Distrito de ÉVORA

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora (conselho de),

Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz,

Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vila Viçosa

 

 

 

Évora é um distrito, pertencente à província tradicional do Alto Alentejo. Limita a norte com o Distrito de Santarém e com o Distrito de Portalegre, a leste com a Espanha, a sul com o Distrito de Beja e a oeste com o Distrito de Setúbal. Área: 7393 km². Sede de distrito: a cidade e concelho de  Évora

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“O Distrito de Évora, é formado de uma parte da antiga província do Alentejo. Tem uma superfície de 7.399,5 Km2 e uma população de 128.062 habitantes e compreende 13 concelhos e 110 freguesias. As principais terras: Évora, Estremoz e Vila Viçosa. As principais serras deste distrito: Ossa, Montemuro, Portel e Monges; e os seus principais rios: Guadiana e seus afluentes, Degebe e ribeira de Pardiela, e pelos rios Almansor, Divor, Sorraia e outros afluentes do Tejo e do Sado”.

 

 

 

Évora - (Capital e Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 


(Apontamento do ano de 1900 do “Jornal do Comércio”:
“Évora é cidade e capital de distrito e cabeça de concelho. Tem 16.500 habitantes e é servida pelo Caminho de Ferro Sul e Sueste.
Está situada numa colina a 302 metros de altitude. Possui notáveis monumentos, entre outros o célebre Templo de Diana, esplêndido exemplar da arte grego-latina, o aqueduto de Sertório, a bela Ermida de São Brás, em estilo gótico normando, de carácter meio-militar meio-religioso. Aqui nasceu Garcia Resende. O concelho tem 20 freguesias e 25.636 habitantes.
O distrito de Évora tem uma superfície de 7.399,5 Km2 e uma população de 128.062 habitantes. Compreende 13 concelhos e 110 freguesias. Os concelhos são: Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Moura, Mourão, Portel, Redondo, Reguengo de Monsaraz, Viana do Alentejo, e Vila Viçosa.
Serras principais: Ossa, Montemuro, Portel, Monges. É banhado pelos rios Guadiana e seus afluentes Degebe e ribeira de Pardiela, e pelos rios Almansor, Divor, Sorraia e outros afluentes do Tejo e do Sado. Produz cereais, pastagens; grandes matas de azinheiras e sobreiros; cortiças e minérios”.Origem do nome::
Como acontece com quase todas as cidades mais antigas, a origem do nome presta a várias considerações e opiniões. Damos aqui algumas dessas opiniões:
“Supõe-se que foi fundada pelos Eburones 2059 anos antes de Cristo, os quais lhe deram o nome de “Ebura”, “Ebora” ou “Elbura”. Foram os Eburones povos que habitaram a Espanha duzentos e tantos anos depois do dilúvio de Noé, mas dos quais poucos vestígios restam.”
(Arquivo Histórico de Portugal – 1890).
“Edificada nestas férteis paragens do Alentejo, foi centro de grande cultura no tempo dos romanos, sob o nome de Liberalitas Julia e especialmente sob a égide de sertório, e mais tarde sob o domínio dos serracenos com a designação de YEBORA, donde deriva o actual nome.”
(Dr. Bartolomeu Gromicho – 1937).
“Évora é a forma actual do latim Ebora. O Dr. Leite de Vasconcelos arrolou Rbora como nome lusitano-romano. Também Quicherat e outros latinistas estrangeiros não esquecem Ebora como cidade romana da Lusitânia, já citada em Plínio.”
(Prof.Dr. Vasco Botelho do Amaral – 1949).Um pouco de História:
Évora é uma cidade muito antiga, já assinalada em períodos remotos da história de Península Ibérica. O seu primeiro nome conhecido provém de Plínio, que lhe chama Ebora Cerealis - o nome de Ebora talvez seja céltico.
Foi sede do reino céltico-lusitano de Astolpas, sogro do célebre Viriato. Fortificada por Sertório, recebeu o nome de Liberalitas Julia. Cerca de 27 antes de Cristo, Júlio César ou Octaviano chamaram-lhe Jus Latim Vetus, e foi elevada por Vespasiano à categoria de municipium, com direito a moeda própria. No período visigótico continuou a cunhar moeda, desde Leovigildo a Egica, ou seja 552 a 699 antes de Cristo, sendo aumentadas as suas defesas militares.
Conquistada por Tárique nos primeiros anos do século Vlll, foi tomada aos Mouros em Setembro de 1165, por Geraldo Sem-Pavor, que a entregou a D. Afonso Henriques. Este rei instalou no seu castelo a Ordem Militar de São Bento de Calatrava, desde então designada por Ordem de Cavalaria de Évora, que, no reinado de D. Afonso ll, passou à Ordem de Avis.
Corte de vários reis da dinastia afonsina, como D. Afonso lll, D. Dinis, D. Afonso lV, que em 1340 organizou aqui as forças que levou à Batalha do Salado; foi também residência do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, como fronteiro da província, durante as campanhas contra os castelhanos, que culminaram com a vitória da Batalha dos Atoleiros.
D. João l cognominou-a de “mui nobre e sempre leal”, elevando-a à categoria de segunda cidade do Reino, logo a depois de Lisboa. Começou então a sua época de maior esplendor, nela se estabelecendo longamente quase todos os monarcas da dinastia de Avis.
Além dos Paços Reais de D. Manuel l e de D. João lll, a cidade foi enriquecida com numerosos edifícios civis e religiosos, cabendo uma grande parte das iniciativas ao cardeal-rei D. Henrique, primeiro arcebispo de Évora e fundador da Universidade do Espírito Santo, em 1559, e cujo ensino entregou à Companhia de Jesus.
Em Évora estalaram os tumultos do Manuelinho contra os espanhóis, em 1637, e o levantamento que precedeu à Restauração de 1640. Em 1663, durante a Guerra da Independência, foi tomada por João da Áustria mas logo retomada por D. Sancho Manuel.
Évora é hoje uma das cidades portuguesas de maiores tradições históricas e com um passado imensamente rico, marcado pelo papel significativo que deteve ao longo dos tempos, não só no campo artístico e cultural, como até no sócio-político.
Cidade de antiguidade indiscutível, e história dos seus primeiros tempos é obscura, mas a sua importância, pelo menos na época da dominação romana, está amplamente confirmada, quer através dos restos de um templo clássico, provavelmente mal designado por de Diana, quer pelos vestígios de uma cerca de muralhas que deve ser originária dos construtores itálicos.
Decerto um pouco imaginosamente, Évora tem mesmo sido considerada a capital dos Lusitanos, ao mesmo tempo que é atribuída uma importância excessiva à estada de Sertório dentro dos seus muros.
Seja como for, não fica diminuindo o prestígio que teve como município e ponto de passagem de comércio.
Posteriormente ocupada por Visigodos e Árabes, Évora foi finalmente, em 1165, conquistada para os cristãos por Geraldo Sem-Pavor, num episódio sobre o qual se tecem curiosas lendas, apresentando o conquistador como um turbulento cavaleiro homiziado que, para se reabilitar, tivesse cometido a proeza de entrar de noite na cidade, degolar os mouros vigias e abrir as portas aos seus companheiros, permitindo assim que se consumasse a conquista. Mas de certeza apenas se sabe que o Sem-Pavor naquela data entrou na cidade e, depois de a tomar, a entregou a D. Afonso Henriques. Este deu-lhe no ano seguinte foral, confirmado em 1218 por D. Afonso ll.
Durante toda a Idade Média, e especialmente no século XVl, em particular na época do cardeal D. Henrique, seu primeiro arcebispo e fundador da célebre Universidade de Évora foi uma das mais importantes cidades de Portugal. Gozando da preferência dos primeiros monarcas portugueses, e principalmente dos da dinastia de Avis, não só para local de habitação e veraneio, mas também como centro político, aqui se reuniram as cortes, cerca de duas dezenas de vezes, a partir de 1282.
São célebres os tumultos de Évora, durante a crise de 1385-1385, em apoio ao Mestre de Aviz. É de referir também o papel interveniente que a cidade teve antes de 1460 na preparação do clima propício para a Restauração, com os famosos e lendários escritos do Manuelinho, uma forma inteligente encontrada pelos conspiradores eborenses para assinar tudo o que fosse contra o governo espanhol. Não se quedou por aqui a participação da cidade nos graves problemas dessa época, já que os seus habitantes, de mentores de uma certa e significativa agitação, passaram a tomar parte activa na guerra subsequente à independência. E Évora, que nem em efectivos humanos nem em defesas fortificadas se encontrava preparada, foi fortemente massacrada em 1663, primeiro pelos exércitos espanhóis que a acabaram por tomar, logo a seguir pelas tropas luso-britânicas que procederam à reconquista.
Todavia, resultaram goradas algumas destas intervenções na vida política de Portugal, como foi o caso da formação, a 14 de Outubro de 1846, no século do liberalismo, de uma junta governativa inspirada na Patuleia do Norte, que trouxe como consequência a capitulação da cidade após o ataque das forças fiéis ao governo de Lisboa.
Foi, no entanto, sob o aspecto artístico-cultural que Évora mais se distinguiu ao longo dos tempos.
Sabendo-se até que ponto a vida religiosa esteve ligada à cultural, certamente serão consideradas significativas as 22 casas religiosas que se estabeleceram na cidade. Mas, embora não desligada deste factor, foi a existência de uma universidade que mais profundamente marcou a actividade cultural de Évora. Iniciada como Colégio do Espírito Santo e entregue aos Jesuítas em 1557, logo dois anos depois se tornou universidade, graças à acção do cardeal D. Henrique. Aliás, o futuro rei teve papel meritório na cidade, que nesta época foi dotada de importantes construções, de entre as quais se salientam a Igreja do Espírito Santo, iniciada em 1566, a fonte das Portas da Moura e o chafariz da Praça do Geraldo, que data de 1570. A Universidade, bem apetrechada e com bons professores, tornou-se em pouco tempo um grande centro cultural, com projecção europeia. Foi, porém, encerrada em 1759 pelo Marquês de Pombal, que tão-pouco se inibiu de destruir parte da restante obra do cardeal, e esse facto acelerou de algum modo uma certa decadência da cidade.
Importante foco, especialmente durante a centúria de Quinhentos, de cultura e arte, Évora viu convergir para si artistas que deixaram o seu nome ligado a obras ainda hoje consideradas do melhor e mais representativo do seu género em Portugal. São disso exemplo os Arrudas, Afonso Álvares, António Álvares, Manuel Pires, Torralva, como arquitectos e construtores; Chanterene, escultor, e o flamengo Fr. Carlos na pintura. Mas outras figuras notáveis aqui viveram ou a Évora se ligaram. Gil Vicente, Garcia de Resende, Vasco da Gama, Clenardo, Jerónimo Osório, D. Francisco Manuel de Melo e, mais próximo de nós, Fr. Manuel do Cenáculo não desmerecem dos anteriores.
Monumentos das mais variadas épocas, alguns de grande representatividade, como marcos históricos e estilísticos, estão hoje integrados na paisagem citadina, de uma forma quase sempre feliz, embora essa integração tenha sido geralmente feita ao sabor do acaso ou das necessidades, sem grande esforço de programação. Partindo embora de uma evolução histórica longa, a arquitectura do passado, mais erudita, casa-se normalmente bem com os edifícios mais simples e modernos.
Embora a cidade tenha extravasado hoje o recinto de fortificação mais recente (fernandino e do século XVll) e crescido ao longo da estrada de circunvalação, o núcleo urbano propriamente dito está confiado ao interior das muralhas.
O interior da antiga muralha romano-medieval, da qual ainda restam alguns vestígios, terá constituído a primeira fixação urbana em que se estabeleceram os romanos, árabes e as primeiras ocupações cristãs. É o ponto mais elevado da cidade e nele se encontram os edifícios mais característicos, como é o caso do já referido templo clássico e principalmente a Sé, de estilo romano-gótico, iniciada ainda no século Xll, mas denotando como principal campanha a do século Xlll. Templo grandioso e imponente de três naves com trifónio, e encimar o cruzeiro apresenta uma magnífica e original torre-lanterna que, com as duas desiguais da fachada, domina a paisagem urbana. Juntamente com a Sé, o antigo Paço Arquiepiscopal, hoje Museu Regional, e o conjunto dos Lóios – de uma primitiva construção gótico-manuelina, hoje aproveitada para pousada, pouco resta – constituem um núcleo que, depois de desobstruído o templo romano das antigas casas da Inquisição que se lhe encostavam e rebaixado o largo circundante (1841), se tornou uma das zonas mais interessantes da cidade.
A cidade, certamente por pouco tempo, esteve confinada àquela primitiva muralha, tendo-se espalhado em seu redor e de tal modo crescido que no século XlV se tornou necessário rodear de novo a cidade com uma cerca, muito mais extensa que a anterior, e que ficou concluída no reinado de D. Fernando l. Esta cerca foi muito danificada durante as Guerras da Restauração, pois, embora D. João lV tivesse programado a construção de baluartes que reforçariam os muros fernandinos, aqueles ainda não estavam concluídos aquando do ataque espanhóis. O invasor teve mais tarde necessidade de os voltar a edificar, pelo que ainda hoje restam algumas dessas defesas.
Espraiada assim a cidade em redor da primeira muralha, o seu crescimento foi certamente rápido, ainda que a Cerca Fernandina não fosse tão extensa como as fortificações que hoje a circundam.
Assim, com o extravasamento do agregado urbano para fora da primeira muralha, formaram-se as zonas urbanas que foram evoluindo de maneira diferente, embora mantendo não só um certo ar de família entre as várias partes da cidade, que nem mesmo os edifícios mais recentes conseguiram apagar, mas também alguns aspectos que denunciam as suas origens. São os casos dos Bairros da Mouraria (a norte da primitiva muralha, à volta da rua do mesmo nome) e da Judiaria (a ocidente da Praça do Giraldo), que ainda revelam um cunho quase medieval, com suas ruas estreitas e habitações de tipo simples e popular.
Por outro lado, certos edifícios disseminados pela cidade, especialmente de carácter religioso, influenciaram, e influenciam ainda, de forma indiscutível o espaço urbano envolvente.
Sucede assim, nomeadamente, com a Igreja de São Francisco, construção do gótico final já com algumas características da decoração manuelina. Monumento importante da arquitectura eborense, denota grande simplicidade na traça da planta de cruz latina, com uma nave única e capelas laterais, alçados também simples e cobertura de abóbada de nervuras sem ogiva. Situa-se sobranceiro a um largo onde também tem lugar de destaque a Galeria das Damas. Trata-se do que resta dos Paços de D. Manuel l, residência da dinastia de Avis, importante edifício da arquitectura do reinado do rei que teve o cognome histórico Venturoso (embora iniciado anteriormente) e de forte influência árabe. Aliás, é de referir que Évora é talvez das zonas de Portugal em que nesta época o tijolo e a janela e arco mouriscos, foram utilizados de uma forma mais evidente.
 

MONUMENTOS PRÉ-HISTÓRICOS:
CROMELEQUE E MENIR: a cerca de 12 Km a oeste de Évora encontra-se o mais importante e o mais bem conservado crome leque da Península Ibérica. Situado a 1,5 Km a sudoeste do monte da Herdade dos Almendres, é constituído por 95 blocos, co 1,5 a 2 metros de altura e 1 de diâmetro, dispostos num oval de 60 metros de eixo maior e 30m de eixo menor, orientada no sentido este-oeste, como a maioria das antas. Junto ao monte da herdade encontra-se um grande menir fálico isolado. Eleva-se a 3,5m do solo, devendo ter um comportamento total de 5 m, um diâmetro máximo de 1,2m e um peso de 10 a 12 toneladas. A sua ligação com o culto da fecundidade parece evidente.
NÚCLEO DOLMÉNICO DE GRAÇA DO DIVOR: Existem nesta freguesia cerca de 20 antas bastante bem conservadas, das quais se destacam: a anta da Herdade de Paredes, situada na margem esquerda da ribeira de Paredes, a poente da estrada nacional nº 114-4, que tem uma câmara de sete esteios com chapéu “in situ”, de 2 metros de altura, e corredor curto com uma laje de cobertura com 31 covinha; a anta 1 da Herdade do Silval, situada cerca de 500 metros a poente da anterior, mas na margem direita da ribeiro de Paredes, que possui uma câmara de sete esteiros, com 3 metros e igual altura, conservando o chapéu “in situ”, um corredor de 4 m. e vestígios de mamoa, com 20 m. de diâmetro, considerada um dos mais importante dólmenes da região; a anta 3 da herdade do Silval, situada 300m. a norte do monte Silval, junto à estrada, que conserva uma câmara de oito esteiros com o chapéu “in situ”, com 3m de altura, mas pouco restando do corredor e da mamoa; a anta 3 da Herdade de Alcanena, situada a sul da estrada nacional, na margem esquerda da ribeira de Almançor, junto de um grande sobreiro, que se encerra uma câmara quadrangular com chapéu “in situ” e um corredor pouco diferenciado da câmara; a anta 1 da Herdade da Segonheira, situada 700m a sudoeste da herdade, que tem uma câmara de sete esteiros, de 2 m. de altura, com chapéu “in situ”. O corredor e a mamoa estão destruídos.
ANTA GRANDE DO ZAMBUJEIRO: É um dos maiores e mais belos dólmenes da Península Ibérica. Coberto por uma mamoa da qual só aflorava o chapéu e a extremidade de alguns esteiros, o monumento tem uma câmara, com 5 metros de altura e 3 de diâmetro, sete esteios e um corredor, com 10m de comprimento e 1,60 m de altura. Trata-se sem dúvida, de um dos mais altos monumentos deste género e dos mais harmoniosos.
CASTELO DO GIRALDO: Num pequeno cabeço coroado por um proeminente afloramento rochoso, dotado de excelente visibilidade e de defesas naturais, encontram-se abundantes vestígios de ocupação, que se prolongou desde o final do Neolítico (3.000 anos antes de Cristo) até aos tempos medievais, passando pelo final da Idade do Bronze. A forte muralha, com 40 metros de diâmetro, que coroa o cabeço assenta sobre estratos neolíticos, devendo datar do período da Reconquista, a julgar pela abundante cerâmica medieval recolhida.
COROA DO FRADE: No extremo leste da serra de Montemuro, encontram-se vestígios de uma vasta fortificação, composta por um recinto principal em forma de pêra, com 200 metros de eixo maior, reforçado por um outro recinto exterior. As escavações efectuadas, nas quais se puderam observar pavimentos de cabana e se recolheram várias armas e utensílios de bronze, objectos de adorno de âmbar, fibrolite, opala e grande variedade de cerâmicas, de que se destacam as de ornatos brunidos, identificaram as ruínas como pertencendo a um povoado do final da Idade do Bronze, ou seja 1.000 a 700 anos antes de Cristo.
OUTROS MONUMENTOS:
CELEIRO COMUM: Instituído por D. Sebastião e transformado em 1777, apresenta fachada de estilo rocócó.
AQUEDUTO DA ÁGUA DE PRATA: Construído entre 1531 e 1537, tem 9 Km de extensão. A parte monumental do aqueduto, interrompida por torrões quadrangulares ou cobertos de cúpulas, fica compreendida entre São Bento e a cidade.
MURALHAS: Vestígios da grandeza militar de Évora, testemunham, apesar de arruinadas, a importância da cidade através dos séculos. Delas se destacam: a cerca romano-godo-muçulmana, da Alta Idade Média, com a Porta de D. Isabel, os lanços dos Colegiais, as torres da Rua Nova e da Selaria e a Porta de Moura, e a cerca nova, construída a partir do reinado de D. Afonso lV e concluída no século XlV, vastíssima, que teve 40 torres e 10 portas, das quais subsistem as Portas de Avis, da Lagoa, e do Moinho de Vento, além da torre de menagem do Largo de Alconchel, a mais sólida deste amuramento.
CASTELO VELHO: Parcialmente destruído em 1384, durante as lutas a favor do Mestre de Avis (mais tarde D. João l), dele apenas restam algumas ruínas.
CASTELO NOVO: Manuelino, construído em 1518, foi, no século XVlll, por cedência de D. João V, transformado em quartel.
TEMPLO DE DIANA: Évora conserva, da época romana, um dos templos mais completos da Península Ibérica. Dedicado ao culto imperial, é um templo períptero, isto é, rodeado nos quatro lados de colunas da ordem coríntia. O embasamento tem 25mX15 metros e 3,5 de altura.

