Distrito de Castelo Branco

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Distrito de CASTELO BRANCO

 

Concelhos de: Belmonte, Castelo Branco (cidade e concelho), Covilhã, Fundão,

Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei,

Vila Velha de Ródão.

 

 

 
Castelo Branco, pertencente à província tradicional da Beira Baixa (metade sul da Beira Interior). Limita a norte com o Distrito da Guarda, a leste com Espanha, a sul com Espanha, com o Distrito de Portalegre e com o Distrito de Santarém e a oeste com o Distrito de Leiria e com o Distrito de Coimbra. Área: 6675 km² . Sede de distrito: capital e concelho: Castelo Branco.

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio): - “O Distrito de Castelo Branco, é formado de uma parte da antiga província da Beira Baixa, tem uma superfície de 6.627 Km2 e uma população de 216.608 habitantes. Compreende 11 concelhos e 144 freguesias. Os concelhos são: Belmonte, Castelo Branco, Certa, Covilhã, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão. Cidades principais: Castelo Branco e Covilhã. O seu terreno, muito montanhoso, apresenta, entre outras, as serras de Alpedrinha, Meimão, Madeira, Gardunha e Penha Garcia. O rio Tejo separa este distrito do de Portalegre e o rio Erjes serve, em parte de seu curso, de fronteira com Espanha. O distrito é ainda banhado pelos afluentes do Zêzere e do Tejo. Produtos agrícolas, minas não exploradas de cobre e de chumbo; fala-se há muito na existência de ouro no Rosmaninhal. Águas sulfurosas”.

 

 

 

Castelo Branco (Capital e Concelho)

 

 

 

 

De origem muito remota, está provado ter existido no local uma povoação romana. Também nas zonas limítrofes são vulgares os indícios da longa permanência dos romanos. No início da monarquia constituiu região templária e recebeu foral de D. Pedro Alvites, mestre da Ordem do Templo. Em 1510, D. Manuel 1, outorga-lhe novo foral e uma carta datada de 1535, de D. João lll confere-lhe a categoria de “notável”. Um alvará de 1771 eleva a antiga vila a cidade; no mesmo ano o papa Clemente XVl cria a diocese de Castelo Branco, que seria extinta em 1881.

A origem de Castelo Branco, parece ter sido um castro edificado no cimo do monte em cuja encosta assentou mais tarde a vila. A prova de que foi habitada por povos diversos pode tê-la quem visitar o museu, onde se encontram os mais variados objectos da Idade dos Metais e da época romana (lápides, utensílios, moedas, sepulturas) encontrados na encosta do castelo.

Após a reconquista desta região por D. Afonso Henriques, o território compreendido entre os rios Erges, Zêzere e o Tejo, foi doado aos Templários, que algum tempo depois da reconquista, construíram o castelo e edificaram as muralhas. Convencidos de que no local existiram a povoação romana de Castra Leuca, puseram-lhe o nome de Castelo Branco. A fortaleza tinha bom valor estratégico. Do alto das suas torres avista-se um panorama que vai até à fronteira, às regiões de Malpica e Nisa, e para o Norte até ao cabeço de Monsanto e às vertentes da Gardunha.

No século Xlll, Pedro Alvito, 11º mestre dos Templários, concedeu a Castelo Branco o seu primeiro foral. Como as muralhas que envolviam esse primeiro núcleo, origem da cidade foram construídas ente os séculos Xlll e XiV, é de supor que anteriormente Castelo Branco formava uma povoação-encruzilhada, pois a localização das quatro portas( da Vila, de Sant’Iago, da Traição e do Espírito Santo) devem ter obedecido a caminhos preexistentes.

Dentro dos muros da fortaleza, residiam os cavaleiros templários e mais tarde os comendadores de Cristo. O local de reunião dos homens bons era então o adro da Igreja de Santa Maria do Castelo, e o centro da actividade económica situava-se na encosta de São Gens (rua do mercado).

A vila conservou o seu aspecto medieval até finais do século XVlll, mas a primeira cintura de muralhas cedo foi ultrapassada. D. Dinis visitou Castelo Branco, em companhia da rainha Isabel de Aração (Rainha Santa), em 1285 e, reconhecendo que a povoação estava espartilhada, ordenou o alargamento de primeira cintura de muralhas, passando de quatro para sete o número de portas principais e abrindo mais três portas secundárias.

Opiniões sobre a origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Dando crédito a uma versão mais ou menos corrente, a expressão com que se designa a capital da moderníssima província da Beira Baixa, teria resultado da tradução para a nossa língua duma antiquíssima povoação romana, segundo a mesma versão, existiu nos sítios onde hoje está Castelo Branco, isto é, Castraleuca traduziu-se para o português e deu o nome actual.

Entretanto, ou até provas em contrário, para nós, continua duvidosa a origem do topónimo Castelo Branco, a antiga vila que d. José l, elevou à categoria de cidade e que é presentemente capital distrital e provincial”.

«Prof. Vasco Botelho de Amaral em “O Povo e a Língua” (1949)»: “ Em Castelo Branco vemos a utilização toponímica dos Castelos altaneiros, o que se compreende, dado que um castelo era nos tempos das lutas o símbolo das povoações. Lembrem-se tantíssimos casos, como:   Castelo Rodrigo, Castelo de Vide, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo do Neiva, Castelo de Paiva, Castelo de Penalva, etc. Lembrem-se os Castelões, e Castelães, Casteleiro, Castelejo, … etc., não falando já em Castro, do latim castrum, em Castro Daire, Castro Laboreiro, Castro Marim, Castro Verde, Castro Vicente.

O processo da utilização toponímica dos castelos vê-se em muitas outras línguas. Por exemplo, o árabe legou-nos Alcácer, pois Kaçar, em árabe, era castelo. O espanhol Alcalá vem do árabe algalá, que quer dizer castelo.

Quando a adopção do adjectivo Branco em Castelo Branco é uma adopção vulgaríssima pela utilização das cores. Lembre-se Castro Verde, lembre-se Álbum Promontórium na África. Lembre-se o velho nome de Inglaterra, Albion”.

 

Castelo Branco

A região de Castelo Branco foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, que em 1165 a doou à Ordem do Templo, para que os cavaleiros cristãos a defendessem dos infiéis. Em 1198, D. Sancho I confirmou a doacção.
Em 1214, a 1 de Novembro, D. Afonso II, Rei de Portugal, faz doação à Ordem do Templo da parte das terras que tinha na herdade designada por Vila Franca da Cardosa. Numa pequena elevação próxima encontrava-se outra povoação, Moncarche ou Castelo Branco de Moncarche, cujos habitantes a foram abandonando, para se refugiarem nas muralhas protectoras do castelo, erguido pelos Templários no alto da colina.
Castelo Branco recebeu carta de foral pelo Mestre da Ordem do Templo, D. Pedro Alvito em data desconhecida, mas seguramente no séc. XIII. O original do foral encontra-se perdido e as duas cópias estão datadas de 1213 e 1214.
No entanto, o foral de Elvas, de 1271, refere que ali esteve "Domingos Dominguiz alcade de Moncarche com cartas do Mestre e freires da Ordem do Templo a pedir certidão dos boõs foros e os boõs usus e os costumes de Elvas, que se davam e outorgavam aos povoadores de Moncarche vel Castelo Branco de Moncarchino." (J. Ribeiro Cardoso). Ora, em 1271, D. Pedro Alvito já falecera há muito! J. Ribeiro Cardoso aponta como possível solução do problema a lição de Gama Barros: "O que parece indubitável em relação a muitos foraes é que a redução do diploma a escrito foi posterior á constituição do concelho."
Mais tarde, em 1510, D. Manuel concedeu-lhe novo foral.
No séc. XIII, a vida em Castelo Branco desenrolava-se dentro das muralhas e é nos finais da Idade Média, com o aumento demográfico, que a vida cresce para fora destas, alterando assim todo o centro cívico, político e económico. Em 1285, D. Dinis e sua mulher visitam Castelo Branco. Na sequência desta visita, foi mandada construir a cerca da vila, cinta de muralhas que protegiam o casario, obra concretizada já no reinado seguinte, de D. Afonso IV.
No séc. XVI assiste-se à fundação da Misericórdia, à construção dos conventos dos frades Agostinhos (1526) e dos Capuchos (1562) e da Igreja de S. Miguel (Sé). Surgem, no entanto, construções nos arrabaldes da Vila e pouco a pouco as casas foram engolindo as antigas muralhas e uma parte da população estendia-se pelo campo. D. João II, em 1535, concede a Castelo Branco o título de " Vila Notável" .
Nos finais do séc. XVI, o bispo da Guarda, D. Nuno de Noronha, edifica um palácio (Paço Episcopal de C. Branco), actual Museu Tavares Proença Júnior. O edifício, que servia de residência de Inverno aos bispos da diocese da Guarda, e o espaço circundante foram sendo enriquecidos ao longo dos anos pelos bispos que se seguiram,. Na primeira metade do séc. XVIII, o bispo D. João de Mendonça mandou construir o Jardim anexo ao Paço, inspirado na arte barroca de Itália e França.
(...) Em 1771, por alvará de 20 de Março, a carta régia de 15 de Abril, D. José I atribuiu ao burgo albicastrense a categoria de cidade, tendo-se assistido à criação da Diocese de Castelo Branco, pelo Marquês de Pombal, facto decisivo para afirmar a primazia de Castelo Branco.
No séc. XIX, assiste-se a um marasmo na evolução da cidade para o qual contribuíram as tropas de Junot (a primeira coluna do exército invasor chegou a 20 de Novembro de 1807), que se instalaram na cidade, semeando a fome e a destruição. A necessidade da reconstrução levou os particulares a retirarem pedras do castelo e do paço para a reconstrução das habitações e quintais e posteriormente à venda de pedra e telha do castelo pela própria Câmara Municipal (1835). A esta destruição junta-se uma enorme tempestade que assolou a região provocando o desabamento da última torre da muralha (anos 30) . A sede diocesana, criada em 1771, foi extinta em 1881, mas já a cidade era a capital da Beira Baixa.
No início do séc. XX começa a desenhar-se o aspecto actual da cidade. Estende-se por todo o vale, a Nordeste, Este, Sul e Sudoeste do antigo outeiro da Cardosa, com os bairros residenciais (sendo um deles, o Bairro Ribeiro das Perdizes no qual se situa a Escola EB 2/3 Cidade de Castelo Branco) e a zona industrial na periferia . Apesar de ser uma cidade de interior possui uma situação geográfica privilegiada que fez com que, muito cedo, tenha representado o papel de uma terra de encruzilhada (...), fala-se na existência desde o séc. XII de livre circulação de mercadorias e, já no séc. XVII considerava-se (...) como local de passagem obrigatória entre a Beira e o Alentejo.

 

 

 

 

 

Belmonte – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

 

A origem do topónimo parece dever-se à expressão latina belli monte, monte da guerra. Efectivamente, subsistem vestígios deixados pelos romanos, que habitaram a zona durante alguns séculos. Teve o seu primeiro foral em 1199, e, em 1510, D. Manuel l, deu-lhe novo foral.

 A terra que foi senhorio de Pedro Álvares Cabral e que conserva ainda no castelo, entre outros vestígios curiosos, os restos do solar em que nasceu e a igreja em que foi baptizado é hoje uma vila progressiva e em desenvolvimento.

Talvez este progresso se deva ao facto de Belmonte ser conhecida como terra judaica. Realmente, na história da vila teve importância determinante a grande colónia de judeus que aqui se estabeleceu nos últimos anos do século XVlll. Estes começaram por habitar o antigo bairro da vila, chamado Marrocos, que se tornou numa judiaria fechada, pois os cristãos não queriam que as portas e janelas das suas casas dessem para as ruas dos judeus. A maior parte desses judeus eram cristãos-novos, que se mantiveram unidos por tradições, usos e costumes.

Nenhum delas trabalhava nos campos. Conforme as suas possibilidades económicas, eram negociantes de panos e lãs, magarefes, tendeiros ou negociantes a retalho, intermediários na venda de gado ou peles, tendo-se alguns dedicado à indústria. Os outros chamam-lhe “calmões” ou “rabinos”, porque, segundo uma crença divulgada, mais ou menos por todo o País, os judeus teriam cauda.

É um topónimo de fácil étimo, porque vem da forma aglutinada de bel e monte.

