Distrito do PORTO

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

Concelhos de:

Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Maia,

Marco de Canaveses, Matosinhos, Paços de Ferreira, Paredes,

Penafiel, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Trofa, Valongo,

Vila do Conde, Vila Nova de Gaia

 

 

O Distrito do Porto, correspondente ao núcleo da província tradicional do Douro Litoral. Limita a norte com o Distrito de Braga, a leste com o Distrito de Vila Real, a sul com o Distrito de Viseu e com o Distrito de Aveiro e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 2395 km². Capital e Sede de distrito: Porto.

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“O distrito do Porto é formado de uma parte da antiga província do Douro; tem uma superfície de 2.312, 10 Km2 e uma população de 597.935 habitantes. Compreende 17 concelhos e 379 freguesias. Povoações principais, Porto, Penafiel, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. A serra principal é a do Marão com 1.415 metros. É banhado pelos rios Douro, Tâmega, Sousa, Leça, Vizela e Este. Fábricas de fiação, tecidos, fundição de ferro, pescarias, criação de gado. Vinho, frutas, milho, centeio, etc.

 

 

 

Porto – (Capital e sede de concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Um velho adágio, epigramático, diz: “Lisboa diverte-se; Coimbra canta; Braga reza; o Porto trabalha”. Na verdade, o velho burgo, pelo seu feitio, tem o seu quê de áspero e de canseiroso. Fazer rir o Porto é caso sério. Camilo Castelo Branco, que o conheceu por dentro e por fora, bem o sentiu, pagando com usura os sarcasmos que por vezes lançou sobre os severos lojistas de então, de carregado semblante, que nele viam uma espécie de segunda encarnação do Anjo Negro e o julgavam mais digno do quarto aferrolhado da Relação do que deambular, com as botas altas à Frederico e a sobrecasaca azulada, pelo passeio das Cardosas, como um mefistofélico desafio ao “sossego das famílias”. Muitos escritores e viajantes, nacionais e estrangeiros, têm reconhecido a singularidade do meio social do Porto e tentando definir o indefinível perfil étnico do genuíno portuense Ramalho Ortigão, por exemplo, tripeiro de gema mas emigrado, escreveu com a sua costumada verve: “O portuense é o homem mais delicado, mais serviçal, mais bom homem. Somente há três coisas de que ele não gosta – e nesse ponto é mau brincar com ele. Não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade, vinga-se desprezando-a. Da polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria”.

Povoado castrejo no Alto da Penaventosa ou Póvoa incipiente na Ribeira, ali ao Barredo, associa-se geralmente ao topónimo Cale do Itinerário de Antonino. Foi certamente o Portucale locus necessário à passagem do Rio Douro e mais tarde, já sem dúvida, no alto, o castrum novum suevorum. Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição. Foi cedo bispado. Vimara Peres, sob armas de Leão, tê-lo-á expugnado definitivamente do jugo mouro.

A primitiva povoação surgiu de um pequeno e arruinado largo em volta da Sé, doado por D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, que se apressou a dar foral aos do burgo.

Rodeado por uma estreita cerca de muralhas, devido aos muitos privilégios concedidos pelos monarcas afonsinos, depressa estes muros foram transpostos, e na época de D. Fernando novas muralhas foram edificadas, continuando burgo a desenvolver-se rapidamente. No século XVl, o surto populacional aumentou e com ele a construção, desenvolvendo-se a povoação para além das muralhas a partir do século seguinte.

D. Manuel l, concedeu foral novo. Muito marcado pelo período filipino, sofrendo aliás, como todo o País, o desaire dos desmandos, entregue a uma latente actividade mercantil, mas nunca virando as costas à área já então de forte densidade populacional em relação ao resto do País e acentuando cunho agrícola, vai lentamente saindo dessa aparente letargia. Já em pleno século XVlll que de novo atinge as alturas dos seus pergaminhos de cidade empreendedora. O enriquecimento vem a traduzir-se por múltiplos aspectos. Esplende no barroco nasoniano, que deixa na cidade, em alguns dos seus templos, a marca indelével desse facto. O terramoto de 1755 não mais fizera que pequenos estragos no Porto, mas na sequência da reconstrução de Lisboa, com a influência dos ingleses e a acção dos Almadas, o Porto vai conhecer um surto de engrandecimento notável. Embora à custa principalmente da recessão das indústrias de tecelagem, mas apoiada na crescente importância do comércio do vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e aí embarcado, e que então se passa a conhecer por vinho do Porto, a cidade acrescenta-se em população. As colónias de ingleses e outros europeus aumentam e desses tempos provêm alguns nomes dessa origem que aqui se estabeleceram e radicaram, criando família, casas, gostos e costumes que hoje podem considere-se também caracterizantes das gentes portuenses.

 

Já no século XlX, porém, novas ideias, riqueza acrescida, força de empreendimento, um luzido escol de gente de saber, políticos, capitais e, sobretudo, uma indesmentível força popular, afeita ao trabalho, resistente e continuadamente ciosa de seu pergaminhos de independência e liberdade, dão à cidade do Porto o seu cunho moderno.

A cidade do Porto tem a sua história ligada indissoluvelmente ao rio Douro e ao Oceano Atlântico. Nascida, naturalmente, das vicissitudes da passagem do primeiro (Douro) na sua margem direita e alguns quilómetros da sua foz, cedo o mar também a marcou. É possível que mesmo antes de ter existido a frustre Póvoa que lhe foi berço já os Focenses aí tivessem – algures em São João da Foz – “emporia” para os seus comércios com o interior através do Douro.

Origem do nome:

«Prof. Vasco Botelho de Amaral, em, O Povo e a Língua – 1949»: “ Abrindo “Os Lusíadas” lemos isto no Canto Vl, estância 52:

 

“Lá na leal cidade deve

Origem – como é fama – o nome eterno

De Portugal

 

Bem fez Camões, prudentemente, escrever “como é fama” porque há ainda nevoeiros à volta do porto de Cale, que era com certeza no Douro, mas não se sabe, ao certo, se na margem direita (no monte da Cividade, segundo a tese do Dr. Mendes Correia), se na margem esquerda, em Gaia, como a tradição tem sustentado.

Como quer que seja, não se pode tirar à “Leal Cidade” dos tripeiros a boa fama de lá, ou bem perto, haver nascido o nome de Portugal, de Portus Calem.

Note-se que não é insólita este caso da palavra porto (o equivalente em outras línguas) passar a topónimo.

Na Mauritânia havia o Portus Magnus (Porto Magno); nos nossos tempos toda a gente conhece nomes, como, por exemplo, o Porto Rico, etc.; nas línguas germânicas há vários casos como Southport, na Inglaterra, Wilhelsmshaven, na Alemanha, et., etc.”.

 

Porto
http://www.portoxxi.com/cultura
Há muito, muito tempo, quase nos primórdios da civilização, havia um lugar ao qual chamaram Porto por ser de paragem obrigatória às gentes que viajavam no país. Nesse lugar havia um rio chamado Douro por ter em si muitas e belas riquezas.
A terminologia da palavra aponta para portus, a porta, topónimo que traduz a vida comercial e o desejo de um povo pioneiro na descoberta do desconhecido
A constituição das suas origens como cidade data de 417.
Ao longo dos séculos foram vários os seus governantes, citando-se entre outros os Suevos, os Godos, e mesmo os Mouros que por aqui passaram até ao reinado d’El Rei D. Afonso I, de cognome o Católico.
Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição.
Depois de ter sido nomeada bispado e ter sido entregue a D. Hugo o burgo foi sempre crescendo, quer dentro dos muros, quer nas imediações da cidade. Estendendo-se pela Ribeira até à praia onde desembarcavam e embarcavam mercadorias. Trepando em direcção ao burgo, lá no alto, seguindo os traçados que rumam a Braga, a Guimarães e Trás-os-Montes e ao Olival.
A crescente importância económica do burgo episcopal começa a despertar a cobiça dos poderosos e com eles a dos reis. E as lutas começam. As disputas entre reis e bispos pelo controlo dos recursos da cidade, nomeadamente dos rendimentos da actividade portuária permanecem até ao reinado de D. João I, quando acordou com a Mitra a passagem definitiva do senhorio.
Entretanto a cidade continua a crescer e é no reinado de D. Afonso IV que é mandado edificar uma cinta de muralhas destinadas a proteger o pequeno burgo, esses muros ou muralhas que circundavam e defendiam o velho burgo portucalense existiam ainda no século XVII, da sua constituição faziam parte as portas: a Porta dos Carros, de Santo Elói, do Olival, da Esperança, do Sol e a Porta Nobre . No seu percurso a porta principal era o Arco de Vandoma, situado a nascente do citado burgo e a encostar no largo da Sé e na rua Chã daí inclinava o muro monte abaixo, ladeando as escadas das verdades onde se encontrava a Porta das Mentiras, aqui o muro torneava o Alto do Barredo e angulava o rio da vila que desaguava a descoberto na rua de S. João, que hoje em dia ainda conserva o mesmo nome, rasgando o arco de Sant’Ana das Aldas e o arco de S. Sebastião onde recurvando fechava o circuito do muro, muro este que é mais conhecido por Muralha Fernandina (ver 1ª foto ao lado).
Cedo o Porto demonstrou o seu grande potencial na construção naval, quer a nível industrial, quer comercial. A esse potencial não são alheias as ligações inquebráveis que o Porto possui com o Douro e com o Atlântico.
Assim pelo século XIV adiante foi o Porto o principal centro português de construções navais.
Envolto nos enredos do mar, lançado na imensidão dos oceanos em busca de novas paragens, navios, marinheiros e população integraram interesses e esforços de muitas formas e, logo aquando da expedição à conquista de Ceuta, o infante D. Henrique, nascido na Invicta, ali organiza uma formosa esquadra que levou a juntar-se ao rei que esperava em Lisboa antes de partirem par o Norte de África.
E foi por tal empenhamento que os portuenses receberam a alcunha de Tripeiros, pois segundo contam, o comprometimento do povo levou a que fornecessem as naus e galeras com as carnes ficando apenas as tripas como alimento dos que por cá ficaram.
Como louvores dos feitos prestados, muitos foram os portuenses que inscreveram os seus nomes na história.
Ao longo da história o Porto foi sempre muito cobiçado, pelas riquezas, privilégios, autonomia e tradição que o caracterizavam, mas com o Foral Manuelino de 20 de Junho de 1517 o Porto perdeu grande parte dos seus privilégios, sendo D. Manuel considerado o rei inimigo, que deu inicio à mesquinha, absurda e funesta política da centralização dos poderes e serviços. Contudo o povo portuense sempre honrou o seu carácter colectivo, através do seu espírito de independência e o seu amor à liberdade.
Muito marcada pelo desaire do período filipino, é já no século XVIII que de novo atinge as alturas dos pergaminhos de cidade empreendedora. Renovando as industrias correlativas derivadas das velhas actividades mercantis de cabotagem e longo curso.
Mas o engrandecimento da cidade não resplandece apenas nas actividades comerciais, expandindo-se às artes, como é o barroco nasoniano marcado em alguns templos da cidade.
Uma das características deste estilo é o recurso à policromia e à exuberância das formas, bem como a conjugação de revestimentos a ouro com a pintura e o azulejo criando ambientes de rara beleza.
Em 1755 o Porto é marcado por um terramoto que apenas provocou pequenos estragos, na sequência da reconstrução de Lisboa, a influencia inglesa e a acção dos Almadas, trazem para a cidade um surto de engrandecimento admirável.
Sobrecarregada com a crise da tecelagem, mas apoiada no comercio do vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e embarcado no Porto, facto que se traduziu no nome pelo qual esse vinho é conhecido, a cidade vê aumentar ainda mais o seu núcleo populacional com colónias de ingleses e outros europeus que se estabeleceram e radicaram na cidade.
No século XIX o Porto é massivamente modernizado através de novas ideias, riqueza acrescida, força empreendedora, um deslumbrante escol de gente de saber, políticos, capitais e sobretudo a inegável força popular, afeita ao trabalho, resistente e ciosa dos seus pergaminhos de independência e liberdade.
Os portuenses intervêm repetidas vezes nos próprios destinos políticos da Pátria. Sofreram a ocupação dos invasores, não se aquietando na sua expulsão, retendo-lhes as ideias mais benéficas, não admitindo tutelas, defendendo-se com armas, vidas e bens.
Com uma determinação impar, a cidade foi crescendo, organizando-se administrativa, financeira e culturalmente, constituindo-se numa capital regional que ainda hoje é.
Ao longo do século XX o cunho que a caracterizou sempre manteve-se e hoje a cidade está populacionalmente estabilizada.
Dela partiram as primeiras acções republicanas, sendo simultaneamente um dos grandes pilares políticos e económicos do País. E ainda foi o pólo de crescimento industrial significativo quer internamente, quer nas regiões vizinhas.
Assim falar do Porto é começar sem nunca conseguir terminar de relatar todos os seus feitos, tradições, costumes, belezas...
A cidade velha de séculos, contrastante com o fervilhar de actividades e ideias não se pode nunca destituir das gentes que lhe dão vida, carácter e cunho.
Gentes de linguagem marcada, sonora e garrida, trabalhadora e entusiasta, vibrante com seus ídolos desportivos, áspera e livre na crítica e jubilosa nos folguedos.
O Porto congrega, cria, difunde densos cambiantes de contrastes sendo por isto o símbolo portuguesíssimo de um progresso que não se envergonha do passado mas nele sustenta o futuro.
Por tudo isto é considerada a mais imponente cidade do Norte merecendo a justa classificação de Património Mundial.
Um símbolo, uma cidade
Muitas foram as alterações deste marco representativo da cidade, muito embora seja de apontar que a sua estrutura básica se manteve ao longo de diferentes reinados apenas tendo sido acrescentado pormenores artísticos e caracterizadores desta tão bela cidade situada nas margens do Douro que carinhosamente molha os pés dos portuenses.
O original brasão da Invicta representava « uma cidade de prata, em campo azul sobre o mar de ondas verdes e douradas».
Em 1517 sofre a primeira alteração, ao qual foi incluído ao imagem de Nossa Senhora de Vandoma, com o menino Jesus nos braços sobre um fundo azul e entre duas torres.
Em 1813 e aquando da segunda modificação, a imagem de Nossa Senhora aparece ainda ladeada por duas torres encimadas por um lado por um braço e por outro por uma bandeira.
Em 1834 no reinado de D Pedro IV ao brasão foi introduzido uma inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade».
Este brasão era então constituído por um escudo esquartelado, cercado pelo colar da Ordem da Torre e Espada, tendo nos primeiros e quartos quartéis as armas de Portugal e nos segundos e terceiros as antigas armas da cidade. Encimava o escudo um dragão verde assente numa coroa ducal, sobressaía uma longa faixa com a legenda Invicta.
A ultima alteração, em 1940, do brasão dá-lhe a forma actual conhecida por todos, representado pelas armas. Apresenta-se assim de azul com um castelo de ouro, constituído por um muro ameado e franqueado por duas torres ameadas, aberto e iluminado a vermelho, sobre um mar de cinco faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde.
Sobre a porta assente numa mesura de ouro a imagem da virgem com diadema na cabeça, segurando um manto azul e com o menino ao colo, ambos vestidos de vermelho, acompanhados lateral e superiormente por um esplendor que se apoia nas ameias do muro.
Em destaque dois escudos de Portugal antigo. No cimo uma coroa mural de prata, de cinco torres e um coral da ordem militar da Torre e Espada, do Valor e do Mérito.
A listel branco a inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade do Porto».

Porto
http://www.portoturismo.pt/a_cidade
A conquista de Portucale em 868 por Vímara Peres, guerreiro de Afonso III, de Leão, é aqui considerada, com razão, acontecimento da mais antiga História do Porto. A povoação de Portucale in Castro novo era desde a segunda metade do séc. VI, desde os tempos dos Suevos, sede da Diocese Portugalense, mas a partir de 868 a sua importância aumenta: torna-se o centro do movimento de reconquista e de aglutinação das terras circundantes, as quais por tal facto em meados do séc. X passam a constituir a província portugalensis, a cujos habitantes logo se dá o nome de portugalenses, e entre os quais começam a surgir as primeiras e vagas manifestações de sentimento nacional. Portucale, foi, por isso, na verdade, quem deu nome e origem à Nação Portuguesa! Em 1120, a Rainha D. Tareja viúva do conde D. Henrique, doa ao Bispo D. Hugo e os seus sucessores o pequeno Burgo do Porto e um Couto a que o Bispo dá Foral em 1123, e cujos limites D. Afonso Henrique mais tarde confirmou e ampliou. Em 1147 entraram no Douro os Cruzados nórdicos que faziam parte da Segunda Cruzada à Terra Santa e é o Bispo do Porto D. Pedro Pitões quem lhes prega no Crasto de Portucale, no alto do monte, em frente da Sé, um eloquente sermão, exortando-os a irem auxiliar D. Afonso Henrique na conquista de Lisboa; depois o Bispo Portugalense acompanha a armada e toma parte na bélica empresa. Caída em poder dos Cristão a formosa Princesa do Tejo, entrou o Porto rapidamente a desenvolver-se. Cresce em população e importância económica, e os burgueses envolvem-se em questões e em lutas com os seus Bispos, aos quais, aliás, o Burgo devia, mas de cuja subordinação temporal os revoltosos ansiavam libertar-se. Não raro o Rei serviu de medianeiro entre as partes desavindas, sendo D. João I quem, ao cabo de dois séculos, faz terminar essas contendas, consentindo em comprar aos Bispos do Porto o direito à jurisdição temporal que estes diziam ter sobre o Burgo e respectivo coutos. Ao mesmo Mestre de Avis, porque se apresentava como Regedor e Defensor de Portugal contra os Castelhanos, o Porto prestara tais serviços na crise de 1383-1385, que dele recebeu o título de MUI NOBRE E SEMPRE LEAL CIDADE. Segue-se o Ciclo das Conquistas e Descobrimentos Ultramarinos. Da mesma forma que do norte do país tinham saído os guerreiros que conquistaram o sul aos Mouros, também do Norte, onde nasceu o portuense Infante D. Henrique e tantos navegadores, partiu um decisivo impulso para as grandes navegações marítimas; o Porto, no séc. XV, era uma das cidades das Espanhas onde mais navios se fabricavam e donde mais marinheiros saíram. Mas nem só o comércio e as navegações interessavam aos burgueses do Porto. Também entre eles houve muitos e excelentes cultores das Belas-Artes que honraram a cultura nacional, desde, segundo é fama, o Vasco de Lobeira, do Amadis de Gaula, até aos poetas do Cancioneiro de Garcia de Resende como Diogo Brandão e Fernão Brandão, ou ao celebrado Pero Vaz de Caminha, autor insigne da Carta do Achamento do Brasil, mundialmente conhecida e admirada. Quando, após o cativeiro filipino, Portugal recupera a independência, o Porto assume entusiasticamente um papel de relevo nas lutas da Restauração e sustenta à sua custa um Terço de Tropas. Pela Pátria, o Porto solta em 1808 o grupo de revolta contra Junot e sofre em 1809 todo o peso da invasão de Soult, bem como as suas trágicas consequências. Mas nem tudo são guerras na História do Porto. Na segunda metade do séc. XVIII a Cidade, que se enriquecera extraordinariamente, cresceu, monumentalizou-se, modernizou-se graças aos Almadas: e no séc. XIX o Porto deu à Nação poetas como Garrett e criou escultores da grandeza de Soares dos Reis. É claro que na base de todas as acções colectivas dum povo está o próprio povo: a gente obscura, cujos nomes não ficaram na história, mas que trabalhou, sofreu e se sacrificou, que deu a sua fazenda, as suas forças e a sua vida para que as pátrias fossem gloriosas e grandes. Não o esqueceu Guilherme Camarinha, nas tapeçarias da Câmara Municipal do Porto, pois colocou em lugar de relevo na base da sua assombrosa composição os lavradores, os mesteirais, os carpinteiros, os petintais, os carniceiros, a trabalhar na preparação da armada que da Ribeira do Douro no ano de 1415 partiu para Ceuta sob o comando do Infante D. Henrique.
O povo do Porto, entre cujas qualidades avulta a de um profundo sentimento de civismo, deu quanto tinha para o aparelhamento e abastecimento desses navios; generosa e patrioticamente os portuenses cederam toda a carne das rezes, e porque, para sua alimentação, só ficaram com as vísceras desses animais, ganharam um epíteto que é o seu mais lídimo título de orgulho: - o de Tripeiros!
A GENTE DO PORTO
O Porto orgulha-se de ser conhecido como a cidade do trabalho. De facto, os seus habitantes desde sempre estiveram na primeira linha em defesa das causas nacionais e contribuíram largamente para o desenvolvimento da epopeia dos Descobrimentos e para o progresso económico da região. Ainda hoje o norte do país é reconhecido como uma das áreas mais dinâmicas do tecido empresarial português. A rudeza imposta pelo trabalho é, porém, superada pelo carácter franco e hospitaleiro da sua gente. O dinamismo dos habitantes do Porto não consegue disfarçar a sua paixão pelas coisas, dando-lhe uma imagem da autenticidade e de respeito.

 

Ponte D. Luís l - um dos ex-libris do Porto
http://www.portoxxi.com/cultura
Constituída por dois tabuleiros metálicos, que se destinavam a fazer a ligação rodoviária entre Vila Nova de Gaia e o Porto. Tem de comprimento cerca de 395 metros e de largura 8 metros, compostos por 5,5 metros de faixa de rodagem e 1,25 metros de passeios.
A obra foi adjudicada a 28 de Novembro de 1881, por concurso aberto e foi o engenheiro Teófilo Seyrig quem ficou encarregado pelo projecto.
A construção desta ponte permitia a passagem da estrada real vinda de Lisboa até às províncias do Norte e do Norte do País, tendo constituído umas das obras de maior envergadura no plano rodoviário realizado pelo monarca, Luiz I.
Ponte Pênsil
A ponte D. Luiz, construída ao lado do local onde existiu a antiga Ponte Pênsil tem os dois tabuleiros sustentados por um imponente arco de ferro e por cinco pilares.
O arco é formado por duas curvas parabólicas divergentes. O tabuleiro superior apoia-se nos encontros de cantaria e nos três pilares de cada margem do rio. Na sua totalidade foram gastos 3000 toneladas de ferro, sendo que deles 172 metros são de corda e 45 metros são de flecha, componentes do arco da ponte.
O tabuleiro superior foi inaugurado a 31 de Outubro de 1886, dia do aniversário natalício de el-rei D. Luiz, ao qual assistiram, para além das autoridades governamentais, as autoridades municipais administrativas e religiosas da cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia.

 

O nascimento do Infante D. Henrique - (O Navegador)
http://atelier.hannover2000.mct.pt
A Rainha D. Filipa de Lencastre, encontrando-se grávida, repousara durante largos meses nos Paços de Atouguia da Serra. Por motivos que se desconhecem, a Côrte deixou a referida estância por volta de 3 de Fevereiro de 1394 e pôs-se a caminho do Porto. A viagem foi relativamente apressada, tendo a comitiva feito etapas em Leiria (onde se encontrava no dia 7) e Coimbra (onde estava no dia 12). A chegada ao Porto dá-se antes de 20 de Fevereiro, pois já nesta data a vereação reclama contra os distúrbios causados na cidade, pela pousadia do pessoal que acompanhava D. João I.
Conta Fernão Lopes que «naceo depois... o Infante dom Anrrique na cidade do Porto hua quorta feira de cinza IIII dias do mes de Março ... ». ("Nasceu depois... o Infante D. Henrique na cidade do Porto numa quarta-feira de cinzas no dia 4 do mês de Março...") Refere-se o cronista ao dia 4 de Março de 1394 e, segundo os estudos mais recentes, terá nascido numa casa que era pertença da coroa, uma casa que reuniria todas as condições para uma estada longa de vários meses. Essa casa seria a da Alfândega Real, também então designada por Casa do Tesouro, "almazem e casas" do almoxarifado do Porto e que tradicionalmente nos habituamos a designar por "Casa do Infante".
A permanência da Côrte nesta Cidade teve uma duração pouco comum, decerto para permitir o restabelecimento da Rainha e os cuidados devidos ao recém-nascido Príncipe bem como à realização do baptizado. A presença de D. João no Porto está confirmada, pelo menos, desde 20 de Fevereiro a 23 de Novembro.
Baptizado do Infante D. Henrique
Ao Porto e às suas gentes coube a honra de assistir e participar nos folguedos que por toda a cidade iam decorrendo durante as bodas do ilustre casal, D. João I e D. Filipa de Lencastre, ao Porto está também ligado o nascimento daquele que foi um dos mais prestigiados Infantes nascidos deste casamento. É natural que, na altura tenham ocorrido alguns festejos populares espontâneos do baptismo do Infante.
Nascido em 4 de Março de 1394, o Infante é baptizado no mesmo ano na Sé Catedral do Porto. A Câmara Municipal do Porto e outras instituições urbanas se associaram para organizar, como era costume, esses festejos tão importantes.
São poucas as informações acerca destes festejos, o que se sabe está num pergaminho guardado no Arquivo Histórico Municipal onde estão presentes todas as despesas feitas na preparação e decorrer dessas festas.

 

A Lenda do Tripeiros - Gentil Marques (1955)
No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem...
Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido, achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o Infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.

 

 

 

 

 

 

Amarante – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Aqui, a História pode ser lida em cada recanto, cada lugar, cada outeiro, cada cimo de monte.

