Distrito de COIMBRA

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Arganil – Cantanhede – Coimbra (capital e concelho),

Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Góis, Lousã, Mira,

 Miranda do Corvo, Montemor-o-Novo, Oliveira do Hospital,

Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure,

Tábua, Vila Nova de Poiares

 

 

 

O Distrito de Coimbra, pertencente na sua maior parte à província tradicional da Beira Litoral, embora vários concelhos da sua parte leste se dividam entre as províncias da Beira Alta e da Beira Baixa. Limita a norte com o Distrito de Aveiro e com o Distrito de Viseu, a leste com o Distrito da Guarda e com o Distrito de Castelo Branco, a sul com o Distrito de Leiria e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 3947 km² .Sede de distrito: a cidade de Coimbra.

«Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio)»: “O distrito de Coimbra é formado de uma parte da antiga província do Douro, tem uma superfície de 3.907 Km2 e uma população de 333.505 habitantes. Compreende 17 concelhos e 187 freguesias. Povoações mais importantes: Coimbra, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Condeixa. As principais serras são: Cebola (1.409 m altitude), Calcorrinho (1.242 m) e Lousã (1.202 m). É banhado pelos rios Mondego e seus afluentes, o Ceira, o Arunca e o Alva e pelo Zêzere, afluente do Tejo”.

 

 

Coimbra – (Capital e Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Coimbra – cantada e recordada

São séculos e séculos de História, cobertos por um lindíssimo manto de casario branco cruzado por muitas ruas, ruelas, escadinhas, arcos e becos que decoram a bela Coimbra. Abraçada por mim encantos e tradições, a cidade desce das colinas para beijar o seu eterno noivo, rio Mondego, que lhe tempera o clima nas lânguidas serenatas românticas, cantadas pelos estudantes de sedutoras capas negras, da sua secular Universidade.

As origens de Coimbra prendem-se decerto a longínquos tempos. Os escritores clássicos da Península referem-se a Aeminium, topónimo de origem pré-romana do Itinerário de Antonino veio mais tarde a herdar de Conímbriga o nome que hoje tem. O facto deve-se à transferência para Aeminium do bispo de Conímbriga. A Civitas Aeminiensis passou a ser conhecida por Coimbra, depois das transformações sofridas pelo topónimo.

Testemunhos arqueológicos e documentos escritos atestam já a existência, na época romana, de uma importante povoação no local onde actualmente se ergue a cidade. No início da Idade Média deve ter sofrido os ataques de alanos, suevos e visigodos, conhecendo, porém, sob o domínio destes últimos, uma certa prosperidade, com moeda própria. A conquista agarena não interrompeu a vida urbana, pois, entre outras notícias, sabe-se que dois bispos aqui residiram. Em 878 o conde Hermenegildo Mendes conquistou Coimbra aos mouros. Sucederam-se as vicissitudes de um longo período de lutas entre cristãos e muçulmanos até à reconquista definitiva por Fernando Magno, no ano de 1064. Recebeu o primeiro foral de Afonso Vl, rei de Leão e Castela. O conde D. Henrique, que assumira o Governo do Condado Portucalense em 1094, concedeu-lhe novo foram em 1111. A importância da cidade cresceu sob os governos de D. Raimundo, de D. Henrique e dos primeiros monarcas portugueses, sendo muitas vezes residência da corte e sede do Reino. Nela se realizaram cortes medievais, como as de 1211 e 1385. Durante este período, estabeleceram-se na cidade muitas ordens religiosas. Porém, o facto decisivo para a prosperidade de Coimbra, foi a instalação da Universidade. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1516. Quando das invasões francesas, foi tomada e saqueada pelas tropas de Massena.

O concelho de Coimbra, tem uma área de 44,475 Km2. É envolvido a N pelos concelhos de Cantanhede e Mealhada; a E pelos de Penacova e Miranda do Corvo; a S por este último e pelo de Condeixa-a-Nova; e a SW pelo de Montemor-o-Velho.

A Universidade e do desenvolvimento de Coimbra

Escusado será ressaltar a importância que teve a fixação da Universidade em Coimbra no seu desenvolvimento demográfico e na sua projecção nacional em todos os âmbitos, num movimento simultaneamente receptor e transmissor de cultura. O primeiro recenseamento, ordenado em 1527 por D. João lll, registou em 1329 habitantes na Capital do Distrito, número forçosamente elevado muito em breve com a fixação em Coimbra, dez anos depois, da Universidade, pois em 1540 contavam-se já 600 estudantes matriculados, muitos deles acompanhados de família e criadagem.

A concentração na “Luso Atenas” dos expoentes intelectuais portugueses e a convivência – sob a sua influência cultural, geração após geração – dos filhos das principais famílias beirãs, minhotas, transmontanas ou ilhoas, imprimiram à sua vida um cunho tão peculiar que bem se pode considerar como uma nova expressão nacional, de que cada “licenciado” era depois portador quer regressado ao solar paterno, quer partindo para lides políticas de Lisboa ou Ultramar, quer lançado em busca de glórias literárias.

E – partindo embora – todos iam a Coimbra um pouco de si próprios e da sua estuante juventude, quer na saudade deixada no coração de iludida tricana, quer na recordação de arrojada estroinice, quer num verso cantado em sentida balada ou mais tarde publicado em ignoto livro, tudo pedras – uma a uma – da soberba Catedral que constituem hoje a tradição Coimbrã, irredutíveis já perante séculos ou fronteiras.

Opiniões sobre o nome Coimbra:

«De “O Domingo Ilustrado (1898)»: “A origem desta famosas cidade não está completamente conhecida, pois são várias versões que dela existem. Querem uns escritores que Coimbra fosse fundada no sítio que actualmente ocupa, com o nome de Colimbria, sendo seu fundador Hérculos Líbio, filho de um rei do Egipto – Osíris.

Há também quem afirme que o primeiro da actual cidade foi Colimbriga, e a sua primeira fundação, foi em Condeixa-a-Velha, e não falta quem assevere que Colimbria e Colimbriga foram duas povoações diferentes e independentes uma da outra. Para estes, Colimbriga existiu onde hoje á Condeixa-a-Velha, isto é, a 12 Km ao sul de Coimbra … Consequentemente Colimbria seria a Coimbra de hoje.

A palavra Colimbriga parece ser composta de duas palavras celtas ou turdulas – coim – que queria dizer – campo ou arraial e briga, que quer dizer povoação.

Pedro Mariz opina que Coimbra vem de collis – colina e imbrium – das chuvas.

Outro investigador, o Dr. Miguel Leitão de Andrade pretende que havendo em tempos, que ninguém conhece, uma formosa princesa nesta cidade, era ela ardentemente amada por um esforçado cavaleiro. Tinha este envidado todos os meio para obter a mão da donairosa donzela, mas em vão o fizera, porque a tal se recusavam os nobres autores dos dias da bela. A esse tempo, lavrava enorme terror na povoação em virtude do aparecimento de uma terrível serpente que o povo chama Coluber. A formosa princesa participando do medo que a todos invadia mostrou desejos de ver o nauseabundo réptil reduzido à impotência. Então o ousado donzel armando-se de coragem atacou Coluber e matou-a, conquistando assim o coração e a mão da dama dos seus pensamentos.

Em memória do acto valoroso do cavaleiro fundou-se então uma cidade no mesmo lugar em que o réptil fora trucidado, e deu-se a esta nova povoação o nome de Coluber Briga que vem a ser a batalha da Cobra.

«Prof. Vasco Botelho de Amaral, “O Povo e a Língua” – 1949»: “ Coimbra veio-nos de Conimbrica. O Magistral dicionário de Quicherat regista isto que traduzo:

“Conimbrica, ae, f. Plin. Cidade da Lusitânia”

Este registo da forma Conimbrica é de importância, porque já tem havido quem se apegue unicamente à forma Conimbriga.

Com esta dualidade formal (Conimbriga e também, Conimbrica) ficam mais bem explicados os étimos conimbrigense e conimbricense.

A origem remota de Conimbrica ou Conimbriga ninguém sabe; mas o elemento brica talvez se prenda ao celta (com significado monte fortificado”.

 

Coimbra

     Localizada na sua magnífica colina, em posição altiva, encontra-se a bela Coimbra, terra de história e tradição. A seus pés correm em calmaria as águas do Mondego, formando como que um espelho onde a cidade reflecte toda a sua graciosidade.
A cidade viu crescer o seu primitivo núcleo de povoamento no cimo da frondosa colina da Alta que, além de fornecer uma excelente posição estratégica à cidade, constituía também um local de passagem quase obrigatório entre o Norte e o Sul.
    Relativamente à ocupação pré-histórica do burgo, permanece um silêncio inquietante. Continua-se no campo conjectural a que somente uma aturada investigação arqueológica poderá dar algumas certezas. Certezas essas que já encontramos no período romano.
     Aeminium - nome romano de Coimbra - tornou-se efectivamente uma cidade. O seu centro vital emanava do fórum, construído sobre uma plataforma que assentava num magnífico criptopórtico (pode ver-se esta espectacular obra de engenharia arquitectónica sob o actual Museu Nacional Machado de Castro). Além do fórum, sabe-se que o povoado viu emergir no seu perímetro urbano outros edifícios: arcos honoríficos, um aqueduto e, para gáudio dos espectadores das corridas de cavalos, embora as certezas nos escapem neste aspecto, um circo. Junto à via Olissipo- Braccara Augusta, actual Santa Cruz, é provável que se tenham construído umas termas ou banhos públicos.
    Os bárbaros haveriam de trazer com eles fortes perturbações, se bem que o esplendor da civilização romana tivesse atingido o seu termo. Os visigodos, meio romanizados, e sob os reinados de Recaredo, Liuva II, Sisebuto e Chintila, entre 586 e 640, conduziriam novamente a cidade, agora Emínio, ao equilíbrio e prosperidade.
    Em 711, os muçulmanos entram na Península e Coimbra não é esquecida. Transforma-se então sob o domínio árabe numa cidade mourisca e moçárabe. A vida decorre tranquilamente e, podemos dizer, que a região foi valorizada com esta presença de além-mar. Com efeito, a permanência destes homens de tez escura trouxe inovações importantes, não só ao nível da introdução de novas sementes e árvores, como nos próprios processos de cultivo e exploração agrária.
     Em 878 começam as primeiras tentativas de reconquista do território. O comando coube ao conde Hermenegildo Mendes que viu a glória esvanecer-se em fumo perante a grandiosa investida de Almançor em 987 para em 1064 ser, novamente, restituída aos cristãos chefiados por Fernando Magno. Coimbra renasce e transforma-se na cidade mais importante a sul do Douro e é capital de um vasto condado governado pelo moçárabe Sesnando. O conde D. Henrique e a rainha D. Teresa fazem dela sua residência e, na segurança das suas muralhas, nasce aquele que viria ser o primeiro rei de Portugal - D. Afonso Henriques.
    Com efeito, parece que a qualidade a elegeu como berçoiro, senão vejamos: aqui nasceram também D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando.
     A política nacional teve aqui também lugar de eleição. Em Coimbra reúnem-se as cortes, sendo de destacar as de 1385 onde João das Regras - legitimamente ou não - leva ao trono D. João I, Mestre de Vais. Á cidade ficou também ligada a tragédia, tantas vezes cantada em verso, da morte de Inês de Castro.
    O Românico e o Gótico viriam a erguer em Coimbra construções de inegável beleza: Sé Velha, Santiago, S. Salvador, Santa Clara-a-Velha. Os artistas elegem Coimbra e aqui desfilam nomes como: Mestre Roberto, Domingos Domingues, Mestre Pero, Diogo Pires o Velho e o Moço, Diogo de Castilho e tantos outros.
    O século XVI trouxe a Coimbra a instalação definitiva da Universidade e a fundação de inúmeros colégios que funcionavam como alternativa ao ensino oficial. É de salientar também neste período, a renovação que se registou no mosteiro de Santa Cruz, sob a chefia e a visão culta de Frei Brás de Braga. O seu nome haveria de ficar ligado à abertura da Rua da Sofia, sua obra capital, onde se concentraram inúmeros colégios: de S. Miguel, de Todos-os-Santos, de S. Bernardo, do Carmo, da Graça, de S. Pedro, de S. Boaventura, etc.
    Estrangeiros há que nesta época trabalharam em Coimbra e a eles se deve as primícias da nova arte que então se fazia: Nicolau Chanterene, João de Ruão e Hodarte, são os mais significativos.
    O aspecto desta Coimbra de Quinhentos pouco irá mudar até finais do século XIX. É certo que novas casas, colégios, igrejas se edificarão, a Universidade crescerá, mas o traçado urbano sofrerá poucas alterações.
    No século XVII lançaram-se as primeiras pedras das igrejas dos Jesuítas (actual Sé Nova), de S. Bento e do mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
    O reinado de D. João V deixou em Coimbra marcas que em muito a dignificaram: a torre da Universidade, a Biblioteca Joanina, o Parque de Santa Cruz e o início da construção do Seminário. 
     Há que contar, contudo, com uma excepção: as reformas operadas por o Marquês de Pombal. Sob a orientação deste estadista, desaparecem as muralhas do castelo, cria-se o Jardim Botânico, rasga-se a praça que tem hoje o seu nome e riscam-se os edifícios do Museu de História Natural e o Laboratório de Química.
    Coimbra sentiu na centúria de Oitocentos profundas transformações. Numa primeira fase, sofre as agruras das Invasões Francesas aquando da ocupação da cidade por as tropas de Junot e Massena, posteriormente a guerra civil entre absolutistas e liberais e, na década de trinta, a extinção das ordens religiosas retirou à cidade grande parte das casas religiosas que então dispunha. Na segunda metade do século XIX, Coimbra recuperaria o alento perdido. 1856 traz-lhe o telégrafo eléctrico e a iluminação a gás, em 1864, é inaugurado o caminho-de-ferro e, em 1875, constrói-se a ponte férrea. Temos assim no final do século, uma cidade milenar que abraça o progresso da era moderna.
    Todavia o progresso, por vezes, paga-se caro e Coimbra pagou um preço imerecido. Já no nosso século, na década de 40, uma parte da história da cidade é irremediavelmente amputada. Com efeito, a destruição quase completa da Alta para edificação dos novos edifícios universitários retiraram a Coimbra muito da sua história, da sua tradição, da sua poesia.
    Actualmente, Coimbra não pára a sua marcha em prol do desenvolvimento e do progresso. Fazemos votos para que este progresso e o bem estar populacional não seja feito à custa de barbaridades como as que foram acima focadas e Coimbra possa olhar o futuro sem nunca tirar os olhos do seu passado e da sua história.

 

 

 

 

 

Arganil – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Segundo a tradição, Arganil foi uma cidade romana denominada Argos. Em 1160 da era de César foi doada por D. Teresa à Sé de Coimbra e ao bispo da mesma cidade, conferindo-lhe o título de conde de Arganil.

Recebeu foral de D. Manuel l em 1514. No arquivo da Câmara Municipal conserva-se uma curiosa colecção de pesos, oferecida por este monarca.

Arganil, fica junto à Serra da Aveleira, numa planície da margem esquerda da ribeira de Folques. A Estação Arqueológica da Lomba do Canho, próxima de Arganil, atesta a sua existência na época do Epipaleolítico e na romana. Também junto à Capela de São Pedro têm aparecido materiais romanos, pelo que há quem pense que o primitivo núcleo populacional se devia encontrar aí. A vila e o seu castelo, hoje desaparecido, foram doados pela rainha D. Teresa aos bispos de Coimbra, que lhes deram foral em 1114.

D. Afonso V concedeu em 1472 ao bispo de Coimbra, D. João Galvão, pelos serviços prestados no Norte de África, o título de conde de Arganil, transmissíveis aos bispos de Coimbra, seus sucessores.

