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Concelhos de:
Amares,
Barcelos, Braga
(concelho),
Cabeceiras de
Basto, Celorico
de Basto,
Esposende, Fafe,
Guimarães, Póvoa
de Lanhoso,
Terras de Bouro,
Vieira do Minho,
Vila Nova de
Famalicão,
Vila Verde,
Vizela.
Distrito
pertencente à
província
tradicional de
Trás-os-Montes e
Alto Douro.
Limita a norte e
a leste com
Espanha, a sul
com o Distrito
da Guarda e com
o Distrito de
Viseu e a oeste
com o Distrito
de Vila Real.
Área: 6608 km².
Capital e sede
de distrito: A
cidade de
Bragança.
Bragança
(Capital e
concelho de)

“Segundo muitos
escritores
Bragança foi
fundada por
Brigo lV, rei de
Espanha, no ano
de 1906 antes de
Cristo. O douto
Abade de Baçal,
porém, reputa
essas afirmações
dado como
lendária a
existência desse
rei Brigo.
A princípio
chamava-se
Celobriga, mais
tarde Brigâncio
ou Brigância.
No tempo dos
romanos era
Bragança já uma
cidade de grande
importância, a
que Augusto
César pôs o nome
de Julióbriga,
em homenagem a
seu tio Júlio
César, que a
tinha
reedificado e
fez município do
antigo direito
latino.”
(Dr. Rocha
Martins 1889).
“Derivou de
Briganti, como
se vê nos
Brigantinos. Não
se julgue que
não houve outras
Brigancias.
Quicherat
regista uma
cidade Brigantia
na Gália
Cipalpina (hoje
Briançon), e
também Brigantia,
cidade da
Vindelícia,
região entre os
Alpes e o
Danúbio.
Todas essas
Brigantiae devem
ter origem
celta. Brigantia
passou a
Bragança por
meio de uma
forma Bregança.
Talvez que a
forma Braga
ajudou a
passar-se
Bregança para
BRAGANÇA. (Prof.
Dr. Vasco
Botelho do
Amaral - 1949).
A primeira
povoação,
bastante
importante, foi
fundada
anteriormente à
era cristã.
Talvez no ano de
1906 antes de
Cristo.
Durante as
guerras entre
cristãos e
mouros foi
saqueada e ficou
completamente
arruinada, tendo
sido
reconstruída no
século Xll, no
local onde se
encontra
actualmente. D.
Sancho l
concedeu-lhe
foral em 1187.
D. Fernando
ofereceu-a como
dote a uma das
suas cunhadas,
irmã de D.
Leonor Teles.
Voltou à Coroa e
foi dada, como
ducado, a um
filho natural de
D. João l,
ficando então
definitivamente
na posse da Casa
de Bragança.
Encravada nas
montanhas do
Nordeste
Transmontano, a
antiga Bragança,
olha com
orgulho, do alto
da sua cidadela,
todos quanto a
ignoram sem que
a conhecerem.
Nascida nos
confins do
tempo, destruída
pelas lutas
cristãs –
islamitas,
reconstruída, em
território
pertencente ao
Mosteiro
Beneditino de
Castro de Avelãs
por cedência de
outras e quiçá
mais vastas
áreas, Por
Fernão Mendes,
cunhado do
primeiro rei
português, D.
Afonso
Henriques,
Bragança só em
1187, com D.
Sancho l, vem a
conhecer o
primeiro foral.
Ter-lhe-ia sido
dado esse foral
pela sua
afectiva
importância
militar, uma vez
que se situava
na linha de
fronteiriça com
a Galiza ?
Apesar do gesto
meio tardio e
das contínuas
guerras e
consequentes
devastações que
a assolaram,
Bragança – ainda
que obrigada a
render-se aos
espanhóis em
1762 e ocupada
pelos franceses
em 1808 – contra
todos se
revolta,
persistindo em
continuar
bastião
português.
Ducado em 1442,
tendo como
primeiro duque
D. Afonso, filho
ilegítimo de D.
João l e genro
do Condestável,
Nuno Álvares
Pereira,
tornou-se uma
das mais
importantes
casas da Europa.
Dela sairão mais
tarde alguns dos
reis
portugueses.
Em 1455, é-lhe
concedida uma
feira franca, o
que revela bem a
importância do
burgo, e D.
Afonso V eleva-a
à categoria de
cidade em 1466.
Ainda que
fracamente
impulsionada
pelos seus
duques, a cidade
veio a conhecer
relativo
desenvolvimento
com os Judeus,
que nela
encontravam
acolhimento e
“asilo quase
seguro”. E,
entre os séculos
XV e XlX,
tornou-se
importante
centro de
cultura do sirgo
e da indústria
da seda.
O Castelo, com
as suas duas
cinturas
castrenses, pelo
interior das
quais se estende
a cidadela, hoje
ainda
surpreendentemente
bem conservada e
habitada, é um
dos mais bem
preservados de
Portugal.
Franqueando os
dois arcos da
entrada que não
conservam já as
antigas portas,
depara-se-nos a
altiva torre de
menagem, gótica,
com 33 metros de
altura e 17 de
base, erguida no
reinado de D.
João l, ao qual
a praça – forte
aderira com
prontidão. Já
não existe a
ponte levadiça,
mas uma enorme
porta que, no
entanto, não dá
acesso à torre.
Este faz-se por
extensa
escadaria
exterior, pela
qual se pode
penetrar em
vários pisos. E
se, no fundo, se
podem ver a
cisterna e o
ergástulo
(cárcere) – de
meter medo ao
mais bem
intencionado
forasteiro - ,
lá no alto,
espreitando
pelas ameias, de
onde, em remotas
eras, os
defensores davam
as boas-vindas
aos atacantes
com grandes
caldeirões de
líquidos
ferventes
(azeites, seiva
de pinheiro, etc),
poderá agora
desfrutar-se uma
inolvidável
paisagem, do
melhor miradouro
da cidade.
Como que erguida
por mãos
diferentes e um
pouco
apressadas,
encontra-se do
lado
setentrional A
Torre da
Princesa, que
está na origem
da lenda tão
ciosamente
guardada pelo
povo.
Segundo a lenda
(Linda
Princesa):
“ Uma bela
princesa,
apaixonada por
um jovem
guerreiro e
recusando os
pretendentes
fidalgos que lhe
oferecia seu
cruel tio,
persistiu em
esperar pelo
noivo, que,
partido para as
lides da guerra,
já muito
tardava.
Entretanto, o
tio, servindo-se
de um
estratagema,
tentou
provar-lhe que o
noivo do seu
coração estava
morto. Assim,
entrou
furtivamente no
quarto da
princesa altas
horas da noite,
fingindo-se
fantasma, para a
aconselhar a
escolher marido.
Mas logo a outra
porta do quarto
se abriu e um
raio de sol o
iluminou,
vendo-se assim
descoberto na
sua traição.
Esta é também a
origem dos nomes
da Porta do Sol
e da Porta da
Traição. E,
embora a lenda
erudita reze que
a princesa se
manteve na sua
torre esperando
o ansiado noivo,
o povo mantém
que o Romeu,
numa noite
tempestuosa, a
conseguiu
raptar,
fornecendo-lhe
uma espécie de
guarda-chuva com
o qual ela se
lançou nos
braços”.
Dentro da
cidadela
encontra-se um
interessante
pelourinho –
onde eram
amarrados e
castigados os
réus de grandes
delitos –
formado por uma
coluna encimada
com algumas
esculturas e
cuja base é uma
porca toscamente
esculpida em
granito, à qual
ainda hoje se
chama “porca da
vida”.
Frente ao
castelo
ergue-se,
curiosamente
pentagonal, a
“Domus
Municipalis”,
monumento único
da arquitectura
civil medieva na
Península
Ibérica e que se
pensa ter sido
edificada como
casa de água,
fazendo a
cachorraria
interior e
exterior
converter para a
cisterna e sua
nascente as
águas pluviais.
Mais tarde,
tornando-se o
lugar de reunião
dos “homens
bons” do
concelho.
Ainda dentro do
castelo
poder-se-á
apreciar a
velhíssima
Igreja de Santa
Maria, românica,
mas na qual se
misturam o
estilo
renascença e o
barroco, em
consequência da
transformação
que sofreu
aquado da sua
reconstrução no
século XVlll.
Esta é também a
época da pintura
que se pode ver
no tecto da
igreja.
Não se pense,
porém, que as
muralhas do
castelo encerram
todos os
monumentos
dignos de ser
apreciados na
velha cidade.
Rica em
arquitectura
religiosa – mais
do que na civil
- , em que os
estilo se
confundem um
pouco mercê das
destruições
havidas e
posteriores
reconstruções,
oferece-nos, ao
descer as ruas
que dão acesso à
cidadela, a
Igreja de São
Vicente,
primitivamente
românica (século
Xlll) e
reconstruída no
século XVll.
Embora o pórtico
de acesso seja
renascentista,
esconde no
interior uma
capela rica em
talha dourada e
com uma abóbada
pintada e
igualmente
dourada. À volta
da nave, tem
interessante
azulejaria do
século XVll;
lateral e
exteriormente,
encontra-se
também um painel
de azulejos,
alusivo à
proclamação, em
1808, do general
Sepúlveda contra
a ocupação
napoleónica. De
interesse ainda
o artístico
fontanário
situado na
parede deste
painel.
Foi nesta
igreja, segundo
reza a tradição,
que teve lugar o
casamento
secreto de D.
Pedro l com D.
Inês de Castro,
abençoado pelo
deão da Sé da
Guarda.
A mesma tradição
conta que D.
Isabel, que se
dirigia para
Trancoso para a
celebração do
seu casamento
com D. Dinis,
pernoitou na até
há pouco Igreja
de São Francisco
(que
posteriormente
dotou de grandes
bens). Esta ao
tempo era
convento,
segundo a
tradição
edificado na
presença de São
Francisco de
Assis. Mais
tarde, foi
convertido em
hospital militar
e ainda, depois,
em asilo.
A Igreja de São
Bento, padroeiro
da cidade,
apresenta uma
pintura do
tecto, atribuida
ao pintor
religioso
Bustamante,
considerada uma
relíquia do
barroco
nordestino.
Dignas de atenta
observação são a
Capela da Casa
da Misericórdia,
com um retábulo
de talha dourada
do século XVll,
e a velha Igreja
de Santa Clara
(conventual),
onde novamente
se confundem o
estilo
renascença com o
barroco, e que
possui uma
apreciável
pintura no
tecto, datada do
século XVlll.
Na Praça da Sé,
aprincipal da
cidade, em cujo
centro se ergue
um interessante
e trabalhado
cruzeiro,
encontra-se a
velha Sé –
Catedral, templo
quinhentista
doado aos
Jesuítas, que
aqui instalaram
um colégio até à
data da sua
expulsão. Pouco
depois, este
templo foi doado
à Mitra de
Miranda, mais
tarde
transferida para
Bragança. Também
aqui o estilo
renascença se
deixou infiltrar
pelo barroco,
sendo de
apreciar as suas
janelas
trabalhadas e,
no interior, o
arco
renascentista, o
rodapé de
azulejo do
século XVll, o
retábulo de
talha dourada e
o tecto da
sacristia,
apainelado e
pintado. A
igreja liga com
o claustro onde
funcionava o
colégio jesuíta,
mais tarde
adaptado a
liceu, a que
dava vida uma
imensa e
azougada
população
flutuante de
estudantes. Como
curiosidade, há
que referir a
existência de
uma filha da
célebre “cabra”
de Coimbra
(relógio da
Universidade
coimbrã), que os
estudantes
brigantinos
cognominaram de
“cabrita:
“Se Coimbra tem
a cabra, /
Bragança tem a
cabrita. / E em
começando as
aulas, / Se a
mãe berra ... a
filha grita”.
