Distrito de PORTALEGRE

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato,

Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Monforte, Nisa, Ponte de Sôr,

Portalegre (Capital e Concelho do Distrito de Portalegre), Sousel.

 

 

 

Distrito de Portalegre, pertencente na sua maior parte à província tradicional do Alto Alentejo, completando-se com alguns concelhos pertencentes ao Ribatejo. Limita a norte com o Distrito de Castelo Branco, a leste com a Espanha, a sul com o Distrito de Évora e a oeste com o Distrito de Santarém. Área: 6065 km². Sede de distrito: Portalegre.

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“O distrito de Portalegre é formado de uma parte da antiga Província do Alentejo, tem uma superfície de 6.230,60 Km2 e uma população de 124.431 habitantes. Compreende 15 concelhos e 72 freguesias. Povoações principais: Portalegre, Elvas e Monforte. A serra principal é a São Mamede (1.025 metros de altitude. É banhado pelo Rio Tejo, que o separa do distrito de Castelo Branco, e pelos rios Sever, Nisa, Figueiró (afluente da margem esquerda do Tejo, pelo rio da Raia e seus afluentes, pelo Guadiana, que o separa da Espanha numa curta extensão, e pelo Caia (afluente do Guadiana). Produtos agrícolas, criação de gado, grandes montados de azinho”.

 

 

 

Portalegre – (Capital e Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

Origem do Nome:
“Frei Amador Arrais conta-nos que a cidade foi edificada com o material que se aproveitou da cidade de Medobriga, fundada por Brigo, 4º rei de Espanha. Mais nos diz que tudo isto se passou cerca de 1900 antes de Cristo. Segundo a lenda teria sido um filho Baco, de nome Lysias, que um dia, achando lindas estas paragens, mandou edificar uma fortaleza e um templo que consagrou a Dionísio ou Baco. Tais construções teriam existido no sítio onde está a ermida de São Cristovão, sítio que domina a cidade actual. Ali perto, o arroio que corre, ainda hoje é chamado o ribeiro de Baco.
Embora faltem os elementos necessários para o provar, o que parece averiguado é que Portalegre já existia no tempo dos romanos, ainda que com outra localização, não longe da actual.
Segundo a mesma lenda, Lysias, ao fundar a povoação, deu-lhe o nome de Amaya ou Ameya. A origem de tal nome deve ter vindo de uma filha do fundador citado, chamada Maya. Ambos foram sepultados no referido templo.
Os romanos não mudaram o nome e a Amaya ou Ameya tornou-se em ruínas e ficou sem população, devido às lutas constantes da Idade Média.
Em 1259, D. Afonso lll mandou-a reedificar em sítio, onde existiam umas vendas que eram conhecidas por Portelos. Deve ter vindo daqui e da beleza do local o nome de Portalegre.
As vendas de Portelos supõe-se que existiram no local onde mais tarde se edificou a Igreja de São Bartolomeu, que também já não existe. À volta desse sítio se foram construindo edifícios com os materiais que existiam da extinta, ou quase, Amaya.
Aconteceu, porém, coisa idêntica com a nova povoação, pois as lutas entre mouros e cristãos continuaram e no seu horror e na sua violência a destruíram. Assim, transformada em ruínas, os habitantes que sobreviveram tiveram que a abandonar.
Em 1290, D. Dinis mandou construir um forte castelo, que já também não existe, duas cercas de possantes muralhas, que tinham doze torres e oito portas. Estas tinham os nome de: Teresa, Postigo, de Alegrete, de Elvas, de Évora, do Espírito Santo, de São Francisco, e do Bispo ou de Crato, algumas das quais ainda existem. As muralhas estão igualmente em bom estado de conservação.
O mais notável é que D. Dinis veio a tirar a prova de resistência da fortificação. A população de Portalegre tomou o partido de seu irmão D. Afonso, o qual se orgulhava do senhorio da localidade. O rei teve de pôr cerca à então vila, cerco que durou cerca de cinco meses, acabando pela rendição dos sitiados. D. João lll criou o bispado, em 1549.
Há uma versão que diz ter vindo o nome da cidade de Portalegre de “Portus Alacer”. Portus era um sítio entre a Penha de São Tomé e o Cabeço do Mouro, e, Alecer veio da bela situação da povoação. (Casimiro Mourato -
1954) “.
“Portalegre derivou de porto alegre. Porto significou (como já no latim portus) passagem e neste sentido também se empregou e emprega em português a significar passo ou terra entre montes.
O adjectivo alegre de certo qualificou a alegria da passagem. Como se sabe, a paisagem é idílica naquele “porto alegre”, enquadrado pela serra de São Mamede e alturas de Marvão e Castelo de Vide. Nota-se que as pessoas de fora dizem “Purtalegre”; mas “Pôrtalégre” é a proníncia popular, o que ajuda a confirmar a formação “porto alegre”. ( Prof. Dr. Vasco Botelho de Amaral -
1949) .”.
Apontamento do ano de 1900, tirado do “Jornal do Comércio”:
“Portalegre é cidade, capital de distrito e cabeça de concelho. Tem uma população de 11.893 habitantes e é servida pelo caminho de ferro Companhia Real. Tem 10 freguesias com 18.510 habitantes. Tem fábricas de lanifícios, moagens, cortiça.
O distrito de Portalegre tem uma superfície de 6.230,60 Km2 e uma população de 124.431 habitantes. Compreende 15 concelhos e 72 freguesias. Os concelhos são:Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Niza, Ponte de Sôr, Portalegre e Sousel. A serra principal é a de São Mamede com a altitude de 1.025 metros. É banhada pelo rio Tejo, que o separa do distrito de Castelo Branco, e pelos rios Sever, Niza, Figueiró (afluentes do Tejo da margem esquerda); pelo rio Raia e seus afluentes, e pelo rio Guadiana, que o separa de Espanha numa curta extensão, também pelo Caia, afluente do Guadiana.
Tem produtos agrícolas, criação de gado, grandes montados de azinheiras.”.
Capital do distrito do mesmo nome, Portalegre é uma cidade com condições próprias que lhe dão um encanto singular.
Situada numa das mais belas regiões de Portugal, edificada num planalto da serra de São Mamede, tem simultaneamente características da serra verdejante e da campina alentejana, que se conjuram num variado conjunto paisagístico.
Rica em água e rodeada de quintas, hortas e pomares, é actualmente uma cidade com 15 mil habitantes, fortemente industrializada e também dedicada ao comércio.
A sua origem perde-se na lenda recolhida por Frei Amador Arrais, que foi o terceiro bispo de Portalegre. Conta ele que a cidade foi fundada, 1900 anos antes de Cristo, por Lysias, filho de Baco (o deus do vinho), que, achando o sítio muito aprasível, mandou construir nele uma fortaleza e um templo dedicado a Baco, instalando-se aqui com a sua gente. Tais construções teriam existido no local da actual Ermida de São Cristóvão, onde ainda se encontram os restos mortais de Lysias, num cofre de madeira com epitáfio escrito em letra grega, descoberto no século XVlll, durante as obras de ampliação e colocado actualmente num nicho, no lado direito do altar-mor.
Segundo a lenda, Lysias, em memória de sua filha Maya, aqui tragicamente falecida. Os Romanos não lho mudaram e a urbe chegou a ter nessa época a elevada categoria de município romano.
Mas acabou por ficar despovoada e em ruínas durante as lutas medievais.
Repovoada após a Reconquista, Portalegre viu erguer-se muito próximo, poucos anos após a morte do santo, o Convento de São Francisco, para o qual contribuíram todos os moradores das redondezas, tendo o convento atraído mais população.
A então vila, em 1259, recebeu foral de D. Afonso lll; D. Dinis cercou-a com uma cintura dupla de muralhas, consciente da sua estratégica posição fronteiriça.
Primitivamente, a população circunscreveu-se ao recinto das muralhas, mas, com o andar dos tempos, foi-se dilatando. Construíram-se então ruas para lelas, mas, como não havia muito espaço, os habitantes começaram a ocupar o lado da Misericórdia (lado norte).
Em 1549, D. João lll , intercedeu junto do papa Paulo lll para a sua elevação a diocese, que foi criada nesse mesmo ano. No ano seguinte, D. João lll elevou Portalegre a cidade.
Em 1556, foi lançada a primeira pedra da nova Sé, consagrada a Nossa Senhora da Assunção.
A imponente construção, que ainda hoje é o principal monumento da cidade, ficou concluída no tempo de Frei Amador Arrais, que mandou fazer os retábulos da capela-mor e o de Nossa Senhora do Carmo e à sua própria custa lajeou e ladrilhou todo o pavimento do templo. A Sé foi posteriormente enriquecida com vários melhoramentos, como o grandioso orgão e uma valiosa colecção de paramentos.
Na parte antiga, dentro do recinto das velhas muralhas, nas ruas dos Besteiros e do Castelo, ficavam as moradas dos nobres em prédios de acanhadas proporções, alguns dos quais ainda se podem admirar, embora mais ou menos modificados.
Um dos mais belos monumentos da cidade é o convento de São Bernardo, adaptado a quartel, que possui um magnífico pórtico barroco. Num dos seus pátios centrais pode admirar-se uma grandiosa fonte de mármore com 16 bicas, encimada uma figura de Neptuno artisticamente trabalhada.
A sepultura de D. Jorge de Melo, fundador do convento, é considerada a mais sumptuosa e soberba de Portugal, com os seus 12 metros de altura por 6 de largo.
Tanto o túmulo como a fonte são atribuídos ao grande mestre João de Castilho.
Em miradouros privilegiados, como o de São Cristóvão, o da serra de São mamede ou do da Senhora da Penha, o visitante pode admirar toda a grandeza da cidade e estender o olhar pelos campos povoados de “montes” (chamados “alentejanos”).
A SERRA DE SÃO MAMEDE:
A serra estende-se por muitos quilómetros, formando o famoso triângulo turístico: Portalegre – Castelo de Vide – Marvão.
Os percursos são aprazíveis, e as estradas nada más. A paisagem surpreende a cada curva, porque a frescura e o silêncio da serra, os pinhais e os soutos têm o seu contraponto nos vales salpicados de casinhas brancas e singelas ermidas rodeadas de pomares e hortas.
Alguns contrafortes da serra dispõe de condições ideais de defesa, encostas escarpadas, terreno acidentado e abundância de recursos de água.
Assim, se justifica a existência de vilas como Marvão (que tem um magnífico e panorâmico castelo) e Castelo de Vide, que exerceram durante séculos o seu papel na defesa das regiões fronteiriças.
Neste percurso deparam-se-nos vales frescos e aprazíveis, como o de Aramenha, onde apetece parar de deixar o tempo correr. Compreende-se facilmente que, desde a Antiguidade, os povos se tenham fixado nestas paragens.
Mas além do triângulo turístico, existe um circuito mais pequeno, de cerca de 14 Km. Geralmente chamado “volta à serra”. É um belíssimo percurso que atravessa as encostas da serra, chamada de Portalegre, coberta de vegetação muito complexa.

 

Portalegre
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Perde-se na obscuridade da história a origem da cidade de Portalegre. Segundo uma lenda contada por Frei Amador Arrais, Bispo de Portalegre:
Passeava um dia Maya, filha de Lísias, com Tobias, até que um vagabundo, Dolme, a cobiça e a rapta, assassinando Tobias que se movia em defesa de Maya. Lísias capitão de Baco desesperado pelo desaparecimento da filha , parte à sua procura mas encontra-a morta.
Lísias estaria então acampado no mesmo sitio onde ainda hoje passa o Ribeiro de Baco. Lísias viria então a morrer de súbita alegria, após ter vagueado muito tempo chamando pela filha, quando um dia julga ve-la estender-lhe os braços numa ilusória aparição. Seria então em homenagem a Maya que se teria fundado a cidade de Ammaia no mesmo sítio onde hoje está Portalegre.
Sabe-se hoje porém que apesar de ter existido, a cidade Romana de Ammaia, encontrava-se onde hoje está a povoação de Aramenha e que toda esta lenda que sempre se contou sobre a cidade de Portalegre não passa de fantasias apoiadas numa lápide Romana, ainda hoje existente no Museu Municipal e que terá sido trazida de Aramenha para Portalegre quando da sua fundação, tendo na altura servido de base a uma coluna na, ainda existente, ermida do espírito santo. Nessa lápide pode ler-se (traduzido):
«Ao imperador Lúcio Aurélio, verdadeiro Augusto, filho do divino Antonino, Pontífice Máximo, investido no poder tribunício, cônsul pela 2ª vez, pai da Pátria, dedicou o município de Ammaia».
Remetendo ao mais antigo cronista da cidade - O padre Diogo Pereira Sotto Maior - e apesar de ele ter relatado outras teses sobre o aparecimento da cidade a mais provável seria a seguinte:
«Dizem que esta cidade foi primeiro situada em üas vendas que estavam por cima dos Portelos, junto à ermida de San Bartolomeu e contra a Porta da devesa que se chamavam as Vendas dos Portelos e que daqui tomou depois o nome de Portalegre…E porque sua vista é alegre e aprazível aos olhos de quem nele os punha, vieram chamar-lhe porto alegre, donde depois vem a chamar-se Porto alegre, derivado de Portelos.»
Certo é, porém, que em 1259, pouco mais de meio século volvido sobre a formação do reino de Portugal, D. Afonso III concede a Portalegre o seu foral de vila, mandando reconstruir a antiga povoação de Portelos, arrasada pelas escaramuças entre cristãos e Muçulmanos, dando-lhe o nome de Portus Alacer (Portus - um local de trânsito de mercadorias e Alacer - devido à sua alegre e pitoresca situação). Pela importância do seu aspecto estratégico, D. Dinis, em 1290, rodeia-a, de forte e dupla muralha (alguns troços ainda hoje existentes) e manda erguer o seu castelo, sobranceiro à planície extensa, sentinela vigilante para a defesa da integridade do território Português. Para além das duas cercas de muralha e das doze torres existiam também sete portas: Poterna, ao fundo da Rua da Figueira (desaparecida), Crato (conhecida hoje por arco do Bispo), Évora ou Porta Falsa, ao fundo da Rua do Arco (desaparecida), Elvas, ao fundo da rua com o mesmo nome (desaparecida), Alegrete ou S. Francisco (conhecida hoje por arco de St António)(por esta porta entrou Filipe II de Espanha, I de Portugal tendo se dirigido à sé onde Foi recebido pelo Bispo D. Filipe de Noronha e pelo Clero), Postigo, ao cimo da rua de S. Tiago e Pirão (desaparecida) e devesa ou Espírito Santo.
Por carta de 18/11/1299, D. Dinis decidiu que Portalegre seria sempre “de El Rei e de seu filho primeiro herdeiro”.
Em 1387 D. João I grato pela atitude dos Portalegrenses ao pugnarem pela sua causa, a da independência, durante as cortes de Coimbra, deu-lhe o titulo de Leal, tendo sido Portalegre a segunda a faze-lo, logo a seguir ao Porto.
Em 1549, por diligências de D. João III, o Papa Paulo III expedia a bula que criava a nova diocese de Portalegre, tendo posteriormente sido elevada a cidadepor carta de privilégios de D. João III datada de 23 de Maio de 1550. Ainda hoje se celebra todos os anos o dia da cidade a 23 de Maio.
Com a elevação a cidade , muitos nobres e burgueses construíram a sua casa fora de muros. Essas construções formam um dos conjuntos mais notáveis de moradias seiscentistas e setecentistas do País. A burguesia empreendedora que nessa época se fixou na cidade desenvolveu variadas indústrias especialmente a têxtil.
Em 1640, Portalegre é uma das primeiras cidades a reconhecer a independência de Portugal no dia 2 de Dezembro.
No dia 18 de Julho de 1835 é elevada a sede de distrito.
As cores da cidade são o amarelo (nobreza, fé, fidelidade, constância e liberdade) e o negro (terra, firmeza e honestidade).

O Presente
Nos últimos anos o aparecimento de novas industrias e a instalação de diversos cursos superiores tem incrementado a vinda de mais pessoas para a cidade num claro caminho para o desenvolvimento.
Apesar da instalação de grandes superfícies comerciais o centro da cidade com especial relevo na Rua do Comercio e na Rua Direita tem conseguido manter elevados parâmetros de qualidade pondo há disposição de todos um grande numero de lojas.
Um cinema em funcionamento, um grupo de teatro, dois museus, uma agitada vida nocturna, um parque de exposições, diversas piscinas naturais e artificiais, um parque desportivo, galerias de arte, para além de múltiplos acontecimentos de carácter temporário e pendular conferem a Portalegre um lugar de destaque em toda a região.
De destacar a realização de diversas provas de Todo o Terreno, as festas do dia da cidade a 23 de Maio, uma feira de velharias mensal, as ancestrais romarias de Verão nas povoações vizinhas e a grande proximidade de diversas localidade de reconhecido interesse como Marvão, Castelo de Vide, Crato, Monforte, Arronches, Alter do Chão, entre outras, que a transforma em grande centro turístico de toda uma vasta região.
À disposição dos visitantes estão um Hotel, um parque de campismo, uma Pousada de Juventude, uma estalagem, diversas pensões e algumas casa de Turismo de Habitação que vão com certeza proporcionar dias inesquecíveis.
Continuando Portalegre a manter a nobreza dos tempos antigos, presente nas seculares edificações e na sua característica forma urbana Portalegre é sem dúvida uma cidade a caminho do futuro.