 

A Cidade de Évora


É a capital da província do Alto Alentejo e conta actualmente cerca de 50000 habitantes. Foi denominada pelos romanos Liberalitas Julia e conserva, como relíquia da civilização romana, um templo pagão que, constitui exemplar raro na Península.
Em 1165 foi conquistada aos mouros pelo cavaleiro cristão, Giraldo Sem-Pavor, tendo sido integrada na monarquia portuguesa de D. Afonso Henriques. Pela sua posição geográfica, perante os muçulmanos e perante Castela, desempenhou papel de primeira importância na história de Portugal, tendo sido assento da corte e centro de cultura de grande relevo.
Apresenta ainda hoje um vasto conjunto de monumentos que mostram as correntes artísticas que por aqui passaram através dos séculos, desde o estilo romano ao miguelangelesco, sem esquecer as influências do sul de Espanha na característica decoração mudejar. As suas numerosas igrejas são opulentas de decoração, avultando as talhas douradas, pinturas murais, painéis de azulejos barrocos e mármores embutidos. Pela quantidade e qualidade de volumes arquitectónicos que possui, ocupa posição de relevo, não só entre as cidades de Portugal, mas ainda entre todas as da Península Ibérica.
Devido à riqueza histórica do seu património, a cidade de Évora foi alvo de avaliação pela UNESCO que a veio a declarar como Cidade Património da Humanidade. 
A cidade de Évora encontra-se situada a 140 km de Lisboa, no interior da planície Alentejana. A sua ligação a Lisboa, consegue-se em cerca de 1 horas a 1 h e 30 minutos, graças aos acessos rodoviários, por autocarros que estabelecem aquele percurso com frequência ao longo do dia.

 

A Lenda do Giraldo Giraldes, o Sem Pavor

Esta lenda passou-se no ano de 1165, no tempo em que Évora era ainda a Yeborath  árabe para grande desgosto de D. Afonso Henriques que a desejava como ponto estratégico para a reconquista de Portugal aos Mouros.     
      Giraldo Geraldes, um homem cristão que vivia à margem da lei, era chefe de um bando que habitava num pequeno castelo nos arredores de Yeborath. Conhecido também pelo Sem Pavor, Giraldo Geraldes decidiu conquistar Évora  para resgatar a sua honra e o perdão dos seus homens. Disfarçado de trovador rondou a cidade e traçou a sua estratégia de ataque à torre principal do castelo que era vigiada por um velho mouro e pela sua filha. Numa noite, o Giraldo subiu sozinho à torre e matou os dois mouros, apoderando-se em silêncio da chave das portas da cidade. Mais tarde, mobilizou os seus homens e atacou a cidade adormecida.
            No dia seguinte, D. Afonso Henriques recebeu surpreendido a grande novidade e ficou tão feliz que devolveu a Giraldo as chaves da cidade bem como a espada que ganhara, nomeando-o alcaide da cidade de Évora.
            Ainda hoje a cidade mostra no brasão do claustro da Sé, a figura heróica de Giraldo Geraldes e as duas cabeças dos mouros cortadas, para além de lhe dedicar a praça mais emblemática de Évora.

 

 

 

 

 

 

Alandroal – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

A Ordem de Avis foi sua donatária. Em 1486 D. João ll deu-lhe foros de município autónomo, confirmado por D. Manuel l em 1514.
Origem do nome::
”É tradição que tomara esta vila o nome de Alandros, que são umas plantas com as folhas semelhantes às do louro posto que mais grossas e lisas, e a flor como rosas, das quais havia grande cópia na sua fonte, abaixo da qual fica uma grande horta que chamamos do Mestre, por ser dos Mestres de Avis, no tempo em que os havia”. (Padre Luís Cardoso – 1882).
“Em antigo português escrevia-se Lendroal , e provém-lhe o nome de grande quantidade de loendros (arbustos apocíneos que ensombram a fonte chamada do “Mestre” por pertencer do Mestrado de Avis, no local que foi escolhido para assento da povoação”. (do Arquivo Histórico de Portugal – 1890).
“Alandro – a-landro, vem de lorandru. Incidentemente notarei que Alandroal se formou de alandrão como meloal de melão, sardoal, de sardão. Há em português muitos nomes botânicos derivados de outros do mesmo radical com a adjunção do sufixo – ão, antigo – om, por exemplo: - arruda – arrudão; botelho (botelha) – botelhão; couve – couvão; malva – malvão; manjarico – menjaricão; ortiga – ortigão, etc. Em galego albaca – albacón; malva – malvón; ortiga – ortigón; e em francês chadon com relação ao latim cardum. Crei que alandrão pertence à mesma categoria. A forma antiga de Alandroal é Landroal, como se vê nos Lusíadas, Vlll, 33: Pero Rodrigues é do Landroal”. (Prof. Dr. José Leite de Vasconcelos).
Landroal é dominado pelo seu castelo, uma construção medieval, dominada por uma poderosa torre de menagem. Na Torre da Cadeia e na Porta Legal subsistem restos de arquitectura muçulmana e lápides góticas comemorativas da obra, que foi dirigida por um construtor mouro. Do branco irradiado pelas casas ergue-se um monumento negro construído pedra sobre pedra. Foi à sombra do castelo que cresceu a povoação, a mesma povoação que foi mãe de importantes soldados da História. É o caso de Pero Rodrigues o “Encerra – Bodes” que foi alcaide do Alandroal e cavaleiro do Mestre de Avis (D. João l) e cujas investidas foram descritas nas crónicas de Fernão Lopes e nos poemas do enorme Luís de Camões. António Álvares foi outro exemplo de distinção durante a Guerra da restauração. Interrompeu a vida religiosa para comandar a artilharia de D. João Vl e vencida a guerra, retomou a sua vocação.
A história do Alandroal começou a ser particularmente notável a partir do momento em que D. Sancho l doou a povoação à Ordem de Avis, que a colonizou, embora as atenções militares chegassem apenas com o reinado de D. Dinis. Entramos pela Porta Legal que nos conduz ao adro da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, situada no local do antigo templo de nossa Senhora da Graça. É um templo do século XVl, com abóbada artesoada do Renascimento. Desta porta gótica com inscrições mudéjares, sai a única rua intra-muros que conduz à Porta do Poente. O largo adarve permite-nos uma visão mais geral sobre a vila. Mas o ponto de vigia como o que se consegue do alto da torre onde está implantada a torre sineira não se consegue de mais lado nenhum. São famosos os ares e as águas do Alandroal. Nunca foi atacada por qualquer epidemia, facto que atraiu muita gente, até mesmo os Duques de Bragança, quando noutras regiões surgiu o terrível flagelo da peste. Há quem atribua esse facto à existência de grandes matas de aloendros que, talvez, deram o nome à povoação. Alandoal foi fundada em 1298 por D. Lourenço Afonso, Mestre de Avis, conforme consta de duas lápidas embebidas nos muros do seu castelo. Nos campos entre Alandroal e Terenas, onde se encontram as Ermidas de São Miguel e de São Benta da Contenta, a primeira das quais demolida, situava-se em tempos um magnífico templo dedicado a Cupido ou a Endovélico. Consta que daí foram retiradas 96 colunas jónicas de mármore que decoram agora o pátio do Colégio do Espírito Santo, em Évora. A Ermida de São Bento foi mandada construir por um devoto que ia muitas vezes rezar àquele sítio. Sá Bento ter-lhe-ia prometido que, se lhe fosse erguida ali uma ermida, nunca grassaria a peste na povoação.

 

Alandroal

O concelho de Alandroal ocupa uma área de 542,08 Km², que corresponde a 7,3% do distrito de Évora e tem uma população de 6.585 habitantes, o que representa 3,8% da população residente neste distrito. Deste concelho fazem parte 6 freguesias. Na actividade económica, os sectores terciário e secundário empregam cerca de 77% da população activa. No que respeita ao sector primário, Alandroal apresenta-se como um concelho em que predominam as explorações dedicadas à pecuária e à exploração de cortiça em complementaridade com a exploração cinegética. Por outro lado, trata-se de um concelho com zonas de elevado interesse ecológico e de forte atracção turística como a zona do Vale do Guadiana e a Barragem de Lucefecit, possuindo ainda património Histórico e Arqueológico de elevado valor e interesse patrimonial como é o caso da Fortaleza de Juromenha, do Castelo de Alandroal e Castelo de Terena, antas e outros sítios razoavelmente preservados.

 

 

 

Arraiolos – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

 

A sua fundação é atribuída aos Galo-Celtas (300 a.C.), ou aos Sabinos, Tusculanos e Albanos (200 a.C.).D. Afonso ll fez doação da sua herança de Arraiolos ao Cabido de Évora, mas D. Afonso lll retomou a sua posse. D. Dinis reconstruiu a vila, edificou o castelo e outorgou-lhe foral em 1310, D. João l doou-a a D. Nuno Álvares Pereira e D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1511. A vila ocupa todo um cabeço e estende-se já pelas encostas.

Opiniões sobre a origem do nome:

«Arquivo Histórico de Portugal (1899)»: “A origem de Arraiolos, que também se escreve Arrayolos, fundando-se na suposta fonte helénica do seu nome, está envolta em trevas efabulas, concordando, porém, todos os autores, com quanto sob diversa forma, em que é muito antiga, provindo-lhe a denominação dum guerreiro grego chamado Rayeo, que a capitaneava, chamando por esse motivo “Rayolis”, que, com o andar dos tempos se corrompeu em Arraiolos”.

« Dicionário Geográfico – Padre Luís Cardoso (1747): Trazem alguns sua origem do tempo dos sabinos, tusculanos e albanos, senhores da cidade de Évora antes de Sertório e que deram o governo de Arraiolos a um capitão Rayeo, nome grego por cuja antiguidade tomou por empresa uma cabeça na forma de uma esfera, e desse nome Rayeo se fez denominado Rayollis, corrupto hoje em Arraiolos.

Segundo Diogo Mendes de Vasconcelos foi esta vila fundação dos Galos Celtas quando senhorearam estas comarcas, as quais lhe deram o nome de Calantia ou Calantria”.

«Alguns Apontamentos Históricos sobre a vila Arraiolos – de Bernardino Godinho (1933)»:” Evoquemos, como Cunha Rivara, o passado da nossa encantadora terra, pois nos foros da sua nobre antiguidade, pode muito bem ombrear com as mais poderosas povoações, não faltando autores que façam remontar a sua origem, ao tempo dos celtas, ou pelo menos, ao dos mouros. Calantica – a menos de uma légua, para noroeste, onde hoje está a aldeia de Sant’ana do Campo, prova-se pela simples inspecção da igreja, formada nos restos de um templo romano. Que o nome da povoação fora a de Calantica, afirma-o André de Resende, com alguns autores; ainda que doutros variem alguns tanto a sua ortografia: Calantica, Calantrica, Calantia, Calancia e até Callancia.

O Dr. Manuel do Vale de Moura, declarando a sua naturalidade, no livre que publicou. De Incontationibus diz: Pátria Calantica. Etimologia.

Outros autores, embora não neguem a existência de Calantica, embora admitem a hipótese de ela ter sido fundada por celtas ou romanos, declaram que nem lugar nem em tempo, Arraiolos se deve confundir com Calantica.

O padre Frei Henrique de Santo António, na Crónica dos Eremitas da Serra d’Ossa, muito sabedor de etimologias gregas, inclina-se a que o capitão Rayeo se chamasse à povoação de Rayeopollis e daí por linha recta venha Arraiolos”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ A “terra dos tapetes”, histórica e antiquíssima vila, sede de concelho do distrito de Évora, etm, segundo se afirma, um nome de origem antroponímica. Um capitão grego de nome Rayeo teria sido governador da povoação, a qual tomou esse nome alterado em Ryolos, que depois, com o tempo, se transformou em Arrayolos e Arraiolos. Embora reproduzida por vários autores, não satisfaz a explicação, que é, pelo menos, muito deficiente. A primeira parte do topónimo tem todo o aspecto da proveniência árabe; todavia, se a origem é grega, como se diz, deve talvez tratar-se de um nome helénico arabizado. Mas, com mais probabilidades de aceitação não será antes um nome propriamente árabe, cognato de arraia ou arraial com um sufixo pluralizado? A hipótese? harmoniza-se melhor com a história local, pois o primitivo povoado correspondente à actual Arraiolos tinha uma designação que aparece grafada com várias formas e que não se relaciona morfologicamente com o nome actual, como deixamos registado no primeiro volume deste trabalho, na parte referente a topónimos extintos”.  

 

Arraiolos

Arraiolos, cuja fundação atribuída a Sabinos, Tusculanos e Albanos, remonta ao séc.II a.c., tem segundo vários autores, o nome derivado do governador grego: Rayeo ou Rayo, que nestas terras foi senhor,
" Terras de Rayo ", e que, posteriormente, por sucessivas transformações viria a dar: " Rayolo ", " Arrayollos ".
Teve 1º Foral, de D.Dinis, em 1290, e Castelo mandado edificar pelo mesmo monarca em 1305.
Foi condado de D. Nuno Álvares Pereira - 2º conde de Arraiolos - a partir do ano de 1387. Antes de recolher ao Convento do Carmo em Lisboa, o Condestável do reino, permaneceu aqui longos períodos da sua vida.
Arraiolos recebe Foral novo de D. Manuel em 1511.
Com limites administrativos definidos a partir de 1736, sofreu, entretanto, várias alterações:
- Inclusão no distrito de Évora (1835) ; Anexação do concelho de Vimieiro (1855) ; Anexação do concelho de Mora (1895) ; desanexação do concelho de Mora (1898).
Após a revolução do 25 de Abril de 1974, surge o Poder Local Democrático - foram resolvidas muitas das necessidades básicas das populações; promoveu-se o desenvolvimento económico e social de forma integrada e harmoniosa, elevando continuamente as condições materiais, sociais e culturais de vida, no concelho.
Situado no interior sul do país, na vasta região alentejana , Arraiolos é hoje um concelho rural de 2ª ordem, com 684,08Km2, para uma população de 8207 habitantes (censos de 1991) distribuídos por 7 freguesias: Arraiolos, Vimieiro, Igrejinha, S. Pedro da Gafanhoeira, Sabugueiro, S. Gregório e Santa Justa.
Arraiolos assume-se, hoje, com uma administração aberta e democrática, como um concelho em expansão, onde as suas gentes, orgulhosas dos seus antepassados e do seu património, perspectivam um futuro de progresso.

 

 

 

 Borba – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

É povoação antiquíssima, cuja fundação alguns autores atribuem aos Galo-Celtas. Foi Conquistada por D. Afonso Henriques, em 1217 r por ele povoada. D. Dinis deu-lhe foral em 1302 e novo foral lhe foi concedido por D. Manuel l em 1513. Aqui se travou a Batalha de Montes Claros.

Pode dizer-se que toda a vila é construída de mármore branco, pois, devido à grande abundância deste material na região, ele surge na maioria dos edifícios. Famosos em todo o País são também os afamados vinhos de Borba.

Opiniões sobre a origem do nome:

«Das “Memórias Paroquiais de 1758)»: “Seus primeiros fundadores lhe deram o nome de Barbo, em razão de haverem achado dois desta espécie em um lago aonde está o castelo, os quais tomaram por armas da mesma vila, mandando-as esculpir em alguns lugares, porém ao presente só se vêem retratados nos espaldares das cadeiras da Câmara. Pelo decurso do tempo se veio a corromper o nome “barbo” em “Borba””.

« Domingo Ilustrado (1897)»: “O nome desta vila não se sabe ao certo de onde provém. Os que buscam explicações em factos sem valor histórico, querem que ele venha de um barbo (peixe) aparecido, em épocas longínquas na fonte que está dentro dos muros castelo, ao pé da Igreja da Misericórdia . Outros não podendo suportar a ideia de um barbo só e abandonado na mencionada fonte, afirmam que eram dois os tais bichinhos. Se aparece por aí outro pescador de barbos, já serão quatro, e dessa forma levando o número sempre ao quadrado, concluiremos por admitir que os primeiros moradores da povoação eram todos peixes”.

«Escavações do Passado – Origem do nome de Borba (Brados do Alentejo 1935)»: “ Para mim é ponto de fé que ela nasceu de alguém que tentando decifrar as antigas armas de Borba, e não o fazendo heraldicamente, achou por bem lançar essa, porque se o tivesse feito com conhecimentos de heráldica, chegaria à conclusão de que as nossas antigas armas eram bem mais racionais do que actualmente usadas pela Câmara Municipal, visto que os barbos naquela terem por missão tornarem mais saliente a abundância de água, que tanto caracteriza Borba, e estas assentarem sobre uma fantasiosa e absurda lenda, que tem a agravante de desaparecer ao mais simples raciocínio. E já que se escreveram estas descoloridas linhas, queremos também deixar expressa a nossa opinião, mas sem termos o propósito de nos Arrogarmos em autoridade sobre o assunto, visto partilharmos a do ilustre investigador Ver. Padre Gonzaga Vinagre, quando diz derivar o nome da nossa terra da palavra grega – Borboros – que significa – lama no fundo de água estagnada.

E como todos compreendem que não é crível que apareça milagrosamente um barbo dentro dum poço, então digamos sempre de futuro que não é do “Barbo” (peixe), mas sim de Borboro, Borba, que vem a origem do nome desta linda terra, que remonta aos primórdios da nacionalidade”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ Vila e sede de concelho do distrito de Évora. Lemos algures que o nome resultou da transformação de “barbo”, conhecido peixe de água doce, mas só com muitas reservas reproduzimos o informe, mesmo a pesar de figurarem dois destas peixes (barbos) nas armas de Borba. A designação aparece também como potamónimo”.

 

Borba
Borba é povoação antiquíssima cuja fundação alguns autores atribuem aos Galo-Celtas.
Esteve sob o domínio romano, godo e árabe, sendo conquistada por D. Afonso II em 1217 e povoada pelo mesmo rei.
Em 15 de Junho de 1302 D. Dinis concedeu-lhe o primeiro foral, constituindo-se Borba como concelho e libertando-se do de Estremoz. Teve novo foral dado por D. Manuel I em 1 de Junho de 1512.
Foi também D. Dinis quem promoveu o amuramento acastelado da povoação. O castelo dispunha-se em planta quardrilateral e a sua construção obedeceu as sistema corrente das fortificações similares da região. De grossa alvenaria, tinha amuramento espesso em altura normal, coroado por merlões góticos e de largo adarve que corria a muralha. O fosso, pouco profundo, desapareceu com a construção do casario que se foi desenvolvendo na face exterior.
Pelos inícios do Séc. XVIII, o governo militar da província determinou envolver a vila por um campo entrincheirado, com fossos, estacaria e estradas cobertas, obra que foi apenas esboçada e de que ainda existiam vestígios em 1766.
Do castelo, edificado ou remodelado do Séc. XIII, conserva-se a torre de menagem e duas portas, a de Estremoz e a do Celeiro.
Borba foi lugar de muitos acontecimentos notáveis da nossa história. Um dos principais foi o enforcamento do governador do castelo, Rodrigo da Cunha Ferreira, e de mais dois capitães portugueses da guarnição, no verão de 1662, após a invasão vitoriosa do exército de D. João da Áustria. Este terá mandado cometer o atroz acto como vingança pela morte de três capitães, um sargento e 20 soldados das suas forças, além de 50 feridos. A memória dos povos guardou a efeméride na tradição toponímica, com a "Rua dos Enforcados", que passou depois a chamar-se Rua Direita. Não contente com a sua represália, D. João da Áustria mandou ainda incendiar os Paços do Concelho e o Cartório Municipal, perdendo-se todos os manuscritos antigos da história de Borba.
Em 1383-1385, também Borba se viu envolvida nas campanhas da Independência, com destaque para os acontecimentos transcorridos durante a ocupação dos aliados ingleses do Duque de Lencastre e a cilada de Vila Viçosa, onde perdeu a vida Fernão Pereira, irmão de D. Nuno Álvares Pereira, que fizera quartel general em Borba e foi seu primeiro donatário, por mercê de D. João I.
Em 1483, D. Afonso Henriques, filho de D. Fernando da Trastâmara, senhor de Barbacena, foi amerceado por D. João II com a alcaidaria de Borba, então confiscada aos duques de Bragança.
Em 1665, Borba esteve ocupada por três regimentos de infantaria e um terço de cavalaria, e a população sofreu novamente o pânico da terrível invasão, que desmoronou no campo de Montes Claros, com a derrota dos exércitos de Filipe IV.
Em 1708, o general de artilharia João Furtado de Mendonça, governador da cidade de Elvas, era comendador de Borba.
Em Junho de 1711, a vila sofreu os incómodos da ocupação militar do general espanhol D. Domingos de Ceo, que impôs à população um elevado imposto de guerra.
Durante a Guerra Peninsular levantou-se em Borba um grupo de milicianos que figurou na defesa de Évora, em 29 de Junho de 1808. Pouco depois, entre 1809 e 1811, na vila se alojou uma brigada escocesa do exército anglo-luso de Beresford.
in:
 

Dicionário Enciclopédico das Freguesias
4ª Edição
MinhaTerra - Estudos Regionais de Produção e Consumo, Lda

 

 

 

 

 

Estremoz – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

Foi fundada por D. Afonso lll, em 1258. Neste mesmo ano recebeu o primeiro foral, renovado em 1512 por D. Manuel l. D. Dinis residiu aqui durante várias épocas da sua vida e também aqui faleceram a Rainha Santa Isabel (Isabel de Aragão) em 1336, e o rei D. Pedro l (de Portugal), em 1367. Foi cenário de importantes encontros políticos na Idade Média, entre os quais as cortes convocadas por D. João l.

