Distrito de SETÚBAL

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Concelhos de: Alcácer do Sal, Alcoentre, Almada, Barreiro,

 Grândola, Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal,

Sesimbra, Setúbal (concelho), Sines.

 

 

 

 

Distrito de Setúbal é um distrito, dividido entre as províncias tradicionais da Estremadura e do Baixo Alentejo. Limita a norte com o Distrito de Lisboa e com o Distrito de Santarém, a leste com o Distrito de Évora e com o Distrito de Beja, a sul com o Distrito de Beja e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 5064 km² . Capital e Sede de distrito: Setúbal.

 

 

Setúbal – (Capital e Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 


A região de Setúbal é dominada pela cordilheira da Arrábida, que lhe confere um carácter paradisíaco.
Quem viaja de Setúbal para o Portinho, através da Estrada do Alto do Formosinho, pode apreciar um dos mais belos trechos de paisagem; para norte, a encosta da serra mal coberta de garrigue, deixando a nu, frequentemente, o esqueleto pétreo de calcário dolomítico do Jurássico, como que reforçado pela sucessão de pequenas colinas mamilonares que se perde nordeste; à esquerda, para o lado do meio-dia, a doçura de um mar muito azul que enche pequenas praias rochosas e que bebe com prazer e calma o verde das espécies arbustivas com odores mediterrânicos. Apenas ascetas se estabeleceram de forma estável no coração da serra. O testemunho mais evidente é o Convento dos Frades Arrábidos.
Também a Ermida do Bom Jesus merece uma visita. Foi construída em 1650, por ordem de D. António de Lencastre, filho de D. Álvaro, duque de Aveiro. De forma oitavada, foi executada por Afonso da Piedade.
Na Comenda, além do palácio, situa-se uma estação romana dedicada à pesca e à salga do pescado.
O Forte de Outão ficou na história da resistência de Setúbal ao domínio filipino.
Os canhões emudeceram e a construção foi utilizada como sanatório para tratamento de doenças ósseas, por obra da última rainha de Portugal, D. Amélia de Orleans e Bragança.
Entre pitorescos pinhais, belos vinhedos e aromáticos pomares, cresceram algumas povoações, como:Camarate, Pinheiros, Vendas, Vila Fresca, Castanhos, Aldeia Nogueira, aldeia Rica, Oleiros, Irmãos, Porto da Vila, São Pedro, Piedade, Portela, e ainda Coina-a-Velha de Cima e Coina-a-Velha de Baixo, que constituem o aglomerado a que se dá o nome de Azeitão.
Esta paradisíaca região foi muito procurada pela “nobre linhagem de Quinhentos” para a construção de palácios que ainda hoje testemunham a sua presença.
A preferência destas paragens deve-se não só às suas belezas, mas também à fácil ligação que sempre tiveram com Lisboa, porque era possível ir de barco até Coina, a curta distância deste sítio encantador para descanso e recreio.
ORIGEM DO NOME:
É sempre difícil determinar concretamente a origem de antigas cidades, e Setúbal não foge à regra.
Alguns escritores têm a opinião que o primeiro nome que teve foi Cetubal, proveniente das palavras “Ceto” ou seja pescaria - e de “Uba” o que seria porto - e assim seria porto ou rio da pescaria.
Outros, e dos mais autorizados, insistem em que a terra se denominou SETÚBAL, duas palavras caldaicas – “Ce” ou seja povoação e “Tubal” nome próprio.
O ilustre escritor espanhol Florian afirma que entrando Tubal em Espanha pela barra do rio Sado, tanto se agradou destes lugares que logo neles fundou uma povoação, à qual pôs o seu nome.
Outro opinião pelo nome de “Cetobriga”, teimando em que esta palavra se decompõe em duas – “ceto” que queria dizer peixe graúdo como o tubarão, baleias, atuns, corvinas, etc., e “briga” – que quer dizer cidade ou povoação.
Outros ainda têm a opinião de ter Tubal dado à povoação o nome de um avoengo chamado “Seth”, o qual anteposto ao seu formou a palavra
SETÚBAL : Mas “seto” em português muito antigo, significava, estacada, sebe ou tapagens com ramos e paus.
UM POUCO DE HISTÓRIA:
A cidade terá tido origem na povoação celta de Cetóbriga, que se erguia na margem esquerda do rio Sado, onde se encontram as ruínas de Tróia (não tem nada a ver com Tróia grega).
Após a Reconquista, foi povoada por D. Sancho ll, que a doou à Ordem de Sant’lago em 1237. Em 1458, daqui partiu D. Afonso V para Alcácer Ceguer, e em 1471 aqui casou D. João ll com D. Leonor de Lencastre.
D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1514 e concedeu-lhe o título de “notável vila” em 1525.
Sabe-se que esta zona foi habitada pelos Fenícios e mais tarde pelos Romanos, que se fixaram na margem sul do rio Sado e lhe deram o nome de Cetóbriga.
Data de então a recolha de sal, segundo se conclui dos vestígios existentes nas ruínas dessa colónia.
Todavia, os movimentos de areia forçaram os habitantes a procurar um local para se fixarem. Assim, foi escolhida uma área, designada hoje por Bairro do Troino, que, situada na margem oposta (margem direita) à primitiva fixação, se tornou o núcleo gerador da actual cidade.
Em consequência da nova localização e do desenvolvimento cada vez maior que se foi verificando. Setúbal tornou-se, no decurso do reinado de D. Afonso lll, um dos principais portos de Portugal, a par de Lisboa, Porto e Faro.
Este atributo de cidade importante levou à construção, em meados de 1300, de um dispositivo de defesa, concluído no decorrer do reinado de D. Afonso lV, como referem as crónicas de Fernão Lopes, que igualmente noticiam o lançamento de imposições, com o nome de sisas, pela primeira vez no reino. Este imposto irá permitir a edificação das muralhas, das quais actualmente só existem alguns vestígios, nomeadamente a continuação do Arco de S. Sebastião, ao fundo da Rua de Arronches Junqueiro. Este arco constituía, com as Portas do Sol, Nova, dos Padres da Companhia e de Évora, o conjunto das cinco portas da cidade.
O comércio e a indústria conheceram então grande desenvolvimento. No foral de portagem de Lisboa, decretado por D. Fernando l, em 5 de Outubro de 1377, estipulam-se os diversos produtos chegados à capital. Uvas, vinho, figos, peixe fresco e seco, são alguns dos que, saídos de Setúbal, ali se encontram referenciados. Em 1439, por decreto real, a vila é isenta de pagar aposentadoria, e decide-se a construção de estaus e casas para neles se receberem o rei e a sua Corte.
A expedição organizada, em 1458, por D. Afonso V para conquistar Alcácer Ceguer, importante praça marroquina, saiu deste porto de mar. No entanto, foi durante o reinado de D. João ll, que a vila sofreu grande impulso. Deu-se início à construção de uma conduta para o transporte de água proveniente da serra de Palmela; a 22 de Janeiro de 1471, são celebradas em Setúbal as bodas reais de D. João ll com D. Leonor de Lencastre. No ano de 1526, começaram as obras do Paço do Trigo, bem como as que procederão à abertura da Praça do Sapal, actualmente a Praça de Bocage.
À semelhança do que sucedeu em Lisboa, Vila Real de Santo António (Algarve) e outras localidades, Setúbal foi também bastante castigada pelo terramoto de 1755. No decurso das obras de reconstrução, em pleno reinado de D. José l, o Marquês de Pombal lançou um imposto de 2 réis sobre cada arrátel de carne negociado, a fim de, com esse dinheiro, se proceder à reedificação dos Paços do Concelho – Câmara Municipal – um dos muitos edifícios, profanos e religiosos, que foram destruídos pela catástrofe, entre os últimos dos quais a Igreja de Nossa Senhora da Anunciação e a Igreja de São Julião, de que só resta hoje um portal renascentista.
Centro de comércio e indústria, entreposto entre o Norte e o Sul, importante núcleo piscatório servido por uma via fluvial – o rio Sado - , Setúbal tornou-se, aquando da industrialização, a segunda cidade de Portugal.
O seu desenvolvimento e a consequente ordenação do espaço, que se irão processar, assentaram nessas características de urbe industrial. Para satisfazer as aspirações de grande cidade, e à semelhança de Lisboa, é construído em 1871 um passeio público, enriquecido em 1878 com um lago.
O processo técnico que caracterizou a 2ª metade do século XlX ordenou um novo tipo de vida que impôs, novas necessidades, às quais se tentou responder em Setúbal, de um ponto de vista formal, com o aparecimento de edifícios onde foi utilizado um novo vocabulário. Estas diversificações e mudança não foram estranhas à função específica que tais edifícios iriam ter, função que, por sua vez, estava interligada com o desenvolvimento técnico, e de que são exemplo a estação dos caminhos de ferro, servindo o ramal Setúbal – Barreiro, inaugurada em 1861, e o mercado público, que data de 1876, projecto de Marcelino Cisneiros de Faria, em que a aplicação de estruturas de ferro patenteia o progresso esse que contém ou obriga a transformações quanto à organização do espaço urbano de Setúbal, procurando-se responder às novas necessidades de circulação automóvel e de alojamento, exigidas pela crescente aglomeração fabril e consequente aumento de população.
Na Praça de Miguel Bombarda, fica situado o Convento de Jesus, construído por Boitaca (um dos construtores do Mosteiro de Batalha), é um marco da Setúbal medieval.
Trata-se de um monumento muito importante para a arquitectura portuguesa, pois define uma mudança que se opera a nível nacional.
Outro importante monumento é a Igreja de São Julião, na Praça de Bocage (*), construída no século XVlll, no local do primitivo templo, que foi destruído pelo terramoto de 1755 e do qual existe apenas um portal renascentista, com motivos da arquitectura manuelina. Próximo desta igreja está situado o Paço do Duque.
Finalmente, a Igreja de Santa Maria, ou da Graça, é, pela sobriedade do seu traçado e ornamentação, um dos mais significativos templos de Setúbal. O seu interior é constituído por três naves sustentadas por colunas dóricas, e nas suas paredes existem painéis de azulejos azuis alusivos à vida da Virgem. A sul desta igreja, como vestígio de uma construção medieval, encontra-se um portal gótico, constituído por três arcos em ogiva, hoje integrado numa construção de época mais recente.
No entanto, não são apenas os espaços, nem tão-pouco os monumentos, que caracterizam ou por si só definem uma cidade: são a vida e as cores, os ritmos e os sons, e todos aqueles que nela habitam e a completam como entidades. Pelo que são indissolúveis da história da cidade, nomes como os do poeta Bocage(*), da cantora Luísa Todi, do músico Plácido Stichini, de António Maria Eusébio, vulgarmente conhecido por poeta Calafate, e do advogado e jornalista Almeida Carvalho, fundador em 1855, da Associação das Classes Laboriosas, responsável pelo jornal “O Setubalense” e um dos primeiros historiadores de Setúbal.
ALGUNS MONUMENTOS:
PALÁCIO DO BISPO: Ergue-se na Rua de Antero de Quental e foi propriedade do bispo de Fez, D Belchior Beliago, falecido de peste em Amora (na margem esquerda do rio Tejo em frente à zona oriental de Lisboa), em 1569.
CASTELO: Conquistado aos mouros pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1165, arrasado em 1190 e de novo erguido em 1200, por ordem de D. Sancho l. Ainda se pode ver junto da cisterna as ruínas da Casa dos Vareadores, que ainda funcionava nos inícios do século XVl.
FORTALEZA DE SANT’IAGO: Imponente conjunto de arquitectura militar seiscentista, situa-se no centro do areal e conserva as diversas dependências para a guarnição, as cisternas, o paiol, a residência do governador, as masmorras e a capela privativa. Foi construída em 1648, no reinado de D. João V. Supõe-se que terão sido aproveitadas as estruturas de um velho forte manuelino que se erguia no mesmo local. Com os Fortes do Portinho (Arrábida), de São Teodósio, da Baralha e do Cabo Espichel, constituía uma cintura de defesa costeira contra eventuais ataques de galeões espanhóis ou de corsários marroquinos.
FORTE DE SÃO TEODÓSIO (OU DO CAVALO): Foi erigido em 1652 pelo arquitecto Sebastião Frias.
FORTE DE SÃO DOMINGOS DA BARALHA: Erigido durante os reinados de D. Afonso Vl e D. Pedro ll (de Portugal), nas rudes penedias da pequena baía da Baleeira, está actualmente em ruínas, bem como a respectiva capela, de evocação do Senhor Jesus dos Navegantes.
QUINTA DA BACALHOA:
O rei D. João l teve um pavilhão de caça em Vila Fresca que passou para um dos seus filhos e deste para a filha, a Infanta D. Brites. Esta casou com o Duque de Viseu e Beja, um dos senhores mais ricos de Portugal, e, assim nasceu uma das mais bonitas quintas de Portugal.
Era intenção da Infanta deixar o palácio ao neto, mas este morreu primeiro. Por isso, quando morreu em 1506, passou este Quinta para a bisneta, então com quatro anos.
Em 1528, esta vendeu a propriedade a Afonso de Albuquerque, filho homónimo do grande vice-rei português que conquistara Goa (Índia), tornando-a no centro do Império português no Oriente.
 (*) BOCAGE  (Manuel Maria Barbosa do BOCAGE) , nasceu em Setúbal em 1765. Foi o maior poeta português do século XVlll. Era filho de um advogado e de uma francesa. Aos catorze anos assentou praça e aos quinze entrou para a Academia Real da Marinha, dividindo os anos seguintes pelo estudo e pela boémia citadina. Apaixonado desde cedo, partiu para Goa já como tenente, em 1790, e, quando tornou finalmente a Lisboa encontrou a sua amada casada com um irmão seu. Completamente desorientado e sem dinheiro, volta à vida de estroinice de botequim em botequim, de amor em amor, poetando sempre. Adere à Nova Arcádia tomando o nome de “Elmano Sadino”, mas, devido ao seu carácter insubmisso e irreverente, acaba por se hostilizar com os árcades confrades, especialmente com José Agostinho de Macedo. Protegido por Filinto Elísio e pela Marquesa de Alorna, nada obsta, apesar de tudo, a que acabe por ser preso, por desbragamento de costumes e livre pensamento, em 1797. É condenado pela Inquisição a receber doutrina pelos oratorianos e, quando termina a reclusão, Bocage volta diferente, passando então a trabalhar, com todas as dificuldades de quem vive da pena (escrita), para se sustentar a si a uma irmã. Apesar de pertencer formalmente a uma escola poética neoclássica, Elmano Sadino é já um pré-romântico e para a Poesia e procurando superar violentas contradições interiores. Daqui que, apesar do vocabulário, do alegorismo e do racionalismo iluminista, Bocage exprimia com tanto dramatismo a sua fragilidade de ser humano em luta consigo próprio. Todo este subjectivismo foi formulado nos subgéneros clássicos – odes, canções, idílios, cançonetas e cantatas – e especialmente no soneto, arte que aprendeu em Camões. Apesar de considerado um dos maiores sonetistas portugueses, Bocage nem sempre consegue uma versificação de qualidade, notando-se a par de versos nítidos e musicais outros negligentes e de mau gosto, cheios de lugares-comuns prosaicos.
Acusando demasiadamente a influência depressora do meio, é inegável porém, que foi um privilegiado até no que respeita à sátira e à crítica repentista. Erótico e libertino, por vezes, possuía a convicção profunda de lhe ser permitida a liberdade de pensar e amar sem mais limites do que os de sua consciência de homem, crente em Deus apesar de tudo.

 

Setúbal
http://www.mun-setubal.pt/Municipio

Os registos de ocupação humana no território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos, em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico.
Com a presença romana, nos séculos I a IV da nossa era, nasceu Cetóbriga, um importante núcleo urbano e industrial, principalmente ligado à salga de peixe, que se estendeu pelas duas margens do rio Sado, integrando Tróia.
Durante as invasões bárbaras e a ocupação árabe, a zona habitada progressivamente abandonada devido ao avanço das areias.
Atalaias como Palmela, portos mais abrigados, como Alcácer do Sal, e vales férteis, como Azeitão, foram os locais escolhidos pelos invasores muçulmanos para se fixarem.
Após a conquista de Palmela aos mouros e do estabelecimento da Ordem de Santiago da Espada, Setúbal foi repovoada, primeiro na colina de Santa Maria e, progressivamente, na zona baixa que se estende até ao actual bairro de Troino. Recebeu, em 1249, de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem, a primeira carta foral.
Setúbal, com uma extensão territorial relativamente diminuta, teve que afirmar-se, lutando com os concelhos vizinhos - Palmela, Santiago do Cacém e Alcácer -, já então constituídos.
Com as dificuldades apresentadas pelos habitantes, no que diz respeito à entrada e venda de produtos trazidos de Sesimbra, Palmela e Alcácer, o mestre de Santiago, D. Garcia Peres, em 1343, deu execução a uma carta de D. Afonso IV, que delimitava o termo de Setúbal, tendo sido construída uma cortina de muralhas.
Ao longo do século XV, a vila desenvolveu actividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao comércio, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto.
Os primeiros conventos franciscanos, um deles o Convento de Jesus, foram construídos em Setúbal durante esse século.
A época dos descobrimentos trouxe um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.
A construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, iniciada por D. João II, terminou no reinado no reinado de D. Manuel. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao longo do último século.
O título de “notável villa” é concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de S. Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes S. Julião e Santa Maria.
A cerca de um quilómetro de Setúbal, o rei D. Filipe II mandou edificar uma fortaleza – a de S. Filipe, cujos trabalhos foram iniciados em 1582.
No início do século XVIII, a população setubalense solicitou que S. Francisco Xavier fosse eleito padroeiro da cidade.
O terramoto de 1755 destruiu e danificou muitos edifícios, tendo as freguesias localizadas na zona mais baixa de Setúbal sido as mais afectadas.
Ao longo do século XIX, o desenvolvimento económico e social transformou a vila num dos mais importantes centros comerciais e industriais do país. A elevação a cidade deu-se em 1860, por carta régia, após solicitação da Câmara, dois anos antes, ao rei D. Pedro V.
Nessa altura, foi inaugurada a via férrea Barreiro-Setúbal e, em 1863, a iluminação a gás. As obras de aterro sobre o rio iniciaram-se, fazendo nascer a avenida Luísa Todi.
Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a cabeça de diocese.
Fontes:
- “Setúbal”, José Custódio Vieira da Silva, 1990;
- Região de Turismo da Costa Azul


 

 

 

 

 