 

Portalegre
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“ A origem de Portalegre prende-se com o reinado de D. Afonso III, o qual ordenou a reconstrução da povoação de Portelos, destruída pelas lutas entre muçulmanos e cristãos, concedeu-lhe o privilégio de vila e o respectivo foral. Ganhou assim, em 1259, o nome de Portus Alacer (local de transito de mercadorias/bela localização), derivando ao longo dos tempos para Portalegre. Ainda no séc. XIII, o rei D. Dinis manda construir uma muralha em defesa da vila, a qual tinha sete portas, das quais ainda existem as portas da Devesa , do Bispo e a de Sto. António. Durante importantes crises nacionais destacou-se pela sua fidelidade e constância. Daí que as cores da vila sejam o amarelo e o preto, simbolizando, segundo muitos, a fidelidade e a firmeza do seu povo. Dos monumentos e locais de interesse de Portalegre destacam-se a Sé Catedral (séc. XVI), O Mosteiro de São Bernardo (séc. XVI), o Museu Municipal, a casa Museu José Régio, o Museu de Tapeçarias, Guy Fino, o Castelo, e inúmeros Solares Setecentistas.
Portalegre está inserido no Parque Natural da Serra de S. Mamede, que tem o seu ponto mais alto a 1025 metros.

 

 

 

 

 


Alter do Chão – (Concelho de Portalegre)

 

 

 

 

 

Fundada pelos romanos em 204 antes de Cristo, foi mais tarde destruída pelo imperador Adriano, por rebelião dos seus habitantes. Povoação muito importante nesse tempo, pois situava-se na Via Lisboa-Mérida, chamando-se então Elteri ou Eltori. D. Afonso lll mandou reconstruía-la em 1246 e deu-lhe foral, renovado por D. Dinis em 1293. O senhorio da vila pertenceu a D. Nuno Álvares Pereira, por doação de D. João l.

A antiga Coudelaria Real foi uma das instituições, talvez a mais importante, a contribuir para a divulgação do nome de Alter do Chão. Fundada nos fins do reinado de D. João V, em 1748, por iniciativa do príncipe D. José, destinava-se a fornecer cavalos de boa qualidade produzidos em Portugal. Iniciada a produção com 40 éguas andaluzes, depressa o número de cabeças ultrapassou as duas centenas. Daqui saiu o cavalo “Gentil”, modelo do cavalo da estátua de D. José (Terreiro do Paço – Lisboa).

A raça conseguiu manter-se pura até às Invasões Francesas. Nessa época, juntaram-lhe éguas francesas, assim como cavalos ingleses e alemães, e a coudelaria entrou em decadência. Diminuição da corpulência e falta de ardor assinalavam o enfraquecidos da raça. Na tentativa de a recuperar e pensando obter cavalos de corrida, utilizaram-se garanhões árabes, o que tornou a cabeça dos descendentes um pouco mais pequena.

Nos fins do século XlX voltaram a juntar-se cavalos espanhóis, numa tentativa de conseguir de novo rusticidade e envergadura. Já no século XX reintroduziram-se cavalos orientais, agora com a intenção de se obterem cavalos militares. Porém, pela década de 1930, a raça dos cavalos de Alter estava praticamente extinta. Em 1942, a administração da coudelaria, transformada em estação pecuária, passou a depender do Ministério da Economia e, desde então, a raça tem vindo a ser reestruturada e aumentado o número de cabeças.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “A respeito desta vila e sede de concelho do distrito de Portalegre, em Abril de 1935 aparecerem anónimas as seguintes referências: “ E assim surgiu das ruínas da velha Abeltéria a vila de Alter do Chão, cujo nome dizem ser corrupção do da antiga cidade. Romana. Porém, como desta surgiram duas vilas – Alter do Chão e Alter Pedroso – é mais provável que o nome Alter venha do adjectivo alter, que significa um de dois ou uma de duas partes, pois que Alter do Chão é uma das duas partes da cidade de Abeltéria, sendo a outra parte Alter Pedroso, hoje pequena povoação anexa a Alter do Chão, donde dista três quilómetros. Do Chão é a tradução portuguesa da palavra latina planus, porque desde remota data se chamou Alter Planus a esta parte mais plana da velha cidade, em oposição à outra parte, que, por ser mais alta e pedragosa, se chamou Alter Petrosus, Alter Pedroso”.

A segunda parte destas referências foi criteriosamente contestada pelo Dr. Artur Bívar, que assim se manifestou: “Esta etimologia (a que se diz filiar o topónimo Alter no adjectivo latino alter) não tem probabilidade nenhuma. Historicamente, não, por, se a cidade esteve em ruínas desde a destruição no tempo do imperador Adriano até D. Afonso ll a mandar reedificar e povoar, ficando então as duas povoações, era latim de mais aquele incorrupto Alter no século Xlll. Nesse tempo, já o alter latino nos tinha dado foneticamente o nosso outro, como em francês autre e em italiano altro. E só ali que teria ficado fixo, tal qual era em latim, só com a deslocação do acento para a a última sílaba ? Além disso, se no século Xlll a primeira sílaba de alter ainda não estivesse alterada, estava-o seguramente a segunda, na linhagem comum, porque outro saiu de alter pelo acusativo alterum e, com a deslocação do acento suposta, teria dado Altero e não Altér. E com quem concordaria, in mente aquele adjectivo alter ? Com vila ? Então deveria ser altera ou altera. Com oppidum ? Então devia ser altero ou altero”.

Efectivamente e perante tão sensatos e fundamentados embargos, tal suposto étimo tem de ser abandonado. Alter proveio sim, do locativo Abelterii, cidade, através das formas intermédias sim, do locativo Abelterii, cidade, através das formas intermédias e pré-históricas Avelteri e Aelter, como mostrou Leite de Vasconcelos”.

 

Alter do Chão
http://www.herancasdoalentejo.net

Conhecida na época romana como Elteri, a existência da vila de Alter do Chão remonta a 204 DC. Como testemunho desta era ergue-se ainda hoje a ponte de Vila Formosa (Monumento Nacional), que ligava Alter do Chão a Ponte de Sôr e Chança. Em plena Idade Média, no século XVI, a vila ganhou prosperidade devido aos têxteis. Grande parte dos belos edifícios de Alter do Chão são desta época. Já o castelo da vila foi construído dois séculos antes, em 1359, pelo rei D. Pedro, eterno amante de Dª. Inês de Castro. Alberga hoje uma galeria de arte e uma biblioteca. A apenas 4 quilómetros a noroeste da vila fica a afamada Coudelaria de Alter do Chão, numa herdade de 300 hectares. Foi em 1748 que o rei D. João V da Casa de Bragança fundou esta instituições centenária, a qual importou éguas da Andaluzia de forma a produzir cavalos de raça Lusitana, hoje tão apreciados em todo o mundo.

 

Alter do Chão
http://www.portugalweb.net/castelos/alentejo

Diz-se que Alter do Chão foi fundada no ano 204 a.C. quando estava povoada pelos romanos. Uma prova disso é a ponte romana de Vila Formosa, elevado com seis arcos ornamentados com olhos, para evitar as inundações. A ponte tem cerca de 9 metros de altura e 116 de comprimento, e devido à sua, até hoje não tem sofrido nenhuma reparação. Posteriormente, a vila seria destruida por ordem do imperador Adriano por se rebelar contra Roma.
No reinado de Dom Sancho II, em 1232, é outorgado pelo Bispo da Diócese da Guarda, Dom Vicente, o Primeiro Foro de Alter.
Mais tarde, em 1249, Dom Afonso III concedeu o foro, o qual foi renovado por Dom Dinis e Dom Pedro I, em 1359, ano no qual foi construido o castelo, recebendo um novo foro no ano de 1512 por Dom Manuel. Foi senhor da povoação o condestável Dom Nuno Álvarez Pereira por doação de Dom João I, figurando assim Alter incorporada à Casa de Bragança.
O seu famoso castelo, com cinco torres e portal gótico, foi construido em 1359, por Dom Pedro I. O seu aspecto austero contrasta com a colorida praça que surge aos seus pés, o Largo Doze Melhores de Alter, enfeitado com flores.
A vila possui belas casas dos séculos XVI e XVII (como o elegante palácio do Álamo que agora alberga o Escritório de Turismo, uma galeria de arte e uma biblioteca), e as suas ruas reflectem a vida tranquila duma população, quase enteiramente dedicada à agricultura.
Mas Alter é sobretudo conhecida pelo seu Acavalherado, fundado em 1748 para produzir cavalos de raça lusitana para a Equitação Real. Estábulos de aspecto atraente, exibidos em branco e ocre do Acavalherado Real, estão rodeados por 300 hectares de terra onde o famoso cavalo lusitano Alter Real ainda pode ser admirado.
O Acavalherado prosperou até as invasões francesas (1807 - 15), e depois sofreu um longo período de decadência; anos de dedicação têm contribuido para a sua recuperação e a Escola Portuguesa de Arte Eqüestre está lá para demonstrar os excelentes resultados obtidos.
Em 1748, Dom João V construiu o famoso Acavalherado Real. Nele encontram-se os famosos cavalos de raça de Alter do Chão, que são conhecidos em qualquer lugar.
A região tem uma paisagem invejável, onde abundam aves como a Abetarda, o Sisão, o Tartaranhão Caçador, o Milhano Preto e a Cegonha Branca.
Além de mais, estão os vistosos conventos, fontes, templos ou palácios, e outros lugares como os Jardins da Casa do Álamo, edificada no século XVI, cujos formosos silhares de azulejos e a perfeição dos tetos pintados, causam uma grande admiração.
Devido à sua natureza rural, Alter do Chão dedica-se essencialmente à produção de cereais e de cortiça.


 

http://castelosdeportugal.no.sapo.pt
Este magnifico e lindo castelo parado no tempo oferece-nos ainda hoje no seu aspecto primevo todo um conjunto de encantamentos.
Emergindo dum remoto passado, em que avulta a importância assumida como cidade romana, de que se tem achado numerosos testemunhos materiais, e após ter atravessado, em mal conhecidos, termos de decadência, os tempos das dominações germânicas e àrabe-berbere, Alter do Chão entrou novamente na história, e em marcha ascensional, nos fins do primeiro quartel do século XIII, quando o domínio português se firmou na planície transtagana onde assenta. Em 1249 concedeu-lhe D. Afonso III um foral, que D. Dinis confirmou em 1293. Porém, ao contrario do que repetidamente se tem escrito, não foi esse diploma que em primeira mão concedeu aos moradores a fruição de direitos e liberdades municipais, porquanto já bem antes, em 1232, o bispo eleito da diocese de Idanha, mestre Vicente, lhes conferira o direito de se regerem por foros e costumes análogos aos de Abrantes, intentando assim atrair povoadores.
         Entre os fastos de Alter do Chão, figura o facto de ter feito parte da ampla doação outorgada por D. João I ao Condestável Nuno Alvares, cujo glorioso nome ficou desde então vinculado à história desta vila; mas outros podem ser também memorados.
         Embora não propriamente fronteiriça, pois situa-se e uns quarenta quilómetros da fronteira, em este-oeste, Alter do Chão estava ligada a ela por estradas medievais, que no século XVI vieram a inclui-la no transito de Filipe I, quando nos começos de 1581 esse primeiro monarca da união dinástica luso-castelhana marchou de Elvas para Tomar, cidade onde iam reunir-se as Cortes que convocara, e em 1662 a puseram infelizmente na vitoriosa marcha das invasoras tropas castelhanas de D. João de Áustria, sendo portanto possível que, ao renascer para a vida histórica, algum dos primeiros monarcas portugueses, contemporâneos dos seus iniciais mas promissores progressos, empreendesse dota-la de fortificações; disso porém não há conhecimento, pois é já dos começos do século XIV o castelo que ainda presentemente adorna, embora já não em função de defesa, a progressiva vila, e cuja construção foi ordenada por D. Pedro I em 22 de Setembro de 1359, conforme se memora numa lápide colocada sobre a porte de entrada. Abre-se esta numa das grandes cinco torres que guarnecem os cinco ângulos da muralha irregularmente pentagonal, e uma das quais é cilíndrica. Todas as torres, bem como a muralha, sobre a qual corre o adarve, são ameadas.
         Incluída Alter do Chão nos bens da opulenta Casa de Bragança, o seu castelo serviu, como outros, de prisão, no tempo de D. Fernando II, sendo essa uma das acusações que lhe foram feitas na sentença que em 1483 o condenou a morte, como conspirador contra a pessoa do rei D, João II.
         Incorporado nos Bens Nacionais, o castelo foi vendido em beneficio do estado nos fins do século XIX, passando a ser propriedade particular, Adquirido há anos pela Fundação da Casa de Bragança, esta instituição fez beneficiar de restauro as ruínas provenientes da habitual acção do tempo, coadjuvada pelo também habitual descuido. Presentemente bem pode dizer-se que ele constitui, não só honroso padrão da fidelidade patriótica das gentes de Alter da Chão, mas também um interessante exemplar das  edificações casteleiras trecentistas.

 

Na Coudelaria de Alter garante-se a pureza do cavalo lusitano, enquanto que o Kartódromo de Portalegre garante divertimento e sensações fortes.
Puro-sangue lusitanos
http://www.pousadasjuventude.pt/edicoes1/pousadas

A Coudelaria de Alter, em Alter do Chão, correspondente à antiga Coudelaria Real, foi fundada por D. João V em 1748, em muito por influência da sua mulher, D. Maria Ana de Áustria, com o objectivo de fornecer cavalos para a Picaria Real. Esta coudelaria nunca deixou de funcionar, embora tenha atravessado períodos algo conturbados, e é hoje um bastião de qualidade e a garantia da continuidade do cavalo lusitano, o Ferro Alter Real. Existem visitas guiadas ao complexo, que incluem passagens pelas cavalariças, pelos picadeiros e pelo museu, onde pode ver-se a exposição “O Homem e o Cavalo - uma relação milenar”, bem com uma colecção incomparável de coches e carruagens, arreios e selas, entre muitos outros objectos.  
Os cavalos nascidos na Coudelaria de Alter são enviados para uma ilha no rio Tejo, perto da Azambuja, logo após o desmame, onde vivem na mais completa liberdade até aos três anos de idade. Adquirir um espécime de tamanha qualidade não é tarefa fácil. A importância dessa troca comercial é de tal ordem que só se pode realizar durante um dia por ano, a 24 de Abril, feriado municipal em Alter do Chão por se tratar do dia de S. Marcos, e através de leilão público, para evitar favoritismos e tráfico de influências, o que atesta bem a favor da elevadíssima procura existente.
Foi, aliás, um cavalo Alter Real, o “Gentil”, o escolhido pelo Marquês de Marialva para servir de modelo a Machado de Castro, para a estátua equestre de D. José I no Terreiro do Paço, em Lisboa.
As características desta raça enquanto Cavalo de Alta Escola são exibidas pela Escola Portuguesa de Arte Equestre, cujas apresentações ao público decorrerem, regularmente, no Palácio de Queluz. Na Coudelaria de Alter funciona ainda a Escola Profissional Agrícola de Alter do Chão, com os cursos de Técnico de Gestão Cinegética e Técnico de Gestão Equina.

 

 

 

 


Arronches – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Foi conquistada aos mouros em 1166 por D. Afonso Henriques e, reconquistada por D. Sancho ll, que a doou aos Cónegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra. Recebeu foral de D. Afonso lll em 1255, confirmado em 1272. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512, renovado por D. Pedro ll em 1678. Vários reis lhe concederam privilégios e foi em Arronches que se reuniram as cortes que decidiram sobre o casamento de D. Afonso V, com D. Joana de Castela.

As fundações da Igreja Matriz são atribuídas a São Teotónio, que teria lançado a primeira pedra em 1236. O templo sofreu, porém, completa remodelação no século XVl e a fachada principal foi reerguida após o terramoto de 1755.

Origem do nome:

«Do, “Dicionário Geográfico – 1747”»: “Em latim Aruncis. Dizem muitos ser fundada pelo moradores de Aroche. Vila na província de Andaluzia, imperando Caio Calígula, os quais lhe puseram o nome da sua pátria; e corre por tradição, que depois lhe chamaram Arronchela, como também o diz Rodrigo Caro, no seu livro das Antiguidades de Sevilha”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Tem-se afirmado que esta vila e sede de concelho do distrito de Portalegre corresponde a uma povoação que se chamou Aruncis e Arronchela. É, todavia, forçado explicar a actual designação por qualquer destes nomes, que só dificuldade e talvez por contaminação por qualquer destes nomes justificariam a forma Arronches. Por outro lado, uma tradição local, reproduzida por vários autores, atribui a fundação do antigo povoado aos habitantes de Aroche (vila da Andaluzia (Espanha), tomada pelo rei português D. Afonso lll), no tempo do tristemente famigerado imperador Caio Calígula. Segundo alguns pretendem, Arronches teria resultado da transformação do nome da tal vila espanhola, hipótese que não perfilhamos por nos parecer insustentável, qualquer que seja o aspecto sob que a consideremos”.

