Distrito da GUARDA

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Aguiar da Beira – Almeida – Celorico da Beira –

Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres – Gouveia – Guarda (Concelho da) – Manteigas – Meda – Pinhel – Sabugal – Seia – Trancoso – Vila Nova de Foz Côa

 

 

 

 

Distrito português, pertencente à província tradicional da Beira Alta, salvo os concelhos mais a norte, que pertencem a Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte com o Distrito de Bragança, a leste com a Espanha, a sul com o Distrito de Castelo Branco e a oeste com o Distrito de Coimbra e com o Distrito de Viseu. Área: 5518 km². Capital e Sede de distrito:  cidade da Guarda.

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“Distrito da Guarda, é formado pela antiga província da Beira Baixa, tem uma superfície de 548.220 Km2 e uma população de 261.630 habitantes. Compreende 14 concelhos e 329 freguesias. Povoações mais importantes: Guarda Pinhel e Almeida. Região montanhosa, em grande parte nos contrafortes da Serra da Estrela. É banhado pelo Rio Douro, que separa este distrito do de Bragança, pelos afluentes da margem esquerda deste rio, e ainda pelos rios, Águeda, Côa, Aguiar, Torto, Távora; Mondego e seu afluente Alva, e pelo Zêzere. Indústria de panos de lã chamados de Saragoça. Minas de chumbo e estanho”.

 

 

 

Guarda – (Capital e Concelho do Distrito de Guarda)

 

 


Origem do nome:

Afonso lll, das Astúrias, derrotou os mouros em Coimbra, Viseu, Lamego e Chaves; e, julgando indispensável pôr um forte obstáculo às correrias dos mouro de Alcântara (Espanha) e dos que habitavam os campos de Idanha-a-Velha, escolheu o ponto, já pela natureza defensável, da Serra da Estrela, e ali fez construir um temeroso e altíssimo castelo, além de servir para o que já dissemos, fosse também atalaia, vigia, sentinela ou “guarda”. Eis porque à fortaleza se deu o nome “Garda” ou “Warda”, que hoje se diz GUARDA.”. (Domingo Ilustrado de 1898).
Outra opinião;
“A cidade da Guarda tirou, segundo todas as possibilidades, o nome da sua posição estratégica:
O ponto haverá sido a guarda ou sentinela contra a moirama. Forma antiga de Guarda era “Garda”, mas isso não admira; “guarda”, “guardar” , “guardante” , etc., eram em português antigo (e ainda são hoje em bocas populares) “garda”, “gardar”, etc.. O nosso povo, em muita parte, prefere – “garda” aí isso; “gardei” etc.”. (Prof. Dr. Vasco Botelho do Amaral – 1949).
A cidade da Guarda é capital de distrito e cabaça de concelho; fica num contraforte da serra da Estrela (a mais alta de Portugal - 2.000 metros do nível do mar). Têm sido encontradas antiguidades pré-históricas e romanas. Tem sanatório e igreja gótica. O concelho tem 53 freguesias e 41.900 habitantes.
O distrito da Guarda tem uma superfície de 548,220 Km2 e uma população de 261.630 habitantes: compreende 14 concelhos e 329 freguesias. Os concelhos são: Aguiar da Beira, Almeida, Ceia, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornes de Algores, Gouveia, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal, Trancoso, Vila nova Foz Coa. Região muito montanhosa, em grande parte pelos contrafortes da serra da Estrela. O distrito é banhado pelo rio Douro, que separa o distrito do de Bragança, pelos afluentes da margem esquerda do Douro, rios Águeda, Coa, Aguiar, Torto e Távota; pelo rio Mondego e seu afluente Alva e pelo rio Zêzere (afluente do rio Tejo). Indústria Textil e minas de chumbo e de estanho.”.
Nos fins do século Xll, o lugar onde se ergue a cidade da Guarda, era um ermo. Foi povoado por ordem de D. Sancho l, que lhe concedeu foral e regalias em 1199 e para aqui fez transferir a sede da diocese. Este primeiro foral foi confirmado pelo mesmo rei em 1217 e 1229 e mais tarde em 1254, por D. Afonso lll.
Em 1465, foram convocadas as Cortes na Guarda, por D. Afonso V.
D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1510 e concedeu a seu filho D. Fernando o título de Duque da Guarda.
A fundação da Guarda ficou imortalizada pela pena do poeta e rei D. Sancho l, que pôs na boca da sua amada a famosa cantiga de uma amigo que hoje se pode ver gravada em placa de mármore num prédio da rua D. Shancho l, onde, segundo a tradição, o rei teria vivido e ditado a canção, quem sabe se inspirado nos olhos doces e belos da Ribeirinha, a mulher sedutora e amante:


“Ay eu coitada / Como vivo en gran cuidado / Por meu amigo / Que ei alongado !
Muito me tarda / O meu amigo na Guarda !
Ay eu coitada, / Como vivo em gran desejo / Por meu amigo / Que tarda e não vejo !
Muito me tarda / O meu amigo na Guarda !” (D. Sancho l).
À Guarda chama-lhe o povo farta, forte, fria, falsa e feia.


Ao primeiro epíteto liga-se a abundância doas suas terras.
Da sua fortaleza qinda falam os troços e portas das muralhas e a torre de menagem do castelo, erguida a 1056 metros de altitude.
Quanto ao clima, agreste, frio e seco, ele poderá ser experimentado por quem rume à cidade em dia de Inverno.
Do século XlV lhe advém o apodo de falsa, pois, durante a crise de 1383-1385, o bispo da cidade, Afonso Correia, franqueou as portas do seu paço ao rei de Castela, em contraste com a atitude do alcaide-mor, Álvaro Gil, que se negou a entregar-lhe as chaves do seu castelo – e bastou a atitude de um homem para que não mais se apagasse da memória das gentes a traição da cidade.
A cerca de “feia”, é um epíteto completamente injusto ...
Pouco de sabe de épocas mais recuadas, já que se perderam quase por completo documentos sem os quais é praticamente fazer a sua história.
Todavia, pode sentir-se pulsar a vida da urbe medieval ao percorrer-se lentamente as ruas estreitas e sinuosas da parte velha da cidade, que abraça a Igreja de São Vicente.
Se escasseiam os documentos escritos relativos aos primeiros tempos da cidade, não faltam, porém, os documentos imperecíveis. São os troços de muralha e as três das seis portas primitivas, na sua maior parte construídas com pedras sigladas. De salientar a que hoje se chama Torre dos Ferreiros, que possuía uma porta de guilhotina e troná-la quase inexpugnável e de onde pode admirar-se um extraordinário panorama. O castelo conserva lanços de muralhas da cerca primitiva, a torre de menagem, que data do século Xll, e a Torre de Ferreiros, provavelmente do século Xll. Nas muralhas rasgam-se três portas, das quais uma com guilhotina, única em Portugal. A construção é desprovida de ameias, e o caminho de ronda segue no interior através do alto muro.
A Rua dos Ferreiros, cujo nome recorda as corporações medievais, continua ainda hoje a vender os mais variados objectos, desde o artesanato de folha-de-flandre às modernas armas de caça.
Na época de D. João l, começou a construção da catedral, o ex-libris da cidade. A anterior havia sido demolida, por motivos estratégicos, no reinado de D. Fernando l. As obras terão principiado em 1390 e só viriam a terminar no segundo quartel do século XVl. Ao mesmo tempo levava-se a cabo, na vila da Batalha, a contrução da jóia do gótico português ( o Mosteiro de Santa Maria da Vitória). Enquanto nesta se recordava a mais dura e decisiva batalha travada pelos portugueses para a conquista da sua independência, naquela mostra-se a altivez e grandeza lusíadas ao reguer-se, mesmo junto à fronteira, monumento tão grandioso. O rico da Catedral da Guarda ficou a dever-se a Filipe e Pedro Anriques, filhos de Mateus Fernandes, um dos arquitectos do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha).
No interior da Sé não se pode deixar de admirar o retábulo, a maior obra saída da oficina coimbrã de João Ruão. É um grandioso quadro escultórico com mais de 100 figuras, no qual perpassa toda a vida de Cristo, desde o nascimento à morte na cruz. Na Capela dos Pinas encontra-se o túmulo do fundador da catedral, que, segundo a tradição, se teria lançado do terraço de cobertura quando, tendo desafiado a população a pôr algum defeito na sua obra, uma “velhinha” declarou ser o portal excessivamente pequeno para um conjunto tão majestoso.
No declinar do século XV, dois acontecimentos agitaram a vida da pacata cidade que ao tempo a Guarda devia ser: e expulsão dos Judeus de Espanha, ordenada pelos Reis Católicos, e a ratificação do Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, que se teria verificado no edifício onde estão instalados os Paços do Concelho. Trata-se de um prédio com uma elegante galeria no rés-do-chão, que termina em platibanda encimada por esferas armilares e pináculos.
A expulsão dos Judeus de Espanha deve ter representado uma lufada de ar fresco na vida e no comércio citadinos. Situando-se a Guarda junto à fronteira, aqui se deve ter estabelecido grande número de israelitas, como aliás sucedeu em muitas outras zonas fronteiriças. Aqui eles teriam ocupado um bairro que por isso passou a chamar-se Judiaria e que se estenderia ao longo da actual Rua do Amparo, onde um lintel de uma porta ostenta ainda uma inscrição judaica.
Mas a estada do Judeus na cidade não data apenas dessa época. Já no reinado de D. João 1 aqui viviam, e foi de cepa israelita que haveria de sair a lustre Casa de Bragança, quando o rei, apaixonado pela bela e doce jovem Inês Fernandes, filha do sapateiro Barbadão, lhe gerou um filho que iria a ser o primeiro Duque de Bragança (D. Afonso, 3º Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, filho de D. João l de de D. Inês Fernandes. Na Monarquia Portuguesa encontram-se muitos titulares Judeus). O sapateiro, morador na actual Rua de D. Sancho, era homem honrado e simples, e em sinal de penitência pelo erro da filha não mais fez a barba até ao fim da vida, razão pela qual ficou para sempre conhecido pela alcunha de o Brabadão.
Deste século e dos seguintes serão muitos dos edifícios que ladeiam hoje a Praça da Sé, magnífico quadrilátero arquitectónico com a Sé Catedral a norte, os Paços do Concelho a oriente, a sul uma interessante galeria coberta onde a tradição comercial se mantém e do lado ocidental, a fechar a praça, uma bela varanda de solar com capitéis jónicos. No edifício sobre a galeria, uma das gárgulas indica a data da construção: 1693.
A praça, outrora coração da cidade, continua hoje a cumprir a sua função social, podendo ver-se os Guardenses, em dias de Primavera, a deambular ao longo dos passeios.
Do século XVll são também o edifício que foi construído para seminário e paço episcopal, no qual se abrigam hoje vários serviços públicos, e o Museu Regional. O século, século da renovação e revolução barrocas, deixou marcas indeléveis na cidade, como as Igrejas de São Vicente e a Igreja da Misericórdia.
 

A primeira construída pelo bispo D. Jerónimo Rogado Pereira, tem uma fachada ladeada pelas torres sineiras e magníficos painéis de azulejos da época. Nelas perpassa toda a vida de Cristo e Sua Mãe, a Virgem Santíssima, desde o casamento com São José às cenas da Via Sacra. Os altares, exemplares típicos do barroco tardio, são do mesmo período estilístico.
Quanto à Igreja da Misericórdia, é um templo barroco da época de D. João V. A fachada, tal como a de São Vicente, é ladeada por duas torres sineiras. Termina em frontão com arquitrave, friso e cornija. Um baldaquino abriga um imagem de jaspe da Virgem da Misericórdia. No interior, são notáveis os altares, que se podem incluir no estilo rococó.
No nosso século, e sobretudo nas últimas décadas, a Guarda tem sido profundamente marcada pela imigração. A construção de edifícios modernos tem contribuído para a renovação da cidade, dando-lhe um aspecto fresco e agradável.

 

Guarda
http://www.mun-guarda.pt
O Concelho da Guarda fica localizado na província da Beira Alta, confinante com os concelhos de Celorico da Beira, Pinhel, Sabugal, Manteigas e Belmonte. Trata-se de um concelho de dimensão média, composto por 52 freguesias rurais e três urbanas, compreendendo três bacias hidrográficas: Mondego, Côa e Zêzere.
Situa-se no último esporão Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 m (na Torre de Menagem do Castelo), dominando a portela natural do planalto beirão. Corresponde à cidade mais elevada do país, com domínio visual dos vales do Mondego e do Côa, o que cedo se manifestou como carácter preponderantemente defensivo.
As condições que o concelho apresenta não são as mais propícias à instalação de uma comunidade humana, todavia alguns elementos permitem datar uma presença humana em épocas remotas, como o final do Neolítico, princípios do Calcolítico, com um testemunho funerário, a anta de Pêra do Moço (freguesia de Pêra do Moço), datada do IIIº milénio.
Por todo o concelho encontram-se vestígios da Idade do Bronze e do Ferro, em sítios com uma defensabilidade natural, dominando vastos vales. Esta presença está, sem dúvida, relacionada com a prática da mineração, nomeadamente do ferro e do chumbo, e o controlo das portelas naturais, por onde circulavam as rotas do minério.
Em período medieval, a Guarda faria parte de uma malha de fortificações, sendo uma das mais importantes na escala hierárquica. Desta malha faziam parte outros castelos que teriam como função a defesa da fronteira com Castela e Leão, e da portela natural de travessia da Serra da Estrela. Do castelo da Guarda é possível um contacto visual com outras fortificações, como o Castro do Jarmelo (com ocupação medieval), Celorico da Beira, Trancoso, entre outros. "O papel que à Guarda foi destinado pelo seu fundador, que, em última análise, apenas pretendia ocorrer às necessidades políticas do reino, era o «guardar» a fronteira, ligando pela supremacia militar e topográfica as fortificações [...] como Linhares, Celorico, Trancoso[...]" (AGUIAR, 1941a: 29).
Foi a posição de destaque da cidade face ao território envolvente e compreendendo a importância de uma cidade poderosa no local em questão que levou D. Sancho I a atribuir foral à Guarda, a 27 de Novembro de 1199, visando o seu desenvolvimento e prosperidade.
A história da cidade da Guarda, nomeadamente do planalto que o Centro Histórico ocupa, tem início em época medieval, com os alvores da nacionalidade portuguesa . É sobretudo com o avanço do processo da reconquista até à linha do Mondego, com a conquista da cidade de Coimbra, que os monarcas portugueses se vão preocupar com a criação de mecanismos de defesa que permitam a formação de barreiras face aos avanços almóadas e leoneses para territórios recentemente conquistados. Assim, a instalação de pequenas comunidades em locais estratégicos, as atalaias, era um processo urgente de implementar, como forma de defender a fronteira e as portelas naturais.
Este será o caso da cidade da Guarda, cuja génese corresponde a uma pequena fortificação, conhecida como a Torre Velha, localizada na zona do Torreão. Como afirma SOUSA a cidade antes da atribuição do foral "[...]mais não seria que uma comunidade de pequena dimensão, dinamizada por colonos da região, mas também por alguns francos, guardada por uma pequena atalaia ou torre - uma guarda - que vigiava a circulação de gentes e bens que percorriam a via colimbriana, o principal eixo de penetração no planalto beirão." (SOUSA, 1999: 15).
As cidades portuguesas apresentam, no século XII, várias características comuns: muralhas de forma triangular ou trapezoidal, localizadas ao longo de uma colina, sobre um rio, com distinção entre a cidade alta, a alcáçova e a almedina (a cidade baixa).
Um dos marcos de referência das cidades medievais são as igrejas do interior do perímetro muralhado, que terão certamente influído na organização espacial do núcleo habitacional, levando a uma hierarquização das ruas.
Em 1260 são referidas as igrejas do espaço intra-muralhas: S. Vicente, Santa Maria da Vitória ou do Mercado, Santa Maria Madalena (próxima da Sé, a Este) e S. Tiago (a leste da Sé) . No interior das muralhas definiam-se vários bairros, sendo os mais conhecidos S. Vicente, a judiaria (ambos na mesma paróquia) e Santa Maria do Mercado.
Desta forma, torna-se evidente que existe no Concelho da Guarda um vasto Património Cultural, com vestígios de Comunidades Humanas desde tempos remotos. O seu estudo e conhecimento são essenciais na tomada de consciência do nosso passado comum, que é de todo o interesse preservar. Nota: Excerto retirado do relatório de caracterização histórica e do património construído do plano de pormenor do centro histórico da Guarda.

