção da ponte de madeira que substituiu o barco de passagem que desde tempos muito antigos ligava as margens do rio.
Fortaleza de Santiago da Barra  -  É uma construção poligonal e abaluartada, cujo sector mais antigo corresponde à Torre da Roqueta. Decoram-na uma esfera armilar e as armas de D. Manuel l 
REIS  DE  PORTUGAL  FALADOS  NESTE  TRABALHO 
D. Afonso lll , o “Bolonhês”, quinto rei de Portugal, segundo filho de D. Afonso ll e de D. Urraca de Castela, irmão de D. Sancho ll, nasceu em 1210, em Coimbra. Reinou durante 1248 e 1279. Tendo partido jovem para França, ali casou com D. Matilde, condessa de Bolonha, viúva de Filipe, o Crespo, razão porque ficou conhecido na História por o “Bolonhês. Acompanhou Luís lX de França contra Henrique lll de Inglaterra, tomando parte na Batalha de Saintes.
Quando o conflito entre D. Sancho ll e o clero chegou ao ponto de este solicitar do papa Inocêncio lV a deposição do monarca, o infante D. Afonso entrou com os prelados em negociações, de que resultou ser D. Sancho ll excomungado e deposto em 1247 pelo papa, que confiou o governo de Portugal ao infante D. Afonso. Depois da morte de D. Sancho, foi D. Afonso aclamado rei de Portugal. Pouco depois de ter subido ao trono, o que restava na altura por conquistar do Algarve caiu em poder dos portugueses sendo então os mouros definitivamente expulsos de Portugal.
Surgiram entretanto dificuldades com Castela (mais tarde uma das províncias de Espanha), que reclamava o Algarve, a pretexto de que esta província lhe fora doada pelo último “Vali”, que a regera. Seguiu-se um período de lutas que terminou em 1267 pelo reconhecimento por Castela da posse do Algarve. Diz a tradição que que D. Afonso lll mandou seu filho o infante D. Dinis, mais tarde rei, visitar seu avô o rei de Castela e, quando este lhe perguntasse o que queria que lhe oferecesse, que lhe dissesse: “Avô, quero o reino do Algarve” – e este teria acedido ao desejo do neto.
Além destas dificuldades, teve D. Afonso lll graves discórdias com o clero, que conseguiu alcançar do papa Urbano lV a interdição do rei, que, mais tarde se submeteu às imposições dos prelados e assim a interdição foi levantada.
D. Afonso lll faleceu em 1279. Durante o seu reinado, deu provas de inteligência, protegendo a agricultura e o desenvolveu a povoação do território que estava muito concentrado juntos às cidades. Um dos factos mais notáveis do seu reinado foi as primeiras cortes convocadas em Portugal
Em 1254, na localidade de Cortes (Leiria), e nas quais tiveram voto os representantes dos municípios. 
D. FERNANDO o “Formoso” 
Oitavo rei de Portugal e último da dinastia Afonsina, nasceu em Coimbra em 1345, filho de D. Pedro l (o “Justiceiro”) e de D. Constança. Começou a reinar em 1367 e logo começou uma guerra com Castela cujo reino ambicionava juntar ao de Portugal. Deixando-se depois apanhar uma uma paixão doentia por uma mulher cruel e pérfida, D. Leonor Teles, desposou-a clandestinamente , faltando ao acordo que tomara com o rei de Castela, para casar com sua filha. O povo não gostava de D. Leonor Teles e não a queria como rainha, amotinou-se, mas o movimento foi sufocado e os seus chefes punidos com a morte. Daí veio nova guerra com Castela, cujas tropas invadiram Portugal e vieram pôr cerco à cidade de Lisboa, que se defendeu corajosamente, ficando porém incendiada e em parte destruída. A intervenção de um legado do papa decidiu o rei de Castela a levantar o cerco e a assinar com D. Fernando umas pazes humilhantes para Portugal, em 1373.
Seguiu-se um período de tranquilidade e de boa administração; mas incitado por D. Leonor Teles, de novo o rei se envolveu em terceira guerra com os castelhanos, que acarretou para Portugal ainda maiores desastres do que as anteriores. Depois de destruir em Saltes a esquadra portuguesa, uma armada castelhana veio atacar Lisboa, cujos arredores foram outra vez devastados.  Assinou-se enfim a paz, dando o soberano português sua única filha, D. Beatriz, ao rei João l de Castela, de todos os erros do seu reinado o mais grave por certo, pois, Castela assim adquiriu direitos à coroa de Portugal, que mais tarde veio a confirmar-se. Embora inteligente, mas inconstante e sem palavra, D. Fernando causou grandes prejuízos a Portugal. 
D.  J O Ã O ll  o  “Boa Memória” 
Décimo rei de Portugal e fundador da segunda dinastia, a de Avis, nasceu em 1357 em Lisboa e era filho de D. Pedro l e de D. Teresa Lourenço, dama nobre da Galiza. Reinou de 1385 a 1433. Antes tinha sido eleito Mestre de Avis.  Quando D. Leonor Teles, depois de assumir a regência de Portugal, em seguida à morte de D. Fernando, mandou que se proclamasse rainha de Portugal sua filha Beatriz, mulher de João l de Castela, o Mestre de Avis, já então muito popular, foi ao Paço Real e matou o Conde Andeiro, espanhol e que mantinha relações amorosas com a rainha. O povo levantou-se com inusitado entusiasmo e aclamou-o “Defensor do Reino”. D. João organizou a resistência ao ataque castelhano que pouco tempo depois sitiou Lisboa. Mas os portugueses bem organizados, resistiram tenazmente, e os castelhanos, também dizimados pela peste negra, levantaram o cerco, saindo de Portugal, embora temporariamente, em 1384. Nesse mesmo ano, por teimosia dos castelhanos, D. João 1 e o Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira derrotaram os castelhanos na célebre  Batalha de Aljubarrota, que noutro trabalho a vou descrever. Pouco tempo depois e em Valverde, D. Nuno Álvares Pereira derrotou os castelhanos. Assinada a paz, casou D. João l com D. Filipa de Lencastre, excelsa dama inglesa, de quem teve oito filhos.
O reinado de D. João l, de excelente administração, ficou ainda assinalado pela conquista de Ceuta, em 1415, e pela construção do Mosteiro da Batalha (ou Mosteiro de Santa Maria da Vitória).
Seu corpo, assim como de sua mulher e filhos, repousam no Mosteiro da Batalha, na sala “ínclita geração”.
Nota: noutro trabalho falarei da rainha D. Filipa de Lencastre. 
D.  AFONSO  V  0 “Africano”
D. Afonso V, nasceu em Sintra em 1432; filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão. Reinou de 1438 a 1481. Tinha apenas seis anos quando seu pai faleceu.  Chegou à maioridade em 1446, assumindo na altura o governo do reino e encetou  várias expedições a África, nas quais se mostrou mais corajoso do que prudente; entretanto conseguiu assinaláveis êxitos em Alcácer-Seguer, Arzila e Tanger. Ambicionou então juntar a coroa portuguesa à de Castela, tendo para isso desposado sua sobrinha, D. Joana, filha de Henrique lV de Castela, herdeira do trono; mas os castelhanos não foram nessa conversa e preferiram que a princesa casasse com Fernando, rei de Aragão (um dos reinos que hoje formam a Espanha). O rei português não se conformou com esta decisão e invadiu Castela, encontrando-se em 1476 com o exército castelhano, em Toro. A Batalha de Toro não foi muito favorável a Portugal e D. Afonso V viu-se abandonado por muitos dos seus partidários.
Deliberou então seguir para França para pedir auxílio ao rei francês, Luís Xl; mas este soberano, diplomata astuto (a Raposa) iludiu-o com falsas promessas. Perdidas todas as suas esperanças ao trono de Castela, abdicou no seu filho, o infante D. João, pensado partir como peregrino para Jerusalém, o que não lhe foi possível e assim regressou a Portugal em 1481, onde pouco tempo depois faleceu. 
D.  MANUEL l  o  “VENTUROSO”
Já mencionado noutras minhas obras do mesmo tipo. 
D. MIGUEL  O  “REI  ABSOLUTO” 
Nasceu em Lisboa em 1832, filho de D. João Vl e da rainha D. Carlota Joaquina (já mencionados noutras minhas obras), foi com a Família Real para o Brasil, de onde regressou com seu pai em 1821. Promove com sua mãe, D. Carlota Joaquina (uma das figuras mais controversas da História de Portugal), o movimento designado por “Vilafrancada” e alguns anos depois a “Abrilada” (movimentos estes já descritos noutros trabalhos). Em resultado destes movimentos liberais, D. Miguel é exilado em Viena de Áustria. Mais tarde, em 1826, jura a Carta Constitucional, reconhecendo seu irmão (D. Pedro lV de Portugal e 1º Imperador do Brasil – descrito noutros trabalhos) sucessor legítimo de seu pai. Contrai matrimónio com sua sobrinha, Maria da Glória (mais tarde D. Maria ll). É nomeado lugar-tenete do reino e em 1828 assume a regência (por sua sobrinha não ter ainda a maioridade) , jurando novamente fidelidade à rainha e à Carta. Semanas depois faz-se aclamar rei absoluto e inicia um período de perseguição aos liberais. Segue-se um período de luta civil (1832 a 1834) que termina com a Convenção de Évora Monte, tendo D. Miguel seguido novamente para o exílio definitivo, onde viria a casar com a princesa Adelaide Sofia de Loewenstein Wertheim, vindo a falecer em 1866, em Brombach. 
D.  MARIA  ll a “EDUCADORA” 
Nasceu em 1819 no Rio de Janeiro, Brasil, filha de D. Pedro lV de Portugal e 1º Imperador do Brasil, e de sua mulher D. Maria Leopoldina. Reinou de 1834 a 1853, tendo casado em 1835 com príncipe Augusto de Leuchtenberg, que faleceu dois meses depois. No ano seguinte desposou o príncipe D. Fernando de Saxónia Coburgo Gotha (também viúvo  -  e já referido em outros trabalhos), de quem teve onze filhos, custando o nascimento do último filho a vida à rainha. O reinado de D. Maria ll foi um período de incessantes lutas civis. Os partidos políticos não tinham assimilado os verdadeiros princípios liberais e guerreavam-se com inusitada ferocidade. As revoltas militares que se seguiam quase sem interrupção, mantinham Portugal em permanente guerra civil.
A revolução de Setembro, em 1836 a Belemzada, em 1837 a dos Marchais e os motins do Arsenal, o governo tirânico e perseguidor de Costa Cabral, e mais a revolta da Maria da Fonte, em 1846 e em 1851 a revolta de Saldanha, só terminou com a reforma da Carta Constitucional em 1852 que estabeleceu a concórdia entre todas as facções idealistas e políticas.
D. Maria ll, senhora dotada de grandes virtudes e de vontade enérgica, suscitou ódios políticos, mas foi sempre respeitada e venerada como esposa e mãe de família até pelos seus mais ardentes opositores. Morreu em Lisboa em 1853. 
Nota: noutro trabalho falarei do Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira.

 

Cercanias de Viana do Castelo, região de poetas populares e do melhor folclore que existe em Portugal, sem esquecer seus escritores e romancistas. É o “Jardim de Portugal” no dizer do poeta Pedro Homem de Melo (*), tripeiro (natural da cidade do Porto, mas com coração em Afife (13Km a norte da cidade de Viana do Castelo).
(*) Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo – nasceu no Porto e cursou Direito em Coimbra. Exerceu advocacia em Águeda (perto da cidade de Aveiro), sendo, naquela comarca, delegado do procurador da República até 1927. Posteriormente ingressou no ensino técnico profissional, tendo chegado a director da Escola Comercial Mouzinho da Silveira. Foi colaborador da revista Presença. A sua poesia, feita de sortilégio a que não são alheios certos recursos paralelísticos do lirismo popular do Minho (principalmente da região de Viana do Castelo). Possuía um conhecimento aprofundado da dança folclórica portuguesa, em especial a minhota da região de Viana do Castelo. Amália Rodrigues imortalizou alguns dos seus poemas, talvez o mais conhecido “Lavadeira que lavas no rio”. 
Mas vamos falar da região.
 

Um pouco por toda a parte deparam-se-nos, nos concelhos de Ponte de Lima e de Viana do Castelo, citânias e castros, antas e mamoas, túmulos e ruínas – numa palavra, vestígios de civilizações que procederam Roma. Mas também velhas pontes romanas, frescos e azulejos de padrão único em todo o mundo. Do monte da Madalena, sobranceiro à vila de Ponte de Lima, alcança-se toda a ribeira até Viana do Castelo – antes Viana da Foz do Lima. Nas Argas, do outro lado do vale, a Senhora do Minho, na sua capelinha cocuruto da serra. Na linha do Extremo, o Paço de Calheiros, solene, arcaico, mas cheio de nobreza. E, para o lado do mar, no caminho de Viana do Castelo, o senhorial Solar de Bertiandos. Outrora, estes concelhos minhotos eram percorridos pela via militar romana que cruzava o rio Lima a 23. Mil passos de Tuí e a 20 mil de Braga. O cruzamento da via fluvial com a estrada romana foi a razão da existência da vetusta povoação de Ponte de Lima, não muito longe de Viana do Castelo.
A história e a paisagem, os monumentos e a poesia, são constantes neste itinerário que nos leva pelos dois concelhos, ao longo da Ribeira Lima.; onde seus habitantes conhecem bem quem tem ou não tem valor – se for de fachada, os forasteiros serão ridicularizados.
BEIRAL
O ex-libris da terra é a Casa da Torre de Beiral, do século XVll, reconstruída no seguinte, em cuja propriedade foi descoberta, em 1959, uma necrópole sueva e valiosas peças arqueológicas.
CORRELHÃ
Nesta freguesia regada pelo rio Lima, onde terá existido a povoação romana de Villa Corneliana, merecem destaque a Igreja Paroquial de São Tomé, de traça romântica já adulterada, e, a poucos metros, a igualmente romântica Capela de Santo Abdão, que mantém a pureza das suas linhas de origem.
CRUZ  da  PEDRA
No segundo domingo de Agosto, durante as festas anuais, realiza-se no Senhor da Cruz da Pedra uma curiosa reposição de um velho auto medieval, que evoca um combate entre turcos e cristãos. Mais adiante, num raro enquadramento paisagístico, a Igreja de São João Baptista, românica, guarda talhas de um barroco português.
ESTORÁOS
Esta freguesia possuí um conjunto muito curioso: a fonte, a azenha e as alminhas, monumentos muito antigos, talvez de raiz medieva. Logo a seguida, encontram-se aqui e igreja matriz e a Casa do Mato Bom, onde, segundo leva a crer, terá nascido Fernão de Magalhães (da circunvalação marítima ao mundo). Merece ainda citação a Casa de Penteeiros.
FACHA
Entre outros solares, a povoação e freguesia da Facha mostra, mesmo junto à estrada nacional, esse belo espécime setecentista que é a Casa das Torres, construída no tempo de D. João V (o “Magnânimo”).  Merecem também citação as Casas do Paço da Facha, de Cavada, do Casal, da Facha e do Arrivão.
FONTÃO
Alguns solares curiosos caracterizam  esta freguesia. Merecem uma visita as Casas Grande, do Retiro e de Fundevila, a primeira do século XVl e as outras do XVlll , bem como a Casa de São Bento.
GEMIEIRA
Para além da Igreja Matriz, quinhentista, com bom acervo de azulejos, a povoação e freguesia de Gemieira possuí as Casas do Bárrio, de Cartemil, dos Casais, de Pereiros, das Neves e do Couto de Gondufe.
GERAZ  DO  LIMA
Na freguesia de Geraz do Lima e na próxima de Moreira de Geraz podem ver-se solares e velhas quintas solarengas, entre as quais se destaca a Casa da Torre de Geraz. Dignas de visitar também a Casa dos Cunhas, a Casa da Corredura, a Casa da Bouça e a Casa do Paço. Ainda digna de se ver é a Torre dos Jácomes Bezerra.
LANHESES
Na povoação de Lanhares, limite do concelho de Viana do Castelo, há que ver o Paço dos Almadas. Vale também a pena apreciar-se o pelourinho (monumento nacional) e a Capela do Senhor do Cruzeiro das Necessidades, obras barroca.
MOREIRA  DO  LIMA
A capela do Espírito Santo, de raiz românica (século Xlll) e obra dos templários, foi enriquecida com belos retábulos do fim do século XVll. São dignas de interesse as Casas do Outeiro, do Bárrio e da Bela Vista, a primeira do século XVl e as outras do XVlll.
SANTA  MARIA  DE  SÁ
No souto do Senhor da Saúde, desta freguesia, a pouca distância da Igreja Paroquial, está a Casa de Sá, solar nobre onde nasceu o conde de Barca, 3º conde da Bahía. Um pouco mais além encontram-se a Casa da Cruz de Pedra, do século XVll e a Casa da Caravela do século XVlll.
SÃO  JULIÃO  DO  FREIXO
Já em plena estrada, ergue-se o Paço de Corutelo, possivelmente construído no século XVl, à volta de uma velha torre, solar do tipo fortificado.
SÃO  MARTINHO  DE  GANDRA
Podem admirar-se em São Martinho de Gandra alguns solares rústicos de interesse, nomeadamente as Casas do Coto, dos Abades, de Nabais, do Casal (do conde de Alentém), de Pombal, do Hospital, do Forno (dos Abreus Coutinhos) e de Grijufe.
SÃO  PEDRO  DE  ARCOS
Sobre o pano de fundo da serra de Arga, ressalta o cruzeiro paroquial, fronteiro à muito antiga Igreja Matriz.
VITORINO  DAS  DONAS
Junto ao rio, o Paço de Vitorino é um bom exemplo de solar apalaçado, do 3º quartel do século XVlll. Nesta freguesia, situada na margem esquerda do rio Lima, merecem visita a Casa das Torres das Donas do século XVlll, a Casa da Pousada do século XVll e ainda do que resta do antigo mosteiro das monjas beneditinas. 
 RIO  LIMA
O rio Lima nasce na serra de São Mamede, em Espanha, a cerca de 950 metros de altitude, e o seu  curso estende-se por 108 Km, dos quais 67 Km em Portugal.. O seu principal afluente em território português é o rio Vez, na margem direita. O clima da bacia hidrográfica do rio Lima, que cobre 2.480 Km2. , sendo 1.177 Km2. Em Portugal, vai de muito húmido a pouco húmido, situando-se as zonas mais pluviosas nas serras do Gerês e Soajo, com valores da ordem dos 2.800 mm, e as de menor pluviosidade junto à foz, em Viana do Castelo, com valores anuais de 1.400 mm.

 

Viana do Castelo
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A história de Viana do Castelo começou no Monte de Santa Luzia, onde existe hoje uma igreja. Aqueles que quiserem ou poderem, podem subir ao topo do zimbório para uma vista magnífica.
Não longe da igreja encontra-se a Pousada de Santa Luzia onde teria sido a antiga povoação e onde se encontram alguns vestígios arqueológicos. Esta povoação foi habitada desde 2000 aC até 1500 dC. O seu declínio veio com a invasão romana que expulsou para o vale os habitantes celtas desta povoação.
Exploradores e colonos partiram de Viana mas a sua riqueza veio do comércio com o Brasil e prova disso são os belos palacetes que se encontram na região construídos por aqueles que aí fizeram fortuna, como por exemplo na região do Lima.
A parte antiga da cidade tem ruas estreitas e vielas reservadas a peões e aí encontramos a Praça da República com o antigo Hospital da Misericórdia do século XVI e também a igreja do mesmo nome com azulejos e talha dourada, Os Paços do Concelho, entre outros edifícios. Ao centro da Praça há uma bela fonte do século XVI .
Vemos ainda na cidade uma parte do antigo bairro judeu que abrigou gente vinda de Espanha.
Quando o porto de Viana ficou muito assoreado o comércio mudou-se para Vila Nova de Gaia, em frente ao Porto, na foz do Douro.
O vinho produzido nesta região é o vinho verde,  branco ou tinto.Este vinho é naturalmente gasoso e tem um baixo teor de álcool. Acompanha  muito bem peixe e marisco.
Viana sempre viveu de actividades ligadas ao mar, principalmente da  pesca e  da construção naval e ainda hoje os estaleiros de Viana do Castelos são dos mais importantes de Portugal.
Durante a terceira Semana de Agosto, Viana é palco de uma das mais famosas romarias de Portugal: «Festas de Nossa Senhora da Agonia». Procissões, festivais de folclore, desfiles etnográficos, touradas, festivais de fogo de artifício,... são algumas das manifestações que pode encontrar. As ruas são decoradas e a estátua da Virgem é carregada para a igreja da Senhora da Agonia.