 

Belmonte

Os vestígios mais antigos da presença humana no concelho remontam à Pré-história, no entanto são da época romana o maior número de testemunhos dessa presença.
A importância de Belmonte no contexto da História de Portugal releva da Idade Média, tendo-lhe sido concedida Carta de Foral em 1199 por D. Sancho I, que quer " povoar e restaurar ", assegurando, desta forma, o controlo político da região para a Coroa Portuguesa. Simultaneamente, e uma vez que se tratava de uma zona de fronteira com o reino de Leão, inicia-se a construção de reduto fortificado que nos finais do séc. XIII, a pedido do Bispo de Coimbra, a cujo senhorio pertencia, é transformado em castelo, sendo então construída a Torre de Menagem.
No séc. XIII, Belmonte é já uma vila em franco desenvolvimento, justificando a existência de duas igrejas ( S. Tiago e Stª. Maria ) e uma sinagoga. A este crescimento será travado com as Guerras Fernandinas e a Crise de 1383 / 85, que obrigam D. João I a conceder a Belmonte Carta de Couto, logo em 1387, a pedido do Bispo de Coimbra que nos disse que " o seu castello de bellmonte he muy despouado por rezam desta guerra ".
Entre 1397 e 1398, D. João nomeou o primeiro alcaide do castelo, escolhendo Luís Álvares Cabral, que herdara em Belmonte o morgadio instituído por sua tia Maria Gil Cabral, mas é só em 1466, que a família Cabral se fixa definitivamente em Belmonte, aquando da doação a título hereditário da Alcaidaria-mor do Castelo a Fernão Cabral, membro do Conselho de D. Afonso V.
No séc. XVI Belmonte dará de novo um contributo importante para a história de Portugal através de Pedro Álvares Cabral que, em 1500, comandou a 2ª. Armada à Índia e durante a sua missão descobriu o Brasil. Refira-se ainda a prestigiada figura de D. Jorge Cabral, que teve vários cargos importantes durante o séc. XVI, nomeadamente o de Governador da Índia enter 1549 e 1550.
Em 1510, D. Manuel concede nova Carta de Foral, reconhecendo a sua importância política e económica. Belmonte era então uma comunidade rural, dependente da pecuária e da agricultura, com algum comércio, que todavia terá sido prejudicado pelo Ético de Conversão dos Judeus em 1496, e responsável pelo surgimento de uma comunidade cripto-judaica que resistirá às perseguições da Inquisição, até ao nosso século.
Em 1527 o Concelho de Belmonte "...tem de termo duas léguas em longo e uma em largura...confronta com o termo da vila da Covilhã, da vila de Sortelha e com termo da cidade da guarda e com termo da vila de Valhelhas."
Naquela data o concelho tem 244 vizinhos, sendo 159 da vila de Belmonte, número equivalente a cerca de 630 habitantes. Note-se que na comarca de Castelo Branco, Belmonte tinha então a segunda maior densidade populacional em vizinhos a seguir à Atalaia.
Em meados do Século XVIII, a povoação de Belmonte já contava com 354 vizinhos ou fogos, ou seja cerca de 1416 habitantes.
A Povoação de Caria não fazia parte, nesta altura, dos limites do Concelho de Belmonte, tendo 286 vizinhos, correspondentes a 1144 habitantes.
Segundo notícia de 1758, a população do Concelho de Belmonte, era na sua quase totalidade constituída por camponeses.
Nessa altura Belmonte era governado por juizes Ordinários e pela Câmara Municipal, sem qualquer sujeição a outra terra. Não tendo correio servia-se do correio da Covilhã e da Guarda.
Tinha feiras cativas ( os feirantes pagavam impostos ) nos dias de St.º António, de S. Bartolomeu e de S. Cornélio e feiras francas ( os feirantes não pagavam impostos ) em todas as segundas-feiras de cada mês do ano.
Não havia hospital em Belmonte. Havia uma misericórdia pobre, que teve como antecessora a Irmandade do Salvador e no ano de 1600 anexou-se à Capela do Espírito Santo.
O Século XIX, é marcado pela disputa de lugares políticos da Câmara e das Juntas da Paróquia.
Com a reforma administrativa de 1855, o Concelho de Belmonte composto até então, pelas Freguesias de Maçainhas e Inguias é alargado ao Concelho de Caria, autónomo da Covilhã desde 1644. Em 1947 a freguesia de Belmonte é dividida, surgindo a nova Freguesia de Colmeal da Torre e ficando o Concelho com cinco Freguesias, situação que se manteve até hoje.
Já no século XX, Belmonte vê de novo virar-se uma página na sua história, com a diversificação da sua estrutura económica, nomeadamente com a instalação da indústria da confecção no seu concelho.
Tendo o Município de Belmonte permanecido essencialmente afecto ao sector agrícola até ao início dos anos setenta, viu nesta altura os sectores industrial e terceário ganharem mais e mais importância.
Nasceram como atrás referimos diversas indústrias de confecções, as quais são presentemente um dos factores do sustento económico da Vila de Belmonte e do seu Concelho, bem como dos Concelhos limítrofes.
Para a Vila de Belmonte e para a Vila de Caria, deslocam-se diariamente cerca de 2.000 trabalhadores oriundos das Freguesia do Município e dos Concelhos limítrofes ( Covilhã, Guarda, Fundão e Sabugal ), aos quais é necessário dar melhores condições a todos os níveis, para que aqui se radiquem, sem esquecer ainda, a população existente à qual é necessário dar melhores condições de vida e de bem estar social.

 

O milagre da Senhora da Esperança
Lenda do cativo de Belmonte

Chamava-se Manuel. Foi o único nome que a tradição guardou. Nascido em Belmonte, combatera os Muçulmanos com o ardor do cristão valente. Porém, teve pouca sorte numa das batalhas. A sua hoste foi desbaratada. Sem poder passar para as fileiras dos seus compatriotas, teve de esconder-se, e caminhou direito à costa, ocultando-se quanto podia. Mas foi descoberto por um bando que o entregou a um barco pirata, e neste, arrebanhado a outros prisioneiros, foi levado como cativo para Marrocos.
Aí o deixaram servindo como escravo. Trabalhava para os mouros dia e noite. Mas tomou esse martírio como penitência dos seus pecados, e trabalhava sem revolta sem queixumes, oferecendo a Deus e à Virgem todas as suas dores.
Contudo, as saudades da terra, da mulher e dos filhos não o deixavam, e, na tentativa de esmagar no peito essa lembrança, entregava-se às mais penosas tarefas. Incansável, rezava dia e noite, suplicando à Virgem da Esperança que o levasse de regresso à sua terra natal.
Certo dia, um dos mouros que comandava o troço dos escravos questionou-o sobre o motivo de tais rezas e desafiou mesmo a "santa" para que, «se tinha poderes, que o levasse dali para Belmonte». Ao mesmo tempo que tal desafio foi lançado, o pobre cativo foi submetido a tarefas cada vez mais duras, diminuíram-lhe os alimentos e foi alvo da mais severa vigilância. De tal forma que à noite só o deixavam dormir dentro de uma arca e amarrado por grossa correntes. Mesmo assim, um mouro ficava de sentinela.
De tão aflitiva situação apiedou-se a Virgem Maria. E na véspera do Dia de Páscoa, quando Manuel dormia na arca, deliberou ajudá-lo. E assim foi, subitamente, a arca levantou-se do chão, arrombando uma porta e voando, desapareceu no espaço.
Em terra, os Mouros não se atreviam a proferir palavra, limitando-se admirar, boquiabertos, tal cenário.
Sábado de Aleluia. O Sol rompera radioso nessa manhã. Os sinos tocavam alegremente. Corriam alegremente. Corriam as gentes de Belmonte e arredores para a ermida. De súbito, os que estavam à porta da capelinha arregalaram os olhos. Acabavam de ver pousar no chão, vinda do ar, uma pesada arca, mas que pousara leve como uma andorinha. E de dentro da arca saiu aquele que todos julgavam já morto pelos Muçulmanos.
O alarido misturou-se com o cantar alegre dos sinos. O júbilo causado pela inesperada e milagrosa aparição de Manuel foi enorme. A mulher e os filhos abraçavam agora aquele que haviam chorado.
Entre lágrimas, Manuel contou ao povo a sua extraordinária aventura. E então, ali mesmo, o povo determinou levantar uma outra ermida à Senhora da Esperança, em acção de graças pela sua bondade para com um filho da povoação de Belmonte. Cantaram-se mais fortes as aleluias da Páscoa. Ergueram-se hinos de louvor ao Céu. E a ermidinha à Senhora da Esperança não tardou em ser erguida também.

 

Os Judeus de Belmonte  - Artigo de Cristina Machado
Estiveram durante séculos e séculos escondidos do mundo. Até que há pouco tempo deram-se finalmente a conhecer e desde aí foram estudados como um fenómeno. Hoje já podem rezar numa sinagoga digna desse nome e o próprio Estado de Israel, cauteloso por norma, reconheceu a especificidade de uma comunidade única.
À primeira vista, Belmonte é uma vila antiga, bela com os seus monumentos e pacata com a simplicidade e simpatia de uma localidade do interior. A tradição e o orgulho são comuns nos habitantes que convivem com as marcas da História. Por ali passaram os romanos e deixaram a Torre Centum Cellas (uma vila romana com mais de mil anos), um dos mais representativos e enigmáticos monumentos da época romana na Beira Interior. Posteriormente, em 1496, Fernão Cabral, pai do grande navegador português Pedro Álvares Cabral, recebeu por doação a Vila de Belmonte. Atualmente, o descobridor do Brasil tem nome de rua e uma estátua de bronze num lugar privilegiado no centro da vila.
Mas outra grande história de Belmonte é a da sua comunidade judaica. Marranos, criptojudeus, judeus secretos ou simplesmente judeus. Há quinhentos anos, com o tratado de expulsão dos judeus da península Ibérica, muitos deles para não abandonarem as suas terras converteram-se em cristão, persuadidos pelo rei D. Manuel I que criou uma lei que não permitia castigar os judeus convertidos, ou seja, os batizados pela Igreja. Passaram então a usar uma nova nomenclatura, Cristãos Novos.
Muitos resistiram e continuaram a praticar o Judaísmo em grande secretismo, transmitindo a religião por via oral, através das mulheres, sem o apoio de livros e rabinos, recorrendo somente à memória. Mas o tempo levou-os a um afastamento da ortodoxia judaica nas práticas religiosas, misturando fases do Catolicismo e criando uma nova tradição, uma religião dupla, ou melhor, uma natural simbiose. Tão natural que perdura ou perdurou na sua totalidade até há muito pouco tempo. Na era da tecnologia, da comunicação, com a internet a bater às portas do comum cidadão, esquece-se a força das tradições e às vezes a própria história. Descobrir que ainda existe no começo do século XXI, num país democrático da Europa, uma comunidade judaica - a única e última em Portugal - que vivia até há muito pouco tempo dentro de uma religião dupla, praticando o Judaísmo com o mesmo secretismo que na época da Inquisição, é à primeira vista inacreditável!
Documentalmente remonta-se a existência de judeus em Belmonte ao séc. XIII e há memória de onze filhos da terra vítimas de autos-de-fé. A comunidade judaica sempre foi importante para a vila.
No início do século XX eram vendedores de peles e sebo; a partir dos anos quarenta dedicaram-se ao comércio de tecidos e hoje a maior parte trabalha com fábricas de confecções que muito contribuíram para o crescimento da região. Chegaram a ter um bairro próprio que na altura da Inquisição se tornou numa judiaria. Hoje existe somente uma família judia que ainda por lá mora: D. Mercedes Amélia Diogo, casada com o Sr. Júlio Mendes Henriques, é uma senhora de 57 anos, simpática e emocionada com a sua fé. O seu sonho é conhecer Israel, mas por enquanto contenta-se em olhar para a terra prometida num quadro que se encontra em destaque na sua sala. Sempre foi religiosa, rezava em casa salmos de David com a mãe e com a avó, até toda a família ser reconvertida. Em Belmonte, com a vinda do primeiro rabino entre 1989 e 1990 Israel autorizou, pela primeira vez, a reconversão de judeus no exterior do país. D. Ana Amélia, com 79 anos, mãe de D. Mercedes, depois de mais de cinquenta anos de casada confirmou os seus votos pelas leis judaicas aos 77 anos. E o seu marido, com 79 anos, submeteu-se à tradicional circuncisão. 
O primeiro rabino que chegou a Belmonte teve um trabalho difícil: a maioria da comunidade desconhecia a verdadeira prática da religião e muito mais o hebraico; foi preciso traduzir para o português as orações e organizar aulas de hebraico que continuam a ser ministradas atualmente. Mas o mais complicado era convencer a totalidade da comunidade a frequentar a sinagoga e os rituais da religião, como o Sabbath que até hoje não é cumprido por todos, melhor dizendo, não de forma ortodoxa. Apesar dos quinhentos anos que nos separam da temível época da Inquisição, o medo e a desconfiança permaneceram, e até mesmo hoje é possível sentir uma reserva natural no relacionamento com as pessoas de fora, principalmente tratando-se da imprensa. Câmaras fotográficas geralmente não são bem-vindas. Mas os tempos estão a mudar para os judeus de Belmonte: já se respiram novos ares de confiança e crença.
Judeus e católicos convivem em harmonia, pois felizmente já vivem num país em que cada um é livre para professar a sua própria fé. Porém os costumes herdados dos antepassados ainda estão enraizados na memória de cada um. Não é muito raro observar crentes a usar ao pescoço a estrela de David e o medalhão de seu santo devoto. Outro sinal marcante desta herança são os cemitérios locais. Cristãos e judeus dividem o mesmo espaço, e os símbolos sagrados da duas religiões misturam-se e fundem-se num só cenário. 
D. Amélia Mourão Vaz, hoje com 80 anos, casou aos 16 anos com o Sr. Antero Caetano Vaz, agora com 89 anos, o primeiro e durante muitas décadas o único judeu circuncisado de Belmonte. O mais curioso é que eles são primos: o pai do Sr. Antero era irmão da mãe da D. Amélia e os pais dos seus pais também eram irmãos. Isto é muito comum na comunidade. O casamento consanguíneo ou endogamia foi usado para manter a tradição mesmo que esta ponha em risco a saúde, como foi o caso do Sr. Antero que há alguns anos começou a sofrer de cegueira nocturna e hoje é praticamente cego. D. Amélia, com uma simplicidade afectuosa assevera que o seu casamento foi por puro amor e conta que quando era nova frequentava a Igreja Católica com as amigas. Actualmente não frequenta a sinagoga, talvez pela idade, e continua a rezar as orações aprendidas com a família. História semelhante é a do Sr. António Caetano Diogo: nasceu e foi criado em Belmonte; simpático, agradável, tem três filhos e é viúvo há dezanove anos. Casou-se na Igreja católica e conta que chegou a ir à sinagoga de Lisboa antes da mulher falecer. Ela era sua prima, mas também assevera que o seu casamento foi por amor, e para o provar mostra o bilhete de identidade de D. Aurora, sua mulher, que fica guardado numa carteira que sempre o acompanha. Aposentado, o seu negócio eram os tecidos. Nunca deixou de trabalhar aos sábados e diz que os seus filhos somente há seis anos é que passaram a observar a lei judaica. As suas netas casaram na Igreja Católica e a mulher está sepultada num dos dois cemitérios católicos de Belmonte, mas não lhe causa confusão esta duplicidade. Está feliz com a construção da nova sinagoga; é que finalmente, depois de quinhentos anos, a comunidade judaica de Belmonte finca a sua história. 
A construção do templo deve-se aos herdeiros da família Henriques que doaram o terreno e a Salomon Azoulay, judeu de origem marroquina, que ofereceu a sinagoga em homenagem ao seu pai, o rabino Eliahhou Azoulay. Deve-se ainda à D. Clara Mourão, também judia de origem marroquina, só que da parte espanhola. Casada com um judeu da comunidade de Belmonte, o seu casamento é o único realizado com um judeu de fora. Desde a sua chegada a Belmonte que as coisas mudaram. Deu-se o começo da abertura para o mundo; o ajuste e a aprendizagem dos rituais ortodoxos da religião; o acumular de forças para o apoio de uma estrutura forte e uma maior ajuda da comunidade para a comunidade. Logo após a sua chegada D. Clara começou por juntar as mulheres para lhes ensinar os pratos usados especificamente em cada feriado judaico. É claro que sentiu uma resistência por parte de alguns judeus, mas não maior do que a que se sente com a entrada de uma nova pessoa para uma comunidade pequena. Até porque o seu marido vem de uma geração mais consciente, onde o medo de um casamento consanguíneo e suas consequências fizeram com que abrissem os olhos para fora da comunidade. Hoje, o seu empenho ainda é fenomenal, sendo responsável por todos os jornalistas e estudiosos que aparecem em Belmonte, vindos de todas as partes do mundo. Além disso, continua, com uma energia grandiosa, a ser o braço direito do rabino. 
Na altura da inauguração da nova sinagoga a sua agenda mais parecia a de uma mulher de negócios. Além de preparar toda as refeições para a festa de inauguração, passou a maior parte do tempo da cerimónia a arrumar o salão de festas para os convidados. Mãe de três filhas, divide o seu tempo entre a casa e a família, educando as filhas na tradição judaica e nunca esquecendo que em Belmonte ainda há muita coisa por fazer. É o caso da construção de um cemitério judaico, cuja primeira pedra foi lançada por ocasião da inauguração da sinagoga. Assim fica completa a reconversão dos judeus de Belmonte. Ficam poucos, os mais velhos, a manterem a simbiose com o catolicismo. Na verdade são os próprios que falam com muito menos secretismo e maior simplicidade, porque para eles sempre foram judeus de corpo e alma. É o início de uma real abertura deste povo que vive seu dia-a-dia com a tranquilidade característica de uma pequena vila do interior, mas que ainda, de certa maneira, carrega nos seus ombros um passado que hoje faz parte da História de Portugal.