 

Foral da Guarda
Um Rei vestiu-se de Poeta e sonhou a Guarda. Deu-lhe foral, fê-la sede de Bispado e criou um ex-libris valioso: Ay muito me tarda/O meu amigo na Guarda. Pela boca da Ribeirinha, D. Sancho I, em cantiga de amigo, fingiu que era amor/o amor que deveras sentia. - Perdão Fernando Pessoa, mas eu também acredito que O poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente.
Invocar estas profundas e riquíssimas raízes históricas da cidade, da nossa identidade colectiva é motivo de orgulho e de responsabilidade.
Sancho, forte mancebo, que ficara/ Imitando seu pai na valentia/, como escreveu Camões, no seu gesto fundador, envolveu a Razão e os afectos. Desenhou a estratégia para o desenvolvimento da Guarda! Em boa hora!
Porta do Reino, o Rei Povoador percebeu os perigos do isolamento, do despovoamento (desertificação, diríamos, hoje), e conferiu privilégios aos pobradores, ciente de que favorecia a escolha dos que queriam/podiam viver aqui. E, através dos tempos, houve homens e mulheres que se deixaram prender pelos encantos desta terra de excepção em muitos domínios.
É grandiosa a herança que recebemos e é nosso dever irrecusável respeitá-la e desenvolvê-la. Sabemos que a Cultura é aquilo que se herda, mas também o que construímos, recriamos e renovamos.
Tornar a cidade da Guarda, um centro de irradiação cultural tem sido um imperativo da Câmara Municipal. A 27 de Novembro de 1999, nas Comemorações dos 800 Anos, entregamos à cidade os Forais sanchino e manuelino, as Confirmações, os Costumes ..., pilares da nossa identidade. Lembramos, assim, orgulhosamente o legado patrimonial, assumindo a responsabilidade da sua preservação e divulgação, sem esquecer a necessidade de renovar, recriar, de rasgar horizontes em intercâmbio com outras culturas.
Durante o ano de 1999, todos os meses, dia 27, em diálogo com a comunidade activa Guardense, temos vindo a homenagear D. Sancho I, o seu gesto fundador, acrescentando privilégios à cidade e à região.
Confiantes no futuro, na sorte de sermos guardenses, beirões, portugueses, europeístas, de coração aberto a todos os povos do mundo, brindamos aos oitocentos anos do Foral, ao Rei que há oitocentos anos se vestiu de Poeta... À GUARDA!
Maria do Carmo Pires Almeida Borges

 

 

 

 

 

Aguiar da Beira – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

Teve foral dado por D. Teresa em 1120, confirmado depois por D. Afonso ll e D. Urraca e reformado em 1258 por D. Afonso lll. Em 1512, D. Manuel l concedeu-lhe foral novo. O concelho, suprimido em 1896 e anexado ao do Trancoso, foi restaurado em 1898.

O núcleo principal de Aguiar da Beira tem a sua origem entre rochedos da Serra da Lapa, os mais altos dos quais foram pelos primeiros moradores transformados em castelo.

Origem do nome:

«Do “Domingo Ilustrado – 1897”»: “O nome que adoptou, derivam-no uns autores de haver possuído o castelo um cavaleiro de apelido Aguiar; outros, de abundarem as Águias naquela altura, assim como vale próximo tomou o nome das aves de rapina, chamada açores; contra esta versão milita, porém, a circunstância de não haver memória de aparecerem águias naquela região”.

 

Aguiar da Beira
http://www.cm-aguiardabeira.pt
             O Vasto património arqueológico existente nesta região prova que o seu povoamento remonta à Pré-História. Os vestígios mais antigos da presença do Homem são os quatros dólmens de Carapito e os castros da Gralheira, de Carapito e da Serra das Abelhas.
Para o período romano existem alguns indícios que atestam a presença desta cultura no concelho, testemunhada por uma edícula de granito encontrada na freguesia de Penaverde (que se encontra depositada no Museu Histórico e Arqueológico de Viseu) e pela reutilização de silhares almofadados no pano da muralha do castelo alto-medieval da vila. Para esta época são, ainda, apontadas pistas que sugerem a passagem de uma rede viária secundária pela região.
O povoamento da região entre os séculos VI e XI é comprovado por diversos exemplares de sepulturas escavadas na rocha, que em alguns casos aparecem agrupadas (constituindo verdadeiras necrópoles) e noutros completamente isoladas.     Este concelho assumiu nos períodos medieval e moderno, ao que tudo indica, alguma preponderância. No Arquivo Nacional da Torre do Tombo existem os registos de vários documentos que o confirmam, designadamente, as cópias dos forais antigos de Penaverde e de Aguiar da Beira concedidos em 12 de Julho de 1240 e em 12 de Julho de 1258, respectivamente. No livro dos Forais Novos da Beira encontram-se os diplomas que atribuíram estatuto concelhio a Aguiar da Beira (4 de Maio de 1512), a Carapito (10 de Maio de 1514) e Penaverde (17 de Julho de 1514).
            No referido Arquivo encontra-se, igualmente, o exemplar da Carta de Feira concedida à vila de Aguiar da Beira pelo Rei D. Dinis, a 23 de Maio de 1308, bem como referências nos livros de Inquirições e nas Chancelarias de vários reinados. No século XVIII, recorrendo ao estudo das Memórias Paroquiais, podemos constatar que esta área geográfica estava ocupada de uma forma homogénea, repartindo-se os 4227 habitantes, aproximadamente, por três concelhos – Aguiar da Beira, Carapito e Penaverde. Verificou-se, também, que todas as freguesias foram integradas na Casa do Infantado (organização patrimonial da família dos reis de Portugal, criada na segunda metade do século XVII) e nela se mantiveram, provavelmente, até à sua extinção, em 1834. No século XIX, fruto da política liberal, a organização deste território sofreu algumas modificações. Com a reforma administrativa, Carapito e Penaverde perderam o estatuto de concelho, sendo integrados numa circunscrição municipal mais importante – a de Aguiar da Beira – situação que se manteve até à actualidade. O núcleo histórico da vila apresenta uma malha de traçado medieval, de onde se destacam três singulares monumentos nacionais: - a Torre do Relógio (com volume paralelepipédico de base quadrangular e com quinze metros de altura, encimada por ameias), a fonte ameada (construção de planta quadrangular que encerra um poço e uma fonte de chafurdo) e o Pelourinho (construído em granito, assenta sobre quatro degraus octogonais e inscreve-se no grupo de pelourinhos de gaiola).
            Estes monumentos compõem a antiga Praça Pública, designada, actualmente, por Largo dos Monumentos. Este integra, igualmente, a antiga Casa da Câmara (século XVIII), a Casa dos Magistrados (século XV) e a Casa Loureiro (século XVIII).
            De salientar, ainda, que sobranceiro ao casco histórico permanecem alguns vestígios do que teria sido uma fortificação medieval, sendo visível no seu pano de muralha a reutilização de silhares almofadados romanos.
            No panorama artístico e arquitectónico são locais de visita obrigatória a Ponte Portucalense sobre o rio Coja, a decoração interior do Santuário de Nossa Senhora dos Verdes, a Capela do Sr. do Castelinho, os Pelourinhos de Carapito e Penaverde e inúmeras casas brasonadas, Cruzeiros e Alminhas.

 

 


 

 

Almeida – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

A primitiva povoação, um pouco afastada da actual, parece ter sido fundada pelos mouros. Estando quase em ruínas na época de D. Dinis, foi reedificada no local onde permanece. Recebeu foral deste monarca em 1296. D. Manuel 1 mandou restaurar a fortaleza e outorgou-lhe foral novo em 1510.

Almeida tem uma gloriosa história, profundamente ligada à das lutas luso-castelhanas, devido à proximidade da fronteira.

Em 1810, estando Almeida cercada pelos invasores franceses, uma explosão nos paióis do castelo fez ir pelos ares a torre de menagem e provocou profundas brechas nas muralhas, o que levou à imediata capitulação.

Possui, no interior do Castelo, um espaçoso templo com três naves e diversos altares. Vários edifícios atestam a antiguidade e a nobreza da vila.

Origem do nome:

«Do ”Arquivo da História Pátria – 1897” »: “ É obscura a origem do nome Almeida; alguns etimologistas a fazem derivar da palavra mourisca “Talmayda ou Talmeyda”, que significa mesas ou superfície plana …

Não foi desde seus princípios fundada a vila no lugar que hoje ocupa, mas sim noutro próximo, o que serve de pretexto a diversas etimologistas para lhe derivarem o nome de outro vocábulo igualmente mourisco, que significa “campo das corridas”, fundando-se estes em que, sendo os guerreiros árabes, muito amantes de exercícios equestres, viriam àquele lugar “correr cavalos”, sendo nesse caso o radical “Almeidan”, de que, com o andar dos tempos, se fez a palavra portuguesa Almeida, que, outras muitas, não é mais do que uma corruptela dos termos agarenos”.

« J. de Vilhena em “As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza que têm brasões d’Armas – 1860”»: “Atribue-se a fundação desta vila aos mouros, e segundo os nossos antiquários chamavam-lhe ele Talmayda ou Talmeyda, donde vem a corrupção o seu nome de Almeida.

A palavra Talmayda, na opinião destes últimos, significava mesa, e era uma alusão ao sítio perfeitamente plano em que a vila fora edificada nesta sua primeira fundação. Era este sítio um campo próximo da actual povoação, para o lado do norte, no vale agora chamado o “Enxido da Sarça”. Posto que aquela etimologia seja seguida por todos os nossos escritores, fundando-se na opinião do cronista Frei Bernardo de Brito, que fundou a sua em uma escritura antiga que dava à vila de Almeida, o nome de Talmeida, parece-nos, apesar de tudo isto, mais provável, que o nome desta vila se derive da palavra Atmeidan, que quer dizer “campo ou lugar de corrida de cavalos”.

A predilecção que os árabes tinham por este divertimento, o assento plano da primitiva povoação, e das suas imediações, podem dar algum fundamento a esta opinião. Como a escritura a que se refere Frei Bernardo de Brito é em latim (e diz – Per Villam Turpini Talmeida, etc.). não admira, que ali se estropeasse a palavra Atmeidan quando naquelas eras se estropeavam os próprios vocábulos portugueses, acontecendo amiúde verem-se alguns destes escritos de diferente modo por autores contemporâneos”.

 

Almeida
http://www.cm-almeida.pt/historiadaregiao.htm
O território do Concelho de Almeida apresenta vestígios de presença humana desde o paleolítico, estando detectados alguns núcleos castrejos da Idade do Bronze e do Ferro, bem como informação clara sobre a presença romana.
Mas é no período medieval, com especial destaque para a época da formação da nacionalidade, que se estrutura a linha evolutiva caracterizadora do território em causa. Devendo-se esta evolução a dois factores fundamentais: a sua localização no limite fronteiriço do território português e a criação dos concelhos, como forma de garantir o povoamento da fronteira.
O Rio Côa constituiu durante um largo período temporal o limite dessa mesma fronteira entre o Reino de Leão e o território português, até que em 1297, com a assinatura do tratado de Alcanices durante o reinado de D. Dinis, se integram definitivamente os territórios a Este do Rio Côa em Portugal. Este avanço da linha de fronteira, vai condicionar o desenvolvimento futuro do território em causa, ganhando Almeida e castelo Bom, uma importância estratégica predominante em detrimento de Castelo Mendo situado na margem esquerda do rio Côa.
O actual Concelho de Almeida concentra em si a base de três concelhos criados na Idade Média. Almeida recebeu a carta de foral em 1296, por D. Dinis e revogado em 1510 por D. Manuel I , Castelo Bom recebeu foral em 1296 pela mão do mesmo monarca, revogado também em 1510, Castelo Mendo já detinha foral desde 1229, por iniciativa do Rei D. Sancho II, confirmado depois por D. Dinis em 1281 e revogado em 1510.
O Concelho de Castelo Mendo foi extinto em 24 de Outubro de 1855. As freguesias que o compunham (Azinhal, Peva, Freixo, Mesquitela, Monteperobolso, Ade, Cabreira, Amoreira, Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova, Parada, Porto Ovelha, Miuzela) foram anexadas ao Concelho do Sabugal. Em Dezembro de 1870 passaram a fazer parte do Concelho de Almeida, que já era composto por Vale de Coelha, Vale da Mula e Junça, com excepção da Parada, Porto Ovelha e Miuzela.
O Concelho de Castelo Bom foi abolido com as reformas administrativas liberais em 1834, tendo sido anexado ao concelho de Almeida, conjuntamente com as seguintes freguesias: Freineda, Naves, S. Pedro do Rio Seco e Vilar Formoso.
Mas o Concelho de Almeida, vai ainda absorver e perder área administrativa dos concelhos limítrofes. Assim em 1834 absorve as freguesias de Malpartida, Cinco Vilas e Reigada ao concelho de F. Castelo Rodrigo. Em 1883 anexa as freguesias da Malhada Sorda e Nave de Haver do extinto concelho de Vilar Maior. Em 1895 integra as freguesias da Miuzela, Parada, Porto Ovelha, do termo do Concelho do Sabugal, e Valverde do termo do Concelho de Pinhel, mas perde nesse mesmo ano, para o Concelho de F. Castelo Rodrigo as Cinco Vilas e a Reigada.
Eclesiásticamente, o território do Concelho de Almeida faz parte do Bispado da Guarda, embora no passado tenha pertencido ao Bispado de Cidade Rodrigo, Lamego e Pinhel.
No período do cisma do ocidente, em finais do século XIV, passou da Diocese de Cidade Rodrigo para a de Lamego, porque o Reino de Castela tinha aderido ao partido do Papa de Avinhão e Portugal tinha-se mantido fiel a Roma. Em 1770 foi criada por Clemente XIV a Diocese de Pinhel à qual se juntou Almeida, no entanto esta foi extinta em 1881 por Leão XIII, passando Almeida para a Diocese da Guarda.  
Toponímia da Vila
Existem várias versões para origem do nome Almeida. Mas o que todos concordam é que o nome é de origem árabe. Uns referem que vem do árabe Al Mêda e que significa a mesa, pelo facto da povoação se encontrar situada num vasto planalto, no planalto das mesas. Há também quem afirme que vem do árabe Atmeidan que significa campo ou lugar de corrida de cavalos. Frei Bernardo de Brito, natural de Almeida e cronista-mor do reino, afirma derivar, Almeida, da configuração do terreno em que a Vila se encontra edificada e cujo nome original é Talmeyda.   A lenda diz que a sua origem vem de uma mesa cravejada de pedras preciosas que em tempos existiu naquele lugar.  De tantas versões o que parece correcto é que o termo Almeida tem a sua origem árabe, dado que o prefixo al é dessa proveniência.