 

Arronches
http://portugalweb.net/castelos/alentejo
Dizem que deve ter sido uma antiga povoação romana edificada junto à ribeira de Caia, fundada no tempo de Caio Caligula, no ano I da era de Cristã. D. Afonso Henriques conquistou-a   aos Mouros  em 1166, perdida de novo, e recuperada por D. Sancho II, em 1235. No entanto, só em 1242, com a reconquista de D. Paio Peres Correia, ficou definitivamente integrada nos domínios portugueses. Na altura do Interregno, foi a vez dos castelhanos tomarem Arronches, que viria a ser reconquistada por D. Nuno Álvares Pereira, em 1384.
No caso da vila de Arronches, é utilizada a designação de Fortaleza com aqueles dois sentidos, se assim o podemos entender. De facto, todo o aglomerado medieval se encontra no interior da fortaleza e, é delimitado pelo próprio contorno da Fortificação Abaluartada.
A Fortificação Abaluartada pode ser definida como a fortificação à defesa com armas de fogo e que tem o baluarte como elemento caracterizante. Estão ausentes os torreões, as ameias e a torre de menagem
 medieval.
A fortificação abaluartada, que envolve o antigo aglomerado medieval da vila de Arronches, não apresenta o seu perímetro amuralhado completo. Em algumas zonas desapareceu uma vez que, muitas casas, foram construídas aproveitando a própria estrutura da muralha.
No que diz respeito à técnica de construção, os troços de muralha existentes permitem-nos perceber que foi utilizada a técnica da "pedra seca", isto é, as pedras encontram-se aparelhadas umas ás outras sem o recurso a argamassas de ligação. No entanto, em determinados pontos dos troços de muralha existentes, verifica-se que foi aplicado o cimento, como forma de preservação
A fortificação abaluartada que circunda a vila de Arronches necessita de urgente plano de recuperação e de valorização para que não se vá perdendo a memória de um passado onde a própria vila é protagonista
Em 1661, a vila sofreu a invasão de D. João de Áustria, para ser abandonada pelos espanhóis à aproximação do exército português. Em 1712, cercada de novo pelos castelhanos, conseguiu vencê-los, rendendo-se estes à primeira investida das nossas forças.
Arronches teve forais dados em 1255 por D. Afonso III, confirmado pelo mesmo monarca, em 1272, em 1512 por D. Manuel I, e em 1678 por D. Pedro II, sendo este último diploma um "foral novíssimo", concessão de que poucas povoações usufruíram. Esta importância de Arronches já tinha ficado demonstrada em 1475, quando D. Afonso V aqui reuniu cortes para tratar do seu casamento com a princesa espanhola D. Joana. E antes ainda, quando D. Afonso IV e D. João I concederam notórios privilégios á vila.
Arronches foi uma importante praça de armas, com um castelo restaurado por D. Dinis em 1310. A fortaleza tida em grande conta pelos nossos monarcas, pelo que Luís de Camões, em várias estâncias de "Os Lusíadas", se refere, justamente, à "forte Arronches".

 

Lenda da Pedra da Moura
http://www.eb1-arronches.rcts.pt

Um pouco mais abaixo do sitio onde a ribeira de Arronches se junta com o rio Caia , fica uma grande pedra, chamada a pedra da Moura . É assim chamada porque se conta que nela está uma moura encantada.
Vivia aqui um rei mouro , pai de uma linda princesa que deveria casar-se com um nobre cavaleiro escolhido pelo pai , mas a princesa não queria porque estava apaixonada por um príncipe mouro que andava em guerra .
O pai, furioso, encantou-a naquela pedra. E conta-se que na noite de S. João, a princesa moura se senta na pedra a cantar lindas canções dedicadas ao seu jovem guerreiro.
E diz-se que quem passar nessa noite junto da pedra, fica encantado, também.
Ninguém acredita nesta lenda, mas o que é certo é que ninguém se atreve a passar por lá na noite de S. João.
Lenda contada pela Professora Júlia.

 


 

 

 

 


Avis – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Antiga sede da Ordem Militar de São Bento de Avis, a sua fundação remonta ao reinado de D. Afonso ll, carta de 1211. Foi fundada por D. Fernão Anes, mestre da ordem militar que a partir de então se passou a chamar de Avis. Conta a tradição que o castelo foi edificado em segredo, para que os mouros vizinhos o não notassem, os cavaleiros construíam de noite e pela manhã tapavam com ramos o que já tinham feito. Só quando os muros atingiram altura suficiente para os defender é que começaram a trabalhar livremente, perante os muito surpreendidos mouros.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O topónimo não foi tirado da designação posterior da Ordem de Calatrava, fundada pelos monges de Cister, mas, pelo contrário, a referida Ordem é que tomou o nome de Avis por lhe ter sido doado este lugar por D. Afonso ll, em 1211 notando-se que o respectivo castelo foi construído no tempo deste mesmo rei, sendo-lhe posterior a fundação da vila”.  

 

Avis
http://www.associacaogente.pt
Segundo Armando de Sousa Pereira, existem provas que demonstram que o lugar de "Abis" já existia antes da fundação de Portugal (seria uma aldeia berbere que se dedicava à agro - pastorícia). Os topónimos: Rua da Mesquita, Rua da Moraria; Travessa da Moraria..., segundo este, comprovam a ocupação muçulmana aquando da doação de Afonso II do lugar de "Abis" à Ordem de S. Bento (ou freires de Évora) no ano de 1211.
A Ordem, que após a doação de Afonso II se passou a chamar de Avis, alargou os seus poderes territoriais no Norte Alentejano, a partes do Ribatejo (por exemplo, Coruche) e a algumas áreas do Sul (como Barrancos).
A ligação da Ordem de Avis à Coroa de Portugal no século XIV, com a nomeação do filho bastardo de D. Pedro I, D. João para Mestre da Ordem, vai associar o nome de Avis à segunda dinastia que reinou dos séculos XIV a XVI.
Entretanto, com a perda de importância das Ordens Militares, Avis deixa de ter relevo no contexto nacional, ficando como memórias desses tempos áureos, um conjunto monumental que, constitui hoje a maior parte do seu centro histórico .
Já nos séculos XIX e XX, surgem no contexto da política nacional, algumas figuras locais de importância (embora relativa): José Paes de Vasconcellos Abrantes, deputado pelo Partido Progressista e Jaime Pimenta Prezado, deputado pela União Nacional.
Ainda, nas décadas de setenta e oitenta do século passado, o envolvimento social e político de boa parte da população de Avis no processo da reforma agrária, voltaria a trazer á tona o nome desta localidade. Uma das figuras de maior relevância ( não só no Alentejo, mas também a nível nacional) no desenrolar deste processo, seria o então principal responsável pela Cooperativa Primeiro de Maio, José Luís Correia da Silva.

 

Chancelaria das ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS ANTIGAS ORDENS MILITARES
Ordem de Avis
História

http://www.ordens.presidencia.pt
Tem origem na antiga Ordem Militar de S. Bento de Aviz, cuja fundação, por seu turno, está ainda envolta em lendas, tendentes a demonstrar uma maior antiguidade que a da Ordem Militar de Calatrava, a cuja observância se cingiu a partir do final do século XIII.
É, porém, opinião dominante entre os autores modernos, que a antiga ordem militar de Avis terá tido origem numa confraria de cavaleiros criada por, ou sob a protecção de D. Afonso Henriques, em data posterior à conquista de Évora em 1166, por Geraldo o «Sem-Pavor», entre os anos 1174-1175, tendo por finalidade assegurar a defesa da cidade contra as investidas dos mouros.
Cerca de 1187, teria recebido os estatutos e ter-se-ia submetido à obediência da ordem castelhana de Calatrava, tendo assim passado a ser conhecida com a Milícia de Évora da Ordem de Calatrava até que, cerca de 1223-24, tendo-se os freires de Évora mudado para Avis, sob o mestrado de Fernão Rodrigues Monteiro, passaram a ser conhecidos como Ordem Militar de Avis.
Em 4 de Janeiro de 1551, culminando um longo processo de crescente sujeição ao poder régio, o Papa Júlio III, acedendo ao pedido do rei D. João III, concedeu in perpetuum a união dos mestrados das 3 ordens militares à Coroa de Portugal, pela Bula Praeclara cahrissimi.
Reformada em 1789, pela rainha D. Maria I, a ordem enquanto ordem monástico-militar, com dupla sujeição ao Papa e ao rei de Portugal seu Administrador, viria a ser extinta em 1834, continuando como ordem honorífica na sequência da entrada em vigor da Carta Constitucional.
Reformada em 1894, viria a ser extinta, em 1910, conjuntamente com as restantes ordens honoríficas da Monarquia derrubada pela Revolução de 5 de Outubro.
Em 1918, sob o consulado sidonista foi restabelecida como ordem honorífica, tendo como grão-mestre o Presidente da República.
Esta ordem tem 5 graus, ordenados por ordem ascendente:
Cavaleiro ou Dama;
Oficial;
Comendador;
Grande-Oficial;
Grã-Cruz.
2006 © Chancelaria . Presidência da República

 

Mestre de Avis (mais tarde D. João l)
http://www.aac.uc.pt

Em 1357: Nasce D. João, filho bastardo de D. Pedro I - 1363: Apenas com 6 anos, é agraciado com o Mestrado de Avis. - Em 1383: D. João mata o Conde de Andeiro, valido de D. Leonor Teles, viúva do Rei D. Fernando (meio-irmão de D. João) e que se prepara para entregar o trono português ao Rei de Espanha; D. João, Mestre de Avis, é nomeado regente e defensor do Reino. - 1384: D. Nuno Álvares Pereira derrota os castelhanos na batalha de Atoleiros. - 1385: D. João é aclamado Rei nas Cortes de Coimbra, dando início à segunda dinastia portuguesa, dita de Avis; com o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em Aljubarrota arrasa as pretensões castelhanas à Coroa portuguesa; para comemorar a vitória, manda edificar o Mosteiro da Batalha. - 1386: Inicia a unificação interna do país, tentando sempre o equilíbrio das Finanças da Coroa; tentando sempre o equilíbrio entre os interesses da nobreza e da burguesia comercial; firma a aliança anglo-portuguesa que ainda hoje vigora - 1387: Casa com D. Filipa de Lencastre - 1415: Participa na tomada de Ceuta, iniciando assim a expansão ultramarina portuguesa. Escreverá depois O Livro da Montaria. - 1433: Morte de D. João I, Mestre de Avis.

 

 

 

 

 


Campo Maior – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Povoação de origens romanas, foi conquistada aos mouros, em 1219, pelos Peres de Badajoz e integrada na Coroa Portuguesa, em 1297, pelo Tratado de Alcanizes.

Origem do nome:

«Do, “Arquivo Histórico de Portugal – 1890”»: “Reinado de D. Dinis passou a vila à posse da Coroa Portuguesa, dando-lhe logo o monarca foral, que tem a data de 1219, ordenando que no ponto mais alto se edificasse um castelo, que se tornou uma das praças destinadas à defesa da Fronteira. Dessa construção lhe resultou o nome que usa.

Era costume e apenas construída uma fortaleza, edificarem-se muitas habitações em torno das muralhas; os povos procuravam este abrigo por causa das continuas lutas em que andavam empenhados, uma vezes com vizinhos, outras com árabes. Havendo questão sobre o lado para onde mais convinha estender a povoação, decidiu-se que fosse “campo maior”, o que se levou a efeito; ficando este nome para o novo bairro, passou daí a toda a vila”.

«Sobre Campo Maior (Ensaio) – inserto em Brados do Alentejo – 1932»: “Dizem os doutos que nenhum historiador nos fala do princípio da fundação de Campo Maior, nem no que respeita ao tempo da sua existência, geográfica e política. Todavia, como distante da vila há uma ermida chamada de São Pedro, junto da qual se descobrem vestígios de alicerces e edifícios que, segundo conta a tradição, são restos dalguma fortaleza romana, podemos inferir que é remota a sua origem.

De resto deixado pelos mouros, encontram-se referências nos escritores que afirmam ter sido a vila conquistada à gente do profeta (árabes) por Peres de Badajoz, no ano de 1219. Aparecem apenas algumas vagas notícias, de modo como se originou e formou o seu nome.

Diz a lenda que “pretendendo algumas famílias que viviam separadas e dispersas pelos campos, para sua maior segurança, uniu-se e formar povoações alguns dos seus chefes ou cabeças, tendo convencionado buscar terrenos acomodados aos seus dirigidos, partindo de seus rústicos lares com este destino e nesta diligência, um deles que havia seguido caminho diferente, começou a gritar pelos companheiros chamando-os e dizendo-lhes: aqui é o campo maior.

Acudiram os companheiros e achando lugar próprio para seus intentos, nele fixaram as suas moradas, dando princípio à povoação que tomou o nome por que fora designado o terreno”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ O primeiro elemento, Campo, é vulgaríssimo na nossa toponímia; encontram-se às dezenas freguesias e simples lugarejos com igual designação. O segundo elemento, é o conhecidíssimo adjectivo maior, de origem latina”.

 

Campo Maior
http://www.jornalfontenova.com
A origem do nome de Campo Maior conta com várias lendas e uma delas diz que a povoação foi fundada por vários chefes de família que viviam dispersos no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Descobrindo um espaço aberto, um diz para os outros: "Aqui o campo é maior". A mesma história é contada de outra forma, tendo como pretexto a procura de um local para a construção de um castelo.
Vestígios de proveniência diversa, como por exemplo o povoado pré-histórico de Santa Vitória permitem concluir que o actual território do concelho de Campo Maior foi habitado desde há vários milhares de anos.
Certamente foi uma Povoação Romana, dominada por Mouros durante meio milénio e conquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia pertencente ao concelho de Badajoz à Igreja de Santa Maria do Castelo.
Em 31 de Maio de 1255, D. Afonso X, rei de Leão, eleva-a a Vila.
O Senhor da Vila, o Bispo D. Frei Pedro Pérez concede, em 1260, o primeiro foral aos seus moradores assim como o seguinte brasão de armas : Nossa Senhora com um cordeiro, e a legenda "Sigillum Capituli Pacensis".
Em 31 de Maio de 1297, através do Tratado de Paz de Alcanizes assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.
Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312, e novamente ao rei D. Dinis em 1318.
O seu castelo que se ergue a leste da vila foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça forte de Portugal.
Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei D. João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se desloquem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio e ocuparem pela força, em fins de 1388.
D. João II deu-lhe novo brasão: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.
Em 1512, o rei D. Manuel I concede foral à vila de Campo Maior.
Desde os fins do Século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiam-se em Portugal. A população de Campo Maior vai aumentar substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no século XVI que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações. A necessidade de fortificar a vila que durante os três últimos séculos se desenvolvera acentuadamente para fora da cerca medieval, a urgência em construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos moradores da vila nova dos ataques dos exércitos castelhanos, vai obrigar o rei a enviar quantias avultadas em dinheiro, engenheiros militares, operários especializados e empregar um numeroso contingente de pessoal não qualificado. Os contingentes militares são então numerosos. Calcula-se que na segunda metade do século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias holandesas destacadas para o Alentejo. A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes. O invasor ao pretender entrar por aí, sofre pesadas baixas que o obrigam a levantar o cerco.
No dia 16 de Setembro de 1732, pelas três da manhã, uma violenta trovoada abate-se sobre a vila e o paiol, contendo 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, situado na torre grande do castelo é atingido por um raio, desencadeando-se de imediato uma violenta explosão e um incêndio que arrastou consigo cerca de dois terços da população.
D. João V determina a rápida reconstrução do castelo. A vila vai erguer-se lentamente das ruínas e aos poucos refazer-se para voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra e de local de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha, nos tempos de paz.
No século XVIII termina a construção das actuais Igrejas da Misericórdia e da Matriz, e lança-se a primeira pedra para a fundação da Igreja de S. João. A vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas actuais, Nossa Senhora da Expectação e São João Baptista, em 1766.
Os primeiros anos do século XIX são em Campo Maior de grande agitação. Um cerco, em 1801, pelos espanhóis, e uma revolução local, em 1808, contra os franceses que então invadiram Portugal o comprovam.
A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos.
Em 1811 surge uma nova invasão francesa que fez um cerco cerrado durante um mês à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência foi tal que deu tempo a que chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que põe os franceses em debandada, tendo então a vila ganho o título de Vila Leal e Valorosa, título este presente no actual brasão de Campo Maior.
As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior são também acontecimentos assinaláveis.
A «cólera morbis» mata, em 1865, durante cerca de dois meses e meio, uma média de duas pessoas por dia.
Em 1867, tentam extinguir Campo Maior como sede de concelho, agregando-lhe Ouguela e anexando-o ao concelho de Elvas. Tal decisão provoca um levantamento colectivo da povoação, que em 13 de Dezembro, entre numa verdadeira greve geral. A Rua da Canada deve o seu topónimo ao facto de ser palco de alguns confrontos neste contexto.
O concelho é definitivamente acrescido da sua única freguesia rural, em 1926 - Nossa Senhora dos Degolados.
Num percurso por Campo Maior e envolvência não se pode perder a visita atenta a algumas ruas com exemplo notáveis da arquitectura civil, nomeadamente dos séc.s XVII e XVIII, em particular nos seus trabalhos em ferro forjado.
Depois o castelo, o pelourinho, o Palácio do Visconde de Olivã e seus jardins, a Igreja matriz, a de S. João Baptista, a do Senhor dos Aflitos, a Capela dos Ossos, o Museu de Arte Sacra, a Igreja e Convento de Santo António, a Igreja da Misericórdia, a Casa do Assento, as portas da Vila (Santa Maria), a aldeia histórica de Ouguela, o seu castelo e a Igreja Matriz, o santuário de Nossa Senhora da Enxara, o rio Xévora, São Joãozinho, o povoado pré-histórico de Santa Vitória, as barragens do Caia e de Abrilongo, o Museu do Café ou a Igreja de Degolados são pontos de um roteiro a não perder.