Vila dividida pelo rio Tâmega, de pitorescos açudes e ínsuas. Amarante parece ter sido fundada pelos Turdetanos, 360 antes de Cristo, sendo reconstruída pelo governador romano Amarantus. Talvez comprovem esta tradição os amplos vestígios arqueológicos, desde dólmenes e castros a ruínas luso-romanas, que existem nas suas imediações. As estruturas da actual vila apenas remontam a meados do século Xlll, época em que São Gonçalo ali construiu, com o auxílio da população de Ribatâmega, a robusta ponte romântica de três arcos, que ruiu em 1763. O interessante conjunto urbanístico sofreu grandes depredações em 1809, durante a Invasões Francesas, tendo sido incendiada parte da vila. Amarante possui, porventura, uma das mais belas pontes portuguesas, robusta nos seus arcos graníticos, que constituiu durante séculos (mesmo antes da data de 1790 que ostenta) ligação fundamental de Trás-os-Montes com o Porto.

Tradição de Amarante : O Diabo e a Diaba:

Esta figuras burlescas, outrora muito queridas da população amarantina, foram executadas no século XlX pelo mestre escultor António Ferreira de Carvalho, por encomenda dos frades do mosteiro. Destinava-se a substituir imagens idênticas que tinham sido destruídas aquando da passagem das tropas napoleónicas pela vila. O casal de diabos chegou a constituir motivo de veneração popular através de um culto curioso, com evidentes marcas de uma religião popular estranha aos ritos canónicos. No dia 24 de Agosto (em que, segundo uma velha superstição, o “Diabo anda à solta”, as pessoas não trabalhavam em Amarante, guardando autêntico feriado, e algumas ornamentavam as figuras e faziam-lhes oferendas. Em 1870, o então arcebispo de Braga, preocupado com a popularidade dos diabos e sob o pretexto da “indecência” de os mesmos se apresentarem de maneira indecorosa perante as imagens dos santos do mosteiro, mandou queimá-los. Mas a ordem não foi executada, pois os encarregados de tal operação optaram por cortar os órgãos sexuais da figura masculina.

Anos mais tarde, o casal de diabos foi vendido para Inglaterra, contra a vontade dos seus admiradores, o que levou a que as estatuetas tivessem posteriormente regressado a Amarante no meio de grandes manifestações de júbilo e uma calorosa recepção. Este acontecimento foi descrito por Teixeira de Pascoais na sua obra “O Duplo Passeio”, editada em 1942.

Caído em desuso o costume de lhes dedicar o dia 24 de Agosto e desaparecida a tradição da sua festa, o Diabo e a Diaba são hoje uma atracção no Museu de Amarante.

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1897»: “Ignora-se o seu primeiro nome: o capitão romano Amaranto, que ali foi governador, e ampliou e reedificou, impondo-lhe o seu nome, e, durante o império, se chamou sempre Amaranto …

Outros dizem que Amarante querem que o nome lhe venha da próxima serra de Marão, como quem diz Ante-Marão ou Marão Ante, isto é, Atrás do Marão”.

« P. F. de A. C. de M. em História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante – 1814»: “Amarante fundada pelos turdetanos 360 anos antes da vinda de Cristo, é com toda a verosimilhança a antiga “Araduca” de que falam os antigos historiadores: hoje chamada Amarante por estar situada “ante Maranum” antes ou para cá do Marão: mudando aquele primeiro nome de “Araduca”, no segundo de “Amarante” no tempo do Imperador Augusto, quando Seneciones General Romano tomou o prenome de “Amaranto”, por vencer os Lusitanos. Iteramnenses nesta vila, sendo a batalha tão “sanguinolenta”, que ainda hoje se chama ao lugar em que ela se deu “Mortório”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos»: “Tem-se escrito que este topónimo tem origem no nome próprio Amarantus, que poderia ou não ter sido o Amaranto sepultado no Hospital de São Marcos em Braga, e que, quando governador romano, teria mandado ampliar a povoação, que ainda hoje presta grande culto a São Gonçalo”

 

Amarante
http://www.cm-amarante.pt
Tudo indica que Amarante deve a sua origem aos povos primitivos que demandaram a serra da Aboboreira (habitada desde a Idade da Pedra), embora se desconheça com exactidão o nome dos seus fundadores. Dá-se como certo, porém, que a urbe ganhou importância e visibilidade com a chegada de S. Gonçalo (1187-1259), nascido em Tagilde-Guimarães, que aqui se fixou depois de peregrinar por Roma e Jerusalém.
Em tempos não muito longínquos, o concelho de Amarante pertencia administrativamente à província do Minho, fazendo fronteira com os concelhos de Celorico de Basto (N), Gestaço (E), Gouveia (S) e Santa Cruz de Riba Tâmega (O). Com as reformas administrativas liberais do séc. XIX desapareceram os municípios de Gouveia, Gestaço e Santa Cruz de Ribatâmega, tendo o de Amarante recebido a maioria das suas freguesias. Desde então o concelho estende-se por uma área de 301,5 quilómetros quadrados, a que correspondem, hoje, 40 freguesias, 18 ao longo da margem direita do rio Tâmega e 22 da margem esquerda, ocupando uma posição de destaque na região do Douro-Tâmega.
Tem uma população de 59 638 habitantes e uma densidade populacional de 197,8 habitantes por quilómetro quadrado. Rico em termos paisagísticos, para o que contribuem decisivamente as serras do Marão e Aboboreira e o rio Tâmega, o concelho de Amarante reúne também um conjunto notável de edifícios e monumentos. 
No Centro Histórico da cidade merecem referência a Ponte, o Convento e Igreja de S. Gonçalo, as Igrejas de S. Pedro e S. Domingos, a Casa da Cerca e o Solar dos Magalhães. Fora da urbe, o destaque vai para os Paços do Concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega, o Mosteiro de Travanca e para o românico das igrejas de Mancelos, Jazente, Freixo de Baixo, Gatão ou Gondar.
As festas grandes em Amarante, em honra de S. Gonçalo, acontecem no primeiro fim de semana de Junho. O feriado municipal tem lugar a 8 de Julho. No concelho, na área do artesanato, o destaque para o barro negro de Gondar, a cestaria, as rendas e os bordados, as mantas e as meias de lã.

 

Lendas de São Gonçalo
http://www.saogoncaloonline.com.br
Beato Gonçalo de Amarante.

São Gonçalo é o santo português que, sobretudo no Norte de Portugal, goza da maior devoção, logo depois de Santo António de Lisboa. Na sua História Eclesiástica de Portugal, o Padre Miguel de Oliveira diz apenas o seguinte: «S. Gonçalo de Amarante que se supõe falecido a 10 de Janeiro de 1259; o seu culto foi permitido pelo Papa Júlio III (24 de Abril de 1551) e confirmado por Pio IV (1561); Clemente X estendeu o ofício e a Missa a toda a Ordem dominicana (1671)».
Terá sido São Gonçalo uma invenção posta ao serviço de uma qualquer ideia ou propósito, ou podemos perceber o percurso da sua devoção ou do seu culto? O mais antigo documento que se refere a São Gonçalo, é um testamento de 18 de Maio de 1279 em que uma tal Maria Johannis lega os seus bens à Igreja de São Gonçalo de Amarante. Quer dizer, uns 20 anos depois da morte de São Gonçalo existia uma igreja dita «de São Gonçalo de Amarante». E há outros documentos... e escritos sobre a figura de São Gonçalo e o seu culto.
Na biografia oficial de São Gonçalo, apresentada como tal a partir do Flos Sanctorum de 1513, não há dúvidas: Gonçalo, nasceu em Tagilde, estudou rudimentos com um devoto sacerdote e frequentou depois a escola arqui-episcopal de Braga. Ordenado sacerdote foi nomeado pároco de São Paio de Vizela. Depois foi a Roma e Jerusalém; no seu regresso vendo-se desapossado do seu benefício prosseguiu um caminho de busca interior já anteriormente encetado, depois foi a experiência da vida eremítica, a pregação popular..., e logo caiu na ambiência mendicante da época, após o que se faria dominicano...
As coisas não são assim tão lineares. De qualquer modo, tenha sido padre diocesano, cónego de Santa Maria em Guimarães, beneditino ou dominicano, tenha - quase por certo - passado de uma a outra condição, nenhuma destas hipóteses esbate a riqueza e o vigor da sua figura.
(cf. ARLINDO DE MAGALHÃES, São Gonçalo, História ou lenda, Ed. Amarante Magazine - Paróquia de São Gonçalo 1995, 62 pp.)

Os pesquisadores relatam que São Gonçalo do Amarante, viveu e morreu durante o século XII d. C. em Douro, Portugal. Ele era um homem comum, trabalhador, construiu a Igreja de Nossa Senhora, em cima de um rochedo, e diversas pontes sobre rios. Em toda sua vida dedicou-se a fazer o bem e transmitir o amor a Deus e a paz espiritual ao homem. Nas suas peregrinações, levava consigo uma viola de cordas, invocava o povo através de suas melodias, tocadas nas rodas de danças formadas ao ar livre, por moças e rapazes. Além das mensagens de fé e carinho que transmitia, ele foi exemplo de dignidade e santificação. Existem muitas lendas a respeito do santo protector das mulheres e dos casais apaixonados. Contam que ele transmite tranquilidade e alegria a todos. Protege sempre os que amam. Ajuda as pessoas a encontrar a pessoa certa para amar e ser feliz por toda a vida. Para alguns, São Gonçalo possui poderes sobrenaturais contra o mal e contra as adversidades. Tanto no Brasil como em Portugal as procissões a São Gonçalo são acompanhadas por rapazes e moças que desejam casar, carregando velas acesas, durante todo o percurso. Se a vela não apagar até o final da procissão, é certeza casar-se no mesmo ano.

 

 

 


Baião – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Segundo a tradição, o guerreiro D. Arnaldo, que tomou o apelido de Bayão ou Bayan, conquistou aos mouros a Terra de Baião, que lhe foi por isso concedida em mercê do rei de Castela e Leão, entre 985 e 990. Baião e, portanto, um nome que, desde tempos remotos, designa toda a região (hoje concelho), e não apenas a sua sede, no passado mais conhecida por Campelo. Estendendo-se ao longo de montanhas grandiosas e vales tranquilos, é o mais rural dos concelhos do distrito do Porto.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Deve foliar-se no adjectivo baio, de proveniência latina, e que exprime a ideia de “amarelo torrado, amulatado ou cor de ouro desmaiado” Baian é a forma medieval correspondente à actual Baião, que aparece como de várias povoações”.

 

Baião

http://www.flickr.com/photos
Dista cerca de 67 km para nascente da cidade do Porto.
O concelho assume um carácter rural, com paisagens de serrania, cortadas pelos leitos do rio Douro e dos seus afluentes, com destaque para os rios Teixeira e Ovil, pontuadas por férteis campos agrícolas.
Numa área de 174,3 km2 distribuem-se 20 freguesias: Ancede, Campelo, Covelas, Fende, Gestaçô, Gove, Grilo, Loivos do Monte, Loivos da Ribeira, Mesquinhata, Ovil, Ribadouro, Santa Cruz do Douro, Santa Leocádia, Santa Marinha do Zêzere, Teixeira, Teixeiró, Tresouras, Valadares e Viariz.
Em 2001, o concelho apresentava 22 355 habitantes.
História e Monumentos
O povoamento do território do concelho remonta à pré-história. Existem referências a Baião do século XI. Obteve foral em 1513 concedido por D. Manuel I.
Os seus principais monumentos são o Castro do Cruito, o Pelourinho da Teixeira, o Convento de Ancede e a Casa de Tormes.
Tradições, Lendas e Curiosidades
A 23 e 24 de Agosto têm lugar as Festas Concelhias de S. Bartolomeu. Nos dias 8 e 23 realizam-se feiras quinzenais em Baião; dia 23, em Campelo; dias 5 e 19, em Gestaçô; e dias 2 e 18, em Gove.
Este concelho terá servido de inspiração ao escritor Eça de Queirós, que aqui viveu, tendo habitado no Solar de Tormes.
O folclore de Baião encontra-se patente nos ranchos folclóricos. Estes usam instrumentos variados, como a viola de chula, o cavaquinho e a rabeca, entre outros. Nas danças tradicionais evidenciam-se a chula de Baião, o malhão, a contra dança e a cana verde.
Da tradição do concelho fazem também parte os carros de bois, puxados por uma junta de bois.
As vindimas realizam-se por volta do mês de Setembro. Carregam-se cestos com uvas, que depois são levados às costas por homens. São cada vez mais raros os lagares onde antigamente se fazia a pisa das uvas.
A tecelagem, os trabalhos em cantaria, a cerâmica, a funilaria, a ferraria, a cestaria com os cestos de piorna, as bengalas, as mantas de retalhos e os chapéus de palha compõem as principais actividades e os principais produtos do artesanato do concelho.
Economia
O sector primário domina a economia do concelho, sendo a agricultura a principal actividade nas várias freguesias. Nos solos férteis produzem-se cereais, produtos hortícolas, frutas e vinhos. A pecuária e a exploração florestal encontram-se também presentes e, juntamente com alguns serviços, o pequeno comércio, a pequena indústria, nomeadamente de confecções, e a construção civil completam o quadro económico do concelho de Baião.

 

Baião
http://www.anmp.pt/munp/mun
BaiãoNúcleo de Arqueologia do Museu Municipal de Baião
Núcleo de Arqueologia do Museu Municipal de Baião
Expõe ao público os resultados de 20 anos de trabalhos arqueológicos realizados no Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira que abarca as Serras da Aboboreira e Castelo (concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses). De uma forma didáctica abordam-se temas como o Povoamento Pré-histórico (Neolítico à Idade do Bronze) com destaque para o Megalitismo, Idade do Ferro e Romanização, e ainda a Alta Idade Média. Os objectos mais significativos destas épocas encontram-se expostos em seis vitrines, e a sua contextualização espácio-temporal é efectuada com base em imagens gráficas e painéis explicativos. Destacam-se duas maquetes: uma com 120 figurinhas humanas sobre a construção de um dólmen e outra da Carta Arqueológica com pequenas réplicas dos principais monumentos edificados ao longo do tempo.

 

 

 

 


Felgueiras – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Vila de formação antiquíssima já existia no século X e é referida no famoso testamento de Mumadona (959). Ergue-se no sopé do monte de Santa Quitéria e não conserva vestígios da sua antiguidade.

Felgueira foi elevada à categoria de vila com esta designação em 1846. Anteriormente, correspondia à freguesia de Santa Eulália de Margaride. Já no princípio do século XVlll, Margaride era considerada como a principal povoação do antigo concelho de Felgueiras. Situado a 3 Km no rio Vizela, na estrada de Amarante para Guimarães, teve foral concedido por D. Manuel l em 1514, mas o concelho é ainda mais antigo e remontará possivelmente aos primórdios da Nacionalidade. De facto, para além de algumas notícias que dele se encontram desde 1258, o próprio foral manuelino faz referência aum outro foral, concedido por D. Afonso Henriques, que por sua vez, confirmava outro de seu pai, o conde D. Henrique.

Local aprazível de vilegiatura pela sua situação de grande beleza natural e agricultura fértil, os seus arredores são pitorescos e nas suas freguesias erguem-se notáveis exemplares de arquitectura religiosa no estilo românico de que se destaca a Igreja de Unhão.

Origem do nome:

«É o mesmo nome comum Felgueiras, plural de felgueira, do latim filicaria, e este de filice, feto.

Portanto, Felgueira virá de Felgaria que significa terreno coberto de fetos, os quais quando secos, tomam cor avermelhada, e por sua vez deriva de felga (filix), no baixo latim”.

 

Felgueiras
http://www.cm-felgueiras.pt/VSD/Felgueiras
Felgueiras de Ontem e de Hoje
    Situado em pleno coração do Vale do Sousa, no distrito do Porto, o concelho de Felgueiras constitui um território de enorme beleza natural e paisagística, "onde o Sousa tem nascente, onde se ergue sorridente o belo Monte das Pombas..." de uma grande riqueza histórica, cultural e patrimonial, na qual sobressai o Mosteiro de Pombeiro, contemporâneo da fundação da nacionalidade.
    O concelho de Felgueiras abrange cerca de 116 quilómetros quadrados, sendo constituído por 32 freguesias. Integra quatro centros urbanos: Felgueiras, sede do concelho, Lixa, Barrosas e Longra. Por decisão da Assembleia da República, a 13 de Julho de 1990, Felgueiras foi elevada à categoria de cidade e Barrosas à categoria de vila. Tal como Felgueiras, a anterior vila da Lixa recebeu distinção semelhante, passando a cidade no dia 21 de Junho de 1995, enquanto que a Longra viu reconhecida a sua pretensão de elevação a vila a 1 de Julho de 2003.
    O documento mais antigo que refere a terra de Felgueiras, o testamento da condessa galega Mumadona Dias, fundadora da cidade de Guimarães, data de 959: "in felgaria rubeans villa de mauri". Igualmente é citada no Inventário dos bens, igrejas e herdades do mosteiro de N.ª S.ª da Oliveira de Guimarães: "Et in sause ad radice montis sancto felice de felgeiras rubeas villa".
    Felgueiras deriva, por conseguinte, do termo felgaria, que significa terreno coberto de fetos que, quando secos, são avermelhados (rubeans ou rubeas).
    Embora se desconheça o paradeiro, há historiadores que afirmam que Felgueiras recebeu um foral velho do conde D. Henrique confirmado por D. Afonso Henriques.
    Contudo, somente o foral novo, concedido por D. Manuel I a 15 de Outubro de 1514, chegou até nós, existindo um exemplar no Arquivo Histórico Municipal.
    As Inquirições de 1220 englobavam na terra de Felgueiras 20 freguesias, para além dos mosteiros de Caramos e de Pombeiro e as igrejas de S. Tomé de Friande e de S. André de Airães. Em 1855 Felgueiras foi transformada em comarca e passou a abranger mais 12 freguesias.
Bibliografia Recomendada:
FREITAS, Eduardo, "Felgerias Rubeas: subsídios para a história do concelho de Felgueiras". 2ª ed. Felgueiras: s.n.1985.
FERNANDES, M. Antonino, "Felgueiras de Ontem e Hoje".1989.

 

Felgueiras
http://www.solaresdeportugal.pt/PT
Situada em pleno coração do Vale do Sousa, no extremo do distrito do Porto, o concelho de Felgueiras constitui um território de enorme beleza natural e paisagística, entre montes e vales, de uma grande riqueza histórica, cultural e patrimonial, na qual sobressai o Mosteiro de Pombeiro, contemporâneo da nacionalidade.
O concelho de Felgueiras abrange cerca de 116 quilómetros quadrados, repartidos por 32 freguesias. Integra 3 centros urbanos: a cidade de Felgueiras, a cidade da Lixa e a vila de Barrosas.
Felgueiras é o nome histórico deste concelho e sempre assim o foi desde a primeira hora. De lugar banal, cheio de fetos ou felga (raiz que lhe deu o nome), desconhecido e de ninguém, cedo começou a ser frequentado e a servir de acompanhamento venatório e militar. E isso custou-lhe inicialmente, algumas queimadas que levaram mais longe o seu nome e o conhecimento do sítio.
É no testamento de Mumadona Dias, do ano 959 que aparece a mais antiga referência conhecida a Felgueiras. É citada para identificar a vizinha «vila» de Moure: "In Felgaria Rubeans villa de Mauri". Repare-se que o topónimo «Felgueiras», além de servir de ponto de referência identificativa, vem surgindo o determinativo «Rubeans» e «Rubeas», a evocar certamente uma lembrança ainda viva de ter sido lugar calcinado pelo fogo.

 

 

 

Gondomar – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

O concelho estende-se, a sul, pela margem direita do Douro, fronteiro a algumas freguesias gaienses. Os seus terrenos são acidentados, com montanhas relativamente elevadas, mas os vales entre elas são amenos e férteis. A povoação principal, a vila de Gondomar, é antiquíssima. Segundo tradição, teria sido fundada pelo godo Flávio Gundemario, cujo nome, com o decorrer dos séculos, deu origem à sua designação actual. Quando foi elevada a vila, a povoação tomou o nome de São Cosme (seu padroeiro), como aliás é conhecida. A personagem marcante do concelho continua viva na paisagem bucólica e nos panoramas de beira-rio para quem percorre a estrada marginal até à foz do rio Sousa  e daí até Entre-os-Rios.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Escreveu-se há muito que Gondomar provém de Gundemario (Flávio Gundemario), que, no ano de 610, foi senhor da citada vila duriense. Certo é que o nome é de origem germânica e nele revela o elemento marsh, cavalo, que aparece noutros topónimos; a primeira parte do vocábulo é da mesma de Gondarém e de outras expressões toponímicas, onde tem o significado etimológico de batalha, combate”.

 

Gondomar
http://www.gondomaronline.com/gondomar

"Situada na margem direita do rio Douro, Gondomar é uma terra antiga, cheia de lendas, tradições e belezas naturais que ornamentam a periferia do Porto.
Destaca-se o Monte Crasto onde a agitação e a fadiga quotidianas parecem estar longe daí; os rios, o "Douro", as vastas e tranquilas praias fluviais; a pesca, os "Valboeiros", os desportos fluviais, o remo a canoagem, os agradáveis passeios junto à margem; as alegres festas populares; o delicado artesanato da talha em madeira e e das famosas filigranas; o sável e a lampreia deliciosamente preparados.
Isto é um pouco de Gondomar.
Venha e sinta-o!"
Segundo a tradição, a origem do topónimo de Gondomar remonta ao ano 610 D.C., quando o rei visigodo Flávio Gundemário, andou por estas terras ricas em ouro.
Como demonstram achados arqueológicos encontrados no Monte Crasto, o local terá sido habitado muito antes.
Documentalmente os primórdios desta terra remontam a uma referência à Igreja de Stª Eulália, no ano de 897.
Outra versão é que Gondomar tem a sua origem em vila Gumades (de mina de ouro) e vem directamente do latim Gundimarus.
Os documentos mais antigos de que há conhecimento, datados de 1095 já referem a Vila de Gondomar, como podemos observar, antes da fundação da nacionalidade em 1143.
D. Sancho I, o Rei Povoador, demarcou o couto de Gondomar em 1193, doando-o ao Bispado do Porto e fazendo acompanhar da respectiva carta de couto, confirmada por seu filho D. Afonso II, em 1218. No reinado de de D. Manuel I, em 1515, é atribuído o foral ao "Município de Gondomar".
Ao longo da sua história, Gondomar foi ganhando e perdendo freguesias, alterando a sua própria configuração geográfica. Das várias modificações verificadas, destacam-se as perdas de Avintes (para Vila Nova de Gaia) e de Campanhã (para o Porto), mas também os importantes ganhos de Melres, Rio Tinto, Lomba e São Pedro da Cova.
Em 1927 a sede do concelho - S. Cosme - foi confirmada como "Vila de Gondomar" e elevada à categoria de Cidade mais recentemente, em 1991.
A actual situação juridico-administrativa do Concelho contempla duas cidades (Gondomar e Rio Tinto) e três vilas (Fânzeres, S. Pedro da Cova e Valbom).
Gondomar Coração de Ouro
O Coração de filigrana, logótipo de referência do concelho de Gondomar, é parte integrante do brazão da cidade, representa as industrias locais, significando o sentimento artístico com que esta indústria é executada em Gondomar, é de ouro, metal que alude ao nome da Cidade e é o mais rico da heráldica e que significa nobreza, fé, sabedoria, fidelidade, constância, poder e liberdade. É esmaltado de azul que significa zelo, lealdade e caridade.
 

 

 

 

 


Lousada – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Foi elevada à categoria de vila em 1514 por D. Manuel l, que lhe concedeu foral.

História, religião e geografia são os alicerces culturais da região, com o título de vila desde 1514, o que significava, já nessa época um relativo desenvolvimento. Nestas paragens, em que se começa a fazer a transição do Minho para o país duriense, o passado quer dizer a igreja do século XVlll, a velha casa armoriada do século XVlll, a igreja românica do século XlV, os túmulos de guerreiros, o cruzeiro seiscentista, mas também os penedos com designações que evocam culturas anteriores à nossa História.

A religião é um misto de cristianismo profundamente assumido, sobreposto às crenças lendárias, às práticas mágicas propiciatórias dos antigos cultos das religiões pré- históricas. Como na Serra de Campelo, onde as grávidas iam esfregar o ventre na grande pedra para que ela, lhes propiciasse um bom parto e os filhos fossem perfeitos.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Lousada é derivada de Lousa, que significa lâmina de pedra, ardósia, e que parece ser, de origem céltica ou ibérica, apresentando-se numa hipotética forma latinizada, lausa”.

 

Lousada
http://www.cm-lousada.pt/VSD/Lousada
O concelho de Lousada, integrado na região do Vale de Sousa, é um  Município fortemente industrializado, com relevante destaque para a indústria têxtil, embora tenha um cariz profundamente agrícola, sobretudo no domínio dos vinhos verdes e lacticínios, tem empresas agro-indústriais, bastante desenvolvidas tecnologicamente.
Em séculos anteriores, Lousada demonstrou ser uma região de grande riqueza, e a prova disso são as grandes casas e quintas senhoriais que remontam aos séculos XVII e XVIII, a época áurea da aristocracia rural.
Com uma população a rondar os 45 mil habitantes, na sua maioria jovens, distribuídos por cerca de 95km2,o Concelho de Lousada dista 35 km do Porto, a cujo distrito pertence, confinando com os Concelhos de Penafiel,Paredes,Paços de Ferreira,Santo Tirso,Vizela,Felgueiras e Amarante, o que o faz reunir atractivos para uma estada agradável.
As estações arqueológicas, com campanhas de escavações em curso,as igrejas e solares majestosos,as pontes,o aqueduto e a torre dos mouros constituem património histórico de um Município onde as belezas naturais se afirmam por excelência, como comprovam os Miradouros do Alto do Fogo, no Torno, ou do Alto da Senhora do Amparo, em Covas.
O artesanato, tem nos bordados uma importante expressão, mas a tecelagem, especialmente em linho, a pirotecnia, a cestaria, a tamancaria e a latoaria encontram-se igualmente em actividade, numa terra onde o incomparável vinho verde e a famosa gastronomia, nomeadamente o cabrito assado com arroz de forno, o basulaque, o pão de ló e os beijinhos de amor, merecem também especial relevância.
As romarias, que se estendem a todo o Concelho ao longo do ano, com folclore, bandas de música, grupos de bombos, gigantones, fogo de artifício, divertidas " vacas de fogo" e até o maior andor do País, transportado na festa da Senhora da Aparecida por cerca 70 homens, e a singular hospitalidade do povo completam as razões para uma visita a Lousada - terra onde as condições de bem estar têm sido valorizadas.
Se as piscinas, o auditório e a biblioteca municipais oferecem propostas de interesse, é indesmentível uma melhoria de qualidade das condições hoteleiras e de alojamento, o turismo no espaço rural já conhece alguns exemplos, e as acessibilidades têm vindo a ser ampliadas, Lousada, no âmbito da Região do Vale de Sousa, reúne condições para potenciar a sua oferta turística.
Rotas do Românico e do Vinho Verde, roteiros culturais e programas de animação cultural e desportiva durante o ano surgem como propostas, com destaque para o novo Complexo Desportivo e Centro de Estágios, e o Eurocircuito de Lousada, que confirmam que viver em Lousada significa, cada vez mais, qualidade e prazer.