Alma até Almeida
No tempo das Invasões Francesas, Napoleão invadiu Portugal pela terceira vez. Em 19 de Janeiro de 1812 encontrava-se em Ciudad Rodrgo o jovem tenente John Beresford foi ferido e dirigiram-no até ao "Hospital do Sangue", em Almeida. Na viagem a dor foi-se instalndo e manifestando de tal ordem que o soldado que o acompanhava lhe foi incutindo a esperança dizendo-lhe: ALMA ATÉ ALMEIDA, meu Tenente! ALMA ATÉ ALMEIDA.. E conseguiram chegar sãos e salvos até ao destino.
O Tenente John Beresford encontra-se sepultado na Praça Alta, em Almeida.

 

 

 

 

 

 

Celorico da Beira – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

Povoação muito antiga, recebeu privilégios e foral de D. Afonso Henriques, confirmados por D. Afonso ll, em 1217. D. Manuel l outorgou-lhe novo foral em 1512.

Celorico da Beira deve a manutenção do seu povoamento à sua posição estratégica, no cimo de um outeiro do qual se domina vasto panorama. Na Idade Média, a sua posição de castro pré-romano foi aproveitada para a construção de um forte castelo, à sombra do qual se travaram encarniçadas lutas entre as hostes portuguesas e castelhanas. Dois episódios dessas lutas teriam mesmo originado as armas da vila, que ostentam um crescente e cinco estrelas e uma águia com uma truta suspensa nas garras. O crescente e as estrelas simbolizam a noite gloriosa em que a Lua e as estrelas, irradiando quase tanta luz como o Sol, permitiram aos portugueses obter retumbante vitória sobre os exércitos, talvez castelhanos. A águia, a rainha das aves, é o símbolo da sagacidade e manha usada pelo governador do Castelo de Celorico da Beira, Fernão Rodrigues Pacheco, fiel a D. Sancho ll. O Castelo encontrava-se sitiado pelos partidários de D. Afonso lll, começando a faltar os mantimentos, pelo que estava à beira da capitulação. Mas uma águia, sobrevoando ocasionalmente a praça do Castelo, deixou cair uma bela truta que apanhara em qualquer rio da região. O governador mandou preparar deliciosa iguaria, que enviou como oferta a D. Afonso lll. Este, convencendo-se de que aquilo era apenas uma pequena amostra das reservas dos sitiados, levantou o cerco e deixou Celorico.

Origem do nome:

«Luís Duarte Vilela da Silva, do “Compêndio Histórico da Vila de Celorico da Beira – Lisboa 1807”» :” Sobre um levantado cabeço, que confronta a Serra da Estrela, três léguas ao poente da cidade da Guarda, está situada a vila de Celorico, na Província da Beira. Brigo, quarto rei de Espanha, a edificou 1091 anos antes da vinda de Cristo. Rodrigo Mendes Silva, e outros historiadores a contam no número daquelas cidades, que eram sujeitas a Braga, e de que Plínio já fizera uma honrada memória conhecida pelo nome Celiobriga.

Fundou-se esta povoação sobre um Cerro, donde alguns querem tirar a etimologia de Cerro-Rico ou de Rico-Céu, em alusão à bondade do clima, fertilidade do terreno, e pureza de seus ares; pois é de admirar, que sendo aquelas terras frias, e destemperadas pelos continuados zelos, que as crescem, e as escaldam, seja a de Celorico a mais preservada, que é um fenómeno congelar-se ali a água ainda no mais rigoroso Inverno”  

 

Celorico da Beira
http://www.cm-celoricodabeira.pt/turismo/historia.asp
O concelho de Celorico da Beira localiza-se na vertente norte da Serra da Estrela, entre os concelhos de Fornos de Algodres (a oeste), Gouveia (a sul), Guarda (a este) e Trancoso (a norte). Situado na província da Beira Alta, distrito da Guarda, este concelho possui 22 freguesias e 24 anexas numa área total de 249,93 km2. Tem uma população de cerca de 10 500 habitantes.
O rio Mondego, que nasce na Serra da Estrela e termina na Figueira da Foz, tem um percurso de 227 km, 22 dos quais neste concelho. Para além da própria vila, as suas águas banham as freguesias de Açôres, Lageosa, Ratoeira, Baraçal, Forno Telheiro e Jejua. Curiosamente, o seu percurso divide o concelho ao meio.
A vila de Celorico da Beira situa-se na margem esquerda do rio Mondego, na vertente setentrional da Serra da Estrela, a uma altitude de cerca de 550 m. A posição estratégica da vila é acentuada pelo rio, uma vez que a circunda a leste, norte e oeste, permitindo-lhe desfrutar de uma favorável defensabilidade natural.
Já muito se escreveu sobre a origem da povoação. Para alguns autores[1] terão sido os Túrdulos os primeiros a ocupar este território, 500 a.C.. Outros acreditam na sua fundação, dois milénios a.C., por Brigo[2]. Por aqui terão passado romanos, godos e árabes.
Sobre a presença Túrdula na região importa referir que autores como Jorge de Alarcão[3] e Carlos Fabião[4] apontam o litoral atlântico como sendo a zona ocupada por este povo. Ambos referem para a região beirã uma ocupação lusitana. Também Adriano Vasco Rodrigues refere que os “[...] povos que viviam nestes castros da Beira eram os lusitanos [...]”[5].
A presença romana no concelho de Celorico aparece-nos comprovada pela existência de alguns troços viários: calçada romana de Celorico da Beira (séc. I a.C/séc. IV d.C., conjectural) ; Estrada dos Almocreves (troço de calçada romana e medieval)[6]. Em todo o caso, como refere Adriano Vasco Rodrigues, “[...] uma presença só por si não implica uma assimilação cultural [...]”[7].
Relativamente à presença árabe na região o mesmo autor refere que: ”Embora o povo [...] atribua todos os monumentos antigos aos Mouros, não há neste concelho monumentos que comprovem a sua permanência.”[8]
De facto, toda a ocupação da região anterior à época medieval necessita de comprovação arqueológica, que nos permita consolidar, ou não, estas teorias ocupacionais de que tanto se tem escrito.
Do relatório das sondagens arqueológicas realizadas entre 1996 e 1997, pela Dra. Isabel Ricardo, no recinto fortificado da vila, podemos concluir também uma ocupação que remonta à época da Reconquista[9]. Desta forma, encontra-se comprovada a ocupação medieval do recinto, mas não mais do que isso, deixando por comprovação as hipóteses ocupacionais anteriores a esta época.
Na defesa contra as investidas castelhanas e muçulmanas, Linhares e Celorico da Beira tiveram um papel preponderante durante a Idade Média. Devido ao seu valor estratégico-militar[10], a povoação foi várias vezes disputada por castelhanos e portugueses, tendo integrado os dois reinos alternadamente. Assim, Celorico da Beira, em conjunto com Trancoso e Linhares, formava um poderoso triângulo defensivo da Beira.
Alguns autores referem que, dado o valor estratégico do local, a primeira fortificação de Celorico tenha sido um castro proto-histórico posteriormente romanizado[11]. Aliás, Adriano Vasco Rodrigues reitera esta teoria dizendo que “Quase todas as povoações actuais do concelho de Celorico da Beira e do antigo de Linhares, foram edificadas sobre um povoado da idade do ferro, ou cresceram nas suas imediações. Estes povoados fortificados eram os Kastros, ou Castros. No concelho de Celorico identificam-se o de Celorico a 550 m de altitude [...]”[12].
A teoria da existência de um castro proto-histórico poderá ser corroborada pela tese de Francisco Patrício Curado[13], segundo a qual o autor refere que é possível que tenha existido um local de culto indígena num dos afloramentos graníticos em que assenta o castelo. A comprovar esta hipótese foi descoberta uma inscrição num bloco granítico no lado sul do castelo[14].
Por sua vez, a teoria da romanização deste castro proto-histórico assentou fundamentalmente no surgimento de uma epígrafe em 1635, a qual parece indicar três capitães romanos (Nigro, Sérvio e Júnio) como os mandatários da edificação da fortaleza. Contudo, a leitura epigráfica desta inscrição coloca-nos inúmeras reservas, uma vez que a referida lápide se encontra supostamente desaparecida e os próprios autores levantam dúvidas na sua transcrição[15].
Em todo o caso, como refere Adriano Vasco Rodrigues, “Os romanos, procuravam os melhores lugares para praticar a agricultura.”[16] De facto, estes lugares situavam-se nas margens do rio Mondego e não no ponto mais alto da vila, o que nos leva a colocar algumas dúvidas na romanização da fortificação existente. Acrescente-se ainda que, como já foi referido, as escavações arqueológicas realizadas no recinto fortificado não permitiram comprovar uma ocupação anterior à época da Reconquista.
O castelo[17] que podemos observar actualmente está assente no afloramento granítico e a sua fundação remontará ao século XIII/XIV (datação conjectural). Tipologicamente, este castelo roqueiro românico-gótico, apresenta duas portas que o ligam à vila: uma a oeste e outra a sul. Esta fortificação possui dois torreões adossados ao lado oeste da muralha: um de planta quadrangular irregular e outro de planta trapezoidal irregular.
Por três vezes esta praça militar serviu de refém para penhor de pazes. A primeira delas foi na paz assinada a 25 de Novembro de 1325, entre D. Dinis e D. Afonso IV, seu filho. Na segunda vez entre D. Afonso IV e D. Afonso XII de Castela. Por fim, em 1373 Henrique II de Castela recebeu-a como refém de D. Fernando.
Durante o reinado de D. Afonso Henriques, D. Moninho Dola terá conquistado definitivamente a vila aos árabes. Deste modo, o monarca concedeu-lhe o título de alcaide do castelo de Celorico da Beira. Com a participação dos Templários[18], o rei terá ordenado a execução de obras na fortaleza.
Os forais tinham como objectivos o: “[...] povoamento de uma região, defesa de uma fronteira e captação de efectivos militarizados para a «causa» portuguesa, incentivo ao desenvolvimento comercial e artesanal de uma determinada povoação, incentivo ao estabelecimento em determinados pontos de povoadores úteis – cavaleiros, cruzados, eclesiásticos, etc. [...]”[19]. Com vista ao cumprimento de algumas destas disposições, D. Afonso Henriques outorgou foral a Celorico, concedendo-lhe um largo leque de privilégios. Desconhece-se a data exacta em que este foral foi atribuído, sabe-se porém que foi o primeiro da vila e que se tratava de um foral tipo salamantino.
No reinado de D. Sancho I, o castelo de Celorico da Beira foi sediado por leoneses e castelhanos, sob o comando de D. Afonso IX. O cerco acabou por ser levantado por uma força militar vinda de Linhares e comandada pelo seu alcaide, D. Rodrigo Mendes, irmão do alcaide de Celorico, D. Gonçalo Mendes. Este monarca terá também efectuado obras na fortaleza.
Em 1217, em Coimbra, D. Afonso II terá confirmado o foral de D. Afonso Henriques. Segundo Adriano Vasco Rodrigues[20], o mesmo monarca terá outorgado novo foral em 1219.
O castelo foi novamente sediado em 1245, desta vez por D. Afonso III. Fernão Rodrigues Pacheco, alcaide-mor do castelo nesta data, não quis entregar a praça a D. Afonso III (irmão de D. Sancho II), após a deposição do rei D. Sancho II. O alcaide manteve-se fiel ao rei D. Sancho II só tendo entregue a praça após ter ido a Toledo[21] colocar as chaves da fortaleza nas mãos do defunto rei, seu senhor.
Associado a este cerco existe uma lenda, a Lenda da Truta, que justifica a existência de uma água e do castelo no brasão de armas da vila.
Ainda durante o reinado de D. Afonso III, Celorico marcou a sua primeira presença em cortes: em 1254 nas Cortes de Leiria. Esta presença de um representante nas cortes atesta que já nesta época o povoamento de Celorico se encontrava consolidado com a reunião do concilium dos homens-bons do concelho.
De facto, Celorico deteve um papel preponderante na defesa da fronteira, recebendo por isso benefícios de vários monarcas. D. Dinis terá feito desta fortificação uma verdadeira praça militar, datando também desta época a edificação de uma torre de menagem. Também D. Fernando terá efectuado obras na fortaleza.
Inicialmente apoiante do rei de Castela, aquando da Revolução de 1383-85, o alcaide de Celorico acabou por vir a apoiar a causa do futuro D. João I, o Mestre de Avis. Esta posição de Martim Afonso de Melo acabou por envolver Celorico em mais um cerco espanhol.
Quando D. João I de Castela, entretanto regressado a Castela, teve conhecimento da aclamação do Mestre de Avis como rei de Portugal, ordenou ao Arcebispo de Toledo, como represália, a destruição de povoações portuguesas. Enviados que foram, os exércitos espanhóis acabaram por causar imensos danos no território português e particularmente no concelho de Celorico. Todavia, antes de puderem declarar vitória os exércitos espanhóis foram interceptados pelas forças militares portuguesas. A Batalha de Trancoso, como ficou conhecida, terá acontecido entre Celorico e Trancoso, a 28 de Maio de 1385[22], e terminou numa completa vitória para Portugal.
Contudo, “O Rei de Castela entra uma vez mais pela Comarca da Beira com o intuito de retomar, pela força, o reino, a que se julga com direito.”[23] Nesta nova investida o monarca acampou em Celorico. Tendo-se sentido acolhido por doença, o rei fez nesta mesma povoação o seu testamento (a 25 de Julho de 1385), alguns dias antes da derrota que viria a sofrer na Batalha de Aljubarrota.
D. Manuel I, em 1512, outorga foral novo à povoação e eleva-a a vila. Este monarca ordena ainda o restauro da fortaleza. Neste restauro foi também edificado um passadiço de comunicação entre o castelo e o pôço de El-Rei, que viria a ser destruído em 1857.
Pela sua localização geográfica estratégica, o controle da vila significou desde sempre dominar a portela natural que inclui o vale do Mondego. O desenvolvimento económico que se verificou na região no século XVI foi, em parte, resultado do domínio desta portela natural e da consequente passagem obrigatória dos comerciantes.
Falar desta época da nossa história e deste desenvolvimento económico é falar, obrigatoriamente, da presença judaica no nosso país.