Alcácer do Sal – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

 Do alto da colina, o Castelo de Alcácer do Sal a “menina bonita” mira o rio Sado, os arrozais e as cegonhas que planam calmamente nos céus. Desde o Neolítico que Alcácer tem ocupação humana. Cedo se manifestou a sua apetência para a navegação e já na Idade do ferro, a região mantinha contactos com os povos navegadores do Mediterrâneo, sendo nessa altura conhecida por “Enviom”. Teve depois diferentes nomes à medida que nela se iam estabelecendo diferentes povos. Os romanos chamaram-lhe “Salacia Urbes Imoeratoria”, tendo a vila assumido nessa altura um importante papel na vida política e económica do Alentejo, possuindo mesmo moeda própria. Neste local, pensa-se que por volta do século Vl antes de Cristo, foi construída uma fortaleza.
Alcácer foi posteriormente ocupada pelos visigodos, altura em que o Castelo se tornou num dos mais fortes da Península Ibérica. Chamaram à povoação “Alcácer de Salaria” e para melhor defesa construíram uma nova cerca em volta do Castelo. Também os mouros se estabeleceram em “Al-Kasr (Castelo) Abu Danis”. Foi, aliás daqui que em 997 partiu a armada que apoiou o ataque de Almansor a Santiago de Compostela. E fói só em 1158 que D. Afonso Henriques conseguiu conquistar Alcácer, depois de várias tentativas frustradas. Mais tarde, D. Sancho l doou-o à Ordem de Santiago. Porém, em 1191, o Castelo passou novamente para o domínio dos árabes e só em 1217 foi definitivamente conquistado pelo exército português, à frente do qual se encontrava D. Soeiro, bispo de Lisboa. As muralhas (a circundar parte da vila) e as torres em taipa remontam possivelmente ao século Xll. Primitivamente existiam trinta torres de pedra com uma altura superior a 25 metros e uma outra, ao centro, mais alta ainda. Algumas destas torres têm vindo a ser reconstruídas. Foi na vila de Alcácer que D. Manuel l recebeu a notícia da morte de D. João ll, sendo depois aclamado rei e foi na Igreja do Espírito Santo que este monarca casou, em 1500, com a infanta D. Maria de Castela. Após a Reconquista, a importância estratégica e militar do castelo de Alcácer do sal perdeu-se, o que permitiu que o Convento Carmelita de Aracelli, fundado ainda no século XVl, o ocupasse até 1834, altura em que foram extintas as ordens religiosas. No século XlX, mais precisamente em 1833, travou-se frente a Alcácer uma dura batalha que opôs liberais e miguelistas. Dentro do recinto do Castelo de Aracelli, a Igreja de Santa Maria (século Xlll), vestígios do burgo e de habitações de diferentes épocas de ocupação, principalmente do domínio muçulmano.
ORIGEM DO NOME:
“ Há quem afirme que foi fundada pelos lusitanos trinta anos antes de Cristo, atribuindo-a a uma lenda que reza o seguinte: Bugud, califa de África, invadira a Lusitânia, destruindo e matando. Havia nesta povoação um templo dedicado a Diana, que os mouros profanaram ao entrarem na povoação. Quando iam no mar, de regresso à África, foram acostados por um forte temporal que lhes voltou as embarcações, morrendo a maior parte deles e perdendo-se as grandes riquezas que tinham tomado.
Os lusitanos, atribuindo este desastre a um milagre da divindade, reconstruíram-lhe o templo e fundaram a vila a que deram o nome de Salacia, uns dizem por ser um dos nomes de Diana, outros que por haver nesta região muito sal”. (Dr. Rocha Martins – 1935).
“Na verdade, ao que parece, Alcácer do Sal foi fundada pelos lusitanos no ano Vlll de César, isto é trinta anos antes de Cristo.
Que conta a história ? Bogud, califa africano, invadiu a Lusitânia, pondo as povoações a ferro e fogo. Havia na região de Alcácer, um tempo dedicado à deusa Salácia (um dos nomes da deusa Diana), que foi profanado pelos africanos. Quando estes se faziam ao mar, porém, um grande temporal destruiu as embarcações, perecendo no naufrágio a maioria dos invasores, e perdendo-se as riquezas roubadas. Os lusitanos viram no acontecimento um milagre da deusa, e fundaram uma vila a que deram o nome de Salácia. Há também uma corrente de opinião para quem o nome de Salácia se referia, não à deusa, mas à abundância de sal existente na região.
Conquistada pelos romanos, Salácia passou a ter o nome de Salacia Urb Imperatoria, com categoria de município do antigo direito latino. Em 715, Salácia foi conquistada pelos árabes, que construíram uma cerca em redor da povoação, fortificando-a e dando-lhe a designação de Alcácer de Salácia. Mais tarde, o Castelo de Alcácer tornou-se o mais forte da Península, ganhando foros de invulnerabilidade. No tempo do império Omíada de Córdova, com o nome de Al-Kass-bem-abu-Danés, era a capital da rica e florescente província de Al-Kassar, e possuía então um vasto arsenal de onde saíam poderosas esquadras. A designação actual é tirada, pois, do vocábulo árabe, e do nome latino – lusitano de Salácia”. (Mensageiro das Casas do Povo – 1950).
“De proveniência árabe, o primeiro elemento deste topónimo deve ser transcrito foneticamente por al-qaçr e não por al-Kassar ou alkasar, como vários autores têm feito. O vocábulo a que corresponde o castelhano alcazar, significa castelo, fortaleza ou palácio, e existe também como nome comum donde foi aproveitada para topónimo”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Alcácer significa palácio acastelado , e assim fica imaginada etimologia, que vem na Escritura Vl, do tomo lV da Monarquia Lusitana da tomada de Alcácer do Sal atribuída a São Fulgêncio quando diz: Al. Deus est. Castrumque Cacer, Castrumque Deorum. Fertur apud gentes, id venerantur amant. Vila na comarca de Setúbal sobre o rio Sado. Os mouros lhe chamavam Cacer bem Danés – Fortaleza do filho de Danes. Vid. Geograph Nubien. Discrição da Lusitânia”. (Frei João de Sousa – 1830).
“Na Península Hispânica havia a província Alcácer e nela estava o famoso Alcácer Abu Denis (em árabe: al-qaçr abu dans), que, por estar numa região riquíssima en sal ( a célebre e antiga Salácia), passou a ser conhecida por Alcácer do Sal, já sob o domínio cristão”. (Dr. José Pedro Machado – 1958).
Esta antiquíssima vila foi cidade episcopal visigoda, celebrizada pelos romanos com o nome de Salácia. Durante o domínio árabe, a sua importância manteve-se, e até 1158 foi capital da província de Al-Cassr. Tomada por D. Afonso ll, em 1217, nela se instalou a Ordem Militar de Santiago, ulteriormente para Mértola.
O principal acidente desta região é o vale do Sado. Para quem aprecia desportos náuticos é mesmo de aconselhar a utilização da “estrada” fluvial entre Setúbal e Alcácer do Sal. Os saveiros, barcos manejados por varinos que se fixaram em Setúbal sobretudo no século XlX, formando uma verdadeira colónia (em Fontainhas), sobem o rio, embora cada vez mais esporadicamente, até Alcácer do Sal, e sulcavam-se há alguns decénios até Porto Rei. Prosseguindo para montante, e também na margem esquerda do Sado, encontra-se a Comporta, feita de dunas brancas que avançam em pequenas línguas ladeadas por braços de rio e onde hoje crescem arrozais. Nos meses de Junho a Agosto, é singular o contraste do branco das areias com o verde do arroz. Entre as dunas surgem ainda hoje, de uma forma inesperada, pequenas aldeias de cabanas de colmo, quase da cor das areias. Retomando a viagem em direcção a Alcácer do Sal, depara-se-nos, um pouco mais a sul, a ilha do Cavalo, verdadeiro paraíso ornitológico. Margens baixa acompanham-nos até Alcácer, onde o Sado espelha um dos mais belos painéis de fachada que esta visita pode oferecer. É uma região rica na produção de arroz, cortiça, trigo, tomate, sal, pinhão, madeiras e gados. A exploração agrícola desta zona beneficiou extraordinariamente com as duas primeiras grandes barragens construídas em Portugal: no Pego do Altar (primeira barragem de regadio colectivo em Portugal) e no Vale do Gaio. Com Setúbal já bem para trás, o povoamento concentrado anuncia o Alentejo. Prefiguração de uma imagem cujos contornos se irão fixando para lá do último meandro do rio que ainda se alcança sobre a encantadora ponte que o atravessa em Alcácer do Sal. Com efeito, exceptuando raros centros urbanos, como Alcácer do Sal, Torrão e Grândola, a população habita montes que têm o seu arquétipo nas vilas romanas.
Historicamente, a hoje Alcácer do Sal pode equiparar-se a outros sítios da costa portuguesa (e peninsular) em que um mesmo tipo de condições topográficas se reúnem. Um cerro ou um ilhéu acessível às embarcações aptas ao tráfego marítimo, ainda que só exercendo a navegação de cabotagem e, no caso da costa atlântica, limitada a sensivelmente um terço do ano, durante a época mais favorável, a de Verão. Haveria aqui, sobretudo, que referir a presença de outros estabelecimentos comerciais púnicos em Portugal. Com alguma na foz do Guadiana (Castro Marim ?), com certeza na foz do rio Arade (Rocha Branca, junto a Silves), no Sado (Alcácer do Sal, Abul, Setúbal), no Tejo (Almaraz, junto a Almada, e em plena Lisboa, no sítio da Sé, ou mesmo mais para montante), no Mondego (Santa Olaia, junto a Montemor-o-Velho, para referir alguns dos sítios mais conhecidos. A ocupação humana da região de Alcácer do Sal está comprovada desde o período Paleolítico. No próprio sítio em que assenta o Castelo, naquela colina que se ergue sobre o rio Sado, os vestígios mais antigos são mais recentes, remontando ao Neolítico Final. Segue-se-lhe uma ocupação da Idade do Bronze que, ao que parece sem descontinuidade, dá lugar a partir do século Vll antes de Cristo à época do ferro, período em que desenvolve um importante entreposto comercial, com ligações ao Mediterrâneo Oriental. Dessa época, entre outros vestígios, foram localizados recentemente dois fornos de olaria ibero-púnicos, destinados à produção de ânforas que serviriam para o transporte de pasta de peixe.
O século ll antes de Cristo vai trazer um novo povo mediterrânico, os romanos, que vai ocupar a mesma colina do castelo e dar continuidade de funções àquela cidade que os tinha precedido e que teria o nome de Keition ou Beuipo (A . Marques Faria), denominação deduzida das legendas em caracteres ibéricos que acompanhavam moedas aqui presumivelmente cunhadas. Povoação romantizada continua a desenvolver a mesma função de cidade portuária, por onde continua a escoar-se o cobre e quiçá minério ainda mais precioso, a prata, o ouro da região alto-alentejana. Mas a sua vocação de porto drenador da produção continental vai agora ser reforçada com o escoamento de um produto agrícola cujo cultivo vai ser intensamente fomentado pelos romanos. A exportação de trigo através do porto de Salácia irá prolongar-se durante séculos, até aos nossos dias, até que o caminho de ferro venha destronar o tráfico fluvial. Produto a que se acrescentaria, nessa época de Roma, ainda que em menor escala, o vinho e o azeite, para enumerar a tríade de produtos alimentares básicos da concha mediterrânica. Mas na época romana uma outra mercadoria vai ter um enorme peso na economia local. Não já um produto importado que mais não faz senão transitar pela foz do Sado. Trata-se agora de uma produção local, sujeita a uma transformação organizada em moldes industriais. A pesca vai associar-se à salga do pescado em grandes tanques, as cetárias. Peixe salgado e produtos derivados, como o garo, vão ser enviados por via marítima, para além das colunas de Hércules, para além doe estreito que há-de chamar-se de Gibraltar. Os principais centros vão situar-se na foz do Sado, com relevo para Tróia e Setúbal. Mas, simultaneamente, vai Ter que produzir-se o vasilhame em que peixe e derivados irão acondicionar-se. É então que se desenvolve uma indústria cerâmica, centros oleiros ao longo de todo o Sado navegável, se é que já nesta época, a montante de Alcácer, Porto do Rei constituía o limite da navegabilidade do rio.
Chama-se agora a cidade Salácia Urbs Imperatória, que assim se apresentava engalanada com este título. Se bem que devendo fundamentalmente ao rio Sado a razão da sua existência, não esqueçamos – por isso fazemos estes parêntesis – que Salácia estava também ligada ao mundo romano por via terrestre através de uma rede de estradas que a colocava em relação directa com Olisipo (Lisboa), com Mérida – a capital da Lusitânia – Através de Ebora, com Pax Julia ( Beja) e Myrtilis (Mértola). E com Mitóbriga, ao sul. Tal como outras povoações do sul de Portugal, tal como outras cidades portuárias, como uma Mértola, Alcácer do Sal vai manter também a partir do século Vlll, durante a época muçulmana, as suas funções de entreposto portuário, se não mesmo reforçá-las. Com Lisboa, Alcácer será um dos grandes portos muçulmanos da costa atlântica portuguesa.
Local de assentamento da cidade, que virá a ser conhecida por Alcassr Abu Daniss, continua a ser o antigo sítio já ocupado desde o Neolítico, durante a Idade do Ferro, durante a época romana. As muralhas pré-existentes vão ser agora reforçadas e a cidade muçulmana será dotada com duas cercas, e respectivos fossos, com muros construídos em taipa, com 30 fortes torres. Sobre a Alcácer muçulmana existe um texto devido a um geógrafo famoso que viveu no século Xll, Edrissi. Diz o escritor – a versão é de J. Garcia Domingues – que “Alcácer é uma linda cidade de grandeza média, construída nas margens de Xetúbal (o rio de Setúbal, isto é, o rio Sado), grande rio frequentado por numerosas embarcações e navios de comércio”. E acrescenta que “a cidade está rodeada de pinhais, por todos os lados, e lá se constroem muitos barcos”. Escreve ainda que “a região, naturalmente muito fértil, produz em abundância lacticínios, manteiga, mel e carne”.
As magníficas condições que oferecia o estuário do rio de Xetúbal, permitindo-lhe albergar um sem-número de navios, faziam de Alcácer um dos grandes portos do Ocidente – o Garbe – do Andalás: De tal maneira que Almançor Ibne Abu Amir, o temível cado-de-guerra cordovês, mandou aqui reunir a frota que iria transportar uma parte dos seus soldados ao rio Douro, juntando-se aí as suas tropas que, em 997, arrasariam a cidade de Santiago de Compostela (Espanha).
Entretanto, como toda a costa, Alcácer do Sal vai também, a partir do século lX, sofrer o flagelo dos ataques dos homens provindos do Norte da Europa, os Normandos, e mais tarde, no fundo correspondendo ao mesmo fluxo migratório para as terras ricas do sul, até aos limites do Oriente mediterrânico, o flagelo das expedições dos cruzados nórdicos em busca do saque das cidades comerciais, que era, como vimos, o caso de Alcácer do Sal. A saga do rei norueguês Sigurdr, “o Peregrino”, conta, por exemplo, como logo no início do século Xll a expedição deste rei que se dirigia para a Palestina, depois de ter atacado cidades cristãs da Galiza (Espanha), desembarcou na região de Lisboa. A primeira vítima foi Sintra. O rei “conquistou o Castelo e matou todos os seus habitantes porque se negaram a ser baptizados e obteve muitos despojos”. Referem-se depois combates em Lisboa (“uma grande cidade da Hispânia, metade cristã e metade pagã”), Depois atacou “Alkasse”, cidade que, todavia, nem todos identificaram com Alcácer do Sal, “onde teve a sua Quarta batalha com os pagãos. Conquistou a praça, matou muita gente e arrasou a cidade, obtendo imensos despojos”.
Pressão da gente do Norte prossegue. Estes menos expedicionários germânicos que percorrem a costa atlântica com destino ao Médio Oriente vão estabelecer pactos de rapina com os senhores locais, cristãos, também eles submetendo a população ibérica à estratégia traçada e ditada para lá do Pirinéus. O saque, a riqueza móvel, cabe aos homens do Norte. Ao rei, aos senhores locais, vão caber as cidades conquistadas, o domínio da terra. Em 1217, com o auxílio dos cruzados, o rei D. Afonso ll toma posse de Alcácer do Sal. A cidade será entregue aos frades da Ordem Militar de Santiago, que aqui se veio sedear. A partir de aí, Alcácer perde importância. Continua a ser um grande porto, mas agora, tal como na própria época romana, se não mesmo anteriormente, alternará as funções e a representatividade com Setúbal. E esta dupla valência irá subsistir até ao século XlX. Como escoadouro dos produtos do interior, como o trigo alentejano, cuja exportação ainda no século XlX vai revitalizar o porto de Alcácer, a vila ressurge. Mas, depois, com o predomínio das actividades ligadas ao mar, com a instalação das fábricas de conserva de peixe (prosseguidas já em nossos dias com a implantação de estaleiros navais), eis que a antiga Salácia decai e cede a Setúbal o poder económico e administrativo, o estatuto de cabeça de território.
A vila pára de repente em ampla frente debruçada sobre o rio, depois de deslizar a ritmos diferentes pela encosta do Castelo. Casas de frontões triangulares e volutas relembram o período áureo da exploração do sal, quando, em plena século XVl, barcos do Norte da Europa vinham procurar aqui o sal mais branco de quantos se conheciam para a conserva do arenque. A mercadoria era levada em canoas de tábuas até aos galeões. O Castelo de Alcácer do Sal é a construção dominante e a que mais história encerra. O núcleo antigo da vila apresenta um conjunto de ruas típicas, como aso Marquês de Pombal, mais conhecida por Rua Direita, que merece uma visita atenta. O notável matemático Pedro Nunes (o inventor do nónimo) nasceu em Alcácer do Sal. Hoje a região de Alcácer é a primeira produtora de arroz de Portugal.

 

Alcácer do Sal
http://pwp.netcabo.pt
Desde tempos bastante remotos que o homem ousou habitar a região do curso inferior do Sado. Na verdade, em toda a área onde Alcácer se situa foram recolhidos, há já alguns anos, artefactos do acheulense – paleolítico inferior, com cerca de 40.000 anos.
A ocupação humana da região havia de continuar por milénios, merecendo destaque os "habitats" mesolíticos do Vale do Sado, população essa que vivia da recolecção de marisco e caça de pequeno porte.
Mais tarde, há cerca de 5.000 anos, fixaram-se em Alcácer do Sal e na Comporta, populações do mesolítico dando origem às primeiras manifestações de produção, quer de cereais quer mesmo de criação de gado, bem como à troca de certos produtos, sobretudo cerâmicas.
Contudo, só no período da idade do ferro, Alcácer começaria a individualizar-se de tudo quanto a rodeava sendo nesta época um verdadeiro "oppidum" com moeda própria.
No olival do Senhor dos Mártires fica situada a necrópole, correspondente a este "oppidum", onde se tem escavado numerosas e ricas sepulturas.
Com a chegada dos romanos assistiu-se à constituição da " Salacia Urbs Imperatoria", mantendo-se a cunhagem própria de moeda e capital administrativa. Época de navegação intensa do Sado, desenvolvimento da pesca e indústria conserveira (Garum).
O novo nome poderá ter-lhe sido atribuído por Júlio César, que ao mesmo tempo lhe terá dado o "Latium Vetus" e inscrito os seus cidadãos na tribo "Galeria".
A Cidade foi certamente muito importante no séc. I d.C. As produções de Sal e lãs, seriam também dois dos fundamentos da prosperidade económica de Alcácer que beneficiaria ainda da sua posição de porto fluvial e de paragem obrigatória na estrada de Olissipo (Lisboa), a Ebora ( Évora ) e a Pax Julia ( Beja ).
No período visigótico constitui-se Alcácer como cidade episcopal, sendo S. Januário o seu primeiro Bispo.
 

Na época islâmica a cidade de Alcácer do Sal toma a designação e " Alqasr Abu Danis".
Como na época romana, o porto de Alcácer voltou a ser frequentado pelas marinhas orientais e norte-africanas, estaleiros, arsenais, depósitos de materiais e víveres tornaram-se o ponto de apoio, base de operações contra os vizinhos e salteadores incómodos.
Alcácer do Sal, continua pois a ser um dos mais importantes centros de comércio da península.
A partir do séc. XII Alcácer foi palco de grandes batalhas entre muçulmanos e cristãos, primeiro com D.Afonso Henriques (1158) que lhe atribui o primeiro Foral e depois com D. Sancho I (1191) e D. Afonso II que reconquista definitivamente a povoação aos muçulmanos (1218).
Após a sua tomada, Alcácer foi doada à Ordem de Santiago.
Em 1495 é aclamado em Alcácer El-Rei D.Manuel I. Em 1502 nasce nesta povoação o célebre matemático Pedro Nunes.
Durante o séc.XVI, assiste-se a um grande renascimento comercial com grande produção de sal. É uma época marcada pela exteriorização da riqueza através da construção de palácios, igrejas e conventos.

 

Alcácer do Sal
http://pontaldecacilhas.blogspot.com/
A primeira presença humana conhecida em Alcácer do Sal, teve lugar há cerca de 40 mil anos, como testemunham os artefactos recolhidos um pouco por toda a região.Mais tarde, e há cerca de 5.000 anos, Alcácer do Sal e a zona da Comporta foram ocupadas por populações do mesolítico, o que originou as primeiras manifestações de produção, quer de cereais e criação de gado, quer de troca de produtos, como cerâmicas.
Contudo, foi no período da idade do ferro que Alcácer ganhou uma grande independência, considerada nesta época um verdadeiro centro urbano com moeda própria.Com a chegada dos Romanos, seguramente antes de 133 a. C., o povoado de Bevipo, nome dado pelas populações célticas que aí residiam, passou a denominar-se "Salacia Urbs Imperatoria", ganhando o estatuto de cidade de Direito Latino.
Nesta fase conhece um significativo desenvolvimento da pesca e da indústria conserveira. No século I d.C. Alcácer mantém a sua importância com a intensa produção de sal e lãs.A antiga Salácia passou por diversas fases, constituindo-se, no período visigótico, como cidade episcopal, tendo como primeiro bispo S. Januário.Em 715, a região é ocupada pelos árabes, que aí permaneceram durante 4 séculos, tornando-a capital da sua província de Al-Kassar.
Nesta altura, tal como na romana, o porto de Alcácer voltou a ser frequentado pelas marinhas orientais e norte-africanas, facto que a manteve como um dos mais importantes centros de comércio da península.A partir do século XII, Alcácer do Sal assiste a grandes batalhas entre muçulmanos e cristãos, primeiro em 1158, com D. Afonso Henriques e depois, em 1191, com D. Sancho I. Em 1217, no reinado de D. Afonso II a povoação foi definitivamente reconquistada e em 1218 recebe a carta de foral. Dois anos mais tarde, a região foi instituída Cabeça da Ordem de Santiago.
A reconquista desta zona era sobretudo estratégica a nível geográfico, pois a cidade já tinha perdido grande parte da sua importância de outrora.Durante o século XVI assistiu-se a um enorme renascimento comercial com grande produção de sal, uma época também marcada pela exteriorização da riqueza através da construção de palácios, igrejas e conventos.
Região de Setúbal Online
posted by Luis Villas at 23:24

 

 

 

  


 

Alcochete – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, foi fundada, possivelmente, no ano 850 antes de Cristo. Esteve em poder dos suevos, vândalos e mouros. Foi elevada à categoria de vila no reinado de d. João ll, e aqui, nasceu D. Manuel l em 31 de Maio de 1469 – que lhe deu foral em 1515. Alcochete foi um local muito pretendido pelos reis para passarem períodos de repouso. Tanto D. João l como D. João 11 escolheram esta vila para descansar. No século XlX e princípios do século XX, a praia de Alcochete era muito procurada pelos habitantes de Lisboa.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Nome árabe, que significa etimologicamente forno (alcoxa alcoxete)”,

«Dr. José Pedro Machado em Influência Arábica no Vocabulário Português – Lisboa 1958”: “Do árabe alkuxa, os “fornos”; é o plural de kuxâ, “forno”. David Lopes, que explicou este vocábulo ( Revista Lusitana XXXlV, pág. 258), acrescenta que ainda hoje ali há fornos de cal”.

 

Alcochete
http://pontaldecacilhas.blogspot.com
Desde há 28 mil anos, que a região de Alcochete é habitada pelo homem, devido aos seus recursos naturais (caça e pesca).Já na nossa Era, entre os séculos I e V, os romanos implantaram uma olaria que produzia ânforas, ficando o local conhecido como “Porto dos Cacos”.
Por este território passaram, além dos romanos, os visigodos e os árabes.
Estes últimos terão fundado a povoação de Alcochete entre os séculos VII e IX. O topónimo que dá nome ao concelho deriva de uma expressão árabe que significa “o forno”.
No século XII, D. Afonso Henriques ganha a praça de Alcochete que passou a ser domínio da Ordem de Santiago, ao integrar a área de “Riba Tejo”.
A época dos Descobrimentos marcou sobremaneira o território, permitindo-lhe viver um período áureo, patente nas obras da Igreja Matriz, no retábulo da Igreja da Misericórdia, na construção da Capela de Nossa Senhora da Vida, etc..
Em 1515, D. Manuel I, que nasceu nesta vila, concedeu-lhe Carta de Foral e Alcochete teve um surto de desenvolvimento, devido à protecção do rei e também da nobreza rural que possuía terras dentro e fora da vila.
Nos séculos seguintes, o povoado torna-se um importante centro da produção salineira, o que lhe permite um importante desenvolvimento económico.
Em meados dos século XX, factores como a decadência da pesca e da salicultura, bem como o desenvolvimento da circulação rodoviária, fazem com que o concelho se volte para a actividade agrícola e industrial como suporte da sua economia.
Região de Setúbal Online

 

Alcochete
http://www.antoniosousa.com
Alcochete foi provavelmente fundada pelos Mouros, depois da conquista de Lisboa por ABDELARIR-BEN-MUSA no ano 714 d.C. Uma vez que a invasão se operou no sentido sul - norte, será lógico pensar que a margem esquerda e a sul do Tejo fosse ocupada nos seus pontos mais importantes, nos aspectos defensivos e económicos.
Relativamente a Alcochete, teriam sido os Mouros a “baptiza-la”.
Frei João de Sousa, em vestígios da língua Arábica em Portugal, diz que o nome Alcochete provém da palavra composta “Alcaxete”, (Alca-xête), cujo o significado à letra é “achada da ovelha”, que significaria descampado ou terra baixa e plana onde pastavam ovelhas.
Alguns autores defendem que “Alcaxete” significava “Forno de cal”. Esta última interpretação deve-se ao facto de os árabes terem escolhido este local para construírem um forno de cal, pois além de ser provido das matérias primas, era batido pelo vento e situava-se junto ao rio, que lhe dava um fácil acesso a Lisboa, onde o produto era muito consumido .
Não é possível fixar num determinado número de anos, ou mesmo séculos, a duração do domínio Muçulmano na Península Ibérica, porque essa duração variou muito de região para região.
Os efeitos na linguagem não foram muito significativos, é interessante analisar as palavras que herdamos dos árabes. De um modo geral, uma palavra nova adapta-se para exprimir uma realidade nova, daí poder-se deduzir que os Mouros teriam dado um nome a esta nova povoação edificada num campo deserto. 
 Razões para a sua fundação
A localização de Alcochete era importante do ponto de vista económico e pela sua localização geográfica que facilitava a comunicação com terras do interior . Perto do rio Tejo e do rio das Enguias, na altura francamente navegável, e como caminho mais curto de ligação a terras que correspondem hoje ao Baixo Ribatejo, Alto Alentejo e Centro Alentejo, era de esperar que Alcochete evoluísse e crescesse sobre o domínio mouro. Depois da conquista de Lisboa aos mouros em 1147 por D.Afonso Henriques, a população moura, ficando Alcochete despovoada à semelhança do que aconteceu com outras terras que iam sendo conquistadas. 
Concessão de Foral de Alcochete 
Depois da retirada dos mouros para o sul do território, poucos foram os progressos verificados na povoação. D. Sancho, compreendeu que a necessidade do país, após as destruições provocadas pelas guerras, era o aumento da sua riqueza e população. Por isso empreendeu uma louvável tarefa de reconstrução, repovoamento e fundação de muitas localidades. Foi nesta monarca que concedeu o primeiro foral a Alcochete e, segundo consta, foi também no seu reinado que se converteu a mosquita árabe então existente, em tempo cristão. Já na era de quinhentos e após avultadas obras, este templo viria dar origem à igreja Matriz tal como a conhecemos nos nossos dias.
Alcochete é uma vila da idade moderna que conheceu o progresso e desenvolvimento sobretudo a partir da Idade Média.
E a vila da margem sul do estuário do rio Tejo, que, no início do século XVI, possuía maior número de habitantes (Alcochete 184 moradores, cerca de 690 habitantes).
Alcochete apresentava-se como um burgo tipicamente moderno. É, de facto, uma vila da modernidade e dos descobrimentos, como ilustrem vários dados, designadamente: o crescimento demográfico; local de passagem e ao mesmo tempo paragem da corte e de fidalgos; o foral e misericórdia quinhentista; o pelourinho e a igreja matriz manuelina; a produção económica quer agrícola ( vinho e fruta ) quer industrial (cerâmica, carvão, vidro e sal ) e exploração de lenha com destino dos fornos de Lisboa, grande centro consumidor de energia. O vinho e o sal incluem-se entre os produtos de exportação. A empresa dos descobrimentos portugueses encontram neste município moderno um importante centro de apoio logístico, quer para os trabalhos preparativos das armadas com o fornecimento de madeira e carvão para a construção naval quer para viagens como o vinho e sal.
Sobre a Terra Alcochetana pairam as sombras de seus antepassados, fidalgos e plebeus ricos e pobres, que nos descobrimentos, nas conquistas e em todos os campos da vida social contribuíram para a fundação e aumento do Império Ultramarino.
É na margem esquerda do Tejo, próximo da Reserva Natural do Estuário do Tejo, que vamos encontrar a castiça vila de Alcochete. Esta situa-se a cerca de 20 Km de Lisboa e a quase 30 Km de Setúbal. As condições proporcionadas pelas margens do rio explicam a existência dos salineiros e a acentuada proximidade do Ribatejo, justifica a presença dos campinos e dos forcados. Ligada à criação de gado bravo estão as tradicionais touradas e largadas de touros que, nas festas de Verão, especialmente nas do Barrete Verde e das Salinas, obrigam quem anda nas ruas a fugir do animal.
O topónimo "Alcochete" parece derivar de uma expressão árabe que significa "forno", remetendo para os numerosos fornos que existiam na região. Esta hipótese levanta a possibilidade da fundação da povoação ter sido entre os séculos VII e IX, depois da conquista árabe de Lisboa. Após a fundação da nacionalidade, foram vários os reis que deram importância a Alcochete. D. João I e D. João II passaram ali longas temporadas de repouso e de lazer e o infante D. Fernando (irmão de D. Afonso V) chegou mesmo a estabelecer ali a sua residência, na qual viria a nascer o futuro rei D. Manuel, em 1469. Nos séculos XVII e XVIII verificou-se um desenvolvimento da exploração do sal e do negócio da lenha. O concelho foi extinto em 1895 e restaurado três anos depois.
Esta localização à beira rio permite a este concelho uma beleza inquestionável e um ambiente muito característico. A sua área abrange aproximadamente 94 Km2 e conta com cerca de 13.010 habitantes (densidade populacional: 138 hab/Km2). Alcochete é sede de um dos 13 concelhos do distrito de Setúbal, inclui 3 freguesias (Alcochete, São Francisco e Samouco) e integra a Área Metropolitana de Lisboa.

