Distrito de LISBOA

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Cadaval, Cascais,

Lisboa (capital e sede de concelho), Loures, Lourinhã, Mafra, Odivelas, Oeiras,

Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira.

 

 

 

 

Distrito pertencente na sua totalidade à província tradicional da Estremadura. Limita a norte com o Distrito de Leiria, a leste com o Distrito de Santarém, a sul com o Distrito de Setúbal e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 2761 km²  . Capital e Sede de distrito: Lisboa.

 

Apontamento de 1900 (Jornal do Comércio):

“Distrito de Lisboa, formado de uma parte da antiga província da Estremadura, tem uma superfície de 7.941,30 Km2 e uma população de 709.500 habitantes. Compreende 25 concelhos e 208 freguesias. Os concelhos são: Alcácer do Sal, Alcochete, Aldeia Galega do Ribatejo, Alenquer, Almada, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Barreiro, Cadaval, Cascais, Sesimbra, Sintra, Grândola, Lisboa (concelho), Loures, Lourinhã, Mafra, Moita, Oeiras, São Tiago do Cacem, Seixal, Setúbal, Sobral do Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira. Povoações principais: Lisboa, Setúbal, Barreiro, Cascais, Sintra e Torres Vedras. Serras do concelho: Sintra (529 metros de altitude), Montejunto (666 metros), Arrábida (449 metros). É banhado pelo Rio Tejo e seus afluentes Alenquer e Sacavém (margem direita), Sorraia e Almansor (margem esquerda); Rio Sado e seus afluentes: Odivelas, Xorrama, Diége, Algalé, Alcáçovas, São Martinho e Marateca (margem direita), Campilhas, Alvalade, Corona, Arção (margem esquerda). Rios Sizandro e Cheleiros que desaguam directamente no Oceano. Regiões vinhateiras: Torres Vedras, Colares, Carcavelos e Setúbal”.
 

 

 


Lisboa – (Capital de Portugal e Sede de Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1898»: “Como acontece a quase todas as cidades de origem antiquíssima, a história da fundação de Lisboa e dos seus primeiros tempos anda envolta em mil fábulas. Umas dão-lhe por fundador Ulisses, o célebre capitão grego, dizendo que do seu nome veio à cidade o de Ulissipo, depois corrupto em Olisipo. Outros contam que a fundou um companheiro do deus Baco, chamado luso, e que daqui tirou o País a denominação de Lusitânia, e os habitantes a de lusos. Outras, ainda, atribuem a sua origem a um bisneto de Noé”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ Qual o verdadeiro étimo do nome da primeira cidade portuguesa ? Como acontece com tantos topónimos, parece não ser muito fácil determiná-lo com precisão.

Ainda bem modernamente, o jornalista e escritor belga, Désiré Denuit, no seu livro de 1939 “La route des caravelles”, escreveu um período que corresponde na nossa língua ao seguinte: “A lenda atribui a fundação de Lisboa a Ulisses, o mais finório dos gregos; parece que o seu nome provém de Alis Ubbo, a Baía Deliciosa”. Não sabemos onde Denuit encontrou ou arranjou este étimo. Julgamos, porém, que apenas a título de curiosidade pode merecer registo.

Houve quem dissesse que o vocábulo Lisboa é transformação de Ulissipolis, à letra, cidade de Ulisses, nome do seu lendário fundador.

J. Cornu (Die Portugiesische  Sprache  pág. 104, diz que a origem é a forma Alisbona, não documentada, tendo o “l” influído para a troca do “o” ou “u” primitivos, o que não parece verdade, pois em 1165 havia ainda a forma Olixbona, como provou A. A. Cortesão, no seu Onomástico Medieval.

Leite de Vasconcelos apresenta deste modo a evolução do vocábulo: Olisipo, Olissipona, Lisbona (Lixboa), e Lisboa, o que é aceitável sob todos os aspectos, incluindo o das leis filológicas da derivação.

Diz-se que Olisipo (latinizado em Olisippo e em Ulyssippo) é nome de origem fenícia, ao qual se atribui a significação de “baía formosa” ou “baía amena”.

Lisboa foi a Felicitas Julia dos romanos, em homenagem a Caio Júlio César, nos meados do último século antes de Cristo”.

«Prof. Vasco Botelho de Amaral em “O Povo e a Língua, do Mensageiro das Casas do Povo – 1949”»: “Muitos têm sido os investigadores que tentam perscrutar esse mistério que rodeia o nome da capital portuguesa. Numerosas foram e continuam a ser as hipóteses, mais ou menos engenhosas formuladas para a etimologia de Lisboa.

Em 1947 apresentei eu uma solução do grande problema. Publiquei a minha conjectura no número da Revista Municipal (publicação da Câmara Municipal de Lisboa), comemorativa do Vlll centenário. A minha solução foi, em resumo, esta:

1º) – A origem remota de Lisboa seria nome fenício (citado por Brochard) Alis Urbo (baía amena ou deliciosa). Admiti que nesta região de Lisboa os fenícios houvessem estabelecido uma feitoria com esse nome.

2º) – O latim Olisippo seria adaptação latina do nome fenício.

3º) – A relação lendária com o nome de Ulysses seria a razão de ser da variante Ulyssipona.

Por outras palavras: entre Alis Ubbo fenícia e Olisippo latina deve, filologicamente, admitir-se uma possível relação. E o Haver surgido a forma Ulyssipona (forma geradora de Lisboa) explicar-se-á por artes da lenda da fundação de Lisboa por Ulisses.

Em esquema, a minha tese é esta:

Fenício Alis Ubbo (latim Ulisippo – latim Ulyssipona – por influência de Ulysses) > Lisboa.

Isto o que na essência, apresentei em 1947 na Revista da Câmara Municipal de Lisboa. Depois disso, e para desenvolver, defender e reforçar a minha opinião, escrevi outros artigos para os quais remeto os interessados neste problema. (Esta palavra Lisboa, no Diário da Manhã de 4-4-1949); Descobrir-se a origem de Lisboa (no Diário Popular de 27-4-1949), A origem de Lisboa, no mesmo Diário de 20-7-1949.

Creio, porém, sinceramente, na hipótese por mim formulada na Revista Municipal, Lisboa veio do nome fenício Alis Ubbo, que os latinos tranformaram em Olisippo, forma relacionada com a lenda de Ulysses, deu Ulyssipona, e esta, por natural evolução, deu a linda palavra que nomeia a princesa do Tejo” Lisboa na noite de Santo António, (12 para 13 de Junho) vem para a rua para o desfile das Marchas Populares dos Bairros de Lisboa. Tradicionalmente, este desfile dá-se na Avª da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores – mil metros. Sensivelmente ao meio da Avª da Liberdade, por alturas da estátua aos Combatentes da Grande Guerra, às portas do Parque Mayer, e em frente à tribuna principal, todas as Marchas fazem as suas evoluções em cantares e em marcações corográficas.
É Luz! , é Cor! , é Alegria !
Tudo começou em 1932 por iniciativa de Leitão de Barros, então director do “Notícias Ilustrado”, com o apoio de Norberto de Araújo e do “Diário de Lisboa”, promoveu as primeiras marchas: “percorreram algumas ruas de Lisboa e entraram no Parque Mayer, onde fizeram demonstrações ao ar livre, e no, e no palco do Salão capitólio. Concorreram a princípio 3 bairros (Alto Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique) e ainda deram a sua adesão, outros tantos Alcântara, Alfama e Madragoa).
Foi muito, para uma quase improvisação. Nesse ano, na marcha de Alcântara, figurou uma jovem humilde e ignorada, a mesma que, tempos depois, a cantar o fado, veio a marcar, de forma precisa, nas crónicas nacionais e estrangeiras: AMÁLIA RODRIGUES “.
Este trabalho teve apoio de EBAHL – Equipamento dos Bairros Históricos de Lisboa F. P. SINFONIA DE LISBOA . Música de RAÚL FERRÃO . Versos de NORBERTO DE ARAÚJO
“Lisboa é sempre / Namoradeira, / Tantos derriços / Que até fazem já fileira.
Não digas sim, / Não me digas não; / Amar é destino, / Cantar é condão
Uma cantiga, / Uma aguarela, / Um cravo aberto / Debruçado da janela / Debruçado da janela. / Lisboa linda, / Do meu bairro antigo, / Dá-me o teu bracinho, / Vem bailar comigo
(Estribilho – refrão)
Lisboa nasceu / Pertinho do céu / Toda embalada na fé. / Lavou-se no rio, / Ai, ai, ai, menina / Foi baptizada na Sé.
Já se fez mulher / E hoje o que ela quer / É trovar e dar ao pé. / Anda em desvario / Ai. Ai. Ai, menina / Mas que linda que ela é !
Ó noite de Santa António ! Ó Lisboa de encantar ! / De alcachofras a florir / De foguetes a estoirar./ Enquanto os bairros cantarem, / Enquanto houver arraiais, / Enquanto houver Santo António / Lisboa não morre mais.
Toda a cidade flutua / No mar da minha canção / Passeiam na rua / Retalhos da lua / Que caem do meu balão. / Deixem Lisboa folgar, / Não há mal que me arrefeça, / A rir, a

cantar, / Cabeça no ar, / Eu hoje perco a cabeça.

 

Lisboa

http://www.strawberryworld-lisbon.com

Lisboa, também conhecida como a cidade das sete colinas, está aberta ao rio Tejo e o seu clima temperado, juntamente com as ricas flora e fauna, ajudaram à rápida colonização da área.
Mas algo terrível mudaria Lisboa para sempre - o terramoto de 1755. É frequente ler na história de monumentos e igrejas que os mesmos foram reconstruídos ou recuperados depois do terramoto de 1755. Este foi o momento mais negro da história de Lisboa.
Na manhã de 1 de Novembro de 1755 sentiu-se o primeiro tremor e apenas uns minutos depois sentiu-se o segundo, muito mais violento, que reduziu metade da cidade a destroços. O terramoto provocou um maremoto que varreu a cidade quase por completo. Barcos, docas e edifícios foram destruídos pela fúria das águas e milhares de pessoas foram arrastadas para nunca mais serem vistas.
Como se tudo isto não bastasse, um fogo terrível deflagrou pela cidade, ardendo durante três dias seguidos e destruindo o pouco que restava de Lisboa. Ao todo, perderam-se 60.000 vidas só em Lisboa e outros tantos milhares morreram noutras áreas. O sismo foi sentido por quase toda a Europa e no noroeste de África.
Mas a reconstrução de Lisboa tornou-se uma prioridade e ainda nem tinham terminado os tremores, já o Marquês de Pombal estava a delinear ideias para reconstruir a cidade. Ele começou dizendo "Enterrem os mortos e alimentem os vivos" e, arregaçando as mangas, lançou-se ao trabalho. Devido à sua determinação e sentido prático, Lisboa ergueu-se rapidamente e melhor do que nunca. A área situada entre a baixa de Lisboa e a Praça do Marquês de Pombal, principalmente da Praça do Rosio à Praça do Comércio, ainda hoje mostra o sistema inovador pensado por Sebastião José de Carvalho e Melo - o próprio Marquês!

 

Lisboa
http://webserver.cm-lisboa.pt/turismo

PERÍODO ROMANO, BÁRBARO E MUÇULMANO
Lisboa nasceu de uma "citânia" localizada a norte do actual castelo de S. Jorge. Este seria um dos muitos núcleos humanos desenvolvidos no período pré-histórico. Através da acção povoadora dos romanos (195 a.C.) e inerente desenvolvimento socio-económico, em breve lhe seria atribuída a classificação de "município",  usufruindo do seu equipamento urbano:  monumentos, teatros, termas. Existia um cruzamento de quatro estradas da rede viária romana : três para Mérida e uma para Bracara (Braga). A sua característica de "opidum", onde os romanos centram a sua defesa estratégica, resulta do reflexo do terreno por um lado, e da protecção natural perante o estuário do Tejo e o braço deste rio que então se desenvolvia a ocidente e penetrava profundamente no território.
Olisipo (começou assim por se designar a cidade) caracterizava-se pela existência de um núcleo de população fixa defendida pela soldadesca.  Nos seus arrabaldes foi-se agregando um bom número de famílias cultivadoras da terra que, em troco de pão, fruta, vinho, legumes e gado, recebiam protecção e defesa. 
A  crise do séc.III que minava e fragilizava a sociedade romana tem os seus reflexos em toda a Península Ibérica. As sucessivas invasões de novos povos, quer germanos em 500 d.C. (visigodos, suevos), quer árabes em 700 d.C., transformam a fisionomia da população. Devido ao clima de insegurança e de guerra, a cidade adquire uma feição muito peculiar: fortaleza onde se refugiam os habitantes fugidos do avanço dos exércitos cristãos. É uma população de ricos proprietários agrícolas e comerciantes, que se transferem para o interior das muralhas e constroem uma cidade  opulentíssima pelo trato e mercancia dos portos de África e Ásia.
No período da Reconquista Cristã , a Lisboa muçulmana é uma cidade cobiçada e várias vezes atacada e ocupada pelos exércitos cristãos (ocupação por Castela em 1000 d.C.).
Lisboa era então o mais opulento centro comercial de toda a África e de uma grande parte da Europa. É abundante de todas as mercadorias;  tem ouro e prata. Não faltam ferreiros.  Nada há nela inculto ou estéril; antes, os seus campos são bons para toda a cultura...os seus ares são saudáveis, e há na cidade banhos quentes. ... o alto do monte é cingido por uma muralha circular, e os muros da cidade descem pela encosta, à direita e à esquerda, até à margem do Tejo.
PRIMEIRA DINASTIA
Em 1147, D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, conquista a cidade. Com a   participação cristã, dá-se a  expansão de Lisboa para além das suas muralhas. Herdados do passado existiram dois arrabaldes - a Baixa e Alfama. O braço do rio desaparece definitivamente no séc.XIII .
D. Fernando, então Rei de Portugal,  perante as ameaças de Castela (Espanha), cria uma nova muralha de defesa designada por "Cerca Nova"(1373-75).
Dos 16 Ha do período mourisco a nova cidade passa para 101,65 Ha ou seja 6,5 vezes maior. A fixação definitiva da capital do reino, e portanto da corte, dá-se no reinado de Afonso III.
Lisboa é então o núcleo de um importante sistema económico de trocas, localizando-se as pequenas propriedades em que predomina a cultura hortícula, na proximidade imediata, facto que poderá ter influenciado a localização dos dois mercados centrais de hortaliças: Praça da Figueira e Praça da Ribeira .
SEGUNDA E TERCEIRA DINASTIA
D. João I, Rei de Portugal, cria a primeira urbanização na colina do Carmo (1400). Pretendia assim dar satisfação às necessidades de uma população sempre crescente, expropriando para tal os campos.
A corte de D. Manuel I abandona o castelo e fixa o Paço Real no Terreiro do Paço, onde se centrou toda a vida comercial da cidade (1500).
Nesta altura surge no Bairro Alto o primeiro loteamento (renascentista) que transforma hortas e pomares em ruas e casario, crescendo repentinamente como bairro popular, embora posteriormente se transformasse numa zona onde a aristocracia viria a construir os seus palacetes.
O Bairro Alto marca a passagem do séc. XVI para XVII na vida urbana de Lisboa e a aquisição de uma consciência urbanística e arquitectónica.
DEPOIS DO TERRAMOTO DE 1755
1755 marca para Lisboa a data de um período de desenvolvimento. O terramoto (no dia 1 de Novembro, Dia de Todos os Santos, às 10h), e o incêndio que se lhe seguiu, devastaram dois terços da totalidade dos arruamentos e terão destruído três mil casas das vinte mil existentes.
O terramoto abrangeu toda a zona da Baixa, os bairros do Castelo e a zona do Carmo, ou seja, as zonas mais intensamente urbanas da cidade.
Em sua substituição iria nascer a Lisboa Pombalina, com um urbanismo sujeito a regras fixas e de um cientismo pragmático que provoca admiração em todo o mundo.  O seu principal impulsionador foi Marquês de Pombal, o Primeiro Ministro do Rei D. José, coadjuvado pelos arquitectos e engenheiros, Manuel da Maia, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel (1755-76).
O plano, sem dúvida inovador, baseia-se numa direcção planificada de ruas alinhadas, cujas opções arquitectónicas assentam em  regulamentos de construção,  tendo em atenção conceitos básicos de resistência às acções sísmicas.
O sistema urbanístico obedecia a traçados de eixos de composição em que a simetria era tema obrigatório, pretendendo-se usualmente destacar nos extremos, monumentos  ou estátuas: a Rua Augusta com o arco triunfal, através do qual, no seu eixo, se colocou a estátua de D. José.
Pombal criou incentivos de interesse à nova classe da burguesia comercial.
A norte do Rossio é aberto o "Passeio Público"(1764),  zona de recreio da burguesia. Era um jardim gradeado, com cascatas, lagos com repuxos e coreto, que  posteriormente foi aberto às novas avenidas e aos futuros bairros construídos por uma burguesia em ascensão.
A partir de 1780 aparece a iluminação pública da cidade e em 1801 as ruas passam a ter o nome afixado.
EVOLUÇÃO POST-POMBALINA
Após a vitória do Liberalismo e desde o termo da administração pombalina  a grandiosidade arquitectónica acompanha os edifícios públicos: Basílica da Estrela , Ópera de S. Carlos, Palácio da Ajuda. Os limites da cidade são então sucessivamente alargados sempre em "círculos" com centro na zona da Baixa.  O traçado das ruas obedecia a critérios resultantes da procura de habitação.
A construção do Teatro Nacional D. Maria II ( 1843-46), do Arqto. F. Lodi, em pleno Rossio Pombalino, com características neo clássicas, é uma ruptura com o período anterior. Surge um novo espírito de renovação e novos ideais estéticos. Aparecem jardins novos: S. Pedro de Alcântara, Estrela, Príncipe Real, bem como a plantação de árvores no Rossio. Surge assim uma visão naturalista. O "Passeio Público"  gera uma avenida e o rompimento das perspectivas de desenvolvimento da cidade de uma forma nuclear radio concêntrica, é absolutamente inovador.
Um novo eixo de desenvolvimento seguir-se-ia à Avenida da Liberdade. A abertura da Rua Fontes Pereira de Melo que levou a expansão da cidade desde o Parque da Liberdade (hoje Eduardo VII) até ao Campo Grande, passando pela Rotunda de Picoas, Avenida Ressano Garcia (Av. República) e toda a planificação das ruas adjacentes, paralelas e perpendiculares num desenvolvimento ortogonal. Era o plano Frederico Ressano Garcia, engenheiro do município. Nascem as  designadas "Avenidas Novas", que definem o grande desafogo urbanístico da cidade de hoje.
ÉPOCA MODERNA
Depois da Iª Guerra Mundial, preenchem-se as malhas vazias resultantes dos traçados dos eixos das novas avenidas. A Avenida da Liberdade apresenta-se inequivocamente como eixo primordial da nova cidade. Aparecem então edifícios como o Hotel Palace e o Palácio de Castelo Melhor (Foz). O estilo Arte Nova (tardio) revela-se em obras como o Cinema Tivoli do Arquitecto Raul Lino, o Eden Teatro e o Hotel Vitória do Arquitecto Cassiano Branco.  Surgem novos bairros com imóveis de rendimento, ocupados por uma classe média em expansão. O equipamento de lazer constitui-se por logradouros ajardinados.
A partir da década de 30 o arquitecto começa a ter uma maior intervenção na construção de edifícios novos. É desta época a abertura da Alameda Dom Afonso Henriques. 
É o período Duarte Pacheco, Presidente da Câmara e posteriormente Ministro das Obras Públicas (1930-43).  Constroem-se novos bairros assumidamente desenhados pelos novos urbanistas de ruas largas e homogeneidade do desenho das fachadas, (vulgarmente designados de estilo Português Suave).
Sob a orientação de Duarte Pacheco, o Município  decide-se pela criação de um parque verde em Monsanto. Atravessado por uma auto-estrada que liga Lisboa ao Estádio Nacional é feita a arborização do parque instituindo um sistema jurídico de expropriação dos terrenos especialmente para esse efeito.
Reconhecia-se então que um plano de urbanização para a cidade teria de envolver um programa de criação de parques e jardins, não só como fundamento de beleza e aprezamento dos seus frequentadores, mas também como reserva de ar puro imprescindível à vida na cidade.
São criados novos bairros (Encarnação e Alvalade) antecessores do aparecimento e desenvolvimento da urbanização de Olivais e Chelas, numa aplicação dos princípios preconizados na Carta de Atenas.
É a época dos grandes blocos residenciais livres e separados por zonas verdes, procurando uma maior exposição solar e melhor arejamento segundo os modelos já ensaiados noutros países. É também desta época o arranjo ajardinado das praças que resultam da composição urbanística,  com o objectivo de criar zonas de lazer e jogos infantis.
Mais recentemente aparecem iniciativas municipais de conjunto coabitando com urbanizações privadas localizadas aqui e ali, que preenchem os espaços "ainda livres", das zonas limítrofes da Lisboa Cidade.

 

Lisboa
http://www.portugaltravelguide.com/pt/lisbon
O encanto da capital portuguesa reside nas suas fortes ligações ao passado, os palácios restaurados, as majestosas igrejas e um castelo imponente que reflectem o rico património cultural da cidade.
A História de Lisboa realiza-se entre uma mistura de acontecimentos e de lendas.
O poeta português Luís de Camões, atribuiu credibilidade à história na qual Lisboa fora fundada por Ulisses, mas na realidade foram os Fenícios (200 a.C.) que estabelecidos no estuário do Tejo ofereceram um porto seguro para as suas galeotas.
Construíram uma cidade que denominaram Alis Ubbo (porto calmo) e sob seu controle esta prosperou por mais de seis séculos.
Os Gregos e os Romanos, seguido pelos Visigodos e, por último, os Mouros, foram os povos que governaram a cidade do rio Tejo, cuja designação alterava consoante a invasão de novos povos.
Em 1147, o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, com a participação de flamengos, normandos, germanos e dos cruzados ingleses, expeliu finalmente os Mouros que se encontravam na posse de Lisboa desde 714. Lisboa foi pronunciada capital em 1256.
Portugal prosperou durante os séculos XV e XVI enquanto uma sucessão de exploradores penetrou nos quatro cantos do globo. Suas descobertas trouxeram uma grande riqueza a Lisboa através do ouro, dos diamantes, das sedas e das especiarias.
Em 1908, o assassinato do Rei D. Carlos I na Terreiro do Paço, provocou a queda do regime monárquico de 767 anos, forçando D. Manuel II a fugir, dois anos mais tarde, para a Grã-Bretanha.

 

Lenda de Lisboa – Gentil Marques

(Do guião radiofónico (categoria teatro radiofónico) RCP - 1953. Interpretes: Gentil Marque (narrador); outros interpretes: Álvaro Benamor, Eunice Muñoz, e outros.