 

 

 

 

Covilhã – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

 

De fundação romana, foi no decorrer dos tempos, várias vezes saqueada e devastada. Em 1186, recebeu foral de D. Sancho l, que a reedificou, e de D. Manuel l, em 1510. Foi elevada a cidade em 1870.

A cidade da Covilhã é uma bela cidade situada num planalto, a meia encosta da Serra da Estrela. Daí, segundo alguns, lhe vem o nome de cova+lhana (plana). Parece que foi fundada pelos romanos em 41 antes de Cristo e que estes lhe puseram o nome de Silia Hermia, ou Hermínia. Outros autores ainda atribuem o nome Covilhã à lenda da bela Florinda, filha do conde Julião. O certo é que a povoação foi sempre progredindo calmamente, tendo sido elevada à categoria de cidade em 1870. É atravessada pelas correntes rápidas das ribeiras da Carpinteira e da Degolda, em cujas margens se estabeleceram as primeiras fábricas de lanifícios, aproveitando a energia motriz que a Natureza assim lhes facultava. Certamente que já vinha de épocas recuadas a tradição do fabrico artesanal de lanifícios, pois é grande a abundância de gado lanígero na região. Os trapeiros da Covilhã fabricaram sempre as manufacturas de lã em uso, e esse fabrico pode ser considerada como a mais antiga das indústrias portuguesas.

A povoação, devastada pelas lutas da Reconquista, foi acarinhada pelos nosso primeiros reis, que lhe concederam foral e privilégios. D. Afonso lll criou-lhe em 1260 a feira anual, com a duração de oito dias, a seguir à Festa de Santa Maria de Agosto. A carta de feira estipulava que todos mos que fossem à feira ficassem seguros na ida e na volta, pois as estradas daquela época estavam povoadas de saltadores. D. Dinis reconstruiu e ampliou as muralhas, que ficaram com cinco portas: da Vila, do Sol, do Val-de-Caravelho, de São Vicente e do Castelo.

Após a conquista de Ceuta, D. João l ofereceu a seu filho Infante D. Henrique o senhorio da Covillhã. Por essa época começaram a fabricar-se os panos de lã meirinha. Morto o Infante, sem sucessor, a Covilhã passou para património de seu irmão D. Diogo, duque de Viseu. Em 1489, após a morte do duque de Viseu, D. João ll doou-a ao futuro rei D. Manuel l, que tanto lhe queria que determinou que a vila da Covilhã ficasse para sempre realenga e da Coroa. No foral que D. Manuel l concede à vila em 1510, fazem-se referências aos “panos e fiados, de seda, lã, algodão ou linho” que, ao serem vendidos, deviam pagar de imposto “por carga maior 9 réis e por menor 4 réis e meio… e “de linho em cabelo fiado e por fiar que não seja tecido. Assim de lã e de feltros, burel, mantas de terra e dos outros semelhantes panos baixos e grossos por carga maior 4 réis e por menor 2 réis”.

«Do “Arquivo Históricos de Portugal – 1898»: “Atribui-se geralmente a fundação ao tristemente celebrado conde D. Julião, que, para se vingar de D. Rodrigo, o último rei dos godos, lhe haver seduzido a filha, provocou a invasão dos árabes na Península Hispânica”. Conta a tradição que na Covilhã nascera a Formosíssima D. Florinda, pelo povo denominada Cava, depois de se tornar amásia do rei, que pagou com a vida a perda da coroa, os agravos à honra do seu nobre vassalo.

Há escritores antigos que consideram o nome Covilhã, como derivado dos referidos factos, dizendo que o conde Julião chamara à vila Cava-Juliana – reunindo assim o seu próprio nome e que o povo dera para D. Florinda; mas esta versão é de todo o ponto inadmissível. O vocábulo Cava na linguagem contemporânea não significa barregã se não na acepção figurada, a significação natural era de cova, e porque a vila ficva encovada no serra, lhe chamaria o conde Cava-Juliana.

Outros, porém, com melhor senso, são de parecer que o antigo nome fosse o de cava ou Cava-lhana, que, como decorrer do tempo se corrompeu para Covilhã.

Esta versão tem a seu favor o exemplo de mais de dez aldeias que com o mesmo nome existem em diversos pontos do País, tendo todas o característico de serem afogadas de serras, e cujos nomes primitivos foram também e por este facto o de Cava-lhana”.

 

Covilhã

Porta da Serra da Estrela e sede da Região de Turismo, esta é a terra da indústria da lã, berço de descobridores de quinhentos, hoje cosmopolita cidade universitária.
Na vertente sudeste da Serra da Estrela, a Covilhã (45.000 hab.) é um dos principais centros urbanos do interior do país. A cidade está localizada a 20 Km do ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre ( 2.000 m) e o seu núcleo urbano estende-se entre os 450 e os 800 m de altitude. É uma urbe de características muito próprias desde há séculos, conjugando em simultâneo factos únicos na realidade portuguesa;
Há 800 anos aqui existe o trabalho da lã que hoje se reflecte principalmente em modernas unidades industriais, sendo a Covilhã um dos principais centros de lanifícios da Europa;
Era já na Idade Média uma das principais "vilas do reino", situação em seguida confirmada pelo facto de grandes figuras naturais da cidade ou dos arredores se terem tornado determinantes em todos os grandes descobrimentos dos sécs. XV e XVI: o avanço no Atlântico, o caminho marítimo para a Índia, as descobertas da América e do Brasil, a primeira viagem de circum-navegação da Terra.
A Covilhã encontra-se no centro de uma região onde se localizam 9 das 10 Aldeias Históricas portuguesas;
É a cidade mais próxima da estância de inverno onde se localizam as únicas pistas de esqui portuguesas e às quais se acede percorrendo espantosas paisagens de montanha;
É centro universitário e tecnológico onde se sedia a Universidade da Beira Interior que conta com cerca de 5.500 estudantes pertencentes a vários cursos superiores;
.Aos seus pés desenvolveu-se um riquíssimo e fértil vale de grandes aptidões frutícolas (cereja, pêssego, maçã, pêra) e vinícolas, a Cova da Beira. A Covilhã teve o primeiro foral em 1186 e desde aí e até ao presente manteve uma situação de extrema importância histórica, cultural e económica na vida de Portugal.
A Cidade dos Descobridores
Apesar de não ter mar, a Covilhã possui uma história ímpar como cidade ligada à grande epopeia portuguesa que, há 500 anos, soube dar outros "mundos ao mundo".
É espantoso pensar como uma mesma urbe foi mãe de tantos navegadores, exploradores, cientistas que revolucionaram a história da humanidade.
INFANTE D. HENRIQUE - O NAVEGADOR - O maior responsável do avanço de Portugal para os mares e para o mundo, recebeu do pai, o rei D. João I, o título de Senhor da Covilhã após a primeira grande acção africana, a tomada da cidade de Ceuta, em 1415. Depois desta conquista, a vida do Infante fala por si: tornou-se parte da história do mundo.
PÊRO DA COVILHÃ - PREPARADOR DA CHEGADA DE V. GAMA À ÍNDIA - A necessidade de atingir a Índia por mar, levou D. João II a conceber uma política de avanços sucessivos no mar. Na parte ocidental africana, o rei lançou Bartolomeu Dias que viria a dobrar o Cabo da Boa Esperança. No Índico, na costa oriental de África e na parte ocidental indiana, foi Pêro da Covilhã o explorador. A ele se devem as informações que permitiram a consequente certeira viagem de Vasco da Gama e a descoberta do caminho marítimo que transformou a história.
PEDRO ÁLVARES CABRAL, DESCOBRIDOR DO BRASIL - Era natural da vizinha vila de Belmonte, estendendo-se as enormes propriedades familiares à Covilhã. No ano de 1500, dirigiu uma frota de 13 navios naquela que deveria ser a segunda viagem à Índia. Antes porém, acabou por arribar à costa da Baía, no Brasil. A ele se deve, em primeira instância, o facto de o português ser hoje uma das línguas mais faladas no mundo.
MESTRE JOSÉ VIZINHO - A LATITUDE NOS MARES - O famoso Mestre José referido por Cristóvão Colombo que muito aprendeu dos seus conhecimentos astrológicos, era cosmógrafo e médico de D. João II. A grande invenção do séc. XV foi a descoberta da navegação astronómica com a consequente introdução de escalas de latitudes nas cartas de marear. A sistematização do método revelou como artífice do processo este grande judeu covilhanense. Estes estudos passaram a significar a liderança da técnica portuguesa do mar.
RUI FALEIRO - A LONGITUDE NOS MARES - Cosmógrafo covilhanense, nascido em finais do séc. XV, foi o principal organizador científico da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães em Sevilha. O conhecimento da longitude no mar era fundamental pois completava os métodos já conhecidos para determinar a latitude e permitir a localização das naus na superfície dos mares. Rui Faleiro foi o grande artífice da avaliação da longitude a partir do lugar de observador.
FRANCISCO FALEIRO - A DECLINAÇÃO MAGNÉTICA - Irmão de Rui, cosmógrafo, foi o autor da primeira exposição que inferia a declinação magnética do ângulo de duas sombras lançadas em vertical sobre o plano de horizonte, quando o sol atingisse alturas iguais antes e depois do meio-dia. Elaborou em Sevilha, 1535, o Tratado del Mundo y del Arte del Marear, cronologicamente a segunda obra do séc. XVI que desenvolve o estudo dos fenómenos do magnetismo terrestre.
A Cidade da Neve
De Dezembro a Abril. Um cenário espantoso de alvura cintilante para férias e fins-de-semana na neve, a esquiar e a sorrir.
Depois é pôr os esquis, alugar um trenó, dar um passeio a pé ou de bicicleta de montanha à volta do Lago Viriato, dos poios e dos cumes que sobem por entre panoramas impressionantes desde a Varanda dos Carqueijais até às Penhas da Saúde ou até ao local mais alto de Portugal Continental - a Torre, onde se situam as pistas de esqui com cinco telesquis que transportam 3.000 esquiadores/hora e dotadas com escola de esqui. Aqui, para uns, é o prazer há muito desejado de esquiar, por entre momentos de salutar desporto, evasão e bem-estar. Para outros é o reencontro com aventura das escaladas ou o sabor puro da montanha nos passeios a pé, nos salpicos da neve, no sorriso alegre das crianças e da vida em estado puro no cenário magnífico do Parque Natural da Serra da Estrela.
A Cidade da Animação
Principalmente devido ao facto de existir uma grande massa estudantil (cerca de 14.000 estudantes dos quais 5.500 universitários), a animação da vida social é verdadeiramente movimentada.
A noite vive-se em inúmeros bares e excelentes discotecas. Para além disso, os passeios são possíveis a cavalo, de balão, helicóptero ou jeep todo-o-terreno e podem mesmo alargar-se a uma corrida de Kart ou a uma aprendizagem de esqui. Estes serviços são prestados por diversos agentes turísticos locais.
No Centro das Aldeias Históricas
Em Portugal existem, definidas pelo estado, dez Aldeias Históricas.
Todas envolvidas num programa de recuperação, tornaram-se verdadeiras jóias da arquitectura medieval. A Covilhã situa-se precisamente no centro de uma área que inclui nove dessas Aldeias, facto que permite visitas globais a partir da cidade. As distâncias variam entre os 25 e os 100 Km, estando localizadas a Norte - Almeida, Linhares, Marialva, Castelo Rodrigo e Castelo Mendo, a Sul - Castelo Novo, Monsanto, Idanha-a-Velha e a Leste - Sortelha.
Da Covilhã à Torre
Pela subida e pela montanha mais íngreme, mais pura e mais espectacular, até chegar ao ponto mais alto de Portugal Continental.
A partir da Covilhã tem-se o acesso mais simples, mais curto e mais panorâmico à Torre e a todo o Maciço da Serra da Estrela. Para lá chegar sobe-se pela EN 339 que começa por passar pelo Parque Florestal da Covilhã, onde à direita há um miradouro sobre a cidade e as planuras da Cova da Beira e, à esquerda, o leito da ribeira da Degoldra, berço secular da indústria de lanifícios. O Parque Natural da Serra da Estrela começa no cruzamento para Rosa Negra e o Parque de Campismo do Peão antecede os miradouros das Portas dos Hermínios e da Varanda dos Carqueijais onde há um miradouro e um panorama imenso das terras de Portugal e Espanha.
A subida continua até às Penhas da Saúde, uma magnífica estância de férias em altitude, onde dá gosto passear junto ao Lago Viriato e que antecede os majestosos vales glaciários de Manteigas e de Unhais da Serra, vilas onde existem excelentes zonas termais. A caminho das pistas de esqui da Torre, admira-se a planura branca e suave da Nave de Santo António, rodeada pela grandiosidade dos Três Cântaros, em cujo sopé gira a estrada, atravessando túneis e acompanhando os morros de neve. Próximo do Covão do Boi encontra-se o monumento a Nossa Senhora da Estrela, esculpido em baixo-relevo no final dos anos 40 por António Duarte. Até chegar à Torre surge o topo do Cântaro Magro, à direita, antes do cruzamento que dá acesso ao local mais alto de Portugal Continental, cerca de 2.000 metros de altitude.
A Cidade Fábrica - 800 anos a trabalhar a lã
Poucos centros urbanos podem assumir uma actividade económica regular ao longo de oito séculos, mas é esse o caso da Covilhã e do trabalho dos lanifícios.
Como manufactura primeiro, como indústria depois, o certo é que ainda hoje a cidade é um dos principais centros europeus de produção de lanifícios. Actualmente, esta indústria produz por ano cerca de 40.000 Km de tecido, e é fornecedora de grandes marcas têxteis mundiais como a Hugo Boss, Armani, Zenga, Marks & Spencer, Yves St. Laurent, Calvin Klein e Christian Dior.
As duas ribeiras que descem da Serra da Estrela, Carpinteira e Degoldra, atravessam o núcleo urbano e estiveram na génese do desenvolvimento industrial. Elas forneciam a energia hidráulica que permitiam o laborar das fábricas. Junto a essas duas ribeiras deve hoje ser visto um admirável núcleo de arqueologia industrial, composto por dezenas de grandes edifícios. Nos dois locais são visíveis dezenas de antigas unidades, de entre as quais se referem a fábrica-escola fundada pelo Conde da Ericeira em 1681 junto à Carpinteira e a Real Fábrica dos Panos criada pelo Marquês de Pombal em 1763 junto à ribeira da Degoldra. Esta é agora a sede da Universidade da Beira Interior na qual se deve visitar o Museu de Lanifícios, já considerado um dos melhores núcleos museológicos desta indústria na Europa.
Mas o passado da Covilhã remonta ao princípio dos tempos, quando foi castro proto-histórico, abrigo de pastores lusitanos e fortaleza romana conhecida por Cava Juliana ou Silia Hermínia. Quem ergueu as muralhas do seu primitivo castelo foi D. Sancho I que em 1186 concedeu foral à Covilhã. E, mais tarde, foi D. Dinis que mandou construir as muralhas do admirável bairro medieval das Portas do Sol.