 

 


 

 

 

Almada – (Concelho do Distrito de Santarém)

 

 

 

 

Almada foi tomada aos mouros em 1147, por D. Afonso Henriques e, beneficiou de três forais: o primeiro foi dado pelo primeiro Rei, em 1170, aos mouros forros, e refere a cultura da vinha, do azeite e do figo. D. Sancho l deu-lhe novo foral em 1190, e, em 1513, D. Manuel l o rectificou.
Esta nova cidade diversas vezes, esteve ligada às vicissitudes da História, como o caso do cerco castelhano em 1384. Em Almada viveram grandes escritores como, Fernão Mendes Pinto, Manuel de Sousa Coutinho (Frei Luís de Sousa) e, esporadicamente, Gil Vicente (o pai do teatro português), que em 1509 aqui escreveu o Auto da Índia.
ORIGEM DO NOME:
“Na etimologia da palavra divergem os estudiosos. Uns entendem ser ALMADA corrupção de Vimadel, denominação que seria imposta pelos primeiros fundadores e significava terra de muitos; outros opinam que anteriormente à tomada de Lisboa, já ali havia uma pequena povoação mourisca, que a retomaram aos cruzados ingleses que haviam ajudado a conquistá-la; sendo depois reconquistada por um descendente destes últimos, de nome Almada; finalmente querem alguns que efectivamente havia ali uma povoação, com o nome de Al – Maden , a qual foi tomada, reedificada e povoada pelos cruzados ingleses”. (Domingo Ilustrado – Maio de 1897).
“Após a tomada de Lisboa aos mouros por D. Afonso Henriques, auxiliado por uma armada de cruzados que se dirigia à Palestina, distribuiu o monarca português, várias terras pelos estrangeiros que colaboraram na sua façanha, desde que quisessem continuar a residir em Portugal.
Os cruzados que na expedição seguiam em maior número eram de nacionalidade inglesa, aos quais coube, portanto, maior porção de terras, sendo uma delas, o monte que fica ao sul e em frente de Lisboa, os quais fundaram uma vila a que deram o nome de um dos seus principais – segundo opinião de alguns investigadores.
Outras opiniões há sobre a origem do nome desta hoje cidade, mas todas erradas, sendo a mais verosímil a que lhe é atribuída por Eldrisi, na Geografia Nubiense. Dá este autor à vila mourisca o nome de Almadan, que quer dizer mina de ouro ou prata , em virtude das areias do Tejo, entre Sesimbra e Almada, antigamente, serem auríferas”. (Dr. Rocha Martins – 1935).
“Já houve quem afirmasse que este nome resultou da expressão saxónica all is made , que quer dizer tudo está feito; mas, com muito mais probidades de aceitação, Almada é nome árabe, e que correspondem às formas antigas Almadana, Almadãa e Almadaa, vocábulo que se dá o significado de a mina de ouro. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Almada é o mais belo miradouro da capital (Lisboa). As opiniões sobre a origem do nome são variadíssimas, sendo a mais favorável a que liga a sua origem ao ouro que se encontrava nas parias do rio Tejo, desde esta localidade até à baía de Sesimbra, e à mina do precioso metal na Adiça. Assim, em 1090, o xerife mouro Elidrisi, autor da Geografia Nubiense, dá a esta vila o nome de Almadan, que significa “mina de ouro ou prata”. Também dizem que seu principal fundador foi um mouro chamado Al-Madez ou Al-Madão, que lhe dera seu nome. Os romanos chamavam-lhe Caetobrix ou Caetobrica.
A actual cidade de Almada tem um passado histórico, mais pela estada de reis, religiosos, escritores e artistas, que a escolheram para nas suas quintas e palácios passarem grande parte do tempo de repouso, do que propriamente pelos monumentos que nela foram edificados. Para documentar essas presenças, restam ainda algumas casas e quintas apalaçadas, bem como o castelo que se ergue no alto da cidade. A Quinta do Alfeite, situada entre o rio Tejo e o esteiro de Corroios (Seixal), é um belo documento que ilustra a constante presença da realeza e da nobreza de Portugal nestas paragens. Procurada desde o tempo dos cruzados ingleses que ajudaram D. Afonso Henriques a conquistar Lisboa, tanto D. Leonor Teles como Nuno Álvares Pereira frequentaram este recanto paradisíaco, onde D. Pedro V, já no século XlX mandou construir um palácio. Presentemente, estão instalados nesta Quinta o Arsenal da Marinha e a Escola Naval. Almeida Garrett aponta-nos como alguns dos motivos de atracção da “boa vila de Almada a fama de suas águas sadias, ares lavados e graciosa vista”. Também diz que Almada foi edificada no alto de um rochedo sobranceiro ao Tejo, de onde se podia observar facilmente todo o movimento das embarcações no estuário do rio e, no Frei Luís de Sousa, coloca na boca de Maria as seguintes palavras: “Bonito ! Eu há mais de meia hora no eirado passeando – e sentada a olhar para o rio a ver as faluas e os bergantins que andam para baixo e para cima ...”.
Decorreram em Almada dois acontecimentos importantes relacionados com a presença castelhana em Portugal. O primeiro verificou-se em 1384, quando os portugueses ali mantiveram um cerco contra os castelhanos; o segundo passou-se com Manuel de Sousa Coutinho (imortalizado no Frei Luís de Sousa), que em 1591 lançou fogo ao palácio para nele não se instalarem os governadores de Castela quando fugiram à peste que grassava em Lisboa.
A beleza e grandeza de Lisboa só se podem verdadeiramente avaliar admirando as vistas de quase todos os sítios da margem esquerda do estuário do Tejo. A região da Outra Banda compreende os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
ALCOCHETE:
É uma povoação muito antiga, foi fundada, possivelmente, no ano 850 antes de Cristo, tendo estado em poder dos Suevos, Vândalos e Mouros. Foi elevada à categoria de vila no reinado de D. João ll e, aqui nasceu em 31 de Maio de 1469 o rei D. Manuel l. Os documentos antigos registam que os alcochetanos tinham as profissões de escudeiros, marnoteiros, carreiros, mareantes, banqueiros, sapateiros, cavadores e feitores. Em 1501, moravam nesta vila dois arqueiros que fabricavam as arcas ou tonéis. Segundo a tradição, a arte de serralharia foi muito importante neste concelho. O comércio da lenha nesta vila data de há longos anos. Sabe-se que já em 1537 Duarte Gonçalves e Afonso Perdigão, moradores em Alcochete, negociavam aquele produto. Mais tarde, nos séculos XVll e seguinte, registaram-se muitos lenhadores de lenha na região. O negócio da lenha era muito importante, porque Lisboa consumia muita nos fornos das fábricas e nas casas particulares. Outro produto importante que se explorava e explora nesta terra é o sal, extraído em grandes quantidade das salinas de Alcochete. Alcochete foi um local muito pretendido pelos reis para passarem períodos de repouso. Tanto D. João l como D. João ll escolheram esta vila para descansar. E aqui nasceu D. Manuel l, que em 1515 lhe veio a conceder foral.
BARREIRO:
(Origem do nome). “Na margem esquerda do Tejo, a nove quilómetros aproximadamente ao sul de Lisboa, numa bem situada planície, saudável e lavada pelo norte, fica situada a importante vila do Barreiro. Não podemos determinada precisamente a data da sua fundação, mas o que se nos afigura fora de toda a dúvida é que este sítio começou a ser povoado por pescadores do Algarve que, atraídos pela grande abundância de peixe e marisco das águas do Tejo, bem como pelo excelente mercado que lhes fornecia a cidade de Lisboa, vieram pouco a pouco, desde muitos séculos, emigrando para estas paragens, onde se foram estabelecendo, como actualmente sucede com o portinho d’ Arrábida e tantos outros pontos da nossa costa. O modo de falar, bem como a acentuação de voz dos habitantes do Barreiro, tão diferentes do das outras povoações limítrofes, ainda as mais próximas têm grandes semelhança com o dos povos do Algarve, bem como, se nota ainda, uma certa semelhança de costumes. É tradição que estes pescadores exerciam de preferência, a sua profissão nas águas da barra de Lisboa, e que por este motivo eram conhecidos pelo nome de barreiros, e que daí veio o de Barreiro, para o local onde eles se recolhiam. ( Dr. José Augusto Pimenta – 1886).
MOITA (do Ribatejo):
Origem do nome: “A antiga Moita do Ribatejo já no século XVll era concelheiro, extinto mais tarde e restaurado em 1898, para ser incorporado no recente distrito de Setúbal, como se chama actualmente. A denominação da vila ribeirinha deve provir do mesmo nome comum moita, vocábulo de origem latina, de sentido vegetal e de que existe a variante mouta, forma menos usada.” (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Moita do Ribatejo é um recanto magnífico da Outra Banda, no fundo de um esteiro do Tejo, foi em 1681 elevada por D. Pedro ll à categoria de vila. Segundo alguns estudiosos, a origem do seu nome deve-se aos primitivos habitantes, humildes carvoeiros, que utilizavam a lenha das moitas na sua indústria. Segundo outros, foram pescadores algarvios que, aproveitando e esteiro, se instalaram primeiro. As touradas da Moita do Ribatejo são famosas e indispensáveis no folgança das populações locais.
MONTIJO:
(Origem do nome): “Nome que se pode ser considerado novo, pois foi em 1930, com que foi crismada a Aldeia Galega do Ribatejo. É de crer que o topónimo seja simples aproveitamento do mesmo nome comum, Montijo, tirado de monte mais o sufixo exótico – ijo, e que significa simplesmente “montículo ou pequeno monte em forma mais ou menos cónica”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Acerca do nome de Montijo, escolhido finalmente para denominar a vila, pouco há a dizer. A península de Montijo, a ilha do Montijo e o rio Montijo, estão intimamente ligados e fazem parte dum conjunto geodésico formativo desta região. Montijo, segundo alguns estudiosos, pode bem significar “monte pequeno” (montículo), ou “Mont” (Tagus) de Tejo, pequeno monte frente ou junto ao Tejo. A ilha que fica em frente, é bem de ver que recebeu seu nome da Península. O rio, hoje esquecido de seu nome, tanto que ninguém o conhece como tal, nasce a 5 Km do Oeste de Palmela, passa sob a ponte da linha férrea do Sueste e vai desaguar no grande enseada que o Tejo forma a sul de Montijo, depois de um curso de 20 Km. Na “Corografia Moderna”, de Batista, disse: -“O lugar de Montijo está em uma ponta de terra que forma a enseada de Aldeia Galega, e que se chama a Boca do Montijo; é muito perigosa com vento forte e tem largura 1,5 quilómetro ...”. O lugar tornou-se conhecidíssimo a partir do século XlX, por causa da ilhota ostreira que deu, com outras que lhe estavam vizinhas (desaparecidas actualmente, desde que no espigão foi instalada a Base Aérea nº 6), origem da grande questão jurídica que se arrastou durante anos pelos tribunais franceses, ingleses e portugueses”. (Dr. Rui de Mendonça – 1956).
Até 6 de Junho de 1930, o Montijo chamou-se Aldeia Galega do Ribatejo. A tradição diz que foi uma mulher chamada Alda quem deu origem à povoação. O padre carvalho da Costa, no início do século XVlll, explica que este lugar “tomou o nome de uma mulher chamada Alda, a Galega, por ser oriunda das partes da Galiza, a qual tinha uma venda junto ao porto, aonde hoje é a vila, na qual o concurso de gente do Alentejo, que ainda era ténue, descansava; e, como os passageiros apelidavam têrmo à sua jornada, o impunham para esta parte até Alda, a Galega, dando o único vocábulo ficou Aldegalega”.
Apesar de ser uma lenda curiosa, não é aceite para explicar a origem do nome de Aldeia Galega, que é uma povoação muito antiga. Em 1186, D. Sancho l doou aos cavaleiros da Ordem de Sant’Iago alguns coutos e herdades desta terra. Em 1514, recebeu foral de D. Manuel l. No reinado de D. João lll, em 1533, foi escolhida pelo correio – mor, Luís Afonso para sede no Sul do mesmo correio. Quando, em 1 de Dezembro de 1640, foi aclamado rei de Portugal, D. João lV reuniu o seu primeiro concelho régio em Aldeia Galega, ao parar nesta vila durante o percurso de Vila Viçosa para Lisboa.
SEIXAL:
O nome desta povoação teve origem na abundância de seixos que existiam na praia e que serviam para o lastro dos barcos. O abrigo natural que o "seixo do Seixal" (designação da zona do Tejo entre a vila e o Alfeite) oferecia às embarcações permitiu que fosse uma terra eleita para a construção naval desde a época dos Descobrimentos. Segundo a tradição local, Vasco da Gama e Paulo da Gama, filhos de Estêvão da Gama, que foi comendador do Seixal, foram donos da Quinta que hoje se chama da Fidalga. Além desta famosa Quinta, existem outras nos arredores da vila que testemunham o encanto destas paragens. Assim, próximo da antiga estação do caminho de ferro, fica a Quinta da Trindade, que tem um edifício classificado de interesse público.
Se procura a serenidade de um entardecer à beira rio, sem pressas, isolado das correrias e dos atropelos da cidade, passe pelo Seixal. Vá sem ideias feitas, sem juízos de valor. Isole-se de si mesmo e delicie-se sentado no pequeno mundo de areia que o braço do Tejo guarda junto ao paredão que separa a vila das águas do rio. Mesmo em frente, do lado de lá do rio Judeu (braço do Tejo) pode contar sempre com a companhia do moinho de maré da Torre. É um dos dez que ainda compõem a margem sul do Tejo ao longo do concelho do Seixal. A condição do estuário do rio e a necessidade de grande quantidade de farinha para abastecer Lisboa, fizeram que ao longo de todo o século XVl os moinhos de maré fossem grandes motores do desenvolvimento da região sul do Tejo. Na altura contavam um total de sessenta. Hoje vivem, na sua maior parte, abandonados à mercê do rio. Aquilo que não se perdeu foi o prazer de ver deslilar as faluas e os varinos enfeitados de cores garridas. E se quiser marcar a diferença em relação aos do passado, basta passar pelo Eco – Museu Municipal, onde se encontram representados todos os tipos de embarcação que navegam no Tejo. Mas para já, mire os pescadores que tentam lançar o isco ao peixe desprevenido ou simplesmente recupere forças, olhando as ondas do rio trazidas pelo vento do norte ...
OUTRAS LOCALIDADES VIZINHAS
ADIÇA: Próximo da Fonte da Telha existiu a famosa mina de ouro da Adiça. Segundo a tradição, foram feitos com ouro proveniente desta mina a coroa e o ceptro de D. Dinis, bem como o ceptro de D. João lll.
ALHOS VEDROS: D. João l refugiou-se em Alhos Vedros durante a epidemia de peste que assolou Lisboa e vitimou sua mulher, D. Filipa de Lencastre. Foi também em Alhos Vedros que o mesmo monarca autorizou seus filhos a organizar a expedição a Ceuta. Em 1514 foi-lhe concedido foral por D. Manuel l. Origem do nome: “Alhos Vedros representa uma sorte de excepção, porque o adjectivo “vedro” (lat. Vetulu) ao menos marcar-lhe-á o século Xlll, o mais recuar, o Xll. O nome principal Alhos, é perfeitamente português e, já se vê, desse tempo; e a sua ligação ao adjectivo arcaico vedros apenas pode, talvez significar que a povoação já existia, embora pequena, quando se fez o repovoamento após a tomada de Palmela, eliminando-se provavelmente a designação primitiva (talvez pelo menos arábica): o nome seria sugerido pela flora local dominante e a vetustez do povoado determinaria a aplicação do adjectivo”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944). A tradição diz-nos que, num Domingo de Ramos, os mouros de Palmela assaltaram os cristãos de Alhos Vedros quando estes se encontravam na igreja. Os cristãos saíram do templo e atacaram os mouros, servindo-se apenas das palmas e dos ramos bentos. E, apenas com estas armas, conseguiram uma grande vitória. A partir deste acontecimento, começou a celebrar-se anualmente naquele Domingo, depois da cerimónia dos Ramos a que assistia a Câmara, uma grande festa dedicada à Senhora dos Anjos.
A exploração das salinas, que ainda se verifica, foi muito importante para a economia da povoação.
AMORA: A região de Amora foi escolhida durante muitos anos por princesas, príncipes e fidalgos para repouso e recreio. Presentemente, toda esta área mantém ainda muitas características do seu passado, tais como os palácios e as zonas verdes que os cercavam. Por outro lado, são herdados destas antigas quintas os nomes que os novos bairros vão adoptando.
ARRENTELA: (Origem do nome): “De muito antiga fundação, a que andam ligadas histórias de mouros, esta conhecida freguesia do concelho do Seixal, debruçada sobre o Tejo, tirou o seu nome da expressão arrenta tellos por ser terra levantada e despenhada para a parte do mar. Isto, porém, não passa dum caso de etimologia popular, que é de todo inaceitável, não obstante Ter-se escrito e repetido. Outros autores querem que o primitivo nome tenha sido Aventella transformando mais tarde na designação actual; explicam esses autores que tal nome foi dado por ser a povoação muito varrida de ventos, insinuando que é raiz deste vocábulo que se encontra em Aventella, mas esquecendo-se explicar a mudança da primeira consoante em dois r r . Houve ainda quem afirmasse que o povoado se chamou antigamente Areentella, “porque suas areias são típicas”, ficando também por explicar a posterior geminação do “ r “, além de ser pouco lógico que se chamasse areentazinha, que é o significado etimológico daquele suposto Areentella. Pondo tudo isto de lado, parece-nos outra origem pela correspondente localização à beira do Tejo. Assim, o vocábulo será decomponível em “al – rente – la”, onde o primeiro elemento aglutinado em “ar”, revelará influência árabe, ao passo que o último elemento será simplesmente o sufixo diminutivo, muito vulgar na toponímia. Admitida esta hipótese, o nome Arrentela significará etimologicamente a rentezinha, nome que terá sido dado à povoação por ter sido fundada mesmo junto à margem esquerda do nosso mais importante rio”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944). Foi nesta freguesia que, no início da segunda metade do século XlX, se fundou a Fábrica de Lanifícios da Arrentela, no mesmo local onde, no tempo de D. Miguel, fora instalada uma fábrica de mantas para o Exército. A primeira máquina a vapor feita em Portugal, foi montada nesta localidade.
ATALAIA: (Origem do nome): “Espalhadíssimo está este topónimo, pois se encontra a designar grande número de terras portuguesas. É expressão árabe, resultante da at – talaia, que significa torre de vigia, sentinela, etc.”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).

Foi nesta freguesia que, no início da segunda metade do século XlX, se fundou a Fábrica de Lanifícios da Arrentela, no mesmo local onde, no tempo de D. Miguel, fora instalada uma fábrica de mantas para o Exército. A primeira máquina a vapor feita em Portugal, foi montada nesta localidade.
ATALAIA: (Origem do nome): “Espalhadíssimo está este topónimo, pois se encontra a designar grande número de terras portuguesas. É expressão árabe, resultante da at – talaia, que significa torre de vigia, sentinela, etc.”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
A poucos quilómetros do Montijo encontra-se o famoso templo de Nossa Senhora da Atalaia, que todos os anos atrai uma multidão de romeiros. Diz-se que é o santuário mais célebre do sul do Tejo, devido à devoção popular, que o tornou muito frequentado, sobretudo no Verão, onde iam todos os anos pôr 30 círios. A esta romaria, que também se chamou do Círio, iam outrora os empregados da Alfândega de Lisboa, no Domingo da Santíssima Trindade, a fim de cumprirem uma promessa feita em 1507, quando uma peste dizimou muita população de Lisboa. A grande devoção dos lisboetas por Nossa Senhora da Atalaia deu origem ao nome de uma rua em Lisboa (Rua da Atalaia).
COSTA DA CAPARICA: Era da Costa da Caparica que partiam, para as ruas de Lisboa e povoações da Outra Banda, as “mulheres da sardinha”, cujo vibrante pregão cortava o ar como um clarim: “Ó viva da Costa !”. Em 1923, Raul Brandão descreveu a Costa da Caparica como uma povoação de pescadores, constituída por casotas de paredes de madeira, fixas ao chão, cobertas de colmo e outras de palha e tecto de colmo. Presentemente, a Costa da Caparica é uma das praias mais concorridas dos arredores de Lisboa.
LAVRADIO: A 2 Km do Barreiro fica a antiga vila do Lavradio, cujo nome significa “terra própria para lavrar ou cultivar, terra chã”. A sua situação geográfica privilegiada – em frente de Lisboa e junto ao rio Tejo – as boas praias, os bons ares e excelentes frutas cativaram reis e fidalgos, que passavam temporadas neste lugar, onde construíram belíssimas quintas. Em meados do século XX com a chegada da indústria e pela construção civil, toda a paisagem foi alterada.
PORTO BRANDÃO: Desde tempos muito antigos que este sítio da Outra Banda se tornou obrigatório ponto de passagem. Foi assinalada a presença de romanos na povoação e os árabes escolheram este pequeno porto do Tejo para termo da sua principal estrada. Neste local, separado de Lisboa pelo Tejo, construíam-se outrora barcos de todos os tipos. Além da explicação histórica da origem de Porto Brandão, existe a lendária: “Brandão, jovem robusto de cerca de 20 anos, operário da construção naval, namorava às escondidas, a filha do “governador do estaleiro”. Este só ambicionava a riqueza e o poder. Para conseguir os seus objectivos, prometeu a filha, de nome Paulina, a um poderoso comerciante que se encontrava na Índia, e, às escondidas de todos, preparou a partida de Paulina num navio. Mas o Brandão, apercebeu-se de tudo. Quando o barco estava para sair, dirigiu-se, silenciosamente, numa pequena embarcação a remos para o navio a fim de raptar a noiva. Não sendo bafejado pela sorte, foi descoberto e dado como ladrão. Tentou resistir, mas o comandante do barco mandou-o matar e lançar o corpo às águas do Tejo.
Cheia de medo e banhada em lágrimas, Paulina assistiu a todo o episódio. Depois de ver o corpo do seu namorado desaparecer nas águas do rio, decidiu acompanhá-lo no morte, atirando-se também ao Tejo. Alguns dias depois, são encontrados os corpos em praias diferentes: o de Paulina apareceu na pequena praia que recebeu o nome de Praia de Paulina ou Porto de Paulina, hoje chamado Lazareto; e o de Brandão na que ainda hoje de designa por Porto Brandão.
VALE DO ZEBRO: Num pequeno lugar da margem direita do rio Coina, próximo do Barreiro, foram instalados os famosos fornos do Vale do Zebro, nos quais se fabricavam os biscoitos para abastecer as naus que saíam do reino. Nas margens, direita e esquerda, funcionavam moinhos de maré, que produziam a farinha para os biscoitos. Estas instalações, com os celeiros e os fornos, foram demolidos no final do século XlX.

 