“Lisboa ! Velha e nobre Ulisseia dum país tão pequeno e tão grande, simultaneamente ! Das tuas sete colinas fala a história inteira. É sempre que em ti penso, vêem-me à lembrança os versos heróicos dum poeta quase desconhecido nos dias de hoje mas que no seu tempo foi muito grande: refiro-me a Gabriel Pereira de Castro, o autor dum glorioso poema épico, intitulado precisamente “Ulisseia ou Lisboa Edificada” e começa assim:

 

As armas e o varão que mal os seguro

Campos cortou do Egeu e do Oceano

Que por perigos e trabalhos duros

Eternizou seu nome soberano

 

A Grã Lisboa e seus primeiros muros

(Da Europa e largo Império Lusitano

Auta cabeça) se eu pudesse tanto

A Pátria, ao Mundo, à Eternidade canto.

 

Lembra-me, musa, as cousas e me inspira

Como por tantos mares o prudente

Grego, vencendo de Neptuno a ira,

Chegou no Tejo à túmida corrente;

 

Ouvirá o som da lusitana lira

O negro ocaso e lúcido oriente

Se tu dás ser a meu sujeito falto

Para que caiba em mim furor tão alto !

 

Ora conta a lenda que em tempos remotos, nada desta cidade de Lisboa existia, a não ser a sua própria configuração. E toda a costa recebia um nome estranho e simbólico. Chamava-se Ofiusa – ou seja a terra das serpentes. E as serpentes tinham também a sua rainha. Uma rainha estranha, meio mulher, meu serpente, senhora dum olhar feiticeiro, e duma voz quase infantil.

Às vezes subia ao alto dum monte e gritava ao vento para que pudesse ouvir a sua própria voz:

- Este é o meu reino ! Só eu governo aqui … ninguém mais ! Nenhum homem se atreverá a pôr aqui os pés !Ai do que ousar ! As minhas serpentes não o deixarão respirar um minuto, sequer !

Mas ela, a rainha, enganava-se nos seus pensamentos. De facto, durante muito e muito tempo, pessoa alguma se aventurou a desembarcar nesta costa amaldiçoada pelos deuses e pelos homens. Porém, um dia, vindo de longe, um herói lendário chamado Ulisses e famoso pelas suas façanhas guerreiras, aproou nesse mesmo local onde hoje se ergue a nossa cidade de Lisboa. Mal colocou os pés em terra, ele quedou-se deslumbrado. Seus olhos não se cansavam de abraçar as maravilhas de que a natureza se mostrava tão pródiga. Reunindo seus homens, ele exclamou na sua voz potente, habituada ao comando:

Aqui edificarei a cidade mais bela do Universo ! Dar-lhe-ei o meu nome … Será Ulisseia, capital do Mundo!

Porém, depressa ele compreendeu que a tarefa não seria fácil. Nada fácil mesmo ! Muitos dos seus homens tombaram envenenados por mordeduras de serpentes … outros desapareciam, apanhados por traiçoeiras armadilhas ! E, entretanto, o inimigo, desconhecido e oculto, ia apertando o seu cerco em redor de Ulisses.

O jovem guerreiro andava desesperado. Ele não era cobarde. Quase amava o perigo. Mas um perigo visível, um perigo palpável. Não um morticínio como aquele tão inglório. Certa vez em que a triste nova de saber que tombara para sempre um dos seus melhores amigos e vítima duma morte estranha, Ulisses subiu a um pouco donde dominava o espaço em frente e gritou a plenos pulmões:

- Por todos os deuses do Olimpo eu vos desafio, inimigo traiçoeiro e vilão. Estou habituado às lutas, mas cara a cara, frente a frente, com lutadores que se prezam e que não se escondem na sombra ! Aparecei de uma vez ! Quero ver-vos !

Mas em vão ele chamava ! O inimigo continuava ceifando vidas e não aparecia frente a frente. Apenas os silvos das serpentes – sinfonia de ruídos estranhos que inundavam a noite – mantinha Ulisses em permanente tensão nervosa.

Inimigo presente e oculto, simultaneamente, era o problema em que Ulisses se debatia, na ânsia duma solução. A sua coragem era enorme. Mas a sua valentia ultrapassava-a. Contudo, o problema continuava insolúvel. Como exterminar aquilo que se não conhece ? Nessa tarde, ainda o Sol caminhava seguro, na linha do horizonte quando o jovem guerreiro, tomado de súbita raiva, subiu, de novo, a uma pequena elevação de terreno, gritando:

. Ah! pudeis tentar tudo o que quiserdes, inimigo invisível! Mas não abandonarei esta terra sem aqui deixar a mais famosa cidade edificada até hoje! Ouviste bem o que eu disse?

Houve um terrível e profundo silêncio. E de súbito, um rochedo desviou-se e deu lugar a uma estranha mulher, que tinha qualquer coisa de serpente.

Ulisses ficou-se a olhá-la surpreendido e escutou a sua voz atraente mas incisiva:

- E se eu me opuser aos teus desígnios ? E se eu te disser, visitante ousado, que a tua vontade de nada vale dentro dos meus domínios ?

O jovem guerreiro, carregando o sobrolho, perguntou numa surpresa crescente:

- Mas quem sois vós, senhora ? Por esta luz que ilumina os meus olhos, vos juro que nunca vi ninguém semelhante a voz ! Quem sois ?

Serenamente, ela respondeu-lhe:

- Sou a rainha desta terra ! a rainha de Ufiusa, reino das serpentes !

O rosto de Ulisses, animou-se num sorriso. O primeiro, desde que o inimigo começara a atacá-lo. Mas esse sorriso não era feliz. Havia qualquer coisa de enigmático que lhe dava um sabor estranho. Aproximou-se da mulher que lhe fava. Olhou-a bem de frente, numa minúcia quase excitante, e declarou então:

- Agora compreendo porque sois assim ! Tendes, na verdade a graça felina das serpentes … a vossa fala é doce … o vosso olhar é amargo !...

Foi a vez da mulher sorrir. E a sua voz bonita tornou-se mais insinuante:

- Achais o meu olhar amargo ? Pois eu não o sou tanto como pensais, nobre navegante ! Durante dias e noites esperei a tua rendição. Mas foste corajoso ! Ainda Bem ! Apreendi a admirar-vos !

Ulisses curvou-se num cumprimento:

- Grato pelas vossas palavras, senhora … No meu país as mulheres não sabem falar assim !

Ela olhou-o intencionalmente:

- Pois aqui … na minha terra … sente-se a falta dum rei !

O jovem guerreiro sorriu:

- Quereis explicar-vos melhor ?

O olhar dela estava preso ao dele como que num encanto.

- Achais necessário, nobre navegante ? Não tendes já percebido o meu desejo ?

Sem deixar de a fitar, Ulisses, jovem e valoroso guerreiro, falou-lhe já um pouco perturbado:

Preferia que fosseis vós a expor o vosso plano !

Ela sorriu-lhe abertamente:

- Pois bem: Acho que podeis edificar aqui essa cidade que sonhaste mas … com uma condição: ficareis vivendo cá para sempre !

Ele, com o seu espírito de independência tentou ainda opor-se:

- E se eu não puder aceitar a vossa condição ?

Ela teve um gesto evasivo: Aceitando ou não, nobre navegador – creio que ficareis da mesma maneira !

Calaram-se. Ele sem resposta. Ela crente do seu triunfo. Continuava, porém, a prendê-lo nesse seu olhar estranho … como que de encantamento.

Vencido, Ulisses quase murmurou:

- Pois bem … aceito !

E a partir desse dia, ou, antes a partir dessa hora, tudo se modificou na terra estranha e bela onde Ulisses aportara. Desembarcaram homens, ferramentas, material. Num grande esforço, ergueram-se edifícios, abriram-se jardins, fizeram-se ruas !

As serpentes já não atacavam os operários. Agora reuniam-se e cantavam as mulheres serpentes para que os homens trabalhassem. Cântico enfeitiçado que possuía em si próprio qualquer coisa de mágico !

Algum tempo passou. Porém, Ulisses o irrequieto Ulisses não queria ficar ali. A sua terra chamava por ele. E embora aquela cidade recebesse o nome de Ulisseia, consagrando-o como seu dono e senhor, a verdade é que o destino de Ulisses era um destino de aventura. Ele sentia saudades do mar e sede de novas lutas. Mas partir não era fácil como ficar. Havia um grande, um enorme obstáculo quase impossível de transpor: a rainha das serpentes. Ela adorava-o e queria-o preso a si.

Aliás, em todos os tempos houve sempre quem gostasse de transmitir o segredo que lhe não pertence. E assim chegou aos ouvidos da Rainha que Ulisses pretendia deixá-la. Desesperada, ela procurou-o sem demora:

- Nunca te deixarei partir ! Olha bem para mim … Nos meus olhos podes ler o amor … ou a morte !

Ela viu bem como eram verdadeiras as suas palavras e achou que devia mentir-lhe para levar avante o seu projecto de uma abalada. E sorrindo-lhe o mais docemente possível, replicou-lhe:

- Mas quem te falou em abalar ? Nunca semelhante ideia me passou pela cabeça. Não vês como sou feliz contigo ? Não é tão bela a cidade que edificamos ?

O diálogo continuou numa atmosfera de dúvida e falso carinho.

- Ulisses ! Não me mintas ! Seria muito pior para ti ! O meu ódio será tão grande como o meu amor !

- És louca ! Não sou eu aqui o rei e senhor ? Para que havia de querer partir ?

- Disseram-me que tens saudades da tua terra !

- Mentiram-te !

- E com que intenção ?

A de desunir-nos ! Nós dois, juntos, somos muralhas invencíveis !

- Dizes bem ! Unidos ninguém conseguirá vencer-nos ! Mas … vejo-te, às vezes, tão pensativo a olhar para o Oceano … Receio que desejes novas aventuras …

- Que ideia ! Eu prefiro ler o amor nos teus olhos. Não quero ódios.

- No entanto, sinto que foges de mim.

- Isso é ideia tua ! Olha: à noite daremos um grande passeio, como nos primeiros dias do nosso amor. Queres ?

- Sim, Ulisses ! Mas não te esqueças: o meu amor é grande mas o meu ódio pode ainda ser maior !

Ele sorriu-lhe … Alguém chegou e a conversa ficou suspensa. Lentamente, a rainha das serpentes afastou-se …

Ulisses preparou tudo para essa noite. Teria de partir, ou antes, teria de fugir e para isso, precisava de um plano bem organizado. Habituado às lutas, fácil lhe foi organizar a fuga. E como precisasses de um auxiliar chamou o mais fiel dos seus companheiros, falando-lhe com ansiedade desusada:

- Escuta: preciso do teu auxílio …

O fiel companheiro respondeu-lhe com a solenidade dos grandes momentos:

- Podes contar comigo para tudo ! Dispõe da minha vida se quiseres.

- Não quero tanto … preciso apenas que te disfarces tão bem que alguém te possa confundir comigo próprio.

- É fácil … temos a mesma estatura !

Ulisses abanou a cabeça apreensiva:

- Pois sim … mas não te esqueças que se trata de enganar uma mulher … e o coração das mulheres é bem difícil de enganar !

O companheiro de Ulisses baixou a voz:

- Compreendo … queres fugir dela esta noite !

Ulisses sorriu feliz.

- Isso mesmo ! Tenho já o plano formado. Irás buscá-la e passear com ela que está à minha espera. Entretanto, eu fugirei.

Como resposta, o companheiro de Ulisses disse apenas:

- Que os deuses nos protejam !

De princípio, tudo se passou como Ulisses previa. O seu fiel companheiro, muito bem disfarçado, foi buscar a Rainha das Serpentes e levou-a para longe do rio, passeando ao luar. Mas só ela falava. Ele receava que ela lhe reconhecesse a voz. Embalada pela emoção do amor, a rainha serpente ia dizendo, embevecida:

- Construiremos um império imenso. E a tua Ulisseia – a nossa Ulisseia – será a cabeça do Mundo. A cabeça desse Império ! Que dizes ? Ah ! Mas tu não falas ? Não me dizes nada ? Porquê ?

A mulher serpente começou a inquietar-se.

Olha para mim ! Quero ver os teus olhos ! Tu escondes-me alguma coisa !

Ele tentou afastar-se. Ela encarou-o de frente e reparando no engano em que caíra, gritou furiosa:

- Ah, vilão ! Fui traída ! Enganada ! Mas tu morrerás e ele também. Este é o teu castigo. Recebe o meu veneno !

O companheiro de Ulisses deu um grito e caiu no chão. Ela curvou-se para ele:

- Diz-me ! Diz-me, miserável … onde está ele, o traidor ?

Num estertor o jovem companheiro de Ulisses que dera a vida pela liberdade do amigo, murmurou:

- Ele fugiu … fugiu pelo mar … já deve ir muito longe …

Ela serrou os dentes numa praga:

- Maldito ! Mil vezes maldito ! Hei-de alcança-lo custe o que custar !

E conta a lenda que num esforço superior às suas próprias possibilidades – a Rainha das Serpentes quis estender-se sobre a cidade alcançando o mar. Daí, dessa inútil tentativa – porque Ulisses já ia longe – resultou apenas a sua morte. E como simbolismo do esforço feito, ficaram as sete colinas de Lisboa, desenhadas pelas contorções da pobre Rainha das Serpentes.

Espavoridas, as serpentes fugiram. Mas ali, no antigo reino de veneno e morte, ficou edificada a altaneira, nas suas sete colinas, a mais bela cidade de então!”.

 

 

 

 

 

 

Alenquer – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1148, foi reedificada por este rei. Aí construiu depois D. Sancho l, um palácio. Senhora da vila por doação de seu pai, D. Sancha concedeu-lhe o primeiro foral e, manda construir em 1222, o Convento de São Francisco, o primeiro que a Ordem mendicante possui em Portugal. O portal gótico do convento parece ser o único vestígio do primitivo edifício, que resistiu ao terramoto de 1755.

Mais tarde, Alenquer teve novas cartas de foral, dadas por D. Dinis em 1302 e por D. Manuel l, em 1510. Aqui nasceu, com toda a probidade, Pêro de Alenquer, piloto que acompanhou Bartolomeu Dias em 1488, na passagem do Cabo da Boa Esperança, e Vasco da Gama em 1497, na viagem à Índia.

Os mouros foram seus senhores até 1148, altura que D. Afonso Henriques, a caminho do sul e da reconquista, a toma e reedifica. Todavia, já os romanos por aqui haviam andado, como testemunham os marcos milenários da antiga Via Lisboa-Mérida.

Do antigo castelo pouco resta, e o que restas não está em bom estado de conservação.

Origem do nome:

«Das, “Terras de Portugal – António Montês – 1936”»: “Conta a tradição, que em 1148, quando o castelo ainda em poder dos mouros, indo o rei cristão com o seu séquito banhar-se no rio, notou que um cão grande e pardo, que vigiava as muralhas e ao qual chamavam “Alão” se calara, fazendo-lhes festas.

El-rei tomou isso como bom presságio e mandou começar o ataque, dizendo “Alão quer”, palavras que deram o nome à vila”.

«Do, “Domingo Ilustrado – 1897”»: “ Alenquer – dão-se variadas etimologias; uns a derivam de Alankerke, que significa “Templo dos Alanos”, atribuindo consequentemente a fundação ao povo assim denominado; outros do vocábulo Alen-Kerkana, dando como fundadores estes guerreiros. A lenda popular, porém, deriva este termo da frase Alão-quer, provindo de uma tradição adiante referida. ….

A credulidade popular aproveitou o ensejo para tecer uma lenda, de que se fez depois originar o nome da vila e até mesmo as suas armas, que são, em campo de prata um cão pardo, preso a uma árvore com grilhão de ouro.

Diz a lenda que na noite de São João um dos cães, que os mouros tinham em suas vigias, veio ter com o monarca, acariciando-o sem ladrar, o que pareceu ao rei ser um aviso do céu e por isso ordenou o assalto, dizendo: “o Alão quer”.

Há ainda mais duas versões desta lenda: uma, diz que os mouros deixaram a vila entregue a um cão pardo, o qual veio com carícias e afagos convidar el-rei D. Afonso a entrar na praça; segunda, afiança que estando o monarca olhando para as muralhas viu um cão com as chaves na boca e que ele lhas deitou aos pés.

Em qualquer destas lendas figura a tal frase do rei: “Alão quer”, para harmonizar ou antes para justificar o sucesso com o nome da vila, o qual é muito mais natural que provenha dum termo arrevesado, corrompido com o andar dos tempos”.  

Alenquer
http://www.dosdin.pt/pt/camping/alenquer.htm
Alenquer, conquistada aos Mouros no séc. XII, teve o seu primeiro foral no século seguinte. Foi nesta vila que nasceu, em 1501, um dos maiores cronistas do Renascimento Português - Damião de Góis. Região famosa pelos seus vinhos, nomeadamente os brancos que fizeram furor na Exposição de Londres em 1890, tem duas delimitações diferentes mas ambas confinadas ao concelho que lhe dá o nome. As vinhas formam grandes manchas contínuas, acompanhando o relevo e desenvolvendo-se por encostas e vales. Produzem vinhos de grande qualidade, principalmente os de meia encosta de exposição a sueste.
Alenquer fica ainda na Rota dos Templários, na Rota da Peregrinação dos Caminhos de Santiago de Compostela, na Rota do Espírito de Santo e na Rota da Peregrinação de Fátima.
Nos arredores de Alenquer dignam-se de interesse: Serra de Montejunto, Praias Fluviais do Tejo e diversas casas senhoriais e Quintas Vinícolas de Vinhos de Qualidade.
No posto de Turismo da Câmara Municipal de Alenquer disponibilizam-se informações complementares de interesse turístico e Cultural bem como na Região de Turismo do Oeste. Próximo de Alenquer situa-se a Serra de Montejunto e as praias fluviais do Tejo e da Marina de Vila Franca de Xira.

 

 

 


 

 

Amadora – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

As descobertas arqueológicas mostram que a presença do homem no concelho da Amadora, data de há mais de 500 mil anos. Aqui floresceram culturas neolíticas e as primeiras populações metalúrgicas.

Características desta cultura eram as grutas artificiais, túmulos colectivos escavados na rocha, de que constitui exemplo a que existe na região de Carenque. A ocupação romana deixou, também, vestígios nesta área. A atestá-lo, existe um aqueduto romano que vindo da região de Carenque atravessa a Mina em direcção à Falagueira, onde se supõe existir uma “Villa” soterrada. Até meados do século Xll pouco se sabe desta região, composta essencialmente por casais de saloios e hortas que abasteciam Lisboa de produtos agrícolas. No século XVlll esta zona cumpre novas funções: o abastecimento de água à capital. Com efeito, em 1731 é autorizada a construção do Aqueduto das Águas Livres destinada a abastecer os chafarizes de Lisboa. Ainda hoje a Amadora é atravessada por esta extensa conduta que assume, em certos locais, aspectos monumentais.

As primeiras manifestações de uma burguesia locar surge em 1907 quando um grupo de homens da região começa a mover uma campanha para alteração do nome da Porcalhota. Existiam então três núcleos populacionais: Venteira, Amadora e Porcalhota; e são estes que vão ficar integrados na designação de Amadora.

A partir de 1913 um dos pólos de atracção é a actividade aeronáutica , tendo sido construído um dos primeiros campos de aviação do País. Esta região estaria no centro das atenções até 1938, data em que é extinta a “Esquadrilha de Aviação da República”.

 

Amadora
http://www.cm-amadora.pt

A criação do Município da Amadora foi efectuada a 11 de Setembro de 1979, data em que deixou de ser uma freguesia do Concelho de Oeiras, ao qual pertencia desde 1916. Foi o primeiro Município português a ser criado no período pós 25 de Abril. Tem 22 anos como Município e tem-se assumido, principalmente pela sua centralidade, como um dos principais pontos de circulação de pessoas e bens na Área Metropolitana de Lisboa. No entanto, a Amadora tem sabido criar condições para a fixação do sector empresarial, como o comprova a zona industrial de Alfragide.
O Município da Amadora inscreve-se na zona geográfica da AMLN (Área Metropolitana de Lisboa Norte) e confina com a capital (Lisboa) e com os Municípios de Odivelas, Sintra e Oeiras, sendo assim um dos 18 Municípios que constitui a Área Metropolitana de Lisboa.
Quando o Município foi criado, dividia-se em 8 freguesias: Alfragide, Brandoa, Buraca, Falagueira-Venda Nova, Mina, Reboleira, Venteira e Damaia. A partir de 1997, este número elevou-se para 11 freguesias, juntando-se às iniciais as freguesias de Alfornelos, São Brás e Venda Nova.
A Amadora é o Município mais densamente povoado do País. Segundo os dados preliminares dos Censos 2001 , a Amadora conta actualmente com 175 872 habitantes, a residir em 80 581 alojamentos, numa área de 24 km2, que é uma das mais pequenas em termos nacionais.

 

 

 
 

 

Arruda dos Vinhos – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

Arruda dos Vinhos é um dos municípios mais antigos do País, tendo recebido foral de D. Afonso Henriques em 1172. No mesmo ano, e por doação do mesmo monarca, confirmada por D. Sancho l, em 1186, o Castelo de Arruda dos Vinhos passou a pertencer à Ordem de Saint’Iago.

Treze anos antes de morrer, D. Afonso Henriques outorga carta de foral a Arruda. A Ordem de Saint’Iago foi senhora da vila e do castelo. No sítio do Vilar foi instituída a primeira residência das Comendadeiras de Saint’Iago, mosteiro onde viviam como leigas as mulheres dos cavaleiros que andavam em contínuas batalhas. Foram estas comendadeiras que mais tarde, no reinado de D. Sancho, vieram instalar-se em Lisboa, no Mosteiro de Santos-o-Velho, passando no reinado de D. João ll, para Santos-o-Novo.

As Linhas de Torres Vedras passavam por aqui e, ao olhar para as escarpas aproveitadas como defesa, compreende-se bem a genialidade da construção desta fortificação militar.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Designação composta de elementos vegetais, isto é, do substantivo comum arruda – determinada planta que, provavelmente apareceu com abundância no local – e do determinativo – dos vinhos, talvez por característica da principal cultura”.

«A. V. R. do Folheto Arruda dos Vinhos, editor Camacho Pereira – Abril de 1955»: “Da origem do nome de Arruda, o distinto etimologista e etólogo Mário Guedes Real, num interessante estudo intitulado “toponímia Árabe da Estremadura”, referindo-se aos numerosos termos de nomenclatura de povoações, que, como reminiscências do domínio muçulmano, se encontram nos dois países ibéricos, e entre outros, aqueles que têm base a flora indígena, escreveu o seguinte:” Arruda (dos Vinhos) é nome comum latino (ruta, ae) tornado próprio arabizado, pela anteposição do artigo definido árabe “al”, cujo “l” se assimilou ao “r” inicial do substantivo por ser a última letra “solar”. A forma latina árabe seria, portanto, ar-ruta, a arruda”.