 

A fixação dos judeus por terras da Beira, concretamente em Celorico, levanta algumas dúvidas em termos de data exacta. Todavia, julga-se que foi “[...] com o avanço da Reconquista cristã para além do Tejo, com o desenvolvimento das feiras e mercados nos territórios a norte deste rio e com a decadência dos reinos mouros hispânicos, ligados ao comércio do Mediterrânio, que os Judeus se vieram estabelecer em terras de cristãos.”[24]
Segundo Maria José Tavares à comunidade judaica de Trancoso, que cresceu particularmente a partir do século XIV, juntaram-se novas comunas no século XV, donde se salienta a de Celorico[25].
Durante a primeira e inícios da segunda dinastia, os judeus usufruíram de um estatuto bastante favorável, sendo que os monarcas lhes outorgavam frequentes privilégios. De facto, segundo António Borges Coelho o “[...] poder régio está interessado em defender a segurança dos caminhos e do comércio e protege os mercadores cristãos, judeus ou mouros.”[26]
Com a constituição da Inquisição em 1480 pelos reis católicos, a situação dos judeus alterou-se também em Portugal. A política de “terror” instaurada em Espanha obrigou muitos judeus a fugirem para Portugal. D. João II acolheu-os mas com algumas restrições[27].
No reinado de D. Manuel I a perseguição aos judeus começou a tomar forma, nomeadamente pela obrigatoriedade da conversão. Contudo, foi no reinado de D. João III que o Santo Ofício foi estabelecido no nosso país (Maio de 1536, pelo Papa Paulo III), espalhando a partir daqui o pânico entre esta comunidade.
Segundo Adriano Vasco Rodrigues, a judiaria em Celorico localizar-se-ia “[...] na zona do antigo Matadouro.”[28] Já Manuel Ramos Oliveira refere que a “[...] Comuna de Celorico devia localizar-se na Rua Nova, a mais comercial de então.”[29] Em todo o caso, o que se sabe efectivamente é que terá existido uma judiaria em Celorico que foi extinta no reinado de D. Manuel.[30]
Depois da Restauração, em 1640, o castelo sofreu novas reparações. Nesta altura foram-lhe colocadas as ameias, os andares soalhados e a muralha alterada.
A vila de Celorico esteve também envolvida na Guerra dos Sete Anos (1756-63). Na sequência desta guerra, Luís XV, rei da França, pretendeu formar um Pacto de Família que reuniria “[...] numa aliança contra a Inglaterra todos os países onde reinavam parentes da casa de Bourbon.”[31]. Assim, seriam envolvidos neste pacto vários países, entre os quais Portugal. Todavia, a assinatura deste pacto não nos era favorável, uma vez que isso implicaria o rompimento da aliança que tínhamos com a Inglaterra. Deste modo, D. José, sob a égide do Marquês de Pombal, respondeu negativamente à proposta de entrada no pacto. Nesta sequência, Portugal foi informado que deveria aderir, caso contrário seria invadido por tropas espanholas. Antecipando-se, Portugal declarou guerra à França e, em Maio de 1762, uma força militar espanhola entrou no nosso país. Por esta altura, um exército português que se encontrava aquartelado no castelo de Celorico foi sediado por estas tropas espanholas, comandadas pelo Marquês de Sarria. Este cerco durou pouco tempo, acabando os espanhóis por serem expulsos de Portugal.
Durante as Invasões Francesas, a praça de Celorico, serviu de quartel-general dos aliados e dos franceses. Manuel Ramos de Oliveira[32] destaca o ofício n.º 74 de 2 de Agosto de 1810, “enviado por Wellington do Quartel General de Celorico a D. Miguel Pereira Forjaz, acentua êle a conveniência da população abandonar as suas habitações, não só no interêsse geral como no particular, citando a propósito o que sucedeu aos habitantes de Castelo Mendo, que assim não quiseram proceder.” De facto, durante este período Celorico foi invadido inúmeras vezes por tropas anglo-lusas[33], que provocaram enormes danos materiais e pessoais no concelho, em geral e na vila, em particular.
O conturbado período das lutas entre miguelistas e liberais agitaram também o concelho de Celorico da Beira. Os liberais foram fortemente perseguidos pelos absolutistas, uma vez que a maioria da população advogava a causa miguelista. Como nos refere Manuel Ramos de Oliveira[34], foram inúmeras as prisões efectuadas neste período em Celorico. Com o advento do Liberalismo o castelo viu as suas muralhas destruídas, bem como a sua torre de menagem.
Celorico também tomou parte na Rebelião Realista de 1919, que opunha republicanos e monárquicos. Nesta altura, o general Abel Hipólito estabeleceu o seu quartel-general em Celorico aguardando pelo inimigo monárquico, que combateu e derrotou.[35]
No decorrer da sua história, Celorico foi senhorio de várias famílias. Antes do reinado de D. Fernando foi pertença de Martim Vasques de Sousa. D. Isabel, filha ilegítima de D. Fernando, recebeu o senhorio de Celorico em dote aquando do seu casamento em 1373 com o conde de Gijon. Já no reinado de D. Manuel I, este monarca entregou-o ao primeiro conde de Portalegre. Após a extinção da família dos condes de Portalegre D. Pedro II doou-o a André Lopes de Lavre. A povoação foi também senhorio dos marqueses de Gouveia.
Drª. Ana Penisga
(Historiadora do Gabinete Técnico Local)

[1] Refira-se, por exemplo, RAPOSO, Francisco Hipólito, Beira Alta, com um abraço total à Serra da Estrela, Edição da Mobil Oil Portuguesa, 1987, p.177.
[2] Cf. SILVA, Luís Duarte Villela da Silva, Compêndio Histórico da Villa de Celorico da Beira, oferecido a sua Alteza Real, o Príncipe regente, Lisboa, 1808, p.9 e OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Celorico da Beira e o seu concelho. Através da História e da Tradição, 2ª ed., Leiria, Edição da Câmara Municipal de Celorico da Beira, [1997], p.55.
[3] ALARCÃO, Jorge de, O Domínio Romano em Portugal, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1988, p.32.
[4] MEDINA, João (dir.), História de Portugal. Dos tempos pré-históricos aos nossos dias, vol. II, Ediclube, Alfragide, [s.d.], p.109.
[5] RODRIGUES, Adriano Vasco, Celorico da Beira e Linhares. Monografia histórica e artística, 2ª ed., [s.l.], Rochas / Artes Gráficas, L.da, 1992, p.14.
[6] Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, Inventário do Património Arquitectónico (WWW.monumentos.pt)
[7] RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.20.
[8] IDEM, Ibidem, p.36.
[9] Refere a autora: “Sublinha-se o aparecimento de material cerâmico medieval da “Reconquista” (cerâmica de pasta e superfícies cinzentas, decoradas por pequenos golpes profundos nas asas e aplicação de cordão plástico digitado no bojo) [...]”. Ricardo, Isabel, Relatório das escavações arqueológicas do castelo de Celorico da Beira, 1997. (Texto policopiado)
[10] Saliente-se aqui a posição geográfica do concelho: uma portela natural localizada numa zona fronteiriça.
[11] Cf. ALMEIDA, João de, Roteiro dos monumentos militares portugueses, vol. I, Lisboa, Edição do autor, 1945, p.191; e OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Op. cit., p.55.
[12] RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.13.
[13] Cf. CURADO, Francisco Patrício, “Epigrafia das Beiras”, Beira Alta, vol. XLIV, fasc. 1, Viseu, Edição Assembleia Distrital de Viseu, 1985, pp.641-643.
[14] IDEM, Ibidem, p.642.
[15] Cf. RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., pp.22-23 e OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Op. cit., pp.257-258.
[16] RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.23.
[17] Classificado como Monumento Nacional por decreto de 16 de Junho de 1910.
[18] As ordens religiosas foram um auxílio a que os monarcas recorreram na época da Reconquista para a consolidação do território nacional. Em Celorico tiveram presentes as ordens militares dos Templários e de Malta. Cf. RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.46.
[19] MEDINA, João (dir.), Op. cit., vol. III, p.258.
[20] Cf. RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.40.
[21] Localidade onde o monarca se exilou, após ter sido excomungado pelo Papa Inocêncio IV.
[22] Cf. RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit, p.86.
[23] IDEM, Ibidem, p.86.
[24] IDEM, Ibidem, p.92.
[25] Cf. TAVARES, Maria José Pimenta Ferro, “As comunidades judaicas das Beiras, durante a Idade Média”, Revista Altitude, ano II, 2ª série, n.º4, Guarda, Dezembro 1981, p.6.
[26] MEDINA, João (dir.), Op. cit., vol. III, p.111.
[27] A este propósito refira-se a Lei de 1412 na qual o rei impõe que os judeus deveriam utilizar vestuário simples e que os identificasse.
[28] RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.96.
[29] OLIVEIRA, Manuel Ramos de, “Episódios das invasões francesas no distrito da Guarda”, Altitude, ano IV, n.º 7-10, Guarda, Julho-Setembro 1944, p.377.
[30] O estudo do centro histórico que está em curso pelo G.T.L. poderá, de futuro, trazer-nos algumas indicações sobre a localização exacta da judiaria de Celorico da Beira.
[31] RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., p.119.
[32] OLIVEIRA, Manuel Ramos de, “Episódios das invasões francesas no distrito da Guarda”, Altitude, ano IV, n.º 7-10, Guarda, Julho-Setembro 1944, pp.181-182.
[33] Cf. RODRIGUES, Adriano Vasco, Op. cit., pp.121-122 e OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Op. cit., p.246.
[34] OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Op. cit., pp.269-276.
[35] IDEM, Ibidem, p.247.

 


 

 

 

Figueira de Castelo Rodrigo – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Primitivamente freguesia do concelho de Castelo Rodrigo, beneficiou dos privilégios concedidos a esta vila, pelo forais de 1209 e 1508 (novo foral outorgado por D. Manuel l). Sede do concelho do mesmo nome, herdou o seu de Castelo Rodrigo. Vila muralhada, sobressai ao longe no panorama agreste, com o casario granítico a integrar-se perfeitamente na paisagem. Os seus treze torreões, redondos, construídos no reinado de D. Dinis, fazem lembrar a cidade espanhola de Ávila. De salientar ainda o palácio que foi de Cristóvão de Moura, galardoado por Filipe l com o condado de Castelo Rodrigo, em reconhecimento da sua traição a Portugal. Também a união de interesses castelhanos por ocasião da crise de 1383-1385 levou o rei D. João l a impor um castigo ao concelho de Castelo Rodrigo: as armas reais do escudo da vila passaram a figurar nele invertido.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Segundo a tradição, Castelo Rodrigo foi o nome do primeiro alcaide que governou a povoação”.

 

Figueira de Castelo Rodrigo
http://www.cm-fcr.pt/concelho/historia.htm
Historicamente, falar de Figueira de Castelo Rodrigo implica remontar muitos séculos na história. Desde a Pré - História até ao séc. XX, muitos são os testemunhos existentes, permitindo-nos viajar pelo tempo à descoberta das raízes históricas de toda uma região.
Foi a 25 de Junho de 1836 que Figueira de Castelo Rodrigo substituiu o velho burgo de Castelo Rodrigo como sede de concelho. Hoje, a vila de Figueira e o seu concelho são conhecidos pelo seu magnífico património, com especial destaque para a Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo, para a beleza das suas paisagens em especial para as amendoeiras em flor em Fevereiro e Março, para o sabor da sua gastronomia e dos seus vinhos e para hospitalidade da sua população.

 

Figueira de Castelo Rodrigo
http://www.visitportugal.com
Fundada por Afonso IX de Leão, que a doou ao conde Rodrigo Gonzalez de Girón, ficaria com o nome do seu povoador. Em tempo de D. Dinis de Portugal, rei e poeta, passou para a coroa portuguesa.
O brasão desta pacífica aldeia tem uma originalidade que o torna diferente de todos os outros e uma história para contar. D. Beatriz, única filha de D. Fernando de Portugal, estava casada com o rei de Castela. Por morte de seu pai, e com a sua subida ao trono, Portugal perderia a sua independência a favor de Castela. Os Senhores de Castelo Rodrigo tomaram partido por D. Beatriz, mas não contaram que D. João, Mestre de Avis, viesse a vencer os castelhanos na Batalha de Aljubarrota, em 1385. Coroado rei de Portugal, D. João I não perdoou e mandou que armas de Portugal fossem representadas em posição invertida.
No séc. XVI, Filipe II de Espanha anexou a Coroa Portuguesa. O povo não gostou, mas parte da alta nobreza aliou-se ao novo rei. Foi o caso de Cristóvão de Mora, Governador de Castelo Rodrigo. A população vingou-se e pegou fogo ao enorme palácio, logo que lá chegou notícia da Restauração (ocorrida a 1 de Dezembro de 1640) Desta história ficaram as ruínas que hoje pode ver no alto monte.
Lugar de passagem dos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela, conta-se que S. Francisco de Assis aqui teria pernoitado na sua peregrinação ao túmulo do Santo.

 

 

 

 

 

Fornos de Algodres – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Foi elevada a vila em 1811, conservando os foros e tradições da antiga sede de freguesia, Algodres. Para quem vem da Guarda, Fornos de Algodres aparece ao longe como uma vila-presépio com o casario branco a espreguiçar-se pela encosta. Sede de concelho desde há vários séculos, possui um elegante pelourinho do século XVl, com remate em gaiola e colunelos de granito. Temos aqui a antiga Casa da Câmara, um belo solar do século XVlll. Outros solares identificados pelos seus brasões: os dos Abreus, Albuquerques, Cortes Reais e Costa Cabrais.

Orfigem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Fornos, no plural da designação comum forno, do latim Furnu. Alguns autores relacionaram etimologicamente este topónimo com o vocábulo algodão; o incerto Pinho Leal deu-o como palavra árabe de Alcoton, que depois se teria transformado em Algodrons para se mudar em Algodes e Algodres; o padre Luís Cardoso, no seu Dicionário e Notações de Vilas e Aldeias, diz que o nome vem do latim Algodrium. O moderníssimo Dicionário Geral da Língua Portuguesa, diz “Talvez do plural árabe algódor (singular de gadir), sem a deslocação do acento e com o acrescentamento do “r” do plural português”.

Fornos de Algodres
O início da conquista da Península Ibérica pelos romanos, no contexto das Guerras Púnicas, deu-se em 218 a.C., com a invasão da cidade de Ampúrias, na actual Catalunha, e só viria a ficar concluída no final do século I a.C. Pelo meio ficaram dois séculos de intensas lutas, das quais se destaca a que opôs os Lusitanos a Romanos, que se terá iniciado em 194 a.C.. A região onde se inscreve o território do actual concelho de Fornos de Algodres era parte integrante do território ocupado por esse conjunto de povos, tendo sido progressivamente romanizada ao longo desses dois séculos, sobretudo no período das guerras civis entre César e Pompeu.
Romanizada, a região onde se integra o actual concelho de Fornos de Algodres viria a fazer parte da Civitas de Viseu e atravessada por uma importante estrada que ligaria a área da Guarda à estrada que, vindo de Idanha-a-Velha, seguia até Viseu. Esta estrada terá tido um papel particularmente importante na organização do povoamente rural no território de Fornos durante o período romano, contribuíndo para o estabelecimento de uma série de villae (propriedades rurais) nessa área.
A ocupação romana manter-se-ia, na região, até ao início do século V, altura em que Suevos, Vândalos e Alanos se instalam, pondo fim ao domínio romano.