A Serra do Açor marca determinadamente o concelho escondendo riquezas variadas. A aldeia histórica do Piódão é um dos principais pontos de referência deste concelho, que tem uma área de 325,6 Km2. É envolvido a N pelos concelhos de Penacova, Tábua e Oliveira do Hospital; e E pelos de Seia e Covilhã; a S por Góis e Pampilhosa da Serra; e a de Poiares. Arganil foi conhecida pelos primeiros povos que habitaram a Península Ibérica, certamente pelo ouro dos aluviões do rio Alva. Situada entre os contrafortes dos montes da Serra da Estela, alimentada pelos rios Alva e Ceira, é uma região de incomparável beleza e valor paisagístico.

Sobre a origem do nome:

« J. de Vilhena Barbosa em “As Cidades e Vilas da Monarchia Portugueza que têm Brasão d’Armas” (1860)»: “Não há notícias positivas sobre a origem desta vila, mas não se pode duvidar de que é muito antiga.  Se dermos crédito a uma tradição que corre como certa entre os seus moradores, foi fundada pelos romanos, e chegou a ser sob o seu domínio uma cidade florescente com o nome de Argos. Os mouros na sua invasão, arruinaram-na e depois povoaram-na de novo, denominando-a Arganil”:

«Xavier Fernandes nos seus Topónimos e Gentílicos (1944)» :” J. M. Piel, embora com dúvidas inclui o nome entre os de origem germânica, como também fez G. Sanchs Cortesão, no seu Onomástico Medieval, diz que o nome era Villa Arganil e não resolve a questão do étimo que permanece obscuro”.

 

 

 

 

 

 

Cantanhede – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Segundo Fernão Lopes, foi em Cantanhede que D. Pedro l (Portugal) declarou solenemente ter casado com Inês de Castro, sendo então lavrado um auto perante um tabelião.

A raiz céltica cant do seu nome significa “pedra grande” e relaciona-se com as pedreiras próximas. Tem sido, ao longo dos séculos, terra de canteiros. Cantanhede é citada no testamento, datado de 1087, de D. Sesnando, governador de Coimbra, o qual por volta de 1080 teria mandado fortificar e povoar a vila. Tem-se dito que D. Afonso lll lhe teria dado foral, mas não há disso confirmação. De positivo apenas se conhece o foral outorgado por D. Manuel 1, em 1514. Foram seus donatários os Meneses, tendo sido D. Pedro de Meneses o 1º conde de Cantanhede, título criado em 1479 por carta de D. Afonso V. O 2º  conde, D. António Luís de Meneses, teve o título de 1º marquês de Marialva. A esta família se ficaram a dever alguns exemplares da arte do Renascimento existentes no concelho. Cantanhede é vila airosa, com algumas casas antigas do século XVlll e capelas alpendradas ou de fachada austera.

O concelho de Cantanhede é envolvido a N pelos concelhos de Mira, Vagos, Oliveira do Bairro e Anadia; a O pelo concelho da Mealhada e a S pelos concelhos de Figueira da Foz, Montemor-o-Novo e Coimbra. Neste concelho encontram-se as importantes pedreiras de calcário branco donde se obtém a chamada “pedra de ançã” que pelas suas qualidades é especialmente utilizada na escultura e na arquitectura.  

 

Cantanhede

Cantanhede é a cidade mais recente do distrito de Coimbra, tendo esta categoria apenas desde 1991, foi povoada no início do século XI pelo conde D. Sisnando, governador de Coimbra.
Primeiras ocupações :
   Existem vestígios neolíticos no concelho de Cantanhede. Por exemplo, em 1899, foi encontrado um dolmem de galeria dupla, no sítio da Moita (Outil), contendo mobiliário, duas machadas de pedra polida, um núcleo de cristal de rocha, uma face de sílex, um instrumento de pedra polida, vários fragmentos cerâmicos e muitos ossos humanos e ainda núcleo internos, e fragmentos de outros, de quartzo e quartzite).
   Os Romanos também deixaram sinais da sua presença. Assim, em Cordinhã apareceu uma mó. Em Vila Nova de Outil apareceram sepulturas escavadas na rocha (da época Tardo-Romana). Na Pocariça registam-se moedas romanas e sepulturas da época Lusitano-Romana. No Pinhal do Frade (Pocariça) existem notícias de sepulturas e tegulae ; na Pena encontram-se inúmeros vestígios romanos com centenas de moedas com a efígie dos imperadores e quantidades significativas de materias de construção e cerâmicas diversas, pressupondo a existência de um povoamento do século IV. Em Sepins e Murtede (Cantanhede) registaram-se vestígios romanos.
Nascimento de Cantanhede :

   Nos documento dos séculos XI e XII o aglomerado populacional aparece sob o nome de Cantoniedi, Cantonied, Cantonidi, Cantoniete que seria a variante de um primitivo genitivo e também de Cantonctu, Cantonhedo, Cantonhede, Cantonhedi e finalmente Cantanhede. O nome pode provir da exploração próxima da cantaria como material de construção, pois significaria quinta de canteira ou pedreira de canteira.
    Seria povoada desde a época romana. Foi ocupada pelos Árabes até 1064, data em que Fernando Magno, rei de Leão e Castela, conquistou Coimbra e entregou o governo da cidade e do seu território ao alvazir e conde D. Sisnando. As primeiras referências históricas de Cantanhede remontam a 1087, quando D. Sisnando mandou povoar os territórios recém conquistados. Posteriormente, a localidade passou para o domínio da Coroa até que D. Fernando a doou a João Gomes da Silva.
    Com D. Pedro, em 1358 já apareciam os « homens-bons » de Cantanhede, indivíduos de posição mais elevada que se reuniam, em concílio, para resolver questões de interesses do concelho.
    Em 1470, D. Afonso V fez conde de Cantanhede D. Pedro de Meneses, descendente do ramo dos condes de Neiva, recebendo em 1479 o reguengo de Cantanhede de que foram senhores durante três séculos.

«Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos – 1944)»: “É a antiquíssima Vila Cantoniede, isto é, quinta da pedreira. Em documentos dos séculos Xl, Xll e Xlll, aparecem as grafias Cantoniedi, Cantonidi e Cantonetu, além da primeira citada atrás, sendo todas correspondentes a um primitivo genitivo cantonieti, com uma raiz céltica, cant – pedra grande. A escolha do topónimo tem sido explicada pela constituição geológica do local, abundante de pedreiras”.

 

 

 

 

Condeixa-a-Nova – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Povoação antiga, há notícias da sua existência desde os começos do século Xlll. D. Manuel l elevou-a a vila e concedeu-lhe foral em 1514. Em 1811, durante a terceira invasão francesa, sofreu violento ataque e foi incendiada.

Condeixa-a-Nova já aparece assim mencionada em 1219, para se distinguir da outra Condeixa (a Velha). Só no século XVl foi elevado a freguesia. Conta-se que D. Manuel l passou por aqui em 1502, a caminho de Santiago de Compostela, tendo-lhe concedido posteriormente foral, a pedido dos seus habitantes. Foi uma das terras mais martirizadas durante a 3ª invasão francesa, tendo sido em grande parte incendiada, em 1811, pelas tropas de Massena, que não pouparam sequer a Igreja Matriz.Apesar deste desastre, ainda existem hoje na vila várias casas antigas, do século XVlll, cheias de carácter, sendo de destacar o Palácio Sotto Mayor, onde se hospedaram, na sua passagem por Condeixa, individualidades como D. Miguel, D. Maria ll, D. Pedro V e Alexandre Herculano.

« Do “Mensageiro das Casas do Povo (1949)»: “Distando cerca de dois quilómetros de Condeixa-a-Velha, ficava em fins do século XV, um casal, denominado Outeiro, situado no meio de terrenos pertencentes a diversos morgados e proprietários.

Em 1500, por ali passou D. Manuel 1, em romaria para Santiago de Compostela. A pedido dos seus habitantes, deu-lhe foro de Vila, mandou construir a pequena igreja, e mudou o nome para Condeixa-a-Nova”.

 

Condeixa-a-Nova

 

Pertencendo administrativamente ao distrito de Coimbra, o concelho de Condeixa-a-Nova compreende uma área de aproximadamente 140 km2, conglobando dez freguesias. Com uma população acima dos 15 000 habitantes, Condeixa-a-Nova oferece ao visitante, na sua salutar heterogeneidade, uma realidade física e sócio-cultural peculiar onde confluem e se harmonizam a ambiência urbana e a paisagem serrana, pensares e sentires que denotam a cumplicidade com o citadino bem como modos de vida, mormente agrários, que relevam de um forte apego à terra.
Muito embora caracterizado pelo predomínio de superfícies planas, o concelho surge enquadrado por um sistema montanhoso nas suas zonas sul e sudeste, sobretudo com as serras de Janeanes e do Furadouro. Inscrevem-se assim, no seu perfil geomorfológico, formações audazes que alteram inesperadamente a fisionomia natural do terreno, conferindo, porém, beleza e diversidade à paisagem; ao nível do solo, o calcário concrecionado é a nota dominante da região. O clima Mediterrânico e a abundância de águas correntes - ribeira de Alcabideque, Rio dos Mouros, entre outros - alimentam uma vegetação ridente e fecunda que conferiu, desde sempre, grande interesse paisagístico à região.
E a beleza paisagística do concelho permite, aliás, apontar vários locais de interesse a quem o queira visitar. Mercê dessa morfologia caprichosa e dos acidentes orográficos da região, o concelho exibe um património geológico de raro deslumbre; a prová-lo, estão a Gruta da Lapinha, as Buracas do Casmilo ou o Canhão do Rio dos Mouros. As serras de Janeanes ou do Círculo abrigam miradouros naturais que permitem desnudar o concelho, a um só olhar. A Reserva Natural do Paul de Arzila, onde coabitam inúmeras espécies animais, sobretudo aves, surge como espaço privilegiado para a observação da natureza.
Mas o concelho é também pródigo em património edificado, ou não houvesse sido este um centro de fidalguia, como o atestam os seus muitos palácios, concentrados na vila ou dispersos pelos seus próximos subúrbios. E, indubitavelmente, no cartão de visita de Condeixa-a-Nova figura, antes de mais, Conímbriga, reduto fascinante da História onde o apelo do passado se faz sentir vivamente!

 

 

 

 

 

 Figueira da Foz – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 


Temas sobre a Origem do Nome:
“Principiaremos pela interpretação do topónimo : Figueira da Foz. É indubitável que a explicação que mais depressa nos lembra é a de que, no lugar onde foi edificada a primeira casa, haveria uma árvore de fruto para ocultar a sua nudez. Quem assim o julgar, engana-se redondamente, como redondamente se enganam os que, iludidos pela homofónia de certas palavras, se persuadem que o nome Ferreira, de certos lugares, vem de ferro, quando a verdade é que vem de farria ou farraia, campo de trigo ou ervagens; que as denominadas Moreira vêm da árvore das amoras, quando vem de moraria, lugar habitado ou de residência; que as Oliveiras tiram o nome da árvore do azeite, quando esse nome vem de ulveira, lugar húmido ou pantanoso, do latim ulix, do qual derivou o nome da cidade e termo próximo de Lisboa, que antigamente e com melhor grafia se escrevia Olixbona, isto é, abundante de humidade, pois que a sua fundação pelo Ulisses é uma das mais descompassadas patranhas que os clássicos nos impingiram. Da mesma maneira o maior número de Pereira vem de pera, pedra ou penha, e não pêra, fruto.
O nosso geográfico, Figueira da Foz do Mondego, constitui um tríplice pleonasmo, como muitos os que abundam na toponímia peninsular devidos à circunstância de os muitos povos que em nossas terras viveram, irem impondo aos acidentes do terreno os nomes que na sua língua eram designados, conservando, porém, o nome que os povos anteriores lhes davam.
Assim, por exemplo, Ria de Aveiro, quer dizer duas vezes ria, em latim e céltico, em que ave ou que significa rio ou abundância de canais. Rio Guadiana significa rio, rio, rio, pois guad ou ouad é rio rm árabe, e ana o mesmo significa em língua púnica, fenícia e talvez céltica. Ponte de Alcântara significa Ponte de Ponte, pois el-kantara em árabe é o nome daquela obra de arte.
Ora, Figueira da Foz do Mondego, quer dizer boca da boca do rio, hoje chamado Mondego, pois Figueira não vem da árvore que dá figos, mas de fagaria ou fagueira, abertura, boqueirão, golfo; Foz vem do latim faux, abertura, boca, do radical grego fag, partir, quebrar, mastigar e por extensão tragar, e Mondego fracciona-se no germânico mud ,boca, foz eac, ou aqua, rio, ribeiro (está aqui a origem do apelido Ribeiro).  (Tem. Cor.  A.  Strecht Vasconcelos – 1940)”.
“A respeito das origens da Figueira da Foz, pouco se sabe ao certo. Afirma-se que o povoado precursor da actual cidade já existia anteriormente à época do domínio dos árabes e assim tinha de ser, se é verdade estes terem-no arrasado no ano 717, como aparece escrito em antigas publicações.
Reconstruído mais tarde, o antigo povoado esteve largos anos reduzido a simples freguesia, dependente administrativamente do extinto concelho de Buarcos, até que, em 13 de Março de 1771, no reinado de D. José, passou a ser uma vila com todas as prerrogativas que então eram próprias dessa categoria, em que se conservou durante cento e onze anos, pois, como ficou dito atrás, foi elevada a cidade em 1882, quando reinava D. Luís l.
A Figueira da Foz foi chamada DA FOZ evidentemente por estar situada junto à foz do Mondego, na sua margem direita, como, por exemplo, a outra Figueira, no distrito da Guarda, foi identicamente acrescentado também um determinativo (Figueira de Castelo Rodrigo). É por igual evidente que o composto toponímico Figueira da Foz se formou com dois elementos originariamente nomes comuns.  (Dr. Xavier Fernandes – 1944)”.
“Sobre a minha terra há de facto uma lenda que não tem grande sabor maravilhoso ou poético, como tantas que conhecemos doutras terras. Noutros tempos o estuário do rio Mondego era muito vasto e nas suas margens confinava terras de cultura que hoje estão transformadas em ruas, largos, uma avenida, etc.. Nesses tempos remotos, os pescadores do rio vinham desde Montemor-o-Velho até ao estuário. Próximo da Foz, costumavam prender os seus barcos a uma figueira então existente à beira do pequeno porto que penetrava numa dessas quintas. Deixando lá os seus barcos, diziam a quem lhes perguntava por eles que os tinham deixado amarrados à Figueira. Esta é a única lenda, que nada tem de maravilhoso. (Dr. João Oliveira Coelho – 1958)”.
A cidade da Figueira da Foz fica situada na foz do rio Mondego (o maior rio nascido em Portugal) e elevada a cidade em 1882, o seu povoamento resultou da evolução de uma localidade muito antiga, anterior à época luso-romana. Pertenceu ao concelho de Tavarede até 1759, data em que o cabido requereu a transferência da Câmara Municipal para a Figueira da Foz.
O concelho da Figueira da Foz apresenta-se com uma extensa linha de costa, desde a Leirosa, a sul, até aos castiços Palheiros da Tocha, já no concelho de Cantanhede. Interiormente, é limitado a leste pelo Mondego; pelo pequeno rio do Esteiro, ou de Foja, que banha ferreira-a-Nova, rega os campos de Maiorca e vais desaguar no rio Mondego um pouco acima de Sanfins, e pelo rio de Carnide, ou do Pranto, que vem do concelho de Pombal. O concelho da Figueira é cortado sensivelmente a meio pelo Mondego, que, já próximo da foz, se separa em dois braços, ficando no meio a ilha da Morraceira, constituída por terrenos de aluvião, na qual existe grande quantidade de salinas. O relevo mais importante neste concelho é a serra da Boa Viagem, que abrange as freguesias de Alhadas, Brenha, Quiaios e Buarcos e que o mar vem fustigar no cabo Mondego. Este é uma grande muralha calcária de altas escarpas sobre o mar, tendo no interior jazidas carboníferas, objecto de exploração mineira. O calcário é também explorado para o fabrico de cal hidráulica e cimento.
Toda a região foi povoada desde as remotas eras do Paleolítico, conforme se comprova por abundante material arqueológico recolhido e estudado.
Cedo deve ter havido também contactos com os povos do Mediterrâneo que demandavam estas costas. A ocupação no época luso-romana está igualmente documentada. Hoje, a região é densamente povoada por uma população que reparte o seu labor pela agricultura, pesca e algumas indústrias. Zona multifacetada, com as suas praias, matas florestais, porto, rio, campos do Baixo Mondego e serra, o concelho da Figueira da Foz está em intensa transformação, mas as suas gentes gostam de manter certas tradições, como os “Autos Pastorais do Natal”, que vão ganhando novas facetas com o tempo.
A cidade parece nova, mas afinal é um velho burgo de muitos séculos. Situada na foz do Mondego, rio abundante de peixe e molusco, o lugar que a Figueira da Foz ocupa deve ter atraído muito cedo o homem primitivo, que encontrava aqui meios fáceis de subsistência.
Efectivamente, a arqueologia comprova a ocupação deste local do Neolítico. Mas os primeiros indícios históricos da povoação  aparecem somente nos finais do século Xl. Trata-se de uma doação, feita em 1096 pelo abade Pedro à Sé de Coimbra, da Igreja de São Julião e das terras cultivadas e por cultivar onde existiram casas e uma torre de
defesa, outrora assoladas pelos piratas marroquinos, que ele povoara e restaurara por concessão do conde D. Sesnando.
A igreja foi origem do bairro ou povoação que durante muito tempo foi conhecido por São Julião, nome do patrono.
Em 1237, a Sé Conimbricense concedeu a três colonos o sítio da Figueira, confinando com São João e a Tamargueira, esta já do foro ou couto de Tavarede. O povoamento deste sítio deu lugar a que o citado bairro ficasse com o nome de Figueira, que veio a generalizar-se ao conjunto populacional. Outro documento, datado de 1339, refere o “lugar a que chamam a Figueira, na foz de Buarcos. Por estes documentos se vê que a origem da Figueira da Foz foi uma humilde povoação fundada pelos servos do cabido de Coimbra, que depois veia a alastrar pouco a pouco, apossando-se do pequeno monte que descia para o rio e, mais tarde, das suaves vertentes para a Salmanha e das pequenas encostas que sobem os topos do Viso (monte).
Na pequena povoação da Figueira fundou-se, em 1527, o Convento de Santo António, sendo seu instituidor Frei António de Buarcos. Logo em 1580 foi objecto de grandes violências e roubos, praticados pelos soldados de Filipe ll, a pretexto de descobrirem o paradeiro de D. António, prior do Crato. Alguns anos mais tarde, em 1602, foi Buarcos assaltada por piratas ingleses que vieram também saquear a Figueira, fortificando-se naquele convento e no Forte de Santa Catarina.
No século XVll, a Figueira era ainda um pequeno povoado. Todavia, logo nos começos do século XVlll verificou-se uma autêntica explosão populacional, provocada pelo extraordinário movimento do seu porto e consequente desenvolvimento da indústria da construção naval. No último terço deste século contava já com 1.000 fogos e também já era muito procurada por veraneantes e banhistas. Foi então elevada à categoria de vila por decreto pombalino de 1771.

