|
Distrito de LISBOA
Trabalho e
Pesquisa de
Carlos Leite
Ribeiro
Concelhos de: Alenquer, Amadora,
Arruda dos Vinhos, Azambuja,
Cadaval, Cascais,
Lisboa (capital e sede de concelho),
Loures, Lourinhã, Mafra, Odivelas,
Oeiras,
Sintra, Sobral de Monte Agraço,
Torres Vedras, Vila Franca de Xira.
Distrito pertencente na sua
totalidade à província
tradicional da Estremadura.
Limita a norte com o
Distrito de Leiria, a leste
com o Distrito de Santarém,
a sul com o Distrito de
Setúbal e a oeste com o
Oceano Atlântico. Área: 2761
km² . Capital e Sede de
distrito: Lisboa.
Apontamento de 1900 (Jornal
do Comércio):
“Distrito de Lisboa, formado
de uma parte da antiga
província da Estremadura,
tem uma superfície de
7.941,30 Km2 e uma população
de 709.500 habitantes.
Compreende 25 concelhos e
208 freguesias. Os concelhos
são: Alcácer do Sal,
Alcochete, Aldeia Galega do
Ribatejo, Alenquer, Almada,
Arruda dos Vinhos, Azambuja,
Barreiro, Cadaval, Cascais,
Sesimbra, Sintra, Grândola,
Lisboa (concelho), Loures,
Lourinhã, Mafra, Moita,
Oeiras, São Tiago do Cacem,
Seixal, Setúbal, Sobral do
Monte Agraço, Torres Vedras
e Vila Franca de Xira.
Povoações principais:
Lisboa, Setúbal, Barreiro,
Cascais, Sintra e Torres
Vedras. Serras do concelho:
Sintra (529 metros de
altitude), Montejunto (666
metros), Arrábida (449
metros). É banhado pelo Rio
Tejo e seus afluentes
Alenquer e Sacavém (margem
direita), Sorraia e Almansor
(margem esquerda); Rio Sado
e seus afluentes: Odivelas,
Xorrama, Diége, Algalé,
Alcáçovas, São Martinho e
Marateca (margem direita),
Campilhas, Alvalade, Corona,
Arção (margem esquerda).
Rios Sizandro e Cheleiros
que desaguam directamente no
Oceano. Regiões vinhateiras:
Torres Vedras, Colares,
Carcavelos e Setúbal”.
Lisboa – (Capital de
Portugal e Sede de Concelho
do Distrito de Lisboa)

Origem do nome:
«Do, Domingo Ilustrado –
1898»: “Como acontece a
quase todas as cidades de
origem antiquíssima, a
história da fundação de
Lisboa e dos seus primeiros
tempos anda envolta em mil
fábulas. Umas dão-lhe por
fundador Ulisses, o célebre
capitão grego, dizendo que
do seu nome veio à cidade o
de Ulissipo, depois corrupto
em Olisipo. Outros contam
que a fundou um companheiro
do deus Baco, chamado luso,
e que daqui tirou o País a
denominação de Lusitânia, e
os habitantes a de lusos.
Outras, ainda, atribuem a
sua origem a um bisneto de
Noé”.
«Xavier Fernandes em
Topónimos e Gentílicos
(1944)»: “ Qual o verdadeiro
étimo do nome da primeira
cidade portuguesa ? Como
acontece com tantos
topónimos, parece não ser
muito fácil determiná-lo com
precisão.
Ainda bem modernamente, o
jornalista e escritor belga,
Désiré Denuit, no seu livro
de 1939 “La route des
caravelles”, escreveu um
período que corresponde na
nossa língua ao seguinte: “A
lenda atribui a fundação de
Lisboa a Ulisses, o mais
finório dos gregos; parece
que o seu nome provém de
Alis Ubbo, a Baía
Deliciosa”. Não sabemos onde
Denuit encontrou ou arranjou
este étimo. Julgamos, porém,
que apenas a título de
curiosidade pode merecer
registo.
Houve quem dissesse que o
vocábulo Lisboa é
transformação de Ulissipolis,
à letra, cidade de Ulisses,
nome do seu lendário
fundador.
J. Cornu (Die Portugiesische
Sprache pág. 104, diz que a
origem é a forma Alisbona,
não documentada, tendo o “l”
influído para a troca do “o”
ou “u” primitivos, o que não
parece verdade, pois em 1165
havia ainda a forma Olixbona,
como provou A. A. Cortesão,
no seu Onomástico Medieval.
Leite de Vasconcelos
apresenta deste modo a
evolução do vocábulo:
Olisipo, Olissipona, Lisbona
(Lixboa), e Lisboa, o que é
aceitável sob todos os
aspectos, incluindo o das
leis filológicas da
derivação.
Diz-se que Olisipo
(latinizado em Olisippo e em
Ulyssippo) é nome de origem
fenícia, ao qual se atribui
a significação de “baía
formosa” ou “baía amena”.
Lisboa foi a Felicitas Julia
dos romanos, em homenagem a
Caio Júlio César, nos meados
do último século antes de
Cristo”.
«Prof. Vasco Botelho de
Amaral em “O Povo e a
Língua, do Mensageiro das
Casas do Povo – 1949”»:
“Muitos têm sido os
investigadores que tentam
perscrutar esse mistério que
rodeia o nome da capital
portuguesa. Numerosas foram
e continuam a ser as
hipóteses, mais ou menos
engenhosas formuladas para a
etimologia de Lisboa.
Em 1947 apresentei eu uma
solução do grande problema.
Publiquei a minha conjectura
no número da Revista
Municipal (publicação da
Câmara Municipal de Lisboa),
comemorativa do Vlll
centenário. A minha solução
foi, em resumo, esta:
1º) – A origem remota de
Lisboa seria nome fenício
(citado por Brochard) Alis
Urbo (baía amena ou
deliciosa). Admiti que nesta
região de Lisboa os fenícios
houvessem estabelecido uma
feitoria com esse nome.
2º) – O latim Olisippo seria
adaptação latina do nome
fenício.
3º) – A relação lendária com
o nome de Ulysses seria a
razão de ser da variante
Ulyssipona.
Por outras palavras: entre
Alis Ubbo fenícia e Olisippo
latina deve,
filologicamente, admitir-se
uma possível relação. E o
Haver surgido a forma
Ulyssipona (forma geradora
de Lisboa) explicar-se-á por
artes da lenda da fundação
de Lisboa por Ulisses.
Em esquema, a minha tese é
esta:
Fenício Alis Ubbo (latim
Ulisippo – latim Ulyssipona
– por influência de Ulysses)
> Lisboa.
Isto o que na essência,
apresentei em 1947 na
Revista da Câmara Municipal
de Lisboa. Depois disso, e
para desenvolver, defender e
reforçar a minha opinião,
escrevi outros artigos para
os quais remeto os
interessados neste problema.
(Esta palavra Lisboa, no
Diário da Manhã de
4-4-1949); Descobrir-se a
origem de Lisboa (no Diário
Popular de 27-4-1949), A
origem de Lisboa, no mesmo
Diário de 20-7-1949.
Creio, porém, sinceramente,
na hipótese por mim
formulada na Revista
Municipal, Lisboa veio do
nome fenício Alis Ubbo, que
os latinos tranformaram em
Olisippo, forma relacionada
com a lenda de Ulysses, deu
Ulyssipona, e esta, por
natural evolução, deu a
linda palavra que nomeia a
princesa do Tejo”
Lisboa na noite de Santo
António, (12 para 13 de
Junho) vem para a rua para o
desfile das Marchas
Populares dos Bairros de
Lisboa. Tradicionalmente,
este desfile dá-se na Avª da
Liberdade, entre o Marquês
de Pombal e os Restauradores
– mil metros. Sensivelmente
ao meio da Avª da Liberdade,
por alturas da estátua aos
Combatentes da Grande
Guerra, às portas do Parque
Mayer, e em frente à tribuna
principal, todas as Marchas
fazem as suas evoluções em
cantares e em marcações
corográficas.
É Luz! , é Cor! , é Alegria
!
Tudo começou em 1932 por
iniciativa de Leitão de
Barros, então director do
“Notícias Ilustrado”, com o
apoio de Norberto de Araújo
e do “Diário de Lisboa”,
promoveu as primeiras
marchas: “percorreram
algumas ruas de Lisboa e
entraram no Parque Mayer,
onde fizeram demonstrações
ao ar livre, e no, e no
palco do Salão capitólio.
Concorreram a princípio 3
bairros (Alto Pina, Bairro
Alto e Campo de Ourique) e
ainda deram a sua adesão,
outros tantos Alcântara,
Alfama e Madragoa).
Foi muito, para uma quase
improvisação. Nesse ano, na
marcha de Alcântara, figurou
uma jovem humilde e
ignorada, a mesma que,
tempos depois, a cantar o
fado, veio a marcar, de
forma precisa, nas crónicas
nacionais e estrangeiras:
AMÁLIA RODRIGUES “.
Este trabalho teve apoio de
EBAHL – Equipamento dos
Bairros Históricos de Lisboa
F. P. SINFONIA DE LISBOA .
Música de RAÚL FERRÃO .
Versos de NORBERTO DE ARAÚJO
“Lisboa é sempre /
Namoradeira, / Tantos
derriços / Que até fazem já
fileira.
Não digas sim, / Não me
digas não; / Amar é destino,
/ Cantar é condão
Uma cantiga, / Uma aguarela,
/ Um cravo aberto /
Debruçado da janela /
Debruçado da janela. /
Lisboa linda, / Do meu
bairro antigo, / Dá-me o teu
bracinho, / Vem bailar
comigo
(Estribilho – refrão)
Lisboa nasceu / Pertinho do
céu / Toda embalada na fé. /
Lavou-se no rio, / Ai, ai,
ai, menina / Foi baptizada
na Sé.
Já se fez mulher / E hoje o
que ela quer / É trovar e
dar ao pé. / Anda em
desvario / Ai. Ai. Ai,
menina / Mas que linda que
ela é !
Ó noite de Santa António ! Ó
Lisboa de encantar ! / De
alcachofras a florir / De
foguetes a estoirar./
Enquanto os bairros
cantarem, / Enquanto houver
arraiais, / Enquanto houver
Santo António / Lisboa não
morre mais.
Toda a cidade flutua / No
mar da minha canção /
Passeiam na rua / Retalhos
da lua / Que caem do meu
balão. / Deixem Lisboa
folgar, / Não há mal que me
arrefeça, / A rir, a
cantar,
/ Cabeça no ar, / Eu hoje
perco a cabeça.
Lisboa
http://www.strawberryworld-lisbon.com
Lisboa, também conhecida
como a cidade das sete
colinas, está aberta ao rio
Tejo e o seu clima
temperado, juntamente com as
ricas flora e fauna,
ajudaram à rápida
colonização da área.
Mas algo terrível mudaria
Lisboa para sempre - o
terramoto de 1755. É
frequente ler na história de
monumentos e igrejas que os
mesmos foram reconstruídos
ou recuperados depois do
terramoto de 1755. Este foi
o momento mais negro da
história de Lisboa.
Na manhã de 1 de Novembro de
1755 sentiu-se o primeiro
tremor e apenas uns minutos
depois sentiu-se o segundo,
muito mais violento, que
reduziu metade da cidade a
destroços. O terramoto
provocou um maremoto que
varreu a cidade quase por
completo. Barcos, docas e
edifícios foram destruídos
pela fúria das águas e
milhares de pessoas foram
arrastadas para nunca mais
serem vistas.
Como se tudo isto não
bastasse, um fogo terrível
deflagrou pela cidade,
ardendo durante três dias
seguidos e destruindo o
pouco que restava de Lisboa.
Ao todo, perderam-se 60.000
vidas só em Lisboa e outros
tantos milhares morreram
noutras áreas. O sismo foi
sentido por quase toda a
Europa e no noroeste de
África.
Mas a reconstrução de Lisboa
tornou-se uma prioridade e
ainda nem tinham terminado
os tremores, já o Marquês de
Pombal estava a delinear
ideias para reconstruir a
cidade. Ele começou dizendo
"Enterrem os mortos e
alimentem os vivos" e,
arregaçando as mangas,
lançou-se ao trabalho.
Devido à sua determinação e
sentido prático, Lisboa
ergueu-se rapidamente e
melhor do que nunca. A área
situada entre a baixa de
Lisboa e a Praça do Marquês
de Pombal, principalmente da
Praça do Rosio à Praça do
Comércio, ainda hoje mostra
o sistema inovador pensado
por Sebastião José de
Carvalho e Melo - o próprio
Marquês!
Lisboa
http://webserver.cm-lisboa.pt/turismo
PERÍODO ROMANO, BÁRBARO E
MUÇULMANO
Lisboa nasceu de uma "citânia"
localizada a norte do actual
castelo de S. Jorge. Este
seria um dos muitos núcleos
humanos desenvolvidos no
período pré-histórico.
Através da acção povoadora
dos romanos (195 a.C.) e
inerente desenvolvimento
socio-económico, em breve
lhe seria atribuída a
classificação de
"município", usufruindo do
seu equipamento urbano:
monumentos, teatros, termas.
Existia um cruzamento de
quatro estradas da rede
viária romana : três para
Mérida e uma para Bracara
(Braga). A sua
característica de "opidum",
onde os romanos centram a
sua defesa estratégica,
resulta do reflexo do
terreno por um lado, e da
protecção natural perante o
estuário do Tejo e o braço
deste rio que então se
desenvolvia a ocidente e
penetrava profundamente no
território.
Olisipo (começou assim por
se designar a cidade)
caracterizava-se pela
existência de um núcleo de
população fixa defendida
pela soldadesca. Nos seus
arrabaldes foi-se agregando
um bom número de famílias
cultivadoras da terra que,
em troco de pão, fruta,
vinho, legumes e gado,
recebiam protecção e
defesa.
A crise do séc.III que
minava e fragilizava a
sociedade romana tem os seus
reflexos em toda a Península
Ibérica. As sucessivas
invasões de novos povos,
quer germanos em 500 d.C.
(visigodos, suevos), quer
árabes em 700 d.C.,
transformam a fisionomia da
população. Devido ao clima
de insegurança e de guerra,
a cidade adquire uma feição
muito peculiar: fortaleza
onde se refugiam os
habitantes fugidos do avanço
dos exércitos cristãos. É
uma população de ricos
proprietários agrícolas e
comerciantes, que se
transferem para o interior
das muralhas e constroem uma
cidade opulentíssima pelo
trato e mercancia dos portos
de África e Ásia.
No período da Reconquista
Cristã , a Lisboa muçulmana
é uma cidade cobiçada e
várias vezes atacada e
ocupada pelos exércitos
cristãos (ocupação por
Castela em 1000 d.C.).
Lisboa era então o mais
opulento centro comercial de
toda a África e de uma
grande parte da Europa. É
abundante de todas as
mercadorias; tem ouro e
prata. Não faltam
ferreiros. Nada há nela
inculto ou estéril; antes,
os seus campos são bons para
toda a cultura...os seus
ares são saudáveis, e há na
cidade banhos quentes. ... o
alto do monte é cingido por
uma muralha circular, e os
muros da cidade descem pela
encosta, à direita e à
esquerda, até à margem do
Tejo.
PRIMEIRA DINASTIA
Em 1147, D. Afonso
Henriques, 1º Rei de
Portugal, conquista a
cidade. Com a participação
cristã, dá-se a expansão de
Lisboa para além das suas
muralhas. Herdados do
passado existiram dois
arrabaldes - a Baixa e
Alfama. O braço do rio
desaparece definitivamente
no séc.XIII .
D. Fernando, então Rei de
Portugal, perante as
ameaças de Castela
(Espanha), cria uma nova
muralha de defesa designada
por "Cerca Nova"(1373-75).
Dos 16 Ha do período
mourisco a nova cidade passa
para 101,65 Ha ou seja 6,5
vezes maior. A fixação
definitiva da capital do
reino, e portanto da corte,
dá-se no reinado de Afonso
III.
Lisboa é então o núcleo de
um importante sistema
económico de trocas,
localizando-se as pequenas
propriedades em que
predomina a cultura
hortícula, na proximidade
imediata, facto que poderá
ter influenciado a
localização dos dois
mercados centrais de
hortaliças: Praça da
Figueira e Praça da Ribeira
.
SEGUNDA E TERCEIRA DINASTIA
D. João I, Rei de Portugal,
cria a primeira urbanização
na colina do Carmo (1400).
Pretendia assim dar
satisfação às necessidades
de uma população sempre
crescente, expropriando para
tal os campos.
A corte de D. Manuel I
abandona o castelo e fixa o
Paço Real no Terreiro do
Paço, onde se centrou toda a
vida comercial da cidade
(1500).
Nesta altura surge no Bairro
Alto o primeiro loteamento
(renascentista) que
transforma hortas e pomares
em ruas e casario, crescendo
repentinamente como bairro
popular, embora
posteriormente se
transformasse numa zona onde
a aristocracia viria a
construir os seus palacetes.
O Bairro Alto marca a
passagem do séc. XVI para
XVII na vida urbana de
Lisboa e a aquisição de uma
consciência urbanística e
arquitectónica.
DEPOIS DO TERRAMOTO DE 1755
1755 marca para Lisboa a
data de um período de
desenvolvimento. O terramoto
(no dia 1 de Novembro, Dia
de Todos os Santos, às 10h),
e o incêndio que se lhe
seguiu, devastaram dois
terços da totalidade dos
arruamentos e terão
destruído três mil casas das
vinte mil existentes.
O terramoto abrangeu toda a
zona da Baixa, os bairros do
Castelo e a zona do Carmo,
ou seja, as zonas mais
intensamente urbanas da
cidade.
Em sua substituição iria
nascer a Lisboa Pombalina,
com um urbanismo sujeito a
regras fixas e de um
cientismo pragmático que
provoca admiração em todo o
mundo. O seu principal
impulsionador foi Marquês de
Pombal, o Primeiro Ministro
do Rei D. José, coadjuvado
pelos arquitectos e
engenheiros, Manuel da Maia,
Eugénio dos Santos e Carlos
Mardel (1755-76).
O plano, sem dúvida
inovador, baseia-se numa
direcção planificada de ruas
alinhadas, cujas opções
arquitectónicas assentam em
regulamentos de construção,
tendo em atenção conceitos
básicos de resistência às
acções sísmicas.
O sistema urbanístico
obedecia a traçados de eixos
de composição em que a
simetria era tema
obrigatório, pretendendo-se
usualmente destacar nos
extremos, monumentos ou
estátuas: a Rua Augusta com
o arco triunfal, através do
qual, no seu eixo, se
colocou a estátua de D.
José.
Pombal criou incentivos de
interesse à nova classe da
burguesia comercial.
A norte do Rossio é aberto o
"Passeio Público"(1764),
zona de recreio da
burguesia. Era um jardim
gradeado, com cascatas,
lagos com repuxos e coreto,
que posteriormente foi
aberto às novas avenidas e
aos futuros bairros
construídos por uma
burguesia em ascensão.
A partir de 1780 aparece a
iluminação pública da cidade
e em 1801 as ruas passam a
ter o nome afixado.
EVOLUÇÃO POST-POMBALINA
Após a vitória do
Liberalismo e desde o termo
da administração pombalina
a grandiosidade
arquitectónica acompanha os
edifícios públicos: Basílica
da Estrela , Ópera de S.
Carlos, Palácio da Ajuda. Os
limites da cidade são então
sucessivamente alargados
sempre em "círculos" com
centro na zona da Baixa. O
traçado das ruas obedecia a
critérios resultantes da
procura de habitação.
A construção do Teatro
Nacional D. Maria II (
1843-46), do Arqto. F. Lodi,
em pleno Rossio Pombalino,
com características neo
clássicas, é uma ruptura com
o período anterior. Surge um
novo espírito de renovação e
novos ideais estéticos.
Aparecem jardins novos: S.
Pedro de Alcântara, Estrela,
Príncipe Real, bem como a
plantação de árvores no
Rossio. Surge assim uma
visão naturalista. O
"Passeio Público" gera uma
avenida e o rompimento das
perspectivas de
desenvolvimento da cidade de
uma forma nuclear radio
concêntrica, é absolutamente
inovador.
Um novo eixo de
desenvolvimento seguir-se-ia
à Avenida da Liberdade. A
abertura da Rua Fontes
Pereira de Melo que levou a
expansão da cidade desde o
Parque da Liberdade (hoje
Eduardo VII) até ao Campo
Grande, passando pela
Rotunda de Picoas, Avenida
Ressano Garcia (Av.
República) e toda a
planificação das ruas
adjacentes, paralelas e
perpendiculares num
desenvolvimento ortogonal.
Era o plano Frederico
Ressano Garcia, engenheiro
do município. Nascem as
designadas "Avenidas Novas",
que definem o grande
desafogo urbanístico da
cidade de hoje.
ÉPOCA MODERNA
Depois da Iª Guerra Mundial,
preenchem-se as malhas
vazias resultantes dos
traçados dos eixos das novas
avenidas. A Avenida da
Liberdade apresenta-se
inequivocamente como eixo
primordial da nova cidade.
Aparecem então edifícios
como o Hotel Palace e o
Palácio de Castelo Melhor
(Foz). O estilo Arte Nova
(tardio) revela-se em obras
como o Cinema Tivoli do
Arquitecto Raul Lino, o Eden
Teatro e o Hotel Vitória do
Arquitecto Cassiano Branco.
Surgem novos bairros com
imóveis de rendimento,
ocupados por uma classe
média em expansão. O
equipamento de lazer
constitui-se por logradouros
ajardinados.
A partir da década de 30 o
arquitecto começa a ter uma
maior intervenção na
construção de edifícios
novos. É desta época a
abertura da Alameda Dom
Afonso Henriques.
É o período Duarte Pacheco,
Presidente da Câmara e
posteriormente Ministro das
Obras Públicas (1930-43).
Constroem-se novos bairros
assumidamente desenhados
pelos novos urbanistas de
ruas largas e homogeneidade
do desenho das fachadas,
(vulgarmente designados de
estilo Português Suave).
Sob a orientação de Duarte
Pacheco, o Município
decide-se pela criação de um
parque verde em Monsanto.
Atravessado por uma
auto-estrada que liga Lisboa
ao Estádio Nacional é feita
a arborização do parque
instituindo um sistema
jurídico de expropriação dos
terrenos especialmente para
esse efeito.
Reconhecia-se então que um
plano de urbanização para a
cidade teria de envolver um
programa de criação de
parques e jardins, não só
como fundamento de beleza e
aprezamento dos seus
frequentadores, mas também
como reserva de ar puro
imprescindível à vida na
cidade.
São criados novos bairros
(Encarnação e Alvalade)
antecessores do aparecimento
e desenvolvimento da
urbanização de Olivais e
Chelas, numa aplicação dos
princípios preconizados na
Carta de Atenas.
É a época dos grandes blocos
residenciais livres e
separados por zonas verdes,
procurando uma maior
exposição solar e melhor
arejamento segundo os
modelos já ensaiados noutros
países. É também desta época
o arranjo ajardinado das
praças que resultam da
composição urbanística, com
o objectivo de criar zonas
de lazer e jogos infantis.
Mais recentemente aparecem
iniciativas municipais de
conjunto coabitando com
urbanizações privadas
localizadas aqui e ali, que
preenchem os espaços "ainda
livres", das zonas
limítrofes da Lisboa Cidade.
Lisboa
http://www.portugaltravelguide.com/pt/lisbon
O encanto da capital
portuguesa reside nas suas
fortes ligações ao passado,
os palácios restaurados, as
majestosas igrejas e um
castelo imponente que
reflectem o rico património
cultural da cidade.
A História de Lisboa
realiza-se entre uma mistura
de acontecimentos e de
lendas.
O poeta português Luís de
Camões, atribuiu
credibilidade à história na
qual Lisboa fora fundada por
Ulisses, mas na realidade
foram os Fenícios (200 a.C.)
que estabelecidos no
estuário do Tejo ofereceram
um porto seguro para as suas
galeotas.
Construíram uma cidade que
denominaram Alis Ubbo (porto
calmo) e sob seu controle
esta prosperou por mais de
seis séculos.
Os Gregos e os Romanos,
seguido pelos Visigodos e,
por último, os Mouros, foram
os povos que governaram a
cidade do rio Tejo, cuja
designação alterava
consoante a invasão de novos
povos.
Em 1147, o primeiro Rei de
Portugal, D. Afonso
Henriques, com a
participação de flamengos,
normandos, germanos e dos
cruzados ingleses, expeliu
finalmente os Mouros que se
encontravam na posse de
Lisboa desde 714. Lisboa foi
pronunciada capital em 1256.
Portugal prosperou durante
os séculos XV e XVI enquanto
uma sucessão de exploradores
penetrou nos quatro cantos
do globo. Suas descobertas
trouxeram uma grande riqueza
a Lisboa através do ouro,
dos diamantes, das sedas e
das especiarias.
Em 1908, o assassinato do
Rei D. Carlos I na Terreiro
do Paço, provocou a queda do
regime monárquico de 767
anos, forçando D. Manuel II
a fugir, dois anos mais
tarde, para a Grã-Bretanha.
Lenda de Lisboa – Gentil
Marques
(Do guião radiofónico
(categoria teatro
radiofónico) RCP - 1953.
Interpretes: Gentil Marque
(narrador); outros
interpretes: Álvaro Benamor,
Eunice Muñoz, e outros.
“Lisboa ! Velha e nobre
Ulisseia dum país tão
pequeno e tão grande,
simultaneamente ! Das tuas
sete colinas fala a história
inteira. É sempre que em ti
penso, vêem-me à lembrança
os versos heróicos dum poeta
quase desconhecido nos dias
de hoje mas que no seu tempo
foi muito grande: refiro-me
a Gabriel Pereira de Castro,
o autor dum glorioso poema
épico, intitulado
precisamente “Ulisseia ou
Lisboa Edificada” e começa
assim:
As armas e o varão que mal
os seguro
Campos cortou do Egeu e do
Oceano
Que por perigos e trabalhos
duros
Eternizou seu nome soberano
A Grã Lisboa e seus
primeiros muros
(Da Europa e largo Império
Lusitano
Auta cabeça) se eu pudesse
tanto
A Pátria, ao Mundo, à
Eternidade canto.
Lembra-me, musa, as cousas e
me inspira
Como por tantos mares o
prudente
Grego, vencendo de Neptuno a
ira,
Chegou no Tejo à túmida
corrente;
Ouvirá o som da lusitana
lira
O negro ocaso e lúcido
oriente
Se tu dás ser a meu sujeito
falto
Para que caiba em mim furor
tão alto !
Ora conta a lenda que em
tempos remotos, nada desta
cidade de Lisboa existia, a
não ser a sua própria
configuração. E toda a costa
recebia um nome estranho e
simbólico. Chamava-se Ofiusa
– ou seja a terra das
serpentes. E as serpentes
tinham também a sua rainha.
Uma rainha estranha, meio
mulher, meu serpente,
senhora dum olhar
feiticeiro, e duma voz quase
infantil.
Às vezes subia ao alto dum
monte e gritava ao vento
para que pudesse ouvir a sua
própria voz:
- Este é o meu reino ! Só eu
governo aqui … ninguém mais
! Nenhum homem se atreverá a
pôr aqui os pés !Ai do que
ousar ! As minhas serpentes
não o deixarão respirar um
minuto, sequer !
Mas ela, a rainha,
enganava-se nos seus
pensamentos. De facto,
durante muito e muito tempo,
pessoa alguma se aventurou a
desembarcar nesta costa
amaldiçoada pelos deuses e
pelos homens. Porém, um dia,
vindo de longe, um herói
lendário chamado Ulisses e
famoso pelas suas façanhas
guerreiras, aproou nesse
mesmo local onde hoje se
ergue a nossa cidade de
Lisboa. Mal colocou os pés
em terra, ele quedou-se
deslumbrado. Seus olhos não
se cansavam de abraçar as
maravilhas de que a natureza
se mostrava tão pródiga.
Reunindo seus homens, ele
exclamou na sua voz potente,
habituada ao comando:
Aqui edificarei a cidade
mais bela do Universo !
Dar-lhe-ei o meu nome … Será
Ulisseia, capital do Mundo!
Porém, depressa ele
compreendeu que a tarefa não
seria fácil. Nada fácil
mesmo ! Muitos dos seus
homens tombaram envenenados
por mordeduras de serpentes
… outros desapareciam,
apanhados por traiçoeiras
armadilhas ! E, entretanto,
o inimigo, desconhecido e
oculto, ia apertando o seu
cerco em redor de Ulisses.
O jovem guerreiro andava
desesperado. Ele não era
cobarde. Quase amava o
perigo. Mas um perigo
visível, um perigo palpável.
Não um morticínio como
aquele tão inglório. Certa
vez em que a triste nova de
saber que tombara para
sempre um dos seus melhores
amigos e vítima duma morte
estranha, Ulisses subiu a um
pouco donde dominava o
espaço em frente e gritou a
plenos pulmões:
- Por todos os deuses do
Olimpo eu vos desafio,
inimigo traiçoeiro e vilão.
Estou habituado às lutas,
mas cara a cara, frente a
frente, com lutadores que se
prezam e que não se escondem
na sombra ! Aparecei de uma
vez ! Quero ver-vos !
Mas em vão ele chamava ! O
inimigo continuava ceifando
vidas e não aparecia frente
a frente. Apenas os silvos
das serpentes – sinfonia de
ruídos estranhos que
inundavam a noite – mantinha
Ulisses em permanente tensão
nervosa.
Inimigo presente e oculto,
simultaneamente, era o
problema em que Ulisses se
debatia, na ânsia duma
solução. A sua coragem era
enorme. Mas a sua valentia
ultrapassava-a. Contudo, o
problema continuava
insolúvel. Como exterminar
aquilo que se não conhece ?
Nessa tarde, ainda o Sol
caminhava seguro, na linha
do horizonte quando o jovem
guerreiro, tomado de súbita
raiva, subiu, de novo, a uma
pequena elevação de terreno,
gritando:
. Ah! pudeis tentar tudo o
que quiserdes, inimigo
invisível! Mas não
abandonarei esta terra sem
aqui deixar a mais famosa
cidade edificada até hoje!
Ouviste bem o que eu disse?
Houve um terrível e profundo
silêncio. E de súbito, um
rochedo desviou-se e deu
lugar a uma estranha mulher,
que tinha qualquer coisa de
serpente.
Ulisses ficou-se a olhá-la
surpreendido e escutou a sua
voz atraente mas incisiva:
- E se eu me opuser aos teus
desígnios ? E se eu te
disser, visitante ousado,
que a tua vontade de nada
vale dentro dos meus
domínios ?
O jovem guerreiro,
carregando o sobrolho,
perguntou numa surpresa
crescente:
- Mas quem sois vós, senhora
? Por esta luz que ilumina
os meus olhos, vos juro que
nunca vi ninguém semelhante
a voz ! Quem sois ?
Serenamente, ela
respondeu-lhe:
- Sou a rainha desta terra !
a rainha de Ufiusa, reino
das serpentes !
O rosto de Ulisses,
animou-se num sorriso. O
primeiro, desde que o
inimigo começara a atacá-lo.
Mas esse sorriso não era
feliz. Havia qualquer coisa
de enigmático que lhe dava
um sabor estranho.
Aproximou-se da mulher que
lhe fava. Olhou-a bem de
frente, numa minúcia quase
excitante, e declarou então:
- Agora compreendo porque
sois assim ! Tendes, na
verdade a graça felina das
serpentes … a vossa fala é
doce … o vosso olhar é
amargo !...
Foi a vez da mulher sorrir.
E a sua voz bonita tornou-se
mais insinuante:
- Achais o meu olhar amargo
? Pois eu não o sou tanto
como pensais, nobre
navegante ! Durante dias e
noites esperei a tua
rendição. Mas foste corajoso
! Ainda Bem ! Apreendi a
admirar-vos !
Ulisses curvou-se num
cumprimento:
- Grato pelas vossas
palavras, senhora … No meu
país as mulheres não sabem
falar assim !
Ela olhou-o
intencionalmente:
- Pois aqui … na minha terra
… sente-se a falta dum rei !
O jovem guerreiro sorriu:
- Quereis explicar-vos
melhor ?
O olhar dela estava preso ao
dele como que num encanto.
- Achais necessário, nobre
navegante ? Não tendes já
percebido o meu desejo ?
Sem deixar de a fitar,
Ulisses, jovem e valoroso
guerreiro, falou-lhe já um
pouco perturbado:
Preferia que fosseis vós a
expor o vosso plano !
Ela sorriu-lhe abertamente:
- Pois bem: Acho que podeis
edificar aqui essa cidade
que sonhaste mas … com uma
condição: ficareis vivendo
cá para sempre !
Ele, com o seu espírito de
independência tentou ainda
opor-se:
- E se eu não puder aceitar
a vossa condição ?
Ela teve um gesto evasivo:
Aceitando ou não, nobre
navegador – creio que
ficareis da mesma maneira !
Calaram-se. Ele sem
resposta. Ela crente do seu
triunfo. Continuava, porém,
a prendê-lo nesse seu olhar
estranho … como que de
encantamento.
Vencido, Ulisses quase
murmurou:
- Pois bem … aceito !
E a partir desse dia, ou,
antes a partir dessa hora,
tudo se modificou na terra
estranha e bela onde Ulisses
aportara. Desembarcaram
homens, ferramentas,
material. Num grande
esforço, ergueram-se
edifícios, abriram-se
jardins, fizeram-se ruas !
As serpentes já não atacavam
os operários. Agora
reuniam-se e cantavam as
mulheres serpentes para que
os homens trabalhassem.
Cântico enfeitiçado que
possuía em si próprio
qualquer coisa de mágico !
Algum tempo passou. Porém,
Ulisses o irrequieto Ulisses
não queria ficar ali. A sua
terra chamava por ele. E
embora aquela cidade
recebesse o nome de Ulisseia,
consagrando-o como seu dono
e senhor, a verdade é que o
destino de Ulisses era um
destino de aventura. Ele
sentia saudades do mar e
sede de novas lutas. Mas
partir não era fácil como
ficar. Havia um grande, um
enorme obstáculo quase
impossível de transpor: a
rainha das serpentes. Ela
adorava-o e queria-o preso a
si.
Aliás, em todos os tempos
houve sempre quem gostasse
de transmitir o segredo que
lhe não pertence. E assim
chegou aos ouvidos da Rainha
que Ulisses pretendia
deixá-la. Desesperada, ela
procurou-o sem demora:
- Nunca te deixarei partir !
Olha bem para mim … Nos meus
olhos podes ler o amor … ou
a morte !
Ela viu bem como eram
verdadeiras as suas palavras
e achou que devia mentir-lhe
para levar avante o seu
projecto de uma abalada. E
sorrindo-lhe o mais
docemente possível,
replicou-lhe:
- Mas quem te falou em
abalar ? Nunca semelhante
ideia me passou pela cabeça.
Não vês como sou feliz
contigo ? Não é tão bela a
cidade que edificamos ?
O diálogo continuou numa
atmosfera de dúvida e falso
carinho.
- Ulisses ! Não me mintas !
Seria muito pior para ti ! O
meu ódio será tão grande
como o meu amor !
- És louca ! Não sou eu aqui
o rei e senhor ? Para que
havia de querer partir ?
- Disseram-me que tens
saudades da tua terra !
- Mentiram-te !
- E com que intenção ?
A de desunir-nos ! Nós dois,
juntos, somos muralhas
invencíveis !
- Dizes bem ! Unidos ninguém
conseguirá vencer-nos ! Mas
… vejo-te, às vezes, tão
pensativo a olhar para o
Oceano … Receio que desejes
novas aventuras …
- Que ideia ! Eu prefiro ler
o amor nos teus olhos. Não
quero ódios.
- No entanto, sinto que
foges de mim.
- Isso é ideia tua ! Olha: à
noite daremos um grande
passeio, como nos primeiros
dias do nosso amor. Queres ?
- Sim, Ulisses ! Mas não te
esqueças: o meu amor é
grande mas o meu ódio pode
ainda ser maior !
Ele sorriu-lhe … Alguém
chegou e a conversa ficou
suspensa. Lentamente, a
rainha das serpentes
afastou-se …
Ulisses preparou tudo para
essa noite. Teria de partir,
ou antes, teria de fugir e
para isso, precisava de um
plano bem organizado.
Habituado às lutas, fácil
lhe foi organizar a fuga. E
como precisasses de um
auxiliar chamou o mais fiel
dos seus companheiros,
falando-lhe com ansiedade
desusada:
- Escuta: preciso do teu
auxílio …
O fiel companheiro
respondeu-lhe com a
solenidade dos grandes
momentos:
- Podes contar comigo para
tudo ! Dispõe da minha vida
se quiseres.
- Não quero tanto … preciso
apenas que te disfarces tão
bem que alguém te possa
confundir comigo próprio.
- É fácil … temos a mesma
estatura !
Ulisses abanou a cabeça
apreensiva:
- Pois sim … mas não te
esqueças que se trata de
enganar uma mulher … e o
coração das mulheres é bem
difícil de enganar !
O companheiro de Ulisses
baixou a voz:
- Compreendo … queres fugir
dela esta noite !
Ulisses sorriu feliz.
- Isso mesmo ! Tenho já o
plano formado. Irás buscá-la
e passear com ela que está à
minha espera. Entretanto, eu
fugirei.
Como resposta, o companheiro
de Ulisses disse apenas:
- Que os deuses nos protejam
!
De princípio, tudo se passou
como Ulisses previa. O seu
fiel companheiro, muito bem
disfarçado, foi buscar a
Rainha das Serpentes e
levou-a para longe do rio,
passeando ao luar. Mas só
ela falava. Ele receava que
ela lhe reconhecesse a voz.
Embalada pela emoção do
amor, a rainha serpente ia
dizendo, embevecida:
- Construiremos um império
imenso. E a tua Ulisseia – a
nossa Ulisseia – será a
cabeça do Mundo. A cabeça
desse Império ! Que dizes ?
Ah ! Mas tu não falas ? Não
me dizes nada ? Porquê ?
A mulher serpente começou a
inquietar-se.
Olha para mim ! Quero ver os
teus olhos ! Tu escondes-me
alguma coisa !
Ele tentou afastar-se. Ela
encarou-o de frente e
reparando no engano em que
caíra, gritou furiosa:
- Ah, vilão ! Fui traída !
Enganada ! Mas tu morrerás e
ele também. Este é o teu
castigo. Recebe o meu veneno
!
O companheiro de Ulisses deu
um grito e caiu no chão. Ela
curvou-se para ele:
- Diz-me ! Diz-me, miserável
… onde está ele, o traidor ?
Num estertor o jovem
companheiro de Ulisses que
dera a vida pela liberdade
do amigo, murmurou:
- Ele fugiu … fugiu pelo mar
… já deve ir muito longe …
Ela serrou os dentes numa
praga:
- Maldito ! Mil vezes
maldito ! Hei-de alcança-lo
custe o que custar !
E conta a lenda que num
esforço superior às suas
próprias possibilidades – a
Rainha das Serpentes quis
estender-se sobre a cidade
alcançando o mar. Daí, dessa
inútil tentativa – porque
Ulisses já ia longe –
resultou apenas a sua morte.
E como simbolismo do esforço
feito, ficaram as sete
colinas de Lisboa,
desenhadas pelas contorções
da pobre Rainha das
Serpentes.
Espavoridas, as serpentes
fugiram. Mas ali, no antigo
reino de veneno e morte,
ficou edificada a altaneira,
nas suas sete colinas, a
mais bela cidade de então!”.
Alenquer – (Concelho do
Distrito de Lisboa)