 

Fornos de Algodres

http://algodres.blogspot.com

Tanto quanto tenho conhecimento, o toponimo "Algodres" e antiquissimo e so existem duas localidades em Portugal que o usam, as duas no actual Distrito da Guarda: Algodres, antiga vila e concelho, actualmente freguesia do concelho de Fornos de Algodres, e, Algodres, freguesia do actual concelho de Figueira do Castelo Rodrigo.
Segundo nos informa Pinheiro Marques (Terras de Algodres, 1938) o Padre Luiz Cardoso no ("Dicionario Chorografico...") afirma que este toponimo deriva da palavra latina "algodrium", no entanto essa palavra nao aparece em nenhum dicionario latino conhecido.
Pinho Leal (LEAL, 1873) diz-nos que antigamente esta terra chamava-se "Algodrons" e mais tarde "Algodes, opinando que seria a corrupcao do arabe "Alcoton" = Algodao. No entanto algodao em arabe e ALCUTUM e nao ALCOTON, pelo que a evolucao logica seria Alcoitao e nao Algodres. Alem disso, "Algodres" com esta mesma grafia aparece ja em 1169, (foral de Linhares) sendo ja nessa altura concelho, e, nas inquiricoes de D. Afonso III de 1258.
O falecido Padre Luiz de Lemos (ensaio de monografia S/D) diz que a evolucao do toponimo, vira das palavras; AL (celtica usada por Virgilio) ou AL artigo arabe, com o perfixo: CORTEX, que significa cortica ou casca de arvore, Assim AL CORTEX - ALCORTEX - ALGODREX - ALGODRES.
Mais fundamentada sera no entanto a proposta de: Jose Pedro Machado, (MACHADO, 2003) Segundo ele "Algodres" tera origem arabe, derivando de: AL GODOR, plural de GADIR, palavra que significa; lago, lagoa, rio, ribeiro ou pantano. E da mesma opiniao a professora: Maria J. V. Molins, da Universidade Complutense de Madrid, quando se refere a Algodres (Figeira do Castelo Rodrigo) dizendo que significa "Las Lagunas".
A juntar a todas estas teses, quero eu proprio apresentar outra hipotese: Algodres derivara da palavra latina "algor" que significa sensacao de frio intenso, sendo a evolucao a seguinte: ALGOR - ALGORES - ALGODRES. Pode ser so imaginacao minha, mas nao se tendo ate hoje provado nenhuma destas teorias, penso que nao sera de descartar totalmente.
Quanto as duas primeiras opcoes, na minha humilde opiniao, devem ser descartadas pelas seguintes razoes: O cultivo de algodao e impraticavel nas "terras de Algodres" por ser uma cultura de climas quentes e esta regiao e uma regiao fria, e, era-o muito mais ainda, na epoca romana ou arabe.
Para ser um enterposto comercial desse producto, como sugerem alguns, Algodres teria que situar-se junto a uma via romana. Acontece que ate hoje, nunca foi descoberta nenhuma evidencia documental ou arqueologica que nos possa indiciar essa hipotese, pelo que considero que a relacao de Algodres com algodao uma pura fantasia.
Ja a relaçao deste toponimo com cortica, faz mais sentido, pelo facto de ainda hoje existirem alguns sobreiros na regiao, sabendo-se que outrora antes da expansao do pinhal, havia muitos mais. Alem disso incluidas no antigo concelho de Algodres e desde o seculo XII existe a povoacao de "CORTICOLO" (o ultimo C tem cedilha) e desde o seculo XIV a aldeia de Soveral, que tambem as vezes se grafava e grafa: "Sobral". Tanto uma como outra povoacao, estao relacionadas com cortica e sobreiros.
A relacao de Algodres com lagoas ou cursos de agua, tambem tem algum sentido, pois as "Terras de Algodres" no tempo de D. Afonso Henriques eram delimitadas com Linhares, pelo Rio Mondego, (o maior rio portugues) nessas alturas muito mais caudaloso, e, eram cortadas por varios ribeiros e ribeiras ( Cortegada, Vila Cha, Figueiro, Cortico, Rancozinho, Infias, Canharda, etc. Havendo tambem por essas alturas varias lagoas. Ainda hoje conservam o nome de "Alagoas", varias terras ferteis relativamente perto desta antiga vila.
Quanto a minha tese, baseia-se no facto da situacao geografica da antiga vila e regiao: um planalto a cerca de 7OO de altitude, varrido pelos ventos norte e "suao" = Leste, com caidas de neve e geadas frequentes, que tornam os invernos bastante severos ainda hoje, quanto mais a mais ha cerca de mil anos, altura da provavel fundacao da localidade.
Alem disso ainda hoje, o planalto de Algodres e identificado como: "terra fria".

 

 

 

 

 

 

Gouveia – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Desconhece-se a época da sua fundação, embora seja certo que já existia em épocas anteriores à da dominação romana. Velhas crónicas afirmam que foi povoada pelos Túrdulos 500 anos antes de Cristo e se denominava Gouvé. Na época de D. Sancho l, a localidade encontrava-se completamente em ruínas. A este monarca se deve seu repovoamento. D. Manuel l, outorgou-lhe foral em 1510.

Gouveia é uma vila airosa na encosta ocidental da Serra da Estrela.

Origem do nome:

«J. Vilhena de “As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza que têm Brasões d’Armas – 1860”»: “Na província da Beira, cinco léguas desta cidade da Guarda, está edificada a vila de Gouveia na falda ocidental da Serra da Estrela, mas em lugar um pouco elevado. É muito anterior à fundação da monarquia, e como tal tem a sua origem envolvida em fábulas, ou pelo menos muito duvidosa. O autor da Corografia Portuguesa diz que foi povoada pelos túrdulos quinhentos e oitenta anos antes do nascimento de Cristo, e que estes lhe chamavam Gauve, donde se derivou por corrupção o nome de Gouveia”.

 

Gouveia
http://www.cm-gouveia.pt
A cidade de Gouveia
     A cidade de Gouveia, sede concelhia, encontra-se situada a cerca de setecentos metros de altitude. Edificada na encosta ocidental da Serra da Estrela, o panorama que dali se desfruta é um dos mais belos do país.
     Gouveia oferece a quem a visita e aos seus residentes, um conjunto de espaços verdes, locais de lazer e recreio dignos de serem usufruídos.
     O Miradouro do Paixotão permite admirar a vista sobre o casario, o campo e a serra. Desça depois ao Jardim Lopes da Costa e, se for caso disso, leve os seus filhos a brincar no Parque Infantil e deambule pelo Pátio do Museu, com o seu sabor romântico. Passeie até ao Jardim da Ribeira e não perca o Parque Zoológico.
     No coração da cidade admire a riqueza do património. A igreja de S. Pedro, a igreja da Misericórdia, o Solar dos Serpa Pimentel e a Fonte de S. Lázaro datada de 1779.
     O edifício dos Paços do Concelho, datado do século XVIII, e o Monte Calvário, local sagrado por excelência, de Gouveia, convidam a uma visita demorada ao centro da cidade. À saída, no meio de campos e rodeado de pequenos bosques, fica o Convento de S. Francisco. Um interessante imóvel privado que desperta atenção pelo seu carácter místico.

 

Gouveia
Edificada na encosta oriental da Serra da Estrela, o panorama que se desfruta sobre o vale do Mondego é dos mais belos do país. Desconhece-se a época da sua fundação, anterior à da nacionalidade portuguesa como possivelmente ao domínio romano da península ibérica. Velhas crónicas afirmam ter sido povoada pelos Túrdulos, 500 anos antes da era cristã os quais lhe teriam dado o nome de Gouvé. Segundo Alarcão: “ Aparentemente Gouveia ficava num cruzamento de vias romanas. A estrada de S. Romão entroncava aqui com a via que atravessava transversalmente a serra e passava por Folgosinho.” (Alarcão, 1993, p.21) Pedro Carvalho diz, que “ a ausência de dados ou o seu caracter ambíguo não permitem uma clara definição do seu traçado”. Mas considera que “ a grande via imperial que ligava Emérita Augusta (Mérida), capital da província da Lusitânia, a Bracara Augusta (Braga). “Outra via estabeleceria a ligação entre este grande eixo viário e (...) Bobadela (Oliveira do Hospital), como parece testemunhar o miliário de Paços da Serra (...) podendo seguidamente dirigir-se para nordeste, em direcção á capital de civitas dos Aravi (Marialva), ao longo de todo um percurso natural definido pelo vale do Mondego”.
Sujeita, como toda a Península Ibérica, aos invasores muçulmanos, deve ter sentido a benéfica influência que esse povo exerceu em todos os pontos da Península sobre seu domínio, mormente nas regiões agrícolas como esta. Em 1083 D. Fernando I, Magno, (Rei de Leão e Castela), integrado no movimento da Reconquista Cristã retomou Gaudela aos Mouros (Guerrinha, 1985, 8). O primeiro foral de Gouveia foi concedido no ano de 1186 por El-rei D. Sancho I e confirmado por D. Afonso II em Coimbra a 11 de Novembro de 1217. Este foral era cheio de prerrogativas e privilégios conducentes à repovoação da terra (J.G., nº39) que atraíram ali numerosas famílias que em breve fizeram regressar, senão à sua antiga opulência, pelo menos a um est5ado de prosperidade que em breve a distinguiria entre os demais núcleos populacionais da província. No artigo “Breve notícia histórica de Gouveia” (J. G. nº39, p.1) diz-se que D. Manuel concedeu novo foral “em 1 de Julho de 1510” .
Como na maior parte das terras da Beira, também em Gouveia a família judaica teve acentuada influência, o que bem claramente se deduz da existência de uma judiaria no bairro da Biqueira e das cruéis perseguições de que dão testemunho vários edifícios, entre os quais a capela de Sta. Cruz.
Durante o domínio Filipino Gouveia é elevada a cabeça de marquesado, sendo atribuído a D. Manrique da Silva, 6º Conde de Portalegre e mordomo-mor de Filipe III, o título de 1º Marquês de Gouveia, passando mais tarde o marquesado para a casa dos duques de Aveiro. O último Marquês foi D. José de Mascarenhas, duque de Aveiro, acusado de conspirar contra a vida de D. José em 3 de Maio de 1758. (Guerrinha, 1985, 9.
Mais tarde, já em pleno séc. XIX, o poeta José Freire de Serpa Pimentel recebeu o título de visconde de Gouveia, sendo um dos seus descendentes – Afonso de Serpa Leitão Pimentel – o restaurador do marquesado de Gouveia, que definitivamente desapareceu, devido a esse titular ter morrido sem deixar descendência.
Devido à sua localização, riqueza agrícola e famílias abastadas da região, a Companhia de Jesus edificou em Gouveia no séc. XVIII, um dos seus afamados institutos de ensino e propaganda, mas pouco se utilizou dele, visto que entretanto, a ordem foi banida do território português e todos os bens reverteram para a Coroa. O vasto edifício e terrenos anexos foram posteriormente reclamados à Coroa pelas religiosas franciscanas de Almeida. Durante a guerra peninsular o mesmo imóvel foi transformado em hospital do exército anglo-luso e finda a guerra, transformado em caserna onde se instalou o regimento de Caçadores 7. Removido mais tarde para outra guarnição procedeu-se à venda do palácio, que foi adjudicado a BernardoAntónio Homem, que o legou ao sobrinho, o conde de Caria. Os herdeiros desse titular cederam-no por compra à Câmara Municipal, onde está instalada juntamente com o Tribunal.
Guerrinha diz que: “ Gouveia chegou a ser considerada “O tear da Beira” (...) Por volta de 1873 havia em todo o concelho 23 fábricas de tecidos, com 192 teares manuais. Em 20 de Março de 1874 saiu da Alfândega de Lisboa para Gouveia, a 1ª máquina para a indústria de tecidos” (Guerrinha, 1985, 11). A base da indústria de lanifícios estava aliada à riqueza de pastagens que abundam em toda a serra e a prática do pastoreio que fornecia matéria-prima às fábricas de fiação tecidos e lacticínios por todo o concelho. O declínio da indústria têxtil obrigou a recentrar todo o tecido económico. Após a onda de emigração dos anos 80 o concelho, sem esquecer a industria, aposta no turismo como factor de desenvolvimento.

 

 

 

 

 

Manteigas – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Segundo a tradição, esta vila teria sido um dos últimos refúgios das tribos guerreiras dos lusitanos, dos Montes Hermínios (hoje Serra da Estrela). Recebeu foral de D. Sancho l, em 1188, renovado por D. Manuel l em 1514.

Neste concelho, encontram-se os imponentes Cântaros, o Gordo e o Magro, afloramentos rochosos resultantes do movimento de glaciares; a agreste Nave de Santo António; as Penhas Douradas, saudáveis e tranquilas, e a Torre, o ponto mais alto de Portugal (1991 metros); e finalmente, o romântico Poço do Inferno, verdadeira maravilha da Natureza, com formosa cascata (cachoeira) que se transforma em dantesco espectáculo de gelo no Inverno.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Nas nossas investigações nada encontramos, que esclareça o étimo do topónimo; se não é o mesmo nome comum, plural de manteiga, hipoteticamente derivado dum latim nattatica-natta pode então considerar-se obscura a origem de tal designação”.


 

Manteigas
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Perde-se na história o nome que davam à vila de Manteigas e também não se sabe ao certo por quem foi fundada, visto que nenhum monumento há de que se possa tirar fio condutor nesse sentido. Consta que Júlio César passou por ali, cinquenta anos AC, à frente dos seus soldados.
A origem dos foros e privilégios, usos e costumes da vila de Manteigas, cuja denominação de aldeia se encontra em muitos documentos do Séc. XII e seguintes, são idênticos aos de muitas outras terras circunvizinhas que assentaram raízes em volta das fraldas da serra conhecida naquelas recuadas épocas por Monte Hermeni, hoje denominada Serra da Estrela.
No ano de 1188, D.Sancho I deu o primeiro foral à vila de Manteigas e D.Manuel I concedeu-lhe novo foral a 4 de Março de 1514 em Lisboa, este além do interesse que tem como documento comprovativo da vila na época, assume grande significado por nele se achar a referência mais antiga e segura ao foral que D.Sancho I concedeu a Manteigas.
Das três freguesias que constituem o Concelho, sabe-se que tanto a de Santa Maria como a de São Pedro se terão formado entre as datas de 1336 1 1338. A freguesia do Sameiro, que pertenceu ao concelho da Covilhã e ao extinto concelho de Valhelhas, só em 1835 foi adstrita ao concelho de Manteigas. O concelho de Manteigas, extinto a 26 de Junho de 1896 e anexado ao da Guarda, veio a ser restaurado em 13 de Janeiro de 1898.
O concelho de Manteigas está integrado na vasta área de da Cordilheira Central e especificamente na Beira Interior Norte, em pleno Coração da Serra da Estrela, totalmente incluído no Parque Natural da Serra da Estrela.

 



 

Meda – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Povoação de origens remotas, recebeu o primeiro foral outorgado por D. Manuel l, em 1519.

Meda situa-se numa elevação a cerca de 20 Km do Rio Douro, integrada já na região beiro-duriense. Possui um templo espaçoso que mais se assemelha a uma catedral com três grandes naves e ainda duas fontes de chafurdo, a dos Buchos e a do Espírito Santo. Do século XVlll, o século de ouro da arquitectura e da escultura portuguesa, Meda tem dois bons edifícios: os Paços do Concelho e o Solar dos Casas Novas.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O suposto étimo latino meta, meda, não ajuda muito a pronúncia habitual do topónimo, com “e” fechado ou circunflexo. J. Poel, referindo-se ao nome próprio geográfico Meães (concelho de Barcelos), lembra a forma Medanis, do século Xlll, e diz que faz supor a existência dum nome, Meda, que talvez exista em Monte-Meda, recordando que no Minho aparece a forma Medeiro, “onde há medas de milho”. Há por outro lado, a citação de alguns nomes germânicos formados com raiz Mid, que parece pertencer ao gótico Midjs, “o do meio”. Como se vê, subsiste a indecisão ou a dúvida”.