 

Arruda dos Vinhos
http://www.arruda.oestedigital.pt

Situada num vale fértil e ameno, a antiga vila de Arruda dos Vinhos deslumbra, não só pela sua rica história, mas também pela conhecida hospitalidade das suas gentes. Nela, o visitante poderá facilmente entabular um diálogo com um passado repleto de acontecimentos, mergulhados, pelo menos, desde o início da nacionalidade. Deste modo, ainda é possível percorrer as ruelas da zona histórica de Arruda e sentir o mistério e a magia da Idade Média portuguesa. Aqui e ali, a toponímia das ruas, dos terreiros e dos recantos, sugere-nos a existência de antigos paços reais e de um castelo mouro, desaparecido ou oculto por alguma espécie de encantamento, que ainda não foi possível desvendar. Do primeiro monarca, resta-nos o testemunho de um documento de doação da vila à Ordem Religiosa e Militar de Santiago em 1172, comprovando-se, efectivamente, a importância e notoriedade que a povoação detinha já na época. Foi esta Ordem que constituiu um verdadeiro motor de desenvolvimento rural na região, ao fazer instituir um convento no Sítio do Vilar, destinado a acolher as esposas dos Cavaleiros que partiam para Sul, durante a efeméride da Reconquista. Estas, para além da oração, dedicavam-se ainda à exploração agrícola, através do arrendamento de terras, promovendo, deste modo, a dinamização da agricultura, especialmente o cultivo da vinha, dadas as características excepcionais desta zona para este tipo de actividade.
Não só Arruda dos Vinhos constituiu desde tempos ancestrais um importante pólo de produção vinícola, como também por estas paragens se têm vindo a constatar vestígios de uma importante rota ancestral de comercialização deste produto, sobejamente apreciado, aquém e além-mar. Dessa rica herança, subsiste ainda hoje o desenvolvimento e a expansão da actividade vitivinícola numa grande parte do território do concelho, sendo que a região de Arruda dos Vinhos se situa actualmente numa das melhores zonas de produção de vinhos do país.
Por tudo isto, ainda hoje, nas aldeias, casais e quintas que rodeiam e completam a harmonia dos vales, trabalham-se afincadamente os campos, cultivam-se as várzeas férteis, e preparam-se os vinhedos para as célebres e fartas colheitas de Outono que tão bem tipificam e enchem esta terra de cor. Deste longo ritual de labor e sabedoria resulta anualmente em Novembro, a Festa da Vinha e do Vinho, onde forasteiros e arrudenses convivem em alegria, em tom de celebração à terra.
Retomando o lento desfilar dos tempos, refira-se o período áureo do rei D. Manuel I, restando-nos como grande motivo de orgulho a magnífica Igreja Matriz de Nossa Senhora da Salvação, restaurada por ordem expressa deste monarca. Foi também D. Manuel, que atribuiu foral à vila a 15 de Janeiro de 1517. Desses tempos, chegou-nos ainda um património cultural valioso, que se traduz nas tradicionais festividades em honra da padroeira, de 6 a 18 de Agosto e que atraem a Arruda dos Vinhos milhares de visitantes. Nesta altura, Arruda - vila engalanada e entregue à festa e à inspiração das agradáveis noites estivais - revela todo um encanto e magia que só uma visita minuciosa e atenta poderá proporcionar. Mas também ao longo de todo o ano, a procura da noite Arrudense começa já a ser uma referência e um agradável ponto de encontro.

Ao nível da gastronomia, o concelho de Arruda dos Vinhos conta com cerca de duas dezenas da restaurantes e casas de petiscos, nos quais se pode provar de tudo um pouco, desde os diferentes pratos de bacalhau e peixes, aos grelhados de carnes diversas, abundando ainda uma doçaria, não propriamente local, mas característica um pouco, quer da região saloia, quer já de um Ribatejo que teima em fazer anunciar-se, até mesmo pela paisagem sobre o Rio Tejo, cujo serpentear é visível de alguns pontos do concelho. É também destas cristas altaneiras - que envolvem todo o Vale Quente e que constituem verdadeiros miradouros naturais - que muitos se lançam no prazer do parapente. Nestes locais, aos quais o acesso poderá muitas vezes ser efectuado através de jipe- o que constitui uma verdadeira e inolvidável aventura- ou mesmo através de percursos pedestres, o visitante descobre uma paisagem de sonho, desde o Palácio da Pena, ao Maciço da Arrábida, passando pela Lezíria Ribatejana ou pela imponente Serra de Montejunto.  Apesar do seu relativo isolamento actual, alguns destes pontos serviram não só de refúgio e habitação aos homens do Neolítico, como também constituíram pontos de defesa importantes aquando das Invasões Francesas, pelo facto de integrarem as famosas Linhas de Torres. Como testemunhos desses tempos, restam ainda os redutos dos Fortes da Carvalha e da Infesta, cujos panos de muralhas e trincheiras são ainda hoje facilmente visíveis e que têm sido ultimamente objecto de interesse e pesquisas diversas, no âmbito de um projecto intermunicipal de valorização da 1ª cintura defensiva das Linhas de Torres. Nestes locais, a vista perde-se no horizonte, embrenhando-se na beleza e simplicidade dos campos, na brancura persistente de alguns moinhos e no anunciar de algumas aldeias e lugares que teimam afirmar a sua identidade, não obstante, em baixo, a sede de Concelho esteja a crescer a olhos vistos, assistindo-se a um aumento considerável da sua área urbana e consequentemente da sua população.

Arruda dos Vinhos
http://www.rt-oeste.pt/concelhos.htm
O concelho de Arruda dos Vinhos situa-se a 36 Km a norte de Lisboa, entre os concelhos de Sobral de Monte Agraço, Alenquer, Vila Franca de Xira, Loures e Mafra. A área é de 77 Km2 distribuídos por quatro freguesias. Arranhó, Arruda dos Vinhos, Cardosas e São Tiago dos Velhos. A sua população ronda actualmente os onze mil habitantes.
As primeiras marcas de ocupação humana no território que corresponde hoje ao concelho de Arruda dos Vinhos remontam ao período Neolítico. Da época romana encontram-se igualmente bastantes vestígios, fixando-se a primeira marca de autonomia municipal no ano de 1172 quando D. Afonso Henriques faz lavrar um documento de doação da vila de Arruda à Ordem de São Tiago, acto que é confirmado em Santarém em 1218, por D. Afonso II.
O foral é atribuído em 1517, por D. Manuel I, depois do rei se ter refugiado no Paço da Vila, aquando da devastação do reino pela peste. Este monarca prometeu restaurar a igreja Matriz e dedicá-la a Nossa Senhora da Salvação, caso saísse ileso da epidemia, o que se veio a comprovar. Deste modo, o rei ordenou que se organizassem festividades na vila em honra da virgem no dia 15 de Agosto de cada ano, tradição que se manteve até aos nossos dias.
Durante as invasões napoleónicas foram construídos quatro fortes que integravam as Linhas de Torres, contribuindo para a defesa da capital.

 

 

 

 

Azambuja – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

Foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, que no termo da Azambuja fez doação em 1147, a D. Childe Rolim, filho do conde de Chester ( e a todos os flandrenses que já viviam nesta localidade), como recompensa pelo heroísmo demonstrado no cerco de Lisboa. Era nessa altura designada por Vila Franca. O nome de Azambuja ressurge no reinado de D. Sancho l, que lhe deu foral em 1220, ano em que dela fez doação a D. Rolim de Moura, filho do primeiro donatário. A este rei se devem ainda providências para acelarar o povoamento de Azambuja. D. Afonso ll confirmou o foral em 1218 e, D. Manuel l concedeu-lhe novo foral em 1513.

Perto da localidade, junto à estrada nacional, ergue-se um marco de légua do reinado de D. Maria lª.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O nome, cuja origem remota, é o berbere Tharbujath, embora tivesse chegado até nós através do árabe az-zumbuj, que quer dizer – oliveira brava. O padre Luís Cardoso, no seu Dicionário do século XVlll, transliterou mal o étimo árabe, pois escreveu Azzabuja. Outros autores fizeram identicamente má transliteração do vocábulo, primitivamente nome comum dum vegetal”.

 

Azambuja
http://www.cm-azambuja.pt/azambuja/Concelho
Município geograficamente caracterizado como o mais oriental do distrito de Lisboa, localização que o torna charneira e porta de entrada na Grande Lisboa, quer por auto-estrada, quer por Caminho de Ferro.
Estendendo-se por uma área de 261, 652 Km 2 onde vivem cerca de 22 000 pessoas, tem o rio Tejo como limite natural Sul, que o separa dos concelhos de Vila Franca de Xira, Benavente e Salvaterra de Magos, circunvizinho ainda dos municípios do Cartaxo, Santarém, Rio Maior, Cadaval e Alenquer.
Composto hoje de muitos aglomerados habitacionais, lugares e aldeias, relativamente importantes que têm como cabeça a sede das nove freguesias - Alcoentre, Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima, Azambuja, Maçussa, Manique do Intendente, Vale do Paraíso, Vila Nova da Rainha e Vila Nova de S. Pedro. A sua actual configuração geográfica e administrativa torna o Concelho de Azambuja relativamente jovem e simultaneamente, das unidades municipais mais antigas de Portugal. Unificado pelas sucessivas reformas territoriais da administração e circunscrição local da Monarquia Liberais, entre 1834 e 1855, praticamente nasce com os alvores da nacionalidade. Gerou-se a partir de finais do século XII, com a criação de uma rede simultânea, coincidente em paróquias e freguesias. Esta malha de pequenas unidades geográficas de administração e circunscrição local com jurisdições diferenciadas, estabeleceu ao longo da história uma cadeia de laços de familiaridade, de solidariedade, sociabilidade e identidade firmarando e cimentando relações, tanto das elites dirigentes e possidentes, como da sociabilidade entre as suas gentes, o povo em si.
Alcoentre foi a primeira unidade de administração e circunscrição local, instituída em 1147, por D. Afonso Henriques, nos meses que medeiam a conquista de Santarém e Lisboa. Como recompensa e visando a defesa e o povoamento da fronteira natural do Tejo, D. Sancho I entrega Azambuja ao nobre cruzado-guerreiro, D. Rolim, seu 1º senhor, a quem o seu neto, alcaide e 3º senhor concede contratualmente foral em 1972, em comum consentimento com os moradores. O mesmo Rei-Povoador concede em 1207 a Aveiras de Baixo e 1210 a Aveiras de Cima, cartas de aforamento, sabendo-se que a primeira visava dotar sua filha, a infanta D. Sancha.
Aveiras de Cima, foi designada Veiras ou Aveiras de Fundo até aos princípios do século XVI, tendo recebido de D. João I carta de foral em 1401, reforçada com instrumento idêntico de D. Duarte em 1434.
A estas quatro circunscrições foi confirmado "foral novo" por D. Manuel - Azambuja a 7 de Janeiro de 1513, Aveiras de Cima e Vale do Paraíso a 13 de Setembro, a Aveiras de Baixo a 19 e a 26 do mesmo mês, o de Alcoentre.
Vila Nova da Rainha tivera uma efémera jurisdição própria, entre 1376 e 1382, tempo que medeia entre o instrumento de concessão por D. Fernando, de termo e justiças próprias e o seu arrasamento e retorno ao termo de Alenquer, ordenado pela Regente Leonor de Teles.
Vinda da Idade Média e referenciada desde D. Dinis, S. Pedro de Arrifana foi uma grande paróquia do termo de Santarém até ao século XVIII, quando é instituído o concelho e senhorio em Alcoentrinho, que passou a ser a cabeça senhorial, paroquial e sede de concelho como Manique do Intendente, por mercê de D. Maria I ao Intendente Pina Manique.
Durante as duas primeiras décadas do século XX, o lugar de Vale do Paraíso que pertencia a Aveiras de Cima é elevado a Freguesia, o mesmo acontecendo com Vila Nova de S. Pedro, desanexada de Manique do Intendente. Desta Freguesia sairá a nona freguesia, quando esse estatuto é reconhecido ao lugar de Maçussa, em meados da penúltima década da centúria de XX.
Está enraizada no imaginário a diferenciação geográfica do Município em Alto e Baixo Concelho, para caracterizar e referir realidades distintas de modos de povoamento e desenvolvimento, mas sobretudo de natureza geo-morfológica e de exploração e dimensão fundiária - a Lezíria a Sul, caracterizada pelas monoculturas extensivas e a grande propriedade, e o Bairro a Norte - onde predomina a policultura intensiva, com destaque para a vitivinicultura. Funcionando de forma integral e complementar em termos de equilíbrio económico e aproveitamento dos recursos naturais locais, globalmente considerados, oferecem em termos de património natural e paisagístico, uma variante motora do desenvolvimento sócio - cultural sustentável em termos de lazer, fruição e respeito da Natureza e seus recursos.
Também o património edificado e de interesse histórico-cultural é uma das grandes heranças, legadas pela história. Entre monumentos e sítios classificados ou referidos como de interesse patrimonial, histórico, artístico ou cultural, surgem à cabeça o "castro" de Vila Nova de S. Pedro, a igreja-palácio, casa da câmara, pelourinho e praça doa imperadores em Manique do Intendente, o marco de cruzamento no lugar da Espinheira, Alcoentre, as escolas Grandella em Tagarro e Aveiras de Cima, a igreja do mosteiro de Santa Maria das Virtudes e o solar dos condes de Aveiras, em Aveiras de Baixo, os painéis azulejares da igreja de Vila Nova da Rainha, o marco da légua, a igreja matriz, a igreja da misericórdia, pelourinho e palácio do provedor das lezírias em Azambuja, entre muitos outros patrimónios edificados particulares e de arquitectura religiosa ou de arte sacra e de interesse local ou regional.
Finalmente, o maior património é o "património humano", o povo ou as gentes anónimas que deram e dão vida e sentido à história, os seus costumes, crenças, destrezas e tradições, as suas memórias, o seu sentir e o seu «saber-fazer». Sobressaem por todo o Município uma série de figuras com peso e visibilidade nacionais e que aqui nasceram ou viveram e de que são meros exemplos - Afonso Vaz de Azambuja (capitão de caravelas), André Pessoa (comandante de caravelas), António de Azambuja (capitão de caravelas), António Rolim de Moura (1.º conde de Azambuja, governador e viso-rei do Brasil), António Rolim de Moura (cavaleiro nas conquistas das praças de Marrocos),
Diogo de Azambuja - o Sábio Diogo de Azambuja (navegador), Diogo de Gouveia - o Moço (humanista) Diogo Inácio Pina Manique (estadista, intendente e desembargador), Francisco Child Rolim de Moura (humanista), Francisco da Cunha Paredes (atleta olímpico medalhado), Francisco Maria de Almeida Grandella (comerciante), Frederico Arouca (conselheiro, embaixador), Frei Diogo Lopes de Andrade (bispo de Otranto e pregador de Filipe II), Frei Teófilo da Trindade (instituidor do hospital da Ordem 3ª), Frei Jerónimo de Azambuja (teólogo e embaixador), João Afonso Esteves de Azambuja (estadista e cardeal), Pedro Estevães do Sobrado (instituidor do mais antigo hospital do Concelho), João da Silva Tello de Meneses (conde de Aveiras e vice-rei da Índia), Martim Afonso de Sousa (vice-rei da Índia).
Com o dia do Município e feriado municipal em Quinta Feira da Ascensão, todo este património natural, cultural e humano fazem parte de uma mesma identidade, simbolicamente representada e identificada na composição heráldica Municipal, aprovada pela Portaria n.º 8:971, publicada a 6 de Abril de 1938, cujas armas são "de prata com um zambujeiro de verde, frutado do mesmo e sustido e arrancado de negro, acompanhado por duas flores de lis de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Azambuja» de negro".

 

 

 

 
 

Cadaval – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Antiga povoação do concelho de Óbidos, torna-se vila graças à intervenção do rei D. Fernando l, já quase no final do 3º quartel do século XlV. Em 1513, D. Manuel l outorga-lhe foral novo. Em 1895, perde as prerrogativas de sede de concelho, para as readquirir em 1898.

Num cabeço com excelentes condições estratégicas, encontra-se o Castelo de Pragana, situado na vertente noroeste da Serra de Montejunto e dominando um vasto vale, foram encontrados os vestígios de uma fortificação continuamente ocupada desde o final do Neolítico até à época romana. De entre os milhares de peças recolhidas em escavações feitas no início do século XX, destacam-se pontas de setas de lâminas de sílex, machados de pedra polida, ídolos de calcário, punhais e machados de cobre e de bronze, pulseiras, anéis, fíbulas, estoques, lanças, foices e moedas de bronze e grande variedade de cerâmicas decoradas e lisas, que testemunham a importância da fortificação entre 3000 anos antes de Cristo e o início da era cristã.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A origem deste topónimo deve estar no nome comum cadaval de cadava ou cadavo mais o sufixo – al, e assim Cadaval significa propriamente “abundância de cadavas (ou cadavos)” e, portanto, lugar onde ficam bastantes restos de matos e árvores que se queimam”.

 

Cadaval
http://www.cadaval.org/museu/historia.htm
        O Cadaval é um concelho antigo que teve a sua origem em 1371 quando o rei D. Fernando constituiu a vila e o concelho e o doou a João Afonso Telo.
        Teve foral dado pelo rei D. Manuel I em 1513.
        Ao longo da sua história o concelho esteve na posse de vários senhores donatários sendo o mais importante a Casa Cadaval a partir do século XVII e até 1832.
        O concelho foi extinto em 1895 mas, por pressão popular, foi de novo restaurado em 13 de Janeiro de 1898 constituindo esta data o Feriado Municipal.
        A história do concelho é descrita no Museu

 

 

 


 

 

Cascais – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

Sob o domínio romano chamava-se Cascale. Foi conquistada aos mouros e integrada no Reino de Portugal no reinado de D. Afonso Henriques, que lhe outorgou foral em 1159, confirmado em 1189 por D. Sancho l. Elevada à categoria de vila por D. Pedro l (de Portugal), recebeu foral novo outorgado por D. Manuel l, em 1514. Em 1580 sofreu um ataque do duque de Alba (espanhol). A cidadela, defendida por um partidário de D. António, prior do Crato, D. Diogo de Meneses, que, após tenaz resistência foi feito prisioneiro e degolado na praça pública. Após a Restauração, a fortaleza foi reconstruída.

Pertença dos condes de Monsanto e dos marqueses de Cascais, foi-se a pouco e pouco transformando, ao passar de praça militar a estância de veraneio, preferida, já nos últimos tempos da monarquia, pela família real. D. Carlos era um dos seus maiores entusiastas. Mais tarde, passou também a local escolhido pela Presidência da República durante o período estival.

Grutas com vestígios de povoamento pré-histórico também existem na região, nomeadamente na povoação de Alapraia; e a presença romana ficou assinalada em Areias.

Origem do nome:

«A respeito da etimologia de Cascais, informa o saudoso escritor Dr. Agostinho de Campos, que já ouviu também uma explicação simples e ingénua, embora muito irreverente: “Disseram-me que Jesus Cristo fora perseguido até ali pelos judeus, que só pararam de o maltratar, quando chegaram com ele até às areias da famosa enseada, que é uma das maiores belezas da nossa terra. E que Jesus Cristo, voltando-se então para trás, lhes dissera a frase seguinte, de onde veio o nome à povoação actual:

- Até aqui me cascais !?...

(Lisboa, Dezembro de 1918)”.

«José Leite de Vasconcelos em “Lições de Filologia Portuguesa”»: “A palavra casca tomou metaforicamente a acepção de “pedra miúda” e então o vocábulo Cascais significaria etimologicamente “ajuntamento de pedra miúda”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Vimos algures dada esta forma a explicação da proveniência deste nome:

“(…) Cascais, a velho vila das casqueiras que lhe deram o nome. Chamavam-se assim as tinas onde os pescadores mergulhavam as redes na decoração de aroeira. Encascaste ?, perguntavam uns aos outros. E daí, Cascais”.

A explicação parece-nos pouco verosímil. Talvez mais aceitável embora não possamos garantir a sua autenticidade, é considerar a forma Cascais como pluralização de um hipotético cascal, revelado no gentílico cascalense e tirado de casc (a) mais o sufixo – al, que aqui exprimiria ideia colectiva, como em areal, bananal, pinheiral, roseiral, etc., etc.”

 

Cascais
http://www.cm-cascais.pt/cascais
Situado a ocidente do estuário do Tejo, entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, o território ocupado pelo Concelho de Cascais é limitado a norte pelo Concelho de Sintra, a sul e a ocidente pelo Oceano e a oriente pelo Concelho de Oeiras.
A ocupação humana na área que hoje constitui o Concelho de Cascais parece remontar ao Paleolítico Inferior, como o atestam os vestígios encontrados a norte de Talaíde, no Alto do Cabecinho (Tires) e a sul dos Moinhos do Cabreiro. Durante o Neolítico assiste-se ao estabelecimento dos primeiros povoados e à utilização de grutas naturais (como as do Poço Velho, em Cascais) e artificiais (como as de Alapraia ou São Pedro), para o culto dos mortos. Os corpos são, então, aí depositados juntamente com oferendas votivas, prática que se manterá para além do Calcolítico.
Como testemunhos do período romano importa recordar as villae de Freiria (São Domingos de Rana) e de Casais Velhos (Charneca), assim como o conjunto de dez tanques descobertos na Rua Marques Leal Pancada, em Cascais, parte de um complexo fabril para a salga de peixe. O domínio romano também se faz sentir ao nível da toponímia (caso de Caparide, proveniente do latim capparis, que significa alcaparra) e através de algumas inscrições, maioritariamente funerárias.
A presença árabe legará abundantes topónimos, como, por exemplo, Alcoitão ou Alcabideche, terra natal do poeta Ibn Muqãna que, nascido no início do século XI, se referiu à sua vivência agrícola e aos seus moinhos de vento:

«Ó tu que vives em Alcabideche
Oxalá nunca te faltem
Nem grãos para semear,
Nem cebolas, nem abóboras.
Se és homem de decisão
Precisas de um moinho
Que funcione com as nuvens
Sem necessidade de regatos.»
Na segunda metade do século XII Cascais é uma pequena aldeia de pescadores e lavradores. O topónimo Cascais parece, mesmo, derivar do plural de cascal (monte de cascas), o que se deve relacionar com a abundância de moluscos marinhos aí existentes. Ainda assim, o território que actualmente alberga o concelho é sobretudo habitado no interior, denunciando a hegemonia das actividades agrícolas e o receio dos ataques dos piratas mouros e normandos.
Administrativamente dependente de Sintra, de cujo termo faz parte, Cascais, em consequência da privilegiada situação geográfica da sua baía, transformar-se-á num porto de pesca concorrido. Neste contexto, em 7 de Junho de 1364 os homens bons de Cascais obtêm de D. Pedro I a elevação da aldeia a vila que   «houvesse por si jurisdição e juízes para fazer direito e justiça e os outros oficiais que fossem cumpridores para bom regimento deste lugar», comprometendo-se a pagar anualmente à Coroa duzentas libras de ouro, para além daquilo que já despendiam, o que parece atestar a riqueza da região, certamente proveniente do pescado.
O castelo deve ter sido construído depois desta data, visto que em 1370, ano em que se forma o termo de Cascais, D. Fernando pode doar o castelo e lugar de Cascais a Gomes Lourenço de Avelar, como senhorio, sucedendo-lhe, entre outros, o Dr. João das Regras e os Condes de Monsanto, depois Marqueses de Cascais. Entretanto, apesar da conquista e saque do castelo pelos castelhanos em 1373 e do bloqueio do porto em 1382 e 1384, assiste-se ao crescimento de Cascais no exterior das muralhas e à criação, ainda nos finais do século XIV, das paróquias de Santa Maria de Cascais, São Vicente de Alcabideche e São Domingos de Rana.
O movimento da baía acresce no período inicial dos Descobrimentos e Expansão, ordenando D. João II, em 1488, a edificação de uma torre defensiva. É em Cascais que desembarca Nicolau Coelho, o primeiro capitão da armada de Vasco da Gama a chegar da Índia, no intuito de se deslocar até Sintra para informar o monarca da boa nova. Mais tarde, em 15 de Novembro de 1514, D. Manuel I concede o foral de vila a Cascais, o primeiro texto regulador da vida municipal, uma vez que persistia a utilização do foral de Sintra.  Já em 11 de Junho de 1551, por licença de D. João III, se institui a Santa Casa da Misericórdia de Cascais.
No ano de 1580 as tropas espanholas, sob o comando do Duque de Alba, desembarcam em Cascais, conquistando a fortaleza e saqueando a vila. Também sob o domínio filipino, em 1589, aquando da tentativa gorada da conquista de Lisboa conduzida por D. António, Prior do Crato, os soldados ingleses que o acompanham pilham a povoação.
Consciente das deficiências defensivas da região, D. Filipe I mandará levantar a Fortaleza de Santo António do Estoril e abaluartar a antiga torre joanina de Cascais, que passa a ser conhecida por Fortaleza de Nossa Senhora da Luz. Não obstante, após a restauração da independência, em 1640, procede-se à edificação de uma vasta linha defensiva no litoral concelhio, ampliando-se e restaurando-se as fortificações existentes e construindo-se mais de uma dezena de baluartes, sob a direcção do Conde de Cantanhede, encarregue da defesa da barra do Tejo, porta de acesso à cidade de Lisboa. De entre as estruturas então levantadas importa destacar a Cidadela de Cascais que, construída junto à Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, reforça consideravelmente a defesa deste ponto estratégico da costa.
Ainda que se tenha empenhado sobretudo no desenvolvimento do Concelho de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e depois Marquês de Pombal, apresenta-se como um dos principais defensores da vinha e do vinho de Carcavelos, devendo-se-lhe, ainda, a concessão de benefícios para a edificação da Real Fábrica de Lanifícios de Cascais, em 1774. Todavia, aquando do terramoto de 1 de Novembro de 1755 a vila fora quase totalmente destruída, hecatombe a que se seguirá a ocupação durante a primeira invasão francesa (1807-08) e o período das lutas liberais, sabendo-se que durante o reinado miguelista a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz será utilizada como prisão dos seus opositores. A decadência da povoação acentua-se, ainda, com a extinção das ordens religiosas instaladas no concelho e a retirada do Regimento de Infantaria 19.
A partir de 1859, com o início da construção da estrada ligando a vila a Oeiras e, depois, da estrada até Sintra, Cascais parece libertar-se da estagnação. Em 1868 surge o Teatro de Gil Vicente e dois anos depois a Família Real decide tomar banhos de mar em Cascais, adaptando os aposentos do Governador da Cidadela a Paço Real. A vila transforma-se na rainha das praias portuguesas, enquanto o surto vilegiaturista imprime um rápido desenvolvimento a toda a orla costeira concelhia, coadjuvado pela  inauguração do primeiro troço de caminho-de-ferro entre Cascais e Pedrouços, em 30 de Setembro de 1889.
É este o período do florescimento dos Estoris. Primeiramente o Monte Estoril, sob o impulso de uma poderosa companhia; depois São João do Estoril, onde triunfa um individualismo secundado pela fama dos Banhos da Poça. Desponta, ainda, a nova Parede, projectada por Nunes da Mata, pelo que as antigas povoações do interior tendem a secundarizar-se, fenómeno a que se associam, mesmo, sedes de freguesia como Alcabideche e São Domingos de Rana. Carcavelos mantém-se como terreno privilegiado para a vinha, não obstante o crescimento da localidade também dever ser explicado por intermédio da fixação da colónia britânica que desde 1872 explora o cabo submarino a partir da Quinta Nova de Santo António, depois dos Ingleses.
Finalmente, sob a visão de Fausto de Figueiredo e do seu sócio, Augusto Carreira de Sousa, surge, em 1913, o projecto do Estoril enquanto centro vilegiaturista de ambições internacionais. O início da I Guerra Mundial implicará atrasos consideráveis na sua concretização, pelo que só em 16 de Janeiro de 1916 se procede à colocação da primeira pedra para  a construção do casino.
Segue-se um período de intensa construção nas zonas conquistadas ao pinhal, às terras de lavoura e às pedreiras, facilitada, desde 1940, pelo fácil acesso rodoviário proporcionado pela estrada marginal, junto ao mar. O concelho assume-se, então, como centro turístico de primeira ordem, recebendo durante e depois da II Guerra Mundial um elevadíssimo número de refugiados e exilados, de entre os quais importa destacar os Condes de Barcelona, o Rei Humberto II de Itália, Carol II da Roménia e inúmeras figuras do panorama desportivo e cultural.
Ainda hoje Cascais continua a manter esta vocação de espaço de acolhimento, norteando a sua actividade turística e cultural pelos critérios de qualidade exigidos pelos seus frequentadores.
PARA SABER MAIS
Bibliografia sumária
ANDRADE, Ferreira de - Cascais, vila da corte: oito séculos de história, [Cascais], Câmara Muncipal de Cascais, 1964.
____, dir. - Monografia de Cascais, [Cascais], Câmara Municipal de Cascais, 1969.
Arquivo de Cascais: boletim cultural do município, [Cascais], Câmara Municipal de Cascais, n.ºs 1-12, 1980-1996.
BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts de; RAMALHO, Margarida de Magalhães - As fortificações marítimas da costa de Cascais, [Lisboa], Quetzal Editores, [2002].
COLAÇO, Branca de Gonta e ARCHER, Maria - Memórias da linha de Cascais, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1943.
CORREIA, J. Diogo - Toponímia do concelho de Cascais, Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 1964.
SILVA, Raquel Henriques da - Cascais, Lisboa, Editorial Presença, 1988.
Câmara Municipal de Cascais www.cm-cascais.pt

 

Cascais
http://www.strawberryworld-lisbon.com/lisboa

Tradicionalmente um pequeno porto de pesca, Cascais mudou muito nos últimos 100 anos para se tornar numa das localidades portuguesas preferidas pelos turistas. Cascais emana uma atmosfera cosmopolita sem perder o seu encanto natural.
A baía é a principal atracção de Cascais. Vale a pena passear nos passeios que rodeiam a baía e dar-se conta do contraste existente entre as cores garridas dos pequenos barcos de pesca e a sobriedade dos iates e barcos-à-vela ancorados na marina do clube de iates.
Depois de admirar a baía pode dar um pulinho até ao forte, ao Museu do Mar e ao fascinante Museu Conde Castro Guimarães, onde encontra também uma pequena praia privada. Neste último, pode ouvir alguns dos melhores concertos clássicos que acontecem com alguma regularidade em Cascais.
Se gosta de passear em parques, há um perto do museu onde pode tirar um minuto ou dois para relaxar debaixo da sombra que as árvores lhe dão.
No seu caminho de volta à baía, aproveite para partir à descoberta das ruas típicas de Cascais e para ver as tradicionais casas brancas, as magníficas calçadas e as antigas fachadas cobertas de azulejos.
Perder-se nos meandros de Cascais é uma experiência muito agradável, que lhe permite estar em contacto com recantos pitorescos e os seus pequenos, mas acolhedores, restaurantes, cafés e lojas, onde pode descansar até que lhe apeteça fazer-se à estrada de novo. Noutras partes desta localidade encontrará palácios antigos e luxuosas casas, cuja arquitectura é simplesmente magnífica e digna de ser examinada com mais atenção. O Forte de S. Jorge, reaberto em Dezembro de 2000, foi, em tempos, uma das estruturas defensivas mais importantes da costa de Lisboa e é hoje um museu militar. A fachada principal foi reconstruída com base em documentos que datam de 1796 e algumas das divisões do forte escolhidas para retratar cenas do que seria a vida quotidiana da época.
Mas, como costumamos dizer, para conhecer melhor qualquer área não há nada melhor do que deixar-se levar pela sua imaginação, dando a si mesmo a liberdade de se perder até ter vontade de encontrar o seu caminho novamente.

 

 

 
 

Loures – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Para a determinação do étimo de Loures, várias hipóteses se têm formulado, sem que o problema tenha ficado definitivamente resolvido.

Uns o relacionaram morfologicamente com Louredo, de Laurettu, e neste caso tratar-se-á de nome romano; outros viriam nele um dos muitos nomes germânicos, que aparecem na nossa toponímia, o que parece menos aceitável”.

 

Loures
http://enciclopedia.tiosam.com/enciclopedia
O sítio de Loures é muito antigo. Surge mencionado num documento de 1118, e de novo em 1191 (altura em que há também menções a Unhos e Sacavém). Terra essencialmente agrícola, aqui foram durante muito tempo produzidos alguns dos bens alimentares que eram depois trazidos para a capital (como por exemplo as alfaces, que ainda surgem representadas no brasão da freguesia em memória desse facto).
Desde cedo os habitantes de Loures foram apelidados de saloios. A primeira referência conhecida é num documento de 1170, assinado por D. Afonso Henriques, no qual concede certos privilégios e regalias aos mouros forros dos arrabaldes de Lisboa, apelidando-os de sallayos, palavra que com o decorrer do tempo evoluiu para saloio, e passou a designar o habitante dos campos situados ao norte da capital.
Loures foi elevada a vila em 1927 e a cidade em 1990. Curiosamente, o perímetro da cidade não corresponde à totalidade da extensa freguesia, mas apenas à sua parte urbana concentrada em torno das povoações de Loures, Infantado, Mealhada e Sete Casas. No entanto, só na superfície definida por estes lugares concentra-se mais de 60% da população da freguesia (cerca de 16 mil habitantes). Sítios como A-dos-Calvos, A-dos-Cãos, Pinheiro de Loures ou Ponte de Lousa são pequenas localidades cujo número de habitantes é relativamente menor, e cuja distância ao centro da freguesia é considerável.
Desta freguesia desmembraram-se as da Póvoa de Santo Adrião (então chamada Póvoa de Loures), em meados do século XVII, Caneças, em 1915 (actualmente, ambas estão integradas no concelho de Odivelas) e, mais recentemente, a de Santo António dos Cavaleiros (em 1989).

 

 

 

 

Lourinhã – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

          Lourinhã  é uma pequena e antiga vila ligada à História da Península Ibérica, rodeada de colinas e férteis vales. As ruas, com traçado tortuoso e gosto medieval. Na costa, o mar prateado de finas areias, que envolvem falésias recortadas e inexploradas baías.
          A Igreja de Santa Maria do Castelo, é um belo exemplar do gótico medicante do século XlV, assim como o cruzeiro da mesma época. A Igreja Matriz, pertenceu ao Convento dos Franciscanos, fundado em 1598, possui uma pintura do século XVl, e um retábulo de talha dourada do século XVlll.
          Nos arredores, temos o Forte de Paimogo, situado na praia do mesmo nome, e data de 1674.
          Tem belas praias, como a da Areia Branca, muito tranquila e de grande beleza; Porto de Barcas, grande centro de viveiros; Praia de Porto Dinheiro, aldeia de pescadores que vivem da apanha do marisco, e a praia é excelente para banhos.
                    Perto da Lourinhã. Fica o Vimeiro, pequena localidade ligada à batalha que terminou com a Invasão Francesa, em 20 de Agosto de 1808. É digno de visita o terreiro da batalha com o cruzeiro comemorativo.
          Romanos primeiro, senão outros, árabes a seguir e depois cristãos, a vila da Lourinhã está indelevelmente ligada à História da Península Ibérica. As ruas têm um traçado sinuoso ao gosto medieval, apenas a roupagem do casario mudou, não nos deixando recuar para além do século XlX ou, quanto muito, do século XVlll, se considerarmos o mal conservado Solar do Visconde de Palma de Almeida. A Misericórdia tem um portal manuelino interessante. A Igreja Matriz é um belo exemplar do século XlV e está implantada num monte sobranceiro ao casario, no mesmo sítio onde os árabes construíram o seu castelo. Nesta vila, que foi senhorio de João das Regras, podem ainda admirar-se os azulejos do século XVll do claustro do antigo Convento dos Recoletos Franciscanos. Na Igreja, Santo António tem a sua história contada em azulejos da centúria de Setecentos.
          Lourinhã fica perto de outras belas terras, como Atouguia da Baleia (01), Baleal, Consolação, Peniche, Serra d’El-Rei, Vimeiro e outras.
          Origem do nome (Prof. Dr. José Leite de Vasconcelos)
          "(...) logo relacionei mentalmente este nome com Lourinhã, e em ambos vi vestígios de vilas romanas, o primeiro como representante de uma vila "Laurini", o segundo como representante de uma vila "Lauriniana". Quando regressei a minha casa, integrei tais nomes no estudo que estava fazendo das vilas rústicas, e depois o incluí na Etnografia...
          O topónimo Casal de Lourim aparece já documentado em 1527. Laurini é o genitivo do cognome romano Laurinus ou de um genitivo derivado dele, isto é, Laurinius, e coloca-se ao lado de dezenas de outros, de origem romana ou germânica romanizada, acabados em "im", como Lalim, Lazarim, Gondim, Mondim.
          O topónimo Lourinhã, que no século XlV se dizia Lourinhãa (com dois aa, continuadores dos dois aa latinos, e nasal, continuadora do "n" intervocálico, e se artigo, que começou a tomar no século XVl, pelo menos), coloca-se, morfologicamente ao lado de Campanhã (indicado por Sampaio), de Ançã, indicado por mim...
          Podia eu ter posto no título do presente artigo não só Lourinhã, senão ao mesmo tempo Lourim; pus aquele, como mais importante, e por fazer pressupor este.
          À Lourinhã liga com ironia o vulgo, por longe, uma fantástica personagem chamada João Fernandes. É quase sepre sem forte razão que uns povos zomba de outros, o que tem origens várias...
          Quanto à vila estremenha, de quem me estou ocupando, vê-se que ela nos aparece de um nobre senhor da Idade-Média, Lourinho (aportuguesando) autêntico, e não fantástico, cujos pergaminhos entroncavam, pelo menos, em estirpe de romanos (...)".
           O concelho do litoral da Região Oeste, com 146 km2 e cerca de 23.000 habitantes, distribuídos por 11 Freguesias, está hoje servido de excelentes acessibilidades relativamente às principais cidades do país e a Lisboa, da qual dista 63 Kms.
          O surgimento do nome Lourinhã está, segundo algumas versões ligado à existência de uma povoação romana. No Século XII, já em plena reconquista, foi D. Afonso Henriques quem concedeu ao fidalgo francês D. Jordan as terras hoje conhecidas por Lourinhã pelos valorosos serviços prestados por este na conquista de Lisboa aos mouros.
          O primeiro foral da Lourinhã, dado por D. Jordan, não possui data certa, embora alguns historiadores o remetam para o ano de 1160, tendo sido sucessivamente confirmado por D. Sancho I, em Santarém, no ano de 1218 e por D.Afonso III, no ano de 1251. Um novo foral foi concedido por D. Manuel I, em 1512.
          Os seus 12 quilómetros de costa, onde se combinam belas praias, penhascos recortados e tranquilas baías, numa rota que o sol percorre, quente e luminoso, durante todo o ano, são de uma riqueza paisagística única.
          Estas condições naturais convidam à prática de diversos desportos náuticos, pesca desportiva, caça submarina, fotografia subaquática, surf ou, entre outros, o jet ski.
          O interior do concelho, caracterizado pela ruralidade da paisagem e harmonia das suas cores, dispõe de excelentes condições para umas férias tranquilas e repousantes. Aí se encontram vários estabelecimentos de turismo em espaço rural, onde se pode estabelecer um contacto directo com a natureza, com a vida agrícola e praticar diversas actividades como a equitação, ténis, BTT, caça, mini-golf, karting, ou simplesmente descansar.
          No seu património salienta-se a Igreja de Nª Srª da Anunciação ( também conhecida por Igreja de Santa Maria do Castelo), a Igreja da Misericórdia , o Convento e Igreja de Santo António, o Forte de Paimogo, o Parque da Fonte Lima, o Museu da Lourinhã ou ainda ,entre outros, o Padrão Comemorativo da Batalha do Vimeiro, onde o exército Anglo-Luso venceu as tropas napoleónicas comandadas pelo general Junot em 21 de Agosto de 1808 durante a 1ª Invasão Francesa. 
          O Museu da Lourinhã
          Está situado bem no centro da vila da Lourinhã desde a sua fundação em 1984 pelo G.E.A.L., associação não governamental e sem fins lucrativos.
          O seu espólio, oriundo de dádivas da população e de trabalhos de campo, é composto por quatro secções: Arqueologia, Arte Sacra, Etnografia e Paleontologia distribuídas por dois pisos.
          Este Museu possui a maior colecção ibérica de fósseis de dinossauros do Jurássico Superior e uma das mais importantes a nível mundial, naquele que já foi considerado "o melhor pequeno Museu do Mundo para o financiamento que recebe" (Neil Clark, Revista Expresso 1997.
          Entre estes fósseis com 150 milhões de anos encontram-se vários vestígios de dinossauros carnívoros como o Lourinhanosaurus antunesi, dos gigantescos herbívoros como o Dinheirosaurus lourinhanensis ou dos vários ovos fósseis de dinossauro carnívoro contendo os mais antigos embriões de dinossauro de todo mundo e o segundo maior ninho conhecido, com mais de 100 ovos.
          O Museu expõe um série de dinossauros que são os únicos exemplares conhecidos destas espécies. Também é possível observar fósseis diferentes invertebrados, peixes, crocodilos, pterossauros, tartarugas, mamíferos, etc. de diversas idades geológicas .
          A este museu deslocam-se, por ano, 16.000 visitantes e várias dezenas de cientistas de todo o mundo.
          O Museu da Lourinhã também possui o maior espólio etnográfico da Região Oeste com a representação de profissões antigas como o correiro, segeiro, pitrolino, amolador, tanoeiro, etc. sendo uma valiosa herança da cultura regional e nacional.
          Entre as diversas peças da colecção de Arte Sacra destaca-se uma maquete do séc. XIX de uma magnífica basílica nunca construída.
          (01)- Atouguia da Baleia: "O sobrenome "da Baleia" usa-o desde 1526, porque nesse ano deu à costa, na praia próxima da vila, um desses cetáceos, medindo mais de 20 metros de comprido. No reinado de D. Pedro 1º criavam-se nas terras realengas grandes manadas de touros, pelo que era vulgarmente denominada aquela região "Atouria" ou "Touria", donde com o decorrer dos tempos se fez Atouguia. Esta opinião é do erudito J. de Vilhena Barbosa; todavia, parece-nos pouco curial, porque existindo a povoação já nos primeiros reinados, é de crer que não fosse anónima até D. Pedro 1º.
          (Domingo Ilustrado – 1897)".
          "Primeiramente conhecida por Touria ou Atouria, tirava o seu nome das grandes pastagens de touros, no tempo em que D. Pedro 1º tinha sua residência no paço da Serra d’El-Rei. Com o tempo foi-se corrompendo, ficando Atouguia.
          Foi esta vila povoada por Winhem Lacorne, fidalgo francês, a quem D. Afonso Henriques a doara, por virtude deste cavaleiro o ter auxiliado na conquista de Lisboa.
          (...) passou a chamar-se Atouguia da Baleia, pelo facto de, em 11 de Fevereiro de 1526, ter dado à costa uma baleia, no sítio chamado da Areia Branca, onde foi enterrada"
          (Dr. Rocha Martins – 1936)".
          (02) Baleal:- "Ainda é uma aldeia-paraíso, resistindo às desgraças urbanísticas originadas do outro lado da língua de areia que lhe dá acesso na baixa-mar. O areal cresce para Norte até à Foz do Arelho e para Sul até Peniche de Cima. No meio, situa-se a "ilha-península" do Baleal, à sua frente a Ilha dos Pombos, depois o ilhéu de Fora e o Oceano Atlântico. É uma das mais belas praias do litoral estremenho, de acesso a seco na maré vazia e a vau ou de barco quando as águas já não permitem a curta caminhada. Formam a aldeia uma rua que vale a pena subir até à capela, dos raros exemplares portugueses com forno colectivo para cozedura de pão, outra para descer pela costa Sul, e muitas casas, uma foram de pescadores, outras de veraneantes".
          (03) Consolação:- "Na costa Sul de Peniche, para lá do Medão Grande, Consolação é uma das praias de grande beleza – a outra  é São Bernardino – a que se pode chegar por Casal do Moinho. A praia da Consolação fica ao fundo da aldeia, junto ao Forte de Nossa Senhora da Consolação. O forte que existiu aqui encontra-se em ruínas, ao contrário do que sucede com o Convento de São Bernardino, dos Franciscanos e depois dos Loios, vendido pela Ordem em 1834".
          (04) Peniche:- "Para além dos vestígios pré-históricos, que fazem recuar a tempos remotos a origem da presença humana na pequena ilha chamada Peniche, é já do tempo do romanos a documentação mais antiga que lhe diz respeito. Terá sido lenda a sua evolução, até por D. Afonso Henriques ter sido cedida, com a povoação próxima de Atouguia da Baleia, ao cruzado Guilherme de Corni. Manteve-se durante muito tempo isolada do litoral e serviu de refúgio a alguns raros pescadores. A partir do século XV as areias surgiram pouco a pouco, acabando por formar um istmo que passou a ligar Peniche aos terrenos continentais fronteiros. O Aumento da sua população e o desenvolvimento progressivo da actividade pesqueira e mercantil justificara que, no princípio do século XVll, Peniche tivesse sido elevada à categoria de vila, herdando a importância que Atouguia da Baleia tivera até então. A antiha ilha e agora península de Peniche, foi fortificada pela primeira vez em meados do século XVl, no tempo do rei D. João 3º. Depois de 1640, transformou-se e praça-forte. O Forte da Cabana, o Forte da Luz, o Forte da Consolação e o Forte de São João Baptista (este na Ilha da Berlenga) constituíam, juntamente com a cidadela, a malha defensiva deste sector da costa portuguesa. Não muito longe, 12 Km a poente da costa, erguem-se das águas oceânicas uma ilha, a Berlenga Grande, e, mais ou menos perto, ilhéus, rochedos e recifes, como a Berlenga Pequena, as Forcadas e os Farilhões, restos de terra firme que ficaram aqui a atestar as alterações sofridas pelo litoral em eras muito remotas. A tentação de as visitar é inevitável, nomeadamente a primeira, por ter mais fácil acesso e maior área, e também por nela existirem, além do farol, um pequeno bairro de pescadores, um restaurante, uma pousada instalada no Forte de São João Baptista e área onde é possível acampar. Na vegetação que a cobre pode encontrar-se uma raridade, uma espécie de saudade, a "Armeria berlingensis", que só aqui existe, e também o chorão (Carpobrotus edulis), de origem sul-africana. Em relação à fauna, não faltam oportunidades na Berlenga para ver as aves que habitam na ilha e nas outras formações rochosas próximas, entre as quais predominam as espécies migradoras. Merecem ser visitadas, pelo menos duas igrejas: a de Nossa Senhora da Ajuda, perto da entrada da vila, e a de Nossa Senhora da Conceição, que não fica muito longe da matriz. A Pedra da Nau, a que chamam a Nau dos Corvos, é uma escultura natural fabulosa, na qual pousam, dando-lhe vida, os corvos-marinhos que por ali voltejam".
          (05) Serra d’El-Rei:- "Tem um nome que evoca a nossa História. Foi D. Pedro 1º quem, no século XlV, aqui edificou uns paços onde residiam para pescarias e caçadas, D. Fernando e D. João 1º. Na vasta propriedade realenga pouco resta a assinalar para além da toponímia, mas dos paços, apesar das alterações sofridas, ainda subsiste uma construção que tem um portal na fachada que dá para o largo, já do tempo dos Ataídes, além das janelas com interesse, viradas para esse largo e para a estrada que lhe passa junto. No pátio interior vêem-se outras janelas, de estilo manuelino. No edifício ainda se encontram restos do passado, como uma sala abobadada do século XlV. E recinto apropriado, os reis faziam criação de pavões, aves heráldicas que tanto agradavam às cortes desses tempos. A Igreja de São Sebastião fica a Sul, ao lado da estrada".
          (06) Vimieiro:- Dominado pela época balnear e pelo período termal, o Vimeiro vale sobretudo pela cercadura natural que envolve a povoação. O seu nome ficou célebre por aqui se ter travado, em 20 de Agosto de 1808, a batalha que pôs termo à 1ª Invasão Francesa. Um peque padrão, erigido em 1908, assinala a vitória de Wellington, comandando as tropas portuguesas e inglesas, sobre as forças de Junot".