Em frente da Sé
e representante
da arquitectura
civil, ergue-se
o Solar dos
Caladinhos, com
uma pedra de
armas; pouco
mais abaixo,
encontra-se a
Casa dos Vargas,
com uma
interessante
fiada de
varandas com
grades de ferro,
e a Casa do
Arco, também ela
velho solar,
construída no
século XVll, com
pedra de armas e
uma fachada
dupla para duas
ruas, ligadas
por um curioso
arco transversal
coberto.
Se o visitante
que está a
apreciar este
interessante
arco palmilhar
um pouco mais a
rua, encontrará
o Museu do Abade
de Baçal, que se
estende por dois
andares e pelo
jardim do antigo
Paço dos Bispos.
Nas suas bem
recheadas salas
podem
apreciar-se
notáveis obras
de arte, desde
alabardas da
época de Bronze
e esculturas
zoomórficas pré
– romanas a
móveis dos
séculos XVll e
XVlll, retratos,
pinturas,
faianças, etc.
É certo que
muito tempo será
necessário para
o visitante
percorrer o
museu e admirar
o recheio de
todas as salas;
mas também é
certo que, numa
próxima vinda à
cidade, não
prescindirá de
rever o velho
museu, que o
carinho do abade
de Baçal
transformou num
dos melhores
deste país.
Mas a velha urbe
transmontana tem
mais para
oferecer ao
visitante. Um
passeio pela
Estrada do
Turismo, ladeada
de frondosas
árvores, põe
agora a cidade a
seus pés, numa
espectacular
policromia, e
permite-lhe
ainda subir ao
cabeço de São
Bartolomeu, onde
poderá entrar na
pequena mas
interessante
ermida, de onde
se desfruta um
panorama
inesquecível.
Depois,
percorrendo a
estrada do
circuito,
está-se de
regresso à
cidade.
Vale ainda a
pena descer a
Estrada do Sabor
e, na sua
magnífica praia
fluvial, à
sombra das
árvores,
observar os
peixes do rio e
gozar um sossego
cada vez mais
raro.
MUSEU DO ABADE
DE BAÇAL
Está situado num
edifício de
sóbrio estilo
seiscentista,
alterado na
primeira metade
do século XVlll,
(1737), sob a
orientação de D.
João de Sousa
Carvalho, bispo
de Miranda;
possui um amplo
jardim onde se
encontra uma
valiosa colecção
epigráfica luso
– romana, que
constitui, assim
uma secção do
museu ao ar
livre. A fachada
ostenta o brasão
de D. João de
Sousa Carvalho.
O Museu do Abade
de Baçal é,
pelas suas
características
gerais, um museu
de arte,
arqueologia e
etnografia. A
data da sua
fundação remonta
ao último
decénio do
século XlX e a
ideia da sua
criação deve-se
a um núcleo de
ilustres
bragançanos,
perfeitamente
actualizados nas
tendências
culturais da
época, entre os
quais o coronel
Albino Pereira
Lopo. Sob a sua
direcção, abriu
ao público em 14
de Março de 1807
o Museu
Municipal de
Bragança, que
ficou instalado
no edifício dos
Paços do
Concelho,
transitando,
mais tarde, para
o antigo Paço
Episcopal.
O conjunto das
peças está
dividido pelas
seguintes
secções:
Arqueologia -
Epigrafia -
Etnografia -
Ourivesaria e
Paramentos -
Mobiliário -
Escultura e
Artes
Decorativas.
Apontamento do
Jornal do
Comércio do ano
de 1900:
“Bragança,
capital de
Distrito e
cabeça de
Concelho, tem
5.535
habitantes, está
situada à beira
do rio Fervença,
junto das ruínas
da antiga
Brigantia.
Antiga praça de
armas. Deu-lhe
D. Sancho 1 o
seu primeiro
foral em 1187.
Tem alguns bons
edifícios, um
museu de
antiguidades e
uma casa de
câmara, que
parece ser
edifício
românico da alta
Idade Média. O
concelho tem 49
freguesias e
30.790
habitantes.
O Distrito de
Bragança,
formado de uma
parte da antiga
província de
Trás-os-Montes,
tem uma
superfície de
6.510 Km2 e uma
população de
185.200
habitantes.
Abrange 12
concelhos e 301
freguesias. Os
concelhos são:
Alfândega da Fé
– Bragança –
Carrazeda de
Anciães – Freixo
de Espada à
Cinta – Macedo
de Cavaleiros –
Mirando do Douro
– Mirandela –
Modadouro .
Torre do
Moncorvo – Vila
Flor – Vimioso e
Vinhais. O seu
terreno é muito
montanhoso e
apresenta as
serra de:
Nogueira (1.321
metros acima do
nível do mar) ;
Bornes de
Montesinho
(1.596 m); Coroa
(1.270 m);
Vinhais (1.027
m). O Distrito é
banhado pelos
rios Douro, que
forma grande
parte do limite
do do distrito,
Sabor , Tua,
Rabaçal. Possui
ainda muitos
terrenos
incultos.
Produtos
agrícolas,
vinhos,
sericicultura.
Costumes e
trajos populares
muito
interessantes.
Dialectos locais
bem marcados,
dentro dos quais
se salienta o
“mirandês”.
AS FESTAS DO
NATAL ( e as
máscaras
diabólicas)
Na região
compreendida
entre os
concelhos de
Freixos de
Espada à Cinta,
Miranda do Douro
e Bragança,
intervém um tipo
especial de
mascarados no
ciclo das Festas
do Natal: os “caretos”,
“chocalheiros” ,
“zangarrões” – “mascarões”.
A despeito de se
apresentarem
como as
personagens mais
características,
eles actuam,
incongruamente,
como meros
mendicantes ao
serviço da
igreja,
percorrendo as
localidades a
recolher
esmolas, na
companhia dos
respectivos
mordomos.
Em Bemposta
(Mogadouro),
onde o costume
mantém plena
vigência, essas
personagens
saiem nos “dias
do chocalheiro”,
a 26 de Dezembro
a 1 de Janeiro,
a partir da
meia-noite.
Máscara e
indumentária são
pertença da
aldeia, e
durante o ano
ficam à guarda
da igreja. O
cargo de
“chocalheiro” é
leiloado todos
os anos pelo
mordomo da
festa,
mantendo-se os
licitantes em
segredo, atinge
somas por vezes
vultuosas e é
exercido em
cumprimento de
promessas.
Na companhia dos
mordomos, o
“chocalheiro”
percorre a
freguesia
batendo a todas
as casas e
recolhendo as
esmolas que
ninguém lhe
recusa.
Exercendo
prerrogativa de
excepção, entra
não raro nas
casas e delas
leva o que bem
entende,
especialmente
chouriços.
A sua actuação
na rua é
insólita e
temida,
sobretudo pelas
mulheres
solteiras, com
quem permite
liberdades
licenciosas, e
também pelo
rapazio, que
foge espavorido,
gritando com
todas as forças:
“Vem aí o
“chocalheiro” –
Vem aí o diabo
!”.
De facto ele
exibe vários
atributos
conotados com o
diabo, além da
máscara, o fato
azul mostra uma
série de listas
brancas e
vermelhas, uma
caveira pintada
nas costas, um
rabo de crinas
comprido, uma
bexiga de porco
pendente do
capuz e uma
figura de
serpente a
tiracolo.
A tradição local
consagra a
superstição de
que, se alguém
morre no dia em
que ele deambula
pelas ruas, vai
para o inferno,
o mesmo
sucedendo àquele
que por ventura
morra investido
naquela figura.
Na verdade, a
actuação destes
“caretos”
denuncia uma
personalidade
que os situa no
domínio do
fantástico.
Assumindo
inteiramente uma
natureza
diabólica, a sua
aparição impõe
pelo terror a
presença de um
ser que se
coloca fora da
lei e das
convenções, que
escapa às normas
quotidianas e
autoriza o que é
interdito. Aos
olhos das gentes
das raras
aldeias em que
sobrevivem,
aparecem como
uma verdadeira
entidade mágica,
sombria e
inquietante, mas
necessária. E
pode pensar-se
que sua
aceitação se
justifica por
conter um
sentido vago de
protecção da
comunidade,
sendo através
deles que se
normalizam
certas forças
estranhas e
difusas que
nesse período se
crêem
desencadeadas.
Lenda da
Princesa
Quando a cidade
de Bragança era
ainda a aldeia
da Benquerença,
existia uma
princesa bela e
órfã que vivia
com o seu tio, o
senhor do
Castelo. A
princesa
tinha-se
apaixonado por
um jovem nobre e
valoroso mas
pobre, que
também a amava,
e que tinha
partido para
procurar
fortuna,
prometendo só
voltar quando se
achasse digno de
a pedir em
casamento.
Durante muitos
anos a princesa
recusou todas as
propostas de
casamento até
que o tio
resolveu
forçá-la a
casar-se com um
nobre cavaleiro
seu amigo.
Quando a jovem
foi apresentada
ao cavaleiro
decidiu
contar-lhe que o
seu coração era
do homem por
quem esperava há
10 anos, o que
encheu de cólera
o tio que
resolveu
vingar-se. Nessa
noite, o senhor
do Castelo
disfarçou-se de
fantasma e
entrando por uma
das duas portas
dos aposentos da
princesa,
disse-lhe que
esta seria
condenada para
sempre se não
acedesse a casar
com o cavaleiro.
Quando estava a
ponto de a
obrigar a jurar
por Cristo, a
outra porta
abriu-se e,
apesar de ser de
noite, entrou um
raio de sol que
desmascarou o
falso fantasma.
A partir de
então a princesa
nunca mais foi
obrigada a
quebrar a sua
promessa e
passou a viver
recolhida numa
torre que ficou
para sempre
lembrada como a
Torre da
Princesa. As
duas portas
ficaram a ser
conhecidas pela
Porta da Traição
e a Porta do
Sol.
Fonte:
Diciopédia 2000
Alfândega da Fé
(Concelho de
Bragança)

De fundação
árabe, daí lhe
advém o nome
Alfandagh,
acrescentando
que foi o “da
Fé”, que alguns
cavaleiros
cristão, de
esporas
douradas, lhe
granjearam
aquando da ajuda
que prestaram
aos habitantes
de Chacim e
Castro Vicente,
para os libertar
da tutela e
imposto
desonroso do rei
mouro que ali
governava. A
escassas dezenas
de quilómetros
da sede do
distrito, no
sopé da Serra de
Bornes,
Alfândega da Fé,
que remonta a
tempos
pré-históricos,
como se pode
comprovar pelas
gravuras
rupestres da
Quinta de
Ridevives,
recebeu forais
do rei D. Dinis,
em 1294 e de D.
Manuel l, em
1510.
Em tempos
distantes,
Alfândega da Fé
foi centro de
cultura do
bicho-da-seda.
Do Domingo
Ilustrado de
1897): “ O seu
nome deriva-se
da palavra
Alfandaq com que
no Oriente e na
África são
designados os
hospícios
públicos e que
em português
equivale a
albergaria. O
seu nominativo
significa, pois,
literalmente,
“Hospício” ou
“Albergaria da
Fé”.