 

 

 

 

 

 

Arcos de Valdevez – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)

 

 

 


Origem do nome:
“Não há menor dúvida que a fundação da vila de Arcos De Vale De Vez é muito anterior à monarquia lusitana, pois dizem alguns autores que por muito tempo usou e foi conhecida sob a denominação de vila Vale de Vez, passando a usar a que tem actualmente, depois que D. Afonso Henriques ordenou a fábrica primitiva dos arcos, que se vêem na praça principal em memória do auxílio que lhe prestaram os moradores da povoação na batalha que ali se deu entre o nosso primeiro monarca e seu primo Afonso Vll de Castela e Leão, no dia 25 de Junho de 1128. Outros, porém, afirmam que a vila só adoptou o título de Arcos depois de D. Manul l haver ali passado em 1498, quando visitou o túmulo de São Tiago de Compostela, porque os habitantes da vila tanto o festejaram, construindo uma extensa série de arcos triunfais, que o rei quando se referia à vila a designava “Dos Arcos”, edaí lhe ficou o nome que foi confirmado no foral. Outros antiquários, apaixonados por encontrarem assunto para referências ao domínio romano, dizem que esta vila não só existia já nessa idade, mas era já tão importante e considerável, que vem citada nos anais da conquista e domínio, na península, com o nome de Arcobriga. Na doação que o rei suevo Teodomiro fez da Igreja de Santa Maria de Palácios ao Bispo de Tui, em 560, se vê que esta vila teve o denominativo de “Vale de Vice”, mas já então se chamava “Vale de Vez”. O que é mais curial é ter-lhe sido acrescentado o nome com a designação de vale , para a distinguir de outra da mesma província, também chamada de Arcos, situada na comarca de Ponte de Lima e a qual foi D. Hilarião tomada aos mouros no ano 750 da era de Cristo e aí por ele fundado o solar dos Amoris”. (Do Arquivo Histórico de Portugal).
Como já dissemos, Arcos de Valdevez é vila muito antiga e está ligada a um dos mais importantes factos da nossa história, pois foi após o recontro de Valdevez que D. Afonso Henriques aparece documentalmente com o título de rei. A terra de Val-de-Vez já nos aparece referenciada no século X, no histórico e famoso testamento de Mumadona de Guimarães, feito em 959. E, no século Xl, no inventário manuscrito com data de 1059, em que se relacionam todos os bens do Mosteiro de Guimarães, vem igualmente mencionada, tal como aparecia no doação feita a Compostela pelo rei Barramundi em 991. Valdevez está ligado a uma importante encruzilhada histórica, na génese de Portugal. O chamado recontro ou torneio de Valdevez, rematado por uma provisória paz entre Afonso Henriques “príncipe dos Portucalenses” e Afonso Vll, imperador das Espanhas, constituiu um momento crucial na audaciosa curva ascendente do fundador da dinastia afonsina. Até 1136, o filho e herdeiro do Conde D. Henrique, vencedor da batalha de São Mamede em 1128, intitulara-se infante; desde aquela data até cerca de 1140, intitulara-se príncipe; a partir do pacto de Valdevez o príncipe portucalense aparece documentalmente o título de rex (rei).
Quanto ao lugar onde se teria dado o referido recontro, uns dizem que teria sido não junto da confluência do rio Vez com o rio Lima, mas, sim, no alto da montanha, próximo da Portela do Extremo, na vertente setentrional da serra da Peneda. Enquanto que Alexandre Herculano, supõem-no decorrido na veiga do rio Vez, o qual ao falar deste facto histórico, conclui assim: “ Foi um largo torneio em que a vitória coube aos valentes homens de guerra do infante. Fernando Furtado, irmão do imperador das Espanhas, Fernando Peres, cunhado de Afonso Henriques, o conde Ponce de Cabrera e muitos outros dos mais notáveis fidalgos da corte do imperador, derribados pelas lanças dos portugueses, ficaram prisioneiros, segundo as leis da cavalaria. Supersticiosa como era aquela idade (era), o desbarato do conde Radimiro e o cativeiro de tantos senhores e cavaleiros principais, deviam parecer aos leoneses péssimos auspícios para uma batalha, que, aliás se tornava inevitável. E na verdade a perda daqueles ilustres guerreiros era de justo motivo de desalento. Acrescia que os portugueses tinham tomado melhores posições. Nesta situação, Afonso Vll mandou ao campo inimigo mensageiros que, em nome dele, pediram ao Arcebispo de Braga para, por sua intervenção, se tratar da paz. O prelado português acedeu, e os dois primos, falaram amigavelmente um com o outro. Ajustou-se uma suspensão de armas por alguns anos, ficando por mútuos fiadores os cabos principais de um e outro exército, até que depois com mais sossego se pudesse atentar numa paz definitiva e duradoura. Entretanto os prisioneiros feitos de parte a parte foram logo postos em liberdade, e restituídos os castelos reciprocamente conquistados”. A vila dos Arcos fixou-se de um e de outro lado do rio Vez. Quem nela entre pela estrada de Ponte da Barca, conhece, em primeiro lugar, o bairro de São Paio, contíguo à margem esquerda do afluente. Sobre o apinhoado velho recorta-se o campanário da igreja que dá o nome a essa parcela vetusta da povoação. À entrada fica a ponte, sólida e bem lançada, de quatro arcos, de cantaria. A jusante há uma frodosíssima ínsua com um aprazível açude, de águas rumorosas. Sobre a ponte recosta-se, o esbelto e velho cruzeiro do Senhor dos Milagres. Para a direita, ao longo do rio, pitoresco e meândrico, corre uma frondosa alameda – o chamado Trasladário, na toponímia familiar da terra. E subindo um pouco, daremos em breve de face com o templo mais característico da vila: O Igreja de Nossa Senhora da Lapa, templo do século XVlll, de rigorosa fachada barroca, construída em 1767. Enquadra o conjunto retabular da fachada uma bem recortada cornija, lavrada e coroada nos flancos por duas ânforas e apoiada em duas altas pilastras. A dois passos, encontra-se à entrada de uma vetusta ruela, uma outra obra de arquitectura religiosa, a Capela da Praça, templo românico, certamente coetâneo das primeiras edificações da vila, foi fundado pelo abade de Sabariz, D. João Domingues, cuja arca tumular, com estátua jacente, subsiste no interior. O portal romano-gótico, tem duas arquivoltas de ponto levemente subido, assentes em quatro colunelos. O núcleo da vila é pitoresco e um pouco labiríntico. As casas e as calçadas são de granito patinado pela idade. Embora esteja já hoje impregnada, em parte, de algumas artérias amplas e modernas construções. O ponto mais paisagístico da vila é o antigo Terreiro, minúsculo promontório voltado para os lados da montanha. Daí se vê, a meia encosta, na declivosa vertente de serra do Soajo, o formoso perfil do Paço de Giela, etc. No velho Terreiro, hoje convertido em Jardim Público, destaca-se, do lado do rio, a Casa do Terreiro, que data do século XVlll e tem fachada de dois pisos. O andar nobre apresenta nove portada com varandas de ferro. No pátio desenvolve-se uma escadaria bem iluminada. Um dos salões é coberto por um tecto de madeira dourada. Outras salas têm tectos de estuque pintados. Perto do Jardim está a antiga Igreja Matriz, que foi edificada, no período de 1690 a 1700, sobre as ruínas de um templo mais antigo. Adossada a uma das paredes exteriores, situa-se a Capela do Calvário. As paredes do interior são revestidas de azulejos da época da construção. Adornam os altares boas talhas douradas. Peças apreciáveis são a imagem de São Brás, esfolada, do século XVlll, e dois anjos tocheiros, estilo D. João V. O altar-mor tem um frontal de madeira policromada representando a Última Ceia. Conserva ainda a igreja alguns túmulos armoriados. E descendo, passa-se pelo Pelourinho, tipicamente manuelino, é formado por uma coluna torcida, monolítica, rematada por esferas armilares e escudos. É obra do canteiro João Lopes “o Velho”, autor dos chafarizes de Caminha e de Viana do Castelo.
Nas proximidades de Arcos de Valdevez encontra-se a Ermida da Senhora do Castelo, um dos mais belos mirantes da vila e do Vale do Vez. Tanto na subida, como no próprio alto se alcançam quadros duma paisagem maravilhosa. É no cimo que está a ermida, a 433 metros de altura, talvez no lugar do desaparecido roqueiro medievo, ao lado de um marco geodésico. A cerca de 4 Km, fica um cabeço que tem 232 metros de altura, o São Miguel o Anjo, que é densamente arborizado e coroado por alguns colossais rochedos. Na área pedregosa do cimo vislumbram-se vestígios de vida castreja. Na subida ou na descida importa visitar o Paço de Giela, do século XVl, embora arruinado, mas muito interessante, com a sua janela manuelina. À Serra do Soajo é sempre um passeio apetecível pois é a penetração ao interior do bloco orográfico, genericamente designado por Serra da Penela, na sua parte sul, chamada Serra do Soajo e na parte oriental Serra de Castro Laboreiro. Esta viagem permite-nos entrar em contacto não só com a paisagem natural da montanha, de beleza austera, mas ainda com formas de ocupação humana que não se encontram nas zonas marginais dos rios, nas zonas da “ribeira”.
É muito típico o trajo regional da gente do Soajo. E na aldeia perdura ainda o “caniço”, espigueiro ou canastro, onde se guardam as espigas de milho. Quase obrigatório para quem deseje conhecer bem a paisagem interior do Minho, é o Santuário da Peneda.
De Arcos de Valdevez a Monção, são cerca de 30 Km, por uma estrada que segue ao longo da vertente ocidental do rio Vez. Alguns quilómetros percorridos, surge a ponte da Sovideira, sobre a ribeira de Pedroso (que tem trutas), para mais adiante se atingir o Alto do Extremo, uma das mais belas portelas do Alto Minho. Daí se avistam, claramente, em sucessivos planos, as linhas de cumeada do Soajo, do Gerês, da cabreira, de Lanhoso, de Espinho.
Agora, começa a descer-se para monção, até se passar sobre o rio Gadanha (também com trutas) e mais adiante deparar com o Palácio da Brejoeira, notável exemplar da construção civil do século XlX,. A fachada principal possui Uma característica neoclássica inconfundível: o ênfase dado às linhas direitas e a sólida alvenaria anunciam o fim do barroco. No entanto, ainda se vêem pormenores barrocos, tais como as janelas de ombreiras salientes nas torres dos cantos e os frontões curvos sobre as janelas do primeiro andar. Diz-se que o Palácio da Brejoeira data de 1806. Esta afirmação corresponde a informações de Dora Wordsworth no seu Diário de Alguns Meses em Portugal, publicado em 1845, onde se refere que a Brejoeira “teve início cerca de quarenta anos antes”. Foi mandado construir por Luís Pereira Velho de Moscoso e as obras prolongaram-se até 1834. Por esta altura, Luís Pereira, nascido em 1767, teria talvez sido substituído pelo seu segundo filho, Simão Pereira, baptizado em 1805 e que viveu até 1881. A seguir à sua morte, por volta de 1901, o palácio foi vendido a Pedro Maria da Fonseca Araújo, Presidente da Associação de Comércio do Porto, que realizou as maiores obras de restauro. Em 1937 foi novamente vendido a Francisco de Oliveira Pais, de Lisboa. Não se conhecem provas evidentes de identificação do arquitecto, mas o palácio tem sido atribuído a Cruz Amarante, nessa altura o mais importante arquitecto no norte de Portugal. O palácio tem uma planta em forma de L e três torreões, plano este que sugere ter havido a intenção de construir quatro corpos iguais com um torreão em cada canto.

 

Arcos de Valdevez
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A relação histórica entre a ocupação humana dos espaços e a organização natural dos mesmos assume no caso do vale do rio Vez um papel de primordial importância. As múltiplas áreas de regadio e de terrenos férteis proporcionados pelo rio e seus afluentes e a existência de amplos anfiteatros naturais, opondo zonas de serra e de planície, favoreceu desde muito cedo o estabelecimento de comunidades humanas.
Da pré-história chega-nos um legado de evidente importância. O número de monumentos funerários provenientes do período neolítico (cerca de 2500 anos antes de Cristo) comunemente designados por "mamoas" e "antas", é de cerca de uma centena, destacando-se pela sua importância o núcleo megalítico do Mezio, recentemente alvo de estudo e valorização. De igual modo relevante, quer pela sua importância patrimonial quer pela cientifica, é a estação de arte rupestre do Gião, formada por um conjunto de cerca de 100 rochas gravadas com diversos motivos esquemáticos, incluídos num fantástico anfiteatro natural, representando um vasto local de reflexão ritual para as comunidades humanas que as realizaram há cerca de 3500 anos.
O período proto-histórico e de ocupação romana revela vestígios diversos, não só na toponímia local, mas sobretudo na quantidade significativa de recintos defensivos e habitacionais, os "castros", existentes por todo o concelho, e onde os casos de Ázere, Álvora e Cendufe serão, provavelmente, os mais conhecidos.
A Idade Média trás consigo uma organização do território e do espaço que será também ela um reflexo das condicionantes naturais e da geografia. A distribuição das paróquias medievais e dos primeiros mosteiros aproveita os recursos das áreas planalticas e de monte, como os casos exemplares dos mosteiros de Ermelo (cisterciense) e Santa Maria de Miranda (de base beneditina). As áreas de serrania facilitaram a fixação das populações baseadas essencialmente numa tradição de pastorícia e de uso sazonal, recuperada pelas actuais "brandas" e "inverneiras". A montanha favoreceu o desenvolvimento de recursos naturais abundantes, sobretudo de caça diversa, que juntamente com a sua posição estratégica de fronteira, cedo impeliram os primeiros monarcas nacionais a visitar e a incentivar a fixação de populações nessas zonas. Espelho da importância como via de comunicação natural entre o Norte do pais e a vizinha Galiza, é o numero significativo de pontes de origem medieval, representadas, entre outras, em exemplares únicos como os de Vilela e Cabreiro.
A sua posição estratégica natural destacou as terras de Valdevez como lugar primordial de organização militar e social, atestada já em documentação dos Séculos X e XI. Apesar de abandonado em meados do Século XIII, o castelo de Santa Cruz, em Vila Fonche, sobranceiro à actual vila, foi um dos primeiros elementos de suporte à fixação humana nesta zona precisa, solidificada pela fácil comunicação das diferentes vias que confluíam na ponte medieval do rio Vez, e favorecendo, deste modo, o desenvolvimento de um polo urbano dinâmico e fundamental, que já em 1258 controlava uma mancha geográfica próxima da do actual concelho de Arcos de Valdevez. A importância de toda esta área como vector de evidente desenvolvimento leva D. Manuel I a conceder foral à vila em 1515.
A reforma liberal oitocentista viria a traçar os limites definitivos do actual concelho, com a introdução das áreas de Soajo, Ermelo e Gavieira.

 

 

 

 

 

 

Caminha – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)

 

 

 

 


Caminha se deve ter gerado num dos núcleos castrejos que o rodeiam, tal como o de Vilar de Mouros. No século Xlll, D.Afonso lll ordenou o enxugo de alguns tractos marginais, com o fim de ampliar a povoação amuralhada. D. Diniz prosseguiu o intento, e em 1284 concedeu-lhe foral e ordenando o reforço dos muros. No interregno, ainda seguiu o partido castelhano.
D. João l, na sua dura volta pela província, chamou-a ao bom caminho. E foi esse monarca que a fez porto franco em 1390. No século XV a cerca contava dez torres e quatro portas. A Porta
do Marquês fazia face ao rio e ficava próxima do local extra – muros escolhido para a construção da Igreja Matriz iniciada no reinado de D. João ll. A Torre do Relógio havia sido já edificada no reinado de D. Afonso V, o Africano. Esta Torre é de planta quadrangular, conserva um pequeno eirado no qual assenta o suporte do sino. Nela se rasga a porta que outrora defendia a vila. Sobre o arco está gravada a data de 1673 e figura uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição. D. Manuel l deu-lhe foral, em 1512, e ordenou a reconstrução do Forte da Ínsua, que visitou na sua ida para Santiago de Compostela. O Forte da Ínsua, é uma fortaleza com cinco baluartes, mandada edificar por D. Diogo de Lima, no século XVl, sobre um ilhéu pedregoso. Conserva uma porta armoriada. Nos terraços subsistem algumas peças de artilharia, de bronze, sobre carretas de ferro.
Dentro das muralhas existem os restos de um claustrim. Uma pequena capela guarda vestígios da primitiva edificação românica e panos inteiros de paredes revestidas de azulejo do tipo tapete do século XVll.
Este Forte fica a cerca de 4 Km de Caminha, por estrada ou de barco, neste caso com bom tempo.  Ínsua situa-se no prolongamento da linha arenosa que vai desde a Praia de Moledo à foz do rio Minho. Diz-se que de cinquenta em cinquenta anos, o Forte é acessível por uma lingueta arenosa. Durante a Guerra da Restauração, a cinta defensivo foi profundamente reformada e alterada. A vila, isenta do senhorio dos Meneses, tornou-se uma pequena praça de guerra, meia medieva, meia à Vauban, com a circunvalação, fossos, contra – escarpas, redutos e revelins. Era constituída por dois polígonos. E essa dupla cinta defensiva ainda existia em 1875. Na fase da Guerra Civil (em 23 de Março de 1834), Caminha foi submetida por um golpe de surpresa dirigido por Napier, cujas forças ele conseguiu fazer desembarcar, de noite, em La Guardia. As únicas vítimas foram: o governador da praça r um sacerdote. O Forte da Ínsua rendeu-se poucas horas depois.
A vila de caminha é deveras encantadora, com a sua baía, a foz do Coura e o sortilégio da paisagem galega (Espanha), onde se eleva o monte de Santa Tecla. O centro da vila é a antiga Praça (hoje chamada Praça do Conselheiro Silva Torres), rodeada de algumas árvores de tília e enobrecida por um interessante chafariz, quinhentista, de granito, obra do exímio canteiro João Lopes o Velho. . É composto por duas taças asentes numa plataforma circular, à qual dão acesso quatro lanços de escadaria.
Um dos edifícios mais dignos de admiração é a antiga Casa dos Pitas, construída nos fins do século XV (em 1490), pelo fidalgo galego Inigo Lopez de Anucibay, ascendente dos Pitas. Esta Casa apresenta fachada ameada e armoriada. No rés-do-chão rasgam-se portas de umbrais chanfrados. No andar superior recortam-se sete janelas.
  Do lado norte da Praça estão os Paços do Concelho, um edifício restaurado, com um formoso tecto, de castanho, de 32 caixotões alveolares octogonais e apurados lavores de talha do século XVl, proveniente do sub-coro da Igreja Matriz. O edifício tem dois pisos, com arcada alpendrada assente em pilares. No interior eleva-se uma monumental escadaria de pedra.
Junto da Câmara Municipal situa-se a Igreja da Misericórdia, concluída em 1551, na fachada destaca-se o portal renascença, de granito. Nos ângulos superiores ostenta dois medalhões em alto-relevo representando São Cosme e São Damião. Guarda, no interior, boas talhas e ex-votos de madeira pintada.
Ao nível da rua, a torre é trespassada pelo Porta que defendia outrora a entrada principal da vila. A frontaria, de dois andares, ostenta na fachada as armas reais. No primeiro piso rasgam-se janelas ornadas de grades de ferro.
Penetrando na vila velha, pela estreita Rua do meio, temos mais adiante a Igreja Matriz, valioso templo de raiz gótica tardia, já com muitos traços renascença cuja construção demorou 75 anos. Foi iniciada em 1480, no reinado de D. João ll, e só ficou concluída em 1556, já no reinado de D. João lll . O pórtico lateral, em forma de retábulo, apresenta nichos onde sobressaem os Quatro Evangelistas, e no tímpano do frontão, a padroeira, Nossa Senhora. O interior é de três naves, separadas por cinco arcos redondos assentes em quatro colunas cilíndricas. Cobre-os um tecto de alfarge, constituído por uma série de painéis horizontais e octogonais. Ao centro está um florão, de grande relevo, com um pingente. A Capela dos Mareantes, construída nos princípios do século XVl, é coberta por uma abóbada polinervada e obriga uma imagem de Cristo crucificado, que a tradição diz ter sido encontrada no mar. As paredes das naves estão recobertas de azulejos com medalhões representando figuras masculinas não edificadas, mas que se supõe serem os próprios arquitectos do edifício.
Entre a superfície lisa do estuário e o baluarte, corre a airosa avenida marginal. Ao fim desta avenida, na confluência do rio Coura, existem duas pontas, uma de pedra para o trânsito rodoviário e outra mais acima, metálica, para o trânsito ferroviário. É aqui que se encontra a formosa alameda que também faz de jardim.
Passeios e Excursões que se pode fazer a partir de Caminha:
MONTE de SANTO ANTÃO, que dista 5Km da vila, em parte a pé. É uma elevação admirável fronteira ao monte de Santa Tecla (Galiza – Espanha). A panorâmica que de lá se avista é inesquecível.
PINHAL do CAMARIDO, a 2 Km por estrada. É uma frondosa mata nacional, de origem medieval, que se deve a D. Dinis. Ao lado da mata situa-se a aprazível Praia de Moledo do Minho, que se prolonga até à foz do rio Minho.
SERRA de ARGA, por qualquer das duas estradas florestais. Passeio admirável. Daí se vê toda a Ribeira Lima, num espectáculo de empolgante beleza paisagística. Na descida poder-se á visitar em São João da Arga, as ruínas do antigo mosteiro beneditino.
De CAMINHA a CERVEIRA, são 12 Km de estrada, À saída de Caminha transpõe-se a confluência do rio Coura por uma ponte de
365 metros de comprimento e 28 tramos, que oferece uma encantadora visão do estuário. Estamos agora na airosa povoação ribeirinha de Seixas, e a seguir Lanhelas, com a Casa da Torre a chamar a atenção. Era aqui que Frei Bartolomeu dos Mártires vinha passar grandes temporadas com os senhores da casa, esta fundada no final do século XV por Gil Vasques Bacelar, junto de uma antiga torre afonsina, vigilante do rio. Mais adiante fica a Ilha dos Amores e a Ínsua da Boega. E logo a seguir a Vila Nova de Cerveira.
VILAR de MOUROS, por estrada. Este passeio pode fazer-se em circuito, saindo pelo centro da vila e entrando pela ponte. A travessia do rio Coura, em Vilar de Mouros, faz-se por uma ponte romana.
Origem do nome::
“Caminha é vila antiga, posto que se não possa assinalar ao certo a época da fundação; entretanto é atribuída a um fidalgo da Galiza, de nome Caminio, do qual deriva o que usa”. (Domingo Ilustrado – 1887).
O autor da Corografia Portuguesa , no primeiro tomo, quer afirmar que este nome Caminha é de Camínio, seu fundador, cavaleiro da Galiza, e senhor da casa de Caminho; porém esta não é a noticia certa, porquanto Caminha é mais antiga que Camínio, e pode competir antiguidade com as principais cidades do reino, das quais fazendo menção em Plínio no livro 25, nomeia a Caminha com o nome de Oppido Minium. É, pois, o nome Caminha derivado de ser Caput Minii; e assim o mostra a razão, e experiência, por estar situada no Cabo de Santo Antão, que está iminente sobre o rio Minho; e é o primeiro descendo do norte, e uma rua que tem sobre a Ribeira do mesmo rio, e à raiz do mesmo promontório conserva, ainda o nome da rua do cabo, e como o mundo dá muitas voltas, bem poderia ser que se arruinasse esta vila em tempo de Camínio, e ele a reedificasse de novo”. (Descrição da Villa de Caminha – Frei D. João da Câmara – 1889).
“Pequenina, fresca, sorridente, esta vila tem alguma coisa infantil de seduz. Apeninsulada pelo mar e por dois rios, lembra vagamente uma canastrinha de verdura, onde um novo Moisés sorrisse embalado pelas águas” – assim se referiu D. João de Castro a Caminha. Estamos, de facto, perante uma terra que a natureza caprichou em dotar com os mais belos primores. Desde o mar à montanha e do rio ao vale, dificilmente se encontrará quadro mais harmonioso. Dizem que no mesmo local já tinha havido uma povoação romana, mais tarde totalmente destruída pelos mouros. Depois disso, um fidalgo galego, enamorado pelas belezas do sítio fundou ali, no ano de 950, uma aldeia que dele tomou o nome, convertido, no decorrer dos tempos, em Caminha”. (Leonídio de Abreu – 1956).
A vila de Caminha surge como que metida entre o rio Minho e o rio Coura, seu afluente. É burgo secular, mais velho que Portugal, onde cada rua, cada velha mansão senhorial, cada viela ou recanto de muralha, é um desfiar de contos e de lendas, um dizer de história. Há que subir à pequena colina de Santo António e penetrar no velho forte para admirar aquela pintura soberba. Tudo leva a crer que, antes do alvorecer da Nacionalidade, e no local que é hoje a parte sul da vila, existia uma enorme colónia de pescadores povoando o sopé desta colina, muito próxima do rio. Aí deve tEr nascido Caminha. Mas já em tempos muito recuados o povoamento acontecera, suficientemente ilustrado em vestígios arqueológicos ligados às civilizações celta e romana, que se encontraram em diversas localidades próximas, como em Vilar de Mouros. Povoação fronteiriça, Caminha viveu, ao longo de séculos, tudo quanto a História relata dos diferendos e contendas entre Portugal e Espanha.
Ao percorrer a marginal de Caminha, sentimo-nos tentados por uma pequena ilha, lá ao fundo, onde o rio acaba e o mar começa. A tendência é a acompanhar o majestoso rio Minho e desviar até à foz, numa curta viagem entre acácias (mimosas) e pinheiros. Do lado de lá está o monte de Santa Tecla, que se ergue da margem até ao céu num extremo pontiagudo. E ao centro do rio impõe-se uma pequena ilha de “tesouros” esquecidos pelo tempo. É aí que vamos descobrir a Fortaleza de Ínsua. No seu interior existe um convento e uma igreja abandonados. Diz a tradição que de um templo pagão dedicado a Saturno, passou a uma ermida consagrada à Virgem, a que uns chamaram Santa Maria de Ínsua, os espanhóis Santa Maria de Carmes e os navegadores caminhenses, Senhora da Salva. O convento Franciscano que ali existiu foi fundado em 1392. Os frades que nele habitaram nunca foram em grande número devido às condições rudes em que ele se inseria e em 1620, perante os ataques constantes da pirataria, abandonaram mesmo o convento, estabelecendo-se na vila de Caminha. Durante as guerras da Restauração, foi então erguida a fortaleza em torno do convento para defesa da fronteira. Os frades deram assim lugar a um destacamento permanente de tropas. No entanto, existem informações de se ter radicado lá, em 1705, a Ordem dos Capuchos, religiosos que pretendiam cultivar a “humildade, pobreza e mortificação”. Cinco baluartes elevam-se sobre a ilha e as canhoeiras nos parapeitos dos terraços ainda possuem velhas peças de artilharia. Quartéis, depósitos, cozinhas de belas chaminés, um claustro minúsculo, uma capela e um alpendre é o que se pode encontrar dentro do Forte da Ínsua. Foi este mesmo forte que participou na magnífica defesa que impediu a esquadra francesa de proteger o exército de Soult e ali iniciar a Segunda invasão napoleónica. Em 1940, o forte foi entregue ao Estado. Hoje está entregue aos ventos, às marés e às aves, que ali encontraram o sítio ideal para os seus pousos. No Verão são frequentes as visitas dos turistas que pagam aos pescadores para uma viagem até à Ínsua. No Inverno, o mar não dá descanso e uma visita à ilha poderia ser catastrófica. É que a separar a ilha da terra existem dois canais, mistos de rio e de mar, temidos pelos pescadores de Caminha. Por isso costumam dizer “na barra de Caminha não entra quem quer, mas só quem sabe”. Por isso, no Inverno, o melhor será avistá-lo de terra. Se a foz do Minho não é suficiente perto para lhe satisfazer o olhar, então vá até à praia do Moledo, onde a Ínsua parece a pouco mais do que uns pares de metros de distância.
OUTRAS TERRAS DA REGIÃO:

GONDORÉM: Junto da Estação de Caminho de Ferro de Gondarém, a estrada camarária conduz à igreja e ao Calvário. Antes, ergue-se o Solar da Loureira, belíssima residência apalaçada, de arquitectura barroca tipicamente minhota, construída no século XVlll. Um pouco mais acima, na estrada, encontra-se a Casa da Quinta do Outeiral, outra bela moradia setecentista, actualmente transformada em estalagem, que preservou os seus traços característicos, da qual se vislumbra um belo panorama sobre o rio Minho. Prosseguindo a subida da ladeira, depara-se ao viajante a Igreja Matriz de Gondarém, construída no século XVl. Mais acima, depois da capela, surge o calvário com o seu cruzeiro, junto do qual se encontra o miradouro, de onde se pode contemplar a espectacular paisagem minhota.
LANHELAS: Nesta povoação do concelho de Caminha destaca-se a Casa de Lanhelas, ou, como é vulgarmente conhecida, Casa dos Bacelares, sobranceira ao rio Minho e constituída por três torres de épocas diferentes, duas delas ligadas por um corpo quinhentista. Durante os dias da romaria em honra do Senhor da Saúde, mantém-se aqui como tradição servir aos romeiros solha (peixe) seca e assada, um verdadeiro petisco.
VILAR DE MOUROS: É um lugarejo pitoresco de beleza rústica incomparável. Moinhos e azenhas enquadram recantos sossegados de águas límpidas e sussurrantes. Relances de pura feição silvestre e cada vez mais serrana sucedem-se. É a paisagem minhota, talvez da mais genuína. É importante a velha ponte medieval, considerada monumento nacional.

 

Caminha
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Caminha é uma povoação antiquíssima. Nas imediações existem ainda vestígios de civilizações atribuídas a épocas proto e pré-históricas, como mamoas, dólmen e castros. De resto, toda a região do Noroeste da Península, e muito especialmente a bacia do Minho, ostenta várias edificações do período Megalítico. Mas a cultura dominante e que mais vestígios deixou nesta zona foi, sem dúvida, a Castreja. As casas, quase todas do tipo redondo ou ovalado, denunciam marcas da cultura pré-céltica.
Na organização paroquial suévia do séc. V aparecem os topónimos “Camenae” ou “Camina”. Quase todas as freguesias do concelho, mercê da sua situação geográfica, terão sido pontos fundamentais ao controlo do comércio dos metais que tinham que tinham de percorrer as águas do Rio Minho.
O perímetro e a configuração oval da antiga muralha obedecem às características de construção das fortalezas romanas dos sécs. IV e V. Mas do período da romanização ficaram ainda pontes, caminhos e outros monumentos.
Em 1060 I. Magno de Leão designa Caminha como sede de um condado que denominou “Caput Mini” e cerca de meio século depois, Edereci localiza “um forte castelo em ilha a montante da foz do Minho” e outro “acima do precedente em terra firme e eminente”. Isto mesmo se crê conformado nas Inquisitiones: “na colação de Sta. Maria de Caminha, em Vilarélio, se situa o velho castelo de Caminha” subordinado durante séculos à Sé de Tui. Somente a partir dos começos do séc. XVIII apareceram, nas chancelarias portuguesas, documentos de desafectação respeitantes a Caminha e povoações ribeirinhas do Minho, alguns do reinado de D. Afonso III, com notícias da edificação de mais uma torre (a do Sol), com sua porta.
Pela situação geográfica, Caminha era um ponto avançado na estratégia militar portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses. D. Dinis mandou aumentar as muralhas e construir mais duas torres, elevando para treze o seu número (dez torres e três portas - a do Sol, a Nova e do Marques).
A 24 de Julho de 1284, outorgou aos habitantes do concelho a primeira Carta Foral.
Em 1321, criado o concelho vizinho de Cerveira, foram incluídas neste algumas freguesias de Caminha. A vila conservou-se sempre na posse da Coroa até que, em 1 de Junho de 1371, D. Fernando criou o Condado de Caminha, fazendo seu primeiro conde D. Álvaro Pires de Castro. D. João I doou-a, em 1390, a Fernão Martins Coutinho, concedendo-lhe também o privilégio de “povo franco”. Esta medida desenvolveu extraordinariamente a vida marítima e o comércio locais, permitindo também o início da construção da majestosa Igreja Matriz, em 1428. A vila é nessa altura terra prometedora. Do seu porto partem barcos para diversas partes da Europa.
A 20 de Julho de 1464, D. Afonso V fez senhor de Caminha a D. Henrique de Meneses, da Casa de Vila Real, nesta se conservando até 14 de Maio de 1641.
Nesse ano e após conspiração contra Rei Restaurador entrou na posse da Casa do Infantado até à sua extinção (1834). D. Manuel concedeu a Caminha novo foral em 1 de Julho de 1512 e ordenou a reconstrução do Forte da Ínsua, que visitou na sua ida para Compostela.
Durante e depois do período da Restauração foi criada em Caminha uma alcaidaria-mor, nomeando-se para ela, por mercê régia de 7 de Março de 1643, o 4º morgado de Barbeita, Rodrigo Pereira de Sotomaior. Foi durante o governo deste e de seus filhos, Gonçalo Afonso de Sotomaior e Bento pereira da Silva (2º e 3º alcaides-mor) que se executaram todas as obras de defesa exteriores da Caminha, iniciadas em 1642 e terminadas em 1685.
Durante a 2ª Invasão francesa, em Fevereiro de 1809, Caminha foi atacada pelas tropas do Marechal Soult. A ajuda do povo às poucas tropas do tenente-coronel Champalimaud, impediu os franceses de entrar em Caminha. Uma defesa que constitui uma página brilhante de estratégia militar.
- Caminha, In Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Vol.I
- Caminha, Enciclopédia Luso-Brasileira
CAMINHA…. HOJE
Caminha acarinha o turismo, mas privilegia as suas gentes. Ao longo dos anos a qualidade de vida da população tem aumentado. Têm sido melhoradas as condições de vida de todo o concelho, as infra-estruturas urbanísticas, o bem-estar social, a oferta cultural e desportiva, a actividade económica e a educação.
Em 1994 o município de Caminha fundou, juntamente com outros Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço, a Associação de Municípios do Vale do Minho (Vale do Minho – AM).
Com a nova legislação de Maio de 2003, que confere um novo modelo de reorganização do território, Caminha optou por constituir uma Comunidade Urbana com os municípios localizados mais a sul. A formalização dessa ComUrb designada “Valimar” foi efectuada a 11 de Março deste ano pelos municípios de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Esposende e, claro está, Caminha. A “Valimar” tem vindo a concertar projectos comuns, entre os vários municípios, de forma a colocar esta comunidade na rota do desenvolvimento sustentável, do progresso e da valorização do património e dos recursos ambientais, económicos e turísticos.
Sendo um concelho rico em termos ambientais, paisagísticos e usufruindo de variados e qualificados recursos naturais, patrimoniais e culturais, Caminha tem testemunhado um intenso crescimento do turismo, principalmente na época balnear. Porém, durante todo o ano, nas festividades e aos fins-de-semana, muitas são as pessoas que escolhem Caminha como destino e, cada vez mais, como local para segunda residência. Bem localizada geograficamente, Caminha encontra-se perto da Galiza, está a uma hora da área Metropolitana do Porto, e permite uma saudável e rápida escapadela da agitação própria das grandes cidades.
As paisagens que se distribuem pelos dois vales, o do Âncora e o do Coura, os rios, as praias, a Serra, o património, a gastronomia, o artesanato…são peças que constituem este verdadeiro “Mosaico de Paisagens”.

 

 

 

 

 

Melgaço – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)

 

 

 

 


Melgaço recebeu o seu primeiro foral outorgado por D. Afonso Henriques, em 1811. No reinado de D. Afonso lll, a povoação foi cercada de muralhas, das quais subsistem alguns vestígios. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo e privilégios em 1513.
Origem do nome:
“Leite de Vasconcelos escreveu textualmente o seguinte: “Melgaço” parece relacionar-se com o nome de homem Melgaecus, que se lê em inscrições romanas do Minho; o étimo seria Melgaceus igual a Mel-aceus”. Sem prejuízo da opinião autorizada, que fica exposta, J. Piel regista um grupo de topónimos iniciados por Mel – (Mela, Melarizes, Melhe, Melides, Melim e Melo), distribuídos por quase todos os distritos de Lisboa para o norte. Declara este erudito autor não ter conseguido descobrir a origem da raiz Mell – (ou Mel -), incluído, todavia, tais nomes entre os germânicos existentes na toponímia portuguesa”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“É rara a povoação que não pretenda ilustrar-se com foros da maior antiguidade, embora, para isso, haja de transpor todas as barreiras do tempo. A vila de Melgaço não podia fugir à regra. Enquanto alguns historiadores a consideram fundada por D. Afonso Henriques, que lhe deu foral em 21 de Julho de 1181, outros dão-na como já existente no tempo dos árabes, com o nome de MINHO.  Ora, se o nosso primeiro rei a adorou foi porque ali existia um aglomerado digno de tal mercê. Parece, no entanto, averiguado que já onze anos antes o mesmo monarca havia mandado construir, no sítio, onde hoje assenta a vila, um castelo destinado a impedir qualquer arremetida vinda lá das bandas de Leão. Seria, então, à sombra desta fortaleza que teria surgido a povoação mais tarde distinguida com o régio foral. Assim passaria, pois a atribuir a D. Afonso Henriques a fundação de Melgaço”. (Leonídio de Abreu – 1956).
Inegavelmente, Melgaço é povoação antiga, coroada por um velho castelo afonsino, como atalaia da fronteira que a dez quilómetros, no Posto de São Gregório, deixa de ser raia húmida para se tornar raia seca e serrana. No local onde hoje se ergue o castelo tiveram os islamitas, mas por pouco tempo, nos fins do século lX, uma fortificada atalaia, nessa época de reconquista. O Castelo foi mandado erguer por D. Afonso Henriques, em 1170, que mandou repovoar a terra destruída por Almançor. Nessa data já existiam, a igreja de Nossa Senhora da Orada, o convento de Fiães e o convento de Paderne. O Castelo de estrutura afonsina, conserva a torre de menagem quadrangular, coroada de ameias. Estas assentam num robusto entablamento de ressalto. Na praça de armas existem vestígios da antiga cisterna. Da cerca periférica que envolvia o Castelo, formando um cidaddela, restam apenas duas portas. É preciso avançar mais e situamos no reinado de D. João l para perceber a importância deste Castelo no reconquista do Alto Minho. É a localidade portuguesa mais a norte e, o facto de estar tão próxima do local em que o rio Minho começa a ser fronteira, sempre lhe conferiu uma posição estratégica na defesa do território nacional. Depois da Batalha de Aljubarrota, D. João l ordenou uma investida no Alto Minho a fim de recuperar os pontos estratégicos. Um a um, eles foram reconquistados, mas faltava Melgaço. Aqui, mais uma vez, é das mulheres que reza a história. Também em Melgaço, foram elas as protagonistas de um episódio que colocou frente-a-frente portugueses e espanhóis. A vila estava cercada pela tropa inimiga. Foi então que se deu um combate inédito entre duas mulheres: Inês Negra, fiel combatente portuguesa e Arrenegada, assim apelidada por ter passado para o lado do inimigo. Enfrentaram-se como podiam. Primeiro com armas, depois a punho, dentes, unhas e pés. Inês Negra ganhou a parada e Arrenegada não teve outra alternativa senão a fuga. A vitória daquela “mulher de armas” acabou por dar novo alento aos portugueses e no dia seguinte, Melgaço foi libertada após cinquenta e dois dias de cerco. A vila foi crescendo junto à muralha que circunda a torre do Castelo. Além desta muralha, porém, já existiam mais duas, mandadas construir em tempos diferentes para reforçar a vila dos ataques a que esteve sujeita ao longo dos tempos, primeiro com a Guerra da Restauração, depois com as Invasões Francesas. Hoje, é possível subir aos largos adarves e caminhar por cima deles sem o perigo de ser cercado pelo inimigo. Como dizia alguém da vila “agora não há Espanha nem Portugal, é tudo dos outros”. Ao centro, além da Torre de Menagem, situa-se aquilo que se pensa ter sido um depósito de água. Dizem as vozes populares que para ali se “enfiam as almas”. Logo pegada à muralha, situam-se as casas mais antigas da vila, que se vão sucedendo por ruas estreitas. Pena que não estejam preservadas de acordo como local em que estão inseridas. Se houvesse um estética harmoniosa, o centro histórico de Melgaço teria a ganhar. Mesmo assim, não é fácil passar sem contemplar verdadeiramente obras em granito como a Segunda Igreja da Misericórdia de Portugal e a Igreja Matriz. Situam-se no confluência das ruas estreitas e convivem lado alado com as janelas das casas da vila “histórica”. Noutros tempos a vila concentrava-se numa apertada e robusta cerca murada de que restam alguns panos e cubelos.
D. Pedro l, o “Justiceiro”, converteu Melgaço em ponto obrigatório de passagem para a fronteira de Orense. No decorrer da guerra acesa entre Portugal e Castela, a seguir a Aljubarrota, D. João l teve de recorrer a um demorado cerco da vila, durante 52 dias, para a reaver. Foi ainda D. João l que a tornou em lugar de asilo (homísio) com privilégios idênticos aos de Chaves. Durante a Guerra da Restauração, múltiplas escaramuças se travaram neste território fronteiriço do Alto Minho. Tanto o Castelo de Melgaço como o de Castro Laboreiro se viam algumas vezes assediados por forças vindas da Galiza.
Em 11 de Junho de 1808, Melgaço tomou a iniciativa da rebelião contra a ocupação de Junot, expulsando algumas tropas que aí estacionavam. Transpondo a muralha pela Porta do Poente, e prosseguindo até à Praça, teremos a velha Igreja Matriz, templo românico, talvez do século Xlll. No portal norte o tímpano ostenta um lobo rampante; no portal principal, a oeste, as arquivoltas têm decoração de enxadrezado e meias-esferas e capitéis de volutas e caulículos.
Locais de interesse nas cercanias de Melgaço:

A um quilómetro da vila, fica a Igreja Nossa Senhora da Orada, que é um templo coevo da fundação da nacionalidade portuguesa (1245). O portal, enquadrado pelos contrafortes da fachadae por uma cornija sobre modilhões, formando uma espécie de moldura rectangular, como a de um alfiz, tem as arquivoltas decoradas de fora de fora para dentro (bilhetado, conchas, pinhas, folhas de figueira, parras, leões afrentados, um escorpião, motivos florais ou semelhantes, diferentes em cada uma das quinze aduelas, toros e meias-canas, besantes mamilonados. Os capitéis são de acantos, caulículos e volutas. O interior é de uma só nave, com cobertura de madeira. O arco triunfal e a fresta da capela-mor, quadrada (4,5 metros de lado), são de arco apontado. Na empena, triangular, abre-se uma fresta de arco redondo, com dentículos e temas geométricos lavrados. No portal norte, mais simples, cujas ombreiras são formadas pela própria parede, o tímpano, apoiado em impostas com quadrúpedes subjacentes, de arco redondo, apresenta um baixo-relevo de um tipo simbólico, de origem persa, muito raro em Portugal. Um quadrúpede, possivelmente um grifo, e uma harpia afrentados ladeiam a árvore da vida, em cujas folhas estão pousadas duas pequenas aves. A composição é emoldurada por uma faixa semicircular com folhagens serpenteante; em cada aduela do arco superior desenha-se um labirinto, evocando talvez a eternidade da vida. Nos modilhões admiram-se curiosas figuras humanas; clérigos lendo, um homem com um barril, um tocador de arrabil (viola de arco), além de animais (raposa, aves e outros). Entre estes modilhões existem silhares esculpidos: círculos, suástica, signo-saimão, labirintos, um leão. Após a visita a esta Igreja pode-se prosseguir até São Gregório, posto fronteiriço, no extremo norte de Portugal. O rio Minho, para montante, é exclusivamente espanhol.
A cinco quilómetros de Melgaço, fica Paderne. A fundação da Igreja de Paderne, de estilo românico, data do século Xll. A sua fundação é atribuída a D. Paterna, viuva do conde Hermenegildo, senhor de Tui (século Xl), como convento de freiras.
A cerca de trinta quilómetos, fica Castro Loboreiro, aldeia serrana e antiga, de etnografia própria e costumes primitivos. Foi cabeça dum concelho medievo. E para além da rude povoação, eleva-se o perfil dum velho e destruído roqueiro, velha fortaleza abandonada a 1.033 metros e dominando o vale do rio Laboreiro (com muitas trutas). Castro Laboreiro possui uma história muito antiga; parte das casas, ainda há poucos anos, eram cobertas de colmo; pervalecem ainda alguns espigueiros, e os habitantes têm um trajo próprio e característico.
A vinte sete quilómetros, fica o Santuário da Senhora da Peneda. Este Santuário está encravado numa estreita garganta e encostado a um formidável fraguedo. A serrania tumultosa e severa barra o olhar do visitante par todos os lados, salvo para o sul, para os lados do Miradouro, num dos mais belos pontos da visão panorâmica desta sertaneja zona montanhosa do Alto-Minho. No regresso, só a passagem pelas aldeias de Tibo ou de Gavieira, vale bem o passeio.
As Termas do Peso, é uma estância de águas no meio do seu frondoso parque e as suas consagradas nascentes de águas medicinais. É tida como a mais rica de virtudes terapêuticas dentre as águas bicarbonatas cálcicas portuguesas. São indicadas para o tratamento de diabetes, uma fonte, a outra, para enfermidades do estômago.

 

Melgaço
http://www.freguesiasdeportugal.com
    A freguesia actualmente conhecida pelo nome de Vila é a de Santa Maria da Porta na antiga e histórica Vila de Melgaço, freguesia que se estende por uma área de aproximadamente 176 ha. Confronta com o rio Minho (que a aparta de Espanha), a norte, Chaviães, a nascente, Roussas e S. Paio, a sul, e Prado, a poente.
    Há largas referências a esta paróquia já no séc. XII, a partir de 1173. Em 1258, escrevia-se que Santa Maria da Porta era “tres quartas regis”.
    Hoje diz-se freguesia da Vila, naturalmente da Vila de Melgaço.
    Aqui se construiu a primeira fortaleza acastelada, provavelmente nos tempos da reconquista de D. Afonso Henriques.
    Sim, alguns  historiadores consideram-na fundada por D. Afonso Henriques, que lhe concedeu foral em 21 de Julho de 1181, doando-lhe a aldeia de Chaviães e iniciando­-lhe as muralhas. Outros, porém, dão-na como já existente no tempo dos Árabes, com o nome de Minho.
    Teve forais de confirmação passados por D. Afonso II (1219), D. Afonso III (1261) e D. Manuel (1513).

 
   A Vila, nos tempos que correm, apresenta um harmonioso e moderno tecido urbanístico; está servida de tudo, principalmente de bancos o que atesta a imensa riqueza acumulada em contas poupança pelos emigrantes.
Para além dos serviços públicos oficiais e de apoio administrativo e judicial a todo o concelho, a população dispõe de quartel da P.S.P., G.N.R. e Corporação de Bombeiros.
    Na área comercial aparecem estabelecimentos relativamente modernos e com uma vasta gama de produtos; registe-se ainda o funcionamento de uma feira semanal de enorme importância para toda a região.
    Os equipamentos de saúde e segurança social, têm melhorado nos últimos anos. Na segurança social, existem várias infra-estruturas, jardins de infância, centro de emprego, etc. Na área do ensino, estão garantidos todos os níveis até à universidade.
    Os transportes e acessibilidades que durante séculos foram o maior problema, estão hoje extraordinariamente facilitados com as novas vias até Monção, a ligação à fronteira de S. Gregório e principalmente pela nova Ponte do Arbo que comunica com o centro da Galiza.
    A nível cultural e de lazer, são inúmeras e constantes as iniciativas programadas pela dinâmica Casa da Cultura e pelas diversas Associações locais. Existe uma biblioteca pública, um Museu instalado na Torre de Menagem, um Centro Cultural, Auditórios e Salas de Espectáculos, que no seu conjunto permitem uma programação completa e regular.
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias-Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo.