Lourinhã
http://www.cm-lourinha.pt
Desde o Paleolítico, cujos testemunhos encontramos por todo o concelho, passando pelo Neolítico, até aos nossos dias, os homens sempre ocuparam as terras da Lourinhã, aqui deixando marcas da sua passagem.
Ao longo dos milénios, foram chegando sucessivamente os Iberos, os Celtas, os Fenícios, os Gregos, os Túrdulos, os Cartagineses e, por volta do ano 220 a.c., os Romanos. Estes últimos, segundo algumas versões, estão directamente ligados ao surgimento do nome Lourinhã, pois uma vila romana estaria na sua origem. Existem, porém, outras posições e teorias sobre a génese e o surgimento do nome do concelho. Uma dessas teorias aponta para a origem francesa do primeiro donatário da Lourinhã, D. Jordan, natural de uma região banhada pelo rio Loir.
D. Afonso Henriques concedeu terras a D. Jordan, como recompensa pelos serviços prestados na conquista de Lisboa aos mouros, no local onde hoje se instala a Lourinhã, e autorizou-o a conceder foral aos seus habitantes, em 1160. A concessão do foral, posteriormente confirmada por D. Sancho I em Santarém, no ano de 1218 e por D. Afonso III, em 1251, foi um marco na história da Lourinhã, e um factor que instituiu a paróquia e o próprio concelho. Note-se que a paróquia de Santa Maria da Lourinhã, que passou posteriormente a ser designada Nossa Senhora da Anunciação, foi uma das mais ricas da Diocese de Lisboa e do próprio território nacional. Exemplo desse facto é a monumentalidade da Igreja de Santa Maria do Castelo, de estilo gótico, datada da segunda metade do século XIV, e que apresenta duas fases de construção, sendo a 1ª atribuída a D. Jordan, e a segunda a D. Lourenço Vicente, Arcebispo de Braga, natural da Lourinhã.  
Outros edifícios como o Convento de Santo António (pertencente à Ordem Franciscana e datado de 1598) e a Igreja da Misericórdia (fundada por alvará de D. Filipe II, do ano de 1598, e detentora de rico espólio museológico) são testemunhos de toda a religiosidade da população. O Forte Paimogo (elemento integrante da Linha Defensiva da Costa Portuguesa, construído em 1674, no reinado de D. Afonso VI) e o Monumento Comemorativo do Centenário da Batalha do Vimeiro ( testemunho da batalha travada, em 21 de Agosto de 1808, entre as tropas anglo-lusas e as tropas francesas comandadas por Junot) ilustram bem a importância estratégica do concelho.
A autonomia do concelho da Lourinhã manteve-se praticamente intocável ao longo dos anos. Apesar da sua extinção ter sido decretada em 1867, este foi reinstaurado passado cerca de um mês, factor motivado pela revolta do povo que se insurgiu contra a perda de autonomia. A consciencialização dos Lourinhanenses acerca da importância da preservação do concelho, terá originado vários factores potenciadores do seu crescimento, como foi o caso da fundação de uma Comissão responsável pelo desenvolvimento da Lourinhã, estabelecida por pessoas influentes na sociedade da época. Fechado sobre si próprio, o concelho detinha, em finais do século XIX, uma população que se dedicava essencialmente à agricultura. O isolamento começou a quebrar-se com a construção e reconstrução de estradas e com a reforma de pavimentos de ruas e largos. Construiu-se a primeira rede de esgotos, e outras obras foram realizadas no sentido de melhorar as condições de vida das populações. Os passos dados no sentido da alfabetização conduziram à construção de Escolas Primárias e, em 1875, existiam equipamentos escolares na Lourinhã, Moita dos Ferreiros, Moledo, Reguengo Grande e Miragaia. O progresso começou a tomar conta da vida dos lourinhanenses, e o final do século XIX ficou marcado com a concretização de uma velha aspiração - a criação de uma comarca na Lourinhã.
No século XX, rasgaram-se estradas, aproveitaram-se as potencialidades da Praia da Areia Branca, distribuiu-se domiciliariamente água, estabeleceu-se a rede de iluminação pública, entre muitos outros acontecimentos, que tornaram a Lourinhã um concelho com os equipamentos necessários para proporcionar aos que nele habitam qualidade de vida e bem-estar social.

 

 

 



 

Mafra – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

A povoação já devia existir durante o domínio romano, embora se ignore qual o seu topónimo. No século lX já tinha o nome actual, que se supõe derivar da palavra árabe “mahafra” (que quer dizer cova), embora esta tese tenha sido muito contestada.

Conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1146 ou 1147, Mafra é uma das mais antigas vilas de Portugal. D. Sancho l, na doação que dela fez em 1189, ap bispo de Silves, D. Nicolau, atribui-lhe esta qualificação. Neste mesmo ano o donatário concedeu-lhe o seu primeiro foral. Em 1193, foi doada à Ordem de Calatrava. D. Afonso ll confirmou em 1218 esta doação. Tendo regressado à posse da Coroa, D. Dinis concedeu-a em 1289 a D. João Fernandes de Lima, em troca da vila, castelo e senhorio de Portel. Mais tarde, em 1513, recebeu foral nove outorgado por D. Manuel l.

Nos primeiros tempos da sua existência, a vida de Mafra terá gravitado em torno da vila velha e do antigo castelo, nas proximidades da Igreja de Santo André. No século XVlll o pólo de atracção tornou-se o convento, nas imediações do qual surgiu a vila nova.

Após três anos de casamento, a rainha Maria Ana, mulher de D. João V, dava à luz o seu primeiro filho, em Dezembro de 1711.

Segundo Frei António de São José, sabendo das preocupações dos seus reis, fez uma profecia em que garantia um filho ao rei se este erguesse um grande convento em Mafra.

O rei acedeu e, animado pelo ouro do Brasil, escolhe o projecto do arquitecto Ludovice e determina a construção, do enorme edifício, que viria a ficar concluído dezoito anos mais tarde.

Começou essa obra gigantesca, em que chegaram a trabalhar 45 mil operários, em 1717, e só com as festas do lançamento da primeira pedra nos alicerces se gastaram oitenta contos (da época).

O convento tem duas torres, de 70 metros de altura, tendo a do norte 56 sinos e 54 a do sul. Em ambas as torres há 45 mil quilos de metal, pesando o sino das horas 12 mil quilos e o respectivo martelo, 300 quilos.

Conta-se que, havendo D. João V encomendado apenas o maquinismo de um carrilhão, ao ser-lhe pedida pelo construtor a quantia de dois milhões de cruzados, encomendou logo um segundo, nestes termos: “Visto ser tão barato, quero dois carrilhões, em vez de um”.

O convento possui 5.200 portas e janelas. Desde 1834, data em que foram extintas as ordens religiosas em Portugal, tem-lhe sido dadas diversas aplicações.

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Podemos fixar para aquém do século Xll, as seguintes nomenclatura toponímicas da vila de Mafra: Mahafara, dos árabes; Malfora, de Inocêncio lll; Mafara, de D. Afonso ll, na carta de Coimbra, de 1218, e finalmente Mafra, com Camões, Lusíadas, C. lll: « A estas nobres vilas submetidas ajunta também Mafra em pouco espaço». E Mafra ficou. Compõe-se a vila de duas partes distintas: a velha, erecta à volta das muralhas do castelo, e a nova, que germinou e se desenvolveu à sombra do convento.

A posição da vila é numa cova. Daí, segundo Frei João de Sousa, o nome do povoado – Mahafara, a cova, do verbo hafara, cavar.

Mas a origem deste onomástico é negado pelo Prof. David Lopes, por não reputar certa, nem a etimologia, nem a sua obediência às formas antigas”.

 

Mafra
http://www.cm-mafra.pt/concelho/

Com uma área de cerca de trezentos km2 , o Concelho de Mafra é constituído por 17 freguesias:
Azueira, Carvoeira, Cheleiros, Encarnação, Enxara do Bispo, Ericeira, Gradil, Igreja Nova, Mafra, Malveira, Milharado, S. Miguel de Alcainça, Santo Estevão das Galés, Santo Isidoro, Sobral da Abelheira, Venda do Pinheiro e Vila Franca do Rosário.
Pelas suas condições naturais, económicas, sociais e culturais, Mafra é, desde há muito, local privilegiado de escolha para fixação das populações.
Famoso pelo imponente Palácio-Convento, este Município tem uma história que remonta ao Neolítico. Desde a época megalítica até aos romanos, uma série de vestígios arqueológicos confirmam a passagem dos mais diversos povos pela região. Da época dolménica, as antas da Azueira; dos romanos, toda a freguesia da Carvoeira; de outros povos, a toponímia.
Mafra sempre se caracterizou por uma intensa vida social. Os seus mercados, desde tempos imemoriais, constituíram ponto de encontro de gentes e culturas. Das povoações do interior, os saloios deslocavam-se aos núcleos urbanos para trocar mercadorias e notícias. As feiras e romarias rivalizavam em cor e riqueza com as reuniões da corte.
Esta tradição mantém-se forte no Concelho de Mafra. As festas populares continuam a concorrer para a manutenção da identidade de uma comunidade consciente da riqueza histórica da sua tradição e especificidade.
A modernidade trouxe para o Município novos modos de viver e de estar. Os centros balneares da costa atlântica animam-se no Verão, sobretudo aos fins-de-semana, com uma população que busca o retorno à natureza. Tal como no passado, o Concelho continua a ser ponto de reunião e pólo de atracção no espaço metropolitano e no contexto nacional e internacional.
Mafra encontra-se hoje na confluência das rotas do Oeste. De um lado, a ligação à Estremadura. Do outro, a ligação a Lisboa, Sintra e Cascais. Na charneira das rotas comerciais de uma região rica e diversificada, o Concelho ganha, no presente, uma nova dimensão e centralidade na área metropolitana.

 

Mafra
http://www.mafra.net/ericeira

Reza a lenda que o nome Ericeira significa, na origem, "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que abundavam nas suas praias. No entanto, investigações mais recentes apontam o ouriço caixeiro e não o do mar como inspirador do nome. Com a descoberta de um exemplar do antigo brasão da Vila, hoje no Arquivo-Museu da Misericórdia, confirmou-se que o animal ali desenhado é, de facto, um ouriço caixeiro, espécie que evoca a deusa fenícia Astarte. O que dá razão à tese anteriormente avançada por Manuel Gandra, segundo a qual a origem do povo da Ericeira remonta aos fenícios.
A história da Ericeira remonta, assim, a cerca de 1000 a.C. O seu primeiro foral data de 1229, concedido pelo então Grão-Mestre da Ordem de Aviz, Dom Frei Fernão Rodrigues Monteiro, que assim instituiu o Concelho da Ericeira.
É na carta de foral que surgem as primeiras referências aos pescadores da Ericeira, estando bem presente o cuidado do legislador em acautelar os direitos e deveres dos que se encontravam sujeitos às tutelas dos donatários:"(...) Quanto aos pescadores, dêem a vigésima parte do pescado que matarem no mar. De doze peixes, levem um para conduto antes de darem a vigésima parte, e se matarem congro, comam-no. Do pescado que encontrarem morto, não paguem foro. De baleia, dêem a vigésima parte. De toninhas e delfins sem impedimento, em ocasiões de fome (...)".
No século XIII, a baleia, toninha e delfim eram as espécies mais pescadas, tendo dado lugar, já no século XVI, à raia, ao rodo valho e à pescada. Em 1547, D. João III concede aos pescadores ericeirences a permissão de venderem o peixe "a olho" e não "a peso", costume que ainda há 30 anos se mantinha.
 Novas cartas de foro concedidas por D. Afonso IV, em 1369, e por D. Manuel I em 1513, vieram nobilitar a vila concelhia, doada pelo mesmo D. Manuel ao infante D. Luis e por este ao seu filho natural D. António, prior do Crato, forte opositor à tomada do poder real por Filipe II de Espanha. Em 1589, no Forte de Milreu, D. António fez uma gorada tentativa de desembarque de tropas com o objectivo de conquistar o poder.
Quatro anos mais tarde dá-se um episódio que ficou conhecido por "o Rei da Ericeira": um jovem ermitão da Capela de S. Julião, a sul da Ericeira, faz-se passar por D. Sebastião, o rei vencido em Alcácer Quibir, coroa a mulher como rainha, distribui benesses e castigos e concede títulos de nobreza. Acaba na guilhotina e os seus apoiantes nas galés.
Em 1855, na sequência de uma reordenação administrativa do território, a Ericeira deixou de ser concelho para ficar na dependência de Mafra, sede concelhia até aos dias de hoje.
 Deve-se ao porto da Ericeira o desenvolvimento da vila, noutros tempos habitada quase só por gente do mar, que formou durante muitos séculos um grupo étnico-geográfico denominado jagoz, diferenciado dos restantes habitantes da região Saloia. O movimento comercial do porto da Ericeira tornou-o num pólo fundamental da economia da região. Relatos datados de 1834 dão conta de que nesse ano ali fundearam 175 embarcações, que ora transportavam produtos para a vila - principalmente cereais - que de ali eram distribuídos para o interior do país, ora os exportavam para os portos do Algarve, ilhas e outros - especialmente vinhos e seus derivados.
A Alfândega da Ericeira abrangia então uma área que se estendia de Cascais à Figueira da Foz, sendo o seu porto considerado o quarto mais importante do país, atrás dos de Lisboa, Porto e Setúbal. Com a construção do caminho-de-ferro do Oeste e o desenvolvimento dos transportes terrestres, o porto da Ericeira foi perdendo importância. Nos finais do século XIX instalaram-se na vila armações fixas de pesca da sardinha que vieram alterar as antigas características piscatórias, mas que tiveram um papel sócio-económico importante, chegando a empregar, só na faina do mar, à volta de 500 homens.
Mas se a vila deixou ao longo do século XIX de ser um entreposto comercial, nunca perdeu a visita de "forasteiros", desta vez de veraneantes que passaram a procurá-la devido às suas características climáticas e ao alto teor de iodo das suas praias. Charles Lepierre, engenheiro químico, considerou-as, há 50 anos, como "o fulcro da maior concentração de iodo de toda a costa portuguesa". Hoje, a Ericeira continua a ser uma das zonas do litoral do país mais procuradas para banhos. 
O episódio da fuga de D. Manuel II para o exílio, da Praia dos Pescadores, na Ericeira, tornou-se num marco da história da vila no último século. Eram cerca das 15 horas do dia 5 de Outubro de 1910 quando D. Manuel II, então com 20 anos, acompanhado da mãe, a rainha D. Amélia, e da avó, a Rainha D.Maria Pia, vindos de Mafra, surgiram de automóvel na vila para embarcarem no Iate D. Amélia, fugidos da revolução republicana que estalara na véspera em Lisboa. Os pormenores do que se passou naquele dia na Ericeira são-nos relatados por Júlio Ivo, presidente da Câmara Municipal de Mafra no tempo de Sidónio Pais, e que em 1928 inquiriu a população da vila:"(...) os automóveis pararam e apeou-se a Família Real, seguindo da rua do Norte para a rua de Baixo, pela estreita travessa que liga as duas ruas, em frente quase da travessa da Estrela (...) Ao entrar na rua de Baixo, a Família Real ia na seguinte ordem: na frente El-Rei D. Manuel; a seguir, D. Maria Pia, depois, D. Amélia (...) El-Rei e quem os acompanhava subiram para a barca, valendo-se de caixotes e cestos de peixe (...) O sinaleiro fez sinal com o chapéu, e a primeira barca, Bomfim, levando a bandeira azul e branca na popa, entrou na água e seguiu a remos, conduzindo El-Rei (...)
A afluência nas Ribas era imensa. Tudo silencioso, mas de muitos olhos corriam lágrimas (...) El-Rei ia muito pálido, D Amélia com ânimo, D. Maria Pia, acabrunhada (...) Ainda as barcas não tinham atracado ao iate, apareceu na vila, vindo do lado de Sintra, um automóvel com revolucionários civis, armados de carabinas e munidos de bombas, que disseram ser para atirar para a praia se tivessem chegado a tempo do embarque (...)".

 

 

 

 

 

Odivelas – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Odivelas
http://www.cm-odivelas.pt/Site/Freguesias/Odivelas

No Convento do Carmo existe uma lápide que foi levada, em 1870, de Odivelas, pelo Arquitecto Possidónio da Silva. Essa inscrição é um documento precioso, para esta freguesia e a prova da sua antiguidade. Nela se pode constatar que o primeiro pároco desta igreja foi João Ramires, o qual faleceu no ano de 1183, da era de Cristo. A inscrição está em latim e datada da era de César, que nós já revertemos, aqui, para a de Cristo.
O arquitecto Gustavo Marques, que descobriu esta lápide, é de opinião que o padre João Ramires terá sido um dos guerreiros que veio com D. Afonso Henriques em 1147, para conquistar Lisboa. Se assim for, Odivelas terá oito séculos de história.
A estrutura do povoado medieval ainda hoje está perfeitamente visível. Duas ruas o constituíam - partindo da igreja, na Rua Direita, hoje Rua Guilherme Gomes Fernandes, vinha encontrar-se com a Rua Esquerda, hoje Rua Alberto Monteiro, no Cruzeiro.
Em frente à Igreja, fechavam o circuito. O povoado desenvolveu-se em torno da
Matriz e terá crescido, posteriormente, em direcção ao Mosteiro de S. Dinis, junto do qual se regista um aglomerado de pequenas habitações, testemunho de outras, suas ancestrais.
A actual Igreja Matriz é o resultado de sucessivas reconstruções. No século XVII, sofreu obras que lhe deram a estrutura que tem hoje, reconhecendo-se que recebeu beneficiações e arranjos significativos, no século XVIII.
Na área desta Freguesia houve muitas quintas que, sendo inicialmente de nobres e do clero, mudaram de donos, ao longo dos séculos, até acabarem em lotes de terreno para construção urbana. Confrontado com a povoação, e todas próximas, havia a Quinta de Vale de Flores, que foi do Rei D. Dinis, a Quinta da Memória que, no século XVII era propriedade do Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles e a Quinta do Miranda que, no mesmo século, pertencia a D. Gil Vaz Lobo e acabou por ter o nome de Quinta do Mendes, no Século XX.
Além destas, muitas outras existiram, restando-nos hoje a Quinta dos Pombais, onde residem ainda os seus proprietários. É desejável que estas quintas se conservem, pois são um testemunho do nosso passado.
O nome desta terra, ligou-o o povo ao rei Lavrador. É da tradição oral que o monarca saía muitas vezes, à noite, tentando não ser notado, para vir ao seu Real Mosteiro. A Santa Rainha, porém, sempre silenciosa mas atenta, reagiu com sabedoria e discrição. Certa noite, na companhia de suas damas, veio até ao Lumiar e pararam, de archotes acesos, num sítio onde sabiam que o rei costumava passar, a fim de lhe "alumiarem" o caminho. Daí veio o nome de "Lumiar", mas também o nome de "Odivelas" porque Dona Isabel, sempre generosa e condescendente, disse a seu Real Esposo, quando passou junto dela - "Ide vê-las". E, daqui, se formou o nome - Odivelas.
Em relação a estas histórias brejeiras sobre este nosso Rei, nenhum historiador ou cronista nos dá indícios de terem existido factos que as fundamentem. D. Dinis, sedutor e galanteador como poucos, o que é confirmado pelas suas "cantigas de amigo", manteve relações amorosas com várias "damas da nobreza" e os seus nomes e famílias são referidos nos documentos e nos textos dos historiadores, mas nenhuma dessas senhoras viveu em Odivelas.
Os linguistas justificam doutra forma o nome desta cidade, dizendo que veio do árabe "uadi-bélaa". Esta expressão, traduzida para português, significa "rio da Ola", ou rio do remoinho, em linguagem mais simples.
Quanto à sua evolução administrativa, a Freguesia de Odivelas, antes de 1852, pertencia ao 4º. Bairro de Lisboa, passando de seguida ao Concelho de Belém. Com a extinção deste, Odivelas fica anexada à Freguesia da Póvoa de Santo Adrião de 28 de Julho a Outubro de 1886.
Odivelas foi elevada a vila a 3 de Abril de 1964 e a cidade em 13 de Julho de 1990. É sede de concelho desde Novembro de 1998.
O seu orago é o Santíssimo Nome de Jesus.
Bibliografia
 "Odivelas Uma Viagem ao Passado" de Maria Máxima Vaz
Este livro está disponível, por 8,00 €, através do telefone 96 266 77 71

Odivelas fez parte do Termo de Lisboa até 1852. Foi depois integrada no concelho de Belém e, suprimido este em 1885, no dos Olivais. No ano seguinte, por extinção deste último município, acabaria por ser integrada no recém-criado município de Loures.
Foi elevada a vila em 1964, a cidade em 1990, e tornou-se sede de concelho em 1998, por desanexação de Loures. Até Julho de 2001, a sua designação oficial era Odivelas (Lumiar e Carnide).
Zona essencialmente residencial, Odivelas tornou-se, a partir de meados dos anos 60 do século XX, uma das freguesias mais populosas do concelho de Loures - cobria então cerca de 18 km² e tinha uma população que rondava os 80 mil habitantes. De Odivelas acabaram por se separar as freguesias Pontinha em 1985, e as de Famões e Ramada em 1989, dando seguimento a uma tendência que se verificava no resto do concelho de Loures, de aproximar eleitores e eleitos, através da criação de novas entidades político-administrativas. Mas nem isso fez com que o número de habitantes baixasse significativamente, permanecendo ainda hoje relativamente elevado. Aliás, hoje em dia fala-se mesmo numa nova divisão da cidade, por forma a criar mais duas novas freguesias - a Arroja e as Patameiras/Pombais. No entanto, ao contrário, das áreas correspondentes às freguesias já criadas, estas últimas encontra-se dentro dos limites urbanos da Cidade de Odivelas, tidos como aceites, pelo que tal criação não pode constituir um acto isolado, só fazendo sentido no contexto de uma reorganização administrativa da totalidade da cidade. Assim, afigura-se como mais viável uma solução que passa pela criação das seguintes freguesias urbanas (de forma aproximada): Memória (no núcleo central da Cidade), Arroja, Patameiras (ou Pombais), Vale do Forno e Amorosa (área da Codivel, Edec, Bairro dos Cágados, Chapim e Ribeirada). Alegações de uma má distribuição dos investimentos levados a cabo pelo Município de Loures, que prejudicariam a área sudoeste do concelho (envolvente de Odivelas) levaram ao desenvolvimento de um sentimento autonomista, que esteve na génese do MOC (Movimento Odivelas a Concelho), e que culminou na criação do Município de Odivelas, em 19 de Novembro de 1998 (publicação na Lei n.º 84/98 de 14 de Dezembro).