 

 

 

 


Maia – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

A memória Cultural e Histórica de um antigo território, com uma personalidade política bem identificada: a Terra da Maia. Esta designação surge já no século Xlll como área definitiva, constituindo um julgado a que D. Manuel l, concedeu foral em 1519. Maia é a designação de um dos concelhos mais industrializados da região do Porto e simultaneamente do vasto território, abrangendo hoje diversos concelhos, que se revestiu de importância fundamental no período da Nacionalidade.

A terra da Maia espreitava-se entre os rios Douro e Ave (a norte do Ave eram as terras de Faria e a sul do Douro as terras de Santa Maria) e constituiu durante séculos a fronteira ocidental das terras cristãs. Manteve dessa época um fundo cultural e um substrato etnológico particulares, com características anteriores à dominação romana.

Origem do nome:

«Do, Arquivo Histórico de Portugal – 1898»: “No século V vieram os bárbaros, povos suevos, e conquistaram-na mudando-se logo o nome em Amaia ou Maia, que era nome de mulher, sem dúvida bem amada do conquistador que deste modo lhe faziam homenagem.

Outros autores contestando esta versão, atribuem o baptismo do concelho aos romanos.

É possível visto ser Maia uma divindade do culto pagão, mãe de Mercúrio. Pelos modos, o velho Júpiter não primava em fidelidades conjugais, e claudicava amiudadas vezes. Maia era linda e o esposo de Juno seduzia-a, não lhe importando com os zelos da régia velhota”.

 

Gonçalo Mendes da Maia
http://www.lidador.com.br
Todos os povos tem, em sua história, passagens de bravura de heroísmo e de superação do impossível através da coragem e do amor a um grande ideal. São momentos registrados em que vida e morte perdem importância diante do infinito da alma. Portugal deu alguns dos mais belos desses exemplos para a honra de seu povo e da humanidade. Um deles, inesquecível, foi D. Gonçalo Mendes da Maia. Nascido em 1079 ao norte de Portugal, próximo da cidade do Porto, na Vila do Trastamires*, D. Gonçalo foi uma lenda viva de dedicação à pátria. Sua imagem e lembrança guardam uma força memorável para incentivo e apoio às mais nobres lutas de todas as gerações.
  Na mocidade, por sua fidalguia e afinidade espiritual, tornou-se um dos maiores amigos do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Juntos, lutaram para expulsar os invasores da terra amada. E juntos, empenharam sua crença num Portugal de fronteiras mais dilatadas e felizes. A vontade férrea de D. Gonçalo e suas inúmeras e épicas conquistas no campo de batalha - em que o risco à vida era o eterno desafiante - acabaram grangeando-lhe o cognome de O Lidador.
  O fato mais marcante dessa fama aconteceu na data de aniversário de D. Gonçalo, quando ele comemorava 95 anos. A história conta que os árabes estavam invadindo Portugal. E que a situação na frente de luta era muito desvantajosa para a sobrevivência lusa. Portugal poderia cair irremediavelmente nas mãos bárbaras do inimigos. O desejo de oferecer resistência tocava D. Gonçalo profundamente. No entanto, o idoso guerreiro sentia o peso da idade a curvar-lhe o corpo. Mas, não a encurvar a sua lendária coragem. Ao ver tombar e agonizar a seu lado um amigo inestimável, D. Gonçalo avivou o espírito rebelde. E Buscou forças na chama e na lembrança do jovem que um dia habitava em seu peito.
  Sem medo, aquele coração que nunca se acovardava diante de nenhum abismo, partiu com um pequeno e frágil número de guerreiros para arena onde estava sendo decidido o futuro da pátria. Aniquilando qualquer idéia de submissão ou desonra, D. Gonçalo conseguiu, pela surpresa e pela audácia, equilibrar uma guerra que já era considerada perdida. Os árabes não podiam acreditar no que viam: um corpo envelhecido guiado pelas mão e pelo Deus da Vitória. O chefe inimigo, para recuperar a confiança dos seu comandados, resolvera, ele mesmo, enfrentar D. Gonçalo. Num primeiro momento, tudo indicava que D. Gonçalo sucumbiria ante um guerreiro muito mais jovem e de forças renovadas. Eles lutaram com fúria. O primeiro embate deixara D. Gonçalo gravemente ferido. Seu braço quase fora arrancado. D. Gonçalo, no entanto, não aparentava sentir a mais leve dor ou sofrimento. O sangue, ao cobrir seu corpo, tonara-se, assim, o seu manto divino.
  Mas, D. Gonçalo, apesar do estado desesperador, jamais se entregaria. Jamais cairia de joelhos frente à opressão e à vergonha de ser vencido. Num lance rápido, trocou o sabre de mão e, aos gritos de amor à Portugal e aos portugueses, deu a derradeira estocada. Seu adversário, cego pela vaidade e arrogância, descuidou-se, certo de já haver vencido. E foi apanhado em cheio pelo vigoroso golpe do velho soldado, caindo ao solo. Sua última visão - incompreensível, para ele - foi a de um velho-jovem iluminado pela pujança de um ideal, pelo coração de Portugal.
  Com o chefe morto, o inimigo acanhou-se e retrocedeu em humilhante retirada. D. Gonçalo, ao ver a cena, sentou-se para descansar. Estava exausto pela luta e pelo muito sangue derramado. Apoiou-se, e com a respiração ainda ofegante, pôde ouvir os brados que chegavam pela vitória. Sua face ferida mal encobria grossas e generosas lágrimas. O herói de todas as glórias aproveitou-se aquele último momento supremo de sua vida.
  E fechou os olhos. Com paz e serenidade, para sempre.

 

Maia
http://www.cm-maia.pt
O Museu de História e Etnologia da Terra da Maia (M.H.E.T.M.) localiza-se na vila do Castelo da Maia, concelho da Maia, e encontra-se instalado num edifício que funcionou como Paços do Concelho até ao ano 1902, e cujas origens devem remontar ao século XVIII, tendo como envolvente o parque e o monte de Santo Ovídio.
A adaptação para museu deste edifício dotou-o de três salas de exposição e uma outra para acolhimento do público, assim como uma área de trabalho.
A ideia e o projecto de um Museu para a Terra da Maia recuam à década de sessenta quando foi instalada uma exposição histórico-arqueológica no claustro da Igreja Conventual de Moreira da Maia. No ano de 2001 é inaugurado, pelo Prof. Vieira de Carvalho, o Museu de História a Etnologia da Terra da Maia com colecções organizadas e com uma estrutura de investigação sobre a história local.
O M.H.E.T.M. tem na sua base uma colecção etnográfica, colecção Moreira de Figueiredo, recolhida no concelho da Maia durante as décadas de setenta e oitenta com o objectivo de registar, através de objectos, os mais destacados aspectos da ruralidade e do quotidiano maiato.
Esta colecção, composta por cerca de 200 objectos, com destaque para os ciclos agro-laborais do linho e dos cereais, e para sistemas de atrelagem de animais, foi sendo enriquecida com incorporações de outros materiais relacionados com as tecnologias tradicionais utilizadas no transporte e elevação da água e com  objectos que documentam profissões e actividades extintas.
A colecção histórica do Museu de História e Etnologia da Terra da Maia tem como missão evocar aspectos do passado histórico desta Terra através de objectos, sons e imagens que identificam ideias e fenómenos sociais do passado. A história antiga encontra-se também documentada por uma colecção arqueológica.
A programação do Museu assenta sobretudo na realização de exposições temporárias de longa e curta duração que têm como missão dar rotatividade às colecções e divulgar história e a etnografia da Maia.
Estando neste momento concluída a primeira fase do Museu, o Pelouro da Cultura iniciou já a segunda fase com base num programa de intervenção num edifício com características rurais e pequeno comércio contíguo ao actual. Este novo edifício, com cerca de 2000m2 de área coberta, irá dotar o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia de espaços destinados a reservas visitáveis, salas de exposição, cafetaria, um sector para conservação primária de objectos, uma biblioteca e gabinetes de trabalho.
Contactos:
Praça 5 de Outubro
4475-601 Santa Maria de Avioso
tel: 22 987 1144
e-mail:
museu@cm-maia.pt

 

 

 

Marco de Canaveses – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Os fundamentos históricos da região mergulham num passado milenário. Em alguns montes encontram-se numerosas mamoas. No lugar de Eiró, ou Airô, que queria dizer airoso, freguesia de Penha Longa, foram encontradas grandes pedras com inscrições e desenhos e também pias abertas na rocha. O concelho é atravessado por uma das maiores obras do génio português: a via férrea do Douro, aberta no século XlX através de incontáveis obstáculos. Nela, o túnel do Juncal, ou Encambalados, é um monumento imperecível ao trabalho, com os seus 1.621 metros abertos na rocha.

Origem do nome:

«Do, Arquivo Histórico de Portugal – 1898»: “A origem deste nome não tem fundamento histórico. O concelho chamava-se de Canaveses, e esta povoação era Marco; passando a sede concelhia ficou sendo Marco de Canaveses. Tomou a denominação que lhe conhecemos por causa de um marco de pedra que está ao pé do palácio municipal, e que demarcava os limites das freguesias de São Nicolau de Canaveses, Fornos e Tuías”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1941)»: “Efectivamente o vocábulo deve ser o mesmo nome comum, com esta ou outra explicação histórica e com origem germânica (possivelmente, Marka, limites, fronteira, sinal). …

Canaveses era a designação do antigo concelho, cuja sede se fixou na povoação de Marco pertencente à freguesia de Fornos e à de São Nicolau, e daí a denominação oficial por que actualmente é conhecida, de Marco de Canaveses. …

Parece que Canaveses não é mais do que o plural de canavês, de Cânave mais o sufixo ês e que significa “plantação de cânhamo”.

 

Marco de Canaveses
http://pt.wikipedia.org
O Marco de Canaveses (antigamente usava-se a grafia Marco de Canavezes) é uma cidade portuguesa no Distrito do Porto, região Norte e subregião do Tâmega, com cerca de 3 300 habitantes.
É sede de um município com 202,02 km² de área e 52 419 habitantes (2001), subdividido em 31 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Amarante, a leste por Baião, a sul por Cinfães, a sudoeste por Castelo de Paiva e a oeste por Penafiel.
É concelho desde 1852.
É a cidade de nascimento de Carmem Miranda.

 

Marco de Canaveses
http://paginas.ispgaya.pt
Breve História...
No dia 17 de Julho de 1749, foi o Milagroso Menino Jesus de Praga apoteoticamente recebido em Lisboa pela Corte portuguesa. A partir desta data rapidamente a devoção se espalhou pelas igrejas da Capital e de todo o Reino.
Em 1943 o poderoso Reizinho chegou a Fátima pelas mãos do Senhor Arcebispo de Praga, D. José Beran, que ofereceu ao Santuário uma preciosa imagem do Divino Infante que ali se encontra à veneração dos fiéis. A Basílica possui 15 altares laterais com os mistérios do Santo Rosário; no terceiro altar, dedicado ao Nascimento de Jesus, foi colocada a imagem do Reizinho.
Decorria o ano de 1960, a 19 de Abril, quando na Quinta da Moria, em Avessadas, Marco de Canaveses, se realizou a cerimónia de bênção e colocação da primeira pedra do que viria a ser o futuro Santuário dedicado ao Divino Menino Jesus.
Avessadas fica a 57 Km do Porto, a meio caminho da estrada Nacional 210, entre Marco de Canaveses e Entre - os - Rios. Situa-se o Santuário a meio de uma colina, rodeado por uma verdejante área de cultivo que verdadeiramente cativa a simpatia dos peregrinos e devotos que junto do Pequeno Grande peregrinam. Aos que se ajoelham a seus pés, desde o seu Altar rodeado de multidões de anjos que eternamente o louvam, o Menino Jesus lança o seu terno olhar e poderosa bênção.
Ao chegar ao Santuário, e ainda antes de subir a escadaria o peregrino pode contemplar dois painéis em azulejo: o da direita evoca o encontro que a Santa Madre Teresa de Jesus teve com o Menino Jesus. Ela própria narra que certo dia lhe apareceu um Menino que lhe perguntou como se chamava ela. E tendo respondido que Teresa de Jesus, Ele lhe respondeu que era Jesus de Teresa! O segundo painel, o da esquerda, evoca a ternura e amor que pelo Menino Jesus sentia o Santo Padre João da Cruz. Num dos dias de Natal, estando no Convento de Granada e na presença da Comunidade de Padres Carmelitas Descalços, tomou do presépio a imagem do Menino Jesus e pegando nela ao colo bailou com o Menino pelos claustros conventuais, cantando: «Meu doce e terno Jesus, se amores me hão-de matar, agora têm lugar».
Já no Santuário, no altar-mor, rodeado dos anjos da Corte celestial, preside ao espaço sagrado e aos Divinos Ofícios uma imagem do Pequeno Grande, o Divino Menino Jesus de Praga. Tem esta imagem 200 cm de altura: a sua mão direita levantada para abençoar, tem os dois dedos indicadores estendidos parecendo mostrar aos fiéis toda a verdade do seu Amor, toda a virtude das suas graças celestes. Com a mão esquerda sustém o globo terrestre, emblema do soberano poder; o mundo, junto do seu coração, está ao abrigo de todo o temor. Uma coroa, símbolo de majestade real, brilha sobre a sua cabeça deste Menino Deus, resplandecente de luz divina e lembrando que Jesus é o fundador e o protector do reino de Deus. A graça infantil irradiando de toda a imagem, dá uma maravilhosa ideia de doçura e ternura do bom Salvador, sempre pronto a socorrer-nos e cujo exemplo não cessa de ensinar a inocência às crianças (e aos que como elas são), a quem prometeu o Reino do Céu.
Um ano depois da bênção da primeira pedra, a 12 de Outubro de 1961, na presença de muito povo de Deus que, desde as primeiras horas da manhã acorreu ao Santuário em grande número, do Arcebispo de Mitilene D. Manuel dos Santos, do Geral da Ordem Frei Anastácio do Santíssimo Rosário, do Provincial Frei Gregório de Jesus Crucificado, foi sagrado e dedicado o Santuário por D. Florentino de Andrade e Silva, Administrador Apostólico da Diocese do Porto.
Nas palavras de D. Manuel dos Santos que pregou um fervoroso sermão,  «a cerimónia foi extraordinariamente emocionante», pois o novo templo fora consagrado para acolher as multidões que aqui se acolhem implorando as bênçãos do Divino Infante, mas também se tornara em vinha florida onde se consagram a Deus aqueles que se haviam sido chamados ao exclusivo serviço do Deus Humanizado.
Com as ajudas e esmolas do povo simples, dos Carmelitas Seculares e das Carmelitas Descalças; com o esforço, o trabalho e empenho dos Padres Carmelitas Descalços se ergueu em louvor do Menino Jesus o seu Santuário em Avessadas. De Portugal inteiro foram chegando pequenas esmolas; de Alpendurada veio a pedra; da Bélgica a custódia para adoração eucarística; de Viana do Castelo o Construtor; de Espanha chegou o electricista; de Espanha veio também o pintor do retábulo, frei Mauro. E em alturas de maior apuro concorreu a Providência Divina!
É este o Santuário do Menino Jesus de Praga, em Avessadas, sempre aberto aos que aqui, junto do Menino Deus, desejam desaguar as suas penas ou descansar dos seus trabalhos, implorar perdão das faltas ou render graças pela humildade da sua Encarnação!
Aqui se vem para cultivar o silêncio, para peregrinar, para cantar e louvar. Aqui pode ficar-se cinco minutos, mas também, contactando previamente, se pode permanecer alguns dias.
Como chegar ao Santuário: no primeiro domingo de Junho o Santuário do Menino Jesus acolhe milhares de peregrinos que aqui se dirigem como manifestação de fé e de religiosidade popular.
Ao Santuário pode chegar em transporte pessoal ou pelos transportes públicos, autocarro e comboio. Em transporte pessoal: desde o Porto chega-se ao Santuário tomando a Autoestrada A4 em direcção a Vila Real e saindo na saída de Marco de Canaveses. Pelos Transportes públicos: de autocarro, tomando na Garagem 24 de Agosto, Porto, um Autocarro da Asadouro com saída frente ao Santuário; de comboio, desde a estação de S. Bento ou Campanhã, pela Linha do Douro, com saída na Estação de Marco de Canaveses, a 7 Km do Santuário.

 

 

 

 


Matosinhos – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Perto da cidade do Porto, na orla marítima, a vila de Matosinhos, aparentemente moderna, figurava em 1258, com a designação de Matusiny, nas Inquisições mandadas efectuar por D. Afonso lll. Durante muito tempo foi um simples lugar rústico, junto à foz do rio Leça, pertencente à freguesia de Sandim de Bouças. Fazia parte de uma organização administrativa curiosa, denominada julgado municipal de Bouças, cuja área se estende desde Leça de Palmeira até à foz do rio Douro. Em 1736, algumas freguesias da actual cidade do Porto (Lordelo, Aldoar, Ramalde, Nevogilde) integravam-na também. O triunfo liberal provocou, em 1833, o aparecimento do concelho de Bouças, mas, outro pormenor curioso, foi o lugar da Senhora da Hora que se elevou em 1836 à categoria de vila, aliás efemeramente. Em 1853, no reinado de D. Maria ll, a vila de Matosinhos foi finalmente oficializada.

Origem do nome:

« Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Na página 82 da “Memória Histórica do Mosteiro de Leça do Balio” que o abade António do Carmo Velho de Barbosa escreveu e fez publicar em 1852, encontra-se o que se lê a seguir:

“Matozinhos”, que nos antigos documentos acho escrito Methezinhos grande povoação na margem esquerda do Leça, … parece vir de duas palavras gregas – Innos, filius, isto é, filho, e Metesis, contracção de Meteesis, que significa interfuerit, isto é, há-de assistir, como se Matozinhos significasse “o filho há-de assistir”. Porque motivo se impôs este nome a esta povoação, nem o sabemos, nem o podemos adivinhar”.

Pinho Leal, no seu “Portugal Antigo e Moderno” fantasiou doutra forma a origem deste nome, conforme mostramos em seguida:

“… Caio Carpo (1) vinha todo coberto de conchas, dando isto lugar a que aquele sítio, em memória deste notável acontecimento, se chamasse Matisadinhos, aludindo ao matisado das conchas. Pelo andar dos tempos, o nome de Matisadinhos converteu-se em Matosinhos”

(1) Personagem que figurou numa lenda, narrada por Pinho Leal e segundo a qual, em tempos remotíssimos, se teria dado um milagre no local correspondente à praia de Matozinhos e na presença do cadáver de São Tiago, que foi um dos primeiros doze Apóstolos martirizados em Jerusalém, no primeiro século da nossa era, e que a tradição diz ter sido trazido para Compostela (Espanha).

No número 179, de Julho de 1931, da excelente revista de antiguidades portuenses, O Tripeiro, escreveu o Dr. Cláudio Basto:

2Devemos escrever Matosinhos (com s) ou Matozinhos (com z)?

O caso é fácil de resolver. Procurem-se formas do nome, nos documentos da época, em que s e z se pronunciavam de maneira diferente (como hoje sucede ainda, em parte do País). E a consoante, que nesse tempo se estiver usado, é a que devemos hoje manter.

Ora em documentos de 1032 e 1258, aparece Matesinus, Matesinis e Matusini (vid. Onomástico Medieval Português, por A. A. Cortesão – Lisboa 1912). Portanto, é Matosinhos, com s, que se deve escrever”.

Nos meados do século Xlll, aparecem as grafias Matusiny e Matusini nas Inquisições de D. Afonso lll, de 1258.

Arredada a forma mais antiga, Matesinus, que evolucionando normalmente nunca daria qualquer das duas usadas hoje, resta-nos a hipótese de ter sido Matusini o étimo da designação moderna. Se o foi (1) a escrita exacta deve ser Matosinhos, visto que o s não passa para z. (1) Esta hipótese é admissível, embora não esteja confirmada: o u de Matusinus ter-se-ia mudado em o, fenómeno corrente quando aquela letra é breve; o s manter-se-ia e a parte final inus teria prodizido regularmente inho … .

Mas teria sido o medieval Matusini o precursor do vocábulo moderno ?Matusiny não merece talvez referência; deve andar aí erro de copista ou de qualquer outra proviniência. A hipótese de supor a derivação em mat-os-inhos parece-nos inaceitável, mesmo não faltando, na nossa toponímia, exemplos de Mato, Matos, derivados e compostos respectivos. Mais probabilidades oferece o desdobramento em matos-inho-s (matos de matoso, e não o plural de mato), o que não significa que quebremos lanças por esta nova hipótese.

Ingressando pelo caminho do z, também não é admissível que a palavra se decomponha em Mato-zinho-s ou em Mato-z-inho-s, como alguém pretendeu ou supôs, pois o z não pode aqui ser considerado consoante infixativa, como não pertence ao sufixo. Tal letra, a dever subsistir na escrita, exige, outra explicação, certamente baseada no verdadeiro étimo”

Embora hajam defensores de uma e outra grafia, o acordo Ortográfico Luso Brasileiro manda escrever semelhante topónimo com s. Por isso devemos escrever Matosinhos e não Matozinhos”

 