Quem entra em Portugal, vindo de Espanha, pela fronteira do Caia e se dirige a Lisboa, fica de certo modo surpreendido, com a cidade murada que surge à sua frente, um pouco à direita. Parece um pequeno aglomerado rodeado por uma forte cintura de muralhas. Sobre os telhados do casaria distingue-se uma bela torre. Trata-se da cidade de Estremoz, de amplas proporções e que há muito ultrapassou o perímetro das muralhas, mas para o lado noroeste.

Opiniões sobre a origem do nome:

«O Topónimo Estremoz (na Lenda) do Dr. Mário Alberto Nunes de Sousa (1953)». “ Segundo uma lenda já registada há séculos e lembrada com frequência e maior ou menor número de pormenores, alguns habitantes de Castelo Branco ter-se-iam visto obrigados, em tempo de D. Afonso lll e por comentimento de delito grave, a procurar um abrigo, o qual encontraram no Alentejo, nas vertentes da colina em que se ergue o Castelo de Estremoz e por onde em parte se espraiou a actual povoação. Haveria tremoceiros, ao que se diz bem mais copados do que os que hoje conhecemos, um dos quais lhes proporcionou a sombra acolhedora e o sossego buscado. Com o tempo, os poucos habitantes proliferaram e, fundadas as primeiras casas, formada a Rua Direita e erguida no fim desta, ao que se disse como paroquial, a Igreja de Santiago, a população entendeu dever depurar dois procuradores a fim de solicitarem a D. Afonso lll lhes concedesse foral, o que obtiveram, tendo ainda oportunidade de, a uma consulta régia informar que não tendo encontrado mais do que Sol, Lua e estrelas e o tremoceiro, desejariam que tais elementos entrassem nas suas armas e a povoação se chamasse Estremoz, numa alusão à planta acolhedora”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Estremoz, “a terra dos mármores”, a moderníssima cidade alentejana do distrito de Évora, tem a sua história, sem dúvida, mas mal definida ou pouco conhecida, pois, sobretudo nos respectivos primórdios nada positivo se sabe a seu respeito. Não está claramente averiguado se a povoação já existia no tempo dos romanos, embora não falte quem se incline para a hipótese afirmativa, baseado no facto de se terem encontrado por lá vestígios de permanência dos mesmos romanos.

É porém, mais certo ter sido povoação mourisca, embora se ignore o nome que tinha, pois são numerosos os sinais locais dos tempos dos mouros. Supõe-se que o sítio tivesse sido abandonado aos portugueses pelas alturas de 1165, quando estes conquistaram Évora e outras terras vizinhas. De qualquer modo, sabe-se que D. Afonso lll a mandou povoar em 1258, que lhe concedeu vários privilégios e que, reconhecendo a excelente estratégia para a defesa da fronteira do Alentejo, mandou construir o castelo, em volta do qual se foi alargando a povoação, cujos habitantes eram atraídos pela fertilidade do solo e pelas condições da defesa. O primeiro foral de Estremoz foi concedido pelo mesmo rei D. Afonso lll e tem data de Leiria, onde foi passado a 22 de Dezembro de 1258.

Quanto à verdadeira origem do respectivo topónimo, surgem dificuldades, porque ninguém o sabe, segundo parece. Há cerca de meio século ( e não sabemos se isto era já reprodução de escrito mais antigo, mas tudo nos leva a crer que fosse) já se escrevia que “duas versões existem com respeito à etimologia da vila: uma diz que o vocábulo Estremoz provém da grande quantidade de tremoceiros que revestiam o monte, quando D. Afonso lll mandou construir o castelo; outra diz que o nome adveio de estar vizinha ao extremo da província. Parece, entretanto, mais razoável a primeira versão, por isso que nas suas armas, figura também um tremoceiro.

Relacionar morfologicamente ou dizer que são cognatos Estremoz e tremoceiro, parece-nos afirmação demasiadamente arriscada e insustentável. O facto de aparecer um tremoceiro nas armas locais não resolve o problema por mais de um motivo, sem excluir a certeza de haver várias armas e brasões com insígnias que a histórica não explica, como sucede, por exemplo com a cidade de Chaves, que tem duas chaves nas armas e não as tem na história. São os tais símbolos falantes, que se referiu Leite de Vasconcelos.

Sobre a segunda versão – tirar Estremoz de extremo – também por ela não nos batemos, pois vemos-lhe pouquíssimas probabilidades de aceitação. A discordância nas segundas letras (s, x) dos dois vocábulos talvez se explicasse por contaminação recíproca das grafias Eztremoz, com x, e estremo, com s, embora a explicação não contentasse a todos. Mas, como justificar a oxitonia do topónimo ? E qual a proveniência do z final ?

Com os escassos elementos, que se conhecem, parece-nos difícil solucionar o caso definitivamente, o que não obsta a que exponhamos aqui uma hipótese nova, apresentada sem pretensões de resolver de vez o problema.

Estremoz foi sempre a terra das boas pedras e dos mármores finos, Cremos até que tem sido sempre a sua principal indústria.

Por outro lado e embora seja Estremoz a grafia oficial, recomendada por dicionaristas e vocabularistas, esta forma tem sido alternada com Extremoz, co Extremos e com Estremos, sendo absolutamente exacto que não se poderá indicar a verdadeira grafia enquanro não se conhecer o verdadeiro étimo. Pois bem. Há um elemento toponímico, estr - , que Joseph M. Piel diz ser idêntico a astr - , que significa originariamente “brilhante” e que aparece na formação de vários topónimos, nomeadamente em Estremonde (concelho de Guimarães). Não será este mesmo elemento, seguido de simples vogal de ligação, a primeira parte do topónimo agora estudado ? A parte final não deverá ser talvez mós, pedra, como em Porto de Mós?

Se assim é, a verdadeira grafia será Estremós e o vocábulo quererá dizer, à letra, pedras brilhantes, explica deste modo a escolha do nome pela abundância do citado produto na respectiva região. Não se poderá objectar que o nome se pronuncia com a última vogal fechada, e não aberta, isto é, ô, não ó, porquanto tal modo de pronunciar não está devidamente fundamentado por se desconhecer o étimo, além de que pode ser simples resultante de qualquer tendência do falar do local regional.

Aqui fica a hipótese que com certeza não fere os brios dos estremocenses. Folgaremos que sobre ela se pronunciem os que sabem mais do que nós. Talvez assim todos fiquemos sabendo donde veio o nome da pitoresca vila, que passou a ser cidade desde o ano de 1926”.

 

Estremoz

Estremoz é terra de história e de lenda. Conta-se que certo dia, a rainha D. Isabel distribuía pão aos pobres quando D. Dinis a surpreendeu, perguntando-lhe o que levava no regaço. A rainha, que a conveniência nacional resolveu apelidar de santa, como temendo a ira de seu marido, respondeu “São rosas, Senhor!”, exclamação que a História havia de registar.  
Provável fantasia popular para os menos crentes, o que é certo é que a descrição do milagre vai bem com o enquadramento da “vila velha” ou Largo D. Dinis como informa a placa. Dentro das muralhas do antigo castelo, os visitantes querem saber mais sobre a lenda. Mas os guias dos museus e das igrejas nada mais acrescentam. A situação remediar-se-ia com a aquisição de livros ou até panfletos que informassem um pouco mais do que uma simples planta da cidade que contém apenas os principais pontos a visitar.
A apenas 50 quilómetros de Espanha, Estremoz é ainda local de encontro ou de confrontação, como atestam o castelo e as muralhas. Aquando da construção da fortaleza, no longínquo século XIII, certamente que não se imaginaria que tantas centenas de anos depois, a torre pudesse servir tão somente como plácido balcão que estimula a contemplação. Para subir aos 27 metros de altura que equivalem ao topo, há que pedir autorização à recepção da pousada que funciona no palácio que D. Dinis mandou erguer. Não será grande exagero afirmar que quase todo o Alentejo, Alto e Baixo se avista daqui. E nem a serra da Estrela, a de Montejunto ou mesmo a da Arrábida escapam ao alcance. Escusado será falar da magnífica vista urbana sobre Estremoz.  
No museu que ali junto funciona, obtêm-se as instruções para visitar a Igreja de Santa Maria e a Capela da Rainha Santa. A primeira, quinhentista por nascimento, é um dos templos mais importantes da fase final da Renascença no Alentejo e guarda pedras tumulares com armas de ilustres famílias portuguesas. A capela é mais tardia e apresenta-se revestida a painéis de azulejos setecentistas que descrevem cenas da vida da Rainha Santa. No tecto uma cena representativa da Apoteose de D. Isabel e, por detrás da tribuna do altar, um espaço que tradicionalmente, foi considerado o leito de morte de D. Isabel.
O Museu Municipal, a funcionar na antiga casa de Roda do Hospício da Caridade, conta com uma colecção de barrística de Estremoz, arqueologia da região, faiança e talha. Quando se entra na ala dos bonecos de Estremoz parece que estamos a visitar um museu do brinquedo em barro. Todas juntas, estas imagens toscas, recriam cenas como a procissão dos passos. A religiosidade popular aqui bem vincada e demonstrada pelos vários presépios. Homens e mulheres que representam profissões-tipo do Alentejo e ainda a fidalguia senhorial de outros tempos.
Há ainda para ver a minúcia de trabalhos em madeira, em chifre e em cortiça. Escassos recursos e meios rudimentares costumam originar rigor nos artistas populares. Foi o que aqui se constatou.
Entre outras coisas, conhece-se uma cozinha típica de início do século XVIII com objectos que fizeram parte das vivências diárias desta gente. Marcas para se conhecer o pão quando ia a cozer no forno comunitário, louça e mais apetrechos. Recria-se também uma sala e um quarto. Para brindar a visita, os irmãos Afonso e Arlindo Ginja, oleiros de profissão, vendem coloridos bonecos de barro.  
Antes da descida ao Rossio de Estremoz, vale a pena a passagem pela Galeria do Desenho, de fachada gótica. Pequeno centro de cultura contemporânea a funcionar nos antigos Paços do Concelho, ou muito antes disso, como Sala de Audiências de D. Dinis. As obras, fruto de doações, centram-se no que o nome indica, mas não descuram a escultura, pintura, gravura e até os textos. Temporárias as exposições, têm como objectivo a promoção de tudo o que diga respeito à comunicação desenhada.

 

Estremoz é uma das cidades em que cai uma chuva fina. Depois de cinco séculos sob o poder muçulmano, a cidade é reconquistada pelos portugueses no século 12, e D. Dinis manda construir um castelo para guardá-la. A peculiaridade do castelo de Estremoz está na torre das Três Coroas, nome dado à torre de montagem edificada durante três reinados.
D.  Dinis fez de Estremoz a sua residência e se casou com Isabel de Aragão. Após a morte do rei, a rainha se recolheu a um convento em Coimbra e só voltou a Estremoz para tentar resolver as desavenças do filho com o neto, mas estava doente. Dentro do castelo, após três lances de escadas, está a capela dedicada à rainha santa Isabel, construída no local onde, diz-se, ela teria morrido.
Já na região do norte alentejano, mais fortificações à espera. A 15 km da Espanha, a vila de Marvão parece parada no tempo. Os moradores da cidadela que está dentro das muralhas do castelo são cerca de 200. Não há muito movimento, já que o turismo de massas ainda não chegou ali.
O contrário ocorre em Crato, onde fica um dos mais famosos hotéis da rede Pousadas de Portugal. A construção, do século 13, foi convento e, depois, um castelo. Há dez anos, foi restaurada, no espírito da nova arquitectura portuguesa. Das varandas dos quartos ouvem-se os guizos das ovelhas.


Lenda dos Estremoços
Um homem, uma mulher e uma criança viajavam numa carruagem pela planície do Alentejo. Procuravam um novo lar numa terra bem longínqua. Um tremoceiro foi o único abrigo que encontraram no caminho. A família armou uma tenda e ali passou a noite.
Na manhã seguinte, foram acordados pelo dono daquelas terras que reclamava da presença da família sem a sua autorização. Ao ouvir que a família era perseguida, embora injustamente por delitos que não tinham cometido, o velho proprietário mandou-os sair imediatamente. Sentindo-se insultados, mas de consciência tranquila, os forasteiros recusaram-se a abandonar o abrigo do tremoceiro.
Passado algum tempo, pai e mãe deram por falta da filha. Esta tinha ido encontrar-se com o velho proprietário. Disse-lhe que os seus pais eram gente nobre e honesta com capacidade para fazer daquele local uma linda povoação. Convencido pela inteligência e coragem da menina, o velho proprietário foi ter com os pais e aceitou a sua presença e ajuda.
Anos mais tarde, a povoação recebeu o foral de D. Afonso III. Foram tantas as sugestões de nomes para a terra, que o velho proprietário resolveu deixar à criança a escolha. Em homenagem à árvore, deu-lhe o nome de Estremoços (nome dado aos tremoços naquela época). Hoje é conhecida por cidade de Estremoz.
Como referenciar este artigo:
Lenda dos Estremoços. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2005. [Consult. 2005-03-07].
Disponível na www: URL:
http://www.infopedia.pt/E1.jsp?id=2832.

 

 

 

 

 

Montemor-o-Novo – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 


Origem do nome:
“Diz a tradição que o nome da formosa vila de Montemor – o – Novo, teve por origem a resposta dada por D. Sancho l quando lhe perguntaram sobre qual dos três montes determinava que se edificasse o castelo: “No Montemor”. É possível que assim fosse, e como outra explicação não há a tal respeito, admitiremos esta”. ( Domingo Ilustrado – 1890).
“O nome de Montemor tem origem nos celtas. Contraporíamos “Bem mór”  que os ingleses derivaram dos celtas, “Monte Grande”, pois, pode ter-se substituído o “ bem ” por “Monte” , e, quanto ao “Mor” tanto dos celtas como dos germanos, nos poderia ter vindo pela sua excelente situação geográfica”. (Manuel Claro – 1900).
“Montemor é o mesmo que Monte Maior , era o antigo Mons Maior Novus. Foi fundado por D. Sancho l em 1201 sobre as ruínas da antiga Castro Novus, de que já os romanos falam no ano 93 da nossa era e que a tradição diz Ter sido a terra de Santa Quitéria, martizadada no ano 300 antes de Cristo”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Montemor – o – Novo pode orgulhar-se de ser, não apenas uma das mais antigas povoações de Portugal, mas também uma das mais ricas em tradições e títulos de nobreza.
Querem mesmo alguns historiadores que ela se identifique com a “Castrum Malianum” dos romanos. Hipótese verdadeira ou errada, o certo é que datam do longínquo ano 93 as primeiras notícias que temos a seu respeito.
Quanto às origens do nome que ostenta, conta-se que, ao mandar D. Sancho l se edificasse naqueles lugares um castelo, lhe perguntaram em qual dos montes se havia de construir, tendo o rei respondido que “no monte – mor” ; esta frase serviu de baptismo ao povo nascente. E, como já havia no Norte, a vila com o mesmo nome, para se distinguirem se chamou a uma “Montemor – o Velho” e à outra “Montemor – o – Novo”. (Mensageiro das Casas do Povo – Julho de 1955).
Terra de notáveis tradições históricas, ficou definitivamente sob o domínio da Coroa de Portugal no reinado de D. Sancho l, após a recuperação dos territórios de Almançor, príncipe berbere cujo nome ficou perpetuado no rio que envolve a vila. Recebeu foral concedido por D. Sancho l, em 1203. A vile está dividida em duas partes, Vila Velha, no alto e Vila Baixa, a parte mais moderna. Seu castelo é uma obra militar talvez de origens romanas. Está muito arruinado, apresenta a curiosidade de não possuir ogivas nem arcos mouriscos, tendo mesmo sido considerado como totalmente romano, devido às características da entrada principal. As suas torres têm nomes sugestivos: Torre do Anjo e Torre da Má Hora. Sabemos que sofreu profunda reconstrução no reinado de D. Dinis, que lhe mandou edificar o amuramento torreado e as Portas de Santarém, do Sol, do Anjo de Évora, que, como o Paços dos Alcaides, estão totalmente em ruínas.
Montemor – o – Novo é sede de um dos maiores concelhos de Portugal, com uma área de 1450 Km2, tem cerca de 43 mil habitantes e é um grande centro de produção de cortiça, carvão vegetal, cereais, azeite, gado e vinho. Três edifícios dominam a vila e merecem uma visita: a Ermida da Senhora da Visitação, o Convento da Senhora da Conceição e o Castelo.
Na zona encontra-se a Gruta do Escoural, que se situa na Herdade da Sala, em Santiago do Escoural. O percurso principal da gruta, com cerca de 50 metros de comprimento, orienta-se no sentido norte – sul. A gruta é constituída por cerca de três dezenas de galerias.
Após as escavações e o estudo e classificação do espólio encontrado, revelou-se uma característica estação do Paleolítico Superior com várias pinturas e gravuras mais ou menos perceptíveis. Algumas das figuras são naturalistas, outras semiesquemáticas, existindo ainda um terceiro grupo constituído por motivos abstractos. No total, foram encontradas catorze pinturas e três gravuras, além de algumas manchas e traços indefinidos.

A vila de Montemor – o – Novo orgulha-se justificadamente de Ter sido berço de uma das maiores figuras do hagiológio mundial : São João de Deus, nasceu em 1495 numa pequena casa da então Rua Verde, nas traseiras da Misericórdia. Chamava-se João Cidade, e aos 8 anos saiu de casa, por motivos desconhecidos, na companhia de um clérigo. Após longo viagem, acaba por se estabelecer em Oropesa, Espanha, onde viveu até à idade adulta. Em 1529, alistou-se nas hostes do Conde de Oropesa e participou na guerra contra os turcos. Regressado a esta cidade em 1532, resolve voltar a Montemor – o – Novo para saber notícias da sua família. Ali encontrou um tio que lhe revelou que sua mãe falecera vinte dias após o seu desaparecimento e que seu pai, viúvo e sem filhos, se dirigira para Lisboa e professara no Convento de São Francisco, onde falecera santamente. Impressionado com estes acontecimentos, João Cidade terá decidido então seguir o exemplo paterno e consagrar a sua vida ao serviço de Deus. Procurando conhecer a missão a que Ele o destinara, dirigiu-se a Ceuta (norte de África) e depois a Granada (Espanha), onde em 1538 inicia a sua obra. Ali, evidenciando uma energia sobre – humana, funda um hospital onde recolhe todos os miseráveis da cidade e realiza sem ajuda todas as tarefas. A sua fé e o seu amor pelo próximo eram tão intensos, tão sinceros e de tal modo contagiantes que várias pessoas aderiram ao seu projecto, quer tratando os doentes, quer com auxílios monetários. João cidade morre em Granada a 8 de Março de 1550, e o peque grupo que o seguia assegurou a continuidade do hospital. Este núcleo inicial não cessou de crescer e o papa Pio V, em 1571, aprovou a criação da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros de João de Deus. Foi beatificado em 1623 e canonizado em 1690.
Em 1607, a casa onde nasceu foi comprada pela Ordem e mais tarde transformada em capela. A seu lado foi edificado um convento e os Irmãos passaram a ocupar-se dos doentes do Hospital da Misericórdia. Assim se mantiveram até 1834, ano em que não foram poupados pela extinção das ordens religiosas. O hospital foi entregue à Misericórdia e o convento, desabitado, ficou abandonado durante quase 30 anos, até que em 1863 foi entregue à Câmara para instalação de repartições públicas. Hoje, o convento ameaça ruína. As repartições públicas foram transferidas para outro local, e embora os Irmãos Hospitaleiros tenham desejado obter o edifício para ali instalarem um museu geral da Ordem, de características internacionais, aquele nunca lhes foi devolvido. A Ordem foi restaurada em Portugal em 1890, quatro anos após o papa Leão Xlll Ter declarado São João de Deus patrono dos hospitais e dos enfermeiros, mas só em 1947 se reinstalou em Montemor – o – Novo. Nesse ano foi criado um posto sanitário aonde acorriam os montemorenses pobres e iniciada a construção de um novo hospital. Em 1950, a vila de Montemor – o – Novo festejou, grandiosamente e solenemente, o 4º centenário da morte “do mais nobre dos seus filhos”. O edifício hospitalar, construído a expensas da Ordem, destinava-se a crianças deficientes motoras desde os primeiros meses de vida até aos 14 ou 15 anos que fossem consideradas recuperáveis. A admissão desses doentes fazia-se à margem de toda a burocracia, e as únicas obrigações das famílias era levarem os doentes ao hospital e irem buscá-los após o tratamento. A Ordem fundou em todo o mundo mais de 650 hospitais. Nos séculos XVl e seguinte, este hospitais entraram em funcionamento à média de dois por ano.
OUTRAS LOCALIDADES DA ZONA:
CABRELA:  “segundo a tradição, provém-lhe o nome, da abundância de gado caprino”.
No alto de Cabrela, onde outrora se distinguia um vasto horizonte, actualmente muito encoberto pelo arvoredo, existe um depósito de água cilíndrico, que ao longe mais parece um calvário. Junto a este depósito situa-se uma forja onde há muitos anos um único homem fabrica por processos totalmente artesanais diversos instrumentos de corte e enxós. A oficina é pequena e arrumada, o fole muito gracioso, e todo o ambiente de trabalho parece pertencer a épocas passadas.
CASA BRANCA: Pequena aldeia rural. Em frente à antiga estação de caminho de ferro situa-se o único largo da povoação, formada apenas por esse largo e o seu prolongamento em duas ruas.
CIBORRO: Esta aldeia, aparentemente incaracterística, é, vista do lado da estrada para Brotas, verdadeiramente interessante devido ao modo perfeito como o casario se integra na paisagem.
ESCOURAL: Surge com o início da planície após a zona montanhosa que se estende desde Montemor – o – Novo rodeada de sobreiros. No lavadouro público, por vezes, reina uma certa animação. As mulheres acham, porém, que o Escoural perdeu a sua antiga alegria. Nesta localidade se situa a conhecida gruta com pinturas e gravuras. O seu espólio compreende um período desde o Neolítico Inicial ( talvez 5000 anos antes de Cristo), representado por cerâmica cardeal, até ao Neolítico Final, representado entre outras peças pelas placas – ídolos de xisto, características dos monumentos da cultura megalítica do Alto Alentejo, existentes em grande abundância neste região.
LAVRE: “Ignoramos quem a fundou, mas sabemos positivamente que aqui houve uma bela cidade árabe, denominada LAVAY ou LAVAR de onde lhe proveio o nome actual”. (Arquivo da História Pátria – 1898).
Centro produtor de cortiça, azeite, vinho e mel, Lavre é uma freguesia em franco progresso. A nova estrada que a liga a Mora, por Ciborro, mais contribuiu para colocar a povoação numa encruzilhada de caminhos, possibilitando-lhe certamente em maior desenvolvimento. Lavre foi cidade no tempo dos árabes com o nome de Laven, existindo ainda vestígios de edifícios mouriscos junto à Capela de São Miguel.
VENDAS NOVAS: “Um dos mais antigos documentos que nos dá ideia deste povoado, é, para a minha pobre investigação, o que se encontra no arquivo da Câmara de Monte – o Mor e consta de uma nota ou censo da população que, em 1621: compunha esse aglomerado, 20 vizinhos então a Cabrela. Quanto à sua origem e começo de desenvolvimento, nada se conhece. Creio eu, de positivo, embora ande a tradição local que Vendas Novas provém dumas estalagens que, outrora, aqui houve. Como, presentemente, nem há memória, sequer das pessoas que pertencem às mais antigas famílias daqui oriundas, nada existe do que essa vaga indicação da origem desta terra, peço vénia para expor o que penso a tal respeito, fazendo o resumo do “Retalhos e Impressões de Vendas Novas” que em pequeno folheto, tenciono publicar em benefício da sua Misericórdia. Conta-nos o padre J. da Rocha Espanca no seu “Compêndio de Notícias de Vila Viçosa”  que o Duque D. Teodósio l (5º Duque de Bragança) instituiu um morgadio por intermédio público de 25 de Setembro de 1540, em Lisboa, os bens de seus irmãos, juntando-lhe as duas “Vendas” ou estalagens que ele fizera para uma pousada nas viagens de Lisboa, sendo uma no termo de Évora Monte – A Venda do Duque – e outra em Vendas Novas, perto de duas estações – isto para não pousar em casa de outrém.