Almada
http://www.m-almada.pt/website
A presença humana em Almada, topónimo de raiz árabe, remonta à Pré-História. As recentes intervenções arqueológicas realizadas no Concelho revelaram que esta região foi habitada e/ou ocupada, pelo menos, desde o final do Neolítico, há cerca de 5.000 anos. A estruturação inicial do primitivo núcleo urbano decorreu, provavelmente, durante o período da civilização islâmica quando os muçulmanos escolheram também este sítio para construir uma fortaleza destinada à defesa e vigilância da entrada do Tejo, frente a Lisboa. Por esta margem passaram os mais diversos povos que se sedentarizaram, ou trocaram as suas experiências e mercadorias. Fenícios, romanos e muçulmanos são algumas das antigas comunidades que entraram neste promontório de Almada.
As Raízes Árabes 
A designação de Almada é proveniente das palavras árabes Al-Madan, a Mina , pelo motivo de que, aquando do domínio árabe da Península Ibérica, os árabes procediam à exploração do jazigo de ouro da Adiça, no termo do Concelho. A zona de Almada foi igualmente escolhida pelos árabes para a construção de uma fortaleza no promontório natural, sendo esta destinada à defesa e vigilância da entrada no Rio Tejo, em frente de Lisboa, desenvolvendo-se a povoação nos domínios da defesa militar, da agricultura e da pesca.
Almada, uma das principais praças militares árabes a sul do Tejo, foi conquistada pelas forças cristãs de D. Afonso Henriques em 1147, ficando posteriormente na posse dos Cavaleiros de Santiago, por carta assinada por D. Sancho I, em 26 de Outubro de 1186. Em 1190, D. Sancho I outorgou o primeiro foral aos moradores de Almada. No entanto, em 1191 ocorre uma nova invasão árabe sob o comando de Yusuf al-Mansur, com origem em Sevilha. Esta invasão adquire lentamente uma expressão significativa, alcançando e tomando Alcácer do Sal, marchando sobre Palmela e Almada, sendo esta abandonada pelos cavaleiros da Ordem Militar de Almada. A povoação ficou grandemente destruída pela acção das forças árabes.
O povoamento de Almada é realizado de forma lenta mas contínua, reconstituindo-se parcialmente o modo de vida praticado anteriormente. No início do século XIII, a sociedade vive um período de organização e estabilização segundo os direitos e deveres consignados no código foraleiro, complementados pelos antigos usos e costumes do direito consuetudinário.
A Primeira Delimitação do Termo 
O progressivo intercâmbio entre a Vila de Almada e Lisboa ocorrido no século XIII contribuiu para um ligeiro aumento demográfico na região, com o consequente reforço da circunscrição judicial e administrativa. A via fluvial do Tejo era bastante importante, permitindo o acesso a Lisboa de diversos produtos provenientes do Alentejo, da Beira e de parte da Estremadura, na sua maioria destinados à alimentação e alguns à exportação. Neste quadro de comércio e de economia os portos desempenhavam um papel de relevo, com destaque para Porto Brandão, Cacilhas, Mutela, Corroios, Amora, Arrentela, Coina, Moita, Aldeia Galega e Alcochete, funcionando como interpostos comerciais entre Lisboa e o sul do país.
A instituição municipal atingia já alguma autonomia e maturidade sócio-económica, assistindo-se a uma complexa movimentação de indivíduos e mercadorias, preponderantes na vida interna do Termo, embora este ainda não estivesse demarcado.
Neste contexto verificou-se a preocupação régia em valorizar as zonas regionais pouco povoadas em pontos estratégicos do sul do país, recentemente conquistadas aos muçulmanos. Com o intuito de colocar Almada na posse real, o Rei D. Dinis concede uma Carta de Escambo  (Carta de Permutação) com a Ordem de Santiago, donatária de Almada. Mediante a entrega de determinados castelos, vilas e propriedades à Ordem, a Coroa ficou na posse da Vila de Almada, incluindo o respectivo termo, as suas pertenças e direitos inerentes, com excepção dos padroados e das igrejas de Santa Maria do Castelo e de Santiago.
Com base nesta carta, a  delimitação territorial do Termo remonta ao reinado de D. Dinis (1297), abrangendo, à data, a área dos actuais concelhos de Almada e Seixal. Almada era, então, uma das mais representativas comunidades ribeirinhas da margem sul do Tejo. As mais antigas freguesias da vila eram Santa Maria do Castelo de Almada e Santiago, cujas igrejas e padroados estiveram ligados à Ordem Militar de Santiago de Almada donatária de Almada. Relativamente ao meio rural, destaca-se o povoamento de Caparica, elevada a freguesia de Nossa Senhora do Monte, paróquia instituída pelo Papa Sixto IV, em 1472.
Almada vista por Fernão Lopes 
Os habitantes e os homens de armas de Almada permaneceram sempre ao lado do Mestre de Aviz, manifestando claramente a sua oposição às forças partidárias da Rainha D. Leonor e aos castelhanos liderados por D. João, Rei de Castela.
Em 1384, Almada é tomada pelos castelhanos, aquando do cerco a Lisboa. O cerco do Castelo e a heróica resistência dos defensores locais constituem uma das páginas mais brilhantes da história almadense, merecendo honras de relevo na crónica de Fernão Lopes, primeiro cronista oficial do reino.
A Crónica de D. João I destaca a região de Almada, em termos militares e geoestratégicos, como sendo um espaço privilegiado para a protecção e defesa de Lisboa, quando os Almadenses decidiram adoptar a causa da revolução, em 1 de Janeiro de 1384.
No que concerne à toponímia local, a crónica de Fernão Lopes faz menção a alguns dos mais antigos topónimos do termo de Almada, tais como Cacilhas, Margueira, Meijão Frio (actualmente desconhecido), Barroca (actual barroca ou escadinhas de acesso à praia das lavadeiras no Ginjal) e Sovereda ( actual Sobreda ).
Segundo a crónica, a " Vila " de Almada correspondia apenas ao espaço do castelo ou da fortificação, destacando-se a torre (junto a uma porta) e as muralhas com uma ou duas portas: a porta da vila (orientada para o povoado) e um postigo (provavelmente correspondente à porta da traição). No interior, existia nesta época a igreja de Santa Maria do Castelo e outras casas. Fora do recinto da fortaleza localizava-se, a pouca distância, a Igreja de Santiago, talvez a mais antiga sede de paróquia e/ou freguesia de Almada.
Séculos XVI - XVII 
A Vila de Almada tornou-se, com o decorrer do tempo, o espaço urbano de maior grandeza no Termo, funcionando como centro administrativo, militar, religioso e produtor de bens e comércio, sendo Cacilhas o principal porto marítimo da região, proporcionando o fácil escoamento dos produtos para Lisboa.
Com a reforma manuelina do reino, incluindo a vila de Almada, mediante o Foral Novo de 1513, ocorrem profundas transformações económicas, sociais e políticas. As primeiras referências da população e das freguesias de Almada começam a ser registadas em documentos cadastrais. O Termo de Almada adquiriu uma expressão significativa aquando da expansão marítima portuguesa, sendo parte integrante da zona de influência económica de Lisboa, à data um grande e importante pólo de consumo.
No século XVII, a vila e termo de Almada detinha uma massa populacional de 2.500 habitantes, aproximadamente. Durante o período de domínio dos Filipes ocorreram diversos fluxos migratórios provenientes de várias regiões do reino, com destaque para a Estremadura, Beiras, Entre Douro e Minho, Alentejo e Algarve, resultado da deslocação populacional efectuada de norte para sul do país.
A já denominada " outra banda " era profícua em quintas agrícolas e de veraneio na posse de famílias fidalgas.
Almada Setecentista 
As descrições corográficas, impressas e divulgadas na primeira metade do século XVIII contêm elementos de enorme importância sobre a geografia, a população, a divisão administrativa e paroquial, o modelo de governo civil da vila e do seu termo, destacando-se neste contexto algumas obras de vulto, como o Dicionário Geográfico, do Padre Luís Cardoso.
Em 1720, no reinado de D. João V, a Academia Real de História procurou organizar e elaborar uma história eclesiástica e secular do reino, suportada pelas informações solicitadas a todos os párocos da Coroa; infelizmente, o terramoto de 1755 fez desaparecer quase todas as informações recolhidas, recuperando-se somente o que já estava impresso, o I e II tomos, que reuniam as cidades, vilas e outras povoações cuja denominação ia de A a C.
Três anos decorridos após o terramoto, em 1758, a paróquia de Sant?Iago tinha 1453 habitantes e a de Nossa Senhora do Monte de Caparica comportava 4.184.
As Reformas Administrativas do Século XIX 
Em 1834 entra em vigor o decreto de Mouzinho da Silveira, promulgado pelo governo liberal. Este decreto extinguia as antigas magistraturas locais, instaurando um modelo administrativo profundamente centralizado.
Em 1836, após a revolução de Setembro, publica-se o primeiro Código Administrativo com carácter de descentralização, o que criou um movimento cíclico de descentralização Vs centralização, de acordo com o rotativismo partidário da monarquia liberal.
É neste contexto de reforma administrativa que, em 1836, durante o reinado de D. Maria II, uma enorme fatia do território de Almada é desanexada à vila, passando a ser parte integrante do novo concelho do Seixal. O termo de Almada ficou apenas com duas freguesias: Santiago e Nossa Senhora do Monte de Caparica. O antigo e vasto termo de 13.700 habitantes, composto por oito freguesias (Nossa Senhora da Assunção, Santiago, Caparica, Corroios, Amora, Arrentela, Seixal e Aldeia de Paio Pires) foi pela primeira vez dividido. O novo concelho do Seixal era composto pelas freguesias de Seixal, Arrentela, Paio Pires e Amora, incluindo esta última a antiga freguesia de Corroios.
Em 1878 é efectuada uma nova reforma administrativa, conhecida como o código de Rodrigues Sampaio, consagrando legalmente o princípio da descentralização, reduzindo-se o número de divisões administrativas do país.
No seguimento da reforma administrativa de 1878 permaneceram duas freguesias: Almada (com união de Santa Maria do Castelo e a de Sant'Iago) e Nossa Senhora do Monte de Caparica.
Em 1896 é aprovado um novo código administrativo, desta feita com linhas claramente centralizadoras, em que os agentes da administração central tiveram uma posição preponderante na prossecução da administração local.
Em 1898, Amora e Corroios são desanexados da área administrativa e política do Concelho de Almada.
Em termos económicos e sociais, a paisagem urbana e rural de Almada foi alvo de um processo gradal de modificações, permitido pelo sistema de posse e usufruto do solo, reforçando as condições de povoamento. Para além da agricultura e da pesca, o concelho evidencia-se no processo de industrialização iniciado no século XIX, nomeadamente na fiação e tecelagem do Olho de Boi, na cortiça da Piedade, construção naval em Cacilhas e na moagem do Caramujo. O processo de industrialização e a configuração geográfica do concelho criaram as condições óptimas para a fixação de populações provenientes de outras áreas do país. É nesta época que surgem as Sociedades de Cultura e Recreio, com uma forte componente popular e claramente influenciadas pelas correntes liberais existentes à data, desenvolvendo activamente a vida sociocultural  a partir dos anos 40 do passado século.
Dentro deste movimento surgiram outras associações populares ligadas à cultura e ao recreio, ao mutualismo, ao cooperativismo e aos interesses dos trabalhadores.
Para além da vitória dos liberais na Batalha da Cova da Piedade/Cacilhas contra os miguelistas (23 de Julho de 1833), é de assinalar a antecipada proclamação da República em Almada, a 4 de Outubro de 1910.
Desanexação de Almada do Distrito de Lisboa 
Com o advento da ditadura militar, em Maio de 1926, as vereações das câmaras municipais são substituídas por comissões administrativas.
Em 22 de Outubro de 1926, o decreto nº 12.870 desanexa Almada e outros concelhos ribeirinhos da margem sul do Tejo do Distrito de Lisboa, anexando-os ao recente distrito de Setúbal, reforçando a utópica fronteira natural do Tejo.
Em 1920 são criadas duas novas freguesias: Cova da Piedade  (Desanexada à freguesia de Almada) e Trafaria (desanexada à freguesia do Monte de Caparica), sendo posteriormente criada a freguesia da Costa de Caparica (desanexada da freguesia do Monte de Caparica e, mais tarde, da Trafaria).
A evolução da população residente em cada freguesia foi variável, resultado das condições e da capacidade de atracção respectiva. Até aos finais da década de quarenta, alguns locais inseriam-se claramente numa óptica industrial, alicerçada pela implantação da Companhia Portuguesa de Pesca no Olho de Boi (1920) e pelo Arsenal do Alfeite (1939). Contudo, o fim da 2ª Guerra Mundial trouxe consigo o declínio da indústria corticeira, bastante dependente da exportação.
Durante cerca de três décadas, desde o final dos anos quarenta até ao início dos anos setenta, o concelho de Almada foi alvo de um enorme fluxo migratório que esteve na base da explosão demográfica verificada, daí advindo uma  população heterogénea, de características muito diferenciadas. Esta heterogeneidade, que se reflectia principalmente na procura de habitação e de emprego, esteve na base da descaracterização e do crescimento da mancha urbana.
O desenvolvimento demográfico e urbanístico verificado, as vias de comunicação, a distribuição domiciliária de água e energia eléctrica, a rede de saneamento, o forte crescimento industrial e comercial, o crescimento e reforço do sector terciário, o notável movimento associativista e os diversos serviços de carácter social, educacional e cultural enquadravam-se numa perspectiva de cidade e não de vila, dadas as elevadas dimensões dos factores em causa e as potencialidades inerentes. Nesta medida, Almada foi elevada a cidade através do Decreto-Lei nº 308/73, de 16 de Junho, publicado no Diário do governo de 21 de Junho de 1973.
Contudo, o referido decreto-lei não definiu com precisão as áreas ou os limites do território da nova cidade, ao contrário do que foi reivindicado pelo Dr. Serafim de Jesus da Silveira Júnior, Presidente da Câmara Municipal de Almada à data. Na verdade, o mencionado decreto-lei não parecia fazer qualquer menção à área da freguesia da Cova da Piedade nem aos lugares de Cacilhas e Pragal.
Apesar desta indefinição administrativa, a autarquia tem considerado, desde a década de oitenta, o espaço da cidade como a totalidade da antiga vila ligada à malha urbana formada pela Cova da Piedade e pelas recentes freguesias de Cacilhas, Pragal, Laranjeiro e Feijó.
A presença de Almada nos grandes momentos históricos da história de Portugal é uma constante,  donde se destacam os inúmeros cidadãos, factos e instituições que contribuíram para a história e o desenvolvimento desta povoação desses tempos imemoriais.

 

 

 

Barreiro – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

 

Vila de remota fundação, crê-se que por pescadores algarvios. A povoação foi elevada a vila em 1521. O grande desenvolvimento do Barreiro principiou em 1861, quando arrancou a exploração das linhas férreas até Vendas Novas e Setúbal. Mas a profunda alteração da fisionomia tradicional desta área, deu-se no início do século XX, quando aqui começaram a estabelecer importantes fábricas transformando a vila no maior centro industrial do País.

Recuando no tempo, coube à Ordem de Sant’Iago da Espada importantes papel, uma vez que a paróquia de Santa Cruz do Barreiro, fundada entre os séculos Xll e XlV, possuía prior e beneficiados que eram freires daquela Ordem. Até ao século XVl, em que surge ligado à Casa dos Duques de Aveiro, o Barreiro não atinge a notoriedade da vizinha Palhais. Por seu turno, Coina, a Aquabona dos romanos, pelo seu papel nas ligações entre Lisboa e o sul do País, é outro dos lugares que um mapa quinhentista da região regista com destaque. Na época dos Descobrimentos o território do actual concelho era um dos mais importantes pontos de apoio da infraestrutura industrial que suportava a empresa marítima.

Origem do nome:

«José Augusto Pimenta em Memória Histórica e Descritiva da Vila do Barreiro – Lisboa 1886»: “Na margem esquerda do Tejo, a nove quilómetros aproximadamente ao sul de Lisboa, numa bem situada planície, saudável e lavada pelo norte, fica colocada a importante do Barreiro. Não podemos determinar precisamente a data da sua fundação, mas o que se nos afigura fora de toda a dúvida é que este sítio começou a ser povoado por pescadores do Algarve que, atraídos pela grande abundância de peixe e marisco das águas do Tejo, bem como o excelente mercado que lhes fornecia a cidade de Lisboa, vieram pouco a pouco, desde muitos séculos, emigrando para estas paragens, onde se foram estabelecendo, como actualmente sucede com o portinho d’Arrábida e tantos outros pontos da nossa costa.

O modo de falar, bem como a acentuação de voz dos habitantes do Barreiro, tão diferente do das outras povoações limítrofes, ainda as mais próximas têm grande semelhança com o dos povos do Algarve, bem como, se nota ainda, uma certa semelhança de costumes.

É tradição que estes pescadores exerciam de preferência, a sua profissão nas águas da barra de Lisboa,  e que por este motivo eram conhecidos pelo nome de “barreiros”, e que daí veio o de Barreiro, para o local onde eles se recolhiam”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Horácio F. Alves na sua monografia A Vila do Barreiro, publicado em 1940, segue por outro caminho. Para este autor, o vocábulo relaciona-se, não com barra, mas com barro.

Note-se, porém, que este barro não significa argila, mas tem o antigo sentido, já registado no Elucidário, de Viterbo, de lugar pequeno, casa de campo, casal, abogoaria, quinta ou aldeia. Segundo o mesmo autor, veio do latim Barrium ou Varrium. Barrarios, Barrairos ou Barreiros era moradores desses lugares pequenos, como se pode verificar em muito forais e noutros documentos antigos. De barro – designação tão comum, pelo menos, na época luso-visigótica e nos períodos da nossa nacionalidade – e cada um de tantíssimos topónimos com a mesma raiz vais apenas um curto passo, que se reduz a simples acrescentamento dum sufixo na maior parte das vezes …”.

 

Barreiro
http://www.cm-barreiro.pt
Povoado Neolítico da Ponta da Passadeira
Localizado no cordão dunar da Ponta da Passadeira, trata-se de um povoado que teve ocupação humana há cerca de 5 mil anos, embora tenham sido encontrados elementos materiais do Paleolítico com cerca de três dezenas de milhar de anos.
A população neolítica da Ponta da Passadeira explorava os recursos naturais como a pesca e praticava a agricultura, como demonstram os artefactos encontrados: mós manuais, machados e enxós em pedra polida. Porém, a actividade mais importante desta população era a olaria. Foram escavadas numerosas estruturas de combustão (fornos), para produção de peças cerâmicas.
Os vestígios desta actividade oleira ainda são visíveis e encontram-se milhares de pequenos fragmentos cerâmicos em toda a extensão da Praia do Lavradio.
Alguns recipientes foram reconstituídos e encontram-se expostos nas Reservas Museológicas da CMB, na Quimiparque e no Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal.

 

Barreiro
http://clientes.netvisao.pt/
O registo do Barreiro surge no contexto da Baixa Idade Média, em documentos da Ordem de Santiago que estabelecem uma relação entre o lugar com a existência de marinhas de sal, que datam, pelo menos, de 1322.
O lugar era integrado no antigo Concelho de RIBA TEJO, que era um território da Margem Sul do Tejo, que entre os séculos XIII/XV
abrangia a região entre a Ribeira das enguias (hoje Alcochete) e a Ribeira de Coina, tendo desenvolvido uma estrutura de povoamento a partir das Quintãs ou casais.
Era uma povoação vocacionada para actividade como a pesca, a salicultura, a moagem, o cultivo da vinha e o abate de lenha.
Existem até hoje vários moinhos de água, em diversos pontos do Concelho, nomeadamente, Alburrica.
Em 16 de Janeiro de 1512 D. Manuel I outorga Carta de Foral ao lugar que então se chamava Vila Nova do Barreiro.
Data de 1629 a primeira Corporação profissional no Barreiro, a qual tinha o seu lugar de culto na Capela dos Homens do Mar, e possuía para os seus membros um médico e uma Botica própria e os seus confrades eram homens do mar, mareantes e pescadores. Os pescadores utilizavam na sua faina barcos como a muleta.
A partir de 1861, por razões que se prendiam com a proximidade a Lisboa e a excelente  navegabilidade do Rio Coina, o Barreiro começou a perder as suas características piscatórias iniciando-se a instalação do eixo central das comunicações ferroviárias entre o Norte e o Sul, criando-se aqui o primeiro núcleo de transportes ferroviários ao Sul do Tejo, que em 1875 está na origem da instalação das primeiras fábricas de cortiça e em 1907 impulsiona a instalação do grande complexo fabril da CUF.
À volta do núcleo central das fábricas, vão surgindo novos bairros onde se alojavam os numerosos grupos de famílias que aqui procuravam emprego vindos sobretudo do Alentejo e do Algarve.
O desenvolvimento da Vila passa pela criação de associações culturais e recreativas, sendo a mais antiga a Philarmónica Barreirense, fundada em 1848, que em 1870 dá origem a duas novas entidades que são a Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense "Os Penicheiros" e a Sociedade Democrática de União Barreirense "Os Franceses".
No início do século XX existem já na Vila várias associações políticas e de carácter cívico, tal como as "Associações de Classe dos Corticeiros, dos Ferroviários, Cooperativas, associações humanitárias como os Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, o Instituto dos Ferroviários, clubes desportivos, etc...etc....
Actualmente, o Barreiro, que é já cidade desde 1985, tem cerca de 100 mil habitantes, e perdeu muitas das suas características operárias com o encerramento da maioria das indústrias que funcionavam no complexo CUF, hoje pertencente à QUIMIGAL EP.
A cidade tem actualmente 8 Freguesias, 30 estabelecimentos de ensino desde Escolas do 1ºCiclo ao ensino superior bem como uma escola de formação profissional. Possui vários estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, bem como uma escola de música.
Possui uma Biblioteca Municipal com dois pólos em duas freguesias diferentes, uma Galeria Municipal de Arte e um Convento da Madre Deus da Verderena.
Possui uma sala de teatro municipal e funcionam em diversos locais alguns grupos de Teatro amador.
As estruturas de saúde existentes, incluem o Hospital Nossa Senhora do Rosário, que é Distrital e uma Misericórdia que mantém em funcionamento um lar de terceira idade. Existem no Barreiro duas salas de cinema e um cine clube.
O Barreiro é hoje um Concelho integrado na área Metropolitana de Lisboa, tem 32 km2 de área geográfica.
A cidade é banhada pelo Rio Tejo, Possui um importante terminal fluvial, ferro, rodoviário, estando distante de Lisboa cerca de 40 Km podendo a travessia do Rio ser feita pela Ponte 25 de Abril ou pela Vasco da Gama. Está igualmente distante de Setúbal, Distrito do qual faz parte, cerca de 35 Km, com vários acessos, nomeadamente pela A2.

 

 

 


 

 

Grândola – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Abade de Miragaia em Tentativa Etimológica-Toponímica (1917)»: “Pode vir do baixo latim granatula, como Granatula, povoação de Espanha, diminutivo do latim granatus, a, um abundante em grãos de cereais, como trigo, centeio, cevada, milho, etc. Neste caso, a etimologia seria a mesma de Granada, povoação nossa, e de Granada, cidade de Espanha. Também pode vir do latim glândula, pequena bolota ou glande, diminutivo de glans, galdis (lande).

Podia também Grandóla vir directamente do português popular Grandóóla”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Afirma ter começado pelo chamado Lugar de Grândola, tirado do nome da serra vizinha. Consideramos obscura a origem do vocábulo, a não ser que possamos relacioná-lo com o adjectivo grande, conforme alguém já alvitrou, o que, por relacioná-lo, o que, enquanto, apenas com reservas se poderá aceitar”.

«Prof. João Diogo Correia na Revista de Portugal (Língua Portuguesa) 1958»: “Pinho Leal, supõe que Grândola provém de gandra, contracção de gândara, pois outra coisa não era, no século XVl, aquele sítio, senão uma cerrada e medonha gândara.

Também Leite de Vasconcelos propôs um étimo errado, segundo ele próprio confessa na pág. 290 do 2º volume dos Opúsculos, mas honestamente corrigiu o erro, logo que Joaquim da Silveira lhe lembrou a proveniência do nome - simples representante da homónima vila italiana da província do Como (Lombardia)Grândola foi, pois, fundada por gente estranha, assim como A dos Frangos, Póvoa dos Galegos, Córdova, Pavia, Sevilha, Sabóia, Roma e muitas outras povoações portuguesas”.

 

Grândola
http://www.cm-grandola.pt
A ocupação humana em Grândola data de épocas bastante recuadas, estando identificadas no Concelho cerca de 40 estações arqueológicas, abarcando quase todos os períodos da história, desde o Neolítico ao Período Romano.
Da Época Romana foram escavadas umas termas ou balneários romanos na vila de Grândola e identificada uma barragem da mesma época, a 2 km desta Vila.
Do mesmo período, há a considerar as ruínas do que foi um dos maiores conjuntos industriais do Mediterrâneo Ocidental - o centro conserveiro de salga de peixe de Tróia. Construído nos inícios do Séc. I d.C., manteve-se em plena actividade até ao Séc. VI/VII da nossa era. 
Integrada na Ordem Militar de Santiago, Grândola foi uma comenda normalmente organizada, com uma população distribuída por vários núcleos, a ocupar quase toda a extensão territorial.
Embora ainda não se conheçam muitas referências medievais para a população de Grândola, sabemos que, em 1492, a aldeia de Grândola teria à volta de 135 pessoas e a Comenda, no seu conjunto, 810 habitantes distribuídos por cerca de 180 fogos. Em 1527, conforme se pode verificar pelo Cadastro da População do Reino, a Comenda de Grândola possuía 245 fogos e 1103 habitantes.
A dependência que tinha em relação a Alcácer do Sal levou a que os moradores pedissem a D. João III Carta de Foral de Vila, que lhe veio a ser concedida em 22 de Outubro de 1544.
 Com a passagem de aldeia a vila, e em virtude de uma delimitação geográfica aquando da criação da Comenda, ficou o novo Concelho com uma área territorial que abrangia, além da freguesia de Grândola, as freguesias de Azinheira dos Bairros, S. Mamede do Sadão e Santa Margarida da Serra.
No que se refere à sua organização político-administrativa, dependia da Comarca de Setúbal e tinha alcaide pequeno, procurador, dois juízes ordinários, três vereadores, dois almotacés e alguns quadrilheiros.
A população dedicava-se à agricultura e à pecuária, sendo de referir, como actividades económicas importantes, a moagem - efectuada em cerca de 12 azenhas e moinhos - a produção do vinho, a olaria, a tecelagem e a caça.
Desta época restam alguns testemunhos: edifícios, brazões e o próprio arquivo histórico da Câmara Municipal, que constituem registos inestimáveis para o estudo e compreensão dos últimos séculos da história e evolução do Concelho.  
Em 1679 fundou-se em Grândola um Celeiro Comum para fazer empréstimos de trigo a lavradores pobres, passando a Celeiro Municipal aquando da implantação da República.
Em 1727 fundou-se o Hospício de Nossa Senhora dos Anjos para os Agostinhos Descalços.
A paróquia foi primeiramente um priorado - com um prior e dois beneficiados, todos frades de Santiago e providos pelo respectivo Mestre desta Ordem. Mais tarde, essa apresentação e provisão passaram a pertencer ao arcebispo de Évora.  
O Séc. XIX, em Grândola, é uma época de franco progresso. Em 1890 foi-lhe concedida uma série de benefícios tendo-se tornado comarca. Em finais do século passado, em virtude de uma nova delimitação administrativa territorial, passou a integrar a freguesia de Melides, que abrangia os territórios de Melides, Carvalhal e Tróia. Economicamente, prevaleceu a agricultura e, a par desta actividade, surgem pequenas unidades transformadores de cortiça.
A evolução económica e demográfica concelhia pautou-se por um crescimento, desde 1864 até 1950, ainda que de forma diferenciada.
Até ao início do Séc. XX houve um crescimento ténue, baseando-se essencialmente na proliferação de pequenas indústrias de transformação da cortiça, situadas na sua maioria na vila de Grândola.
A par disto dá-se início a um franco desenvolvimento económico noutras zonas do Concelho, com o surgimento da exploração mineira em Canal Caveira (l863) e Lousal (1900), mobilizando assim bastante mão-de-obra para essa actividade.
Na primeira década deste século nota-se um crescimento mais acelerado, com o aparecimento de novas vias de comunicação, dando-se maior destaque ao surgimento do combóio em 1926.
A partir desta data o Concelho de Grândola conseguiu assegurar uma melhor distribuição e circulação, tanto de pessoas, como dos bens económicos produzidos em todo o Concelho. 
Nos anos 30 houve um novo e evidente impulso, tanto demográfico como económico. Este impulso evidencia a época da campanha do trigo que decorre integrada na política ruralista e agrícola do Estado Novo.
Assim, surge-nos o Alentejo, no qual se incluiu concelho de Grândola, como terreno apto para a produção de cereais - daí passar a ser denominado como o "Celeiro de Portugal".
Em conjunto, surge uma nova cultura - o arroz - que se implantou mais na zona do Carvalhal devido às suas aptidões de terrenos de regadio.
Esta nova fase originou, na zona em questão, uma fixação populacional de pessoas vindas de várias partes de Portugal.
Este facto, aliado às políticas implementadas a partir dos finais do Séc. XIX com o objectivo de incentivar a fixação da população agrícola no Alentejo, permitiu que, até finais da década de 40, a população do Concelho aumentasse, atingindo nessa data o maior quantitativo populacional até hoje observado (21.375 habitantes, em 1950).  
A partir de 1950 iniciou-se um processo de esvaziamento populacional do Concelho. O fortíssimo êxodo rural verificado neste período, predominantemente em direcção à Península de Setúbal e a Lisboa, está bem patente nos valores do saldo migratório que se verificam nos primeiros cinco anos da década.
Os fenómenos emigratórios encontraram a sua origem na profunda estagnação económica do Concelho, resultante da depressão na agricultura e da ausência de qualquer processo de industrialização no Concelho desde os anos 40.
Apenas na década de 70 existe um restabelecimento de um certo nível de vida e, com ele, o desenvolvimento de vários actividades económicas tanto no sector primário como no terciário - comércio e serviços.
Com o surgimento do Poder Local Democrático o concelho de Grândola tem vindo, nas décadas de 80 e 90, a dotar-se de todas as infra-estruturas básicas e equipamentos necessários para o bem estar e qualidade de vida da População.  
Chegados ao final do século XX, o Concelho está dotado, ou em vias disso, de todos os instrumentos de planeamento e ordenamento que auguram para o início do século XXI um novo salto em frente na via do desenvolvimento sustentado.