 

Lenda da Covilhã

A Cova da Beira está situada no eixo da Guarda - Covilhã - Castelo Branco, fazendo fronteira com Espanha. O seu primeiro nome foi o de Cova Plana, por razões de ordem morfológica. "Cova" porque está enclausurada entre serras altas, nas abas das Serra da Estrela, Serra da Gata, Serra da Malcata, Serra da Gardunha. "Plana" porque se trata de um espaço onde se erguem aqui e além pequenos montes ou mamelões que, vistos do cimo de qualquer uma das serras que a envolvem, se diluem na paisagem, parecendo tratar-se de uma planície entre montanhas onde brilham as águas.
Após a invasão e conquista da Península Ibérica pelos romanos é que aconteceu surgirem os vários nomes (Cova Julia e Silia Herminia) a que as lendas deram notoriedade.
Os generais romanos, por razões estratégicas davam os seus nomes às regiões por onde passavam e sobretudo onde assentavam arraiais. Temos assim a Cova Plana a mudar de nome para Cova Julia, antes de Cristo, devido ao facto de ser Júlio César o general, comandante das legiões romanas, na Península Ibérica.
Em 41 depois de Cristo, há uma outra alteração. O nome de Cova Julia desaparece e a região passa a ser conhecida como Silia Herminia, devido ao facto de o general romano, que então comandava as legiões romanas, se chamar "Silius", e ter, ali, acampado para dominar os lusitanos.
A Covilhã encontra-se situada na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude. Possui uma localização estratégica, confinada entre as ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, com excelentes pastos para a criação de gado ovino, condições essenciais para a manufactura de panos. Desde cedo se destacaram na paisagem azenhas, moinhos de pão, tintes e tendas e, posteriormente, fábricas transformando a Covilhã no maior centro da indústria têxtil do País.
O topónimo da Covilhã estará relacionado com uma lenda. Segundo esta, o Conde Julião, governador de Ceuta, teria permitido a passagem dos mouros, por vingança, pelo facto da sua filha, Florinda, se ter enamorado por Rodrigo, o último rei dos Godos. Após a morte deste, numa batalha contra Tariq, esta refugiou-se nos Montes Hermínios e, pela sua astúcia e formosura, mereceu o respeito dos mouros e o nome de Cova. Seria o lugar da Cova Juliana ou Covaliana, donde resulta o nome da Covilhã.
Há ainda quem conte que foram as condições em a Covilhã se insere, com zonas de pastagens e refúgio do gado na Serra da Estrela que lhe deram o nome.
Inicialmente conhecida como o Covil da Lã, hoje denomina-se Covilhã.

 

 

 

 

 

Fundão (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

 

 

Situa-se numa região habitada desde a mais longínqua antiguidade, como se deduz dos muitos vestígios aqui encontrados. Vária documentação escrita aponta-nos o Fundão como localidade de certa importância já nos inícios da Nacionalidade. Foi vila e sede de concelho desde 1747. Da época quinhentista conservam-se várias janelas e portais manuelinos.

Passou a vila no reinado de D. João V, alcançando assim autonomia administrativa. Tinha então várias minas de onde se extraía estanho em abundância e uma importante industria de panos que no tempo do Marquês de Pombal adquiriu grande prestígio.

Após a queda do Marquês, a vila entrou em decadência. Maia tarde, as Invasões francesas e depois a guerra civil agravaram esse panorama.

A Fábrica Real deixou de funcionar em 1821, e em 1916 foi restaurado e ampliado o edifício, tendo-se aqui instalado os órgãos administrativos do concelho, que não parou de progredir ao longo do século XX.

Sobre a origem do nome, Alfredo Cunha apresenta uma judiciosa versão: “Fundo, no latim fundus, é sinónimo de herdade, quinta, casal, etc; por consequência, uma herdade ou quinta grande pode legitimamente denominar-se fundão, aumentativo de fundo. Não sendo assim, poderá designar-se o dono ou lavrador do casal – fundanus”.    

 

Fundão

O Fundão situa-se na Cova da Beira, no sopé do Monte de S.Brás, um ramo da Serra da Gardunha e é sede de concelho desde 1746.
O Fundão terá tido origem num castro situado no Monte de S.Brás, provavelmente datado do 1º milénio a.C.. Os vestígios existentes demonstram que o castro terá sido um povoado importante da região, estando situado num ponto geo-estratégico fundamental para o domínio da Cova da Beira.
Com a chegada dos romanos, assiste-se a uma tendência para trazer as populações para a planície e é nesta altura que o castro terá começado a entrar em declínio. A população terá começado a fixar-se na zona mais fértil e amena onde hoje se situa o Fundão, sendo que na zona da Rua das Quintãs, tradicionalmente tida como a rua mais antiga do Fundão, foram descobertos vestígios romanos nomeadamente cerâmicas domésticas e de construção, mós e tijolos de coluna, indicadores de que aqui teria existido uma villa romana. Dentro do perímetro urbano do Fundão também foram, no Séc. XIX descobertas 2 aras votivas dedicadas a Vitória e a Trebaruna, respectivamente, para além de mais recentemente, se ter também descoberto um epitáfio: o Epitáfio de Nepos. Esta villa estender-se-ia desde a actual Rua das Quintãs até ao sopé do monte de S.Brás, zona onde aliás foram descobertos diversos materiais entre os quais se destacam mós manuais, fragmentos de terra sigillata, de tijoleira e dollia, fragmentos de vasilhas, bordos de ollae, cerâmica de vários tipos incluindo decorada e a de paredes finas, um fragmento de lucerna, um peso de tear, um tijolo de coluna, uma fornax e uma espada.
O povoamento terá então evoluído em torno desta villa até à Idade Média, altura em que terá sido reaproveitada para construção de uma casa senhorial fortificada, da qual subsistem alguns merlões com seteiras descobertos nos escombros de uma casa que ruiu em 2002. Esta casa poderá ter sido pertença de Martim Calvo, um membro da baixa nobreza que surge referenciado em documento régio envolvido num litígio de posse de terras.
As primeiras referências ao nome de Fundão surgem em documentos de 1307, depois nas Inquirições Dionisinas de 9 de Agosto de 1314 (descrevendo a existência de "32 casais nos lugares do Fundão e da Levada") e mais tarde em 1320-21. Até então não existem quaisquer referências a esse nome nem sequer no Foral da Covilhã em 1186
Ao Fundão terão chegado depois nos Sécs XV e XVI judeus em fuga de Espanha devido ao Édito dos Reis Católicos de Espanha. Este facto terá dado ao Fundão um importante impulso nas áreas comerciais e financeiras deixando marca na localidade. Uma das ruas emblemáticas do Fundão, a rua da Cale, poderá ter como significado o termo hebraico que define um ponto de encontro, onde os judeus se encontrariam para praticar o seu culto. A antiga sinagoga, uma marca evidente dessa presença, só há relativamente pouco tempo terá sido demolida.
Uma prova gritante da importância da comunidade judaica no Fundão aconteceu quando em 22 de Novembro de 1580, um grupo de populares ousou desafiar e agredir os representantes da Inquisição que aqui haviam sido enviados com o intuito de prenderem judeus e cristãos novos importantes. O último judeu do Fundão faleceu em Dezembro de 2003. Tratava-se de Moisés Abrantes, o "Joaquim Judeu", referenciado no Livro de Ouro de Jerusalém, que deixou algumas obras escritas.
Entretanto e com o passar dos anos o centro cívico do Fundão começa a deslocar-se na direcção da zona onde se encontra actualmente a Câmara Municipal.
Por ordem do Marquês de Pombal, é criada a Real Fábrica de Lanifícios e para isso construído o edifício que actualmente alberga a Câmara Municipal, embora com 2 pisos na sua traça original. Actualmente, com 3 pisos, o edifício tem no seu topo o campanário do arruinado Convento de Santo António, situado em monte sobranceiro ao Fundão.
Em 23 de Dezembro de 1746, é assinado pela Rainha D.Maria I o alvará que cria o concelho do Fundão, que assim se desliga do concelho da Covilhã. No ano seguinte, a 10 de Maio de 1747, por carta régia de D.João V, é confirmada a criação do concelho e na mesma ocasião, o Fundão é elevado a vila. Deve-se esta elevação ao Desembargador José Vaz de Carvalho pela sua acção junto da corte.
O Fundão viria finalmente a ser elevado a cidade em 18 de Abril de 1988, juntamente com Marinha Grande (Estremadura), Montemor-o-Novo (Alto Alentejo) e Vila Real de Santo António (Algarve).
O topónimo "Fundão"
Quanto ao topónimo "Fundão" muito se tem debatido acerca da sua origem desde teorias que alegam que a palavra derivará do aumentativo do termo latino Fundus (Herdade ou Quinta) ou Fundanus (Quinteiro ou Lavrador) até outras que apresentam a sua localização geográfica como prova evidente da sua origem.
Diz o Prof. Dr. José Pedro Machado na página 192 da sua obra "Palavras acerca de palavras", "Não se perdeu ainda a noção da origem do topónimo, porque todos o empregam com o artigo: o Fundão, vou ao Fundão, estive no Fundão. Isto justifica a etimologia geralmente proposta e seguida: o substantivo fundão "local situado no fundo de elevação; depressão, vale, cova, precipício, que continua com bastante uso".
Fontes:Jornal do Fundão;
"Toponímia do Fundão"
J.Salvado Travassos, 1998;
"Fundão - Elos de uma história milenar", Héstia Editora 2003;
Câmara Municipal do Fundão -
www.cm-fundao.pt

 

A lenda da Torre dos Namorados (Fundão)

Conta-se que há muito tempo atrás, no local que hoje é conhecido como o centro da Torre dos Namorados existia uma cidade muito povoada, onde abundava a prosperidade e a felicidade. A cidade era governada por um rei muito consciente dos seus deveres para com os súbditos. Era dotado de um sentido de justiça apuradíssimo e revelava uma moral inabalável e incorrupta. Muito estimado pela população, para este governante, a palavra tinha um valor insubstituível e, dizia-se na altura, "antes preferia morrer que vergar".
Tinha o rei uma filha casadoira que fazia suspirar de paixão os mancebos da cidade com sua beleza sem igual. Ousadia para pedir ao rei a mão da princesa faltava a quase todos os jovens apaixonados. O seu perfil de monarca rígido e moralista fazia adivinhar que não teria escrúpulos em mandar para a forca quem se atrevesse a cometer a mais pequena indelicadeza ou ousasse falar-lhe sequer na mão da real filha.  
Tempos passaram e a beleza da princesa cada vez era maior. Cabelos de ouro e face que parecia irradiar a luz do sol, caracterizavam a sua beleza única. Certa tarde de Primavera, dois jovens mais ousados e bêbados de paixão dirigem-se corajosamente ao palácio real para falarem com sua majestade a fim de obterem consentimento para casarem com a jovem princesa. O rei recebeu-os com dignidade respeitando os seus sentimentos de puro amor. Obviamente, a sua filha era única e apenas um podia ser o eleito. Como monarca justo que era e, tendo a mesma consideração e estima pelo carácter e amor sincero dos seus dois jovens súbditos, falou-lhes nos seguintes termos:
 «- Meus caros jovens: não tenho qualquer dúvida que qualquer um de vós ama perdidamente a princesa e poderá vir a ser um excelente marido para a minha filha e um melhor pai para os meus netos e sucessores. Contudo a minha filha, a quem venero com todo o meu coração, é única e vós sois dois pretendentes. Se der a sua mão a um de vós estarei a ser injusto. Entretanto a cidade está a ficar com problemas de abastecimento de água à população que não pára de crescer. Por outro lado, o palácio não tem uma torre sólida e funcional que nos possa por a salvo em caso de um ataque imprevisível dos nossos inimigos. Eis as tarefas que vos proponho: um de vós deve iniciar a construção de um aqueduto suficientemente eficaz e sofisticado que resolva os problemas de abastecimento de água à cidade. O outro deve empenhar-se na construção de uma torre tão sólida e funcional que este reino nada venha a recear em caso de ataque e cerco pelos nossos inimigos. Começai os trabalhos amanhã ao alvorecer. O primeiro que acabe a tarefa que lhe destino terá a honra de casar com a minha filha. Agora ide e que ganhe o melhor!».
Posta a situação nestes termos, deram os jovens por bem empregue o tempo e a coragem de que dispuseram para se dirigir ao palácio real a pedir ao rei a mão da filha e, no dia seguinte, puseram mãos à obra. Passaram-se meses. As obras de um e outro empreendimento avançavam com rapidez e em breve se concluiriam.
No dia em que terminaram era grande a excitação, quer da corte, quer da população da cidade. Todos se dirigiram ao centro da cidade para verificarem qual dos dois mancebos iria desposar a jovem princesa. Mas o dia, que nascera cinzento, pouco haveria de clarificar. Exactamente ao mesmo tempo em que um jovem colocava a bica na fonte principal de abastecimento da cidade que a partir daí não mais pararia de jorrar, o outro acabava de colocar a última peça de ouro no pináculo de uma espectacular e sólida torre capaz de defender a cidade dos maiores ataques inimigos. 
Continuava por apurar o noivo da bela princesa. O rei estava estupefacto e a sua face ficou pálida de amargura. Não poderia cumprir o prometido. A população decidiu que os dois jovens deviam bater-se num duelo de espadas e o que ficasse sem se ferir casaria com a jovem. Assim fizeram, mas as espadas quebraram-se ficando os jovens sem uma única beliscadura.  
Decididamente parecia que a princesa teria de permanecer solteira e o rei sem poder cumprir o prometido. Facto grave e intolerável para o monarca. É que ninguém como ele tomava à letra a sentença: "palavra de rei não volta atrás".
Foi então que, como um trovão, se ouviram as seguintes palavras doídas que saíram da boca do rei: “- Torre feita, água à porta; filha de el-rei morta!”
A princesa logo percebeu que nunca seria rainha pois estava condenada à morte pela dureza da sentença de seu próprio pai, montou um cavalo e fugiu em direcção ao Sul. De pouco lhe valeu. Rapidamente foi capturada pelos soldados do rei que aí mesmo, cumprindo ordens, a mataram. O lugar onde teve lugar a matança da princesa ficou conhecido por isso mesmo: Mata da Rainha. Hoje é uma freguesia do concelho do Fundão.