Matosinhos
http://cmmatosinhos.wiremaze.com
A povoação é anterior à fundação da nacionalidade portuguesa, pois já existia no ano de 900, chamando-se Matesinus.
Em 1258, figurou com o nome de Matusiny nas inquirições de D. Afonso III. Pertencia, na altura, à freguesia de Sandim.
D. Manuel I concedeu-lhe foral em 30.9.1514.
Em 1833 foi criado o concelho de Bouças, ficando nele incluídas as freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, entre outras.
A vila de Matosinhos, constituída pelas freguesias de Matosinhos e de Leça, foi criada em 1853.
Em 1867 foi criado o concelho de Matosinhos, voltando à organização anterior vinte dias depois.
Em 1909 dirigiu-se um pedido ao governo para ser criado em definitivo o concelho de Matosinhos, por este lugar ser mais importante que o de Bouças.
Desta forma, o concelho de Matosinhos foi criado definitivamente em 6 de Maio de 1909.
O concelho de Matosinhos é um dos mais importantes do país e a cidade das maiores e mais progressivas. Foi elevada a cidade em 28 de Maio de 1984.
Os mais antigos vestígios da acção humana neste território (vários instrumentos lítios talhados, atribuíveis ao Paleolítico) possuirão alguns milhares de anos e foram recolhidos em praias antigas e actuais, nomeadamente na Boa Nova. A fixação das gentes a estas terras ter-se-á iniciado há cerca de 5000 anos, durante o Neolítico, tendo chegado até aos nossos dias ténues vestígios dos monumentos funerários dessa época: as antas. Em Antela, Perafita, Guifões e S. Gens localizar-se-iam importantes núcleos destes monumentos.
Nos finais da Idade do Bronze, à semelhança do resto do Nordeste Peninsular vai expandir-se um novo tipo de habitat proto-urbano de altitude (os castros), associado a uma cultura de características próprias e que perdurará durante toda a Idade do Ferro. Ainda hoje são significativos os vestígios de castros existentes no concelho, destacando-se pela sua área e espólio já recolhido o de Guifões.
A chegada dos romanos, há cerca de 2000 anos, vai provocar profundas alterações estruturais. A abertura de vias (como a estrada Cale-Bracara) e a construção de pontes (como a Ponte da Pedra) fazem parte duma política generalizada de desenvolvimento das comunicações e do comércio, associada à Pax Romana. O estuário do Leça e a zona de Lavra terão sido, neste contexto, os locais mais romanizados, bem atestados nesta última por vestígios de uma villae e de estruturas de produção de garum e de sal.
Na Alta Idade Média este território foi marcado pelo Mosteiro de Bouças, cuja fundação é anterior à nacionalidade. Foi ele que fez desenvolver todo o aglomerado populacional que encabeçaria a divisão administrativa do Julgado de Bouças que está na base do actual concelho de Matosinhos. Outro importante monumento medieval é o Mosteiro de Leça do Balio que resultou da ampliação de uma antiga edificação e que viria a ser a primitiva sede em Portugal da ordem dos Cavaleiros Hospitalários.
No século XVI, com carta de foral atribuída em 1514 por D. Manuel I, assumindo-se como um importante centro produtor agro-pecuário e sede de ricas propriedades, Matosinhos torna-se um dos principais pólos abastecedores do Porto numa altura em que freguesias como Ramalde, Foz e Aldoar ainda faziam parte do seu território.
É neste século que se constrói a actual Igreja de Matosinhos e para onde se transfere a antiga imagem do Bom Jesus até então depositada no Mosteiro de Bouças. A crescente importância deste culto levará, dois séculos mais tarde, a uma profunda remodelação do templo efectuada pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni. A este arquitecto são também atribuídas importantes obras nas quintas do Chantre (Leça do Balio) e do Bispo (Santa Cruz do Bispo).
Mas o concelho é fruto também da sua abertura ao mar. Por ele partiram muitos mareantes na época dos descobrimentos. Por ele veio o exército comandado por D. Pedro e que desembarcando em Arnosa-Pampelido implantou definitivamente o liberalismo em Portugal. Por ele chegou, mais recentemente, uma importante comunidade piscatória.
A necessidade de um porto de abrigo, primeiro, e um arrojado projecto de desenvolvimento económico-portuário depois, levou em finais do século XIX à construção do Porto de Leixões. Era o início de um processo de transformação nítido em todo o desenvolvimento urbanístico e industrial da cidade de Matosinhos, onde a indústria conserveira desempenhou verdadeiro papel de líder.
Tendo crescido de 25 para 167 mil habitantes entre 1900 e 2001, Matosinhos é hoje um concelho de grandes projectos apostando no futuro.
Cidade de Matosinhos
A cidade de Matosinhos está situada nas margens esquerda e direita do Rio Leça, à beira mar e a 8 km do centro do Porto.
Segundo rezam os cronistas, já no séc. XI existia uma modesta povoação designada por "Matesinus". Em 1514 foi-lhe concedido foral por D. Manuel I, o "Venturoso", e foi elevada à categoria de Vila por deliberação de D. Maria I em 1583.
Matosinhos foi elevada a cidade em 28 de Junho de 1984 (Lei 10/84 - Diário da República 148).
Caracterização do Concelho
O Concelho de Matosinhos pertence à Província do Douro Litoral e ao Distrito do Porto. Confronta a Sul com o Concelho do Porto, a Norte com o Concelho de Vila do Conde e a Nascente com o Concelho da Maia.
Com uma área de 62.3 km2, o concelho de Matosinhos corresponde a cerca de 8% do território da Área Metropolitana do Porto (AMP). Administrativamente está dividido em 10 freguesias urbanas: Matosinhos, Senhora da Hora, S. Mamede de Infesta, Leça do Balio, Custóias, Guifões, Leça da Palmeira, Perafita, Santa Cruz do Bispo e Lavra.
Neste concelho, o terceiro mais populoso da AMP residiam até à data do último recenseamento (1991), 151 682 indivíduos, isto é, cerca de 13% da população residente naquela Área Metropolitana. A densidade populacional do concelho é de 2 456 habitantes/km2, consideravelmente superior à densidade populacional da AMP de 1 532 habitantes/Km2. Esta expressão demográfica entende-se pelo dinamismo de base económica concelhia e pela construção de numerosas Cooperativas de Habitação que se instalaram no concelho.
Na distribuição da população por sectores de actividade, segundo os dados dos Censos 91, o sector dominante é o terciário, com cerca de 52.9% da população activa, seguido do sector secundário (45.2%), sendo o sector primário relativamente insignificante (2%).
No conjunto da actividade industrial, as mais de 500 unidades industriais em sectores muito diversificados fazem de Matosinhos um dos mais industrializados Concelhos do País.
A sua extensa relação com o mar, a Ocidente, marcou definitivamente o Concelho, daí a natural criação de infra-estruturas que actuam como vectores fulcrais no desenvolvimento de uma região - o Porto de Leixões, segundo maior nacional, o Terminal TIR do Freixieiro por onde passa grande parte das importações do País, para além da Exponor, Parque de Exposições do Norte e Centro de Congressos e da proximidade do Aeroporto Dr. Francisco Sá Carneiro.
O Concelho de Matosinhos conta hoje com símbolos urbanísticos e arquitectónicos de grande significado, da autoria de arquitectos de à escala mundial, como Álvaro Siza Vieira, Alcino Soutinho, Fernando Távora e Souto Moura.
Bandeiras, Armas e Selo
Bandeira - De cor verde, com cordões e borlas de prata e de verde também. A lança e a haste de oiro. A bandeira de seda, para cortejos e outras cerimónias, deve ter uma área de um metro quadrado.
Armas - De prata, com sete faixas ondeadas de verde e três golfinhos de negro, realçadas de oiro. Coroa mural de prata, de cinco torres, listel branco, com dizeres a preto.
Selo - Deve ser circular, tendo ao centro as peças heráldicas que constituem as armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta dentro dos círculos concêntricos, os dizeres: "Câmara Municipal de Matosinhos".

 

Mosteiro de Leça do Balio
 
http://cmmatosinhos.wiremaze.com
Classificado como monumento nacional, este imóvel medieval é considerado um dos melhores exemplares arquitectónicos existentes no país, de transição do estilo românico para o gótico. Com origem anterior ao séc. X, foi posteriormente (séc. XII) a primeira casa mãe dos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de Malta em Portugal. Da construção românica resta apenas, nas traseiras da igreja, uma ala incompleta do claustro, um portal e uma janela com decoração vegetalista. Foi reedificado no séc. XIV, segundo o modelo das igrejas fortaleza. A fachada principal de estilo gótico, com ampla rosácea radiada e rematada por uma cruz da Ordem de Malta, possui torre de menagem de traça românica, coroada de ameias. No interior, dividido em três naves, podemos admirar a capela-mor com abóbada de nervuras, a capela de Nossa Senhora do Rosário ou do Ferro e os túmulos de vários cavaleiros e frades, destacando-se a arca tumular de Frei João Coelho, Grão-Mestre da Ordem, com estátua jacente da autoria de Diogo Pires, o Moço, bem como a pia baptismal, cuja base é decorada por animais exóticos. No exterior, o Cruzeiro é também da autoria do mesmo mestre coimbrão. Foi neste Mosteiro que o rei D. Fernando casou com D. Leonor de Teles.  
Apesar da referência documental mais antiga deste monumento datar do ano de 1003, a fundação deste mosteiro é certamente muito anterior. Seria na época apenas um pequeno cenóbio albergando uma comunidade provavelmente beneditina. No séc. XII é doado aos monges-cavaleiros da Ordem de S. João do Hospital, tornando-se assim a primeira sede desta ordem em Portugal.
A estrutura gótica do monumento remonta às obras de remodelação e ampliação efectuadas no séc. XIV por iniciativa do Balio D. Frei Estevão Vasques de Pimentel.
Do mosteiro resta apenas a igreja, de planta cruciforme, ladeada por uma alta torre quadrangular, provida de balcões com matacães, a meia altura e no topo, em ângulo, seteiras, dando à igreja um aspecto de verdadeira fortaleza militar.
No seu interior destaca-se, sobre a campa de Frei Estevão Vasques, uma placa de bronze, com diversos motivos decorativos e contendo o epitáfio do defunto em caracteres leoneses.
Está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16.06.1910 DG 136 de 23 de Junho de 1910.

 

 

  

 


Paços de Ferreira – (Concelho e Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, habitada por reis no século Xlll, tem propecto modesto mas acolhedor, não possuindo motivos arquitectónicos dignos de menção, exceptuando os fragmentos do pelourinho, quinhentista. Foi um couto dependente da antiga vila de Ferreira, a quem D. Manuel l concedeu foral em 1514, mas todo o concelho acabou por tomar o seu nome. O Castro da Vila, próximo da Serra da Agrela, é um estação arqueológica da cultura da Idade do Ferro. O nome deste castro parece confirmar uma particularidade interessante na região: os invasores romanos ocuparam-na, mas acabaram por adoptar as formas de vida existentes ao instalarem-se nos castros ou na sua zona de influência.

Monumento espectacular desta cultura, no concelho de Paços de Ferreira, é a Citânia de Sanfins, local arqueológico dos mais significativos do Noroeste da Península Ibérica.

Origem do nome:

« Américo Costa em “Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular – 1943”«: “Paços é o nome comum paço, no plural, que deriva do latim palatiu, e Ferreira também do nome comum ferreira e este do latim ferraria – mina de ferreiro, oficina de ferreiro. Paços de Ferreira já assim se chamava e o couto de Ferreira era independente de Paços. O apelido “de Ferreira” não derivou da anexação de Ferreira a Paços (que foi o resultado duma melhor divisão administrativa, procurando-se para sedes as terras mais progressivas ou centrais), mas para esta terra se diferençar doutras do mesmo nome – Paços, como Sanfins de Ferreira também assim se chamou para se diferenciar de Sanfins da Maia, Sanfins do Douro, etc..

O nome de Paços (alguns escrevem talvez erradamente, Passos) indica que o povoado foi nobre, mas, pelo que se verifica das Inquisições, em Paços não havia, honra nenhuma, - o que não quer dizer que não houvesse ali Paços nobres antes das Inquisições. Vimos que em 1059 já havia a vila de paços (de Ferreira), por seus termos e lugares antigos como a Igreja de Santa Eulália, etc. (Inventário das Igrejas e herdades do Mosteiro de Guimarães, no Livro de Mumadona).

O nome, portanto, mostra a antiguidade da terra, onde certamente existiram uns paços ou torres que deram o nome à povoação”.

 

Paços de Ferreira
http://www.cm-pacosdeferreira.pt
Por decreto de 6 de Novembro de 1836 foi criado o concelho de Paços de Ferreira na comarca de Penafiel, com 2.417 fogos, em consequência da notável reforma administrativa que acabou com os pequenos concelhos e dividiu as freguesias dos grandes para melhor comodidade dos povos. Até 1836 a Câmara funcionou em Sobrosa, freguesia do actual concelho de Paredes, de honrosas tradições, e em acórdão de 20 de Janeiro.
 Diz uma acta: 
 “Deliberou-se que se oficiasse ao Ex.mo Snr. Governador Civil do Distrito: que a eleição da nova Câmara fôsse nos Paços do Concelho na freguesia de Paços de Ferreira segundo o acórdão de 28 de Outubro pretérito...para comodidade dos povos...”
 “Este acórdão de 28 de Outubro pretérito a que se refere a acta, testemunha a mesma deliberação insistente para que as sessões da Câmara fôssem nos Paços do Concelho na freguesia de Paços de Ferreira: uma sessão às quartas-feiras por obrigação segundo a lei e aos sábados extraordinariamente e NÃO EM SOBROSA por ficar muito distante dos povos”.
Pelo que se infere do texto da documentação municipal, trata-se dum concelho novo:
Na sessão de 18 de Novembro de 1835 tinha-se oficiado ao Governador Civil “em virtude da circular do presente de Novembro e mandou-se-lhe os mapas das freguesias que devem compôr o NOVO CONCELHO”.
A primeira sessão em Paços de Ferreira foi em 26 de Outubro de 1836, antes do referido decreto.
Subscrevem a acta:
Presidente da Câmara – Leonardo Ferreira de Meireles, de Bussacos
Secretário – José Patrício da Costa Meireles (avô do ilustre pacense, Dr. Leão de Meireles)
Administrador – Capitão da Praça, Manuel Alves Barbosa
Vogais – António Ferreira Pacheco, António Moreira Leal e José Coelho Neto.
ANO DE 1837
Segundo a acta de 1 de Maio dêste ano as freguesias de Figueiras e Covas, hoje incorporadas no concelho de Louzada, pertenceram a Paços de Ferreira.
“Acórdão em Câmara: que êste concelho (de Paços de Ferreira) ficasse dividido em seis distritos com juízes de paz.  O 1º - Frazão, Seroa, Arreigada e Modelos; 2º - paços de Ferreira, Meixomil e Eiriz; 3º - Carvalhosa, Sanfins e Lamoso; 4º - Raimonda, Codeços e Figueiró; 5º Freamunde e Ferreira; 6º - Figueiras e Covas”.
      “Paços de Ferreira – 1836-1936”
      Pe. Armando Pereira
Com referências documentais desde o século XI, a Vila de Ferreira aparece nas Inquirições de 1258 já como terra realenga. Um Couto dependente da antiga “Vila de Ferreira” foi concedido Foral por D. Manuel I no ano de 1514

 

Lendas e Tradições
 
http://www.cm-pacosdeferreira.pt
As terras de Paços de Ferreira são povoadas por um conjunto de relatos orais que nos devolvem ao simbólico e às origens.
À volta da Citânia, como principal marco do passado e nebuloso monte de  mistérios, as gentes (pastores, lavradores, pedreiros, guerreiros e senhores medievais) foram desenvolvendo, criando e recriando um conjunto de lendas  verdadeiramente notável.
A mítica presença dos mouros e os seus poderes esotéricos perpassam e dinamizam grande parte do maravilhoso: A Estrada Subterrânea; A Fonte da Jóia; A Fonte da Moira; A Fonte de Grades; O Martelão da Citânia; O Penedo do Sino; O Penedo Rebolão; Os Três Sapinhos do Hortal. Os tesouros, a força e a beleza mourisca (feminina e masculina) ficaram por cá, aquando da reconquista cristã, e só a muito custo se vão libertando do encantamento e da própria Natureza: fontes, penedos, ervas, sardões, vacas, cabras, sapos.
As referências ao cristianismo, não vão além da lenda do Senhor de Pedra, do "milagre" de São Tiago e da alusão, na lenda de O Martelão da Citânia, à  capela do Senhor do Padrão (Monte Córdova) e ao Mosteiro de São Pedro de  Roriz.
É curioso verificar que, tirando as complexas relações de O Martelão da  Citânia, o lendário pacense não guarda memória oral dos crúzios ou  templários, nem em Sanfins.
                                                            Ricardo Pereira


A Chuva de São Tiago
Há muitos anos, as terras de Chã de Ferreira sofreram um longo período de seca.
Os campos ficaram ressequidos e os rios ficaram por um fio. Os pobres e humildes lavradores já não sabiam o que fazer. Tinham que pagar a renda ao senhorio e não tinham com quê! Nem cheta! Até o gado começou a passar mal.
Como as nossas gentes são muito devotas aos Santos e acreditam nos  milagres, pensaram em fazer uma procissão a pedir chuva. Numa tentativa  desesperada, o povo pegou no andor do Santo (Tiago) e, entre cânticos e  orações, levou-o até ao Rio da Levada Velha. O certo é que quando a  procissão regressou à Igreja (Modelos), já chovia.
O povo, na sua fé, continua a proclamar este acontecimento como sendo um dos muitos milagres de São Tiago de Modelos.

O Penedo do Sino
No sopé da Citânia, junto ao Penedo do Sino, vivia  um humilde pastor com sua única filha. A jovem era de lida e todos os dias, de manhã cedo, levava o rebanho a pastar pela serra. Nada lhe metia medo e  só regressava a casa quando o Sol se escondia.
Numa fresca manhã, enquanto libertava as cabras e as  ovelhas, viu um sardão de olhos muito brilhantes no alto do Penedo. Por  muito que fosse o barulho e a confusão do rebanho, nada agitava o sardão.
Dia após dia, a jovem pastora achou graça e começou a dar-lhe leite duma cabrinha branca que aparecera abandonada na serra. Certo dia, o leite faltou à cabritinha e a rapariga, preocupada, desabafou: - Pobre bichinho! Não sei o que há-de ser de ti!
No dia seguinte, no lugar do sardão, estava lá  sentado bonito rapaz.
- Não fujas! Não tenhas medo! Eu fui transformado em  sardão. Sou eu! Tu quebraste-me o encanto e mereces ser recompensada, pelos  noventa dias que me deste o leite a beber. Não contes isto a ninguém! O  segredo de tudo será a tua felicidade. Assim que estiver salvo, a cabrinha  branca voltará a dar leite e assim terás a certeza de que tudo correu bem.
Por fim -disse-lhe o jovem moiro- deixo-te este talismã. Guarda-o muito bem, e, ao fim de três meses, quando a cabra voltar  a dar leite, pegarás nele e abri¬rás o penedo no sítio que eu, agora, vou  beijar. E que Alá te proteja, meu anjo!
Dito isto, o moiro, parecendo ter asas nos pés,  encaminhou-se para o alto da Citânia e nunca mais foi visto.
A bondosa pastorinha ficou rica e, sedutora, casou com um abastado lavrador das redondezas.

 

O Ermitão
Era uma vez um pobre ermitão que vivia na gruta do Penedo Rachado, nas encostas do Monte do Pilar, e que, para saciar a fome, descia à povoação. Entre tantas, havia uma senhora muito rica, D. Lopa, que não gostava nada do modo como o Ermitão agradecia o que lhe davam: “Quem bem o faz, para si o faz!”. Projectando eliminar o pobre velho, D. Lopa deitou veneno num bolo e ofereceu-o. Satisfeito com a dádiva, o ermitão, mais uma vez, retorquiu a frase da inquietação: “Quem bem o faz, para si o faz!”
Regressado à sua lapa, eis que uma grande tempestade se abate sobre o monte e forte trovoada obriga a que um jovem caçador, filho de D. Lopa, lhe solicite guarida. Vendo-o assim tão cansado e cheio de fome o ermitão oferece-lhe o bolo e garante: “É de confiança! Não tenha receio! É o bolo que eu recebi das mãos de sua mãe. Coma!”
Quando a tempestade amainou, o jovem voltou para casa mas começou a sentir-se bastante incomodado. Ao vê-lo naquele estado, D. Lopa quis saber o que se tinha passado. Pálido e já desfigurado, o filho garantiu-lhe que apenas tinha comido o bolo que ela oferecera ao pobre velho. Estarrecida, D. Lopa debruçou-se sobre o jovem moribundo e exclamou: Perdão, meu filho, perdão! Quis envenenar o velho e matei-te! Agora, só agora, percebo as palavras do velho Ermitão: “Quem bem o faz, para si o faz! ”.
(Esta lenda é, em tudo, similar à do Ermitão da Montanha de São Lourenço (Serra da Estrela), Manteigas.)

A Estrada Subterrânea
No tempo dos mouros, a Citânia era atacada com muita frequência. O perigo era constante e os animais, nomeadamente os cavalos, tinham que ser bem tratados. Como a Citânia podia ficar cercada durante muitos dias… o gado não podia morrer à sede! Para resolver este problema, abriram uma estrada subterrânea, da Citânia até ao Rio Vizela. Nunca se soube ao certo o local onde cavalos iam beber mas que a entrada para a mina era no Penedo Vazado, ninguém duvida.
(Em tudo similar lenda de Barros e São Julião de Caldelas (Vila Verde), onde os cavalos dos mouros iam beber ao rio Homem.)

A Fonte da Moira
Indo um moço abrir a presa, na encosta da Citânia, encontrou uma linda moira a lavar as suas longas teias de linho.
Quando se preparava para abrir a presa, a jovem pediu-lhe para que aguardasse mais um pouco, até ela acabar a sua tarefa. O rapaz, olhou-a nos olhos e sorriu… mas, temendo pôr a sua alma em perigo, abriu a presa e desatou a correr pela levada abaixo, até aos campos.
A jovem moira ficou furiosa e, pegando no seu poder, amaldiçoou a presa: nunca mais ninguém regará com a água desta fonte!
Nos campos, farto de esperar pela água que não vinha, o rapaz resolveu voltar à presa. O espanto foi total! O rego apenas estava orvalhado e a presa quase vazia. A água passava o olho mas logo se escondia no lajedo. Estava mais do que certo que aquilo só podia ser obra do demónio!
A maldição tinha vencido e, curiosamente, ainda hoje ninguém consegue aproveitar a água da Fonte da Moira, na encosta nascente da Citânia.

O Martelão da Citânia
Quando os mouros estavam a construir a Citânia, não andavam sozinhos por estes lados. Nas encostas da Serra moravam outras gentes. Para o lado do Mar, moravam os do Monte Padrão (Monte Córdova) e para o lado do Rio (Vizela), lá no fundo, moravam os de Roriz. Uns e outros eram fortes e andavam a construir as suas coisas… A Citânia, a Capela do Senhor do Padrão e o Mosteiro. Mas os mouros da Citânia eram os mais valentes deles todos. Quando os pedreiros da Capela de Senhor do Padrão ou de Roriz lhes pediam o seu grande martelão, os mouros da Citânia atiravam-no pelo ar e ele ia lá ter.
Para agradecer tamanha disponibilidade e registar tão grande valentia, os artífices do Mosteiro de São Pedro de Roriz, lavraram, nos modilhões que sustentam o coro, a cabeça de um homem e de uma mulher da gente de Citânia.

O Penedo Rebolão
Na Citânia, houve, em tempos, um grande penedo, polido e redondo como seixo e, por vezes, tão leve como um novelo de lã: o penedo rebolão.
Este penedo era o encanto e a perdição dos rapazes que guardavam o gado nas encostas. Grande mistério estava guardado naquele calhau! Retirado do seu lugar, parecia ter demónio. Para onde quer que o levassem, voltava ao sítio de onde o tinham retirado. Aquele penedo tinha um sítio!
Isto sucedia um dia atrás do outro, até que, numa bela tarde, um lavrador de Negrelos agarrou o penedo e carregou-o para cima do carro. Os rapazes, tristonhos, bem esperavam que a pedra voltasse para trás, mas o carro de bois lá seguiu pela serra abaixo, em direcção ao rio.
Ao chegar à ponte de Negrelos, o lavrador atirou o calhau ao rio Vizela e das águas revoltosas ergueu-se uma jovem encantadora que exclamou: - Quebraste-me o encanto. Há muito que isto devia acontecer. Adeus, que vou para a minha terra.
A calhou não voltou à serra mas também ninguém mais soube notícias daquela moura encantada!

O Senhor de Pedra
Conta-se que há muitos anos, a Igreja de Eiriz foi roubada e que os ladrões levaram o vaso com as hóstias consagradas. De manhã, quando o padre deu por isso, comunicou o sucedido à população que, de pronto, ficou em alvoroço.
Indo um senhor a passar por aqueles lados, eis que sua montada estacou e nada a fazia mover. O cavaleiro insistiu mas não logrou seu intento. Pelo contrário, o cavalo ajoelhou-se e assim ficou. Apeando-se, o homem apercebeu-se, então, que o cavalo se dobrava sobre uma partícula que ali havia caído. Comunicou o achado ao Padre e, numa procissão solene levaram o Senhor para o sacrário da Igreja.
Para que não mais se esquecesse tal feito, no mesmo local foi colocado o cruzeiro Senhor de Pedra, que ainda hoje se guarda.

O Penedo Vazado
Um humilde lavrador guardava o gado nas encostas da Citânia. Acontecera, porém, que a “turina”, a mais bonita e abonada das vacas, andava muito estranha.
- Vem cá… toma!... Todos os dias à mesma hora, o raio da vaca desaparece, por entre as giestas e chega de barriga cheia mas sem leite nenhum no úbere! Abrenúncio Satanás!, 
Tinha que haver feitiço… E um dia, o lavrador ganhou coragem e, para tirar as dúvidas, agarrou-se ao rabo da vaca. Tinha que saber o que se passava! À hora do costume, a “turina” abalou por entre o arvoredo e enfiou-se na mina do Penedo Vazado. Foram parar a um sítio muito bonito e a um grande palácio. O palácio tinha o chão com tapetes e estava cheio de candeeiros de ouro e de cristal. Veio uma ve¬lha muito feia e magra. O seu largo vestido de seda preta, causava medo e o homem escondeu-se bem escondidinho. Tinha que haver mistério… E não é que a vaca ficou quietinha e a velha tirou-lhe o leite todo! Cheia a vasilha, a vaca foi para as verdes pastagens e, quando a pança já estava cheia, veio embora.
Mal chegaram cá fora, o homem desatou a correu por aquelas bouças abaixo e, atarantado, nunca mais pensou na “turina”.
Conta-se, a propósito, que, ainda hoje, em noites de luar, a vaca aparece a pastar na meia encosta da Citânia!
(Esta lenda é muito parecida com a lenda da “Mina dos Mouros”, na Citânia de Briteiros.)

A Fonte de Grades
Na Citânia havia uma fonte onde as lindas mouras se deslocavam para lavar a roupa. Não era uma fonte vulgar e a roupa era posta a secar em grades de oiro maciço. Uma manhã, indo um pastor a passar por aqueles lados, uma das mourinhas pediu-lhe um pouco de leite de cabra, propondo dar-lhe em troca um varão da sua grade.
O pastor, que era cristão, não aceitou a proposta e seguiu em frente, mas... se tivesse feito o negócio, tinha ficado muito rico!
E a Fonte de Grades ainda lá está!

A Fonte da Jóia
Quando os mouros passaram por cá, em suas lutas com os cristãos, deixaram encantadas algumas das suas bonitas raparigas. Não se sabe, ao certo, quais foram os motivos, mas sabe-se que não foi por opção que uma dessas moiras ficou retida entre os juncos e os choupos de Freamunde. Condenada a permanecer distante da sua terra e das suas gentes, a jovem chora incessantemente. As lágrimas são tantas que os lavradores, ao longo dos tempos, aproveitaram a nascente e deram-lhe um nome a condizer: A Fonte da Jóia.
E agora, que os alagados campos se transformaram em Parque de Lazer, a Jóia – dizem por aí – amamenta o rio.

 

 

 

Paredes – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

O concelho de Paredes insere-se no Vale do Sousa, um rio com importantes características paisagísticas, cada vez mais raras em Portugal e no Mundo. De facto, visitar o local chamado “Senhora do Salto” é uma obrigação turística.

Na Estrada Porto-Penafiel, encontra-se o antigo couto de Castelões. Este, juntamente com parte do extinto concelho de Aguiar de Sousa e a chamada “honra de Baltar”, formou em 1844 o concelho de Paredes, cuja área está compreendida na região bucólica dos rios Ferreira, que o limita de norte para poente, e Sousa a nascente.

Origem do nome:

« Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Nada encontrei que esclarecesse por que tal vila foi assim designada. No entanto, julgo ser derivado do nome comum, no plural, paredes, e este do latim parietes”.