 

Grândola
http://pontaldecacilhas.blogspot.com
Não se sabe ao certo quando é que em Grândola datou a primeira ocupação humana, embora cerca de 40 estações arqueológicas do concelho testemunhem que tenha sido em tempos remotos.
Vestígios encontrados em Melides atestam actividade local durante o período do Bronze e no Lousal, durante o Megalítico.
Os romanos também deixaram as suas marcas: no perímetro da vila foram descobertas termas dessa época e a 2 quilómetros encontrada uma barragem.
Na zona de Tróia, existem as ruínas do que foi outrora um dos maiores centros conserveiros de salga de peixe.
Grândola medieval é um tema muito pouco conhecido, mas sabe-se que estava integrada na Ordem Militar de Santiago e que por volta de 1492 teria, em toda a extensão do seu território, cerca de 800 habitantes.
É também certa a dependência que a região teria em relação a Alcácer do Sal, até ao ano de 1544, quando D. João III concedeu Carta de Foral.
Na mesma época, Grândola tornou-se vila e passaram a integrar a região, além da freguesia de Grândola, as freguesias de Azinheira dos Barros, S. Mamede do Sadão e Santa Margarida da Serra.
As actividades económicas mais importantes da população eram a agricultura e a pecuária, e as actividades subsidiárias como a moagem, a produção de vinho, a olaria, a tecelagem e a caça.
Em 1890, Grândola tornou-se comarca e foi-lhe atribuída a freguesia de Melides, que integrava também no seu território Carvalhal e Tróia, registando assim uma nova delimitação territorial e administrativa.
Em termos económicos, a agricultura conseguiu prevalecer mas outras actividades marcavam presença, tais como as indústrias de cortiça e a exploração mineira em Canal Caveira (1863) e Lousal (1900).
Estes factores foram os causadores do grande crescimento económico e demográfico que se registou no concelho na transição do século XVIII para o século XIX, prolongando-se até meados do século XX.
Região de Setubal Online

 

Catarina Eufémia – Resistente anti-Fascita
http://ogintonico.weblog.com.pt/
Catarina Eufémia Baleizão, mãe de 3 filhos, analfabeta como a maioria das mulheres trabalhadoras de então, assalariada rural do Alentejo latifundiário de trabalho sazonal, é assassinada a tiro a 19 de Maio de 1954 na aldeia de Baleizão, na sequência de uma greve dos trabalhadores agrícolas que, de entre outras reivindicações, exigiam um aumento da "jorna" das mulheres na campanha da ceifa. Catarina Eufémia tinha 29 anos, transportava ao colo o seu filho de oito meses e, diz-se, estava grávida.
Logo em Maio de 1974, um dos médicos autopsiantes à data da sua morte, Henriques Fernandes, revelou que Catarina não estava grávida e que Catarina tinha sido abatida à queima-roupa pelas costas (diz-se que quando estava caída no chão com o seu filho).
Mais oito mulheres e três homens foram presos neste processo e levados a julgamento, acusados de terem perturbado o trabalho de outros trabalhadores e de desobediência à GNR. Quatro foram absolvidos, os restantes levaram pena suspensa, mas todos eles ficaram de prisão preventiva até à realização do julgamento duas semanas depois.
Discutir se Catarina Eufémia era uma camponesa pobre, analfabeta e sem consciência política e social, ou se era militante de qualquer dos partidos que insistem em a reivindicar, é um verdadeiro absurdo.
Catarina simboliza não só a heroicidade de um povo que luta contra as difíceis condições de vida debaixo de uma ditadura fascista, mas também é o rosto simbólico da participação activa das mulheres nesta luta.
Como qualquer figura simbólica com trajectória semelhante, a (re)construção da sua imagem é retocada e fabulizada, mas tentar denegri-la ou menosprezar o seu valor simbólico é, no mínimo, um insulto a todos os que lutaram contra o fascismo.
Catarina Eufémia ficará, para os que de nós sabem o que é viver dob uma ditadura fascista, e em particular para as mulheres, como um símbolo da revolta de um povo contra essa opressão. Como um símbolo de cidadania, de luta pela liberdade ...
Publicado por agineotonico às maio 20, 2004 05:36 PM

 

 

Grândola - Vila Morena (Zeca Afonso)

Grândola, vila morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade.

 

 

 


 

 

Moita – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A antiga Moita do Ribatejo já no século XVll era concelho, extinto mais tarde e restaurado em 1898, para ser incorporado no recente distrito de Setúbal, como se chama actualmente. A denominação de vila ribeirinha deve provir do mesmo nome comum moita, vocábulo de origem latina, de sentido vegetal e de que existe a variante Mouta, forma menos usada”

 

Moita
http://www.eb1-brejos-moita.rcts.pt
O CONCELHO DA MOITA
 Localização Geográfica
        O concelho da Moita ocupa uma área de cerca de 55Km2, na qual se incluem 1100 hectares do domínio público marítimo e uma vasta frente ribeirinha com mais de 20Km de extensão. É marginado a norte pelo Rio Tejo e limitado administrativamente pelos concelhos do Montijo, Palmela e Barreiro. Encontra-se dividido em seis freguesias: Moita, Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Vale da Amoreira, Sarilhos Pequenos e Gaio - Rosário.
        A vila da Moita fica situada num esteiro do Rio Tejo. O rio marcou profundamente a vida da população desta localidade e foi durante muitos anos, até à construção da ponte 25 de Abril, o meio de comunicação mais fácil para o transporte de produtos agrícolas da região para a capital.
        Os seus habitantes eram simultaneamente agricultores e pescadores. O rio era o seu meio de subsistência e a via fluvial o único meio de combater o isolamento em relação aos grandes centros urbanos.
        O progresso da rede viária veio modificar os hábitos da população ribeirinha desta vila. No entanto, verificam-se ainda dificuldades a nível das acessibilidades, pois os transportes públicos são escassos.
Caracterização Histórica
 Perfil Económico
         O Concelho da Moita situa-se na margem sul do Estuário do Tejo e, pelos registos que existem, teve a sua origem na povoação de Alhos Vedros, que nos séculos XII / XIII já fazia parte da antiga Comarca de Setúbal..
        Foram as actividades ligadas ao rio que estiveram na origem dos primitivos núcleos ribeirinhos que se fixaram no território que forma hoje este concelho.
        A partir do século XIII, as pessoas desta região dedicaram-se à recolha de lenha, à extracção de sal, à agricultura, ao fabrico de cal e vidro, à moagem de cereais em moinhos de maré e de vento, sobretudo, à construção naval e ao transporte de produtos e pessoas entre esta margem e a cidade de Lisboa. Para responder a estas necessidades construíram-se barcos de diferentes características e vários tamanhos, dos quais se destacam os botes, as faluas, os varinos e as fragatas.
        Com a construção do Caminho de Ferro nesta região, no final do século XIX, início do século XX, que veio ligar esta zona ao Alentejo, instalam-se neste concelho, sobretudo em Alhos Vedros, indústrias corticeiras e no Barreiro uma indústria química de grandes dimensões; conduzindo a um declínio da actividade económica tradicional, que até essa data se mantivera próspera, ao mesmo tempo que atraía para a região novos habitantes.
        Actualmente, a indústria corticeira e as fábricas de confecções, que posteriormente se instalaram, concentram alguns dos postos de trabalho existentes no concelho, registando-se um declínio neste sector, ao mesmo tempo que se foram formando grandes áreas residenciais, de forte densidade. A população residente é de cerca de 75000 habitantes, deslocando-se a maior parte da população activa para os concelhos limítrofes e margem norte do Tejo.
        A zona em que as escolas estão inseridas tem mantido alguns traços de ruralidade, apresentando também algumas características de meio suburbano, onde predominam as pequenas explorações agrícolas e agro-pecuárias. 
         Culturalmente as gentes dos Brejos têm as suas origens nos “caramelos” – trabalhadores rurais oriundos da região do Caramulo (Beira Litoral).
        Os primeiros “caramelos” eram trabalhadores sazonais e como tal eram chamados “caramelos de ir e vir”. Mais tarde fixaram-se na zona e passaram a ser conhecidos como “caramelos de ficar”.
        Os “caramelos” eram devotos de Santa Conicha ou Santa Conga e de Santo Carário ou Eucarário, mas devido ao facto de as populações vizinhas de Alhos Vedros e Moita troçarem dos nomes dos seus santos, acabaram por adoptar como sua padroeira Nossa Senhora da Atalainha, por causa de sua grande devoção a Nossa Senhora da Atalaia (Montijo). 
        A diminuição do sector primário deve-se ao facto de Ter havido uma grande transferência de população activa dos campos para a indústria, que se concentrou nos concelhos limítrofes de Palmela e Barreiro e no concelho de Setúbal.
        A industrialização destas zonas iniciou-se nos anos quarenta, tendo o seu apogeu nas décadas de setenta e oitenta devido ao aumento da indústria naval.
        Com a década de noventa e consequente aumento do sector público, desenvolve-se o sector terciário.
        As expectativas geradas pelo anúncio de grandes projectos como o Aeroporto de Rio Frio e a Ponte Vasco da Gama, implicaram uma valorização enorme dos terrenos, dando origem a grandes opções fundiárias por parte das empresas imobiliárias.
        A crise económica dos finais dos anos oitenta e início dos anos noventa provocou uma transformação em alguns sectores industriais, com a queda da indústria naval, da transformação da cortiça e aparecimento de novas fábricas de indústria têxtil e aumento da construção civil.
        Actualmente a população dos Brejos é maioritariamente constituída por pessoas de meia idade, com baixo nível de escolaridade, que se dedicam principalmente à agricultura de subsistência e abastecimento dos mercados vizinhos.

 

Moita
http://pontaldecacilhas.blogspot.com
Vestígios arqueológicos descobertos na jazida do Gaio, atestam a possível existência de um povoado neolítico, com cerca de 6 mil anos, cuja sobrevivência estaria baseada na pesca e recolecção de moluscos.
Sobre os povos que eventualmente tenham ocupado esta zona, antes de ser constituída a nacionalidade portuguesa, não há sinais.
Sabe-se que a região era composta por sapais, matos, charnecas e pinhas e que estava sob a tutela da Ordem Militar de Santiago.
No século XIII, foi esta entidade que criou o concelho do Ribatejo, cujo território englobava a região entre o rio Coina e a Ribeira das Enguias.
Há já referência à povoação de Alhos Vedros, mas não à da Moita, o que leva a supor a sua inexistência neste período.No início do século XVI, com a extinção do concelho do Ribatejo, a região de Alhos Vedros passa a contar com uma freguesia de seu nome Moita, cuja fundação crê-se datada da segunda metade do século XIV.
Os seus primeiros habitantes terão sido salineiros e lenhadores, aí estabelecidos devido à exploração do sal e dos recursos florestais.
Em 1514, D. Manuel passa carta de foral ao povoado da Moita.O domínio Filipino trouxe a esta zona, um período de crescimento, passando a ser um importante ponto de passagem entre o sul do país, Castela e Lisboa.
No início da década de 90 do século XVII, Moita eleva-se a vila, pela mão de D. Pedro II e é criado o concelho, devido à sua intensa actividade fluvial e consequente desenvolvimento económico.
No ano de 1855 o concelho da Moita é extinto e depois restaurado novamente e seis anos depois passa a abranger a antiga vila de Alhos Vedros.
Em 1895 é novamente extinto, mas em 1898 foi definitivamente restaurado.
Nesta época, já o sistema económico tradicional estava em fase de declínio, bem como os transportes fluviais, a cultura da vinha e a exploração salineira.
Apesar de, no início do século XX, o concelho da Moita ainda apresentar um cariz rural e marítimo, foi a partir dos anos 60 que assume um grande crescimento urbano e económico, perdendo a zona ribeirinha e apostando na indústria e nos transportes terrestres.
Nos dias de hoje, o concelho da Moita assume um crescimento urbano moderado, sendo que a maioria da sua população residente trabalha fora do concelho, nomeadamente em Lisboa, Almada, Barreiro e Setúbal.

 

 

 

 

 

 

Montijo – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

Primitivamente denominada Aldeia Galega do Ribatejo, tomou o nome actual por decreto de 6 de Junho de 1930. Foi couto da Ordem de Cristo de 1186, por doação de D. Sancho l, doação que incluía o Castelo de Palmela e o território entre os rios Tejo e Sado. Em 1514, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo. No reinado de D. João lll, em 1533, foi escolhida pelo correio-mor Luís Afonso para sede no sul do mesmo correio.

Quando, em 1 de Dezembro de 1640, foi aclamado rei de Portugal, D. João lV reuniu o seu primeiro concelho régio em Aldeia Galega, ao parar nesta vila durante o percurso de Vila Viçosa para Lisboa.

A tradição diz que foi uma mulher chamada Alda quem deu origem à povoação. O padre Carvalho da Costa, no início do século XVlll, explica que este lugar “tomou o nome de uma mulher chamada Alda, a Galega, por ser oriunda das partes da Galiza, a qual tinha uma venda junto ao porto, aonde hoje é a vila, na qual o concurso de gentes do Alentejo, que ainda era ténue, descansava; e, como os passageiros apelidaram termo à sua jornada, o impunham para esta parte até Alda, a Galega, dando o único vocábulo ficou Aldegalega”. Apesar de ser uma lenda curiosa, não é aceite para explicar a origem de Aldeia Galega, que é uma povoação muito antiga.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: - Nome moderníssimo, que data de 1930, como que foi crismada a Aldeia Galega do Ribatejo.

É de crer que o topónimo seja simples aproveitamento do mesmo nome comum, Montijo mais o sufixo exótico – ijo, e que significa simplesmente “montículo ou pequeno monte em forma mais ou menos cónica”.

«Rui de Mendonça em Estudo Histórico-Monográfico, Social e Económico da Vila de Montijo - 1956»: “ Acerca do nome de Montijo, escolhido finalmente para denominar a vila, pouco há a dizer. A península de Montijo, a ilha do Montijo e o Rio Montijo, estão intimamente ligados e fazem parte dum conjunto geodésico formativo desta região.

Montijo segundo os Estudiosos, pode bem significar Monte pequeno (Montículo), ou Mont (Tagus) de Tejo, pequeno monte frente ou junto ao Tejo. A ilha que fica em frente, é bem de ver que recebeu seu nome de Península.

O rio, hoje esquecido de seu nome, tanto que ninguém o conhece como tal, nasce (?) a 5 quilómetros do oeste de Palmela, passa sob a ponte da linha férrea do Sueste e vai desaguar na grande enseada que o Tejo forma ao sul de Montijo, depois de um curso de 2º quilómetros.

Na “Corografia Moderna”, de Baptista, disse: “o lugar de Montijo está em uma ponta de terra que forma a enseada de Aldeia Galega, e que se chama a Boca do Montijo; é muito perigosa com vento forte e tem de largura 1,5 quilómetro …”.

O lugar tornou-se conhecidíssimo a partir do século XlX, por causa da ilhota ostreira que deu, com outras que lhe estavam vizinhas (desaparecidas actualmente, desde que no espigão foi instalada a Base Aérea Nº 6), origem a grande questão jurídica que se arrastou durante anos pelos tribunais franceses, ingleses e portugueses.

Entretanto, registo os diversos nomes que Montijo tem sido conhecido:

Aldeia Galega ; Aldeia-Galega ; Aldeia Galega do Ribatejo ; Aldeia Galega do Riba Tejo ; Aldegalega ; Aldeiagalega do Ribatejo ; Aldegalega Lusitânia ; Alda ; Linda Aurora do Tejo ; Nova Lusitânia ; Vila Maior do Ribatejo ; Vila Mor ; Vila Flor ; Vila Lusa ; Montijo.

 

Montijo

http://www.mun-montijo.pt/historia
A Cidade de Montijo, outrora Vila de Aldeia Galega ou Aldegalega do Ribatejo, bem localizada geograficamente, à beira do rio Tejo, sempre viveu em função do rio. Povoação antiquíssima, remontando os seus primeiros registos ao século XII, quando, sendo apenas constituída por coutos e herdades, foi doada por D.Sancho I (em 1186) aos cavaleiros da Ordem de S. Tiago de Espada (doação que incluía o Castelo de Palmela e o território entre o Tejo e o Sado).
As condições naturais da região foram favoráveis à presença humana desde o Período do Paleolítico, como comprovam alguns achados arqueológicos encontrados entre Montijo e o território da Base Aérea n.º 6.
No Período Medieval, até ao reinado de D. Manuel I, esta região esteve integrada no Concelho do Ribatejo - entre a Ribeira de Canha e a Ribeira das Enguias (Alcochete) - onde existia um conjunto de povos que durante os séculos XIII e XIV se dedicavam à pesca, à exploração de salinas e ao cultivo da vinha, tais como: Sarilhos, Lançada, Aldeia Galega, Montijo (território da actual Base Aérea), Samouco e Alcochete
Desde meados do século XIV, as embarcações de Aldeia Galega, barcas e batéis, transportavam vinho, sal e frutas para o abastecimento não só de Lisboa mas, dos navios fundeados no Tejo.. Havia mesmo uma barca denominada Barca de Aldeia Galega que se destinava ao transporte de lenha.
Apesar de no século XIV Aldeia Galega ser apenas uma pequena povoação, composta quase exclusivamente de camponeses e pescadores, parece que já então desfrutava de certa importância, o que se conclui das prerrogativas que lhe foram dadas por D.Afonso IV, D.Pedro I e D.Fernando, confirmadas em 1385 por D. João I.
Em 15 de Setembro de 1514, Aldeia Galega recebeu foral da parte do rei D.Manuel I, tendo-lhe sido concedido, para além de regalias municipais, autonomia paroquial. Em 17 de Janeiro de 1515, Aldeia Galega recebeu outro foral conjunto com Alcochete.
O aglomerado populacional desenvolveu-se muito na época de D.Afonso V, quando era regente D.Pedro, por menoridade do rei. Sendo Mestre da Ordem, o Infante D.João, tio do monarca, e como a cala de Alhos Vedros estava muito assoreada, foi mandada construir uma estaca, obra importante para o tempo, que ali fez acorrer muitas pessoas e que muito contribuiu para tornar a via fluvial mais acessível a Aldeia Galega.
Possivelmente como resultado deste facto, em 1533 o Correio-Mor Luís Afonso estabeleceu a sede principal da Mala Posta do Sul nesta localidade, o que, obrigando à passagem dos viajantes entre Lisboa e Sul do país e Espanha, acarretou como consequência, um maior desenvolvimento económico da vila. Desta forma, passaram pelo Montijo, ao longo de séculos, os mais importantes, viajantes que atravessaram o Estuário do Tejo, o que se repercutiu
Devido ao aumento populacional registado, tanto em Aldeia Galega como em Alcochete, em 21 de Janeiro de 1574 foi concretizada demarcação, dos limites destes dois concelhos.
Em Dezembro de 1640, D. João, Duque de Bragança, ao dirigir-se a Lisboa, onde fora aclamado rei, reuniu na Vila o seu concelho e aí nomeou ministros e um concelho de guerra permanente.
Um outro registo menciona que em 1709 Aldeia Galega estava prosperando que se devia, particularmente, ao afluxo de alentejanos. Neste ano, contudo parece que ainda não existia o "negócio do gado suíno". Na realidade, é nos finais do século XVIII que a indústria porcina aparece em Aldeia Galega. Verifica-se assim, que, com o passar dos anos, passou a registar-se uma certa reconversão da economia local, a qual, anteriormente voltada fundamentalmente para a exploração do rio e para a actividade agrícola, passou a basear-se, também e de forma crescente, nas actividades comerciais e industriais.
Geograficamente, esta vila encontrava-se situada na principal via de ligação entre a capital e o sul do país, facto demonstrado pelas constantes passagens de monarcas pela localidade nas suas deslocações ao Alentejo e a Espanha.
A importância desta via de comunicação é também claramente mostrada num decreto emitido durante o reinado de D. Maria II, o qual afirmava: "... as primeiras estradas a reparar são as de Aldeia Galega do Ribatejo até Caia e de Lisboa ao Porto, pela sua grande importância para a economia do país " (1).
No entanto, supõe-se que, devido às perturbações políticas por que passou o país, desde o final do século XVIII até meados do século XIX (com invasões francesas, intervenções inglesas e guerras civis), o concelho pouco progrediu em relação ao que era em 1709.
Naquela época, o movimento de gente entre o Alentejo e a capital (cerca de 50.000 pessoas e 10.000 carros por ano) constituía fonte de receitas da vila.
Visando descongestionar este afluxo populacional e permitir um rápido serviço de correio, em 1852 o governo mandou, face ao assoreamento do rio, construir uma ponte - cais com 315 metros de comprimento.
Em 1873 fez-se a seguinte referência a Aldeia Galega: " Vila, Estremadura, 18 quilómetros ao S.E. de Lisboa, 12 de Alhos Vedros, 30 de Palmela".
Situada em plano, numa espécie de golfo, na margem esquerda do Tejo, em terreno fertilíssimo em cereais, vinho, fruta e pinhais. Abundante em peixe, mariscos e sal. É escala entre o Alentejo e Lisboa, e por isso muito comercial.
Não obstante, o caminho-de-ferro a sul tirou-lhe grande parte da importância. (...) 1000 fogos, 4000 almas. No concelho 1200 fogos (...) (2).
A construção do caminho-de-ferro do sul e sueste (decretada em 1853 e iniciada em 1855) não foi, entretanto, afectar imediatamente o crescimento da vila.
Nos anos seguintes o negócio do gado suíno aumentou e a vila desenvolveu-se. No início do século XX Aldeia Galega registava um crescimento importante, quer em termos sócio-culturais, quer em termos económicos.
Em 1900 o concelho contava com um total de 10.538 habitantes e fazia parte do distrito Administrativo de Lisboa, formado por 3 freguesias : a freguesia da vila com 8.129 habitantes, Canha e Sarilhos Grandes. Por estas alturas e vivendo a prosperidade da economia de então, a ligação com o rio não era descurada, nem muito menos a sua exploração e era costume o transporte de mercadorias e passageiros em barcos tradicionais como as faluas, as fragatas e os vapores.
Em 6 de Julho de 1930, pelo D. nº 18434, a denominação "Aldeia Galega do Ribatejo" foi substituída por "Montijo", fundamentalmente por já não ser aldeia e também pelo facto dos seus terrenos já não serem "galegos".
Em 1985, Montijo adquire o título de Cidade e também é nessa altura que a Assembleia da República aprova a criação de mais 3 freguesias, contando no total com 7 : Montijo, Canha, Sarilhos Grandes, Pegões, St.º Isidro de Pegões, Atalaia, Alto Estanqueiro/Jardia. Em 1989, com a Lei n.º 39 de 24 de Agosto, foi criada a freguesia de Afonsoeiro por área desagregada da freguesia de Montijo, ficando o concelho com a configuração geográfica que mantém até aos nossos dias.
Quanto a Canha, teve foral concedido por D. Afonso Henriques (desaparecido em 1172) e renovado por D. Manuel I em 1516, tendo tido vida municipal autónoma até à reforma de 1836. Como explicação para esta supressão do concelho de Canha e sua posterior anexação ao Concelho de Aldeia Galega, aponta-se o facto de a maioria dos proprietários rurais da área em referência residirem no Concelho de Aldeia Galega, pelo que não se justificaria o pagamento de contribuições e colectas noutro concelho que não o da sua residência).
No que respeita à freguesia de Sarilhos Grandes, parece que já existia em 1500, anexada à Freguesia do Espirito Santo de Aldeia Galega, sendo a continuação de uma pequena povoação ribeirinha ligada à extracção do sal e aos moinhos de maré (actividades já existentes em 1304).
Em 1768 registava 77 fogos; em 1883, 163 fogos e 797 pessoas; em 1890, 174 fogos e 799 pessoas.
A população antiga constava, em geral, de "jornaleiros malteses e ratinhos" (trabalhadores da Beira) em serviço nas quintas que rodeavam a povoação.
No final do século XIX, a freguesia registava como actividades económicas a agricultura, a vitivinicultura, o comércio, a indústria e transporte de mercadorias.
Já no século XX, a freguesia possuía várias unidades industriais e de comércio e serviços, e produzia muita cortiça, azeite e outros produtos agro-pecuários.