Conquistada aos mouros por
D. Afonso Henriques em 1148,
foi reedificada por este
rei. Aí construiu depois D.
Sancho l, um palácio.
Senhora da vila por doação
de seu pai, D. Sancha
concedeu-lhe o primeiro
foral e, manda construir em
1222, o Convento de São
Francisco, o primeiro que a
Ordem mendicante possui em
Portugal. O portal gótico do
convento parece ser o único
vestígio do primitivo
edifício, que resistiu ao
terramoto de 1755.
Mais tarde, Alenquer teve
novas cartas de foral, dadas
por D. Dinis em 1302 e por
D. Manuel l, em 1510. Aqui
nasceu, com toda a
probidade, Pêro de Alenquer,
piloto que acompanhou
Bartolomeu Dias em 1488, na
passagem do Cabo da Boa
Esperança, e Vasco da Gama
em 1497, na viagem à Índia.
Os mouros foram seus
senhores até 1148, altura
que D. Afonso Henriques, a
caminho do sul e da
reconquista, a toma e
reedifica. Todavia, já os
romanos por aqui haviam
andado, como testemunham os
marcos milenários da antiga
Via Lisboa-Mérida.
Do antigo castelo pouco
resta, e o que restas não
está em bom estado de
conservação.
Origem do nome:
«Das, “Terras de Portugal –
António Montês – 1936”»:
“Conta a tradição, que em
1148, quando o castelo ainda
em poder dos mouros, indo o
rei cristão com o seu
séquito banhar-se no rio,
notou que um cão grande e
pardo, que vigiava as
muralhas e ao qual chamavam
“Alão” se calara,
fazendo-lhes festas.
El-rei tomou isso como bom
presságio e mandou começar o
ataque, dizendo “Alão quer”,
palavras que deram o nome à
vila”.
«Do, “Domingo Ilustrado –
1897”»: “ Alenquer – dão-se
variadas etimologias; uns a
derivam de Alankerke, que
significa “Templo dos
Alanos”, atribuindo
consequentemente a fundação
ao povo assim denominado;
outros do vocábulo
Alen-Kerkana, dando como
fundadores estes guerreiros.
A lenda popular, porém,
deriva este termo da frase
Alão-quer, provindo de uma
tradição adiante referida.
….
A credulidade popular
aproveitou o ensejo para
tecer uma lenda, de que se
fez depois originar o nome
da vila e até mesmo as suas
armas, que são, em campo de
prata um cão pardo, preso a
uma árvore com grilhão de
ouro.
Diz a lenda que na noite de
São João um dos cães, que os
mouros tinham em suas
vigias, veio ter com o
monarca, acariciando-o sem
ladrar, o que pareceu ao rei
ser um aviso do céu e por
isso ordenou o assalto,
dizendo: “o Alão quer”.
Há ainda mais duas versões
desta lenda: uma, diz que os
mouros deixaram a vila
entregue a um cão pardo, o
qual veio com carícias e
afagos convidar el-rei D.
Afonso a entrar na praça;
segunda, afiança que estando
o monarca olhando para as
muralhas viu um cão com as
chaves na boca e que ele
lhas deitou aos pés.
Em qualquer destas lendas
figura a tal frase do rei:
“Alão quer”, para harmonizar
ou antes para justificar o
sucesso com o nome da vila,
o qual é muito mais natural
que provenha dum termo
arrevesado, corrompido com o
andar dos tempos”.
Alenquer
http://www.dosdin.pt/pt/camping/alenquer.htm
Alenquer, conquistada aos
Mouros no séc. XII, teve o
seu primeiro foral no século
seguinte. Foi nesta vila que
nasceu, em 1501, um dos
maiores cronistas do
Renascimento Português -
Damião de Góis. Região
famosa pelos seus vinhos,
nomeadamente os brancos que
fizeram furor na Exposição
de Londres em 1890, tem duas
delimitações diferentes mas
ambas confinadas ao concelho
que lhe dá o nome. As vinhas
formam grandes manchas
contínuas, acompanhando o
relevo e desenvolvendo-se
por encostas e vales.
Produzem vinhos de grande
qualidade, principalmente os
de meia encosta de exposição
a sueste.
Alenquer fica ainda na Rota
dos Templários, na Rota da
Peregrinação dos Caminhos de
Santiago de Compostela, na
Rota do Espírito de Santo e
na Rota da Peregrinação de
Fátima.
Nos arredores de Alenquer
dignam-se de interesse:
Serra de Montejunto, Praias
Fluviais do Tejo e diversas
casas senhoriais e Quintas
Vinícolas de Vinhos de
Qualidade.
No posto de Turismo da
Câmara Municipal de Alenquer
disponibilizam-se
informações complementares
de interesse turístico e
Cultural bem como na Região
de Turismo do Oeste. Próximo
de Alenquer situa-se a Serra
de Montejunto e as praias
fluviais do Tejo e da Marina
de Vila Franca de Xira.
Amadora – (Concelho do
Distrito de Lisboa)

As descobertas arqueológicas
mostram que a presença do
homem no concelho da
Amadora, data de há mais de
500 mil anos. Aqui
floresceram culturas
neolíticas e as primeiras
populações metalúrgicas.
Características desta
cultura eram as grutas
artificiais, túmulos
colectivos escavados na
rocha, de que constitui
exemplo a que existe na
região de Carenque. A
ocupação romana deixou,
também, vestígios nesta
área. A atestá-lo, existe um
aqueduto romano que vindo da
região de Carenque atravessa
a Mina em direcção à
Falagueira, onde se supõe
existir uma “Villa”
soterrada. Até meados do
século Xll pouco se sabe
desta região, composta
essencialmente por casais de
saloios e hortas que
abasteciam Lisboa de
produtos agrícolas. No
século XVlll esta zona
cumpre novas funções: o
abastecimento de água à
capital. Com efeito, em 1731
é autorizada a construção do
Aqueduto das Águas Livres
destinada a abastecer os
chafarizes de Lisboa. Ainda
hoje a Amadora é atravessada
por esta extensa conduta que
assume, em certos locais,
aspectos monumentais.
As primeiras manifestações
de uma burguesia locar surge
em 1907 quando um grupo de
homens da região começa a
mover uma campanha para
alteração do nome da
Porcalhota. Existiam então
três núcleos populacionais:
Venteira, Amadora e
Porcalhota; e são estes que
vão ficar integrados na
designação de Amadora.
A partir de 1913 um dos
pólos de atracção é a
actividade aeronáutica ,
tendo sido construído um dos
primeiros campos de aviação
do País. Esta região estaria
no centro das atenções até
1938, data em que é extinta
a “Esquadrilha de Aviação da
República”.
Amadora
http://www.cm-amadora.pt
A criação do Município da
Amadora foi efectuada a 11
de Setembro de 1979, data em
que deixou de ser uma
freguesia do Concelho de
Oeiras, ao qual pertencia
desde 1916. Foi o primeiro
Município português a ser
criado no período pós 25 de
Abril. Tem 22 anos como
Município e tem-se assumido,
principalmente pela sua
centralidade, como um dos
principais pontos de
circulação de pessoas e bens
na Área Metropolitana de
Lisboa. No entanto, a
Amadora tem sabido criar
condições para a fixação do
sector empresarial, como o
comprova a zona industrial
de Alfragide.
O Município da Amadora
inscreve-se na zona
geográfica da AMLN (Área
Metropolitana de Lisboa
Norte) e confina com a
capital (Lisboa) e com os
Municípios de Odivelas,
Sintra e Oeiras, sendo assim
um dos 18 Municípios que
constitui a Área
Metropolitana de Lisboa.
Quando o Município foi
criado, dividia-se em 8
freguesias: Alfragide,
Brandoa, Buraca,
Falagueira-Venda Nova, Mina,
Reboleira, Venteira e
Damaia. A partir de 1997,
este número elevou-se para
11 freguesias, juntando-se
às iniciais as freguesias de
Alfornelos, São Brás e Venda
Nova.
A Amadora é o Município mais
densamente povoado do País.
Segundo os dados
preliminares dos Censos 2001
, a Amadora conta
actualmente com 175 872
habitantes, a residir em 80
581 alojamentos, numa área
de 24 km2, que é uma das
mais pequenas em termos
nacionais.
Arruda dos Vinhos –
(Concelho do Distrito de
Lisboa)