 

 

 

 

Idanha-a-Nova – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

Esta povoação foi fundada em 1187 por D. Gualdim Pais, grão-mestre da Ordem dos Templários, que nela edificou um castelo do qual restam algumas ruínas. D. Manuel l, concedeu-lhe foral em 1510. No conjunto, a vila apresenta uma estrutura antiga e muitos são os motivos dos séculos XVl, XVll e XVlll que ornam ruas e casas. A região foi habitada pelos romanos, de cuja civilização subsistem vestígios.

Vila empoleirada a meia encosta, a 346 metros de altitude, domina a vasta campina que vai desde Idanha o Ladoeiro, ao rio Aravil e a Alcafozes. Antigamente se cultivava muito linho e Idanha era conhecida por terra de cordoeiros.

A 18 Km, situa-se Idanha-a-Velha, a Egitânia romana, que foi uma das mais opulentas cidades da Lusitânia e que em 534 se tornou cidade episcopal. Da sua grandeza passada falam a catedral e a vastidão das ruínas. Fundada pelos Túrdulos em 500 a. C. , terá sido destruída e reedificada pelos romanos. Em 420 d.C. foi pilhada e incendiada pelos suevos. Os visigodos reconstruíram-na, e em 534 foi elevada a cidade episcopal.

Durante as lutas da Reconquista, por estar situada em terreno plano e desprotegido, várias vezes foi destruída e reconstruída. Os árabes deram-lhe o nome de Idanha, e desde 715 que os bispos  residiam em Penamacor. Gualdim Pais cercou-a de muralhas, mas como foram arrasadas não se fortificou de novo. Os reis tentaram em vão repovoar a vila, que mais parecia uma povoação maldita.

D. Sanchos ll, pediu a Inocêncio ll, que mudasse a sede do bispado para a cidade da Guarda. A despovoação final fez-se quando uma terrível praga de formigas a assaltou durante 100 anos, só terminando no reinado de D. Manuel l. Foi então abandonada por quase todos os moradores, que se fixaram em Monsanto e em Idanha-a-Nova.

«Do “Domingo Ilustrado” (1860)»: “Chamou-se Idanha-a-Nova em memória de uma cidade antiquíssima, sua vizinha, que tendo florescido com o nome de Egiditania no tempo dos romanos, que a fizeram Município, e no dos godos, em que foi sede episcopal, se achava despovoada, caída em ruínas, e convertida em uma pobre aldeia apenas decorada com o título de vila”.

 

Idanha-a-Nova

Vila sede de concelho, composto por 17 freguesias, é o segundo maior concelho do país, em termos geográficos.
As suas origens históricas não se conhecem com precisão, mas pensa-se que a construção do Castelo, em 1187, por Gualdim Paes, mestre da Ordem do Templo, constitui um marco importante. Em 1206, D. Sancho I, atribui-lha o título de vila e para a distinguir da antiga Idanha-a-Velha (Egiptânia), denominou-a de Idanha-a-Nova.
A administração desta ficou a cargo dos Cavaleiros Templários.
Com uma campina fértil foi, em tempos, conhecida como o celeiro da Baira Baixa, estanto agora os interesses dos Agricultores virados para outros tipos de produções (como o tabaco, o tomate, o trigo, etc...).
Contudo, um dos aspectos que não passa despercebido a ninguém é o facto de em Idanha-a-Nova o tradicional e o moderno coabitarem em comum harmonia. Desde a Igreja Matriz, ao palacete das Palmeiras, à Igreja da Misericórdia, as importantes casas brasonadas e solares, até ao moderno Centro Cultural Raiano, à Biblioteca Municipal, Escola Superior de Gestão de Idanha, Complexo Municipal de Piscinas, Centro de Saúde e Casa Multi-usos, entre muitas coisas mais.
Um dos momentos altos de devoção popular, do concelho e arredores, ocorre no segundo Domingo após a Páscoa, continuando no dia seguinte (Segunda-feira – feriado municipal), em que se celebra e participa entusiasticamente na romaria da Senhora do Almortão.

 

Lendas

Consideradas fruto de uma mistura entre factos verídicos, com a superstição e imaginário popular, as lendas fazem parte das histórias de cada região. São inúmeras as lendas que predominam por este concelho, sendo as mais conhecidas a do Rei Wamba (humilde agricultor eleito de Deus para rei dos Visigodos) de Idanha-a-Velha, a lenda do cerco do Castelo de Monsanto (após londa data de cerco da vila pelos Mouros, os Monsantinos decidiram lançar uma vitela, com o estômago cheio de cereais, do alto do castelo sobre os invasores.
Convencidos de tamanha abundância, os Mouros levantaram o cerco), a lenda de S. Pedro de Vira Corça (lugar de Monsanto com o mesmo nome) em que um frade encontrou um recém-nascido abandonado sendo posteriormente amamentado por uma corça silvestre. A lenda das Mouras de Penha Garcia (que guardavam um tesouro na gruta), da raposa e do sapo da Zebreira, das formigas gigantes de Idanha-a-Velha, entre muitas outras curiosas e interessantes. 

 Lenda da Senhora do Almortão
Um dia, madrugada ainda, atravessavam o campo pelo sítio Água Murta, para o labor de todos os dias, pastores e ganhões. Notaram então que numa mouta de murteiras grandes, havia algo de estranho.
Aproximaram-se e viram uma linda e resplandecente imagem da Virgem.
Milagre! Milagre! Exclamaram, ao mesmo tempo que caíram de joelhos para rezar.
Resolveram então conduzir a Santa Imagem para a igreja de Monsanto. Mas Ela desapareceu pouco depois e procurada no local da aparição lá estava, exactamente no mesmo sítio. E sempre que a procuravam, ela lá estava no lugar da aparição no murtão.
E, respeitadores da vontade bem expressa da Senhora os habitantes da vila construíram no local a capelinha.

Lenda de Santa Catarina
Andava um honrado lavrador a amanhar a terra com uma junta de vacas no sítio da Antinha, conta-se que um dos animais morreu repentinamente.
Aflito e desgostoso com a perda de tão útil como necessário animal pôs-se o lavrador a chorar a sua pouca sorte, pois, acabava de perder o "ganha-pão" da sua numerosa e necessitada família e implorava, por isso, o auxílio divino. Apareceu-lhe , então, Santa Catarina que devolveu a vida ao animal e lhe ordenou para ir ao povoado contar o sucedido e dizer do seu desejo que naquele preciso local fosse eriguida uma capela em sua honra, mas com o alpendre voltado a poente.
Acudiram os habitantes a satisfazer prontamente o pedido mas virando o alpendre a nascente como era costume na época, pensando que o lavrador vidente se havia equivocado.
No dia seguinte, porta e alpendre estavam caídas no chão. Refizeram a obra deixando na mesma o alpendre dirigido a nascente e de novo ele voltou a ruir. Convenceram-se, então, os habitantes de que o lavrador não se havia enganado e executam a obra segundo as indicações recebidas.
E ainda hoje podemos apreciar a capela com a porta e o alpendre voltados a poente e, estamos certos, a fé dos ladoeirenses jamais deixará cair por terra este pequeno templo que tanto carinho e estima infunde ao povo do ladoeiro.

Lenda do Penhor da Justiça
Conta a lenda que D. Garcia, alcaide do Castelo de Penha Garcia, raptou numa noite tempestuosa, D. Branca, figura de rara beleza filha do poderoso Governador de Monsanto.
Passados meses de perseguição implacável, D. Garcia acaba por ser apanhado nas encostas da serrania pelos homens ao serviço do Governador. Na época, aventuras deste género eram punidas com a pena capital. No entanto, comovido pelas insistentes lágrimas da filha, foi a D. Garcia poupada a vida e em sua substituição condenado à perda do braço esquerdo, como penhor de justiça.
A lendária figura do decepado continua ainda hoje vigiando e olhando do alto das torres, o morro sobranceiro de Monsanto.
 Lenda da Cova da Moura
Na margem direita do ribeiro das Fontainhas, que corre a Poente da freguesia, existe um grande penedo. Nele, devido à acção da erosão, abre-se uma pequena gruta. O povo de Segura chama-lhe a Cova da Moura.
Quem depois do pôr-do-sol se aproximar do penedo, ouvirá, como vinda de muito longe, do interior da rocha ou das profundezas da terra, uma guisalheira infernal, produzida pelo som de muitas e diferentes campainhas. É o sinal do aparecimento do Moura.
E diz a lenda, que se o curioso, que a visitar persistir em descobrir o segredo da rocha, mesmo depois de ouvir a guisalheira, pagará com a vida o atrevimento, porque a Moura o esmagará com uma enorme cacheira de ferro.
O porquê deste proceder da estranha criatura, que ao contrário de outras suas irmãs espalhadas por todo o Portugal, prefere o isolamento à quebra do feitiço, ignora-o o povo de Segura que embora receie a Moura do penedo, continua a afirmar que nenhuma há mais bela ou mais linda.

 

 

 

 

 

Oleiros – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

O primeiro foral foi-lhe concedido em 1323, por D. Mem Gonçalves, prior da Ordem do Hospital, que a mandara povoar. D. Manuel l, outorgou-lhe novo foral em 1513.

Situado em plena serra, apresenta este Concelho um clima de tipo continental, podendo os naturais e os visitantes deslumbrar-se no Inverno com a neve que frequentemente cobre com alvo manto as imensas matas de eucaliptos e pinheiros, outrora região de castanheiros; também de tecedeiras. Oleiros foi terra que viveu profundamente isolada nos requebros da serra onde se acoita. Possui uma igreja matriz manuelina, cujas colunas se diz oriundas do mosteiro que os Templários fundaram a 5 Km, do local que ainda hoje mantém esse nome.

A vila acha-se rodeada por quatro colinas, e no alto de cada uma ergue-se a sua capela: Espírito Santo, São Sebastião, Santa Margarida e Nossa Senhora das Candeias.

O isolamento de Oleiros permitiu-lhe manter costumes curiosos. É um dos poucos locais da Beira, por exemplo, onde ainda se festeja o Maio. No dia de São João toda a água é santa, pelo que nesse dia se regam as hortas e lavam os gados. Assim, tudo fica benzido.

Interessante são os lagares de azeite, artesanais, que existem em grande abundância; os lagares de varas, quase uma relíquia histórica, funcionam ainda nesta região.

«Do “Arquivo Nacional – direcção de Rocha Martins (1936)» .” Esta vila foi comenda do priorado do Crato e encontra-se num alto donde se divisa, no sopé, um rio do mesmo nome, correndo mansamente, numa carícia.

Tomou o seu nome do vocábulo espanhol olleiro, segundo certos escritores, que quer dizer nascente de água, e como no sítio onde estava edificada ali brotava preciosa linfa, o nome da fonte transportou-se à terra, o qual, corrompendo-se, deu Oleiros”.

 

 

Penamacor – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

Centro de uma região habitada por romanos, godos e árabes, recebeu o seu primeiro foral em 1209, concedido por D. Sancho l, que a mandou repovoar e a fortificou, tornando-a uma importantíssima praça de guerra. D. Afonso ll confirmaria este foral em 1217. Novo foral lhe foi outorgado por D. Manuel l, em 1510.

Penamacor, é vila de tradições, onde o passado e o presente se fundem, passagens do tempo cravadas de admiração pela simplicidade e amabilidade de suas gentes, cujas formas culturais e sociais se reflectem na deliciosa gastronomia que o concelho oferece a todos aqueles que o visitem.

A vila de Penamacor, fortificada por Gualdim Pais, foi uma praça de guerra medieval de grande valor devido à sua situação fronteiriça. Como o Município se encontrava muito exposto a ataques leoneses, D. Sancho l, pensou ser urgente e importante implantar naquele lugar um baluarte de defesa.

Por isso, concedeu aos moradores de Penamacor um foral determinando que o encarregado da defesa fosse o pretor ou alcaide e que todas as casas de habitação tivessem o mesmo foro. Apesar de a população municipal se compor de peões e cavaleiros (vilãos), ambos tinham privilégios internos semelhantes.