Presentemente
não tem esta
povoação nada
que recomende a
sua passada
grandeza, a não
ser o sobrenome
que lhe foi
concedido pelo
denodado valor
dos seus
habitantes nas
cruéis e
sanguinolentas
pelejas contra
os sectários de
Mafona.
Possuindo os
mouros uma
fortaleza no
monte do
Carrascal,
próximo da vila
de Chacim,
saíram de
Alfândega da Fé,
vinte cinco
cavaleiros «de
esporas
douradas», que
auxiliando os de
Chacim e de
Castro Vicente,
desbarataram o
inimigo,
produzindo
tantos actos de
arrojo e
bravura, que
obtiveram para a
sua terra, então
somente chamada
Alfândega, o
sobrenome “Da
Fé”, que hoje
desfruta”.
Alfândega da Fé
Alfândega (da
Fé) é um nome de
origem árabe que
a localidade
deve ter
adquirido entre
os séculos
VIII-IX. É muito
possível que
anteriormente a
este período já
existisse algum
povoado de
origem Castreja,
o que não será
de admirar, até
porque na área
do concelho
existem muitos
vestígios
arqueológicos
desse e até de
períodos
anteriores.
No entanto, a
transformação em
concelho
medieval só
aconteceu com a
carta de foral
de D. Dinis,
datada a 8 de
Maio de 1294, o
qual viria a ser
confirmado por
D. Manuel, em
1510.
Em 1320 o mesmo
rei D. Dinis
mandou
reconstruir o
seu castelo, que
era anterior ao
primeiro foral e
provavelmente
construído pelos
mouros. Este
castelo
desapareceu com
o tempo. O
recenseamento do
ano de 1530 já
indica o castelo
como “derrubado
e malbaratado” e
nunca mais foi
recuperado,
muito embora o
Tombo dos Bens
do Concelho de
1766 ainda
identifique os
“antigos muros”
pelo que, a
Torre do
Relógio, actual
ex-libris da
vila, e que fica
na zona
conhecida por
Castelo, parece
ser o que resta
do antigo
castelo
medieval.
Na sede do
concelho merecem
ainda uma visita
a Capela da
Misericórdia, a
Capela de S.
Sebastião,
(inicialmente
ermida) cujo
campanário
actual veio da
casa dos Távora,
de que resta
apenas, do
original, a
porta de entrada
da capela
familiar, o
portal da mesma
casa e a Capela
dos Ferreiras,
com brasão
picado, a
identificar
ligações àquela
família.
Sendo um
concelho antigo
e para mais com
um nome de
origem árabe, é
fácil de
compreender
porque razão o
imaginário
popular gira
fundamentalmente
em torno das
lendas das
“mouras
encantadas”, não
havendo quase
freguesia
nenhuma onde
esse tipo de
situações não
nos apareça.
Contudo, existem
duas lendas mais
estruturadas e,
de certa forma,
com ligação a
factos
históricos, como
é o caso da
“Lenda dos
Cavaleiros das
Esporas
Douradas”, que
pretende
explicar uma
parte do nome da
vila e marca a
resistência dos
cristãos face à
ocupação
muçulmana e a
“Lenda de Frei
João Hortelão”,
relacionada com
uma personagem
real e que, como
veremos adiante,
tenta explicar a
existência, na
localidade de
Valverde, de uma
importante cruz
processional.
Lenda dos
Cavaleiros das
Esporas Douradas
Segundo essa
lenda, no lugar
da ermida, havia
antigamente uma
mesquita em
honra de Maomé;
e, no sítio do
convento, um
castelo ocupado
por soldados
mouros, às
ordens dum rei
cruel, inimigo
figadal dos
cristãos aos
quais impunha,
além de pesados
impostos
pecuniários, o
humilhante
imposto das
donzelas.
Esse imposto
consistia na
obrigação de
todas as
raparigas dos
seus domínios
passarem a
primeira noite
do seu casamento
no seu harém,
para satisfazer
os seus
caprichos
animalescos e
libidinosos.
Amedrontados
pelo seu grande
poderio e pela
sua extrema
crueldade, os
súbditos
submetiam-se,
embora
revoltados, a
esta ignominiosa
prepotência, por
se reconhecerem
incapazes de se
lhe oporem com
êxito.
Longos anos se
passaram debaixo
desta humilhação
revoltante, até
que, um dia, um
jovem filho do
chefe dos
Cavaleiros das
Esporas Douradas
da vila
Alfândega,
destemido e
audaz, resolveu
pôr fim a esta
odiosa servidão.
Na véspera do
seu casamento na
aldeia de
castro, a cerca
de 15 Km do
castelo mouro,
jurou à noiva
que não a
deixaria
sujeitar-se
àquela desonra
insuportável. A
noiva, receosa
da vingança do
despótico
tirano, implorou
fervorosamente a
protecção de
Nossa Senhora de
quem era muito
devota e
prometeu
levantar-Lhe uma
capela se Ela
lhe valesse
naquela
angustiosa
aflição.
No dia do
casamento,
depois da boda,
o jovem
recém-casado,
disfarçado com o
vestido da
esposa, e
acompanhado dos
amigos com quem
tinha combinado
o plano da
revolta,
apresentou-se no
castelo, pedindo
licença para,
todos juntos,
oferecerem
presentes e
prestarem
vassalagem a tão
alto Senhor.
O pedido foi
aceite e a
comitiva entrou
na sala do
castelo com as
facas de matar
porcos,
dissimuladas nos
açafates, à
guisa de
presentes.
Quando o rei
moiro apareceu,
acompanhado da
sua guarda real,
para receber os
presentes e
levar a noiva
para a sua
alcova, o jovem
puxou do punhal
e cravou-o no
coração do
tirano, ao mesmo
tempo que os
companheiros
faziam o mesmo
aos guardas que
o acompanhavam.
Aos gritos
lancinantes dos
moribundos,
irromperam na
sala
estrepitosamente
os restantes
soldados, em
grande número e
armados até aos
dentes.
A luta foi
terrível e
desigual: dum
lado, a coragem
e a
determinação; do
outro, a
crueldade e a
força. E, como
contra a força
não há
resistência, a
vitória pendia
naturalmente
para o lado dos
mouros.
Aparição
Mas, quando os
cristãos
começavam a
fraquejar,
feridos pelos
alfanjes dos
maometanos e
tudo parecia
irremediavelmente
perdido,
apareceu
surpreendentemente,
no meio deles,
uma Senhora
alta, toda
vestida de
branco, com um
vaso de bálsamo
na mão, que
começou a
ungir-lhes as
feridas.
À medida que a
Senhora
desconhecida os
ungia, as
feridas ficavam
subitamente
curadas e a
coragem
renascia-lhes
dentro da alma.
Renovadas as
forças e
empolgados com
esta aparição,
atiraram-se,
como S. Tiago
aos mouros e a
sorte do combate
começou a mudar.
Agora, eram os
mouros que
retrocediam,
apavorados com
aquela aparição
inopinada e
inexplicável que
atribuíam a
alguma
feitiçaria dos
inimigos e
contra a qual se
sentiam
impotentes para
lutar.
Desmoralizados,
incapazes de
continuar a
luta, puseram-se
em fuga,
precipitadamente,
encosta abaixo,
atropelando-se
uns aos outros,
para salvarem a
vida. Mas
encontraram pela
frente os
Cavaleiros das
Esporas
Douradas, a quem
se junta também
a população que
entretanto tomou
conhecimento da
revolta dos
jovens e se
preparou para os
ajudar.
Então, os
mouros, atacados
pela frente e
pela retaguarda,
sofreram uma
terrível chacina
que os vitimou
implacavelmente.
E assim acabou a
abominável
opressão do
domínio
sarraceno e
começou a
liberdade dos
habitantes da
região, os
quais,
atribuindo a
vitória a Nossa
Senhora, que,
com o bálsamo na
mão, curou as
feridas dos seus
filhos e lhes
infundiu ânimo
para levarem de
vencida os
odiados
opressores, e
ainda para darem
cumprimento à
promessa de
noiva, iniciaram
a construção da
capela em sua
honra,
precisamente no
local da antiga
mesquita.
A Nossa Senhora
deram o nome de
Senhora do
Bálsamo na Mão,
que depois
evoluiu para
Senhora de
Balsamão.
E ao lugar onde
os mouros
sofreram a
chacina deram o
nome de Chacim,
à terra da noiva
chamaram
Vicente, hoje é
conhecida por
Castro Vicente e
em homenagem à
fé dos
Cavaleiros da
vila de
Alfândega,
chamaram
Alfândega da Fé.
Estes são os
nomes por que
estas terras são
conhecidas.
(Rui Miranda)
Carrazeda de
Ansiães
(Concelho de
Bragança)

Teve o primeiro
foral concedido
por D. Afonso
Henriques, em
1160. D. Sancho
l, deu-lhe novo
foral em 1198,
confirmado por
D. Afonso ll, em
1219, e D.
Manuela l
outorgou-lhe
novo foral em
1510.
A actual vila,
cuja fundação é
anterior à da
Nacionalidade,
teve vários
forais que lhe
começaram a ser
outorgados no
século lX, por
Fernando Magno.
Esta antiguidade
deixou por aqui
vestígios que
ainda hoje se
podem comprovar
pela anta de
Zedes ou a gruta
da Rapa, onde
ainda hoje se
podem ver
inscrições
rupestres.
Segundo; Xavier
Fernandes em
Topónimos e
Gentílicos
(1944): “Num
foral do século
Xl, encontra-se
Ansilanes, por
Ansilanis, que é
o genitivo de
Ansila, isto é,
Ansilanis villa,
quinta de Ansila.
A evolução de
Ansilanis, que é
o étimo, deu-lhe
normalmente:
queda do “l” e
do “n”
intervocálicos e
nasalação do
vocal anterior a
esta última
consoante. O
topónimo é de
origem germânica
e nenhuma dúvida
há quanto ao seu
étimo;
consequentemente,
nenhuma dúvida
pode haver
quanto à
respectiva
representação
gráfica. Segundo
se tem afirmado,
o topónimo quer
dizer vila dos
velhos ou vila
velha”
Carrazeda de
Ansiães
Carrazeda de
Ansiães teve o
seu próprio
percurso
Histórico,
Administrativo,
Judicial e até
Religioso. Pelo
que deverá
conhecer-se uma
síntese do
mesmo, até para
melhor
compreensão da
actual realidade
daquele
concelho.
É na extinta
Vila de Ansiães,
situada a cerca
de 4 quilómetros
da actual sede
municipal, que
começa a
administração
daquela zona
territorial.
Carrazeda era,
nessa altura, um
lugar com poucas
habitações e
pessoas, situado
já na zona
planáltica para
norte do Castelo
de Ansiães.
Assim é indicado
nos Forais da
Vila de Ansiães:
o 1º pensa-se
que tenha sido
dado por
Fernando o
Magno, Rei de
Leão e Castela
no século XI, e
depois
confirmado por
D. Afonso
Henriques por
volta de 1160.
D. Sancho I
volta a
confirmar este
foral em 6 de
Abril de 1198.
D. Afonso II
reconfirma-o em
Guimarães em
Abril de 1219.
Mais tarde, D.
Manuel I dá-lhe
Novo Foral a 1
de Junho de
1510.