Subordinada inicialmente ao couto de Tavarede, agregou, aquando da promoção a vila, os de Maiorca, Alhadas, Quiaios, Tavarede, Lavos, Buarcos e Redondo, e os concelhos situados ao sul do rio Carnide, junto ao moinho do Almoxarife, pertencentes a Montemor-o-Velho.
Em data que não se pode precisar foi construído o Forte de Santa catarina de Ribamar, assente nos rochedos do norte da foz do Mondego. Já devia existir, no entanto, no
reinado de D. João l, uma vez que os pescadores se queixaram a este rei do abuso do governador da fortaleza, que lhes tirava o peixe sem lhes pagar o que valia. Foi o forte ocupado pelos franceses, durante a 1ª invasão, dada a sua importância como ponto estratégico e como depósito de material de guerra. Mas estudantes de Coimbra e populares lançaram um contra-ataque sob o comando do tenente de artilharia e académico Bernardo António Zagalo, que apanhou o forte no dia 27 de Junho de 1808.
Muitos episódios curiosos da história da Figueira se poderiam contar relativamente às épocas das lutas liberais, da Maria da Fonte e das rivalidades políticas subsequentes.
Durante todo este tempo a vila não cessou de se desenvolver e, em 1882, foi elevada à categoria de cidade. Contribuíram para isso a abertura de novas vias de comunicação e a afluência cada vez maior de veraneantes. Nos finais do século passado e início deste construíram-se inúmeras moradias no chamado Bairro Novo.
A Figueira da Foz é um Dom da Natureza em que o mar, o rio e a serra se unem para lhe dar uma fisionomia única. A aliança entre a vastidão do oceano e a paisagem dilatada dos seus campos tem na serra da Boa Viagem o miradouro apropriado. A praia (um
imenso areal de areias douradas e macias) é chamada a praia da claridade, devido à luminosidade que tem. Constitui, por isso, um dos centros turísticos mais importantes de Portugal, cheio de vida durante a época estival.
É uma terra onde se come bem. As suas especialidades gastronómicas residem, como é evidente, no peixe e no marisco: espetadas de mexilhão; arrozada de amêijoas, canivetes e mexilhões; raia assada com batatas a murro; caldeiradas típicas de tainha, robalo, enguias e solhas. No plano dos doces, temos os penhascos de amêndoas, as argola folhadas e cobertas de açúcar, as fatias celestes, as brisas e os pastéis da Figueira. Mas os clássicos arroz-doce e leite-creme, feitos com requintes de rito ancestral, são autênticas delícias.
Mantêm-se ainda certos aspectos de tradição popular que no passado tanta importância tinham na vida das populações. O Natal e o Ano Novo eram festejados com a representação dos Autos Pastoris, além das cerimónias da praxe. No Dia de Reis era o Auto dos Reis e, na noite da véspera, a chegada dos mesmos, aguardados com grande alegria. No Carnaval, folgava-se com as cavaqueiras e os  badalos, e até na Quaresma, com a “sarra-a-velha” – não se dispensando a leitura do seu testamento, quase sempre em verso e com alusões engraçadas à vida local - , a “morte de Judas” e o “enterro do bacalhaus”.  Estes costumes ainda se conservam em algumas povoações rurais.
Salientam-se os festejos dos Santos Populares de Junho: Santo António, celebrado em toda a porte; São João, o de maior devoção dos figueirenses, e São Pedro, mais festejado em Buarcos, de que é padroeiro.
O rico cancioneiro é bem elucidativo da importância que as festas deste santo assumem. Elas atingem um dos seus momentos mais característicos no “banho santo”, que tem lugar na madrugada de São João e que arrasta muita gente na crença da cura milagrosa pelas águas do mar, bentas nessa noite.
FORTE  DE  SANTA  CATARINA: Pequena fortaleza destinada à defesa da barra, foi construída no fim do século XVl e apresenta uma curiosa forma triangular. No interior encontra-se uma pequena capela.
CASTRO: Entre a Figueira da Foz e Quiaios, a poucas centenas de metros a este do casal da Serra, num outeiro aplanado no topo, foram encontrados os vestígios de uma pequena fortificação da Idade do Ferro de forma ovalóide, com 128 metros de eixo maior e 85 . de eixo menor, provida de excelentes condições estratégicas e defesas naturais, completadas por uma muralha nos flancos mais acessíveis. As escavações efectuadas no princípio do século revelaram tratar-se de um povoado que denuncia uma ocupação limitada à Idade do Ferro, com influências ibero-púnicas. A parte visível limita-se a uma casa rectangular e restos de cabanas feitas com uma armação de ramagens ou varas, coberta de barro endurecido pelo sol, semelhantes às encontradas noutros povoados pré e proto-históricos de Portugal.

 

 

 

 

Góis – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Segundo a tradição, a vila foi povoada por D. Antão Vestaris, na época do conde D. Henrique. Possui foral concedido por D. Manuel l e datado de 1516.

A fundação da vila de Góis é atribuída ao tempo da rainha D. Teresa, tendo sido seu povoador Anaia Vestraris. Mais tarde, o senhorio passou para a família dos Silveiras, que viriam a ser condes de Sortelha. Situa-se em vale estreito e profundo, entre as serras do Carvalhal e Rabadão. A povoação propriamente dita encontra-se na margem direita do rio Ceira. A ponte manuelina de três arcos e dorso em corcova une os dois lados do rio. A sul eleva-se um morro alcantilado a 1045 metros de altitude,  de natureza silúrica que, visto a distancio, parece uma gigantesca pirâmide – o Penedo de Góis.

«Segundo, Joseph Marie Piel, de “Os Nomes Germânicos na Toponímia Portuguesa”»: “No sul há meia dúzia de localidades chamadas Casal de Goês, Montinho de Goês, Lugar de A dos Goês, etc., que não registo por serem posteriores à reconquista. Góes vem do patronímico em – ci de Om Goius 1258, forma latinizada de Goia que encontraremos logo como topónimos e de que temos documentado o caso oblíquo Goiam 984 e o genet. Em – anis Goiaes geogr. 1220. Sachs 65 quer ver neste último nome de lugar Goiam ser da mesma época. O elemento goi – procede do gót. “Gauja” o que habita num “pagus”, de gami … , região, distrito. Sachs 64 mistura-o com “deus”, apesar de Meyer-Lübke 1, 31, ll 23 a propósito de Goisenda ter chamado a atenção para esta raiz. A Goisenda deve acrescentar-se Goido 1092 (diferente de Godido 1258 !) Goimirus 964, Goioi 1040, Goirici 993. Nalguns casos não é possível distinguir-se o primeiro componente é Gauja ou Guj”.

 

Góis

Com uma área de 263 km2, o concelho de Góis é limitado pelos municípios de Arganil a Norte, Pampilhosa da Serra a Este e a Sul, Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande a Sudoeste e Lousã a Oeste. Góis é composto por 5 freguesias, nas quais residem 4.663 habitantes: Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira. O seu feriado municipal celebra-se a 13 de Agosto. Situa-se no vale do Ceira, entre as serras do Carvalhal e do Rabadão. É um concelho com mais de oito séculos de história. O povoamento deste território é bastante longínquo, pois podemos encontrar vestígios de povos primitivos nestas terras. Em 1516, esta vila teve direito a foral que foi concedido por D. Manuel I. Dos seus monumentos sobressaem Paços do Concelho, igrejas, capelas e pontes. É um concelho de agricultura, pastorícia e exploração florestal. No Concelho de Góis é produzida uma grande variedade de objectos de artesanato colheres de pau; casas em xisto, pintura sobre xisto, trapologia. Dos seus pratos típicos destacam-se as seguintes especialidades: Sopa de Castanha, Bucho, Enchidos, Chanfana e Cabrito. Doces típicos: Bolo da Várzea, Bolo de Góis, Tijelada, Arroz Doce, Filhós (coscuréis e belhoses).

 

 

 

 

 

Lousã – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Segundo uma lenda, foi seu fundador Arunce, rei de Conímbriga, contemporâneo de Sertório. A cidade situava-se, nessa altura perto do mar, pelo que era frequentemente assaltada e saqueada por navios piratas. Numa dessas ocasiões, o rei Arunce, forçado a abandonar a sua corte, foi refugiar-se com sua filha Peralta num castelo que mandara erigir em plena serra. Em redor desse castelo formou-se mais tarde a vila de Arouce – que em 943 era uma cidade de certa importância, aparecendo referida numa escritura de doação feita ao Mosteiro do Lorvão -, que os árabes pronunciaram Aloçan, donde derivou Lousã.

A Lousã recebeu o primeiro foral de D. Afonso Henriques e de sua mulhre, D. Mafalda, mais tarde confirmado por D. Afonso ll. Em 1513, D. Manuel l, outorgou-lhe foral novo, que lhe trouxe novos privilégios, marcando o início de um desenvolvimento que se prolonga até ao século XVlll.

A subida à serra, sempre verdejante e em grande parte cultivada e habitada, proporciona panoramas inolvidáveis. Do alto do Trevim, que fica a 1204 metros de altitude, abarca-se toda a zona centro do País. Não muito distantes, encontram-se a Capela de Santo António da Neve e os poços da neve do Real Neveiro, onde se recolhia a neve, transportada para Lisboa, para consumo da corte.

 

Lousã

Os mais antigos vestígios que testemunham a presença do homem na região, datam do período da dominação romana quando toda a Península Ibérica estava sob o jugo das hostes imperiais.
Romanos são alguns cipos funerários, telhas, tijolos, utensílios de vidro e metal, moedas, etc e, até restos de calçada que, em diversos pontos do concelho, foram encontrados sobretudo nas proximidades ou mesmo já dentro dos perímetros urbanos da Lousã e de Serpins. Sabemos hoje também que na serra e no Vale do Ceira houve nesses tempos remotos, explorações auríferas importantes.
Com as invasões dos povos de origem germânica, o Império Romano fragmentou-se e pouco a pouco foi-se apagando o brilho da sua civilização e da sua cultura, não só na cidade imperial, mas também por todas as províncias. Para atestar tal facto faltam-nos os testemunhos materiais e mesmo documentais.
Data de 943 um contrato realizado entre Zuleima Abaiud e o Abade Mestúlio do Mosteiro de Lorvão onde, pela
primeira vez, nos aparece o topónimo ARAUZ que designa a povoação mais importante dessa altura em toda a região, localizava-se junto ao morro onde se levantaria mais tarde o Castelo de Arouce. Lembremos que Coimbra era, nesse tempo, bem como seria ainda nos dois séculos seguintes, um importantíssimo centro moçárabe, com uma cultura viva e uma actividade económica bem mais desenvolvida que a das outras povoações a norte do actual território português.
Só com a pacificação do Vale do Mondego, já no século XI, é que o desenvolvimento da bacia da Lousã deve ter ocorrido, quando as gentes já não necessitavam de estar constantemente à sombra dos muros do Castelo para, rapidamente, se albergarem e refugiarem, ora do fossado vindo do norte, ora da algarada vinda do Sul.
Ao alvazil D. Sesnando ficamos a dever não só a pacificação do território e a sua defesa, mas também e principalmente a sua profunda reorganização, na qual se incluiu a construção ou reconstrução de diversos castelos, como o de Coimbra, e ainda os de Montemor-o-Velho, Penela, Penacova e naturalmente o da Lousã/Arouce. Se a História nos dá informações secas e precisas, já o mesmo não acontece com a lenda que envolve o passado num manto maravilhoso de enredos.
A origem da Lousã faz-nos viajar até ao tempo longínquo da dominação muçulmana, quando um rei ou um emir de nome Arunce teria fundado o castelo para proteger a sua bela filha Peralta, enquanto ele se encontrasse em campanha no Norte de África.
Os marcos fundamentais da História da Lousã
O território de Arouce, cujo Castelo já era mencionado no Foral de Miranda do Corvo (1136), é contemplado por D. Afonso Henriques com um Foral em 1151.
Num outro documento régio, em 1160, alude-se à Lousã independentemente de Arouce, bem como a Vilarinho, o que prova que a bacia lousanense e a escarpa de Arouce com o seu castelo eram realidades distintas.
Alvará de Licença de D. João III, de 23 de Maio de 1537, para os moradores da Lousã fazerem o Bodo de São João.
(original que se encontra no Arquivo Histórico da Biblioteca Municipal da Lousã.)
A Lousã, na Idade Média, continuou a prosperar e, como tantas outras terras do reino, viu o seu velho foral confirmado em tempo de governo de D. Afonso II, conjunto de normas, privilégios e deveres que estariam em vigor até aos alvores do Mundo Moderno pois só em 1513 viria a ser revogado com a entrada a 25 de Outubro desse ano, de nova carta dada por D. Manuel I.
Foram Senhores da Lousã:

D. João Afonso, filho bastardo de D. Diniz; o príncipe D. Pedro, duque de Coimbra, cujas tropas junto de Serpins e Vilarinho se prepararam para dar combate ao exército do seu meio irmão, o duque de Bragança, D. Afonso; Pedro de Góis; Pedro Machado; Francisco Machado; D. Jorge, filho de D. João II e fundador da Casa Ducal de Aveiro, entre outros. 
O Século XVIII e a Industrialização
Mas foi porém no século XVIII que a Lousã mais prosperou, passando de uma modesta e incaracterística vila a uma florescente povoação, com ruas ladeadas de novas edificações de bom traçado, onde viviam as famílias nobres. A criação local da indústria do papel, o Engenho de Papel do Penedo, e os seus produtos daqui saídos eram de tal qualidade, que já em 1716 fornecia a prestigiada tipografia da Companhia de Jesus de Coimbra, sendo depois grandes clientes das unidades fabris da Lousã, a Tipografia Académica fundada pelo Marquês de Pombal e a Casa da Moeda.
Outras fábricas se vieram a criar dentro dos limites concelhios. Em 1868 foi a vez da Fábrica do Boque ser fundada em Serpins, funcionando aí a primeira máquina de fazer papel contínuo que houve em Portugal. A Fábrica do Casal de Ermio funcionou entre 1853 e 1890, sendo depois adquirida pela Fábrica do Penedo e transformada em central eléctrica.
Outras indústrias foram a da fiação, nomeadamente em Foz de Arouce, e a produção de energia. Moagens, Licores, serrações, serralharias e diversas outras indústrias, que diversificaram a vocação essencialmente agrícola do concelho, em detrimento do sector primário.
A emigração, sem esquecer a imigração para Lisboa, iniciada para o Brasil em finais do século XIX, progressivamente alongada para os Estados Unidos e culminando mais recentemente, para a Europa, trouxe à Lousã uma nova perspectiva em desenvolvimento em várias áreas.
A inauguração do Caminho de Ferro em 1906, quebrou o isolamento com Coimbra. Complementado posteriormente com a abertura de novas vias de comunicação. Em 1924, foi inaugurada a energia eléctrica.
A Lousã e as Invasões Francesas
Momento difícil na vida dos habitantes da Lousã, desde há séculos habituados a uma vida pacífica, foi o das Invasões Francesas, no início do século XIX. As perturbações fizeram-se sentir principalmente por altura da terceira invasão, em Março de 1811, quando já se dava a retirada dos exércitos comandados por Massena. Esta retirada fazia-se pela estrada de Almeida, a estrada real que ligava a capital do reino a Espanha, e que passava pelas povoações de Miranda do Corvo, Foz de Arouce e Ponte da Mucela.
Com o fito de recolher fundos, isto é, efectuar pilhagens, alguns destacamentos desviaram-se do caminho normal em Arneiro e, na Lousã e noutros lugares da Serra, saquearam e destruíram casas, celeiros, igrejas, enfim tudo aquilo com que deparavam.
Da vila propriamente dita levaram muita prata da Igreja Matriz, nomeadamente a rica banqueta e a custódia que o Padre Cáceres havia doado ao templo, no século XVI, para além de bens de muitos particulares.
Como o rio Ceira levava muita água nessa altura, a retirada das tropas francesas teve de ser feita através da pequena ponte de Foz de Arouce, o que muito as demorou, permitindo a chegada dos efectivos do exército anglo-luso, constituindo um rude golpe para o inimigo. 
A Evolução Urbana da Lousã 
A área do concelho tem variado consideravelmente. Por exemplo, Serpins constituía um Município autónomo enquanto, em contrapartida, no lousanense chegaram a estar incorporados Semide, Rio de Vide e até Miranda do Corvo, posto que por breve período.
A vila tradicional circunscrevia-se a umas quantas ruas, em torno do largo da velha e desaparecida Matriz, dos Paços do Concelho e Tribunal, nomeadamente as que têm hoje os nomes de Viscondessa do Espinhal, das Forças Armadas e Rua Nova, onde aliás se podem ver os mais belos solares barrocos. Aí ficavam a Misericórdia e os outros edifícios de interesse público. Um pouco mais despegado estava o Casal do Rio ( Casal dos Rios) com o seu belo palácio e moradas envolventes.
Praticamente, só no fim do século XIX é que a Lousã começou a transbordar do espartilho setecentista, abrindo-se novas artérias que foram permitir a expansão das vivendas para locais mais desafogados, e também para a construção de importantes equipamentos colectivos: o Hospital, a funcionar desde 1888; a nova Igreja Matriz, também do fim do século; o matadouro, de 1893; o velho Teatro, etc.
Porém, na última década, o espaço ocupado pela vila quase duplicou, ganhando novas áreas, sempre desafogadas e de correcto traçado, onde se edificaram os modernos bairros habitacionais, estabelecimentos de ensino primário e secundário, o quartel dos bombeiros, o novo palácio da justiça etc.
Apesar da fácies moderna destas zonas, o casco antigo continua convenientemente preservado, com as suas velhas casas apalaçadas, de janelas de belos e recortados aventais, de imponentes portais e de orgulhosos brasões nas vergas interrompidas.
Lado a lado coexistem os testemunhos de um passado querido e o produto da dinâmica dos dias de hoje e das gentes empreendedoras.
Sem estar ligado ao urbanismo da sede do concelho, há um tema que poderemos aqui citar. Trata-se do abandono das aldeias encravadas nas encostas de imponentes declives e que pouco a pouco, estão a ser recuperadas para Turismo e habitação secundária ou lazer quer por nacionais quer por estrangeiros.

 

 

 

 

 

Mira – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

A sua fundação é atribuída aos romanos. Foi habitada pelos árabes, que lhe deram o nome actual. Corruptela da palavra “mir”, ou “emir” que significa senhor. Em 1095, foi dada pelo conde D. Raimundo a Zolema Godinho. D. Manuel l, concedeu-lhe foral em 1514.

Os pinhais sucedem-se um pouco monotonamente, desde as dunas de Quiaios. Para além do seu valor intrínseco como floresta, desempenham o importante papel de fixar e deter o avanço das areias da beira-mar. A 3ª invasão francesa destruiu grande parte da floresta de pinheiros marítimos que então existia.

«Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “A fundação de Mira é atribuída aos romanos. No tempo das invasões árabes foi por estes habitada, que a baptizaram com o nome que ainda hoje tem. Mira é corrupção da palavra árabe Mir ou Emir, que quer dizer príncipe, chefe, senhor. Os árabes, dando-lhe este nome, quiseram distingui-la pela sua beleza, situação e amenidade do clima, chamando-lhe Terra do Senhor”.

 

Mira

Os indícios de vestígios antigos da vida humana no Concelho de Mira remontam a épocas antiquíssimas. Da época romana foram encontrados alguns materiais de construção, nomeadamente tegulae (telhas) e cerâmica doméstica. No período Muçulmano esta região terá sido palco de guerras entre cristãos e árabes quando estes dominaram Coimbra e zona envolvente. E a influência árabe foi nítida, tendo mesmo a região um dos maiores focos de moçarabismo de toda a península.
É a partir da última conquista de Coimbra aos árabes, em 1064, que melhor se conhece a História das terras de Mira. Terá sido o primeiro Governador de Coimbra, o moçarabe Sisnando que entregou as terras de Mira a Soleima Godinho, sendo a posse confirmada em Fevereiro de 1095, por D. Raimundo e D. Urraca, então Senhores de Portucale.
A partir da construção do mosteiro de Santa Cruz estas terras passaram para a sua posse sendo arroteadas, valorizadas e levando à criação de novos povoados. Em 1442 D. Pedro (Regente de Portugal e Duque de Coimbra) concede autonomia administrativa à Vila de Mira e diversos privilégios para fixar população e desenvolver o lugar.
D. Manuel I concede foral de Mira em 28 de Agosto de 1514, e dá a administração da Vila a Gonçalo Tavares, o primeiro senhor de Mira. 
Manteve-se o senhorio de Mira na Família dos Tavares até ao séc. XVIII, quando passou a integrar a Casa das Rainhas. E aí se manteve até à extinção do regime senhorial, em 1833.
Armas do Concelho de Mira
O brasão do concelho foi aprovado pela Portaria N.º 7.748, de 16 de Janeiro de 1934.
De negro com um ramo de espigas de milho folhadas e atadas em ponta, tudo de ouro. Bordadura cosida de verde carregado, de oito conchas de ouro, realçadas de negro.
Coroa mural de prata de quatro torres.
Listel branco com letras de negro.
O negro em heráldica representa a terra e significa firmeza e honestidade; por consequência, fica assim simbolizado o valor da terra e dos seus naturais que com o seu esforço, a sua firmeza e a sua honestidade trabalhadora, tiram da terra o seu alimento para a sua manutenção.
O ramo de espigas de milho, representando a agricultura local, é de ouro, por este metal significar fidelidade, constância e liberalidade, qualidades bem salientes daquela vida regional.
A bordadura é de verde porque esta cor simboliza o mar e o mar é uma das grandes fontes de riqueza da Vila de Mira. Ainda o verde significa fé e esperança razões porque os habitantes de Mira mantêm pelo mar: fé e esperança de que terão ali sempre um dos grandes recursos para manterem a sua existência.
As conchas, representativas da produção do mar, são de ouro, porque sendo este metal o mais rico na heráldica, simboliza, a fortuna sem limites que a pesca apresenta.
Bandeira amarelada. Cordões e borlas de ouro e de negro. Lança e haste dourada.
Pelourinho de Mira
Os Pelourinhos eram padrões dos concelhos e símbolos da liberdade e autoridade municipal. O Pelourinho encontra-se na Praça no Centro da Vila. O monumento é elemento de pouca dimensão e possui um único degrau circular com o bordo superior boleado. No degrau pousa uma pequena placa, alusiva à sua reconstrução. A base da coluna é de forma circular de feição lisa, seguida de um tronco de cone cavado, com rebordo superior e inferior bem salientes e boleados.
O fuste desenvolve-se em forma cilíndrica, liso de acabamento. O topo é completado com uma série de aneletos seguidos de um elemento cilíndrico com o mesmo diâmetro do fuste, mas com pouca altura, que possui uma emenda a meia altura.
O remate com a forma de taça de bom diâmetro possui o bordo superior moldurado com formas dentilhadas. Do meio deste elemento parte uma grimpa de ferro em forma de cutelo.
Monumento Classificado pelo IPPAR, 1933.
Igreja Matriz de Mira
A Igreja Matriz de Mira foi construída em 1690 por ordem do Bispo D. João de Melo. Tendo sofrido uma reforma profunda no Séc. XIX, voltando a receber intervenções em 1972 e 1981.
De arquitectura religiosa, barroca e oitocentista, é um típico edifício provinciano do final de seiscentos, da planta longitudinal e paredes muito planificadas, reformado em oitocentos, destaca-se no interior os azulejos rococó. As pintufras do tecto são setecentistas com retábulos de transição do Séc. XVII/XVIII. Os azulejos são de fabrico Coimbrão. As janelas e empena do Séc. XIX bem como o 2º corpo da torre.
Exterior
Planta longitudinal de nave única; fachada com torre sineira adossada a S, enquadrada por cunhais rusticados; pórtico, rectangular com 2 volutas enquadrando um nicho com escultura do Padre Eterno encimada por dois janelões e óculo.
Interior
Tecto de madeira em caixotões com pinturas de rótulas; 2 capelas laterais; paredes da nave revestidas a silhares de azulejos formando 13 composições com cenas da Paixão; retábulos com colunas salomónicas ornadas de parras.

 

 

 

Miranda do Corvo – (Concelho e Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, desempenhou um importante papel como praça-forte durante a reconquista cristã. Em 1116 foi tomada pelos mouros, mas vinte anos mais tarde estava novamente em poder dos portugueses. Nesse mesmo ano, recebeu carta de foral de D. Afonso Henriques.

Do Castelo de Miranda do Corvo, assediado e conquistado pelos mouros em 1116, apenas subsiste uma torre, transformada em sineira; mas do alto do cabeço por ele ocupado, o Alto do Calvário, poderá admirar-se uma agradável vista sobre a vila, situada na confluência dos rios Alheda com o o Dueça e, cercada de montanhas verdejantes, pontilhadas de povoados.

Foi muito próspera na vila, nos séculos XVl e XVll, a indústria de olaria de barro vermelho.

«Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “A origem do nome é certamente latina: virá de mirandus (atalaia ou miradouro), que corresponde à primitiva função do cabeço, onde foi construído o castelo e onde hoje se vê a igreja matriz. Chamou-se nos começos do século XVl, Miranda dapar de Coimbra, e ainda dapar de Podentes e só no 3º quartel desse século se começou a chamar Do Corvo, que era povoação próxima, ao tempo muito importante por localização na estrada real para a Beiras que a fazia centro de estalagens e mudas de animais”.

 

Miranda do Corvo

O concelho de Miranda do Corvo situa-se no Distrito de Coimbra, 25 Km a sudeste desta cidade, confinando com os concelhos de : Coimbra, Poiares, Lousã, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Penela e Condeixa-a-Nova.Composto por 5 Freguesias e abrangendo uma área de 126,98 Km², a sua densidade populacional é de 91,9 habitantes/Km².
O concelho tem uma área quase sempre montanhosa. Do lado nascente e sul fica o maciço da Serra da Lousã, que vai até à Serra do Espinho, onde se atinge a altitude de 963 m, até às povoações da Serra de Vila Nova, onde se confronta com os concelhos de Penela e Figueiró dos Vinhos. Para o Norte do concelho fica a Serra de Semide, que atinge o seu ponto mais alto no "castelo", com 413 m, próximo da povoação do Senhor da Serra. A Poente fica o ponto mais elevado, o "cabeço", que desce a um planalto onde fica a freguesia de Lamas. É na bacia contornada por estas montanhas que se situa a vila de Miranda do Corvo e algumas das povoações mais importantes.
O concelho é banhado por 3 rios: o Alheda (nasce perto da povoação do Gondramaz e desagua no rio Dueça, a jusante do açude do Panão, com um curso de 8 Km), o Dueça (tem a sua nascente na costa oriental do Monte Vez, em Penela, mas a maior parte do seu curso é no concelho de Miranda, onde entra no lugar da Retorta, até ao fundo do lugar do Vale do Açor, acabando por desaguar no rio Ceira, junto à povoação com o mesmo nome) e o rio Ceira (banha a parte Norte do concelho, desde Segade até ao Cabouco). Estes rios foram um importante factor de fixação das populações, pois além de irrigarem os campos das sua margens, forneciam a energia para a laboração de lagares, azenhas e engenhos de linho, apresentando também nos seus cursos alguns pontos de rara beleza. 
UM POUCO DE HSTÓRIA
A fundação do Município de Miranda do Corvo remonta aos primórdios da nossa nacionalidade, quando D.Afonso Henriques concedeu a carta de firmeza e de foro a Miranda , a Uzberto e esposa, em 19 de Novembro de 1136.
A importância estratégica de Miranda foi reconhecida pelo monarca que decidiu reconstruir o castelo, arrasado vinte anos antes pelas tropas sarracenas.
Erguendo-se o castelo no morro ladeado a nascente e sul pelos rios Alheda e Dueça, este dominava a saída dos vales destes rios e a passagem natural entre a Estremadura e as Beiras, já referida pelos Romanos, que era a estrada de Tomar a Foz de Arouce, cujo perfil ainda se detecta em alguns pontos, designada por Estrada Real.
A carta de firmeza e de foro concedida por D.Afonso Henriques em 1136 viria a ser confirmada por meio de carta autenticada com selo de chumbo em 1217, por D.Afonso II. O foral de Miranda do Corvo reveste-se de grande importância na história dos forais portugueses, pois este foral é o precursor da transformação do pagamento das penas em dinheiro, abandonando-se progressivamente as penas corporais.