 

Paredes
http://www.mapadeportugal.net
Esta região já era densamente povoada antes da colonização romana, como o atesta o castro do Muro, em Vandoma, Baltar.
Muitas das actuais freguesias faziam parte das Inquirições mandadas realizar por D. Afonso III em 1258, com a finalidade de fazer um levantamento de toda a região para verificar ou determinar os impostos dos proprietários das casas e terrenos.
A cidade actual corresponde à metade meridional do julgado de Aguiar do Sousa, que se estendia do Vizela às proximidades do Douro, limitando-se esta metade pelo rio Sousa.
Perto desta povoação existia um castelo, no cimo do monte, chamado vulgarmente de Montanha do Muro. Um documento de 1071 situa ali a vila de Parada, a actual freguesia de S. Martinho de Parada.
Da ocupação germânica desta região, restam certos nomes germânicos, como Astromil, Mouriz, Baltar e Cete.
O primeiro foral foi dirigido aos «homens de Aguiar e Paroquianos da Igreja de S. Romão» e aparece já referido nas Inquirições referidas acima.
D. João I concedeu foral a Aguiar de Sousa em 1411, confirmado por D. Manuel em 1513.
A partir do desmembramento do concelho e Julgado de Aguiar de Sousa formou-se o concelho de Paredes em 6 de Novembro de 1836, como resultado do reordenamento que ocorreu com a entrada da Constituição de 1820. Aguiar de Sousa ficou uma das suas freguesias.
Um alvará régio de D. Maria II, em 7 de Fevereiro de 1844, eleva Paredes à categoria de vila.
Em 16 de Junho de 1875 passou a sede de Comarca, sendo este dia o feriado municipal.
O concelho teve um rápido desenvolvimento dos sectores secundário e terciário, que ocupam cerca de 90% da população activa. Situa-se aqui uma das maiores zonas industriais do mobiliário em Portugal.
(Por: fmcd - Inserido em: 1-10-2001 0:00:00)

 

Paredes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paredes
Paredes é uma cidade portuguesa no Distrito do Porto, região Norte e subregião do Tâmega, com cerca de 7 300 habitantes.
É sede de um município com 156,56 km² de área e 83 377 habitantes (2001), subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Paços de Ferreira, a leste por Lousada e por Penafiel, a sudoeste por Gondomar e a oeste por Valongo. O concelho foi criado em 1836, sucedendo, em grande parte, ao antigo concelho de Aguiar de Sousa.
Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagicamente interessantes de Portugal:o Vale do Sousa, O actual Concelho de Paredes assenta No antigo concelho de Aguiar de Sousa que data dos primordios da Monarquia. O concelho de Aguiar de Sousa surgiu num pacto de povoamento de Vale do Sousa tendo sido criado pelos meados do seculo XII. De facto, consta nas inquiriçoes de 1258 mandadas fazer por D. Afonso III, conforme consta no fasciculo II, Vol.I, do Corpus Codicum Latinorum, referem-se algumas das actuais freguesias do Concelho de Paredes, pretencentes, ao então, grande julgado de Aguiar de Sousa (Estremir, Crestelo, Vilela, Bendoma, Ceti, Gondalães, Veiri, Gandera....
 

 

 


Penafiel – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

A antiga Arrifana de Sousa parece ter sido fundada no século lX por D. Faião Soares, que ficou sendo o governador de dois castelos que então existiam e, de todo o território compreendido pelas freguesias de Lousado, Arrifana e Moascres. Rodeou-se dos seus homens d’armas que ali se instalaram e construíram as suas casas. É indubitável a longevidade da designação Arrifana do Sousa, anterior à do actual topónimo penafidelense.

Desde o tempo de D. João l que Arrifana era a cabeça do julgado de Penafiel, mas o seu primeiro foral só lhe foi concedido por D. Manuel l, no dia 1 de Junho de 1519, sem lhe dar a categoria de vila, a que somente ascendeu por decreto de 7 de Outubro de 1741, assinado por D. João V. A designação Arrifana do Sousa foi substituída pela de Penafiel quando D. José, por carta de lei de 17 de Março de 1770, a elevou a cidade.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Sobre as origens do nome Penafiel, conta-se que, tendo havido dois castelos, um a norte e outro a sul do rio Sousa, afluente do Douro e na margem esquerda do qual fica a actual cidade, o segundo chamava-se Pena e encontrava-se no cimo dum alto monte alcantilado. Como este nunca tivesse sido conquistado pelos mouros, não obstante vários e fortes ataques, deram-lhe posteriormente o nome de Pena Fiel. Tomadas aos mouros por D. Fraião Soares as terras circunvizinhas, passou este a governar os dois castelos e o território de três paróquias, estabelecendo então um luzido solar em Arrifana.

A ser assim, como se diz, o topónimo actual teria resultado da justaposição dos dois nomes, Pena e Fiel. De qualquer modo, Penafiel é expressão céltico-latina (à letra, penha pu pedra fiel), que aparece latinizada na forma composta Penafidelis, donde se formou o gentílico usado, penadidelense”.

 

Um brevíssimo olhar sobre o passado de Penafiel, por Teresa Soeiro  
http://www.cm-penafiel.pt
Penafiel, com as suas trinta e oito freguesias distribuídas por 212,82 km2, é uma terra antiga no coração do velho Entre-Douro-e-Minho. Ocupando o interfluvio Sousa/Tâmega/Douro, tem solos essencialmente graníticos, ricos de águas e propícios para a exploração agrícola intensiva, nas últimas décadas valorizados também em função de uma importante indústria de extracção de pedra. A sudoeste, as freguesias integram-se no complexo xisto-grauváquico, tornam-se mais extensas, com importantes parcelas de monte, outrora baldio pastoril, hoje florestado.
Zona intermédia de contacto do litoral com a montanha, em todos os tempos por aqui passavam importantes vias de comunicação inter-regional, terrestres e fluviais. Exemplo das primeiras seria a estrada real que desde a Idade Média ligava o Porto a Trás-os-Montes, geradora do actual centro urbano que, a um dia de viagem, desempenhava papel fulcral no apoio ao trânsito de passageiros e mercadorias. O Douro surgia como indispensável via fluvial de penetração para o interior, com papel mais relevante à medida que nas encostas do Alto Douro se expandia a produção do vinho generoso, que descia nos rabelos até ao Porto. Entre-os-Rios, também a um dia de viagem, cumpria aqui papel idêntico ao da cidade, no apoio aos viajantes e como centro de redistribuição de mercadorias.
Bastante povoado desde a pré-história, como testemunham dezenas de monumentos megalíticos e alguns povoados, no território penafidelense não faltam também sítios castrejos. Monte Mozinho (Oldrões/Galegos), povoado fortificado erguido no dealbar da nossa era será, pela sua extensão e relevância material, um primeiro centro, que, após trinta anos de escavações arqueológicas merece bem uma visita atenta.
Com a consolidação da integração no mundo romano, veremos a população organizar-se em novas formas de habitar, tipificadas em lugares abertos e concentrados, rodeados por terras de lavoura, ou em casais dispersos na paisagem agrícola como ilustram as casas postas a descoberto na Bouça do Ouro (Boelhe). As termas romanas de S. Vicente do Pinheiro, surgidas no início do século XX aquando da construção do actual estabelecimento termal, já destinadas a fins medicinais, podem dar-nos uma imagem dessa permanência milenar da capacidade para identificar e aproveitar os recursos naturais. Também os filões de ouro existentes nos xistos e quartzitos foram explorado na época romana. Um intenso comércio e a circulação de uma moeda comum trouxe a todos estes núcleos grande quantidade e diversidade de produtos artesanais, que materializam a integração cultural, reafirmada por valores fundamentais como a adopção da língua e das formas de ser e de estar da romanidade.
No século IX a vivência do território é outra, pontificando como nova centralidade a Civitas Anegia, instalada num cabeço sobranceiro à confluência do Tâmega com o Douro, que dominaria extensas terras nas duas margens daqueles rios. A esta Civitas pertencia a futura terra ou tenência de Penafiel de Canas que, no século XI, desmembrada a anterior organização, assumirá por sua vez a capitalidade de um espaço mais reduzido, embrião do actual município.
Neste mundo românico, retratado pelas Inquirições de 1258, deparámos com muitas das actuais paróquias, imersas numa economia agro-pecuária e piscatória que foi longamente dominante. Dos grandes senhorios eclesiásticos destacamos, porque aqui sedeados, os mosteiros beneditinos de Paço de Sousa e de Bustelo, o primeiro ostentando ainda uma magnifica arquitectura românica e dando guarida ao cenotáfio historiado de Egas Moniz de Ribadouro, aio de Afonso Henriques, o segundo profundamente transformado ao gosto barroco, de uma riqueza e monumentalidade ímpar.   As casas fidalgas de raiz medieva podem bem ser representadas pela Honra de Barbosa (Rans), com a sua torre sobranceira às terras de cultura, ou pela mais transformada Torre de Coreixas (Irivo).
Os templos românicos de Boelhe, esse divino brinquedo como lhe chamou Miguel Torga, ou o de S. Salvador da Gândara onde se venerava uma cabeça santa muito milagrosa, procurada pelos peregrinos, o de Abragão ou o mais tardio de S. Miguel da Eja, no qual se anuncia já o gótico, o memorial funerário de Ermida (Irivo) são monumentos nacionais.
Por este tempo emergia no território penafidelense uma nova realidade. Na freguesia de Moazares, de cuja igreja românica (Santa Luzia) temos ainda a cabeceira, rodeada por sepulturas escavadas na rocha, surgiu um segundo núcleo forte, instalado à margem da estrada que vinha do Porto e, passado o rio Sousa na medieva ponte de Cepeda, ascendia pela Costeira até atingir o alto. Aqui estaria o local ideal para crescer um aglomerado urbano especializado em serviços aos viandantes, na artesania e venda de manufacturas, no estabelecimento de uma grande feira. Arrifana de Sousa foi o nome escolhido.
Este era um lugar arruado, disposto em banda ao longo da estrada, onde João Correia, um rico mercador da praça do Porto com trato na Flandres, cristão novo ao que se diz, faria erguer a manuelina capela do Espírito Santo, na cabeceira da qual alojou o próprio túmulo, coberto por uma bela placa de bronze lavrado com o seu vulto, trabalho flamengo que fez vir ainda em vida, nos anos iniciais do século XVI faltando por isso completar na gravação da data fúnebre.
Em crescimento, Arrifana assumiu a paróquia, com o orago S. Martinho, e construirá nas décadas de 50 e 60 do século XVI um novo templo, sobre a capela de João Correia, no modelo de igreja-salão com fachada retábulo maneirista. Apesar desta pujança, a terra continuava na dependência administrativa do Porto desde que D. João I a dera àquela cidade como agradecimento pela ajuda à sua causa.
Durante toda a Idade Moderna Arrifana de Sousa cresceu como centro de serviços e terra de muitas indústrias, com uma importante feira anual no S. Martinho, e ampliou a mancha urbana que se estendia já para cotas mais elevadas onde, no início do século XVII, a Misericórdia, uma das mais antigas do país, fará construir a sua monumental igreja. A fidalguia, no entanto, mantinha-se fora da urbe, preferindo habitar os solares ancestrais, que a acumulação de recursos provenientes do aumento da rentabilidade das terras e dos negócios de além-mar permitirá reformar e monumentalizar.
Apenas em 1741, depois de uma persistente insistência junto do poder, a que o Porto sempre se oporá, Arrifana de Sousa ascende à categoria de vila e concelho, composto por duas freguesias, a própria e a vizinha Santiago de Sub Arrifana. Pouco viável, mas orgulhosa da sua autonomia duramente conquistada, a população e a Câmara serão, em 1770, surpreendias pela elevação a cidade, sede de um vasto concelho. Não o haviam pedido, nem sequer foram atempadamente informados desta benesse, atribuída por D. José a 3 de Março, para que aqui se pudesse fixar a sede de um novo bispado que a política pombalina queria destacar do território da poderosa mitra portuense. Mais ainda, por esta determinação régia, Arrifana perderia o seu nome para adoptar o de Penafiel, até então reservado ao concelho cujas justiças estavam ainda formalmente no castelo medieval.
Vila, cidade, sede de comarca e de bispado em menos de trinta anos, foram significativas mudanças que exponenciaram o crescimento desta terra, atingindo ponto alto de prestígio, riqueza e desenvolvimento na segunda metade de setecentos. Depois vieram os tempos conturbados da guerra peninsular, e Penafiel esteve sucessivamente ocupada pelos exércitos francês e luso-britânico, e da guerra civil. Recomposta destes pesadelos, a cidade (cerca de 10% do total da população) e o seu município, agora com a composição territorial definitiva, entrarão, na segunda metade de oitocentos, em novo período de crescimento, assumindo as promessas do progresso fontista. É nesta fase que se fixa o urbanismo que ainda hoje reconhecemos nas ruas, avenidas e praças, com todas as peças prestigiantes como o quartel militar, o cemitério, o jardim público, a praça do mercado, o matadouro, a casa das repartições, o teatro, as escolas, etc., e mesmo o início de um proeminente santuário sobranceiro à cidade, com o seu parque.

 

 

 

 


Póvoa de Varzim – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

Cidade piscatória originariamente habitada por populações castrejas descidas da da serra para a planura e enraizadas na costa atlântica, a Póvoa do Varzim é uma urbe de pescadores. A antiguidade da povoação é evidente, pois a categoria de vila foi-lhe concedida por foral de D. Dinis em Março de 1308. Adquiriu a categoria de município com o foral manuelino, concedido em Lisboa a 25 de Novembro de 1514, e a sua autonomia foi concretizada no reinado de D. João lll, quando foram construídos os primitivos Paços do Concelho.

Origem do nome:

« Do, Domingo Ilustrado – 1900»: “Ignora-se a origem do nome da povoação, havendo meramente hipóteses nesse sentido. Para uns, provém-lhe o nome do diminutivo Varzinha por estar edificada em um vale; outros querem que fosse seu fundador um cônsul romano, chamado Caio Varizinho. Em 1305 ainda se dava à vila a denominação de Varazim de Jusão. O Conde D. Pedro, no seu elucidativo Nobiliário, chama-lhe Porto de Varazim. No livro de Forais, de Franclim, é considerada Varzim de Jusão como duas povoações distintas, não sabemos com que fundamento”.

«Rocha Martins, do Arquivo Nacional – 1936»: “Há quem pretenda que Varzim é corrupção de Varzinha por esta vila se encontrar edificada junto a uma pequena várzea; outros, porém, dizem que o nome provém de Caio Varizinho, atribuindo a este cônsul a fundação.

Em 1305 chamava-se Varazim de Jusão – o que quer dizer Varazim de Baixo – e isso é facto, pois que D. Dinis, ao doá-la ao seu filho bastardo D. Afonso, assim a designa, bem como no foral que lhe deu a 8 de Março de 1308”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Póvoa, de origem latina, significa etimologicamente – pequena povoação.

Quanto ao topónimo Póvoa de Varzim, o determinativo formou-se com um nome que tem todo o aspecto de ser um simples diminutivo de várzea, seu derivado com o sufixo – im”.

 

Póvoa do Varzim
http://www.cm-pvarzim.pt
A Cidade – Póvoa de Varzim é o nome da nossa cidade. Explicá-lo representa uma aliciante viagem às suas origens históricas ou mesmo pré-históricas pelo que sou tentado, ao iniciá-la, a recorrer à fórmula genesíaca: - No princípio...era a terra de VARAZIM, ignoto Senhor que a possuiu em tempo não menos ignoto mas com certeza posterior à romanização e lhe deu o nome.
Alguns achados arqueológicos, muito expressivos em Martim Vaz (hoje, zona desportiva) e menos na Junqueira e Vila Velha, informam-nos da presença e da acção do homem na antiguidade. Porém, o documento identificador do nosso território - Villa Eurazini - tem a data de 953 e pertence ao cartulário da Colegiada de Guimarães designado por Livro de Mumadona. A terra e, sobretudo, o mar que a beija sussurrante e, depois, se deixa amimar em profundo amplexo, despertaram na Idade Média o interesse económico de fidalgos, cavaleiros e eclesiásticos, ávidos de rendas, entre os quais se destaca a estirpe de D. Lourenço Fernandes da Cunha, sem dúvida, os mais produtivos colonizadores do nosso território. Os seus casais situavam-se na parte norte, em uma área denominada já no séc. XIV por Vila Velha. Alguns desses casais pertenceram à Ordem Militar do Hospital e usufruíam o privilégio de "Honra" andando a terra registada nas inquirições com o nome de Varazim dos Cavaleiros e, mais tarde, VARAZIM DE SUSÃO. Outra parte de VARAZIM, mais para o sul, era terra reguenga e os casais pagavam para o Rei tanto dos frutos da terra como do mar, pois havia no seu porto um interessante movimento de pesca. Foi, precisamente, a cobrança do imposto do pescado, dito navão ou nabão, disputado pelos mordomos régios e senhorios de Varazim de Susão, que originou a intervenção do Rei a fim de acabar com a instabilidade no território, recuperar a renda da pesca e arrotear as terras de reguengo. Assim, em 1308, depois de arrolados os 54 casais de VARAZIM, mandou El-rei D. Dinis passar carta de Foral doando-lhes o reguengo de Varazim de Jusão com o encargo de aí fundarem uma PÓVOA, associarem-se em CONSELHO DE VIZINHOS com seu juiz eleito e, darem-lhe, anualmente, um foro colectivo de 250 libras e os direitos de aportagem.
Eis a origem da nossa terra e do nome que ostenta. A Póvoa de Varzim arranca para o desafio dos tempos voltada para a sua angra marítima que lhe garante a subsistência e havia de ser o primeiro motor do seu desenvolvimento e prosperidade. Desafio dos tempos... disse... para recordar os principais lances do evoluir histórico do nosso burgo. Em 1312, o rei D. Dinis doou a Póvoa de Varzim ao filho bastardo Afonso Sanches de Albuquerque e este, por sua parte, meteu-a no património do mosteiro de Santa Clara (1318) que acabara de fundar em Vila do Conde. O domínio do senhorio eclesiástico através da Abadessa e dos seus ministros, chegou a ser total e durou o melhor de duzentos anos. Ainda ele decorria quando D. Manuel mandou dar foral novo à Vila (1514) reformando o antigo na parte fiscal e provendo-o de mecanismos alternativos à jurisdição do mosteiro. Suspeita-se que estes foram accionados a partir de 1537, data em que as jurisdições do mosteiro são postas em arrematação e a dependência das justiças locais passaria para o desembargo do Paço e o seu corregedor na comarca do Porto. A pequena Vila da Póvoa, que não contaria mais de quinhentos habitantes, sente o ar benéfico que percorre o litoral do país, envolvido no vultoso tráfico das descobertas e conquistas, e assume a feição de burgo na sua Casa do Concelho, Praça Pública e Pelourinho onde os Homens Bons da terra e do mar jamais se aquietarão em projectos destemidos. Um deles consistiu na emancipação religiosa da paróquia de Argivai criando-se a Vigararia de Santa Maria de Varzim com sede na ermida da Mata que foi preciso ampliar e preparar para o efeito. Aí pregou e administrou o crisma, em 1560, o santo Arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires. De resto, o séc. XVI deu à terra aquela estrutura administrativa, social e religiosa que permitiu venceu algumas crises difíceis que o século seguinte lhe reservaria. Refiro-me, em particular, às onerosas questões territoriais com a Câmara de Barcelos. Por outras vicissitudes passou a terra como por exemplo a evasão quase total dos homens válidos: uns emigrados; outros absorvidos na marinhagem e outros na construção naval. Curiosamente nunca deixou de crescer, compensada quer pela fertilidade das suas mulheres como pela contínua entrada de braços.
É na segunda metade do séc. XVII que se detecta a existência de uma pequena comunidade piscatória dedicada à pesca do alto para o negócio da salga que começa a desenvolver-se e a florescer. No século seguinte, a Póvoa de Varzim, vai transformar-se na maior praça de pescado do norte do país. Um autêntico exército de almocreves batia, diariamente, caminhos e veredas fazendo penetrar nas Províncias do interior o saboroso peixe da Póvoa. Os seus pescadores eram conhecidos em toda a costa como os mais laboriosos, expeditos e sabedores dos mares e do destemor com que enfrentavam a sua perigosa barra se criou a figura legendária do "Poveiro". Aumentadas as pescas, o tecido urbano ganha uma dimensão nova e criam-se zonas ribeirinhas de domínio, quase absoluto, da pescaria. O dinheiro entra com abundância no cofre das sisas; o comércio engrossa, a indústria da salga prospera e o bem estar da população reflecte-se no levantamento de três edifícios religiosos: Matriz (1743), Lapa (1771) e Sr.ª das Dores, esta iniciada em 1776 mas só concluída no século seguinte. Funda-se a Santa Casa da Misericórdia (1756) e o Corregedor Almada obtém para a Póvoa um provisão régia (1791) que lança os fundamentos de uma nova urbe: Praça Pública unindo a parte alta, mais antiga, à parte ribeirinha; Casa da Câmara, quadrando o norte da Praça; Aqueduto das águas livres com o seu tanque e chafariz na Praça e uma "Caldeira" no mar para abrigo dos barcos.
Embelezada a vila, e protegido o trabalho, não mais cessa de crescer e muitos a procuram, também, para os benefícios dos "banhos do mar". Mal se vislumbra, ainda, o sucesso deste facto sócio-económico que iria fazer da Póvoa de Varzim, já na 2ª metade do séc. XIX, a grande estância balnear frequentada pela melhor fidalguia do aquém Douro. Nos seus belos salões misturam-se graves figuras da política, das artes e das letras com a burguesia fruste criada pela Regeneração e ourados "brasileiros" de torna-viagem. É a época do café-concerto e da tavolagem secreta que a ligação ferroviária Porto - Póvoa (1875) e a linha americana Vila do Conde - Póvoa (1874) vão animar consideravelmente. A pesca, os banhos de mar e o jogo constituem, agora, as bases do progresso da Póvoa de Varzim; o eixo da sua evolução económica e o centro de todas as paixões políticas. A actividade piscatória ancora-se, hoje, em seguro porto de abrigo; a praia de banhos equipa-se com modernas e atraentes estruturas; o jogo, regulamentado e oficial, encontra-se no seu monumental casino, edifício que, interiormente, é de uma beleza extasiaste e vemos animado de constante e multiforme criação artística. A cidade da Póvoa de Varzim fixou-se como ponto capital da região turística da Costa Verde.
A população da cidade é, hoje, de 60 mil habitantes, multiplicando-se para o dobro na época do verão. São muitos os estrangeiros que a visitam oriundos, sobretudo, da Europa e Brasil.
Pe. Manuel Amorim

 

Lendas e Tradições

http://www.povoadevarzim.com.pt
S. PEDRO DE RATES 
     Conta um lenda que o santo salvou de doença mortal uma jovem princesa pagã. Como retribuição ela converteu-se ao cristianismo e fez voto de castidade. Tais factos enfureceram o pai levando-o a ordenar a morte de S. Pedro. Este refugiou-se na capela de Rates onde foi encontrado e decapitado pelos soldados que seguidamente destruíram o templo.
     Séculos mais tarde, da serra de Rates, S. Félix observava todas as noites uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade desceu a vertente e encontrou no meio dos escombros a razão de ser desse clarão: o corpo de S. Pedro.

FONTES DE S. PEDRO
     Quer em Balazar quer em Rates existem fontes com o nome de S. Pedro e, ambas, segundo a tradição popular, têm efeitos milagrosos.
     Na de Balazar há uma pedra com uma pegada que dizem ser do dito santo. Conta-se que tirada esta pedra a fonte secou e não brotou água senão quando a voltaram a colocar.
Na de Rates existia uma pedra furada que teria efeitos curativos em casos de esterelidade. Daí, talvez, a ideia que anda associada a este santo de que ele é particularmente vingativo com as fêmeas em estado de gravidez. Por essa razão, em algumas localidades as mulheres grávidas e os animais não trabalham no dia de S. Pedro de Rates.

NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS
     Associada à linda imagem de Nossa Senhora das Candeias, venerada na igreja de Terroso, corre a lenda de que a escultura teria dado à costa em Azurara (margem esquerda do Ave) e que, feitas várias tentativas para a sua retirada por grupos de várias localidades, só os de Terroso obtiveram sucesso nessa Missão. Tal facto foi interpretado como reflexo da vontade da Senhora em ser venerada nesta freguesia.

NOSSA SENHORA DA SAÚDE
     Pelo facto de o templo se situar no sopé do monte de S.Félix (ponto de orientação para o pescador no alto Mar), a Nossa Senhora da Saúde é particularmente venerada pela classe piscatória poveira. Foram eles os percursores de uma romaria anual que, actualmente, reúne grande número de pessoas no último domingo de Maio.
     Caída em desuso, praticou-se, durante muito tempo, uma forma muito particular de promessa: o "caso do morto vivo". O possível miraculado deitava-se num caixão e era transportado até ao altar da Virgem.

S. FÉLIX
     A imagem que se venera no Monte de S.Félix (Laúndos), condiz mais com a de um eremita do que com a do mártir que leva esse nome, pelo que o padre Dinis Lopes, autor de uma monografia local, defende que o povo associou esse eremita com o santo da sua devoção.
     Conta a tradição popular que S.Félix (o eremita) vivia na antiga  Vila de Mendo e dedicava-se à pesca. Quando chegava a casa, com as redes vazias, os pais puniam-no severamente. Este, desgostoso, abandonou a sua casa e, na companhia de um sobrinho, retirou-se para a solidão do monte.
     Advogado de males desconhecidos, é tido como um santo vingativo para quem não cumpre o prometido.