Arruda dos Vinhos é um dos
municípios mais antigos do
País, tendo recebido foral
de D. Afonso Henriques em
1172. No mesmo ano, e por
doação do mesmo monarca,
confirmada por D. Sancho l,
em 1186, o Castelo de Arruda
dos Vinhos passou a
pertencer à Ordem de Saint’Iago.
Treze anos antes de morrer,
D. Afonso Henriques outorga
carta de foral a Arruda. A
Ordem de Saint’Iago foi
senhora da vila e do
castelo. No sítio do Vilar
foi instituída a primeira
residência das Comendadeiras
de Saint’Iago, mosteiro onde
viviam como leigas as
mulheres dos cavaleiros que
andavam em contínuas
batalhas. Foram estas
comendadeiras que mais
tarde, no reinado de D.
Sancho, vieram instalar-se
em Lisboa, no Mosteiro de
Santos-o-Velho, passando no
reinado de D. João ll, para
Santos-o-Novo.
As Linhas de Torres Vedras
passavam por aqui e, ao
olhar para as escarpas
aproveitadas como defesa,
compreende-se bem a
genialidade da construção
desta fortificação militar.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em
Topónimos e Gentílicos
(1944)»: “Designação
composta de elementos
vegetais, isto é, do
substantivo comum arruda –
determinada planta que,
provavelmente apareceu com
abundância no local – e do
determinativo – dos vinhos,
talvez por característica da
principal cultura”.
«A. V. R. do Folheto Arruda
dos Vinhos, editor Camacho
Pereira – Abril de 1955»:
“Da origem do nome de
Arruda, o distinto
etimologista e etólogo Mário
Guedes Real, num
interessante estudo
intitulado “toponímia Árabe
da Estremadura”,
referindo-se aos numerosos
termos de nomenclatura de
povoações, que, como
reminiscências do domínio
muçulmano, se encontram nos
dois países ibéricos, e
entre outros, aqueles que
têm base a flora indígena,
escreveu o seguinte:” Arruda
(dos Vinhos) é nome comum
latino (ruta, ae) tornado
próprio arabizado, pela
anteposição do artigo
definido árabe “al”, cujo
“l” se assimilou ao “r”
inicial do substantivo por
ser a última letra “solar”.
A forma latina árabe seria,
portanto, ar-ruta, a
arruda”.
Arruda dos Vinhos
http://www.arruda.oestedigital.pt
Situada num vale fértil e
ameno, a antiga vila de
Arruda dos Vinhos deslumbra,
não só pela sua rica
história, mas também pela
conhecida hospitalidade das
suas gentes. Nela, o
visitante poderá facilmente
entabular um diálogo com um
passado repleto de
acontecimentos, mergulhados,
pelo menos, desde o início
da nacionalidade. Deste
modo, ainda é possível
percorrer as ruelas da zona
histórica de Arruda e sentir
o mistério e a magia da
Idade Média portuguesa. Aqui
e ali, a toponímia das ruas,
dos terreiros e dos
recantos, sugere-nos a
existência de antigos paços
reais e de um castelo mouro,
desaparecido ou oculto por
alguma espécie de
encantamento, que ainda não
foi possível desvendar. Do
primeiro monarca, resta-nos
o testemunho de um documento
de doação da vila à Ordem
Religiosa e Militar de
Santiago em 1172,
comprovando-se,
efectivamente, a importância
e notoriedade que a povoação
detinha já na época. Foi
esta Ordem que constituiu um
verdadeiro motor de
desenvolvimento rural na
região, ao fazer instituir
um convento no Sítio do
Vilar, destinado a acolher
as esposas dos Cavaleiros
que partiam para Sul,
durante a efeméride da
Reconquista. Estas, para
além da oração, dedicavam-se
ainda à exploração agrícola,
através do arrendamento de
terras, promovendo, deste
modo, a dinamização da
agricultura, especialmente o
cultivo da vinha, dadas as
características excepcionais
desta zona para este tipo de
actividade.
Não só Arruda dos Vinhos
constituiu desde tempos
ancestrais um importante
pólo de produção vinícola,
como também por estas
paragens se têm vindo a
constatar vestígios de uma
importante rota ancestral de
comercialização deste
produto, sobejamente
apreciado, aquém e além-mar.
Dessa rica herança, subsiste
ainda hoje o desenvolvimento
e a expansão da actividade
vitivinícola numa grande
parte do território do
concelho, sendo que a região
de Arruda dos Vinhos se
situa actualmente numa das
melhores zonas de produção
de vinhos do país.
Por tudo isto, ainda hoje,
nas aldeias, casais e
quintas que rodeiam e
completam a harmonia dos
vales, trabalham-se
afincadamente os campos,
cultivam-se as várzeas
férteis, e preparam-se os
vinhedos para as célebres e
fartas colheitas de Outono
que tão bem tipificam e
enchem esta terra de cor.
Deste longo ritual de labor
e sabedoria resulta
anualmente em Novembro, a
Festa da Vinha e do Vinho,
onde forasteiros e
arrudenses convivem em
alegria, em tom de
celebração à terra.
Retomando o lento desfilar
dos tempos, refira-se o
período áureo do rei D.
Manuel I, restando-nos como
grande motivo de orgulho a
magnífica Igreja Matriz de
Nossa Senhora da Salvação,
restaurada por ordem
expressa deste monarca. Foi
também D. Manuel, que
atribuiu foral à vila a 15
de Janeiro de 1517. Desses
tempos, chegou-nos ainda um
património cultural valioso,
que se traduz nas
tradicionais festividades em
honra da padroeira, de 6 a
18 de Agosto e que atraem a
Arruda dos Vinhos milhares
de visitantes. Nesta altura,
Arruda - vila engalanada e
entregue à festa e à
inspiração das agradáveis
noites estivais - revela
todo um encanto e magia que
só uma visita minuciosa e
atenta poderá proporcionar.
Mas também ao longo de todo
o ano, a procura da noite
Arrudense começa já a ser
uma referência e um
agradável ponto de encontro.
Ao nível da gastronomia, o
concelho de Arruda dos
Vinhos conta com cerca de
duas dezenas da restaurantes
e casas de petiscos, nos
quais se pode provar de tudo
um pouco, desde os
diferentes pratos de
bacalhau e peixes, aos
grelhados de carnes
diversas, abundando ainda
uma doçaria, não
propriamente local, mas
característica um pouco,
quer da região saloia, quer
já de um Ribatejo que teima
em fazer anunciar-se, até
mesmo pela paisagem sobre o
Rio Tejo, cujo serpentear é
visível de alguns pontos do
concelho. É também destas
cristas altaneiras - que
envolvem todo o Vale Quente
e que constituem verdadeiros
miradouros naturais - que
muitos se lançam no prazer
do parapente. Nestes locais,
aos quais o acesso poderá
muitas vezes ser efectuado
através de jipe- o que
constitui uma verdadeira e
inolvidável aventura- ou
mesmo através de percursos
pedestres, o visitante
descobre uma paisagem de
sonho, desde o Palácio da
Pena, ao Maciço da Arrábida,
passando pela Lezíria
Ribatejana ou pela imponente
Serra de Montejunto. Apesar
do seu relativo isolamento
actual, alguns destes pontos
serviram não só de refúgio e
habitação aos homens do
Neolítico, como também
constituíram pontos de
defesa importantes aquando
das Invasões Francesas, pelo
facto de integrarem as
famosas Linhas de Torres.
Como testemunhos desses
tempos, restam ainda os
redutos dos Fortes da
Carvalha e da Infesta, cujos
panos de muralhas e
trincheiras são ainda hoje
facilmente visíveis e que
têm sido ultimamente objecto
de interesse e pesquisas
diversas, no âmbito de um
projecto intermunicipal de
valorização da 1ª cintura
defensiva das Linhas de
Torres. Nestes locais, a
vista perde-se no horizonte,
embrenhando-se na beleza e
simplicidade dos campos, na
brancura persistente de
alguns moinhos e no anunciar
de algumas aldeias e lugares
que teimam afirmar a sua
identidade, não obstante, em
baixo, a sede de Concelho
esteja a crescer a olhos
vistos, assistindo-se a um
aumento considerável da sua
área urbana e
consequentemente da sua
população.
Arruda dos Vinhos
http://www.rt-oeste.pt/concelhos.htm
O concelho de Arruda dos
Vinhos situa-se a 36 Km a
norte de Lisboa, entre os
concelhos de Sobral de Monte
Agraço, Alenquer, Vila
Franca de Xira, Loures e
Mafra. A área é de 77 Km2
distribuídos por quatro
freguesias. Arranhó, Arruda
dos Vinhos, Cardosas e São
Tiago dos Velhos. A sua
população ronda actualmente
os onze mil habitantes.
As primeiras marcas de
ocupação humana no
território que corresponde
hoje ao concelho de Arruda
dos Vinhos remontam ao
período Neolítico. Da época
romana encontram-se
igualmente bastantes
vestígios, fixando-se a
primeira marca de autonomia
municipal no ano de 1172
quando D. Afonso Henriques
faz lavrar um documento de
doação da vila de Arruda à
Ordem de São Tiago, acto que
é confirmado em Santarém em
1218, por D. Afonso II.
O foral é atribuído em 1517,
por D. Manuel I, depois do
rei se ter refugiado no Paço
da Vila, aquando da
devastação do reino pela
peste. Este monarca prometeu
restaurar a igreja Matriz e
dedicá-la a Nossa Senhora da
Salvação, caso saísse ileso
da epidemia, o que se veio a
comprovar. Deste modo, o rei
ordenou que se organizassem
festividades na vila em
honra da virgem no dia 15 de
Agosto de cada ano, tradição
que se manteve até aos
nossos dias.
Durante as invasões
napoleónicas foram
construídos quatro fortes
que integravam as Linhas de
Torres, contribuindo para a
defesa da capital.
Azambuja – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

Foi conquistada aos mouros por
D. Afonso Henriques, que no
termo da Azambuja fez doação em
1147, a D. Childe Rolim, filho
do conde de Chester ( e a todos
os flandrenses que já viviam
nesta localidade), como
recompensa pelo heroísmo
demonstrado no cerco de Lisboa.
Era nessa altura designada por
Vila Franca. O nome de Azambuja
ressurge no reinado de D. Sancho
l, que lhe deu foral em 1220,
ano em que dela fez doação a D.
Rolim de Moura, filho do
primeiro donatário. A este rei
se devem ainda providências para
acelarar o povoamento de
Azambuja. D. Afonso ll confirmou
o foral em 1218 e, D. Manuel l
concedeu-lhe novo foral em 1513.
Perto da localidade, junto à
estrada nacional, ergue-se um
marco de légua do reinado de D.
Maria lª.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “O nome,
cuja origem remota, é o berbere
Tharbujath, embora tivesse
chegado até nós através do árabe
az-zumbuj, que quer dizer –
oliveira brava. O padre Luís
Cardoso, no seu Dicionário do
século XVlll, transliterou mal o
étimo árabe, pois escreveu
Azzabuja. Outros autores fizeram
identicamente má transliteração
do vocábulo, primitivamente nome
comum dum vegetal”.
Azambuja
http://www.cm-azambuja.pt/azambuja/Concelho
Município geograficamente
caracterizado como o mais
oriental do distrito de Lisboa,
localização que o torna
charneira e porta de entrada na
Grande Lisboa, quer por
auto-estrada, quer por Caminho
de Ferro.
Estendendo-se por uma área de
261, 652 Km 2 onde vivem cerca
de 22 000 pessoas, tem o rio
Tejo como limite natural Sul,
que o separa dos concelhos de
Vila Franca de Xira, Benavente e
Salvaterra de Magos,
circunvizinho ainda dos
municípios do Cartaxo, Santarém,
Rio Maior, Cadaval e Alenquer.
Composto hoje de muitos
aglomerados habitacionais,
lugares e aldeias, relativamente
importantes que têm como cabeça
a sede das nove freguesias -
Alcoentre, Aveiras de Baixo,
Aveiras de Cima, Azambuja,
Maçussa, Manique do Intendente,
Vale do Paraíso, Vila Nova da
Rainha e Vila Nova de S. Pedro.
A sua actual configuração
geográfica e administrativa
torna o Concelho de Azambuja
relativamente jovem e
simultaneamente, das unidades
municipais mais antigas de
Portugal. Unificado pelas
sucessivas reformas territoriais
da administração e circunscrição
local da Monarquia Liberais,
entre 1834 e 1855, praticamente
nasce com os alvores da
nacionalidade. Gerou-se a partir
de finais do século XII, com a
criação de uma rede simultânea,
coincidente em paróquias e
freguesias. Esta malha de
pequenas unidades geográficas de
administração e circunscrição
local com jurisdições
diferenciadas, estabeleceu ao
longo da história uma cadeia de
laços de familiaridade, de
solidariedade, sociabilidade e
identidade firmarando e
cimentando relações, tanto das
elites dirigentes e possidentes,
como da sociabilidade entre as
suas gentes, o povo em si.
Alcoentre foi a primeira unidade
de administração e circunscrição
local, instituída em 1147, por
D. Afonso Henriques, nos meses
que medeiam a conquista de
Santarém e Lisboa. Como
recompensa e visando a defesa e
o povoamento da fronteira
natural do Tejo, D. Sancho I
entrega Azambuja ao nobre
cruzado-guerreiro, D. Rolim, seu
1º senhor, a quem o seu neto,
alcaide e 3º senhor concede
contratualmente foral em 1972,
em comum consentimento com os
moradores. O mesmo Rei-Povoador
concede em 1207 a Aveiras de
Baixo e 1210 a Aveiras de Cima,
cartas de aforamento, sabendo-se
que a primeira visava dotar sua
filha, a infanta D. Sancha.
Aveiras de Cima, foi designada
Veiras ou Aveiras de Fundo até
aos princípios do século XVI,
tendo recebido de D. João I
carta de foral em 1401,
reforçada com instrumento
idêntico de D. Duarte em 1434.
A estas quatro circunscrições
foi confirmado "foral novo" por
D. Manuel - Azambuja a 7 de
Janeiro de 1513, Aveiras de Cima
e Vale do Paraíso a 13 de
Setembro, a Aveiras de Baixo a
19 e a 26 do mesmo mês, o de
Alcoentre.
Vila Nova da Rainha tivera uma
efémera jurisdição própria,
entre 1376 e 1382, tempo que
medeia entre o instrumento de
concessão por D. Fernando, de
termo e justiças próprias e o
seu arrasamento e retorno ao
termo de Alenquer, ordenado pela
Regente Leonor de Teles.
Vinda da Idade Média e
referenciada desde D. Dinis, S.
Pedro de Arrifana foi uma grande
paróquia do termo de Santarém
até ao século XVIII, quando é
instituído o concelho e senhorio
em Alcoentrinho, que passou a
ser a cabeça senhorial,
paroquial e sede de concelho
como Manique do Intendente, por
mercê de D. Maria I ao
Intendente Pina Manique.
Durante as duas primeiras
décadas do século XX, o lugar de
Vale do Paraíso que pertencia a
Aveiras de Cima é elevado a
Freguesia, o mesmo acontecendo
com Vila Nova de S. Pedro,
desanexada de Manique do
Intendente. Desta Freguesia
sairá a nona freguesia, quando
esse estatuto é reconhecido ao
lugar de Maçussa, em meados da
penúltima década da centúria de
XX.
Está enraizada no imaginário a
diferenciação geográfica do
Município em Alto e Baixo
Concelho, para caracterizar e
referir realidades distintas de
modos de povoamento e
desenvolvimento, mas sobretudo
de natureza geo-morfológica e de
exploração e dimensão fundiária
- a Lezíria a Sul, caracterizada
pelas monoculturas extensivas e
a grande propriedade, e o Bairro
a Norte - onde predomina a
policultura intensiva, com
destaque para a vitivinicultura.
Funcionando de forma integral e
complementar em termos de
equilíbrio económico e
aproveitamento dos recursos
naturais locais, globalmente
considerados, oferecem em termos
de património natural e
paisagístico, uma variante
motora do desenvolvimento sócio
- cultural sustentável em termos
de lazer, fruição e respeito da
Natureza e seus recursos.
Também o património edificado e
de interesse histórico-cultural
é uma das grandes heranças,
legadas pela história. Entre
monumentos e sítios
classificados ou referidos como
de interesse patrimonial,
histórico, artístico ou
cultural, surgem à cabeça o
"castro" de Vila Nova de S.
Pedro, a igreja-palácio, casa da
câmara, pelourinho e praça doa
imperadores em Manique do
Intendente, o marco de
cruzamento no lugar da
Espinheira, Alcoentre, as
escolas Grandella em Tagarro e
Aveiras de Cima, a igreja do
mosteiro de Santa Maria das
Virtudes e o solar dos condes de
Aveiras, em Aveiras de Baixo, os
painéis azulejares da igreja de
Vila Nova da Rainha, o marco da
légua, a igreja matriz, a igreja
da misericórdia, pelourinho e
palácio do provedor das lezírias
em Azambuja, entre muitos outros
patrimónios edificados
particulares e de arquitectura
religiosa ou de arte sacra e de
interesse local ou regional.
Finalmente, o maior património é
o "património humano", o povo ou
as gentes anónimas que deram e
dão vida e sentido à história,
os seus costumes, crenças,
destrezas e tradições, as suas
memórias, o seu sentir e o seu «saber-fazer».
Sobressaem por todo o Município
uma série de figuras com peso e
visibilidade nacionais e que
aqui nasceram ou viveram e de
que são meros exemplos - Afonso
Vaz de Azambuja (capitão de
caravelas), André Pessoa
(comandante de caravelas),
António de Azambuja (capitão de
caravelas), António Rolim de
Moura (1.º conde de Azambuja,
governador e viso-rei do
Brasil), António Rolim de Moura
(cavaleiro nas conquistas das
praças de Marrocos),
Diogo de Azambuja - o Sábio
Diogo de Azambuja (navegador),
Diogo de Gouveia - o Moço
(humanista) Diogo Inácio Pina
Manique (estadista, intendente e
desembargador), Francisco Child
Rolim de Moura (humanista),
Francisco da Cunha Paredes
(atleta olímpico medalhado),
Francisco Maria de Almeida
Grandella (comerciante),
Frederico Arouca (conselheiro,
embaixador), Frei Diogo Lopes de
Andrade (bispo de Otranto e
pregador de Filipe II), Frei
Teófilo da Trindade (instituidor
do hospital da Ordem 3ª), Frei
Jerónimo de Azambuja (teólogo e
embaixador), João Afonso Esteves
de Azambuja (estadista e
cardeal), Pedro Estevães do
Sobrado (instituidor do mais
antigo hospital do Concelho),
João da Silva Tello de Meneses
(conde de Aveiras e vice-rei da
Índia), Martim Afonso de Sousa
(vice-rei da Índia).
Com o dia do Município e feriado
municipal em Quinta Feira da
Ascensão, todo este património
natural, cultural e humano fazem
parte de uma mesma identidade,
simbolicamente representada e
identificada na composição
heráldica Municipal, aprovada
pela Portaria n.º 8:971,
publicada a 6 de Abril de 1938,
cujas armas são "de prata com um
zambujeiro de verde, frutado do
mesmo e sustido e arrancado de
negro, acompanhado por duas
flores de lis de vermelho. Coroa
mural de prata de quatro torres.
Listel branco com os dizeres
«Vila de Azambuja» de negro".
Cadaval – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

Antiga povoação do concelho de
Óbidos, torna-se vila graças à
intervenção do rei D. Fernando
l, já quase no final do 3º
quartel do século XlV. Em 1513,
D. Manuel l outorga-lhe foral
novo. Em 1895, perde as
prerrogativas de sede de
concelho, para as readquirir em
1898.
Num cabeço com excelentes
condições estratégicas,
encontra-se o Castelo de Pragana,
situado
na vertente noroeste da
Serra de Montejunto e dominando
um vasto vale, foram encontrados
os vestígios de uma fortificação
continuamente ocupada desde o
final do Neolítico até à época
romana. De entre os milhares de
peças recolhidas em escavações
feitas no início do século XX,
destacam-se pontas de setas de
lâminas de sílex, machados de
pedra polida, ídolos de
calcário, punhais e machados de
cobre e de bronze, pulseiras,
anéis, fíbulas, estoques,
lanças, foices e moedas de
bronze e grande variedade de
cerâmicas decoradas e lisas, que
testemunham a importância da
fortificação entre 3000 anos
antes de Cristo e o início da
era cristã.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “A origem
deste topónimo deve estar no
nome comum cadaval de cadava ou
cadavo mais o sufixo – al, e
assim Cadaval significa
propriamente “abundância de
cadavas (ou cadavos)” e,
portanto, lugar onde ficam
bastantes restos de matos e
árvores que se queimam”.
Cadaval
http://www.cadaval.org/museu/historia.htm
O
Cadaval é um concelho antigo que
teve a sua origem em 1371 quando
o rei D. Fernando constituiu a
vila e o concelho e o doou a
João Afonso Telo.
Teve foral dado pelo rei
D. Manuel I em 1513.
Ao longo da sua história
o concelho esteve na posse de
vários senhores donatários sendo
o mais importante a Casa Cadaval
a partir do século XVII e até
1832.
O concelho foi extinto
em 1895 mas, por pressão
popular, foi de novo restaurado
em 13 de Janeiro de 1898
constituindo esta data o Feriado
Municipal.
A história do concelho é
descrita no Museu
Cascais – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