 

 

 

 

 

Montemor-o-Velho – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

A vila é de origem muito antiga, pois vários achados arqueológicos confirmam a ocupação deste lugar já no tempo da dominação romana. Confirma-se também a hipótese de ter tido ocupação visigótica.

Em 1212 recebeu foral concedido pelas infantas filhas de D. Sancho l e quatro anos depois, por burla do papa Inocêncio lll, passou a pertencer à Ordem dos Templários.

Montemor-o-Velho, o Monte-Mayor dos trovadores medievais actualmente é coroado apenas pelas ameias do castelo, um dos mais belos de Portugal. A povoação desceu pelo monte, para a margem direita do rio Mondego. Entretecida de lendas desde a época romana, desde os ferozes combates entre a mourisma e os cristão, nos quais se destacam os feitos do abade João, seu valoroso defensor, até às lutas internas entre D. Afonso ll e as irmãs ou D. Dinis e o filho, a sua, a sua história extraordinariamente rica e movimentada.

Montemor, que durante séculos foi terra do Infantado, ostenta inúmeros vestígios da sua antiga importância.

Opiniões sobre o nome:

«Do “Domingo Ilustrado” de 1898»: “Esta importante povoação está edificada nas abas de um monte do qual lhe provém o nome, na margem direita do Mondego, em formosa situação”

«J. Vilhena Barbosa,  “As Cidades de Villas Portuguezas que têm Brasão d’Armas – 1860»: “Sob o governo dos nossos primeiros reis chamavam geralmente a esta povoação Terra do Infantado, em razão de se achar sempre na posse dela algum infante. Depois principaram a denominá-la Montemor-o-Velho para diferença da outra vila de Montemor-o-Novo”.

 

 

Montemor-o-Velho

Era um monte agreste e inculto,
que a natureza engastou,
para um altar do seu culto,
no que mais belo encontrou!
E, mais tarde, povo adulto,
olhando, ufano a planície
do Mondego, aos outros disse:
«Olhai p'ra esta lindeza!
Prestai culto à Natureza!
Qualquer de vós é menor!...»
Fica Verride calado...
Reveles teme o soldado...
e só Maiorca, assomado,
contestou Monte-Maior (1)
(1) José de Ornelas da Fonseca Nápoles, 1892. 


 

Montemor-o-Velho é uma vila com profundas raízes históricas. A sua fundação perde-se nas brumas do tempo. sabe-se, ao certo, que durante o domínio árabe - séc. VIII a XIX - a povoação era conhecida por Munt Malur, sofrendo o topónimo algumas evoluções, até chegar à designação actual.
Devido à sua localização geográfica e à fertilidade dos campos, Montemor foi alvo de inúmeras disputas entre mouros e cristãos. Foi neste caudal de lutas incessantes que a povoação cresceu em importância histórica, afirmando-se o velho castelo no alto do monte como testemunho imortal.

Os eventos dessas idades remotas contribuiram para a efabulação de lendas. Na generalidade, as lendas subsistem na memória colectiva, ao longo dos séculos, propagando-se or via oral. Montemor-o-Velho pode orgulhar-se de as suas lendas terem sido aproveitadas pela literatura, principalmente no período do Romantismo. Hoje, o património literário traduz a imponência histórica de Montemor.
Depois da Reconquista Cristã, Montemor continuou pujante na construção da sua grandeza histórica. Em 1212, D. Teresa, filha de D. Sancho, atribuiu Carta de Foral à vila, designando-a por Montis Maioria-o-Velho. Nos séculos subjacentes construiram-se muitos edifícios - Convento dos Anjos, Igreja da Misericórdia, Hospital Velho e outros -, hoje considerados de grande valor arquitectónico.
Montemor registou algumas figuras ilustres: o viajante Diogo de Azambuja, sepultado no Convento dos Anjos; os escritores Jorge de Montemor, Fernão Mendes Pinto, Francisco de Pina e Melo, Afonso Duarte; e a actriz Ester de Carvalho, patrona do Teatro de Montemor.
António Breda Carvalho, in "Montemor-o-Velho - Percursos Literários"; edição da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, 1996

 

Os Degolados de Montemor-o-Velho
— Lenda coimbrã nas palavras deste vosso companheiro de pena.

Esta lenda aconteceu em tempos muito antigos, quando, em 848, Montemor-o-Velho foi retomada aos Mouros pelo rei Ramiro de Leão. Depois da contenda, o soberano de Leão resolveu visitar um seu parente, o abade D. João, que vivia no Mosteiro de Lorvão. Aquando da sua chegada, apurou que o Mosteiro estava em ruínas e que os frades viviam na mais plena mofina, cheios de fome e de frio, devido às conflagrações ininterruptas que assolavam a região. Querendo beneficiar os devotos, doou-lhes as rendas de Montemor e alguns campos em redor da vila, com a condição de no Mosteiro quedarem alguns monges-guerreiros para defesa da vila. Passado algum tempo, os sarracenos voltaram a atacar e sitiaram Montemor durante muito tempo, começando os bens a escassear. Com a ameaça de uma rendição forçada e temendo os vitupérios que seriam feitos aos velhos, às mulheres e às crianças, cada homem reuniu a família e, ordenando as suas almas a Deus, degolou todos os seus membros, um a um, com o coração atassalhado. Após este acto sangrento prepararam-se para a derradeira pugna, no exterior da fortaleza, na qual tinham a convicção de perecer. Mas, para grande surpresa de todos e talvez porque extinta a família já não tinham nada a perder, os cristãos pelejaram sem medo e venceram esta batalha. Desolados, os homens choraram a vitória pelo sacrifício vão das suas famílias mas, quando se abeiravam das portas da fortaleza gritos de alegria ecoaram no ar. Aguardavam-nos vivos os parentes que antes tinham sido degolados e este grande milagre ficou para sempre na memória do povo português através da lenda dos Degolados de Montemor-o-Velho.

 

 

 

 

Oliveira do Hospital – (Concelho de Coimbra)

 

 

 

 

Povoação muito antiga, foi doada por D. Teresa à Ordem do Hospital, facto que deu origem a este topónimo. D. Manuel l, outorgou-lhe foral novo em 1512.

Pertenceu aos cavaleiros do Hospital, mais tarde chamados de Rodes e de Malta. Aqui nasceram algumas figuras notáveis da Ordem. Situa-se numa suave vertente do rio de Cavalos, em região planáltica com cerca de 470 metros de altitude, já nas faldas da Serra da Estrela.

«Do, Arquivo Nacional – 1936»: “É vila de fundação anterior à nacionalidade e, segundo Fr. Anastácio de Figueiredo, o seu nome tem origem em que a vila de Oliveira foi pertença da Ordem de Malta, que primitivamente se chamou dos Hospitalários de São João de Jerusalém, e como no País havia outras terras denominadas Oliveira, para diferenciar esta das outras se lhe chamou Oliveira do Hospital.

 

Oliveira do Hospital

Oliveira do Hospital, 4 de Agosto de 1934
Texto publicado em 1934 na publicação semanal " Voz de Oliveira "


No primeiro quartel do século XII existia em terras de Seia, uma insignificante pobla (póvoa) tendo a Este a aldeia denominada Sampaio de Garamácios, e a Oeste a conhecida pelo nome de Bonadela ambas paroquias autónomas. Essa pobla era situada no pendor Sudoeste duma colina, em cujo sopé meridional se estendia um comprido vale de terreno alagadiço e pantanoso, qu vinha contornando, desde Nordeste de Sampaio até Sudoeste da dita pobla. Pelo decorrer do tempo veio a desaparecer esse grande pantano ou ulveira ( do latim ulvária derivada de ulva alga vegetação palustre, + suf.-aria) pela abertura duma vala longitudinal, que se colheu e esgotou as aguas, que até ali enxarcavam os terrenos, e pelo rasgamento duma abertura ao fundo, por onde as
aguas ficaram tendo francasaida precipitando-se pelo salto da Quebrança no vale da Bovadela. Foi dessa grande ulveira, que a pobla, a que nos vimos referindo, tomou o nome, porque era conhecida a designada - Ulvária, depois de Ulvaira e por Ulveira. A rainha D. Teresa, mãi do primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques aí pouco depois do ano de 1120, doou uma herdade que possuia entre Ulveira e Bovadela, à Ordem do Espital de S. João de Jerusalem. Seria grande e importante, ou pequena e pobre essa herdade ? Não se sabe, pois não temos outros esclarecimentos. Pelo nome de herdade se designava, tanto uma propriedade pequena e insignificante, como uma grande, e até um conjunto de propriedades, por vezes separadas e sitas em lugares afastados uns dos outros.Seja como fôr, essa herdade, sita a Ocidente de Ulveira, mas no seu termo, foi o embrião que, desenvolvendo-se, veio a dar umas das mais importantes comendas, que a Ordem dos hospitalarios possuiu em Portugal. Senhora desta herdade em Ulveira, a Ordem do hospital principou logo a alargar os seus dominios nesta região, por compras, doações e outras formas de aquisição de terras, casais, jurisdições etc., e isto tão rapidamente, que em breve toda a pobla de Ulveira e o território circundante era pertença dos hospitalarios, com excepção apenas dum ou doutro casal, pouquissimos que continuaram sendo realengos. O proprio padroado eclesiastico da igreja, paroquial de Sanhoane (S. João) de Ulveira, era da Ordem, e o facto desta primitiva igreja Ter por titular S. João, patrono da Ordem de S. João de Jerusalem, ou do Hospital, faz-nos suspeitar, que seria por esse tempo que a pobla se erigiu em paroquia, sendo já a Ordem que construiu e fez benzer a respectiva igreja paroquial. O que é certo é que, daqui em diante, esta aldeia de Ulveira, para se distinguir doutras povoações de igual denominação entre as quais de contavam duas aqui bem perto - S. Miguel de Ulveira (hoje Vila Nova de Oiiveirinha) e Ulveira do Conde (agora Oliveira do Conde) principou a ser chamada Ulveira do Espital, decorando se com o nome da Ordem a que pertencia e os seus habitantes, caseiros ou foreiros dos hospitalarios, eram comumente designados pela denominação especifica de homens do Espital. Não era a paróquia constituida apenas pela aldeia de Ulveira do Espital. Mais trez aldeias, colocadas nos vertices dum triangulo, dentro do qual ficava Ulveira, formavam a paroquia com a sede nesta, que era central. Havia a sul a aldeia de Garamácios, onde em tempo de D. Afonso Henriques residiu Dom Chavão (Domuns Flaviano), rico homem das terras de Seia, isto é, o chefe, o governador civil, o representante do rei no vasto distrito de Seia, o qual vivia habitualmente na sua casa de Garamácios com grande ostentação e numerosos familiares - parentes, soldados, peões, cavaleiros, criados, servos, etc., etc. Era ele que tinha os direitos de padroado eclesiastico na vizinha paroquia de Sampaio, a qual ainda hoje conserva, de Sampaio de Garamácios ou de Gramaços. A aldeia onde morava Dom Chavão, nada tinha com a Ordem do Hospital. O rico-homem, e depois os seus descendentes e herdeiros, nenhumas contribuições pagavam, nem ao rei, nem à Ordem, mas os outros habitantes de Garamácios ou Gramaços, que não pertenciam à familia de Dom Chavão, todos pagavam ao rei as contribuições tradicionais de voz, de coima, de colheita, etc. Eram tambem elementos constitutivos da paroquia de Ulveira do Espital as duas aldeias de Gavios de Jussãa (de baixo) e Gavios de Jussãa (de cima), que ainda conservam, com pequena alteração, o nome proprio, porque já então eram conhecidas (Gavios, donde Gavinos, donde Gavinios, e por fim, Gavinhos). Gavios de Jussãa (de baixo) tambem passou em breve às mãos dos hospitalarios. Gavios de Jussãa (de cima) pertencia, em grande parte, aos decendentes do rico-homem Dom Chavão. A Ordem do Hospital adquiriu também uma importante herdade, sita entre Gavinhos de Baixo e Bobadela, denominada a Castanheira, e ali fundou uma aldeia, conhecida por este nome, a qual fazia parte da paroquia de Ulveira, que assim ficou sendo constituida por cinco aldeias distintas e separadas, a ultima das quais, com o decorrer dos séculos, veio a desaparecer completamente. O territorio onde assentavam estas aldeias, e o que as circundava, era muito fertil e rico, e os homens do Espital ali moradores, muito agenciadores e laboriosos, não se descuidavam em o cultivar. Assim é que, ao realizarem-se nas terras de Seia, de que fazia parta este região, as Inquirições de D. Afonso III, em 1258, encontramos os homens de Ulveira do Espital a cultivarem muitas teras de pão, e principalmente muitas vinhas, não só no território da paroquia de Ulveira, mas também no da Bonadela, e até na Riba de Alvia (Ribeira de Alva) no termo de Pena- Alvia. Os homens do Hospital, moradores em Gavos de Jussãa também cultivavam terras no termo de Lagos, e os da Castanheira (que estava cercada de herdades regalengas) no termo de Travanca. Embpra pertencessem ao Hospital os homens que cultivavam essas terras regalengas, eles pagavam ao rei as devidas contribuições de voz, de coima, de colheita, etc., mas pelos casais e terras que possuiam e cultivavam no termo da aldeia de Ulveira, nada pagavam aos cobradores régios, eram isentos de todas as contribuições regalengas, e apenasdavam à Ordem do Hospital os foros e prestações que lhe eram devidos; os homens do hospital de Gaveos de Jussãa, porém, sendo isentos de todas as outras contribuições reais, pagavam entretanto todos os anos a contribuição chamada colheita. Os proprietarios estranhos à Ordem que possuiam herdades suas na vila e paroquia de Ulveira do Espital, pagavam por estas ao rei as contribuições ordinarias. Em 1288, quando aqui se realizavam as Inquirições de D. Denis,
ao serem as testemunhas perguntadas-sse em esta ffreguisya (Parrochia sancte crucis de Ulvaria do Sprital) há casa de canaleyro ou de dona ou doutro homem alguu que sse defenda per honrra - respondeu a testemunha Domingos Martins, sendo este depoimento confirmado por mais nove testemunhas ajuramentadas, que-há hj huna aldeia que chamam ulveyra do espital e outra que chamam Gauyos de Jusãao. E disse que som ambas herdamento do espital. E disse que sempre dos seus dias trazem por honra que non entra hj Moordomo del Rey nem peictam (pagam) ende a El Rey voz nem Cooymba. E disse que trage hj ho espital sseu Moordomo e sseu Juiz. E disse que ssenpre dos seus dias as uyo asy trazer por honrra que nunca hj uyon entrar Moordomo del Rey nem lhy peitar (pagar) ende voz nem Cooymha. E disse que ssempre dos seus dias o uyou asy trazer por honra pero disse que Gavios de Jussão dam colheyta ende. Perguntado sse estas aldeayas forom honrradas per Rey disse que non que o el ssoubesse. Perguntado de que tenpo disse que o non ssabya sse non que o uyou asy nosar do tempo que sse acordaua. E disse que acordaua bem L. (cincoenta) anos. Item disse que há hj outra aldeya que chamam Gavios de sussãao. E disse que entra hj o Moordomo de El Rey E peytam end a boz. E a cooymha pero disse que em termho de ulueyra há herdamentos del Rey honde lhe fazem fforo e non lho negam. Inquir, de D. Denis fol. 66). Note-se que a colheita era contribuição bastante pesada. Passou por varias vicissitudes, mas nesse tempo achava-se geralmente reduzida a dinheiro, que se pagava no dia 1 de Maio de cada ano; entretanto alguns concelhos privilegiados tinham dispensa de tal prestação, devendo apenas pagá-la em generos, para sustentação do rei e da sua comitiva, algum ano em que, porventura, acertasse de passar pela terra o monarca. A titulo de exemplo, citarei os concelhos de Lourosa e de Vila-Pouca, actualmente integrados no de Oliveira do Hospital, que ambos estavam nestas condições, pagando sómente quando o rei por aqui passasse, a colheita em generos, descrita nas Inquirições de D. Afonso III e nas de D. Denis. Transcrevamos: De lourosa uj c (trezentos) paães e de njnho uj (seis) puçaaes E som pela nossa medida uj (três) puçaaes e três almudes e seys vasos E de cenada. V (cinco) moyos. E som pela nossa medida uijo (quatro) muos E hua vaca e dous porcos e V (cinco) carneyros e dous cabritos E dous leytões E XX (vinte) galinhas E dozentos ouos e duas restes dalhos E duas de cebollas E hun almude de manteiga E hun almude de mel e hun almude de vinagre E hun almude de sal E lenha que anonde E por açafram e pimenta e hun maranidil, (Inquir. De D. Afonso III. Liv. 4 fol. 27).Note-se que as medidas de líquidos e sólidos, referidos neste apontamento - puçal, almude, vaso, moio - variam muito em capacidade de concelho para concelho, embora vizinhos. Ainda hoje, na colheita de pensões e de foros, no nosso concelho, se faz uso praticamente do alqueire de Seia, do da Bobadela, e do Casal, diferentes entre si. Já ao tempo das referidas Inquirições de D. Denis (1288) havia sido mudado, como vimos na trascrição acima feira, o titular da igreja paroquial, pois nelas aparece a nossa freguesia denominada Parrochia sancte crucis de Ulvaria do Sprital. Como explicar a substituição do Patrono geral da Ordem de S. João de Jerusalem, pelo titulo especial da Santa Cruz? Temos de reconhecer o facto, que é incontestável, embora não saibamos explicá-lo. A festa da Exaltação da Santa Cruz celebrava-se em Jerusalem com grande pompa, comemorando a retituição feita pelos Persas da Cruz do Redentor, e a entrada triunfal e solenissima que no século VII fez com ela o próprio imperador do Oriente Herachio em Jerusalem, colocando-a no templo do monte Calvário. As autoridades da Ordem do Hospital assinaram título, talvez na ocasião de a reconstruirem, pois a primitiva devia ser muito pequena, de dimensões talvez duma insignificante capela. Ainda hoje a igreja paroquial de Oliveira vonserva o mesmo título da Exaltação da Santa Cruz. No decorrer dos tempos, Ulveira foi-se desenvolvendo, foi ganhando importancia à sombra da grande, poderosa e gloriosissima Ordem de S. João de Jerusalem, a mais importante e estimada das três Ordens militares que em Jerusalem se fundaram após a tomada e restauração da cidade santa pelos Cruzados, a 15 de Julho de 1099 - a do Hospital, a do templo, e a do Santo Sepulcro. A Ordemm do Hospital de S. João de Jerusalem, simplesmente Ordem do Hospital, depois da conquista da cidade santa pelos árabes, passou a ser também conhecida e designada pelos nomes dos locais em que sucessivamente se foi fixando a sua Casa-mãi ou convento principal, cabeça da mesma milicia. Assim é que primeiro se chamou de Acre até 1310; depois, até 1522 os seus cavaleiros denominavam-se de Rodes; por fim, desde 1530, ficou sendo conhecida pela designação de Ordem de Malta até à actualidade, apesar de já não terem a sua séde nesta ilha desde 1793. Quando a Casa-mãi da Ordem estava na ilha de Rodes, foi seu alto dignitário um cavaleiro muito distinto o notável, oriundo de Ulveira do Espital, que chegou a acumular grandes cargos e dignidades em Portugal, e na Ordem dos hospitalarios. Era Fr. André do Amaral, 7º neto do nosso já conhecido Dom Chavão, rico homem das terras de Seia que tivera a sua casa em Gramaços, e 5º neto do cavaleiro Domingos Joanes, cuja capela tumular ainda existe contigua a igreja paroquial. Nesta se veem as figuras de Domingos Joanes e de sua mulher Domingas Sabachais, nas magnificas estátuas dos respectivos túmulos, e repetidas no retábulo do altar.Também ali existe, colocada numa insula ao fundo da capela, uma pequena estátua equestre extremamente interessante, representando o mesmo cavaleiro com o seu escudo blasenado no braço esquerdo, completamente armado e equipado para entrar em combate. São esculturas de alto valor, que merecem todo o cuidado de guarda e conservação, e que devem ser vistas e admiradas por todas as pessoas cultas e entendidas, que passem pela nossa terra. Na época em que Fr. André do Amaral estava no apogeu do seu prestígio, a vila de Ulveira do Espital, foi por el-rei D. Manuel I honrada com um foral, em data de 27 de Fevereiro de 1514, e um ano depois, a pedido de Fr. André, mandou o monarca venturoso ao seu primeiro rei de armas, que fosse à igreja de Santa Cruz da dita vila, visitar a capela tumular de Domingos Joanes; e ver e tomar nota das armas dêste cavaleiro, ali esculpidas. Realizada esta visita e inspecção, e dado testemunho pelo rei de armas, foi então passada a notável carta de brasão de armas em data de 23 de Abril de 1515, autorizando Fr. André a usar o dito escudo, assim descrito: Em campo azul uma aspa de prata, enire quatro flores de lis de ouro. Pouco depois desta época é que, por uma falsa aproximação, se transformou a antiga denominação de Ulveira na de Oliveira. A importancia da vila de Oliveira do Hospital vinha-lhe do facto de ser séde duma comenda muito valiosa e opulenta, do génio activo e agenciador dos seus habitantes, e da abundancia e fertilidade do seu terreno cuidadosamente agricultado e explorado. Enxuta agora a grande ulveira, que dera o nome à povoação e transformada em fertílissimas propriedades aumentara muito a produção de hervas para o gado, de cereais, hortaliça e frutas, para alimentação dos habitantes. Era a vila de Oliveira séde dum minusculo concelho e julgado, pois o Municipio não se estendia além do termo da paroquia, senão para Este, compreendendo a vizinha freguesia de S. Paio de Gramaços. Achava-se, por assim dizer, comprimido num apertado circulo de pequenos Municipios, que formavam corôa ao de Oliveira. Estes concelhos foram extintos na complexa e hesitante reorganização administrativa do país, sucessivamente operada pelo decreto nº 23 de 16 de Maio de 1832, lei de 25 de Abril de 1835, decretos de 6 de Novembro e 31 de Dezembro de 1836, lei de 29 de Outubro de 1840 decreto de 18 de Março de 1842 e lei de 29 de Maio de 1843. Ultimada esta reorganização, ficou o concelho de Oliveira do Hospital constituido por nove freguesias, incluindo a da séde. Ei-las dispostas pela ordem alfabetica:-Bobadela, Lagares, Lagiosa, Lagos, Menuge, Nogueira, Oliveira, S. Paio e Travanca. Assim se encontrava constituido o Municipio no meado do século XIX; em modificações posteriores foi acrescentado com onze freguesias mais:- Aldeia das Dez, Alvôco de Varzeas, Avô, Ervedal, Lourosa, Penalva, Santa Ovaia, S. Gião, S. Sebatião da Feira, Seixa, e Vila Pouca, Ficou, pois definitivamente até à actualidade, abrangendo vinte freguesias. Por decreto de 23 de Dezembro de 1875 foi a vila de Oliveira do Hospital erigida em cabeça de comarca.