Considerações sobre este período ligadas às que me fazem supor outro trajecto, anterior àquela época, da estrada de Lisboa entre Aldeia Galega e Montemor por Canha ; outras que derivam da primitiva igreja desta freguesia e nos fazem ver o ermo que, então, era o local em que assenta Vendas Novas, e , finalmente, em circunstâncias convidativas, contudo, deste lugar que o sugeriam para ponto de pousada, tudo me faz crer que o Duque D. Teodósio, para diminuir o tempo gasto a Lisboa, mandou estudar um caminho mais curto entre Vila Viçosa e a capital construindo, em seguida, em pontos convenientes ao trajecto e ao seu intuito, duas estalagens que necessitava para pernoitar.
A esta estalagem aqui edificada, “Vendas Novas” (nova nesta charneca, como ainda hoje se designa o “Monte Novo” a “Casa Nova”, etc., quando construídas em circunstâncias semelhantes, de vem ter sido, portanto, o primeiro embrião de “Vendas Novas”, nome este, que ficou ao lugarejo, desde que outras “vendas” ou estalagens, em virtude da derivação do trânsito da antiga estrada da Canha para este novo caminho, começaram a ser erigidas, à beira da Venda Nova.
Entre as estalagens que aqui funcionam há uma – a “Estalagem Velha” – que, pelo aspecto antiquado e estranho da frontaria e faces laterais, pelo atarracado das elevadas paredes, reforçadas com potentes gigantes, tudo de pedra e cal, pelas artísticas abóbodas de duas casas do seus rés-do-chão, e pelas várias particularidades da sua construção interior, sobremaneira nos impressiona, parecendo-nos falar ainda hoje, do poderio e riqueza de quem a mandou construir, o Duque D. Teodósio, em minha opinião. A infância de Vendas Novas prolongar-se-ia ainda por mais tempo, se D. João V, dois séculos depois, em 1729, não tivesse mandado construir aqui o célebre “Palácio das Passagens” que lhe deu nomeada e acelerou subitamente o seu desenvolvimento. O que corre, em geral, acerca do Rei e do Palácio – e isso não tem sido escrito e propagado pelo facciosismo liberal, detractor impenitente do sentimento e da tradição portuguesa, e, que D. João V, o “Faustoso” ou “Perdulário” , etc., mandou construir expressamente, por ordem sua, este palácio para hospedagem condigna das elevadas hierarquias da Princesa D. Maria Ana (espanhola) e sua comitiva por ocasião da troca das princesas, à volta do Caia (rio) onde se realizaram os dois históricos casamentos: o desta com D. José e o de D. Maria Bárbara, com o Príncipe das Astúrias”. (Dr. Artur Aleixo Pais – 1927).
“Continuava o Duque de Bragança, D. Teodósio, a proteger a educação de seus irmãos consanguíneos e a melhorar a sua casa, cujos bens próprios constituiu em morgado por instrumento público, lavrado em Lisboa a 25 de Setembro de 1540. Neste morgado inclui duas vendas ou estalagens que fizera para sua pousada nas viagens de Lisboa, sendo uma no termo de Évora Monte ao pé do caminho de ferro que se chama “Venda do Duque”, e outra em “Vendas Novas” perto doutra estação: isto para não pousar em casa doutrém”.
A povoação desenvolveu-se em volta do palácio mandado construir por D. João V. Em 1860, foi ali instalada a sede de um polígono militar (mais tarde Escola Prática de Artilharia) e data dessa época o começo do desenvolvimento da localidade. O solo é extremamente fértil, com abundância de águas subterrâneas, sendo explorado em regime de média e pequena propriedade. Vendas Novas é um grande centro produtor de citrinos, tanto em quantidade como em qualidade, possui importantes indústrias de montagens de automóveis, de têxteis e de tratamento de cortiças, pelo que a sua estação de caminho de ferro, a maior do Sul de Portugal, tem enorme movimento de passageiros e de carga.
É interessante seu Museu de Artilharia, ao ar livre, na zona ajardinada do quartel, onde se pode observar exemplares de todas as peças de artilharia desde que a Escola Prática começou a funcionar, algumas das quais serviram na lª Guerra Mundial e são as únicas conservadas na Europa.

 

Montemor-o-Novo

 

A cidade de Montemor-o-Novo - sede de concelho, povoação de origem muito antiga, situava-se inicialmente na parte interior da muralha do Castelo, expandindo-se posteriormente pela encosta virada a norte, onde actualmente se localiza.
O concelho recebeu forais dos reis D.Sancho I (1203) e de D.Manuel (1503) e teve um importante papel no combate à ocupação castelhana (1580 - 1640) e durante as invasões francesas (início do séc. XIX).
A época do apogeu de Montemor-o-Novo foram os séculos XV e XVI, em que à prosperidade trazida pelo comércio se aliava o facto de a corte permanecer por largos períodos em Évora, o que tornava a vila palco frequente de acontecimentos políticos de relevo, com a realização de cortes e a permanência do rei no Paço dos Alcaides.
Em Montemor, em 1496, tomou D.Manuel I a decisão histórica de mandar descobrir o caminho marítimo para a Índia, durante os conselhos gerais que se realizaram na cidade.
No numeramento mandado realizar em 1527 por D.João III, o primeiro recenseamento à população feito em Portugal , contava 899 fogos, ficando em sexto lugar entre terras do Alentejo. D. Sebastião deu-lhe, em 1563, o título de Vila Notável, atendendo a que era "lugar antigo e de grande povoação" cercada e enobrecida de igrejas, templos, mosteiros e de muitos outros edifícios e casas nobres"
Pertencem a essa época algumas das mais importantes obras de arquitectura existentes na cidade, como a Misericórdia, os Conventos da Saudação, de S.Francisco e de Stº António, a Ermida de Nª Srª da Visitação, o Hospital Velho e o portal da igreja de Stª Maria do Bispo.
No plano histórico alguns acontecimentos sobressaem do pacato quotidiano da população. Entre eles destacam-se: a resistência à primeira invasão francesa, comandada por Junot, em 1808, junto á ponte de Lisboa; o estacionamento em 1834, do estado maior do exército liberal chefiado por Saldanha, durante as lutas civis entre liberais e miguelistas; a visita de D. Maria II e D. Fernando II em 1843.
Montemor-o-Novo desempenhou um papel muito activo na resistência à ditadura fascista e na luta pela melhoria das condições de vida e pela liberdade.
Com o 25 de Abril, Montemor-o-Novo esteve nas primeiras linhas do avanço das conquistas da revolução, nomeadamente na implantação do Poder Local Democrático e da Reforma Agrária.
A passagem de Montemor-o-Novo a cidade, por decisão da Assembleia da República de 11 de Março de 1988, é outro dos factos importantes da história recente de Montemor-o-Novo.

 

 

 

 

 

Mora – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

 

Vila sede de concelho, não tem tido o desenvolvimento a que aspira sua população.

Curiosas as torres sineiras da Igreja Matriz, que estão colocadas de modo não usual: uma junto à capela-mor e outra do lado oposto da rua.

Opiniões sobre o nome de Mora:

«Dr. Joaquim Albino da Silveira (Informação particular – 1941»: “A forma mais remota que conheço da sede deste concelho é Amora, em documento de 1446, e noutro do século XV.

O Censo do Alentejo de 1527, ainda traz duas vezes “Villa da Mora” e só uma “Villa de Mora”. Há ainda outra Mora, freguesia de Trás-os-Montes (Vimioso), e Amora, no concelho de Seixal, além dos derivados – Moredo, Moraes em Trás-os-Montes, e Amoreira, Amoreiras numerosas em todo o País. A base comum estará no latim vulgar mora, português moderno amora (com prótese do artigo feminino) que significa não só o fruto da amoreira, mas também a própria árvore, em latim clássicos ditos respectivamente “morus e morum”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Mais de uma hipótese se pode formular sobre a origem desta designação. Relacionar-se-á com Mor contracção de Moor, que foi nome de mulher e subsiste ainda na toponímia ?. Teremos então em Mora um nome latino, mas a solução não seduz muito, até porque, em topónimos desta origem, tal elemento não aparece isolado, antes fazendo parte de expressões compostas. Talvez seja preferível fazer a aproximação morfológica de Mora e Morão, nome de localidades do Minho e Trás-os-Montes. Morão, representado na Galiza por Morán e o mesmo que Mourão, é um caso oblíquo correspondente a Maurane (século Xl), de Moura, genitivo Mauranis, nome visigótico ou, antes, latino, mas adoptado e adaptado pelo visigodos (em latim, Maurus). O desconhecimento de formas antigas e intermediárias do topónimo dificulta a determinação do verdadeiro étimo”.

 

Mora

O Concelho de Mora situa-se na extremidade do norte do distrito de Évora a nordeste de Estremoz, a sudoeste de Portalegre, a leste de Santarém. Tem como vizinhos os concelhos de Avis, Coruche, Montemor-o-Novo e Arraiolos.
Este é um Concelho tem um vasto Património cultural e ambiental, ambos bastante ricos.
Os registos históricos não deixam margens para dúvidas de que por este Concelho passaram muitas personalidades de grande importância na nossa História.
Os povos que passaram por esta região deixaram também muitos vestígios, que nos ajudam a compreender e a estudar os antepassados.

 

 

 

 

 

Mourão – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

A vila foi povoada por Gonçalo Egas, que lhe concedeu o primeiro foral em 1226, confirmado por D. Dinis em 1296. D. Manuel l, concedeu-lhe foral novo com privilégios em 1510.

A vila de Mourão situa-se numa pequena elevação, com o rio Guadiana correndo de norte para sul, tornando o vale mais seco do País. A primitiva vila de Mourão erguia-se junto ao rio Guadiana, num lugar que ficou a chamar-se de Vila Velha e onde ainda se vêem ruínas. Consta que esta vila foi abandonada por causa de uma invasão de formigas que causou enormes prejuízos, chegando a matar animais e crianças recém-nascidas. Também se diz que Vila Velha era muito doentia devido às cheias do Guadiana, que deixavam as águas estagnadas.

Opiniões sobre a origem do nome:

«Arquivo Histórico de Portugal (1890)»: “Foi esta povoação fundada pelos árabes no século Xl, os quais lhe construíram as primeiras fortificações, e lhe deram o nome de Mogron, que significa – lapa, cova ou caverna – talvez por causa de alguma que ali encontrassem, do tempo dos celtas ou dos antigos lusitanos.

Parece que esteve abandonada e deserta, durante os reinados de D. Afonso Henriques, D. Sancho l e D. Afonso ll, porque só temos notícias positivas de Mourão, corrupção de Mogron, no reinado de D. Sancho ll, em que D. Gonçalo Egas, prior da Ordem Militar de São João de Jerusalém, depois Malta, a povoou em 1226, dando-lhe foral, que foi confirmado e muito ampliado por D.Dinis, por carta feita em Lisboa, a 17 de Janeiro de 1296”.

«Dr. Agostinho Fortes “Concelho de Mourão – 1935”»: “Da sua fundação nenhumas notícias históricas se possuem, devendo-se relegar para o campo da imaginação o pouco que a tal respeito se encontre num ou noutro escritor.

O que acerca da origem árabe do seu nome”almogron”, tremoceiro e morron, lapa ou caverna, se tem dito não passa de gramática parda pois a tal respeito consultei o meu erudito e distinto amigo e colega Dr. David Lopes, eminente professor de árabe. “O termo Mourão provém de Moura de cujo alfoz teria feito parte em remotos tempos”.

 

Mourão

Da Pré-História à Contemporaneidade
A região em que se insere a vila de Mourão encerra uma grande diversidade espácio- temporal relativamente à presença humana.
Os conhecimentos existentes actualmente acerca das populações que viveram e circularam neste espaço revelam que a área, tanto a mais próxima (margens) como a mais afastada (vila e freguesias de Mourão) do rio Guadiana, conheceu uma ocupação contínua de grupos humanos desde a pré-história até aos nossos dias, sendo o rio e os seus afluentes factores motivadores e determinantes para a existência de vestígios de tal ocupação. O rio atraíu assim para as suas margens actividades essenciais ou complementares ao ciclo tradicional de subsistência económica.
No período pré-histórico e à luz dos mais recentes e diversos trabalhos de inventariação efectuados no âmbito do plano de minimização dos impactos do Alqueva, esta zona apresenta diversos e abundantes registos de presença humana, uns mais completos do que outros, que importa contextualizar por forma a permitir o esclarecimento e a dissipação de dúvidas sobre este período histórico. Locais como a Barca, Mercador, Porto das Carretas, Quinta da Fidalga, Agualta, entre outros, atestam a tal presença, visível nas indústrias líticas, restos de cêramica e manifestações de arte rupestre e monumentos megalíticos, como a Anta da Fábrica de celulose (Silva, 1999: 185, 193, 203, 204, 243, 244).
Inserida na divisão administrativa da Lusitânia, Mourão possui, como exemplo mais marcante da presença romana no seu território, o Castelo da Lousa. Este localiza-se a cerca de 3 Km a norte da aldeia da Luz, na confluência do barranco do Castelo com o rio Guadiana.
Sobre um esporão maciço de xisto, da margem esquerda do rio, ergue-se esta construção fortificada romana, da segunda metade do século I a. C., com forma rectangular (23x20m), utilizando o xisto, material abundante na região, na edificação das suas paredes que apresentam 2 metros de largura e, nalguns pontos, com mais de 5 metros de altura. Este monumento, pelas suas qualidades arquitectónicas e de implantação, apresenta características ímpares. Relativamente ao objectivo da sua implantação persistem actualmente grandes dúvidas no meio académico, visto que este se afasta territorialmente, de forma assinalável, do conjunto de fortificações edificadas que se localizam perto da zona alentejana, marcada por uma intensa exploração mineira. Este conjunto assume fundamentalmente um carácter defensivo, assegurando a protecção e o escoamento dos produtos relacionados com a actividade mineira.
O Castelo da Lousa pelo facto de se localizar na parte mais oriental do Alentejo remete-se, possivelmente, para outro tipo de funções, nomeadamento de vigia e defesa da margem esquerda do Guadiana. “No entanto, as novas sondagens entretanto realizadas viriam a revelar, ainda que fora do edifício central, compartimentos e estruturas até aqui totalmente desconhecidas e que poderão contribuir para o esclarecimento de algumas das numerosas dúvidas e problemas que persistem quanto ao real significado deste enigmático monumento” (Silva, 1999: 91).
Para além deste monumento, outros vestígios arqueológicos associados ao período romano se encontraram espacialmente distribuídos no concelho de Mourão, nomeadamente nos lugares de Boavista, Monte Branco, Monte da Charneca, Monte da Juliôa, Monte da Tojeira, Monte dos Pássaros, S. Leonardo, Monte Vila Ruiva, entre outros, com predominância de restos de cêramica de construção e comum (Silva, 1999: 245, 262, 265, 270, 274, 276, 285).
Entre este período e o medieval, é incerta a caracterização humana de Mourão, mas poder-se-á aceitar uma permanência das populações neste espaço, que conheceu a partir do século VIII a presença dos árabes.