S ob o domínio romano chamava-se Cascale. Foi conquistada aos
mouros e integrada no Reino de
Portugal no reinado de D. Afonso
Henriques, que lhe outorgou
foral em 1159, confirmado em
1189 por D. Sancho l. Elevada à
categoria de vila por D. Pedro l
(de Portugal), recebeu foral
novo outorgado por D. Manuel l,
em 1514. Em 1580 sofreu um
ataque do duque de Alba
(espanhol). A cidadela,
defendida por um partidário de
D. António, prior do Crato, D.
Diogo de Meneses, que, após
tenaz resistência foi feito
prisioneiro e degolado na praça
pública. Após a Restauração, a
fortaleza foi reconstruída.
Pertença dos condes de Monsanto
e dos marqueses de Cascais,
foi-se a pouco e pouco
transformando, ao passar de
praça militar a estância de
veraneio, preferida, já nos
últimos tempos da monarquia,
pela família real. D. Carlos era
um dos seus maiores entusiastas.
Mais tarde, passou também a
local escolhido pela Presidência
da República durante o período
estival.
Grutas com vestígios de
povoamento pré-histórico também
existem na região, nomeadamente
na povoação de Alapraia; e a
presença romana ficou assinalada
em Areias.
Origem do nome:
«A respeito da etimologia de
Cascais, informa o saudoso
escritor Dr. Agostinho de
Campos, que já ouviu também uma
explicação simples e ingénua,
embora muito irreverente:
“Disseram-me que Jesus Cristo
fora perseguido até ali pelos
judeus, que só pararam de o
maltratar, quando chegaram com
ele até às areias da famosa
enseada, que é uma das maiores
belezas da nossa terra. E que
Jesus Cristo, voltando-se então
para trás, lhes dissera a frase
seguinte, de onde veio o nome à
povoação actual:
- Até aqui me cascais !?...
(Lisboa, Dezembro de 1918)”.
«José Leite de Vasconcelos em
“Lições de Filologia
Portuguesa”»: “A palavra casca
tomou metaforicamente a acepção
de “pedra miúda” e então o
vocábulo Cascais significaria
etimologicamente “ajuntamento de
pedra miúda”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “Vimos
algures dada esta forma a
explicação da proveniência deste
nome:
“(…) Cascais, a velho vila das
casqueiras que lhe deram o nome.
Chamavam-se assim as tinas onde
os pescadores mergulhavam as
redes na decoração de aroeira.
Encascaste ?, perguntavam uns
aos outros. E daí, Cascais”.
A explicação parece-nos pouco
verosímil. Talvez mais aceitável
embora não possamos garantir a
sua autenticidade, é considerar
a forma Cascais como
pluralização de um hipotético
cascal, revelado no gentílico
cascalense e tirado de casc (a)
mais o sufixo – al, que aqui
exprimiria ideia colectiva, como
em areal, bananal, pinheiral,
roseiral, etc., etc.”
Cascais
http://www.cm-cascais.pt/cascais
Situado a ocidente do estuário
do Tejo, entre a Serra de Sintra
e o Oceano Atlântico, o
território ocupado pelo Concelho
de Cascais é limitado a norte
pelo Concelho de Sintra, a sul e
a ocidente pelo Oceano e a
oriente pelo Concelho de Oeiras.
A ocupação humana na área que
hoje constitui o Concelho de
Cascais parece remontar ao
Paleolítico Inferior, como o
atestam os vestígios encontrados
a norte de Talaíde, no Alto do
Cabecinho (Tires) e a sul dos
Moinhos do Cabreiro. Durante o
Neolítico assiste-se ao
estabelecimento dos primeiros
povoados e à utilização de
grutas naturais (como as do Poço
Velho, em Cascais) e artificiais
(como as de Alapraia ou São
Pedro), para o culto dos mortos.
Os corpos são, então, aí
depositados juntamente com
oferendas votivas, prática que
se manterá para além do
Calcolítico.
Como testemunhos do período
romano importa recordar as
villae de Freiria (São Domingos
de Rana) e de Casais Velhos
(Charneca), assim como o
conjunto de dez tanques
descobertos na Rua Marques Leal
Pancada, em Cascais, parte de um
complexo fabril para a salga de
peixe. O domínio romano também
se faz sentir ao nível da
toponímia (caso de Caparide,
proveniente do latim capparis,
que significa alcaparra) e
através de algumas inscrições,
maioritariamente funerárias.
A presença árabe legará
abundantes topónimos, como, por
exemplo, Alcoitão ou
Alcabideche, terra natal do
poeta Ibn Muqãna que, nascido no
início do século XI, se referiu
à sua vivência agrícola e aos
seus moinhos de vento:
«Ó tu que vives em Alcabideche
Oxalá nunca te faltem
Nem grãos para semear,
Nem cebolas, nem abóboras.
Se és homem de decisão
Precisas de um moinho
Que funcione com as nuvens
Sem necessidade de regatos.»
Na segunda metade do século XII
Cascais é uma pequena aldeia de
pescadores e lavradores. O
topónimo Cascais parece, mesmo,
derivar do plural de cascal
(monte de cascas), o que se deve
relacionar com a abundância de
moluscos marinhos aí existentes.
Ainda assim, o território que
actualmente alberga o concelho é
sobretudo habitado no interior,
denunciando a hegemonia das
actividades agrícolas e o receio
dos ataques dos piratas mouros e
normandos.
Administrativamente dependente
de Sintra, de cujo termo faz
parte, Cascais, em consequência
da privilegiada situação
geográfica da sua baía,
transformar-se-á num porto de
pesca concorrido. Neste
contexto, em 7 de Junho de 1364
os homens bons de Cascais obtêm
de D. Pedro I a elevação da
aldeia a vila que «houvesse
por si jurisdição e juízes para
fazer direito e justiça e os
outros oficiais que fossem
cumpridores para bom regimento
deste lugar», comprometendo-se a
pagar anualmente à Coroa
duzentas libras de ouro, para
além daquilo que já despendiam,
o que parece atestar a riqueza
da região, certamente
proveniente do pescado.
O castelo deve ter sido
construído depois desta data,
visto que em 1370, ano em que se
forma o termo de Cascais, D.
Fernando pode doar o castelo e
lugar de Cascais a Gomes
Lourenço de Avelar, como
senhorio, sucedendo-lhe, entre
outros, o Dr. João das Regras e
os Condes de Monsanto, depois
Marqueses de Cascais.
Entretanto, apesar da conquista
e saque do castelo pelos
castelhanos em 1373 e do
bloqueio do porto em 1382 e
1384, assiste-se ao crescimento
de Cascais no exterior das
muralhas e à criação, ainda nos
finais do século XIV, das
paróquias de Santa Maria de
Cascais, São Vicente de
Alcabideche e São Domingos de
Rana.
O movimento da baía acresce no
período inicial dos
Descobrimentos e Expansão,
ordenando D. João II, em 1488, a
edificação de uma torre
defensiva. É em Cascais que
desembarca Nicolau Coelho, o
primeiro capitão da armada de
Vasco da Gama a chegar da Índia,
no intuito de se deslocar até
Sintra para informar o monarca
da boa nova. Mais tarde, em 15
de Novembro de 1514, D. Manuel I
concede o foral de vila a
Cascais, o primeiro texto
regulador da vida municipal, uma
vez que persistia a utilização
do foral de Sintra. Já em 11 de
Junho de 1551, por licença de D.
João III, se institui a Santa
Casa da Misericórdia de Cascais.
No ano de 1580 as tropas
espanholas, sob o comando do
Duque de Alba, desembarcam em
Cascais, conquistando a
fortaleza e saqueando a vila.
Também sob o domínio filipino,
em 1589, aquando da tentativa
gorada da conquista de Lisboa
conduzida por D. António, Prior
do Crato, os soldados ingleses
que o acompanham pilham a
povoação.
Consciente das deficiências
defensivas da região, D. Filipe
I mandará levantar a Fortaleza
de Santo António do Estoril e
abaluartar a antiga torre
joanina de Cascais, que passa a
ser conhecida por Fortaleza de
Nossa Senhora da Luz. Não
obstante, após a restauração da
independência, em 1640,
procede-se à edificação de uma
vasta linha defensiva no litoral
concelhio, ampliando-se e
restaurando-se as fortificações
existentes e construindo-se mais
de uma dezena de baluartes, sob
a direcção do Conde de
Cantanhede, encarregue da defesa
da barra do Tejo, porta de
acesso à cidade de Lisboa. De
entre as estruturas então
levantadas importa destacar a
Cidadela de Cascais que,
construída junto à Fortaleza de
Nossa Senhora da Luz, reforça
consideravelmente a defesa deste
ponto estratégico da costa.
Ainda que se tenha empenhado
sobretudo no desenvolvimento do
Concelho de Oeiras, Sebastião
José de Carvalho e Melo, Conde
de Oeiras e depois Marquês de
Pombal, apresenta-se como um dos
principais defensores da vinha e
do vinho de Carcavelos,
devendo-se-lhe, ainda, a
concessão de benefícios para a
edificação da Real Fábrica de
Lanifícios de Cascais, em 1774.
Todavia, aquando do terramoto de
1 de Novembro de 1755 a vila
fora quase totalmente destruída,
hecatombe a que se seguirá a
ocupação durante a primeira
invasão francesa (1807-08) e o
período das lutas liberais,
sabendo-se que durante o reinado
miguelista a Fortaleza de Nossa
Senhora da Luz será utilizada
como prisão dos seus opositores.
A decadência da povoação
acentua-se, ainda, com a
extinção das ordens religiosas
instaladas no concelho e a
retirada do Regimento de
Infantaria 19.
A partir de 1859, com o início
da construção da estrada ligando
a vila a Oeiras e, depois, da
estrada até Sintra, Cascais
parece libertar-se da
estagnação. Em 1868 surge o
Teatro de Gil Vicente e dois
anos depois a Família Real
decide tomar banhos de mar em
Cascais, adaptando os aposentos
do Governador da Cidadela a Paço
Real. A vila transforma-se na
rainha das praias portuguesas,
enquanto o surto vilegiaturista
imprime um rápido
desenvolvimento a toda a orla
costeira concelhia, coadjuvado
pela inauguração do primeiro
troço de caminho-de-ferro entre
Cascais e Pedrouços, em 30 de
Setembro de 1889.
É este o período do
florescimento dos Estoris.
Primeiramente o Monte Estoril,
sob o impulso de uma poderosa
companhia; depois São João do
Estoril, onde triunfa um
individualismo secundado pela
fama dos Banhos da Poça.
Desponta, ainda, a nova Parede,
projectada por Nunes da Mata,
pelo que as antigas povoações do
interior tendem a
secundarizar-se, fenómeno a que
se associam, mesmo, sedes de
freguesia como Alcabideche e São
Domingos de Rana. Carcavelos
mantém-se como terreno
privilegiado para a vinha, não
obstante o crescimento da
localidade também dever ser
explicado por intermédio da
fixação da colónia britânica que
desde 1872 explora o cabo
submarino a partir da Quinta
Nova de Santo António, depois
dos Ingleses.
Finalmente, sob a visão de
Fausto de Figueiredo e do seu
sócio, Augusto Carreira de
Sousa, surge, em 1913, o
projecto do Estoril enquanto
centro vilegiaturista de
ambições internacionais. O
início da I Guerra Mundial
implicará atrasos consideráveis
na sua concretização, pelo que
só em 16 de Janeiro de 1916 se
procede à colocação da primeira
pedra para a construção do
casino.
Segue-se um período de intensa
construção nas zonas
conquistadas ao pinhal, às
terras de lavoura e às
pedreiras, facilitada, desde
1940, pelo fácil acesso
rodoviário proporcionado pela
estrada marginal, junto ao mar.
O concelho assume-se, então,
como centro turístico de
primeira ordem, recebendo
durante e depois da II Guerra
Mundial um elevadíssimo número
de refugiados e exilados, de
entre os quais importa destacar
os Condes de Barcelona, o Rei
Humberto II de Itália, Carol II
da Roménia e inúmeras figuras do
panorama desportivo e cultural.
Ainda hoje Cascais continua a
manter esta vocação de espaço de
acolhimento, norteando a sua
actividade turística e cultural
pelos critérios de qualidade
exigidos pelos seus
frequentadores.
PARA SABER MAIS
Bibliografia sumária
ANDRADE, Ferreira de - Cascais,
vila da corte: oito séculos de
história, [Cascais], Câmara
Muncipal de Cascais, 1964.
____, dir. - Monografia de
Cascais, [Cascais], Câmara
Municipal de Cascais, 1969.
Arquivo de Cascais: boletim
cultural do município,
[Cascais], Câmara Municipal de
Cascais, n.ºs 1-12, 1980-1996.
BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira;
BARROS, Maria de Fátima Rombouts
de; RAMALHO, Margarida de
Magalhães - As fortificações
marítimas da costa de Cascais,
[Lisboa], Quetzal Editores,
[2002].
COLAÇO, Branca de Gonta e ARCHER,
Maria - Memórias da linha de
Cascais, Lisboa, Parceria A. M.
Pereira, 1943.
CORREIA, J. Diogo - Toponímia do
concelho de Cascais, Cascais,
Câmara Municipal de Cascais,
1964.
SILVA, Raquel Henriques da -
Cascais, Lisboa, Editorial
Presença, 1988.
Câmara Municipal de Cascais
www.cm-cascais.pt
Cascais
http://www.strawberryworld-lisbon.com/lisboa
Tradicionalmente um pequeno
porto de pesca, Cascais mudou
muito nos últimos 100 anos para
se tornar numa das localidades
portuguesas preferidas pelos
turistas. Cascais emana uma
atmosfera cosmopolita sem perder
o seu encanto natural.
A baía é a principal atracção de
Cascais. Vale a pena passear nos
passeios que rodeiam a baía e
dar-se conta do contraste
existente entre as cores
garridas dos pequenos barcos de
pesca e a sobriedade dos iates e
barcos-à-vela ancorados na
marina do clube de iates.
Depois de admirar a baía pode
dar um pulinho até ao forte, ao
Museu do Mar e ao fascinante
Museu Conde Castro Guimarães,
onde encontra também uma pequena
praia privada. Neste último,
pode ouvir alguns dos melhores
concertos clássicos que
acontecem com alguma
regularidade em Cascais.
Se gosta de passear em parques,
há um perto do museu onde pode
tirar um minuto ou dois para
relaxar debaixo da sombra que as
árvores lhe dão.
No seu caminho de volta à baía,
aproveite para partir à
descoberta das ruas típicas de
Cascais e para ver as
tradicionais casas brancas, as
magníficas calçadas e as antigas
fachadas cobertas de azulejos.
Perder-se nos meandros de
Cascais é uma experiência muito
agradável, que lhe permite estar
em contacto com recantos
pitorescos e os seus pequenos,
mas acolhedores, restaurantes,
cafés e lojas, onde pode
descansar até que lhe apeteça
fazer-se à estrada de novo.
Noutras partes desta localidade
encontrará palácios antigos e
luxuosas casas, cuja
arquitectura é simplesmente
magnífica e digna de ser
examinada com mais atenção. O
Forte de S. Jorge, reaberto em
Dezembro de 2000, foi, em
tempos, uma das estruturas
defensivas mais importantes da
costa de Lisboa e é hoje um
museu militar. A fachada
principal foi reconstruída com
base em documentos que datam de
1796 e algumas das divisões do
forte escolhidas para retratar
cenas do que seria a vida
quotidiana da época.
Mas, como costumamos dizer, para
conhecer melhor qualquer área
não há nada melhor do que
deixar-se levar pela sua
imaginação, dando a si mesmo a
liberdade de se perder até ter
vontade de encontrar o seu
caminho novamente.
Loures – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “Para a
determinação do étimo de Loures,
várias hipóteses se têm
formulado, sem que o problema
tenha ficado definitivamente
resolvido.
Uns o relacionaram
morfologicamente com Louredo, de
Laurettu, e neste caso
tratar-se-á de nome romano;
outros viriam nele um dos muitos
nomes germânicos, que aparecem
na nossa toponímia, o que parece
menos aceitável”.
Loures
http://enciclopedia.tiosam.com/enciclopedia
O sítio de Loures é muito
antigo. Surge mencionado num
documento de 1118, e de novo em
1191 (altura em que há também
menções a Unhos e Sacavém).
Terra essencialmente agrícola,
aqui foram durante muito tempo
produzidos alguns dos bens
alimentares que eram depois
trazidos para a capital (como
por exemplo as alfaces, que
ainda surgem representadas no
brasão da freguesia em memória
desse facto).
Desde cedo os habitantes de
Loures foram apelidados de
saloios. A primeira referência
conhecida é num documento de
1170, assinado por D. Afonso
Henriques, no qual concede
certos privilégios e regalias
aos mouros forros dos arrabaldes
de Lisboa, apelidando-os de
sallayos, palavra que com o
decorrer do tempo evoluiu para
saloio, e passou a designar o
habitante dos campos situados ao
norte da capital.
Loures foi elevada a vila em
1927 e a cidade em 1990.
Curiosamente, o perímetro da
cidade não corresponde à
totalidade da extensa freguesia,
mas apenas à sua parte urbana
concentrada em torno das
povoações de Loures, Infantado,
Mealhada e Sete Casas. No
entanto, só na superfície
definida por estes lugares
concentra-se mais de 60% da
população da freguesia (cerca de
16 mil habitantes). Sítios como
A-dos-Calvos, A-dos-Cãos,
Pinheiro de Loures ou Ponte de
Lousa são pequenas localidades
cujo número de habitantes é
relativamente menor, e cuja
distância ao centro da freguesia
é considerável.
Desta freguesia desmembraram-se
as da Póvoa de Santo Adrião
(então chamada Póvoa de Loures),
em meados do século XVII,
Caneças, em 1915 (actualmente,
ambas estão integradas no
concelho de Odivelas) e, mais
recentemente, a de Santo António
dos Cavaleiros (em 1989).
Lourinhã – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

Lourinhã é uma
pequena e antiga vila ligada à
História da Península Ibérica,
rodeada de colinas e férteis
vales. As ruas, com traçado
tortuoso e gosto medieval. Na
costa, o mar prateado de finas
areias, que envolvem falésias
recortadas e inexploradas baías.
A Igreja de Santa
Maria do Castelo, é um belo
exemplar do gótico medicante do
século XlV, assim como o
cruzeiro da mesma época. A
Igreja Matriz, pertenceu ao
Convento dos Franciscanos,
fundado em 1598, possui uma
pintura do século XVl, e um
retábulo de talha dourada do
século XVlll.
Nos arredores, temos o
Forte de Paimogo, situado na
praia do mesmo nome, e data de
1674.
Tem belas praias, como
a da Areia Branca, muito
tranquila e de grande beleza;
Porto de Barcas, grande centro
de viveiros; Praia de Porto
Dinheiro, aldeia de pescadores
que vivem da apanha do marisco,
e a praia é excelente para
banhos.
Perto da
Lourinhã. Fica o Vimeiro,
pequena localidade ligada à
batalha que terminou com a
Invasão Francesa, em 20 de
Agosto de 1808. É digno de
visita o terreiro da batalha com
o cruzeiro comemorativo.
Romanos primeiro,
senão outros, árabes a seguir e
depois cristãos, a vila da
Lourinhã está indelevelmente
ligada à História da Península
Ibérica. As ruas têm um traçado
sinuoso ao gosto medieval,
apenas a roupagem do casario
mudou, não nos deixando recuar
para além do século XlX ou,
quanto muito, do século XVlll,
se considerarmos o mal
conservado Solar do Visconde de
Palma de Almeida. A Misericórdia
tem um portal manuelino
interessante. A Igreja Matriz é
um belo exemplar do século XlV e
está implantada num monte
sobranceiro ao casario, no mesmo
sítio onde os árabes construíram
o seu castelo. Nesta vila, que
foi senhorio de João das Regras,
podem ainda admirar-se os
azulejos do século XVll do
claustro do antigo Convento dos
Recoletos Franciscanos. Na
Igreja, Santo António tem a sua
história contada em azulejos da
centúria de Setecentos.
Lourinhã fica perto de
outras belas terras, como Atouguia da Baleia (01), Baleal,
Consolação, Peniche, Serra
d’El-Rei, Vimeiro e outras.
Origem do nome (Prof.
Dr. José Leite de Vasconcelos)
"(...) logo relacionei
mentalmente este nome com
Lourinhã, e em ambos vi
vestígios de vilas romanas, o
primeiro como representante de
uma vila "Laurini", o segundo
como representante de uma vila "Lauriniana".
Quando regressei a minha casa,
integrei tais nomes no estudo
que estava fazendo das vilas
rústicas, e depois o incluí na
Etnografia...
O topónimo Casal de
Lourim aparece já documentado em
1527. Laurini é o genitivo do
cognome romano Laurinus ou de um
genitivo derivado dele, isto é,
Laurinius, e coloca-se ao lado
de dezenas de outros, de origem
romana ou germânica romanizada,
acabados em "im", como Lalim,
Lazarim, Gondim, Mondim.
O topónimo Lourinhã,
que no século XlV se dizia
Lourinhãa (com dois aa,
continuadores dos dois aa
latinos, e nasal, continuadora
do "n" intervocálico, e se
artigo, que começou a tomar no
século XVl, pelo menos),
coloca-se, morfologicamente ao
lado de Campanhã (indicado por
Sampaio), de Ançã, indicado por
mim...
Podia eu ter posto no
título do presente artigo não só
Lourinhã, senão ao mesmo tempo
Lourim; pus aquele, como mais
importante, e por fazer
pressupor este.
À Lourinhã liga com
ironia o vulgo, por longe, uma
fantástica personagem chamada
João Fernandes. É quase sepre
sem forte razão que uns povos
zomba de outros, o que tem
origens várias...
Quanto à vila
estremenha, de quem me estou
ocupando, vê-se que ela nos
aparece de um nobre senhor da
Idade-Média, Lourinho
(aportuguesando) autêntico, e
não fantástico, cujos
pergaminhos entroncavam, pelo
menos, em estirpe de romanos
(...)".
O concelho do litoral
da Região Oeste, com 146 km2 e
cerca de 23.000 habitantes,
distribuídos por 11 Freguesias,
está hoje servido de excelentes
acessibilidades relativamente às
principais cidades do país e a
Lisboa, da qual dista 63 Kms.
O surgimento do nome
Lourinhã está, segundo algumas
versões ligado à existência de
uma povoação romana. No Século
XII, já em plena reconquista,
foi D. Afonso Henriques quem
concedeu ao fidalgo francês D.
Jordan as terras hoje conhecidas
por Lourinhã pelos valorosos
serviços prestados por este na
conquista de Lisboa aos mouros.
O primeiro foral da
Lourinhã, dado por D. Jordan,
não possui data certa, embora
alguns historiadores o remetam
para o ano de 1160, tendo sido
sucessivamente confirmado por D.
Sancho I, em Santarém, no ano de
1218 e por D.Afonso III, no ano
de 1251. Um novo foral foi
concedido por D. Manuel I, em
1512.
Os seus 12 quilómetros
de costa, onde se combinam belas
praias, penhascos recortados e
tranquilas baías, numa rota que
o sol percorre, quente e
luminoso, durante todo o ano,
são de uma riqueza paisagística
única.
Estas condições
naturais convidam à prática de
diversos desportos náuticos,
pesca desportiva, caça
submarina, fotografia
subaquática, surf ou, entre
outros, o jet ski.
O interior do
concelho, caracterizado pela
ruralidade da paisagem e
harmonia das suas cores, dispõe
de excelentes condições para
umas férias tranquilas e
repousantes. Aí se encontram
vários estabelecimentos de
turismo em espaço rural, onde se
pode estabelecer um contacto
directo com a natureza, com a
vida agrícola e praticar
diversas actividades como a
equitação, ténis, BTT, caça,
mini-golf, karting, ou
simplesmente descansar.
No seu património
salienta-se a Igreja de Nª Srª
da Anunciação ( também conhecida
por Igreja de Santa Maria do
Castelo), a Igreja da
Misericórdia , o Convento e
Igreja de Santo António, o Forte
de Paimogo, o Parque da Fonte
Lima, o Museu da Lourinhã ou
ainda ,entre outros, o Padrão
Comemorativo da Batalha do
Vimeiro, onde o exército
Anglo-Luso venceu as tropas
napoleónicas comandadas pelo
general Junot em 21 de Agosto de
1808 durante a 1ª Invasão
Francesa.
O Museu da Lourinhã
Está situado bem no
centro da vila da Lourinhã desde
a sua fundação em 1984 pelo
G.E.A.L., associação não
governamental e sem fins
lucrativos.
O seu espólio, oriundo
de dádivas da população e de
trabalhos de campo, é composto
por quatro secções: Arqueologia,
Arte Sacra, Etnografia e
Paleontologia distribuídas por
dois pisos.
Este Museu possui a
maior colecção ibérica de
fósseis de dinossauros do
Jurássico Superior e uma das
mais importantes a nível
mundial, naquele que já foi
considerado "o melhor pequeno
Museu do Mundo para o
financiamento que recebe" (Neil
Clark, Revista Expresso 1997.
Entre estes fósseis
com 150 milhões de anos
encontram-se vários vestígios de
dinossauros carnívoros como o Lourinhanosaurus antunesi, dos
gigantescos herbívoros como o
Dinheirosaurus lourinhanensis ou
dos vários ovos fósseis de
dinossauro carnívoro contendo os
mais antigos embriões de
dinossauro de todo mundo e o
segundo maior ninho conhecido,
com mais de 100 ovos.
O Museu expõe um série
de dinossauros que são os únicos
exemplares conhecidos destas
espécies. Também é possível
observar fósseis diferentes
invertebrados, peixes,
crocodilos, pterossauros,
tartarugas, mamíferos, etc. de
diversas idades geológicas .
A este museu
deslocam-se, por ano, 16.000
visitantes e várias dezenas de
cientistas de todo o mundo.
O Museu da Lourinhã
também possui o maior espólio
etnográfico da Região Oeste com
a representação de profissões
antigas como o correiro, segeiro,
pitrolino, amolador, tanoeiro,
etc. sendo uma valiosa herança
da cultura regional e nacional.
Entre as diversas
peças da colecção de Arte Sacra
destaca-se uma maquete do séc.
XIX de uma magnífica basílica
nunca construída.
(01)- Atouguia da
Baleia: "O sobrenome "da Baleia"
usa-o desde 1526, porque nesse
ano deu à costa, na praia
próxima da vila, um desses
cetáceos, medindo mais de 20
metros de comprido. No reinado
de D. Pedro 1º criavam-se nas
terras realengas grandes manadas
de touros, pelo que era
vulgarmente denominada aquela
região "Atouria" ou "Touria",
donde com o decorrer dos tempos
se fez Atouguia. Esta opinião é
do erudito J. de Vilhena
Barbosa; todavia, parece-nos
pouco curial, porque existindo a
povoação já nos primeiros
reinados, é de crer que não
fosse anónima até D. Pedro 1º.
(Domingo Ilustrado –
1897)".
"Primeiramente
conhecida por Touria ou Atouria,
tirava o seu nome das grandes
pastagens de touros, no tempo em
que D. Pedro 1º tinha sua
residência no paço da Serra
d’El-Rei. Com o tempo foi-se
corrompendo, ficando Atouguia.
Foi esta vila povoada
por Winhem Lacorne, fidalgo
francês, a quem D. Afonso
Henriques a doara, por virtude
deste cavaleiro o ter auxiliado
na conquista de Lisboa.
(...) passou a
chamar-se Atouguia da Baleia,
pelo facto de, em 11 de
Fevereiro de 1526, ter dado à
costa uma baleia, no sítio
chamado da Areia Branca, onde
foi enterrada"
(Dr. Rocha Martins –
1936)".
(02) Baleal:- "Ainda é
uma aldeia-paraíso, resistindo
às desgraças urbanísticas
originadas do outro lado da
língua de areia que lhe dá
acesso na baixa-mar. O areal
cresce para Norte até à Foz do
Arelho e para Sul até Peniche de
Cima. No meio, situa-se a "ilha-península"
do Baleal, à sua frente a Ilha
dos Pombos, depois o ilhéu de
Fora e o Oceano Atlântico. É uma
das mais belas praias do litoral
estremenho, de acesso a seco na
maré vazia e a vau ou de barco
quando as águas já não permitem
a curta caminhada. Formam a
aldeia uma rua que vale a pena
subir até à capela, dos raros
exemplares portugueses com forno
colectivo para cozedura de pão,
outra para descer pela costa
Sul, e muitas casas, uma foram
de pescadores, outras de
veraneantes".
(03) Consolação:- "Na
costa Sul de Peniche, para lá do
Medão Grande, Consolação é uma
das praias de grande beleza – a
outra é São Bernardino – a que
se pode chegar por Casal do
Moinho. A praia da Consolação
fica ao fundo da aldeia, junto
ao Forte de Nossa Senhora da
Consolação. O forte que existiu
aqui encontra-se em ruínas, ao
contrário do que sucede com o
Convento de São Bernardino, dos
Franciscanos e depois dos Loios,
vendido pela Ordem em 1834".
(04) Peniche:- "Para
além dos vestígios
pré-históricos, que fazem recuar
a tempos remotos a origem da
presença humana na pequena ilha
chamada Peniche, é já do tempo
do romanos a documentação mais
antiga que lhe diz respeito.
Terá sido lenda a sua evolução,
até por D. Afonso Henriques ter
sido cedida, com a povoação
próxima de Atouguia da Baleia,
ao cruzado Guilherme de Corni.
Manteve-se durante muito tempo
isolada do litoral e serviu de
refúgio a alguns raros
pescadores. A partir do século
XV as areias surgiram pouco a
pouco, acabando por formar um
istmo que passou a ligar Peniche
aos terrenos continentais
fronteiros. O Aumento da sua
população e o desenvolvimento
progressivo da actividade
pesqueira e mercantil
justificara que, no princípio do
século XVll, Peniche tivesse
sido elevada à categoria de
vila, herdando a importância que
Atouguia da Baleia tivera até
então. A antiha ilha e agora
península de Peniche, foi
fortificada pela primeira vez em
meados do século XVl, no tempo
do rei D. João 3º. Depois de
1640, transformou-se e
praça-forte. O Forte da Cabana,
o Forte da Luz, o Forte da
Consolação e o Forte de São João
Baptista (este na Ilha da
Berlenga) constituíam,
juntamente com a cidadela, a
malha defensiva deste sector da
costa portuguesa. Não muito
longe, 12 Km a poente da costa,
erguem-se das águas oceânicas
uma ilha, a Berlenga Grande, e,
mais ou menos perto, ilhéus,
rochedos e recifes, como a
Berlenga Pequena, as Forcadas e
os Farilhões, restos de terra
firme que ficaram aqui a atestar
as alterações sofridas pelo
litoral em eras muito remotas. A
tentação de as visitar é
inevitável, nomeadamente a
primeira, por ter mais fácil
acesso e maior área, e também
por nela existirem, além do
farol, um pequeno bairro de
pescadores, um restaurante, uma
pousada instalada no Forte de
São João Baptista e área onde é
possível acampar. Na vegetação
que a cobre pode encontrar-se
uma raridade, uma espécie de
saudade, a "Armeria berlingensis",
que só aqui existe, e também o
chorão (Carpobrotus edulis), de
origem sul-africana. Em relação
à fauna, não faltam
oportunidades na Berlenga para
ver as aves que habitam na ilha
e nas outras formações rochosas
próximas, entre as quais
predominam as espécies
migradoras. Merecem ser
visitadas, pelo menos duas
igrejas: a de Nossa Senhora da
Ajuda, perto da entrada da vila,
e a de Nossa Senhora da
Conceição, que não fica muito
longe da matriz. A Pedra da Nau,
a que chamam a Nau dos Corvos, é
uma escultura natural fabulosa,
na qual pousam, dando-lhe vida,
os corvos-marinhos que por ali
voltejam".
(05) Serra d’El-Rei:-
"Tem um nome que evoca a nossa
História. Foi D. Pedro 1º quem,
no século XlV, aqui edificou uns
paços onde residiam para
pescarias e caçadas, D. Fernando
e D. João 1º. Na vasta
propriedade realenga pouco resta
a assinalar para além da
toponímia, mas dos paços, apesar
das alterações sofridas, ainda
subsiste uma construção que tem
um portal na fachada que dá para
o largo, já do tempo dos Ataídes,
além das janelas com interesse,
viradas para esse largo e para a
estrada que lhe passa junto. No
pátio interior vêem-se outras
janelas, de estilo manuelino. No
edifício ainda se encontram
restos do passado, como uma sala
abobadada do século XlV. E
recinto apropriado, os reis
faziam criação de pavões, aves
heráldicas que tanto agradavam
às cortes desses tempos. A
Igreja de São Sebastião fica a
Sul, ao lado da estrada".
(06) Vimieiro:-
Dominado pela época balnear e
pelo período termal, o Vimeiro
vale sobretudo pela cercadura
natural que envolve a povoação.
O seu nome ficou célebre por
aqui se ter travado, em 20 de
Agosto de 1808, a batalha que
pôs termo à 1ª Invasão Francesa.
Um peque padrão, erigido em
1908, assinala a vitória de
Wellington, comandando as tropas
portuguesas e inglesas, sobre as
forças de Junot".
Lourinhã
http://www.cm-lourinha.pt
Desde o Paleolítico, cujos
testemunhos encontramos por todo
o concelho, passando pelo
Neolítico, até aos nossos dias,
os homens sempre ocuparam as
terras da Lourinhã, aqui
deixando marcas da sua passagem.
Ao longo dos milénios, foram
chegando sucessivamente os
Iberos, os Celtas, os Fenícios,
os Gregos, os Túrdulos, os
Cartagineses e, por volta do ano
220 a.c., os Romanos. Estes
últimos, segundo algumas
versões, estão directamente
ligados ao surgimento do nome
Lourinhã, pois uma vila romana
estaria na sua origem. Existem,
porém, outras posições e teorias
sobre a génese e o surgimento do
nome do concelho. Uma dessas
teorias aponta para a origem
francesa do primeiro donatário
da Lourinhã, D. Jordan, natural
de uma região banhada pelo rio
Loir.
D. Afonso Henriques concedeu
terras a D. Jordan, como
recompensa pelos serviços
prestados na conquista de Lisboa
aos mouros, no local onde hoje
se instala a Lourinhã, e
autorizou-o a conceder foral aos
seus habitantes, em 1160. A
concessão do foral,
posteriormente confirmada por D.
Sancho I em Santarém, no ano de
1218 e por D. Afonso III, em
1251, foi um marco na história
da Lourinhã, e um factor que
instituiu a paróquia e o próprio
concelho. Note-se que a paróquia
de Santa Maria da Lourinhã, que
passou posteriormente a ser
designada Nossa Senhora da
Anunciação, foi uma das mais
ricas da Diocese de Lisboa e do
próprio território nacional.
Exemplo desse facto é a
monumentalidade da Igreja de
Santa Maria do Castelo, de
estilo gótico, datada da segunda
metade do século XIV, e que
apresenta duas fases de
construção, sendo a 1ª atribuída
a D. Jordan, e a segunda a D.
Lourenço Vicente, Arcebispo de
Braga, natural da Lourinhã.
Outros edifícios como o Convento
de Santo António (pertencente à
Ordem Franciscana e datado de
1598) e a Igreja da Misericórdia
(fundada por alvará de D. Filipe
II, do ano de 1598, e detentora
de rico espólio museológico) são
testemunhos de toda a
religiosidade da população. O
Forte Paimogo (elemento
integrante da Linha Defensiva da
Costa Portuguesa, construído em
1674, no reinado de D. Afonso
VI) e o Monumento Comemorativo
do Centenário da Batalha do
Vimeiro ( testemunho da batalha
travada, em 21 de Agosto de
1808, entre as tropas
anglo-lusas e as tropas
francesas comandadas por Junot)
ilustram bem a importância
estratégica do concelho.
A autonomia do concelho da
Lourinhã manteve-se praticamente
intocável ao longo dos anos.
Apesar da sua extinção ter sido
decretada em 1867, este foi
reinstaurado passado cerca de um
mês, factor motivado pela
revolta do povo que se insurgiu
contra a perda de autonomia. A
consciencialização dos
Lourinhanenses acerca da
importância da preservação do
concelho, terá originado vários
factores potenciadores do seu
crescimento, como foi o caso da
fundação de uma Comissão
responsável pelo desenvolvimento
da Lourinhã, estabelecida por
pessoas influentes na sociedade
da época. Fechado sobre si
próprio, o concelho detinha, em
finais do século XIX, uma
população que se dedicava
essencialmente à agricultura. O
isolamento começou a quebrar-se
com a construção e reconstrução
de estradas e com a reforma de
pavimentos de ruas e largos.
Construiu-se a primeira rede de
esgotos, e outras obras foram
realizadas no sentido de
melhorar as condições de vida
das populações. Os passos dados
no sentido da alfabetização
conduziram à construção de
Escolas Primárias e, em 1875,
existiam equipamentos escolares
na Lourinhã, Moita dos
Ferreiros, Moledo, Reguengo
Grande e Miragaia. O progresso
começou a tomar conta da vida
dos lourinhanenses, e o final do
século XIX ficou marcado com a
concretização de uma velha
aspiração - a criação de uma
comarca na Lourinhã.
No século XX, rasgaram-se
estradas, aproveitaram-se as
potencialidades da Praia da
Areia Branca, distribuiu-se
domiciliariamente água,
estabeleceu-se a rede de
iluminação pública, entre muitos
outros acontecimentos, que
tornaram a Lourinhã um concelho
com os equipamentos necessários
para proporcionar aos que nele
habitam qualidade de vida e
bem-estar social.
Mafra – (Concelho do Distrito de
Lisboa)