 

Montijo
http://pontaldecacilhas.blogspot.com
A zona do Montijo tem registo da presença humana desde o Período do Paleolítico. Testemunhas dessa presença são os achados arqueológicos descobertos neste território.
Quanto a registos documentais, os primeiros remontam ao século XII (1186), quando foi objecto de doação aos cavaleiros da Ordem de S. Tiago de Espada, por D. Sancho I.
Durante a Idade Média e até ao reinado de D. Manuel I, o Montijo, que até 1930 foi denominado por Aldeia Galega, fazia parte do Concelho do Ribatejo.
Apesar de ser uma povoação algo reduzida gozava de algum prestígio, não só pelo seu desenvolvimento económico como também pela sua localização estratégica, entre Lisboa, o sul do país e Espanha. A 15 de Setembro de 1514, o monarca (D. Manuel I) passou-lhe Carta de Foral e, historicamente, nasceu o concelho de Aldeia Galega.
A sua peculiar delimitação territorial é explicada pela autonomia municipal de Canha até meados do século XIX. Uma vez que a maior parte dos proprietários rurais desta zona residiam no concelho de Aldeia Galega não se justificava o pagamento de contribuições num outro concelho e Canha acabou por ser anexada.
Em 1900, Montijo tinha uma população de 10.538 habitantes e era parte integrante do distrito Administrativo de Lisboa.
Constituído por 3 freguesias - a freguesia da vila, Canha e Sarilhos Grandes – vivia numa época de prosperidade económica. Em 1985, a antiga Aldeia Galega é elevada a Cidade e são criadas mais freguesias, contando no total com 7: Montijo, Canha, Sarilhos Grandes, Pegões, St.º Isidro de Pegões, Atalaia e Alto Estanqueiro/Jardia.
Em 1989, o concelho do Montijo fica com a configuração dos nosso dias, aquando da criação da freguesia de Afonsoeiro.
Região de Setúbal Online

 

 

 

 

 

Palmela – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

ORIGEM DO NOME:
“Segundo os nossos antigos escritores, esta vila foi fundada pelos anos 310 antes de Cristo, pelos celtas em 106 depois de Cristo. Aulio Cornélio, pretor romano na Lusitânia, reedificou-a e ampliou-a, dando-lhe o nome de Palmela, que quer dizer Palma pequena” (Dr. Rocha Martins – 1935).
Significa à letra, palma pequena, como diminutivo de palma. A razão histórica da designação está talvez no facto de D. Afonso Henriques, em 24 de Junho de 1165, ter tomado a fortaleza, aos mouros, oferecendo-a em seguida aos Cavaleiros de Santiago da Espada”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Segundo documentos antigos, este povoado foi reconstruído no ano de 106 pelo pretor Áulio Cornélio Palma, de cuja presença subsistem inúmeros vestígios. Conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1148, foi perdida em 1165 e definitivamente recuperada no ano seguinte. O mesmo monarca fez dela doação à Ordem de Santiago, cujo mestre lhe concedeu foral em 1185, confirmado por D. Afonso ll em 1185. D. Dinis, em 1323 elevou-a à categoria de vila. Em 1512, D. Manuel l outorgou-lhe novo foral.
A povoação, de origem romana, foi sucessivamente disputada entre cristãos e muçulmanos, integrando de forma definitiva o espaço português em 1166. O Castelo, situado a 240 metros de altura, no contraforte nascente da serra da Arrábida, ergue-se solitário este castelo. Dali é possível viajar com os olhos pelo mar, pela península do rio Sado e pelas serras. Sem fossos, as muralhas rodeiam três recintos, separados entre si por barreiras. A muralha interior, com os seus torreões cilíndricos, pensa-se datar dos séculos Xll e seguinte, e a Segunda linha amuralhada, mais forte, envolvendo a praça de armas, os edifícios do convento e a igreja de Santiago, será provavelmente do século XV. Por fim, a terceira ordem de muralhas data do século XVll e é constituída por baluartes e revelins seiscentistas na altura da Guerra da Restauração. Quanto à torre de Menagem foi, muito provavelmente, construída ou reforçada no século XlV. Na cisterna existente no primeiro piso esteve preso Garcia de Meneses, bispo de Évora e um dos principais instigadores da conspiração contra o rei D. João ll. Dentro do recinto do Castelo encontram-se duas igrejas: a de Santa Maria, que se encontra em total ruína, que foi provavelmente fundada no século Xll e reedificada no Renascimento, e a de Santiago que, embora despojada já de muitos dos seus valores, representa ainda um precioso monumento gótico quatrocentista. Longe vão os tempos atribulados em que D. Afonso Henriques conquistou estas terras, por volta de 1148. Não existem referências ao Castelo anteriores a essa data, por isso não se sabe ao certo se as obras efectuadas terão sido de construção ou reconstrução de uma qualquer fortaleza árabe. Certa foi sua doação à Ordem de Santiago de Espada. Em 1191, uma grande investida árabe sobre o castelo, arruiná-lo-ia, cabendo a D. Sancho l a sua reconstrução em 1205 e a confirmação da doação à Ordem de Santiago que, a partir de 1210, aí instalou a sua sede. Em 1384, o Condestável Nuno Álvares Pereira, depois de regressar vencedor da Batalha de Atoleiros, ateou em Palmela grandes fogueiras para a visar o Mestre de Avis, cercado em Lisboa pelos castelhanos, da sua proximidade. No reinado de D. João l foram feitas algumas obras no Castelo, principalmente na torre de menagem. Terá sido também este monarca que mandou erguer o convento no Castelo de Palmela, onde se instalaria definitivamente a Ordem de Santiago no ano de 1443. No século XVll D. Pedro ll mandou acrescentar muralhas abaluartadas ao castelo medieval, preparando-o para as inovadoras armas de fogo. Com o terramoto de 1755, o Castelo onde nasceu o explorador do continente africano, Brito capelo foi algo afectado, conhecendo a partir daí um certo abandono. Como escreveu Alexandre Herculano, o Castelo era “... chave do território, que se dilata entre a baía do Sado e a do Tejo, e por consequência como servindo de atalaia ao posto avançado do Castelo de Almada ...”. Com efeito, o Castelo de Palmela foi erguido num local estratégico, de onde se pode controlar uma vasta região que abrange o estuário do rio Tejo, a vasta planície que se estende para leste e o acidentado vale dos barris, até ao rio Sado e ao mar. Não admira por isso que os romanos, e depois os árabes, se sentissem atraídos por este sítio, onde levantaram o poderoso castelo, mais tarde conquistado pelo primeiro rei português, apesar das dificuldades impostas pelo mouro.
No interior do recinto situa-se o Convento de Santiago, edificado entre 1443 a 1482. A fachada principal da Igreja apresenta um portal gótico, de três arquivoltas simples, encimado por um óculo, característico dos templos da Ordem, rompendo-se na fachada norte cindo frestas molduradas e um outro portal também do mesmo período. Ainda no interior amuralhado, ergue-se a Igreja de Santa Maria, muito danificada pelo terramoto de 1755, com portal maneirista encimado pela cruz de Santiago. A três quilómetros de Palmela situam-se os sepulcros da Quinta do Anjo, quatro sepulturas pré-históricas escavadas num banco de calcário.
Quando se chega a Palmela, rapidamente se sente uma forte atracção pelo seu castelo, que fica no mais alto promontório da península de Setúbal. Antes de atingir as alturas, ao visitante deste burgo, elevado a vila por D. Dinis em 1323, depara-se-lhe um largo onde foi implantado um belo chafariz do século XVlll, com armas da vila e duas belas carrancas no remate da água, funcionando como cartaz que anuncia a existência de outros monumentos. Na subida, em direcção ao Castelo, atravessando a vila, pode avaliar-se a antiguidade e importância desta através dos belos e variados edifícios: as Igrejas de São João e de São Pedro onde no seu adro são pisadas uvas nas festas das vendimas, o pelourinho, a Mesiricórdia e o edifício dos Paços do Concelho.
Por fim, depois de se escalar a encosta setentrional do monte por onde se estende a história e pitoresca vila de Palmela, atinge-se o ponto mais alto, coroado pelo Castelo, a nordeste do conjunto montanhoso da Arrábida. O céu e o Tejo, o Sado e o oceano emolduram o majestoso quadro que a região oferece ao forasteiro que sobe ao Castelo de Palmela. O local é um forte pólo de atracção para muitos turistas, que ficam presos pelo empolgante e variado panorama que se desfruta deste castelo.
Esta zona, onde como se nos referimos várias vezes, se evidencia o Castelo de Palmela, faz parte da sub-região da Arrábida qu compreende os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra, a sul da península de Setúbal. Se as povoações ribeirinhas do estuário do Tejo, como Aldeia Galega, Moita, Coina, Seixal e Cacilhas, foram, durante muitos anos, as portas do Sul de Portugal, esta região foi corredor por onde se cruzavam as caravanas que transitavam entre a capital e o Alentejo, através da extensa charneca de Pegões. Outrora, existiam aqui extensos terrenos planos que os lavradores souberam desbravar para, em sua substituição, plantarem vinhas, que rapidamente se tornaram uma fonte de riqueza para a região. Transformou-se, portanto, numa região vitivinícola de apreciável prestígio. A fama dos seus vinhos deve-se à gama de castas que se exploram na área: nas tintas, predomina a tradicional Periquita, enquanto nas brancas se destacam Fernão Pires, Moscatel, Arinto, Tamarez, Monteúdo, Boal Alicante e Natura, Diagalves, Rompeiro e muitas outras castas, todas elas de interesse regional. Esta região apresenta já algumas características da paisagem alentejana (sobreiro, azinheira), os “montes” e a vasta planície que se estende do Sado para sul.
Esta zona foi habitada desde os tempos pré-históricos, conforme no cocumenta o precioso material arqueológico que se tem encontrado em vários sítios da região, como as famosas grutas da Quinta do Anjo (freguesia do concelho de Palmela é muito importante do ponto de vista arqueológico, devido à necrópole pré-histórica descobertas no lugar de Aldeia de Cima e vulgarmente designadas por Covas da Moura. As escavações aqui efectuadas revelaram monumentos funerários construídos nos finais do Neolítico, portanto há cerca de 5.000 anos), também o Castro de Chibanes. Outros povos se instalaram nestas paragens. Primeiramente os rimanos, depois os árabes, tendo a privilegiada situação geográfica destes sítios contribuído extraordinariamente para sua fixação: colinas que garantiam melhor a defesa; campos férteis, e proximidade de dois grandes rios navegáveis – ou seja o Tejo e o Sado – e do mar, que permitia a fácil comunicação.
OUTRAS LOCALIDADES PERTO DE PALMELA:
AZEITÃO: “Vila Fresca de Azeitão, fica situada nos contrafortes da serra da Arrábida, na zona de contacto com a planície aluviar do Tejo, é uma freguesia rural do concelho de Setúbal que tem vindo a industrializar-se progressivamente. O topónimo Azeitão, que deriva da Azzeitum (olival ou oliveiras), revela uma ocupação árabe e a vocação eminentemente agrícola da região. Vestígios de ocupação do Neolítico foram encontrados na crista da serra de São Francisco. Na colina onde se ergue o moinho chamado do Cuco detectaram-se os restos de um povoado da Idade do Cobre. Nesta aprazível povoação existe o histórico Palácio da Quinta da Bacalhoa, fundado por D. João l, onde inicialmente havia apenas um pavilhão de caça. Com D. Brites, neta de D. João ll, esta propriedade recebeu o nome de Quinta Fresca. Em 1528, Afonso Brás de Albuquerque, filho natural do célebre Afonso de Albuquerque, comprou a Quinta, mudando-lhe o nome para Quinta do Paraíso, em recordação do sítio onde seu pai nascera, próximo de Alhandra. Segundo reza a tradição, para homenagear a memória de seu pai deu um aspecto de fortaleza da Índia Portuguesa, aos jardins e ao palácio. O seu herdeiro, segundo diz a lenda, durante uma viagem que fez à Índia ordenou que o alimento essencial a bordo fosse o bacalhau, e a tripulação, farta deste peixe, apelidou-o de “Bacalhau”. Há ainda que diga que a mãe do filho ilegítimo de Albuquerque, que herdou a Quinta do paraíso, devido ao pai ser alcunhado de “Bacalhau” ficou com a alcunha de Bacalhoa. Sabe-se, porém, que só a partir do morte do filho de Afonso de Albuquerque, que deu à Quinta celebridade e grandeza, esta passou a ser chamada da Bacalhoa”.
VILA NOGUEIRA DE AZEITÃO: “Fica no sopé da serra da Arrábida, do lado norte, nasceu Vila Nogeira de Azeitão. Tomou primeiro o nome de Quinta da Nogueira, da qual foi proprietária a Infanta D. Constança, mulher de D. Pedro l. Devido ao crescimento da povoação, D, Fernando l atribuiu-lhe diversos privilégios, que D. João l confirmaria. Pertenceu ao domínio da Ordem de Santiago até 1759. Em 1786, foi elevada à categoria de vila, sede do concelho de Azeitão, tendo sobrevivido até 1855. Possui um rico património histórico – artístico. O palácio dos Duques de Aveiro, edificado entre 1520 e 1523, é a primeira construção da Renascença pura em Portugal e o maior ao sul de Tejo. Contíguo a essa magnífica casa de campo construída por D. Jorge de Lencastre, filho bastardo de D. João ll, mestre da Ordem de Santiago e 2º Duque de Coimbra, situa-se o Convento de Nossa Senhora da Piedade, fundado em 1435 e pertença dos frades dominicanos. O terramoto de 1755 deixou-o em ruínas, Em 1834, o espólio que ainda possuía foi vendido ao desbarato. Conserva-se a entrada nobre com cantarias de meados do século XV a meados do seguinte, azulejos do século XVll e elementos soltos, bem integrados no edifício reconstruído. A Igreja de São Lourenço é também um ponto de visita obrigatório. Os azulejos do altar – mor, dos inícios do século XVlll, são atribuíveis à oficina de António de Oliveira Bernardes, de Lisboa – onde se produziam os melhores azulejos da época. Em frente da Igreja de São Lourenço fica o Fontanário dos Pasmados, construído em 1787 pelo juiz Machado de Faria. Quem da água que ali corre beber, diz a lenda, ficará para sempre ligado a Vila Nogueira”.
SESIMBRA: “A vila, conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1165 e povoada por uma colónia de francos, recebeu foral de D. Manuel l, em 1514. O Castelo, provavelmente de origem muçulmana, arrasado em 1190, foi reconstruído no reinado de D. Sancho l e sofreu posteriormente vários restauros. No amplo recinto amuralhado, dominado por cinco torreões, destaca-se a torre de menagem, cujo piso superior se encontra coberto por uma abóbada artesoada.
Junto à cisterna subsistem as ruínas da antiga Casa da Câmara, que ainda estava em funcionamento nos inícios do século XV. No interior da cerca amuralhada erguese a Igreja de Santa Maria, que remonta ao século Xll, mas que, posteriores intervenções adulteraram a traça original. A Igreja matriz, de finais do século XVL, mantém apenas a primitiva torre sineira na fachada, reconstruída posteriormente. Do século XVl, data igualmente a Igreja da Misericórdia, que sofreu várias remodelações ao longo dos tempos. O Forte de Santiago foi edificado no século XVll segundo a traça do jesuíta flamengo Cosmander”.
ORIGEM DO NOME:

“Nome de origem grego-latina, que no século Xlll se escrevia Sisimbria , a que se seguiram formas corrompidas de Cesimbra, Cezimbra e Cizimbra. Não há dúvida sobre a forma gráfica exacta, que é Sesimbra, e não Cesimbra nem Cezimbra, pois o étimo está em sisymbrium nome de determinadas espécies vegetais, além de que, num foral de 1201, o vocábulo aparece repetidas vezes escrito com “S” na primeira e segunda sílaba”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
No alto da colina, com vista sobre a magnífica baía, está o senhor destas terras, a quem sem razão, chamam Castelo dos Mouros. É que apesar de já ter existido no local uma fortificação árabe que D. Afonso Henriques conquistou em 1165, este castelo foi inteiramente construído pelos cristãos, uma vez que essa construção árabe foi totalmente arrasada pelos próprios almorávidas, em 1191, durante uma investida de Almansor. Ainda antes de 1200, D. Sancho l mandou recuperar a vila de Sesimbra e reerguer o Castelo. Este monarca acabaria por doar a vila aos guerreiros vindos do norte da Europa (francos) com a finaliade de ajudar na guerra da reconquista, tendo igualmente ajudado na reconstrução do Castelo. A fase áurea do Castelo de Sesimbra aconteceu só dois reinados mais tarde, depois de D. Sancho ll o ter entregue à Ordem de Santiago da Espada, passando ser comandado pelo heróico espadário, D. Paio Peres Correia. O rei D. Dinis concedeu-lhe novos privilégios a Sesimbra e mandou efectuar alguns trabalhos de melhoramento no Castelo. Durante o cerco castelhano a Lisboa, em 1384, parte dos navios inimigos fizeram uma investida em Sesimbra, roubando e pilhando tudo o que encontraram. À medida que o tempo foi passando, o Castelo, que abarca a vila, foi sendo abandonado pela população que gradualmente se foi fixando junto ao mar. No século XVl, perdera completamente a sua importância em favor do crescente interesse pela expansão marítima. Porém, um século mais tarde, durante as lutas pela restauração, D. João lV foi levado a desenvolver obras e a instalar os revelins, por forma a adaptar o Castelo à nova artilharia. O terramoto de 1755 veio causar graves danos na fortificação. No seu interior, existem ainda três cisternas, as ruínas das casas dos vereadores e a Igreja de Santa Maria do Castelo, que foi construída em 1160 e posteriormente restaurada no ano de 1721. Apesar de Ter deixado escapar a povoação, este Castelo continua a vigiar a vila, lá do alto. Enquanto isso, o Forte de Santiago, junto à praia desempenha o melhor que pode o seu papel de defensor dos mares. Este forte, vive encorado entre a vila e o mar, nas areias douradas da praia de Sesimbra. Hoje, o seu dia a dia é de sossego, mas tempos houve em que essa expressão não existia. O medo que os castelhanos e os piratas provocavam no litoral levou a que se tomassem medidas mais sólidas na defesa da costa. Em Sesimbra, tal era o receio e a desconfiança da população, que sempre que se via qualquer sinal de embarcação estranha, logo soava um grito de alarme por toda a vila “Anda mouro na costa !”. Esta expressão sedimentou-se de tal forma que ainda hoje, sempre que algum perigo se avizinha, ela é utilizada. No reinado de D. Manuel l, foi construído neste local um forte com o nome de São Valentim, tendo ficado bastante destruído em 1602, durante um ataque da armada inglesa.
Depois da Restauração, foi então projectada para o local, pelo padre jesuíta João Cosmander, uma nova fortaleza que pretendia fazer face às novas técnicas de fogo. Este padre, que era também engenheiro, matemático e coronel, acabaria por se vender aos espanhóis, depois de ter sido feito prisioneiro por eles durante as guerras da Restauração. Mas não durou muito para se lograr o negócio, pois logo na sua primeira investida contra os portugueses em Olivença (hoje espanhola), foi atingido mortalmente ao tentar forçar uma porta que sabia fácil de entrar.
Actualmente, o forte apresenta-se ainda conservado, com a antiga residência do governador, a capela, o paiol, as cisternas e as masmorras. No pátio existe ainda uma pintura de Santiago investindo a espada sobre os castelhanos e no lado norte do forte ainda existe a ala onde veraneavam os “Meninos de Palhavã”, filhos bastardos de D. João V “o Magnânimo”. Os dias da fortaleza militar terminaram em 1832. Em 1886, a sua responsabilidade passou para a Alfândega e em 1879, a Guarda Fiscal (já extinta) instalou aí um dos seus quartéis.
A vila de Sesimbra, antiga aldeia de pescadores, situa-se numa baía abrigada no extremo de um vale tifónico. O mar que a banha possui grande riqueza piscícola. Nele, os pescadores recolhem ainda hoje magníficos espadartes (peixe muito apreciado e dos grandes troféus desportivos). Estes e outros variegados “frutos do mar” são apresentados na lota que cobre as areias da praia, à sombra do forte.
De resto, Sesimbra foi sempre um centro piscatório de notável importância, conforme escritores de várias épocas históricas nos testemunham. André de Resende (1593) refere com frequência o mar “piscosíssimo de Sesimbra” e Luís de Camões, em Os Lusíadas, designa-a de piscosa Sesimbra. A sardinha foi uma das pescas mais importantes, quer pela quantidade que se apanhava, quer pela quantidade que a tomou muito apreciada. Esta fama já vem de longa data. Em 1640, Nunes de Leão afirmava na Descrição do Reino de Portugal que “no mar de Setúbal e Sesimbra há a mais sardinha e mais saborosa que se pode dar”. Assim como os “mareantes de Sesimbra” se tornaram célebres, também os pescadores foram enaltecidos em páginas da literatura portuguesa. Raul Brandão, o escritor português que mais soube exaltar a acção dos pescadores, sublinhou assim a coragem dos pescadores sesimbrenses: “ O pescador de Sesimbra, que vai às vezes muito longe, não conhece a agulha de marear. Regula-se pelas estrelas e pela malha encarnada da serra. Lá fora, quando vêem o cabo ao nível de água, dizem que estão no mar do cabo Raso, e quando o farol desaparece, estão no mar do cabo feito. Conhecem a costa a palmo: o mar novo, que dá o peixe-espada, o mar regueira, que dá a pescada, o mar da cornaça, que dá o goraz e o cachucho, e o de rapapoitas, que dá os grandes pargos, conhecidos por pargos de morro”. Por este texto se vê que todas as parcelas das águas marítimas percorridas pelos pescadores eram baptizadas. D. Dinis elevou Sesimbra à categoria de vila e criou o respectivo concelho. A atracção do litoral viria sobrepor-se à da montanha. O povoado mais antigo contraiu-se e a póvoa ribeirinha dilatou-se. Neste concelho encontram-se uma das mais belas grutas da região, conhecidas por Zambujal. As estalactites, caindo do tecto em formas caprichosas, ou a estalagmites, elevando os seus braços esguios e tacteantes à procura do céu, criam imagens surpreendentes e deliciosamente sugestivas.
TRÓIA:”Na margem esquerda e em frente à cidade de Setúbal, encontra-se uma extensa língua de areia entre a foz do Sado e o Atlântico. Hoje, fundamentalmente constituída por duas dunas em muitas zonas revestidas pela sua flora característica, cuja unidade fitossociológica se prolonga quase até à Comporta, foi outrora, desde o Paleolítico, local de significativa ocupação humana. Julga-se que durante o período romano ali se ergueu uma cidade importante. Vários têm sido os achados, podendo muito embora considerar-se quase inexplorada. Admite-se que se trate da cidade de Cetóbriga. Provalvelmente uma ilha, o assoreamento da embocadura do rio Sado iria ligá-la à actual língua de areia e sepultá-la, talvez também em resultado de movimentos sísmicos, Actualmente situada num recesso da margem esquerda do estuário do Sado, supõem-se que muitas das suas estruturas se encontram submersas e cobertas de areias. A zona visitável revela claramente a vocação que na época romana teve a actual estância arqueológica. Trata-se de um importante complexo industrial, constituído por uma concentração de cetárias, onde se salgava o peixe e se fabricava o garo, uma pasta feita à base de vísceras e de marisco, muito apreciada como condimento no mundo romano. A produção destinava-se sobretudo à exportação e era encaminhada para todo o Mediterrâneo. Para além das estruturas industriais, subsistem em Tróia vestígios de termas e de habitações, algumas decoradas com frescos, bem como as ruína de uma basílica paleocristã”.


Palmela
http://www.regiaodesetubalonline.pt
O Concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal - Costa Azul. É limitado, em parte, a norte pelo Rio Tejo, que a separa do Distrito de Lisboa, pelo Montijo e Alcochete, a este pelo Distrito de Évora, a sul pelos concelhos de Setúbal e Alcácer do Sal e a oeste pelos concelhos da Moita e Barreiro.
Palmela é caracterizada por uma grande heterogeneidade paisagística.
Uma parte do seu território concelhio está integrada na Reserva Natural do Estuário do Sado (de que se destacam os sapais da zona sul da freguesia da Marateca) e uma outra no Parque Natural da Arrábida.
HISTÓRIA
Palmela regista a sua primeira presença humana no período do Paleolítico Médio, com ocupação dos povos visigodos, romanos e dos muçulmanos. A origem do topónimo Palmela tem duas versões ligadas a estes dois últimos povos. Há quem defenda que se relaciona com um pretor romano, Aulio Cornélio Palma, que terá contribuído para o desenvolvimento da povoação. Outros acreditam que a referência, feita pelos árabes, à praça de “Balmalla” que teria evoluído para Palmela é uma justificação mais plausível.
Ocupada pelos árabes desde o século VIII, Palmela é conquistada em 1147, por D. Afonso Henriques que lhe atribui, em 1185, carta de foral. Como recompensa pelo apoio militar na reconquista, doa o Castelo de Palmela aos cavaleiros de Santiago. Após várias guerras de conquistas e reconquistas entre cristãos e muçulmanos, Palmela foi finalmente recuperada durante o reinado de D. Sancho I, inícios do século XIII.
Em 1323, Palmela é elevada a vila, por D. Dinis.
No ano de 1423 é construído o convento mestral para os "Freires de Santiago", sob a ordem de D. João I, e vinte anos mais tarde, a Sede da Ordem Militar de Santiago instala-se no castelo de Palmela, até à extinção das Ordens Militares (1834).
A permanência da Ordem Religiosa Militar teve uma grande importância a nível político, militar e simbólico, pois fomentou o povoamento, a defesa do território e a conquista de novos espaços territoriais.
Em 1 de Junho de 1512, D. Manuel I concede nova carta de foral à Vila.
Gradualmente, Palmela começa a perder a sua importância e entra em decadência, processo que culmina na extinção do seu concelho, em 1855, quando é integrado no de Setúbal. Só em 8 de Novembro de 1926, o concelho foi definitivamente restaurado.
PATRIMÓNIO
O concelho de Palmela possui um património religioso muito rico, com muitas igrejas e capelas históricas e de renome.
De edificação incerta, o Castelo de Palmela é talvez um dos mais privilegiados monumentos do concelho. Possivelmente, terá tido por base edificações árabes, reforçadas a mando de D. Afonso Henriques. Até ao século XVIII foi alvo de várias obras de reconstrução, ampliação e reparação. Possui grande interesse pelo seu conjunto de fortificações medievais e modernas.
Situada no Castelo de Palmela, a Igreja de Santiago foi construída pela Igreja Conventual da Ordem de Santiago de Espada, na 2ª metade do século XV. O seu interior, composto de três naves, apresenta uma decoração com azulejos dos séculos XVII e XVIII e tem sob um arco sólio manuelino, a arca tumular de D. Jorge (1481-1559), último mestre da Ordem de Santiago. Esta arca ossário em brecha da Arrábida é composta por dois leões e armas dos Lencastres. Este edifício serve de palco para a organização de exposições de arte contemporânea e de retrospectivas históricas.
No interior das muralhas do castelo, encontra-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, a primeira paroquial de Palmela, fundada no século XII. Na sua sacristia está instalado o Gabinete de Estudos Sobre a Ordem de Santiago.
Também no castelo, existe o Núcleo Museológico do Castelo de Palmela, nas antigas casamatas e cisterna do edifício. Este espaço, dedicado às escavações arqueológicas efectuados na fortaleza e na vila, retrata a história da ocupação humana no concelho.
O Edifício dos Paços do Concelho é outro dos monumentos patrimoniais do concelho de Palmela. Situado no mesmo largo que a Igreja Matriz, o edifício seiscentista, apresenta o Salão Nobre decorado com retratos murais dos reis de Portugal. No século XVIII serviu de sala de audiências do tribunal.
Em Palmela situa-se ainda a Igreja de S. Pedro, um monumento medieval datado do século XVI, composto por três naves de estilo maneirista. O seu interior é revestido com azulejos de 1740 que representam passagens da vida do orago. O seu retábulo é de estilo rococó e o adro foi usado como cemitério e mercado no século XVI.
No Largo Duque de Palmela fica localizada a Igreja da Misericórdia, datada de 1566, e construída para "auxiliar o corpo e o espírito" dos necessitados. É constituída por uma só nave, e o seu interior apresenta um altar de talha, estilo nacional e um tecto de madeira pintada a três planos. As suas paredes são revestidas de azulejos. Algumas personalidades ilustres de Palmela foram sepultadas neste espaço. Anexado à igreja está o antigo Hospital da Misericórdia (século XVII).
Em Cabanas, situa-se a Capela de S. Gonçalo, um pequeno templo de romaria, de planta octogonal e alpendrada hipóstila. Pensa-se que terá sido construída no século XVI e os seus proprietários os Marqueses de Minas, detentores da Quinta da Torre. Esta capela está ligada ao culto da protecção do gado.
Na freguesia do Pinhal Novo, encontra-se a Capela de S. José. Concluída em 1874, serviu de local para a primeira farmácia e escola. No seu átrio, costumam reunir no último Domingo de Agosto, vários círios da Romaria a Nossa Senhora da Atalaia.
De traça provavelmente seiscentista, situa-se no mesmo largo que a Igreja Matriz. O Salão Nobre é decorado com retratos murais dos reis de Portugal até D. Manuel I. No século XVIII serviu de sala de audiências do tribunal. Poucos anos após o terramoto de 1755, julga-se que funcionavam conjuntamente no edifício o Tribunal, a Câmara, o açougue e a prisão.
TURISMO
O concelho de Palmela, além de todo o seu acervo histórico e cultural, tem para oferecer a quem o visita muitas mais actividades e roteiros turísticos.
A própria vila de Palmela, com as suas ruas, traçado urbano único e casas típicas, consegue surpreender o turista quase a cada esquina. O Castelo oferece uma vista excepcional sobre o casario, a Serra do Louro e arredores. Nesta serra, marcam presença 14 moinhos de vento, mas apenas um se mantém actualmente em funcionamento.
Marateca e Poceirão são freguesias famosas pelo seu vinho, o arroz e as cegonhas. Na Quinta do Anjo, entre outros pontos de interesse, situam-se quatro Grutas Artificiais, sepulcros datados do neolítico final.
A nível de actividades, neste concelho há um pouco de tudo: caça turística, o golfe, as corridas no Kartódromo Internacional de Palmela (KIP), os centros Equestres, os percursos pedestres nocturnos e diurnos.
A região de Palmela é também muito conhecida e apreciada pelas suas festas e romarias, destacando-se o Festival do Queijo e do Pão, na Quinta do Anjo (Abril), a Festa das Vindimas (Palmela-Setembro), o Mercado e Feira Franca (Pinhal Novo-2º domingo de cada mês), a Feira Comercial e Agrícola de Poceirão (Poceirão- 1º fim de semana de Junho), a Festa da Escudeira (Palmela-Agosto), e as Festa de Todos os Santos (Quinta do Anjo-Novembro), entre muitas outras.