Com as suas origens históricas perdidas no tempo e envoltas na tradição, a primitiva vila de Mourão ter-se-ía localizado, eventualmente, na chamada Vila Velha. De facto neste local apareceram, à superfície do terreno, telhas, fragmentos de talha e de cêramica comum bem como blocos relacionados com a existência de construções derrubadas (Silva, 1999: 206). Perto desse local, na Vila Velha do Mercador, foram encontrados vestígios de habitat do período romano, revelando material cerâmico de construção e blocos relativos ao desmantelamento de estruturas. As gentes deste povoado ter-se-ão mudado para outro espaço próximo (Vila Velha), mantendo o nome da sua comunidade, que, por razões desconhecidas, e para as quais se levantaram algumas hipóteses, decidiu fixar-se numa cota mais elevada, dando origem ao povoado do actual Mourão?
É provável que Mourão se inclua na lista das povoações conquistadas aos árabes entre os anos de 1165 e 1166, quando as tropas cristãs se lançaram na conquista de Moura, Serpa e Alconchel. A alusão àquela localidade aparece no reinado de D. Sancho II, quando D. Gonçalo Egas, prior da Ordem do Hospital, lhe concede o seu primeiro foral em 1226, fomentando deste modo o repovoamento de Mourão.
Relativamente à titularidade desta localidade, esta apresenta-se como um elemento que se integra na indefinição de fronteiras entre os vários reinos resultantes da reconquista cristã, ora pertencendo ao reis de Castela e Leão ora sob o domínio do reino de Portugal.
Em virtude do seu acidente em Badajoz, D. Afonso Henriques teve que ceder muitas das suas praças conquistadas ao rei de Leão e Castela, sendo muitas integradas na coroa portuguesa no reinado de D. Afonso III. Este cede a vila de Mourão a D. Afonso X de Castela (1264) e, em 1271, este rei troca a vila de Mourão com os freires do Hospital, sendo estes, possivelmente, os construtores do primeiro castelo, apesar de não existirem provas cabais sobre esta matéria.
Em 1295 a vila de Mourão é doada a D. Beatriz, viúva de D. Afonso III de Portugal. Após a morte de Afonso X de Castela, D. Sancho IV contesta a doação e concede a vila à sua “barregã”, D. Teresa Gil. Mourão retorna para a posse portuguesa, quando D. Sancho IV de Castela renuncia à margem esquerda do Guadiana, na sequência do auxílio que lhe prestou D. Dinis. Este, a 27 de Janeiro de 1296, concede o primeiro foral conhecido a Mourão e reconhece, de jure, no encontro de Salamanca (1298), D. Teresa Gil como senhora da localidade, passando Mourão para a coroa portuguesa após a sua morte.
Após a exéquias de D. Teresa Gil, o rei português irá conceder a um fidalgo espanhol, D. Raimundo de Cardona, o privilégio de poder comprar Mourão, facto que se irá consumar em 1313, contraindo para tal um empréstimo de avultada quantia a um judeu. Dada a impossibilidade de cumprir honradamente os compromissos assumidos, a praça de Mourão será novamente sujeita a leilão, em 19 de Abril de 1317, no alpendre da Igreja de Nossa Senhora do Tojal, sendo desta vez adquirida por um mercador de Monsaraz, de seu nome Martim Silvestre, por 11 000 libras. No entanto, dadas as incompatibilidades sociais entre o mercador e o rei, este vai exigir a sua devolução pelo mesmo preço de aquisição, fazendo nova concessão a D. Raimundo e a seu filho Guilherme de Cardona.
Decerto neste período procede-se ao incremento de povoamento desta área fronteiriça como ocorria pelo país fora, através de incentivos à fixação de gentes, de modo a contribuir para a defesa da zona raiana e para a estabilização da fronteira nacional. Os coutos de homiziados são um dos exemplos dessa política de fixação. Povoações próximas de Mourão, como Noudar (1308), por carta de D. Dinis, e Monsaraz (1414), no reinado de D. João I, foram coutos de homiziados, reflectindo a política do reino em assegurar o povoamento de muitas povoações da raia que os surtos de peste e, mais tarde, a crise da independência arruinaram.
Relativamente à crise de 1383-85, o Alentejo foi palco de episódios violentos, resultado das fortes tensões sociais, que a sucessão de D. Fernando potencializou conferindo às clivagens existentes no país uma conotação política. Fernão Lopes relata-nos algumas actuações do povo no Alentejo visando os que tomavam voz por D. Beatriz, como o sucedido em Beja e em Évora, em que, num clima de grande agitação e emoção são assassinados o almirante Lançarote e a abadessa.
Neste período conturbado a praça de Mourão aderiu à causa do Mestre de Avis como é referido na crónica de Fernão Lopes.
Os constantes recontros militares com vista à manutenção da independência nas zonas fronteiriças do Alentejo contribuíram para a diminuição da população nessas áreas, já anteriormente afectadas pela peste negra. É neste quadro que se entende o pedido a D. Afonso V, em 1450, por parte dos homens bons do concelho de Mourão para que este fosse um couto para 50 homiziados (Cosme, 1988: 6).
Para além da guerra da independência, as populações fronteiriças da Beira, mas em particular as do Alentejo foram fortemente afectadas entre 1475 e 1478, quando foram alvo de devastadoras incursões castelhanas, na sequência da sucessão de Castela, na qual D. Afonso V se intrometeu para defender os interesses de sua sobrinha D. Joana, a Beltraneja. Mourão foi uma das muitas localidades alentejanas atingidas pelas tropas castelhanas (Moreno, 1983: 129).
Assim, em virtude dos condicionalismos ditados pelas estratégias geo-políticas dos monarcas portugueses, o povoamento da vila de Mourão conheceu períodos de expansão e contracção demográfica.
Um desses períodos de evolução demográfica positiva registou-se no século XVI, quando nos censos ordenados por D. João III (1527), em Mourão, 305 fogos foram contabilizados dando uma totalidade de 1373 habitantes (305 fogos x 4,5 pessoas por fogo). De referir que esta tendência também é atribuível às restantes freguesias constituintes do concelho. Aquando da visita de D. Sebastião ao Alentejo e ao Algarve em Janeiro/Fevereiro de 1573, com o objectivo de aquilatar a capacidade das localidades em dotar homens disponíveis para a sustentação da sua política militar no Norte de África, Mourão contribuiu com duas bandeiras, ou seja, com 400 homens (Loureiro, 1983: 543).

Para o crescimento demográfico de Mourão deve-se ter em conta a fixação de judeus nesta localdade, sobretudo a partir de D. AfonsoV.
“ A minoria judaica viveu em Portugal como um corpo dentro de outro corpo”. É assim que Maria José Ferro Tavares sintetiza a situação dos judeus em Portugal. Em Mourão, segundo a autora, havia uma comuna de judeus, termo que engloba o arruamento onde eles habitavam (judiaria) e as autoridades que a regiam.
Ligados às actividades mercantis e artesanais bem como à prática da usura, os judeus são referidos por altura da compra de Mourão, quando se tornam credores tanto do nobre D. Raimundo de Cardona, na pessoa de D. Judas, arrabi-mor de D. Dinis, como do mercador Martim Silvestre, que apresenta como seu credor o arrabi-mor Guedelha.
O crescimento da população judaica em Mourão, em 1500, é patenteado na pensão de doze mil reais que Diogo de Mendonça, alcaide-mor, recebia pelo desempenho do cargo de anadel-mor da judiaria da vila. Não se sabe ao certo onde é que esta se situava, se dentro ou fora da povoação. O Dr. João dos Santos Cosme coloca a hipótese da judiaria se situar no local conhecido por Maquedas, a aproximadamente 2 Km da fronteira de S. Leonardo (Cosme, 1988: 6).
A tendência crescente da população de Mourão é confirmada em 1757 quando apresenta um saldo contabilístico de 450 fogos, somando 950 fogos em conjunto com as 3 freguesias do concelho (Leal, 1875; 573).
No que diz respeito à alcaidaria de Mourão, esta foi atribuída pelo futuro rei D. João II a Diogo de Mendonça, estando nesta família até ao reinado de D. Afonso VI. Aquando da instauração da monarquia dualista (1580), Mourão, através do seu alcaide-mor Francisco de Mendonça, aderiu à causa espanhola, tendo passado, após 60 anos, na pessoa de Pedro de Mendonça Furtado, para o lado dos conspiradores. O herdeiro da alcaidaria de Mourão, amigo íntimo do Duque de Bragança, sentiu a necessidade de dignificar a imagem da sua família, sendo dos primeiros conjurados a tomar parte nos acontecimentos que conduziram ao 1º de Dezembro de 1640.
Após a Restauração, no âmbito das guerras da independência, Mourão sofreu o impacto das frequentes escaramuças fronteiriças, sendo a sua praça assolada pelo exército inimigo em diversas ocasiões, sendo de realçar o cerco da mesma pelo exército do Duque de S. German, em que, sob o comando do Capitão João Ferreira da Cunha, a praça conseguiu resistir apenas durante 6 dias, revelando desse modo a fraqueza das muralhas do castelo. ”A população achou inútil insistir na resistência, de que só resultaria a destruição da vila e do castelo, e por isso este içou a bandeira branca” (Almeida, 1991:168).
Dado que a reconquista de Mourão se tornou numa prioridade fronteiriça, a rainha regente, D. Luísa de Gusmão, empenhou-se profundamente na tomada da vila aos espanhóis, acontecendo esta a 29 de Outubro de 1657. Nessa reconquista teve um papel determinante Joane Mendes de Vasconcelos, homem afastado de partidos e das intrigas da corte, sendo por isso nomeado pela rainha para o comando das tropas no Alentejo (Almeida, 1991:168).
O alcaide-mor de Mourão, Francisco Mendonça Furtado,cavaleiro que tinha como incumbência o governo do castelo e da região, aquando das desavenças entre D. Afonso VI e seu irmão, o Príncipe D. Pedro, tomou partido pelo rei deposto, e por isso foi obrigado a exilar-se para Castela, sendo condenado à morte à revelia. Assim, a alcaidaria-mor de Mourão passou posteriormente para o 2º Marquês de Montebelo, António Félix Machado da Silva e Castro.
No século XVIII, Mourão sofreu os efeitos do terramoto de 1755, o que, conjuntamente com os trabalhos de arranjo, ampliação e consolidação da estrutura defensiva do castelo, iniciados no século XVII, e o estado de destruição que as sucessivas investidas dos inimigos provocaram no casario, levou ao redesenhar da traça urbanística da actual vila.
No século XIX, a nova reforma administrativa levou à criação de novos limites concelhios, o que no caso de Mourão fez com que este fosse extinto e anexado ao concelho de Reguengos de Monsaraz, durante o período que medeia entre 1855 (24 de Outubro) a 1861 (17 de Setembro) e 1895 (12 de Julho) a 1898 (13 de Janeiro) (AVCMMourão, 1855 a 1867: fls 3-4, 1898 a 1899: fls 1v-6).
Na sequência da política iniciada por Fontes Pereira de Melo, a vila de Mourão perdeu o isolamento a que estava votada a nível das comunicações terrestres, quando, em 1879, durante o período do Ministro das Obras públicas, Augusto Saraiva de Carvalho, se construiu a ponte ligando Mourão a Reguengos de Monsaraz. Foi Joaquim José de Vasconcelos Gusmão, nascido em Mourão a 4-12-1837, pertencente ao partido progressista e deputado nas legislaturas de 1868-69, 1869-70, 1870-71 e 1880-81, elevado a Par do Reino por carta régia de 7-1-1881, que exerceu pressão junto de Augusto Saraiva de Carvalho para a materialização da ponte.
Amigo íntimo deste ministro, o Dr. Joaquim de Vasconcelos Gusmão teve um papel determinante na aprovação do ante-projecto da ponte sobre o rio Guadiana, na estrada Real nº 20, no ano de 1881, tendo sido homenageado em sessão pública extraordinária (AVCMMourão, 1881: fl 84). No entanto as obras tardaram de tal modo que, em 30 de Junho 1890, foi solicitado ao governo um rápido acabamento da ponte (AVCMMourão, 1890: fl 18), sendo possível verificar a existência de uma placa no gradeamento da ponte com os seguintes dizeres: Casa Constructora - Empreza Industrial Portugeza - Santo Amaro - Lisboa - 1890.
Esta obra permitiu estabelecer mais facilmente os contactos e trocas comerciais com o resto do país e com a vizinha Espanha. Neste sentido, o concelho de Mourão integrava-se na política saída da Regeneração de dotar Portugal de infra-estruturas nas comunicações de modo a proporcionar o desenvolvimento económico, que o país necessitava para acompanhar os restantes países europeus.
No concelho os agentes dinamizadores do desenvolvimento económico, social e político saíram das grande famílias de proprietários e lavradores, que viram na concretização desta obra uma mais valia para os seus negócios e para a comunidade.
A preponderância económica e social destas famílias leva-as a desejar um espaço público de beleza e grandiosidade à imagem do Passeio Público criado em Lisboa, reflexo do fomento material resultande da política fontista, local privilegiado para a convivialidade mundana.

É neste âmbito que se integra a proposta da vereação de Mourão que apresentou um pedido, em suporte escrito às cortes para se proceder ao aproveitamento do castelo para fins públicos, solicitando a construção de um passeio público e sua arborização, dado o estado de abandono e ruína em que se encontrava o edifício da fortaleza (AVCMMourão,1863: fl 66).
Apesar deste propósito o castelo não conheceu quaisquer obras de restauro que não só retardassem o seu estado degradação, mas também que lhe fossem aduzidas outras valências.
Foi apenas no século XX, principalmente durante a década da “Revolução de Abril”, onde se consolidaram os direitos democráticos e se assumiu uma nova perspectiva sobre o entendimento de preservação do património histórico e cultural, que o castelo de Mourão foi sujeito a várias campanhas de restauro. Das sucessivas intervenções a que foi sujeito, prolongando-se durante os anos oitenta, resultou o seu actual estado de preservação, principalmente no que diz respeito ao alçado principal. No entanto, toda a zona norte apresenta um lamentável estado de conservação, onde, com a acção da água e do vento, o granito, o xisto e a argamassa, principais materiais utilizados na construção da fortaleza, perdem volume e se decompõem a um ritmo bastante acelerado. Esta zona não é visível quer da vila, quer da estrada nacional, por isso não foi intervencionada, encontrando-se hoje as suas torres e muralhas em situação de risco.

 

 

 

 

 

 

Portel – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

Portel surge-nos dominada pela imensa mole do seu castelo, erguido numa elevação em torno do qual cresceu.

Opiniões sobre a origem do nome:

«A. F. Barata em “Concelho de Portel – a sua história e a sua situação – 1933”»: “Tem as serras de Portel a configuração como que de enorme ferradura, cujo centro é composto de várias bacias de fértil solo, que foi conhecido e habitado de mouros, donde provável será que venha o nome que tem, se não significa diminutivo de Portelo, ou não é nome de Portel França, que por semelhança topográfica lhe daria o fundador e povoador cristão, que andou por aquele país …Diz-se que Portel significa propriamente “porto pequeno” ou “entrada ou passagem estreita”.

«José Leite de Vasconcelos “Toponímica” – 1932»: “Portel de Portelo, com queda do “o” por influência do árabe, como explicou Pidal, “Origens, p. 198”. A explicação confirma-se por isto: o nome antigo do sítio era arábico – Portel Mafomede, doc. Do século Xlll, no Livro de D. João de Portel, p. 12”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Quanto à origem do nome, tem-se dito, e a hipóteses é aceitável, que Portel significa propriamente “porto pequeno” ou “entrada ou passagem estreita”. Deve, pois, ser um derivado do vocábulo porto com um sufixo diminutivo, como cordel de corda, pastel de pasta, etc.”.

 

Portel

Um concelho em pleno Alentejo Central, caracterizado por uma beleza natural única, onde a Barragem de Alqueva está a formar o maior lago artificial da Europa. Com uma paisagem dominada pelo Montado de sobro e de azinho, Portel assume-se hoje a "Capital do Montado" e a porta de acesso a Alqueva.  
PAISAGENS DE PORTEL
Portel, (…) tem o privilégio de se encontrar envolvida pela serra, o acidente de relevo mais importante do Alentejo Central, que, elevando-se acima da peneplanície em volta até uma altura de cerca de 412 metros, permite desfrutar de uma paisagem única e de notáveis cambiantes sazonais.
Pode dizer-se que esta serra marca a fronteira entre o Alto e o Baixo Alentejo. Trata-se de um maciço montanhoso de origem xisto-grauváquica onde podemos encontrar as características de um bosque ancestral. Apesar de algumas vertentes terem já sofrido os efeitos da plantação maciça de eucaliptos, ainda se observam neste local comunidades florísticas que representam aquilo que terá sido o bosque original. Nomeadamente, os azinhais e sobreirais que, associados ao medronheiro, ao folhado, à murta, ao rosmaninho, ao alecrim ou à esteva, compõem uma aromática e colorida paisagem. Tal como seria de esperar, associada a esta flora uma rica fauna, de onde se destacam alguns vertebrados protegidos pelas leis da natureza, como é o caso de algumas espécies de aves e mamíferos.
Na parte nordeste da serra junto ao rio Degebe, os afloramentos de xisto marcam a paisagem. Mais uma vez estamos perante um cenário rico e diversificado, a que se associam actividades humanas tradicionais como a colheita dos cogumelos ou a produção de mel.

Será esta zona do concelho de Portel que sofrerá as inevitáveis alterações decorrentes do desenvolvimento do projecto de Alqueva e que, forçosamente, se manifestarão nas paisagens, nas comunidades humanas e nos ecossistemas.
A albufeira de Alvito situa-se quase no limite poente da Serra de Portel, o que concorre para um enquadramento cénico de particular beleza, a que não é alheia a riqueza natural desta zona. Em volta da albufeira deparamo-nos com um desses ecossistemas resultantes de muitos anos de actividade agrícola, que se traduziu num montado disperso de sobro e azinho associado a matos que iniciam a sua progressão após o abandono dos cultivos.
Trata-se também de uma zona particularmente interessante para a fauna de vertebrados. A lontra, por exemplo, é um dos mamíferos que aqui ocorre em ligação directa com o plano de água, bem como o javali, a raposa e o texugo. De entre as aves, destacamos as aquáticas, como os mergulhões, as garças, o zarro-comum, a frisada, o galeirão ou a galinha-de-água.
À semelhança de outros locais do mesmo tipo, esta albufeira marca uma paisagem dominada pela escassez de recursos hídricos, transformando-se num pólo de atracção para actividades ao ar livre, sejam elas as tradicionais, como a pesca desportiva, os piqueniques em datas festivas e uma ou outra utilização como zona balnear, ou actividades de cada vez maior expressão na nossa terra como os passeios na natureza, a observação de aves, a canoagem, o remo, a vela, a caça fotográfica ou a pintura.
Ainda na envolvente da Serra de Portel, vamos encontrar, a sul, vestígios interessantíssimos da vegetação mediterrânica original, junto às ribeiras de Marmelar e da Pasparda. Algumas manchas de azinhal associado a um sub-bosque de urze, murta, várias espécies de cistus, rosmaninho, medronheiro, aroeira, permitem usufruir de locais de inegável beleza para o que muito contribui o estado de conservação da galeria ripícola do vale encaixado das ribeiras.
Um olhar mais atento e conhecedor poderá facilmente aperceber-se da existência de javalis ou de veados, observando-os ou registando os sinais que revelam a sua presença. Também aqui a avifauna apresenta uma diversidade e uma riqueza notáveis, sendo de destacar algumas espécies com estatuto de raras ou ameaçadas a nível europeu, como é o caso da águia-real, do falcão-abelheiro, da águia-de-Bonelli ou da águia-calçada, entre outras.
Podemos, pois, dizer que toda a Serra de Portel e a sua envolvente justificam, por parte dos apreciadores da natureza e dos passeios ao ar livre, um olhar atento e demorado que contribua, não apenas para nos apaixonarmos pelo local mas também para colaborar na sua conservação. Principalmente se pensarmos que este tipo de paisagem começa a rarear e constitui um património tão ou mais importante que o próprio castelo de Portel.
Fonte: Guia de Turismo Natureza da Câmara Municipal de Portel, 2000 (Texto de Nuno Lecoq) 
SERRA DE PORTEL
Situada no limite sul do Alentejo Central, a partir do qual se estendem as peneplanícies do Baixo Alentejo, a Serra de Portel face aos campos circundantes, apresenta valores mais elevados de precipitação e uma ligeira suavização da temperatura. Estes factores associados ao isolamento de algumas serranias e ao difícil acesso de algumas vertentes mais inclinadas contribuiu para o desenvolvimento de algumas comunidades de vegetação densa e luxuriante que aparentam ter sido poupadas à arroteia generalizada do Alentejo conduzida, nos anos 30, pela “campanha do trigo”. Em certos vales encaixados da serra é ainda possível encontrar alguns vestígios da vegetação potencial da serra, ou seja, os bosques mistos de sobreiro e azinheira com um rico subcoberto composto por matagais de medronheiro, carrasco, folhado, murtas, adernos, sanguinho, mato-branco, trepadeiras diversas e algumas orquídeas. Em outras áreas mais expostas à contínua acção do pastoreio e da agricultura a densidade de arvoredo tende a diminuir e o matagal luxuriante e diversificado tende a ser sub stituído por estevas, sargaços, genistas e rosmaninho.
Fonte: Guia de Oferta Turística da Região de Turismo de Évora, 1998
Clima
A Serra de Portel apresenta um clima Mediterrânico com períodos quentes e secos prolongados, alternados por períodos frescos e húmidos. No Inverno as temperaturas podem ser negativas. Verifica-se a existência de uma diversidade de variações microclimáticas associada à diversidade de situações fisiográficas.
Geomorfologia
Maciço montanhoso de origem xisto - grauváquica. A Serra apresenta uma elevação máxima de 420 metros e uma diversidade de tipos de solos, entre os quais figuram diversos solos mediterrâneos, litossolos e aluviossolos. Contudo aqueles que ocupam maiores extensões são os litossolos.(solos esqueléticos )de xistos.
Flora
Beliz (1990) inventariou cerca de 680 espécies vegetais. Verifica-se uma elevada diversidade de comunidades vegetais associadas aos povoamentos de sobreiros e azinheiras e encontram-se presentes um conjunto de plantas pouco frequentes, ou mesmo raras, no País, claramente resultantes de microclimas locais e da profusão de tipos de solos.
Fauna
Comunidade faunística rica designadamente das aves e mamíferos predadores. No conjunto as comunidades presentes constituem uma amostra representativa das condições naturais do Alentejo Central.
Fonte: Colecção Percursos na Natureza, 1997 Centro de Ecologia Aplicada – Universidade de Évora
 

Edição: Direcção Regional do Ambiente do Alentejo

 

 

 

 