 

 

 

 

 

 

Monção – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)

 

 

 


Origem do nome:
“Alguns pretendem que 2104 anos antes da vinda de Jesus Cristo, já existia a povoação, habitada pelos assírios, os quais tiveram de abandoná-la, fugindo para a parte ocidental da Europa, acossados da inaudita crueldade do feroz Nemrod, rei dos babilónios. Opinam outros que no ano do mundo 1632, aportou a esta localidade um filho de Semele, por nome Baco, à frente dum exército de gregos, achando já a povoação em completa ruína, Baco deu-lhe o nome de Orosin  que quer dizer Monte Santo ; 404 anos antes de Jesus Cristo, os celtas estiveram de posse da povoação, dando-lhe o nome de Obobriga.. (...) Quando as águias romanas foram obrigadas a abandonar esta parte da Península Hispânica, a povoação caiu em poder de Hermenerico, rei dos suevos. Isto deu-se pelo ano de 410.
Dizem alguns escritores que foi este rei quem restituiu à cidade o seu antigo nome – Mons Santus. É, porém, mais curial que o deva aos romanos, os quais teriam vertido Orosion  em língua latina.
Pelo decorrer do tempo este nome foi-se alterando até ficar como o encontramos na infância da nossa história – Monsão. A grafia oficial actual é MONÇÃO”.
(Domingo Ilustrado . 1898).
“Por culpa de alguns autores, aparece por vezes este nome próprio erradamente grafado. Assim, por exemplo, na Gramática da Língua Pátria, de Pires de Castro (edição de 1937, pág. 38), defende-se deste modo a escrita de Monsão com “s” : «Nós fazemos a derivação de Mons Sanctus e julgamos ter o apoio da História. Monsão foi edificada pelos godos, que lhe deram o nome de Mons Sanctus. Cf. Portugal e Possessões, palavra Monsão». Com isto se deu o autor por satisfeito, julgando ter provado a exactidão da forma gráfica defendida.
Anos antes, João da Aldeia (pseudónimo dum então professor da Escola do Magistério Primário do Porto) havia escrito o seguinte no diário O Comércio do Porto , em 3-11-1929: «A origem do nome dessa vila minhota não é coisa segura. Contudo, há boas autoridades que dizem que os bárbaros do Norte, quando invadiram a terra, ou pouco depois, lhe chamaram Mons Santus . Parece ser esta a etimologia de Monsão. E assim justifica o “s” na grafia da palavra»-
Ora tudo isto deve ter sido bebido na obra de J. M. Madureira Feijó, Ortografia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a Língua Portuguesa,, página 365, onde se diz que «é nome derivado ou abreviado de Monsanto e no latim Mons Sanctus, devendo por isso Monsão escrever-se com “s”. Este livro foi publicado em 1815 e, neste espaço de tempo as ciências filológicas progrediram e desenvolveram-se consideravelmente. A glotologia fornece-nos hoje meios de sabermos se é ou não admissível qualquer étimo que se apresente, e é em virtude desses meios, que são verdadeiras leis glóticas, que se pode afirmar que Mons Santus não se adapta ao nome actual da conhecida vila minhota, mas ao duma vila da Beira, Monsanto, que não é mais que a forma abreviada de Monte Santo, como, por exemplo, Mombeja, Monforte e até o arcaico Monreal, são formas abreviadas respectivamente de Monte Beja, Monte Forte e Monte Real. Razão tem, pois, o cuidadoso Prontuário de Ortografia, de António Costa Leão, em dizer que é errónea a grafia de Monsão com “s” em vez de “c”. Igualmente tem razão Cândido de Figueiredo, quando, pelo menos em três dos seus numerosos volumes de estudo da língua (Falar e Escrever, Vol l; O que se não deve dizer, Vol. Ll, e Vade-mecum), também condenou o uso do “s” no mesmo vocábulo. O Dr. José Leite de Vasconcelos – o mais autorizado dos nossos modernos filólogos – nos seus Textos Arcaicos (3ª edição), página 206), da forma ensina que se deve escrever Monção e que a escrita com “s” é errónea. Na verdade, são estes três autores quem defende a boa doutrina, recomendada também pelo moderníssimo Vocabulário da Academia, como se vê claramente pelo vocábulo Montianus, existente no latim bárbaro e que deu no português arcaico Monzon e Monçom, formas que nunca poderiam evolucionar normalmente para Monsão, mas sim para Monção, que é, portanto, a única rigorosa e exacta grafia”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Monção, vila fronteiriça e antiga praça de guerra, de heróicas tradições, situa-se na margem direita do rio Minho, quase em frente da povoação galega de Salvaterra.
A primeira povoação parece ter surgido no local hoje ocupado pela aldeia de Cortes (ou Monção Velha), defronte da confluência do rio Tea, tributário galego do rio Minho. Depois deve-se ter deslocado para Badim. Até que a vila, extinta por D. Afonso lll, foi restabelecida mais a montante, pelo mesmo monarca, no ano de 1261, mas outros moradores. O foral que lhe foi concedido era datado do Couto de Mazedo. D. Dinis envolvido em prolongada guerra com Castela, promoveu, em 1306, o levantamento de um robusto castelo, com torre de menagem e uma cerca amuralhada à roda do casario. Durante as guerras fernandinas (D. Fernando l) a vila sofreu com rigoroso ânimo alguns ataques dos sequazes de Henrique de Trastâmara. Foi num desses transes que se teria dado o lendário episódio do levantamento de um cerco por obra e efeito psicológico do conhecido estratagema de Deu-la-Deu Martins, mulher do alcaide Vasco de Abreu. Os sitiados lutavam já com extremas privações quando essa mulher teria tido, de repente, a peregrina ideia de juntar os últimos punhados de farinha e com eles cozer pães que enviou de presente aos sitiantes, acompanhados, de algumas palavras de feminina e irónica gentileza (... se precisarem de mais que dissessem...). Desse modo os persuadiu que as reservas de mantimentos dos que estavam dentro dos muros e do castelo estavam longe ainda do fim. Durante a Guerra da Restauração dar-se-ia novo episódio, não menos nobilitante, para outra grande figura de mulher portuguesa, D. Mariana de Lencastre, condessa de Castelo Melhor. Essa dama, com grande audácia, parece ter evitado a derrota das forças portuguesas, sob o comando do marido, nas cercanias de Salvaterra. A defensiva de Monção era já outra. A cerca medieva e o velho castelo do tempo de D. Dinis haviam cedido lugar a um poderoso e amplo polígono, de baluartes, cortinas e revelins. A praça, possuía então cinco portas: a do Sol, a do Rosal, a de Salvaterra e a de São Bento. A segurança da praça (e o ânimo dos que a defenderam) comprovou-se no apertado cerco que a mesma suportou desde 7 de Outubro de 1658 a 7 de Fevereiro de 1659. Nos últimos dias combatia-se de dia e de noite. Os sitiantes, impressionados, acabaram por aceitar a proposta feita pelo governador da praça, Lourenço Pereira: a praça render-se-ia mas com honras militares prestados aos vencidos. Dos dois mil homens portugueses restavam 236. Foram esses combatentes, armados, que saíram da praça, a 7 de Fevereiro de 1659, com as armas aos ombros e as bandeiras desfraldadas, esquálidos e impassíveis, perante a incredulidade das forças espanholas, que lhes rendiam homenagem.
O Castelo medieval foi sacrificado, no empreendimento de fortificação da vila durante a Guerra da Restauração, iniciado em 1656 pelo engenheiro francês Miguel de Lescote e continuado no século XVlll, alargando-se o recinto original e construindo-se dois baluartes, alguns redentes sobre o rio Minho e o forte de Santo António. A praça resistiu durante quatro meses ao exército galego do Marquês de Viana, mas, apesar da resistência da sua população, chefiada por Lourenço de Amorim, em que as mulheres desempenharam um papel fundamental, teve que se render em 7 de Fevereiro de 1659. Como todo o esforço militar português se concentrava em Elvas, também cercada pelos espanhóis, não foi possível socorrer a vila. Daquilo que foi uma extensa muralha com baluartes, resta apenas uma parte, virada a norte. Sabe-se, no entanto, que esta não foi a primeira fortaleza existentes em Monção, pois descobriu-se através de desenhos efectuados por D. Fernando l que já antes desta teria existido uma muralha e uma torre de menagem, mandadas construir por D. Dinis. Sabe-se também que existia uma torre de defesa junto ao rio e uma passagem subterrânea, que era utilizada no abastecimento de água. Mais tarde, com a Guerra da Restauração, a posição estratégica de Monção, junto do rio Minho, determinou que se construísse uma ampla fortaleza de frente ao território inimigo. Ligada à sua história, ficou para sempre o nome de uma mulher corajosa que as gentes do concelho invocam sempre que se fala de mantimentos e a situação complica-se. Achando só um estratagema os pode salvar, Deu-la-Deu pega nos últimos pães, chega-se ao pé da muralha e atira-os aos inimigos, dizendo que se precisassem de mais, era só pedir. Julgando a praça farta, os castelhanos levantaram cerco e partiram. A imagem de uma mulher com dois pães na mão a emergir da muralha com a legenda “Deus a deu – Deus a há dado”, acabou por ficar retratada no brasão da vila. Para o ver, basta chegar à fonte que está na praça principal da vila. Ao centro tem a estátua de Danaide, uma grega ligada soa lagos, e logo por baixo surge o brasão com Deu-la-Deu Martins. Do miradouro dos Neris é possível observar os baluartes que ainda restam da fortaleza, o jardim do Parque das Termas onde deu o encontro histórico entre D. João l com o Duque de Lencastre, seu aliado e futuro sogro. Este encontro deu-se a 1 de Novembro de 1368, ou seja, no ano seguinte à gloriosa batalha de Aljubarrota. Um lápida num dos muros, relembra essa entrevista tão importante no destino de Portugal, e da nova dinastia que então iria Ter o seu começo no casamento do rei português com a filha do Duque, D. Filipa de Lencastre, a mãe e educadora da “Inclita Geração, os altos Infantes”. Para o lado de Melgaço ainda é possível desfrutar da serenidade de verdes prados, de uma estrada ladeada de árvores que apetece seguir e de parte do antigo Convento dos Capuchos. Para o lado de Valença, pode-se ver de mais perto a porta de Salvaterra – a única que resta de um conjunto de cinco (Sol, Fonte, Rosal, Salvaterra e São Bento). Durante o reinado de D. João V, a fortaleza foi alvo de alguns melhoramentos, em que foram utilizadas as pedras da muralha de Lapela, situada a 5 Km de Monção, mesmo à beira do Rio Minho. Do Castelo de Lapeda, resta apenas uma torre onde poderia estar presa uma qualquer bela princesa dos contos de fada. De fronte passa o rio Minho e à sua volta foram-se construindo pequenas casas rurais, onde se cruzam as galinhas, os cães e as pessoas que vão à horta buscar uma hortaliça para a “janta”.
O rio Minho e as relações com a Galiza (província Espanhola) moldam a paisagem, a história e o modo de ser das populações ribeirinhas, cuja própria maneira de “dizer” as palavras, na sua expressão mais pura, as aproximam mais do galego do português. Pois não é verdade que o contrabando e as técnicas de pesca, o maravilhoso e o fantástico e o fervor religioso, o apego à terra e a saudade (ou a morriña galega), que a emigração torna mais sofrida, são iguais entre as populações raianas? Na verdade, para conhecer o Alto Minho e os seus habitantes, o rosto marcado dos que labutam na terra de sol a sol ou dos que arrostam as longas e húmidas noites do oceano Atlântico, que lhes dá o peixe que é pão, é preciso vir e ficar. Para conhecer a história ou as lendas do Minho é preciso cá permanecer, contactar com as pessoas, conversar no adro da igreja ou à lareira, enquanto se bebe um copo de vinho e se come uma malga de sopa e um naco de broa, fazer vindimas e desfolhadas, percorrer os campos e os caminhos, subir aos montes, procurar os tesouros escondidos nos castros e escutar os apelos das “mouras encantadas”.

Algumas terras limítrofes: Abedim, Castro Laboreiro, Friestas, Gandra e Longos Vales.
ABEDIM: Lugar mágico, recheado de lendas e superstições, a Penha da Rainha, ou o Castelo de São Martinho, é um esporão rochoso que prolonga a serra da Boulhosa até ao vale do Minho, onde se desfaz abruptamente entre loureiros e vidoeiros. Uma lenda local refere uma princesa cristã casada com um rei mouro que se refugiou neste monte, acompanhada por sete bispos. Aquele cercou-a, tentando vencê-la pela fome, mas acabou por se converter quando a bela princesa lhe enviou duas belas trutas que uma águia lhe tinha trazido ...
CASTRO LABOREIRO: Antigo concelho medievo, Castro Laboreiro é um povoado situado a cerca de 950 metros de altitude, verdadeira estância climática e aldeamento serrano de feição muito peculiar, com tradições e costumes curiosos, dominado pelas ruínas de uma velha fortaleza implantada na rocha viva a 1033 metros. A origem do povoado teria sido um castro romanizado de onde lhe veio o nome.
Toda esta zona evoca um passado muito longínquo, materializado, por exemplo, no planalto que faz fronteira com a Espanha, onde se localiza o maior conjunto conhecido em Portugal de monumentos megalíticos.
FRIESTAS: Em Friestas, já a caminho de Monção, merece uma visita à Casa do Castro, construção do século Xll. Na Romaria de Santo Ovídio, que se realiza nesta povoação no 1º dia de Agosto, as promessas dos devotos, muito deles galegos, cumprem-se ainda hoje com sal e telhas roubadas.
GANDA: Na povoação de Gandra encontra-se o caminho para o monte do Faro, junto ao qual se ergue o Castelo de Fraião. Do alto, é vasta a paisagem sobre um largo percurso da Ribeira Minho até ao mar. Uma tradição a que se liga o povo, vítima da praga dos ratos que invadem as casas e dão cabo do milho, afirma que todo aquele que não guardar o dia de São Pedro Rates, a 26 de Abril, que se venera na capela do monte de Faro, verá a sua casa e valores invadidos por roedores.
LONGOS VALES: No povoação e freguesia de Longos Vales, dominando um longo vale fertilíssimo, de cores pujantes (o verde, sempre o verde !), ladeado pelas fortes paredes do antigo mas muito adulterado mosteiro que pertenceu aos Cónegos de Santo Agostinho e por um conjunto de espigueiros (aqui chamados de espigueiros), surge-nos a Igreja de São João de Longos Vales, românica, talvez mandada construir pelo nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques. Frondosos castanheiros completam este conjunto, que nos transmite uma imperecível sensação de paz e tranquilidade.

 

Monção
http://www.cm-moncao.pt
Mais tarde em 1374 a.c., Bacho filho de Semole, seguramente um grego muito importante na época, chegou à Península Ibérica com um exército e encontrando uma vila completamente destruída , reconstruiu-a e deu-lhe o nome de "Orosion" palavra grega que quer dizer Monte Santo.
Em 404 a.c. os Celtas conquistaram Monção e deram-lhe o nome de "Obobriga". Em 40 d.c. Monção era já uma importante vila romana, chamada "Mamia". Quando os romanos foram expulsos desta parte da Península Ibérica, Hermenerico rei dos Suevos, ocupou a vila em 410 d.c. restituindo-lhe o nome original de "Orosion", mas em Latim, ficando a chamar-se "Mons Sanctus". Mas esta hipótese levanta algumas dúvidas porque alguns historiadores afirmam que foram os Romanos que estabeleceram o nome de "Mons Sanctus" a Monção, aonde possivelmente teriam edificado um Monumento.
Tudo sugere que no dealbar da Nacionalidade, Monção fosse uma terra reguenga sem grande importância. Nesse tempo, a cabeça administrativa e guerreira de área estava ou no Castelo da Penha da Raínha em Abedim, ou no de Fraião, em Boivão (Valença). Monção afirma-se depois, quando, a partir de D.Sancho I, a linha de fronteira pelo Minho ganha relevo estratégico. Devia por essa altura, estar já fortificada, embora elementarmente.
Monção inicialmente situava-se em Cortes, mais tarde os seus habitantes deslocaram-se para Badim. D.Afonso III extinguiu a vila de Badim e da Penha da Rainha, para fundar a vila de Monção no local actual, que até então se chamava Couto de Mazedo. Nas Inquirições de 1258 recebeu o nome de "vila". O texto do foral dado em 1261, onde se sitam os "miles de Monçom" que têm regalias semelhantes aos de Valença, quer significar que se tratava de uma póvoa já fortificada.
D. Dinis, envolvido em guerra prolongada com Castela, em 1306 promoveu a reforma total das muralhas e o levantamento de um castelo robusto com uma torre de menagem.
Desde épocas recuadas, estas terras foram palco de emocionantes episódios de cavalaria e heroísmo, que entrelaçaram o nome de Monção ao melhor da história de Portugal. Primeiro na Idade Média e depois na Guerra da Independência, foi vítima constante de quase todas as lutas em que Portugal se envolveu.

Curiosamente estas lutas têm como protagonistas as mulheres, as chamadas "Heroínas de Monção" dando o exemplo aos homens, ajudando-os, encorajando-os ou lutando a seu lado ou por eles. É o caso de Deu-La-Deu Martins, D. Mariana de Lencastre condessa de Castelo Melhor e o de Helena Peres.
O papel desempenhado por Deu-La-Deu Martins fixou-a na memória do povo de Monção, tornando-se a "Heroína" mais representativa, materializada no brasão de armas do concelho.
O brasão de armas do concelho representa em campo branco uma torre, de cujo alto sai um vulto de mulher em meio corpo, tendo um pão em cada mão e em volta pode ler-se "Deus o Deu - Deus o Há Dado".
Em termos religiosos, a abadia de Monção pertencia ao bispado de Tuy. Só em 1308 é que D. Fernandes Sotto Maior, Prelado de Tuy a cedeu a D. Dinis, que a entregou à guarda dos Templários. Em 1319 passou a ser comenda de Cristo e mais tarde foi doada a D. Vasco Marinho, Protonotário Apostólico.
Nesta vila existiram quatro conventos:
O Convento das freiras Beneditinas extinto no reinado de D. Afonso V.
O Convento das freiras Franciscanas, vendido em 1835.
O Convento das religiosas da Senhora da Conceição fundado em 1748.
O Convento dos padres da Congregação de S. Filipe Nery.

 

 

 

Paredes de Coura – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)
 
 