«De “O Concelho de Penamacor, na História, na Tradição e na Lenda” do Prof. José Manuel Landeiro (Vila Nova de Famalicão – 1938)»: “Também são inúmeras as conjecturas ou hipóteses sobre a origem desta vila.

Dizem uns, que nesta povoação, viveu um célebre salteador, de nome Macor. Tinha ele o seu abrigo numa caverna a que davam, como ao Monte, o nome de Penha (com a adulteração dos tempos, Pena), ficando este lugar conhecido por Penha de Macor ou Pena Macor.

Outros, porém, dizem que tendo havido uma grande luta entre os seus habitantes e salteadores, o sangue que correu em abundância das feridas das vítimas, era de cor negra – de má cor – ficando sendo conhecida por Penha de má cor.

Dizem, ainda, outros que neste termo havia duas povoações, ambas situadas em montes, Pena do Garcia e Pena Maior (Penamacor).

Esta Penha tinha o título de Maior, palavra que os antigos pronunciavam, à castelhana, Magor e que como decorrer dos tempos, deu Macor.

É isto o que a tradição nos diz, a respeito da origem do nome de Penamacor, nome que em documentos antigos vemos escrito sob a forma de Pena Macor. Mas é mais provável que, devido ao prefixo PEN (elevação), Penamacor seja de origem céltica”.

 

Penamacor

 As origens de Penamacor estão envoltas na bruma dos tempos, pouco ou quase nada se conhecendo a esse respeito.
Só a partir do reinado de D. Sancho I é que a história de Penamacor se define com alguma clareza. Dizem alguns ter sido esta vila pátria do rei Wamba, o famoso rei dos Godos que governou a península desde 672 até 682. D.  Sancho I, conquistou Penamacor aos Mouros e reconstruiu-a. Deu-lhe foral em 1189 e entregou-a aos Templários na figura do mestre D. Gualdim Pais, que a fortificou.
O nome desta vila, segundo uma das lendas, terá origem num célebre bandido, que aqui terá habitado, de nome Macôr. Segundo dizem, este salteador vivia numa caverna a que davam o nome de Penha. Com o passar dos tempos, o nome adulterou-se e passou a chamar-se Pena, ficando assim a terra a ser conhecida por Penha de Macôr ou Pena Macôr. 
Segundo outra versão uma luta feroz entre os seus habitantes e salteadores originou tanto derramamento de sangue e de tão má cor, que a vila ficou a ser conhecida por Penha de má cor. Ainda outra refere, que nesta zona existiam duas povoações, ambas localizadas em montes, Pena de Garcia e Pena Maior. Com a adulteração da pronúncia Castelhana, Magor passou a ser Macor, dando origem a Pena Macor.
Seja qual for a origem do nome, o certo é que representa uma das vilas mais bonitas e castiças do País.
O desenvolvimento da vila, nos finais do século XII, deve-se à necessidade de protecção da fronteira portuguesa, pelo que foi construído um grande castelo, de que ainda hoje restam vestígios, considerado monumento nacional.

 

 

 

 

Proença-a-Nova – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

 

Teve foral em 1244 concedido por Frei Rodrigo Egídio, prior da Ordem do Hospital. Em 1512, D. Manuel l, outorgou-lhe foral novo, no qual se consigna que a designação da povoação – Cortiçada – passará a ser Proença-a-Nova.

«Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O nome Proença parece ter chegado até nós directamente do provençal Proensa (em francês, Provence), mas a sua origem remota encontra-se no latim Província, a Província Romana, na Gália, isto é, a Provença”.

 

Proença-a-Nova

    Proença-a-Nova é uma vila de grande antiguidade, fazendo-se remontar aos tempos da dominação Romana. Alguns achados arqueológicos e a existência de inúmeros topónimos de indubitável filiação latina, característica dos tempos de expansão, corroboram esta asserção.
   Chamaram-lhe Cortiçada, nos seus primeiros anos, nome que só no séc. XVI foi definitivamente abandonado em favor do actual, talvez relacionado com a abundante produção de cortiça ou, mesmo, pelo elevado número de colmeias (cortiços) que, em tempos, foram de grande importância na região. O topónimo Proença, por seu turno, suscita maiores dúvidas. Até à data do seu primeiro foral, pouco se sabe sobre a vila de Proença e o seu Concelho, mas crê-se que os seus habitantes se dedicariam essencialmente à pastorícia, fazendo-se a agricultura nas terras baixas, férteis e de fácil irrigação. A caça, então abundante e variada, constituiria outro dos mais importantes meios de subsistência. A povoação terá evoluído pouco significativamente até ser doada aos Monges da Ordem do Hospital. Estes, colaborando com os primeiros Reis no esforço do repovoamento e estabilização das populações nos locais mais ricos e de maior importância estratégica, adoptaram diversas medidas, desde a criação e defesa de novas terras, até à concessão de forais portadores de regalias de vária ordem, àquelas que o justificassem. E foi assim que, em 1244, o Prior de Hospital, Frei Rodrigo Egídio deu a Proença o primeiro foral, documento de grande importância, no seu tempo, estabelecendo as linhas gerais de conduta a seguir pelos seus habitantes, ao mesmo tempo que garantia a defesa dos seus direitos. (...) Este foral foi reformado em detrimento do "Foral Novo" dado a Proença, pelo Rei D. Manuel I em 1512. (...) Após a extinção da Casa do Infantado em 1834, Proença passou, então, para o Distrito de Santarém e, em Novembro do ano seguinte, para o de Castelo Branco, onde se manteve até aos nossos dias. (...)
(...) Em meados do séc. XIX a área do concelho conheceu sucessivas alterações a par com os horrores das invasões Francesas, depois as lutas liberais, a só a partir de 1884 Proença começa a desenvolver e a criar estruturas de grande importância como as vias de comunicação e a instrução pública."
In "Monografia do Concelho de Proença-a-Nova" -
Pe. Manuel Alves Catarino


Proença-a-Nova - História e Lendas
Lenda da Cortiçada:
Nos tempos em que existia em Proença - a – Nova grande quantidade de cortiça, decidiram os seus habitantes fazer uma torre que os levasse até à lua.
Escolheram o local de Oliveirinhas da Serra e foram empilhando cortiços sobre cortiços.
Tempos depois, já só faltava um cortiço pelo que decidiram percorrer o concelho para o encontrar, não o conseguindo. Depois de muito pensar, disse um deles entusiasmados:
- Já sei, tiramos o cortiço do fundo!
Assim fizeram, o que originou, logicamente, a queda de toda a torre.
Gritou então o que estava no cimo da pilha:
- Eh, rapazes, aí vai a cortiçada a caminho da Sobreira!
Ficaram então os de Proença conhecidos como Cortiçolas e os da Sobreira por Cascorros (que, diz-se, é a parte pior da cortiça).
Lenda de S. Gens

O S. Gens foi encontrado ao pé de uma ribeira perto do Espinho Grande. Depois as pessoas daquela aldeia construíram uma Igreja e meteram o S. Gens nela, mas ele foi-se embora.
Depois as pessoas construíram uma Igreja nova num sítio alto. Eles puseram o S. Gens na Igreja e ele de lá já não foi embora.

A Lenda da Sobreira Formosa:
    Terra beirã de muitos encantos, à qual está ligada D. Constança Sanches, filha bastarda de D. Sancho I. Em 1 de Junho de 1510 D. Manuel I concedeu-lhe o foral.
    Certo dia, um homem que passava junto da terra ao ver três belas donzelas à sombra de uma Sobreira ficou encantado com tamanha beleza, ao qual disse que eram muito Formosas. Viria a repetir essa afirmação que passou a definir o nome da terra, como Sobreira Formosa.

Lenda da Buraca da Moura:
    Existia uma moura que morava numa enorme Buraca no Chão do Galego.
    Era aqui que os pastores falaram com ela. Quando se penteava perguntava-lhes o que era mais bonito, se o cabelo dela ou o ouro. Se eles respondessem que era o ouro ela ficava zangada e não lhes dava nada.
    Ela vivia na Buraca, mas tinha um forno, ela tinha uma Buraca e uma eirinha onde ela espalhava o ouro.
    Por baixo havia um subterrâneo com um corredor que utilizava para ir buscar água.
    Ninguém conheceu o fim dela.

 

 

 

 

Sertã – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

Pertenceu aos Templários de 1165 a 1174, data em que D. Afonso Henriques a doou à Ordem do Hospital. D. Manuel l, outorgou-lhe foral novo em 1513.

Banhada pelas ribeiras da Sertã e de Amioso, a Sertã tinha uma posição quase inexpugnável a nascente e de difícil acesso a sul e a poente. Por isso, os lusitanos ergueram aqui um castelo que, segundo a lenda, foi atacado pelos romanos ainda antes de estar concluído. Os assaltantes conseguiram forçar uma porta, na defesa da qual pereceu um nobre lusitano. A mulher deste, enfurecida, terá saído de casa com uma sertã cheia de azeite a ferver e, ameaçando os inimigos, conseguiu fazê-los recuar, permitindo que novamente se fechasse a porta e assim se salvasse o castelo.

«Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A estas versões todas mais ou menos inverosímeis, pode acrescentar-se a conhecida lenda local, que deu origem à legenda Sartago hostes sartagine Sternit, que ainda hoje se exibe nas armas da vila. Conta essa lenda que Celinda, esposa do guarda do castelo, se achava fritando ovos, quando os romanos investiram contra o mesmo castelo; exasperadamente por lhe haverem dito que o marido havia já morto pelos inimigos, correu com a frigideira ou sertã cheia de ovos e azeite fervente, acometendo com tal ímpeto os invasores do castelo, que os fez recuar ! Daqui nasceu a versão de que o topónimo Sertã teve a sua origem no nome do conhecido utensílio de cozinha, que, segundo a lenda, serviu de arma de combate”.


Lenda da fundação da Sertã:


    Segundo a lenda, o castelo da Sertã terá sido edificado por Sertório (uma figura histórica), um militar romano, que fora exilado por razões políticas. Veio para a península Ibérica por volta do ano 80 a.C. e aliou-se aos Lusitanos. Sertório foi traído e assassinado durante um banquete por Perpena um lugar-tenente a soldo de Roma. A Lusitânia ficou então sob domínio romano.
    Nas lutas ocorridas na conquista da Lusitânia, houve um ataque romano ao castelo, durante o qual o chefe do castelo pereceu. Sua mulher, Celinda, ao saber da notícia, dando conta que o inimigo chegava às muralhas, subiu às ameias com uma enorme sertã ou sertage (uma frigideira quadrada) cheia de azeite a ferver na qual fritava ovos. Lançou o azeite fervente sobre os invasores que foram obrigados a recuar. Deu assim tempo que chegassem reforços dos lugares mais próximos. Foi assim que o nome de Sertã foi dado ao lugar.
    A data provável da edificação do castelo é no entanto o século X. Segundo algumas fontes, D. Henrique teria ordenado a reedificação da vila e castelo em 1111. Esta informação é possivelmente um erro: uma confusão com a vila de Sátão, que efecftivamete recebeu uma carta de aforamento assinada por D. Henrique naquele ano.
    A primeira intervenção real em relação à Sertã ocorreu com D. Afonso Henriques que doou à Ordem dos Templários a terra limitada pelo rio Tejo e o rio Zêzere. A posse da Sertã pelo Templo demorou apenas entre 1165 e 1174, já que neste ano o primeiro rei português transferiu-a para as mãos da Ordem do Hospital.
    Nos inícios do século XVII, o castelo construído no século X ainda se encontrava em boas condições, embora não tivesse a mesma utilidade de alguns século antes. Mas, no final do século seguinte a fortaleza encontrava-se completamente arruinada.
    A Sertã recebeu foral de D. Manuel I em 1513. Era já então um concelho de relativa importância, já que os seus representantes tinham assento nas Cortes. Nesta altura, a vila pertencia à Ordem de Malta, Em 1665, a vila passou para a Casa do Infantado, que assimilou os rendimentos do Grão-Mestrado da velha Ordem de Malta.

 

 

 

 

 

 

Vila de Rei – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

A imponência da Serra de Melriça que culmina a 529 metros de altitude, no centro geodésico de Portugal, situa-se Vila de Rei.

«De, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Parece, embora não possamos afirmá-lo, que o topónimo recorda qualquer facto sucedido no tempo de D. Dinis, cuja esposa, a Rainha Santa Isabel, lá esteve um dia, na sua missão pacificadora”.

«Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “Quanto ao topónimo Vila de Rei, a sua interpretação, ou, melhor, a sua cronologia oferece dificuldades, porque não é de todo certo que a designação da colonização do tempo de D. Dinis, ou, mais rigorosamente, concessão da carta de foral à actual vila por aquele monarca. Parece que nesta altura já se deva ao local tal designação, a qual, por isso, mostra a existência de uma povoação, ou, melhor, uma “villa” agrária povoada nos inícios da Nacionalidade pela coroa e por isso, como reguenga, dirá “vila de rei”.

É curioso reparar que as actas, sem dúvida, apócrifas, das famosas Cortes de Lamego (que se têm como falsas) citam o concelho de Vila de Rei como um dos que enviaram procuradores à assembleia de Almacave dessa cidade em 1143, facto que, ainda sob o signo da verdade de tais cortes, à primeira vista só muito dificilmente podia respeitar-lhe, dada a denominação arábica de Santarém, que devia estender-se aqui. Todavia nem o concelho parece fundação de D. Dinis, nem a terra no tempo deste rei despovoada ou sequer mal povoada, para o que pode apresentar-se uma circunstância decisiva, pois que constitui um resultado da riqueza local: é o grande dote da Igreja de Santa Maria de Vila de Rei, em tempo de D. Dinis, que deu o foral à vila e esse dote é índice, em regra ou sem excepção do progresso local sem embargo de que se trata de uma paróquia que correspondia à totalidade pelo menos do actual concelho, a única primitivamente existente nele …”.