 

Campo Maior
http://www.cm-campo-maior.pt
Origem do nome: A lenda diz que a povoação foi fundada por vários chefes de família que viviam dispersos no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Descobrindo um espaço aberto, um diz para os outros: "Aqui o campo é maior".Vestígios de proveniência diversa permitem concluir que o actual território do concelho de Campo Maior foi habitado desde a época Pré-Histórica.
Certamente foi uma Povoação Romana, dominada por Mouros durante meio milénio e conquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia pertencente ao concelho de Badajoz à Igreja de Santa Maria do Castelo.
Em 31 de Maio de 1255, D. Afonso X, rei de Leão, eleva-a a Vila.
O Senhor da Vila, o Bispo D. Frei Pedro Pérez concede, em 1260, o primeiro foral aos seus moradores assim como o seguinte brasão de armas : N. Sr.ª com um cordeiro, e a legenda “Sigillum Capituli Pacensis”.
Em 31 de Maio de 1297, através do Tratado de Paz de Alcanizes assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.
Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301 ; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312 ; e novamente ao rei D. Dinis em 1318.
O seu castelo que se ergue a leste da vila foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça forte de Portugal.
Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei D. João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se desloquem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio e ocuparem pela força, em fins de 1388.
D. João II deu-lhe novo brasão: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.
Em 1512, o rei D. Manuel I concede foral à vila de Campo Maior.
Desde os fins do Século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiam-se em Portugal. A população de Campo Maior vai aumentar substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no Século XVI que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações.
A necessidade de fortificar a vila que durante os três últimos séculos se desenvolvera acentuadamente para fora da cerca medieval, a urgência em construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos moradores da vila nova dos ataques dos exércitos castelhanos, vai obrigar o rei a enviar quantias avultadas em dinheiro, engenheiros militares, operários especializados e empregar um numeroso contingente de pessoal não qualificado. Os contingentes militares são então numerosos. Calcula-se que na Segunda metade do Século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias holandesas destacadas para o Alentejo. A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofre pesadas baixas que o obrigam a levantar o cerco.
No dia 16 de Setembro de 1732, pelas três da manhã, desencadeia uma violenta trovoada, o paiol, contendo 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, situado na torre grande do castelo é atingido por um raio, desencadeando de imediato uma violenta explosão e um incêndio que arrastou consigo cerca de dois terços da população.
D. João V determina a rápida reconstrução do castelo. A vila vai erguer-se lentamente das ruínas e aos poucos refazer-se para voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra e de local de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha, nos tempos de paz.
No Século XVIII termina a construção das actuais Igrejas da Misericórdia e da Matriz, e lança-se a primeira pedra para a fundação da Igreja de S. João. A vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas actuais, Nossa Senhora da Expectação e São João Baptista, em 1766.
Os primeiros anos do Século XIX são em Campo Maior de grande agitação. Um cerco, em 1801, pelos espanhóis e uma revolução local, em 1808, contra os franceses que então invadiram Portugal o comprovam.
A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos.
Em 1811 surge uma nova invasão francesa que fez um cerco cerrado durante um mês à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência foi tal que deu tempo a que chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que põe os franceses em debandada, tendo então a vila ganho o título de Vila Leal e Valorosa, título este presente no actual brasão da vila.
As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior são também acontecimentos assinaláveis.
A «cólera morbis» mata, em 1865, durante cerca de dois meses e meio, uma média de duas pessoas por dia.
Em 1867, tentam extinguir Campo Maior como sede de concelho, agregando-lhe Ouguela e anexando-o ao concelho de Elvas. Tal decisão provoca um levantamento colectivo da povoação, que em 13 de Dezembro, entre numa verdadeira greve geral.
O concelho é definitivamente acrescido da sua única freguesia rural, em 1926 – Nossa Senhora dos Degolados.

 

Campo Maior
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Remonta à origem dos tempos a presença humana no território onde hoje se situa o concelho de Campo Maior.
Diversas evidências comprovam este facto, desde cerâmicas, moedas, inscrições, até mesmo machados de pedra encontrados ao longo dos tempos e que vêm revelar uma existência desde as épocas mais recuadas.
Porém muito pouco se sabe desses tempos, desconhecimento que se estende até ao fim da presença Muçulmana em Campo Maior, em meados do Séc. XIII. Foi nesta altura, mais precisamente em 1219, em pleno reinado de Afonso IX, Rei de Leão, que a então aldeia de Campo Maior foi conquistada aos mouros por uma família do então concelho de Badajoz, a família Peres.
Mais tarde, por volta de 1255, esta localidade, por determinação de Afonso X, rei de Leão, foi doada á igreja de Santa Maria de Castela de Badajoz, da qual era na altura bispo D.Fr. Pedro Peres pertencente este também á família já referida. Ainda em 31 de Maio desse mesmo ano é elevada a vila pelo rei Afonso X.
Em 1297 Campo Maior, conjuntamente com Elvas e Olivença, passa a pertencer à coroa Portuguesa por troca com outras povoações, no denominado tratado de Alcanizes, firmado pelo rei de Leão e Castela D.Fernando IV e el-rei de Portugal D.Diniz. É-lhe então conferido por D.Diniz o título de vila portuguesa e um foral com inúmeros privilégios, por volta do ano de 1309. Em 1310 é mandado reedificar o castelo e amplia-lo, tornando Campo Maior numa das maiores fortalezas portuguesas.
No Séc. XV a vila crescia já para lá das muralhas. A Rua Direita, fora das muralhas, já existia em 1483, e por volta de 1500 a maior parte dos terrenos onde se encontram actualmente a Rua da Soalheira, a Rua Quebra-Costas, a Rua do Poço, a Rua da Paterna, a Rua Direita e a Rua da Estalagem Velha já estavam ocupadas com habitações.
Em 1512 através da carta de foral concedida por D.Manuel, a vila é incorporada no património da coroa com o privilégio de não lhe ser possível sair dela, de modo a assegurar a sua fidelidade ao Rei de Portugal.
Anos mais tarde uma epidemia de peste abate-se sobre Campo Maior, obrigando a população a abandonar a vila e a refugiar-se num local a que ainda hoje se chama Choças.
No Séc. XVI, já se encontravam habitações para lá dos Cantos de Baixo em direcção à Avenida. A rua de São Pedro já existia em 1530 e a então denominada Rua da Canada em 1561.
Os séculos que se seguem irão ser de Guerras, tragédias e profundas alterações na vila de Campo Maior.
Em 1640, devido à guerra com Castela e ao crescimento desmesurado da vila para lá das muralhas, surge a necessidade de uma nova fortificação, com cerca de 4 Km de perímetro, para defesa das habitações destas novas ruas. Manda então El rei João IV para Campo Maior elevadas somas de dinheiro, assim como engenheiros militares e operários especializados, dando também emprego a numerosas pessoas da vila no trabalho de edificação das novas muralhas "à francesa". É nesta altura grande o contingente militar situado em Campo Maior. Calcula-se que uma em cada quatro pessoas residentes na vila era militar.
Em 1712 a vila é sitiada tendo sido destruída grande parte das muralhas, mas tendo resistido heroicamente a brava população.
Em meados do ano de 1732 uma nova desgraça se abate sobre a vila. Desta vez uma trovoada faz cair um raio numa das torres do castelo, torre esta que servia de paiol, funcionando como uma bomba. A explosão e incêndio que se seguiram dizimam 2/3 da população da vila. D João V ordena a reconstrução do Castelo por forma a evitar invasões espanholas, ficando este de dimensões mais reduzidas.
A vila erguer-se-á lentamente das ruínas para voltar a ocupar um local de destaque nos momentos de guerra.
No Séc. XVII é terminada a construção da igreja da Matriz e Misericórdia.
Dois séculos mais tarde, ou seja em pleno século XIX, Campo Maior é cercada primeiro pelos espanhóis, em 1801, e depois pelos Franceses, em 1811, resistindo com bravura.
É nesta altura e como resultado das lutas internas em Espanha, que Carlistas e Republicanos se refugiam em Campo Maior entre 1834 e 1873.
Por volta de 1858 é inaugurado o actual cemitério.
Em 1859 os três últimos condenados à morte são executados no pelourinho da vila e sete anos mais tarde são mandadas calcetar as ruas de S.Pedro e das Pereiras. No ano seguinte é inaugurada a Ermida de S.Joãozinho. É nesse mesmo ano que se realizam os primeiros bailes de máscaras no Teatro do Castelo.
Em 1867 é feita uma tentativa de extinção de Campo Maior enquanto concelho, tentando agregar este e Ouguela ao concelho de Elvas. Esta decisão provoca um protesto colectivo por parte da população e em 13 de Dezembro desse mesmo ano a vila entra numa greve geral, sendo relembrado este dia pela mudança do nome da Rua da Canada para Rua 13 de Dezembro.
Quatro anos mais tarde a Câmara Municipal divide a defesa da Godinha em porções de cinco alqueires que sorteia e entrega a mais de 1300 chefes de família. Em 1881 é inaugurada a praça de touros de Nª Sr. da Enxara.
A partir de 1926 com o Estado Novo, é que Campo Maior fica definitivamente sede de concelho, englobando a freguesia de Degolados.

 

 

 

Castelo de Vide – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

A região de Castelo de Vide foi povoada em épocas remotas, o que é comprovado pela existência de núcleos dolménicos nos arredores, alguns classificados de monumentos nacionais. Nesta povoação recebeu D. Dinis os embaixadores de Aragão quando das negociações para o seu casamento com D. Isabel, mais tarde cognominada Rainha Santa. Este monarca concedeu-lhe foral em 1310 e D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ Leite de Vasconcelos, sábio mestre que foi a nossa primeira autoridade nestes assuntos, escreveu uma nota no semanário de Estremoz “Brados do Alentejo”, de 20 de Outubro de 1940. O mestre disse o bastante para excluir as duas últimas versões, mas, se quisesse, podia ter dito mais alguma coisa, pois considerar o último elemento componente de Castelo de Vide como sendo o imperativo de videre é disparate que não resiste a dois minutos de análise, senão vejamos:

1ª – Seria então um hibridismo toponímico – caso único em topónimos portugueses – composto por justaposição;

2ª – Equivaleria semanticamente a Castelo de Vê (tu), expressão que brigaria, não apenas com as leis morfológicas dos compostos, mas com a sintaxe e até com a lógica, o que mostra que este segundo embargo pode desdobrar-se em três.

Logo a 3ª versão não é só foneticamente inadmissível; é-o também, se a considerarmos sobre outros aspectos, linguísticos e lógico.

Quanto à 2ª versão – explicar o nome Castelo de Vide, porque o castelo divide – é outra hipótese, que cai facilmente perante a história, a lógica e também a linguística.

Resta a 1ª versão, que é a única aceitável e para a qual pode haver explicação satisfatória, qualquer que seja o ponto de vista sob que queiramos considerá-la.

O antigo topónimo Vila da Vide e a antiga grafia Castello Da Vide bastam para atestar a existência do substantivo vide, seja lá qual for a explicação histórica que queiram ou possam dar-lhe.

Quanto à mudança da preposição contraída da para de, é ainda um argumento a favor da 1ª versão, pois são inúmeros os nossos topónimos compostos, em que o último elemento aparece precedido por artigo (Angra do Heroísmo, Caldas da Rainha, Celorico da Beira, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Sever do Vouga, Viana do Castelo, Vieira do Minho, Vila Nova do Corvo, Vila Nova dos Reguengos, etc., etc.), Sendo esse elemento sempre um substantivo, o que se pode estabelecer como princípio fixo em harmonia com a própria função dos determinativos particulares.

É ainda Leite de Vasconcelos quem ensina (Lições de Filologia Portuguesa, 1ª edição, pág. 343) que, em topónimos compostos, a tendência geral da língua é mudar do, dos, da, das, em de, mas que esta simplificação não se faz de um jacto. Por isso Castelo de Vide foi Castelo da Vide, conforme ficou dito.

Quanto ao resto, só investigações demoradas e talvez principalmente locais poderão esclarecer o caso, que já não interessa à filologia, mas à história da vila e do seu brasão. Todavia, não repugna acreditar que, tendo sido aproveitada para a designação actual, Castelo de Vide, uma parte da designação antiga, Vila da Vide, e existindo já esta parte antes da Construção do castelo, o discutido nome vide, tenha sido escolhido para caracterizar o nome da terra, em virtude de qualquer acontecimento ou episódio sucedido em tempos muito remotos e de que não há memória, nada tendo que ver a sua explicação com o castelo. De casos congéneres não faltam exemplos na toponímia.

Mas, se assim não foi, teremos de optar por outra explicação e esta é-nos dada por J. J. Nunes, que foi competentíssimo professor da Faculdade de Letras de Lisboa. No Boletim da Classe de Letras (vol. Xlll, 1920) da Academia das Ciências de Lisboa e sob o título “a vegetação na toponímia Portuguesa”, escreveu o mesmo ilustre professor o que para aqui transcrevemos em seguida:

“Compreende-se facilmente que as plantas que mais abundavam ou o arvoredo em maior quantidade se encontrava nos arredores de sítios habitados deviam ter exercido influência bastante notável na sua nomenclatura e sido um dos factores que mais contribuíram para dar aos lugares os seus nomes; não é a vegetação que desempenha um papel importantíssimo na vida dos seus habitantes alimentando-os com os seus produtos?

Hoje, ainda que, devido à civilização e facilidade de comunicações, o homem não está adstrito exclusivamente ao terreno que o cerca quanto não depende a sua importância de serem ou não susceptíveis de cultura os seus contornos ? Não admira, pois, que em toda a parte a vegetação figure em quantidade superior a outro qualquer entre os elementos que contribuíram para a toponímia: árvores de grande corpulência e de vida várias vezes seculares, como simples arbustos e ainda plantas de duração quase efémera, em consequência certamente do seu predomínio, resultante da sua abundância, deram o seu nome aos povoados, em cujas cercanias se encontravam”.

Efectivamente, Avelar, Carrasqueira, Carvalhos, Carvalhosa, Castanheira de Pêra, Faial, Figueira, Figueiró dos Vinhos, Funchal, Juncal, Olival, Oliveira, Pinheiro, Pinheiros, Rego da Murta, Sabugal, Tomar e tantíssimos outros exemplos que confirmam o que ficou transcrito, pois são todos topónimos em cuja formação entraram nomes vegetais.

Porque não há-de ter sucedido o mesmo com Castelo de Vide ?”.  

 

Castelo de Vide
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Castelo de Vide é uma vila com cerca de 5000 habitantes, situada no Alto Alentejo, distrito de Portalegre. Castelo de Vide é sede de concelho e situada aproximadamente a 550 metros de altitude, a 16 Km da fronteira Espanhola.
O concelho de Castelo de Vide abrange uma área de 264 Km quadrados que se encontram repartidos por 4 freguesias  ( Sº João Baptista, Santa Maria da Devesa, Santiago Maior, localizadas na sede de concelho, e, Nª. Sª. da Graça á localidade de Povoa e Meadas ).
O nosso concelho faz fronteira com os concelhos de Nisa, Portalegre e Marvão.
Castelo de Vide fica situada no interior de Portugal, perto de Espanha. Em frente da vila de Castelo de Vide fica a serra de S. Paulo, integrada no Parque Natural da Serra de S. Mamede.
História:
Castelo de Vide foi tomada aos Mouros por D. Afonso Henriques que a doou a Gonçalo Mouzinho, cavaleiro nobre do tempo de seu pai.
Em 1180 dava-lhe foral particular Pedro Eanes. D. Afonso III doou-a a seu filho, o infante D. Afonso, juntamente com Portalegre e Marvão. Nas lutas que este teve com o seu irmão, o rei D. Dinis, Castelo de Vide foi um dos pontos de discórdia pois o infante desejava muralhá-la no que o rei não consentia. as discórdias entre os dois irmãos só terminaram em 1282 e D. Afonso cedeu a vila à coroa.
D. Dinis fez então algumas obras de defesa.
Dizem uns, que fundou o castelo, outros porém, opinam que o rei se limitou a edificar a torre de menage e a fazer algumas reparações. É possível realmente que no local já existissem quaisquer obras defensivas, que tenham sido aproveitadas por D. Dinis.
Desta altura data a importância histórica da vila.
Origem do nome:
A origem do nome de Castelo de Vide é geralmente atribuído a um vide ou vides que nasceram e abundaram no sítio do primitivo burgo onde depois se edificou o castelo; outros, porém consideram que esta vila se chamasse Vila Devide ou Divide por estar muito próxima da raia. Para os que aceitam a primeira hipótese o vocábulo Videtem tem origem na videira que figura no brasão de armas; para os segundos, esse vocábulo deve atribuir- se à posição elevada em que a vila se encontra e da qual se descobrem horizontes amplos que abrangem os dois lados da fronteira.
O que Castelo de Vide tem para lhe oferecer:
Castelo de Vide é uma terra de muitos sabores, de muitas cores e de muitos encantos...entre o intenso verde da serra ergue-se uma vila que muito tem para lhe mostrar, se aprecia a flora pode deliciar-se com as cores e os cheiros da muitas espécies aqui existentes: narcisos, crocus, arenárias, castanheiro, carvalho, pinheiro,... e muitas outras plantas que o vão encantar.
Ao nível da fauna, Castelo de Vide é uma zona privilegiada pela quantidade de animais que aqui podemos observar: Cegonha branca, águia de asa redonda, perdiz, abutre do egipto, raposa, javali, lebre, coelho, veado,... e tantas outras espécies que nos cativam pela sua beleza.
Se pretende almoçar ou jantar não pode deixar de saborear os nossos pratos típicos: Sopa de sarapatel, sopa de batata com pimentos, escabeche, cachafrito, alhada de cação, molhinhos com tomatada, pézinhos de coentrada e peixinhos da horta... são muitos sabores que o vão deixar com água na boca... os nossos doces são uma delícia, por isso prove a nossa boleima de maçã, bolo de castanha, bolo finto, bolo de massa e as queijadas.
Se gosta de perder o olhar no horizonte e observar o que é bonito, Castelo de Vide tem paisagens fascinantes: o Penedo Monteiro, a Praça Alta, Cipresteiro e muitas outras, mas terminar o seu passeio pela nossa terra não se esqueça de subir à senhora da Penha e depois desfrute da linda paisagem que se estende à sua frente e pode ter a certeza que jamais esquecerá tanta beleza...
Como recordações para os amigos e familiares pode levar uma peça do nosso artesanato: trabalhos em madeira e cortiça, trapologia (patch work), bonecos de barro, bordados e ferro forjado... não se esqueça que as recordações falam por si e fazem-lhe lembrar momentos únicos... por isso veja o nosso artesanato e leve consigo um pedacinho da nossa terra.
Somos um povo de brandos costumes, muito acolhedor e festivo, por isso aqui ficam as festas da nossa terra: Carnaval trapalhão, Semana Santa, Páscoa, as romarias da Srª da Luz, Nossa Senhora da Alegria e Nossa Senhora da Penha.
Castelo de Vide convida... não se esqueça de aparecer!...