Em 1384 D. João
I manda os
moradores dos
lugares de
Freixiel, Murça
e Abreiro
"prestarem adua
nos muros",
ajudando a dar
mais resistência
com cinturas
fortes e torres
defensivas e
usando pedra
maior, pois até
aí era miúda. E,
em 1443 o
regente D. Pedro
deu aos seus
moradores os
"resíduos"
(imposto) das
Vilas de
Freixiel,
Abreiro e
Vilarinho da
Castanheira para
consertar os
muros, devendo
auxiliar os
moradores.
Os arranjos dos
muros da
fortaleza de
Ansiães foram
também
efectuados às
custas das
terças reais em
1580 e 1591. Em
1640, quando se
deu a
restauração da
Independência de
Portugal,
expulsando os
reis Filipes de
Espanha, o povo
reforçou e
arranjou partes
do Castelo.
A importância do
Castelo de
Ansiães na
defesa da região
e nomeadamente
da linha do Rio
Douro foi assim
contínua desde a
Formação de
Portugal até ao
século XVII. Na
Vila tinham os
seus solares
famílias
importantes,
como os
Mesquitas, os
Magalhães e os
Sampaios.
É nesta altura
que o povoado de
Carrazeda começa
a ganhar mais
importância,
enquanto que a
Vila de Ansiães
deixa de ter
esse enorme
valor defensivo
e municipal, e
entra em
estagnação e até
certa
decadência.
Em 1721 tinha a
Vila de Ansiães
"2 Juízes
ordinários, 3
vereadores, 1
procurador, 2
almotacéis, hum
Juiz de Órfãos,
4 tabeliães... 1
escrivão de
Câmara e 1
alcaide".
E para Regimen
da Milícia tem
Cappitam mor e
sargento mor, e
cinquo
Companhias com
cinquo cappitans
e ofticiaes, a
saber a 1.ª da
Vila, a 2.ª do
Seixo, a 3.ª da
Fonte Longa, a
4.ª do Pinhal da
Ribeira e a 5.ª
de Linhares". O
golpe fatal é
dado com o
bacharel José
Álvaro d'Almeida.
Os nobres e
homens bons
tinham-se
ausentado dela
indo com D.
Sebastião para
Álcácer-Quibir
(África),
desaparecendo a
acção das leis e
da Justiça.
Então era o Juiz
de Fora que
representava o
rei e em 1734
foi nomeado
aquele bacharel
para Juiz de
Fora. Este
consegue a
mudança da Vila
de Ansiães para
Carrazeda.
Não se fez sem
oposição, pelo
que o Juiz de
Fora Dr.
Justiniano
Ferraz de Araújo
e Castro, para
desfazer e
acabar com os
prestígios e
privilégios que
os da Vila
tinham, manda
derrubar e
despedaçar o
Pelourinho de
Ansiães que era
o símbolo da
autonomia
judicial.
Era elegante e
tinha 4 faces
cada uma com as
armas reais, uma
Torre com duas
portas, um
castelo com
porta e com uma
chave segura por
uma mão, e ainda
um Velho
barbado, com os
braços meio
erguidos e maça
na mão direita,
numa atitude
combativa.
(Seria o Velho
Ansinales).
O local começa a
entrar em
declínio rápido
e, em meados do
século XIX
Ansiães estava
abandonada.
Ficou o Castelo,
muralhas e
outros
monumentos ao
tempo, para
recordar aos
vindouros a
heróica época da
sua existência.
Simultaneamente
Carrazeda passa
a ser sede do
município com o
nome de
Carrazeda de
Ansiães, e ganha
outro impulso, o
seu
desenvolvimento
a partir do
antigo núcleo
que fica junto
da Igreja Matriz
que data de
1790.
Ali são
edificadas
construções
essenciais para
qualquer
município da
época: o
Pelourinho com
coluna
octogonal, 3
metros de altura
e assente em 4
degraus, com o
escudo nacional
Joanino, e a
Casa da Câmara
ou Paços do
Concelho que
ostenta a data
de 1736-1737.
A primitiva Vila
de Ansiães era
da coroa e
chamava-se
concelho. Era
constituído
pelos seguintes
lugares:
Amedo, Beira
Grande, Belver,
Carrazeda,
Castanheiro,
Fontelonga,
Luzelos,
Marzagão, Mogo
(de Malta),
Parambos, Pinhal
(do Norte),
Pombal,
Ribalonga,
Samorinha,
Selores, Seixo
(de Ansiães),
Zedes, e ainda
as Quintas de:
Alganhafres,
Arcas, Arnal,
Besteiros,
Brunheda,
Campelos, Coleja,
Fontoira,
Felgueira,
Fiolhal,
Lavandeira,
Misquel,
Paradela,
Penafria,
Tralhariz,
Sentrilha.
Ao mesmo tempo a
Vila e concelho
de Vilarinho da
Castanheira era
formado pelos
lugares de
Carvalho de
Egas, Castedo,
Lousa, Mourão,
Seixo de
Manhoses,
Valtorno, e
pelas Quintas de
Alagoa, Gavião,
Pinhal (do
Douro) e São
Painho.
Ora, os lugares
e quintas
pertencentes ao
concelho de
Ansiães passaram
em 1734 para o
de Carrazeda de
Ansiães, mas
Vilarinho
continuou a ser
concelho.
É já no século
XIX com o
liberalismo e as
suas reformas
administrativas
que o concelho
de Vilarinho da
Castanheira é
extinto
definitivamente
em 31 de
Dezembro de
1853, passando
esta Vila
juntamente com
Pinhal do Douro
para o concelho
de Carrazeda.
Lousa e Castedo
foram integradas
no de Torre de
Moncorvo, e os
restantes no de
Vila Flor.
Também o
concelho de
Freixiel foi
extinto em 1836
e as freguesias
de Pereiros,
Codeçais e Mogo
de Malta
passaram a
integrar o
concelho de
Carrazeda.
Formava-se assim
o actual
concelho de
Carrazeda de
Ansiães, que, em
número de
freguesias
variou ao longo
dos anos, pois
como se sabe,
até 1936
Samorinha foi
freguesia, assim
como Pinhal do
Douro.
Em termos
religiosos
Ansiães tinha
três Comendas: a
de S. Salvador,
a de S. João e a
de Linhares.
A Comenda de S.
Salvador de
Ansiães era da
apresentação
paroquial do
reitor de
Ansiães e
englobava os
seguintes
lugares:
Alganhafres,
Ansiães, Beira
Grande, Belver,
Besteiros,
Coleja,
Fontelonga,
Lavandeira, Mogo
de Ansiães, Pena
Fria, Samorinha,
Seixo de
Ansiães, Selores,
Seixo das Carvas
e Vale de Pedro.
A Comenda de S.
João Baptista
era apresentada
pelo respectivo
reitor e incluía
os seguintes
lugares: Amêdo,
Areias, Brunheda,
Carrazeda,
Felgueira,
Fontana, Luzelos,
Marzagão,
Paradela, Pinhal
do Norte,
Pombal,
Sentrilha e
Zêdes.
A Comenda de
Linhares era
também da Ordem
de Cristo, do
padroado real e
tinha os
seguintes
lugares: Arnal,
Campelos,
Carrapatosa,
Castanheiro,
Fiolhal, Foz
Tua, Linhares,
Misquel,
Parambos,
Ribalonga e
Tralhariz.
Pereiros,
Codeçais e Mogo
de Malta eram
ramos da Comenda
da Ordem de
Malta. Vilarinho
da Castanheira e
Pinhal do Douro,
de outro
concelho na
altura, eram do
Cabido da Sé de
Braga.
Com a redução de
abadias em
reitorias, veio
também a
reduzir-se e a
limitar-se a de
S. Salvador que
se estendeu
somente até
Lavandeira e seu
arrabalde,
desanexando-se
os outros
lugares. Em 1556
funda-se a
Igreja Paroquial
de Santo António
de Beira Grande.
Em 1569 é a vez
da de Selores a
Igreja de S.
Gregório e com a
anexa
Alganhafres. No
reinado de D.
João III
funda-se a de
Belver com Mogo
de Ansiães, a
Nossa Senhora
das Neves. E a
de Santa Cruz da
Samorinha que
até então era
sujeita a
Fontelonga.
Também a Comenda
e a Paróquia de
S. João se
desanexou no
Reinado de D.
Sebastião:
Luzelos e Quinta
de Fontoura
passou a ser a
Igreja de Santo
Amaro de Luzelos;
a de Santa
Águeda para
Carrazeda; a de
S. Gonçalo para
Zedes
desanexando-se
da de S. Tiago
de Amedo; a de
Nossa Senhora
das Neves de
Pinhal do Norte
também se
desanexa de S.
Lourenço de
Pombal e ficando
com as anexas
Brunheda,
Sentrilha e
Felgueira. Não
são referidas a
de Castanheiro e
Ribalonga, pelo
que devem ser
anteriores.
Em 11 de
Setembro de 1833
a Junta do Exame
do Estado Actual
e Melhoramento
Temporal das
Ordens
Religiosas
propôs que as
dioceses fossem
reduzidas, em
harmonia com as
divisões
administrativas.
Estava-se no
período Liberal
em que as
reformas se
sucediam com
frequência. No
entanto, aquela
proposta não se
concretizou
devido a
factores
diversos, dos
quais se destaca
a interrupção
das relações do
governo
português com a
Santa Sé que só
se restabelecem
em 1841.
Depois disso os
governos
continuaram a
pensar nessa
redução das
dioceses
religiosas, mas
a intenção de
conservar a de
Bragança
manteve-se
sempre.
Através das
Letras
Apostólicas do
Santíssimo Padre
Leão XIII -
Gravíssimum
Christi
Ecclesiam
Regendi et
Gubernandi Manus,
de 30 de
Setembro de
1881, que foram
executadas a 4
de Setembro de
1882 pelo
Cardeal Bispo do
Porto, D.
Américo, as
freguesias do
concelho de
Carrazeda de
Ansiães passavam
definitivamente
para o Bispado
de Bragança em
termos
religiosos.
Nas questões
judiciais, nos
séculos XVI e
XVII os
concelhos de
Ansiães,
Vilarinho da
Castanheira e
Freixiel aos
quais pertenciam
as freguesias
que hoje
constituem o
actual concelho
de Carrazeda,
eram todos da
Comarca de
Moncorvo.
Em 1706 eram da
Comarca e
Provedoria da
Vila de Torre de
Moncorvo. Em
1734 pertenciam
à Correição de
Torre de
Moncorvo e em
1762 o concelho
de Carrazeda de
Ansiães fazia
parte ainda
daquela
Correição. Em
1864 era ainda
da Comarca de
Torre de
Moncorvo.
Em 1940
Carrazeda de
Ansiães era
Julgado
Municipal. As
freguesias de
Beira Grande,
Carrazeda de
Ansiães,
Castanheira,
Lavandeira,
Linhares,
Parambos, Seixo
de Ansiães e
Vilarinho da
Castanheira
pertenciam à
Comarca de
Moncorvo. As
restantes eram
da Comarca de
Vila Flor.
A LENDA DAS SETE
SENHORAS
[O
narrador/informante]
O informante,
Sr. Macieira é,
com a vasta
experiência dos
seus 71 anos, um
notável contador
de estórias,
como outros
naturais da sua
terra, a aldeia
de Misquel, e
diz tê-la lido
num livro que
encontrou no
monte quando era
pastor. Antes de
pela primeira
vez ter saído da
terra para
cumprir o
serviço militar,
terá escondido
esse livro em
buraco aberto
numa das paredes
da casa dos
pais, que na sua
ausência fora
reparada, não
tendo por isso
conseguido dar
depois com esse
esconderijo.