 

Meda
http://www.cm-meda.pt/web/freguesias

A freguesia da Meda é a sede do concelho do mesmo nome, pertencente ao distrito da Guarda e à diocese de Lamego. É uma vila antiga, com origens que se perdem no tempo, situada a cerca de 670 metros de altitude, num magnífico planalto onde a Beira termina e o Douro se anuncia, fronteiro às terras de Riba Côa e de onde se vislumbram as cumeadas da Estrela.
Notas Históricas
Como muito bem escreveu Frei Manuel Pimentel, em 7 de Maio de 1758, a paróquia estava toda junta e unida na mesma vila, sem ter lugar algum de fora, e situada em campinas, tendo próximo da vila um rochedo com vestígios de que foi murado, a que vulgarmente se chama castelo, e no alto uma capela particular da invocação de Nossa Senhora da Assunção (e não de Santa Bárbara). Esta capela, ao que se sabe, foi derrubada no século XIX e ali edificada a actual torre para o relógio, aproveitando a pedra da capela demolida.
Qual terá sido a origem desta localidade? Com fundamento nas investigações levadas a efeito pelo emérito Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a quem se deve o mais aprofundado estudo sobre a história e os valores culturais desta região, o nome da Meda estará relacionado com o radical Med, Meid; com a Quinta do Medo, onde há vestígios de povoamento luso-romano e a tradição diz ter sido a Meda primitiva, ou com o castro da Medelinha, ao sul dos Moínhos do Vento, a uma altitude de 800 metros, devendo ter-se em conta que na Idade Média o topónimo Meda aprece grafado Ameda, Almeda e Amida. Leite de Vasconcelos refere a existência de uma tribo lusitana fixada nesta região que em 48 A.C. foi atacada por Cássio Longino e suas tropas, tendo os medobrigenses retirado para os Montes Hermínios. Júlio Cesar, no cap. XLVII-1.2, no De Bello Alexandrino Comentarii faz uma longa referência aos medobrigenses, infirmando a referência de Leite de Vasconcelos. Aquele ilustre investigador e autor da monografia "Terras de Meda - Natureza e Cultura", o Prof. Adriano V. Rodrigues, tem defendido, e sem controvérsia vem demonstrando, que os actuais medenses são os sucessores dos valentes medobrigenses que foram os últimos a resistir aos romanos e depois forçados a contribuir para a construção da famosa Ponte de Alcântara sobre o Tejo, onde, aliás, o seu nome se encontra referido numa inscrição latina ali colocada, em singular sequência que indica um percurso de sul para norte.
Caberá fazer uma referência ao testamento de D. Flâmula, sobrinha do Rei Ramiro II, de Leão, (século XI) pelo qual, entre outros bens, deixou para obras de beneficência "nostros castellos esse Trancoso, Moravia, Longrovia, Neuman, Vininata, Amendula, Pena de Dono, Alcobria, Semorzelli, Caria...", havendo recentemente quem considere que "Amendula", (ou Amindula), localidade ali referida, mais não será que a nossa actual Vila da Meda, infirmada de certo modo pela proximidade geográfica das localidades.
Porém, e como diz o mesmo ilustre investigador, Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, "A Meda [Al-Meda, Ameda e Amida] nos alvores da nacionalidade portuguesa era de todas as actuais freguesias do concelho o mais insignificante lugarejo. Um cenóbio beneditino instalado junto de uma fonte, no sopé do morro granítico onde agora está a torre do relógio, assinalava a presença cristã e o direito ao celeiro. A principal riqueza era o trigo e os gados, que pertenciam à Ordem dos Beneditinos.
É com a Ordem de S. Bento que a Meda reinicia o processo da sua identidade e do seu desenvolvimento. É, de facto, com os beneditinos que se constrói a primeira igreja, de traça românica, base do actual templo. Sob S. Bento ou depois sob S. Bernardo do Claraval, os monges brancos sabiam escolher as terras mais produtivas do ponto de vista agrícola. A Meda aprendeu com eles a sua regra de oiro - "ora et labora" - , com eles crescendo paulatinamente, só se desenvolvendo de facto a partir do século XV.
Dos beneditinos eram os principais produtos, enquanto não foram parar às mãos da Ordem dos Templários, e mais tarde, depois de 1319, para as da Ordem de Cristo.
Os Templários deixaram algumas marcas na Meda, desde a lembrança de algumas cruzes nas portas das casas sitas na zona mais antiga da Vila (o que indica que alguém daquela família participou numa cruzada), ou na Capela da Senhora das Tábuas, por eles fundada e depois remodelada nos séculos XVI, XVIII e XX. Como ensina o Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a invocação mariana terá origem numa pintura de Nossa Senhora, num tríptico de madeira. O pavimento interior é feito em mosaico, figurando folhas de palmeira ao gosto oriental. Ali foram utilizadas, em lugar das pedras, vértebras humanas, certamente por influência das capelas dos ossos, ao gosto dos franciscanos. O estilo deste pavimento faz lembrar pavimentos semelhantes em igrejas cristãs na Palestina, pelo que terão sido os Cruzados a trazer este modelo. Aliás, no retábulo ali existente ainda se encontram restos de pintura de primitivos portugueses. Alguns ex-votos podiam ser vistos, ainda não há muito, no interior da capela.
No sopé do morro do Castelo, perto do pelourinho manuelino (a que falta a pirâmide octogonal, em gaiola, derrubada por um ciclone nos idos de 40), a Ordem dos Templários construiu uma torre que servia de celeiro. Numa sala das Casas Novas, da Família Corrêa de Lacerda, na Rua do Passeio, na Meda, é possível admirar ainda uma pintura a fresco, que dá uma ideia de como era essa construção. A torre, por desnecessária, veio a ser derrubada nos princípios do século XIX, servindo muitas das suas pedras para construir o velho Tribunal.
O pároco da Meda era freire apresentado pela Mesa da Consciência da Ordem de Cristo, com o título de Vigário. Tinha coadjutor, também freire da mesma Ordem. Mas em 1758 a descrição da igreja matriz já é diferente da que se faz no relatório da Visitação da Ordem em 1507; de facto, sobre a antiga igreja românica já tinha sido construída, nos alvores do século XVII, o templo actual. S. Bento (e não S. Bernardo) continua a ser o orago. No século XVIII há registo das irmandades da Senhora do Rosário, das Almas e do Santo Pastor.
D. Manuel I, o Venturoso, entre os forais novos da Beira, concedeu foral à "Vila de Meda, Comenda da Ordem de Cristo", tornando-a concelho sobre si mesmo. Estávamos então em 1 de Junho de 1519.
O crescimento urbano da Meda, nos séculos XVI e XVII - segundo o Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues - está ligado á economia cerealífera do centeio e do trigo, pesando também a produção da carne, de queijo e de lã. No século XVIII a Meda teve outro surto de desenvolvimento urbano motivado pela lã, pelo pão e pela produção doméstica da seda.O dinheiro que então entrou na vila fez-se sentir na construção de imóveis. A produção do vinho passou gradualmente a pesar na economia, sendo actualmente a actividade agrícola de maior peso.
Com o liberalismo, na segunda metade do século XIX, o concelho da Meda começou a tomar outra forma e a Vila a ter um desenvolvimento desusado. Ainda que não recebesse de imediato todas as localidades que hoje integram o Município, desde logo, a partir de 6 de Novembro de 1836, começa o concelho da Meda a apresentar uma nova configuração.
A história dessa evolução patenteia-se, com muitos e ricos pormenores na obra "O Concelho de Meda - 1838-1999" da autoria do insigne medense Dr. Jorge António de Lima Saraiva. Durante esse período, e segundo este autor, "o município de Meda criou os mecanismos essenciais ao bom funcionamento de um município moderno, embora de uma forma muito ténue. As competências eram vastas e variadas, mas a área de intervenção muito limitada, em parte devido à política centralizadora desenvolvida pelo estado Liberal." (pag. 61, obra citada). Abre-se então a estrada para Trancoso, da Meda até A-do-Cavalo, procede-se à expropriação de terrenos para tornar a Praça da Igreja mais espaçosa e higiénica, constrói-se a Escola Conde de ferreira, o edifício das Caldas de Longroiva e o cemitério de Ranhados, criam-se escolas em Casteição, Prova e Ranhados, constroiem-se chafarizes (o do Largo da Igreja, entre outros). Tudo isto com muita instabilidade política que leva a acertos e desacertos com delimitações de concelhos e comarcas.
É em 1875 que a Meda é escolhida para cabeça de comarca. Com efeito, a divisão judicial publicada em 12 de Novembro de 1875, reforça perante os seus vizinhos a posição do concelho da Meda. Foi esta data - 12 de Novembro - que durante muitos anos, até 1952, se comemorou como feriado municipal da Meda.
Não menos agitado foi o período pós-monárquico em terras da Meda. A Comissão Administrativa Republicana do concelho da Meda tomou posse em 13 de Outubro de 1910. As finanças municipais estavam asfixiadas, mas, ainda assim, foi possível adquirir por 6.016$00 o eifício actual dos Paços do Concelho ao Dr. António Maria Homem da Silveira Sampaio de Almeida e Melo. Já se falava no cemitério na senhora das Tábuas, mas não havia dinheiro para tanto.
Entre 1926 e 1936 o Dr. Duarte Gustavo de Roboredo e Castro, à frente do município, define um verdadeiro plano de acção a desenvolver a médio prazo, sendo suas preocupações a limpeza e a iluminação da vila, a construção do novo cemitério, estradas para todas as freguesias, calcetamento de ruas e a instalação de uma rede eléctrica para iluminação pública e particular.
No período seguinte, com o Dr. Albertino dos Santos Matias, inicia-se a construção do novo Tribunal e executam-se obras com que se quer firmar o progresso. Porém, a fase mais fecunda surge entre os anos de 1944 a 1951 com o dinamismo do ilustre medense Dr. Augusto César de Carvalho, que rasga e constrói a Avenida Gago Coutinho e Sacadura Cabral, levanta o estádio Municipal, faz aparecer um número considerável de escolas novas, do Plano dos Centenários, consegue a exploração e a captação de água da Torre do terrenho para a Vida da Meda e freguesias de Prova, Aveloso e Outeiro de Gatos e dá início ao saneamento básico da sede do concelho, com a cobertura da ribeira Centeeira que corria a céu aberto na área urbana da Vila.
Depois este progresso avançou com o médico António Joaquim Dias, o advogado Eurico Consciência, o vitivinicultor Miguel Costa, o professor Antero Sobral e, por último, com o jurista Dr. João Germano Mourato Leal Pinto (que se encontra, em quinto mandato consecutivo, na presidência da Câmara Municipal).
O concelho da Meda, e em particular a sua sede, vão, desde então, adquirindo uma nova fisionomia com a entrada em funcionamento de diversos equipamentos sociais que melhoram consideravelmente a qualidade de vida dos medenses. Com o 25 de Abril, o Poder Local toma consciência do que pode fazer e é um sem-número de benefícios que se vão concretizando, em vários domínios como o ensino, a saúde e o urbanismo.
Entre os mais notáveis melhoramentos sobressai o abastecimento de água domiciliária a todo o concelho da Meda, com a construção da barragem de Ranhados, por iniciativa da Associação de Municípios do Rio Torto, (a primeira associação do género a constituir-se em Portugal) que integra os concelhos da Meda, S. João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa.
As eleições autárquica trazem sempre novas energias, quer para os que prolongam a sua presença em novos mandatos, quer por parte daqueles que se encontram na oposição, uma vez que a luta política, sendo constante, acaba por ser criativa.
Apesar de o mesmo se poder dizer dos restantes municípios portugueses, o concelho da Meda cresceu mais nos últimos 15 anos do que nos anteriores 150. Não lhe faltam os equipamentos de que carece, nem os serviços públicos a que é legítimo aspirar. Um trabalho porfiado e perseverante, que tem redundado na melhoria da qualidade de vida dos medenses. Diz-se até, de há cinco anos a esta parte, que "a Meda está na moda", uma frase que diz bem do progresso que a Meda e o seu concelho já alcançaram neste período.

 

 


 

Pinhel – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

De origens remotas, terá sido primitivamente habitada por povos germânicos. D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral e fortificou-a, prevendo uma invasão leonesa, pois no território vizinho existia uma poderosa linha de castelos. Elevada a cidade por D. José em 1770, foi sede de diocese por bula do papa Clemente XlV, extinta em 1882.

Pinhel ergue-se a cerca de 600 metros de altitude, na margem esquerda do Rio Côa. Até ao século Xll, desempenhou o importante papel de praça fronteiriça, pois a região transcudana pertencia ainda ao vizinho reino de Leão. Datarão dessa época a primitiva muralha e o castelo. Deste conservam-se duas grandiosas torres quadrangulares, tendo a da direita, na face virada sobre a cidade, uma bela janela manuelina, geminada. No vasto pano da muralha que rodeava a cidade, se abriam cinco portas, identificadas pelos nomes das vilas para onde se viravam ou pelos nomes de santos: as Portas de Almeida, Castelo Rodrigo, Marialva, Trancoso, Sant’Iago e São João.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Quanto ao étimo de Pinhel, vocábulo que existe também como nome comum, pode dizer-se que é um derivado do substantivo pinho, evolucionado normalmente do latim pinus = pinheiro. Efectivamente, esta conhecida árvore aparece entre os elementos, que formam o antigo brasão de armas da cidade de Pinhel”.

 

Pinhel
http://www.cm-pinhel.pt

Concelho de Pinhel
O concelho de Pinhel é geograficamente delimitado, na sua maior parte, por dois cursos de água: a ribeira do Massueime a Oeste e a Leste pelo rio Côa. Localiza-se na zona central do distrito da Guarda e confina com os concelhos de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Meda, Trancoso e Guarda.
Tem aproximadamente 482Km2 de superfície e 26 freguesias rurais e 1 freguesia urbana (sede de Concelho).
Em termos de acessos é servido pela linha de caminho de ferro (V. Franca das Naves a 12 Km), pelo IP5 (nó de Pinhel e nó de Pínzio). Dista da Fronteira de Vilar Formoso 34 Km.
No que diz respeito à ocupação humana, está documentada a presença desde a época pré-histórica. As gravuras e pinturas rupestres de Cidadelhe (Neolítico) e a referência a um conjunto significativo de locais com testemunhos pré romanos e romanos permitem-nos afirmar que o concelho de Pinhel tem uma ocupação continuada desde tempos muito remotos.
Durante o período medieval, atendendo às necessidades de defesa do reino de Portugal, surgiram por todo o concelho um conjunto de locais fortificados, de que se destacava o castelo de Pinhel, considerados pontos avançados de um sistema de fortificações mais amplo que incluía os castelos das povoações de Trancoso, Marialva, Guarda, Castelo Rodrigo, Almeida e Castelo Mendo.
A localização estratégica de Pinhel, face ao nosso tradicional inimigo espanhol, fez com que os reis de Portugal, logo no início da nacionalidade, tivessem atribuído forais que pretendiam promover o desenvolvimento destas terras.
Ao percorrermos o concelho, notamos a existência de um conjunto de testemunhos, materializados na arquitectura das 27 freguesias, que evidenciam um significativo desenvolvimento económico e social.