A povoação já devia existir
durante o domínio romano, embora
se ignore qual o seu topónimo.
No século lX já tinha o nome
actual, que se supõe derivar da
palavra árabe “mahafra” (que
quer dizer cova), embora esta
tese tenha sido muito
contestada.
Conquistada aos mouros por D.
Afonso Henriques em 1146 ou
1147, Mafra é uma das mais
antigas vilas de Portugal. D.
Sancho l, na doação que dela fez
em 1189, ap bispo de Silves, D.
Nicolau, atribui-lhe esta
qualificação. Neste mesmo ano o
donatário concedeu-lhe o seu
primeiro foral. Em 1193, foi
doada à Ordem de Calatrava. D.
Afonso ll confirmou em 1218 esta
doação. Tendo regressado à posse
da Coroa, D. Dinis concedeu-a em
1289 a D. João Fernandes de
Lima, em troca da vila, castelo
e senhorio de Portel. Mais
tarde, em 1513, recebeu foral
nove outorgado por D. Manuel l.
Nos primeiros tempos da sua
existência, a vida de Mafra terá
gravitado em torno da vila velha
e do antigo castelo, nas
proximidades da Igreja de Santo
André. No século XVlll o pólo de
atracção tornou-se o convento,
nas imediações do qual surgiu a
vila nova.
Após três anos de casamento, a
rainha Maria Ana, mulher de D.
João V, dava à luz o seu
primeiro filho, em Dezembro de
1711.
Segundo Frei António de São
José, sabendo das preocupações
dos seus reis, fez uma profecia
em que garantia um filho ao rei
se este erguesse um grande
convento em Mafra.
O rei acedeu e, animado pelo
ouro do Brasil, escolhe o
projecto do arquitecto Ludovice
e determina a construção, do
enorme edifício, que viria a
ficar concluído dezoito anos
mais tarde.
Começou essa obra gigantesca, em
que chegaram a trabalhar 45 mil
operários, em 1717, e só com as
festas do lançamento da primeira
pedra nos alicerces se gastaram
oitenta contos (da época).
O convento tem duas torres, de
70 metros de altura, tendo a do
norte 56 sinos e 54 a do sul. Em
ambas as torres há 45 mil quilos
de metal, pesando o sino das
horas 12 mil quilos e o
respectivo martelo, 300 quilos.
Conta-se que, havendo D. João V
encomendado apenas o maquinismo
de um carrilhão, ao ser-lhe
pedida pelo construtor a quantia
de dois milhões de cruzados,
encomendou logo um segundo,
nestes termos: “Visto ser tão
barato, quero dois carrilhões,
em vez de um”.
O convento possui 5.200 portas e
janelas. Desde 1834, data em que
foram extintas as ordens
religiosas em Portugal, tem-lhe
sido dadas diversas aplicações.
Origem do nome:
«Da, Grande Enciclopédia
Portuguesa e Brasileira»:
“Podemos fixar para aquém do
século Xll, as seguintes
nomenclatura toponímicas da vila
de Mafra: Mahafara, dos árabes;
Malfora, de Inocêncio lll;
Mafara, de D. Afonso ll, na
carta de Coimbra, de 1218, e
finalmente Mafra, com Camões,
Lusíadas, C. lll: « A estas
nobres vilas submetidas ajunta
também Mafra em pouco espaço». E
Mafra ficou. Compõe-se a vila de
duas partes distintas: a velha,
erecta à volta das muralhas do
castelo, e a nova, que germinou
e se desenvolveu à sombra do
convento.
A posição da vila é numa cova.
Daí, segundo Frei João de Sousa,
o nome do povoado – Mahafara, a
cova, do verbo hafara, cavar.
Mas a origem deste onomástico é
negado pelo Prof. David Lopes,
por não reputar certa, nem a
etimologia, nem a sua obediência
às formas antigas”.
Mafra
http://www.cm-mafra.pt/concelho/
Com
uma área de cerca de trezentos
km2 , o Concelho de Mafra é
constituído por 17 freguesias:
Azueira, Carvoeira, Cheleiros,
Encarnação, Enxara do Bispo,
Ericeira, Gradil, Igreja Nova,
Mafra, Malveira, Milharado, S.
Miguel de Alcainça, Santo
Estevão das Galés, Santo
Isidoro, Sobral da Abelheira,
Venda do Pinheiro e Vila Franca
do Rosário.
Pelas suas condições naturais,
económicas, sociais e culturais,
Mafra é, desde há muito, local
privilegiado de escolha para
fixação das populações.
Famoso pelo imponente
Palácio-Convento, este Município
tem uma história que remonta ao
Neolítico. Desde a época
megalítica até aos romanos, uma
série de vestígios arqueológicos
confirmam a passagem dos mais
diversos povos pela região. Da
época dolménica, as antas da
Azueira; dos romanos, toda a
freguesia da Carvoeira; de
outros povos, a toponímia.
Mafra sempre se caracterizou por
uma intensa vida social. Os seus
mercados, desde tempos
imemoriais, constituíram ponto
de encontro de gentes e
culturas. Das povoações do
interior, os saloios
deslocavam-se aos núcleos
urbanos para trocar mercadorias
e notícias. As feiras e romarias
rivalizavam em cor e riqueza com
as reuniões da corte.
Esta tradição mantém-se forte no
Concelho de Mafra. As festas
populares continuam a concorrer
para a manutenção da identidade
de uma comunidade consciente da
riqueza histórica da sua
tradição e especificidade.
A modernidade trouxe para o
Município novos modos de viver e
de estar. Os centros balneares
da costa atlântica animam-se no
Verão, sobretudo aos
fins-de-semana, com uma
população que busca o retorno à
natureza. Tal como no passado, o
Concelho continua a ser ponto de
reunião e pólo de atracção no
espaço metropolitano e no
contexto nacional e
internacional.
Mafra encontra-se hoje na
confluência das rotas do Oeste.
De um lado, a ligação à
Estremadura. Do outro, a ligação
a Lisboa, Sintra e Cascais. Na
charneira das rotas comerciais
de uma região rica e
diversificada, o Concelho ganha,
no presente, uma nova dimensão e
centralidade na área
metropolitana.
Mafra
http://www.mafra.net/ericeira
Reza a lenda que o nome Ericeira
significa, na origem, "terra de
ouriços", devido aos numerosos
ouriços do mar que abundavam nas
suas praias. No entanto,
investigações mais recentes
apontam o ouriço caixeiro e não
o do mar como inspirador do
nome. Com a descoberta de um
exemplar do antigo brasão da
Vila, hoje no Arquivo-Museu da
Misericórdia, confirmou-se que o
animal ali desenhado é, de
facto, um ouriço caixeiro,
espécie que evoca a deusa
fenícia Astarte. O que dá razão
à tese anteriormente avançada
por Manuel Gandra, segundo a
qual a origem do povo da
Ericeira remonta aos fenícios.
A história da Ericeira remonta,
assim, a cerca de 1000 a.C. O
seu primeiro foral data de 1229,
concedido pelo então Grão-Mestre
da Ordem de Aviz, Dom Frei
Fernão Rodrigues Monteiro, que
assim instituiu o Concelho da
Ericeira.
É na carta de foral que surgem
as primeiras referências aos
pescadores da Ericeira, estando
bem presente o cuidado do
legislador em acautelar os
direitos e deveres dos que se
encontravam sujeitos às tutelas
dos donatários:"(...) Quanto aos
pescadores, dêem a vigésima
parte do pescado que matarem no
mar. De doze peixes, levem um
para conduto antes de darem a
vigésima parte, e se matarem
congro, comam-no. Do pescado que
encontrarem morto, não paguem
foro. De baleia, dêem a vigésima
parte. De toninhas e delfins sem
impedimento, em ocasiões de fome
(...)".
No século XIII, a baleia,
toninha e delfim eram as
espécies mais pescadas, tendo
dado lugar, já no século XVI, à
raia, ao rodo valho e à pescada.
Em 1547, D. João III concede aos
pescadores ericeirences a
permissão de venderem o peixe "a
olho" e não "a peso", costume
que ainda há 30 anos se
mantinha.
Novas cartas de foro concedidas
por D. Afonso IV, em 1369, e por
D. Manuel I em 1513, vieram
nobilitar a vila concelhia,
doada pelo mesmo D. Manuel ao
infante D. Luis e por este ao
seu filho natural D. António,
prior do Crato, forte opositor à
tomada do poder real por Filipe
II de Espanha. Em 1589, no Forte
de Milreu, D. António fez uma
gorada tentativa de desembarque
de tropas com o objectivo de
conquistar o poder.
Quatro anos mais tarde dá-se um
episódio que ficou conhecido por
"o Rei da Ericeira": um jovem
ermitão da Capela de S. Julião,
a sul da Ericeira, faz-se passar
por D. Sebastião, o rei vencido
em Alcácer Quibir, coroa a
mulher como rainha, distribui
benesses e castigos e concede
títulos de nobreza. Acaba na
guilhotina e os seus apoiantes
nas galés.
Em 1855, na sequência de uma
reordenação administrativa do
território, a Ericeira deixou de
ser concelho para ficar na
dependência de Mafra, sede
concelhia até aos dias de hoje.
Deve-se ao porto da Ericeira o
desenvolvimento da vila, noutros
tempos habitada quase só por
gente do mar, que formou durante
muitos séculos um grupo
étnico-geográfico denominado
jagoz, diferenciado dos
restantes habitantes da região
Saloia. O movimento comercial do
porto da Ericeira tornou-o num
pólo fundamental da economia da
região. Relatos datados de 1834
dão conta de que nesse ano ali
fundearam 175 embarcações, que
ora transportavam produtos para
a vila - principalmente cereais
- que de ali eram distribuídos
para o interior do país, ora os
exportavam para os portos do
Algarve, ilhas e outros -
especialmente vinhos e seus
derivados.
A Alfândega da Ericeira abrangia
então uma área que se estendia
de Cascais à Figueira da Foz,
sendo o seu porto considerado o
quarto mais importante do país,
atrás dos de Lisboa, Porto e
Setúbal. Com a construção do
caminho-de-ferro do Oeste e o
desenvolvimento dos transportes
terrestres, o porto da Ericeira
foi perdendo importância. Nos
finais do século XIX
instalaram-se na vila armações
fixas de pesca da sardinha que
vieram alterar as antigas
características piscatórias, mas
que tiveram um papel
sócio-económico importante,
chegando a empregar, só na faina
do mar, à volta de 500 homens.
Mas se a vila deixou ao longo do
século XIX de ser um entreposto
comercial, nunca perdeu a visita
de "forasteiros", desta vez de
veraneantes que passaram a
procurá-la devido às suas
características climáticas e ao
alto teor de iodo das suas
praias. Charles Lepierre,
engenheiro químico,
considerou-as, há 50 anos, como
"o fulcro da maior concentração
de iodo de toda a costa
portuguesa". Hoje, a Ericeira
continua a ser uma das zonas do
litoral do país mais procuradas
para banhos.
O episódio da fuga de D. Manuel
II para o exílio, da Praia dos
Pescadores, na Ericeira,
tornou-se num marco da história
da vila no último século. Eram
cerca das 15 horas do dia 5 de
Outubro de 1910 quando D. Manuel
II, então com 20 anos,
acompanhado da mãe, a rainha D.
Amélia, e da avó, a Rainha
D.Maria Pia, vindos de Mafra,
surgiram de automóvel na vila
para embarcarem no Iate D.
Amélia, fugidos da revolução
republicana que estalara na
véspera em Lisboa. Os pormenores
do que se passou naquele dia na
Ericeira são-nos relatados por
Júlio Ivo, presidente da Câmara
Municipal de Mafra no tempo de
Sidónio Pais, e que em 1928
inquiriu a população da
vila:"(...) os automóveis
pararam e apeou-se a Família
Real, seguindo da rua do Norte
para a rua de Baixo, pela
estreita travessa que liga as
duas ruas, em frente quase da
travessa da Estrela (...) Ao
entrar na rua de Baixo, a
Família Real ia na seguinte
ordem: na frente El-Rei D.
Manuel; a seguir, D. Maria Pia,
depois, D. Amélia (...) El-Rei e
quem os acompanhava subiram para
a barca, valendo-se de caixotes
e cestos de peixe (...) O
sinaleiro fez sinal com o
chapéu, e a primeira barca,
Bomfim, levando a bandeira azul
e branca na popa, entrou na água
e seguiu a remos, conduzindo
El-Rei (...)
A afluência nas Ribas era
imensa. Tudo silencioso, mas de
muitos olhos corriam lágrimas
(...) El-Rei ia muito pálido, D
Amélia com ânimo, D. Maria Pia,
acabrunhada (...) Ainda as
barcas não tinham atracado ao
iate, apareceu na vila, vindo do
lado de Sintra, um automóvel com
revolucionários civis, armados
de carabinas e munidos de
bombas, que disseram ser para
atirar para a praia se tivessem
chegado a tempo do embarque
(...)".
Odivelas – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