 

Castelo de Vide
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"CASTELO DE VIDE: vilazinha medieval, cidadezinha moderna", como um historiador local a definiu, reúne um conjunto de valências que a tornam singular e admirável.
Da história, herdou vastos e ricos patrimónios. Se, por um lado, a arquitectura civil soube ir sedimentando, casa sobre casa, século após século, um casario harmonioso e singular, por outro, a arquitectura militar, colocando pedra sobre pedra, defendeu os moradores e as sucessivas guarnições acasteladas através de sólidas e imponentes muralhas, baluartes e torres - hoje miradouros de paisagens que desafiam os próprios limites da visão humana.
Desde as ruelas sinuosas e calçadas floridas do Burgo e Judiaria Medievais até às Praças modernas e sóbrias, destacam-se elementos artísticos e símbolos que perpetuam e monumentalizam a memória de culturas, de personalidades e de vivências, trazendo a cada momento do presente os mistérios e o fascínio do passado.
Este conjunto patrimonial, integralmente classificado como monumento nacional, resulta hoje num Centro Histórico Notável, circunscrito por cerca de 2,5 km de muralhas, proporcionando roteiros e ambientes maravilhosos e recebendo anualmente milhares de visitantes que a ele ocorrem vindos de todo o mundo.
Mas aqui a natureza também foi pródiga. Nestes campos vivem espécies vegetais e animais de origem mediterrânica, atlântica e continental, que coexistem numa paisagem de qualidade e intensa de contrastes. Esta riqueza ambiental permitiu classificar o lugar em área protegida, parte integrante do Parque Natural da Serra de São Mamede, onde os percursos convidam ao encontro e à descoberta da natureza.
A magia e a beleza deste Lugar completam-se com a forte herança cultural, enraizada por sucessivas gerações de homens e mulheres, anónimos ou ilustres, que a comunidade local ainda orgulhosamente preserva. No ciclo das festividades anuais assumem um valor inigualável alguns momentos, que consubstanciam séculos de tradições, de usos e costumes: manifestações duma personalidade colectiva de pessoas afáveis e hospitaleiras habituadas a receberem forasteiros e a despedirem-se como amigas.
Aqui, onde o tempo é vida, ninguém é indiferente às matizes da paisagem envolvente, à textura da pedra, aos sabores e aromas que transportam os segredos que a história confeccionou. Aqui, onde o tempo é tempo, vale a pena conhecer e desfrutar, demoradamente, caindo na doce nostalgia e quietude que a vila oferece e guardar o Lugar na memória.
Castelo de Vide, terra fundada na medievalidade, vive hoje preservando os seus marcos identitários ao mesmo tempo que assume um desenvolvimento integrado e sustentado dos seus recursos endógenos, ambicionando manter padrões de modernidade e planificando um futuro próspero para as gerações vindouras.
Ao Mundo Global que hoje trilha por estes caminhos virtuais, fica, pois, aqui este convite à realidade, apresentado por palavras e imagens infinitamente incompletas face ao deslumbramento desta "vilazinha medieval, cidadezinha moderna".

 

 

 

 


Crato – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Vila muito antiga, foi edificada no mesmo local onde em épocas remotas existiu uma cidade cartaginesa. O primeiro foral que lhe foi outorgado dato do ano de 127º. Em 1512, D. Manuel l concedeu-lhe foral novo.

A Ordem dos Hospitaleiros de São João de Jesuralém, que aqui esteve instalada, deu grande incremento e importância à povoação. No palácio que existia no interior do castelo, actualmente em ruínas, foi celebrado, em 1518, o casamento de D. Manuel l com D. Leonor. Mais tarde, em 1525, também aqui tiveram lugar os esponsais de D. João lll com D. Catarina.

Origem do nome:

«Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso – 1751”»: “ Segundo Ptolomeu e outros autores foi fundada muitos anos antes da vinda de Cristo Senhor Nosso, pelos cartagineses, quando vieram à nossa Lusitânia, segundo relata a Monarquia Lusitana, Catraleuca, derivada de seus fundadores.

Entre os bispos que assistiram ao Concelho Hiberitano que se celebrou no ano de 300, que foram dezanove, se acharam três portugueses, um dos quais se chamava Secundino, que se assina: Bispo Catraleucente, e conforme Ptolomeu, já alegado, este bispo era da cidade de Catraleuca, hoje a vila do Crato, que pouca corrupção conserva o princípio do dito nome”.

«Arquivo Histórico de Portugal»: “Foi no tempo de D. Afonso Henriques que se reedificou a vila, segundo diz Vilhena Barbosa, foi igualmente nessa época que ficou definitivamente adoptado o nome de Crato. Entretanto Pinho Leal diz que Cravo é palavra grega que significa forte, formidável, e com respeito a Castraleuca e Castraleucos diz que uma é Castelo Branco e que outra seria o Crato e que os árabes lhe corromperam o nome”.

 

 

 

 

Elvas – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

A sua fundação é atribuída aos romanos, de cuja presença subsistem inúmeros vestígios na região. Conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1166, foi perdida e definitivamente recuperada em 1230, por D. Sancho ll, que lhe concedeu foral, confirmado por D. Manuel l, em carta datada de Almeirim do ano de 1507. Mais tarde, em 1512, o mesmo monarca outorgou-lhe foral novo.

Elvas foi cenário das cortes convocadas por D. Pedro l, em 1361. De 1570 a 1881 foi sede de uma diocese, extinta após as desinteligências ocorridas entre o bispo e o deão, na Sé, incidente que inspirou o poema herói-cómico “O Hissope” de Cruz e Silva. Cenário de alguns dos factos mais importantes da nossa História ligados à independência, teve papel importante nas lutas que puseram fim à dominação espanhola.

Origem do nome:

«Do, Arquivo Histórico de Portugal – 1890»: “A origem de Elvas não parece duvidosa, e segundo o testemunho de Tito Lívio era habitada pelos celtas, que ocupavam esta parte da Bética, quando Marco Elvio ou Caio (nota: Caio parece que era um título honorífico entre os romanos, dado a capitães do exército que comandavam, e correspondiam ao Senhor ou Don). Marco Elvio, depois governador de grande parte da Lusitânia, entrou com poderoso exército, em 212 antes de Cristo, passando os rios Guadiana e o Caia, venceu os celtas e ocupou a actual Elvas, dando à povoação o seu nome de Elvic como à próxima ribeira onde esteve acampado o nome de Caia. O castelo é provável que fosse inicialmente de construção romana”

«Xavier Fernandes em topónimos e Gentílicos (1944)»: “ Perdem-se na bruma dos tempos as origens desta cidade alentejana do distrito de Portalegre. Conforme alguns têm escrito, os primeiros habitantes do local teriam sido celtiberos, a que se juntaram alguns helvécios, vindos das montanhas da Suiça, a respeito dos quais se diz que vieram à Península pelas alturas do ano 3.009 da criação do Mundo, isto é, quase dez séculos antes do começo da era cristã. Outros autores dizem que Elvas foi fundada cerca de 2104 antes de Cristo, pelos hebreus, que lhe deram o nome da cidade de Elba, pertencente à sua tribo de Ásser. Há ainda quem pretenda que Elvas tivesse tido mesmo por fundador o citado romano Marco Elvio ou Helvio, procônsul e primeiro governador da Hispânia Ulterior, parecendo, porém, que maiores razões assistem aos que o apontam, não como fundador, mas como reedificador. Esta última opinião não contradiz a daqueles que afirmam ter sido Elvas fundada pelos helvécios, que vieram à Península quase dez séculos antes de Cristo, constituindo uma das tribos da invasão céltica. O cónego Dr. Aires Varela, no capítulo Xl da sua obra Teatro Histórico das Antiguidades de Elvas, também afirma que foram os celtas os fundadores de Elvas.

Muito mais tarde, no segundo decénio do século Vlll da nossa era, Elvas caiu no poder dos árabes e então aparece o seu nome arabizado em três formas – Ieláh, Belch,e Jelch. Elidrisi, xerife e escritor mouro do século Xl, celebrou a povoação de Jelch, da província de Al-Kassr.

As divergências de opiniões, que se possam notar na indicação das origens históricas de Elvas, não devem prejudicar a determinação do étimo do mesmo nome, embora – que saibamos – não tenha ainda sido esclarecido devidamente por qualquer autor.

O topónimo Elvas deve, pois, filiar-se na forma latina Elvii, anteriormente mencionada, a par de Helvii, que aparece registada em bons dicionários latinos, já com nome da conhecida e atraente cidade alentejana”.

 

Elvas
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  Tomada aos árabes em 1166 por D. Afonso Henriques, foi perdida depois; reconquistada em 1200 por D. Sancho I, novamente voltou ao poder dos muçulmanos; D. Sancho II retomou-a em 1226, abandonando-a logo a seguir, mas em 1229, ano em que lhe concedeu foral, ficou definitivamente incorporada no território português.
        Em 21 de Abril de 1513, D. Manuel I confere-lhe o título de cidade e em 1570, D. Sebastião elevou-a a Sede Episcopal, extinta em 1882.
        Celebraram-se no Castelo de Elvas, em 1361, umas Cortes que ficaram históricas por nelas ter falado, pela primeira vez, o povo.
        A história de Elvas está ligada à Independência. Em 1336, o Rei de Castela Afonso IX, sogro de D. Afonso IV, cercou Elvas mas não conseguiu tomá-la (Batalha do Salado).
         Quando das guerras entre D. Fernando e Castela, a Praça de Elvas teve papel de relevo. Em 1381, D. João Rei de Castela, concentrou tropas e cercou Elvas sem resultado. No ano seguinte D. Fernando veio de Lisboa para Elvas reunir-se às tropas aqui concentradas para atacar os castelhanos, mas não chegaram a bater-se. Fez-se a paz e combinou-se o casamento de D. Beatriz, filhas de D. Fernando, com D. João I, de Castela. Quando D. Leonor Teresa proclamou, depois da morte de D. Fernando, D. João de Castela Rei de Portugal, Elvas amotinou-se. O povo, com Gil Fernandes (grande patriota elvense) a comandá-lo, assaltou o Castelo, prendeu o alcaide, que era Pedro Álvares, irmão de Nuno Álvares, e pô-lo fora. Gil Fernandes salvou-o de ser morto pelo povo enfurecido.
        Depois de aclamado D. João I, o Rei de Castela cercou Elvas, que foi defendida pelo seu alcaide, que era Gil Fernandes, valentemente. O cerco durou 25 dias mas os castelhanos tiveram que retirar-se.
        Depois da Batalha de Aljubarrota, foi de Elvas que partiu o Condestável para a batalha de Valverde, que ganhou (1385).
        Ao perdermos a Independência, no século XVI, o Duque de Alba ocupou a cidade por traição.
        Elvas teve uma importância capital na Guerra da Restauração. Aqui foi D. João IV proclamou Rei, em 3/12/1640. A seguir foi nomeado Governador da Praça João da Costa (Mestre de Campo). Em meados de 1641 e em Setembro do mesmo ano foi Elvas atacada pelo General Monterey, que foi repelido. Da última vez foi o Governador ao seu encontro, extra muralhas, e Moterey teve que retirar depois de curto combate. Em 1644 novo cerco e ataque a Elvas pelo General Torrecusa, com 15.000 homens e nova heróica e indomável resistência de Elvas.
         Mas o maior feito heróico, a que o nome de Elvas está ligado, á "Batalha de Linhas de Elvas", que teve altas consequências morais e materiais para os portugueses, vindos da esplêndida vitória alcançada no dia 14 de Janeiro de 1659.
        O Comandante das poderosas tropas castelhanas era Luís de Haro que investiu contra a Praça de Elvas e a cercou três meses. A guarnição elvense (11.000 homens, reduzidos por numerosas epidemias) resistia sempre aos 14.000 homens, 2.500 cavalos e numerosas artilharia castelhana.
        Logo de início, o seu Comandante André de Albuquerque, conseguiria passar as linhas castelhanas com outros oficiais e fora juntar-se ao exército de socorro organizado pelo Conde de Vila-Flor. Compunha-se de 8.000 infantes (2.500 regulares), 2.900 cavalos e 7 peças de artilharia. Saíram de Estremoz dia 11 e chegaram frente a Elvas dia 13. Na manhã de 14 o General Castelhano D. João Pacheco que saiu a reconhecer as nossas tropas, pensou que não atacaríamos nesse dia. D. Luís de Haro ordenou ao exército que reforçava a linha fronteira, que fosse para os quartéis. O nevoeiro que existia dissipou-se e o dia aparece cheio de sol. Os portugueses, que já na véspera se haviam preparado para a batalha, tiveram ordem de atacar. Mil homens escolhidos, na frente, comandados pelo Mestre de Campo, General Diogo Mendes de Figueiredo; 3.000 infantes, 1.200 cavalos comandados pelo Conde de Mesquitela e André de Albuquerque, na vanguarda; e ainda o grosso de tropas, 800 cavalos e artilharia, comandada por Afonso Furtado de Mendoça.
        D. Luís de Haro tentou remediar o mal feito, mas as nossas tropas entraram nas suas linhas, conquistaram um fortim e ao fim de algumas horas de luta renhida, tomaram mais fois fortins. Na luta perdeu a vida André de Albuquerque, muitos oficiais e soldados. Os castelhanos foram abatidos com imensas baixas e retiraram em desordem deixando inúmeros despojos.
        Também na Guerra da Sucessão Elvas teve, igualmente, um importante papel, pois aqui concentrou o Marquês de Minas as suas tropas para atacar a Espanha, onde tomámos Placência e Alcântara.
        Em 1706 e 1711 foi atacada pelo Marquês de Bay, mas repeliu sempre os ataques com grandes perdas para o inimigo.
        Na curta guerra de 1801, os espanhóis cortaram a ligação de Elvas com o exército português, e o seu Governador, D. Francisco Xavier de Noronha, foi convidado a render-se. Este respondeu, bravamente, que enquanto houvesse pedra sobre pedra nos baluartes, um soldado que pudesse disparar um tiro e fosse vivo o General Comandante, ninguém falaria em capitular. O inimigo retirou-se.
        Entre D. Pedro e D. Miguel, Elvas escolheu ser miguelista (1823-1827).
        Em Elvas se fez a paz entre alguns contentores: D. Dinis com o seu irmão D. Afonso, em 1292; D. Fernando com o rei de Castela D. João I, em 1382.
        Também se celebraram casamentos ilustres:
D. Beatriz, filha de D. Fernando, com D. João de Castela, em 1383;
infante D.João, filho de D. João III, com D. Joana, filha do Imperador Carlos V, 1552;
D. Teodósio, Duque de Bragança, com D. Ana de Velasco, em 1603;
do filho destes, D. João (mais tarde D. João IV) com D. Luísa de Gusmão (1633);
e D. José, Príncipe do Brasil (mais tarde Rei de Portugal) com D. Maria Anna de Bourbom, em 1719.