Hoje, com a
idade de 71
anos, reformado
e residente na
sua terra natal,
o sr. Macieira,
“endireita”(compõem
ossos partidos e
deslocados das
pessoas), foi
vagoneiro nas
minas de
Volfrâmio na
Pranheira (Amedo)
, por ocasião da
II Guerra
Mundial, emigrou
depois para
Angola onde
viveu e
trabalhou no
porto de Luanda
de 1954 a 1974,
“retornado” e
depois
funcionário
administrativo
na Câmara de
Carrazeda de
Ansiães e
durante 20 anos
massagista no
Clube de Futebol
de Carrazeda de
Ansiães.
[Transcrição da
Narrativa Oral]
A história das
sete senhoras…
li-a num livro
que encontrei
debaixo de uma
pedra quando
andava no monte
a guardar o
gado, numa
altura em que
para me distrair
andava à procura
de lacraus… a
capa tinha as
letras em
chumbo… as
letras eram
repetidas… dois
pp, dois ll…
fixei e vi que
era uma
história. Foi no
morro onde
esteve a Senhora
da Assunção, em
Parambos. Onde
eles acampavam…
os cavaleiros e
outros homens
que acompanhavam
as Senhoras
ainda hoje lá
estão ciganos…
por exemplo os
ciganos da
Pranheira por
onde passou a
Srª da Graça que
pertence à
Samorinha ou os
de Penude em
Lamego… distrito
de Viseu… onde
está a Senhora
dos Remédios…
até os
farrapeiros do
Moinho do Vento
no fundo da vila
vieram de lá…
ah! não sabia
?... pois era… a
Srª dos
Remédios...
tinha outros
nomes… ervas do
chá são
remédios… no
morro dela…
cortou umas
ervas para curar
os da caravana
que já vinham
doentes…foi a
primeira a dizer
“eu já fico
aqui…”
a caravana das
sete senhoras
saiu dos lados
lá de Castro
Daire, Viseu,
passou por
Lamego e outras
terras até
chegar a
Mirandela….
seguiram
caminho,
passaram o
Marão, desceram,
desceram e
tinham de fazer
a travessia do
Douro… foram
então até ao
lugar mais
estreito onde
hoje é a Ponte
Nova… Como
passar?…” lindo
serviço”… então
os homens
especializados -
pedreiros,
carpinteiros e
outros - que
vinham na
caravana das
senhoras irmãs e
primas… sim elas
também levavam
primas… puseram
uns vimeiros –
um pau direito
mais uns vimes -
ao longo do rio
e dois deles, um
puxava para um
lado e outro
para o outra…
mas o vimeiro
inclinava-se e a
senhora que ia
na frente
gritava “socorro
socorro”
enquanto os que
faziam de
barqueiros
diziam um para o
outro “faz peso
na régua”e lá
acabaram por
chegar… ficaram
acampados onde
passa a Ponte
Nova e onde
estão os ciganos
que são
descendentes dos
árabes… a
Senhora do
Socorro que
estava abalada
da viagem disse
“eu já fico
aqui”e ainda
hoje lá está no
Peso da Régua
que ficou a
chamar-se assim
por causa disso…
… as outras
seguiram à
margem do
Douro…olharam em
frente para os
lados de
Carrazeda e
viram uns morros
muito altos e
desanimaram..."onde
paramos?"
perguntavam umas
às outras …
olharam para o
lado e disseram
…"para ali já"…
daí vem o nome
de Alijó… Alijó
já é do distrito
de Vila Real… e
perto, num
morro, a Senhora
dos Prazeres…
que era prima
familiar das
sete senhoras
disse …"fico já
aqui, estou
cansada" e lá
ficou para toda
a vida…
…as outras
seguiram pela
linha de
água…queriam vir
para os nossos
morros altos,
para as serras
mais altas… mas
tinham que fazer
a passagem do
rio Tua…
desceram então
para o Amieiro,
ali onde depois
fizeram a ponte
que veio hoje
abaixo… entre o
Amieiro e o
Pombal há um
lugar mais
estreito… foi
assim que
encontraram S.
Lourenço [em
versão anterior
era o S.
Bartolomeu e o
barco era de
cortiça e andava
à pesca no
ribeiro do Amedo
e Paradela que
passa no Frarigo]
que andava a
pescar com um
cesto de vimes…
pois S. Lourenço
é pescador…
então não vê que
no andor dele
leva sempre o
barco…?! … mas
na altura dele o
barco era um
cortiço e ele ia
remando com a
mão…passaram
duas de cada vez
dando ao pé… [em
versão anterior
passou uma de
cada vez]…
continuaram
viagem… queriam
ir para os
morros mais
altos porque nos
baixos era
húmido… nos
sítios altos
eram secos e as
culturas não
secam nos morros
altos… demoraram
um tempo imenso…
foram ao longo
do ribeiro…
viraram mais à
direita onde
chegaram onde
hoje é Paradela…
e uma das
senhoras foi ali
fazer xixi e as
outras disseram
“esperemos aqui
par ela”… daí o
nome de Paradela
… umas
continuaram pela
Lama Grande
entre Paradela e
Amedo e quando
chegaram lá em
baixo disseram
“isto aqui mete
medo”… daí o
nome Amedo… mas
como iam muito
cansadas…
aguentaram
muitos
sacrifícios …
foi por isso que
foram santas…
fizeram umas
barracas com
paus e giestas
ou árvores ou
escolhiam uma
gruta que fazia
uma espécie de
cabana… onde
estavam os
mantos?... não
havia… eram do
tempo de Adão e
Eva… ficaram
então lá sete
dias e sete
noites… daí o
nome ainda hoje
de Sete Amedos…
a origem?...
sabe-se lá andou
por aqui tanta
gente….!...então
uma das senhoras
viu um morro
alto ali perto e
disse eu vou
para ali e já lá
fico… foi a
Senhora da
Graça… as outras
viraram à
direita… não
havia caminhos…
então por onde
passava a
caravana delas
que agora já
vinha muito mais
pequena… as
ervas não
nasciam e assim
por aí se faziam
os caminhos…a
Senhora da Graça
estava sempre a
rir, sempre com
chalaças..não
foi capaz de
parar num sítio
só… andava de um
Amedo para o
outro até que ao
sétimo dia subiu
e foi para o
morro da
Samorinha… mas
ela pertencia ao
Amedo…
…viraram entre
Paradela [versão
anterior era
Parambos] e
Castanheiro e
acamparam aí, no
lugar onde estão
hoje as Alminhas
ou Cruzeiro que
ficou a
assinalar onde
morreu um homem
da caravana que
ia com elas… as
Alminhas estão
ao pé do lagar
de azeite, onde
hoje ainda lá
estão…o
Castanheiro é
frio… e a Santa
Marinha que era
prima das
senhoras queria
ir mais para
baixo, para os
lados da
Ribalonga, onde
a temperatura é
maior…acampou
para os lados da
Lavandeira, na
“lameira de
ferro” … tem lá
uma fonte de
águas férreas
mas as formigas
apoderaram-se
dela e ela só
gritava “vou-me
deitar ao
Douro…” deitou a
correr e as
formigas
despegaram-se
dela na
Ribalonga… e é
por isso que as
formigas ainda
hoje lá estão…
Ribalonga é a
terra das
formigas porque
lá ficaram e os
terrenos ainda
hoje se chamam
de Santa Marinha
são dos de
Parambos…
As outras que
ficaram para
trás vamos ver
por onde
seguiram…?
…iam cansadas
porque era a
subir e
perguntaram umas
para as outras
“onde paramos?”
então disseram
“paramos já
aqui”… donde,
Parambos… o pai
de S. Bartolomeu
era barbeiro…
estava a sair da
igreja e ao ver
a caravana das
senhoras disse
“já tenho
namorada para o
meu filho”…. S.
Bartolomeu foi
morto e esfolado
vivo e mesmo sem
pele aguentou e
fugiu … para ao
pé de uma fraga
que ainda hoje
tem lá a forma
de uma
cadeirinha… uma
espécie de
francela de
fazer o queijo…
no dia da
Assunção do
Senhor faziam lá
festa… em Maio…
em dia conforme
a Páscoa… a
fraga quando o
dia estava limpo
pingava e curava
os olhos… se
chovia não
pingava… as
pessoas iam lá
lavar as vistas…
…a Senhora da
Assunção fugiu
de noite para
Vilas Boas, por
causa do pai de
S. Bartolomeu… a
Senhora da
Assunção e a
Senhora da
Paixão seguiam
juntas e
deixavam os
caminhos sem
erva… a erva não
nascia mais por
onde elas
passavam… foram
de Parambos até
à Venda Nova… a
Senhora da
Paixão virou
para Arnal e
passou pela
Fonte Bieita… a
burreca onde ela
ia parou e ali
bebeu… então a
Senhora disse
“ficaste
satisfeita”… daí
“Fonte Bieita”…
a água ficou
benzida pela
Senhora da
Paixão… a Fonte
Bieita era onde
iam lavar os
engegados … os
que lá vão têm
que seguir para
a frente e
lavar-se e beber
lá… tem que ser
no local... é a
fonte dos
engegados… dos
que não estavam
nutridos, que
passavam fome…
se a criança que
era lá lavada
chorava na água
saía curada, se
não chorava
estava morta …
… a Senhora da
Paixão continuou
caminho e ao
passar pelas
lameiras que tem
sempre muita
água, a burrita
queria comer
“arre burra que
esta água faz-te
mal”... lá está
Arnal e a
Senhora da
Paixão…
… a Senhora da
Assunção e a
Senhora do
Amparo que
ficaram para
trás…estiveram
ali uma noite ou
duas ao pé da
irmã…. “Eu vou
para aquele
cabeço além”
disse a Senhora
da Assunção
…desceu a
Cabreira, passou
por Freixiel e
seguiu para o
Vieiro … passou
no caminho num
sítio onde não
havia água mas
apareceu
depressa uma
bica na estrada
que vem de Vila
Flor para o
Vieiro que está
sempre a correr
e seguiu então
para o que é
hoje Vilas
Boas…há por ali
muitos cruzeiros
altos… são dos
homens que iam
na caravana das
senhoras … e
quantos dias
eles não
estiveram ali
acampados…!...
ao chegar a
Vilas Boas
descansaram
puseram as
burras a
pastar…”prado é
livre, não tem
dono”… ficou o
terreiro já na
povoação das
Vilas Boas …
hoje ainda lá
está…na
escadaria que
vai da povoação
para o cabeço da
Senhora da
Assunção, esta
bebeu na fonte
que aí há e
disse “ai que
águas tão boas”…
ficou no morro e
lá está…
… a Senhora do
Amparo viu os
morros em frente
ao passar o rio
do Cachão, viu
as serras do
lado esquerdo e
disse …"temos de
pássaro rio para
o lado de lá no
lado mais
estreito ao pé
do Vilarinho das
Azenhas"… até
que chegou a
Mirandela ao
lugar de
Golfeiras onde
hoje está o
hospital… ali
morreu o pessoal
todo que ia com
ela… não podia
passar para o
outro lado do
rio que era
longe… e disse
“não faz mal
daqui já miro
ela”… a irmã … e
ficou ali… e lá
ficou também a
nossa
Mirandela….