Odivelas
http://www.cm-odivelas.pt/Site/Freguesias/Odivelas
No
Convento do Carmo existe uma
lápide que foi levada, em 1870,
de Odivelas, pelo Arquitecto
Possidónio da Silva. Essa
inscrição é um documento
precioso, para esta freguesia e
a prova da sua antiguidade. Nela
se pode constatar que o primeiro
pároco desta igreja foi João
Ramires, o qual faleceu no ano
de 1183, da era de Cristo. A
inscrição está em latim e datada
da era de César, que nós já
revertemos, aqui, para a de
Cristo.
O arquitecto Gustavo Marques,
que descobriu esta lápide, é de
opinião que o padre João Ramires
terá sido um dos guerreiros que
veio com D. Afonso Henriques em
1147, para conquistar Lisboa. Se
assim for, Odivelas terá oito
séculos de história.
A estrutura do povoado medieval
ainda hoje está perfeitamente
visível. Duas ruas o constituíam
- partindo da igreja, na Rua
Direita, hoje Rua Guilherme
Gomes Fernandes, vinha
encontrar-se com a Rua Esquerda,
hoje Rua Alberto Monteiro, no
Cruzeiro.
Em frente à Igreja, fechavam o
circuito. O povoado
desenvolveu-se em torno da
Matriz e terá crescido,
posteriormente, em direcção ao
Mosteiro de S. Dinis, junto do
qual se regista um aglomerado de
pequenas habitações, testemunho
de outras, suas ancestrais.
A actual Igreja Matriz é o
resultado de sucessivas
reconstruções. No século XVII,
sofreu obras que lhe deram a
estrutura que tem hoje,
reconhecendo-se que recebeu
beneficiações e arranjos
significativos, no século XVIII.
Na área desta Freguesia houve
muitas quintas que, sendo
inicialmente de nobres e do
clero, mudaram de donos, ao
longo dos séculos, até acabarem
em lotes de terreno para
construção urbana. Confrontado
com a povoação, e todas
próximas, havia a Quinta de Vale
de Flores, que foi do Rei D.
Dinis, a Quinta da Memória que,
no século XVII era propriedade
do Arcebispo de Braga, D.
Rodrigo de Moura Teles e a
Quinta do Miranda que, no mesmo
século, pertencia a D. Gil Vaz
Lobo e acabou por ter o nome de
Quinta do Mendes, no Século XX.
Além destas, muitas outras
existiram, restando-nos hoje a
Quinta dos Pombais, onde residem
ainda os seus proprietários. É
desejável que estas quintas se
conservem, pois são um
testemunho do nosso passado.
O nome desta terra, ligou-o o
povo ao rei Lavrador. É da
tradição oral que o monarca saía
muitas vezes, à noite, tentando
não ser notado, para vir ao seu
Real Mosteiro. A Santa Rainha,
porém, sempre silenciosa mas
atenta, reagiu com sabedoria e
discrição. Certa noite, na
companhia de suas damas, veio
até ao Lumiar e pararam, de
archotes acesos, num sítio onde
sabiam que o rei costumava
passar, a fim de lhe "alumiarem"
o caminho. Daí veio o nome de
"Lumiar", mas também o nome de
"Odivelas" porque Dona Isabel,
sempre generosa e
condescendente, disse a seu Real
Esposo, quando passou junto dela
- "Ide vê-las". E, daqui, se
formou o nome - Odivelas.
Em relação a estas histórias
brejeiras sobre este nosso Rei,
nenhum historiador ou cronista
nos dá indícios de terem
existido factos que as
fundamentem. D. Dinis, sedutor e
galanteador como poucos, o que é
confirmado pelas suas "cantigas
de amigo", manteve relações
amorosas com várias "damas da
nobreza" e os seus nomes e
famílias são referidos nos
documentos e nos textos dos
historiadores, mas nenhuma
dessas senhoras viveu em
Odivelas.
Os linguistas justificam doutra
forma o nome desta cidade,
dizendo que veio do árabe "uadi-bélaa".
Esta expressão, traduzida para
português, significa "rio da Ola",
ou rio do remoinho, em linguagem
mais simples.
Quanto à sua evolução
administrativa, a Freguesia de
Odivelas, antes de 1852,
pertencia ao 4º. Bairro de
Lisboa, passando de seguida ao
Concelho de Belém. Com a
extinção deste, Odivelas fica
anexada à Freguesia da Póvoa de
Santo Adrião de 28 de Julho a
Outubro de 1886.
Odivelas foi elevada a vila a 3
de Abril de 1964 e a cidade em
13 de Julho de 1990. É sede de
concelho desde Novembro de 1998.
O seu orago é o Santíssimo Nome
de Jesus.
Bibliografia
"Odivelas Uma Viagem ao
Passado" de Maria Máxima Vaz
Este livro está disponível, por
8,00 €, através do telefone 96
266 77 71
Odivelas fez parte do Termo de
Lisboa até 1852. Foi depois
integrada no concelho de Belém
e, suprimido este em 1885, no
dos Olivais. No ano seguinte,
por extinção deste último
município, acabaria por ser
integrada no recém-criado
município de Loures.
Foi elevada a vila em 1964, a
cidade em 1990, e tornou-se sede
de concelho em 1998, por
desanexação de Loures. Até Julho
de 2001, a sua designação
oficial era Odivelas (Lumiar e
Carnide).
Zona essencialmente residencial,
Odivelas tornou-se, a partir de
meados dos anos 60 do século XX,
uma das freguesias mais
populosas do concelho de Loures
- cobria então cerca de 18 km² e
tinha uma população que rondava
os 80 mil habitantes. De
Odivelas acabaram por se separar
as freguesias Pontinha em 1985,
e as de Famões e Ramada em 1989,
dando seguimento a uma tendência
que se verificava no resto do
concelho de Loures, de aproximar
eleitores e eleitos, através da
criação de novas entidades
político-administrativas. Mas
nem isso fez com que o número de
habitantes baixasse
significativamente, permanecendo
ainda hoje relativamente
elevado. Aliás, hoje em dia
fala-se mesmo numa nova divisão
da cidade, por forma a criar
mais duas novas freguesias - a
Arroja e as Patameiras/Pombais.
No entanto, ao contrário, das
áreas correspondentes às
freguesias já criadas, estas
últimas encontra-se dentro dos
limites urbanos da Cidade de
Odivelas, tidos como aceites,
pelo que tal criação não pode
constituir um acto isolado, só
fazendo sentido no contexto de
uma reorganização administrativa
da totalidade da cidade. Assim,
afigura-se como mais viável uma
solução que passa pela criação
das seguintes freguesias urbanas
(de forma aproximada): Memória
(no núcleo central da Cidade),
Arroja, Patameiras (ou Pombais),
Vale do Forno e Amorosa (área da
Codivel, Edec, Bairro dos
Cágados, Chapim e Ribeirada).
Alegações de uma má distribuição
dos investimentos levados a cabo
pelo Município de Loures, que
prejudicariam a área sudoeste do
concelho (envolvente de
Odivelas) levaram ao
desenvolvimento de um sentimento
autonomista, que esteve na
génese do MOC (Movimento
Odivelas a Concelho), e que
culminou na criação do Município
de Odivelas, em 19 de Novembro
de 1998 (publicação na Lei n.º
84/98 de 14 de Dezembro).
Odivelas
http://www.cm-odivelas.pt/Site/Concelho
O
Mosteiro de S. Dinis, fundado
pelo Rei D. Dinis, vê iniciada a
sua construção em 1295.
Existem duas versões que
justificam a sua construção.
Segundo a História, o monarca
construiu este mosteiro, para
nele acolher a sua filha D.
Maria Afonso, cuja família
materna possuía paço no Lumiar.
Esta infanta morre ainda
adolescente.
A tradição conta-nos que,
andando o rei à caça na zona de
Beja (ou de A-da-Beja, noutra
versão), foi atacado por um
corpulento urso que, investindo
contra o cavalo, deitou por
terra o monarca. Ao invocar os
protectores S. Dinis e S. Luis,
bispo de Tolosa, para sua
defesa, prometeu fundar um
mosteiro se conseguisse sair
ileso daquele perigo. Puxou do
punhal que trazia à cinta,
cravou-o no coração da fera que
logo ficou sem vida.
A primitiva construção do
Mosteiro de S. Dinis era, na sua
totalidade em estilo gótico.
A igreja do mosteiro compunha-se
de três naves, flanqueada por
duas torres. Desta construção
inicial, restam as capelas
absidais, dois dos lances do
claustro novo, e o claustro da
Moura.
Com os sucessivos restauros
efectuados, o Mosteiro começa a
perder a primitiva pureza de
linhas, por volta do século XVI.
Identificam-se as portas do
claustro em estilo Manuelino, a
fonte Renascentista, as capelas
quer de mármore, quer de estilo
barroco, as alpendradas, o
revestimento das paredes a
azulejo, já em 1671, que
caracteriza quer o exterior,
quer o interior, nomeadamente os
núcleos da antiga cozinha do
convento, do refeitório das
freiras, da alpendrada, do
nartex e da portaria.
No séc. XVIII, depois do
terramoto, fizeram-se obras que
não respeitaram a traça gótica,
utilizando-se o estilo
neo-clássico, quer na igreja,
quer nos lanços do Claustro.
A este mosteiro, estão
associadas figuras históricas
para além do seu fundador Rei D.
Dinis, cujo túmulo datado da
primeira metade do séc. XIV, se
encontra na capela absidal do
lado do Evangelho. Neste
mosteiro morreu a rainha D.
Filipa de Lencastre, refugiou-se
uma outra D. Filipa de
Lencastre, filha do infante D.
Pedro, após a batalha da
Alfarrobeira, viveu segundo as
normas do ideal ascético, a irmã
de D. João II, princesa Santa
Joana.
O Mosteiro de S. Dinis, era de
freiras bernardas, da Ordem de
Cister. As residentes eram
filhas da nobreza, que não
casavam por não disporem de
bens, quando a família não lhes
atribuía um dote. Não estando
prometidas em casamento a algum
nobre, as raparigas recolhiam à
sombra protectora dos mosteiros,
enriquecidos com as doações dos
reis e dos nobres, para aí
levarem uma vida segura, em
termos económicos.
A protecção das recolhidas do
Mosteiro de Odivelas, era
quebrada com as visitas dos reis
a raparigas de seu agrado; quer
D. Dinis, quer o rei D. João V
frequentavam o convento, sendo
que a célebre Madre Paula, era
mãe de um dos filhos de D. João
V.
Em 1834 extinguiram-se as ordens
religiosas, durante a Monarquia
Constitucional, e em 1902 o
convento foi entregue ao infante
D. Afonso que nele promoveu a
instalação do actual Instituto
de Ensino.
É Monumento Nacional por Dec. de
16/06/1910.
Nossa história remonta ao século
XVIII, quando D. João V reinava
como soberano absoluto em
Portugal. Muito inteligente e
instruído, com predileção por
matemática e música, o rei era
casado com a Arquiduquesa D.
Maria Ana da Áustria, filha do
Imperador Leopoldo I. Embora
muito religioso, rompeu relações
com a Santa Sé no pontificado de
Bento XIII, por se considerar
agravado. Na verdade, sua
extrema religiosidade não o
livrou de amores freiráticos,
comuns na época, alguns
historiadores afirmando que
todas as suas amantes eram
freiras. A mais famosa delas
foi, sem dúvida, Madre Paula,
talvez a freira mais conhecida
do mosteiro. Paula Teresa da
Silva e Almeida nasceu em Lisboa
em 30 de Janeiro de 1718. Era
neta de João Paulo de Bryt, um
alemão que fora soldado da
guarda estrangeira de Carlos V e
se estabelecera em Lisboa como
ourives depois de obter sua
baixa. Paula entrou para o
convento de Odivelas (Portugal)
aos 17 anos de idade, e ali
professou, após um ano de
noviciado.
Freqüentador assíduo do convento
de Odivelas, D. João V mantinha
várias amantes que ia
substituindo conforme lhe era
conveniente. Quando encontrou a
jovem madre ficou loucamente
apaixonado por ela. A essa
altura, a freira Paula já era
famosa: havia se tornado amante
de D. Francisco de Portugal e
Castro, Conde de Vimioso, e que
pouco antes tinha sido agraciado
com o título de Marquês de
Valença. D. João V não teve
problemas para resolver a
situação. Ele chamou o fidalgo e
disse-lhe: "Deixa a Paula que eu
te darei duas freiras à tua
escolha". Assim, Paula passou a
ser amante do rei que era trinta
anos mais velho do que ela.
Madre Paula exercia uma
influência imensa sobre o rei.
Quem precisasse de um favor real
já sabia que a maneira mais
segura de conseguir: era só
recorrer à valiosa proteção da
Madre Paula, a quem o soberano
visitava todas as noites. Das
numerosas amantes de D. João V,
Madre Paula foi a única que
soube dominá-lo até à morte. O
rei foi extremamente generoso
não só com ela como com a sua
família. O pai de Paula chegou a
ser agraciado com o grau de
cavaleiro da Ordem de Cristo, a
receber uma tença de doze mil
reis e outros benefícios que lhe
permitiram viver tranquilo. O
luxo em que vivia Paula no
convento de Odivelas foi bem
reproduzido em um documento da
época, por Ribeiro Guimarães no
seu Sumário de Vária História,
onde descreve a magnificência
asiática dos aposentos da madre
Paula e sua irmã. Para servi-la,
Madre Paula tinha nove criadas.
Do romance entre Madre Paula e
D. João V nasceu um menino que
foi baptizado com o nome de
José, como o príncipe herdeiro,
e que mais tarde veio a exercer
as funções de inquisidor geral.
A vida desregrada do rei
escandalizava não só a corte
como também os súbditos mais
humildes. Mas ninguém se atrevia
a repreender as atitudes de D.
João V. Para se fazer uma ideia
da moralidade desse tempo, basta
recordar o que disse a abadessa
D. Feliciana de Milão, às damas
da rainha que não se levantaram,
como lhes competia, à sua
passagem. "Não se levanta de
graça quem se deita por
dinheiro".
Após a morte do rei, que lhe
deixou uma mesada principesca,
Madre Paula continuou no seu
recolhimento, recebendo os
grandes que ainda se
aproximavam. Assim se conservou
ainda durante trinta e cinco
longos anos, com a altivez de
uma soberana em exílio. Faleceu,
em 1785, aos 67 anos de idade e
foi sepultada na Casa do
Capitulo do Convento de
Odivelas.
Oeiras – (Concelho do Distrito
de Lisboa)

A povoação, de origem muito
antiga, só foi elevada à
categoria de vila em 1759, no
dia imediato a D. José ter
concedido a Sebastião José de
Carvalho e Melo o título de
conde de Oeiras (mas tarde
marquês de Pombal). Oeiras teve
foral outorgado em 1760, sendo
uma das poucas terras do País
que possui foral novíssimo. O
marquês de Pombal contribuiu
para o desenvolvimento da vila,
aqui tendo instituído, em 1776,
a primeira feira agrícola e
industrial da Europa.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “A povoação
é antiquíssima e o vocábulo
Oeiras, topónimo e potamónimo,
teve uma origem que ainda não
foi suficientemente esclarecida,
dificultando-se ainda mais a
determinação do respectivo étimo
por não conhecermos qualquer
forma medieval, porventura
correspondente. Todavia, já se
deu esta explicação, que nos
parece muito duvidosa: Oeiras é
forma aferética de Poeiras,
designação primitiva e provocada
pela grande quantidade de
poeiras que os ventos levantavam
no local”.
Oeiras
http://www.terranatal.com
O
Concelho de Oeiras, integrado na
grande Área Metropolitana de
Lisboa, encontra-se situado na
sua margem norte e é rodeado
pelos Concelhos de Cascais a
poente, Sintra e Amadora a
norte, Lisboa a nascente, tendo
como limite sul o Rio Tejo.
O território do Concelho, que
ocupa actualmente uma área de
cerca de 46 Km2, é constituído
por um conjunto de unidades ou
elementos paisagísticos
particulares que o caracterizam,
nomeadamente a Serra de
Carnaxide e os Altos da Mama
Sul, Montijo, Barronhos e
Confeiteiras, na parte Este do
Concelho, os vales das cinco
principais ribeiras que o
atravessam no sentido Norte/Sul,
e, toda a orla
costeira/ribeirinha.
As primeiras referências
oficiais a Oeiras, surgem em
documentos do século XIV -
Diploma da Chancelaria do Rei D.
Dinis. No século XVI, são
construídos o Mosteiro de Frades
Arrábidos sobre os rochedos da
Cruz Quebrada e o Convento de S.
José de Ribamar em Algés, que se
tornam locais muito atractivos.
Ainda no século XVI, durante o
reinado do rei D. Manuel, deu-se
início ao desenvolvimento de uma
certa actividade industrial e
comercial, nomeadamente com a
construção das primeiras
oficinas para a manipulação da
pólvora, em Barcarena, a
exploração das pedreiras e a
construção de fornos de cal em
Paço de Arcos, bem como o
desenvolvimento de actividades
agrícolas, principalmente a
cultura da vinha e mais tarde
dos cereais, praticamente em
todo o concelho.
No século XVII, foram
instituídas com início em Paço
de Arcos, carreiras de barcos,
destinadas ao transporte de
mercadorias. Com o objectivo de
defender e controlar a passagem
dos navios na entrada da Barra,
construíram-se alguns fortes
nomeadamente, o Forte de S.
Julião da Barra, Forte das
Maias, Forte do Catalazete,
Forte da Giribita, Forte de S.
Bruno, Forte da Conceição de
Algés, Forte de S. José de
Ribamar, Forte de S. Pedro, etc.
Durante os séculos XVII e XVIII,
constróem-se palácios e grandes
quintas de recreio, locais onde
se associam os aspectos agrícola
e de recreio. Estas quintas
localizam-se junto às ribeiras,
que constituem locais
privilegiados para o
desenvolvimento da agricultura,
muito produtiva e com produtos
de qualidade.
A partir do século XVIII,
inicia-se um período de grandes
e profundas transformações. A
elevação da povoação a Vila e a
formação do Concelho, permitem
uma certa autonomia
administrativa do território,
proporcionando o seu
desenvolvimento económico e
social.
É, a partir deste momento, que
a história do Concelho de
Oeiras, fica ligada a uma grande
e mítica figura da História de
Portugal - o Marquês de Pombal.
Como testemunho da riqueza
gerada neste período, o Concelho
possui hoje um vasto património
construído, nomeadamente
palácios e quintas, igrejas e
capelas, moinhos, pombais,
chafarizes, aquedutos, entre
outros.
Entre o século XIX e os anos 40
do presente século, o Concelho
assistiu a um período de grande
desenvolvimento ao nível das
infra-estruturas de transportes
(comboio eléctrico, por exemplo)
e à construção de moradias de
recreio e quintas para a fruição
das boas características
ambientais do Concelho. Surge a
moda das praias, banhos de mar,
desportos náuticos, casinos,
festas, pelo que esta área
começa a ser um ponto de
atracção da população, sobretudo
de Lisboa.
Assiste-se, nesta época, à
dinamização social e cultural do
Concelho (sociedades recreativas
e desportivas, teatros, etc.); à
concentração da actividade
económica, que conduz a uma
forte expansão demográfica.
Até meados da década de 80, o
concelho de Oeiras é visto como
um local de passagem, um
dormitório, situado entre
Cascais e a Capital.
Transformar Concelho, repleto de
potencialidades naturais, ainda
por explorar, tornou-se o grande
desafio da Câmara Municipal de
Oeiras.
E assim se começou a definir o
futuro, a caminho do século XXI,
em busca de um Concelho
dinâmico, com identidade e vida
próprias.
Já no princípio do século, e
volvidos mais de dez anos de
franco progresso, são visíveis o
esforço desenvolvido e as
profundas alterações operadas na
estrutura e morfologia do
Concelho.
Num Mundo que se quer, cada vez
mais, dinâmico, vivo e
competitivo, quanto mais se faz
e transforma, novas necessidades
e urgências surgem. Oeiras
vai-se sofisticando e com ela
todos os Oeirenses.
Hoje, Oeiras é palco de uma
cultura que alia a história do
passado, às necessidades do
presente, tendo como perspectiva
o futuro.
OEIRAS, Vila, sede de concelho e
comarca, do distrito e
patriarcado de Lisboa. O
concelho é formado por 4
freguesias com 151 342 h. Oeiras
foi elevada a vila em 1759 e a
cabeça de condado em 1758,
cabendo o título ao futuro
Marquês de Pombal, que muito
contribuiu para o seu
desenvolvimento.
Sintra – (Concelho do Distrito
de Leiria)