 

Vila de Rei
Comunidades: Brasileiros convidados a morar no concelho de Vila de Rei
Publicado em 26-01-2006
Tema: Notícias
"A presidente da Câmara de Vila de Rei, Irene Barata, quer fixar no concelho, até 2008, cerca de 250 brasileiros, oriundos de Maringá. A notícia alertou os inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que garantem estar atentos ao desenrolar da situação e vão lembrando que a lei é para todos cumprirem.
Indiferente às vozes contrárias que se levantam, Irene Barata (PSD) pretende começar a inverter o problema da desertificação "importando" mão-de-obra qualificada para «áreas onde o concelho está claramente deficitário». Estes estrangeiros têm lugar assegurado em equipamentos de apoio à terceira idade ainda em construção.   
A ideia, que resulta duma geminação com a cidade de Maringá, consiste em fixar famílias com filhos em todo o concelho. Segundo apurou o JN, inspectores do SEF de Castelo Branco pediram uma reunião com a autarca, onde esta terá explicado as razões desta iniciativa. Salientando "não haver privilégios na lei" para os habitantes de cidades estrangeiras geminadas com localidades portuguesas, fonte do SEF explicou que este processo "é desencadeado pela autarquia, mas carece sempre de consulta prévia por parte dos Serviços de Estrangeiros".   
A avançar-se com esta contratação, a Câmara tem pela frente um moroso processo burocrático. "A lei tem de ser cumprida independentemente de ser uma autarquia ou uma empresa qualquer a contratar trabalhadores estrangeiros", assegurou fonte do SEF.   
Irene Barata não tem medo do tempo e revela que o processo, relativo as primeiras pessoas, está a seguir os trâmites normais. Com alguma segurança afirma que "as famílias virão por três anos com possibilidade de outros três". Findo esse período, "conforme estipula a lei, poderão optar pela dupla nacionalidade".   
A aposta estratégica do executivo assenta num crescimento exponencial, em dois anos, nos instrumentos de apoio à terceira idade. Na sede do concelho vai nascer, de iniciativa privada, um centro de lazer e bem estar, com 300 camas, estando o início da construção previsto para Março próximo.   
Em fase mais adiantada, nas freguesias de São João do Peso e Milreu, estão as obras de dois lares, cada um com capacidade para 70 utentes. Neste caso os equipamentos serão geridos por Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).   
No total das três obras, o investimento previsto ronda os seis milhões de euros e abrangerá 440 camas. Para o normal funcionamento destes espaços, são precisas 280 pessoas que, segundo Irene Barata, "o concelho não tem". Será pois para cuidar dos idosos, e não para a construção dos lares" que virão os brasileiros, assegura.   
"O próprio processo de selecção de candidatos está a ser liderado, no Brasil, pela prefeitura de Maringá", explicou, ao JN, a autarca, revelando que no próximo mês "chegam quatro casais com filhos em idade escolar". Serão cerca de 16 pessoas (os adultos irão trabalhar no lar de São João do Peso), que vão ficar alojadas numa antiga escola primária, em processo de reconstrução.   
Na freguesia, cada vez mais vazia de pessoas, a iniciativa até é encarada com algum optimismo. No café do centro, Vítor Pires acena afirmativamente: "Se não vierem outras pessoas, sangue novo para aqui, daqui a pouco está tudo vazio". A opinião é corroborada por alguns habitantes.   
Na sede do concelho, Vila de Rei, a opinião geral não é muito diferente, mas o projecto começa a encontrar alguma resistência. "Se os portugueses já não têm muito para fazer, porque não há empregos, como é que se podem trazer estrangeiros?", questiona Felismina Gaspar.   
Um problema que não preocupa Irene Barata, já que segundo diz "aqui não há desemprego". A autarca defende a criação de postos de trabalho "apenas para pessoas que se queiram fixar no concelho. A mais valia não passa por recrutar mão-de - obra nacional em concelhos vizinhos, porque as pessoas, por salários baixos, não mudam para cá a sua residência", salienta Irene Barata.   
Todos os brasileiros irão receber cursos de geriatria ministrados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.   
Geminação de sucesso com Leiria   
Foi graças à forte comunidade portuguesa existente em Maringá, especialmente de um grupo . oriundo da região de Leiria, que se iniciaram os primeiros contactos entre a Câmara Municipal de Leiria e a cidade brasileira. Segundo a autarquia, as acções iniciais incidiram sobretudo na área comercial, tendo sido preponderante o trabalho desenvolvido pela Associação Comercial e Industrial de Maringá, cujos dirigentes de então, sendo portugueses, privilegiaram estes contactos.   
A geminação concretizasse em 1982 e deu-se então um outro passo importante na união destas duas cidades. A vertente cultural começa também a ser valorizada, com a digressão por Portugal, apoiada pela Câmara de Leiria, do Rancho Folclórico "Os Lusíadas", do Centro Português de Maringá. Depois de um hiato de oito anos nesta relação, - "devido a opções políticas dos dirigentes brasileiros , assegura a autarquia no seu site -, o relacionamento entre Leiria e Maringá foi reatado em Novembro passado.   
Uma comitiva deslocou-se à cidade do Lis e participou em diversos eventos, destacando-se uma exposição "de grande abrangência na área sócio-económica", conta a Câmara. A Praça Rodrigues Lobo, em pleno coração da cidade, recebeu, durante essa visita, dois desfiles de moda, que mostraram aos leirienses a capacidade da cidade de Maringá na confecção de vestuário."
Alexandra Serôdio - Jornal de Notícias 

 

 

 

 

Vila Velha de Ródão – (Concelho do Distrito de Castelo Branco)

 

 

 

 

 

“Esta vila é indubitavelmente muito antiga, mas não há história que dê razão da sua história. Entendem alguns antiquários que a palavra RÓDÃO  vem de Rodium , antiquíssima cidade romana.
No artigo Redinha narramos o que os antigos acreditavam com respeito a Herodes, um dos verdugos do drama do Calvário. Pois também em Vila Velha de Ródão existe uma lenda equivalente, baseada nos dizeres da parte ll da Monarquia Lusitana.
Na parte propriamente histórica, nada temos a objectar. Todos nos dizem que Herodes Antipas ll foi deposto por Caio Calígua, e toda a gente letrada sebe que esse foi o Herodes déspota, inimigo de Cristo, e degolador de João Baptista. Um tigre, o terrível déspota. E que repugnante vida a sua ! Tinha ele uma filha tão formosa quanto pervertida. Herodias se chamava. Concebeu ela uma paixão sensual por João Baptista, e empregou todos os meios de sedução, que baldados foram. O mancebo, cuja religião, princípios de moral, tradições pátrias e natureza honesta eram radicalmente divergentes da disso lutacriatura, repeliu as tentativas luxuriosas da bela cortesã.
Jurou ela perdê-lo. Herodes Antipas ardia em encestuosos desejos e fazia grandes esforços para lhe obter as boas graças e as torpes condescências. Herodes encontrou portanto o suspirado meio de vingança. Certa noite, no mais vergonhoso cúmulo de uma orgia, Herodes rojava-se aos pés da filha, devorando de infamíssima febre de possuir aquelas carnes resplandecentes de mocidade e formosura.
A devassa sorriu e quando lhe proponha que exigisse o que quisesse em troca dos seus favores, ela exigiu-lhe que lhe mandasse apresentar a cabeça de João Baptista.
Poucas horas depois estava feita a sua vontade. Um escravo oferecia-lhe a bela cabeça do mancebo, em uma salva de prata.
Desapossado dos seus estados, Herodes Antipa ll passou para a espanha, mas nem Josefo nem Adão Vieneuse, nem Morales, nem Niceforo Laymundo Ortega nos declaram o nome das povoações onde viveu o réprobo e a sua incestuosa companheira.
Este último e tão celebrado escritor, apenas diz: “Herodes, fugindo da face de Deus, viveu em Terragona, em Mérida e foi torpemente assassinado em uma cidade ou povoação lusitana, chamada RHODIO”.
Dá-se, porém, a complicada circunstância de haver em Portugal, antiga Lusitânia, várias povoações com o nome de RÓDÃO , e muitas quintas e casais denominados RODA.
Em Vila Velha de Ródão há um jogo que dizem ser a sepultura do tal Herodes. Outras terras dirão o mesmo, pelo menos todas as que têm o nome desta. Não faz mal ...”. (Arquivo História Pátria – 1902).
“E no próprio nome se mostra que o local era já habitado em tempos muito antigos. No mesmo Dicionário de Bento Pereira, citado anteriormente, lê-se que Rodiu-ii (Rodium ?) designou RÓDÃO, CIDADE ANTIGA DE Portugal, mas nenhum elemento elucidativo conseguimos obter, nem sequer a localização dessa suposta cidade antiga, o que faz prevalecer a dúvida sobre a origem do mesmo nome”. (Dr. Xavier Fernandes – 1944).
Vila Velha de Ródão, tem o rio Tejo a seus pés, num quadro de extraordinária beleza e singularidade. A Vila olha-o diariamente, num ritual de revelação estética e frescura. Para melhor admirar a inesquecível panorâmica, passeis até às majestosas Portas do Ródão, onde o ri estreita, investindo contra as rochas, que o acariciam na passagem.
As suas ígremes margens cobrem-se de oliveiras, acentuando a atmosfera bucólica que se respira no local.
Igual referência merece o património histórico da velha vila. A única torre do antigo Castelo, em avançado estado de degradação, é sinal da ocupação remota do povoado. No cume da serra onde ela se ergue, perto da Ermida de Nossa Senhora, disfruta-se também um deslumbrante horizonte sobre o rio e montes circundantes.
No seio da vila levantam-se monumentos de grande expressão arquitectónicas. A igreja matriz pertenceu à Ordem dos Templários e, depois à Ordem de cristo. O discreto portal granítico da frontaria esconde um interior de três naves e pilares de secção circular, bem ao estilo seiscentista. Antes de visitar as povoações de Monte de Famaco, Vilas Ruivas e Foz do Enxarrique, importantes centros arqueológicos do paleólitico, tome nota do pelourinho gótico, que no seu corpo tem esculpidos o brasão e as armas da Vila.
A sede do concelho de Vila Velha de Ródão está desdobrada em dois aglomerados populacionais: a vila propriamente dita, que sobe pela serra do Perdigão, e Porto do Tejo, que nasceu do tráfego fluvial anterior à construção da ponte e depois se desenvolveu ao longo da estrada.
A navegação no rio era muito importante. Os barcos portugueses subiam o Tejo até Alcântara, negociando com minério de ferro, madeira, cortiça, azeite, vinho, sal e lã.
Os rebanhos que vinham de transumância no serra da Estrela e se dirigiam para o Alentejo atravessavam o rio numa barca e chegavam a levar dois ou três dias para passar.
A construção do caminho de ferro e da ponte ligando as duas margens, em 1888, acabou com a navegação no local, que passou a ser apenas frequentado pelos pescadores, que apanhavam peixe abundante e saboroso, como barbo, boga, enguia, sável ,etc.
Hoje as águas estão muito poluídas, mas ainda se faz na região uma sopa de peixe que os entendedores consideram das mais saborosas de Portugal.
Do Castelo restam apenas as ruínas da velha medieval rodense, construída talvez pelo Templários. Conserva a de menagem, que, embora muito arruinada, preserva duas entaipadas seteiras abertas nos muros e uma ilegível inscrição gótica embebida, a grande altura, na face sul, sob uma fresta e acima do portal. Por todo o monte, chamado da Torre Velha, divisam-se vestígios de fortificações e estruturas.
O Tejo ainda há pouco que entrou em Portugal. Não existe estrada que o acompanhe de fronteira com a Espanha até Vila Velha de Ródão, que sabemos que a distância percorrida pelo rio desde a barragem de Cedillo (Espanha), que divide os dois países, até à vila não vai muito além dos 15 quilómetros. Eis-nos então em Vila Velha de Ródão, uma das muitas vilas que nasceram viradas para o Tejo.
É necessário subir a uma alta colina debruçada sobre o rio para ver o pouco que resta do castelo de Vila Velha de Ródão. A sua origem remonta ao início da nacionalidade e poucos são os dados que existem sobre o seu passado e arquitectura. As informações existentes fazem pensar que terá sido construída no reinado de D. Afonso Henriques, depois daquelas terras terem sido doadas `Ordem dos Templários, que ficaram com a obrigação de cosntruirem um castelo para defesa do Tejo.
Em 1191, D, Sancho l acrescentou a esta doação a herdade de Açafa, onde estava incluída a Vila velhas de Ródão.
Tudo indica que foi já na vigência do mestre D. Lopo Fernandes que se concluiram as obras do castelo que compreendia para além deste, uma torre de menagem com a forma de um trapézio e uma muralha a envolver todo o conjunto. Porém, desta fortificação só restam vestígios da torre de menagem. Resta-nos imaginar como seria este castelo, senhor de uma ampla vista sobre o Tejo que prossegue o seu caminho até à foz.
As povoações desta região da Beira baixa vivem, na sua maior parte, predominantemente da agricultura, embora em muitas, sobretudo junto ao Tejo, o modo de vida tenha sido profundamente alterado nas últimas décadas pela introdução de várias indústrias.
Nas zonas rurais, a indústria tradicional, que funcionava apenas alguns meses por ano, era a dos lagares de azeite. No entanto, nos concelhos de Mação e de Vila Velha de Ródão essa cultura nunca foi explorada em grande extensão. Os vastos olivais que se debruçam sobre o Tejo e se prolongam pelas encostas e vales, desde Porto do tejo até Mação, onde actualmente confinam com o pinhal, foram plantados apenas nos últimos anos do século XlX.
Para proteger as oliveiras e as fixar à terra, evitando os danos das enxurradas, foram pacientemente construídas centenas de pequenos muros, destinados a segurar a terra nas encostas.
A criação de novas indústrias tem sido um factor importante no desenvolvimento local e tem contribuído bastante para a fixação das populações, devido à criação de muitos postos de trabalho.
Nos lagares, após a extracção do azeite, obtém-se o bagaço de azeitona, que é utilizado em rações para animais e como matéria-prima para a obtenção de óleos pesados. Também há na região fábricas de conserva de azeitona.
A maior fábrica destes sítios é a da Celulose do Tejo, que utiliza madeiras provenientes de outras regiões e movimenta muitas centenas de pessoas.
Antigamente, havia na região do pinhal diversas oficinas artesanais que tratavam as resinas e fabricavam aguarrás e pez-louro, mas actualmente já não existe nenhuma.
A proximidade de um grande rio determinou a localização nas suas margens de unidades transformadoras, para as quais era indispensáveis a presença da água. Nestas condições, temos ainda as Barragens do Fratel e de Belver e a grande Fábrica de Destilação de Resinas de Ortiga.
Nos últimos anos surgiram aqui diversas indústrias pequenas, sobretudo unidades de criação de gado suíno e aviários, mas há também fábricas de confecções, diversas serrações de madeira, etc.
Como complemento deste esforço empreendedor, estão a ser abertas algumas estradas que permitam mais fáceis acessos e melhores possibilidades de comunicação com outros centro.