 

Odivelas
http://www.cm-odivelas.pt/Site/Concelho
O Mosteiro de S. Dinis, fundado pelo Rei D. Dinis, vê iniciada a sua construção em 1295.
Existem duas versões que justificam a sua construção.
Segundo a História, o monarca construiu este mosteiro, para nele acolher a sua filha D. Maria Afonso, cuja família materna possuía paço no Lumiar. Esta infanta morre ainda adolescente.
A tradição conta-nos que, andando o rei à caça na zona de Beja (ou de A-da-Beja, noutra versão), foi atacado por um corpulento urso que, investindo contra o cavalo, deitou por terra o monarca. Ao invocar os protectores S. Dinis e S. Luis, bispo de Tolosa, para sua defesa, prometeu fundar um mosteiro se conseguisse sair ileso daquele perigo. Puxou do punhal que trazia à cinta, cravou-o no coração da fera que logo ficou sem vida.
A primitiva construção do Mosteiro de S. Dinis era, na sua totalidade em estilo gótico.
A igreja do mosteiro compunha-se de três naves, flanqueada por duas torres. Desta construção inicial, restam as capelas absidais, dois dos lances do claustro novo, e o claustro da Moura.
Com os sucessivos restauros efectuados, o Mosteiro começa a perder a primitiva pureza de linhas, por volta do século XVI. Identificam-se as portas do claustro em estilo Manuelino, a fonte Renascentista, as capelas quer de mármore, quer de estilo barroco, as alpendradas, o revestimento das paredes a azulejo, já em 1671, que caracteriza quer o exterior, quer o interior, nomeadamente os núcleos da antiga cozinha do convento, do refeitório das freiras, da alpendrada, do nartex e da portaria.
No séc. XVIII, depois do terramoto, fizeram-se obras que não respeitaram a traça gótica, utilizando-se o estilo neo-clássico, quer na igreja, quer nos lanços do Claustro.
A este mosteiro, estão associadas figuras históricas para além do seu fundador Rei D. Dinis, cujo túmulo datado da primeira metade do séc. XIV, se encontra na capela absidal do lado do Evangelho. Neste mosteiro morreu a rainha D. Filipa de Lencastre, refugiou-se uma outra D. Filipa de Lencastre, filha do infante D. Pedro, após a batalha da Alfarrobeira, viveu segundo as normas do ideal ascético, a irmã de D. João II, princesa Santa Joana.
O Mosteiro de S. Dinis, era de freiras bernardas, da Ordem de Cister. As residentes eram filhas da nobreza, que não casavam por não disporem de bens, quando a família não lhes atribuía um dote. Não estando prometidas em casamento a algum nobre, as raparigas recolhiam à sombra protectora dos mosteiros, enriquecidos com as doações dos reis e dos nobres, para aí levarem uma vida segura, em termos económicos.
A protecção das recolhidas do Mosteiro de Odivelas, era quebrada com as visitas dos reis a raparigas de seu agrado; quer D. Dinis, quer o rei D. João V frequentavam o convento, sendo que a célebre Madre Paula, era mãe de um dos filhos de D. João V.
Em 1834 extinguiram-se as ordens religiosas, durante a Monarquia Constitucional, e em 1902 o convento foi entregue ao infante D. Afonso que nele promoveu a instalação do actual Instituto de Ensino.
É Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910.

Nossa história remonta ao século XVIII, quando D. João V reinava como soberano absoluto em Portugal. Muito inteligente e instruído, com predileção por matemática e música, o rei era casado com a Arquiduquesa D. Maria Ana da Áustria, filha do Imperador Leopoldo I. Embora muito religioso, rompeu relações com a Santa Sé no pontificado de Bento XIII, por se considerar agravado. Na verdade, sua extrema religiosidade não o livrou de amores freiráticos, comuns na época, alguns historiadores afirmando que todas as suas amantes eram freiras. A mais famosa delas foi, sem dúvida, Madre Paula, talvez a freira mais conhecida do mosteiro. Paula Teresa da Silva e Almeida nasceu em Lisboa em 30 de Janeiro de 1718. Era neta de João Paulo de Bryt, um alemão que fora soldado da guarda estrangeira de Carlos V e se estabelecera em Lisboa como ourives depois de obter sua baixa. Paula entrou para o convento de Odivelas (Portugal) aos 17 anos de idade, e ali professou, após um ano de noviciado.
Freqüentador assíduo do convento de Odivelas, D. João V mantinha várias amantes que ia substituindo conforme lhe era conveniente. Quando encontrou a jovem madre ficou loucamente apaixonado por ela. A essa altura, a freira Paula já era famosa: havia se tornado amante de D. Francisco de Portugal e Castro, Conde de Vimioso, e que pouco antes tinha sido agraciado com o título de Marquês de Valença. D. João V não teve problemas para resolver a situação. Ele chamou o fidalgo e disse-lhe: "Deixa a Paula que eu te darei duas freiras à tua escolha". Assim, Paula passou a ser amante do rei que era trinta anos mais velho do que ela.
Madre Paula exercia uma influência imensa sobre o rei. Quem precisasse de um favor real já sabia que a maneira mais segura de conseguir: era só recorrer à valiosa proteção da Madre Paula, a quem o soberano visitava todas as noites. Das numerosas amantes de D. João V, Madre Paula foi a única que soube dominá-lo até à morte. O rei foi extremamente generoso não só com ela como com a sua família. O pai de Paula chegou a ser agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo, a receber uma tença de doze mil reis e outros benefícios que lhe permitiram viver tranquilo. O luxo em que vivia Paula no convento de Odivelas foi bem reproduzido em um documento da época, por Ribeiro Guimarães no seu Sumário de Vária História, onde descreve a magnificência asiática dos aposentos da madre Paula e sua irmã. Para servi-la, Madre Paula tinha nove criadas.
Do romance entre Madre Paula e D. João V nasceu um menino que foi baptizado com o nome de José, como o príncipe herdeiro, e que mais tarde veio a exercer as funções de inquisidor geral. A vida desregrada do rei escandalizava não só a corte como também os súbditos mais humildes. Mas ninguém se atrevia a repreender as atitudes de D. João V. Para se fazer uma ideia da moralidade desse tempo, basta recordar o que disse a abadessa D. Feliciana de Milão, às damas da rainha que não se levantaram, como lhes competia, à sua passagem. "Não se levanta de graça quem se deita por dinheiro".
Após a morte do rei, que lhe deixou uma mesada principesca, Madre Paula continuou no seu recolhimento, recebendo os grandes que ainda se aproximavam. Assim se conservou ainda durante trinta e cinco longos anos, com a altivez de uma soberana em exílio. Faleceu, em 1785, aos 67 anos de idade e foi sepultada na Casa do Capitulo do Convento de Odivelas.

 

 

 

 

 

 

Oeiras – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

 

A povoação, de origem muito antiga, só foi elevada à categoria de vila em 1759, no dia imediato a D. José  ter concedido a Sebastião José de Carvalho e Melo o título de conde de Oeiras (mas tarde marquês de Pombal). Oeiras teve foral outorgado em 1760, sendo uma das poucas terras do País que possui foral novíssimo. O marquês de Pombal contribuiu para o desenvolvimento da vila, aqui tendo instituído, em 1776, a primeira feira agrícola e industrial da Europa.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A povoação é antiquíssima e o vocábulo Oeiras, topónimo e potamónimo, teve uma origem que ainda não foi suficientemente esclarecida, dificultando-se ainda mais a determinação do respectivo étimo por não conhecermos qualquer forma medieval, porventura correspondente. Todavia, já se deu esta explicação, que nos parece muito duvidosa: Oeiras é forma aferética de Poeiras, designação primitiva e provocada pela grande quantidade de poeiras que os ventos levantavam no local”.

 

Oeiras
http://www.terranatal.com

O Concelho de Oeiras, integrado na grande Área Metropolitana de Lisboa, encontra-se situado na sua margem norte e é rodeado pelos Concelhos de Cascais a poente, Sintra e Amadora a norte, Lisboa a nascente, tendo como limite sul o Rio Tejo.
O território do Concelho, que ocupa actualmente uma área de cerca de 46 Km2, é constituído por um conjunto de unidades ou elementos paisagísticos particulares que o caracterizam, nomeadamente a Serra de Carnaxide e os Altos da Mama Sul, Montijo, Barronhos e Confeiteiras, na parte Este do Concelho, os vales das cinco principais ribeiras que o atravessam no sentido Norte/Sul, e, toda a orla costeira/ribeirinha.
As primeiras referências oficiais a Oeiras, surgem em documentos do século XIV - Diploma da Chancelaria do Rei D. Dinis. No século XVI, são construídos o Mosteiro de Frades Arrábidos sobre os rochedos da Cruz Quebrada e o Convento de S. José de Ribamar em Algés, que se tornam locais muito atractivos.
Ainda no século XVI, durante o reinado do rei D. Manuel, deu-se início ao desenvolvimento de uma certa actividade industrial e comercial, nomeadamente com a construção das primeiras oficinas para a manipulação da pólvora, em Barcarena, a exploração das pedreiras e a construção de fornos de cal em Paço de Arcos, bem como o desenvolvimento de actividades agrícolas, principalmente a cultura da vinha e mais tarde dos cereais, praticamente em todo o concelho.
No século XVII, foram instituídas com início em Paço de Arcos, carreiras de barcos, destinadas ao transporte de mercadorias. Com o objectivo de defender e controlar a passagem dos navios na entrada da Barra, construíram-se alguns fortes nomeadamente, o Forte de S. Julião da Barra, Forte das Maias, Forte do Catalazete, Forte da Giribita, Forte de S. Bruno, Forte da Conceição de Algés, Forte de S. José de Ribamar, Forte de S. Pedro, etc.
Durante os séculos XVII e XVIII, constróem-se palácios e grandes quintas de recreio, locais onde se associam os aspectos agrícola e de recreio. Estas quintas localizam-se junto às ribeiras, que constituem locais privilegiados para o desenvolvimento da agricultura, muito produtiva e com produtos de qualidade.
A partir do século XVIII, inicia-se um período de grandes e profundas transformações. A elevação da povoação a Vila e a formação do Concelho, permitem uma certa autonomia administrativa do território, proporcionando o seu desenvolvimento económico e social.
É, a partir deste momento,  que a história do Concelho de Oeiras, fica ligada a uma grande e mítica figura da História de Portugal - o Marquês de Pombal.
Como testemunho da riqueza gerada neste período, o Concelho possui hoje um vasto património construído, nomeadamente palácios e quintas, igrejas e capelas, moinhos, pombais, chafarizes, aquedutos, entre outros.
Entre o século XIX e os anos 40 do presente século, o Concelho assistiu a um período de grande desenvolvimento ao nível das infra-estruturas de transportes (comboio eléctrico, por exemplo) e à construção de moradias de recreio e quintas para a fruição das boas características ambientais do Concelho. Surge a moda das praias, banhos de mar, desportos náuticos, casinos, festas, pelo que esta área começa a ser um ponto de atracção da população, sobretudo de Lisboa.
Assiste-se, nesta época, à dinamização social e cultural do Concelho (sociedades recreativas e desportivas, teatros, etc.); à concentração da actividade económica, que conduz a uma forte expansão demográfica.
Até meados da década de 80, o concelho de Oeiras é visto como um local de passagem, um dormitório, situado entre Cascais e a Capital.
Transformar Concelho, repleto de potencialidades naturais, ainda por explorar, tornou-se o grande desafio  da Câmara Municipal de Oeiras.
E assim se começou a definir o futuro, a caminho do século XXI, em busca de um Concelho dinâmico, com identidade e vida próprias.
Já no princípio do século, e volvidos mais de dez anos de franco progresso, são visíveis o esforço desenvolvido e as profundas alterações operadas na estrutura e morfologia do Concelho.
Num Mundo que se quer, cada vez mais, dinâmico, vivo e competitivo, quanto mais se faz e transforma, novas necessidades e urgências surgem. Oeiras vai-se sofisticando e com ela todos os Oeirenses.
Hoje, Oeiras é palco de uma cultura que alia a história do passado, às necessidades do presente, tendo como perspectiva o futuro.
OEIRAS, Vila, sede de concelho e comarca, do distrito e patriarcado de Lisboa. O concelho é formado por 4 freguesias com 151 342 h. Oeiras foi elevada a vila em 1759 e a cabeça de condado em 1758, cabendo o título ao futuro Marquês de Pombal, que muito contribuiu para o seu desenvolvimento.

 

 

 



 