Redondo – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

Origem do nome:
“Está situado em um mediano e ordinário monte por cuja ladeira abaixo vistosamente se estende para as partes do sul e poente; foi este monte sempre celebrado pela circunstância do Penedo Redondo, Que no mesmo monte se acha e de que esta vila tomou o nome. Deste modo senão vê hoje mais que uma parte por esta formada sobre ele uma pequena torre das sete que tem o Castelo”. (Arqueólo Português – 1901).
Parece que a povoação de Redondo já existia no tempo dos romanos (...) D. Dinis cônscio da importância da situação da terra e preocupado com a obra de defesa do país, que o levou a fazer construir ou reparar, na fronteira com a Espanha, a linha de castelos Marvão, Portalegre, Alegrete, Monforte, Elvas, Vila Viçosa, Juromenha, Monsaraz, Mourão e Moura, e no interior tantos outros, não esqueceu o Redondo e em 1319 (era de César de 1357) fez levantar o actual castelo num outeiro, onde diz a tradição existiu o penedo redondo que deu o nome à vila”. (António de Souto Maior – 1929).
“É atraente, bem que por vezes difícil, a investigação das origens dos nomes de povoações portuguesas, visto que a toponímia nacional é muito rica e variada em denominações derivadas de raízes tão diversas, por vezes obscuras, provenientes do romano peninsular, do fenício, do árabe, do grego, do cartaginês, do celta, do latim medieval, etc. . Redondo tem o étimo bem definido. D adjectivo latino rotundus, a, um, pela lei geral do us nominativo ou do um acusativo se transformar sem esforço de maior em o pela lei de transformação fonética também natural e por isso geral do abrandamento, quando não queda da consoante intervocálica, essa voz latina deu Redondo, forma que na boca do povo, por um processo regressivo e inverso ao da desassimilação anterior que o prova e o explica readquire muitas vezes a pronunciação redondo quer no adjectivo quer no nome próprio dessa laboriosa vila alentejana. É simples e corrente, pois, a transformação que deu em nossos dias o nome Redondo derivado do latim rotundus , palavra que aliás se conserva na língua portuguesa, mais próxima, porém da origem latina, em rotundo como rotunda, substantivo comum, o lugar redondo, transformado em próprio na toponímia urbana (como exemplo: várias Rotundas da cidade de Lisboa), e que o povo teima em designar por esse nome breve, eufórico e nobre em que pese aos editais de vereadores que teimam em ensinar ao povo a história pátria, quase banida do ensino escolar, por meio de letreiros pintados nos cunhais dos prédios urbanos ! Isto sabe-o muita gente, sabe-o talvez a totalidade dos naturais do Redondo. O que talvez não saibam, porém, é que no Baixo Alentejo há outra vila também importante e antiga, que tem o mesmo nome, mas derivado do árabe: “Almodôvar”. Almodôvar diz em árabe, exactamente, o que nós dizemos com o vocábulo latino rotundos, isto é, redondo !. Almodôvar é palavra árabe, representando aqui o u um carácter que no alfabeto respectivo indica um som gutural para que o nosso alfabeto latino não tem letra, que nos é muito difícil de pronunciar e que os peninsulares falavam o árabe simplificaram na província e acomodaram na escrita por meio do v. Note-se que esta palavra Almodôvar (redondo), como o seu verbo doutra, endoura (arredondarei, arredondo), como o seu adjectivo Almodauer (o que arredonda) são do árabe puro, não do dialectral, ou do mestiço árabe peninsular. Assim temos no Alentejo dois Redondos. O do nome romana mais ao norte, o de nome árabe mais ao sul. Cremos que os naturais terão totalmente expungido do coração a gentilidade dos romanos e os da outra todas as expressões ignóbeis dos sectários de Mafamede e que uns e outros serão, ao contrário, muito bons cristãos, os do sul fabricando o seu azeite e os do norte as grandes talhas de barro para o armazenar”. (Dr. Domingos Vaz Madeira “Ilustração Alentejana” – 1929).

A região de Redondo é habitada desde remotas eras, recebeu o primeiro foral de D. Afonso lll, em 1250, confirmado em 1318 por D. Dinis. D. João 1 concedeu-lhe privilégios, estabelecendo uma cláusula que obrigava a passagem por Redondo a todos os que se dirigissem de Vila Viçosa para o Alandroal e vice-versa, o que muito contribuiu para o seu desenvolvimento. D. Manuel l autorgou-lhe foral novo em 1516.
“Tem-se dito que a denominação actual provém de um enorme rochedo arredondado, que havia no local onde depois se construiu a Igreja da Misericórdia, e que seria alguma anta ou outro monumento pré-histórico. De qualquer modo, o nome desta actual vila alentejana filia-se no nome comum redondo, do latim rotundu -, através do português arcaico rodondo e com a posterior dissimilação do primeiro “o” em “e”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Redondo é uma vila onde tradicionalmente se produz artesanato procurado pelos turismo. Mesmo assim, há falta de aprendizes que continuem essas artes. Fabricam-se ainda utensílios de pele, de ferro pintado e outros materiais, mas o que mais se produz são peças de mobiliário e louça de barro pintada ou utilitária. Fabricam-se em Redondo duas espécies de pratos pintados: os tradicionais, com fundos claros e motivos diversos (flores, animais, cenas da vida rural) e os fundo vermelho ou negro, com ramos de flores pintados a tinta de óleo. Estes últimos são recentes e destinam-se apenas a fins decorativos. Os tradicionais podem ser utilizados como louça funcional. Os motivos são decalcados com o barro ainda relativamente fresco e pintados em seguida com anilinas, após o que os pratos são cozidos e vidrados. Os temas florais usados na louça e no mobiliário são muito antigos. Os artesãos dizem que “foram deixados pelos Mouros”, mas cada um dá às formas a sua interpretação pessoal. Uma oficina de mobiliário depende de trabalhadores de vários ofícios. Os móveis são feitos por carpinteiros e depois as cadeiras são empalhadas por outro artista. Passam seguidamente para a mão do pintor, que começa por os cobrir com aparelho de tinta de óleo. Pinta-os depois com esmalte de cor lisa, e só quando este seca os decorar com ramos e flores.
A mobília de quarto completa consta de cama, duas mesas-de-cabeceira, guarda-fato, cómoda ou escrivaninha, caixilho para espelho e uma cadeira com assento de buinho. Fazem-se também cadeiras, arcas e baús de diferentes tamanhos, que se vendem separadamente. O artesanato encontrou no Alentejo condições óptimas para se implantar. A solidão real da vida deste povo desenvolveu-lhe a sensibilidade. Vivendo nos campos, isolados dos centros de consumo e dispondo de poucos recursos económicos, o homem viu-se na necessidade de fabricar os seus próprios utensílios. O gosto pela beleza e a abundância de tempo livre levou-o a decorar esses objectos com arte, amor e paciência. Na zona de Redondo existe bom vinho de mesa, sendo o mais conhecida “Porta da Ravessa”. Esta província portuguesa tem belíssimos vinhos. A imensidão de horizontes planos, ou quase planos, aliada à sua meridionalidade, oferem ao Alentejo características Mediterrâneas e Continentais. A insolação tem valores bastante elevados, o que se reflecte na maturação das uvas, principalmente nos meses que antecedem as vindimas, conferindo-lhe uma perfeita acumulação de açúcares e de matérias corantes na película dos bagos. As vinhas localizam-se, na sua maioria, em substrato geológico de rochas plutónicas (granitos, tonalitos, sienitos e sienitos nefelínicos), sendo contudo de salientar, a diversidade de manchas pedológicas nas quais as vinhas são instaladas (nomeadamente manchas xistosas e argilo-calcárias). É igualmente de referir, que os melhores terrenos são eleitos para a cultura cerealífera e a exploração agro-pecuária, pelo que a vinha e a oliveira, dada a sua rusticidade, assentam nos solos com fraca capacidade de uso.
O porco é a base alimentar de todo o Alentejo. Os rojões à alentejana, as fêveras de porco na brasa e as migas, a açorda de coentros e poejos e o gaspacho fazem jus à cozinha tradicional desta região. Na doçaria recomenda-se o caricá (doce à base de ovos, o bolo de amêndoa do Convento da Vidigueira e o bolo podre.

 

Redondo

Situada a 35Km. de distância da Capital de Distrito Évora, a vila de Redondo ergue-se a 317 m. de altitude e é a sede de um concelho com uma superfície de 371,44 Km², no qual vivem actualmente cerca de 7288 habitantes (segundo o Censos de 2001). O concelho de Redondo, hoje dividido em duas freguesias -Redondo e Montoito – conta com um conjunto de populações com dimensões significativas, entre as quais: Aldeias de Montoito, Falcoeiras, Santa Susana, Aldeia da Serra, Foros da Fonte Seca, Freixo e Vinhas.
A zona que hoje compreende foi habitada desde os tempos mais remotos, como o comprovam os numerosos monumentos megalíticos existentes na região. Segundo a lenda, a fundação da vila está relacionada com o Penedo Redondo que existiu no primitivo amuramento medieval.
A sua formação administrativa deve-se a D. Afonso III; que segundo alguns historiadores lhe concedeu foral em 1250. Foi fortificada por D. Dinis que lhe outorgou carta foralenga de 1318, à qual D. Manuel, acrescentou privilégios de Leitura Nova em 1517. Povoação fortificada por D. Dinis em 1319, que lhe construiu o castelo e o circuito amuralhado, sofreu um grave desacato no ano de 1381, durante as malfadadas guerras fernandinas contra Castela, sendo saqueada por um corpo auxiliar do exército inglês do conde de Cambridge - Edmundo, do comando do general Maao Borni. Um dos mais célebres fronteiros e alcaides de Redondo foi o aventuroso cavaleiro-justador João de Melo, filho do guarda-mor de D. João I, Martim Afonso de Melo, também alcaide-mor de Évora, que teve aquela mercê dada por D. Duarte, em 15-IV-1438. Nas suas andanças por Castela e Flandres, tomou-se lendário pelas façanhas cometidas entre León e Astorga, contra o mantenedor Sueiro de Quiñones, e em Gant, perante a corte de Filipe-o-Belo, duque de Borgonha. Ocupou, ainda, os cargos de conselheiro e copeiro-mor de D. Afonso V, teve o senhorio de Pavia e a alcaidaria de Serpa, de juro e herdade, dádiva esta que se prolongou, por séculos, na sua descendência. O mesmo monarca o amerceou com umas casas sobre o muro quebrado da cerca velha de Évora, no ano de 1464.
Património da coroa, foi doada, em 1500, ao capitão e herói de Arzila, D. Vasco Coutinho, que recebeu a benesse de D. Manuel, dada por carta de 2-VI-1500, sendo já conde de Borba desde 3-II-1485.
No início do Séc. XV a vila de Redondo, outrora um ponto obrigatório de escala para os viajantes de Évora, Vila Viçosa e Alandroal, estava praticamente despovoada. A pedido dos procuradores da vila D. João I, em 1418, proibiu o uso de outras estradas naquele circuito, obrigando todos os viajantes a passarem por esta vila. A expansão da vila deu-se a partir de 1463 uma vez que a cerca do castelo estava completamente povoada, foi decidida, por alvará régio, que a zona do Arrabalde fosse habitada, ficando os moradores desta zona com os mesmos privilégios e liberdades que os moradores da cerca do Castelo. No ano de 1762, durante os sobressaltos da Guerra do Pacto da Família, julgou-se útil reforçar a vila com algumas obras de fortificação, que completassem as trincheiras aprofundadas no período da Guerra da Sucessão de Espanha, pelo que houve uma reunião magna no dia 12 de Setembro, promovida pela Câmara, para tratar do assunto - simultânea com as realizadas em Terena, Alandroal e Monsaraz -, onde se encontraram os representantes locais dos três estados do reino: clero, nobreza e povo.

 

Lenda de Redondo

De um mítico Penedo Redondo, reza a lenda que a vila sede deste concelho tirou o nome. Sem intuito de polemizar, bem poderia a inspiração do baptismo ter resultado do vinho sem arestas nem adstringências que dá fama a estas terras. Seja como for, alguma contribuição há-de este precioso néctar do Redondo ter dado aos naturais da região, que artistas e mestres artesãos se têm revelado ao longo de gerações. Com o barro, nos inconfundíveis pratos e restantes peças de olaria; com madeira, no florido mobiliário; com a voz, nos cantares que os entendidos enraízam nos corais gregorianos.

 

 

 

 

 

Reguengos de Monsaraz – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

 

Assim no-lo diz o Sr. A.F. Barata, em “O Alentejo Histórico, Religioso, Civil e Industrial – como uma povoação que não tem fidalguia hereditária, não batalhou ao lado dos seis conquistadores da primeira dinastia, não existia então”. Nos sítios onde hoje assenta esta moderna e laboriosa vila, havia um largo tracto de terreno, pertencente à Casa de Bragança, designada por “Reguengo de Cima, do Meio e do Baixo”, ignorando-se, contudo, «desde que época». Eram estas terras “reguengos”, por ao rei pertencerem, tendo o nome de Vila a sua origem nesta circunstância. No então “Reguengo de Baixo”, aparte mais antiga da Vila actual, existia aí pelo ano de 1680, uma pequena capela de Santo António – orago da freguesia – a qual, pouco a pouco começou a ver-se acompanhada de uma outra casa, mais tarde de muitas mais e com tal incremento que no ano de 1752 já os Prelados da Igreja Eborense tiveram necessidade de pôr ali um cura de almas. É isto o que, em resumo, o Sr. Barata nos diz de Reguengos. Do lugarejo de somenos importância que era, breve alcançou a categoria de Aldeia dos Reguengos, impropriamente alcunhada mais tarde, pelos habitantes da histórica Vila de Monsaraz, sendo concelho, de Aldeia dos Cardadores, ironicamente aludindo a uma população de laboriosos industriais que nessa época fizeram lá lã a sua principal fonte de receita e de riqueza regional. Os habitantes da Aldeia dos Reguengos, que pugnavam pela elevação material da sua terra, em conjunto com os muitos adventícios que a ela ocorriam pela riqueza dos seus terrenos, inclinaram-se sempre para o campo da política liberal do País, contrariando assim as ideias dos absolutistas de D. Miguel, que tinha o grosso das suas falanges adentro das muralhas de Monsaraz. Vila fidalga e antiquíssima, mas já em decadência. Entre os muitos habitantes desta terra que se evidenciaram nas campanhas da liberdade, dois nomes que merecem especial referência pelas qualidades de carácter: Dr. José Maria Rojão, natural de Mourão e Dr. Inácio Ramalho, natural de Reguengos. Frequentando ambos a Universidade de Coimbra, a esse tempo alistaram-se no “Batalhão Académico”, valendo-lhes este acto o haverem de emigrar para França e Inglaterra, por onde se conservaram até que, fazendo parte dos 7.500 bravos do Mindelo se passaram a Portugal para continuarem os seus estudos após a vitória constitucional. Quis D. Pedro lV (1º Imperador do Brasil) galardoar os seus serviços, oferecendo ao Dr. Ramalho o colar da Torre e Espada, que recusou por entender que apenas cumprira o seu dever de fidelidade à constituição. Ambos foram condecorados com as medalhas da liberdade, e tão relevantes foram os serviços destes ilustres liberais que, de certo por eles, por alvará de 25 de Fevereiro de 1840 a Carta Régia de 29 do mesmo mês, assinada por D. Maria ll e pelo ministro Rodrigo da Fonseca Magalhães foi conferido o foro de Vila Nova de Reguengos, por serviços prestados à causa da liberdade à aldeia, por Carta Régia de 7 de Abril de 1838 passara a ser cabeça do concelho de Monsaraz. Estava aberta e declarada a guerra de reivindicações e supremacia entre a nova Vila de Reguengos e antiga Vila de Monsaraz, travando-se uma renhida luta política para a posse da sede do concelho que fora concedida a Reguengos. Em 1843, sendo favoráveis os ventos do Terreiro do Paço à política de Monsaraz, é a sede do concelho, novamente colocada na antiga Vila; mas, em 1846, mercê de porfiados esforços dos reguenguenses, que não se esquivaram à luta nem às tumultuárias secções da Câmara de Monsaraz, é a sede do concelho de novo transferida para Reguengos. Novas lutas se travaram e o concelho foi ainda para Monsaraz até o ano de 1851, desde quando ficou definitivamente em Reguengos de Monsaraz, nome por que geralmente é designada a Vila Nova dos Reguengos em documentos oficiais e particulares”. (Cap. Manuel Mendes Ventura – Revista Ilustrada – 1927).
“Em 1932, o Prof. Dr. José Leite de Vasconcelos refere-se assim a Reguengos: “Diz A.F.Barata, “O Alentejo”, 1893, págª. 53, que em tempos antigos havia no Alentejo um vasto tracto de terreno, pertencente à Casa de Bragança, e chamado “Reguengo de Cima, do Meio e do Baixo, donde o plural Reguengos. Todavia, hoje só conheço ao pe´da vila de Reguengos de Monsaraz, Aldeia de Cima, que oficialmente se chama Reguengo de Cima; uma cantiga irónica, que lá ouvi em 1933, diz: “Aldeia de Cima / De biquinhos de alfinetes / Hei-de a mandar calçar / Para o meu amor passear ...”. O que não há (hoje, pelo menos) é Reguengos de Baixo. Exemplo semelhante o encontramos em Covais de Cima, povoado da freguesia de Salzedas, concelho de Tarouca, sem haver Covais de Baixo. O contrário é Queluz de Baixo, no concelho de Oeiras, ao pé de Queluz, concelho de Sintra, que não se diz de Cima, pelo menos na localidade. A outra Queluz é tão pouco importante ao pé da verdadeira Queluz, que os habitantes desta não se julgam obrigados a juntar o epíteto ao nome”.
Reguengos de Monsaraz foi conquistada aos muçulmanos por Geraldo Sem Pavor (ou Geraldo Geraldo), em 1167, foi doada aos Templários. A vila, excepção do arrabalde, encontra-se quase toda envolvida pelas muralhas reconstruídas por D. Afonso lll e D. Dinis. Monsaraz vale sobretudo pelo conjunto urbano extremamente bem conservado, em parte recuperado no século XVll. Igreja Matriz – Edifício de três naves do tipo igreja-salão, edificada no último terço do século XVL, sobre as ruínas de uma igreja medieval, nela se conserva o túmulo gótico do cavaleiro Gomes Martins. No antigo Paço da Audiência conserva-se uma pintura mural de temática parcialmente profana, alusiva à Justiça. Ermida de Santa Catarina – Antiga capela pentagonal de origem templária. Capela de São João Batista – Antigo morábito muçulmano, depois cristianizado.

O Castelo, cuja construção foi iniciada por D. Afonso lll mas apenas concluída no reinado de D. Dinis, e a cerca de planta ovalada que abarca a vila medieval foram rodeados, no século XVll, por um perímetro fortificado, construído por cinco baluartes e um meio baluarte, integrando o baluarte do castelo o mais completo troço da barbacã medieva. O projecto foi de Francisco Osório, e ele se devendo também o Forte de São Bento, chave defensiva do arrabalde, cuja fortificação se estendia pela colina situada a norte, através de um revelim de três baluartes de que restam vestígios.
Seguimos a direcção de Reguengos e prosseguimos até ao pequeno “paraíso” de Monsaraz. Na estrada para Mourão, o cruzamento desperta-nos a curiosidade. Tomamos a direcção do monte que se ergue na planície e subimo-lo até alcançar a Porta da Vila. É protegida por dois cubelos semi-cilíndricos, um dos quais é coroado pela torre do relógio que, por ser branca de cal, se destaca do granito e do xisto que compõem o castelo. A Porta do Buraco ou da Cisterna, a Porta da Alcova e a Porta de Évora são as outras entradas possíveis no vetusto burgo que ainda se mantém quase virgem face às corrupções do tempo. Qualquer delas é suficientemente atraente para nos fazer entrar no mundo branco que as imponentes muralhas resguardam e qualquer delas nos leva À Rua Direita, que atravessa este burgo “navio” de uma ponta à outra. O seu formato, bem como o das populações vizinhas que circundam o morro, já inspirou o povo nas suas canções: “Monsaraz é um navio / o Telheiro uma pistola / o Outeiro não tem feitio / a Barrada uma bola”. Para ver com os próprios olhos como tem fundamento esta quadra popular, o melhor é subir à torre de menagem do castelo, onde, do alto dos seus 18 metros, é possível apreciar com maior clareza as belezas de Monsaraz. Vêm-nos à ideia os comentários sobre a origem do topónimo “Monsaraz”. Já sabemos que a sua origem está em duas palavras: “Monte” e “Saraz” ou “Saras” ou “Xaraz”, o que significa monte erguido no meio das estevas. Sabe-se que Monsaraz foi libertada do domínio muçulmano por Giraldo Sem Pavor, em 1167. Foi doada à Ordem dos Templários e depois de extinta, à Ordem de Cristo. No século Xlll, D. Afonso lll e D. Dinis trataram de povoar o monte, constuindo novo castelo e a cerca para proteger a vila. Durante as guerras do século XlV com Castela, instalaram-se em Monsaraz os archeiros do Conde de Cambridge, que vieram da Inglaterra em auxílio dos portugueses mas que, em vez disso, acabaram por saquear a vila. Os portugueses não conseguiram fazer frente aos castelhanos e deixaram “escapar” o monte fortificado. Porém, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira reconquistou-o, tornando-se depois seu alcaide-mor. Nas páginas da História desta vila fica o facto de ter sido das primeiras a seguir o Mestre de Avis e na memória do povo ficou a história de um rei árabe que tinha uma filha chamada Alandra. Certo dia, o filho do conde do Monte Esporão chegou decidido a conquistar esta terra. Enamoraram-se os dois jovens, ao que o rei se opôs e, em vez de consentir, preferiu matar a filha que, segundo os populares, ficou para sempre encantada no alandroeiro ainda hoje vivo na rua transversal em frente à Igreja Matriz.