 

Vila Velha de Ródão

RODAM  -  UMA   HISTÓRIA  MILENAR LOCAL DE ENCONTRO DE POVOS 
RODAM E O SEU TEJO,  ANTES DA HISTÓRIA
Nem sempre o leito do Tejo correspondeu ao que hoje lhe conhecemos. Há muitos milénios, as suas águas cobriram esta vasta região espraiando-se até à Serra das Talhadas. A acção erosiva das águas deu origem a duas gargantas que hoje chamamos "Portas de Ródão e "Vale Mourão".
É de salientar a quantidade de pedras roliças - "conhos" - que se foram depositando na margem esquerda, a jusante das Portas de Ródão. A enormidade destas cascalheiras, pela sua beleza natural, pelo seu colorido e pelo testemunho natural que representam, são dignas de ser admiradas. Estão votadas ao abandono, acontecendo que alguns industriais menos sensíveis às belezas naturais,  as vão destruindo, para as transformar em brita.
 (É pena que as Câmaras Municipais de Nisa e Vila Velha de Ródão ainda não se tenham apercebido  da beleza natural ali patente, para promoção turística da região).
A PRESENÇA DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO
A nível arqueológico, Vila Velha de Ródão, é um dos concelhos da Beira Interior mais explorados e estudados por especialistas da pré-história. A carta arqueológica do concelho apresenta-se bastante rica.
A presença do rio Tejo e da extensa rede hidrográfica de afluentes a ele ligados, parece-nos ter extrema importância para explicar a presença do Homem nesta região, desde tempos muito recuados.
Até há bem pouco tempo, quase tudo desconhecíamos da presença do homem pré-histórico nos territórios ribeirinhos do Tejo, a montante de Abrantes. Porém, a partir dos inícios dos anos 70, este panorama alterou-se por completo com os trabalhos efectuados no concelho de Vila Velha de Ródão. O rio, afinal, desde que devidamente prospectado, não podia deixar de revelar-se como um "universo" privilegiado para a presença ou passagem do Homem.
Primeiro surgiu o mais extraordinário complexo de Arte Rupestre do país, engolido pelas águas da barragem de Fratel. Depois foi a descoberta das marcas das comunidades de caçadores do Paleolítico, ao longo das antigas margens do Tejo.  
Foi graças aos trabalhos do Grupo de Estudos do Paleolítico Português, na região, que o Paleolítico de Ródão é hoje representado por uma vasta colecção de artefactos líticos, de idades e culturas diferentes, provenientes de várias estações localizadas essencialmente na área de Vila Velha de Ródão.
Entre as mais importantes contam-se :
- "Monte do Famaco", estação do Paleolítico Inferior, possívelmente uma grande oficina ao ar livre, um local de habitat provisório.
- "Vilas Ruivas", Paleolítico Médio, trata-se de um acampamento,  com estruturas de habitat organizadas e com utensilagem inserida no complexo técnico Mustiero-Levalloisence.
- "Foz do Enxarrique", Paleolítico Médio-Superior, é uma estação que se tem  revelado particularmente importante, não só porque já se detectou um solo de ocupação humana e uma indústria lítica muito rica, produzida no local, como também pela recolha de restos faunísticos bastante representativos: grandes mamíferos, entre os quais o cavalo, o auroque, o elefante, o veado e pequenos mamíferos, tais como, pássaros e peixes.
Quanto aos testemunhos do período Neolítico/Calcolítico, eles estão intimamente relacionados com o Megalitismo.  
Inicialmente detectado e parcialmente estudado por Francisco Tavares Proença Júnior, o fenómeno Megalítico tem sido nos últimos vinte anos, atentamente prospectado e inventariado pelos membros do Núcleo Regional de Investigação Arqueológica - A.E.A.T.
Conhecem-se, desta zona, várias dezenas de monumentos megalíticos, vulgarmente designadas por Antas, que são geralmente pequenas construções de câmara poligonal e corredor, com aparelho de xisto. Estes monumentos apresentam-se em precário estado, alguns deles quase completamente destruídos. O espólio destas Antas é considerado pobre em relação ao de outras regiões (nomeadamente ao vizinho Baixo Alentejo). Os povoados do período que consideramos são muito poucos no aro concelhio de Ródão e o mais importante é, sem dúvida, o povoado da Charneca de Fratel já escavado e estudado.
Por fim, temos a considerar as estações de Arte Rupestre do Vale Tejo, que se situam em ambas as margens do rio Tejo e seus principais afluentes ( Ocreza e Sever ). A datação destas figuras levanta dúvidas aos estudiosos mas pensa-se que abrangem um período vasto, desde o Paleolítico à Idade do Ferro. A maior parte delas encontra-se submersa desde a construção da barragem de Fratel (1974), sendo actualmente visíveis apenas pequenos núcleos (o de S. Simão, em Perais, e outro a jusante da barragem de Fratel, perto da linha de caminho de ferro).
Poucos vestígios nos aparecem, no nosso concelho, tipicamente datáveis do período do Bronze-Ferro. Para além das gravuras em forma de ferradura (motivo cronologicamente situável na Idade do Ferro), que nos aparecem nas freguesias de Perais e Sarnadas, temos somente dois povoados que atribuímos a este período - os Castelinhos de Perais e o Castelejo do Tostão - com algumas interrogações, e ainda a estação de superfície da Fraga, em Sarnadas de Ródão.
ÉPOCA ROMANA.
Da época Romana os vestígios encontrados são de maior monta. Apesar disso, a pobreza dos materiais é uma constante.  As quatro estações mais importantes - para além da magnífica barragem em terra, da Represa da Lameira, em Perais, caso único na Europa - são a da Revelada,  a da Fonte dos Piolhos, a do Açafal e do Salgueiral, encontrando-se todas por escavar e estudar.
A cerca de 1km da estação da Revelada situa-se a Buraca da Moura, mina de Cobre, cuja exploração alguns remontam a esta época. Outros  julgam ser de origem mais recente, atribuindo-lhe como época de actividade os séc. XV/XVI. Esta mina, está situada ao lado da Ponte de Caminho de Ferro (Ponte de São Pedro).  Em 1973, um grupo de  professores, entre os quais o signatário destes apontamentos, entrou dentro da galeria, semi-obstruída e verificou que a mina estava escorada com madeira que se presumia (pelo menos aparentemente)  não ter uma origem tão remota.
Em finais dos anos 70, um inverno chuvoso fez abater a entrada da mina, ficando fechada para sempre. Hoje, exactamente sobre a entrada, passa a estrada que dá acesso a Porto do Tejo.
DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA
I
Parece inútil procurar qualquer documento histórico anterior ao século XII, sobre o território do actual concelho. Não se lhe conhece foral, o que não significa que este não tenha existido. Deve-se crer que os Templários, que aforavam quantos castelos possuíam, com os seus termos, nos séculos XII e XIII, também tivessem dado foral a Açafa ou Ródão, perdendo-se dele memória, o que não surpreende numa vila e concelho que é dos mais escassos em documentação histórica, no nosso país.  Deve-se tal facto a dois acontecimentos ocorridos entre 1840 e 1900 : o incêndio dos Paços do Concelho (em 1846), onde existia uma documentação rica do passado de Ródão e a extinção do Concelho (1896), com a consecutiva retirada de documentos para o arquivo Distrital, pois a restauração do mesmo só ocorre em 13 de Janeiro de 1898.
Poderá haver alguma  documentação no Arquivo da Câmara Eclesiástica da Guarda, e nos Arquivos do Paço de Castelo Branco, em virtude destas paróquias terem,  pertencido sucessivamente àquelas dioceses até que esta última foi extinta, passando depois para a diocese de Portalegre.
A doação de um território que inclui o do actual concelho , feita entre 1115 e 1118, prova que esta região pertencia ao Condado Portucalense, já desde o tempo de D. Teresa.  
O documento mais antigo que menciona a região de Ródão data do ano 1186. Trata-se do Foral da Covilhã.  Este foral, concedido pelo rei D. Sancho I, menciona a região das Portas de Ródão como o limite sul daquele concelho e refere a  necessidade de estabilizar as fronteiras e desenvolver económicamente uma área tão escassamente povoada.
Em 1199, este monarca concedeu,  em paga dos bons serviços prestados pelos Templários, a região da Açafa,  ao Mestre do Templo, D. Lopo Fernandes. Era esta Herdade uma vastidão de terras a confrontar com o termo da Idanha, já em posse dos Templários, indo de lá, até ao ribeiro de Figueiró e rio Ocreza, com passagem por Vila Velha de Ródão.
O território dos Templários é agora alargado para o sul e leste, ocupando uma vastidão territorial que vai desde o ribeiro do Figueiró, Anta da Milriça, em Castelo de Vide, Portagem (a sul de Marvão), Igreja de Nª Sª de Manjarretes, ainda existente, junto ao convento de S. Pedro de Alcântara, já em Espanha (hoje restaurante), ribeira David, (junto a Valência de Alcântara), castelo de Terrón (em São Vicente), mosteiro de Palante, em ruínas, (perto de Solarino), Rio Salor e daqui até ao Tejo, frente ao rio Erges.
Convém recordar que, nesta época, toda aquela área pertencia ao domínio da coroa portuguesa.
Quanto aos limites, a sul do Tejo,  da Herdade da Açafa, doada aos Templários, muito se tem escrito, por gentes de muito saber, mas também muitas imprecisões se têm cometido, certamente pelo facto de os seus autores não conhecerem, ou pelo menos, não terem visitado, in loco, as referências de limite, apontadas no documento de doação. É o caso de Alexandre Herculano e de Mário Saa que confundiram o castelo de Terrom com o castelo de Nisa, Palantre ou Alpalantre com Alpalhão,  Mongaret com Alegrete,  ribeira David com rio Sever...
Eis os termos da dita doação:
"... Partitur enim ultra Tagum per Focem de Figueyroo, quomodo intrat in Tagum, deinde intrat ad rostrum de Merlica et vadit ad Mongaret deinde ad Cimalias de Aqua de Vida, deinde ad Castellum de Terrom quomodo vadit ad Monasterium de Palantri deinde ad semederium de Benfayam, deinde ad Portum de Mola de Salor, quomodo vertuntur aquae de Tagum"
Faltam-nos documentos que acompanhem a evolução jurídico-administrativa do território da Açafa, a partir daquela doação e da sua transformação no concelho de Vila Velha de Ródão. 
A existência do pelourinho Manuelino confirma, no entanto, a autonomia municipal que, seguramente, esta vila conquistou posteriormente ao século XIII.  A sua área era de grande importância como ponto estratégico na delimitação das fronteiras cristãs face aos muçulmanos e na garantia da liberdade de navegação do Tejo, empresa atribuída aos Templários, assim como para o povoamento da região da Beira. Daí a necessidade de edificação de castelos como o de Almourol e das Portas de Ródão que teria sido fundado (provavelmente) por D.Gualdim Pais.
  No "Numeramento do Reino" de 1527, não nos aparecem indicações sobre o número de habitantes de Vila Velha de Ródão, apesar de se lhe fazer referência como limite das comarcas da Beira e de Entre-Tejo e Guadiana.
  Em 1708, a Vila era "vigararia" da Ordem de Cristo, comenda do conde de Atouguia e contava apenas 160 fogos.
II
Em 1758, o Marquês de Pombal enviou ao Bispo da Guarda um inquérito para que este o distribuísse por todos os párocos da sua diocese. Tivemos acesso a este inquérito do qual extraímos alguns dados, com data de Abril de 1758:
"Tem esta fregusia de Vila Velha de Ródam 172 fogos e 438 fregueses. Alem da sede, tem esta freguesia os lugares seguintes: Gaviam, com 50 vezinhos; Tavilla, 7; Val de Cabram, 5; Foz de Cabram, 9; Cham das Cervas, 6; Monte Queimado, 1; Sarnadinhas, 8; Alvaiade, 13; Sereijal, 5; Tostam, 6; Cocherre, 3; Serrasqueiras, 10; Coutada, 15; Val de Pouzadas, 7; Perais, 14; Casa Honrada, 1.
O pároco é colado e tem de renda 32 mil réis em dinheiro e 78 alqueires de trigo e 78 alqueires de senteio.
Tem as seguintes ermidas: Sam Pedro, dentro da villa; Sam Sebastiam e Espírito Santo, junto à mesma villa; Senhora do Castello, da Alagada e Senhora da Graça, nos limites.
À Senhora do Castello acodem vários romeiros todos os anos no dia último de Agosto e fazem novena até dia 8 de Setembro".
Censo da freguesia de Vila Velha de Ródão:
O pároco, em 1758, atribuiu-lhe 172 fogos e 438 habitantes.
O censo de 1864 atribuiu-lhe 355 fogos e 1.454 habitantes e o de 1878 deu-lhe 430 fogos e 1.652 habitantes.
Censo do concelho de Vila Velha de Ródão:  
Em 1708, o concelho compreendia já as mesmas 4 freguesias de hoje - Vila Velha de Ródão, Alfrívida (actualmente Perais), Sarnadasde Ródão e Fratel - com um total de 560 fogos.
Pelo recenseamento de 1878, contava 1323 fogos e 5.233 habitantes.
O censo de 1940 atribuiu-lhe 9.693 habitantes.
Actualmente (em 2003) está em acentuado decréscimo, sendo a população inferior a 4.700 habitantes.
Para além da estratégica posição de defesa que ocupava, a importância de Ródão advém do Porto do Tejo que dava passagem a uma estrada comercial e pastoril fundamental para o desenvolvimento das regiões da Beira Baixa e Alentejo. O gado atravessava-a em direcção aos pastos estivais da Serra da Estrela e inverniços do Alentejo.
A travessia do Tejo era feita através de uma ponte de barcas, até à construção da ponte metálica em 1888.  
O tráfego fluvial foi muito activo até à construção do caminho-de-ferro, em 1885-93, que o substituiu.
   A construção da ponte metálica e do caminho-de-ferro contribuíram decisivamente para o desenvolvimento deste concelho, comprovado pelo aumento da sua população, que se verificou até meados do século passado. A partir daí, tem-se verificado um decrescimento da população, de tal maneira acentuado que se torna alarmante.

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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