[ respostas a
uma pergunta
minha, já que ao
longo da
narrativa
referiu as
propriedades
milagrosas e
curativas das
águas, sobre as
ervas medicinais
mais usadas em
terras do
concelho de C.
de Ansiães e
suas aplicações,
para além das
referidas pelo
pároco redactor
das Memórias
Paroquiais para
a aldeia de
Marzagão e que
lhe citei…“…
tem… e árvores
medecinais, como
ruda nemeada
violeta, funcho
ou fiolho,
tamaris,
tamargueira e
outros a que nom
sei os nomes…”
]... a ruda é
para defumar as
pessoas, para
cortar o mau
olhado…o fiolho
penso que é uma
erva boa para o
fígado… mas
depois há mais…
o freixo fêmea é
boa para tirar
as gorduras do
corpo, para o
clorestrol e
para as tensões…
como se
distingue se o
freixo é fêmea
ou macho?... ah!
a freixa bota
flores… a
salgueira fêmea
dá flores… o
macho tem a
folha mais
larga…semearam-na
ao longo de
Luzelos…a
oliveira é boa
para as tensões
mas tem que se
saber cortar… a
carqueja, as
azedas e o
alecrim são para
os temperos da
comida… as águas
de Coleja da
fonte santa são
boas para o
reumatismo… ao
fim de 2 dias lá
já vinham
curados…
[A narrativa
ainda prosseguiu
mas por outros
veios da
tradição e
história oral de
C.Ansiães]
(Maria Otília
Pereira Lage.
Guimarães, Abril
2003)
Freixo do Espada
à Cinta
(Concelho de
Bragança)

São várias as
versões quanto à
origem do nome
desta vila.
Possivelmente
anterior a
Cristo,
possivelmente
pré-romana. Se
já no tempo de
D. Afonso
Henriques foi
vila populosa,
bem anterior
terá sido o seu
nascimento.
Depois do foral
do primeiro rei,
em 1152, vários
outros se
seguiram. Uma
lenda atribui a
sua fundação a
um fidalgo de
apelido Feijão,
cujas armas eram
um freixo e uma
espada. Uma
outra, afirma
que um capitão
godo de nome
Espadacinta, ao
chegar a este
lugar, cansado
de batalhas, se
deitara à sombra
de um grande
freixo. O
conjunto dos
dois nomes, o da
árvore e o do
homem, passaram
à povoação que
ali se começou a
fundar pouco
depois.
Segundo, Xavier
Fernandes em
Topónimos e
Gentílicos
(1944):
“Efectivamente,
já no século XVl,
o Dr. João de
Barros no seu
“Livro das
Antiguidades de
Entre Douro e
Minho”, edição
de 1549, contava
que a vila foi
fundada por um
primo de São
Rosendo, de
apelido Feijão,
que morreu em
977, e que, por
ter nas suas
mãos um freixo e
uma espada se
ficou chamando
Freixo de Espada
à Cinta. A mesma
lenda aparece
contada, com
mais lógica e
mais romantismo,
num velho
manuscrito, onde
se narra, que um
cavaleiro
cristão, o mesmo
primo de São
Rosendo,
perseguido por
uma horda de
aventureiros, se
viu em grande
perigo de sofrer
morte afrontosa,
visto achar-se
sozinho.
Sentindo perto
os inimigos,
cingiu a espada
a um freixo e
ocultou-se entre
os ramos com
esperança de
escapar, como
aconteceu,
porque seus
perseguidores,
vendo a árvore
cingindo uma
arma,
encheram-se de
pavor e fugiram
em debanda.
Lançaram-se logo
os fundamentos
da povoação, a
que o fundador
deu o nome de
Freixo de Espada
à Cinta.
Noutra lenda –
esta, pouco
romântica –
conta-se que um
cavaleiro godo,
de nome
Espadacinta,
olhando-se muito
fatigado depois
de uma batalha e
encontrando um
copado freixo
deitou-se a
descansar à
sobra dele. Tão
grata recordação
lhe deixou esse
tempo de
repouso, que
resolveu lá
fundar uma
povoação, a que
deu o seu nome,
o qual, com o
decurso do
tempo, se
transformou na
actual
designação.
Tem havido quem
afirme que no
século XVlll
ainda existia o
tal freixo das
lendas, cercado
de assentos de
pedra e próximo
da igreja matriz
da vila, e que
os freixenistas,
descendentes dos
medievais
freixenos, o
tinham em grande
estima”
Freixo de Espada
à Cinta
Freixo de Espada
à Cinta está
situado no
extremo sul do
distrito de
Bragança,
inserido bem no
coração do
Parque Natural
do Douro
Internacional,
fazendo
fronteira com
Espanha. Possui
uma série de
mais valias
turísticas,
oferecendo ao
visitante
diversas
alternativas de
lazer.
O concelho é
banhado no seu
todo pelo rio
Douro, que se
enrosca por
entre agrestes
desfiladeiros de
arribas repletas
com a maior
mancha de Lodões
(Celcis
australis) da
Europa,
albergando em
conjunto
diversas
espécies raras,
cujo destaque
vai para a
protegida
Cegonha Negra
que nidifica em
abundância neste
local. O rio
desafia a um
revigorante
passeio por
águas calmas. Na
praia fluvial da
Congida
poder-se-á
embarcar num
barco da
Sociedade
Transfronteiriça
Congida – La
Barca e usufruir
um passeio ímpar
por uma paisagem
bela e sem
igual.
Ao longo do ano
a paisagem
natural varia em
extremos de
tonalidade de
acordo com as
estações. Todos
os locais são um
convite para
desfrutar o
espaço
envolvente:
desde a frescura
de extensos
pedaços verdes,
passando pelos
fortes aromas da
terra castanha e
cor de mel até
às tonalidades
rosa e
esbranquiçadas
de fragrâncias
suaves
características
das Amendoeiras
em Flor, o
ex-libris
turístico de
Freixo de Espada
à Cinta, todo o
horizonte ao
longo do ano
inunda os
sentidos.
É um concelho
que possui
qualidades
invulgares para
a prática de BTT
e 4x4 bem como
outros desportos
que envolvam o
contacto directo
com a natureza,
tais como a caça
e a pesca.
Poder-se-á
vislumbrar esta
paisagem
excepcional de
uma outra
perspectiva,
recorrendo a uma
rede de
miradouros
existente no
concelho,
autênticas
varandas sobre a
planície de
Salamanca.
É nestes locais
que se poderão
observar uma
série de
espécies de aves
destacando-se o
Grifo, o Abutre
do Egipto, a
Águia Real e a
Águia de Bonelli.
Fazendo parte da
região demarcada
do Douro,
produz-se neste
concelho vinho
fino de elevada
qualidade. A
gastronomia é
uma das
potencialidades
de Freixo de
Espada à Cinta,
destacando-se o
fumeiro
tradicional, os
doces de amêndoa
e ovos, a empada
(folar da
Páscoa), o
queijo de ovelha
ou cabra, a
azeitona
certificada
“Negrinha de
Freixo” e o
azeite virgem.
Freixo de Espada
à Cinta possui
também um rico
passado
histórico.
Supõe-se que a
vila seja
bastante
anterior à
fundação do
reino de
Portugal, pelo
menos ao tempo
dos árabes ou
ainda à época de
ocupação romana.
D. Afonso
Henriques, no
foral que lhe
concedeu em
1155/57, já
fazia referência
ao castelo e D.
Sancho II, em
1240, elevou
Freixo à
categoria de
Vila, como
recompensa de os
seus habitantes
se terem
defendido
heroicamente das
invasões do rei
de Leão, ao
contrário dos de
Alva (anterior
concelho), que
se renderam sem
resistência.
Existem várias
versões
relativas à
origem do nome,
uma das quais,
reza a lenda, El
Rei D. Dinis,
estando
severamente
fatigado da
viagem que
empreendeu até
Freixo, colocou
o seu cinturão
com a majestosa
espada no tronco
de um freixo,
que ainda hoje
se encontra no
outeiro do
castelo, e
adormeceu à sua
sombra, embalado
pela brisa suave
que batia nas
folhas da
possante árvore.
No seu sono
profundo, teve
um sonho.
Sonhou com o
espírito do
freixo, ansioso
que um rei
português
dependurasse a
sua espada real
no seu corpo,
com a intenção
de lhe
conferenciar
directrizes
sábias para o
futuro do reino
de Portugal.
Quando o rei
acordou do
revigorante
descanso,
re-baptizou a
vila, chamando-a
de Freixo de
Espada à Cinta.
No princípio do
século XVI, a
vila era uma
bela e poderosa
praça de guerra
medieval, cujo
castelo tinha
três imponentes
torres mestras,
das quais resta
apenas hoje uma
colossal torre
heptagonal de
granito, a torre
do Galo. Em 1512
D. Manuel
concedeu ao
concelho um novo
foral.
Freixo de Espada
à Cinta é a vila
mais Manuelina
de Portugal.
Existem inúmeras
portas e janelas
com motivos
simples, quase
sempre alusivos
aos
descobrimentos,
apesar de Freixo
de Espada à
Cinta estar
longe do mar,
demonstrando
desta forma que
era uma terra
próspera no
reinado de D.
Manuel. Como
exemplo
emblemático
deste estilo
temos a Igreja
Matriz do começo
do século XVI,
cujo interior é
uma réplica da
igreja dos
Jerónimos e onde
se podem admirar
na capela-mor um
valorosíssimo
retábulo
quinhentista com
16 telas
atribuídas a
Grão Vasco.
É também curiosa
a existência de
uma figura de
São Mateus
envergando um
par de lunetas,
objecto não
muito vulgar na
altura de
edificação da
igreja. O
pelourinho que
se encontra em
frente aos Paços
do Concelho é
também um dos
monumentos
ilustres que
merece
referência.
Quanto a outro
património
histórico deste
concelho, é de
destacar o
“Cavalo de
Mazouco”,
gravura rupestre
atribuída ao
paleolítico
superior, e a
“Calçada de
Alpajares”, uma
via medieval (e
possivelmente
romana) que se
encontra em
excelente estado
de conservação.
Sob o ponto de
vista cultural,
Freixo de Espada
à Cinta é a
terra natal do
poeta Guerra
Junqueiro,
deputado e
escritor
consagrado,
autor de “Os
Simples” e “A
Velhice do Padre
Eterno”, cuja
casa onde nasceu
ainda poderá ser
admirada, bem
como a Casa
Junqueiro, que
pertencia aos
seus pais,
desempenhando
actualmente
funções de Museu
Regional.
“ Os Sete
Passos”,
procissão pagã
com cenário
medieval a
representar a
encomendação das
almas, onde se
entoam cânticos
fúnebres da
autoria de Gil
Vicente e o
“Enterro do
Entrudo”, um
divertido
costume profano,
são tradições
que se realizam
há séculos e que
passaram de
geração em
geração até aos
dias de hoje,
demonstrando-se
com estas
cerimónias a
identidade do
povo freixenista.
Peças em
Seda
Quanto ao
artesanato,
Freixo de Espada
à Cinta é
detentor de uma
arte tradicional
inédita no país:
a criação do
bicho da seda e
extracção da
seda por
processos
artesanais.
Através da
Associação de
Artesanato
local,
dinamiza-se todo
o ciclo da seda
que vai desde o
cultivo de
amoreiras e
apanha das suas
folhas para
alimentação do
bicho da seda,
passando pela
recolha dos
casulos e
posterior
extracção da
seda destes.