 

Reguengo de Monsaraz

A Freguesia de Reguengos de Monsaraz é composta pelos seguintes aglomerados:  Reguengos de Monsaraz (Vila), Perolivas, Gafanhoeiras e Caridade, sendo paralelamente Sede de Concelho.
      Em termos geográficos, pertence ao Distrito de Évora e localiza-se na Região Alentejo Central, no Sul de Portugal. A Freguesia é confinada a Nordeste pela Freguesia de Monsaraz, a Este pela Freguesia de Corval, a Sudeste pela Freguesia de Campinho e finalmente, a Sul pela Freguesia do Campo.  A Freguesia abrange uma área de cerca de 102 km2.
     Em termos Concelhios, o Concelho de Reguengos de Monsaraz é confinado a Norte pelos Concelhos de Redondo e Alandroal, a Este pelo Concelho de Mourão, a Sul pelos Concelhos de Moura e Portel e a Oeste pelos Concelhos de Évora e parte do de Portel. O seu limite a Sudeste é constituído em vasta extensão pelo Rio Guadiana. O Concelho abrange uma área de cerca de 474 km2 e é composto por 5 freguesias.  
Origem da Freguesia

 A origem da Freguesia de Reguengos de Monsaraz confunde-se com a do antigo Concelho de Monsaraz. Os limites do Concelho são os mesmos desde há séculos, o que mudou foi a localização da sua Sede, localizada na Vila de Monsaraz até 1838, data a partir da qual se transferiu para a Vila de Reguengos, sendo fixada definitivamente em 1851, depois de algum período de alternância com Monsaraz.  
    No termo da antiga vila de Monsaraz, situada em dominicais da Casa de Bragança e depois da Coroa, que davam pelos nomes de Reguenguinho, Ramila e Mon Real, em redor de uma Ermida de Sto. António foi edificada a Vila de Reguengos. O agradável sítio, a fertilidade do terreno, e outras favoráveis circunstâncias, convidaram algumas famílias a construir as suas casas em redor da que era até ali uma solitária Ermida. Em poucos anos formou-se assim uma pequena aldeia, que cresceu de tal modo que foi necessária a criação efectiva de uma nova Freguesia, em 1752.
   Em relação à Freguesia propriamente dita, já desde 1836 que se conhece a sua existência, mas com a denominação de Junta da Parochia da Freguezia de Santo António. Nesta época, faziam parte da Freguesia a própria Junta da Parochia da Freguezia de Santo António, bem como o lugar da Nossa Senhora da Caridade e o lugar de Santa Maria da Lagoa.
    Na época agrupavam-se os núcleos populacionais de Reguengos de Cima, do Meio e de Baixo, que constituíram, em 1838, as bases administrativas e embrionárias da nova Vila, elevada a Sede de Concelho por Carta de Lei de 29 de Fevereiro de 1840, com o título primitivo e efémero de Vila Nova de Reguengos de Monsaraz, em menosprezo do histórico e multisecular burgo de Monsaraz.
História da Freguesia
    Em 1620 existia a duas léguas ao poente de Monsaraz, no meio de terras produtivas, uma Ermida dedicada a Santo António. Em 1690 começaram-se a edificar algumas casas em torno da Ermida e foi então grande o desenvolvimento da população que em 1712 já era uma aldeia chamada Reguengo com uma Igreja Paroquial da invocação de Nossa Senhora da Caridade.
     As aldeias dos Reguengos sofreram um impulso demográfico nos tempos de D. Pedro II, que se desencadeou devido às suas privilegiadas disposições pastoris e admite-se que, no decurso das guerras da Restauração, alguns couteiros da Casa de Bragança, incumbidos do fomento equino necessário ao reabastecimento da cavalariça portuguesa aqui se vieram fixar.
    Entre essas gentes humildes, emigradas dos lugares mais devastados pela guerra, parecem ter vindo homens especializados nos ofícios da cardação e tecelagem das lãs merinas, matéria-prima em que estas terras do antigo “termo” de Monsaraz, desde o século XV e na dependência das suas alianças económicas com a organização pastoril da Mesta espanhola, eram muito ricas.
    O artesanato na área da tecelagem do “termo” de Monsaraz consagrava-se à produção de mantas, saragoças e panos grosseiros que não serviam só para cobrir e aquecer os moradores da terra mas que, transcendendo estes âmbitos, chegaram a ser aproveitados como instrumentos de corrupção da frágil consciência de um Juiz de fora daquela Vila que, a troco da isenção de mancebos aptos para o serviço militar, se foi tornando um coleccionador de peças decorativas.
    Mais tarde, já no século XIX, o salto económico das aldeias de Reguengos não se ergueu apenas sobre a intensa laboração da fábrica de lanifícios, fundada por José Mendes Papança, e a sua ampla distribuição pelos antigos e humildes foreiros da Casa de Bragança – a divisão dos chamados “arados” – constituiu, também, uma espantosa e indomável força de progresso e desenvolvimento desta Vila. Com esse parcelamento, implantaram-se novas estruturas agrárias e, na sua dependência, surgiu a grande lavra de vinhas que está ainda na base do esplendor económico de Reguengos, nos finais do século XIX.
    Em 1840, atendendo aos serviços dispensados pelos moradores dos Reguengos “à causa da liberdade”, a Rainha D. Maria II eleva a já então Vila Nova dos Reguengos a Sede do Concelho e concede-lhe o primeiro foral.

 

 

 

 

 

Vendas Novas – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

A povoação desenvolveu-se em volta do palácio mandado construir por D. João V, para servir de pousada real nas suas viagens ao Alentejo. Em 1860, foi ali instalada a sede de um polígono militar (Escola Prática de Artilharia)  e data dessa época o começo do desenvolvimento da vila. Interessante é o Museu de Artilharia, onde se podem observar exemplares de todas as peças de artilharia desde que a Escola Prática começo a funcionar, algumas das quais serviram na 1ª Guerra Mundial e são únicas conservadas na Europa.

 

Vendas Novas

A origem provável e o subsequente desenvolvimento de Vendas Novas, devem-se essencialmente a três acontecimentos que tiveram lugar quase simultaneamente.
O primeiro e segundo acontecimento devem-se essencialmente à criação da Posta Sul, por ordem de D.João III, estabelecendo-se uma estação e uma sede da Posta em Aldeia Galega (o actual Montijo). De igual modo, com licença do rei, mandou Luís Afonso, Correio-Mor do Reino, abrir um caminho de Aldeia Galega a Montemor, que atravessava uma vasta charneca que o rei utilizava para as suas caçadas reais, de maneira a diminuir o percurso e o tempo das viagens. Nesse caminho, o rei mandou construir uma estalagem, no sítio que hoje é Vendas Novas.
O terceiro acontecimento está ligado à construção, por ordem de D.Teodósio, de duas pousadas, uma em Evoramonte e outra em Vendas Novas, perto das duas estações, para melhor se deslocar de Lisboa a Vila Viçosa. Terá sido então, a aberta do caminho para a Posta do Sul, através da charneca, em 1526, e a construção de duas estalagens, (a da Mala-Posta, em 1526, e a do Duque D. Teodósio I, em 1930). Estes foram os três factores determinantes para a origem de Vendas Novas.
Quanto ao nome do povoado terá provavelmente origem nas construções - "Estalagens" ou "Vendas", que por serem de recente construção, eram novas, denominadas pelos viajantes como "Vendas Novas".

A estrada que hoje em dia, atravessa a cidade de Vendas Novas foi, em tempos, caminho de vários reis. Daí poder dizer-se que foi essa mesma estrada que originou o verdadeiro nascimento da cidade.
Vendas Novas viveu muito tempo no anonimato, quase sem história, até ao dia em que um rei mandou construir na Charneca, então praticamente deserta, um Palácio Real para que a princesa das Astúrias e o príncipe do Brasil, futuro D. José I, aqui encontrassem a sua pousada. Assim, graças ao ouro do Brasil e ao grande do império de D. João V, este Palácio devido á sua majesteosidade, tornou-se pousada de vários reis, tendo ao longo dos tempos servido também de aquartelamento de cavalaria, posta, telégrafo, hospital improvisado para combater a febre amarela e finalmente se ter tornado no que é hoje, ou seja a actual Escola Pratica de Artilharia.
Mais tarde, foi construído em Vendas Novas um caminho de ferro que veio aproximar a cidade do progresso técnico e das mercadorias, trazendo também consigo novas indústrias. O seu maior desenvolvimento deu-se a partir deste momento, uma vez que com o aparecimento da indústria, os habitantes desta localidade através do seu trabalho, conseguiram dar a conhecer a existência e importância deste local.
A 21 de Agosto de 1911, Vendas Novas, vê então reconhecida a sua importância com a passagem a Vila mas somente a 7 de Setembro de 1962 consegue, após várias lutas a sua independência do concelho de Montemor-o-Novo com a criação do respectivo concelho.
Através da atitude liberiosa das suas gentes e da visão dos seus dirigentes, Vendas Novas vê concretizar-se a sua tão desejada elevação a cidade em 1993.
.:: [ Património ] ::.

Apesar da sua história ser recente, o concelho de Vendas Novas possui um conjunto de património erudito de que é exemplo o edifício onde se encontra instalada a Escola Prática de Artilharia, antigo Palácio Real mandado construir pelo rei D. João V.
São também referência o Palácio e Capela do Vidigal (sec. XIX) e um conjunto de capelas e igrejas tais como a Capela de S. Fernando (hoje Igreja de Santo António do Outeiro), único imóvel classificado do concelho, a Igreja de Nª Sr.ª de Nazaré, Landeira (sec. XV), a Capela do Monte Velho da Ajuda (secs. XVII e XVIII), a Capela Real, junto ao Palácio Real (sec XVIII) e outras de construção mais recente como a Igreja Matriz de St.º António, Igreja de S. Domingos Sávio, Capela de S. Pedro, Bombel, Capela de S. Gabriel, Marconi, Capela de N.ª Sr.ª Auxiliadora, Afeiteira.
De realçar ainda a existência de um moinho de vento do sec. XIX, actualmente recuperado e transformado em Posto de Turismo.
Em termos museológicos de referir a existência de três núcleos sendo eles o Museu da Escola Prática de Artilharia, o Museu Etnográfico e do Artesanato do R. Folclórico de Landeira e o Museu Etnográfico do Rancho Folclórico das Piçarras.
Existem igualmente algumas estações arqueológicas reconhecidas, como a estação paleolítica da Bica-Fria, a estação romana da Sesmaria de Cuncos, a Ferraria da Lavra de Maio e a Ferraria do Quintal do Henrique Rosa situadas na Landeira e duas estações medievais no olival de Amieira e nas terras frias (Moinhola, Landeira).
.:: [ Mudanças de Abril ] ::.
A revolução de 25 de Abril, veio originar uma série de mudanças em Vendas Novas proporcionando novos métodos de desenvolvimento. Assim, pôde verificar-se ao longo dos anos uma melhoria substancial na qualidade de vida da população.
Essa mudança e esse desenvolvimento ocorreram em todos os sectores. Hoje em dia a população dispõe de água canalizada, electricidade, recolha de lixo diferenciado e doméstico em todas as povoações do concelho e 98% dos habitantes são beneficiários da rede de esgotos. Praticamente todas as ruas se encontram pavimentadas, foram vendidos muitos lotes de terra e construídas muitas habitações novas. Uma ETAR situada em Bombel trata as águas residuais da cidade.
Em relação à cultura e ao desporto foram criados o Pavilhão Gimnodesportivo, as Piscinas, o Estádio a Biblioteca e o Auditório Municipais, bem como outros espaços de lazer, de que é exemplo o Jardim Público de Vendas Novas.
Também se fizeram novas instalações para as escolas E.B. 2/3 e Secundária, renovando o seu equipamento, tendo mais tarde sido construído o pavilhão desportivo da escola secundária.
O Centro de Saúde e os postos médicos viram apoiadas as suas exigências para a melhoria de condições das instalações.
No âmbito da acção social, foram construídos o Centro de Dia dos reformados, o Centro de Dia da St.ª Casa da Misericórdia, entre muitas outras instituições que prestam apoio social a crianças, jovens e idosos no concelho.
Para desenvolver economicamente o concelho criou-se o Parque Industrial e nos serviços municipais tomaram-se medidas de modernização e reforço dos serviços, como o novo Centro de Atendimento Público e o COPAE – Centro de Oficinas, Parque de Máquinas, Armazéns e Estaleiro Municipais. Para a juventude foi criado o Espaço Internet de Vendas Novas.
Os Bombeiros Voluntários viram reforçados os seus meios e as instituições desportivas e culturais são apoiadas financeiramente para melhor desenvolverem as suas actividades.
Foi ainda criada a freguesia da Landeira e a Vila de Vendas Novas foi elevada à categoria de cidade.
Encontrando-se muito próxima da Área Metropolitana de Lisboa, o seu progresso tem tendência a aumentar cada vez mais.

 

 

 

 

 

Viana do Alentejo – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

 

A vila, primitivamente chamada Viana de a par de Alvito, foi repovoada no século Xlll por D. Gil Martins. D. Dinis concedeu-lhe foral e privilégios, com simultânea fundação do castelo.

Vila sempre na senda do progresso, teve em 1866 uma das primeiras creches do País.

Opiniões sobre a origem do nome:

«J. Vilhena Barbosa “As Cidades e Vilas da Monarchia Portugueza – 1862”»: “Pretendem vários escritores que foram os Galos-Celtas que a fundaram alguns séculos antes do nascimento de Cristo. E acrescentam que, em memória da cidade de Viena sua pátria, lhe deram o mesmo nome”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A meia vertente da serra do seu nome, entre azinhais e oliveiras, localiza-se o casario da Antiga Viana de a Par de Alvito, hoje a vila concelhia de Viana do Alentejo, incorporada no distrito administrativo de Évora …

A Viana acrescentou-se o determinativo Do Alentejo, indicativo da respectiva província e que a distingue, na denominação da cidade capital do Alto Minho”.

Viana do Alentejo

É a sede do concelho e uma vila de extraordinária importância na história de Portugal. Situada entre Évora e Beja, desempenhou sempre um papel de destaque na defesa estratégica do nosso território. O seu nome inicial era curioso e denunciava a vizinhança geográfica -Viana a par d’Alvito.
O povoamento desta freguesia é muito remoto. O arqueólogo José Leite de Vasconcelos, que estudou o local nos inícios deste século, descobriu uma série de vestígios arqueológicos, que poderão ser atribuídos à época romana. Restos de cerâmica, algumas moedas e mesmo uma necrópole romana com as respectivas inscrições nas cercanias do local onde se encontra hoje o santuário dedicado a N.ª Sr.ª d’Aires. Aliás, o próprio lugar de Paredes parece querer indicar que ali existiu algum tipo de muros, muito provavelmente castrejos. Alguns autores, são da opinião que este templo cristão sucedeu directamente a uma ermida do paganismo hispano-romano.
Devastada pelas algariadas mouriscas, a vila foi repovoada no século XIII por D. Gil Martins e sua mulher, D. Maria Anes. Em 1269, encontramos um documento sobre a vila, em que D. Martinho, Bispo de Évora, reconhecia ter direito apenas a um quarto dos dízimos da "igreja de Fochem". Por morte de D. Gil Martins e sua mulher, passou Viana do Alentejo para a posse do seu filho, D. Martim Gil de Sousa, conde de Barcelos.
Foi no reinado de D. Afonso III que lhe foi concedida a primeira carta de foral, mais tarde renovada por D. Dinis (1321) com privilégios iguais aos de Santarém. Foi também D. Dinis que lançou as bases para a construção do seu castelo, iniciada em 1313, e a elevou à categoria de vila. Fazia parte do seu termo Alvito, Vila Nova, Vila Ruiva e Malcabron. Os seus moradores recebiam 1000 libras de ajuda para levantarem as muralhas. A extensão do termo de Viana durante o reinado de D. Dinis era muita significativa, já que ia até Vila Alva, na época Malcabron, que se encontra actualmente no concelho de Cuba.

 

 

 

 

 

Vila Viçosa – (Concelho do Distrito de Évora)

 

 

 

 

Origem do nome:
“Demora na altura de 38.º, 51.º de latitude W. e 1.º e 30.º de longitude E.,, pelo meridiano de Lisboa em um lindo, ameno e sempre viçoso vale, abrigado a oeste pela pequena serra de Borba e regado por muitas fontes que derivam da mesma serra. Daí o título de viçosa , cuja propriedade ninguém lhe contesta. Apelamos para os que já visitassem, como nós visitámos esta vila e subissem como nós subimos, os muitos do seu castelo no mês de Maio, ao raiar do sol e ao cair da tarde. Tudo em volta até grande distância era um amplo tapete de luxuosa vegetação e, sendo para nós esta vila inteiramente estranha, e tendo sido criados no mimosíssimo e fertilíssimo cantão por justos títulos denominado – Coração do Douro – no vasto ângulo formado por Lamego, Mesão Frio e Vila Real de Trás-os-Montes, cantão que não tem rival em todo o nosso país – ficámos surpreendidos e muito espontaneamente dissemos: - Formosa Vila ! Bem mereces o título de Viçosa !” (Dr. Pinho Leal – 1886).
Enquadrando o vasto terreiro onde se ergue a estátua equestre de D. João lV, da autoria de Francisco Franco, o palácio testemunha com rigor não só a evolução da Arte em Portugal, mas também a actividade cultural desenvolvida pela família dos Duques de Bragança. A D. Jaime se deve a fundação da actual casa, restando da primitiva traça o claustro, manuelino, e as dependências térreas, cujos vestígios mais importantes são as abóbadas e as portas, em arco de ferradura. O aspecto subsistente deriva do gosto arquitectónico dos descendentes de D. Jaime, Deste período é a fachada axial, de mármores patinados e do tipo vitruviano, disposta em três pisos, segundo as ordens clássicas, a qual foi aumentada, já no reinado de D. Maria l, por um pavilhão compósito rematando a cima fronte. O fundo museográfico do palácio, hoje património da Fundação da Casa de Bragança, é formado por um conjunto de peças antigas, de valor artístico desigual, todavia embelezado pela decoração monumental do interior, antecedido pela escadaria nobre, de alçados recobertos por frescos quinhentistas representando a tomada de Azamor, em 1513, pelo Duque D. Jaime.
“Vila-Viçosa nunca se chamou Callipolis, nem há notícia de que na Lusitânia existisse alguma cidade assim chamada. A palavra Callipolis data do século XVl, e foi inventada por André de Resende, que assim se exprime na sua obra “De Antiquitatibus Lusitaniae”, Évora, 1593, fls. 228, quando trata de Vila Viçosa: “uno nomine latine dici non potest, nisi Callipolis graece configamus, audaci fortasse exemplo, sed lectoribus, postquam ea assiduite percrebuerit, minime displiceturo”. Em português – Vila Viçosa não pode exprimir-se em latim por uma só palavra, a não ser que forjemos Callipolis à grega, por processo talvez ousado, mas que de nenhum modo desagrada aos leitores que essa palavra se vulgarize muito. André de Resende escrevia em latim e precisava, pois de uma palavra latina ou grega que traduzisse Vila Viçosa, ou, como se ele escreve Villa Viçoza (com “z” porque em latim não há “s” (?). Efectivamente Callipolis preenchia o seu desejo porque se compõe de duas palavras gregas que correspondem ao sentido da nossa; além disso, ele não fazia mais do que introduzir nos seus escritos um vocábulo conhecido na geografia antiga, como o seu comendador Diogo Mendes de Vasconcelos, pondera fls. 259 da citada obra”. (Dr. José Leite de Vasconcelos – 1910).
Vila Viçosa é uma vila semeada de praças e largos, com rua amplas e belos monumentos, entre os quais se evidencia o Paço Ducal, obra de muitas gerações, iniciado em 1501 pelo Duque D. Jaime. Conserva dessa época todas as construções que se situam desde a porta de ferro para o norte até ao 1º andar. A majestosa fachada principal, totalmente revestida de mármores de Montes Claros, tendo em cada andar 23 janelas em correnteza, foi continuada pelos duques seus sucessores. Por ocasião da aclamação de D. João lV, já o palácio estava concluído, tendo no entanto sofrido posteriormente algumas modificações no tempo de D. João V e de D. Maria ll.
No outeiro de São Bento ergue-se a porta principal, manuelina, da magnífica Tapada real, toda murada num perímetro de 18 Km, que era o couto de caça dos duques, então reis de Portugal.
Voltando à origem do nome: “Reclina-se Vila Viçosa do Alentejo em uma planície ao sopé das vertentes orientais da pequena serra de Borba, onde uns cómodos lhe formam dois pequenos vales, pelos quais serpenteiam na estação das chuvas, outros tantos ribeirinhos, correndo para o levante do sol para se unirem lá e se confundirem mais adiante na ribeira de Borba. Foi ao vale do sul que os portugueses chamaram “Val Viçoso”, no tempo das conquistas aos mouros no Alentejo; e daí veio à moderna povoação o nome de Vila Viçosa, quando recebeu o foral de concelho português. ... Vila Viçosa é chamada também Callipole e os seus moradores dizem-se calipolenses. Este nome foi-lhe posto por André de Resende nas Antiguidades da Lusitânia, escritas em latim, por não saber o seu autor como verter melhor para a língua dos romanos o termo Vila Viçosa, do que adoptando aquele nome, já dado no idioma grego a não menos de três povoações antigas. Vertido à letra, Calípole quer dizer: cidade, povoação formosa”. (Padre Joaquim José da Rocha Espanca (tio de Florbela Espanca) – 1892).
E ainda: “Vila Viçosa parece querer exprimir a ideia de “terra de frescura, de mimo, de vigor de vegetação, de exuberância de vida”, e tudo isto tem a histórica e linda vila alentejana”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).