 
O concelho de Paredes de Coura é uma encruzilhada de caminhos que vão dar a Monção pela Portela do Extremo, a Valença por São Bento, a Caminha pelo vale do rio Coura, a Ponte de Lima pela Travanca ou pelas Pedras Finais, e também a Arcos de Valdevez pelo Bico. É uma caixa de surpresas o caminho para Paredes de Coura, vila pequena mas airosa, com o casario disposto como num presépio, a acompanhar a colina que desce até aos Penízios, em Mantelães. O rio Coura é truteiro por excelência, e o vale por onde corre, um deslumbramento. A vila é muito antiga, rodeada de sossegadas aldeias e airosos santuários, Formariz, Bolhosa, Cristelo, Mozelos, Insalde, São Bento, São Caetano, Rubiães e Água Longa. Tirando a Casa Grande, tudo na povoação é discreto, familiar, quase simplório.
Na época do domínio imperial romano da Península Ibérica parece ter existido uma cidade de nome Cauca, que se situaria na via militar de Brácara a Tui. E há quem queira identificar Coura com essa antiga Cauca, berço do imperador Teodósio. Que a região foi habitada em eras remotas comprova-se pelos múltiplos vestígios da civilização dolménica ou castreja existentes em diversos lugares do concelho. Os marcos miliários que nela se encontram mostram, por sua vez, que os romanos tiveram neste complexo interflúvio montanhês uma importante via de circulação relacionada com o nó de estradas do conventus bracarense. Temos de considerar que sobre o ponto de vista documental, nada se conhece sobre a data da fundação de Paredes de Coura. Sabe-se, porém, da presença de povos anteriores aos Primórdios da Nacionalidade, subsistindo ainda hoje vestígios das civilizações celta, romana e sueva. O primeiro foral à povoação foi dado em 1257 por D. Afonso lll e confirmado com nova carta foraleira por D. Manuel l, em 1515. A região, mormente o cabeço de Labrujo, foi teatro de importantes operações militares durante a Guerra da Restauração. Ficou na história o combate de Travanca, em que se cobriu de glória o Conde do Prado, no dia 10 de Agosto de 1662. Depois das invasões francesas (napoleónicas), estabeleceu-se nesta terra e nela fez importante casa o Marechal de Campo, Champalimaud, que durante essa guerra defendeu a praça de Valença. Em 1941, foi dada residência fixa em Paredes de Coura, ao destituído Presidente da República, Dr. Bernardino Machado dos Santos. Também o escritor Aquilino Ribeiro, aqui teve residência de Verão, na casa de Romarigães, de que nos fala no seu livro “A Casa Grande de Romarigães”. Se é certo que Paredes de Coura não é pródiga em valores de arte monumental, outro tanto não poderá dizer-se do revelante conjunto de valores arqueológicos que possui. Quase se pode afirmar que todas as freguesias do concelho, de fundação antiquíssima e povoamento muito remoto, mostram vestígios claros e importantes de civilizações pré-históricas. Na Igreja do Espírito Santo, que foi sede de uma antiquíssima confraria, o templo, totalmente restaurado e reedificado no século XVlll, conserva no seu interior talhas douradas e algumas pinturas. Também pode ver-se os túmulos dos Pereiras da Cunha. O Pelourinho data do século XVll, tendo sido restaurado nos anos 80. É formado por uma coluna cilíndrica lisa, com capitel moldado. Remata o balaústre uma esfera com as armas reais.
Origem do nome:
“Coura é uma forma divergente de Caires, pois ambos vieram do latim quadra. Quadra deu Coura como quadrella deu courela. (Dr. Xavier Fernandes – 1944). “As condições orográficas de Paredes de Coura permitiram comparar aquele concelho a algumas regiões helvéticas. Daí a designação que já lhe deram de Suíça Portuguesa, Não só por isto, evidentemente, mas também pela natureza do seu clima – um dos melhores e mais agradáveis do país” (Dr. Leoníldo de Abreu – 1956).
Excursões e Passeios:
O Planalto de Bolhosa fica na zona dolménica, de latente interesse arqueológico. A este planalto se pode dizer que é uma verdadeira varanda panorâmica do Alto Minho. A Portela do Extremo, pode ser considerado o melhor passeio de altitude, atravessando-se duas vezes o rio Coura.. A mítica Serra de Arga com os seus percursos energéticos é um passeio sempre tentador para quem aprecie a altitude e belas panorâmicas. Monte de São Silvestre, a 734 metros acima do nível do mar. Corno do Bico, considerado a Sibéria desta região, pois é nele que pousam nevões com mais frequência: Com uma bela paisagem para o interior do concelho de Paredes de Coura. Alto de Travanca, a 702 metro de altitude. Na encosta norte, na freguesia de Cunha, está a modesta e histórica capela de Cerdeira, junto da qual se travou, em 9 e 10 de Agosto de 1662, um duro combate entre as forças do general português D. Francisco de Sousa, Conde de Prado, e as do general espanhol Roxas. O horizonte do alto de Travanca é amplo, dominando os montes internos do concelho.  O percurso para Ponte de Lima atravessa uma das mais encantadoras paisagens do Alto Minho. Pelo percurso abrange-se toda a cumeada da Serra de Arca, a Serra do Exterior, a Serra da Cabreira, os montes distantes do Neiva e de Barcelos. Na descida transpõe-se duas pontes, acabando por surgir ao longe, Ponte de Lima. O percurso para Vila Nova de Cerveira, passando próximo do Santuário de São bento, em cujo percurso se abrem belas perspectivas panorâmicas sobre o amplo vale do rio Minho. Antes de Cerveira, ficam as ruínas do velho Castelo de Lobelle.
LOCALIDADES LIMÍTROFES:
SOAJO: Na encosta da serra brava, do lado nascente, por onde, ao fundo, corre o rio Lima, fronteira do Linhoso, fica a povoação milenária do Soajo, cuja fundação teria ocorrido no século 1º. O povo teve certos privilégios deste o alvorecer da Nacionalidade, nunca reconheceu outro senhor senão o legítimo rei de Portugal, à semelhança do que sucedeu com o de Monção. Isto é, aliás, um facto histórico incontroverso. D. Manuel l deu-lhe foral novo em 1514. Por carta foraleira, o Soajo desfrutava de grande número de direitos e só tinha obrigação de contribuir com mancebos para a guerra quando o rei a fizesse em defesa do seu próprio concelho, que veio a ser extinto em 1852. Vivendo em perfeito espírito comunitário, o Soajo teve, até há cerca de um século, um juiz eleito pelo povo. Na praça principal do Soajo merece atenção o pelourinho, monumento nacional de interesse não propriamente artístico, mas histórico e etnográfico. É do século XVll e é formado por uma coluna rematada por capitel figurando o Sol, a que se sobrepõe uma laje de forma triangular.
CABREIRO: O topónimo deve possivelmente advir-lhe de ter sido local habitado por cabras selvagens em épocas muito anteriores a Nacionalidade. Na povoação existe uma ponte sobre o ribeiro de Cabreiro e constitui um puro testemunho medieval. É constituída por dois arcos desiguais, um ogival e outro de volta inteira. Ostenta uma inscrição em caracteres góticos alusiva ao fundador, um abade de Cabreiro que viveu no século XV.
CUNHA: Na antiquíssima povoação e freguesia de Cunha mantém-se a tradição do plantio do milho alvo ou milho miúdo e são especialidade doceira as famosas papinhas de Coura, muito conhecidas e apreciadas. Coura beneficiou do foral concedido por D. Manuel l, em 1515. Entre os lugares de cerdeira e Amieira, e em Chã da Matança foi erguida a Capela de São Lourenço de Cerdeira, edificado em 1670, para comemorar a vitória da Batalha de Travanca em Agosto de 1662.
MANTELÃES: Em frente da ponte sobre o rio Coura, em Mantelães, vê-se uma casa do tipo palacete, construída em finais do século passado, onde nasceu o ilustre homem público que foi Miguel Dantas, conselheiro e par do reino, que foi sogro de Bernardino Machado, Presidente da República entre 1915/1917 e de 1925/1926. Um filha do Dr. Bernanrdino Machado casou com o grande escritor Aquilino Ribeiro, que desse modo se tornou proprietário da Casa Grande de Romarigães. Aquilino Ribeiro celebrizou a Casa do Amparo, da qual apenas restam o portal com pedra armoriada e bela capela.
MOZELOS: Podem ver-se nesta freguesia alguns solares rústicos, como as Casas de Favais, Pantanhas, Paço de Afe e de Figueiredo. Junto da Capela da Senhora da Penha existe um miradouro que é o mais importante de todos os existentes no concelho.
VILA FONCHE: A Romaria da Senhora do Castelo, no Domingo de Ascensão, é uma peregrinação que percorre 6 Km até chegar a esta freguesia e ao monte do Castelo, onde se realiza a festa religiosa. As ruas de Vila Fonche por onde passa a procissão encontram-se então atapetadas de flores, constituindo desenhos de pura arte e inspiração populares.
 
Paredes de Coura
http://www.cm-paredes-coura.pt/concelho
Na época do domínio Imperial romano da Península presume-se que terá existido uma cidade de nome Cauca, esta localizada na via militar de Braccara a Tuy (Narciso Alves da Cunha defende que o topónimo Coura deriva da palavra celta Cora, lugar recatado e seguro). Alguns antiquários sugerem a hipótese de Paredes de Coura ocupar o lugar dessa cidade luso-romana, na qual teria nascido o imperador Teodósio. 
 No entanto, tudo isto não passa de meras suposições, o mais que se pode dizer, a respeito da antiguidade de Paredes de Coura, é que o território do actaual concelho, fez parte duma vasta circunscrição medieval designada por "Terras de Coyra", e posteriormente, apenas Coura, conforme o foral manuelino de 13 de Abril de 1515. 
A região foi habitada em eras remotas o que se comprova pelos múltiplos vestígios da civilização dolménica ou castreja existentes em diversos lugares do concelho. Os marcos miliários que nela se encontram mostram, por sua vez, que os Romanos tiveram neste complexo interflúvio montanhês uma importante via militar do conventus bracarense.       
 As mais recentes lembranças:        
 Depois das invasões napoleónicas, estabeleceu-se nesta terra e nela construiu uma importante casa, o Marechal de Campo Champalimaud, que durante essa guerra defendeu a praça de Valença.  
 Foi através da reforma administrativa de 1834, que pôs fim ao concelho de Fraião, integrando parte das suas freguesias no de Paredes de Coura. A actual designação de Paredes de Coura, foi adoptada apenas a partir de 15 de Setembro de 1875, data da criação da comarca.  
 Em 1941 teve aí residência fixa o presidente da Republica Dr. Bernardino Machado, vindo do desterro, em França, em consequência da Invasão Alemã desse país. 

 

 



Ponte da Barca – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)
 
 
 

 


Ponte da Barca conserva ainda um pequeno dédalo de ruas bordejadas de casas dos séculos XVll e seguinte. Magnificamente situada sobre o rio Lima, com praias fluviais e múltiplos locais para campismo, tem no Jardim do Poetas um sítio onde alguns dos monumentos principais da vila se harmonizam perfeitamente com o rio, tornando-o um bom local para descanso, sobretudo ao fim da tarde. Ao longo do rio e em direcção a Bravães há ainda muitos moinhos, alguns em funcionamento, que fazem valer a pena a aventura de descer o rio em canoa ou a pé ao longo das margens. Sob a ponte da vila havia uma tradição de baptismo da meia-noite.
ORIGEM DO NOME:
“O Lima, formoso rio minhoto, que desagua no Atlântico em Viana do Castelo, estende as suas águas fertilizantes por essa província ridente onde os campos verdejantes são uma continuação dos pinhais sombrios onde, à mistura, os carvalhos de intensa ramaria encobrem os caminhos, refrescando os viandantes pelo rigor do Verão. Dentre as vilas que o rio Lima banha, conta-se Ponte da Barca, onde o fio de água atinge proporções que o tornam navegável até à sua foz. Nos primórdios da monarquia, Ponte da Barca tinha o nome de Torre da Nóbrega, e ali havia uma barca para a passagem dos que pretendiam atravessar o Lima. Nesse lugar foi construída uma ponte que se supõe ser obra do tempo de D. João lll, solidamente edificada e que os habitantes da vila aproveitaram para os seus passeios, visto dali se gozar de um maravilhoso panorama. Várias vezes essa ponte tem sofrido as inclemências das cheias dos rios, que a têm deteriorado, sendo reparada imediatamente, sem que o trânsito por ela fique interrompido. Medindo cento e oitenta metros de extensão, foi em 1896 alargada e reparada com dez arcos grandes e alguns pequenos intercalados entre os peões. Ponte da Barca é povoação muito antiga, sendo o seu primeiro foral datado de 4 de Março de 1125, concedido por D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei); D. Afonso ll, mais tarde, em 1217 confirmou esse foral, sendo o seu foral novo dado por D. Manuel l à vila de Torre de Nóbrega. Durante muito tempo esteve este sítio desabitado. Isto durou até ao meado do século XlV. Muita gente, porém, transitou por aqui, primeiro pela facilidade que tinha de atravessar o rio por meio de uma barca e, mais tarde, atravessando a ponte ali construída”. (Dr. Rocha Martins – 1936).
“No local onde actualmente se encontra, não existiu, até meados do século XlV, qualquer edificação. É certo que por ali transitavam muitos viandantes, pela comodidade oferecida por uma barca destinada, exclusivamente, à travessia do rio Lima. Mais tarde, esse meio de transporte teria sido substituído pela ponte. Daí, a designação de Ponte da Barca que, depois, a vila tomou. Note-se que, em 1513, ainda este topónimo não era usado, pois no foral que D. Manuel l concedeu a Ponte da Barca, em 24 de Outubro daquele ano, dizia fazê-lo à Vila da Nóbrega. Esta circunstância leva a aceitar a versão de que a ponte é posterior àquele documento. De facto, segundo se afirma, só foi construída no reinado de D. Sebastião, entre 1568 e 1578. Ora, a fazermos fé por o que a tradição nos diz, só aí por volta de 1350 se levantou, no referido local, a primeira construção. Era modesta e destinava-se a estalagem”. (Leonídio de Abreu – 1956).
Ponte da Barca é uma vila recatada e antiga, situada na margem esquerda do rio Lima. O topónimo de Ponte da Barca só aparece no século XV, numa carta de D. Afonso V dirigida aos homens bons desse julgado. Antes era conhecida pelo nome de Terra da Nóbrega (ou Anóbrega), que ficava sobranceira ao vale. Tradicionalmente o lugar de reconhecida nomeada itinerária, por estar no cruzamento da via dos peregrinos de Braga a Santiago de Compostela, e da Ribeira Lima a Orense, pelo Linhoso. Esta última foi a via que a rainha de Castela, D. Urraca, seguiu, com o seu exército, após o cerco de Lanhoso, suspenso pela imprevista retirada de D. Gelmires, bispo de Santiago.
No alto da Nóbrega existia uma atalaia (torre) da “portela” do vade. A passagem do rio Lima fazia-se por uma barca. A ponte, robusta e formosa, que ainda hoje serve, só foi lançada, segundo se julga, nos meados do século XV. De regresso de Santiago, D. Manuel l hospedou-se na vila, na casa da dona mais respeitada e abastada da terra, D. Maria Lopes da Costa (sobrinha do famoso Cardeal de Alpedrinha), já de idade avançada e que contava no fim da vida, aos 110 anos, 120 descendentes, entre filhos, netos e bisnetos, de dois matrimónios. Foi, pode dizer-se, a grande povoadora da terra.  Durante a perturbada época das lutas liberais, a vila foi ocupada, em 1827, por forças miguelistas, foi cercada e tomada a 6 de Fevereiro, pelo regimento de Infantaria 16, comandado pelo heróico coronel Jerónimo de Vasconcelos, veterano da Guerra Peninsular e persistente defensor dos princípios liberais.
A Igreja Matriz, foi reconstruída entre 1717 e 1738, sob o risco do arquitecto militar, Manuel Pinto Vilalobos, também autor da nova Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo., e parente do Marquês de Pombal. A fachada, barroca, é precedida por uma escadaria em lanços. No interior, forrado de azulejos do tipo tapete, admiram-se talhas barrocas, executadas em 1727 por Miguel Coelho. A primitiva construção, muito ofendida por sucessivas aberturas de capelas laterais, promovidas pelas família brasonadas da terra, teve de ser apeada nos princípios do século XVlll. Na fachada nota-se a falta de uma das torres sineiras, destruída por um raio. Existe uma cruz processional de prata que D. Manuel l ofereceu em 1503. A Câmara Municipal é um edifício da era pombalina e deve-se ao certo à superintendência de João de Almada, governador de armas de Entre-Douro-e-Minho, nessa época. Precede a fachada uma escadaria de pedra. O andar térreo é formado por arcos de volta inteira, sobre os quais se ergue o andar nobre, onde se rasgam doze janelas. No centro figura o brasão nacional. Perto encontra-se o Pelourinho, monumento do século XVl, é formado por uma coluna cilíndrica terminada por uma esfera e encimada por uma pirâmide. O mais notável monumento do concelho de Ponte da Barca é a Igreja de Bravães , templo românico, de pórtico original. A sua construção atribui-se a D. Vasco Nunes, rico homem portucalense do tempo de Afonso Vl de Leão e Castela, que nos fins do século Xl aí teria fundado um mosteiro beneditino. Bravães tem recantos extremamente pitorescos nas margens baixas e recortadas do rio Lima. Sobranceiro, fica o monte da Pegadinha, nome cuja origem se desconhece. Nele se realiza uma romaria no dia 9 de Agosto, que outrora era chamada das Cabeças Rachadas.
Em Ponte da Barca ainda se pode encontrar, a Igreja de Santo António, cuja frontaria alpendrada, data do século XVll. Guarda talhas douradas, executadas em 1795, por Frutuoso de Azevedo. A Casa dos Farias, com portal encimado e ameado, com um brasão de armas. É o tipo de casa solarenga do século XVlll, com varandas de ferro forjado.
PASSEIOS E EXCURSÕES:
Nogueira, a 6 Km da vila. Transpõem-se a Ribeira do Vade à vista do torreão pombalino de Paço vedro e dos solares de Agrela e de Quintela, este último de origem romântica, mas coroado por uma torre quinhentista, manuelina. Um pouco mais além situa-se a velha Igreja de São Martinho de Castro, também românica, e outrora integrada num mosteiro do século Xll. Mais acima está o solar de Calvos, com uma torre manuelina.
Castelo de São Priz, a 806 metros de altitude. É um dos mais empolgantes miradouros da Ribeira Lima. O Castelo apenas existe na tradição.
Castelo da Nóbrega, cuja localidade foi cabeça de um vetusto concelho medievo. D. Manuel l transferiu-o para Ponte da Barca. Como relíquia do seu longínquo passado, subsiste uma táctica e arruinada torre, alcandorada num picoto donde se descobre um belo panorama.
Arcos de Valdevez. Num desses campos, conhecido pelo “Campo da Matança”, se teria travado, em 1140, o torneio ou recontro de Valdevez.
Castelo de Lindoso e com ele a própria freguesia de Lindoso, aldeia rude e típica, de velhas casas de perpianho de granito, algumas ainda com tecto de colmo, perto da franteira. O Castelo é afonsino, talvez do século Xlll, embora reconstruído por D. Dinis, que deu à terra o nome de Lindoso, corruptela de lindo. Ao lado do castelo fica o interessante Largo dos Espigueiros, de muito interesse etnográfico.
Leira do santo, nas cercanias de Cidadelhe. O sítio chamado Leira do Santo é uma pequena leira de lavoura encerrada entre rochedos. Num terreno pedregoso que aí existe t~em sido achados alguns vestígios de vida castreja.
Serra Amarela, que não figura nos mapas, com um cume de 1.361 metros, forma a muralha que, entre Lima e Homem, fecha pelo Nascente a fronteira portuguesa com a espanhola, estendendo os seus alcantis e ravinas por grande parte dos concelhos de Ponte da Barca, Terras do Bouro e Vila verde. Nesta serra, têm sido encontrados vestígios de vida pré-romana. É a nascente das cumeadas da serra Amarela e no fundo e flancos duma ravina que cresce a Mata do Cabril.
 
Ponte da Barca
http://www.pontedabarca.com.pt
Em pleno coração do Alto Minho deve o seu topónimo à "barca" que fazia a ligação entre as duas margens do Rio Lima, muitas vezes peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, sendo a "ponte" construída em meados do séc. XV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).
Terra rica, fidalga, de feição arejada, as Terras da Nóbrega viram nascer junto ao bucólico Lima os irmãos Bernardes, Diogo e Agostinho, poetas da paisagem, das fontes e da saudade. Mas Ponte da Barca, é também vila morena, de granito talhada, cheia de construções apalaçadas com capelas e muros fronteiros, ameados e brasonados dos séc. XVI e XVII, os Paços do Concelho, o Pelourinho, o abrigo porticado, a Matriz dedicada a S. João Baptista com risco de Vilalobos. E ao lado de todo este espólio histórico-monumental, em plena harmonia de linhas e cérceas, uma vila nova a cheirar a progresso, uma Ponte da Barca atractiva e moderna.
Ponte da Barca é um concelho de contrastes: em primeiro plano, à esquerda a albufeira do Alto Lindoso (maior da Península), encontrando-se ao lado, o velho castelo roqueiro afonsino reconstruído por D. Dinis, em 1278, com baluartes e torre de menagem; os famosos espigueiros cobertos com lajes de granito; a Ermida, alminhas e cruzeiros.
Depois, a igreja do antigo mosteiro de Bravães, um dos mais significativos monumentos do românico do Alto Minho. É de registar o pórtico principal voltado a ocidente com cinco arquivoltas recheadas de motivos figurativos e geométricos e na porta lateral, o místico cordeiro.
Ponte da Barca turística, com as suas pesqueiras no Rio Lima (pesca da lampreia), possui ainda coutos de caça, desportos náuticos, praia fluvial, um bom equipamento de restauração e de animação hoteleira, artesanato, folclore e uma gastronomia de requinte: o presunto e a boroa de milho, as papas de sarrabulho, a chanfana de cabra à moda de Germil, a lampreia, o cabrito dos montados de Boivães e aquele branco colheita seleccionada, ou os famosos vinhos branco e tinto Terras da Nóbrega, da Adega Cooperativa, acompanhado sempre por um saber receber como ninguém, fazem de Ponte da Barca uma terra de eleição.

 

 

Ponte de Lima – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)
 
 

 