SANTO ANDRÉ
     Na Capela em Aver-o-Mar venera-se este santo de que os poveiros são muito devotos, sobretudo a classe piscatória, pois a Santo André é dada a incumbência de pescar das profundezas as almas dos náufragos e entregá-las a Deus.
     A romaria deste padroeiro das almas, a 30 de Novembro, é muito concorrida por gentes de toda parte. Dizem que quem não for a Santo André em vida lá terá de ir depois de morto.
Além disso, o santo tem também dotes de casamenteiro.
 

FONTE DO CRASTO
     Testemunho do imaginário de outros tempos é a lenda associada a esta fonte do Crasto, ou da Moura Encantada, situada em Navais, no lado nascente da estrada nacional nº13. Havia a crença de que uma junta de bois de ouro e grades douradas aí apareciam durante a noite.

 

 

 


Santo Tirso – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Desconhecem-se ao certo as origens de Santo Tirso. Os achados arqueológicos encontrados na área urbana testemunham a passagem de povos Pré e Proto-Históricos e estabelecimentos humanos durante a época romana. Já na Alta Idade Média parece confirmar-se a existência de um mosteiro fundado por Dona Unisco Godiniz e Alboazar Lovazendes no ano de 978.À volta deste importante mosteiro Beneditino foram surgindo, ao longo dos séculos, inúmeros casais e algumas aldeias. A vila de Santo Tirso surgiu em torno do Mosteiro de São Bento; junto ao rio Ave, tomou daí o seu antigo nome de Santo Tirso de Riba de Ave. Sabe-se que no século Xl, já existia no sítio um mosteiro relativamente famoso. As romarias e festas populares tirsenses são uma parte importante do seu quotidiano. A romaria mais famoso foi, talvez desde sempre, a dedicada em Julho, a São Bento, a que o povo chamava o “São Bento das peras”, por oposição a uma outra primitiva celebração do mesmo santo, em Março, e que era designada por “São Bento do cuco”.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Já se chamou Santa Maria Madalena e, na antiga linguagem popular, aparece designada por Santo Tisso ou San-Tisso ou ainda San-Tiso, tal como em Santo Tirso de Ambroa paróquia da província espanhola da Corunha, onde se verifica o mesmo fenómeno linguístico. Tisso é forma resultante da assimilação de Tirso e o étimo é Sanctu-Thyrsu. Parece que D. Manuel l, ao conceder à terra novo foral, em 1513, deu ao concelho a denominação de Refoios de Riba de Ave e ainda hoje há quem lhe chame Santo António de Riba de Ave”.

 

Santo Tirso
http://www.cm-stirso.pt
No mosteiro fundado por D. Unisco Godiniz no ano de 978, na sua Vila de Moreira de Riba d`Ave, está a origem do actual concelho de Santo Tirso.
O couto do mosteiro de Santo Tirso, foi instituído em 1097 pelo conde D. Henrique, o qual o doou a Soeiro Mendes da Maia. No ano seguinte o couto foi novamente doado, desta vez ao mosteiro beneditino, cujo abade era D. Gaudemiro. Ao mosteiro pertenceram as terras do couto até ao séc. XIX, quando por decreto de António José Aguiar se deu a expropriação dos bens das ordens religiosas. Em 11 de Maio de 1834, quarenta e seis dias após a retirada dos monges de S. Bento, toma posse a Comissão Municipal interina do futuro concelho de Santo Tirso, a qual fica sediada num dos edifícios do concelho.
O concelho de Santo Tirso é actualmente composto por vinte e quatro freguesias. Em 1833 surge pela primeira vez referida a área pertencente ao futuro concelho de Santo Tirso, a qual correspondia aos limites do antigo couto. Com a vitória dos liberais a e a restruturação administrativa que se realizou em 1834, Santo Tirso tornou-se concelho.
Actualmente, o concelho de Santo Tirso pertence ao distrito do Porto, região do Douro Litoral. A área administrativa divide-se em 24 freguesias com um território de 141 Km2, abrangendo parcialmente os vales dos rios Ave, Vizela e Leça, com dois grandes centros urbanos, que detém 30,7% da população do concelho – a cidade de Santo Tirso e Vila das Aves.
O concelho de Santo Tirso é um dos mais belos rincões desta região, em que cada lugar é um jardim e uma janela aberta sobre a verdejante paisagem. O perfil montanhoso da região e a sua densa vegetação fazem de qualquer miradouro um local de desfrute de grande beleza paisagística concelho de Santo Tirso é um dos mais belos rincões desta região, em que cada lugar é um jardim e uma janela aberta sobre a verdejante paisagem. O perfil montanhoso da região e a sua densa vegetação fazem de qualquer miradouro um local de desfrute de grande beleza paisagística.
Os vestígios arqueológicos encontrados no concelho permitem concluir que estas terras são habitadas desde a Pré-História. Instrumentos de pedra polida encontrados no Monte da Assunção constituem o testemunho mais antigo da ocupação deste território pelo homem. O castro do Monte Padrão e o de Santa Margarida são magníficos exemplos de povoados fortificados, posteriormente romanizados. Os vestígios arqueológicos encontrados no concelho permitem concluir que estas terras são habitadas desde a Pré-História. Instrumentos de pedra polida encontrados no Monte da Assunção constituem o testemunho mais antigo da ocupação deste território pelo homem. O castro do Monte Padrão e o de Santa Margarida são magníficos exemplos de povoados fortificados, posteriormente romanizados.
O Mosteiro Beneditino, sito na cidade de Santo Tirso, foi fundado no século X. Berço do burgo Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o O Mosteiro Beneditino, sito na cidade de Santo Tirso, foi fundado no século X. Berço do burgo Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o O Mosteiro Beneditino, sito na cidade de Santo Tirso, foi fundado no século X. Berço do burgo Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o O Mosteiro Beneditino, sito na cidade de Santo Tirso, foi fundado no século X. Berço do burgo Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o O Mosteiro Beneditino, sito na cidade de Santo Tirso, foi fundado no século X. Berço do burgo Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o Tirsense, dinamizou o desenvolvimento de Santo Tirso, até ao seu encerramento em 1834. Na sua arquitectura é digno de realce o projecto de reedificação, da autoria de Frei João Torreano. Actualmente este edifício, classificado em 1910 como Monumento Nacional, reúne três instituições: A Escola Agrícola, a Igreja Paroquial e o Museu Municipal.
Na freguesia de Roriz localiza-se a Igreja de S. Pedro, exemplar do românico monacal. Construída nos primeiros tempos da nacionalidade, é o que resta do antigo Mosteiro de Roriz. Entre os vários imóveis de interesse público concelhio, salientamos a Capela de Santa Maria de Negrelos, com um fresco do séc. XV; o Mosteiro de Vilarinho, construção do século XI; a Igreja de S. Tomé de Negrelos, cuja abóbada do S. Sacramento se encontra graciosamente trabalhada.
A gastronomia da região brinda-nos com alguns dos mais característicos pratos do panteão gastronómico do Douro Litoral e Minho, como o bacalhau, o cabrito assado, os rojões e o cozido à portuguesa. Na doçaria são nacionalmente conhecidos os famosos jesuítas e os limonetes, cuja receita nasceu no concelho. A tradição conventual oferece-nos as bolachas do Mosteiro de Santa Escolástica (Roriz).
A produção vinícola local, também faz jus à tradição. O vinho verde é rei nesta região, alcançando algumas das quintas produtoras, vários prémios e distinções. No Mosteiro de Singeverga é produzido o conhecido licor dos beneditinos, o licor de Singeverga.
O termalismo encontra lugar em Santo Tirso. As Termas das Caldas da Saúde, proporcionam, a quem as demanda, conforto e qualidade, sendo indicadas para o tratamento de doenças de pele, reumatismo e problemas do aparelho respiratório.
No artesanato local destacam-se os brinquedos de madeira, as mantas e tapetes executados em teares manuais, bem como os trabalhos realizados em ferro forjado e em granito.
Na sede do concelho, a cidade de Santo Tirso, merecem visita os seguintes lugares: Parque D. Maria II, jardins da Praça do Município, a capelinha da Sr.ª da Piedade e ainda o Museu Internacional de Escultura Contemporânea ao Ar Livre.

 

Santo Tirso
http://www.cm-stirso.pt
Presidente da Junta de Freguesia: Sr. José Eduardo Correia da Graça Martins
A freguesia de Santo Tirso é sede de concelho. A cidade fica situada na margem esquerda do rio Ave. A história deste burgo interliga-se à do Mosteiro Beneditino, fundado em 978, nas margens do rio Ave, onde actualmente fica a Igreja Matriz.
O conde D. Henrique e sua esposa D. Teresa constituíram o extenso território de Santo Tirso, ao qual foram acrescentadas novas terras e que foi doado a Soeiro Mendes da Maia. Este por sua vez doou-o em 1097 ao Mosteiro Beneditino, tornado-se o couto de Santo Tirso.
Com o advento do liberalismo deu-se a expulsão das ordens religiosas, em 1834 o couto deixa de existir dando lugar a uma nova realidade administrativa, o concelho. A influência do Mosteiro declina progressivamente durante o século XIX, crescendo o concelho em freguesias e população. A "Rua", como era denominado o núcleo urbano de Santo Tirso, estende-se desde o parque sobranceiro ao mosteiro. No ano de 1868, Santo Tirso é elevado a vila, vai crescendo com as remessas dos "brasileiros" emigrados e a embrionária industrialização. Criam-se estruturas públicas, surge um corpo de bombeiros, o hospital e outras obras de carácter social por intermédio da Misericórdia local; e ainda uma escola primária, por iniciativa do mais conhecido e amado "brasileiro" local, o conde de S. Bento. Com a instauração de uma feira semanal e a aposta no desenvolvimento industrial, nomeadamente através da indústria têxtil, assiste-se ao crescimento do burgo. O advento do comboio viria a consolidar este crescimento do final do século XIX.
No coração de uma região com fortes tradições na indústria têxtil a cidade de Santo Tirso foi palco da criação de inúmeras empresas industrias, nomeadamente têxteis. Algumas das primeiras empresas a laborar no concelho, foram criadas nesta freguesia, como a antiga Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso e a actual Arcotêxteis - Empresa Industrial de Santo Tirso.
Com o crescimento da cidade surgiram novos serviços, a cidade renovou-se. Sugerimos-lhe um passeio pela cidade. Comece por visitar a Igreja Matriz, que pertencia ao antigo mosteiro beneditino, magnifico exemplo da arquitectura religiosa, e génese do burgo tirsense. Ao caminhar para o centro da cidade, não deixe de visitar o Museu Municipal Abade Pedrosa, o qual possui uma magnifica colecção de arqueologia, que conta a história da ocupação e evolução do homem neste território. Ao caminhar para o centro, detenha-se o visitante no Parque D. Maria II, onde pode apreciar uma bela vista sobre o antigo mosteiro e sobre o rio Ave, descansando da primeira parte da sua visita. Ao percorrer o centro da cidade pode deparar-se com um conjunto de fachadas oitocentista do Largo Coronel Baptista, observar as tão características casas dos "brasileios" e ainda descobrir os prazeres que a arte ao ar livre tem para nos oferecer no Museu Internacional de Escultura Contemporânea.

 

Rio Leça
http://www.cm-stirso.pt
 Qual é o impacto que um rio pode ainda ter nas nossas vidas? Qual a sua importância económica, social e ambiental? Estas questões colocam-se quando olhamos para o meio onde vivemos e reparamos que para além do que nos é familiar, realizado e organizado pelo homem, subsiste sempre a natureza, a outra parte da “terra”, enquanto espaço comum ao Homem e a todas as outras coisas que a habitam, sejam animais, flores, ou simplesmente uma linha de água, um rio.
O Rio Leça, cuja nascente se situa na serra de Monte Córdova, perto da aldeia de Santa Luzia, é o ponto de partida para a viagem que vamos iniciar. Pretende-se descer o rio, conhecê-lo nos seus meandros e áreas abertas até que, veloz, correrá para o mar, já distante do Concelho de Santo Tirso, noutras paragens, noutras margens.
Pretendemos levá-los nestas viagem. Para a fazerem só terão que saber o que procuram no rio: a fauna, a flora que abunda nas suas margens; a forma como o Homem o utilizou e viveu junto ao rio ao longo do tempo; ou a forma como hoje em dia as comunidades vivem junto ao Rio Leça, no Concelho de Santo Tirso. Que a aventura comece.

O rio enquanto corre é água e vida, mas o tempo que por ele passa, transforma-o. O Homem transforma-o, recorrendo às suas águas para colher alimento, para se dessedentar. Com os tempos ergue estruturas para aproveitar a força das suas águas, o vigor constante que faz funcionar os engenhos que constrói nas suas margens.
Mas é também esta oportunidade de vida, que desde os primeiros tempos de ocupação humana nas margens do rio Leça, permitiram ao homem subsistir e prosperar. Os vestígios da ocupação são inúmeros, a memória que subsiste permite-nos recordar as mamoas de Redundo, monumentos funerários megalíticos, localizados junto à nascente do rio. Vestígio da civilização megalítica, recordam-nos que este território é ocupado desde o terceiro milénio antes de Cristo.
Outros vestígios concorrem para tecer a memória da região. A ocupação castreja, que remonta à Idade do Bronze, permanece no castro do Monte Padrão até à Idade Média. Sinal de vitalidade do comércio e da coesão social da comunidade local. A administração monástica das terras do Monte Córdova, repartidos entre os beneditinos de Santo Tirso e os beneditinos de Celanova, dá-nos a conhecer como este território foi organizado após a formação de Portugal.
Durante os tempos mais recentes vários solares se ergueram nas terras próximas do Leça, nos vales por onde este corre, as quais foram pertença do rei, dos nobres e do clero local.

 

 

 

 

 


Trofa – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Trofa
http://www.mun-trofa.pt
Apesar de ser um concelho recente e de nunca ter usufruído de autonomia administrativa até 19 de Novembro de 1998, o percurso histórico da Trofa é longo e anterior à própria constituição da Nacionalidade.
Crê-se que uma das primeiras citações conhecidas está integrada num documento de escritura do mosteiro de Moreira (Maia) datado do ano de 979). Este documento refere Alvarelhos (alvarelios), S. Cristóvão do Muro (sanctum christoforum) e Cedões (zadones - localizado na freguesia de Santiago de Bougado).
Contudo, o povoamento de todo este território actualmente conhecido como concelho da Trofa remonta a milhares de anos atrás. Prova disso são os trinta e quatro machados de bronze encontrados em S. Martinho de Bougado, no lugar de Abelheira, que hoje se encontram na Sociedade Martins Sarmento em Guimarães, a mamoa encontrada próximo da Estação da Trofa, destruída entretanto, as inscrições rupestres na aldeia da Maganha ou o emblemático castro de Alvarelhos (classificado como "Monumento Nacional" desde 1910), um povoado fortificado que veio a adquirir grande importância quando, depois de conquistada a Península Ibérica, a administração romana decidiu construir aquele que se manteve até hoje como um dos eixos estruturantes do território da Trofa - a estrada que liga o Porto a Braga (Cale a Bracara Augusta).
Localizada num vasto território, vinculado ao grupo étnico dos madequisenses, que se estendia do Oceano Atlântico à Serra da Agrela e do Rio Leça ao rio Ave, esta ampla terra, fértil em recursos naturais, foi sendo, ao longo de mais de 160 anos, administrativamente dividida entre os concelhos da Maia, de Vila do Conde, de Santo Tirso e finalmente da Trofa.
Em meados do séc. XIII, nas Inquirições de D. Afonso III, este território é referido como Terra da Maia, julgado, e assim se mantém até 1384, ano em que é integrado no termo do Porto. Em 1527, D. Manuel atribui foral à Terra e Concelho da Maia, confirmando assim velhos privilégios de uma terra que se vai manter eminentemente rural até ao advento do liberalismo. No séc. XVIII, nas "memórias paroquiais", as oito freguesias da Trofa mantêm-se no centro deste território, mas as suas referências estão limitadas aos rios Ave e Leça, às serras de Covelas e Cidai e, ainda e sempre, à estrada Porto/Braga que atravessa o Ave no lugar do Vau (Santiago de Bougado) ou na Ponte da Lagoncinha (Lousado, Famalicão).
Em 1809, as tropas comandadas pelo General Soult, entram pela fronteira de Chaves e dirigem-se a Braga. Aqui, na Trofa, organizam o ataque à cidade do Porto, dividindo-se em três colunas. A do meio, "aproveitando a velha via romana que ligava as cidades de Braga e Porto, iria atravessar o Ave no lugar do Vau e na Barca da Trofa1" , mas encontrou forte resistência das gentes locais, como refere o próprio Soult nas suas memórias: "A minha coluna do centro viu-se detida na Barca da Trofa pelo inimigo. Teve de subir o rio para forçar a ponte da Goncinha que estava barricada e defendida por fortes entrincheiramentos."
Deste episódio restam marcas comemorativas no lugar da Barca, no Souto de Bairros e em Lantemil, sendo estes dois últimos os locais de acampamento do exército invasor.
Também o séc. XIX e o liberalismo deixaram marcas profundas neste antigo território.
Com a reforma administrativa, a comarca do Porto passa a ter vinte e dois concelhos, sendo elevados a esta categoria muitas honras e coutos que nunca tinham tido Carta de Foral. É assim que a par de antigos concelhos como o da Maia e de Refoios de Riba d'Ave, surge o de Santo Tirso, antigo couto. Em 21 de Março de 1835, D. Maria II cria o julgado de Santo Tirso, composto pelos concelhos de Negrelos, Rebordões, Refoios, Roriz, Santo Tirso e ainda por treze freguesias desanexadas ao concelho da Maia, entre as quais as oito que actualmente constituem o concelho da Trofa2.
Mas com o séc. XIX, chegou também o progresso e a inovação tecnológica e industrial.
A reforma da estrada nacional Porto/Braga, a construção das vias férreas Trofa/Fafe e Porto/Braga na segunda metade do séc. XIX, com as consequentes construções de duas obras de arte (a ponte pênsil para o trânsito rodoviário e a ponte sobre o Ave para o ferroviário), e mais tarde a estrada Santo Tirso/Vila do Conde, esquartejaram a freguesia rural de S. Martinho de Bougado, mas constituíram factor predominante na industrialização do Vale do Ave, deixando uma marca estruturante neste território e, posteriormente, na cidade e no concelho da Trofa.
Já em pleno séc. XX, resultado do processo de industrialização que avassalou toda esta bacia, caracterizada por uma forte implantação de indústrias têxteis, da própria agricultura intensiva e da densidade demográfica, este território modifica-se.
A qualidade da água do rio Ave e seus afluentes foi sofrendo uma depreciação significativa, bem como os ecossistemas aquáticos, ribeirinhos e terrestres associados. As actividades económicas e recreativas que se desenvolviam ao longo das suas margens foram-se degradando e desvalorizando. É assim que desaparecem as azenhas, os engenhos de linho, as serras hidráulicas e os pisões; as explorações agrícolas e a mancha florestal contígua e, obviamente, as praias fluviais do Bicho, de Bairros e da Barca. A população, consternada com o processo de degradação do rio Ave, foi virando as costas ao rio, privando-se e privando-o de toda uma vivência que, inconscientemente, contribuiu para a aceleração deste processo.
Actualmente, o concelho da Trofa possui órgãos municipais próprios com autonomia administrativa e financeira, atribuições e competências. E, não obstante as carências financeiras, humanas e técnicas com que se depara actualmente o Poder Local (que, não raro, dificultam o cumprimento das atribuições das autarquias na sua plenitude), a Trofa é, no presente, um município solidário que trabalha pela modernização, reestruturação e requalificação urbanística, pela defesa do património natural e histórico-cultural e pela preservação da sua identidade.
ALGUMAS DATAS MAIS SIGNIFICATIVAS
* 1836, 6 de Novembro.
Integração das oito freguesias que pertenciam ao concelho da Maia no novo concelho de Santo Tirso: São Martinho de Bougado, São Tiago de Bougado, Covelas, Muro, Alvarelhos, Guidões, São Romão do Coronado e São Mamede do Coronado;
* 1974, 25 de Abril.
Recomeço da luta pela criação do concelho da Trofa;
* 1984, 16 de Maio.
Criação da Vila da Trofa;
* 1990, 14 de Dezembro.
Criação da Comissão Promotora do Concelho da Trofa (integrando 13 elementos);
* 1992, 15 de Julho.
Entrega do processo de constituição do concelho na Assembleia da República;
* 1993, 2 de Julho.
Elevação da Trofa a cidade;
* 1998, Fevereiro.
Entrada na Assembleia da República de três Projectos de Lei com vista à criação do novo Município,
* 1998, 19 de Novembro.
Aprovação da criação do concelho da Trofa na Assembleia da República apoiada por cerca de dez mil trofenses que aí se deslocaram.
* 1999, 22 de Janeiro.
Tomada de posse da «Comissão Instaladora do Município da Trofa» no Governo Civil do Porto;
* 2001, 16 de Dezembro.
Eleição dos Primeiros Órgãos Municipais do Concelho da Trofa.
* 2002, 7 de Janeiro.
Tomada de posse dos primeiros órgãos autárquicos eleitos.

1 CRUZ, António - Casas de Lavoura do Reguengo de Bougado. «Santo Tirso, Boletim Cultural». Santo Tirso. Vol. I, n.º 1, 2.ª série (1977)
2 PACHECO, Mário Carneiro - Administração Municipal de Santo Tirso IV. «Santo Tirso, Boletim Cultural». Santo Tirso. Vol. III, n.º 2 (1954)

 

 

 


Valongo – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

De origens obscuras, é citada nas Inquisições de 1258. No século XVl Valongo era conhecida como Valongo da Estrada, por ser ponto de passagem de viandantes e Almocreves. Crê-se ter sido fundada no período da ocupação romana, que ali fomentou um surto de desenvolvimento associado à produção mineira. O seu mais antigo nome conhecido é o de Susaca (mulher lendária que teria habitado a actual aldeia de Suzão). Em 1518, uma inquisição de D. Manuel l, anterior ao foral, indica Valongo na Terra da Maia, repartindo-a por dois lugares: Valongo da Estrada (no lugar de Suzão, por onde passava a estrada para Trás-os-Montes) e Valongo Jusão, a sul, onde hoje está a vila. Até 1836, administrativamente, estas continuaram terras e concelho da Maia e só nessa época adquiriram autonomia.

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Este nome quer dizer “vale comprido” e resultou da expressão, vale longo, da qual deve ser forma haplológica.

Perante o extenso vale que a seus pés se desenrolava, onde a vista se estendia sem barreiras, exclamaram: Que Vale Longo ! Felizes por terem encontrado sítio tão seguro, desceram e vieram estabelecer-se no vale, no lugar hoje denominado Susão, de Susana, nome da filha do referido negociante. Segundo a lenda teria sido esta a origem de Valongo.  …

Quem repete o conto também alega que o topónimo Valongo, de Vallis Longus, a par de outros “abundantes vestígios” (lucernas, pedaços de telhas, minas, etc.,) prova que aqui se exerceu a civilização romana. Ora não é possível que Valongo, na verdade, o mesmo que Vale Longo, absolutamente concorde com a topografia, venha directamente da época romana (e sequer daquelas formas) porque devia esperar-se Vale Longa (pois que valle – era nome feminino); e se é certo que as mais antigas notícias já trazem Valongo, isto é, a forma masculina, razão está em que o termo “vale” teve durante séculos os dois géneros, como abundamente o sugere a toponímia, mas, para toponímia da época romana, só o feminino”.

 

Valongo
http://www.cmvalongo.net/site
Situado na área do Douro Litoral, o Concelho de Valongo localiza-se a Nordeste da cidade do Porto, integrando a sua Área Metropolitana. Neste Município, constituído por 5 freguesias, é notória a dicotomia Campo/Cidade, sendo possível, numa curta distância, deixar um cenário tipicamente urbano e recuar ao mais genuíno mundo rural.
A criação do Concelho de Valongo remonta ao ano de 1836 e ocorre no contexto da reforma administrativa do País, durante o reinado da D. Maria II. Contudo, a sua ocupação é anterior à romanização. A pluralidade de espaços repartidos entre o vale e a serra, a abundância de água e a riqueza do seu subsolo, terão facilitado a fixação de povos desde épocas remotas. A presença romana nesta área, associada à exploração mineira, foi bastante significativa, tendo, o próprio topónimo que a designa, origem nas palavras latinas Vallis Longus (Vale Longo). Possuidora das maiores pedreiras de ardósia do País, a sua expansão ficou a dever-se sobretudo à indústria panificadora, pão e biscoitos, que abastecia a cidade do Porto.
Uma visita ao Concelho de Valongo deixa facilmente perceber a riqueza da sua história, a alegria das suas gentes e a importância de uma cultura feita de contrastes.
Para preservar a diversidade cultural de Valongo, a autarquia criou pólos culturais nas diversas freguesias do concelho.
A dois passos do Porto, Valongo é, hoje, um concelho desenvolvido e equilibrado onde o crescimento económico convive com a preservação do património cultural e natural.