 

O Forte de Nossa Senhora da Graça
 
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 Construído no cimo do monte da Graça, um dos pontos mais altos desta zona do Alentejo, obrigou à demolição de uma antiga ermida aí existente e que fora mandada reedificar pela bisavó de Vasco da Gama.
Nessa ermida, denominada Santa Maria da Graça, existia uma imagem da Virgem que foi transferida em procissão para a igreja paroquial de Alcáçova. A propósito deste acontecimento, o Senado de Elvas, em vereação de Agosto de 1763 deliberou «que todas as pessoas que vivessem na Rua da Cadeia, Rua da Carreira e Praça, limpassem as ditas ruas e armassem as janelas para passar a procissão de Nossa Senhora que se transladava da ermida para a freguesia de Alcáçova e quem o não fizesse pagasse dois mil reis de cadeia»
Mais tarde, após a construção do Forte, esta imagem voltou ao monte da Graça, ocupando o lugar de honra na capela que aí se fez e donde veio a desaparecer com as invasões francesas, tendo sido, há alguns anos, localizada numa igreja de Vila Boim, donde nunca mais foi possível retirá-la, apesar das tentativas feitas.
Os trabalhos de construção da fortaleza, a 368 metros de altitude, começavam em Julho de 1763, por iniciativa do Conde de Lippe, que havia sido colocado à frente do nosso exército na campanha iniciada no ano anterior. Vinha de Inglaterra, a pedido do rei de Portugal, D. José I, para dirigir a defesa do reino, tendo-lhe sido dado o posto de marechal-general com o tratamento de Alteza Sereníssima. O seu nome foi dado ao forte, tendo D. Maria I, quando subiu ao trono, alterado a designação de Forte de Lippe para Forte de Nossa Senhora da Graça.
Esta obra exigiu ao povo da região os maiores sacrifícios. Logo no princípio dos trabalhos as carretas dos lavradores foram embargadas para o transporte de pedra e madeira, o que impossibilitou de satisfazer os seus próprios compromissos. No dizer de um contemporâneo «essa opressão tornou-se grandíssima em Elvas e seu termo com a falta para outros serviços de 3 a 4 mil homens que andavam trabalhando na obra do forte. E, para cúmulo, andavam a prender todos os moços de lavradores para servirem como soldados.»
Em Setembro de 1763 a construção continuava com muita força de gente; trabalhavam nas obras 6 mil homens e 4 mil bestas; só em acarretar água empregavam-se 1500 bestas. E todos os dias chegavam, sem cessar, novas levas de gente às quais, nos sábados, se pagava.
Neste mesmo ano, os condenados pelo Conselho de Guerra a trabalhos forçados revoltam-se, fugindo oito da prisão e sendo um morto pela sentinela.
Dois anos depois eram presos um capitão de Mineiros de nacionalidade inglesa e três soldados da sua companhia por roubarem pólvora.
O Hospital Militar, por sua vez, em face dos milhares de pessoas que trabalhavam na construção do forte, estava completamente repleto de doentes.
Durante o século XVII o monte de Nossa Senhora da Graça não beneficiou de qualquer obra de fortificação, o que deu azo aos espanhóis, durante o sítio de Elvas (1658-1659) instalar lá uma posição de artilharia que fustigou duramente a cidade.
O Forte da Graça é constituído por três corpos distintos: as obras exteriores, o corpo principal e o reduto central. O fosso que circunda o «hornaveque» tem 10 metros de largo e o «o caminho coberto», circundado por um parapeito que fecha toda a fortificação, tem um perímetro de cerca de 1350 passos.

 

Lenda de Elvas
Conta a lenda, a propósito de Elvas que “certo cavaleiro português foi a Badajoz no dia em que ali se realizava a procissão de Corpo de Deus, e arrancara das mãos do espanhol, que levava o alçado, um estandarte nosso que estava em poder dos habitantes daquela cidade fronteiriça". E acrescenta a lenda, "que o audacioso português, não podendo entrar em Elvas, por ter encontrado fechadas todas as portas, arremessara o estandarte para dentro das muralhas exclamando: “morra o Homem mas fique a fama!” caindo seguidamente em poder dos espanhóis, que o capturaram e levaram para Espanha, onde o mataram".
Duas versões, da mesma lenda, elevam a qualidade do Homem e do Soldado português que por amor a uma causa sacrifica a própria vida.
A primeira versão, diz-nos que o Governador da Praça-Forte de Elvas, por brincadeira e conhecendo a valentia do soldado, lhe prometera o posto de general e o Governo da praça se fosse capaz de ir a Badajoz arrancar aos espanhóis o estandarte que era nosso e o trouxesse consigo. Já na segunda versão, o governador que não via com bons olhos o namoro da sua filha com determinado oficial seu, ter-lhe-á dito que só daria a mão de sua filha a um fidalgo ou oficial, que se tivesse tornado ilustre por um grande feito de armas. E referiu, o governador a hipótese de recuperar o estandarte roubado a Portugal.
Num e noutro caso se saem os audaciosos cavaleiros vencedores do feito, mas o governador nega-lhes a entrada na cidade ao fechar-lhes as portas da mesma, sendo ambos mortos por Castela, não sem que antes tivessem recuperado o ditoso estandarte.
Ainda de Elvas, para recordar, não sem um misto de tristeza e indignação pelos castigos que aí foram infligidos aos presidiários militares, a cerca de um quilómetro da cidade, localiza-se a célebre Praça-Forte de Elvas, de nome mais actual Forte da Graça que, de "Graça" não tinha "Graça" nenhuma, como está explícito na leitura de uma inscrição existente numa das paredes interiores do Forte: "Neste Forte onde impera a disciplina e a concepção duma possível regeneração a seguir pelos incorporados, há o propósito de indicar-lhes o caminho que desvirtuaram, mas ainda a tempo de ser trilhado como homens livres, honrados e úteis à sociedade."

 

 

 

 

Fronteira – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Foi fundada no ano de 1226, pelo mestre da Ordem de Avis, Fernão Rodrigues Monteiro. D. Manuel l concedeu-lhe foral em 1512. Nas arredores desta localidade travou-se a Batalha dos Atoleiros, entre os partidários do mestre de Avis ( D. João l) e os do rei de Castela.

Origem do nome:

«Do, Arquivo Nacional (Direcção de Rocha Martins ) 1936»: “ Fundada pelos cavaleiros de Avis, cerca de 1226, era uma vila cercada de muralhas torreadas, destruídas hoje, em grande parte. Tem um castelo com duas torres, tendo desaparecido as restantes sete que guarneciam a fortaleza.

Alguns autores dizem que o fundador da vila foi D. Dinis, pelo ano de 1290, e que perguntando-se-lhe onde queria ele que ela fosse edificada, o monarca, apontando para o lugar onde actualmente está, respondeu: “na fronteira”, donde lhe proveio o nome”

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ é o mesmo nome comum fronteira, aproveitado para topónimo, explicando-se a escolha da designação com o facto de terem sido os seus habitantes encarregados de vigiar os vizinhos temerosos, por o povoado servir então de fronteira, o que há muito não sucede, como é sabido”.

 

 


Gavião – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

 

Crê-se que a povoação já existisse no tempo dos romanos. D. Manuel l, em 1519, concedeu-lhe foral.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes e, Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Parece que, na maioria dos casos, o topónimo é o mesmo nome comum duma conhecida ave de rapina. Nos restantes casos, pode ser um derivado de Gabilonem, caso oblíquo de Gabilo. Sucede porém, que ainda não se disse a última palavra sobre o étimo do nome da ave de rapina, tendo-se até admitido que esse étimo seja também germânico (gótico), podendo assim acontecer que, em todos os casos, o vocábulo seja originariamente o mesmo”.

 

Gavião
http://homepage.oninet.pt

Gavião, à borda d`agua , bem aproximada do Tejo que por aqui se torna num espelho transparente da natureza, do homem e da vida. Região que dá vida a quem vive do azeite e da cortiça e de ricos rebanhos. Região que sorri a quem gosta de raras harmonias de azuis e de verdes, ou de um dia bem passado à caça, por encostas e vales cobertos de fileiras de oliveiras a perder de vista. Também para alguns que cansados de tanta pressa, desejam apenas o sossego e gozar os prazeres da água e do sol que a barragem de Belver lhes oferece.
E num subido monte, sobranceiro ao Tejo, ergue-se, elegante e bem conservado, o castelo da vila de Belver, também ele há tanto tempo encantado por esta festa da Natureza.
Ambiente tranquilo de casas simples, num espaço onde se misturam muros, beirados, chaminés, terreiros livres, jardins floridos, baloiços, torres de pequenas capelas e um sério pelourinho, sinal da lei e da justiça do passado.
Espalhados, por aqui e por ali, ofícios de outros tempos, cantarias desenhadas e saliências brasonadas. Perto a praia fluvial do Alamal, local paradisíaco pelo quadro natural que a envolve.
No Gavião podemos visitar:
O Pelourinho, e a sua Igreja, edifício típico, com fachada baixa, porta com guarnições de granito e janelão sobreposto. Ao pé fica a Barragem de Belver, uma das mais antigas do país que controla a água por um sistema de comportas. Aqui praticam-se desportos náuticos como o windsurf, a vela e a pesca. Nesta zona a paisagem começa a variar da paisagem típica Alentejana para a beirã do xisto e das oliveiras. Também podemos visitar o Castelo de planta circular, erguido na fronteira árabe do Tejo em 1194 por D Afonso Pais, Prior da Ordem do Hospital no tempo de D Sancho I e reedificado em 1390 por D. Nuno Álvares Pereira. Pertenceu à ordem de S. João de Jerusalém. A Capela de São Brás, do Castelo e é outro monumento que vale a pena visitar. Capela de muita devoção do Infante D. Luís, filho de D. Manuel à qual ofereceu relíquias que se encontram no seu sacrário, e onde existe um belo retábulo de castanho mostrando S. Brás apoiado num porco. Podemos ainda apreciar na margem do Tejo todo o arvoredo da quinta do Alamal com a sua praia fluvial que faz as delícias dos campistas. Belver foi uma das doze vilas do priorado do Crato.

 

Gavião
http://www.inatel.pt/tempolivre
O rio Tejo divide o concelho de Gavião e deixa Belver, a única freguesia do Alentejo para lá do espelho de água. Neste ponto a paisagem ganha um recorte particularmente deslumbrante. Do castelo assente sobre rocha, o leito escorre lá bem em baixo, junto à praia fluvial do Alamal. Do outro lado, a placidez do rio remata a imponência da fortaleza, num extraordinário conjugar de forças.
Uma visita ao concelho de Gavião, pode muito bem começar pelo castelo de Belver, não só pela sua inequívoca beleza, mas como pela sua importância histórica, que vem desde o longínquo ano de 1212, data da conclusão da construção do forte. Como não podia deixar de ser, serviu primeiramente, para defender o território já conquistado aos muçulmanos e, mais tarde, como contenção aos avanços de Castela. Originalmente e durante cerca de um século a fortaleza pertenceu à Ordem dos Hospitalários.
Hoje o edifício de formato ovalado, torre de menagem ao centro e capela renascentista, mantém uma imponência que lhe advém da sua beleza arquitectónica, mas também da sabedoria e altivez inscritas nas muralhas de uma construção que viveu momentos únicos do início da nação portuguesa.
Sobre a muralha o carreiro prossegue acentuado de quando em quando por ameias e ladeado por seteiras, por onde os defensores disparavam as setas para impedir a conquista do castelo. Uma cisterna e os pisos superiores da torre de menagem, usados na promoção de eventos culturais, compõem o resto do conjunto.
Depois desça, atravesse a ponte e suba a encosta para a voltar a descer em direcção ao Alamal. Aqui fica uma das poucas praias fluviais portuguesas com direito a bandeira azul. Estacione mesmo ao lado da pousada do INATEL, siga para esplanada para usufruir da vista, ou, caso não esteja cansado, não perca um passeio ao longo da margem do rio, por um passadiço de madeira com curvas e contracurvas e escadas que sobem e descem ao sabor da vegetação. O passeio não é longo e é muito fresco e agradável. De volta ao Centro Integrado de Lazer do Alamal – que reúne, ainda, óptimas condições para a prática de desportos fluviais e BTT - aproveite para fazer um passeio de canoa. Não há nada melhor do que observar um rio e a paisagem circundante do seu leito. Caso o faça entre Setembro e Abril, pode ser que tenha a sorte de ver os lindíssimos Corvos Marinhos de Faces Brancas.
Homem e Natureza em harmonia
Apesar do concelho de Gavião e das suas cinco freguesias – Gavião, Atalaia, Belver, Comenda e Margem – não ser parco em interesses patrimoniais, é a natureza plena de força com o rio, os montados, os olivais e uma geografia que varia entre a planície e as encostas já algo graníticas, que lhe conferem a graça. A simplicidade das casas das povoações surge num ambiente calmo e agrícola. A reforçar os traços singelos surgem um pouco por toda a região as igrejas e capelas de arquitectura rural religiosa, como é o caso da Capela de Nossa Senhora do Pilar, construída nos finais do século XVII, em Belver. Ainda nesta freguesia resta o percurso que lhe dará acesso, a partir da povoação de Torre Fundeira, à Anta do Penedo Gordo. O caminho estreito com uma extensão de cerca de um quilómetro levá-lo-á a este túmulo classificado como Imóvel de Valor Concelhio, desde 1996.
Numa área onde abundam as ribeiras, não é de estranhar a abundância de moinhos de água. Comece por visitar o único ainda em funcionamento, em Vale de S. João e continue ao longo da Ribeira de Margem. Ambos os locais situam-se na freguesia da Comenda onde deverá ir também à ponte antiga de pedra sobre a ribeira da Venda, de origem romana. Com uma alvenaria em argamassa mista e um tabuleiro coberto por uma calçada constituída por enormes blocos de pedra, este é um excelente local para descansar e fazer um piquenique, no parque de merendas implantado aqui para esse mesmo fim.
Conscientes do interesse da sua região, cerca de 15 instituições juntaram-se para criar, em Abril de 2003, o Parque Arqueológico e Ambiental do Médio Tejo tem como objectivo preservar, inventariar, estudar e divulgar vestígios de acampamentos de caçadores-recolectores, transformações ambientais, os primórdios da pastorícia e da agricultura, a evolução urbana ao longo de mais de três mil anos, entre outros. A entrada mais próxima de Gavião faz-se pelo Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, situado em Mação. Nas suas actividades promovem passeios, acompanhados por monitores, um dos quais à Ribeira da Atalaia, numa tentativa de explicar os vestígios de ocupação do Homem de Neandertal e dos Homens Modernos.
É de terra e de rio que vivem as populações, do vinho, azeite e cortiça, da criação de gado bovino e da pesca no rio e se não bastasse a singela simpatia das gentes, o reforço de uma visita futura surge na riqueza da gastronomia onde imperam as enguias, o sável e o achigã, ou a lebre com couve e o javali.
Paula Carvalho Silva [texto] José Frade [Fotos]

Guia
Situado no Norte Alentejano, bem no centro do país, o concelho de Gavião, que ocupa uma superfície de quase 300 mil quilómetros quadrados, pertence ao distrito de Portalegre e tem a Norte o concelho de Mação, a Sul os concelhos de Crato e Ponte de Sôr, a poente Abrantes e a nascente Nisa.
Ir
Siga pela A1, saia em Torres Novas em direcção a Abrantes e percorra a IP6 até ao desvio para Belver e Gavião.
Dormir
Inatel Gavião, no Alamal, tel. 241639090/1: Na antiga quinta do Alamal, comprada pela Câmara de Gavião foi construído um Centro Integrado de Lazer do qual faz parte um edifício do século XIX reconstruído e transformado em estrutura hoteleira com 20 quartos duplos (com casa de banho privativa, aquecimento central, telefone e TV) e mais três na Casa, dotada de um forno para grelhados. Um casal paga na estação média-baixa 45 euros por diária, com pequeno - almoço.
Ao lado do edifício principal fica um parque de campismo em socalcos, logo em baixo uma lagoa, a praia e a esplanada.
Qta. do Belo-Ver, Belver, tel. 241639040: Sete quatros, court de ténis e piscina.
Qta. do Carvalhal, em Gavião, tel. 918682711/241638888: Passeios a cavalo e piscina num turismo rural com quatro quartos disponíveis.
Comer
Kabra’s, em Ortiga, já no concelho de Mação, mas apenas a dois quilómetros da barragem de Belver, tel. 241573346/962835313: Belas enguias com açorda de ovas de peixe e magníficos secretos de porco preto, num ambiente familiar e rústico. Não se assuste com o aspecto exterior do restaurante, porque o interior é muito agradável. Ao fim-de-semana convém reservar mesa.
O Alamal, tel. 241631057: Óptimo para os petiscos de fim-de-tarde, enquanto cai o pôr-do-sol.

 

 

 

 

Marvão – (Concelho do Distrito de Portalegre”

 

 

 

 

Povoação conquistada aos mouros em 1166, mas só povoada, por D. Sancho ll, a partir de 1226.

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1890»: “O actual nome de Marvão provem-lhe de Maruam ou Marvan, mouro africano, senhor de Coimbra que a mandou povoar e deu-lhe seu nome, porque a haviam destruído dos árabes quando invadiram a Península, fazendo grande matança nos Cristãos. O primeiro monarca português, aquele grande e destemido guerreiro tomou a vila aos mouros, em 1166, e D. Dinis mandou-a cingir de muralhas, e construir o seu castelo, em 1299”:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Marvão representa o antigo nome de homem, Maruan (do século X), e o segundo elemento componente, - vão, parece ser o gótico, Wans, deficiente, livre de alguma coisa, vazio. Em nomes germânicos, é muito comum o primeiro elemento, que já ficou anteriormente explicado, noutros topónimos em que também entra”.