Ponte da Barca conserva ainda um pequeno dédalo de ruas bordejadas de casas dos séculos XVll e seguinte. Magnificamente situada sobre o rio Lima, com praias fluviais e múltiplos locais para campismo, tem no Jardim do Poetas um sítio onde alguns dos monumentos principais da vila se harmonizam perfeitamente com o rio, tornando-o um bom local para descanso, sobretudo ao fim da tarde. Ao longo do rio e em direcção a Bravães há ainda muitos moinhos, alguns em funcionamento, que fazem valer a pena a aventura de descer o rio em canoa ou a pé ao longo das margens. Sob a ponte da vila havia uma tradição de baptismo da meia-noite.
ORIGEM DO NOME:
“O Lima, formoso rio minhoto, que desagua no Atlântico em Viana do Castelo, estende as suas águas fertilizantes por essa província ridente onde os campos verdejantes são uma continuação dos pinhais sombrios onde, à mistura, os carvalhos de intensa ramaria encobrem os caminhos, refrescando os viandantes pelo rigor do Verão. Dentre as vilas que o rio Lima banha, conta-se Ponte da Barca, onde o fio de água atinge proporções que o tornam navegável até à sua foz. Nos primórdios da monarquia, Ponte da Barca tinha o nome de Torre da Nóbrega, e ali havia uma barca para a passagem dos que pretendiam atravessar o Lima. Nesse lugar foi construída uma ponte que se supõe ser obra do tempo de D. João lll, solidamente edificada e que os habitantes da vila aproveitaram para os seus passeios, visto dali se gozar de um maravilhoso panorama. Várias vezes essa ponte tem sofrido as inclemências das cheias dos rios, que a têm deteriorado, sendo reparada imediatamente, sem que o trânsito por ela fique interrompido. Medindo cento e oitenta metros de extensão, foi em 1896 alargada e reparada com dez arcos grandes e alguns pequenos intercalados entre os peões. Ponte da Barca é povoação muito antiga, sendo o seu primeiro foral datado de 4 de Março de 1125, concedido por D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei); D. Afonso ll, mais tarde, em 1217 confirmou esse foral, sendo o seu foral novo dado por D. Manuel l à vila de Torre de Nóbrega. Durante muito tempo esteve este sítio desabitado. Isto durou até ao meado do século XlV. Muita gente, porém, transitou por aqui, primeiro pela facilidade que tinha de atravessar o rio por meio de uma barca e, mais tarde, atravessando a ponte ali construída”. (Dr. Rocha Martins – 1936).
“No local onde actualmente se encontra, não existiu, até meados do século XlV, qualquer edificação. É certo que por ali transitavam muitos viandantes, pela comodidade oferecida por uma barca destinada, exclusivamente, à travessia do rio Lima. Mais tarde, esse meio de transporte teria sido substituido pela ponte. Daí, a designação de Ponte da Barca que, depois, a vila tomou. Note-se que, em 1513, ainda este topónimo não era usado, pois no foral que D. Manuel l concedeu a Ponte da Barca, em 24 de Outubro daquele ano, dizia fazê-lo à Vila da Nóbrega. Esta circunstância leva a aceitar a versão de que a ponte é posterior àquele documento. De facto, segundo se afirma, só foi construída no reinado de D. Sebastião, entre 1568 e 1578. Ora, a fazermos fé por o que a tradição nos diz, só aí por volta de 1350 se levantou, no referido local, a primeira construção. Era modesta e destinava-se a estalagem”. (Leonídio de Abreu – 1956).
Ponte da Barca é uma vila recatada e antiga, situada na margem esquerda do rio Lima. O topónimo de Ponte da Barca só aparece no século XV, numa carta de D. Afonso V dirigida aos homens bons desse julgado. Antes era conhecida pelo nome de Terra da Nóbrega (ou Anóbrega), que ficava sobranceira ao vale. Tradicionalmente o lugar de reconhecida nomeada itinerária, por estar no cruzamento da via dos peregrinos de Braga a Santiago de Compostela, e da Ribeira Lima a Orense, pelo Linhoso. Esta última foi a via que a rainha de Castela, D. Urraca, seguiu, com o seu exército, após o cerco de Lanhoso, suspenso pela imprevista retirada de D. Gelmires, bispo de Santiago.
No alto da Nóbrega existia uma atalaia (torre) da “portela” do vade. A passagem do rio Lima fazia-se por uma barca. A ponte, robusta e formosa, que ainda hoje serve, só foi lançada, segundo se julga, nos meados do século XV. De regresso de Santiago, D. Manuel l hospedou-se na vila, na casa da dona mais respeitada e abastada da terra, D. Maria Lopes da Costa (sobrinha do famoso Cardeal de Alpedrinha), já de idade avançada e que contava no fim da vida, aos 110 anos, 120 descendentes, entre filhos, netos e bisnetos, de dois matrimónios. Foi, pode dizer-se, a grande povoadora da terra.  Durante a perturbada época das lutas liberais, a vila foi ocupada, em 1827, por forças miguelistas, foi cercada e tomada a 6 de Fevereiro, pelo regimento de Infantaria 16, comandado pelo heróico coronel Jerónimo de Vasconcelos, veterano da Guerra Peninsular e persistente defensor dos princípios liberais.
A Igreja Matriz, foi reconstruída entre 1717 e 1738, sob o risco do arquitecto militar, Manuel Pinto Vilalobos, também autor da nova Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo., e parente do Marquês de Pombal. A fachada, barroca, é precedida por uma escadaria em lanços. No interior, forrado de azulejos do tipo tapete, admiram-se talhas barrocas, executadas em 1727 por Miguel Coelho. A primitiva construção, muito ofendida por sucessivas aberturas de capelas laterais, promovidas pelas família brasonadas da terra, teve de ser apeada nos princípios do século XVlll. Na fachada nota-se a falta de uma das torres sineiras, destruída por um raio. Existe uma cruz procissional de prata que D. Manuel l ofereceu em 1503. A Câmara Municipal é um edifício da era pombalina e deve-se ao certo à superintendência de João de Almada, governador de armas de Entre-Douro-e-Minho, nessa época. Precede a fachada uma escadaria de pedra. O andar térreo é formado por arcos de volta inteira, sobre os quais se ergue o andar nobre, onde se rasgam doze janelas. No centro figura o brasão nacional. Perto encontra-se o Pelourinho, monumento do século XVl, é formado por uma coluna cilíndrica terminada por uma esfera e encimada por uma pirâmide. O mais notável monumento do concelho de Ponte da Barca é a Igreja de Bravães , templo românico, de pórtico original. A sua construção atribui-se a D. Vasco Nunes, rico homem portucalense do tempo de Afonso Vl de Leão e Castela, que nos fins do século Xl aí teria fundado um mosteiro beneditino. Bravães tem recantos extremamente pitorescos nas margens baixas e recortadas do rio Lima. Sobranceiro, fica o monte da Pegadinha, nome cuja origem se desconhece. Nele se realiza uma romaria no dia 9 de Agosto, que outrora era chamada das Cabeças Rachadas.
Em Ponte da Barca ainda se pode encontrar, a Igreja de Santo António, cuja frontaria alpendrada, data do século XVll. Guarda talhas douradas, executadas em 1795, por Frutuoso de Azevedo. A Casa dos Farias, com portal encimado e ameado, com um brasão de armas. É o tipo de casa solarenga do século XVlll, com varandas de ferro forjado.
PASSEIOS E EXCURSÕES:
Nogueira, a 6 Km da vila. Transpôe-se a Ribeira do Vade à vista do torreão pombalino de Paço vedro e dos solares de Agrela e de Quintela, este último de origem romântica, mas coroado por uma torre quinhentista, manuelina. Um pouco mais além situa-se a velha Igreja de São Martinho de Castro, também românica, e outrora integrada num mosteiro do século Xll. Mais acima está o solar de Calvos, com uma torre manuelina.
Castelo de São Priz, a 806 metros de altitude. É um dos mais empolgantes miradouros da Ribeira Lima. O Castelo apenas existe na tradição.
Castelo da Nóbrega, cuja localidade foi cabeça de um vetusto concelho medievo. D. Manuel l transferiu-o para Ponte da Barca. Como relíquia do seu longínquo passado, subsiste uma táctica e arruinada torre, alcandorada num picoto donde se descobre um belo panorama.
Arcos de Valdevez. Num desses campos, conhecido pelo “Campo da Matança”, se teria travado, em 1140, o torneio ou recontro de Valdevez.
Castelo de Lindoso e com ele a própria freguesia de Lindoso, aldeia rude e típica, de velhas casas de perpianho de granito, algumas ainda com tecto de colmo, perto da fronteira. O Castelo é afonsino, talvez do século Xlll, embora reconstruído por D. Dinis, que deu à terra o nome de Lindoso, corruptela de lindo. Ao lado do castelo fica o interessante Largo dos Espigueiros, de muito interesse etnográfico.
Leira do santo, nas cercanias de Cidade lhe o sítio chamado Leira do Santo é uma pequena leira de lavoura encerrada entre rochedos. Num terreno pedregoso que aí existe tem sido achados alguns vestígios de vida castreja.
Serra Amarela, que não figura nos mapas, com um cume de 1.361 metros, forma a muralha que, entre Lima e Homem, fecha pelo Nascente a fronteira portuguesa com a espanhola, estendendo os seus alcantis e ravinas por grande parte dos concelhos de Ponte da Barca, Terras do Bouro e Vila verde. Nesta serra, têm sido encontrados vestígios de vida pré-romana. É a nascente das cumeadas da serra Amarela e no fundo e flancos duma ravina que cresce a Mata do Cabril.
 
Ponte de Lima
http://www.cm-pontedelima.pt
A vila de Ponte de Lima caracteriza-se essencialmente por ser uma zona de forte impacto turístico, um concelho com um vasto acervo patrimonial, quer arquitectónico, quer arqueológico quer paisagístico, um importante nó de comunicações rodoviárias, reforçando ao nível das acessibilidades, as suas ligações com os grandes pólos urbanos de Viana do Castelo e Braga, com a auto estrada Porto-Braga-Valença e com os eixos viários IP1 e brevemente o IC28.

Ponte de Lima
http://www.pontedelima.com/feira.htm
Conde d'Aurora, A Feira de Ponte, in Roteiro da Ribeira Lima, 1959
     Durante a Idade Média as feiras tiveram um papel importante na organização económica da época. Corrigindo a falta de comunicações fáceis e rápidas elas representavam o ponto de contacto entre produtor e consumidor, entre o agricultor e o homem da cidade ou vila. Distinguem-se dos mercados pois o seu intervalo de tempo é superior (quinzenal em média), atraindo, portanto, gente de locais mais afastados.
     O seu aparecimento foi favorecido pelas festividades e cerimónias de culto. As romarias, as peregrinações e todas as festividades religiosas atraíam peregrinos vindos de longe, facultando uma ocasião de troca, compra e venda de produtos.
     Mas ao lado do aspecto económico existe outro que lhe é intimamente ligado: o jurídico. O comércio para existir e se desenvolver necessita de segurança, de garantias, de protecção jurídica. Por isso as feiras possuíam uma série de regras e estatutos muito especiais, que regulavam o seu funcionamento. O local da feira existia uma paz especial: a chamada "paz da feira". Mas a paz da feira protegia quem concorresse a estas reuniões, não só no local aonde esta se realizava mas também durante a viagem de ida e volta. Para indicar o principio da paz da feira era erigido no local um ramo de arbusto, um escudo branco ou vermelho, uma bandeira, um chapéu, uma espada, uma cruz, etc.. Mas de todos estes símbolos o mais usual era a cruz. Desta maneira, os feirantes não podiam ser presos nem perseguidos por qualquer delito durante o espaço de tempo que durava a feira (excepto por delitos praticados na própria feira) e a viagem de ida e volta; protecção e segurança aos mercadores e mercadorias e todo aquele que fosse apanhado a roubar teria de restituir o dobro daquilo que roubou.
     Com o rolar dos anos outros privilégios foram acrescentados a estes, tais como, o porte de armas, o uso de qualquer espécie de montada, não serem forçados a qualquer serviço nem lhes serem tomados os animais para cargas e por último não pagavam qualquer imposto sobre a sua mercadoria (feiras francas).
     Mas as feiras não contribuíram somente para o aperfeiçoamento e melhoramento das relações económicas e jurídicas entre os homens, mas tiveram também um papel importante sob o ponto de vista social e cultural. O homem que vivia curvado sobre a terra encontrava nestas alturas uma oportunidade de se expandir, de se divertir, de dar largas ao seu instinto de sociabilidade. Na feira ele obtinha noticias sobre o mundo que o rodeava, ouvia as historias dos mercadores, as aventuras por estes passadas, as lendas e tradições de outras regiões. Foi talvez este contacto entre as pessoas que contribuiu para a solidariedade e formação do sentimento nacional.
     Foram elas também que contribuíram enormemente para o aperfeiçoamento das engrenagens do crédito, que, evoluindo, deu origem aos bancos e também às concepções económicas do mundo moderno.
    A feira quinzenal de Ponte de Lima é a mais antiga feira de Portugal, pelo menos, a mais antiga de que há referência em documento escrito.
Dª Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, no foral que deu à vila, em 1125, manda dar protecção aos que vem à feira e aos que dela partem.
..." et homines qui de cunctis terris uenerint ad feiram et ad illos malefecerit tam eundo quam redeundo pariat LX solidos."
     Tradução:
E se alguém fizer algum mal aos homens que de qualquer terra vierem à feira, tanto na ida como na vinda, pague 60 soldos.
     Que esta antecedeu o foral não há dúvida; ele põe em foco os privilégios dos que vinham à feira, deixando pressupor que a feira existia anteriormente a 1125.
     A passagem obrigatória, pela ponte romana, sobre o rio Lima na via romana Bracara-Astúrica de caminhantes, de peregrinos para Santiago de Compostela, de feirantes, todos necessitando de alimentos, albergue e assistência, que teriam de ser dados pela população aglomerada e já fixa, teria propiciado o aparecimento de um nódulo comercial favorecido pelo nódulo geográfico.
     Durante toda a Idade Média os reis portugueses protegeram, confirmando os privilégios da vila de Ponte, o burgo e a sua feira.
     A continuidade da feira até aos nossos dias é-nos confirmada, pois, através de diversos documentos emanados da Chancelaria Real.
· D. Afonso II confirma em 1212, em Guimarães, a Feira de Ponte de Lima.
· D. Dinis, ao dar avença ao concelho de Monção, em 1305 recomenda que essa feira não coincida com as quinzenais de Ponte de Lima.
· D. Fernando concede a Ponte de Lima em 1370 feira real.
· D. Afonso V em carta régia de 12 de Julho de 1449 confirma ao concelho e homens bons de Ponte de Lima todos os foros, graças, privilégios e liberdades que lhes foram dados pelos reis passados, e os bons usos e costumes que sempre houveram e de que sempre usaram até à morte de el-rei D. Duarte, seu pai. Neste mesmo documento se faz referência à feira.
· Em 1485, no reinado de D. João II, se diz nas Cortes que na vila de Ponte de Lima se faz feira cada quinze dias.
· No foral de D. Manuel, sem referência explícita à feira, estipulam-se preços e impostos.
A partir de 1577 os livros de Vereações da Câmara fazem sucessivas referências à feira.
     A nossa feira é do ponto de vista económico, a seguir à de Barcelos, a maior feira do Minho; no aspecto histórico, etnográfico, sociológico talvez seja a mais rica de tradições, a mais castiça de costumes, a que conserva e mantém mais direitos consuetudinários, a que reflecte mais variedade de usos, a que melhor mostra a maneira de ser do nosso povo.
     Sempre foi e continua a ser uma das mais concorridas do norte de Portugal.
     Não vinha só gente da vila e arredores. Vinha-se a pé de Caminha e de Coura, pela serra. Vinha gente da Galiza.
     Quando das Cortes de Lisboa em 1459, os procuradores do concelho de Ponte de Lima, Pero Malheiro e Diogo Lopes, apresentaram requerimento com 12 capítulos entre os quais se destaca o seguinte:
    "Dizem os procuradores da vila de Ponte de Lima, os de Ponte da Barca e os de Valdevez que os gallegos de Monte Rey, de Milmanda, de Araujo e d'outras partes antigamente sempre costumavam vir à feira quinzenal de Ponte de Lima com suas bestas e mercadorias, levando daqui muito sal e outras coisas...".
      Através deste documento se prova que à feira de Ponte de Lima não vinham somente as burriqueiras de Prado, os ourives de Braga, as sardinheiras de Darque, os vendedores de linho de Guimarães, os louceiros de Alvarães, de Viana e de Barcelos, os contratadores de gado dos Arcos e da Barca, mas também muita gente da Galiza além de Aveiro, Barroso, de todo o Alto Minho e do Douro Litoral.
     Como se chegava à feira?
     Vinha-se a pé, a cavalo, em carros de bois, de barco, na "Carreira" e até em jangadas.
     O dia de feira era um dia festivo. As pessoas vinham com os seus fatos domingueiros; os moços de raminho de alfádiga na orelha, a mão munida de guarda-chuva ou de um pau de marmeleiro; as moças com suas saias compridas, com muitos folhos e pregas, chambres cintados, arrecadas de ouro pendentes das orelhas, os cestos enfeitados com ricas toalhas de tear que elas mesmas teceram.
     Os carros de bois engalanados com arcos de verdura e flores; os animais com os chifres floridos, campainhas no cachaço e o saquinho contra o mau olhado.
     Alguns garranos (aqueles que levam cavaleiro) com rabos de raposa pendendo da cabeçada, pele de raposa ou lobo assente nos quadris e argolas na sela que tilintam ao fazerem o "travadinho".
     Os que são para venda vêm em fila (o cabresto do que vai atrás preso na cauda do da frente).
     Os nylons e o terilene vieram substituir o burel, os fatos de merino, as saias garridas à "lavradeira".
     O carro de bois passou a trazer somente carga. Depois da diligência veio a tarifa, mas a bicicleta, a motorizada, os autocarros, os tractores e reboques, e os automóveis são os novos meios de transporte.
     A feira de Ponte de Lima marcava a cadência de outras. Documentos medievais dão notícia de que outras feiras importantes tinham de fixar as suas datas conforme fosse a de Ponte de Lima, sempre dando primazia à nossa.
     Na carta de avença de D. Dinis com o concelho de Monção a certa altura diz-se o seguinte:
"... e outrossi mãdo e tenho por he que esse cõcelho de mõçõ aia ffeyra de quize em XV dias porem nõ faça en aqle doma que se ffaz a de põte de Lima...".
     Em 1799 alguns negociantes da vila pretendendo que a feira passasse a semanal, com o fundamento da utilidade pública, requereram provisão para essa reforma. De Lisboa mandaram consultar a Câmara, nobreza e povo. Cumprida a convocação em 27 de  Abril foi unânime o sufrágio a favor da mudança!
     Mas não consta no arquivo que tal mudança fosse efectuada. Ou o pedido não foi autorizado ou , se foi, não teve duração.
     Novamente em sessão camarária de 4 de Janeiro de 1844 a Câmara aprovou a passagem da feira a semanal e pediu em ofício de 16 de Janeiro a autorização da Junta Geral do Distrito.
     Por último, em 1919, a Câmara presidida pelo Dr. Teófilo Carneiro tentou passar a feira a semanal. Mas o comércio local e os habitantes de Freixo (cuja feira iria coincidir com a de Ponte de Lima) opuseram-se alegando prejuízo para o seu comércio.
     Portanto, a feira subsiste quinzenal até aos nossos dias.
     A feira, através dos tempos, tem-se realizado aproximadamente na mesma área.
     Embora A. Almeida Fernandes sustente a tese de que a feira primitivamente se realizava no lado direito do rio, onde terá começado o burgo, e só depois do foral de D. Teresa teria passado a realizar-se no lado esquerdo, devido à mudança da vila para essa margem, parece, por documentos e achados arqueológicos, não se comprovar a sua tese.
     Apesar de no Livro de Vereações de 1775 - 1781 se encontrar numa petição dos habitantes do arrabalde de Além da Ponte pedindo para a feira de gado ser mudada para lá, a afirmação "... aonde antigamente se fazia ..." não encontrei documento que o comprovasse, nem o seu pedido foi deferido.
     A feira primitivamente realizava-se intra-muros. Depois passou a realizar-se encostada às muralhas. Os mercadores que vinham de fora armavam as suas tendas nos alpendres, que desde tempos imemoriais lhes eram alugados pela Confraria do Santíssimo Sacramento com o consentimento do Senado.
     Espraiava-se pelo paredão, e quando em 1848 este foi demolido, pelo passeio público, pelo cais e pelo vasto areal.
     Na feira tudo tem o seu lugar certo, nos mesmos sítios há um ror de anos; tudo é arrumado pela mesma ordem e na mesma hora, a hora velha marcada pelo sol; aqueles que vendem têm o seu cantinho reservado há anos.
     Os que compram sabem exactamente onde encontrar aquilo de que precisam.
     Do lado norte é a feira do gado bovino e cavalar.
     Esta era sem qualquer dúvida a mais importante do Minho.
 