 

Valongo
http://www.esec-valongo.rcts.pt
Lenda dos Tesouros - O Padre Joaquim Alves Lopes Reis conta assim a lenda das riquezas supostamente deixadas pelos mouros nos fojos de Santa Justa:
"Ainda a estes tempos de historia dubia remontam outros factos que nos conta a lenda e conserva a tradição. Queremos referir-nos à crença antiga que xistia aqui de que os mouros tinham deixado nos fojos da Santa Justa thesouros escondidos e grande quantidade de ouro e prata, crença que augmentou muitissimo com o apparecimento de um celebre roteiro, escripto em letra redonda, que, comendo varios pacovios, dizia estarem em certos e determinados logarescousas riquissimas que nunca ninguem viu, nem chegará a ver.
Arrastados pelo que dizia esse livro, que se acreditava como se fosse uma Escriptura, vinham a esse monte muitos illudidos que a todos os dias e a todas as horas entravam pelas cavernas e furnas, seguindo as indicações que tinham e sabiam, e entre eles um tal Enxota diabos dos lados de Avintes, que com essas artes magicas e encantamentos poude tratar com o Espirito guardador d’estes thesouros a facil maneira de os possuir.
Combinou o negocio não sei se com escriptura e papel sellado (quem seria o juiz n’esse tempo?) e no dia aprazado appareceu com grande numero de carros que queria carregar de ouro. Era pelas onze horas da manhâ de um dia nebuloso e triste e o Enxota havia-se adiantado da comitiva para pedir o cumprimento do tratado que havia feito. Mas, quando despreoccupados e alegres todos esperavam para breve a ordem de enriquecer, levantou-se no monte tamanho furacão que carros, bois e povo, tudo, voando pelos ares, foi parar a grandes distancias, recebendo tal lição que nunca mais pensaram em ser ricos por esta forma.
Com um outro individuo de Vallongo chamado o ‘Avô-Tó’ aconteceu tambem que, tendo um dia de noute tratar com um certo espirito, que era evocado altas horas, a consecução de grande quantidade de ouro, appareceu lá n’outra occasião combinada e recebeu, contava elle, dous saccos cheios de reluzentes moedas de ouro com que carregou um jumento e veio para casa com a condição de em todo o caminho não pronunciar palavra. Mas o homem não foi fiel á promessa. No termo quasi da sua empreza, vendo que o animal ia a tropeçar bastante, não pôde deixar de soltar um terrivel chó! que foi causa de que ao abrir os saccos não encontrasse, senão terra negra e fria."

 

 

 

 

 


Vila do Conde – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

Vila bastante antiga, existia já com o actual topónimo nos meados do século X. Em 1209 foi doada por D. Sancho l à famosa Ribeirinha (Maria Pais Ribeiro (*). D. Manuel l outorgou-lhe foral em 1511.

 

“(*) Guarda é uma das poucas terras portuguesas que nasceu cidade. Foi em 1199, quando D. Sancho I, o segundo rei de Portugal, mandou que essa terra fosse o centro religioso da zona (substituindo a diocese de Idanha-a-Velha). Mas D. Sancho I tinha outros interesses na cidade. Diz-se que ficou enfeitiçado por Maria Pais Ribeiro, uma guardense (ou egitaniense, ou egitaniana, ou ainda egitanense) conhecida como Ribeirinha. Hoje, na cidade, estão à venda miniaturas da Ribeirinha. Por causa dela, D. Sancho I, que além de rei era poeta, pôs na boca da rainha esta expressão duma cantiga de amigo “Ay muito me tarda o meu amigo na Guarda”.

D. Sancho I não foi o único monarca a deixar-se encantar por mulheres da Guarda. D. João I, o primeiro rei da dinastia de Avis, apaixonou-se por Inês Fernandes, filha de um sapateiro judeu. Da ligação com esta judia nasceria Afonso, o primeiro duque de Bragança (1422). Passados 200 anos, em 1640, seria um descendente desta ligação ilegítima que recuperaria a independência de Portugal em relação a Espanha: D. João IV. Alguns edifícios testemunham estes amores: a Casa de D. Sancho e os n.º 9 a 13 do Largo de São Vicente (em relação a D. João I).”

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Começamos por fazer notar que a forma exacta deste topónimo parece ser Vila de Conde, não obstante empregar-se bastantes vezes Vila do Conde, quer na linguagem falada, quer na escrita. Seguimos assim a opinião de Alberto Sampaio, Agostinho Azevedo e outros autores.

Leite de Vasconcelos (Lições de Filologia Portuguesa, 1911, pág.345) escreveu: “Ouvi Vila de Conde lá mesmo e assim li em um manuscrito do século XVlll, existente na Póvoa de Varzim”.

Quem era, porém, o Conde incorporado neste topónimo ? Não é fácil responder com precisão a esta pergunta, pois nada se conhece que esclareça definitivamente este problema. Autores houve que, atribuindo ao Conde D. Mendo Pais Bofino a fundação, afirmaram que dele lhe veio o nome, e acrescentou que o respectivo território lhe fora doado pelo pai de D. Afonso Henriques (Conde D. Henrique).

Atendendo, todavia, a vários cronistas, estabelece-se um dilema, que exclui a admissão de tal hipótese: para uns D. Mendo não passa de personagem lendário; para outros, aceite a sua existência, ele só pode ter vivido nos fins do século Xl ou no seguinte e, assim, não pode ter dado o nome a Vila de Conde, que já existia no século X.

Efectivamente, o documento mais antigo, que se conhece e que se refere a esta povoação, é o número 67 do 4º volume (Diplomata et Chartae) dos Portugaliae Monumenta Histórica, dos meados do mesmo século décimo. É um simples título de venda de Flammula (ou Chamoa) Pais ao abade Gonta, frades e freias do cenóbio de Guimarães, no ano de 953, de Villa de Comite.

No século imediato (Livro de Mumadona, ano de 1059, e muitos outros documentos) aparece a mesma expressão na forma Villa de Comitis e, mais tarde, simplesmente Villacomitis, como se vê, por exemplo, neste passo do testamento de D. Sancho l: Istae sunt haereditates quas ego dedi Donnae Mariae Pelagii & filiis méis quos de illa habae: Vila Comitis & Parada & Pousadela & Pirarium (são estas herdades que eu dei a Dona Maria Pais e a meus filhos que dela tenho: Vila do Conde, Parada, Pousadela e Pereiro).

Provado, pois, que o povoado e o nome de Vila do Conde são anteriores à fundação da nacionalidade portuguesa, remontando, pelo menos, aos meados do século X, subsiste a dúvida sobre a origem histórica do mesmo nome.

Agostinho Azevedo refere-se ao caso desta forma:

“Nessa época, que condes haveria ?

Di-lo Gama Barros na sua História de Administração Pública. Esses “comes”, inferiores aos “dux”, eram governadores militares, com poderes judiciais, em certas localidades.

Esclarece o erudito autor que, desde o século Xll, nenhum funcionário em Portugal se designou com a denominação de conde, devendo, portanto, os casos de D. Mendo e D. Gonçalo (Sousães) considerar-se os primeiros em que se dava o título separado do exercício de um cargo público. E todos que lerem a história antiga de Portugal-nascente , sabem que foi devido às dissenções entre os Condes de Entre Douro e Minho que Almanzor conseguiu fácil e quase facilitada passagem aos seus exércitos na sua incursão de 997, que partindo do Porto, se dirigiram a São Tiago de Compostela.

Sabe-se que até certo conde lhe preparou a entrega do Castelo da Maia (Águas – Santas) por desavença com outro conde.

Nestas condições, os condes de outros tempos eram simples governadores militares com amplas funções.

E Vila do Conde deve ter conservado tal nome pela regalia de ter Conde próprio, apesar do seu bem reduzido território, como se vê pelos limites estabelecidos em 953, não abrangendo sequer Formariz e, portanto, com uma área inferior, à actual paróquia de Vila de Conde.

É, porém, possível que esse governador tivesse jurisdição sobre qualquer das vilas próximas”.

Embora apresentada com dúvidas, parece-nos aceitável a conclusão de Agostinho Azevedo e, sendo assim, Vila de Conde conservou este nome “pela regalia de ter tido Conde próprio”, e não porque tivesse sido doada a certo e determinado Conde”.

 

Vila do Conde
http://www.viladoconde.org
Cidade . Sede de concelho pertencente ao distrito do Porto (Norte de Portugal). O concelho é constituído por 30 freguesias. Está situada na sub-região agrícola denominada Douro Litoral. Possui indústrias de fiação e tecelagem, serração, cordoaria, construção naval, conservas, adubos, óleo de peixe, curtumes, doçaria, e as características rendas de bilros.
 São monumentos nacionais : a cividade de Bagunte (ruínas pré-históricas), a igreja de Rio Mau (séc. XII) também a de  Vairão (medieval, adulterada no séc. XVIII) e Azurara  (séc. XVI),e na Vila a igreja matriz (sécs. XV - XVI). Também são monumentos nacionais a igreja e mosteiro de St. Clara (sécs. XIV - XVII), o pelourinho (séc. XVI) e o aqueduto (séc. XVIII).
 Vila do Conde está situada na margem direita do Rio Ave, junto á foz, a 3 Km da Póvoa do Varzim e a 25 Km do Porto.
 Existem já referências de uma comunidade existente neste sítio (Vila do Conde - cidade) em 953 com  o nome de <<vila de Comite>> (ignora-se quem era esse conde).
 Em documentos de 1059, 1078, 1080 e 1011 também se fala desta povoação, mas apelidando-a de "S. João de Foz".
 Em 1078 fala-se das suas salinas, devendo tb ser já muito activa a faina da pesca.
 Em 1209, D. Sancho I doou  Vila do Conde a título hereditário à sua famosa amante D. Maria Pais Ribeiro (a Ribeirinha), o que confirmou D. Afonso II em 1217.
 A tetraneta da Ribeirinha D. Teresa Martins (filha de D. Afonso de Albuquerque, 1º Conde de Barcelos) e seu marido, D. Afonso Sanches (bastardo de D. Dinis), fundaram por carta de 7 de Maio de 1318 o convento de St. Clara, dotando-o de grande número de casas, terras, foros e padroados.
 Ainda no séc XVI o convento recebia a dízima das mercadorias que entravam pelo Rio Ave, sabendo-se que até esta data (séc XVI) navios de grande arqueação podiam ancorar nos portos de Vila do Conde e Azurara.
 D. Manuel concedeu-lhe foral novo a 10 de Setembro de 1516 e contribui para a edificação da nova igreja matriz.
 A ponte sobre o rio Ave começada a construir a 15 de Agosto de 1793, veio a ser destruída por uma cheia em 11 de Janeiro de 1821; reconstruída nesse mesmo ano, seria destruída em 1893 e reedificada novamente nesse mesmo ano.
 O castelo foi mandado construir pelo 7 º Duque de Bragança e erguido de 1602 a 1614, tendo sido consertado em 1642 por ordem de D. João IV.
 A estação Aquícola do Ave data de 1886.
 O estaleiro naval estalou-se na foz do Ave logo após a I Guerra Mundial.

 

 

 

 


Vila Nova de Gaia – (Concelho do Distrito do Porto)

 

 

 

 

 

No lugar actualmente designado Candal, supõem alguns autores que terá existido uma povoação fortificada, Gaya Vetera (Gaia Velha), por outros designada Cale ou Cala, em frente da qual se ergueria o povoado de Portus. Devido aos litígios, prolongados e violentos, entre os primeiros reis e os bispos do Porto, decidiram os monarcas fundar uma povoação  a que chamaram Vila Nova de Gaia.

Origem do nome:

«Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Topónimo importantíssimo e que nas suas duas partes encerra a história antiga da actual vila e suas imediações, só por ela podendo explicar-se:

Vila Nova refere-se a uma época já nacional (não tendo Vila aqui já o significado territorial-agrário, de “vila”, mas o de povoação municipalizada, o bastante para se concluir que a designação Vila Nova não podia ser aqui anterior ao século Xlll), e Gaia é um velho topónimo cuja origem linguística (e, por conseguinte, significado) ainda não está determinado, mas que talvez seja pré-romano, sem que se possa, por isso, apresentar-lhe o absurdo étimo Cale, como ainda se faz, com perfeita ignorância das leis fonológicas, que são o seu mais rotundo desmentido, felizmente (com razão dos eruditos incrédulos) reforçado por alusões documentais que ainda se conservam (do século lX para o X).

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Gaia é variente de gaio, nome dum conhecido pássaro; noutros casos, Gaia deve estar pelo germânico Gadila, onde a raiz Gad – representa o gótico gada, marido, companheiro.

Não virá fora de propósito aqui deixar o que li no Diário de Notícias, de 1932, da secção – No Meu Caderno – Uma lenda portuense – Origem das palavras Gaia e Miragaia – por Maria Cebelo:

“Bernarda Ferreira de Lacerda, uma erudita e notável poetisa portuense do século XVlll, no seu livro “Espanha Liberdade”, referente a esta lenda no Canto Vl, e o genial Garrett intitulou Miragaia, um seu poemeto, inspirado na mesma lenda, que é uma recordação do tempo dos mouros.

Naquela época, em que reinava na Galiza um certo rei chamado Ramiro, casado com uma linda e nobre dama que tinha por nome Gaia, outro rei havia, forte, corajoso e pelejador – Alboazar ou Almançor. Nessa época tão fértil em disputas e ambições, travou-se uma batalha entre ambos e Ramiro aprisionou a irmã de Almaçor, pela qual demasiadamente veio depois a interessar-se, o que aborreceu Gaia.

Então esta, por vingança, mandou dizer a Almançor que a fizesse raptar, que iria aonde ele fosse. Assim aconteceu, levando-a Almançor para os seus paços nas margens do rio Douro.

Mas Ramiro, afrontado, foi em perseguição dos dois com três galeras, que depois de esperarem em São João da Foz que anoitecesse, subiram o rio, cobertas de ramos de árvores, para passarem despercebidas.

Ramiro, tendo aproado na altura no alcaçar de Almançor, vestiu-se de romeiro e partiu pata terra, recomendando aos seus homens que assim que ouvissem soar a sua buzina fossem, em seu auxílio.

Chegando a terra, o acaso encaminhou-o para uma fonte, para onde se dirigia uma moura a buscar água. O rei, falando-lhe em árabe, pediu-lhe o púcaro para beber e, travando conversa, soube que ela vinha buscar água para a sua ama Gaia.

E Ramiro deixou então cair na água o seu anel, o qual foi encontrado por Gaia, quando levou o púcaro a seus lábios.

E porque Almaçor estivesse ausente, caçando, Gaia mandou chamar Ramiro.

Em frente um do outro os dois esposos se abraçaram, mas Gaia com falsidade disse ao marido que o ia fechar num quarto até Almançor chegasse e estivesse a dormir a sesta, e então os dois o matariam.

Mas logo que da caça chegou Almançor e estava à mesa, ela contou-lhe que o marido viera para a matar, e que o tinha encarcerado. Todo enfurecido, o mouro mandou trazer Ramiro à sua presença, e depois de terem altercado, perguntou-lhe:

- Se eu fosse a tua casa para te matar, o que me farias ?

Ramiro respondeu:

- Mandava-te levar a um alto e obrigava-te a tanger esta buzina até rebentares.

- Por isso te acontecerá – retorquiu Almançor.

Ramiro seguindo a sua táctica, quando ao alto chegou, com força fez soar a buzina, e os seus homens, prevenidos como estavam, em breve chegaram a terra, degolaram Almançor, saquearam e incendiaram o palácio.

Gaia passou a ser presa do próprio marido, que a levou para a galera real, e ao seu lado se foi rio abaixo, depressa, que na outra margem era terra de cristãos.

Mas ia triste a pobre Gaia, olhando as águas, enquanto o alcaçar de Almançor fumegava, ardendo sem parança, e, quando os seus olhos se levantaram mirando o trágico espectáculo, dois fios de lágrimas deles tombaram.

O marido perguntou-lhe então para onde estava olhando e porque chorava.

Ela, revoltada, num ímpeto de colara, redarguiu que olhava as torres fumegantes do alcaçar e chorava de saudade por já não ter nos braços Almançor.

O marido redarguiu:

 

Pois mira Gaia, que esses olhos

Não terão mais que mirar.

 

Assim dizendo, puxou do alfange e decepou a linda cabeça, e com o pé atirou-a ao rio Douro.

Miragaia: É no Porto, um curioso e bizarro bairro para os lados da Alfândega, com as suas casas pequeninas, com minúsculas trapeiras floridas – casas pintadas de variegadas cores, que constituem quadros interessantíssimos, e que está infelizmente, ameaçado de demolição, segundo ouvi dizer, e o que é para lastimar.

Gaia: É a encantadora vila na margem esquerda do rio Douro, por todos conhecida como a adega dos preciosos vinhos do Porto, e que hoje sobremaneira tem progredido, oferecendo aos visitantes um ar civilizado de moderna cidade, com belos edifícios, alinhados à beira de amplas avenidas”.

 

Vila Nova de Gaia
http://www.vngaia.online.pt

A Cidade de Vila Nova de Gaia, situa-se na margem esquerda do rio Douro, diante da cidade do Porto, e está ligada a esta por cinco pontes: as pontes de D. Luiz I, da Arrábida, do Freixo, de D. Maria II e de S. João, sendo estas duas últimas ferroviárias. Uma nova ponte está actualmente a ser construída, mesmo ao lado da centenária D.Luiz I, a ponte do Infante.
Estas duas cidades, voltadas uma para a outra, complementam-se, dada as suas fortes ligações culturais.
Desde sempre que Gaia se caracterizou por ser a antecâmara do litoral-norte do país, para quem vem do sul por via terrestre. Por isso, o concelho é atravessado por um importante conjunto de estradas e ferrovias.
Na Idade Média, Gaia serviu de porto de ligação entre o Norte e o Sul do País, situando-se no seu sopé o Portus Cale, que veio a dar origem, segundo vários historiadores, ao nome de Portugal. Desde esse altura que Gaia é um importante entreposto vinícola, em especial do Vinho do Porto, a partir do séc. XVIII.
Sem matérias primas nem terrenos agrícolas de especial valor, a sua principal actividade é, e sempre foi o Vinho do Porto e as actividades terciárias, em especial o turismo.
As Origens
A origem da cidade é polémica, discutindo-se ainda hoje em que margem se localizava a povoação romana de Cale. Alguns historiadores defendem, no entanto, que a povoação de Portucale se situava no que é hoje a cidade de Vila Nova de Gaia, isto no séc. VI. No tempo do imperador romano Aîtonino (138-161), foi elaborado um itinerário das vias militares, onde era referenciada a estrada entre Olissipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga). Cale era referenciada como sendo a última paragem antes do términos da estrada, e onde se fazia a passagem do rio Douro. Daí a origem do nome Portus Cale (Porto de Cale) e mais tarde, Portucale.
Este topónimo terá servido para, a partir do séc. IX, designar o território de Portugal que entretanto se estendia.
Mais tarde, Portucale passou-se a designar Portucale Castrum Antiquum, para se distinguir da cidade que então se formava na outra margem do Douro, o Porto. Aliás, Castrum Antiquum era já o nome dado ao antigo Castelo de Gaia , que veio a desempenhar um papel fundamental na história gaiense.
Foi em Portucale que por diversas vezes se decidiram os destinos do território, nas lutas entre Suevos e Visigodos. O domínio Visigodo terminou com o império Romano, seguindo-se o domínio dos Mouros. Com a ocupação Árabe, V. N. de Gaia fica a servir de fronteira entre Muçulmanos e Cristãos. Apesar dos confrontos entre Cristãos e Árabes, e devido à importância geográfica da povoação, não se deixaram de criar importantes lugares de paz e culto entre a população cristianizada.
No séc. IX, e após o domínio mouro, vêm os Galegos, fazendo com que o castelo de Gaia mude novamente de mãos. É nesta altura que surge a Lenda de Gaia e por consequência o nome da cidade de Gaia. Segundo a lenda, D. Ramiro I, rei da Galiza, organiza uma expedição à vila de Portucale em busca da sua esposa adúltera, a rainha Gaia. D. Ramiro acaba por vencer o rei Mouro, destruir o Castelo, e matar Gaia, afogando-a no rio Douro.
Após a conquista de Portucale, em 868, por Vímara Peres, Gaia passou a pertencer à diocese de Coimbra. Só a partir do séc. XII, com a construção da Sé Catedral do Porto, é que passa a pertencer à diocese do Porto.
... e assim nasce Portugal
Assim, foi a partir de uma pequena vila rural junto ao rio Douro, que se estendeu o nome e o território de Portugal...
No início da nacionalidade, a família real concedeu grandes benefícios e bens aos mosteiros locais, o que levou D. Afonso III a conceder foral à povoação de Vila de Gaya, em 1255.
O rei desejava no entanto que nascesse uma nova povoação, mesmo em frente à cidade do Porto e tão importante como esta. Aqui foram criadas várias alfândegas, todas elas vedadas ao poderio do Bispo do Porto, sendo assim o lugar ideal para o desenvolvimento do comércio na região, pois não pagavam impostos.
Em 1288, D. Dinis deu foral à povoação de Vila Nova d'El Rei, que juntamente com a Vila de Gaya formavam o concelho de baixo (Vila Nova) e o concelho de cima (Vila de Gaya). Segundo a tradição estes dois concelhos eram separados pela "Fonte dos Cabeçudos".
Vila Nova d'El Rei desenvolvia-se rapidamente, provocando um êxodo da população de Vila de Gaya. Para atenuar as diferenças existentes, os dois concelhos foram fundidos num só. Surge assim o concelho de Vila Nova de a par de Gaya por foral de D. Fernando em 1367, tendo este sido integrado na jurisdição do Porto.
O Castelo de Gaia voltava a ser destruído, desta vez pelo povo, quando Dona Leonor Teles, mulher de Aires Gonçalves Figueiredo ficou com o poder sobre o castelo, por seu marido ter incorporado as forças do Mestre de Avis. Tirana, Dona Leonor extorquiu ao povo tudo o que podia, enfurecendo a população, que se revoltou e tomou de assalto o Castelo, destruindo-o. Esta é a última referência que existe do Castelo. Ao que se sabe, nunca mais foi reconstruído, e hoje quase nada resta dele...
A Ponte das Barcas

Até 1806, não havia ligação entre as duas margens do rio, entre o Porto e Gaia. Só nesse ano se construiu a ponte das Barcas (feita com uma série de barcas postas lado a lado e amarradas umas às outras), tristemente célebre na época das invasões francesas.
Aquando das invasões francesas, o Mosteiro da Serra do Pilar, um dos ex-libris desta cidade, tornou-se uma peça fundamental na luta pelos destinos do país. Foi daqui que o Duque de Wellington comandou as tropas que libertaram a cidade do Porto do cerco efectuado pelos franceses, em 1808. A população portuense tentou fugir da cidade para se refugiar em Gaia, no entanto ao passarem sobre a ponte da Barcas, uma das barcas que tinha sido desamarrada pelos franceses soltou-se, dando-se a tragédia quando dezenas de pessoas cairam ao rio, morrendo afogadas.
Também nas lutas liberais, em 1832/33, a Serra do Pilar teve um papel fundamental quando o General Torres, comandando os soldados de D. Pedro V, fez resistência às tropas miguelistas, a partir do Mosteiro. É na sequência da vitória dos Liberais e das reformas do liberalismo que Vila Nova e Vila de Gaya se fundem, dando origem à Vila Nova de Gaya, em 20 de Junho de 1834.
Em 1842, a ponte das barcas foi substituída pela ponte Pênsil, e em 1886 esta foi substituída pela ponte de D. Luiz I.
Vila Nova de Gaia e o Vinho do Porto
Na Época Moderna, V. N. de Gaia foi terra de homens do mar, de artífices, de mercadores e de homens de negócio. Começa então um novo período de desenvolvimento, com a instalação em Gaia de abastados ingleses, que compram casas e armazéns para o armazenamento e embarque do Vinho do Porto.
O motivo para os armazéns do Vinho do Porto se terem instalado em Gaia e não no Porto (que lhe deu o nome), deve-se a dois factores: primeiro, as condições climatéricas e de humidade eram mais favoráveis do lado de Gaia; segundo, Gaia não pagava impostos ao Bispo do Porto, e assim, apesar do Vinho ser expedido pela alfândega do Porto, os custos de armazenagem eram menores do lado de Gaia.
Com a industrialização da Vila, criam-se fábricas de cerâmica artística e armazéns de ferro a par com os do Vinho do Porto, não esquecendo o aproveitamento dos recursos fluviais, com destaque para a pesca no Rio Douro e sua Foz, diversificando-se a indústria pelos mais variados sectores.
Em 1984, Vila Nova de Gaia foi elevada a cidade numa demonstração de determinação dos gaienses.
O Presente e o Futuro
Hoje, Vila Nova de Gaia é um dos concelhos mais prósperos e populosos do país, com um património artístico e monumental notável. É o segundo maior concelho do país, e o quarto mais populoso, com uma população residente de cerca de 250 mil habitantes, distribuídos pelos seus 165 Km2, e em constante crescimento.
O concelho é potencialmente rico em actividades turísticas, não só regionais, mas sobretudo nacionais e internacionais. Atente-se nas caves do Vinho do Porto e na riqueza panorâmica, paisagística e etnográfica do concelho, bem como na sua orla marítima, para nos apercebermos do seu potencial turístico.
Actualmente, o concelho está a adquirir a sua independência e a sua autonomia, como o provam as suas crescentes infra-estruturas sociais, culturais, recreativas e económicas.