 

Cidade de Pinhel

http://www.cm-pinhel.pt/
Estudos recentes vieram confirmar que a origem da cidade de Pinhel remonta à época pré-histórica, mais precisamente ao período calcolítico. A excelente localização geográfica, numa colina rodeada por dois cursos de água e com grande controlo visual sobre a área circundante, permite-nos afirmar que Pinhel foi desde sempre uma povoação fortificada.
É contudo durante o período medieval que esta região, e concretamente a então vila de Pinhel, assume uma importância relevante no contexto nacional. A proximidade geográfica com Espanha colocou Pinhel como fulcro de um sistema fortificado mais abrangente, que incluía os castelos de Trancoso Marialva e Castelo Mendo. Até à assinatura do tratado de Alcanizes, era uma das praças mais avançadas do reino de Portugal na Beira Alta.
Pensa-se que D. Afonso Henriques tomou a seu cargo a restauração do castelo chamando pessoas para povoar esta região de fronteira.
Desde muito cedo que Pinhel foi dotada de uma autonomia administrativa e judicial. O foral, dado em 1191 pelo Prior e irmãos da Ermida de Stª Maria de Riba–Paiva é testemunho dessas prerrogativas.
Pelo foral de 1209 atribuído pelo D. Sancho I, vê confirmadas as regalias adquiridas anteriormente. Estas foram sucessivamente confirmadas por D. Afonso II em 1217, D. Dinis em 1282, D. João I em 1385 e pelo foral novo de D. Manuel I datado de 1510. 
Terminadas as contendas com os árabes, o rei D. Dinis procurou consolidar as fronteiras com o reino vizinho. Conjuntamente com a reedificação dos castelos de Riba-Côa, assiste-se também à reedificação do Castelo de Pinhel, que apesar de recuado face à nova linha de fronteira, foi por ele tido como de grande valor.
Deve-se também à acção desse monarca a construção da muralha. Aberta em seis portas - Vila, Santiago, S. João, Marrocos, Alvacar e Marialva, Pinhel tornava-se uma poderosa cidadela.
Na cidadela erguem-se duas torres do mesmo período. A torre norte, também designada de manuelina, devido às alterações estruturais ocorridas durante o reinado de D. Manuel I, apresenta uma janela de estilo manuelino virada a Sul que ilumina uma sala abobadada rematada pela esfera armilar. Na fachada virada para Espanha apresenta duas gárgulas antropomórficas a defecar. 
A partir do Século XVI surgiram na cidade edifícios, civis e religiosos, que denunciam uma época áurea desta povoação.
A Igreja da Misericórdia, a Igreja de S. Luís, a Casa Grande, que foi mais tarde residência dos Condes de Pinhel, o Solar dos Corte Reais e o Pelourinho, são alguns dos muitos exemplos de Monumentos Classificados que podem ser apreciados por quem nos visita.
No reinado de D. José I a vila de Pinhel é elevada à categoria de Cidade Episcopal (25 de Agosto de 1770).
O contexto político dos inícios do século XIX, as divergências com a Câmara Municipal que impediram a construção da Sé Catedral, e as políticas dos governos Setembristas, pouco dados à aristocracia, ditaram o enfraquecimento de algumas dioceses.
Assim aconteceu com o bispado de Pinhel, que teve como último bispo D. Leandro de Sousa Brandão. A bula papal de Leão XIII, de 30 de Setembro de 1881 estabeleceu a extinção «para sempre» das dioceses de Pinhel, Aveiro, Castelo Branco e Leiria.

 

 

 

 

 

Sabugal – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

Este concelho ficou completo em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcanizes entre D. Dinis e o rei de Leão. Possui cinco castelos, correspondentes aos antigos concelhos medievais, e muitos exemplos de património edificado com valor arquitectónico e histórico.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Desde longo tempo se tem afirmado que a denominação foi dada à antiga povoação por lá haver muitos sabugueiros, o que não repugna acreditar. Deve, todavia notar-se que de sabugueiro se formaria normalmente sabugueiral, ao passo que Sabugal, isto é, sabugal se formou de sabugo, que, aliás, também se aproveitou para a toponímia (Sabugo, concelho de Sintra), como identicamente se aproveitou outro derivado (Sabugosa, na Beira Alta). Sabugo, primitivo em português é o latim sabucu, variante de sambucu, nome do conhecido arbusto”.

 

Sabugal
http://www.cm-sabugal.pt/turismo

O Concelho do Sabugal insere-se na ampla unidade geográfica denominada por Alto Côa, correspondente às terras do vale superior deste rio.
A região apresenta diversos indícios de importante ocupação humana, apesar das suas condicionantes naturais não serem as mais propícias ao assentamento populacional na Antiguidade. Os vestígios mais antigos, testemunhados no Alto Côa, recuam ao Neolítico. Entre as referências a diversas antas desaparecidas em Ruivós, Aldeia da Ribeira e Quinta dos Vieiros, passando por alguns achados avulsos, até ao sítio arqueológico mais recente escavado nas Carvalheiras (Casteleiro), já é possível obter uma visão destas primeiras comunidades habitantes da região.
O período do Calcolítico tem vindo, pouco a pouco, a ser melhor conhecido, fruto sobretudo dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos no concelho. A prospecção e recolha de materiais à superfície no alto de Santa Bárbara (Aldeia da Ponte) e as escavações realizadas no centro histórico do Sabugal têm permitido reunir diversos fragmentos cerâmicos com decoração penteada e pontilhada, um machado de cobre, artefactos lascados de sílex e peças de anfibulito e silimanite, pródigas sobretudo na região raiana do Sabugal.
A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e inúmeros achados avulsos (alguns expostos no Museu Nacional de Arqueologia). Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de cabeços da região poente, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas terras em mineração de estanho e cobre (produtos indispensáveis para a produção do bronze) consolidou a importância regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia.
As comunidades da Idade do Ferro também aqui permaneceram, ocupando outros topos elevados de relevos e deixando-nos vestígios dos seus povoados fortificados. Para além da Serra das Vinhas (Penalobo), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terá existido um povoado centralizador da região, seguramente devido à sua posição sobranceira a uma das travessias mais importantes do Côa, destacando-se pela sua riqueza de materiais cerâmicos, metálicos, contas de pasta vítrea e até das estruturas habitacionais escavadas na Vila.
Os romanos ocuparam este território de forma violenta, talvez restando dessa presença militar inicial ainda algum acampamento em Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Também uma inscição encontrada nesta última aldeia parece testemunhar um marco militar.
São conhecidas numerosas estações arqueológicas pelo concelho, e alguns materiais da Época Clássica, que demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários. Destacam-se entre estes testemunhos primitivos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a força da aculturação romana da população indígena local.
 O Sabugal poderá ter continuado a ser o ponto central de toda a administração territorial do Alto Côa, como o parecem provar os miliários e os achados existentes na Vila, situada na exacta passagem de uma importante via romana de ligação entre as cidades romanas da meseta espanhola e as urbes conhecidas da Beira Baixa.
Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos, visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria Talaya (‘Aldeia vigia’) na Ruvina e até o nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet, ‘muralha’).
A evolução histórica torna-se mais conhecida com o início da reconquista cristã da Península Ibérica e a formação da nacionalidade. Esta parte do território português terá sido reconquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, segundo a tradição, voltando a ser invadida e posteriormente retomada pelos reis de Leão.
Um testemunho vivo do quotidiano das sociedades que habitavam a região, neste período de domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho. Com a sua intrincada linha dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais, seria seguramente um dos centros populacionais mais importantes da região junto com o Sabugal e Vilar Maior.
Só mais tarde, com a estruturação deste território nos séculos XIII-XIV, através da criação de cinco concelhos: Sortelha, Vila do Touro, Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, o território é espartilhado por estes concelhos. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, os respectivos pelourinhos, assim como os seus magníficos castelos.
Sortelha e Vila do Touro eram importantes praças militares de defesa da fronteira portuguesa, definida mais ou menos pelo rio Côa. Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior eram Concelhos que pertenciam ao Reino de Leão.
Estes três concelhos só foram integrados no território português em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV.
Mais tarde, no reinado de D. Manuel, são outorgados novos forais a Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior (1510) e a Alfaiates e Sabugal (1515).
Todo este território estava também estruturado ao nível das vias de comunicação. A maior parte reutiliza velhas calçadas e vias romanas. Estes eixos ligavam a região à Guarda, a Salamanca, a Belmonte e Covilhã e a Penamacor.
A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já desaparecida) e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval, como a de Vilar Maior e a de Sequeiros (Valongo), única pelo seu torreão, situada no local de passagem duma via sobre o Côa, classificadas ambas como imóveis de interesse público.
Diversos acontecimentos singulares e de grande repercussão político-militar, como as Guerras de Restauração em 1640 e as Invasões Francesas, em 1810, deixaram marcas evidentes da passagem dos exércitos. Para além do incêndio de aldeias, da destruição de igrejas e roubo de valores, travaram-se aqui algumas importantes batalhas da nossa história nacional, como a do Gravato (Sabugal), em 1811, entre tropas napoleónicas e tropas inglesas e portuguesas.
Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte. Em Aldeia da Ponte, para além dum cruzeiro setecentista, situa-se o Colégio dos Marianos. Também estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem destas grandes vias pela região.

 

A Vila do Sabugal nasceu sobre um promontório contornado pelo rio Côa, numa extensa curva do seu percurso para Norte, até ao rio Douro, num ponto de boa defesa, abundante em água e rodeado de terras férteis. As boas condições de travessia do rio Côa contribuíram para a contínua ocupação humana deste ponto estratégico.
Caracterizando-se pela existência de sabugos ou sabugueiros, perto do curso de água, ficou conhecida na altura por ‘Sabugal’, aparecendo um sabugueiro já nos brasões de armas mais antigos da vila.
A povoação subsiste desde época remota, ocupando o topo do esporão natural, onde existiu um importante povoado calcolítico, que terá sofrido ocupação humana contínua pela Idade do Bronze, até à IIª Idade do Ferro. Neste período, o castro local terá ganho destaque territorial, em todo o vale superior do rio Côa, que nunca perdeu, nem com a administração romana do território. Supõe-se que seria um importante núcleo populacional da tribo lusitana dos Lancienses Transcudani.
O aglomerado urbano romano que aqui se desenvolveu posteriormente é ainda pouco conhecido. No entanto, existem na vila diversos vestígios da civilização romana: três epígrafes, pedras de cantaria almofadada, colunas, capitéis, cerâmicas e moedas que se espalham sobretudo pela encosta nascente do centro histórico até ao arrabalde. A centralidade deste povoado no território manteve-se até aos visigodos.
Não sabemos o que sucedeu no Sabugal após a decadência do império romano. São desconhecidos quaisquer traços da presença de outras comunidades populacionais externas, neste período intermédio.
A vila do Sabugal, propriamente dita, terá sido fundada na 2ª metade do século XII, tornando-se concelho através do monarca leonês, D. Afonso IX, cerca de 1190. O castelo e as muralhas terão ocupado o ponto mais alto da colina da antiga povoação. A vila rapidamente se foi espraiando pela encosta nascente, para fora da cerca. O Sabugal mantém, ainda hoje, a muralha leonesa, onde destaca na extremidade noroeste, o seu castelo.
Os monarcas leoneses demonstram com esta construção virada para poente, a preocupação na defesa deste território face aos portugueses. Portugal tenta, por outro lado reocupar estas terras alegando a sua posse ancestral. D. Dinis manobra o jogo com a confirmação dos foros leoneses, em Novembro de 1296 e estabelece também aqui a primeira Feira Franca do país. É com este monarca português que se retoma, no ano seguinte, este território, através do Tratado de Alcanizes, em Setembro de 1297.
 O Sabugal é coroado então com imponente torre de menagem, no seu antigo castelo, considerada uma das mais belas de Portugal, pelas suas cinco quinas, ocupando com notoriedade toda a colina sobranceira ao rio e avistando as extensas terras de Riba-Côa até à raia. O reinado de D. Dinis constituiu um momento de desenvolvimento e prosperidade da vila.
Mais tarde novo impulso foi dado por D. Manuel, confirmando todos os privilégios da região de Riba-Côa, através de novo foral em 1515 e efectuando obras de beneficiação no castelo e vila.
Tinham razão os monarcas portugueses em fortalecer e guarnecer esta praça militar, dada a importância estratégica do local, facto atestado pela frequência com que o local foi utilizado como ponto de entrada e saída de exércitos inimigos de Portugal.
Durante as invasões francesas, o Sabugal também foi alvo da presença e saque das tropas francesas em retirada, e aqui deu-se até a importante batalha do Gravato, resultando numa vitória para as tropas inglesas e portuguesas.
O Sabugal conserva algum património construído digno de visita: a Igreja Manuelina da Misericórdia, com a pedra leonesa das medidas-padrão e uma interessante cachorrada; a Igreja Matriz de S. João, datada do século XVIII; a Torre do Relógio, que serve de porta de entrada à vila amuralhada; a casa dos Britos, nome dado à casa da família dos Costa Fraião, onde destaca a sua ampla escadaria; o Largo da Fonte; e a réplica do antigo pelourinho no largo do Museu.

 

 

 

 

Seia – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

 

Foi Fernando Magno, de Leão, o libertador definitivo de Seia, que em 1057 já estava na posse dos cristãos. Em 1122, D. Teresa doou-a a Fernão Peres de Trava, mas D. Afonso Henriques apoderou-se da povoação e concedeu-a a D. João de Ranha, em 1131. Recebeu foral, concedido pelo mesmo monarca, em 1136, confirmado por D. Afonso ll em 1217 e renovado por D. Manuel l, em 1510. A antiga Civitas Sena ergue-se, airosamente, na base dos Montes Hermínios (Serra da Estrela). Do seu passado guarda vários monumentos, nomeadamente solares, que demonstram a sua importância histórica. Seia é uma das portas da Serra da Estrela, com ligações para os principais pontos, nomeadamente para Sabugueiro, a aldeia mais alta de Portugal, por onde se atinge a Torre, para o vale profundo de Loriga e Alvoco, velha formação glaciária.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O étimo não justifica outra escrita que não seja Seia, com “S” inicial, estando já dito e redito que a evolução do vocábulo foi sucessivamente Sena, Seea, Sea e Seia. Nos séculos Xl e Xll usava-se a forma Sena (veja-se, por exemplo, Diplomata et Chartae, pág. 156, ou Leges et Consuetudines, pág. 370), que nada tem a ver com ceias nem jantares (cena, ae, ceia, jantar), mas que em latim era o nome de cada uma das seguintes coisas: ria de Úmbria, cidade da Itália, ilha do Mar Britânico e determinados vegetais.

O Domingo  Ilustrado, nº 58, de Fevereiro de 1898, conta ingenuamente: “Fernando Magno de Castela, em 1037 ou 1038, resgatou a povoação do domínio árabe e logo em seguida encarregou o cavaleiro Pedro de Cêa, natural da Galiza, da fundação do castelo. Deste filho de algo derivou o nome ao mesmo castelo e seguidamente à vila. Rigorosamente Cêa, em grego, é nome próprio feminino”.

Mas a verdade é que o referido castelo também se chamou de Sena e num foral de 1136 aparece mais uma vez a mesma forma, Sena, que só por cegueira se poderá relacionar com qualquer Cêa, galego ou grego”.