 

 

 

 

Pampilhosa da Serra – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Foi elevada à categoria de vila por D. Dinis em 1308. D. João l confirmou este título e concedeu-lhe privilégios. D. Manuel l, outorgou-lhe foral novo em 1513.

Vila desde 1308, Pampilhosa da Serra tem progredido relativamente pouco devido à sua difícil situação geográfica, pois está isolada nas profundezas de um vale entre montanhas actualmente revestidas de pinhal. O pinhal não existiu sempre. Antigamente, havia aqui castanheiros e matas de medronheiros, e os terrenos baldios ocupavam 7% da área do concelho. Foi nos princípios do século passado que se semearam alguns pinhais que rapidamente alastraram. Na parte baixa da vila, atravessada pelo rio Unhais, fica o centro da povoação. Aqui se encontram a Câmara Municipal e a Igreja Matriz.

Pampilhosa da Serra, deve ser um derivado de pampilho, nome de várias plantas, com o sufuxo oso, na forma feminina. Temos, pois, terra Pampilhosa, isto é, cheia de pampilhos.

 

Pampilhosa da Serra

As primeiras manifestações da presença do homem registadas na região actualmente ocupada pelo concelho de Pampilhosa da Serra datam dos finais do 2º. milénio/inícios do 1º. milénio A.C., fase já adiantada da Pré-História.
Do período do Bronze Final existem muitos vestígios e achados arqueológicos ( fragmentos de cerâmica, vestígios de minas, monumentos funerários, etc), cujo levantamento foi feito pelos arqueólogos Carlos Batata e Filomena Gaspar.
Do período Romano, não apareceram ainda quaiquer vestígios, embora se saiba que a ocupação romana chegou até bem perto de Pampilhosa da Serra, nomeadamente até ao vizinho concelho de Arganil. Assim sendo, será quase certa a presença deste povo no território hoje ocupado pelo concelho de Pampilhosa da Serra. O mesmo não podemos dizer da presença árabe, pois como é sabido a ocupação muçulmana chegou até ao Mondego, sem contudo se ter verificado a sua expansão até às regiões montanhosas do interior.
O nome Pampilhosa da Serra é relativamente recente. Originariamente o concelho era designado apenas pelo nome de Pampilhosa que, de acordo com alguns autores, tem a sua origem etimológica no vocábulo pampilho (nome de planta campestre idêntica ao malmequer). O acrescento "da Serra" foi criado no século XIX para distingui-la de Pampilhosa do Botão (Mealhada).
As origens deste concelho remontam ao período medieval. D. Dinis terá concedido à Pampilhosa o título de vila em 1308, mas o foral medieval foi dado por Pessoa Particular. Em 1380, D. Fernando anexou-a ao julgado da Covilhã. Em 10 de Abril de 1385, quando se reuniam em Coimbra as cortes que aclamaram o rei D. João I, os homens-bons da Pampilhosa, que nunca quiseram sujeitar-se à hegemonia da Covilhã, recorreram ao soberano e obtiveram dele uma carta, que não só lhes confirmava as antigas liberdades e pregorrativas como confirmou à Pampilhosa o título de vila. Em consequência sobreveio longa demanda com a Covilhã que terminou em 1499, com a autonomia judicial da vila.
D. Manuel I deu-lhe foral novo em 1513. Também neste período se instituiram a Misericórdia e a Albergaria por iniciativa de alguns pampilhosenses.
Com a reforma da divisão territorial, adoptada pelo Decreto de 24 de Outubro de 1855, o concelho de Pampilhosa foi alargado, adquirindo as freguesias de Dornelas, Fajão, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho e Vidual (do concelho de Fajão) e a de Portela do Fojo (do concelho de Alvares).

 

Pampilhosa da Serra

Os primeiros vestígios da presença do Homem no concelho de Pampilhosa da Serra datam de uma fase tardia da Pré-História recente: finais do 2º milénio, inícios do 1º milénio a.c., fase já adiantada da Pré-História. Como escrevem Carlos Batata e Filomena Gaspar no Levantamento Arqueológico do Concelho de Pampilhosa da Serra , publicado em 1994, «devido às características geográficas, geomorfológicas e agrícolas, a área parece ter-se mostrado, desde sempre pouco propícia à fixação e desenvolvimento de comunidades humanas».  
As origens do concelho remontam à Idade Média, época em que, fruto da exploração mineira, se regista o aparecimento de povoações como, Fajão, Pampilhosa, Signo Samo, Unhais-o-Velho e, eventualmente Boiças e Dornelas do Zêzere. Data igualmente desta época a atribuição, por Pessoa Particular de foral à Pampilhosa; tendo-lhe, posteriormente, D. Dinis concedido o título de Vila.
Já em 1380, D. Fernando vem a anexar Pampilhosa ao julgado da Covilhã. A 10 de Abril de 1423, Pampilhosa vê confirmados os seus títulos de Vila, através de diploma emanado por D. João I. Na sequência deste diploma régio sobreveio longa demanda com a Covilhã, a qual só viria a terminar em 1499, com a autonomia judicial de Pampilhosa.
A 20 de Outubro de 1513, D. Manuel concede-lhe foral novo.
Pela publicação do Decreto de 24 de Outubro de 1855, diploma que procedeu à reforma de divisão territorial, o concelho de Pampilhosa foi ampliado, passando a pertencer-lhe as freguesias de Dornelas, Fajão, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho e Vidual (até então pertencentes ao concelho de Fajão) e a de Portela do Fojo (do concelho de Alvares).  
O nome Pampilhosa tem, de acordo com alguns autores, origem etimológica no vocábulo pampilho (planta idêntica ao malmequer). Pampilhosa passa a designar-se Pampilhosa da Serra, só no Séc. XIX, por forma a distingui-la de Pampilhosa do Botão.
(FONTE : Cristina Antunes, Roteiro do Concelho, CMPS,1998)

 

 

 

 

Penacova – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

Vila muito antiga, cuja fundação remonta ao período da primeira reconquista, recebeu foral de D. Sancho l em 1193, confirmado por D. Sancho ll, em 1217. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1513.

A sul da vila, em posição de dominar todo o rio, eleva-se o morro outrora ocupado pelo castelo. Este teria sido construído nos séculos lX – X e desempenhou importante papel nas lutas com os muçulmanos, devendo ter sofrido alguns reveses, pois a vila acabou por ter de ser repovoada no tempo de D. Sancho l. O seu povoamento é, porém, bastante anterior, devendo remontar ao período da cultura castreja. Com o avanço da Reconquista para sul, o castelo perdeu importância, acabando por cair em ruínas e desaparecer por completo.

«Memória Histórica Corográfica do Distrito de Coimbra (Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular) de Américo Costa (1943)»: “Eis uma das povoações mais antigas de Portugal, senão que da Península; di-lo o seu próprio nome, derivado de Pen cantábrico, que soa como rupes ou mons praeruttus no latim, peña no espanhol, e no português penha, ou monte escarpado; pois nestes tais edificavam os primeiros habitantes de Espanha suas povoações acasteladas. A três léguas ao N. E. de Coimbra, sobre uma montanha, cujos pés lava o rio Mondego, está situada esta nobre, se bem decrépita vila, patenteando nas ruínas de seus edifícios, que a sua idade áurea já a encobrem os séculos, que volveram.

O título de vila é nela muito antigo.

«Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “É de crer que nesse monte (aqui seria o de São Bártolo (ou Bartolomeu), em cuja encosta se situa a igreja de São Martinho de Penacova, tivesse sido edificada qualquer “pena” ou pequeno castelo…

E ao lugar de Miro, na “cova” de um pequeno ribeiro tributário de Vizela (“cova” que adjectivamente formou com “pena” o topónimo), e a pouca distância da igreja de Penacova”.