Após obter-se
esta altiva
matéria prima,
habilidosas
artesãs
utilizando
teares
tradicionais
fabricam as mais
belas colchas,
almofadas e
panos em seda.
Macedo de
Cavaleiros
(Concelho de
Bragança)

O topónimo
parece dever-se
a D. Álvaro Gil
de Macedo, que
foi seu
donatário. Em
1853 passou a
chamar-se Macedo
de Cavaleiros e
foi elevada à
categoria de
vila, em 1863.
Conta a lenda
que lá viviam,
no tempo dos
mouros, dois
cavaleiros que
usavam fortes
maças de armas
no combates,
pelo que todos
os conheciam
pelos cavaleiros
da maça. Tão
bravos e fortes
eram que a sua
fama, já
corredora do
Mundo, chegou
aos ouvidos do
rei, que, depois
de assistir,
extasiado, aos
feitos dos
cavaleiros,
resolveu
conceder-lhe
grande honra,
chamando ao
lugar Macedo de
Cavaleiros. É
terra de gente
simples e
hospitaleira
onde se diz:
“Para cá do
Marão, mandam os
que cá estão”.
Do Domingo
Ilustrado
(1998): “Provém
o nome de um
fidalgo espanhol
D. Álvaro Gil de
Macedo, primeiro
donatário,
suposto que a
freguesia teve,
e é isso quanto
cosnta na
região”.
Macedo de
Cavaleiros
A história de
Macedo de
Cavaleiros
funde-se no
vasto quadro da
evolução
histórico-
administrativa
do território
bragançano.
Marcada pela sua
individualização
como unidade
administrativa,
em meados do
século XIX; a
sua história é a
história das
diversas
circunscrições
administrativas
que se agregaram
para o
constituir.
A estrutura
geográfica em
que se insere
Macedo de
Cavaleiros
levou-o,
naturalmente, ao
isolamento.
Apesar disso,
existem
vestígios do seu
povoamento em
épocas remotas,
desde do
Neolítico que a
presença humana
deixou marcas
nesta região.
A invasão dos
Bárbaros marca o
início de uma
luta
multissecular
pela posse da
Península
Ibérica. Depois
dos Suevos que,
fundaram o seu
reino no
noroeste da
Península,
incorporando as
terras
bragançanas,
Godos e Árabes
impuseram,
sucessivamente o
seu domínio.
O território que
o Tuela delimita
a oeste e agora
corresponde ao
Distrito de
Bragança, só se
incorporou na
Terra de
Portugal a
partir do século
XII, repartido
por três
Distritos ou
Terras:
Bragança, a
norte; Lampaças,
no centro, à
qual pertencia a
povoação de
Masaedo ( actual
vila de Macedo
de Cavaleiros );
e Ledra, no sul.
No termo destas
últimas se veio
a recortar, 700
anos depois o
Concelho de
Macedo de
Cavaleiros.
A divisão pré-
nacional do
território
aquém- Tuela em
três Distritos
manteve-se, na
monarquia
portuguesa, até
que, pelo foral
de Junho de
1187, D. Sancho
I erigiu a
cidade de
Bragança em sede
de um vasto
Concelho que
conglomerava os
termos de
Bragança e
Lampaças. Ao
Concelho de
Bragança
passaram, assim
a pertencer
todas as
povoações do
actual concelho
de Macedo de
Cavaleiros que
faziam parte da
extinta Terra de
Lampaças
D. Sancho I
impôs a Bragança
o povoamento dos
"vilares veteros"
do Concelho. Na
área do actual
concelho de
Macedo de
Cavaleiros foram
povoados por
Bragança, além
de outros
vilares, Valdrês,
Limãos e Vale de
Prados.
No concelho de
Macedo de
Cavaleiros, eram
vilares, além
das povoações
atrás referidas,
as de Talhas,
Travanca, Burga,
Peredo, Bousende,
Azibeiro e
Masaedo.
Segundo as
Inquirições de
D. Afonso III,
em 1258, o
território de
Macedo pertencia
a um cavaleiro
de Chacim, D.
Nuno Martins, da
estirpe dos
Bragançãos, e a
um outro D.
Mendes
Gonçalves. No
entanto, este
lugar não seria
mais do que uma
pequena
povoação, já que
não assumiu
nestes tempos a
importância
administrativa
de outras
localidades suas
vizinhas, como
por exemplo
Nozelos, Vale
Prados,
Cortiços,
Sezulfe e
Pinhovelo, as
quais, durante o
surto
municipalista do
reinado de D.
Dinis, receberam
Cartas de Foral.
A partir do
século XIV,
Masaedo surge
designado por
Macedo dos
Cavaleiros. Este
aditivo deve-se
provavelmente à
categoria dos
seus donatários.
No começo do
século XVI, a
grande reforma
de D. Manuel
concedeu forais
novos a Sezulfe
(1504), a Vale
Prados (1510), a
Chacim (1514) e
aos Cortiços
(1517). As
linhas gerais da
divisão
territorial
mantiveram-se. O
País dividia-se
em seis grandes
Comarcas ou
Províncias,
entre as quais
se contava a de
Trás-os-Montes.
A Comarca de
Trás-os-Montes
aparece
subdividida, na
1ª metade do
século em quatro
Comarcas ou
Corregedorias:
Moncorvo,
Miranda, Vila
Real e Bragança.
À Comarca de
Moncorvo
pertenciam os
concelhos de
Chacim, Sezulfe
e Cortiços;
Nozelos, Vale de
Prados e
Pinhovelo e toda
a parte leste do
actual Concelho,
continuaram
integradas na
Comarca de
Bragança.
Em 1722, D. João
V passou "carta
de reguengueiros
da Casa de
Bragança aos
moradores da
quinta" de
Macedo. Este
documento do
século XVIII
testemunha ainda
a pequena
dimensão de
Macedo, ao
designá-lo como
quinta.
Em 18 de Julho
de 1835
decretava-se a
nova divisão
administrativa.
O país ficava
dividido em
Distritos, estes
em Concelhos e
os Concelhos em
Freguesias. No
mapa n.º2 anexo
ao Decreto,
mencionavam-se,
entre os 44
Concelhos que
ficavam a
constituir o
Distrito de
Bragança, os de
Chacim,
Cortiços,
Nozelos, Sezulfe
e Vale de
Prados.
A 6 de Novembro
de 1836,
reduziram-se a
dois - Chacim e
Cortiços - os
velhos Concelhos
que viriam a
constituir o
núcleo de
Concelho de
Macedo de
Cavaleiros.
Uma nova divisão
administrativa é
aprovada em 1853
e institui
Macedo dos
Cavaleiros como
Julgado e
Concelho,
suprimindo os
antigos
concelhos de
Chacim e
Cortiços. Um
erro gráfico dá
forma definitiva
ao nome Macedo
de Cavaleiros.
Em 1863 a
povoação de
Macedo de
Cavaleiros é
elevada á
categoria de
vila.
Indubitavelmente
o crescimento da
antiga povoação
de Masaedo deve
ter sido enorme
entre o início
do século XVIII
e a segunda
metade do século
de XIX, passando
duma simples
"quinta" a sede
de concelho e a
vila.
A 13 de Maio de
1999 é votada na
Assembleia da
República a
elevação de
Macedo de
Cavaleiros a
cidade.
Lenda dos
Cavaleiros Da
Maça
Diz a lenda
que... “no lugar
de Macedo,
existiam dois
cavaleiros que
se apresentavam
nos combates,
armados de
pesadas maças de
ferro.
Numa batalha em
que entravam as
tropas de um dos
primeiros Reis
de Portugal,
estas eram
levadas de
vencidas pelos
soldados
inimigos.
Mas no momento
em que as hostes
do Monarca
estavam prestes
a deixar o campo
da peleja,
feridos pela
derrota,
apareceram os
cavaleiros da
Maça e foi tal a
sua bravura no
batalhar, que o
próprio Rei,
admirado da
valentia dos
dois esforçados
cavaleiros não
pôde deixar de
gritar, cheio de
entusiasmo: -
Maça, Macedo!...
Maça, Macedo!...
Criaram alento
as tropas
portuguesas com
os repetidos e
bem tocados
golpes
desferidos pelas
Maças dos dois
cavaleiros de
Macedo e foi
ganha a batalha.
Como prémio
deste heróico
feito, ficou o
lugar com
direito a usar o
nome de Macedo
de Cavaleiros e
os dois fidalgos
cheios de
honras”.
Provavelmente,
esta lenda
filia-se no
facto do timbre
das armas dos
“Macedos” ser
“um braço
vestido de azul,
a mão de
carnação
empunhando uma
maça de ouro,
armada de prata.
Miranda do Douro
- (Concelho de
Bragança)

De, Xavier
Fernandes em
Topónimos e
Gentílicos
(1944): “Miranda
é comum a
Portugal, à
Espanha e ao
Brasil. Além
desta Miranda,
cuja designação
oficial completa
é Miranda do
Douro, temos
Miranda do
Corvo, no
distrito de
Coimbra e A
Miranda no Alto
Minho. Os
espanhóis têm
Miranda de
Douro, Miranda
de Ebro e
Miranda del
Castanar. O
mesmo nome
existe ainda na
toponímia
brasileira.
O étimo está
muito
determinado e é
simplesmente o
latim
mirandus-a-um,
digno de
admiração,
gerundivo de
minor, por sua
vez derivado de
mirus, estranho,
maravilhoso, o
que parece
mostrar que o
nome deve ter
sido posto em
consequência do
deslumbramento
provocado pelo
panorama local,
que é, com
efeito,
merecedor de
alto apreço”
Miranda do Douro
Miranda do
Douro, Cidade da
província de
Trás-os-Montes,
sede de concelho
e do distrito de
Bragança.
Está situada na
parte mais
meridional da
província, sobre
a margem direita
do rio Douro,
que a separa da
província de
Leão, Espanha,
em terreno
montanhoso e
acantilado.
Diz o padre
António Carvalho
da Costa,
Coreografia
Portuguesa, com
outros
escritores
Portugueses que
Miranda foi uma
cidade
importantíssima
no tempo dos
romanos, que lhe
deram o nome de
Conticum, depois
de Paramica, e
por fim de
Seponcia.
Castelo de
Miranda do Douro
Deste castelo
medieval do séc.
XIII,
reedificado no
séc. XVII,
restam ainda
extensos panos
de muralha a
rodear o núcleo
antigo da
cidade, depois
de em 1760 ter
sido
parcialmente
destruído pela
explosão do
paiol de
pólvora. O
castelo
propriamente
dito formava um
quadrilátero,
reforçado nos
três ângulos
externos por
três cubelos,
dois deles
rectangulares e
um hexagonal. A
cerca teria um
perímetro total
de cerca de
seiscentos
passos e tinha
três portas de
arco
ligeiramente
quebrado: A
Porta da Senhora
do Amparo,
situada ao fundo
da rua da
Costanilha, a
Porta Falsa,
junto à zona do
castelo e, do
lado nascente, o
Postigo, sobre a
margem
alcantilada do
rio Douro. A
zona das ameias
foi recuperada
em tempo recente
apresentando
aparelho
incertum. No
canto sul
situa-se a Sé de
Miranda e os
Paços
Episcopais. No
lado oposto, a
cerca de 682 m
de altitude,
localiza-se a
Torre de
Menagem.