 Junto à descida que dá para o areal estão os bois mais lindos, os mais corpulentos. São estes que vão atingir os maiores preços. Lá para o meio estão os bois novos e as touras que já cangam. Na parte mais afastada do areal, à beira do rio, estão as vacas leiteiras, algumas acompanhadas das suas crias
     Antigamente, quando havia uma boa venda, pagavam ao sineiro para tocar um repique no sino da Torre. Desta forma o sino badalava alegremente grande parte da manhã, pois era com a ramela no olho e um copo de bagaço ou vinho (para aquecer) que a maioria dos negócios se realizavam.
     Era tanto o gado e tão juntinho que havia alturas em que para uma pessoa se deslocar tinha de desviar, com um braço, uma pessoa e com o outro, uns chifres barrosãos.
     Barrosãos, pois o lavrador minhoto tinha a sua opção feita. Era raro encontrar bois galegos e vacas turinas. Os bois barrosãos são de uma raça que fazia parte da paisagem rural desta região onde nasceu Portugal.
     Na área do Passeio armam-se as barracas de madeira e lona onde são expostos e vendidos a fruta e os artigos manufacturados.
     O visitante pode comprar roupa feita de lã, algodão, seda e linho; ferragens, cutelarias, calçado fino e chancas, quinquilharias, e antigamente também podia adquirir os famosos artefactos minhotos de ouro e prata. Digo antigamente, pois hoje em dia já não se põem na feira essas barracas com os metais preciosos.
     Em tempos passados existiam neste local uns alpendres, junto às muralhas, dos quais a Confraria do Santíssimo Sacramento cobrava locação. Estes alpendres serviam para os mercadores abrigarem e venderem as suas mercadorias nos dias de chuva.
    Agora vamos descer ao areal sul.
     À nossa esquerda e limitada pelo rio está a feira do gado suíno.
     À nossa direita, perto dos arcos da ponte, avistamos as tendas dos ciganos: tendas de camisolas, de sapatos, de retalhos.
     Olhando em frente deparamos com uma cidade miniatura em hora de ponta.
     Em 30 de Janeiro de 1808 a Câmara ordenou que se arruassem e demarcassem com marcos de pedra os lugares que os feirantes deveriam ocupar no areal. Actualmente esses marcos não existem, nem fazem falta pois cada vendedor sabe onde deve exactamente montar o seu estendal.
     Num mar de tendas existem ruas paralelas, perpendiculares e cruzamentos.
     O número de pessoas que se movimentam, os chambres de meios tons, os lenços coloridos das mulheres, o barulho das pessoas a marralhar e das barracas de música em cassetes e cartuchos, tudo isto dá uma sensação de movimento, de vida surpreendente.
     Aqui pode-se adquirir carne de porco, sal (o sal que já os galegos vinham buscar antes de 1480), hortaliças, legumes, ovos, frutas e cereais, todo o excedente do lavrador que às vezes até se priva destes produtos para comprar aquilo que não colhe ou que não fabrica.
     Conforme as estações do ano aí podemos encontrar castanhas, nozes, cerejas, mel, etc.
     Ao lado fica a feira das aves de capoeira e dos coelhos.
     No foral de D. Manuel encontramos referência às lebres, coelhos bravos, perdizes, patos e pombos que supomos que seriam abundantes nesta zona, naquela época. Presentemente estes animais rareiam na região e consequentemente já não encontramos caça na feira mas tão somente animais domésticos.
     As mercadorias vendidas na feira constituem o essencial para as necessidades do povo.
     A seguir à zona dos produtos que o lavrador vende encontra-se a zona dos produtos que o lavrador compra.
     Se já não se encontra o burel e rareia o linho e a estopa, não faltam as chitas, os tecidos de algodão, de nylon, de terilene, os tapetes e as mantas.
     Ainda se vendem as lindas almotolias para o azeite e as candeias feitas de folha de flandres.
     Na feira da louça já não se encontram as malgas de Málaga, da Corticeira ou de Massarelos; mas não faltam os barros de Barcelos, a louça de Viana e até louça "inglesa" e "chinesa".
     Os utensílios em madeira estão a desaparecer.
     As gamelas são substituídas pelas bacias de plástico.
     Já não há garfos de ferro; os talheres vêm de Guimarães e os vidros da Marinha Grande.
     Os armários de platex estão a roubar o lugar às masseiras onde se amassa a broa, aos louceiros de pauzinhos torneados,...
     Chegamos finalmente à feira da sardinha.
     Quando há poucos anos a Câmara tentou, por medida higiénica, mudar a feira do peixe para dentro do mercado, as peixeiras protestaram energicamente. E de tal modo protestaram que a Câmara não conseguiu os seus intentos.
     As pessoas estão tão habituadas a vender e comprar o mesmo produto no mesmo local há tantos anos que de modo nenhum se conformam com mudanças e não abdicam dos direitos adquiridos.
     A sardinha primitivamente era vendida na "botica" geralmente por galegos a quem as regateiras a iam comprar para revenda.
     Depois era vendida na Praça Velha e em 1797 a Câmara ordenou que esta venda se mudasse para o lugar de Pessegueiro, na feira dos cevados.
     No entanto desde sempre, no dia de feira, se vendeu a sardinha no areal. Eram até multadas as vendedoras de fruta e de pão e as peixeiras que no dia de feira não fossem para o areal, para desembaraçar as ruas da vila (deliberação camarária de 26 de Julho de 1834).
     Também se vendia bacalhau.
     As bacalhoeiras de Darque eram obrigadas a deixar vendido na vila, no dia de feira ou no dia imediato, todo o bacalhau que trouxessem de Viana não podendo levar nenhum de volta.
     Não podemos deixar também de referenciar aqui as figuras típicas da feira: a mulher dos tremoços, a vendedora dos doces cobertos de açúcar, o homem que repara os guarda-chuvas, as aguadeiras, o aldrabão da feira (o tradicional vendedor da banha de cobra).
     Desde sempre o Estado lançou impostos sobre os produtos vendidos na feira.
     D. Manuel, no foral que deu a Ponte de Lima, lançou portagens sobre a maioria dos produtos que se transaccionavam.
     Algumas vezes esses impostos eram para financiar obras que tinham que se realizar na vila. Eram, pois, impostos temporários.
     No reinado de D. Sebastião lançou se uma imposição por dez anos sobre o sal e o azeite que se vendiam na feira.
     Até sobre cada canastrão de sardinha que passava na ponte se lançou imposto, aliás de curta duração, pois passado mês e meio, em 1 de Julho de 1767, foi anulado.
     Também foram lançados impostos sobre os carros de fora do concelho que concorressem à feira e sobre o gado. O imposto sobre o gado, que vigorou até 1838 era de 100 réis por cabeça, sendo este imposto pago pelo comprador. Em 1845 foi pedida ao Governador Civil autorização para lançar novo imposto sobre o gado para reparação da cadeia. Mas este pedido não foi atendido. Em 1959 a Câmara lançou uma taxa de ocupação do terrado por cada cabeça de gado. Mas foi tal a contestação a este imposto que ele deixou de se cobrar.
     No entanto as autoridades também faziam o possível por fomentar e desenvolver a feira.
D. Teresa no seu foral ordenou que se multassem em 60 soldos aqueles que maltratassem a gente que vinha à feira.
     D. Afonso V obrigava os lavradores da região a trazer os seus produtos à feira "...e se os não trouxerem por sua própria vontade, os juizes lhos façam trazer...".
     Em 1743 o Senado para proteger a gente da vila, dos contratadores que levavam para fora os produtos da região que se vendiam na feira, determinou que ninguém de fora da vila e termo comprasse nada antes do meio-dia.
     Desde tempos recuados que o povo dos arredores da vila estava dispensado de portagem sobre o que se vendia na feira, como o estavam os que moravam intra-muros, por já pagarem as peitas e fintas (n.º 5 do pergaminho n.º 40).
     Em Portugal, antes de se adoptar o sistema métrico-décimal , cada região tinha os seus próprios pesos e medidas. Em Ponte de Lima todo aquele que comprasse ou vendesse mercadorias que não estivessem aferidas pelos pesos e medidas do concelho pagava uma multa de 20 cruzados, isto em 1577.        
     Em 1455 o Almotacé-Mor do Reino estabeleceu um novo regulamento de pesos e medidas para todo o país, o que veio a causar grande descontentamento em muitas cidades e vilas, cujos padrões eram maiores do que aqueles que então se impunham.
     Foi por causa desse descontentamento que, em 15 de Abril do mesmo ano, os procuradores às cortes pediram a D. Afonso V que "...pera todo comun he proveito os ditos pesos e medidas sseerem grandes ante q peqnas..." e que todos continuassem a usar os antigos pesos e medidas.
D. Afonso, em resposta a este pedido, passou uma provisão consentindo que as diversas regiões continuassem com os pesos e medidas que sempre tiveram, e em que a certo passo salientamos o seguinte:
" Os (padrões) de Guimarães regularão para todo o arcebispado de Braga, e os de Ponte de Lima para todos os lugares de entre Lima e Minho".
     Além disso os padrões teriam de estar em todas as câmaras das vilas e cidades.
     Desta maneira, Ponte de Lima pôde, por várias vezes, aferir os seus padrões pelos seus congéneres existentes em Viana. E muito especialmente a partir de 1830, data em que os padrões originais de Ponte de Lima foram requisitados para a Torre do Tombo, em Lisboa, dos quais as cópias que ficaram iam sendo gradualmente adulteradas.
     Por diversas vezes os feirantes se queixaram de serem roubados nos pesos e medidas na feira e encontramos nos livros de vereações várias recomendações de maior vigilância aos aferidores e ordens para a estes se entregarem novos pesos e medidas.
     A feira é um marco no tempo: havia contratos em que os rendeiros tinham de pagar as suas rendas na feira de um determinado mês. É linguagem corrente a frase: pela feira de Ponte eu ... .
     O dia de feira é marco da vida social: as férias quinzenais dos artistas pagam-se no dia de feira ou no Domingo anterior à feira; nos dias de feira não se trabalha; os namorados encontram-se na feira e fazem-se e desfazem-se noivados; invadem-se as repartições; ultimam-se negócios e ajustam-se contas.
     O vinho verde da região é a tinta com que se selam estes contratos (alguns há que vão para casa bem demolhados).
     No fim da feira é o convívio nos tradicionais tascos com as sandes, o peixe frito, os rojões de porco, as pataniscas e os bolos de bacalhau, a sardinha assada, etc.
      Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ...
     Muda a maneira do homem se vestir, de se calçar, evoluem os hábitos alimentares, variam os transportes; mas as necessidades humanas mantêm-se e os mecanismos das trocas, das relações sócio -económicas persistem inequivocamente semelhantes.
     A feira continua a ser o ponto de encontro do nosso povo.
     Na feira espelha-se a alma da nossa gente.
     A feira de Ponte de Lima é um marco da vida do concelho.
Ponte de Lima/1981
Prof. António Pedro Silva
BIBLIOGRAFIA
MANUSCRITOS
Acórdãos da Câmara desta Vila de Ponte de Lima.
Apontamentos para as Memórias de Ponte de Lima face ao Arquivo Municipal, por Miguel Roque dos Reys Lemos.
Foral de D. Manuel I.
Foral de D.ª Maria.
Livro das Correias, Biblioteca da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro dos Registos da Biblioteca da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1577 a 1578, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1580 a 1583, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1626 a 1628, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1631 a 1634, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1634 a 1638, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1660 a 1665, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1682 a 1685, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1714 a 1717, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1741 a 1745, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1745 a 1749, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1751 a 1754, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1766 a 1768, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1775 a 1781, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1787 a 1795, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1795 a 1803, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1803 a 1807, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1807 a 1820, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1820 a 1825, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1825 a 1834, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1834 a 1836, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1839 a 1841, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1842 a 1848, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1848 a 1852, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1857 a 1860, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Livro de Vereações de 1959, Arq. da Câmara Municipal de Ponte de Lima.
Pergaminho nº 25, da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.
Pergaminho nº 26, da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.
Pergaminho nº 27, da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.
Pergaminho nº 29, da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.
Pergaminho nº 40, da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.
Provisão passada por D. Pedro IV, Arquivo do Espírito Santo.
OBRAS IMPRESSAS
Almanach Illustrado, de O Comércio do Lima para o ano de 1907.
Almanaque de Ponte de Lima, 1908.
Almanaque de Ponte de Lima, 1927.
Almanaque de Ponte de Lima, 1933.
Anais Municipais, por Miguel Roque dos Reys Lemos.
Código de Posturas Municipais, 1914.
Dicionário da História de Portugal, de Joel Serrão.
Estrangeiros no Lima.
Jornal Cardeal Saraiva, 1919.
Ponte de Lima na Alta Idade Média, de A. de Almeida Fernandes.
Roteiro da Ribeira Lima, de Conde da Aurora.
Subsídios para o Estudo das Feiras Medievais Portuguesas, de Virgínia Rau.

 

 

Valença – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)
 
 

 

Foi fundada nos fins do século Xll por D. Sancho l, que lhe atribuiu o nome de Contrasta, devido à sua situação em frente de Tui num sentido de oposição. Em 1512, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo.
ORIGEM DO NOME:
“Valença, a pitoresca vila minhota, que assim se denomina, localiza-se junto à fronteira de Portugal com a Galiza e é cabeça dum dos concelhos do distrito de Viana do Castelo. Embora antiquíssima, segundo se afirma, pouquíssimo se sabe do seu remoto passado, podendo dizer-se que está incluída entre as vilas portuguesas, a respeito das quais ainda não há publicada nenhuma monografia histórica. Sobre a origem do topónimo, pouco de oferece dizer. Na nossa linguagem arcaica, usou-se o vocábulo como nome comum, Valença, empregado para exprimir a ideia de força, fortaleza, poder, valentia, valor ou vigor, mas não deve ser esta propriamente a origem da designação”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Há quem pretenda atribuir aos soldados de Viriato a fundação de Valença do Minho. O facto ter-se-ia passado em 136 antes de Cristo, isto é, após a reconciliação entre eles e o famigerados cônsul romano Décio Júnio Bruto. (...). Assim, Valença ocupa os terrenos de um antigo castro levantado no morro fronteiro a Tui e de cuja existência deram sobejo testemunhos muitos objectos da época romana encontrados no local. Era o Castrum Tydis  de que falam alguns geógrafos antigos e por Valentoia se designaria uma pequena povoação que o circundava. (...). Chamava-se, por essa época, Contrata, nome que tomara no tempo dos bárbaros – como se infere de Vilhena Barbosa ao decompor a palavra em Contra-Castra – em opisição ao vizinho e arrogante castelo de Tui”. (Leonídio de Abreu – 1956).
Reedificou-a, e mandou-a novamente povoar el-rei D. Afonso lll, no ano de 1262; e por essa ocasião lhe mudou o antigo nome de contrasta no de Valença. Do primeiro não sabemos a etimologia. Talvez proviesse de dois vocábulos latinos cantra-castra, por ser sido fundada defronte, e em oposição a Tui. O segundo dizem que se deriva de valentia , e que por esse nome quis D. Afonso lll designar a importância da posição, ou a das obras de fortificação com que a defendeu”. (Vilhena Barbosa – 1860).
Valença é uma antiga praça de guerra, ainda cingida por possantes cortinas e baluartes peculiares da estratégia setecentista, do tipo Vauban, belamente situada num morro sobranceiro ao rio Minho, quase defronte da cidade galega de Tui. As raízes desta fortificação ocultam-se na fase obscura da romanização. Tito Lívio afirma que o oppidum  de Valença foi dado pelo pretor (cônsul) Décio Bruto, o Galaico , aos soldados veteranos que haviam combatido sob as suas ordens as tribus aguerridas dos lusitanos. Na fase da pacificação, aí passava a via militar de Brácara (Braga) a Tui. Assim o comprova o marco moliário apigráfico (do tempo do Imperador Cláudio) que ainda se conserva na vila, em frente da Igreja de Santo Estevão. Nos fins do século Xll, D. Sancho l mandou-a povoar. O Foral que concedeu aos moradores foi confirmado por D. Afonso ll (1217). A vila chamava-se então Contrasta, ou seja vila fronteira ou oposta a outra (que era Tui). Em 1212, Contrasta foi tomada e destruída pelas forças de Afonso lX, de Leão, em guerra declarada com D. Afonso ll de Portugal, por via da celebrada querela das infantas Sancha e Urraca. Ao pacto entre a rainha Berengária, de Castela, mãe de Fernando lll, e a ex-rainha D. Teresa (monja em Lorvão - Coimbra), foi dado o nome de Concórdia de Valença. Finda a guerra com o reino leonês, D. Afonso lll mudou o nome polémico de Contrasta pelo topónimo velho de Valença, e deu novo foral à vila, concedendo muitos e importantes privilégios aos moradores, convertendo a vila em lugar de asilo ou homísio e dando ao seu aro verdadeiros foros de couto municipal. Em 1384. D. João l tomou Valença, pelas armas. E em 1396, o mesmo monarca decidiu aí um golpe de audácia: atravessou o rio Minho de noite com algumas forças e tomou de surpresa a praça de Tui.
Durante a Guerra da Restauração, em 1657, o general espanhol, Vicente Gonzaga, atacou a praça com uma força de 30 mil homens, mas foi repelido. Em 1664, a praça caiu em poder das forças filipinas, que em breve seriam desalojadas pelo Conde de Cantanhede.
No decurso das invasões napoleónicas a praça sofreu violentos ataques. Num deles, em 1807, uma força de Soult conseguiu penetrar na fortaleza, desmantelando, com uma explosão, a Porta do Sol. O mesmo general. Prostado em Tui, em 1809, infligiu-lhe novo bombardeamento, mas sem conseguir a travessia do rio, já tentada, sem êxito, em frente à vila de Cerveira. Depois nas lutas liberais e na Patuleia voltou a ser teatro de muitos transes de guerra. E finalmente, em 1912, algumas forças realistas de Paiva Couceiro tentaram forçar a ponte fronteiriça, mas sem êxito. Muitos dos incursões tombaram sob o fogo da pequena tropa dirigida pelo capitão Lebre. Em 1927 uma parte da guarnição de Valença aderiu ao movimento do Porto, do general Sousa Dias. A fortificação de Valença, assim como as de Vila Nova de Cerveira e Monção foram edificadas na Idade Média. Coube a Valença ser a contemplada com um completo amuralhamento moderno. É que, com os acontecimentos de 1640 (restauração de Portugal), o reforço da linha de fronteira passava também por tentar impedir a vedação do rio Minho na frágil linha que se estendia entre Valença e Monção. No entanto, as obras de fortificação iriam ter início apenas em 1661, já dois anos após a primeira grande batalha da Guerra da restauração, a das Linhas de Elvas. Por respeito aos seus criadores, aos seus construtores, aos seus estrategos, o melhor será afrontar as fortes muralhas de Valença pela banda do norte. Se possível em Tui, olhando lá do alto da catedral a fortificação lusitana. E só então descer daqui para a ponte velha, a ponte de ferro que cruza o rio Minho. É que só assim, mirando-lhe a fortaleza com olhos bélicos, só assim se pode entender este morro amuralhado de Valença, se não na sua valença e valentia ao menos na sua imponência, na sobranceria com que pretende enfrentar a milícia galega malquerente. Sonegando-lhe quiçãs antiguidade, pois está é uma região de povoados fortificados pré-romanos, em que é evidente a presença das populações castrejas, recordemos como através destes campos corria a estrada imperial romana que, vinda de Braga – A brácara Augusta - , se entendia, para norte, para Lugo (Lucus Augusti), com passagem pela vizinha Tui.
Razão temos, isso sim, para olvidar as toleimas eruditas e empoeiradas que quiseram fazer desta Valença uma filha do grego Ulisses navegante, historieta que se inscreveu, como coisa séria, em pesados cartapácios. Já a presença romana por estes campos não deixa lugar a dúvidas, pois que lhe restam vestígios materiais referidos à rede viária, como pontes ou como miliário retirado da veiga vizinha e hoje colocado junto à Igreja de Santo Estêvão. Passemos agora a tempos mais cristãos, começando por recordar que, na continuidade da via romana, aqui se cruzava o rio caminho de Santiago de Compostela, lugar maior de peregrinação do ocidente europeu, romaria a cujo concurso não viriam a desdenhar os próprios reis, como aconteceu com D. Manuel l, o rei aventurado.
Voltemos, porém, um pouco atrás, na esteira de S. Sancho l. É que a ele se deve – para fazer frente aos irmãos galegos as acrópole de Tui – o esforço de povoamento deste lado do rio Minho, organizando a Póvoa que, em jeito de birra, designou por Contrasta, acto de baptismo este que não veio a vingar. É que, ao que parece, o topónimo Valença (melhor, Valência) já teria existido e viria a ressurgir. Com isso, deitava por terra o desejo de apadrinhador, ele que com tal denominação pretendia revelar a oposição entre os dois povos da fronteira. Foi o sol sanchiano, porém, de escassa dura. É que em 1212 os leoneses – que, após desaguisados com os austeros castelhanos, ainda se encontravam separados do reino de Castela – trataram de derrubar os muros, as casas de tal Constata, arrasando a vila. Escapando, os pobres dos moradores não se furtaram, todavia, a serem levados para outra praça fronteira, distante, para uma Sortelha beirã que, ao tempo, inda lindava com o reino de Leão, já que o Tratado de Alcanizes que fazia portuguesas as terras de Riba Côa só seria celebrado no final do século. Mas serão os acontecimentos de 1640, a rebelião fidalga, a darem a Valença o início da fisionomia fortalhuda que hoje apresenta ao olhar pasmado do viajante. Será um engenheiro parisiense, que grafaremos sob a forma de Miguél de L’École (o seu nome aparece escrito de diferentes maneiras), nomeado engenheiro da Província do Minho, quem iniciará as obras de fortificação em 1661.
Aliás, o complexo defensivo de Valença, cuja construção agora se iniciava, conjugava-se com a já anterior ocupação militar da povoação galega de Salvaterra, iniciada em 1643, e que continuaria na posse dos portugueses durante um quarto de século, até à assinatura da paz com a Espanha. Com a construção da nova fortaleza fechava-se a linha Valença-Monção, já que a povoação galega ocupada se situava frente a esta última vila. Século XVll e seguinte vão fazer de Valença s cidadela de fronteira, como o amuralhado encastelado dito “à Vauban” pela divulgação que o marquês daquele título faria, a partir da obra que publicara em França. É que, agora, a guerra, esta arte de matar velha como o mundo, se adornava de pesado fundamento científico. Os progressos da artilharia, da pirobalística, tinham tornado frágeis como papel as velhas cercas medievais. Impunham-se muros em talude, cortinas, baluartes, revelins, meios revelins, fossos, tenalhas, falsas bragas, estradas cobertas ... Mas, nesta Valença que assim entrou na nova era, ainda se descortina, aqui e além, uma porta, um pano de muralha medieval, incorporados na nova cerca. A grande entrada para a fortificada Velença faz-se pelo revelim e porta da Coroada, um dos dois circuitos amuralhados complementares que cercam a vila. A porta, defendida pelo revelim que adpta o seu nome, sitya-se entre os baluartes de São Jerónimo e Santa Bárbara.
Mas quem ali logo se vê, perante o peso de tanta pedraria, é o mártir São Sebastião, com a sua capelinha a fazer frente ao apiol do Campo de Marte. É vê-lo lá dentro de casa, amarrado a uma árvore folhuda, e frechado como convém à cruel representação que caracteriza a sua iconografia. Este polígono da Coroada, pela sua situação cimeira em relação ao velho núcleo urbano, serve-lhe de padrasto. Mas não será sem reverância à igreja maneirista dedicada ao Bom Jesus que, atravessado o fosso de separação, vamos penetrar na parte principal de Valença pela porta do Meio. Teremos até o cuidado de notar como esta última abdica da invocação de figuras celestes por se considerar decentemente defendida pelos baluartes da Lapa e da Esperança. Abre-se então Valença, a nós e ao corrupio dos manos galegos, os grandes clientes dos logistas valencianos. A rua Direita fervilha de ofertas e bugigangas. Esta rua, claro, é o eixo principal do povoado, a levar do largo da Câmara municipal – onde impera o belo chafariz sonegado no mosteiro de Ganfei – ao extremo norte da vila. Aqui, no fundo deste eixo, eis que se avizinham as igrejas de Santa Maria dos Anjos (no exterior da capela norte, a das Carlas, escreve-se em letra gótica, que “Esta capela mandou fazer ...”, um tal António ou Afonso e sua mulher Maria Roiz, lá pelo ano 1000 e uns três ou quatro séculos mais...) e da Misericórdia. Celebrada pela sua antiguidade, a Igreja de Santo Estevão foi completamente reconstruída no final no século XVlll e encontra-se numa situação um pouco periférica. Lá dentro destacam-se as tábuas da capela-mor evocativas do mártir pedroeiro, sacrificado por lapidação, tal como se pode aprender nos painéis. Um magnífico cadeirão de madeira, quatrocentista ou talvez já do século seguinte, parece relacionar-se com a colegiada da Sé de Tui que aqui teve assento desde os fins conturbados do século XVl. No exterior da igreja ergue-se um marco miliário trazido da vizinha veiga do rio Minho. Tece, no latim que lhe está inscrito, loas a Cláudio, imperador dos romanos. Se a generalidade da casaria da Valença intramuros é moderna – há-de andar sobretudo pelo século passado e pelo início deste que finda -, descortinam-se--lhe aqui e ali algumas casas do estilo “manuelino”, a denotarem um período de prosperidade económica certamente ligada ao comércio fluvial e fronteiriço. Entre estas, destacam-se de uma maneira particular a Casa do Eirado, coroada de merlões. Destaca-se, particularmente, pelo retrato esculpida que figura no avental de uma das janelas. Representa certamente o arquitecto ou o escultor ligados à construção do edifício, se é que não retrata simplesmente o proprietário da residência. Ei-lo, com a cabeça coroada por uma gorra, o rosto madrizela, a barbicha comprida e espetada a sair-lhe do queixo. Debaixo corre a legenda: “José Al (varez ?) me fez”. E com este dizer, com este valor, vamos ter que situar esta obra manuelina no início do reinado de D. Afonso V ... Mistério e intriga que se refugiam nesta terra minhota e valenciana cercada de fortíssimas muralhas.
 
Valença
http://www.cm-valenca.pt/freguesias
A povoação foi fundamental na Idade Média. As peregrinações a Santiago de Compostela tinham por ponto de passagem obrigatório o Cais de Valença. A própria rainha Santa Isabel transpôs o rio neste ponto, em 1325.
A importância desta passagem no rio está destacada num documento do século XIV (1385), intitulado "Stormento dos navios", e onde se regulamentam as passagens de barca de e para Valença.
Valença deve, no entanto, a sua importância histórica sobretudo a condicionantes de ordem militar. Baluarte defensivo, bastião da nossa nacionalidade, inúmeras vezes assediada pelo vizinho espanhol, a praça forte valenciana desempenhou um papel decisivo, ao longo dos séculos na defesa da integridade territorial. A fortaleza de Valença, tal como a conhecemos hoje, foi construída no século XVIII, inspirada no sistema abaluartado de Vauban.
Do século XVIII há referência ao Convento de Santa Clara dos Franciscanos, fundado por Fernão Caramena, tendo sido Leonor Caramena, a sua filha, a sua primeira abadessa.
Além das suas vetustas muralhas, onde é ainda possível encontrar sinais das suas remotas origens, até ao longo dos séculos XIII, existem outros documentos da ancestralidade valenciana, da sua evolução ao longo dos tempos e do seu protagonismo histórico. São seguramente os casos do cruzeiro, junto à Igreja de Santo Estêvão, ou da Fonte da Vila, mas também de casa senhoriais, como a nº72 da Rua Direita, a Casa do Eirado, de feição quatrocentista, e a Casa do Poço.
Geografia
È constituído pelos lugares de: Bogalheira, Boavista, Chorenta, Jardim, Raposeira, Seara, Urgeira, Medos, Lameiras, Antas, Costa Ervilha, Ponte Seca, Cais, Lojas, Pombal, S. Sebastião, Val Flores, Cidade Nova, Santa Luzia, Mata Sete, Chancelaria e Formiga.
Lendas
Destaca-se a lenda das Portas do Sol: em Valença, antes denominada Contrasta, vivia uma bela princesa Moura que por ser tão bela, valente e pura, herdou o nome desta esplendorosa terra. Era uma das duas princesas filhas de um rei muito velhinho que aí reinava. Um príncipe Mouro levado pela ira, percorreu no seu corcel toda a muralha sem encontrar um único indício do rei velhinho, batendo em retirada e trespassando a fio de espada a bela princesa; sobre ela tombaram folhas uma a uma e a ela, que tantas vezes havia repousado sob a sua sombra, segredavam baixinho, "Serás coroada, serás coroada, tu que foste princesa valente e tão bondosa" e as portas do sol falam do seu amor a quem lá passa!