O Paço Ducal dos Duques de Bragança em Vila Viçosa, merece bem uma visita e, aí podemos começar pela ala norte, admirando as Salas das Virtudes e de Hércules, em cujos tecto se encontram pintadas cenas mitológicas, e ainda a Sala das Duquesas, todas elas com coberturas ornamentadas por frescos ou caixotões de madeira. Na ala sul, principia na Sala da Rainha, prolongando-se pela Sala de David, que ostenta pinturas historiadas e um magnífico rodapé de azulejos de Talavera de la Reina, desenhados por Fernando de Loayza; o oratório da rainha D. Catarina (mulher de D. João lV), com tecto pompeiano ornamentado pelo notável pano flamengo Descida da Cruz, do século XVl; a Sala da Medusa, em cujo tecto está representada a gesta mitológica de Perseu e dos Argonautas. Esta sala conserva igualmente lambris de azulejos talaverianos dos alvores do século XVll. As Salas do Príncipe do Brasil e de D. Maria Pia, ou da cabra-Cega, terminam o ângulo sul do palácio. IO cerâmica oriental e a europeia também estão aqui representadas, incluindo algumas majólicas italianas. Quanto à ourivesaria, merece especial atenção a célebre cruz-relicário do Santo Lenho, de ouro e esmaltes policromos, cravejada de 6.200 pedras preciosas, encomenda de D. João lV ao artista Filipe Valejo. Grande variedade de quadro completa a decoração dos aposentos: cópias quinhentistas de obras de Van der Goes e Van der Weiden, pinturas de espanhóis e portugueses, Marcos da Cruz, Carlos Reis, Silva Porto, Columbano, Malhoa, Constantino Fernandes, António Ramalho, Sousa Pinto, Veloso Salgado, João Reis, António Soares e outros, assim como coleccção de aguarelas e pastéis do rei D. Carlos. A ala transversal, voltada para o Jardim do Bosque, é evocativa da permanência do penúltimo rei português (D. Carlos) e de sua mulher (rainha D. Amélia). No prolongamento deste corpo arquitectónico situa-se a Capela Real, delicadamente revestida de estuques policromos, resultado de uma campanha iniciada por D. João V e concluída no reinado de D. João Vl. A sala de jantar, ampla e recheada de cerâmica artística, tem, sobre a mesa, um centro de bronze assinado por Thomire, famoso cinzelador do l Império Francês. No prolongamento da galeria ocidental, que se debruça sobre o Jardim do Buxo e termina na Horta do Reguengo, situam-se ainda as salas de música. A Armaria, ocupando grande parte das velhas instalações de D. Jaime, expõe colecções de armas brancas e de fogo, desde o século XV ao XlX, e alguns arneses, incluindo também espécies gentílicas, africanas e asiáticas. A cozinha é notável pelo extraordinário trem de utensílios de cobre que apresenta. É também de salientar a cocheira de D. João V, dividida em três naves, onde se admiram carruagens do antigo património da Casa real Brigantina: coches, berlindas, liteiras, estufins e o carroção de caça do rei D. Carlos. Na Biblioteca Real estão reunidos cerca de 50 mil volumes de edições raras.

 

Vila Viçosa

Apesar da sua estrutura geológica muito variada, o Alentejo distingue-se por uma simplicidade fisionómica que se destaca do território nacional como um quadro geográfico inconfundível. A planície e a periplanície são as suas feições dominantes.
Vila Viçosa encontra-se a 38 graus e 51 minutos de latitude Norte e a 9 graus de longitude, pelo meridiano dos Açores. Fazendo fronteira com os limites do seu concelho, A Noroeste fica-lhe Borba a 4Km de distância, e Estremoz, a 17 km. A Nordeste esta Vila Boim, a 20 km, e Elvas, a 27 km. Tem a este Juromenha e o rio Guadiana. A Sul está o Alandroal, distanciado 7,5 km. A Sudoeste fica-lhe Terena, a 16 km. O Redondo encontra-se a Oeste, a 20 km.
Vila Viçosa encontra-se numa planície ao sopé das vertentes orientais da pequena serra de Borba, onde se formam dois vales, pelos quais correm, na estação das chuvas, vários ribeirinhos, em direcção ao levante, indo depois unir-se e desaguar na ribeira de Borba. Foi ao vale do Sul que os portugueses chamaram Val Viçoso no tempo das conquistas aos mouros no Alentejo, e dali veio à povoação o nome de Vila Viçosa, quando recebeu o foral de concelho perfeito.
Vila Viçosa é também chamada Calipole. E os seus moradores dizem-se Calipolenses. Este nome foi-lhe posto por André de Resende nas suas “Antiguidades da Lusitânia”, escritas em latim, e, mais tarde, vulgarizado. O autor não encontrou melhor forma de verter para a língua latina o termo Vila Viçosa do que adoptando o nome já dado em grego a três povoações antigas, que tem significado semelhante ao termo português. No entanto, o vocábulo Calipole não se vulgarizou na sua utilização antes de 1640. A divulgação do termo deve-se ao Padre Bento Pereira que, ao contactar com a obra de André de Resende, associou o nome a Vila Viçosa, na sua “Prosódia Latina”, publicada em 1634, obra de grande circulação no meio estudantil. A vulgarização do termo ocorreu no século XVIII.
O local de implantação da actual Vila Viçosa terá sido ocupado por diversos povos até à sua romanização. É do período romano que datam quase integralmente os vestígios arqueológicos existentes da Vila Viçosa desses tempos recuados. O centro da antiga aldeia romana seria ao redor do Poço do Alandroal. Esse local terá sido o centro do aglomerado populacional existente até ao século XIII. Após o domínio romano, sobreveio, por volta de 715, a presença árabe, até 1217. Nesse ano, a aldeia sarracena é tomada aos mouros pelos cavaleiros de Avis, durante o reinado de D. Sancho II. Até 1267, é a Ordem de Avis quem administra estas terras, tendo o processo de repovoamento ficado comprometido por alguns anos, devido à inexistência de uma edificação que protegesse quem para aqui quisesse vir habitar. Até então, o local continuará a ser ocupado maioritariamente por mouros, agora sob a autoridade do Rei de Portugal.
No reinado de D. Afonso III, estende-se a linha de reconquista até ao Algarve, ficando com a posse definitiva do Alto Alentejo, e empenha-se este monarca na repovoação das terras incultas, desertas ou quase, dando-lhes forais a fim de atrair para elas colonos e consolidar as linhas de defesa do território. Em 1250 outorga foral a Estremoz, ficando a fazer parte do termo do seu concelho a aldeia dos bugios, que significa da mourama, dos mouros, que existia no local onde é agora Vila Viçosa, mais precisamente, localizada entre o que é hoje o Convento da Esperança e as ruínas do Convento de São Paulo. No entanto, devido à grande extensão territorial do concelho de Estremoz, este monarca achou conveniente talhar-se novo concelho no seu mesmo alfoz, com maiores vantagens e privilégios. Em 1267 começou a divisão de terras da futura Vila Viçosa. Nesse ano, D. Afonso III inicia, através dos sesmeiros, a divisão e distribuição de terras para construção de novas moradias, no ponto mais elevado do Vale Viçoso, denunciando esta opção intenção de fortificação e defesa do local.
A fundação do Mosteiro dos Agostinhos dá o necessário alento ao povoamento destas terras.
É em 1270 que o rei D. Afonso III concede carta de foral a Vila Viçosa, que, a partir de então, passa a constituir concelho. Este documento segue os moldes do de Monsaraz, que é do tipo de Santarém, como o de Estremoz. Os primeiros povoadores de Vila Viçosa já ali se encontravam estabelecidos. A atribuição da carta de foral ao pequeno aglomerado populacional existente reconhece a sua importância. Depois, aí afluem moradores provenientes dos concelhos limítrofes anteriormente criados, atraídos pelo vasto conjunto de isenções e privilégios de que podiam desfrutar em Vila Viçosa, bem como pela fertilidade dos seus solos.

No reinado de D. Dinis Vila Viçosa era ainda um pequeno aglomerado populacional, constituindo mais uma povoação característica do Portugal medievo. O burgo fortificado do castelo que entretanto surge traz a Vila Viçosa a segurança defensiva necessária para o seu desenvolvimento urbano e permite o inicio da evolução de uma experiência de ocupação do espaço singular. 
A partir do século XIV, dentro do seu Castelo, dionisino foi-se adensando a população calipolense que, com o andar dos tempos, transpôs as muralhas e o baluarte da vila.
As edificações medievais estão muito modificadas relativamente ao que foram originariamente, por isso, só podemos supor que seriam semelhantes às construções mais antigas que subsistem. A sua tipologia é a de casas térreas com poucas aberturas. No que se refere ao seu processo construtivo, utilizar-se-ia a taipa, técnica de origem árabe.
A nova área urbana de Vila Viçosa que começou a erguer-se a partir de 1270, teria arruamentos perpendiculares atravessados por vias paralelas à estrada principal de ligação regional, formando uma malha organizada, constituída por arruamentos estreitos e rectilíneos. A tipologia dos quarteirões é marcada por lotes de pequenas dimensões, estreitos e com poucas áreas abertas. Quanto à edificação, actualmente pode observar-se que as construções têm maioritariamente 2 ou 3 pisos, com aberturas regulares, feitas com recurso a alvenaria de tijolo. Das construções originais pouco ou nada resta. De salientar ainda que esta parte do aglomerado urbano sofreu transformações várias decorrentes de obras de fortificação militar realizadas nos séculos XVI e XVII.
A carta de foral de Vila Viçosa é, em 1512, reformulada por D. Manuel I, em resposta aos novos tempos e às novas necessidades, em termos de reorganização administrativa e de uma melhor estruturação da vida económica, que já muito se tinha desenvolvido desde o século XIII. A Vila Viçosa do século XVI é já um aglomerado populacional desenvolvido e em forte crescimento, económico e demográfico.
Vila Viçosa passou a pertença da Casa de Bragança em 1461. Por razões históricas pode-se considerá-la, então, Vila de Corte e, portanto, a que melhor reflectiu as estruturas do poder e foi alvo de maiores cuidados urbanísticos. Em Vila Viçosa se estabeleceu o centro dourado do poder dos Duques de Bragança. Durante os séculos XVI e XVII, brilhou a Vila Viçosa Ducal em todo o seu apogeu, de que ainda hoje são os seus monumentos e riqueza patrimonial impar disso excelso testemunho.
O estabelecimento da corte dos duques trouxe consequências de grande vulto ao desenvolvimento da vila, pois atraiu para ela, ao longo de dois séculos, um número elevado de funcionários da casa ducal, com suas famílias, e um importante afluxo de rendimentos provenientes do seu vastíssimo património espalhado por todo o país. Isso deu origem a um desenvolvimento económico e a características sócio-culturais sem paralelo noutras terras de dimensão semelhante. Permitiu também a construção de conventos e de edifícios nobres que deram a Vila Viçosa o seu aspecto inconfundível.
É a partir do século XVI, mais concretamente do ano de 1502, com o inicio da construção do Paço Ducal, e a subsequente mudança de residência do Duque D. Jaime para lá vindo do Castelo, que se desenvolve uma importante fase construtiva, ao gosto renascentista.
A instalação da Casa de Bragança no Paço do Reguengo, actual Paço Ducal, implicou igualmente a saída dos nobres da alcáçova do Castelo, que fixaram a sua residência perto do Paço. Este facto influenciou a formação de quarteirões de grandes dimensões, ocupados pelas casas dos nobres e respectivos jardins. É clara a influência da construção do Paço Ducal na expansão da vila. Por outro lado, o inicio da construção da Fortaleza Artilheira, em 1520, no ducado de D. Jaime I originou a demolição de várias casas e a destruição do castelo original, além de grande parte da muralha primitiva (medieval).
No conjunto, esta vila mantém ainda hoje características estruturais e arquitectónicas que a definem como um dos exemplos mais significativos do urbanismo português, concebido tomando em consideração o tecido unitário da vila visto como um todo.
A importância da arquitectura monumental em Vila Viçosa é indiscutível, visto que foi, em grande medida, a condicionadora do crescimento e ordenamento do património construído.
Cada monumento tende, de facto, a constituir-se como “atractor” de um sistema patrimonial mais vasto, no qual se inclui não apenas a envolvente imediata (urbana, rural, epirural), mas toda a rede de conexões relativas à vida material e simbólica com eles relacionada: a paisagem humanizada, o património “de proximidade” (estruturas não monumentais ou não classificados, identificadoras do território, como pequenos solares, habitações, cruzeiros, etc.) e o património difuso (cercado, muros, fontes, vestígios, etc..
Desde cedo Vila Viçosa revela um crescimento no qual se notam fortes preocupações urbanísticas, cujas directrizes se inserem numa verdadeira lógica de cidade, cuja génese se vislumbra na idealização conceptualizada pelo pensamento humanista dos alvores do período renascentista. D. Teodósio I, D. João I e D. Teodósio II dedicaram-se profundamente ao Humanismo. Enquanto Duques de Bragança, com Corte estabelecida em Vila Viçosa, a sua acção mecenática, que da bela Callipole emanava transparente, no estabelecimento, amparo e desenvolvimento dos estudos humanísticos em Portugal foi notável e teve consequências marcantes na cultura portuguesa.
Para além de importante centro de cultura, em Vila Viçosa personalidades de vulto, em visita à famosa Corte Literária dos Duques de Bragança, foram deslumbradas pelo luxo e opulência do Palácio Ducal, confirmando-o como único em toda a Ibéria, só comparável ao Paço Real de Madrid. Para além disso, é de referir que, depois da Casa Real em Lisboa, o Palácio de Vila Viçosa era a primeira Casa do Reino. No Palácio Ducal funcionava, não restam dúvidas, uma verdadeira corte do humanismo.   
Para além do mais, e além da cidade de Évora, o incremento do mercado artístico na província proporcionou que em outros núcleos regionais, como em Vila Viçosa, sob égide dos Duques de Bragança e da sua corte, se pudessem sediar mestres e oficinas de pintura, atraídos pelo ascenso de encomendas e pela revalorização da sua actividade. É o caso do pintor André Peres, um artista ligado à prestigiosa corte brigantina do Duque D. Teodósio II, e cuja obra vai sendo paulatinamente desvendada. De referir que a retablística que se pode observar nos templos de Vila Viçosa tem a particularidade de, na tipologia dos seus vários exemplos, apresentar um conjunto de notáveis retábulos dos mais variados tipos e características, que, no seu conjunto, abarcam exemplarmente a produção retablística europeia, do Renascimento ao Rococó, em todas as suas cambiantes e tipologias.
A análise da actividade artística da dinastia dos Braganças, no seu domínio de Vila Viçosa, pode proporcionar excelentes pistas de entendimento para a compreensão da arte portuguesa, em particular a do século XVII, e das suas singularidades.
A partir do ano em que o Duque D. João cingiu a coroa, como D. João IV, Vila Viçosa, entrou em hibernação e muitas das riquezas do seu palácio seguiram para Lisboa, para o Paço da Ribeira, de que o Palácio Ducal calipolense é semelhante e, após o terramoto de 1755, singular reflexo a que lhe falta o espelho lisboeta e parte do espólio que lhe pertencia por natureza.

Possui Vila Viçosa várias igrejas e conventos, de que são de salientar o Convento dos Agostinhos, a sua igreja e o Panteão dos Duques, Panteão das Duquesas, Convento das Chagas, igreja de Santa Cruz, o Convento da Esperança, a igreja da Lapa, a igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Convento das Chagas.
O Palácio Ducal, exemplar único de arquitectura maneirista, impressiona. A sua fachada, em estilo clássico, linhas sóbrias e rigor geométrico é revestida com o melhor mármore da região, o rosa dourado, que lhe dá um tom de conto de fadas à sua sobriedade monumental. O seu interior é opulento. A praça que o acolhe assume contornos cenográficos.
Fronteiro à Porta da Torre, mais ou menos a meio da actual Avenida dos Duques de Bragança que acompanha a cerca amuralhada desde os Agostinhos até à igreja da Esperança, ergue-se um dos mais belos e elegantes pelourinhos que subsistem em Portugal, constituindo um verdadeiro ex-libris desta Vila-Museu. Museus tem também Vila Viçosa muitos e variados, como o Museu de Arte Sacra, os museus da Fundação da Casa de Bragança (como o Palácio e os museus de Arqueologia e da Caça, no Castelo) e o Museu do Mármore.
Vila Viçosa foi e é berço de gente ilustre, vila de casas nobres, igrejas e conventos, cruzeiros e fontes.
Vila Viçosa foi pátria de algumas personalidades eminentes na história portuguesa, nas artes, literatura, ciências e na guerra,
Daqui é a alma de Florbela, onde a Literatura vive a sua mais alta inspiração poética, e de Túlio Espanca, cujo labor de estudioso ergueu com as mais belas pedras preciosas uma requintada obra de finas e deslumbrantes linhas onde se capta a verdadeira alma alentejana.
Casas nobres teve-as Vila Viçosa, e bastantes, porque terra de gente fidalga, conservadas até hoje. Exemplos mais sugestivos: Palácio Sousa da Câmara e Paços do Concelho, na Praça da República; Palácio dos Matos Azambuja, na Praça Martim Afonso de Sousa, a lembrar as loggias italianas; Casa dos Valejo de Mariz, com entrada pelo Rossio de S. Paulo, na esquina da Rua Martim Afonso de Sousa, antigamente chamada Rua de Frei Manuel, na Rua Florbela Espanca, a seguir à Praça da República, a Casa dos Machados e a Casa dos Mascarenhas, além da Casa de Cristovão de Brito Pereira, já no largo Mariano Prezado, onde também se encontra o Paço dos Condes de Redondo, ou Casa de Fernão de Sousa; Na antiga Rua dos Fidalgos, que corre do Terreiro do Paço até à Praça Nova, actual Praça da República, situam-se os antigos Paços dos Sanches de Baena, e o dos Silveiros Meneses. No Terreiro do Paço ergue-se o Paço do Bispo. Fora do perímetro urbano merece referência especial a Casa de Peixinhos.
A dois passos da vila ducal situa-se a famosa e histórica Tapada Real, prédio rústico integrado no antigo património da Sereníssima Casa de Bragança.
Foi Formosíssimo parque de distracções dos duques e de comitivas reais, que em seus horizontes divisaram fartos motivos de beleza e de diversão cinegética. “Famoso lugar de delicias” lhe chamou Lorenzo Magalotti, relator encarregado do diário da viagem de Cosme de Medicis pelas Espanhas, há mais de 300 anos. Sua extensão foi aumentando até se delimitarem as fronteiras, dentro das quais um autêntico paraíso terreal se ia criando a ponto de suas fontes, jardins e mais encantos terem inspirado um belo poema ao grande Lope de Vega. D. Luís de Meneses, no seu “Portugal Restaurado”, considerou-a “uma das maiores e mais abundantes de caça de toda a Espanha”.
Nela, a paisagem, alentejana, contém panorama dos mais belos da Natureza. A Tapada de Vila Viçosa é um pedaço do Alentejo onde se vive, a par da tradição enraizada no solo e nos habitantes, toda a magia desta província. 
O Património Cultural e Natural de Vila Viçosa é uma herança extraordinária que resulta de circunstâncias históricas excepcionais relativas a momentos altos da História de Portugal.
A Vila Viçosa encontram-se ligados acontecimentos de enorme relevância da história politica de Portugal e que em muito definiram o futuro da independência do reino de Portugal. Se Guimarães foi o berço de Portugal, Vila Viçosa foi pátria da Restauração da Independência portuguesa.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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