 

Marvão
http://motoclubemarvao.no.sapo.pt
"Mui Nobre e Sempre Leal Vila de Marvão"
Implantada na Serra de Marvão a uma altitude de 865m, a vila de Marvão forma com a cidade de Portalegre e com a vila de Castelo de Vide o denominado triângulo turístico do Norte Alentejo. Presume-se que a origem da vila, no seu primitivo Burgo, é mourisca, como se deixa ver pelo próprio nome, de descendência árabe devido ao refugio em 876 de um ilustre membro da família Marwan que se dizia ser audaz e temível, nunca se dando por vencido, e que ganhou grande reputação por entre os populares; por isso, a montanha sobre a qual se ergue a vila, então chamada de "Amaiense", passou a chamar-se de "Amaya Ibn Marwan", nome este que perdeu o apelativo à cidade romana de Ammaia depois da reconquista cristã, ficando o topónimo Marwan, mais tarde transformado em Marvão; o povo da região dá ao vocábulo a significação simples e o sentido pejorativo de Mal - Vão, cuja origem se pretende filiar no costume de se mandarem para ali os prisioneiros de guerra e militares condenados a desterro. No entanto, o castelo e a sua fortaleza são de origem bem portuguesa.
Marvão é vila e sede de concelho. A área actual do concelho tem por limites, a norte o rio Sever, que constitui a raia internacional de Portugal e Espanha e separa o concelho de Marvão do vizinho concelho de Valência de Alcântara, a nascente a raia convencional que separa os dois países, a sul o concelho de Portalegre e a poente o concelho de Castelo de Vide.
O concelho de Marvão é constituído por 4 freguesias: Santa Maria, São Salvador de Aramenha, Santo António das Areias e Beirã. Pode considerar-se dividido em três zonas características: uma parte montuosa e acidentada que ocupa quase toda a freguesia de São Salvador de Aramenha, com férteis e produtivos vales abundantemente regados onde predominam as culturas lenhosas (soutos de castanheiros e castinçais), as culturas hortícolas e bons pomares; uma segunda zona, nas freguesias de Santo António das Areias e Beirã, com largas manchas de afloramentos graníticos onde predominam as culturas de cereais, as pastorícias, lavouras e queijeiras; e uma terceira zona, com elevado património histórico, onde se instalou a vila sede de concelho.
Actualmente, a vila de Marvão vive essencialmente do turismo. Sempre difícil foi povoar o lugar, pois, quem escolheria o topo de uma fraga, sem água nem terras, para construir uma vida? Integrado no reino de Portugal por D. Afonso Henriques em 1166, o aglomerado estava completamente em ruínas. D. Sancho II concedeu-lhe foral em 1226, atribuindo regalias especiais, como isenção de tributos e contribuições, aos moradores que quisessem fixar-se e construir casas no local. D. Dinis mandou reconstruir o castelo e a cerca de muralhas em 1299 e foi D. Maria II quem deu a Marvão o título de "Mui Nobre e Sempre Leal Vila de Marvão". Forçando ainda o povoamento, institui-se um couto de homiziados em 1378 e concedem-se vários privilégios ao longo do século XV, como a libertação de moradores que quisessem fixar-se de acções judiciais por crimes que tivessem cometido (extinto em 1790). Às tradicionais funções defensivas aliam-se, no século XVI, as de carácter jurídico e administrativo: o foral atribuído por D. Manuel em 1512 constituía o extenso concelho de Marvão com sede na povoação. Ainda no século XVI, a vila atinge um pico demográfico com cerca de 1450 habitantes em 1527. Nos dias de hoje, são pouco mais de 185 os habitantes residentes intramuros.
"Visite Marvão, Burgo Medieval!"

 

Castelo do Marvão
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Talvez um dos mais emblemáticos e agrestes castelo Portugueses, surpreende-nos pela sua austeridade e extraordinária beleza.
No mais alto dos píncaros da serra de Marvão, duas dezenas de quilómetros a nornordeste de Portalegre, tem assento a vila que à serrania deu o nome, e que, se porventura corresponde à povoação lusitana denominada Medobriga, entrou na história quando, nos meados do primeiro século da era cristã, decorrendo as lutas travadas na Península entre César e Pompeu, tropas daquele, sob o comanda do propretor Caio Longino, a conquistaram.
         Situada a poucas centenas de metros da ponte da Portagem, pela qual transpunha o Sever a rodovia integrada no sistema vial com que mais tarde os Romanos dotaram a Península, e que, vinda de Cáceres, se dirigia a Santarém, muito natural é que eles se interessassem por aquele alto que comandava o curso do referido afluente do Tejo.
         Do que ali se passou em tempo dos sucessivos dominadores da região, Romanos, Suevos, Visigodos e Árabes, nada se sabe com Segurança, e só dos tempos muçulmanos, uma tradição, com seu ar de lendária, atribui a certo chefe denominado Marvam a conquista da povoação e a origem do persistente topónimo.
         De qualquer modo, Marvão era ainda Muçulmana quando já as hostes do primeiro Rei português se tinham assenhoreado de Alcácer do Sal, e mesmo penetrado no coração do Alentejo. A conquista de Marvão pelos Portugueses é geralmente atribuída a 1166, ano que nalguns escritos aparece transformado em 1116, por evidente lapso. Aquela data corresponde realmente à conquista e temporária posse de Cáceres, Montanches e Serpa, precedida no ano anterior pela de Trujilho e pela reconquista definitiva de Évora; porém, quanto a Marvão, não se conhece qualquer documentação que integre a sua conquista nessa série de operações militares. Todavia em 1214 era já firmemente portuguesa, pois se indica na demarcação no termo de Castelo Branco.     
         Acentuando-se os seus progressos e o interesse português por essa praça fronteiriça, recebeu Marvão foral em 1226.
Meio século depois, nos primeiros tempos do reinado de D. Dinis, Marvão, cujo senhorio, conjuntamente com os de Portalegre, Arronches e Castelo de Vide, Afonso III outorgara a um dos seus filhos, Afonso Sanches, figura de algum modo na discórdia então travada entre este infante e aquele Rei, seu irmão primogénito.
         Nos fins do século XIV, Marvão tomou parte entre as primeiras terras portuguesas que secundaram o Mestre de Avis, D. João, no levantamento nacional subsequente à morte de D. Fernando; e, séculos volvidos, um idêntico sentimento patriótico fez ecoar em Marvão o grito de revolta de 1808, com a primeira invasão francesa.
Povoação fortificada, Marvão conserva quase intactas as suas velhas edificações militares, que no seu conjunto representam o somatório de reconstruções e ampliações, paralelas à história da vila, e cujos inícios remontam, possivelmente, a um passado já romano e ao de construções muçulmanas. Esse conjunto é constituído por uma muralha interior, torreada, que cerca o terreiro do castelo, e adossada à qual se ergue a torre de menagem cuja construção é atribuída a D. Dinis. Envolvendo esse núcleo há uma segunda muralha, ameada e torreada, e por fim uma barbacã. Finalmente, partindo daquela, alonga-se a muralha que circuita a vila, e na qual, em tempos da Restauração, foram acrescentados alguns baluartes de configuração adequada à setecentista arte militar.
         Por este conjunto cuidadosamente tem velado a louvável Liga dos Amigos do castelo de Marvão, que assim simultaneamente torna perdurante a memória do patriótico passado da sua terra.

 

 

 

 

Monforte – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

Vila conquistada pelo rei D. Afonso Henriques em 1139, foi povoada por D. Afonso lll, em 1257. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1512. Monforte foi fundada no alto de um forte monte, o que deu origem ao seu nome. O castelo, com quatro baluartes, fossos e cisterna, possuía uma cerca de muralhas envolvendo toda a vila. Essa cerca foi desmantelada depois das convenções que se seguiram à últimas guerras travadas com a Espanha.

Origem do nome:

« Vilhena Barbosa em As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza que têm Brasões d’Armas – 1860»: “Está fundada esta vila sobre um monte alto e de difícil acesso principalmente do lado do norte, e desta sua posição tirou o nome de Monforte, abreviatura de Monte forte. O autor da Corografia Portuguesa descreve a configuração da vila do modo seguinte: “É semelhante a uma galé; na proa está a torre de menagem do castelo, com mais de três torres e quatro baluartes, cisterna, cava, e cerca bem fortificada; a proa é a torre em que está o relógio, para a parte sul, ficando toda ela cercada de muros com quatro portas”.

«Do, Arquivo Histórico de Portugal – 1890»: “É de antiga origem – porém, a época da sua fundação é ignorada, e bem assim o nome de seu fundador. É a vila cercada de muralhas, e tem o seu castelo, torre de menagem, e mais quatro torres. A povoação assenta em um alto, segundo o uso das antigas, sempre que queriam fortificar qualquer povoação”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O nome desta vila está em condições idênticas às de Mon-Beja, isto é, resultou do encurtamento da expressão Monte Forte, o que parece indicar um passado heróico com cercos, combates ou aventuras guerreiras”.

 

Monforte
http://www.cm-monforte.pt
Monforte, povoação antiga conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques (1139), recebeu o 1º Foral em 1257 concedido por D. Afonso III , e o 2º em 1512 por D. Manuel I. O Castelo bastante primitivo, foi reconstruído por D. Dinis em 1309.
Este Concelho é "rico" em vestígios Pré-Históricos (Antas e Castros), e da Época Romana dos quais se destaca a famosa "Villa" Lusitano-Romana de Torre de Palma (Séc. I a VI D.C.).

 

Monforte
http://www.gt.estt.ipt.pt
Elementos Históricos: 
Sobre Monforte não existe uma data precisa sobre a sua origem ou fundador. Esta vila está situada no alto de um monte, onde provavelmente já existiria uma povoação antes da chegada dos Romanos a esta região. Julga-se com a chegada dos Romanos a esta região se tenha construído um “opiddium” (povoado fortificado). Os muçulmanos ocuparam-no até 1139, altura em que foi conquistado por D. Afonso Henriques.
Em 1168 os moradores desta vila recebem uma carta de concessão de privilégios pelas mãos de D. Afonso Henriques.
Mais tarde esta vila viria a cair em mãos dos muçulmanos que estariam instalados no castro de Ayamonte (actual cabeço de Vaiamonte).
Em 1257, D. Afonso III concede a primeira Carta de Foral à Vila e termo de Monforte onde foram concedidos amplos privilégios aos moradores desta vila como forma de povoar esta região.
Em 1309 D. Dinis manda construir uma nova fortaleza sobre as ruínas do antigo Castro (construíram-se quatro torres, incluindo a de menagem, e uma nova cerca de muralhas reforçadas por um largo e profundo fosso) para desta forma proteger esta povoação e para dar mais segurança aos seus habitantes.
Em 1358 são concedidos amplos poderes aos moradores da Vila de Monforte que foram sempre confirmados por todos os monarcas portugueses. Durante a Crise de 1383-85 esta vila foi ocupada por Martim Anes Barbuda, que aqui se refugiou após a batalha dos Atoleiros e que a manteve sobre seu domínio durante alguns dias.
D. João I doou esta vila ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em data incerta (1391-1395), pelos serviços prestados durante a Crise de 1383-85.
D. João I concedeu aos habitantes desta vila amplos privilégios que foram sempre confirmados até D. João III.
Por volta de 1515 o Padre Fernão Zebreiro Moutoso lança as bases do convento do Bom Jesus de Monforte, propriedade das Santíssimas Freiras Franciscanas da Ordem Terceira, este convento só foi reconhecido oficialmente em 1520 através da Bula Papal de Leão X.
Em 1542 Monforte passa a pertencer à casa de Bragança, como dote de D. Isabel mulher do Duque D. Teodósio I.
No séc. XVII, no reinado de D. João IV, construíram-se quatro baluartes no castelo.
Em 28 de Junho 1662 D. João de Áustria conquista a vila de Monforte para os Espanhóis, mas a 11 de Julho de 1662 e reconquistada pelos Portugueses que aproveitaram a retirada das tropas Espanholas para Badajoz. Esta praça forte sofreu várias investidas do Exercito Espanhol durante a Guerra da Sucessão de Espanha.
Em 1801 Monforte sofre uma violentíssima investida pelas forças Espanholas que destruíram o Castelo Primitivo, ficando apenas de pé alguns panos de muralha e uma torre de Menagem. A 9 de Setembro de 1887, nasce nesta vila António Sardinha (António Monforte) grande poeta e doutrinador político, fundador do Integracionismo Lusitano.
A 26 de Setembro de 1895 o concelho de Monforte é extinto administrativamente durante 3 anos passando Monforte a fazer parte do concelho de Arronches, a 13 de Janeiro de 1898 é restaurado o concelho de Monforte, com as seguintes freguesias: Monforte, Assumar, Santo Aleixo, Vaiamonte e Prazeres.
A 10 de Janeiro de 1925 morre António Sardinha, vitima de Septicemia.
Tipo de Arquitectura: O castelo medieval de Monforte é de cariz militar.
Em 1309, por ordem do rei D. Dinis, é construída uma nova fortaleza em Monforte (com quatro torres, incluindo a de menagem, e uma nova cerca de muralhas reforçadas por um largo e profundo fosso), sobre a fortaleza primitiva
No séc. XVII, no reinado de D. João IV, construíram-se quatro baluartes no castelo.
Do castelo, que tinha primitivamente, quatro torres, incluindo a de Menagem, Torre do relógio, quatro baluartes, cisterna, fossos e cerca de muralhas, com quatro portas, restam apenas ruínas.
 Relação histórica e cultural com castelos vizinhos:  O castelo de Monforte, juntamente com o de Veiros, Campo Maior, Ouguela, tinham como objectivo a defesa da região, impedindo as invasões espanholas ao reino de Portugal. Também tiveram um importante papel na Reconquista Cristã. 
Outras Informações:  Feriado Municipal: 15 de Agosto.
Outros Locais de Interesse:
Igreja da Madalena, séc. XV
Capela do Senhor dos Passos, sécs. XVII / XVIII
Convento do Bom Jesus, séc. XVI
Igreja da Ordem Terceira, séc. XVIII
Igreja Matriz, séc. XVIII
Capela dos Ossos, séc. XVIII
Igreja de Nossa Senhora da Conceição, sécs. XVII / XVIII
Igreja de São João Baptista, séc. XVIII
Igreja do Calvário, sécs. XVIII / XX
Capela do Senhor da Boa Morte, séc. XIX
Villa Romana, de Torre de Palma
Festas:
As Festas de Nossa Senhora do Parto realizam-se em Monforte, no dia 15 de Agosto. Destacam-se nestas festas as touradas à vara larga e  tourada picada os arraiais a actuação de grupos musicais e o torneio de Futebol de Salão (onde participam algumas das melhores equipas do distrito, nesta modalidade). Nestas festas também há a destacar as largadas de toiros.

 

 

 

 


Nisa – (Concelho do Distrito de Portalegre)

 

 

 

 

Contemporânea dos primeiros tempos da Nacionalidade, pois já existia como concelho em 1232, no reinado de D. Sancho ll, foi destruída e incendiada pelas tropas de D. Afonso, irmão de D. Dinis, durante as lutas que separaram estes dois príncipes. Feita a paz, D. Dinis mandou reconstruir a vila e rodeá-la de muralhas. Em 1512, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo. A 3 Km da vila actual situam-se as ruínas da antiga Niza, destruída e abandonada no século XlV, desconhecendo-se se este facto se deva a uma ordem de D. Dinis, indignado porque a povoação tomou partido do seu irmão na luta contra a Coroa, ou por os habitantes terem reconhecido as más condições do terreno. Ali se encontram ainda algumas capelas, além de diversos vestígios.

Origem do nome:

«José Leite de Vasconcelos em Matéria Filológica – Etimologia de Nisa – 1937»: “Este nome, na origem, é como tantos outros, nome de pessoa; no nosso caso, nome de mulher, feminino de Nisus, que se lê numa inscrição de Faro, publicada no Corpus, ll, 5144. Nisus é latinização do grego Nisos, que foi por acaso o nome de um rei de Mégara.

A-par-de Nisa que é pressuposta forma latinizada, temos nise numa inscrição de Beja, publicada na mesma colecção, ll, 5186 (059). Não admire o leitor alto-alentejano de lhe dar como estirpe de Nisa uma grega. Com a conquista romana da Lusitânia vieram para cá muitos gregos, uns como profissionais, por exemplo do sacerdócio pagão, e de Medicina. Possuo coleccionados dezenas de nomes gregos. Até se dá a notável coincidência de serem do sul, de Portugal as lápides em que figuram Nisus e Nise (=Nisa), e de ser também meridional a vila de Nisa.

Pois que há vários testemunhos de influência romana no concelho de Nisa (lápides com inscrições, etc.), pode entender-se que houve em uma nesga do território, nisorro ou na época romana uma villa rústica (quinta), ou já na época portuguesa, ou pouco antes, um monte ( em sentido alentejano), pertença, em qualquer dos casos, de uma mulher Nisa. Este monte ou esta villa rústica prosperou e tornou-se a Nisa moderna, ou se não foi bem assim, propagou-se o nome, por qualquer circunstância, ao referido território”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O nome desta conhecida vila alentejana aparece muitas vezes escrito erradamente, isto é, com “z” em vez de “s”. Tal grafia não deve ser adoptada, pois na origem do vocábulo nada há que a justifique.

Nisa veio de Nissa e, quer seja o nome da referida vila do distrito de Portalegre, quer designe várias antigas cidades gregas, quer seja mitónimo, quer ainda antropónimo feminino, que também pode ser, deve ser sempre escrito com “s”, única forma aceitável à luz da etimologia e por isso mesmo recomendada pela nossa ortografia oficial.

Vem a propósito dizer que também existe a forma Niza, com “z”, mas esta é um nome comum, que se designa determinada peça de vestuário. Tem origem turca e não se relaciona com Nisa, nome próprio. …

Ocorre-nos referir aqui a uma nota encontrada posteriormente e na qual se afirma que o topónimo Nisa proveio da forma feminina de Nisus, que por sua vez é a latinização do grego Nésos, nome dum rei de Mégara.

Na página 64 do “Cadastro da População do Reino – 1527”, lê-se Vjla de Njsa, o que constitui mais um indício de que é errada a grafia do vocábulo com “z””.