A gastronomia da região de Palmela é também muito apreciada e conhecida em todo o país, nomeadamente os famosos vinhos e queijinhos – curiosamente, é na Quinta do Anjo que se produz o célebre queijo de Azeitão -, a sopa de tamboril com poejos, favas à caramela ou o coelho com feijão à moda de Palmela. Na doçaria destacam-se as não menos famosas fogaças. Os suspiros, bolinhos de amêndoa e a maça riscadinha são também dignos de destaque.

 

 

 

 

 

 

Santiago do Cacém – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

É povoação de origens remotas, como o revelam as ruínas da cidade céltica, mais tarde romanizada, de Miróbriga. Foi conquistada aos mouros pelo Templários em 1157, esteve novamente sob o jugo muçulmano até 1217. Nesse ano. D. Soeiro, bispo de Lisboa, reconquistou-a com o auxílio dos Cavaleiros de Sait’Iago e do Templo. D. Dinis deu-lhe o 1º foral e, D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1510. Seu Castelo foi reconstruído após o terramoto de 1755. Este Castelo de Santiago, esteve na posse de D. Vetácia entre 1315 e 1336, e desse tempo ficou um relicário cruciforme de prata que contém um fragmento do Santo Lenho. A relíquia originou a criação da Confraria do Santo Lenho, fundada em 1765. Uma referência da 2ª metade do século XlX assinala o costume da saída da relíquia em procissão aquando de preces por falta de água e a pedido dos lavradores.

Origem de seu nome:

«Do, Arquivo Histórico de Portugal – 1902»: “A Ordem Militar de São Tiago tinha sido introduzida em Portugal, no ano de 1175, e em pouco tempo formou uma brilhante e numerosa legião de guerreiros valorosíssimos, que prestaram à sua pátria os mais relevantes serviços, e recuperaram grande parte do território que estava em poder dos árabes. Foram, pois, estes cavaleiros que resgataram a vila de Cacém, no ano de 1186, reconstruindo ou edificando de novo o seu castelo, e dando à povoação o nome do seu padroeiro, a qual desde então se denominou Santiago do Cacém.

Diz-se também que o nome de São Tiago, anteposto ao antigo foi porque a vila se reconquistou no dia 25 de Julho, mas é mais provável que lho dessem os cavaleiros de São Tiago, pois, segundo alguns, foram eles comandados por Dalim Pires Pantojo, que o tomaram aos mouros».

«Frei João de Sousa em Vestígios da Língua Arábica em Portugal – 1830»: “Cacem. Vila na Província do Alentejo, Arcebispado de Évora. É nome próprio de homem de quem a terra tomou o nome. Significa o que divide ou repartir.

Particípio de cáçama – dividir, repartir”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Santiago está por Santo-Iago e não por São-Tiago, pois não existe de direito o nome Tiago.

Para explicar a última parte do topónimo, lê-se nos Anais do Município de Sant’Iago do Cacém, do padre António de Macedo e Silva (Lisboa, 1869), que “parece provável que a primitiva edificação do Castelo local fosse coeva do estabelecimento da povoação, e que nele teriam os árabes os seus kaids (governadores), alguns dos quais se chamaria Kassem”.

 

 

Santiago do Cacém de povoado pré-celta a cidade do século XXI

http://www.cm-santiago-do-cacem.pt
Santiago do Cacém situa-se a cerca de 1 km para Oeste das ruínas da denominada Miróbriga, de origem pré-romana.
Esta estação arqueológica exibe anualmente a milhares de turistas nacionais e estrangeiros, construções e marcas várias de presença humana: originariamente povoado pré-celta, aglomerado urbano celta, foi romanizado até ao período post-imperial, mais exactamente desde o século I da Era de César até ao século V da Era de Cristo.
Estudada arqueologicamente desde 1808, foi um importante centro económico, social, religioso, cultural e desportivo (...).
Autores como Mário Saa, consideraram-na a Salatia Imperatoria; outros, a partir de D. Fernando de Almeida, como Mirobriga Celtici, denominação que se tem imposto na sua divulgação turística e como referência científica.
Salatia Imperatoria ou Mirobriga Celtici, as ruínas ao lado de Santiago do Cacém, mostram antigos templos romanos e pré-romanos num planalto onde todo um Fórum se desenha claramente; um desenvolvimento habitacional e comercial ocupa toda a colina voltada a Este, e a zona Sul; no vale, umas imponentes termas ou balneários; e a cerca de 1 km o único hipódromo romano conhecido em Portugal.
Enfim, todo o fausto e a comodidade próprios da dominação romana, uma cidade opulenta e luxuosa a principal da Costa Ocidental a Sul do Tejo.
E por toda a região se encontram, aqui e ali, os restos de Villae, e de calçadas romanas bem pavimentadas, sem esquecer os povoados neolíticos e das idades do cobre, bronze e ferro e até os restos paleolíticos.
A ocupação romana deste espaço vai dar lugar (com a lacuna que a fase visigótica ainda hoje ocupa na nossa investigação histórica) à dominância árabe de cinco séculos.
É assim que este importante centro populacional vai renascer, reafirmar-se, um pouco mais a Oeste num outeiro de que se avista uma soberba paisagem cujo horizonte é o Atlântico, a Arrábida e o Espichel...
Grande parte das actuais construções do mais antigo núcleo histórico de Santiago do Cacém, teve decerto pedreira fácil e barata nas ruínas da Cidade Velha.
E qual Phoenix renascida das cinzas, a vila do mouro Kassem, afirma-se sobranceira a toda a região que domina, com o seu castelo, desde o século VIII até ao século XII. Desta fase de dominância islâmica é também a toponímia que persiste: são da ordem das dezenas os nomes de lugares, no termo da vila que se podem, com segurança, classificar como etimologicamente árabes.
Mas também o grande senhor árabe, o forte castelo de Kassem, vai ter de dar lugar a outros conquistadores.
A história das conquistas e reconquistas deste castelo, não é simples nem linear. No entanto, é provável que entre 1158 e 1160 o castelo árabe tenha sido tomado por tropas fiéis a D. Afonso Henriques. Em 1161, os mouros devem tê-lo recuperado. Terá voltado a ser cristão entre 1162 e 1166. Foi doado à Ordem de Sant' Iago de Espada em 1186, embora em 1184 se tenha iniciado a grande ofensiva almoada que até 1217 restaurou o regime islamita de novo até ao Tejo. É nesta data que se faz a ocupação definitiva pelos frades guerreiros. Assim, passando a Vila de Kassem a pertencer de facto à Ordem de Sant'Iago, mantém o antigo nome ao qual se antepõe o da Ordem: (Terra ou Vila ou Castelo de) Sant'Iago (que era) de Kassem.
O Burgo Medieval de Sant'Iago de Kassem era já de grande importância no século XIII, com responsáveis políticos e administrativos de 1.ª categoria(pretores, alvazis, juízes, alcaides, almoxarifes).
Já considerada oficialmente com a categoria de Vila em 1186, recebe a sua primeira Carta de Foral com D. Dinis.
Refira-se que é no reinado de D. Dinis que é feita doação da vila e castelo de Sant'Iago de Kassem e Panoias a Vetácia Lascaris, princesa grega encarregada da educação de D. Constança, filha de D. Dinis e depois esposa de D. Fernando. A vila só torna ao poder da Ordem por morte de Vetácia em 1336. Esta senhora passa os seus últimos anos de vida em Coimbra onde está sepultada na Sé Velha.
É deste período um imponente monumento iconográfico relacionado , e actualmente integrado no interior da Igreja Matriz, talvez encomenda da Rainha D. Isabel: um alto relevo do século XIV, com 2m x 1,5m, que representa o Sant'Iago a cavalo, combatendo os mouros, e que foi fonte de inspiração para as actuais armas, selo e brasão do Município.
O primeiro Comendador da vila pela Ordem foi Carlos Pessanha, filho de Manuel Pessanha, primeiro almirante de Portugal.
Em 1383-85, Sant' Iago de Kassem toma voz pelo Mestre de Aviz, pelos interesses nacionais, contra a submissão ao estrangeiro.
No Arquivo Nacional da Torre do Tombo, até ao período quinhentista há documentação referente à vila nas Chancelarias Régias, na Chancelaria da Ordem de S. Tiago, no Corpo Cronológico, em várias gavetas e em Forais Antigos.
A Vila de São Tiago de Cacém, em poder da Ordem até 1594, passará então por doação de Filipe II aos Duques de Aveiro até 1759, ano em que, pela tentativa de regicídio, ficou a pertencer, com os bens de duque executado, ao domínio da Coroa, passando por fim em 1832, pela vitória do regime liberal, ao Estado.
Com Juízes de Foro desde, pelo menos 1551, a magistratura judicial era até aí exercida por Juízes Municipais eleitos pelo Concelho e aprovados pelo Comendador. A partir daí com juízes formados, de nomeação régia, passou a ter maior amplitude judicial e administrativa, na partilha das responsabilidades municipais como homens da vila.
A organização municipal assente nos homens-bons, nos alvazis, nos jurados nomeados pelos cavaleiros-vilãos e peões, e que representava a força vital do concelho, foi alterada por D. Manuel e começa então a magistratura administrativa dos Vereadores, a chamada Câmara. Desde o século XVI e até 1833, o corpo da Câmara de S.Tiago do Cacém era composto por três Vereadores e um Procurador.
O número de localidades e freguesias que compõem o concelho de Santiago do Cacém é Sede, tem variado ao longo do tempo. Mas desta diversidade ressalta sempre a sua importância regional em todo o litoral entre o Sado e o Mira, com uma projecção para o interior, da ordem das dezenas de quilómetros em extensão de território.
Do Termo de S. Tiago do Cacém fizeram parte as freguesias de Santa Catarina do Vale, Melides, Vila Nova de Mil Fontes e a actual Cidade de Sines (esta, com município autónomo desde 1834 e actualmente com duas freguesias). Actualmente tem onze freguesias, incluindo a histórica vila de Alvalade, detentora de Foral Manuelino.
O Concelho de S. Tiago do Cacém tinha assento em Cortes no banco n.º 16.
Concelho essencialmente rural com predominância para a agro-pecuária, o sistema tributário que até ao século XIX pesou sobre as suas gentes, incluía entre outros: a coima, o fossado, a anáduva, os foros, as portagens, açougagens, peagens, as alcavalas, a alcaidaria, o julgado, o relego e o montádigo.
Desde meados do século XVI que o Ensino se pratica na vila. O seu impulsionador foi precisamente o exímio literato Frei André da Veiga, nascido em São Tiago do Cassem em 1472, cujo nome foi dado à Escola Preparatória aquando da sua criação.
Depois da grande expansão urbana que conseguiu no século XVIII, São Tiago do Cacém afirma-se destacadamente na região durante as Invasões Francesas.
Discordando da política militar centralizadora das Juntas de Beja e de Faro que defendiam a constituição de um exército central que acudisse a eventuais ataques às regiões do Alentejo e Algarve, a Junta de São Tiago do Cacém, vendo a zona de Melides/Comporta/Alcácer como o ponto estratégico de defesa do Alentejo, procura concentrar ali, por todos os meios, o maior número possível de homens armados. As dificuldades de recrutamento obrigaram inclusivamente à incorporação de menores. Esta Resistência só foi possível com a adesão das populações das vilas, das, aldeias, dos campos.
No século XIX Santiago do Cacém era uma pequena Corte, onde os senhores da terra faziam vida faustosa do tempo dos morgadios. As opulentas Casas dos Condes do Bracial, dos de La Cerda, do Capitão Mor, dos Beja, dos Condes de Avillez, Fonseca Achaiolli e outras, dominavam a vila e o seu Termo e outras terras alentejanas.
Nomes sonoros como os do Comendador António Pereira Luzeiro de La Cerda, José Francisco Arrais Beja Falcão, António Pais de Matos Falcão (Conde do Bracial), estão ainda hoje na memória das gentes. Gentes fortemente vincadas aos movimentos populares e sindicalistas das primeiras décadas do século XX, que o nosso concidadão e muito querido amigo o Escritor Manuel da Fonseca, imortalizou nas suas obras.
Período de explosão e desenvolvimento económico, suportado pelo trabalho mal pago dos assalariados, é nesta altura que a par de belas e ricas quintas e herdades senhoriais de exploração agro-pecuária inovadora(cereais, frutas e cortiça, fundamentalmente, e gado cavalar, muar, asinino, bovino, ovino, caprino, suíno) como o Pomar Grande. Herdade do Paúl, da Casinha, de Vale de Agreiros, da Assenha, de Corona, da Ortiga, de Olhos Bolidos, do Canal e outras Casas Agrícolas como a de Jorge Ribeiro de Sousa, a par dessa exploração agro-pecuária, vai paralelamente desenvolver-se a indústria e o comércio. Contavam-se na vila, mais de uma dezena de Fábricas de Cortiça, várias Serrações de Madeira, Carpintarias, Mecânicas, Fábricas de Moagens de Ramas, Forjas e Oficinas e Ferraria e Serralharia. Instalaram-se em Santiago do Cacém, Advogados, Farmacêuticos, Merceeiros, Comerciantes de Fazendas, Gráficos. Abrem-se os primeiros cafés. As Colectividades e Associações animam a vila: são a Filarmónica União Artística, a Sociedade Harmonia, a Casa do Povo.
Os seguintes factos traduzem não só a riqueza dos Senhores, como o guindar da vila florescente e pitoresca da primeira metade do século aos destaques do país:
em 1895 chega a Portugal o primeiro automóvel. É propriedade do Conde de Avillez, de Santiago do Cacém;
o primeiro Rolls Royce que veio para Portugal, veio também para Santiago do Cacém. Propriedade de José de Sande Champalimaud;
o registo n.º 1 para automóveis, passado pelo Ministério das Obras Públicas em 1901 é para Santiago do Cacém, em nome de Augusto Teixeira de Aragão.
Vai ser necessário esperar pela década de 70, depois de 40 anos de estagnação, para a vila iniciar nova fase de expansão urbana, a maior da sua existência secular, agora planificada e projectada.
O ordenamento urbano, a definição de zonas de expansão permitem agora localizar as estruturas habitacionais, comerciais, industriais, culturais, de serviço, de acesso e comunicação, de uma forma integrada.
O perfil, o traço, o percurso histórico, a sede que é de abastecimento e troca, de atracção turística, de prestação de serviços para o concelho (que conta com mais três vilas: Cercal do Alentejo, Alvalade,Ermidas-Sado e uma cidade: Vila Nova de Santo André) para os vizinhos concelhos de Sines, Grândola e Odemira, caracterizam actualmente Santiago do Cacém, já não como pitoresca vila de princípios do século conhecida pela Sintra do Alentejo, mas como uma cidade pronta para o desafio do século XXI.
Texto de autoria de Dr. Sérgio Pereira Bento

 

 

 

 

 

Seixal – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

A vila parece ter-se desenvolvido a partir de um núcleo de pescadores. O abrigo natural entre o Seixal e o Alfeite, oferecia às embarcações, permitiu que fosse uma terra eleita para a construção naval desde a época dos Descobrimentos. Segundo tradição local, Vasco da Gama e Paulo da Gama, filhos de Estêvão da Gama, que foi comendador do Seixal, foram donos da quinta que hoje se chama da Fidalga.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A designação formou-se do nome comum, seixo, do latim saxã, pedra, mais o sufixo – al”.


Seixal
http://www.regiaodesetubalonline.pt

O município do Seixal, pertencente à península de Setúbal, situa-se na margem sul do Tejo, e confronta, a sul, com o concelho de Sesimbra, a este com o do Barreiro, e a oeste com o de Almada.
O concelho do Seixal ainda apresenta um nível significativo de dependência em relação a Lisboa, cidade que lhe está ligada por via fluvial e ferrovia. Contudo, graças à sua localização central, mantém uma proximidade notável com quase todos os concelhos da margem sul do Tejo.
É constituído por uma extensa frente ribeirinha, que se desenvolve ao longo de um braço do Tejo, formando uma baía natural de elevado valor ecológico e paisagístico, que serve de local privilegiado para actividades de desporto e tempos livres.
HISTÓRIA
As primeiras presenças humanas na zona do Seixal remontam ao período da pré-história, mas os vestígios conhecidos de ocupação mais antigos são da época romana. Presume-se que tenha sido também ocupada por populações muçulmanas que aqui terão cultivado vinhas, olivais e figueiras.
Da história mais antiga da cidade do Seixal pouco ou nada se sabe, contudo pode afirmar-se que a sua origem reside num pequeno núcleo de pescadores e o seu nome está associado à grande quantidade de seixos existentes nas praias ribeirinhas.
Nos séculos XIV e XV, devido à sua baía abrigada, Seixal foi local escolhido para a instalação de estaleiros navais, actividade que se desenvolveu sobremaneira durante a época dos Descobrimentos e aí permaneceu durante alguns séculos. Contudo, a actividade tradicional da população local continuou a ser a pesca.
Na época de Quinhentos, o povoado do Seixal fazia parte da Arrentela. Após a revolução liberal, sequência da reforma administrativa de 1836, no reinado de D. Maria II, o Seixal passa a ser um concelho.
Em 1895 o concelho é extinto, e as suas freguesias passaram a pertencer aos concelhos de Almada e Barreiro. Três anos mais tarde, o concelho foi de novo recuperado.
A partir da segunda metade do século XIX, regista-se um aumento do desenvolvimento económico e industrial, com a instalação de unidades fabris de têxteis, vidro e cortiça. Neste período, o Seixal passa a ser o principal centro corticeiro do país.
Nos anos sessenta, a instalação da Siderurgia Nacional (1961) e a ponte sobre o Tejo (1966) foram as impulsionadoras do desenvolvimento económico do concelho, marcando notoriamente o crescimento demográfico e alterando profundamente as suas características urbanísticas.
A 20 de Maio de 1993, o Seixal é elevado a cidade.
A presença do Tejo neste concelho, nomeadamente na Baía do Seixal, condicionou o aparecimento de várias profissões, como a pesca e a carpintaria que, durante anos, foram o principal modo de vida das populações, além da construção de moinhos de maré e estaleiros navais.
PATRIMÓNIO
No concelho de Seixal, além dos seus bens naturais acentuados, é o património edificado que possui muitas maravilhas da história do concelho.
Começando pelo Ecomuseu, uma entidade composta por nove núcleos espalhado por todo o concelho, entre os quais:
O Núcleo do Moinho de Maré de Corroios, cujo interior alberga os elementos ligados à moagem de cereais, recebe ainda exposições temporárias e outras actividades culturais.
O Núcleo Sede da Torre da Marinha, que além das exposições também comporta um Centro de Documentação e Informação e os Serviços Educativos.
O Núcleo Naval da Arrentela, situado num antigo estaleiro, possui um espaço dedicado à construção artesanal de modelos de barcos do Tejo.
O Núcleo da Quinta da Trindade revestido de painéis com azulejos, possui uns belos jardins.
A Quinta do Rouxinol, monumento nacional, onde se podem visitar os fornos de cerâmica romanos, dos séculos II e IV.
A Fábrica da Pólvora, situada em Vale de Milhaços, outro dos edifícios do Ecomuseu, dá a conhecer todo o circuito da pólvora negra e da máquina a vapor.
No seu acervo religioso pode-se destacar a Igreja Paroquial da Arrentela, reconstruída em 1759, depois de bastante destruída pelo terramoto de 1755. Este templo desperta o interesse pelos trabalhos em estuque de cor ocre, em relevo, por cima da porta e janelas laterais. No seu interior, possui um tecto com estuques polícromos do século XVIII, um altar-mor de talha dourada dos finais do século XVII. As imagens de madeira e os azulejos setecentistas, azuis e brancos, com cenas da Vida da Virgem são outros atributos do monumento.
A Igreja Matriz, situada no Seixal, é outros dos monumentos históricos do concelho. No seu interior possui um altar neoclássico, dos finais do século XVIII. As paredes da capela-mor são decoradas por quatro pinturas barrocas, e o tecto com pinturas de Pereira Cão, já dos inícios do século XX, privilegia a figura da Padroeira.
TURISMO
Os moinhos de maré, estaleiros, indústrias tradicionais, núcleos históricos urbanos, baía natural, praias fluviais, sapais, hortas urbanas e zonas urbanizadas são algumas das razões para visitar o concelho do Seixal.
Nos moinhos de maré destacam-se o Núcleo do Moinho de Maré de Corroios, integrado no Ecomuseu como Núcleo do Património Industrial, o Moinho da Raposa, junto à Torre da Marinha, o do Galvão, o do Capitão, o da Passagem e o da Torre, todos defronte ao Seixal.
As recuperadas embarcações do Tejo, outrora utilizadas nas actividades fluviais e piscatórias, como o Bote de Fragata "Gaivotas" e o Varino "Amoroso", são outras alternativas de passeio que o concelho seixalino proporciona aos seus habitantes e visitantes.
A não perder também alguns dos belos jardins do concelho, como o da Quinta da Fidalga, o da Quinta da Trindade ou o da Quinta da Atalaia. Para uma vista panorâmica sobre Lisboa, a baía do Seixal, Barreiro, Corroios e Miratejo, basta visitar o Miradouro do Alto de D. Ana, na cidade sede do concelho.
Algumas das festas tradicionais do Seixal, são as Festas de São Pedro, realizadas no princípio de Julho, e as Festas da Amora, no mês de Agosto.
A oferta gastronómica da zona assenta sobretudo em pratos de peixe e marisco, com especial destaque para Caldeirada de peixe, a Feijoada de choco e as enguias, confeccionadas em ensopado ou simplesmente fritas. Na doçaria destaca-se a delícia de laranja e o doce de grão.

 

 

 

 

 

 

Sesimbra – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

Povoação conquistada aos mouros em 1165 por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Por volta de 1166, o reduto castelão foi povoado por uma colónia de francos, em torno da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Castelo. Abandonada ante a avançada muçulmana em 1191, foi reconquistada por D. Sancho l. Foi doada à Ordem de Sant’Iago em 1236, que intensificaram os esforços para a repovoar, concedendo certos privilégios aos pescadores. Em 1232, D. Dinis elevou-a à categoria de vila e em 1514, D. Manuel l concedeu-lhe foral novo.

Sesimbra foi sempre ao longo dos séculos um notável centro piscatório, conforme escritores de várias épocas nos testemunham. André de Resende (1593) refere com frequência o “mar piscosíssimo de Sesimbra” e Luís de Camões, em “Os Lusíadas”, designa-a de piscosa Sesimbra. A pesca da sardinha, quer pela quantidade quer pela qualidade, sempre foi muito apreciada. Em 1640, Nunes de Leão afirmava na “Descrição do Reino de Portugal” que “no mar de Setúbal e de Sesimbra há a mais sardinha e mais saborosa que se pode dar”.