 

 

Vila Nova de Cerveira – (Concelho do Distrito de Viana do Castelo)
 
 

 
 
Já foi praça fortificada, e hoje uma modesta vila concelhia, encostada a seus velhos muros, sobranceiros ao rio Minho. A vila ou “pobra” foi fundada em 1320 por D. Dinis, que lhe prometeu conceder prerrogativas foraleiras desde que se juntassem 100 moradores para a formarem. O nome de Cerveira vem de Cervus, espécie cinegética que em tempos abundaria por aqui. D. Sancho 11 havia incluído já o castelo de Cerveira no número de praças de guerra concedidas como dote nupcial (arras) de sua mulher, a celebrada D. Mécia Lopes de Haro. Durante o interregno o alcaide do Castelo de Cerveira seguiu, como tantos outros o partido castelhano. D. João l teve necessidade de o submeter pelas armas. No reinado de D. Afonso V, o senhoriao da vila foi concedido a Leonel de Miranda, guerreiro de renome feito nas praças do Norte de África, notabilitado com o título de Visconde de Vila Nova de Cerveira e autorizado a usar Dom. Logo no início da Guerra da Restauração – 1643 – Cerveira viu-se atacada pelas forças de Filipe lV. O assédio foi, porém, repelido pela guarnição da praça auxiliada pelos milicianos do comando de Manuel de Sousa Abreu. Prevendo novas arremetidas, o 9º visconde de Cerveira – D. Diogo – promoveu a fortificação da vila nova, extra-muros, rodeando-a de outra cerca e de um fosso, formada de 4 portas: a Porta do rio, a Porta detrás da igreja, a Porta da campana e a Porta Nova. Em Fevereiro de 1802, as tropas de Soult tentaram transpor o rio Minho em frente de Cerveira; foram, porém, repelidas, vendo-se o general napoleónico obrigado a procurar outra via de penetração, que seria a de Chaves. A vila é modesta. Reduz-se a duas pracetas e meia dúzia de pequenas ruas e ruelas. Os Paços do Concelho, situam-se próximo da estrada. A dois passos está a Igreja Paroquial, e ao lado vê-se uma casa antiga, que é o solar dos Castros. No centro da praceta maior ergue-se um singelo monumento consagrado aos resistentes de 1809, inaugurado 100 anos depois. Entre a vila e o rio Minho situam-se as ruínas do Castelo, vendo-se logo à entrada a Igreja da Misericórdia, edifício do século XVlll, tem um portal historiado. Contém boas talhas e imagens do século XV. Podemos encontrar as Capelas de São Roque, medieval, tem no adro algumas sepulturas abertas na rocha. Foi restaurada no século XVlll; e a da Nossa Senhora da Ajuda, erguida em 1650 sobre a porta da barbacã do castelo, está coberta por um tecto apainelado com pinturas alegóricas à padroeira. Conserva um retábulo de azulejo do tipo tapete do século XVll. Quase encostado ao Castelo, encontra-se o Pelourinho, erguido em 1547, tem um fuste de cantos biselados encimado por um capitel cúbico. Ornamentam-no escudetes e remata-o uma pirâmide. Conserva ainda ferragens. Mandado erguer por D. Afonso lll, tem planta oval. Era defendido por sete torres quadradas, das quais desapareceu a Torre dos Mouros, que ficava perto da Porta da Traição, ainda existente. A Torre de Menagem está desligada da muralha da porta de entrada, ogival e com cantaria marcada. No século XV foi quase totalmente reformado como o atestam o brasão e a cantaria siglada. É fácil de perceber a ânsia de outrora os espanhóis e franceses conquistar estas terras, pois são lindas! Quem chega de barco, dá de caras com a fortaleza. É o que acontece todos os dias com os espanhóis que atravessam de ferry-boat para o lado de cá. É como se fosse necessário estar constantemente a mostrar-lhes a vitória portuguesa. Posto o pé na vila, é altura de tentar decifrar as histórias deste forte mandado construir por D. Dinis. A entrada efectua-se pelo terreiro da vila. À nossa espera está a porta principal da Fortaleza, encimada pelo escudo dionisíaco e pela Capela de Nossa Senhora da Ajuda. Apesar de ser utilizado para pousada, o burgo do Castelo está sempre aberto, à disposição dos que gostam de apreciar a história e a paisagem. Caminhamos pela calçada e logo se nos depara a Igreja da Misericórdia, a antiga cadeia (que já foi Paços do Concelho e que agora é bar e sala de reuniões e o pelourinho, onde se executavam os castigos. Em torno, existem ainda outros edifícios que serviram de habitação à população da vila e que hoje estão aproveitados como quartos da pousada. No largo do burgo, é ainda possível mandar uma moeda para dentro do poço da sorte e pedir um desejo. Velhas histórias de castelos que as pessoas gostam de preservar. Viramo-nos para o rio e passamos a “Porta da Traição”. Hoje, trair seria não Ter tempo para apreciar a paisagem do alto da Fortaleza. Pela frente passa o rio Minho e por trás ergue-se um grande cervo no alto da serra. Compreende-se que o rei D. Dinis se tenha sentido atraído por este lugar, antigamente chamado “cervaria”, por nele haver muitos veados ou cervos. A Forteleza de Vila Nova de Cerveira é mais um exemplo de patriotismo e de provas dadas na luta pelo território do Alto Minho. Em 1643, Filipe lV fez uma das primeiras incursões em Cerveira, cercando o Castelo. Mas, mais uma vez, a guarnição defendeu-se com bravura e os espanhóis desistiram. O Visconde de Cerveira tratou então de fortificar e modernizar a praça. E a nova linha, com cinco baluartes, viria a impedir que os franceses atravessassem o rio em 1809. Hoje, pernoitar na Pausada de D. Dinis é colocar-se na pele daqueles que enfrentaram com braveza o inimigo. E há mesmo quem vá mais longe, acreditando que D. Dinis chega à pousada pela noite, acompanhado por uma das inúmeras namoradas ...
ORIGEM DO NOME:
“o NOME DE Vila Nova de Cerveira, tem duas versões que correm acerca deste assunto. Uma delas diz que o nome quer significar Vila Nova de Cervaria ou de Veados, porque, em tempos remotos, estes animais eram muito abundantes no lugar ocupado por esta povoação, e a Segunda diz que o nome veio do seu primeiro donatário, José Nunes de Cerveira, que nestes sítios floresceu, no reinado de D. Sancho ll”. (do Arquivo Nacional – direcção do Dr. Rocha Martins – 1936).
“Fundou-a el-rei D. Dinis pelos anos de 1320, em um sítio chamado Cervaria, dizem por ser frequentado de cervos, como lugar que era deserto, assombrado de arvoredos, e junto de um rio. Desta circunstância parece que tirou a nova povoação o seu nome e brasão d’ armas. A primeira fundação desta vila foi um pouco mais acima, aonde chamavam as Valinhas, junto de Nossa Senhora de Lobelhe. Depois mudou-se para o lugar em quese acha, por mais apropriado a obras de defesa”. (Vilhena Barbosa –“Das cidades e Villas da Monarchia Portugueza que teem Brasões d’ Armas – 1862”).
“Se foi topónimo propriamente dito, aplicou-se ao local da velha “civitas” originária de “terra” (visto que Cerveira foi a designação da “terra” antes já da Nacionalidade) e essa “civitas”, despovoando-se, veio facilmente a tornar-se matagal, habitáculo de cervos (Dr. Leite de Vasconcelos opina que “cerveira” era palavra antiga designando ou significando “ninho de cervos”, mas talvez antes território onde proliferava tal fauna antiga). Na verdade, na velha cabeça da “terra”, que a Monarquia portuguesa por certo já achou despovoada e bravia (o topónimo pela vetustez, o indica, não existe povoação desde há séculos imemoriais. O velho corónimo medievo, Cerveira (isto é, Vila Nova da “Cerveira”), pelo que é de aludir ao seguinte passo do Abade de Miragaia, notável pelo seu crédito, tomado sem qualquer crítica ou conhecimento histórico, e pelos seus equívocos: “As armas desta vila são um veado ou cervo de sua cor, em campo verde sustentando o veado nas pontas um escudo com as quinas portuguesas, sem castelos. Estas armas aludem ao primitivo local desta vila, denominando Cervaria, por ser então deserto e abundarem nele veados. Segundo esta opinião Vila Nova da Cerveira que dizer Vila Nova da Cervaria ou de veados; outros, porém, se inclinam a crer que o título de Cerveira lhe provém do seu primeiro senhor João Nunes de Cerveira, que teve o seu solar por aqueles sítios no tempo de D. Sancho ll. Os que se inclinam a esta última opinião escrevem Vila Nova de Cerveira e não Vila Nova da Cerveira, como nós escrevemos e geralmente e oficialmente se escreve. São questões de pouca monta”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Perto de Vila Nova de Cerveira fica LOIVO, aninhado entre duas vertentes do monte de São Paio, sobranceiro a Cerveira, e dominando talvez o mais belo panorama sobre o rio Minho, cujo percurso se divisa claramente até à sua foz, encontra-se o pequeno Convento de São Paio do Monte, hoje em ruínas. Fundado nos finais do século XlV por monges franciscanos, e profundamente remodelado no século XVll, este conjunto conventual esteve esquecido da memória dos homens desde as lutas liberais até há cerca de dez anos atrás, data em que foi adquirido pelo seu actual proprietário, que realizou importantes obras de beneficiação numa das alas do convento e pretende restaurar todo o conjunto.
LOCAIS A VISITAR :
Alto da Pena: Extraordinário miradouro, pedregoso sobranceiro ao profundo e amplo vale do rio Minho, entre Cerveira e Gondarém. Em Sopo encontra-se uma impressionante Pietá, de escultura, do século XVlll.
Ermida de Nossa Senhora da Encarnação: outro mirante, este mais abrupto e menos acessível.
Às Ruínas do Castelo de Lobelhe: a 3 quilómetros, onde existem ruínas dum castelo afonsino.
Gondarém: a 3 quilómetros, para uma visita à Igreja de Gondarém, templo estimável de fins de fins de 1559. O sítio é encantador. No alto da povoação situa-se o Calvário do Bom Jesus, de Gondarém.
Monte de Goios: a 5 quilómetros. Interessante serro sobranceiro ao vale do Minho, em Lanhelas. Tem-se encontrado aí alguns curiosos sinais de vida pré-histórica. E, na chamada Chã dos Castanheiros há alguns penedos com insculturas rupestres.
De Vila Nova de Cerveira a Valença: Logo à saída de Cerveira, vê-se à esquerda, do lado do rio, o arruinado fortim de Lobelhe, prosseguindo-se até ao cruzamento da estrada que conduz a Paredes de Coura e, para o lado esquerdo, a São Pedro da Torre, modesta estância hidroterápica com nascente de águas medicionais indicadas para o tratamento de enfermidades epidérmicas e algumas modalidades de reumatismo. Perto fica uma velha ponte romana, que se supõe relacionada com a antiga via romana de Braga a Tui. Após este cruzamento, rapidamente se atinge Valença.
Solares: Os mais importantes são a Casa da Torre, em Lanhelas (antigo solar dos Barcelares), e a Casa solarenga da Loureira.
Grutas: Nesta região encontram-se várias, sendo as mais conhecidas as do monte do Picoto, recheadas de lendas de mouras encantadas, escondidas nas grutas que esperam o seu príncipe salvador. Também se destacam as ruínas de uma ermida.
 
http://www.eb23-v-n-cerveira.rcts.pt
O nome de Vila Nova de Cerveira tem duas origens, segundo as versões que correm acerca deste assunto. Uma delas diz que o nome da vila quer dizer Vila Nova de Cervaria ou dos Veados, porque, em tempos remotos, estes animais eram muito abundantes no lugar ocupado pela vila e o segundo diz que o nome lhe veio do seu primeiro donatário, José Nunes de Cerveira, que nestes sítios floresceu no reinado de D . Sancho II .
Localizar Cerveira no tempo
Vila Nova de Cerveira foi fundada por El-Rei D. Dinis que lhe deu foral em 1 de Outubro de 1321, mandando também construir o castelo que ainda hoje se ergue dominando a zona central do aglomerado. No referindo foral eram-lhe concedidos numerosos privilégios tais como: couto para sete criminosos, feira franca em S. Paio (ainda há menos de um século aí se realizaram), isenção de direitos no comércio de importação e exportação com a Galiza, etc. Em princípios do século XVIII, contava Cerveira 250 fogos e pertencia à comarca de Viana. Tinha também muita nobreza e voto em côrtes.
Em 1768 era abadia da mesma apresentação, rendia para o pároco 16000 reis contava 212 fogos.
 
Foi Vila Nova de Cerveira praça de guerra, cercada por muros e fossos, mandados fazer em 1660 por ordem do governador das amas desta província. D. Diogo de Lima, 9º Visconde de Vila Nova de Cerveira.
O concelho de Vila Nova de Cerveira estava compreendido no condado de entre Douro e Minho, segundo a divisão feita no séc. XI por D. Fernando, o Magno, rei de Leão e Castela.
Além do foral de D. Dinis de que acima falamos , concedeu D. Manuel I, em Lisboa e no dia 20 de Outubro de 1512, novo foral de Vila Nova de Cerveira, pelo qual os habitantes da vila obtiveram mais a faculdade de repartirem entre si as herdades e reguengos que pertenciam à coroa, pagando anualmente à câmara 31 680 reis, sendo ela responsável para com a coroa pela avença e concedendo-lhe, por isso, o direito de receber a dízima da foz, o direito de vanão, em dízimo do pescado, etc.
Brasão e Armas do concelho de Vila Nova de Cerveira
Armas: de verde com um cervo possante de ouro, armado de prata, olhando em frente contendo as hastes um escudete de azul carregado de cinco besantes de prata. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com os dizeres «Vila Nova de Cerveira»; de negro.
Bandeira: de amarelo, cordões e borlas de ouro e verde, haste e lança douradas.
Selo: Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira»
A posição de Cerveira na região do Minho
Dum lado as protectoras serras portuguesas, de silhueta e recortes caprichosos. Além, os montes altos de Espanha. A dividir o vale imenso, a fronteira do rio Minho, rio de beleza incomparável!
Bem junto ao rio, na sua margem esquerda , com o atlântico a avistar-se ao longe, está Vila Nova de Cerveira, terra pequena, tipicamente minhota.
Abrangendo uma área de 104,45 km2 e englobando uma população de cerca de 11 mil habitantes, distribuídos por 15 freguesias, o concelho de Vila Nova de Cerveira situa-se na margem esquerda do Rio Minho, sendo limitado a Norte, pelos concelhos de Valença e Paredes de Coura, a sul, pelo de Caminha, a Nascente pelos de Paredes de Coura e de Ponte de Lima e, a poente, pelo Rio Minho que o separa da Espanha - defronte do povoamento de Goyan (Tomiño), na província Galega de Pontevedra.
Criado por decreto de 18 de Junho de 1835, o distrito de Viana do Castelo - com dez concelhos e 288 freguesias - tem uma área de 2.255 km2, com uma população presente, segundo o Censo de 1991, de 247.791 pessoas.
Situado no Noroeste Ibérico, o distrito de Viana, a que nos habituamos a designar por Alto Minho, confronta, a Norte e Leste com a Galiza (Espanha), a Sul, com o distrito de Braga (Baixo Minho) e, a Oeste, é banhado pelo oceano Atlântico. Os 2255 Km2 do Alto Minho representam 2,5 % do território continental. Uma austera corda montanhosa, encostada a uma espécie de cidadela acastelada e rude, vendo correr no sopé o histórico internacional Rio Minho, caracteriza fisicamente o concelho de Vila Nova de Cerveira, onde o Monte da Pena, com os seus 646 metros, domina um vasto horizonte: desde terras de Paredes de Coura, Valença, Arcos de Valdevez, Braga, Caminha até à Galiza.
Cerveira está situada na parte mais antiga da formação do nosso país, constituído por terrenos arcaicos e graníticos em que se destacam como uma pequena mondia os terrenos terceários ou cenozóicos que formam o fecundo vale do Rio Minho.
A terra que constitui o concelho de V. N. de Cerveira, desde muito cedo foi ocupada pelo Homem. Povos antigos, vindos dos mares do Sul ou do Norte (o Atlântico fica a cerca de 15 Km de V. N. de Cerveira, portanto onde se situa a foz do Rio Minho, em Caminha) navegaram, rio acima, em busca de metais em que a Galiza era rica. E, os Castros, junto ou próximos do Rio Minho e seus afluentes, atestam a antiguidade do povoamento de V. N. Cerveira.
É a partir dos princípios do primeiro milénio antes de Cristo que chegam os Celtas a estas terras vindos do centro da Europa, que já sabiam trabalhar o ferro e absorveram as populações indígenas.
Quando cerca de 219 A.C. chegaram os Romanos à Península, o quadro era sensivelmente o seguinte: a Norte viviam os calaicos, nome que os Romanos davam aos Celtas e que veio a dar Galegos. No centro viviam os Lusitanos ou Celtiberos, fusão de Celtas e Iberos.
Com a ocupação total da Península pelos Romanos (excepto no Cantabro onde ainda hoje sobrevivem vestígios raros do idioma Basco pré-romano), verifica-se o chamado fenómeno da Romanização; que veio modificar as bases da economia, do tipo de povoamento, as formas de organização social, de trabalho, crenças hábitos das populações e da própria língua, construindo ainda um rede de estradas que serviria até ao século passado.
Mas a chegada de povos a estas terras não se ficou pelos Romanos. A partir do século V é a vez dos chamados Bárbaros constituídos por Alanos, Vandalos, Suevos e mais tarde os Visigodos.
Com a chegada destes últimos, tendo a Península já abraçado o Cristianismo, foi o clero católico que desempenhou função importante no que viriam a ser os traços fundamentais da sociedade medieval com clero, nobreza e povo.
Mais tarde, no ano de 711 vieram os Mouros. A sua permanência na Península prolonga-se por vários séculos o que veio também influir na nossa cultural, tendo, entre outras coisas, deixando no nosso vocabulário palavras como xarope, zero, almanaque, fardo ,azeite, etc ...
E é assim que surgem na Península ibérica vários reinos e condados entre eles o condado Portucalense que viria a ser o embrião que deu origem à nossa Pátria.
Um património valioso
A consolidação de V. N. Cerveira como destino turístico apoia-se em produtos turísticos de grande relevância histórica, cultural e paisagística:  Monte da capela do Espírito Santo - visíveis restos de um sistema defensivo parecem ser de origem castreja. Algumas das plataformas artificiais existentes indicam a existência de casa circulares. Fonte da vila; de mergulho, com acesso em escadaria ,com frontão triangular moldurado. No espelho da fonte encontra-se um escudo com armas reais encimados por uma coroa . pelo tipo de escudo e frontão a sua cronologia aponta para meados do séc. XVII.
Igreja matriz - dedicada a S. Cipriano, data do séc. XIX, mas vestígios anteriores nomeadamente a capela mor, datável do séc. XVI. A talha do altar-mor, obra do mestre Cerveirense Veríssimo Barbosa, data de 1734, enquanto a dos altares laterais é a e 1730 e foi executada pelo mestre vianense Domingos Magalhães.
Solar dos Castros - edifícios do séc. XVIII; classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Dec. Lei 735/74 de 21 de Dezembro .
Capela de S. Roque/Cruzeiro do Ecce Homo; a capela terá sido constituídas na sequência da peste de 1564. Sobre a entrada existe uma cruz grega patada
No adro existe um cruzeiro em granito com capitel de imitação coríntia, datável do séc. XVII.
Solar com capela (Quinta das laranjeiras): pontão em granito .
Capela da Senhora dos Esquecidos . Edifício do séc. XVIII.
Outeiro da Forca : A forca erguia-se fora do povoado e ainda lá está um dos pilares no outeiro sobranceiro ao Lugar das Côrtes.
No pelourinho do   outeiro da forca , executavam-se as sentenças de exposição , açoutes, flagelação e usualmente afixava-se os editais da gente principal da terra e, por isso, quando alguém atentava contra ela, é aí que se aplicava o correctivo.
 Pelourinho: dentro do castelo , frente á antiga casa da câmara, edifício reedificado em 1598 e modificado em 1769 , como atestam os respectivos emblemas heráldicos erguem-se o rude pequeno-grande monumento que simboliza o poder da jurisdição e autonomia municipais de V.N. de Cerveira e que, parafraseando o Abade de Baçal, é autêntico pergaminho nobiliante deste concelho.
O pelourinho de Vila Nova de Cerveira assenta sobre quatro degraus quadrangulares.
O elegante fuste esguio, de cantos biselados, é encimado por um capitel paralelepipédico de bom efeito decorativo e ornamentado com quatro escudetes ; estes , têm as quinas, um emblema heráldico dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira e da data :1547.
Conserva ainda os quatros braços das exposições, de ferro, e argola das correntes . Falta-lhe, todavia, a golilha axilar, de aço, que segundo o Dr. L. Figueiredo da Guerra, foi arrancada por volta de 1850 e, mais tarde o remendo de pedra.
 Castelo: o castelo foi mandado fazer por D. Dinis e possuí sete torres. Embora em ruínas encontram-se estas em regular estado de conservação, graças às obras de restauro efectuadas em 1940. Das suas primitivas torres, não existe hoje uma, a denominada dos Moiros que há muitos anos foi mandada demolir para permitir o alargamento da rua do Arrabalde, Hoje Rua Dr. Queiroz Ribeiro.
Dentro do   castelo, existem a igreja da Misericórdia,  Capela de Nossa Senhora da Ajuda , o antigo edifício dos Paços do Concelho, o antigo Tribunal e a Cadeia.
Convento de S. Paio: lá mais para diante admiro o velho convento secularizado, fundado em 1392 por frei Gonçalo Marinho.
É notável a beleza do local.
O eremitério com a sua pequena quinta mais parece um oásis de verdura, em contraste com a aspereza de antanho. O actual proprietário, Escultor José Rodrigues, na impossibilidade de o reconstruir na traça primitiva , optou pela recuperação que, sem ofender o ambiente ou o ascetismo franciscano, está a transformá-lo em local de peregrinação artística. É a beleza que daqui se desfruta. É a paz que nos invade. É o atelier de um artista que sabe escutar a voz do silêncio e neste local fez o seu cenóbio.
 Memória: para homenagear os heróicos defensores do Minho, em 5 de Setembro de1909, foi inaugurado o monumento respectivo. É simples, como modestos foram os combatentes de1809: assente em 5 balas de ferro bronzeadas, uma pirâmide de granito que remata por uma estrela hexagonal, de cobre dourado. A pirâmide têm, numa das faces, o escudo real, com silva e, na outra, as armas da vila. A grade de protecção é constituída por 4 peças de ferro, de 1867, ligadas por corrente de ferro.


 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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