 

Nisa
http://www.cm-nisa.pt/nisa_historia.htm
Atendendo ás últimas investigações sobre a fundação da Vila de Nisa da responsabilidade do Prof. Carlos Cebola, podemos avançar com factos novos que vieram trazer uma nova versão da mesma o que muito enriqueceu o nosso conhecimento sobre a história de Nisa. Neste sentido os factos apresentados são fruto dessa investigação.
Em 1199 D. Sancho I doa a Herdade da Açafa á Ordem do Templo, este território era delimitado, de modo muito sumário a norte pelo Rio Tejo e a sul detinha parte do território dos actuais concelhos de Nisa, Castelo de Vide e parte do território espanhol junto á actual fronteira. Estas doações tinham como objectivo fixar moradores em zonas ermas e despovoadas e consequentemente defender o território.
Os Templários edificaram uma fortaleza que os defendesse dos infiéis e sinalizava a posse desses territórios. Ao mesmo tempo o monarca anuncia a vinda de colonos franceses, que chegaram de forma faseada, sendo o último grupo destinado ao povoamento do território da Açafa.
Instalaram-se junto das fortalezas construídas pelos monges guerreiros e aí ergueram habitações, fundaram aglomerados populacionais a que deram o nome das suas terras de origem. É neste sentido que surge possivelmente o de Nisa, ou seja sendo os primeiros habitantes oriundos de Nice, ergueram aqui a sua “ Nova Nice” ou melhor dizendo, a Nisa a Nova, que encontramos nos documentos, e quando surge o termo Nisa a Velha, este refere-se á sua antiga terra de origem, a Nice francesa.
Assim terão nascido Arêz (de Arles), Montalvão (de Montauban), Tolosa (de Toulouse), cidades do Sul de França.
O primeiro Foral foi dado á Vila de Nisa entre 1229 e 1232, pelo Mestre Dom Frei Estêvão de Belmonte.
Em 1512 D. Manuel I atribuiu novo Foral á Vila, aparecendo a palavra Nisa escrita com dois “ss “, ou seja Nissa, provavelmente sob a influência da palavra Nice.
Em 1343, D Afonso IV estava em guerra aberta com o seu genro, Afonso XI de Castela, o que colocava em risco toda esta zona fronteiriça, daí o Mestre da Ordem ter solicitado ao Rei a construção de uma muralha para protecção da população, pedido este que foi aceite.
D João I atribui o título de “ Notável” á Vila de Nisa e D. João IV por carta régia de 13 de Outubro eleva Nisa á Categoria de Marquesado, de que fez mercê a D. Vasco Luís de Gama, 5º Conde da Vidigueira.
Ao Concelho de Nisa foram anexados os de Arêz e Montalvão por decreto de 6 de Novembro de 1836 e os de Alpalhão e Tolosa no decreto de 3 de Agosto de 1853, tendo sido desanexadas em 1895 e novamente anexadas em 1898.
A freguesia de Amieira do Tejo passou para o concelho do Gavião em 1836, mas transitou para Nisa através de decreto de 26 de Setembro de 1895.

 

 

 

 

Ponte de Sor – (Concelho de Portalegre)

 

 

 

 

Origem do nome:

«Do; Domingo Ilustrado – 1899»: “ Está edificada em solo plano e pouco mimoso, junto do rio Sor, que aqui tem uma ponte. O nome provém-lhe desse rio, e da respectiva ponte”.

«Primo Pedro da Conceição em “Notas Históricas e Descritivas do Concelho de Ponte Sor»: “O nome deriva-lhe do rio e de uma enorme ponte de pedra construída pelos romanos, de que não restam vestígios.

Perde-se na noite dos tempos a data da sua fundação, ignorando-se quem foram seus fundadores. Sabe-se por um marco milenário que existe no Museu Arqueológico dos Jerónimos e que foi encontrado na estrada em direcção a Alter do Chão, que a ponte já existia no tempo do Imperador romano Marco Aurélio Probo, que foi aclamado pelas suas tropas no ano 276 de Jesus Cristo, e por elas morto em 282. Aqui existiu a povoação de Matusarum que alguns escritores dizem ter sido uma cidade, que era uma das estações do percurso da 3ª via militar romana de Lisboa a Mérida, e demora entre as estações de Aritium Pretorium (Benevante) e Abeltério (Alter do Chão)”.

 

Ponte de Sor
http://www.geocities.com/ponte_de_sor/pt
O nome da povoação deve-se à primitiva ponte romana, que integrava o percurso da 3ª via militar que ligava Lisboa a Mérida. Zona de instabilidade de fronteiras durante a reconquista, Ponte de Sor, inicialmente património dos Templários, foi reconquistada pela Ordem de S. Bento. O seu primeiro Foral é-lhe outorgado pela Sé de Évora, em 1161, e mais tarde confirmado por D. Manuel. Desaparecida a ponte romana, D. João VI mandou construir em 1822 a actual ponte. Ponte de Sôr foi elevada a cidade em 1985.

 

Ponte de Sor
http://www3.flickr.com/photos

Aspectos Geográficos
O concelho de Ponte de Sor, do distrito de Portalegre, ocupa uma área de 839,5 km2 e abrange sete freguesias: Galveias, Montargil, Ponte de Sor, Foros de Arrão, Longomel, Vale de Açor e Tramaga.
O concelho encontra-se limitado a nordeste pelos concelhos de Gavião e Crato, a este por Alter do Chão e Avis e a sudeste por Mora, no distrito de Évora.
Este concelho apresentava, em 2001, um total de 18 140 habitantes.
Possui um clima marcadamente mediterrânico, caracterizado por uma estação seca, bem acentuada no Verão, e por uma precipitação irregular.
O edificado estende-se na transição da planície alentejana para os montados do Alto Alentejo, na intersecção de um nó de uma via de comunicação importante. O relevo é pouco acidentado, apresentando uma morfologia suave, com altitudes que pouco ultrapassam os 200 m e onde se destacam dois montes, Barracão (185 m) e Cabeços (203 m).
Como recursos hídricos, destacam-se a ribeira de Sor, a ribeira de Andreu, a ribeira do Vale de Boi, a ribeira do Maltim, a ribeira do Arrão e a barragem e albufeira de Montargil.
História e Monumentos
Existem referências a estas terras, que datam do final do século III, no reinado do imperador romano Marco Aurélio Probo, como fazendo parte da via militar romana entre Olissipo (Lisboa) e Mérida. Na Idade Média, a ponte construída sobre a ribeira de Sor ruiu trazendo o isolamento à povoação. No reinado de D. Sancho I, em 1199, a Sé de Évora concedeu o primeiro foral à vila. No reinado de D. Duarte, na altura de um surto de peste em Lisboa, a Corte refugiou-se neste concelho.
Em Agosto de 1514, foi-lhe outorgado novo foral por D. Manuel I.
A origem do topónimo deve-se à existência da ponte romana sobre a ribeira de Sor, sendo portanto o ex-líbris do concelho.
A nível do património arquitectónico e monumental, destaca-se a ponte de Sor, que originariamente seria de origem romana, mas dado ter ruído a actual data do reinado de D. João VI.
Destacam-se ainda a Igreja Matriz, do século XVII, que foi reedificada após um incêndio e que apresenta um belo altar de ferro forjado na janela da sacristia; a Igreja da Misericórdia, anterior a 1731, as capelas de S. Pedro e de Santo António, datadas do século XVII, e a Igreja de Nossa Senhora da Orada.
Tradições, Lendas e Curiosidades
Das manifestações populares e culturais, a referência vai para as festas da cidade, realizadas na segunda semana de Julho e onde decorrem várias actividades, como um festival folclórico, espectáculos e um festival de artesanato e gastronomia, a festa de Nossa Senhora dos Prazeres, que ocorre entre 13 e 15 de Agosto, o piquenique de confraternização e o feriado municipal, na segunda-feira de Páscoa, em que tem lugar um piquenique de confraternização para toda a população do sítio de Salgueirinho, a Feira de São José, no dia 19 de Março, e a Feira de S. Francisco, que decorre de 4 a 6 de Outubro.
A nível do artesanato são de referir os bordados, as rendas, as malhas, a cestaria de vime, os trabalhos decorativos de cortiça, de mármore e de madeira.
Economia
No concelho predominam as actividades ligadas ao sector terciário e secundário. No sector secundário destacam-se as indústrias de extracção de cortiça, de descasque de arroz, de cerâmica, de azeite, de lacticínios e de montagem de veículos automóveis. No sector primário, de menor importância na economia concelhia, o destaque vai para a vasta área florestal.
No que se refere à agricultura, destacam-se os cultivos de cereais para grão, prados temporários e culturas forrageiras, cereais para grão, os prados temporários e culturas forrageiras, as leguminosas secas para grão, o pousio, o olival, prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de aves, ovinos e suínos.
Quase 53% (15 649 ha) do seu território são cobertos de floresta - o montado de sobreiros.

 

Ponte de Sor
http://www.pontedesor.info/cidade.htm
HISTÓRIA
Ponte de Sor assume uma importância territorial desde a época romana (por fazer parte da via romana de Lisboa a Mérida), altura em que se aponta ter sido construída a ponte romana e que consequentemente fixou o nome à terra. Foi elevada a vila por D. Manuel, que lhe concedeu foral novo em 1514. Na sua história surgem referências à ordem dos Templários, bem como à protecção de D. Sancho I e aos privilégios de D. Dinis e D. Fernando e a um foral concedido pela Sé de Évora em 1199, tendo em vista o povoamento da zona. Em 1822 vê surgir uma nova ponte, por ordem de D. João VI e que mais tarde foi reconstruída. Em 8 Julho de 1985 é elevada a cidade.
PRINCIPAIS VIAS DE ACESSO
Por estrada pela EN 2 e a EN 244 e pelos Caminhos-de-ferro, com estação própria, pela linha do oeste.
ACTIVIDADES ECONÓMICAS
Extracção e indústria de cortiça, indústria de componentes mecânicos, produção e comércio de temperos para restauração, construção civil, comércio e reparação automóvel, rações para gado, comércio de bebidas, agricultura, cerâmica, comércio e serviços. Recorde-se que já foi também referência em termos de produção de azeite, com os seus lagares, lacticínios, arroz, e cereais.
ARTESANATO
Cestaria, latoaria, miniaturas tradicionais em cortiça, barro.

 

 

 

 

 

 

 Sousel – (Concelho do Distrito de Sousel)

 

 

 

 

 

Uma lenda muito arreigada na tradição local atribui e sua fundação a Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o que parece desmentido pelos documentos, uma vez que o foral de Estremoz, datado de 1285, já lhe fazia referência.

Origem do nome:

«Pinho Leal em Portugal Antigo e Moderno – 1880»: “ Foi fundada pelo famoso Condestável D. Nuno Álvares Pereira em 1387. Consta que foi este mesmo D. Nuno que lhe pôs o nome porque, estando para dar aqui uma batalha aos castelhanos, lhe vieram dizer (quando estava orando) que o inimigo se aproximava, ao que ele, aprontando-se para a peleja, respondeu – Ora sus a el-frase comum naquele tempo, como quem diz – Eia, vamos a ele !. Como os portugueses ficaram vitoriosos, mandou o Condestável construir ali uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Orada, edificando junto a ela uma povoação, a que deu o nome de Susael, que facilmente se corrompeu em Sousel”.

«José Mira em Concelho de Sousel»: “ Torna-se difícil saber a origem do nome de Sousel, estando fora de dúvida de que a povoação é muito antiga, datando dos primeiros tempos da monarquia.

Sendo assim, tem de ser posta de lado a lenda que dá o nome de Sousel como derivado da frase por D. Nuno Álvares Pereira, na batalha dos Atoleiros – “sus a eles” – como hoje se diria – Vamos a eles que por corrupção popular deu Sousel.

Mas sendo esta vila de fundação mais antiga do que a época em que se passou o facto acima referido, visto haver referências a Sousel na Torre do Tombo que dão esta vila coeva da Monarquia Lusitana.

A origem do nome, pois, deve-se procurar por outro lado e nós alvitramos duas hipóteses que qualquer delas pode ser viável, mas deixamos a resolução dos problemas aos eruditos.

Sabe-se que no tempo de D. Sancho ll, em 1223, habitou nos terrenos onde hoje está edificada esta vila, um indivíduo, de nome “Mem Sousão” que deve ter sido o primeiro habitante do lugar. Como Sousel é um diminutivo de Sousa, pode muito bem ter sido ele que deu o nome à vila, de que teria sido o fundador.

Por outro lado, como os campos desta vila, são de uma grande fertilidade em funcho de seizil, a tal ponto que nasce espontaneamente em qualquer lugar, poderá também filiar-se a derivação do seu nome neste facto, admitindo que por corrupção seizil facilmente deu Sousel. Carecemos de competência para a resolução de tal problema, limitando-nos simplesmente a lançar duas hipóteses, esperando que algum dia se faça luz sobre o assunto”.

« »:” A respeito do que fica transcrito de Pinho Leal, escreve Xavier Fernandes, nas páginas 208 / 209 do Vol ll dos seus Topónimos e Gentílicos (1944), o seguinte:

“Nem a filologia nem a história se compadecem com o que fica transcrito. Bastará notar que a existência da povoação – actual vila e concelho do Distrito de Portalegre – vem dos primeiros tempos da Monarquia Portuguesa e que ao seu nome se referem antiquíssimos documentos – muito anteriores ao suposto facto a que aludiu Pinho Leal – arquivados na Torre do Tombo. Como, pois, ter sido Nuno Álvares Pereira o fundador da citada vila alentejana ? E como estar o étimo do topónimo Sousel na expressão fragmentada sus a el?. De mistura com tantíssimas informações valiosas, não poucas vezes o autor do Portugal Antigo e Moderno deu largas à fantasia, devaneando  a seu bel-prazer, e só assim se explicam alusões como as que apresentou.

Transcreve também a opinião de José Mira, terminando por dizer que até esta altura continua o problema por resolver, pois o que fica transcrito não passa de simples hipóteses e como tais as apresenta o próprio autor”.

 

Sousel
http://www.cm-sousel.pt/hist.htm
Ao longo do século XIX, Sousel sofreu diversas vicissitudes de ordem administrativa, sendo inúmeras vezes suprimido como sede de Concelho, e outras tantas restaurado.
Cano, a mais antiga povoação do Concelho de Sousel; Casa Branca, que se pensa ter herdado o nome de uma casa isolada feita de pedra caliça; e Santo Amaro situado num pequeno vale depressionário, todas estas povoações têm uma história para contar. Venha daí e conheça o passado do Concelho de Sousel e das suas quatro freguesias.

 

Sousel
http://www.cm-sousel.pt/his_sous.htm
Sousel, Vila situada a norte do Alentejo Central, é sede de concelho de segunda ordem, faz parte do Distrito de Portalegre, do qual dista cerca de sessenta quilómetros, estando integrado na Comarca de Estremoz e Diocese de Évora.
Na primeira metade do século XVIII era Concelho, que além da freguesia sede (Sousel), tinha a freguesia de S. João Baptista com as ermidas anexas de S. Pedro, S. Lourenço, S. Miguel e S. Bartolomeu da Serra. O município era governado no cível por um juiz de fora, três vereadores, um escrivão de câmara, um procurador do Concelho, um juiz dos órfãos com o seu escrivão e dois tabeliães do judicial e notas.
Na Vila de Sousel , sede de Concelho, na actual Praça da República está situado o edifício dos Paços do Concelho, os quais depois de passarem por diferentes transformações, voltaram à traça primitiva, com a porta principal ao centro da fachada da frente e o pelourinho ao lado do edifício.
No edifício da Câmara Municipal de Sousel, merece especial atenção a imagem em alto relevo do mártir S. Sebastião, ainda hoje considerado por muitos o padroeiro da Vila. Esta imagem foi reconstruída recentemente e encontra-se na abobadilha da Sala das Sessões, do edifício da Câmara Municipal.
Anteriormente, o município de Sousel, usava no seu brasão a imagem de S. Sebastião. Contudo, resolveu-se que a Heráldica estudasse uma constituição mais de acordo com a vida histórica e económica do concelho. Assim, segundo o parecer da Associação dos Arqueólogos: " As armas e a bandeira de Sousel foram fixadas por Portaria nº 7492 de dois de Janeiro de 1933, e que são: as armas de azul, com duas setas de ouro cruzadas em aspa,
atadas de vermelho e acompanhadas de quatro abelhas de ouro; Contra- chefe ornado de prata e azul. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com letras pretas. A bandeira amarela com cordões, borlas, haste lança de ouro".
Sousel é terra antiga, de ruas estreitas e tortuosas, e ao contrário da grande maioria das povoações alentejanas, não é limitada por grandes propriedades. A explicação para esse facto é simples: em volta da vila houve terras coutadas da Casa de Bragança, que no século XIX foram divididas e que assim se mantêm, os chamados "coutos".
Um curioso regime associativo dos proprietários - A Comissão de Pastos - permitia a utilização das pastagens em sítios determinados pelo sistema de leilão, o que beneficiava os proprietários e permitia a divisão equitativa dos lucros e dos benefícios, tendo as suas atribuições sido englobadas no Grémio da Lavoura.
Em relação às feiras, a mais importante e a mais antiga que entrou na história do município é a Feira Anual de S. Miguel, na Vila de Sousel, que data de há mais de duzentos anos. No " Livro de Receitas e Despesas da Vila de Sousel", onde se registavam todas as arrematações de vendas do Concelho e Vila, encontramos a primeira referência ao acto de arrematação do terrado da feira, feita perante o juiz de fora e oficiais da Câmara, a quinze de Setembro de 1765, em que o juiz de fora " manda pôr em pregão na praça pública desta vila o terrado da feira, pela quantia de vinte mil réis!".

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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