A Serra de Sintra fica situada
no distrito de Lisboa, e tem de
comprimento 10Km e de largura 7
Km, com altura máxima de 529
metros do nível do mar. Grande
maciço granítico de formas
irregulares. Num dos seus
píncaros fica situada o Castelo
dos Mouros e noutro o Palácio da
Pena. Cá em baixo na cidade,
fica situado o Paço Real de
Sintra, composto de construções
mouriscas, da Idade Média e do
Renascimento e também do período
Manuelino. Conquistada aos
Mouros em 1147, por D. Afonso
Henriques. Na Serra foram
encontrados vestígios das
ocupações romanas e árabes. Os
Romanos quando chegaram a
Sintra, chamaram-na de "Mons
Lunae", ou seja Montes da Lua,
porque nessa época a serra era
completamente desprovida de
vegetação.
Na Serra de Sintra, existe
exuberante combinação de verdes
(600 tons diferentes, que é
único no mundo), de maravilhosos
jardins, alamedas, florestas,
lagos, nevoeiros, penhascos e
precipícios, que coexistem com
edifícios de várias épocas e
estilos arquitectónicos, desde
os serenos palácios e mosteiros
setencentistas e oitocentistas,
às mansões de características
neo - árabes e neo - manuelinas.
Em linguagem figurada, Portugal
tem sido muitas vezes descrito
como uma ilha, tradicionalmente
ligado ao mar - Índia, África,
Ásia e Américas - mas o seu
isolamento é mais cultural do
que geográfico. Na longa
história das Descobertas
Marítimas, nenhuma outra terra
foi tão celebrada, em verso e em
prosa, como Sintra,
principalmente a sua Serra,
testemunho do passado marítimo
português: as idas e vindas, a
visão de navios de guerra, a
descoberta do Comércio. Gil
Vicente descreveu Sintra em "O
Triunfo do Inferno", como uma
grande senhora, sonhadora,
romântica, amorosa e desinibida.
Mas também outros poetas e
escritores portugueses e
estrangeiros, a foram
descobrindo ao longo do tempo.
Marinheiros perdidos no mar ou
regressados a casa - figuras de
"Os Lusíadas" do grande Camões,
e da "História Trágico -
Marítima" - falam com saudade do
lar e da vista da Cruz Alta, o
ponto mais alto da Serra de
Sintra. Lord Byron descreve-a
longamente em cartas à sua mãe,
escritas de Gibraltar em 1809,
chamando-lhe "labiríntico jardim
paradisíaco, onde os românticos
se tornam mais românticos, os
amorosos mais amorosos e os
namorados mais enamorados. Este
jardins seriam dignos de
figurarem no Eden...". Nas
tardes de Verão, quando o
nevoeiro nasce do Atlântico, o
Sol paira como um disco
alaranjado, sobre a terra sem
vento. A intensidade da luz da
cor dá profundidade aos montes
alcantilados que se erguem do
Atlântico ao encontro da Serra
de Sintra.
Origem do nome:
Segundo a opinião do Dr. José
Leite de Vasconcelos: "... além
dos dados colhidos pelo Dr.
Gomes de Brito, também
mencionarei que Damião de Góis,
o grande escritor clássico da
"Crónica de D. Manuel", diz e
repete Sintra e Cintra.
Mas a questão não está resolvida
simplesmente pela morfologia
histórica da língua: está
resolvida pela fonética. Como se
sabe, a pronúncia de hoje não é
exactamente igual à pronúncia
dos séculos X1V, XV e XV1,
sobretudo ao valor do "S"
inicial, do "S" intervocálico,
do grupo "CH", etc. O "S"
inicial tinha o valor que ainda
hoje tem na Beira e na Espanha,
e que se não confunde com o do
"C" e de "I"; isto é, se os
quinhentistas e os seiscentistas
pronunciarem como nós a sílaba "SIN",
não escreveriam Sintra, mas sim
Cintra. Escrevendo como
escreviam, SINTRA, vê-se que
davam ao "S" inicial o valor do
"S" inicial beirão e castelhano,
de acordo com o latim medieval
Sintra e Sintria, que não se lia
como nós lemos. Também o Dr.
Fernando Venâncio da Fonseca,
opina: "... de baixa latinidade
Sintria, sempre com um "S" até
ao século XVll ...". Xavier
Fernandes, pensava que a mudança
de "S" para "C", talvez se deva
à conexão com CYNTHIA, epíteto
grego-romano da deusa da Lua,
tanto mais que Sintra fica perto
do antigo promontório da Lua, e
aos Romanos terem chamado à
Serra de "MONS LUNAE".
O facto de os Árabes terem
transcrito XINTRA, que revela o
som palatal do "S" em português
arcaico (hoje apenas
dialectalmente), igualmente é
comprovativo da grafia "S".
Algumas figuras hirtóricas
ligadas a Sintra:
D. Fernando ll
Muito do que ainda podemos
admirar hoje em Sintra, se deve
a este rei, que foi casado com
D. Maria 11. D.Fernando foi
Duque de Saxónia Coburgo Gotha,
e foi rei de Portugal pelo seu
casamento com a rainha D. Maria
ll, em 1836. Foi regente do
Reino durante dois anos, em
seguida à morte da soberana e
enquanto seu filho, D. Pedro,
(mais tarde D. Pedro V) não
atingiu a maioridade. Grande
amador e protector das Artes,
deve-se-lhe a transformação do
antigo convento dos Frades
Jerónimos, no hoje Palácio da
Pena, assim como a restauração
do Castelo dos Mouros e grande
parte da arborização da Serra de
Sintra, assim como aos seus
jardins e lagos. Teve um grande
amor na sua vida sentimental: a
Condessa de Della, nobre alemã
que conheceu após a morte da sua
primeira mulher e antes de se
casar com D. Maria ll. A
Condessa D’ella, viveu num
palácio perto do da Pena, e os
seus encontros amorosos,
davam-se no chamado Lago Grande,
perto da Fonte dos Passarinhos,
que tantas tradições tem.
D. Maria ll
Em 1835, casou com o príncipe
Augusto de Leuchtenberg, que
faleceu dois meses depois. No
ano seguinte, desposou o
príncipe D. Fernando de Saxónia
Coburgo Goth, de quem teve onze
filhos, custando o nascimento do
último, a sua vida. O reinado de
D. Maria ll, foi um período de
incessantes lutas civis. Os
partidos políticos não
compreendiam os verdadeiros
princípios liberais e
guerreavam-se com cega
violência. As revoltas
militares, que se seguiam quase
sem interrupção, mantinham o
país em permanente guerra civil.
Dotada de altas virtudes e de
vontade enérgica, D. Maria ll,
suscitou ódios políticos, mas
foi sempre venerada como esposa
e mãe de família, pelos seus
mais ardentes adversários.
SINTRA é uma povoação já muito
antiga, cujas origens se
perderam em nebulosas lendas,
encontrando-se ligada a um
passado cultural a que
escritores e artistas, sobretudo
durante o século XlX, deram
realce. Supõe-se que durante a
ocupação árabe foi povoação
importante, embora poucos
vestígios restem dessa época.
Recebeu foral em 1154, dado por
D. Afonso Henriques. D. Dinis e
os monarcas que lhe sucederam
fizeram de Sintra o centro de
veraneio da corte. Aqui nasceu e
morreu D. Afonso V, foi aclamado
rei D. João ll, deu a sua última
audiência D. Sebastião e esteve
cativo D. Afonso Vl.
Às belezas de Sintra, se
referiram nas suas obras poetas
nacionais e estrangeiros, como
Camões, Garrett, Eça de Queirós,
Lord Byron, William Beckford,
etc.
Monumentos:
Castelo dos Mouros
Ergue-se sobre picos rochosos,
coroando a Serra, e remonta aos
séculos Vlll ou lX. Foi
reedificado pelos Mouros, e
ocupado em 1147 por D. Afonso
Henriques. O seu aspecto actual
advém-lhe das obras levadas a
efeito no tempo de D. Fernando
ll, pois o Castelo ficou
praticamente destruído pelo
terramoto de 1755.
PAÇO REAL DE SINTRA (ou PALÁCIO
NACONAL DE SINTRA)
Este Palácio distingue-se pela
variedade das suas edificações,
dispostas à volta de pequenos e
silenciosos pátios, de
ressonância andaluzes, e em
planos diferentes, conforme s
sua implantação no terreno e
ainda pelos estilos artísticos
que ilustra, é um exemplar único
na sua arquitectura civil
portuguesa. Este monumento,
rival do álcacer de Sevilha,
provém de um primitivo paço
gótico da época de D.Dinis,
desenvolvido no tempo de D. João
1, que aqui decidiu, em 1415, a
expedição a Ceuta e, em 1429,
recebeu a embaixada do duque de
Borgonha, da qual fazia parte o
pintor Jan van Eyck. D. Afonso V
promoveu obras no velho
edifício, onde viria a morrer em
1481, sendo logo a seguir aí
aclamado D. João 11, no Terreiro
do Jogo da Pela. Este rei
estanciou mais do que uma vez em
Sintra, havendo nomeado vários
mestres para as obras do Paço. A
grande e documentada actividade
de renovação teve lugar no
reinado de D. Manuel 1, entre
1505 e 1520, ao ser acrescentada
a ala oriental, obra típica da
arte manuelina, com as suas
janelas geminadas e de pujantes
elementos decorativos
gótico-naturalista, a que se
seguiram as arcadas das belas
galerias abertas em dois
andares, e ao ser erguida, a
poente, o imponente cúbito da
Sala dos Brasões, com o telhado
piramidal e um largo e original
friso alveolado sob a cornija,
cujo lavor é do mais típico
mudegarismo.
Este palácio tem o maior
repositório de azulejos antigos
existentes no País, sendo alguns
deles peças únicas, como os que,
engrafitados a negro, emolduram
a porta gótica da Sala das
Sereias, ou da Galé, todos
notáveis pela sua policromia e
integração decorativa; os da
Salas dos Cisnes e das Pegas,
onde brilha o raro azul-de fez,
e os da chamada Sala dos Árabes,
com os seus vistosos lambris de
azulejos sevilhanos verdes,
azuis e brancos, e outros no
friso do alizar, de fabrico
nacional, também manuelinos, com
flores-de-lis e macarocas em
relevo. Nesta sala, primitivo
pavilhão central, conforme o
desenho quinhentista de Duarte
de Armas, que também documenta a
existência das monumentais
chaminés da cozinha gótica, o
chão é revestido de ladrilhos e
pequenos embutidos, admirando-se
ao centro uma fonte - taça de
mármore, rematada por um repuxo,
exótica composição metálica com
tritões e cavalos. O mesmo
valioso tipo de pavimento de
ladrilhos, encontra-se também na
Sala de D. Afonso V1 e na capela
gótica, a qual é enriquecida
pelo original tecto de lacarias
medéjares, de dois tramos, o
mais antigo com as armas reais,
provavelmente de D. Afonso V, e
o posterior já estilo manuelino.
Esplêndido conjunto esta da
capela, sem par no País, que a
torna só por si um verdadeiro
tesouro artístico, um monumento
dentro de um monumento, onde
ainda se encontram vestígios da
primitiva pintura gótica,
representando uma pomba, o que
permitiu o restauro da decoração
mural. O recheio do Palácio é
constituído por mobilário
antigo, tapeçarias, pinturas e,
junto da tribuna da capela, uma
escultura de Santa Ana e a
Virgem, da Escola Alemã. Algumas
Salas que se encontram neste
Palácio:
SALA DO CATIVEIRO Onde D.
Afonso V1 esteve cativo, depois
de ter sido destronado por sua
mulher (D. Maria Francisca) e
por seu irmão D.Pedro (ver peça
à parte).
SALA DOS BRASÕES O tecto desta
sala, de cúpula apainelada de
espectacular efeito, exibe,
pintadas as armas reais e dos
seus infantes, bem como, nas
ordens inferiores, as da nobreza
da época manuelina. É sumptuosa
a decoração das molduras dos
caixotões e dos motivos
vegetalistas que rodeiam as
armas reais. Elegantes corcas
preenchem alguns dos caixotões,
A ornamentação da magnificiente
Sala dos Brasões foi completada
com o forro das paredes por
azulejos barrocos figurando
caçadas.
SALA DOS CISNES No interior do
Palácio admiram-se artísticos
tectos, nomeadamente o da
espaçosa e clara Sala dos
Cisnes, de masseira, de
inspiração mudéjar, decorado com
pinturas de cisnes dentro de
caixotões octogonais de molduras
douradas.
SALA DAS PEGAS Além da figuração
destas aves, ostenta, pintado o
mote "Por Bem", de D. João 1.
Ornamentam estas salas preciosas
azulejos mouriscos. O seu
recheio é constituído por móveis
antigos, como
os contadores hispano-árabes da
Sala das Pegas, por algumas
pinturas e tapeçarias de valor.
Apesar de modificadas em épocas
sucessivas, conservam o antigo
esplendor.
Afonso Vl
Muito criança ainda, foi atacado
por uma grave doença, que o
deixou fraco para sempre, tanto
de corpo como de espírito.
Quando faleceu seu pai, tinha
apenas treze anos e até à sua
maioridade exerceu a regência
sua mãe, a rainha D. Luísa de
Gusmão. Já durante este período
se manifestaram as taras físicas
e morais do príncipe, que só
escolhia a convivência de
aventureiros devassos e de
indivíduos da mais baixa
condição, entregando-se com eles
a correrias pelas ruas de
Lisboa, armando escândalos e
desordens, de que não raro saía
maltratado. Quando D. Afonso
completou dezoito anos, como a
rainha hesitasse em lhe confiar
o governo do Reino, o príncipe,
a instigações do conde de
Castelo Melhor, retirou a
regência a sua mãe e assumiu o
poder, tomando para seu ministro
o conde de Castelo Melhor, que
se revelou um estadista
eminente. Em 1666, casou o
soberano com Maria Francisca
Isabel de Sabóia, Duqueza de
Nemours. Foi uma união
desastrosa. A rainha logo de
apaixonou por seu cunhado, D.
Pedro e não tardou a desprezar e
a detestar o homem a quem se
ligara. Estabeleceu-se entre ela
e o conde de Castelo Melhor, uma
forte rivalidade política, de
que resultaram complicadas
intrigas na Corte,
principalmente pelo romance que
ela mantinha com o cunhado. O
infante D. Pedro, tomou então
partido da sua cunhada rainha,
criando-se entre eles uma
relação amorosa bem visível aos
olhos de todos. D. Pedro, que
também detestava o conde de
Castelo Melhor, manobrou por
forma a tirar ao seu irmão e seu
rei, o único homem que o podia
amparar no trono. Privado do
conde, D. Afonso estava perdido
... A rainha, pretextando que o
casamento não se consumara,
escreveu uma carta que ainda
hoje é considerada de muito
erótica, ao parlamento, e
retirou-se para um convento.
Seguiu-se um processo de
divórcio, que é uma das mais
vergonhosas páginas da nossa
história. Os acontecimentos
precipitaram-se e, D. Afonso foi
dominado pelo infante, não lhe
opondo qualquer resistência. As
Cortes convocadas em 1668,
depuseram o rei, entregando a
regência a seu irmão. De Roma
veio a anulação do casamento e a
dispensa para que os dois
cunhados pudessem casar, o que
ainda fizeram nesse mesmo ano.
D. Afonso foi então exilado para
a Ilha Terceira (Açores) e
encarcerado no castelo de S.
João Baptista. Quatro anos
depois, em seguida a uma
conspiração em seu favor e que
se malogrou, foi D. Afonso
transferido para o Paço Real de
Sintra, onde faleceu subitamente
(e misteriosamente) em 1683.
D. Maria Francisca Isabel de
Sabóia
Duquesa de Nemours e d`Aumal,
nasceu em Paris em 1646. Segunda
filha dos duques de Nemours.
Casou em 1666 com D. Pedro V1 e
logo se ingeriu na política
portuguesa, manifestando-se logo
hostil ao conde de Castelo
Melhor, que já tinha por
adversário o infante D. Pedro,
seu irmão. Entre a rainha e seu
cunhado, estabeleceram-se
relações amorosas, que fizeram
escândalo na Corte. Conseguiram
os dois amantes obrigar o conde
de Castelo Melhor a demitir-se e
logo tramaram tirar a coroa a
D.Afonso V1. A rainha retirou-se
para o Convento de Madre de
Deus, pretextando que o marido
nem sequer o casamento
conseguira consumar. D. Pedro
apoderou-se da regência e em
seguida a um processo vergonhoso
de que resultou a anulação do
casamento com D .Afonso V1,
desposou a sua cunhada em 1668.
Deste segundo enlace, teve D.
Maria Francisca uma filha, a
princesa D. Isabel, que faleceu
com 23 anos. Nota: D. Pedro 11
casou em segundas núpcias com D.
Maria Sofia de Neuburgo e desta
união nasceu D.João V.
Palácio Nacional da Pena
Em plena Serra de Sintra,
formando com a Natureza um
conjunto espectacular, ergue-se
o Palácio da Pena.
Construído no século XlX sobre
as ruínas de um antigo convento,
este núcleo de arquitectura
civil revela uma concepção
romântica, pelas características
estilísticas e cuidado de
integração no ambiente, com bom
sentido de cenografia
paisagística. O primitivo
Mosteiro de Frades Jerónimos
fora mandado construir por D.
Manuel 1, em 1511. No século
XV111 estava semi arruinado,
devido ao terramoto de 1755. Em
1838, D. Fernando 11, soberano
profundamente culto e sensível
às correntes estéticas do
romantismo, adquiriu as ruínas,
envolvidas por uma ambiência
poética tão ao gosto da época,
com a finalidade de as
transformar em residência de
Verão, obrigando-se,
simultaneamente, a manter a
traça primitiva. Este príncipe,
grande conhecedor das artes,
interessado no património
nacional, fomentou igualmente os
restauros do Mosteiro da
Batalha, do Convento de Cristo
em Tomar, e da Torre de Belém,
tendo concedido bolsas a alguns
artistas e organizado
criteriosamente a sua colecção.
Pretendendo, de início,
restaurar o velho mosteiro,
adaptando-o, apenas no
essencial, a residência de
veraneio, foi dissuadido da
intenção pelo artista a quem
entregara a chefia das obras, um
engenheiro militar alemão -
barão Von Eschweg - secundado
nesta tarefa pelo arquitecto
português, Possidónio da Silva.
Nos meados do século XlX
predominava uma tendência
eclética, cuja inspiração se
alimentava de criações de vários
períodos históricos-artísticos,
desde a Antiguidade até à Idade
Média. Nesta perspectiva,
Eschweg propusera a organização
de um ambiente neogótico, que o
monarca recusou, preferindo uma
articulação com as tradições
artísticas locais e com
determinadas soluções regionais
preferidas nos séculos XV e XVl.
Por esse motivo, empreendeu o
barão uma viagem pela Europa,
percorrendo a Inglaterra, a
Alemanha (Berlim), França,
Espanha (Córdova, Sevilha,
Granada), pelo Norte de África
(Argélia).
É neste contexto que o Palácio
surge como pioneiro das
concepções arquitecturais
românticas em Portugal. A sua
planta é de forma irregular,
condicionada pelo núcleo
anterior e pela topografia que
resulta uma íntima ligação entre
a paisagem e o edifício. A
primeira grande campanha de
obras decorreu até 1849. A
edificação originária foi
integrada, conservando a antiga
capela e retábulo renascença,
notável trabalho de alabastro e
mármore negro com cenas da vida
de Nossa Senhora e da Paixão de
Cristo, atribuídas a Nicolau
Chantenenne. Os outros sectores
sofreram nítida influência do
gosto manuelino do Palácio
Nacional. O aspecto exterior do
edifício apresenta um equilíbrio
marcado, verificando-se um ritmo
harmonioso na articulação dos
espaços, massas e volumes,
criando entre si núcleos
dinamizadores do conjunto
arquitectónico. A construção,
com as suas torres, o minarete,
o remate das muralhas e os
contrafortes, elementos
estruturais provenientes de
gramáticas arquitectónicas do
passado, revela extraordinária
riqueza quanto à diversidade e
um carácter verdadeiramente
assimilidor, condicionado por um
critério romântico, com
preferência pelo mudéjar,
nomeadamente em elementos
decorativos. Alguns núcleos do
palácio definem opções estéticas
em revivalismos evidentes. A
fachada sul apresenta duas
torres oitavadas, envolvidas de
azulejos e encimadas por uma
cúpula. Destaca-se ainda uma
construção rectangular na qual
sobressai a varanda, apoiada em
colunas torsas. A fachada norte
está organizada em corpos
sólidos e equilibrados. O
Pórtico de Trião, pelas suas
características monumentais e
decorativas, assim como a janela
manuelina, aberta numa parede de
azulejos, imitando a original do
Convento de Cristo, em Tomar,
talvez concebida por Diogo de
Castilho, são elementos que bem
reflectem o interesse
revivalista. No interior, a
decoração tem vistas panorâmicas
ímpares em Portugal.
Quinta da Penha Verda
D .João de Castro, ao regressar
vitorioso do cerco de Diu,
requereu a D. João lll, como
penhor dos seus serviços, "um
rochedo com seis árvores".
Tratava-se do monte das
Alvíssaras, na Quinta da Penha
Verde, fundada pelo ilustre
vice-rei da Índia, que a ela
dedicava "grande afeição". De
entre várias capelas espalhadas
pela Quinta, merece especial
referência a de Nossa Senhora do
Monte, do mais puro renascença.
A ermida, de planta circular,
foi mandada construir por D.
João de Castro, em 1542. No
interior admiram-se, adossadas à
parede, elegantes colunas com
capitéis esculpidos. A cobertura
é feita por uma abóbada
semiesférica, rematada por uma
cabeça de querubim. Corre a
parede da nave um silhar de
azulejo do tipo tapete do século
XVll. No altar - mor, ordenado
de azulejos da mesma época, está
colocado um retábulo de mármore
branco e negro.
CASA DOS RIBAFRIAS
Belo exemplar da arquitectura
civil renascença, foi mandada
construir no século XVl, por
Gaspar Gonçalves, alcaide-mor de
Sintra. No século XVlll foi
propriedade do Marquês de
Pombal, que mandou proceder ao
seu restauro, conferindo então à
fachada o cunho que ainda hoje
apresenta. Num dos capitéis
figuram a data de 1534 e o nome
do mestre da obra, o arquitecto
Pêro Pexão. Dá acesso ao andar
nobre uma escadaria precedida de
um átrio abobadado. No piso
superior subsiste uma janela de
balcão com balaústres, formando
uma galeria em "L", de cunho
renascença, e que abriga uma
fonte.
PALÁCIO DE SETEAIS
Magnífico exemplar de mansão
nobre do século XVlll, foi
mandado edificar por Gildemeeter,
cônsul da Holanda.
Aqui, o célebre viajante inglês
William Beckford assistiu
sumptuosas festas, quando o
palácio era já propriedade do
Marquês de Marialva. Neste
palácio estiveram também D.
Maria l e, em 1802 o príncipe
regente D. João e D. Carlota
Joaquina, cujas esfinges
encontram-se à estrada do
palácio. Os dois corpos
laterais, encimados por
platibandas em estilo
neoclássico, foram ligadas por
um arca triunfal, em comemoração
desta visita.
CAPUCHOS (Convento de Santa
Cruz dos Capuchos)
Este Convento fica situado num
maravilhoso cenário da Natureza,
difícil de descrever, mas que
teria decerto lugar nos jardins
do Éden. Foi mandado construir
em 1560, por D. Álvaro de Castro
em seguimento de um voto de seu
pai, o grande vice-rei da Índia,
D. João de Castro. Diz a
tradição que ali viveu um frade
de nome Honório, que, durante
mais de trinta anos só se
alimentou de ervas. A extrema
pobreza destes frades era tal
que criou nas gentes de Sintra
um sentimento de piedade, e
assim muitas pessoas iam até ao
terreiro de entrada do Convento
levar-lhes alimentos. Os frades
viviam em celas muito pequenas,
forradas a cortiça, assim como
seus pobres leitos. No
refeitório encontra-se uma
enorme lage de pedra que servia
de mesa.
OUTROS MONUMENTOS:
Igreja de S. Pedro
Capela de S. Lázaro
Capela Nossa Senhora da Piedade
Fonte dos Passarinhos
Palácio da Condessa
Cruz Alta
Sintra
http://www.geocities.com/TheTropics
A
origem de Sintra confunde-se com
a da própria Nação portuguesa. A
serra e a planície foram
habitadas desde antiquíssimos
tempos, como atestam os dólmens
e as necrópoles existentes e os
preciosos instrumentos
pré-históricos guardados no
Museu Municipal.
Dos romanos, restam
numerosas lápides e urnas
funerárias, que se
conservam, junto do mausoléu
circular, no Museu
Arqueológico de Odrinhas. Os
romanos chamavam a serra de
Sintra de "Mons Lunae"
(Montanhas da Lua).
Castelo dos Mouros
Dos tempos hispano-árabes, o
monumento mais antigo é o
Castelo dos Mouros, construído
na serra, a 450 metros de
altitude, entre os séculos VII e
IX. O castelo foi tomado aos
mouros em 1147, pelo primeiro
Rei de Portugal, D.Afonso
Henriques.
Mas é na vila, a 207 metros
de altitude, que se encontra o
monumento mais característico,
o Palácio Nacional da Vila.
Na serra, mais alto que o
castelo dos mouros, ergue-se
o Palácio da Pena, edificado
entre 1840 e 1850 pelo rei.
Fernando II, no estilo
pseudomedieval.
De entre os outros palácios
há que salientar o de Seteais
(séc. XVIII), onde atualmente
está instalado um luxuoso
hotel, e o do Ramalhão (séc.
XIV, reconstruído no séc. XVIII),
e a da Regaleira (neomanuelino
do séc. XIX), as da Penha -
Verde, da Piedade e do
Vinagre, nos arredores de
Colares.
Palácio de Seteais
Ao longo dos séculos,
Sintra foi enaltecida por
famosos escritores, entre os
quais é justo destacar Lord
Byron, o primeiro e genial
turista, cujos versos
entusiásticos atraíram a este "glorious
eden" numerosos gravadores e
pintores que depois espalharam
os encantos de Sintra pelo
mundo.
Entre Sintra e Lisboa, deve
ainda ser visitado o
belíssimo Palácio de Queluz
(séc. XVIII), construído no
estilo de Versalhes: antiga
residência real, cuja velha
cozinha foi transformada em
restaurante de luxo.
Quinta da Regaleira (Sintra)
http://pt.wikipedia.org/wiki
A
documentação histórica relativa
à Quinta da Regaleira é escassa
para os tempos anteriores à sua
compra por Carvalho Monteiro.
Sabe-se que, em 1697, José Leite
era o proprietário de uma vasta
propriedade nos arredores da
vila de Sintra, que hoje integra
a Quinta.
Francisco Alberto Guimarães de
Castro comprou a propriedade
(conhecida como Quinta da Torre
ou do Castro em 1715), em hasta
pública, canalizou a água da
serra a fim de alimentar uma
fonte ai existente.
Em 1830, na posse de Manuel
Bernardo, a Quinta em toma a
designação que actualmente
possui. Em 1840, a Quinta da
Regaleira é adquirida pela filha
de uma negociante do Porto,
Allen, que mais tarde foi
agraciada com o título de
Baronesa da Regaleira. Data
deste período a construção de
uma casa de campo que é visível
em algumas representações
iconográficas de finais do
século XIX.
A história da Regaleira actual
principia em 1892, ano em que os
barões da Regaleira vendem a
propriedade ao Dr. António
Augusto Carvalho Monteiro por 25
contos de réis. A maior parte da
construção actual da quinta
estava terminada em 1910.
A quinta foi vendida a Waldemar
D'Orey em 1942 , que, sem ter
desvirtuado o que tinha sido
concebido, procedeu a pequenas
obras de modo a acolher a sua
grande família e profundas obras
de restauro, já que a casa não
era cuidada á muito. Em 1987 a
Quinta da Regaleira é adquirida
pela empresa japonesa Aoki
Corporation, e deixa de servir
como habitação sendo entregue ao
cuidado de caseiros e permanece
fechada ao público.
Em 1997, a Câmara Municipal de
Sintra adquire este valioso
património, iniciando pouco
depois um exaustivo trabalho de
recuperação do património
edificado e dos jardins.
Actualmente a Quinta da
Regaleira está aberta ao público
e é anfitriã de diversas
actividades culturais.
Sobral de Monte Agraço –
(Concelho do Distrito de Lisboa)

Origem do nome:
«Do, Domingo Ilustrado – 1915»:
“É nome composto de Sobral por
Sobreiral – bosque ou mata de
sobreiros, chamados também
corticeiros, árvores que deram o
nome a centenas de povoações
nossas.
Monte Agraço – tomou o nome do
sítio por ser uma cumeeira – e
do português Agraço – vinho
verde. Pejorativo de agro –
azedo, rascante”
Sobral de Monte Agraço
http://www.oestediario.com/oestediario
O
Sobral teve, ao longo da
história, algumas presenças de
assinalável êxito. Em 1386 é-lhe
dada carta de privilégio pelo
desempenho das suas gentes
aquando do cerco de Torres
Vedras, por D. João I.
[14-03-2001] [ Carlos Robalo ]
Embora a origem do Sobral se
encontre envolta na bruma das
velhas lendas, o nome Montagraço
foi o da antiga povoação que
existiu muito próxima da actual
vila. O seu nome apareceu
implicitamente mencionado, pela
primeira vez, no tempo de D.
Sancho I, nos primórdios da
nacionalidade – 1186.
Durante a reorganização
administrativa manuelina, em
1519, foi-lhe concedido o Foral
do Reguengo de Monte Agraço.
O Sobral teve, ao longo da
história, algumas presenças de
assinalável êxito. Em 1386 é-lhe
dada carta de privilégio pelo
desempenho das suas gentes
aquando do cerco de Torres
Vedras, por D. João I.
Também em 1810, por ocasião das
invasões napoleónicas, o Forte
Grande do Montagraço teve um
importância fundamental na
organização defensiva das Linhas
de Torres Vedras, tendo
inclusivamente ficado sediados
neste concelho os
quartéis-generais de Beresford e
do Duque de Wellington.
Torres Vedras – (Concelho de
Lisboa)

Apesar de rica em vestígios
arqueológicos pré-históricos, a
região de Torres Vedras estaria,
contudo, pouco povoada no tempo
da Reconquista. Foi incorporada
no Reino de Portugal por D.
Afonso Henriques, que doou o seu
senhorio a D. Fuas Roupinho
(alcaide de Porto de Mós), e
recebeu foral de D. Afonso lll
em 1250, devendo, todavia, a
existência do concelho ser
anterior. D. Manuel l
concedeu-lhe foral novo, em
1510.
Em Torres Vedras, teve lugar, em
1413, a reunião de D. João l com
o seu conselho, para decidir
sobre o projecto da conquista de
Ceuta (Norte de África). Datam
do ano de 1441 as Cortes de
Torres Vedras.
No período crítico que se seguiu
à morte do cardeal D. Henrique
(rei de Portugal), a vila foi
atacada pelo exército inglês,
por ser o seu alcaide-mor
partidário dos castelhanos.
Em 1 de Dezembro de 1640, foi
das primeiras povoações do
distrito de Lisboa a sacudir o
domínio espanhol, mas é no
período mais recentes das
Invasões Francesas que Torres
Vedras verdadeiramente se
destaca. Com efeito, é decisivo
o papel das Linhas de Torres na
luta contra as hostes
napoleónicas, levando ao seu
definitivo recuo e ao início da
progressiva perda de hegemonia
da França de Napoleão Bonaparte
na Europa.
Também foi teatro de
acontecimentos históricos
durante as lutas liberais,
quando em 1846, em plena Guerra
da Patuleira, o marechal
Saldanha atacou o seu castelo,
onde se refugiara o conde de
Bonfim.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e
Gentílicos (1944)»: “Fosse qual
fosse o povo fundador da
primitiva povoação e tivesse
tido ou não, outro nome, aliás
desconhecido – não há dúvida em
que é o latim o étimo da
expressão Torres Vedras,
resultante da transformação
normal de Turres Veteres, que
significa simplesmente “torres
velhas”, sentido etimológico,
portanto, do topónimo actual”
Torres Vedras
http://fozdoriosizandro.no.sapo.pt/concelho.html
Bastaria a presença, na sua
área, do Castro do Zambujal
datado de 3.000 a C., para
comprovar o seu remotíssimo
povoamento, embora seja possível
encontrar muitos outros
vestígios da pré-história.
História
Ocuparam esta área romanos,
godos e árabes, que D. Afonso
Henriques expulsou em 1148,
dando o senhorio da povoação a
D. Fuas Roupinho, que nesse
mesmo ano teve de sustentar um
cerco dos sarracenos que durou
11 dias.
Em 1250 recebeu, o foral de D.
Afonso III, que ali viveu com
frequência, com sua mulher D.
Brites, construindo na encosta
do castelo um palácio onde
passou os últimos anos de vida.
Por este mesmo palácio passaram
D. Dinis, D. Afonso IV, D.
Fernando I e D. João I, que em
Torres Vedras reuniu o Concelho
onde em 1413 ficou decidida a
conquista de Ceuta.
Datam de 1441 as Cortes de
Torres Vedras, convocadas pelo
infante D. Pedro.
Torres Vedras desempenhou um
papel decisivo na expulsão dos
franceses de Portugal, marcando
o início do declínio do império
napoleónico. O Forte de S.
Vicente, sobranceiro à cidade,
era o fulcro das famosas Linhas
de Torres, construídas em 1810,
compostas por 152 fortificações
ao longo de 35 quilómetros,
desde Bucelas, junto ao Tejo,
até S. Pedro da Cadeira, a Oeste
de Torres Vedras. As tropas
luso-inglesas detiveram Massena
em 1810, que ali iniciou a
retirada da Península.
Torres Vedras foi ainda cenário
de um sangrento recontro, em
1846, da guerra da Patoleia,
tendo o Marechal Carmona atacado
o Forte de S. Vicente, onde se
refugiara o conde de Bonfim.
Tornou-se cidade em 11 de
Janeiro de 1979.
Geografia
Torres Vedras é o concelho com
maior área do Distrito de
Lisboa, 406 Km2, onde moram
67.185 pessoas, representando o
valor populacional mais alto dos
concelhos do Oeste.
As suas 20 freguesias dispõem de
24.964 edifícios para 21.919
famílias.
A taxa de natalidade é de 10,1 e
a de mortalidade de 11,4. Apesar
do excedente de vida negativo,
(-1,4), Torres Vedras viu a sua
população aumentar entre os dois
Censos em 3,3%.
A densidade populacional é de
167 habitantes por Km2,
representando o valor mais
elevado dos concelhos do Oeste.
Em relação aos concelhos do
Oeste, tem um dos menores
índices de dispersão
populacional, só superado por
Lourinhã.
Em termos de envelhecimento, tem
um índice elevado, 95,3,
superior à média nacional de 86.
A população até aos 14 anos é
18,8%; entre os 15 e os 64 é
66,8% e com mais de 64 anos
14,4%.
A cidade de Torres Vedras
encontra-se no meio de uma
planície de aluvião, na margem
esquerda do rio Sizandro,
protegida por uma colina
Jurássica e coroada por um
castelo, numa sub região
agrícola a que dá o nome.
Economia
As suas potencialidades são
multifacetadas, com bons
potenciais de desenvolvimento ao
nível industrial e turístico,
embora a agricultura seja
dominante. É um dos principais
centros vinícolas do pais, sendo
rica na produção de produtos
horto-frutícolas. O concelho é
também um dos principais
produtores de carnes de país,
destacando-se a de aves. Possui
especialmente indústrias
agro-alimentares, de cerâmica e
metalurgia.
Apesar do desenvolvimento
industrial e terceário, Torres
Vedras continua a centrar no
sector primário a sua actividade
económica, tendo o maior número
de explorações agrícolas de todo
o Distrito,7.245. A maioria do
emprego é absorvido pelo sector
primário, 67%, contra 20% no
secundário e 13% no terceário.
A área do concelho é ocupada em
70% pela agricultura, 25% pela
floresta e 8% afecta ao
urbanismo.
Os indicadores económicos
colocam Torres Vedras no topo da
lista entre os concelhos rurais
do Distrito de Lisboa.
Estão sediadas em Torres Vedras
10.142 empresas. A indústria
transformadora tem 837
estabelecimentos, havendo l,567
sociedades. O comércio está a
cargo de 1.772 estabelecimentos,
dos quais 1.574 são retalhistas
e 198 grossistas.
Exercem a sua actividade em
Torres Vedras 33 balcões de
instituições bancárias.
Na área do concelho situam-se 16
Praias e 2 Estâncias Termais.
Está em terceiro lugar na oferta
hoteleira do Distrito, com 15
estabelecimentos com capacidade
de 1.333 camas.
Social
O índice de poder de compra
per-capita é de 75.54,
situando-se abaixo da média
nacional. Tem boas ligações
rodoviárias, sendo servida por
uma auto-estrada desde Lisboa,
que continua para Norte. Possui
caminho de ferro da linha do
Oeste. Em Santa Cruz há um
aeródromo com pista de piso
duro.
Em termos de saúde Torres Vedras
tem 1,2 médicos por cada mil
habitantes. Dispõe de 1 Hospital
Distrital e 1 Centro de Saúde.
Na educação, o concelho é o
único do Oeste a dispor de
Ensino Superior. Os 3
estabelecimentos de ensino
superior existentes têm um total
de 332 alunos.
A população escolar total do
concelho cifra-se nos 13.999
alunos. Há 91 escolas do 1º
Ciclo para 3.289 alunos; 9 do 2o
Ciclo com 2.014 alunos; 8 do 3º
ciclo para 3.301 alunos; 3
Escolas Secundárias com 4.830
jovens e 2 Profissionais para
225 alunos.
Torres Vedras
http://www.arquivodetorresvedras.net/arquivo/historia
As
origens do Arquivo Municipal
coincidem com o início do
concelho de Torres Vedras, uma
vez que o arquivo servia ( e
serve), em primeiro lugar, a
instituição, sendo a sua
documentação o reflexo do
desenvolvimento das actividades
quotidianas do município de
Torres Vedras, desde a sua
fundação.
Torres Vedras obteve Carta de
Foral de D. Afonso III, a 15 de
Agosto de 1250, embora a vila e
o termo já possuíssem uma
organização municipal
incipiente, pelo menos desde o
reinado de D. Sancho I
(1185-1211).
No ano de 1744, o Arquivo da
Câmara encontrava-se numa cela
da prisão, no piso inferior dos
Paços do Concelho. Um preso,
procurando evadir-se, lançou
fogo aos documentos, tendo
ocorrido um incêndio no Arquivo,
que levou à destruição quase
total da documentação medieval e
moderna do concelho.
Em 1962, o Arquivo estava no
Convento da Graça, onde
funcionavam alguns serviços da
Câmara Municipal de Torres
Vedras, para ali mudados em
1958. Mais tarde, passou para o
edifício do antigo hospital da
Santa Casa da Misericórdia.
Desde 1997, encontra-se nas
instalações da Câmara Municipal
de Torres Vedras, na Avenida
Cinco de Outubro.
O Arquivo Municipal alberga o
Fundo da Câmara Municipal de
Torres Vedras e da Câmara do
Julgado da Ribaldeira, esta
extinta em 1855, bem como outros
fundos particulares. O documento
mais antigo data de 1453. Tem
Livros de Acórdãos/Actas desde
1596 e Livros de Registo da
Câmara, desde 1602.
Vila Franca de Xira – (Concelho
do Distrito de Lisboa)