Sintra – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

A Serra de Sintra fica situada no distrito de Lisboa, e tem de comprimento 10Km e de largura 7 Km, com altura máxima de 529 metros do nível do mar. Grande maciço granítico de formas irregulares. Num dos seus píncaros fica situada o Castelo dos Mouros e noutro o Palácio da Pena. Cá em baixo na cidade, fica situado o Paço Real de Sintra, composto de construções mouriscas, da Idade Média e do Renascimento e também do período Manuelino. Conquistada aos Mouros em 1147, por D. Afonso Henriques. Na Serra foram encontrados vestígios das ocupações romanas e árabes. Os Romanos quando chegaram a Sintra, chamaram-na de "Mons Lunae", ou seja Montes da Lua, porque nessa época a serra era completamente desprovida de vegetação.
Na Serra de Sintra, existe exuberante combinação de verdes (600 tons diferentes, que é único no mundo), de maravilhosos jardins, alamedas, florestas, lagos, nevoeiros, penhascos e precipícios, que coexistem com edifícios de várias épocas e estilos arquitectónicos, desde os serenos palácios e mosteiros setencentistas e oitocentistas, às mansões de características neo - árabes e neo - manuelinas. Em linguagem figurada, Portugal tem sido muitas vezes descrito como uma ilha, tradicionalmente ligado ao mar - Índia, África, Ásia e Américas - mas o seu isolamento é mais cultural do que geográfico. Na longa história das Descobertas Marítimas, nenhuma outra terra foi tão celebrada, em verso e em prosa, como Sintra, principalmente a sua Serra, testemunho do passado marítimo português: as idas e vindas, a visão de navios de guerra, a descoberta do Comércio. Gil Vicente descreveu Sintra em "O Triunfo do Inferno", como uma grande senhora, sonhadora, romântica, amorosa e desinibida. Mas também outros poetas e escritores portugueses e estrangeiros, a foram descobrindo ao longo do tempo. Marinheiros perdidos no mar ou regressados a casa - figuras de "Os Lusíadas" do grande Camões, e da "História Trágico - Marítima" - falam com saudade do lar e da vista da Cruz Alta, o ponto mais alto da Serra de Sintra. Lord Byron descreve-a longamente em cartas à sua mãe, escritas de Gibraltar em 1809, chamando-lhe "labiríntico jardim paradisíaco, onde os românticos se tornam mais românticos, os amorosos mais amorosos e os namorados mais enamorados. Este jardins seriam dignos de figurarem no Eden...". Nas tardes de Verão, quando o nevoeiro nasce do Atlântico, o Sol paira como um disco alaranjado, sobre a terra sem vento. A intensidade da luz da cor dá profundidade aos montes alcantilados que se erguem do Atlântico ao encontro da Serra de Sintra. 
Origem do nome:
Segundo a opinião do Dr. José Leite de Vasconcelos: "... além dos dados colhidos pelo Dr. Gomes de Brito, também mencionarei que Damião de Góis, o grande escritor clássico da "Crónica de D. Manuel", diz e repete Sintra e Cintra.
Mas a questão não está resolvida simplesmente pela morfologia histórica da língua: está resolvida pela fonética. Como se sabe, a pronúncia de hoje não é exactamente igual à pronúncia dos séculos X1V, XV e XV1, sobretudo ao valor do "S" inicial, do "S" intervocálico, do grupo "CH", etc. O "S" inicial tinha o valor que ainda hoje tem na Beira e na Espanha, e que se não confunde com o do "C" e de "I"; isto é, se os quinhentistas e os seiscentistas pronunciarem como nós a sílaba "SIN", não escreveriam Sintra, mas sim Cintra. Escrevendo como escreviam, SINTRA, vê-se que davam ao "S" inicial o valor do "S" inicial beirão e castelhano, de acordo com o latim medieval Sintra e Sintria, que não se lia como nós lemos. Também o Dr. Fernando Venâncio da Fonseca, opina: "... de baixa latinidade Sintria, sempre com um "S" até ao século XVll ...". Xavier Fernandes, pensava que a mudança de "S" para "C", talvez se deva à conexão com CYNTHIA, epíteto grego-romano da deusa da Lua, tanto mais que Sintra fica perto do antigo promontório da Lua, e aos Romanos terem chamado à Serra de "MONS LUNAE".
O facto de os Árabes terem transcrito XINTRA, que revela o som palatal do "S" em português arcaico (hoje apenas dialectalmente), igualmente é comprovativo da grafia "S".
Algumas figuras hirtóricas ligadas a Sintra: 
D. Fernando ll
Muito do que ainda podemos admirar hoje em Sintra, se deve a este rei, que foi casado com D. Maria 11. D.Fernando foi Duque de Saxónia Coburgo Gotha, e foi rei de Portugal pelo seu casamento com a rainha D. Maria ll, em 1836. Foi regente do Reino durante dois anos, em seguida à morte da soberana e enquanto seu filho, D. Pedro, (mais tarde D. Pedro V) não atingiu a maioridade. Grande amador e protector das Artes, deve-se-lhe a transformação do antigo convento dos Frades Jerónimos, no hoje Palácio da Pena, assim como a restauração do Castelo dos Mouros e grande parte da arborização da Serra de Sintra, assim como aos seus jardins e lagos. Teve um grande amor na sua vida sentimental: a Condessa de Della, nobre alemã que conheceu após a morte da sua primeira mulher e antes de se casar com D. Maria ll. A Condessa D’ella, viveu num palácio perto do da Pena, e os seus encontros amorosos, davam-se no chamado Lago Grande, perto da Fonte dos Passarinhos, que tantas tradições tem.
D. Maria ll
Em 1835, casou com o príncipe Augusto de Leuchtenberg, que faleceu dois meses depois. No ano seguinte, desposou o príncipe D. Fernando de Saxónia Coburgo Goth, de quem teve onze filhos, custando o nascimento do último, a sua vida. O reinado de D. Maria ll, foi um período de incessantes lutas civis. Os partidos políticos não compreendiam os verdadeiros princípios liberais e guerreavam-se com cega violência. As revoltas militares, que se seguiam quase sem interrupção, mantinham o país em permanente guerra civil. Dotada de altas virtudes e de vontade enérgica, D. Maria ll, suscitou ódios políticos, mas foi sempre venerada como esposa e mãe de família, pelos seus mais ardentes adversários.
SINTRA é uma povoação já muito antiga, cujas origens se perderam em nebulosas lendas, encontrando-se ligada a um passado cultural a que escritores e artistas, sobretudo durante o século XlX, deram realce. Supõe-se que durante a ocupação árabe foi povoação importante, embora poucos vestígios restem dessa época. Recebeu foral em 1154, dado por D. Afonso Henriques. D. Dinis e os monarcas que lhe sucederam fizeram de Sintra o centro de veraneio da corte. Aqui nasceu e morreu D. Afonso V, foi aclamado rei D. João ll, deu a sua última audiência D. Sebastião e esteve cativo D. Afonso Vl.
Às belezas de Sintra, se referiram nas suas obras poetas nacionais e estrangeiros, como Camões, Garrett, Eça de Queirós, Lord Byron, William Beckford, etc.
Monumentos:  
Castelo dos Mouros
Ergue-se sobre picos rochosos, coroando a Serra, e remonta aos séculos Vlll ou lX.  Foi reedificado pelos Mouros, e ocupado em 1147 por D. Afonso Henriques. O seu aspecto actual advém-lhe das obras levadas a efeito no tempo de D. Fernando ll, pois o Castelo ficou praticamente destruído pelo terramoto de 1755.  
PAÇO REAL DE SINTRA (ou PALÁCIO NACONAL DE SINTRA)
Este Palácio distingue-se pela variedade das suas edificações, dispostas à volta de pequenos e silenciosos pátios, de ressonância andaluzes, e em planos diferentes, conforme s sua implantação no terreno e ainda pelos estilos artísticos que ilustra, é um exemplar único na sua arquitectura civil portuguesa. Este monumento, rival do álcacer de Sevilha, provém de um primitivo paço gótico da época de D.Dinis, desenvolvido no tempo de D. João 1, que aqui decidiu, em 1415, a expedição a Ceuta e, em 1429, recebeu a embaixada do duque de Borgonha, da qual fazia parte o pintor Jan van Eyck. D. Afonso V promoveu obras no velho edifício, onde viria a morrer em 1481, sendo logo a seguir aí aclamado D. João 11, no Terreiro do Jogo da Pela. Este rei estanciou mais do que uma vez em Sintra, havendo nomeado vários mestres para as obras do Paço. A grande e documentada actividade de renovação teve lugar no reinado de D. Manuel 1, entre 1505 e 1520, ao ser acrescentada a ala oriental, obra típica da arte manuelina, com as suas janelas geminadas e de pujantes elementos decorativos gótico-naturalista, a que se seguiram as arcadas das belas galerias abertas em dois andares, e ao ser erguida, a poente, o imponente cúbito da Sala dos Brasões, com o telhado piramidal e um largo e original friso alveolado sob a cornija, cujo lavor é do mais típico mudegarismo.
Este palácio tem o maior repositório de azulejos antigos existentes no País, sendo alguns deles peças únicas, como os que, engrafitados a negro, emolduram a porta gótica da Sala das Sereias, ou da Galé, todos notáveis pela sua policromia e integração decorativa; os da Salas dos Cisnes e das Pegas, onde brilha o raro azul-de fez, e os da chamada Sala dos Árabes, com os seus vistosos lambris de azulejos sevilhanos verdes, azuis e brancos, e outros no friso do alizar, de fabrico nacional, também manuelinos, com flores-de-lis e macarocas em relevo. Nesta sala, primitivo pavilhão central, conforme o desenho quinhentista de Duarte de Armas, que também documenta a existência das monumentais chaminés da cozinha gótica, o chão é revestido de ladrilhos e pequenos embutidos, admirando-se ao centro uma fonte - taça de mármore, rematada por um repuxo, exótica composição metálica com tritões e cavalos. O mesmo valioso tipo de pavimento de ladrilhos, encontra-se também na Sala de D. Afonso V1 e na capela gótica, a qual é enriquecida pelo original tecto de lacarias medéjares, de dois tramos, o mais antigo com as armas reais, provavelmente de D. Afonso V, e o posterior já estilo manuelino. Esplêndido conjunto esta da capela, sem par no País, que a torna só por si um verdadeiro tesouro artístico, um monumento dentro de um monumento, onde ainda se encontram vestígios da primitiva pintura gótica, representando uma pomba, o que permitiu o restauro da decoração mural. O recheio do Palácio é constituído por mobilário antigo, tapeçarias, pinturas e, junto da tribuna da capela, uma escultura de Santa Ana e a Virgem, da Escola Alemã. Algumas Salas que se encontram neste Palácio:
SALA DO CATIVEIRO  Onde D. Afonso V1 esteve cativo, depois de ter sido destronado por sua mulher (D. Maria Francisca) e por seu irmão D.Pedro (ver peça à parte).
SALA DOS BRASÕES O tecto desta sala, de cúpula apainelada de espectacular efeito, exibe, pintadas as armas reais e dos seus infantes, bem como, nas ordens inferiores, as da nobreza da época manuelina. É sumptuosa a decoração das molduras dos caixotões e dos motivos vegetalistas que rodeiam as armas reais. Elegantes corcas preenchem alguns dos caixotões, A ornamentação da magnificiente Sala dos Brasões foi completada com o forro das paredes por azulejos barrocos figurando caçadas.
SALA DOS CISNES  No interior do Palácio admiram-se artísticos tectos, nomeadamente o da espaçosa e clara Sala dos Cisnes, de masseira, de inspiração mudéjar, decorado com pinturas de cisnes dentro de caixotões octogonais de molduras douradas.
SALA DAS PEGAS Além da figuração destas aves, ostenta, pintado o mote "Por Bem", de D. João 1. Ornamentam estas salas preciosas azulejos mouriscos. O seu recheio é constituído por móveis antigos, como
os contadores hispano-árabes da Sala das Pegas, por algumas pinturas e tapeçarias de valor. Apesar de modificadas em épocas sucessivas, conservam o antigo esplendor.
Afonso Vl
Muito criança ainda, foi atacado por uma grave doença, que o deixou fraco para sempre, tanto de corpo como de espírito. Quando faleceu seu pai, tinha apenas treze anos e até à sua maioridade exerceu a regência sua mãe, a rainha D. Luísa de Gusmão. Já durante este período se manifestaram as taras físicas e morais do príncipe, que só escolhia a convivência de aventureiros devassos e de indivíduos da mais baixa condição, entregando-se com eles a correrias pelas ruas de Lisboa, armando escândalos e desordens, de que não raro saía maltratado. Quando D. Afonso completou dezoito anos, como a rainha hesitasse em lhe confiar o governo do Reino, o príncipe, a instigações do conde de Castelo Melhor, retirou a regência a sua mãe e assumiu o poder, tomando para seu ministro o conde de Castelo Melhor, que se revelou um estadista eminente. Em 1666, casou o soberano com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Duqueza de Nemours. Foi uma união desastrosa. A rainha logo de apaixonou por seu cunhado, D. Pedro e não tardou a desprezar e a detestar o homem a quem se ligara. Estabeleceu-se entre ela e o conde de Castelo Melhor, uma forte rivalidade política, de que resultaram complicadas intrigas na Corte, principalmente pelo romance que ela mantinha com o cunhado. O infante D. Pedro, tomou então partido da sua cunhada rainha, criando-se entre eles uma relação amorosa bem visível aos olhos de todos. D. Pedro, que também detestava o conde de Castelo Melhor, manobrou por forma a tirar ao seu irmão e seu rei, o único homem que o podia amparar no trono. Privado do conde, D. Afonso estava perdido ... A rainha, pretextando que o casamento não se consumara, escreveu uma carta que ainda hoje é considerada de muito erótica, ao parlamento, e retirou-se para um convento. Seguiu-se um processo de divórcio, que é uma das mais vergonhosas páginas da nossa história. Os acontecimentos precipitaram-se e, D. Afonso foi dominado pelo infante, não lhe opondo qualquer resistência. As Cortes convocadas em 1668, depuseram o rei, entregando a regência a seu irmão. De Roma veio a anulação do casamento e a dispensa para que os dois cunhados pudessem casar, o que ainda fizeram nesse mesmo ano. D. Afonso foi então exilado para a Ilha Terceira (Açores) e encarcerado no castelo de S. João Baptista. Quatro anos depois, em seguida a uma conspiração em seu favor e que se malogrou, foi D. Afonso transferido para o Paço Real de Sintra, onde faleceu subitamente (e misteriosamente) em 1683.
D. Maria Francisca Isabel de Sabóia 
Duquesa de Nemours e d`Aumal, nasceu em Paris em 1646. Segunda filha dos duques de Nemours. Casou em 1666 com D. Pedro V1 e logo se ingeriu na política portuguesa, manifestando-se logo hostil ao conde de Castelo Melhor, que já tinha por adversário o infante D. Pedro, seu irmão. Entre a rainha e seu cunhado, estabeleceram-se relações amorosas, que fizeram escândalo na Corte. Conseguiram os dois amantes obrigar o conde de Castelo Melhor a demitir-se e logo tramaram tirar a coroa a D.Afonso V1. A rainha retirou-se para o Convento de Madre de Deus, pretextando que o marido nem sequer o casamento conseguira consumar. D. Pedro apoderou-se da regência e em seguida a um processo vergonhoso de que resultou a anulação do casamento com D .Afonso V1, desposou a sua cunhada em 1668. Deste segundo enlace, teve D. Maria Francisca uma filha, a princesa D. Isabel, que faleceu com 23 anos. Nota: D. Pedro 11 casou em segundas núpcias com D. Maria Sofia de Neuburgo e desta união nasceu D.João V.
Palácio Nacional da Pena
Em plena Serra de Sintra, formando com a Natureza um conjunto espectacular, ergue-se o Palácio da Pena.
Construído no século XlX sobre as ruínas de um antigo convento, este núcleo de arquitectura civil revela uma concepção romântica, pelas características estilísticas e cuidado de integração no ambiente, com bom sentido de cenografia paisagística. O primitivo Mosteiro de Frades Jerónimos fora mandado construir por D. Manuel 1, em 1511. No século XV111 estava semi arruinado, devido ao terramoto de 1755. Em 1838, D. Fernando 11, soberano profundamente culto e sensível às correntes estéticas do romantismo, adquiriu as ruínas, envolvidas por uma ambiência poética tão ao gosto da época, com a finalidade de as transformar em residência de Verão, obrigando-se, simultaneamente, a manter a traça primitiva. Este príncipe, grande conhecedor das artes, interessado no património nacional, fomentou igualmente os restauros do Mosteiro da Batalha, do Convento de Cristo em Tomar, e da Torre de Belém, tendo concedido bolsas a alguns artistas e organizado criteriosamente a sua colecção. Pretendendo, de início, restaurar o velho mosteiro, adaptando-o, apenas no essencial, a residência de veraneio, foi dissuadido da intenção pelo artista a quem entregara a chefia das obras, um engenheiro militar alemão - barão Von Eschweg - secundado nesta tarefa pelo arquitecto português, Possidónio da Silva. Nos meados do século XlX predominava uma tendência eclética, cuja inspiração se alimentava de criações de vários períodos históricos-artísticos, desde a Antiguidade até à Idade Média. Nesta perspectiva, Eschweg propusera a organização de um ambiente neogótico, que o monarca recusou, preferindo uma articulação com as tradições artísticas locais e com determinadas soluções regionais preferidas nos séculos XV e XVl. Por esse motivo, empreendeu o barão uma viagem pela Europa, percorrendo a Inglaterra, a Alemanha (Berlim), França, Espanha (Córdova, Sevilha, Granada), pelo Norte de África (Argélia).
É neste contexto que o Palácio surge como pioneiro das concepções arquitecturais românticas em Portugal. A sua planta é de forma irregular, condicionada pelo núcleo anterior e pela topografia que resulta uma íntima ligação entre a paisagem e o edifício. A primeira grande campanha de obras decorreu até 1849. A edificação originária foi integrada, conservando a antiga capela e retábulo renascença, notável trabalho de alabastro e mármore negro com cenas da vida de Nossa Senhora e da Paixão de Cristo, atribuídas a Nicolau Chantenenne. Os outros sectores sofreram nítida influência do gosto manuelino do Palácio Nacional. O aspecto exterior do edifício apresenta um equilíbrio marcado, verificando-se um ritmo harmonioso na articulação dos espaços, massas e volumes, criando entre si núcleos dinamizadores do conjunto arquitectónico. A construção, com as suas torres, o minarete, o remate das muralhas e os contrafortes, elementos estruturais provenientes de gramáticas arquitectónicas do passado, revela extraordinária riqueza quanto à diversidade e um carácter verdadeiramente assimilidor, condicionado por um critério romântico, com preferência pelo mudéjar, nomeadamente em elementos decorativos. Alguns núcleos do palácio definem opções estéticas em revivalismos evidentes. A fachada sul apresenta duas torres oitavadas, envolvidas de azulejos e encimadas por uma cúpula. Destaca-se ainda uma construção rectangular na qual sobressai a varanda, apoiada em colunas torsas. A fachada norte está organizada em corpos sólidos e equilibrados. O Pórtico de Trião, pelas suas características monumentais e decorativas, assim como a janela manuelina, aberta numa parede de azulejos, imitando a original do Convento de Cristo, em Tomar, talvez concebida por Diogo de Castilho, são elementos que bem reflectem o interesse revivalista. No interior, a decoração tem vistas panorâmicas ímpares em Portugal.
Quinta da Penha Verda
D .João de Castro, ao regressar vitorioso do cerco de Diu, requereu a D. João lll, como penhor dos seus serviços, "um rochedo com seis árvores". Tratava-se do monte das Alvíssaras, na Quinta da Penha Verde, fundada pelo ilustre vice-rei da Índia, que a ela dedicava "grande afeição". De entre várias capelas espalhadas pela Quinta, merece especial referência a de Nossa Senhora do Monte, do mais puro renascença. A ermida, de planta circular, foi mandada construir por D. João de Castro, em 1542. No interior admiram-se, adossadas à parede, elegantes colunas com capitéis esculpidos. A cobertura é feita por uma abóbada semiesférica, rematada por uma cabeça de querubim. Corre a parede da nave um silhar de azulejo do tipo tapete do século XVll. No altar - mor, ordenado de azulejos da mesma época, está colocado um retábulo de mármore branco e negro. 
CASA DOS RIBAFRIAS
Belo exemplar da arquitectura civil renascença, foi mandada construir no século XVl, por Gaspar Gonçalves, alcaide-mor de Sintra. No século XVlll foi propriedade do Marquês de Pombal, que mandou proceder ao seu restauro, conferindo então à fachada o cunho que ainda hoje apresenta. Num dos capitéis figuram a data de 1534 e o nome do mestre da obra, o arquitecto Pêro Pexão. Dá acesso ao andar nobre uma escadaria precedida de um átrio abobadado. No piso superior subsiste uma janela de balcão com balaústres, formando uma galeria em "L", de cunho renascença, e que abriga uma fonte. 
PALÁCIO DE SETEAIS
Magnífico exemplar de mansão nobre do século XVlll, foi mandado edificar por Gildemeeter, cônsul da Holanda.
Aqui, o célebre viajante inglês William Beckford assistiu sumptuosas festas, quando o palácio era já propriedade do Marquês de Marialva. Neste palácio estiveram também D. Maria l e, em 1802 o príncipe regente D. João e D. Carlota Joaquina, cujas esfinges encontram-se à estrada do palácio. Os dois corpos laterais, encimados por platibandas em estilo neoclássico, foram ligadas por um arca triunfal, em comemoração desta visita. 
CAPUCHOS   (Convento de Santa Cruz dos Capuchos) 
Este Convento fica situado num maravilhoso cenário da Natureza, difícil de descrever, mas que teria decerto lugar nos jardins do Éden. Foi mandado construir em 1560, por D. Álvaro de Castro em seguimento de um voto de seu pai, o grande vice-rei da Índia, D. João de Castro. Diz a tradição que ali viveu um frade de nome Honório, que, durante mais de trinta anos só se alimentou de ervas. A extrema pobreza destes frades era tal que criou nas gentes de Sintra um sentimento de piedade, e assim muitas pessoas iam até ao terreiro de entrada do Convento levar-lhes alimentos.  Os frades viviam em celas muito pequenas, forradas a cortiça, assim como seus pobres leitos. No refeitório encontra-se uma enorme lage de pedra que servia de mesa. 
OUTROS MONUMENTOS:
Igreja de S. Pedro
Capela de S. Lázaro
Capela Nossa Senhora da Piedade
Fonte dos Passarinhos
Palácio da Condessa
Cruz Alta

 

Sintra
http://www.geocities.com/TheTropics
A origem de Sintra confunde-se com a da própria Nação portuguesa. A serra e a planície foram habitadas desde antiquíssimos  tempos, como atestam os dólmens e  as necrópoles existentes e os preciosos instrumentos pré-históricos guardados no Museu Municipal.
 Dos  romanos,  restam  numerosas  lápides  e  urnas  funerárias,  que  se  conservam,  junto  do mausoléu  circular,  no Museu  Arqueológico de Odrinhas.  Os romanos  chamavam a serra  de Sintra de "Mons Lunae" (Montanhas da Lua).
Castelo dos Mouros
 Dos tempos hispano-árabes, o monumento mais antigo é o Castelo dos  Mouros, construído na serra, a 450 metros de altitude, entre os séculos VII e IX. O castelo foi tomado aos mouros em 1147, pelo primeiro Rei de Portugal, D.Afonso Henriques.
 Mas é na  vila, a  207 metros  de altitude, que se encontra o  monumento mais  característico, o Palácio Nacional da Vila.
 Na  serra, mais  alto  que o  castelo  dos mouros, ergue-se o   Palácio da Pena, edificado  entre 1840 e 1850 pelo rei. Fernando II, no estilo pseudomedieval.
 De entre os  outros palácios  há que salientar o de  Seteais (séc. XVIII), onde atualmente está instalado um  luxuoso hotel, e  o do Ramalhão (séc. XIV,  reconstruído no séc. XVIII), e a da Regaleira (neomanuelino do séc. XIX),  as da  Penha - Verde, da  Piedade e do Vinagre,  nos arredores de Colares. 
Palácio de Seteais  
 Ao  longo  dos  séculos, Sintra  foi enaltecida  por famosos   escritores, entre  os quais é  justo destacar  Lord Byron, o primeiro e  genial  turista, cujos  versos  entusiásticos  atraíram a este "glorious eden" numerosos gravadores e pintores que depois espalharam os encantos de Sintra pelo mundo.
 Entre Sintra  e Lisboa, deve  ainda   ser  visitado o belíssimo Palácio de Queluz  (séc. XVIII), construído no estilo de Versalhes: antiga residência real, cuja velha cozinha foi transformada em restaurante de luxo. 

 

Quinta da Regaleira (Sintra)
http://pt.wikipedia.org/wiki
A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa para os tempos anteriores à sua compra por Carvalho Monteiro. Sabe-se que, em 1697, José Leite era o proprietário de uma vasta propriedade nos arredores da vila de Sintra, que hoje integra a Quinta.
Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade (conhecida como Quinta da Torre ou do Castro em 1715), em hasta pública, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte ai existente.
Em 1830, na posse de Manuel Bernardo, a Quinta em toma a designação que actualmente possui. Em 1840, a Quinta da Regaleira é adquirida pela filha de uma negociante do Porto, Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.
A história da Regaleira actual principia em 1892, ano em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis. A maior parte da construção actual da quinta estava terminada em 1910.
A quinta foi vendida a Waldemar D'Orey em 1942 , que, sem ter desvirtuado o que tinha sido concebido, procedeu a pequenas obras de modo a acolher a sua grande família e profundas obras de restauro, já que a casa não era cuidada á muito. Em 1987 a Quinta da Regaleira é adquirida pela empresa japonesa Aoki Corporation, e deixa de servir como habitação sendo entregue ao cuidado de caseiros e permanece fechada ao público.
Em 1997, a Câmara Municipal de Sintra adquire este valioso património, iniciando pouco depois um exaustivo trabalho de recuperação do património edificado e dos jardins. Actualmente a Quinta da Regaleira está aberta ao público e é anfitriã de diversas actividades culturais.

 

 


 

 

Sobral de Monte Agraço – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

 

 

Origem do nome:

«Do, Domingo Ilustrado – 1915»: “É nome composto de Sobral por Sobreiral – bosque ou mata de sobreiros, chamados também corticeiros, árvores que deram o nome a centenas de povoações nossas.

Monte Agraço – tomou o nome do sítio por ser uma cumeeira – e do português Agraço – vinho verde. Pejorativo de agro – azedo, rascante”

 

Sobral de Monte Agraço
http://www.oestediario.com/oestediario
O Sobral teve, ao longo da história, algumas presenças de assinalável êxito. Em 1386 é-lhe dada carta de privilégio pelo desempenho das suas gentes aquando do cerco de Torres Vedras, por D. João I.
[14-03-2001] [ Carlos Robalo ]
Embora a origem do Sobral se encontre envolta na bruma das velhas lendas, o nome Montagraço foi o da antiga povoação que existiu muito próxima da actual vila. O seu nome apareceu implicitamente mencionado, pela primeira vez, no tempo de D. Sancho I, nos primórdios da nacionalidade – 1186.
Durante a reorganização administrativa manuelina, em 1519, foi-lhe concedido o Foral do Reguengo de Monte Agraço.
O Sobral teve, ao longo da história, algumas presenças de assinalável êxito. Em 1386 é-lhe dada carta de privilégio pelo desempenho das suas gentes aquando do cerco de Torres Vedras, por D. João I.
Também em 1810, por ocasião das invasões napoleónicas, o Forte Grande do Montagraço teve um importância fundamental na organização defensiva das Linhas de Torres Vedras, tendo inclusivamente ficado sediados neste concelho os quartéis-generais de Beresford e do Duque de Wellington.

 

 

 

 

 

Torres Vedras – (Concelho de Lisboa)

 

 

 

 

 

Apesar de rica em vestígios arqueológicos pré-históricos, a região de Torres Vedras estaria, contudo, pouco povoada no tempo da Reconquista. Foi incorporada no Reino de Portugal por D. Afonso Henriques, que doou o seu senhorio a D. Fuas Roupinho (alcaide de Porto de Mós), e recebeu foral de D. Afonso lll em 1250, devendo, todavia, a existência do concelho ser anterior. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo, em 1510.

Em Torres Vedras, teve lugar, em 1413, a reunião de D. João l com o seu conselho, para decidir sobre o projecto da conquista de Ceuta (Norte de África). Datam do ano de 1441 as Cortes de Torres Vedras.

No período crítico que se seguiu à morte do cardeal D. Henrique (rei de Portugal), a vila foi atacada pelo exército inglês, por ser o seu alcaide-mor partidário dos castelhanos.

Em 1 de Dezembro de 1640, foi das primeiras povoações do distrito de Lisboa a sacudir o domínio espanhol, mas é no período mais recentes das Invasões Francesas que Torres Vedras verdadeiramente se destaca. Com efeito, é decisivo o papel das Linhas de Torres na luta contra as hostes napoleónicas, levando ao seu definitivo recuo e ao início da progressiva perda de hegemonia da França de Napoleão Bonaparte na Europa.

Também foi teatro de acontecimentos históricos durante as lutas liberais, quando em 1846, em plena Guerra da Patuleira, o marechal Saldanha atacou o seu castelo, onde se refugiara o conde de Bonfim.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Fosse qual fosse o povo fundador da primitiva povoação e tivesse tido ou não, outro nome, aliás desconhecido – não há dúvida em que é o latim o étimo da expressão Torres Vedras, resultante da transformação normal de Turres Veteres, que significa simplesmente “torres velhas”, sentido etimológico, portanto, do topónimo actual”

 

Torres Vedras
http://fozdoriosizandro.no.sapo.pt/concelho.html
Bastaria a presença, na sua área, do Castro do Zambujal datado de 3.000 a C., para comprovar o seu remotíssimo povoamento, embora seja possível encontrar muitos outros vestígios da pré-história.
História
Ocuparam esta área romanos, godos e árabes, que D. Afonso Henriques expulsou em 1148, dando o senhorio da povoação a D. Fuas Roupinho, que nesse mesmo ano teve de sustentar um cerco dos sarracenos que durou 11 dias.
Em 1250 recebeu, o foral de D. Afonso III, que ali viveu com frequência, com sua mulher D. Brites, construindo na encosta do castelo um palácio onde passou os últimos anos de vida.
Por este mesmo palácio passaram D. Dinis, D. Afonso IV, D. Fernando I e D. João I, que em Torres Vedras reuniu o Concelho onde em 1413 ficou decidida a conquista de Ceuta.
Datam de 1441 as Cortes de Torres Vedras, convocadas pelo infante D. Pedro.
Torres Vedras desempenhou um papel decisivo na expulsão dos franceses de Portugal, marcando o início do declínio do império napoleónico. O Forte de S. Vicente, sobranceiro à cidade, era o fulcro das famosas Linhas de Torres, construídas em 1810, compostas por 152 fortificações ao longo de 35 quilómetros, desde Bucelas, junto ao Tejo, até S. Pedro da Cadeira, a Oeste de Torres Vedras. As tropas luso-inglesas detiveram Massena em 1810, que ali iniciou a retirada da Península.
Torres Vedras foi ainda cenário de um sangrento recontro, em 1846, da guerra da Patoleia, tendo o Marechal Carmona atacado o Forte de S. Vicente, onde se refugiara o conde de Bonfim.
Tornou-se cidade em 11 de Janeiro de 1979.  
Geografia
Torres Vedras é o concelho com maior área do Distrito de Lisboa, 406 Km2, onde moram 67.185 pessoas, representando o valor populacional mais alto dos concelhos do Oeste.
As suas 20 freguesias dispõem de 24.964 edifícios para 21.919 famílias.
A taxa de natalidade é de 10,1 e a de mortalidade de 11,4. Apesar do excedente de vida negativo, (-1,4), Torres Vedras viu a sua população aumentar entre os dois Censos em 3,3%.
A densidade populacional é de 167 habitantes por Km2, representando o valor mais elevado dos concelhos do Oeste. Em relação aos concelhos do Oeste, tem um dos menores índices de dispersão populacional, só superado por Lourinhã.
Em termos de envelhecimento, tem um índice elevado, 95,3, superior à média nacional de 86. A população até aos 14 anos é 18,8%; entre os 15 e os 64 é 66,8% e com mais de 64 anos 14,4%.
A cidade de Torres Vedras encontra-se no meio de uma planície de aluvião, na margem esquerda do rio Sizandro, protegida por uma colina Jurássica e coroada por um castelo, numa sub região agrícola a que dá o nome.  
Economia
As suas potencialidades são multifacetadas, com bons potenciais de desenvolvimento ao nível industrial e turístico, embora a agricultura seja dominante. É um dos principais centros vinícolas do pais, sendo rica na produção de produtos horto-frutícolas. O concelho é também um dos principais produtores de carnes de país, destacando-se a de aves. Possui especialmente indústrias agro-alimentares, de cerâmica e metalurgia.
Apesar do desenvolvimento industrial e terceário, Torres Vedras continua a centrar no sector primário a sua actividade económica, tendo o maior número de explorações agrícolas de todo o Distrito,7.245. A maioria do emprego é absorvido pelo sector primário, 67%, contra 20% no secundário e 13% no terceário.
A área do concelho é ocupada em 70% pela agricultura, 25% pela floresta e 8% afecta ao urbanismo.
Os indicadores económicos colocam Torres Vedras no topo da lista entre os concelhos rurais do Distrito de Lisboa.
Estão sediadas em Torres Vedras 10.142 empresas. A indústria transformadora tem 837 estabelecimentos, havendo l,567 sociedades. O comércio está a cargo de 1.772 estabelecimentos, dos quais 1.574 são retalhistas e 198 grossistas.
Exercem a sua actividade em Torres Vedras 33 balcões de instituições bancárias.
Na área do concelho situam-se 16 Praias e 2 Estâncias Termais. Está em terceiro lugar na oferta hoteleira do Distrito, com 15 estabelecimentos com capacidade de 1.333 camas. 
Social
O índice de poder de compra per-capita é de 75.54, situando-se abaixo da média nacional. Tem boas ligações rodoviárias, sendo servida por uma auto-estrada desde Lisboa, que continua para Norte. Possui caminho de ferro da linha do Oeste. Em Santa Cruz há um aeródromo com pista de piso duro.
Em termos de saúde Torres Vedras tem 1,2 médicos por cada mil habitantes. Dispõe de 1 Hospital Distrital e 1 Centro de Saúde.
Na educação, o concelho é o único do Oeste a dispor de Ensino Superior. Os 3 estabelecimentos de ensino superior existentes têm um total de 332 alunos.
A população escolar total do concelho cifra-se nos 13.999 alunos. Há 91 escolas do 1º Ciclo para 3.289 alunos; 9 do 2o Ciclo com 2.014 alunos; 8 do 3º ciclo para 3.301 alunos; 3 Escolas Secundárias com 4.830 jovens e 2 Profissionais para 225 alunos.