 

Penacova

Quando terão chegado os fundadores de Penacova? Quem eram, de onde vinham, que razões ou motivos os levaram a fixar-se ali? Incógnitas apesar do esforço e das tentativas de alguns e de muitas hipóteses inventadas.
Do longo período que medeia a presumível fundação da vila e a data do primeiro documento que se refere à vila do Mondego de 1105 ter-se-ão passados séculos? Muitos? Poucos ou nenhuns?. O citado documento relata uma contenda entre os habitantes de Penacova e os monges do mosteiro do Lorvão. Foi questão muito grave, provavelmente acerca do senhorio de terras ou tributos, que obrigou o próprio D. Afonso Henriques a intervir pessoalmente e impor a reconciliação, segundo o referido documento, transcrito pelo P. e C. da Costa.
Encontram-se espalhados pela área do concelho vestígios da presença ou passagem de povos bem diferentes: dos Fenícios aos Árabes, contudo estes povos nunca se chegaram a estabelecer com carácter definitivo e, por isso não surgiu nenhuma povoação de importância.

Como preocupação dominante de quem pretende historiar qualquer acontecimento consiste em localizá-lo, no espaço e no tempo: onde e quando? Quando tais preocupações dizem respeito ao aparecimento de povoações, quase sempre separado por longos séculos, todas as respostas se tornaram difíceis. É certo que o grau de dificuldade varia com as perguntas: geralmente fácil localizar geograficamente a fundação, mais difícil situá-la no tempo, muitas vezes impossível descobrir as motivações que levavam à escolha, não raro, até saber quem a promoveu.
No caso de Penacova, paralelo aliás, ao de todas as terras do país nascidas antes ou nos primeiro tempos da monarquia, qualquer tentativa de reconstituição se revela inútil. Os documentos se existem, se existem, são poucos ou, não raro, contraditórios; a tradição por sua vez, adulterou-se ou perdeu-se, ao longo do tempo; e o estudioso ou interessado não tem outro caminho senão o de alinhar hipóteses, mais ou menos prováveis, de acordo com os conhecimentos que tem da vida, costumes e necessidades desses tempos, porventura muito operosas e convincentes mas sem perder a precária condição de meras suposições.
Sem esforço, pode concluir-se, que já no tempo do Conde D. Henrique e, portanto, antes da Fundação da monarquia e do nascimento de Portugal, Penacova existia e era povoação importante. De facto, atendendo a que os ricos e orgulhosos Frades de S. Bernardo estavam no período mais brilhante da sua permanência em Lorvão, cheios de honrarias e de força, toma-se necessário reconhecer que só quem gozasse de algum prestígio poderia chegar a discutir-lhes alguma coisa. Por outro lado também não era qualquer demanda (tão frequentes, já naquele tempo) que merecia intervenção Régia.
Em 1105, portanto surge a primeira referência documental da existência de Penacova, de onde se conclui que a vila é, ao tempo terra importante e que a sua fundação há-de vir de longe, agravando as dificuldades. Desses tempos remotos só resta o silencio e um ou outro documento relativo a factos isolados geralmente à volta de grandes figuras ou cidades. A memória das coisas diluiu-se no tempo e só associando o pouco que nos chegou ao conhecimento, com muito cuidado, é possível fazer um pouco de luz sobre esse passado, tão longe.
Sabemos que Coimbra (a pouco mais de 20 quilómetros de Penacova) era uma das povoações mais importantes da Península Ibérica, sobretudo no tempo dos romanos e mouros; que o mosteiro de Lorvão, por seu lado, foi construído em data incerta mas situada algures pelo século VI, antes da invasão muçulmana, e que, ao tempo em que estes tomaram Coimbra, se tornou um centro importante de Moçarabismo (lembramos que Moçarabe era o habitante da Peninsula que, durante o domínio dos mouros, aceitava a cultura e o modo de vida destes sem, contudo, renegar a sua fé): e ainda, que as povoações mais pequenas iam aparecendo em lugares estratégicos, junto aos grandes castelos ou mosteiros, onde podiam refugiar-se quando as suas terras eram invadidas por inimigos (convém não esquecer que a peninsula foi palco de constantes migrações, muitas vezes violentas, desde os tempos pré-celtas até aos súbditos de Roma e aos povos de origem germânica, asiática e africana!).
Sabemos, também, que o nome de Penacova vem do cantábrico PEN - quase (ainda em fins do século passado .se escrevia PENA - COVA, possível evolução de PEN A COVA) ou de PENA, de origem germânica, (que significava "pequeno castelo".
Ora a primeira hipotese terá deixa supor que a vila terá sido construída (ou reconstruída) por populações vindas dos Cantábricos o que seria muito provável nos tempos da reconquista aos mouros, com a vinda dos povos de todo o centro e norte da península, atraídos pelas regalias que lhes eram concedidas nas terras recentemente (re)conquistadas. Nesse tempo já existia o apoio do Mosteiro de Lorvão, o rei de Coimbra era mouro e tolerava o culto da religião católica e não admira que se tenham fixado em Penacova e na região. A segunda hipótese permite supor que a fundação da Vila é mais remota, do tempo dos invasores de origem germânica e, portanto, muito anterior ao tempo dos Muçulmanos. Por outro lado leva a concluir que Penacova teve castelo nos seus primeiros tempos ou, pequeno castelo. Isto não deixa de ser curioso, porque Pinho Leal (que não se pode considerar um investigador mas tem o mérito, inegável, de ter divulgado tudo o que se sabia acerca de inumeráveis terras do país - no .século passado) é o único historiador a afirmar que Penacova teve castelo. Diz ele que a vila teve o seu "remotíssimo castelo no monte sul", onde depois se construiu a Igreja Matriz. A ser verdade, teríamos de recuar ainda mais no tempo e situar a fundação da Vila mais longe. Não é de crer que, sendo a vila fortificada e encontrando-se no corredor onde passaram, sucessivamente mouros e cristãos nos tempos da reconquista, não fosse referida nas crónicas dessas lutas. Portanto, já então o castelo teria desaparecido, talvez nalguma invasão anterior.
Em suma: não é possível ir além de meras suposições ainda que os factos apontados nos deixem concluir que a fundação da vila é antiquíssima, possível desde o tempo das primeiras invasões. Coimbra seria a sombra protectora. E nos alvores da fundação de Portugal, Penacova era terra importante, a ponto de merecer as atenções do futuro Rei.
O segundo documento conhecido que se refere directamente a Penacova e, ainda, do século XII, embora quase um século posterior. Trata-se do foral da Vila, concedido por D. Sancho I em 1193 (ou 1192, segundo diz Pinho Leal). O seu interesse é muito maior, podendo-se afirmar, sem exagero, que é o documento mais importante da história de Penacova. Como se sabe, os forais daquele tempo eram cartas nas quais o rei ou os senhores muito poderosos indicavam normas que regiam a justiça e a vida social das povoações que lhes pertenciam, além de concederem sempre, amplos privilégios e garantias aos moradores. Assim se conseguia que as famílias se unissem e prendessem a determinada povoação, fixando residência e colaborando na sua defesa e progresso. E foi graças ao foral que Penacova cresceu, nesses tempos difíceis, porque antes, em data imprecisa mas situada na segunda metade do século XII, todos os antigos habitantes abandonavam a terra. Não conhecemos as razões mas sabemos que foi isso que levou D. Sancho a conceder o foral. O facto aliás, confirma o que dissemos atrás acerca da importância de Penacova. Não só o repovoamento foi imediato e acompanhado do foral como, pouco depois, D. Afonso II tomou a iniciativa de confirmá-lo ao passar por Coimbra em 6 de Novembro de 1217.
Relembrando mais uma vez o que foi dito, parece-nos digna de atenção outra hipótese que virá confirmar a origem antiquíssima da vila, a origem germânica do topónimo e dos fundadores, a existência do castelo e a sua projecção, nesse tempo. É bem possível, afinal que ao tempo da reconquista a Vila tenha sido destruída com o seu castelo e que tenha entrado em declínio que iria arrastar-se durante longos anos e culminar no abandono total ao tempo de D. Sancho I e que as atenções que logo mereceu a este monarca como aliás, já tinha merecido ao pai, D. Afonso Henriques reflectiam a tal projecção, vinda dos melhores tempos.
Segue-se novo e longo período de silêncio que vai até século XVI, quando reinava D. Manuel I. Os condicionalismos eram outros, o estilo de vida evoluíra e o rei decidiu reformar todos os forais. Penacova teve "Foral Novo" em 31 de Dezembro de 1513 passado em Lisboa. O conteúdo é muito diferente do primeiro, porque o rei não se
preocupa agora em atrair moradores às povoações concedendo-lhes regalias, mas em acautelar os seus interesses regulando o pagamento dos impostos. Por isso os novos forais quase se limitam a definir questões de ordem fiscal e jurídica.
O Mosteiro de Lorvão (que desempenhou um papel histórico na reconquista de Coimbra em 1064) foi fundado três séculos antes da instauração de Nacionalidade. Nele tiveram clausura as infantas beatificadas D. Teresa e D. Sancha, filhas de D Sancho I. Ali repousam os seus restos mortais em dois belos túmulos de prata lavrada.
A igreja no estilo Joanino de Mafra, e uma construção do século XVIII. No entanto o que desperta mais a atenção do visitante é o célebre cadeiral e na sala do capítulo um pequeno museu com algumas peças de grande valor artístico. A Igreja Matriz também data do primeiro ano do século - 1500.
Não há documentos que relatem pormenores da construção ou de quem a promoveu. Sabe-se da data através de inscrições nalgumas lápides. De resto, encontram-se na sacristia alguns trabalhos em pedra, muito curiosos, atribuído ao celebre João de Ruão e pouco mais. Consta que a primitiva Igreja Paroquial de Penacova foi a Capela de Nossa Senhora da Guia e que se construiu a nova Matriz no séc. XVI por aquela se tornar pequena e se encontrar num sítio incómodo. Um certo Plácido Castanheira de Moura teve, ainda, intenção de construir uma Igreja nova com a mesma devoção mas a morte surpreendeu-o antes de iniciar tal projecto Deixou, entretanto algumas fazendas à capela.

Outra construção muito antiga e importante foi o conhecido Paço dos Duques do Cadaval ou, com maior fidelidade dos Condes de Odemira, seus primeiros proprietários. Os membros desta nobre família foram os primeiros donatários de Penacova, passando mais tarde para os Senhores de Tentugal, depois Duques do Cadaval.
As justiças da vila dependiam do Ouvidor de Tentúgal antes de passarem à Jurisdição do Corregedor de Coimbra.
Até ao ano de 1855 apenas cinco freguesias faziam parte do concelho de Penacova onde aliás se mantêm. Eram além de Penacova, Carvalho, Figueira de Lorvão, Lorvão e Sazes. Nesta data a fisionomia do concelho alterou-se profundamente em consequência das grandes Reformas Administrativas em que aquele século foi pródigo. Foram criadas suprimidas ou reagrupadas muitas das autarquias locais por todo o país. Muitos concelhos. Às freguesias sucedeu a mesma coisa desapareceram umas, surgiram outras mas em número incomparavelmente menor. As aldeias/povoações andaram de freguesia em freguesia, hoje numa, amanhã noutra ao sabor de caprichos e interesses menores. Penacova conheceu grandes benefícios continuou sede de concelho e recebeu, para a sua Jurisdição mais quatro freguesias sem perder qualquer das que já integravam o seu pequeno concelho. Farinha Podre (que tinha sido concelho até há pouco, como se verá na história da freguesia, hoje designada S. Pedro de Alva), Friúmes, Oliveira do Cunhedo (actualmente como se sabe Oliveira do Mondego) e Travanca. Surgiram depois outras reformas que não afectaram o concelho de Penacova mas, ao findar do século, mais duas freguesias vieram enriquecer o concelho: S. Paio da Farinha Podre (hoje S. Paio do Mondego) e Paradela da Cortiça.
Foi em 1898 e, desde então até aos nossos dias o concelho de Penacova não conheceu outras alterações, ficando os seus 219,76 Km2 quadrados distribuídos pelas onze freguesias que o constituem.

 

 

 

 

Penela – (Concelho de Coimbra)

 

 

 

 

D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral em 1137, renovado por D. Afonso ll, em 1217. Posteriormente foi-lhe outorgado novo foral por D. Manuel l, em 1514.

O seu Castelo, foi provavelmente edificado pelo conde D. Sisenando em 1080 e sofreu reconstruções nos séculos XlV e XV. Apoiada em rochas alcantiladas, a construção desenha um polígono irregular e alongado. Conserva várias torres e portas, nomeadamente a Porta da Traição.

Teve grande importância como guarda avançada de Coimbra. Do alto das suas torres e muralhas observa-se uma bela perspectiva da região, sendo nítida a diferença geográfica entre o norte e o sul. O foral que o nosso primeiro rei lhe concedeu, concedia certos privilégios aos seus moradores, no intuito de para ali atrair mais população.

«José Leite de Vasconcelos em “Lições de Filologia Portuguesa – 1928”»: “Num selo do século Xlll, que existe na Torre do Tombo, lê-se, na orla Sigillum Concilii de Penella, e vê-se no campo, entre dois escudetes das quinas, uma pena de escrever, isto é, uma pena de ave. Quis-se, pois, considerar a palavra Penela diminutivo de pena (de ave), o que é manifesta inexactidão; Penela é, sim, diminutivo, mas de pena, na acepção de pedra”.

 

Penela

Situada entre Coimbra e Tomar, em plena artéria rodoviária que liga a Lusa Atenas ao burgo banhado pelo rio Nabão, e a cerca de três dezenas de quilómetros da primeira, surge a vila de Penela, situada na encosta poente de um monte entre as cotas 230 e 290 metros, local preciso da Torre de Menagem do Velho Castelo, ex-libris da monumentalidade do concelho.
Fundado ainda antes da nacionalidade, teve o seu primeiro foral em Julho de 1137, concedido por D. Afonso Henriques, sendo portanto um dos Municípios mais antigos do País. A este facto (concessão do Foral) não terá sido alheia a grande importância estratégica de Penela no contexto da reconquista.
Etimologicamente, o termo Penela, é, segundo o antiquário Santa Rosa de Viterbo, diminutivo de Peña, Pena ou penha, e significava na Baixa Latinidade, o cabeço, monte ou rochedo.
Tendo em atenção estudos feitos aos vestígios existentes, é de crer que na origem do Castelo de Penela estivesse um Castro lusitano posteriormente aproveitado pelos Romanos aquando da sua conquista, no século I A. C.
À História de Penela crê-se estarem ainda associadas as passagens sucessivas dos Vândalos, destruidores da fortaleza construída pelos Romanos; dos Mouros, que tomaram o Castelo de Penela no séc. VIII e das tropas de Fernando Magno (Rei de Leão), tendo a fortificação ficado sob o poder do Conde D. Sesnando, primeiro Governador de Coimbra (depois da Reconquista em 1064), a quem se deve a construção de um forte castelo medieval no interior da fortaleza moura já existente.
O foral de D. Afonso Henriques, de 1137, concedia certos privilégios aos seus moradores no intuito de para aqui atrair mais população.
O Castelo de Penela, ergue-se sobre um penhasco e é, depois do de Montemor-o-Velho, o mais amplo e forte que resta da linha defensiva do Mondego. Tomado pelos Mouros já depois de 1137, veio a ser definitivamente reconquistado em 1148. Foi contudo D. Sancho I quem, em 1187, deu nova vida ao já histórico castelo, mandando-o repovoar. A torre de menagem foi mandada erigir por D. Dinis, aquando duma nova reparação.
Ressalta da longa História do Concelho, um episódio bastante frisante do claro apoio popular com que contou D. João, Mestre de Avis, na crise de 1383/1385: sendo senhor de Penela o Conde de Viana do Alentejo, D. João Afonso Telo, claramente a favor de D. Beatriz, casada com o Rei de Castela, decidiu o povo defender e apoiar o seu Rei amotinando-se, sendo célebre um tal Caspirro, por ter assassinado o Conde. Logo a seguir, Penela envia os seus procuradores às Cortes de Coimbra de 1385, a fim de elegerem o Mestre, futuro D. João I. Este ao fazer doações aos seus filhos, criou o título de Duque de Coimbra para o seu filho D. Pedro, destinando-lhe Penela e o seu termo.
Turismo
Penela, alva e histórica, desde sempre abraçada ao morro do seu lindíssimo Castelo com origens no Século XII, deslumbra com as suas torres e muralhas, com o ar medieval das suas ruas e vielas decoradas de arcos, casas solarengas, pequenos jardins e Oragos que desvendam tesouros de outros tempos, como a Igreja Matriz de São Miguel, no interior do Castelo, ou a Igreja Matriz de Santa Eufémia.
Depois espraia-se o olhar e descobre-se o perfil suave do lendário monte do Germanelo com as suas ruínas do antigo castelo do século XII, ou o miradouro da Senhora do Outeiro, ou os Solares da Vila do Espinhal, o Pelourinho de Podentes, ou a doçura fértil dos campos do Dueça.
A descoberta da "Villa"
romana do Rabaçal e os trabalhos arqueológicos iniciados em 1985, trouxeram aos nossos olhos uma magnífica quinta do Séc. IV Império Romano.
Leia mais em
http://www.cm-penela.pt