Todo este majestoso e esplêndido
conjunto forma o que se chama
Vila Franca de Xira ou Vila
Franca, dos matos e silvedos –
porque a palavra "xira" em
português antigo "cira" vem do
arábico "xara" e significa:
mato, brenha, lugar cheio de
silvas e matagais.
"Á direita do rio Tejo, e a
cinco léguas de Lisboa (diz Frei
Joaquim de Santa Rosa Viterbo,
no seu Elucidário) havia uma
dilatada "cira" (ou mata) que El
– Rei, D. Sancho l doou a D.
Paulino, e outros flamengos no
ano de 1200 para ali se
estabelecerem, e com as maiores
franquias (imposto de
vassalagem). Parece não fizeram
largos progressos, e que havendo
roteado alguma pequena parte, a
dimitram à Coroa, pois no de
1206, o mesmo rei fez doação da
vila de Vila Franca de Cira
(hoje dizemos Xira), a D. Fruila
(ou Froilhe Hermiges) pelos
muitos serviços que lhe tinha
feito". (Dr. Pinho Leal – 1886).
D. Sancho l fez a doação da Vila
Franca que, em 1212, lhe
concedeu o primeiro foral. Vila
Franca foi mais tarde objecto de
doação à Ordem dos Templários.
Em 1510, D. Manuel 1
concedeu-lhe foral novo.
Vila Franca de Xira, é uma terra
a "viver" nas duas margens do
rio Tejo, fazendo desaparecer as
barcaças, que transportavam
veículos, cargas e pessoas,
manobradas por hábeis
barqueiros.
De qualquer forma, tem
personalidade própria e é um
movimentado centro agro –
industrial e comercial. O seu
mercado é um edifício
particularmente notável,
sobretudo do ponto de vista
decorativo. Na parte mais antiga
tem casas de boa traça,
nomeadamente do século XlX. Na
sua Praça de Touros actuaram os
maiores nomes do toureio da
Península Ibérica, e todos os
anos, em Julho, os campinos e os
entusiastas das largadas de
touros aqui se juntam para a
Festa do Colete Encarnado. Os
campinos fazem competição de
destreza, dançando o fandango e
ajudam nas habituais touradas.
São dois dias de festa rija em
que anualmente se cumprem e
vivem as genuínas tradições do
Ribatejo.
Vila Franca de Xira, começa a
sua história no século Xll,
devendo-se o seu nome à
vegetação natural que cobria a
região inculta, designada por
Xira ou Cira. Fracassaram as
primeiras tentativas de
povoamento por parte de cruzados
franceses que haviam participado
na tomada de Lisboa, e só
posteriormente aí se fixaram
populações permanentes. Foi
domínio dos Templários e recebeu
em 1510 foral manuelino (D.
Manuel l). Como monumentos
importantes, devem ser referidos
a Igreja da Misericórdia,
forrada de azulejos do século
XVlll, a matriz, fundada em 1677
e reconstruída depois do
terramoto de 1775, a Casa de
Galache, com azulejos do século
XVlll no pátio anterior, o
pelourinho, o Chafariz do
Alegrete, de 1797, a Fonte de
Santa Sofia, de 1658; o celeiro,
do século XVlll, e o Convento de
Santo António, com igreja
quinhentista.
O estudo da fauna bentónica, dos
peixes e do zooplâncton, bem
como a comparação dos resultados
obtidos em diversas estações de
recolha de amostras
estrategicamente situadas ao
logo do estuário do rio Tejo,
pretende conseguir uma melhor
compreensão dos fenómenos
biológicos que ali se verificam.
A localização das estações
obedeceu a um plano criteriosos
que procurou estabelecê-las
regularmente pelo estuário, de
modo a poderem ser obtidos
elementos sobre a fauna e a
flora existentes em diferentes
tipos de fundo e tendo em conta
as diversas fontes de poluição,
as variações de profundidade e
sobretudo o grau de salinidade.
Provou-se que para determinados
peixes, o estuário funciona de
facto como uma maternidade, e os
movimentos das diferentes
espécies começam agora a ser
compreendidos, tendo já sido
possível estabelecer um esquema
premiliar da cadeia alimentar no
estuário.
OUTRAS LOCALIDADES:
ALHANDRA: "É duvidoso o étimo
que tem sido atribuído e este
topónimo e segundo o qual foi
dada à actual localidade, a
designação de Alhama, escolhida
pelos árabes por causa da
riqueza local em águas
sulfurosas, conforme tem sido
escrito, acrescentando que foi
este antigo nome Alhama, que se
transformou em ALHANDRA". (Dr.
Xavier Fernandes – 1944).
Vista do alto, do chamado
castelo, onde se ergue a sua
enorme igreja matriz, fundada em
1558 pelo cardeal D. Henrique e
completamente reconstruída no
século XX, Alhandra vive
submersa num manto de cimento. O
vermelho dos telhados é
acinzentado, o branco das casas
é acinzentado, os azulejos das
casas têm tons forçados de
predominância cinzenta. A
povoação torna-se, no entanto,
curiosamente bonita quando se
desce e se começa a percorrê-la
com cuidado. A maioria das casas
é ainda da viragem e início do
século, muitas delas com
cobertas de azulejos industrial
do século XlX. Da arte do ferro
há interessantes varandas e
sacadas. O coreto, embora tenha
já perdido boa parte da sua
moldura arquitectónica, está
ainda bem conservados, e a sua
implantação no meio de uma placa
ajardinada permite-lhe cumprir a
sua função na única praça da
povoação aberta ao rio.
Alhandra é uma zona industrial e
pesqueira. O cimento domina a
povoação. Junto ao Tejo, as
barracas e os barcos dos
pescadores ribeirinhos são outra
mancha de cor ondulante na massa
azul escura do rio. Sobranceiro
ao Tejo, um monte elevado, e a
nascer dele uma coluna esguia
com uma figura de a coroá-la. O
cimo do monte é um local
aprazível com vista sobre o Tejo
e as suas ilhas. A coluna
encimada por um Hércules, figura
mitológica que simboliza a
força, assinala o termo das
Linhas de Torres Vedras, série
de fortificações edificadas em
lugares estratégicos aquando das
Invasões Francesas. A Base da
coluna – memória tem duas
inscrições de metal com a data
de 1883, perpetuando a memória
do oficial real do Corpo de
Engenheiros, Neves Costa e do
oficial inglês J. Fletcher: o
primeiro fes os estudos do
terreno onde o segundo construiu
as linhas.
À saída de Alhandra, no caminho
para Vila Franca de Xira, na
Quinta do Paraíso, uma placa
diz-nos que aí nasceu em 1453, o
2º vice – rei da Índia, Afonso
de Albuquerque.
ALVERCA: "É o nome comum alverca,
do árabe albirka, pequena lagoa
ou terreno pantanoso. (Dr.
Xavier Fernandes – 1944).
Povoação ribeirinha com os
atractivos de quem ainda vive do
Tejo, Alverca tem sobretudo
interesse por causa do seu
museu, o Museu do Ar. Do seu
recheio, contam-se algumas
réplicas dos principais aviões
que encetaram a epopeia aérea no
nosso país, centenas de modelos,
pinturas e variadíssimos
instrumentos, motores,
armamento, filatelia e
medalhística.
A antiga Casa da Câmara e a
Igreja de São Pedro merecem ser
admirados como testemunhos do
passado, bem como os padrões do
termo de Lisboa, dois obeliscos
com as armas reais, datados de
1782, na antiga estrada.
BENAVENTE: Esta povoação foi
fundada em 1199 por colonos
estrangeiros, em obediência ao
plano de D. Sancho l de povoar
as terras conquistadas aos
mouros. Supõe-se, porém, que já
existiria no tempo dos romanos,
pois recebeu foral de D. Paio,
mestre da Ordem Militar de
Évora, em 1200, confirmado em
Santarém em 1218. Em 1516, D.
Manuel l concedeu-lhe novo
foral.
Situada numa colina à beira do
rio Sorraia (afluente do rio
Tejo), rodeada por extensas
planícies, a região é
fertilíssima e propícia à
cultura do arroz.
O tremor de terra de 23 de Abril
de 1909, abalou profundamente,
toda a área, abrindo fendas nas
aluviões do Tejo, do Sorraia e
do Almansor (outro afluente do
Tejo), e provocou grandes ruínas
na vila.
Não obstante, a povoação tem um
aspecto agradável e simpático, e
no seu tecido urbano inserem-se
apreciáveis residências, antigas
e modernas, e um parque
arborizado onde se integra a
nova Igreja paroquial. Junto do
Cais Velho, ainda se vislumbram,
na toponímia e na estrutura dos
edifícios antigos da sua
navegação fluvial, anterior às
obras de hidráulica que
transformaram substancialmente a
região. No Largo do Município,
fronteiro aos Paços do Concelho,
foi reerguido um gracioso
pelourinho quinhentista.
SAMORA CORREIA: O documento mais
antigo que se lhe refere è uma
carta de 3 de Março de 1367,
pela qual D. Fernando l, couta
as herdades e quintas da região.
Em 1500, D. Manuel l
outorgou-lhe foral.
É povoação muito antiga,
essencialmente agrícola, tira
proveito dos terrenos férteis
que a envolvem. Está rodeada de
um lado por vastos arrozais e do
outro pela campina, que se
estende a perder de vista. O
comércio do sal e dos seus
produtos agrícolas constitui a
principal actividade da
localidade. A Igreja matriz tem
uns interessantes azulejos, de
vários estilos. Ainda subsistem
as estruturas do Palácio da
Companhia das Lezírias, em
frente da Igreja paroquial. No
seu âmbito situa-se a
extensíssima Herdade das Pancas.
Da torre da Igreja paroquial,
avistam-se a vasta lezíria de
Vila Franca de Xira e as
povoações da margem direita do
Tejo e da Quinta da Murteira, as
várzeas e o paul de Belmonte até
Santo Estevão. Em Samora
Correia, estiveram escondidos os
filhos bastardos de D. João V,
perseguidos pelo Marquês de
Pombal, numa residência que
ficou conhecida pela Casa dos
Meninos de Palhavã.
Nas campinas das margens do Tejo
deparam-se-nos milhares de
hectares de pastagens onde se
criam em abundância bovinos
mansos e bravos. Tal número de
animais criou no Ribatejo um
tipo próprio de homem – o
campino - , um tipo próprio de
tarefa: a lide do touro, desde
que nasce até à arena ou ao
abate. A festa brava, é um
espectáculo que muitos apreciam,
com seus cambiantes, em que a
dança se combina com a
resistência – o fandango. A
figura do campino, hoje mais
rara que outrora, é sempre uma
imagem muito agradável de
contemplar, com o seu trajo
próprio, formando unidade com o
cavalo que monta serenamente,
percorrendo a lezíria de lés a
lés, brandindo o pampilho (longa
vara) ou poisando-o
graciosamente no ombro, em
descanso; guiando a boiada para
as pastagens mais convenientes
ou para as terras altas quando
surge a ameaça da cheia. É a ele
ainda que compete cuidar dos
animais, separar os garraios
para a ferra e para a tenta e os
touros para os combates na
arena. A ferra e as tentas são
actividades realizadas com o fim
de manter a pureza da casta e
acentuar o carácter de bravura
do gado. São, portanto,
operações indispensáveis à
cuidadosa preparação do touro
bravo. Durante a ferra, como seu
nome indica, destinada a marcar
o animal com o ferro da casa a
que pertence, faz-se a primeira
observação real da bravura do
bicho, mas é preciso evitar que
este adquira manhas que o tornem
menos nobre. O objectivo das
tendas consiste, para além do
espectáculo que proporciona, em
escolher os continuadores da
casta, seleccionando-os pela
bravura de que derem provas.
As lezírias do Ribatejo, desde
D. João lV, pertenciam na sua
quase totalidade à Casa do
Infantado, por ele criada a
favor de ser segundo filho, o
infante D. Pedro, o que causou
certa inveja a seu irmão, mais
tarde D. José l. O solo da
lezíria é formado sobretudo por
aluviões transportadas pelas
águas do rio, o que confere às
terras enorme produtividade.
A região compreendida entre
Muge, Salvaterra de Magos e
Coruche foi, até à Segunda
metade do século XlX uma imensa
charneca arenosa. Por essa
época, devido ao aforamento dos
baldios municipais, estes
territórios foram ocupados por
uma população oriunda
principalmente da Beira Litoral.
O facto de estas terras serem
ricas em água e o modo hábil
como foram sendo amanhadas com a
introdução regular de adubos,
tornaram estes terrenos pobres,
em solos bons produtores de
vinho, cereais e legumes.
CORUCHE: Conquistada ao mouros
por D. Afonso Henriques em 1166,
foi perdida e recuperada em 1182
por este rei, que lhe concedeu
foral no mesmo ano, confirmado
em 1218 por D. Sancho l. Em
1513, D. Manuel l outorgou-lhe
foral novo. A localidade de
Coruche conserva bastantes casas
com pórticos brasonados e
edifícios que denunciam a
estrutura arcaica.
A localidade dedica-se sobretudo
a actividades agrícolas e
pecuárias, embora nos últimos
anos se tenha verificado um
grande desenvolvimento
comercial.
Rodeada de terrenos extremamente
férteis, várzeas aluviais do
Sorraia, que ao longo dos anos
foi alterando seu curso, Coruche
é uma povoação alegre e airosa,
de casas baixas de boa
arquitectura popular, ruas
funcionais, largos e praças.
MUGE: Esta localidade está
formosamente situada sobre a
margem esquerda do Tejo, em
vasta e amena planície. Diz-se
que seu nome lhe provém de
muitos muges (peixes) que se
pescam em frente à povoação: por
isso, antigamente, se chamava
Porto de Mugem.
A primitiva vila de Muge foi
couto do Mosteiro de Alcobaça,
mas os frades entregaram-na à
Coroa no início do século XlV e
a ela ficou pertencendo até que
em 1648, os Duques de Cadaval se
tornaram seus donatários. Devido
à sua situação plana, de baixa
cota, na lezíria do Tejo, é
muitas vezes atingida pelas
cheias. As marcas da altura da
água nas grandes cheias deste
século estão assinaladas nas
paredes de muitas casas e
portões, como se pode ver, por
exemplo, no portão fronteiro à
entrada do Palácio de Cadaval.
Este palácio, modernizado
embora, é um edifício de
carácter que conserva no
exterior a nobreza e a dignidade
de outras épocas, especialmente
na fachada, ladeada por dois
corpos sobreelevados, com
arcaturas e alpendre. Tem uma
capela privativa dedicada a
Nossa Senhora da Glória,
construída nos meados do século
XVlll.
Outro motivo de interesse, a
nível internacional, da região é
a existência no seu âmbito dos
concheiros pré – históricos do
paul de Muge – o Cabeço da
Arruda, na margem direita da
ribeira de Muge, a 12 metros
acima do nível do paul, o Cabeço
da Amoreira, a Fonte do Padre
Pedro e a Moita do Sebastião,
que distam, respectivamente, 1 ,
3 e 1,5 Km do primeiro. Nestas
jazidas mesolíticas ou
epipaleolíticas – transição do
Paleolítico para o Neolítico –
foram encontrados vários
esqueletos humanos e restos de
cozinha, constituídos por
cinzas, carvões, instrumentos de
pedra, ossos de animais e,
sobretudo conchas, o que prova
já a existência sedentária do
homem naquelas épocas recuadas –
"uma existência humilde de
caçadores e pescadores".
SALVATERRA DE MAGOS: Foi povoada
por D. Dinis a partir de 1295,
ano em que lhe foi concedido o
primeiro foral. D. João lll
doou-a a seu irmão D. Luís, que
mandou edificar um palácio por
onde passaram, entre 1763 e
1791, as maiores figuras líricas
da época. A Corte deslocava-se
com frequência a Salvaterra de
Magos, nomeadamente no tempo de
D. Maria l.
Antiga vila cortesã, estância
favorita dos reis da dinastia de
Bragança desde os fins do século
XVl, mandada edificar pelo
infante D. Luís, irmão de D.
João lll, Salvaterra de Magos
possuía um magnífico palácio,
com jardins caprichosos, um
circo tauromático e um teatro de
ópera onde cantaram os maiores
artistas, que foi destruído por
um grande incêndio e do qual
apenas restam a Capela real e as
estruturas da curiosa falcoaria,
exemplar único na Península.
O que atraía os reis para estas
paragens, era a recheadíssima
Coutada Real, local de contínuas
caçadas. Junto à Casa da Ópera
foi misteriosamente assassinado
o Marquês de Loulé, na noite de
28 para 29 de Fevereiro de 1824,
e pouco tempo depois registou-se
o incêndio que destruiu
inteiramente o palácio.
Rodeada de pinhais, vinhas e
pastagens, a vila sobressai
plana e branca, com ruas largas,
direitas e paralelas, que
surpreendem em povoação tão
antiga.
Vila Franca de Xira
http://www.cm-vfxira.pt/autarquia/
A
localização do território de
Vila Franca de Xira na planície
hidrográfica do Tejo levou a que
esta área não ficasse alheia à
romanização, podendo falar-se
não só em presença romana -
comprovada pela existência de
achados dispersos na quase
totalidade das freguesias, mas
também de ocupação romana,
nomeadamente em Povos.
Favoravelmente condicionada pela
sua situação geográfica, a
região de Vila Franca foi, na
época, atravessada pela
principal via terrestre de
acesso a Lisboa (Olisipo) que,
em Alverca, se bifurcava: seguia
uma pelo vale de Vialonga para
Santo Antão do Tojal e Loures e
a outra ladeava o rio na
direcção da Póvoa de Santa Iria.
O rio era, no entanto, a grande
via navegável por onde chegavam
e se escoavam os produtos.
A comprová-lo, o conjunto de
ânforas que têm sido encontradas
por pescadores no leito do Tejo,
nomeadamente junto aos mouchões
de Alhandra e da Póvoa, e que
denunciam a intensa actividade
comercial romana. Transportadas
nos porões dos navios, as
ânforas continham produtos como
o vinho, o azeite, os cereais e
as conservas de peixe.
Também lápides funerárias
epigrafadas, existentes em
várias freguesias do concelho,
testemunham a presença romana.
Dedicadas aos deuses Manes são
as lápides epigrafadas
provenientes do monte do Senhor
da Boa Morte (Vila Franca de
Xira), da Póvoa de Santa Iria e
de São Romão (São João dos
Montes). Em Alverca (Bom
Sucesso) foi encontrada uma
outra lápide funerária que se
encontrava deslocado do
primitivo contexto.
Vila Franca de Xira
http://www.bib-municipal-vila-franca-xira.rcts.pt
Os
primeiros vestígios de ocupação
humana no concelho de Vila
Franca de Xira remontam ao
período Paleolítico inferior.
Trata-se de instrumentos de
pedra lascada recolhidos nas
formações geológicas fluviais
dos Terraços quaternários de
Alverca e Castanheira. Os
recursos alimentares eram
abundantes: peixe e marisco,
caça de animais que se
deslocavam na área e ainda os
vegetais comestíveis que
cresciam nos vales.
O Império Romano também marcou a
sua presença no actual
território do concelho, que foi
atravessado pela principal via
de acesso a Olisipo (Lisboa).
Da passagem dos muçulmanos,
chegaram até aos nossos dias
alguns topónimos: Alpriate,
Alfarrobeira, Alhandra e
Alverca.
Vila Franca de Xira foi doada
por D. Afonso Henriques a um
grupo de cruzados ingleses após
a conquista de Lisboa.
Em 1200 D. Sancho I fez nova
doação a D. Raulino e a outros
flamengos. Em 1206, os flamengos
fazem a sua devolução à coroa e
D. Sancho I doou-a a D. Froila
Hermiges que concedeu o primeiro
Foral em 1213.
Posteriormente obteve foral
novo, no âmbito da reforma de D.
Manuel, em 1510.
No tempo da expansão marítima do
país, o concelho esteve
envolvido na construção em
Povos, da frota que levou
Bartolomeu Dias a dobrar o Cabo
da Boa Esperança em 1488.
No início do século XIX toda a
região foi abalada pelas
invasões francesas. A
localização do concelho levou à
construção do sistema defensivo
de fortes, que ficou conhecido
por Linhas de Torres Vedras.
De 27 de Maio a 3 de Junho de
1823 em Vila Franca de Xira,
ocorre o golpe de estado
absolutista — a Vilafrancada.
Em 1836 é constituída a
Companhia das Lezírias do Tejo e
Sado, que introduziu
características do capitalismo
agrário em toda a zona.
Destacava-se a produção de
trigo, cevada, milho e legumes,
bem como a abundância de caça e
gado. A pesca, em que o Tejo era
abundante, constituía
naturalmente outra actividade
importante.
A inauguração do primeiro troço
de linha férrea do pais - Lisboa
ao Carregado - em 1856, marcou o
inicio de um novo período de
desenvolvimento da região.
No final do século XIX,
assiste-se à forte
industrialização do concelho,
que durou até aos nossos dias.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro –
Marinha Grande -
Portugal
|
|

Envie
esta Página aos Amigos:





Por favor, assine o Livro de Visitas:

Todos os direitos reservados a
Carlos Leite Ribeiro
Página criado por Iara Melo http://www.iaramelo.com
|