 

Torres Vedras
http://www.arquivodetorresvedras.net/arquivo/historia
As origens do Arquivo Municipal coincidem com o início do concelho de Torres Vedras, uma vez que o arquivo servia ( e serve), em primeiro lugar, a instituição, sendo a sua documentação o reflexo do desenvolvimento das actividades quotidianas do município de Torres Vedras, desde a sua fundação.
Torres Vedras obteve Carta de Foral de D. Afonso III, a 15 de Agosto de 1250, embora a vila e o termo já possuíssem uma organização municipal incipiente, pelo menos desde o reinado de D. Sancho I (1185-1211).
No ano de 1744, o Arquivo da Câmara encontrava-se numa cela da prisão, no piso inferior dos Paços do Concelho. Um preso, procurando evadir-se, lançou fogo aos documentos, tendo ocorrido um incêndio no Arquivo, que levou à destruição quase total da documentação medieval e moderna do concelho.
Em 1962, o Arquivo estava no Convento da Graça, onde funcionavam alguns serviços da Câmara Municipal de Torres Vedras, para ali mudados em 1958. Mais tarde, passou para o edifício do antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia. Desde 1997, encontra-se nas instalações da Câmara Municipal de Torres Vedras, na Avenida Cinco de Outubro.
O Arquivo Municipal alberga o Fundo da Câmara Municipal de Torres Vedras e da Câmara do Julgado da Ribaldeira, esta extinta em 1855, bem como outros fundos particulares. O documento mais antigo data de 1453. Tem Livros de Acórdãos/Actas desde 1596 e Livros de Registo da Câmara, desde 1602.

 

 

 



 

Vila Franca de Xira – (Concelho do Distrito de Lisboa)

 

 

 

 

Todo este majestoso e esplêndido conjunto forma o que se chama Vila Franca de Xira ou Vila Franca, dos matos e silvedos – porque a palavra "xira" em português antigo "cira" vem do arábico "xara" e significa: mato, brenha, lugar cheio de silvas e matagais.
"Á direita do rio Tejo, e a cinco léguas de Lisboa (diz Frei Joaquim de Santa Rosa Viterbo, no seu Elucidário) havia uma dilatada "cira" (ou mata) que El – Rei, D. Sancho l doou a D. Paulino, e outros flamengos no ano de 1200 para ali se estabelecerem, e com as maiores franquias (imposto de vassalagem). Parece não fizeram largos progressos, e que havendo roteado alguma pequena parte, a dimitram à Coroa, pois no de 1206, o mesmo rei fez doação da vila de Vila Franca de Cira (hoje dizemos Xira), a D. Fruila (ou Froilhe Hermiges) pelos muitos serviços que lhe tinha feito". (Dr. Pinho Leal – 1886).
D. Sancho l fez a doação da Vila Franca que, em 1212, lhe concedeu o primeiro foral. Vila Franca foi mais tarde objecto de doação à Ordem dos Templários. Em 1510, D. Manuel 1 concedeu-lhe foral novo.
Vila Franca de Xira, é uma terra a "viver" nas duas margens do rio Tejo, fazendo desaparecer as barcaças, que transportavam veículos, cargas e pessoas, manobradas por hábeis barqueiros.
De qualquer forma, tem personalidade própria e é um movimentado centro agro – industrial e comercial. O seu mercado é um edifício particularmente notável, sobretudo do ponto de vista decorativo. Na parte mais antiga tem casas de boa traça, nomeadamente do século XlX. Na sua Praça de Touros actuaram os maiores nomes do toureio da Península Ibérica, e todos os anos, em Julho, os campinos e os entusiastas das largadas de touros aqui se juntam para a Festa do Colete Encarnado. Os campinos fazem competição de destreza, dançando o fandango e ajudam nas habituais touradas. São dois dias de festa rija em que anualmente se cumprem e vivem as genuínas tradições do Ribatejo.
Vila Franca de Xira, começa a sua história no século Xll, devendo-se o seu nome à vegetação natural que cobria a região inculta, designada por Xira ou Cira. Fracassaram as primeiras tentativas de povoamento por parte de cruzados franceses que haviam participado na tomada de Lisboa, e só posteriormente aí se fixaram populações permanentes. Foi domínio dos Templários e recebeu em 1510 foral manuelino (D. Manuel l). Como monumentos importantes, devem ser referidos a Igreja da Misericórdia, forrada de azulejos do século XVlll, a matriz, fundada em 1677 e reconstruída depois do terramoto de 1775, a Casa de Galache, com azulejos do século XVlll no pátio anterior, o pelourinho, o Chafariz do Alegrete, de 1797, a Fonte de Santa Sofia, de 1658; o celeiro, do século XVlll, e o Convento de Santo António, com igreja quinhentista.
O estudo da fauna bentónica, dos peixes e do zooplâncton, bem como a comparação dos resultados obtidos em diversas estações de recolha de amostras estrategicamente situadas ao logo do estuário do rio Tejo, pretende conseguir uma melhor compreensão dos fenómenos biológicos que ali se verificam.
A localização das estações obedeceu a um plano criteriosos que procurou estabelecê-las regularmente pelo estuário, de modo a poderem ser obtidos elementos sobre a fauna e a flora existentes em diferentes tipos de fundo e tendo em conta as diversas fontes de poluição, as variações de profundidade e sobretudo o grau de salinidade. Provou-se que para determinados peixes, o estuário funciona de facto como uma maternidade, e os movimentos das diferentes espécies começam agora a ser compreendidos, tendo já sido possível estabelecer um esquema premiliar da cadeia alimentar no estuário.
OUTRAS LOCALIDADES:
ALHANDRA: "É duvidoso o étimo que tem sido atribuído e este topónimo e segundo o qual foi dada à actual localidade, a designação de Alhama, escolhida pelos árabes por causa da riqueza local em águas sulfurosas, conforme tem sido escrito, acrescentando que foi este antigo nome Alhama, que se transformou em ALHANDRA". (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Vista do alto, do chamado castelo, onde se ergue a sua enorme igreja matriz, fundada em 1558 pelo cardeal D. Henrique e completamente reconstruída no século XX, Alhandra vive submersa num manto de cimento. O vermelho dos telhados é acinzentado, o branco das casas é acinzentado, os azulejos das casas têm tons forçados de predominância cinzenta. A povoação torna-se, no entanto, curiosamente bonita quando se desce e se começa a percorrê-la com cuidado. A maioria das casas é ainda da viragem e início do século, muitas delas com cobertas de azulejos industrial do século XlX. Da arte do ferro há interessantes varandas e sacadas. O coreto, embora tenha já perdido boa parte da sua moldura arquitectónica, está ainda bem conservados, e a sua implantação no meio de uma placa ajardinada permite-lhe cumprir a sua função na única praça da povoação aberta ao rio.
Alhandra é uma zona industrial e pesqueira. O cimento domina a povoação. Junto ao Tejo, as barracas e os barcos dos pescadores ribeirinhos são outra mancha de cor ondulante na massa azul escura do rio. Sobranceiro ao Tejo, um monte elevado, e a nascer dele uma coluna esguia com uma figura de a coroá-la. O cimo do monte é um local aprazível com vista sobre o Tejo e as suas ilhas. A coluna encimada por um Hércules, figura mitológica que simboliza a força, assinala o termo das Linhas de Torres Vedras, série de fortificações edificadas em lugares estratégicos aquando das Invasões Francesas. A Base da coluna – memória tem duas inscrições de metal com a data de 1883, perpetuando a memória do oficial real do Corpo de Engenheiros, Neves Costa e do oficial inglês J. Fletcher: o primeiro fes os estudos do terreno onde o segundo construiu as linhas.
À saída de Alhandra, no caminho para Vila Franca de Xira, na Quinta do Paraíso, uma placa diz-nos que aí nasceu em 1453, o 2º vice – rei da Índia, Afonso de Albuquerque.
ALVERCA: "É o nome comum alverca, do árabe albirka, pequena lagoa ou terreno pantanoso. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Povoação ribeirinha com os atractivos de quem ainda vive do Tejo, Alverca tem sobretudo interesse por causa do seu museu, o Museu do Ar. Do seu recheio, contam-se algumas réplicas dos principais aviões que encetaram a epopeia aérea no nosso país, centenas de modelos, pinturas e variadíssimos instrumentos, motores, armamento, filatelia e medalhística.
A antiga Casa da Câmara e a Igreja de São Pedro merecem ser admirados como testemunhos do passado, bem como os padrões do termo de Lisboa, dois obeliscos com as armas reais, datados de 1782, na antiga estrada.
BENAVENTE: Esta povoação foi fundada em 1199 por colonos estrangeiros, em obediência ao plano de D. Sancho l de povoar as terras conquistadas aos mouros. Supõe-se, porém, que já existiria no tempo dos romanos, pois recebeu foral de D. Paio, mestre da Ordem Militar de Évora, em 1200, confirmado em Santarém em 1218. Em 1516, D. Manuel l concedeu-lhe novo foral.
Situada numa colina à beira do rio Sorraia (afluente do rio Tejo), rodeada por extensas planícies, a região é fertilíssima e propícia à cultura do arroz.
O tremor de terra de 23 de Abril de 1909, abalou profundamente, toda a área, abrindo fendas nas aluviões do Tejo, do Sorraia e do Almansor (outro afluente do Tejo), e provocou grandes ruínas na vila.
Não obstante, a povoação tem um aspecto agradável e simpático, e no seu tecido urbano inserem-se apreciáveis residências, antigas e modernas, e um parque arborizado onde se integra a nova Igreja paroquial. Junto do Cais Velho, ainda se vislumbram, na toponímia e na estrutura dos edifícios antigos da sua navegação fluvial, anterior às obras de hidráulica que transformaram substancialmente a região. No Largo do Município, fronteiro aos Paços do Concelho, foi reerguido um gracioso pelourinho quinhentista.
SAMORA CORREIA: O documento mais antigo que se lhe refere è uma carta de 3 de Março de 1367, pela qual D. Fernando l, couta as herdades e quintas da região. Em 1500, D. Manuel l outorgou-lhe foral.
É povoação muito antiga, essencialmente agrícola, tira proveito dos terrenos férteis que a envolvem. Está rodeada de um lado por vastos arrozais e do outro pela campina, que se estende a perder de vista. O comércio do sal e dos seus produtos agrícolas constitui a principal actividade da localidade. A Igreja matriz tem uns interessantes azulejos, de vários estilos. Ainda subsistem as estruturas do Palácio da Companhia das Lezírias, em frente da Igreja paroquial. No seu âmbito situa-se a extensíssima Herdade das Pancas. Da torre da Igreja paroquial, avistam-se a vasta lezíria de Vila Franca de Xira e as povoações da margem direita do Tejo e da Quinta da Murteira, as várzeas e o paul de Belmonte até Santo Estevão. Em Samora Correia, estiveram escondidos os filhos bastardos de D. João V, perseguidos pelo Marquês de Pombal, numa residência que ficou conhecida pela Casa dos Meninos de Palhavã.
Nas campinas das margens do Tejo deparam-se-nos milhares de hectares de pastagens onde se criam em abundância bovinos mansos e bravos. Tal número de animais criou no Ribatejo um tipo próprio de homem – o campino - , um tipo próprio de tarefa: a lide do touro, desde que nasce até à arena ou ao abate. A festa brava, é um espectáculo que muitos apreciam, com seus cambiantes, em que a dança se combina com a resistência – o fandango. A figura do campino, hoje mais rara que outrora, é sempre uma imagem muito agradável de contemplar, com o seu trajo próprio, formando unidade com o cavalo que monta serenamente, percorrendo a lezíria de lés a lés, brandindo o pampilho (longa vara) ou poisando-o graciosamente no ombro, em descanso; guiando a boiada para as pastagens mais convenientes ou para as terras altas quando surge a ameaça da cheia. É a ele ainda que compete cuidar dos animais, separar os garraios para a ferra e para a tenta e os touros para os combates na arena. A ferra e as tentas são actividades realizadas com o fim de manter a pureza da casta e acentuar o carácter de bravura do gado. São, portanto, operações indispensáveis à cuidadosa preparação do touro bravo. Durante a ferra, como seu nome indica, destinada a marcar o animal com o ferro da casa a que pertence, faz-se a primeira observação real da bravura do bicho, mas é preciso evitar que este adquira manhas que o tornem menos nobre. O objectivo das tendas consiste, para além do espectáculo que proporciona, em escolher os continuadores da casta, seleccionando-os pela bravura de que derem provas.
As lezírias do Ribatejo, desde D. João lV, pertenciam na sua quase totalidade à Casa do Infantado, por ele criada a favor de ser segundo filho, o infante D. Pedro, o que causou certa inveja a seu irmão, mais tarde D. José l. O solo da lezíria é formado sobretudo por aluviões transportadas pelas águas do rio, o que confere às terras enorme produtividade.
A região compreendida entre Muge, Salvaterra de Magos e Coruche foi, até à Segunda metade do século XlX uma imensa charneca arenosa. Por essa época, devido ao aforamento dos baldios municipais, estes territórios foram ocupados por uma população oriunda principalmente da Beira Litoral. O facto de estas terras serem ricas em água e o modo hábil como foram sendo amanhadas com a introdução regular de adubos, tornaram estes terrenos pobres, em solos bons produtores de vinho, cereais e legumes.
CORUCHE: Conquistada ao mouros por D. Afonso Henriques em 1166, foi perdida e recuperada em 1182 por este rei, que lhe concedeu foral no mesmo ano, confirmado em 1218 por D. Sancho l. Em 1513, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo. A localidade de Coruche conserva bastantes casas com pórticos brasonados e edifícios que denunciam a estrutura arcaica.
A localidade dedica-se sobretudo a actividades agrícolas e pecuárias, embora nos últimos anos se tenha verificado um grande desenvolvimento comercial.
Rodeada de terrenos extremamente férteis, várzeas aluviais do Sorraia, que ao longo dos anos foi alterando seu curso, Coruche é uma povoação alegre e airosa, de casas baixas de boa arquitectura popular, ruas funcionais, largos e praças.
MUGE: Esta localidade está formosamente situada sobre a margem esquerda do Tejo, em vasta e amena planície. Diz-se que seu nome lhe provém de muitos muges (peixes) que se pescam em frente à povoação: por isso, antigamente, se chamava Porto de Mugem.
A primitiva vila de Muge foi couto do Mosteiro de Alcobaça, mas os frades entregaram-na à Coroa no início do século XlV e a ela ficou pertencendo até que em 1648, os Duques de Cadaval se tornaram seus donatários. Devido à sua situação plana, de baixa cota, na lezíria do Tejo, é muitas vezes atingida pelas cheias. As marcas da altura da água nas grandes cheias deste século estão assinaladas nas paredes de muitas casas e portões, como se pode ver, por exemplo, no portão fronteiro à entrada do Palácio de Cadaval. Este palácio, modernizado embora, é um edifício de carácter que conserva no exterior a nobreza e a dignidade de outras épocas, especialmente na fachada, ladeada por dois corpos sobreelevados, com arcaturas e alpendre. Tem uma capela privativa dedicada a Nossa Senhora da Glória, construída nos meados do século XVlll.
Outro motivo de interesse, a nível internacional, da região é a existência no seu âmbito dos concheiros pré – históricos do paul de Muge – o Cabeço da Arruda, na margem direita da ribeira de Muge, a 12 metros acima do nível do paul, o Cabeço da Amoreira, a Fonte do Padre Pedro e a Moita do Sebastião, que distam, respectivamente, 1 , 3 e 1,5 Km do primeiro. Nestas jazidas mesolíticas ou epipaleolíticas – transição do Paleolítico para o Neolítico – foram encontrados vários esqueletos humanos e restos de cozinha, constituídos por cinzas, carvões, instrumentos de pedra, ossos de animais e, sobretudo conchas, o que prova já a existência sedentária do homem naquelas épocas recuadas – "uma existência humilde de caçadores e pescadores".
SALVATERRA DE MAGOS: Foi povoada por D. Dinis a partir de 1295, ano em que lhe foi concedido o primeiro foral. D. João lll doou-a a seu irmão D. Luís, que mandou edificar um palácio por onde passaram, entre 1763 e 1791, as maiores figuras líricas da época. A Corte deslocava-se com frequência a Salvaterra de Magos, nomeadamente no tempo de D. Maria l.
Antiga vila cortesã, estância favorita dos reis da dinastia de Bragança desde os fins do século XVl, mandada edificar pelo infante D. Luís, irmão de D. João lll, Salvaterra de Magos possuía um magnífico palácio, com jardins caprichosos, um circo tauromático e um teatro de ópera onde cantaram os maiores artistas, que foi destruído por um grande incêndio e do qual apenas restam a Capela real e as estruturas da curiosa falcoaria, exemplar único na Península.
O que atraía os reis para estas paragens, era a recheadíssima Coutada Real, local de contínuas caçadas. Junto à Casa da Ópera foi misteriosamente assassinado o Marquês de Loulé, na noite de 28 para 29 de Fevereiro de 1824, e pouco tempo depois registou-se o incêndio que destruiu inteiramente o palácio.
Rodeada de pinhais, vinhas e pastagens, a vila sobressai plana e branca, com ruas largas, direitas e paralelas, que surpreendem em povoação tão antiga.

 

Vila Franca de Xira
http://www.cm-vfxira.pt/autarquia/
A localização do território de Vila Franca de Xira na planície hidrográfica do Tejo levou a que esta área não ficasse alheia à romanização, podendo falar-se não só em presença romana - comprovada pela existência de achados dispersos na quase totalidade das freguesias, mas também de ocupação romana, nomeadamente em Povos.
Favoravelmente condicionada pela sua situação geográfica, a região de Vila Franca foi, na época, atravessada pela principal via terrestre de acesso a Lisboa (Olisipo) que, em Alverca, se bifurcava: seguia uma pelo vale de Vialonga para Santo Antão do Tojal e Loures e a outra ladeava o rio na direcção da Póvoa de Santa Iria. O rio era, no entanto, a grande via navegável por onde chegavam e se escoavam os produtos.
A comprová-lo, o conjunto de ânforas que têm sido encontradas por pescadores no leito do Tejo, nomeadamente junto aos mouchões de Alhandra e da Póvoa, e que denunciam a intensa actividade comercial romana. Transportadas nos porões dos navios, as ânforas continham produtos como o vinho, o azeite, os cereais e as conservas de peixe.
Também lápides funerárias epigrafadas, existentes em várias freguesias do concelho, testemunham a presença romana. Dedicadas aos deuses Manes são as lápides epigrafadas provenientes do monte do Senhor da Boa Morte (Vila Franca de Xira), da Póvoa de Santa Iria e de São Romão (São João dos Montes). Em Alverca (Bom Sucesso) foi encontrada uma outra lápide funerária que se encontrava deslocado do primitivo contexto.

 

Vila Franca de Xira
http://www.bib-municipal-vila-franca-xira.rcts.pt
Os primeiros vestígios de ocupação humana no concelho de Vila Franca de Xira remontam ao período Paleolítico inferior. Trata-se de instrumentos de pedra lascada recolhidos nas formações geológicas fluviais dos Terraços quaternários de Alverca e Castanheira. Os recursos alimentares eram abundantes: peixe e marisco, caça de animais que se deslocavam na área e ainda os vegetais comestíveis que cresciam nos vales.
O Império Romano também marcou a sua presença no actual território do concelho, que foi atravessado pela principal via de acesso a Olisipo (Lisboa).
Da passagem dos muçulmanos, chegaram até aos nossos dias alguns topónimos: Alpriate, Alfarrobeira, Alhandra e Alverca.
Vila Franca de Xira foi doada por D. Afonso Henriques a um grupo de cruzados ingleses após a conquista de Lisboa.
Em 1200 D. Sancho I fez nova doação a D. Raulino e a outros flamengos. Em 1206, os flamengos fazem a sua devolução à coroa e D. Sancho I doou-a a D. Froila Hermiges que concedeu o primeiro Foral em 1213.
Posteriormente obteve foral novo, no âmbito da reforma de D. Manuel, em 1510.
No tempo da expansão marítima do país, o concelho esteve envolvido na construção em Povos, da frota que levou Bartolomeu Dias a dobrar o Cabo da Boa Esperança em 1488.
No início do século XIX toda a região foi abalada pelas invasões francesas. A localização do concelho levou à construção do sistema defensivo de fortes, que ficou conhecido por Linhas de Torres Vedras.
De 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 em Vila Franca de Xira, ocorre o golpe de estado absolutista — a Vilafrancada.
Em 1836 é constituída a Companhia das Lezírias do Tejo e Sado, que introduziu características do capitalismo agrário em toda a zona. Destacava-se a produção de trigo, cevada, milho e legumes, bem como a abundância de caça e gado. A pesca, em que o Tejo era abundante, constituía naturalmente outra actividade importante.
A inauguração do primeiro troço de linha férrea do pais - Lisboa ao Carregado - em 1856, marcou o inicio de um novo período de desenvolvimento da região.
No final do século XIX, assiste-se à forte industrialização do concelho, que durou até aos nossos dias.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

 

                                      

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

 

Todos os direitos reservados a Carlos Leite Ribeiro
Página criado por Iara Melo
http://www.iaramelo.com