 

Os Ferreiros de Penela
Muito perto de Penela existem dois montes elevados, em forma de cone, que a lenda diz terem sido habitados por dois irmãos ferreiros, Melo e Jerumelo. Estando cada um em seu monte com a sua respectiva forja, possuíam apenas um martelo do qual se serviam alternadamente. A distância entre o topo dos dois montes era curta, assim de dois quilómetros mais ou menos, e os dois irmãos atiravam o martelo um ao outro quando dele precisavam. Decerto que já perceberam que estes irmãos eram gigantes porque de outro modo não teriam força para atirar o martelo. Um dia, Jerumelo zangou-se com o irmão e atirou-lhe o malho com tanta força que este se desconjuntou, caindo o ferro na encosta do monte Melo com tanta força que lhe fez brotar uma fonte de água férrea. O cabo de madeira de zambujo foi espetar-se na terra a dois quilómetros de distância, fazendo nascer um zambujo, que veio dar o nome à povoação de Zambujal. A prova de que esta história tem um fundo verdadeiro está nas ruínas da forja do irmão Melo, que ainda hoje se encontram no cimo do monte com o mesmo nome.

 

 

 

 

 

 

Soure – Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 


Recebeu em 1111 carta de foral de D. Henrique e D. Teresa e em 1128 foi doada à Ordem dos Templários. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1513.
Origem do Nome:
“No tempo dos romanos se chamou Saurium, devastada pelos mouros, reconquistada pelas hostes cristãs e repovoada pelo Conde D. Henrique, que em 1111 lhe concedeu foral. A designação de hoje dever ter provindo de Saurium, vocábulo que em bons dicionários latinos (Bento Pereira e outros) aparece como nome próprio, correspondente a SOURE”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
“Deve ser o mesmo o caso de Soure sem querer se atender a razões de outra ordem que o Dr. J. da Silveira pudera ter apresentado: Saurio, Sourio, Souro, Soure. (A forma Souri, se não for antes latinização de Soure, já existente, representa a analogia, forçosa, então com todos os topónimos genitivos hoje em e , e então em – i). Mas, seja como for, a enorme antiguidade do topónimo é manifesta, quer na hipótese greco.romana quer na pré-romana (ou céltica)”. (Dr. J. Vilhena Barbosa – 1862).
Aqui, o principal protagonista da paisagem é o rio Mondego. São dele os vastos campos de uma e de outra margens, conhecidos por campos de Coimbra, de Montemor ou, muito simplesmente, por o Campo. São terrenos férteis, propícios aos arrozais que se estendem a perder de vista, mas não seguros, já que as grandes cheias tudo alagam e destroem. O Mondego, também chamado de Basófias na gíria popular, uma vez que tão depressa leva um fiozinho de água como um caudal devastador, está, porém, em vias de ser domado através de barragens e outras obras de hidráulica. Os acidentes de terreno nestes concelhos de Montemor-o-Velho e Soure são poucos, subindo os montes mais alto a cotas pouco superiores aos 100 metros. A norte estendem-se já as terras da Gândara. Lá mais para o sul, seguindo a bacia do rio Anços (afluente do Mondego), revelan-se as serras do Rabaçal e da senhora da Estrela, de penedias e terras pobres, primeiros contrafortes da serra de Sicó.
Devido à facilidade de penetração e porque constituía uma importante linha avançada da defesa de Coimbra, esta região foi, em tempos medievos, palco de renhidas lutas e devastações entre mouros e cristãos. Montemor-o-Velho, Santa Olaia e Soure são castelos cheios de lendas épicas e ricos de História.
A vila de Soure encontra-se situada numa baixa fértil junto à confluência dos rios Arunca, Anços e Arão, pequenos afluentes do rio Mondego. Existem na zona vários vestígios arqueológicos que atestam a ocupação na época luso-romana. O que resta do Castelo é testemunho mudo de antigas glórias e misérias, de renhidos combates com os mouros, que algumas vezes o arrasaram. Os acontecimentos desta época conturbada são descritos na Vita S. Martini Sauriensis, redigida no século Xll por um eclesiástico local. D. Teresa restaurou a vila e D. Afonso henriques doou-a aos Templários. D. Sancho l deixou em testamento ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em 1211, as suas “éguas de Soure”, o que comprova a criação de equídeos nessa época. Aliás, a pecuária é ainda hoje, a par da agricultura, o principal esteio da economia local. O cultivo do arroz é preponderante e deu lugar ao estabelecimento de fábricas de descasque e empacotamento na Granja do Ulmeiro e na Quinta do Cadaval. Entre outras actividades, existem em Soure a exploração de minas de gesso e de pedreiras e a tecelagem de linho em Paleão. Na povoação do Espírito Santo realiza-se, no Domingo de mesma invocação, uma procissão em que o andor do patrono é completa e artisticamente enfeitado com milhares de pinhões.
OUTRAS LOCALIDADES PRÓXIMAS
PEREIRA: Vila de origem medieval, D. Dinis outorgou-lhe foral em 1282, posteriormente confirmado por D. Manuel l em 1513. D. João ll deixou em testamento Pereira e o seu reguengo a seu filho natural D. Jorge, através do qual passou para os Duques de Aveiro, em cuja posse se manteve até ao atentado contra D. José l, em que esta família esteve implicada. Após esse acontecimento o Marquês de Pombal ordenou a destruição dos edifícios pertencentes aos donatários, subsistindo apenas a casa do celeiro, com a pedra de armas da família sobre a porta alpendrada. A Igreja Matriz, dedicada a Santo Estevão, foi erigida em finais do século XVl, sofrendo posteriores intervenções mas conservando o primitivo portal de arco semicircular. O interior é de três naves, separadas por arcadas sobre colunas, sendo a capela-mor coberta por uma abóbada de pedra em caixotões. Das capelas secundárias destaca-se a do sacramento, que abre para a nave através de um arco oblíquo decorado e contém ao centro um altar de talha, em forma de baldaquino, apoiado em quatro colunas. A Misericórdia, constituída pela Igreja e Casa do Despacho, foi erigida entre 1729 e 1758. (Pereira foi uma das primeiras povoações portuguesas a Ter Misericórdia, logo depois da fundação pela rainha D. Leonor de Lencastre (mulher de D. João ll), em 1498, destas beneméritas instituições). Na fachada do templo abre-se o portal, flanqueado por dois pares de colunas coríntias e encimado por um frontão com volutas sobre as quais assntam as esculturas que representam a Esperança e a Caridade, ladeando um baixo-relevo da Senhora da Misericórdia. O interior, de nave única, apresenta um revestimento de azulejos azuis e brancos de fabrico coimbrão dos finais do século XVlll e, na capela-mor, azulejos policromos com cenas da vida mariana. A Casa do Despacho é flanqueada por duas colunas jónicas, destacando-se no interior uma tela do século XVlll sobre a Visitação.
TENTÚGAL: Povoação referida já no século X, foi provavelmente o berço do conde moçárabe D. Sesnando, primeiro governador de Coimbra depois dessa cidade aos mouros em 1064. Em 1108 recebeu carta de povoamento do Conde D. Henrique e de D. Teresa e foral de D. Afonso lll em 1263, reformado em 1515 por D. Manuel l . O seu senhorio pertenceu aos Duques do Cadaval, que ainda hoje aí conservam propriedades. O Paço Ducal, actualmente em ruínas, foi incendiado pelas tropas liberais em 1834, subsistindo apenas vãos góticos de portas e janelas de arco quebrado, as chaminés e uma varanda alpendrada, para além do celeiro, que data de finais do século XVl. A Igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, sofreu profundas remodelações nos séculos XVl e XVll mas conserva a fachada e a torre do período quatrocentista, com portas de arco quebrado. Fundado em meados do século XVl, o Convento de Nossa Senhora da Natividade, que pertenceu às Carmelitas Calçadas, sofreu alterações na centúria seguinte que lhe imprimiram o carácter actual. Neste convento surgiu o fabrico dos conhecidos pastéis de Tentúgal, continuado por seculares depois do desaparecimento das últimas religiosas. “Tentúgal toda a rir de casas brancas” – escreveu o escritor António Nobre sobre esta povoação simpática, onde se respira ainda, apesar de algumas construções modernas, o ar de velho burgo de outros tempos. Edifícios vetustos dão-lhe carácter e atestam a sua antiguidade. É a povoação deste itenerário que conservou maior número de moradias construídas entre o século XVl e seguinte. O Paço dos Duques do Cadaval, a sul da povoação, fala-nos dos seus antigos donatários. O vizinho lugar da Póvoa de Santa Cristina, de igual antiguidade, recebeu foral de d. Afonso ll em 1265 e teve um convento franciscano.
VERRIDE : É antiquíssima povoação, que já foi habitada pelos romanos com o nome de Ulmar. Ignora-se geralmente as causas da mudança do nome. A que lhe atribui o povo é simplesmente pueril, e até inacreditável. Diz que certo capitão, que por nome não perca, chegado ao ponto mais elevado do Ulmar, apontou Montemor a seus soldados, e lhes bradou: - “VER ? IDE” . Pelos modos o capitão reservava para si o papel de espectador, e antecipava a célebre frase de D. João V . “Ai rico corpinho da minh’alma ...”. Neste monte apareceu uma lápida sepulcral em remotos tempos, e nela julgam os naturais da povoação achar base segura à sua historieta de mudança de nome. Contornado o morro de Santa Olaia, agora ocupado pela Capela de Santa Eulália e outrora por um castro proto-histórico e fortíssimo castelo medieval, encontra-se Ereira – terra que as cheias do rio transformaram em ilha - , onde a casa do escritor poeta Afonso Duarte Recorda a sua memória, e, mais acima, alcandroada num outeiro, Verride, mais uma das muitas povoações que no passado foram sede de concelho- À entrada de Verride ergue-se a Capela de São Sebastião, onde se celebra a festa da praxe no dia do seu patrono e da qual se pode apreciar um belo panorama sobre os arrozais e as povoações limítrofes. Circundam a freguesia excelentes pomares, e, não longe, situam-se algumas quintas solarengas, actualmente em ruínas. Ao fundo do vale formado pelos montes de Verride e Reveles encontra-se a Fonte de Brulho, de águas alcalino-gasosas.
VILA NOVA DE ANÇOS : Foi sede de um concelho, extinto em 1836, com foral manuelino de 1514. Doada por D. Fernando a Vasco de Camões, foram mais tarde donatários de Vila Nova de Anços os Duques do Cadaval, cujo paço, embora alterado, ainda se conserva, o mesmo sucedendo com o pelourinho. Está situada na margem direita do rio Anços, ou Soure, voltando-se de forma airosa para os campos alagadiços deste rio, atapetado de arrozais e hortas.
ARAZEDE : Situada na planície gandaresa, esta povoação de comprovada antiguidade é referida no testamento de D. Sesnando, datado de 1087, e numa doação feita em 1112 ao Mosteiro de Lorvão. Os seus donatários foram o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e a Universidade. Foi sede do extinto concelho, com foral dado por D. Manuel l em 1514. A agricultura e a pecuária são as principais ocupações dos seus habitantes.
REVELES : Outrora sede de freguesia, Reveles é hoje um lugar pertencente a Abrunheira. Situa-se sobre um monte, na margem sul do antigo leito do rio Mondego. Do adro da sua Igreja matriz desfruta-se um surpreendente panorama sobre os campos e o rio, com seus meandros e curvas, deste a foz até próximo de Coimbra. Avultam como fundo as alturas das serras da Boa Viagem, Buçaco e Roxo. Um pouco abaixo e num pequeno promontório sobre o rio Mondego encontra-se a Capelinha da Senhora da Saúde, que se avista do mar alto e é de grande devoção dos pescadores. Estes até costumam vir aqui em romagem, de barco, antes de partirem para grandes viagens.

 

 

 

 

Tábua – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

 

Mais do que uma povoação, o nome de Tábua designava pequeno território englobando diversos bairros, como Silhada, Alvarelhos, Fundo da Vila e outros. É uma vila airosa, embora modesta, e as suas moradias estendem-se ao longo da rua principal por entre arvoredo e terras de lavoura verdejantes. Junto ao Fundo de Vila, em posição aprazível, mas sem grandes horizontes, situa-se a Igreja Matriz e em frente, no vasto terreiro que é palco de mercados e feiras.

«Do “Domingo Ilustrado – 1902»: “Deriva o nome do concelho de uma ponte de madeira, que esteve onde actualmente o Mondego é atravessado por uma bonita ponte de cantaria lavrada, com cinco arcos”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Parece tratar-se do nome comum, tábua, aplicado toponimicamente e, neste caso, o étimo é o latim tabula”.

 

 

 

 

Vila Nova de Poiares – (Concelho do Distrito de Coimbra)

 

 

 

 

 

O povoamento desta localidade até ao século Xll deve atribuir-se ao Mosteiro de Lorvão.

O topónimo, que designa este concelho, parece derivar de poiais, plural de poiais, assento de pedra ou terra de cultura pequena, em socalcos. Corresponde à vasta concha que fica entre as serras do Carvalho e do Bidueiro, tendo a sul os contrafortes da Serra da Lousã. O nome tradicional da sede do concelho era o de Santo André de Poiares, modificado para Vila Nova em 1905, quando da sua elevação à categoria de vila. O povoamento desta região, pelo menos desde meados do século lX, é atestado por documentos do Mosteiro do Lorvão. Nas Inquirições de 1258, vem mencionada a Albergaria de Poiares, que D. Sancho l contemplou no seu testamento com 200 maravedis.

«Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “ A designação Vila Nova nada tem com a antiguidade em vista, pois que se reporta puramente ao municipalismo local, datando da elevação da sede do concelho de Poiares (já de si recentemente) a vila, em 17-Vlll-1905. Nada pode, pois, ver-se nela a alusão comum à “vila”, no sentido territorial-agrário, que vigorou, com menor evolução e diferenças, até depois dos meados do século Xlll, sensivelmente. Em todo o caso, não deve negar-se que por aqui existisse antes da Nacionalidade qualquer “villa” nesse sentido ou, pelo menos, que o acento da actual vila se incluísse numa …

Poiares é um topónimo, talvez de sentido arqueológico, plural de “poiar” (latim Podiale -, ou talvez um derivado de “poio” ou de forma vizinha do latim podiu -, com o sufixo – ar, antiquíssimo, já fixado no século X na toponímia), mas de interpretação obscura”.

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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