 

Seia
http://www.cm-seia.pt/concelho
É encostado à vertente ocidental da Serra da Estrela, que fica situado o Concelho de Seia, actualmente com 29 freguesias, deve esta sua dimensão ao facto de ter aglutinado 11 antigos concelhos aquando das reformas liberais, nos meados do século passado.
Quando do seu 1º foral em 1136, o Concelho de Seia albergava no seu perímetro, não mais que meia dúzia de pequenas povoações circunvizinhas, porém em 1510, data da outorga do Foral Novo por D. Manuel I, já o Concelho era composto pelos lugares de Passarela, Lages, Folhadosa, Pinhanços, Santa Comba, Sameice e outros pequenos Casais.
Foi no séc. XIX que o Concelho viria a conhecer um substancial alargamento com a absorção de importantes Concelhos tais como Alvôco da Serra, Loriga, Vila Verde, Santa Marinha , Sandomil, São Romão, Valezim, Vide, Vila Cova á Coelheira e Torroselo.
Nos inícios do século XX passou então a ser constituído por Cabeça, Carragosela, Girabolhos, Lapa dos Dinheiros, Paranhos, São Martinho, Santiago, Santa Eulália, Sabugueiro, Sazes da Beira, Tourais, Teixeira, Travancinha e Várzea.
Estava então constituído um novo quadro administrativo com 29 freguesias e cerca de 115 pequenas povoações.
Oppidum Sena, antiga cidade de Sena, hoje Seia, foi fundada há cerca de 2400 anos, pelos Túrdulos. Durante muito tempo foi dominada pelos Árabes, sendo definitivamente conquistada por D. Fernando Magno, em 1055, mandando na altura edificar o seu castelo. Em 1132 D. Afonso Henriques fez doação de Seia ao seu valido João Viegas por reconhecimento de serviços prestados e em 1136, Seia tem o seu primeiro foral dado pelo nosso primeiro rei, que a designa por Civitatem Senam (cidade de Seia).

 

 


 

 

Trancoso – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

D. Dinis instituiu em Trancoso a primeira feira franca, em 1304.

O visitante fica admirado ao percorrer as vielas de Trancoso, ladeadas de portões biselados e mísuras nas paredes, delas se desprendendo muitas vezes vasos com flores. Despertam a atenção as casas com duas portas, uma larga e um estreita, as chamadas judiarias de Trancoso. São casas que pertenceram à raça de David, que povoou a vila, transmitindo aos seus descendentes o carácter comercial que lhe era típico. Numa dessas casas da parte velha de Trancoso terá nascido o Bandarra, o sapateiro-profeta, ainda hoje citado pelo nosso povo com foros de autoridade. A história de Trancoso anda profundamente ligada à de Portugal. Relativamente próxima da fronteira, a vila assistiu a muitas lutas e acontecimentos marcantes da nossa História. Ainda hoje a Batalha de São Marcos, travada em 1355, continua a ser comemorada em 25 de Abril.

A muralha que circunda a vila tem quatro portas: a d’El-Rei, a do Carvalho, a do Prado e a de São João. A porta do Carvalho, encimada por um baixo-relevo que representa um cavaleiro, é também chamada de João Tição. Diz-se que um dia João Tição, cavaleiro desremido e aguerrido, saiu para roubar uma bandeira no acampamento inimigo que sitiava o castelo, o que fez com êxito. Ao regressar, encontrou todas as portas fechadas. Tentou fazer com que o cavalo saltasse a muralha, mas, como o não conseguisse, atirou com a bandeira para dentro da muralha, junto à porta que lhe herdou o nome, e, de seguida, deixou-se apanhar.

O castelo tem cinco fortes torreões e torre de menagem, do alto da qual se abrange vasto panorama.

Origem do nome:

« J. Vilhena Barbosa em “As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza, que têm Brasões d’Armas – Lisboa 1862»: “O padre Carvalho diz na sua Corografia, que foi esta vila fundada por Tarracon, rei da Etiópia e do Egipto, quando aportou em Espanha pelos anos 730 antes da vinda de Cristo, chamando-lhe Taracon, corrupto hoje em Trancoso”

«Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “ Trancoso, ant. Trancoso (do latim truncu = a tronco), e, pois de significação evidente, mostrando o absurdo, se não a mais rematada sandice, dos velhos sonhadores de etimologias e de fundadores de povoações (como estas surgissem de um jacto), ao falar de um rei etíope, de nome que, afinal, até carece de semelhança, sensível com Trancoso, tem uma origem história insignificante – um local em que, na ocasião da denominação (muito antes do século X, existiam muitos troncos de árvores, abatidos, ou mesmo floresta de árvores vultuosamente entroncados (logo Trancoso > locu* truncosu, consoante a época da denominação”.

 

Trancoso
http://www.trancoso.pt.vu
Trancoso encontra-se hoje rodeada de muralhas, da época dinisiana, com um belo castelo também medieval, a coroar esse majestoso conjunto fortificado. Com os seus numerosos monumentos, da arquitectura civil e religiosa, constitui um dos mais expressivos e belos centros Históricos do país, visitado anualmente por muitos milhares de pessoas. Destacam-se, entre todos, as igrejas paroquiais de Santa Maria e de S. Pedro, a Casa dos Arcos, do séc. XVI, a Igreja da Misericórdia, a Casa do Gato Preto, um curioso edifício do antigo bairro judaico e o Pelourinho, bela peça do mais puro estilo manuelino. Não esquecendo a antiguidade Trancoso mantêm traços medievais no centro histórico quase inalteráveis, sendo no exterior um meio urbano já moderno e planeado. Nesta Cidade nasceu também o Profeta e Sapateiro Gonçalo Annes Bandarra cujo túmulo se encontra numa das igrejas da cidade, travaram-se importantes batalhas entre as quais a Batalha de São Marcos num planalto a escassos quilómetros do centro histórico em 1385 que impôs pesada derrota às tropas invasoras e que foi uma anímica importantíssima para a Batalha de Aljubarrota. A antiga Vila de Trancoso foi elevada à categoria de Cidade na Assembleia da República em Dezembro de 2004 por unanimidade, Trancoso é hoje um pólo económico e social de elevada importância na região e que acompanhado pela sua hospitalidade merece sem duvida uma visita.

 

 

Vila Nova de Foz Côa – (Concelho do Distrito da Guarda)

 

 

 

 

D. Dinis outorgou-lhe foral em 1299, renovado em 1314. D. Manuel l deu-lhe nova carta de foral em 1514. Num planalto aberto ao Sol, com terra quente de xisto a fazer lembrar a meseta, Vila Nova de Foz Côa, desenvolveu-se com as colónias de cristão-novos (judeus presumivelmente tornados cristãos), aqui fixadas durante o século XVl e com as cordoarias instaladas no tempo do Marquês de Pombal.

Origem do nome:

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Quanto a Vila Nova de Foz Côa, o topónimo contém duas partes, uma de “Foz Côa”, algo posterior, talvez à primeira, e puramente distinta das muitas Vilas Novas portuguesas até porque a vila, ainda assim, está bastante distanciada da foz do Côa; e Vila Nova pode ter dois significados: o antigo, anterior ao século XlV (ou ao século Xlll), de “villa” agrária ou o moderno (posterior ao século Xlll) de vila, sede municipal. A interpretação depende, pois, da antiguidade do topónimo, ou, mais concretamente aqui, da povoação actual vila. Tudo indica, como se verá, que Vila Nova de Foz Côa é uma povoação “nacional”, relativamente moderna, e que, em conformidade, o topónimo não significa o território agrário e apêndices, coincidindo o de povoação municipalizada, fortificada, ao uso da época dionísia ( séculos Xlll – XlV)”.

 

Foz Coa
http://www.gov-civ-guarda.pt/distrito

Distrito - Concelho de Foz Côa
Informações Turísticas
O concelho de Vila Nova de Foz Côa faz parte da antiga província de Trás-os-Montes e Alto-Douro e pertence ao distrito da Guarda. Tem uma área de 381 Km2 e cerca de 9000 habitantes. É banhado pelo Rio Douro, ao Norte, e percorrido no sentido sul-norte pelo rio Côa, de cuja foz recebe o nome. A sua certidão de idade é o foral que o Rei D. Dinis lhe concedeu em 21 de Maio de 1299, renovado pelo mesmo monarca em 24 de Julho de 1314 e reformado pelo Rei D. Manuel em 16 de Julho de 1514. Sendo inicialmente município sobre si mesmo, veio a beneficiar com a extinção de alguns municípios vizinhos, a partir de 1872, passando, desde então, a ser constituído por 17 freguesias. A sede do concelho foi elevada a cidade em 12 de Julho de 1997, tendo categoria de vila as localidades de Almendra, Cedovim e Freixo de Numão.
A sua economia tem por base a agricultura, uma vez que a actividade industrial se resume à extracção de lousas, que se utilizam no embardamento das vinhas e na construção civil, e a um pequeno número de empresas dedicadas à metalo-mecânica.
Mercê do seu micro-clima mediterrânico, nas suas terras predominam a vinha, o olival e o amendoal. Os vinhos são de excelente qualidade e deles sobressai o famoso "vinho fino" ou "generoso" que depois recebe o nome de "vinho do Porto". Dos olivais pode dizer-se que deles se obtém um dos mais apreciados azeites portugueses. Os amendoais, por sua vez, implantados em toda a área do concelho, para além da sua importância económica, tingem de branco e rosa as encostas destes cenários durio-transmontanos nos meses de Fevereiro e Março, proporcionando um espectáculo que atrai a estas paragens milhares e milhares de turistas. Pela área que ocupam e pela sua densidade, Vila Nova de Foz Côa reivindica o título de "Capital da Amendoeira". Nela se realizam, por isso, durante o período da floração, animadas "Quinzenas da Amendoeira em Flor", que constituem um empolgante cartaz.
Todo o concelho é um livro aberto, patenteando os mais diversos motivos de agrado. Castelos, monumentos, castros, "villae" romanas, igrejas, capelas e solares, tudo isso se inclui na lista dos seus valores, com destaque para as gravuras rupestres do Paleolítico Superior, hoje consideradas Património Cultural da Humanidade. Outra riqueza destas terras são as suas paisagens, sempre diferentes e admiráveis, que podem ser apreciadas nos impressionantes miradouros. As gravuras do Vale do Côa e as paisagens do douro Vinhateiro são, num só território caso único, que nos permite dizer com orgulho “FOZ CÔA UM CONCELHO DOIS PATRIMÓNIOS MUNDIAIS”.

 

Vila Nova de Foz Coa
http://www.cm-fozcoa.pt/php/concelho/freguesias

De vestígios pré-históricos, apenas a hipótese já colocada de um qualquer povoado do calcolítico ou Bronze no «Alto das Maias», a carecer no entanto de pesquisa e prospecção arqueológica. Tanto quanto já foi possível estudar, ao nível arqueológico, na área e termo da freguesia de Cedovim não temos dúvidas em indicar, dentro da mesma, no lugar denominado "Castelo", um povoado da Idade do Ferro (Iº milénio A.C.), povoado esse depois dominado, no século 1 da nossa era, pelo exército do Imperador Romano Octávio César Augusto, ao jeito do que aconteceu com a quase totalidade dos povoados castrejos espalhados pela Península Ibérica. O «morro do castelo» irá, pois, ser ocupado pelos autóctones mas também por gente vinda da península Itálica. Uma provável «Vicus» Romana, quem sabe se uma vetusta e mui nobre «Cetavinis»! Vestígios numerosos de tégula, imbrex, dolium e pedra de aparelho encontram-se em toda a área da zona do Castelo.
Igualmente do período de ocupação Romana, no termo de Cedovim, temos já identificados mais alguns lugares:
- Lugar da Froia, muito perto da freguesia da Fontelonga (concelho da Meda), mas ainda dentro do termo de Cedovim. Teria sido, no seu início, uma Villa (quinta) Romana, podendo depois ter evoluído, graças a um aumento populacional, para uma «Vicus». Na Idade Média e mesmo em períodos posteriores continua a ser identificada, associada à Capela de S. Bartolomeu. Poderá isto significar a introdução, no denominado paleo-cristão, de um templo a que se vai associar uma povoação (aldeia) hoje totalmente desaparecida.
- O lugar da Calábria, onde não detectámos, a priori, a presença de ocupação romana mas, apenas, medieval e moderna. A eira e o lagar ali existentes apresentam características medievas.
- O lugar de Santa Marinha, não bem junto à Capela mas um pouco mais acima, num plateau de meia encosta, com vestígios do que teria sido uma «Villa» Romana.
- O lugar da Portela ou Sumagral, onde são bem visíveis marcas do que teria sido uma «Villa» Romana. Vestígios de um «lagar de vinho» resistiram à erosão dos tempos.
- 0 lugar do Cáparo ou Pinheiro Manso, em terreno onde se encontra um pombal, existem vestígios de materiais Romanos, essencialmente fragmentos de tégula. Pensamos estar perante vestígios de um simples Casal.
Após a queda do Império Romano e até ao início da Nacionalidade, um grande silêncio (porque enormes lacunas documentais), que, como na maioria das terras e lugares da Beira Douro, continuará envolto em enigmas que dificilmente virão a ser resolvidos ou entendidos.
Cedovim, no século XII, tinha já o termo idêntico ao que terá hoje. O próprio foral de Numão (1130) dá isso a entender, uma vez que respeita esses limites. D. Afonso III levado muito provavelmente pelo grau de desenvolvimento que já na altura evidenciava, deu-lhe carta de foral, em 5 de Fevereiro de 1271, sendo por isso a segunda povoação da margem esquerda do Côa a receber tal diploma.
Ao nível administrativo e judicial sabemos que Cedovim, em 1246, possuía alcaide, juizes e andador, atestando já um estádio de organização bastante evoluído. Em 1291, dispunha de tabelião próprio que pagava de pensão a el-rei 3 libras à semelhança do que acontecia, na mesma data, com os de Numão, Ranhados e Penedono. Cedovim, em 1 de Fevereiro de 1371, foi doada a favor de D. Fernando Afonso de Zamora e seus sucessores, o que incluía os termos, entradas e saídas, jurisdições altas e baixas, com reserva apenas das apelações do crime e da correição. Esta doação não impediu D. João I de, em 1385, entregar Cedovim a Gonçalo Vasques Coutinho com a inclusão dos respectivos termos e jurisdições, apesar de quaisquer leis ou costumes em contrário.
Cedovim permanecerá ao longo de toda a Idade Média como concelho autónomo, recebendo para isso várias confirmações de privilégios, designadamente de D. Fernando, D. Duarte e D. Afonso V. Em 15 de Dezembro de 1512, D. Manuel I concede-lhe foral novo. Outro testemunho quinhentista da sua autonomia municipal é o pelourinho, onde é indicado o ano de 1574, como sendo o ano da sua construção. Esta vila da coroa possuía termo próprio, incluindo a Quinta de Vale de Espinho. A câmara era servida por juiz, vereadores, procuradores do concelho e almotacés. Em 1610 estava sujeita à correição de Pinhel.
O concelho cedovinense nunca dependeu do município de Numão, nem de qualquer outro concelho, permanecendo autónomo até ao século XIX, época em que transita para o de Freixo de Numão. Cedovim, se a nível administrativo não acusa dependências, o mesmo não se poderá dizer a nível militar, uma vez que apenas possuía capitão de ordenanças, estando por isso agregada, inicialmente, ao capitão-mor de Ranhados e posteriormente ao de Freixo de Numão.
Cedovim viu restaurada a sua antiga categoria de Vila pela Lei nº 71/99, de 30 de Junho (no Diário da República, I série - A, nº 150, de 30-6-1999).
Mais pormenores sobre a história desta Vila e dos seus pergaminhos poderemos encontrá-los nas recentes publicações: «Evolução Político-Administrativa na Área do Concelho de Vila Nova de Foz Côa», dos Drs. António Sá Coixão e António Trabulo e «CEDOVIM - Memória da Terra e das Gentes», de Francisco Fego.
(Adaptado da obra "Por Terras do concelho de Foz Côa - Susídios para a sua História - Estudo e Inventário do seu Património", de A.N. Sá Coixão e António A. R. Trabulo, editado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, 2ª edição - 1999).

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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