 

Vila Nova de Gaia
http://www.gaianet.pt
O município de Vila Nova de Gaia fica situado na margem Sul do rio Douro, junto da sua foz. Ocupa uma área aproximada de 165 Km2 e tem actualmente cerca de 250.000 habitantes. O concelho é composto por 24 freguesias, ora voltadas para as praias do Litoral Atlântico - Canidelo, Madalena, Valadares, Gulpilhares, Arcozelo e S. Félix da Marinha - ora alinhadas ao longo do rio - Afurada, Sta Marinha, Oliveira do Douro, Avintes Olival, Crestuma e Lever - ou galgando os suaves relevos do interior - Mafamude, Vilar de Andorinho, Vilar do Paraíso, Canelas, Perosinho, Pedroso, Serzedo, Grijó, Sermonde, Seixezelo e Sandim. O seu território é circundado pelos municípios de Espinho e Sta Maria da Feira a Sul, e pelos de Gondomar e Porto a Norte, na margem do rio. Dos relevos interiores - Monte Grande, Serra de Negrelos, Monte Murado, Seixo Alvo - correm para o rio ou para o mar alguns ribeiros, sendo os de maior caudal os rios Uima e Febro que desaguam no rio Douro. O solo é composto por vários tipos de granito, rochas do complexo xisto-grauváquio e areias no litoral e foz do Douro. Por entre espaços florestais vislumbram-se terrenos agrícolas com algum grau de fertilidade nas áreas das bacias fluviais. Para além do granito e do xisto usados como materiais de construção, o subsolo fornece também argilas que são usadas na industria cerâmica. O mar cria algumas variedades de peixe que são capturados pelos pescadores da Afurada e da Aguda. Em locais pouco povoados é possível encontrar ainda resíduos de floresta indígena que abrigam algumas espécies selvagens de pequenos mamíferos e aves. O restante território sofreu alteração nas condições ambientais desde a Idade Média.
A configuração do município de Gaia remonta ao séc. XIII, mantendo quase inalterada a sua estrutura, exceptuando a freguesia de Guetim, que no inicio do Séc. XX passou para o concelho de Espinho, com a freguesia de Lever, que saíu do concelho da Feira. A principal característica de Vila Nova de Gaia, desde tempos remotos, é o facto de ser a antecâmara do litoral-norte do país, para quem vem do sul ou do sudoeste, por via terrestre. Por este motivo, o concelho é sulcado por estradas prependiculares ao rio Douro, que o atravessam através de seis pontes: Arrábida, Luís I, D. Maria Pia, S. João, Barragem de Crestuma Lever e Freixo. São os sucedâneos modernos da estrada romana que ligava Olissipo a Bracara.
Outra característica é o facto de ser, desde a Idade Média, um entreposto vinícola, em especial do Vinho Porto, a partir do séc. XVIII. Sem matérias-primas de valor no subsolo, sem grandes áreas agrícolas, perdida a importância portuária do cais da Beira-rio e o Entreposto exclusivo do Vinho do Porto e com a indústria que vive situações conjunturais, Vila Nova de Gaia tem vindo a transformar-se numa cidade e município onde predominam bairros-dormitórios e algumas zonas de lazer, começando a apostar num Turismo para consumo doméstico.
O povoamento em Vila Nova de Gaia está documentado desde o Paleolítico. Foram encontrados instrumentos de pedra do período achaulense (1000 000 a.C.) no lugar do Cêrro, freguesia da Madalena, existindo também artefactos da época neolítica em Pedroso e no Litoral. A cultura megalítica está documentada por referências a dezenas de mamoas, tendo já sido estudada a de Gestosa, em Sandim. Encontram-se no entanto, distribuídas por todo o território desde o litoral até às elevações centrais do Concelho. Do período do Bronze existem cerâmicas originárias da Necrópole do Alto da Vela em Gulpilhares, que foi usada novamente como cemitério no período final da romanização, nos séc. IV e V d.C.. Existem também numerosos Castros, praticamente um por cada freguesia, que comprovam um regular povoamento na Idade do Ferro. A sua população será, no entanto, intensamente romanizada, sobretudo a partir do séc. I d.C..
Com a construção da via romana e sendo um importante ponto de passagem para o território dos Bracaros e dos Calaicos, o povoamento ribeirinho da margem esquerda do Douro, junto à foz, adquiriu uma enorme importância. No cerro situado na margem esquerda do Douro, e próximo da sua foz, existiu em épocas remotas, um Castro, onde mais tarde os romanos estabeleceram a povoação de Cale e, onde no princípio da era cristã, levantaram um grande e forte castelo, conhecido por Castelo de Gaia ou Castelo do Rei Ramiro. Com localização comprovada, a sua existência foi relatada na "Crónica do Rei D. Afonso Henriques" de Fernão Lopes, e conta-se também, no "Catálogo dos Bispos do Porto" que o Castelo teria sido fundado no ano de 145 a.C., tendo o seu nome origem no fundador Caio Leliu, pretor romano que - depois de vencer Viriato - fundou a povoação.
Existem, no entanto, outras versões da sua origem. Assim, na versão do cronista Dr. João de Barros, o Castelo foi edificado por Caio Júlio Cesar durante a ocupação romana, resultado da existência de umas pedras cuja inscrição no dá o nome de um miles da X Legião Gemina, a Vitoriosa, e deverá ser do tempo de Claudio. Crêem alguns que, junto do Castelo de Gaia chegou a viver um rei Leão, porventura o da lenda. Esta afirmação tem como base a existência da rua de Rei Ramiro e Fonte do mesmo nome, além de um solar com torre (Casa de Campo Bela), também conhecido entre as gentes por Paço de Rei Ramiro. Não existe, no entanto, nenhum documento que comprove esta tese. Terá sido atribuído este nome talvez em honra ao rei da lenda, que nos é transmitida oralmente ao longo dos tempos. Quanto à casa, nada garante a relação entre os dois termos, levando a crer que lhe terá sido atribuído tal retiro pela fantasia popular, até porque na lenda é mencionada a fuga do rei Cristão para a Galiza.
Aquando das invasões dos suevos, visigodos, árabes e cristãos, do séc. V ao séc. X, temos sempre Portucale, mais tarde denominada castrum antiquum para a distinguir da povoação que entretanto ocupava a margem direita, o embrião da actual cidade do Porto. É em Portucale que, várias vezes se decidiu o futuro do território, repartido entre os suevos e visigodos. Segundo a tradição, é na povoação meridional que será edificada a primeira sé. As escavações arqueológicas já realizadas vieram confirmar que esta povoação era suficientemente rica para, no séc. VI, importar cerâmica e vidros da Àsia Menor, norte de Àfrica e da Gália merovíngia. O domínio visigodo termina aquando das invasões árabes e o actual território de Vila Nova de Gaia será, muitas vezes, a fronteira onde os mulçulmanos permanecem, o que será relembrado nos séculos seguintes na Lenda de Gaia, inserida, nos séc. XIII e XIV, nos Livros de Linhagens.
Em 997, o rei Almançor esperava neste território a chegada da sua frota, antes de partir para atacar S. Tiago de Compostela. A convivência entre cristãos e árabes não foi só de confrontos. A população convertida ao cristianismo criou lugares de paz e desenvolvimento por todo o território, sob a forma de mosteiros de regra visigóticos e depois beneditina. É o caso dos Mosteiros de Grijó, de Santa Marinha, de Pedroso, de Vilar de Febros, de Sermonde, de Crestuma e de Sandim, dos quais só chegaram até aos nossos dias os de Grijó, de Pedroso e de Sandim. O primeiro, foi fundado em 922, por uma importante familia local, no mesmo ano em que Ordonho II das Astúrias faz uma importante doação ao mosteiro de Crestuma. Neste mesmo documento, que se conhece por cópia incompleta do séc XII, menciona-se a Vila de Portugal situada entre Mafamude e Coimbrões, embrião da futura Vila Nova dionisia, concerteza uma alcaria cristã junto da arabizada povoação de Gaia.
Após a reconquista de Portucale por Vimara Peres, em 868, o território do futuro Julgado de Gaia, pertenceu, no domínio eclesiástico, à diocese de Coimbra e, no civil, aos seus governadores. Só com a reimplantação da sé portucalense na margem direita do Douro e o consequente desenvolvimento do seu burgo a partir do séc. XII, os seus bispos vão reivindicar a incorporação da Terra de Santa Maria naquela diocese. Esta região do Entre-Douro-e-Vouga, fazia parte do Condado de Coimbra, verdadeira charneira entre o Norte cristão e o sul mulçulmano, onde convergiam os interesses dos ricos-homens da Maia e de Ribadouro, com os senhores moçárabes locais e os cavaleiros mouriscos de Coimbra, pressionados por três forças estranhas: os fidalgos galegos, que dominavam o Entre-Douro-e-Minho; os leoneses, que pretendiam dominar os vales do Douro e do Côa e os árabes sempre presentes nos limites de Coimbra e de Montemor.
A partir de uma pequena vila situada junto da travessia litoral do Douro, nasceu a independência do condado portucalense, concretizado por D. Afonso Henriques e no qual a terra de Santa Maria teve um papel fundamental.
A toponimía de Portugal estendeu-se, por via eclesiástica e notarial, às duas margens, acabando por designar a região entre os rios Minho e Mondego, balisada pela proeminência arquiepiscopal de Braga e pelo urbanismo da antiga Emínio que, pelas mesmas razões de proeminência religiosa e administrativa sobre a região de influência, toma o nome da diocese cristã que nascera no período visigótico na indefesa Conimbriga.
Não é de admirar que, no período pré-nacional e no ínicio da nacionalidade, a familia real tenha concebido amplos benefícios e terras aos mosteiros locais e seus donatários. Soeiro Fromarigues, da família patronal do mosteiro de Grijó, acompanha o Conde D. Henrique à Terra Santa. D. Teresa e D. Afonso Henriques coutam várias propriedades em Brito, Grijó, Avintes, Pedrosos e Tarouquela, tornando-as imunes à interferência senhorial e episcopal, ainda que os bispos portucalenses tenham continuado a reinvindicar os seus direitos sobre a parte meridional da diocese até ao rio Antuã, ou seja, a area de influência da villa de Portugal, o que só virão a conseguir no séc. XIII. Estes direitos pretendiam-nos também no fôro temporal os burgueses de Gaia, em representação do poder régio, contra o poder senhorial dos bispos, o que leva D. Afonso III a conceder à antiga povoação Cale, conhecida e designada na corte, então em Coimbra, por velho burgo do Porto, um Foral no ano de 1255. Ao redor do seu castelo abriram-se caminhos, ruelas, vielas, becos e carreiros, todos íngremes e estreitos, dos quais ainda existem alguns. Aqui, foi estabelecido um cais, que era o porto e, por isso, o principal ponto de convergência dos passageiros. A Vila de Gaia, o antigo Portucale Castrum, era agora terra reguenga e os seus habitantes, na maioria pescadores e mercadores, têm o invejável privilégio de não pagarem portagem em nenhuma terra do reino.
Do foral concedido pelo rei D. Afonso III podemos destacar o seguinte:
"Dou-vos e concedo-vos, pelos seus limites, todo o meu regalengo de Gaia, para vossa herdade, e para sempre, conforme está limitado pelos termos de Coimbrões, do Candal e Alumiara até ao rio Douro, pelo casal que foi sé portucalense, que é em Gaia, e pelo de São Martinho, se o puder haver.
"Dou-vos e concedo-vos a vós, povos que morais no meu burgo velho do Porto, todas as minhas herdades que tinheis no mesmo burgo.
"… mando que os pescadores da minha vila de Gaia pesquem nas minhas abargas da Furada e do Arino.
"E, se por acaso, o que Deus não permita, algum dos meus sucessores ou outrem quiser ir contra este feito, não lhe seja lícito e seja maldito.
"E com Judas, traidor, seja condenado ao Inferno e incorra na maldição de Deus Omnipotente, da Virgem Maria, minha e de todos os meus progenitóres."
Face a esta protecção é provável que o número de habitantes aumentasse e voltasse a ser repovoada a povoação mais baixa, junto à margem do rio onde a travessia era mais fácil e havia um imenso ancoradouro, então denominada Burgo Velho do Porto. D. Dinis concedeu-lhes o Foral em 1288, de que consta: "Damos e concedemos a vós, povos daquele nosso lugar, que costumavam chamar "burgo velho", ao qual impomos de novo o nome de Vila Nova de Rei, por foro ta qual é.". Rapidamente esta povoação vai-se tornar um importante estaleiro e entreposto comercial. Estes dois concelhos vizinhos, o de Gaia a poente e o de Vila Nova a nascente, separados pela ribeira de Santo Antão, eram perfeitamente distintos, cada qual com a sua administração e os seus eleitos, mas desde sempre apareceram unidos na defesa dos seus interesses.
Em 1270, o abade do Mosteiro de Pedroso concede aos moradores do Couto uma Carta foraleira e, em 1363, D. Pedro cria o concelho de Canidelo, de efémera duração, em homenagem à memória de D. Inês que tinha sido usufrutuária dos rendimentos da igreja daquela aldeia; e organiza uma rebelião apoderando-se das armas do Castelo. Por carta régia em 1302 é criada a feira anual de Gaia, com a duração de um mês, com ínicio quinze dias antes do S. Martinho. Entretanto, em 1322, o Castelo tinha sido tomado por D. Afonso, filho de D. Dinis. Nas cortes de 1331, são tratados vários problemas entre vizinhos dos Conçelhos de Gaya e de Vila nova e os da cidade do Porto, sobretudo os relacionados com o controle dos caminhos, das portagens e dos fretes marítimos e fluviais.
Com os acontecimento dinásticos de 1383, no período das lutas com Espanha resultantes da sucessão de D. Fernando, quando D. João assumiu o cargo de Defensor do Reino, os Portuenses assaltaram o Castelo deixando-o em ruínas, não obstante o seu alcaide, que estava ausente, ser um dos homens de armas do Mestre de Avis; os concelhos de Gaia e Vila Nova tomaram parcialmente integrados na administração da cidade do Porto, o que igualmente aconteceu com os restantes concelhos circundantes, como paga dos serviços e dos gastos feitos com a frota que foi descercar Lisboa dos castelhanos. Assim estas povoações perderam temporariamente a sua autonomia municipal. O poder senhorial em Gaia foi, depois, concedido por D. João I ao jovem alferes da Ala dos Namorados na batalha de Aljubarrota, Álvaro Anes de Cernache, que jaz sepultado na igreja do Mosteiro de Copus Christi, fundado no século XIV e ampliado no séc. XVII, onde igualmente foi inumada D. Leonor Alvim, a esposa do Condestável D. Nuno Alvares Pereira (progenitores pelo lado feminino da Casa de Bragança). Os descendentes do primeiro Senhor de Gaia-a-Grande ainda habitam hoje na sua Casa de Campo Bello, situada no sopé nascente do lugar do Castelo de Gaia. Vila Nova, também designada por Gaia-a-Pequena ou concelho de baixo, foi doada a vários fidalgos de que se destacam os Leites-Pereiras que tinham uma ligação com as famílias mais poderosas da Terra de Santa Maria.
O período de sujeição à cidade do Porto, veio ser confirmada no foral de 1501, de D. Manuel I, que menciona na sua sentença: "…os moradores da dita aldeia de Gaia viessem responder à cidade do Porto como aldeões. E, daqui em diante, a dita aldeia fosse havida por termo da cidade. E condenamos os ditos réus - os gaienses - que deixem o selo que têm e não mais usem dele e o entreguem à dita cidade.". Este monarca atribuiu, em 1518, um novo Foral a Vila Nova e Gaia, em que evidencia a pujança agrícola e o povoamento das freguesias possuidoras de grandes propriedades e rendimentos, como o caso do Mosteiro de Grijó de onde, no séc. XVI, se separam alguns cónegos que preferem viver perto da cidade do Porto, mandando para tal construir o convento de S. Salvador da Serra, que no séc. XVII, por influência do domínio filipino, se viria a chamar Serra do Pilar e que ainda hoje domina o perfil da cidade de Gaia com a sua igreja maneirista. Aquando da entrada no Porto, em 1832, de D. Pedro, foram tomadas as posições dos dois pontos mais altos de Gaia, aguardando aí os miguelistas - a Serra do Pilar e o lugar do Castelo. Iniciou-se a fortificação destes dois redutos para defesa da cidade, sendo a posição do Castelo logo abandonada visto que, era de flanqueamento fácil e insustentável. Em face disso, os liberais, tomaram posição apenas na Serra do Pilar, e quando os miguelistas chegaram foram duramente castigados pelas baterias da Serra. As tropas de D. Miguel em resposta, fustigaram o reduto do Castelo, arrasando-o. No fim da batalha, reconstruíram-se os prédios danificados excepto o Castelo, pois o seu terreno foi vendido, existindo hoje nas proximidades do local um asilo para cegos, na rua do Castelo.
A partir da segunda metade do séc. XVIII, Vila Nova de Gaia, era uma terra de homens de mar e de artífices, assim como mercadores e homens de negócio, e foi por esta altura que começaram aqui a instalar-se os ingleses, comprando casas e armazéns destinados às operações de embarque dos vinhos do Douro, com o nome de Vinho do Porto, já que era exportado pela alfândega dessa cidade. Este factor económico dominava completamente a região, de tal forma que, o Marquês de Pombal, através das suas reformas, modificou o urbanismo de Gaia e Vila Nova ao instalar a Real Companhia dos Vinhos do Alto Douro em Vila Nova. A partir de 1777, os armazéns de Vinho do Porto situaram--se em Gaia e Vila Nova onde estavam sujeitos aos impostos a favor do Bispo do Porto, que as cortes de 1820 iriam abolir.
Tendo já servido para apoiar as tropas de D. António Prior do Crato e, para expulsar a segunda invasão francesa em 1809, o convento da Serra do Pilar tornou a ser a fortaleza onde se decidiria o destino do país. Foi durante as lutas liberais que ele se tornou um símbolo da resistência dos soldados de D. Pedro IV que, defendiam daí a cidade do Porto e as convicções políticas dos gaienses. Sob o comando do então capitão Torres, defendem heroicamente a cidade durante o cerco de 14 de Outubro de 1832. Como não conseguiram desalojar os liberais aquartelados naquele antigo convento, os absolutistas retiraram, deixando os armazéns de Vinho do Porto a arder e transformando Vila Nova de Gaia num inferno de chamas. Como sequência destes acontecimentos, Vila Nova e Gaia unem-se e adquirem autonomia administrativa a 20 de Junho de 1824, dando origem ao Município de Vila Nova de Gaia.
Nasceu, então, uma onda de desenvolvimento em que as pontes sobre o Rio Douro e a via férrea tiveram um papel preponderante. Assim, na Vila e arredores surgem fábricas de cerâmica, metalurgia, tanoaria, cortiça e vidro, um aumento no número de armazéns de vinho, que ocupavam por vezes antigas instalações conventuais, como é o caso do convento de Vale da Piedade. Com esta concentração comercial, esta vila é, no final do século passado, lugar propício para a agitação provocada pelo ideal republicano e democrático.
Em 1841 surge a primeira tentativa dos gaienses verem a sua vila promovida a cidade. Os membros da Câmara Municipal, enviaram então uma representação à Rainha D. Maria II, pedindo-lhe a permissão para a elevação de Vila Nova deGaia à categoria de cidade com a divisa "Muito nobre, sempre leal, e antiquíssima cidade de Gaia" e de um brasão. Como não obtiveram os resultados esperados com a primeira petição, os gaienses logo apresentaram novo pedido, mas agora somente para um brasão de armas, no que foram bem sucedidos. É, também, nesse ano que surge um loja maçónica, formada pelos exportadores de Vinho do Porto, à qual se sucedem os clubes, grémios e sindicatos, que têem como resultado a abertura de uma escola industrial.
Em 1850, a Câmara dirigiu ao poder Central uma representação que obteve um brasão, encimado por uma coroa mural de cinco torres, e o conjunto era constituído por um escudo partido que, ao centro, continha um escudete com as quinas, envolvido pela legenda MEA VILLA DE GAYA, retirada do foral de D. Afonso III. À direita, em campo de ouro, figurava um castelo antigo, coroado pela insígnia das legiões romanas, tendo ao fundo representado o Rio Douro. À esquerda, em campo de púrpura, via-se uma fortaleza com zimbério, que representava a Serra do Pilar, alusiva aos feitos dos polacos da serra, mostrando no topo a bandeira constitucional. Sobre a coroa mural, estava postado um guerreiro a tocar trombeta, símbolo do rei Ramiro e do assalto das suas tropas ao Castelo, a fim de libertar a sua rainha. Na fita branca que circundava o fundo do brasão, aparecia uma divisa em letras azuis - nome e renome, cuja explicação apresentada na proposta era que dizia respeito à origem do nome de Portugal e ao valor da terra. Este brasão esteve em uso até 1934, sendo alterado nessa data visto que não obedecia aos cânones heráldicos.
Em 10 de Setembro de 1934, a portaria publicada na 1ª série do Diário da República, pelo então ministro António Mata Gomes Pereira, determinava que a nova constituição heráldica das armas, bandeira e selo do Município de Gaia, e tendo em consideração a associação dos arqueólogos portugueses que, este seria em prata, com uma torre torreada de negro, aberta e iluminada do amplo, rematada de um homem sainte, vestindo de vermelho e tocando uma buzina de ouro. A torre é acompanhada por dois cachos de uvas de oiro, folhados e troncados de verde, com chefe, dois escudetes das armas antigas de Portugal; em contra-chefe, duas faixas ondadas de azul, coroa mural de quatro torres de prata; a legenda Vila Nova de Gaia a preto; a bandeira esquartelada de amarelo e negro, cordões e borlas de oiro e negro, haste e lança doirados; o selo circular, tendo ao centro as peças de armas sem indicação de cores; em volta, dentro do circulo, a legenda atrás indicada.
Com a elevação a cidade de Vila Nova de Gaia, as armas e bandeira sofrem novas alterações, referidas na circular da Direcção Geral da Administração Política e Civil, de 14 de Abril de 1930, no ponto 6° da alínea a, "as armas serão encimadas por uma coroa mural prateada, e de cinco torres para as cidades, de quatro para as vilas, e de três para as freguesias."; e ainda na alínea d, "as bandeiras das cidades serão quarteadas de oito peças de duas cores alternadas, salvo razão excepcional de natureza histórica; a das vilas ou freguesias serão esquarteladas de duas cores, ou serão de uma só cor; conforme as circustâncias o determinem". A meta que se propuseram alcançar em 1841, só seria atingida em 1984, altura em que o município se preparava para comemorar os 150 anos do seu estabelecimento como Município Moderno.
Vila Nova de Gaia foi, desde sempre, berço e morada de grandes nomes das artes e letras deste país, como Artur Napoleão, grande pianista e compositor; Adriano de Paiva, inventor do princípio da televisão e lente, da Academia Politécnica do Porto; Maximiano Lemos, higienista, enciclopedista e professor na escola Médico-Cirúrgica do Porto; Belchior da Fonseca e António da Costa Bernardes, pioneiros da aeronáutica, para além de vários escultores que um peculiar conjunto de circunstâncias identifica como a Escola de Gaia e de entre os quais se destacaram Soares dos Reis, Teixeira Lopes e Diogo de Macedo; e outros tantos pintores e escritores entre os quais Almeida Garrett que, apesar de ter nascido no Porto, viveu em Gaia durante a sua infância.
Aos poucos, a intensa vida comercial e industrial da vila começou a definhar, mercê de um conjunto de adversidades que foram surgindo com o tempo, entre as quais a perigosa e difícil navegabilidade da barra do Douro e a construção do Porto de Leixões, em Matosinhos, que transfere e dificulta o escoamento dos produtos de Gaia para o exterior, leva ao encerramento das fábricas de cerâmica, e à transferência das outras industrias como, o vidro e a cortiça, para outros concelhos situados mais perto do Porto de Aveiro. Fica o Vinho do Porto com o seu Entreposto único e exclusivo, que a legislação recente acabou de destruir. Mas Vila Nova de Gaia procura outras vias de progresso, nomeadamente na indústria automóvel e na construção civil.
Nestes últimos anos vem-se tornando cada vez mais um caos urbanístico de difícil resolução; se por um lado o crescimento da cidade é necessário, também os acessos que possibilitem uma rápida deslocação dos seus utentes é um tema urgente a debater e planear. Mas este crescimento não pode mais ser feito de forma descuidada, descurando o ambiente e o conforto de todos aqueles que a escolheram para seu retiro e, desta forma, o Município de Gaia estabeleceu um programa de Ordenamento do território que assenta numa regulamentação administrativa para ocupação do solo do concelho, determinando áreas de edificabilidade diferentes. Ou seja, assenta na distinção de dois tipos de Áreas-base: parcelas do território destinadas à consolidação e expansão urbana - áreas urbanas e áreas urbanizáveis; ou partes do território destinadas à manutenção do seu carácter agrícola, florestal ou simplesmente onde não se deseja a construção indiscriminada - áreas não urbanas de transformação condicionada e de salvaguarda.

O Município de Gaia implantou medidas para resolver os problemas de compatibilização intermunicipal e dos atravessamentos do Douro, não só com o projecto do metro com também, com a prevista reconversão do transporte ferroviário (CP) e com a negociação do Pacto Ambiental, que deverá "atacar" a questão do saneamento básico na Área Metropolitana.
No entanto, o maior problema do concelho reside na rede secundária, com função da ligação entre as áreas produtivas, e para o qual o Município está empenhado na criação da nova rede municipal - VL4 (ex. V13), V12, V11, V10, V16, etc.; ou adiantando a recuperação e rectificação das vias já existentes, como o alargamento do IC1 - Miramar/Coimbrões e rectificar o traçado da Ponte do Infante, que entretanto já se encontra em construção. Criar condições para iniciar a construção da Via de Cintura Interna, a construção de vias municipais como a marginal de rio, entre a Ponte D. Luís I e a Afurada, a marginal de mar, entre a Afurada e a Granja, a VL3, entre a Madalena e a Rechousa, e a VL10, via urbana para desbloquear o trânsito nas freguesias de Vilar de Andorinho, Oliveira do Douro e Mafamude.
O município propôs ainda em concurso público a criação de um projecto de revitalização para a área ribeirinha e cais de Gaia, privilegiando a construção de estruturas de carácter turístico-hoteleiro nessa zona histórica. Recentemente a Câmara adquiriu alguns dos velhos armazéns de Vinho do Porto, na freguesia de Santa Marinha, onde vai ser construído o novo Centro Cultural de Gaia.
Neste virar do século Gaia promete evoluir de forma cuidada, para um futuro de prosperidade e lucidez, tornando-se um dos principais e mais atraentes focos de cultura do norte.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

 

                                      

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

 

Todos os direitos reservados a Carlos Leite Ribeiro
Página criado por Iara Melo
http://www.iaramelo.com