Raul Brandão, o escritor português que mais soube exaltar a acção dos pescadores, sublinhou assim a coragem dos pescadores sesimbrenses: “O pescador de Sesimbra, que vaias vezes muito longe, não conhece a agulha de marear. Regula-se pelas estrelas e pela malha encarnada da serra Da Arrábida. Lá fora, quando vêem o cabo Raso ao nível do mar, e quando o farol desaparece, estão no mar do cabo feito. Conheceu a costa a palmo: o mar novo, que dá o peixe espada, o mar da cornaça, que dá o goraz e o cachucho, e o de rapapoitas, que dá os grandes pargos, conhecidos por pargos do morro”.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Nome de origem grego-latina, que no século Xlll se escrevia Sisimbria, a que se seguiram formas corrompidas -

 Cesimbra, Cezimbra e Cizimbra. Não há dúvida sobre a forma gráfica exacta,  que é Sesimbra, e não Cesimbra nem Cezimbra, pois o étimo está em sisymbrium nome de determinadas espácies vegetais, além de que, num foral de 1201, o vocábulo aparece repetidas vezes escrito co “S” na primeira e segunda sílabas”.

 

Sesimbra
http://www.regiaodesetubalonline.pt
O concelho de Sesimbra forma aproximadamente um quadrado delimitado por Almada, Seixal e Barreiro a norte, Palmela e Setúbal a leste e pelo Oceano Atlântico a sul e a oeste.
Sesimbra apresenta-se como um dos primeiros pontos de encontro do Continente Europeu com o Oceano Atlântico e é privilegiado pela proximidade com os dois estuários, do Tejo e do Sado.
Conta com uma área de 206 km2 distribuída por três freguesias: Santiago, Castelo e Quinta do Conde.
HISTÓRIA
Conta-se que Sesimbra teve a sua primeira ocupação humana 1 200 000 anos a.C., quando os primeiros Hominídeos – Homus Erectus - se refugiavam nas grutas e pequenos povoados agrícolas.
Depois desta ocupação, surge a era dos metais, em que materiais como o cobre, o bronze ou o ferro eram as "riquezas" de locais como a Roça do Casal do Meio ou a Necrópole do Casalão.
O período das conquistas dá-se logo no início do século II a.C., primeiro com os romanos, seguidos dos bárbaros no século V e, por fim, no século VIII com a invasão dos árabes vindos do Norte de África.
Sesimbra torna-se portuguesa, no ano de 1165, quando D. Afonso Henriques a conquistou aos árabes, seguindo-se um período conturbado de tomadas e reconquistas que só viria a terminar em 1200, com o domínio definitivo liderado por D. Sancho. Este contou com o apoio de cruzados francos, que acabaram por assegurar o povoamento. Um ano depois, o rei passa carta de foral à povoação.
Em 1236, o concelho é atribuído à Ordem de Santiago, tendo a sua população se expandido no espaço e criado a povoação da Ribeira de Sesimbra, já fora das muralhas do castelo. Em 1536, é recriada a povoação de Sesimbra na antiga Ribeira, junto ao Atlântico. Este período caracteriza-se também pela participação activa da população na expansão ultramarina.
Em 1580 entra-se num período de crise, com a perda da independência para os espanhóis. A falta de homens na população e os ataques de piratas afectam de modo negativo o crescimento da vila, tornando-a vulnerável ao ponto de ser atacada por uma armada inglesa, em que é destruído o Forte da Marinha. Só em 1640, com a Restauração, Sesimbra recupera, em muito devido à acção do rei D. João IV que reedificou as Fortaleza de S. Tiago, os fortes de S. Teodósio, S. Domingos, Nª Srª do Cabo e S. Pedro. No entanto, em 1665 e 1721, sucedem-se os ataques marítimos dos corsários berberes.
No início do século XVIII, as terras de Sesimbra, propriedade dos Duques de Aveiro (últimos representantes da Ordem de Santiago), passam para a tutela real, assim como o poder civil e as crenças religiosas.
Com o século XIX, o concelho sofre algumas vicissitudes, desde a conquista napoleónica à guerra civil de 1834-1836, que levaram ao desfasamento de diversos pontos militares costeiros.
O concelho é novamente renovado nos finais do século XIX, princípios do século XX.
PATRIMÓNIO
O concelho de Sesimbra, além de uma beleza natural e ambiental, tem em parte do seu acervo histórico, um leque de monumentos e museus.
Em Sesimbra, no largo Luís de Camões, situam-se dois dos mais importantes museus do concelho.
O Museu de Arqueologia, onde podem ser encontrados achados arqueológicos, e um grande espólio que reflecte momentos da história do concelho. Este Museu está empenhado na investigação e recolha de vestígios deixados pelos antepassados.
O Museu do Mar, inaugurado em 1987, nasceu de um compromisso entre a autarquia e os pescadores do concelho, e reúne o património que estes lhe forneceram. Várias fotografias e materiais relativos à pesca fazem parte do espólio do museu.
Quanto ao património religioso, pode-se destacar a Igreja da Santa Casa da Misericórdia (Largo 5 de Outubro). De construção quinhentista, comporta um conjunto de azulejos nas paredes, tendo o altar-mor uma talha dourada. O Senhor das Chagas é a imagem representada no monumento assim como a imagem de Nossa Senhora do Rosário, em mármore, num altar de pedra policromo de 1696.
A Igreja Matriz de Santiago – Largo do Movimento das Forças Armadas – foi construída em 1533 e como o nome indica é dedicada a S. Tiago. Tendo sido alvo, ao longo dos séculos, de várias remodelações, apenas a sua torre sineira apresenta ainda características arquitectónicas originais. A Capela-mor apresenta um tecto de abóbada ornamentada com pintura de finais do século XVIII.
O Santuário de Nossa Senhora do Cabo, datado dos finais do século XVII, situa-se no seio do cabo Espichel e é ladeado por edifícios, hoje arruinados, que serviram de albergue aos peregrinos. O altar-mor é revestido de azulejos azuis e brancos com símbolos da Litania da Virgem, e possui uma tribuna, outrora, dedicada aos reis. Na sacristia, estão patentes duas pinturas do século XVI, do Mestre da Lourinhã, que representam S. Tiago e Santo António.
O castelo de Sesimbra foi conquistado por D. Afonso Henriques em 1165. Pensa-se que terá sido edificado sobre um castelo já existente, de construção árabe. Conserva ainda hoje os dois elementos essenciais da fortificação medieva: a muralha e a alcáçova. No perímetro das suas muralhas, existe a Igreja de Santa Maria ou de Nossa Senhora do Castelo, um importante exemplar da arquitectura religiosa popular portuguesa, construído no século XII.
Construída no centro da baía de Sesimbra, a Fortaleza de S. Tiago é um monumento de arquitectura militar seiscentista, considerada a mais pesada edificação da vila, pelo seu peso histórico militar e pela sua implantação física. O seu interior é constituído por diversas divisões militares ainda conservadas, como a residência do governador, as cisternas e as masmorras.
O Forte de S. Teodósio, vulgarmente conhecido como Forte do Cavalo, foi edificado entre 1648 e 1652, a mando de D. João IV. Foi muito danificado pelo terramoto de 1755, mas continuou artilhado e guarnecido até 1822. Só muito recentemente, a construção sofreu obras de restauro. Existia um templo no perímetro da fortaleza, Capela de Nossa Senhora da Conceição, do qual apenas subsiste a imagem da padroeira, em madeira policromada. Em finais do século XIX, foi esta imagem transferida para a Igreja de Santa Maria do Castelo.
TURISMO

O concelho de Sesimbra oferece aos seus visitantes uma boa indústria hoteleira, com vários hotéis de qualidade, bares, discotecas e restaurantes de bom nível. A vila é sempre um bom local para dar passeios a pé, não só pela zona ribeirinha, como pelo seu traçado urbano característico.
Os monumentos, como o Castelo de Sesimbra, a Fortaleza de Santiago ou os Faróis do Cabo Espichel e o de S. Teodósio são outras das atracções do concelho sesimbrense.
As grutas do Zambujal, apesar de não poderem ser visitadas, podem ser apreciadas de longe, despertando o interesse de quem passa, pela sua beleza e dimensão.
O Cabo Espichel é outro dos lugares privilegiados. Além do maravilhoso contacto com a Natureza, o oceano Atlântico na sua plenitude vai alisando as falésias, com o constante bater das ondas que se desfazem em espuma quando encontram os rochedos.
A beleza natural do concelho, as praias, as festas tradicionais, e a gastronomia são alguns pontos fortes para visitar Sesimbra.
As praias sesimbrenses são muito visitadas e apreciadas pelos turistas, assim como a pesca desportiva.
No que diz respeito ao artesanato, destacam-se as composições em escamas de peixe, a cerâmica e a pintura em azulejo.
O leque de festas típicas do concelho de Sesimbra é muito vasto. A Feira-Festa da Quinta do Conde, o típico Carnaval, os santos populares, assim como as festas da Nossa Senhora da Luz e Nossa Senhora da Boa Água são algumas das festas pontuais de Sesimbra. Incontornáveis são as celebrações do culto do Senhor das Chagas, com início a 24 de Abril e auge nos dias 3 a 5 de Maio. De permeio tem lugar a procissão dedicado ao santo que é das maiores realizadas a sul do país.
Mas Sesimbra não oferece só festas e feiras aos seus visitantes. Estes também podem e devem apreciar a gastronomia sesimbrense, rica em peixe e marisco. Destaque-se a caldeirada de Sesimbra, o arroz de tamboril e a açorda de marisco nos pratos principais. Não esquecendo o pão caseiro e os queijos frescos.
A doçaria é representada pelos zimbros, brisas do mar e pelos almirantes.


Sesimbra
http://www.portugalweb.net/Sesimbra
O concelho de Sesimbra forma aproximadamente um quadrado delimitado por Almada, Seixal e Barreiro a norte, Palmela e Setúbal a leste e pelo Oceano Atlântico a sul e a oeste.
Dentre as actividades económicas mais importantes do concelho destaca-se a pesca e as suas associadas a construção naval e a indústria conserveira e a extracção e transformação dos várias tipos de pedra da região, como a brecha de Sesimbra e a brecha ou mosaico da Arrábida, um conglomerado marmóreo natural.
As mais importantes romarias de Sesimbra são a Festa do Senhor Jesus das Chagas, a de Nossa Senhora do Castelo, a de Nossa Senhora do Cabo, a de Nossa Senhora da Luz, a de Nossa Senhora da Arrábida e a de S. José.
As origens de Sesimbra não são ainda bem conhecidas falando- -se numa Zambra romana, de uma Sesimbrig celta e outros autores ainda de uma Zimbra celtibera.
Certo é que em todo o concelho abundam vestígios arqueológicos que atestam a presença humana na região desde o Vilafranquiano médio 1 200 000 anos a.C..
Sesimbra foi tornada portuguesa e cristã no ano de 1165 quando D.Afonso Henriques a conquistou aos árabes, após alguns dias de tentativas. Os árabes retomam o castelo após este ter sido abandonado pelos povoadores, que temeram a horda muçulmana, a qual lutava para recuperar as praças perdidas, em 1191.
Coube a D. Sancho I a reconquista de Sesimbra com o auxílio de cruzados francos, que povoaram o local.
O castelo de Sesimbra foi doado em 19 de Fevereiro de 1236 aos cavaleiros da Ordem de Santiago, que possuíam já importantes territórios em toda a região, na pessoa de Paio Peres Correia seu mestre, com todo o direito sobre o senhorio da vila e castelo e o padroado das igrejas. O Papa Inocêncio IV confirmou a doação.
Os cavaleiros não foram suficientes para o povoamento da região, nem as regalias dadas a pescadores e camponeses, pelo que houve necessidade de criação de “coutos de homiziados” nos séculos XIII, XV e XVI.
O primeiro foral de Sesimbra foi dado por D. Sancho I em Coimbra, em Agosto de 1201, confirmado posteriormente por D. Afonso II, D. Dinis que além de confirmar os privilégios criou o concelho de Sesimbra, D. Afonso IV e D. Fernando.
No período das Descobertas os homens do mar de Sesimbra marcaram largamente a sua presença, tendo concedido o rei D. Manuel a Sesimbra uma nova carta de foral em 28 de Julho de 1514.
Em 1427 Sesimbra teve banco nas Cortes, ficando o seu procurador ao lado dos de Palmela e Setúbal.
As terras do concelho foram cenário de sangrentos episódios nas lutas nacionais com muçulmanos, espanhóis e franceses.
O concelho teve, antigamente, uma área muito maior do que a actual, porque abrangia terras de Almada e de Azeitão que lhe foram retiradas. Em 27 de Maio de 1388 foram criadas as freguesias de Santa Maria ou do Castelo. Em 8 de Abril de 1536 foi criada a freguesia de Santiago. Em tempos mais recentes foi criada a freguesia de Quinta do Conde.

 

 

 

 

 

Sines – (Concelho do Distrito de Setúbal)

 

 

 

 

 

De origem romano-visigótica, foi tomada aos mouros pelos templários e entrou na Coroa Portuguesa no reinado de D. Sancho ll, em 1217. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512. Aqui embarcou, em Maio de 1834, na fragata inglesa Stag e com destino ao exílio imposto pela Convenção de Évora Monte, D. Miguel (irmão de D. Maria ll), último monarca absolutista. D. Estêvão da Gama, pai do Grande Almirante dos Mares da Índia, Vasco da Gama, foi alcaide-mor de Sines e o grande navegador teria aqui nascido. O povo ainda recorda esta grande epopeia e seu navegador: “ Viva, o Dom Vasco da Gama / Sua aguilhada florir. / Andava lavrando os Chãos, / Foi às Índias descobrir”.

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1902»: “O nome de Sines revela antiguidade nobalíssima desta povoação, porque deve provir da palavra “Sinus” com que os latinos nomeavam a enseada”.

 

Sines
http://www.mun-sines.pt/concelho
A história de Sines faz-se a partir do mar. 
Pré-história
Da Pedra Lascada ao Bronze, há em Sines vestígios de todos os períodos da Pré-história.Celtas e Púnicos
Da Idade do Ferro há vestígios físicos dos Púnicos e uma possível presença celta.Romanos
Os Romanos são os primeiros a fazer de Sines um centro portuário e industrial.
AS PRIMEIRAS comunidades humanas de Sines são paleolíticas. Acampam junto das ribeiras (Junqueira, Morgavel, Borbelogão).
Mas a sua passagem para o Neolítico processa-se no mar. A abundância de peixe e marisco fixa os grupos nas aldeias da praia (Vale Marim, Samouqueira, Vale Pincel I).
A fundição do cobre provoca a primeira acumulação importante de riqueza. Por necessidades de defesa, as aldeias deslocam-se das praias abertas para pontos altos (Vale Pincel II, Monte Novo).
A tecnologia do bronze alimenta sociedades mais complexas e estratificadas. Os espólios dos cemitérios da Quitéria e da Provença indicam um meio onde convive gente muito rica com gente muito pobre.
Costa do Norte, onde existem estações paleolíticas não completamente exploradas.DE ACORDO com Arnaldo Soledade da tribo celta dos Cinetos, que o escritor clássico Avieno identificou no século IV DC, pode derivar a toponomia de Sines.
Menos simbólica e mais substancial, a principal herança da colónia púnica que se estabelece a sul da cidade é o tesouro do Gaio, encontrado em 1966.
Os Púnicos (ou Cartagineses) terão sido os primeiros a usar a Ilha do Pessegueiro com funções portuárias.
Arrecada púnica (Tesouro do Gaio)
PROTEGIDA das nortadas, a baía de Sines é o porto da cidade de Miróbriga (concelho de Santiago do Cacém). Um das hipóteses da origem no nome "Sines" é, precisamente, o étimo latino "sinus" (baía).
O canal da Ilha do Pessegueiro também mantém funções portuárias durante o período romano. Está ligada a Arandis (Garvão, Ourique).
O pedestal de uma estátua de Marte, encontrada nas muralhas do castelo de Sines, aponta para a existência de um povoado romano sobre a arriba.
A fábricas de salga de peixe expostas no actual Largo João de Deus fazem parte da primeira indústria de Sines.
À medida que as salgas de Sines decaem, desenvolvem-se as da Ilha do Pessegueiro, mais próxima dos pesqueiros.
Visigodos e Mouros
No período mais escuro da história de Sines, há um deserto árabe e a miragem de um templo visigótico.Fundação e consolidação do concelho - I
Dom Pedro I concede foral a Sines, interessado nas suas funções defensivas.Fundação e consolidação do concelho - II
Na Idade Média e Modernidade, o mar continua a enformar a vida de Sines.
Há poucos elementos sobre uma possível presença árabe em Sines durante a ocupação do sul da península.
Na transição do século XIII para o XIV, o comércio marítimo está em expansão. É necessário fixar gente na costa para protegê-lo. O crescimento de Sines está incluído no movimento de fundação e a ampliação de povoações litorais que então se processava.
Em 24 de Novembro de 1362, Dom Pedro I concede carta régia a Sines, autonomizando-a de Santiago do Cacém. O desejo de emancipação dos homens-bons de Sines é, pois, satisfeito. Mas com a condição – ilustrativa da função militar com que era fundada a nova vila – de construírem uma fortaleza.
Porto Covo é fundado no pressuposto da criação de dois portos no canal da Ilha do Pessegueiro.
Século XX
A instalação do complexo industrial, no início da década de 1970, é o acontecimento mais importante da história moderna de Sines.
A PESCA e alguma agricultura são as bases da economia sineense na primeira metade do século XX. Ao longo das primeiras décadas ganham importância as indústrias da cortiça e das conservas de peixe.
A partir dos anos 50, o sector do turismo ganha alguma força, mercê da qualidade paisagística da costa e do encanto da vila de Sines.
No início da década de 70 dá-se um choque a todos os níveis da vida de Sines: o governo de Marcello Caetano decide instalar aqui um grande complexo portuário-industrial.
Com um desenvolvimento incerto deste a fundação, o complexo vive hoje uma fase de relançamento.LEIA OS ORIGINAIS
Os textos publicados nesta secção são textos de divulgação. Não dispensam a leitura dos originais historiográficos que constituem a sua fonte. A grande maioria dos livros ou textos citados estão disponíveis para consulta na Biblioteca Municipal de Sines.

 

Vasco da Gama teria nascido em Sines
http://pt.wikipedia.org
Vasco da Gama (Sines, Portugal, 1469 - Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524) foi um navegador português.
Filho do alcaide-mor de Sines, Estevão da Gama, o rei D. Manuel I (1495-1521) confiou-lhe o comando da frota que, em 8 de Julho de 1497, zarpou do Rio Tejo em demanda da Índia, com 150 homens entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro pequenas embarcações:
São Gabriel, feita especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama;
São Rafael, também feita especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama, irmão do capitão-mor;
Bérrio, rebatizada como São Miguel, mas que continuou a ser conhecida pelo seu nome original, sob o comando de Nicolau Coelho; e
uma naveta para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes, que foi queimada perto da baía de São Brás, na costa oriental africana.
Em 2 de Março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada aportou a Moçambique, depois de haver sofrido medonhos temporais e de Vasco da Gama ter sufocado, com mão de ferro, uma revolta da marinhagem.
O piloto que o sultão da Ilha de Moçambique lhe deu para o conduzir à Índia, foi secretamente incumbido de entregar os navios portugueses aos mouros em Mombaça. Um acaso fez descobrir a cilada e Vasco da Gama pôde continuar até Melinde, cujo rei lhe forneceu um piloto árabe, conhecedor do Oceano Índico.
Em 17 de Abril de 1498, avistou Calecute. Estava estabelecida a rota no Oceano Índico e descoberto o caminho marítimo para a Índia.
Vasco da Gama regressou a Lisboa no verão de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de enterrar o irmão mais velho (Paulo da Gama que adoecera e acabara por falecer na ilha Terceira, nos Açores.
D. Manuel recompensou este glorioso feito, nomeando o navegador Almirante-mor das Índias e dando-lhe uma renda de trezentos mil réis anuais que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu, conjuntamente com os irmãos, o título de Dom e duas vilas, em Sines e Vila Nova de Milfontes.
Voltaria mais duas vezes à Índia, de que foi governador e segundo vice-rei para lutar contra os abusos existentes que punham em causa a presença portuguesa na região. Vasco da Gama começa a actuar rigidamente e consegue impor a ordem, mas vem a morrer em Dezembro desse mesmo ano em Cochim, sendo os seus restos mortais trazidos para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (propriedade privada). A presença das ossadas na vila alentejana de Vidigueira, prende-se com o facto, de o Rei lhe ter atribuido o título de Conde de Vidigueira (a si e aos seus descendentes) em 1519. Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos ficando ao lado do túmulo de Luís de Camões. Há quem defenda, porém que, os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram naquela vila alentejana; Se é lenda ou não, não sabemos... . Como testemunho da eventual trasladação das ossadas, em frente da estátua do navegador, temos a antiga Escola Primária Vasco da Gama, em Vidigueira (que serviu de moeda de troca para obterem permissão para efectuar a trasladação), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.
Teve cinco filhos: Francisco, Estevão, Paulo, Cristovão e Pedro. Alguns acompanharam-no e vieram a desempenhar cargos importantes no Oriente.

 

Porto Covo
http://portocovo.planetaclix.pt
DE ALDEIA DE PESCADORES - A ATRACÇÃO TURÍSTICA
Fonte de inspiração de poetas e cantores, Porto Covo desde sempre encantou os seus visitantes logo num primeiro olhar. Em meados do século XVIII, Porto Covo não passava de um pequeno lugar implantado na arriba, próximo de uma pequena enseada. Sabe-se que em 1780 o pequeno povoado resumia-se a quatro casas apenas.
Testemunha desta história, a Ilha do Pessegueiro com os seus fortes comprova o que restava de um grandioso projecto de um porto marítimo que Filipe II de Espanha e Felipe I de Portugal havia concebido para aquele lugar. Este projecto nunca se chegou a concretizar e durante o século XVIII a principal actividade registada em Porto Covo prendia-se com a utilização da calheta local e do ancoradouro do Pessegueiro como portos de pesca e comércio.
Assim permaneceu discretamente até ao dia em que um membro da alta burguesia comercial pombalina se encantou por aquele pequeno lugar. Jacinto Fernandes Bandeira era oriundo de uma família não muito abastada de Viana do Castelo. Veio cedo para Lisboa enveredando pela actividade comercial na qual granjeou grande sucesso. Jacinto Fernandes Bandeira depressa alcançou notoriedade, enriqueceu e ganhou poder durante o Governo do Marquês de Pombal. A sua ascensão levou a que recebesse inúmeros títulos, entre os quais o de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, em 1794, por "haver principiado uma povoação no sítio de Porto Covo, de que pode resultar muita utilidade ao comércio e transportes da província do Alentejo, cuja povoação se obrigou a concluir na conformidade do mapa que apresentou", assim rezava o decreto. Para concretizar a edificação da povoação, Jacinto Fernandes mandou fazer um plano constituído por dois desenhos; o "Mapa da Configuração do Terreno e Porto Covo que se pretende habitar e cultivar" e ainda uma "Planta da Nova Povoação do Porto Covo" (ver imagem). Assim começava um novo ciclo na vida do lugar de Porto Covo, associado à ascensão de Jacinto Fernandes Bandeira que, a 13 de Junho de 1796, recebe a denominação de Senhor de Porto Covo "em consideração da actividade com que promove o estabelecimento e povoação de Porto Covo, em benefício da agricultura, da pesca e do provimento da Corte".
Em 1802 Jacinto Fernandes torna-se Alcaide-mor de Vila Nova de Mil Fontes e, algum tempo depois, passa a Conselheiro da Real Fazenda. A 15 de Agosto de 1805 recebe o título de Barão de Porto Covo.
A povoação é inspirada no traçado geométrico da baixa pombalina, em Lisboa, como se pode ler na obra Porto Covo - um exemplo de urbanismo das Luzes, da autoria do historiador António Quaresma. "Nele sobressaem duas praças que lhe conferem esquematicamente certa semelhança com um H: a Praça do Poleirinho, junto ao Porto e a Praça do Mercado. Entre as duas, os equipamentos sociais: o hospital para inválidos e expostos e a igreja. Tudo na nova povoação está racionalmente e previamente determinado: blocos de habitação, celeiro, armazém de carvão, estalagem, instalações para os armadores de pesca, edifício da Câmara e da cadeia e a casa da Fazenda. Cercando grande parte do conjunto, uma cortina com a dupla função de fortificar e de impedir que alguém se precipitasse da arriba".
Jacinto Fernandes Bandeira dedicou a sua vida ao incremento da povoação vindo a falecer a 30 de Maio de 1806. Solteiro, deixou os seus títulos de herança ao seu sobrinho Jacinto Fernandes da Costa Bandeira que vem a receber o título de 2° Barão de Porto Covo. Este, por sua vez, por valiosa contribuição para a política do reino chega ao cargo de ministro da Fazenda e presidente do Banco de Lisboa. É elevado a Visconde de Porto Covo em 1825 e em 1843 passa a Conde deste lugar. Sob a regência deste 2° Barão o crescimento de Porto Covo não é muito significativo tendo, um século depois, cerca de vinte fogos. Porto Covo nunca chegou a desempenhar o papel de porto do Alentejo. Teve no entanto um papel secundário como porto comercial, sendo a pesca a sua actividade mais importante.
O desenvolvimento da povoação só registou um avanço significativo aquando da construção do complexo industrial de Sines. Nessa altura aumentou de cinquenta e cinco fogos e 246 moradores em 1940, para cento e quarenta e quatro fogos em 1980, registando então um total de 539 habitantes.
Inserida no conselho de Sines, Porto Covo tornou-se freguesia em 1984, evoluindo de uma aldeia piscatória para um local de atracção turística, potenciando a beleza da sua paisagem com as suas praias de areia branca e fina aquecidas pelo sol e a hospitalidade das suas gentes. Outro ponto de interesse turístico é a Ilha do Pessegueiro, com a sua praia com condições para a prática de windsurf, passeios de barco e pesca desportiva.
Noticias de Sines, 3 de Junho 2000

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

 

                                      

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

 

Todos os direitos reservados a Carlos Leite Ribeiro
Página criado por Iara Melo
http://www.iaramelo.com