Mirandela -
(Concelho de
Bragança)

Uma das mais
importantes
vilas
nordestinas, bem
no coração do
úbérrimo vale do
Tua, Mirandela
teve o primeiro
foral em 1250,
mas foi o rei D.
Dinis quem fez
implantar a
povoação no
cabeço de São
Miguel, a dotou
de castelo e lhe
definiu os
limites por
carta de foro em
1291.Um
fragmento do
chamado Arco de
Santo António é
a única ponta
que resta do
Castelo, tendo
igualmente
desaparecido o
pelourinho da
vila.
Opiniões sobre a
origem do nome
Mirandela:
Pinho Leal de
Portugal Antigo
e Moderno
(1935): “Dizem
que quem fundou
Miradela foi o
rei árabe ou
emir Orelhão,
governador
daquelas terras.
Habitava na
serra de Santa
Comba, e, por
estar em frente
daquela serra
aquel vila,
deu-lhe o nome
de A mira dela,
donde
Mirandela”.
Xavier Fernandes
em Topónimos e
Gentílicos
(1944): “ Quanto
a Miradela, é
mais uma terra
portuguesa que
apresenta a sua
lenda, com que
pretende
explicar a
origem do nome.
A simples título
de curiosidade,
registamos essa
lenda, tal como
foi contada bem
recente por um
jornal local. «A
tradição da vila
anda muito
ligada à lenda
do Orelhão. Emir
árabe, que vivia
na serra hoje
chamada de Santa
Comba e por ser
fronteira à
povoação que deu
a Mirandela de
hoje, dizia ele
estar à mira
dela.
Fantasia ?
Comba era uma
recatada
lavradeirinha,
que teve a má
sorte de aquele
chefe mouro a
encontrar com o
irmão no amanho
do campo.
Pretendeu-a,
primeiro a bem,
depois à forç.
Neste último
lance, matou o
irmão e
degolou-a
depois.
Hoje existe uma
povoação a vinte
e um
quilómetros,
chamada Lamas de
Orelhão, que
decerto é
adulteração de
Lágrimas de
Orelhão, as
choradas por
ele, arrependido
do seu negro
feito contra a
pobre Comba».
Mas o topónimo
Mirandela,
evidentemente
não provém de
mira dela nem de
mirando ela,
como se conta
numa variante da
mesma lenda,
pois não é mais
do que um
derivado de
Miranda, com um
sufixo
diminutivo …
Mirandela tem,
pois, o
significado
etimológico de
Miranda
pequena”.
Mirandela
Mirandela,
Mirandela,
Mira-a bem,
ficarás nela;
Quem Mirandela
mirou,
em Mirandela
ficou.
Vestígios
históricos
dão-nos a
conhecer as
influências
deixadas pelas
civilizações
celtas, romanas
e visigóticas,
mostrando-nos o
passado destas
terras, cuja
história se
perde nos
limiares do
período
histórico da
Lusitânia.
O lugar de
Mirandela teve a
sua origem no
monte de S.
Martinho, junto
ao monte do
Mourel, onde
hoje ainda se
identifica o
Castelo Velho.
Mais tarde foi
transferida para
o cabeço de
S.Miguel,
actualmente
centro histórico
da cidade. D.
Afonso III
deu-lhe a carta
de foral a 25 de
Maio de 1250.
Cognominada a
"Coimbra do
Norte", pela
configuração
geográfica e
traço
paisagístico do
rio e suas
pontes,
Mirandela tem a
dominá-la o
célebre e
majestoso
Palácio dos
Távoras, a
perpetuar o seu
passado de
glória e por
tapete o
cerimonioso rio
Tua, de águas
tranquilas e
mansas que a
beija e embala
constantemente.
Mirandela é a
sede de um
extenso concelho
que ocupa uma
área aproximada
de 674 Km2 e
engloba 105
aldeias
agrupadas em 37
freguesias. Tem
29 807
habitantes em 10
043 fogos, dos
quais 8 501
vivem na sede.
Situada no
centro
geográfico da
imensa região de
Trás-os-Montes e
Alto Douro, o
concelho de
Mirandela é com
toda a certeza o
mais próspero do
distrito de
Bragança.
Como centro
propulsor de
toda a
actividade
comercial,
industrial e
agrícola, a
cidade de
Mirandela viveu
na última década
uma explosão
urbanística e
demográfica que
a coloca em
lugar altaneiro
no panorama
distrital.
Pela sua
maravilhosa
situação
geográfica em
consonância com
as vias de
comunicação que
a cortam em
todas as
direcções, as
quais constituem
um eixo
rodoviário por
excelência, e
pelo
extraordinário
desenvolvimento
do seu comércio
e da sua
indústria, cada
vez mais
florescentes,
Mirandela antevê
um futuro
risonho, na
esperança de
poder afirmar-se
como uma
potência
económica do
Nordeste
Transmontano.
Mirandela
Historia »
Contos
Abreiro
Diz a lenda que
a ponte, a Arcã
e cruzeiro foram
construídos pelo
diabo de noite,
que prometeu
fazer também uma
estrada da ponte
até à povoação
em troca da alma
de uma moça que
lha entregaria,
para mais
comodamente
passar o rio a
fim de ir buscar
água a uma fonte
sita na margem
esquerda.
Segundo o
contrato, o
diabo daria a
ponte concluída
numa só noite,
antes de cantar
o galo. Quanto
mais afanosa
trabalhava uma
legião de
demónios
carreando,
aparelhando e
assentando
pedras, cantou o
galo. Que galo
é? - perguntou o
rei das trevas
infernais. -
Galo branco -
responderam-lhe.
Ande o canto -
ordenou ele. A
breve espaço
novo canto. Que
galo é? Galo
preto. - Pico
quedo vociferou
ele. Faltava
apenas uma pedra
para assentar
nas guardas da
ponte e assim
ficou, por mais
vezes que os
homens tenham lá
colocado,
aparece
derrubada pelo
diabo no rio na
noite seguinte.
Lenda semelhante
é apontada a
respeito da
calçada de
Alpajares,
também conhecida
por Calçada
Mourisca, e à
ponte a ela
ligada no termo
de Poiares, que
causa pasmo pela
sua duração de
tantos séculos
(Alves, 1934).
Romeu
A capela de N.
Sra. de
Jerusalém foi
construída pelo
povo a pedido de
uma pastora a
quem a Senhora
apareceu,
incumbindo-a de
dizer ao mesmo
que a
edificasse, e em
confirmação da
sua
sobrenaturalidade,
para que a
pastora bebesse,
visto ser a
terra muito
falha de água,
fez brotar a
fonte da encosta
do cabeço, onde
está a capelinha
ainda hoje
existente. O
dinheiro para a
obra, segundo a
tradição, era
dado pela
pastora que o
tirava de um
buraco ou de uma
lapa, de onde a
Senhora mandara
à mesma
pastorinha que o
tirasse para a
edificação da
sua casa (Alves,
1934).
Torre de D.Chama
Há na província
de
Trás-os-Montes
umas esculturas
zoomorfas em
pedra
representando
quadrúpedes,
conhecidos por
porcas ou
porcos, segundo
indica a
marcação sexual
clara nuns,
irreconhecível
noutros.
Idênticas
esculturas
encontram-se nas
províncias
vizinhas de
Salamanca e
Zamora. Em
Portugal são
desconhecidos
fora da região
transmontana.
No Outeiro
sobranceiro à
vila, onde têm
aparecido várias
antigualhas
romanas e pré
históricas, é
que segundo a
lenda, existia a
torre habitada
por D. Chama,
castelã lúbrica,
sempre pronta a
dormir com
quantos
cavaleiros a
procuravam e,
para que não
divulgassem o
segredo de que
tinha pernas de
cabra,
mandava-os matar
no dia seguinte.
Um dos mais
ardiloso
tirou-lhe o anel
do dedo enquanto
dormia e, ao
sair,
apresentou-o aos
guardas do
castelo como
sinal de aliança
com a dama, que
o deixaram
passar.
Quando acordou e
deu por falta,
mandou os
criados após o
fugitivo,
gritando-lhe: a
dona chama, a
dona chama; de
onde o nome de
D. Chama à vila,
mas nada
conseguiram, e
então ela,
vendo-se
desacreditada e
descoberto o
segredo, ficou
encantada com os
seus tesouros e
a lira popular a
dedilhar (Alves,
1934):
D. Chama
chamorra
Pernas de cabra
Cara de senhora
Franco
Quase no sopé
da Serra de
Orelhão existe
uma entrada
(hoje quase
aterrada pela
erosão) que dá
acesso a um
corredor, que
depois de
percorridos
alguns metros se
subdivide em
várias galerias
que têm uma
altura superior
à de um Homem.
Diz o povo que
em tempos várias
pessoas tentaram
explorar o
interior desta
galeria com
candeias ou
velas acesas.
Depois de
penetrarem
alguns metros
pelo interior
destas galerias,
a luz
apagava-se, não
permitindo que
se continuasse a
fazer a
exploração das
mesmas. Diz
também o povo
que no final de
uma das galerias
está depositado
um grande
tesouro de ouro,
que passará a
ser propriedade
de quem
conseguir chegar
junto do mesmo.
Quando em menino
me contaram esta
história, ainda
tentei reunir
mais um ou dois
amigos para
fazermos a
exploração
destas galerias
e pedi ao meu
pai, que várias
vezes visitou o
local por fora
que nos levasse
ao local,
entretanto no
momento da
decisão,
faltou-me a
coragem e nem
sequer ficamos a
saber a
localização
exacta do local
de entrada
(Paulo Pontes,
Presidente de
Junta do Franco,
2001).
Mogadouro -
(Concelho de
Bragança)

D. Afonso ll,
concedeu-lhe o
primeiro foral
em 1272, que
renovou no ano
seguinte. Em
1512, D. Manuel
l outorgou-lhe
foral novo.
O topónimo, de
origem árabe –
Macaduron -, é
uma
reminiscência do
domínio
sarraceno no
Nordeste
Transmontano.
Mogadouro nasce
para a
nacionalidade
portuguesa em
1272. Em 1297,
D. Dinis
concedera a vila
aos Templários,
que por todo o
concelho
semearam
relíquias, ainda
hoje dignas de
admiração, até
que a Ordem de
Cristo se
sobrepôs
àqueles, sendo
esta, por sua
vez, destituída
pelo poderio dos
Távoras, que ali
implantaram novo
quartel até à
perseguição
pombalina que os
arrastou, a
atrás de si a
própria vila,
cujo anterior
grandeza jamais
voltará a
conhecer.
Desses tempos
restam ainda a
torre do antigo
castelo mandado
construir por D.
Dinis, pêro da
qual se poderá
ver o
pelourinho, de
fuste hexagonal
e cabeça de
quatro pontes.
Segundo, Rocha
Martins, do
Arquivo Nacional
(1936): “É
Mogadouro
povoação muito
antiga,
ignorando-se,
porém, quem
foram os seus
fundadores. Há
quem atribua a
origem dela aos
romanos, os
quais a teriam
designado por
Macaduron, que
com o tempo se
corrompeu em
Mogadouro, nome
actualmente
possui e que
designa esta
florescente vila
de
Trás-os-Montes,
do distrito de
Bragança.
Macaduron
significa –
coisa fatal,
inevitável”.
Mogadouro
O concelho de
Mogadouro
caracteriza-se
por um
povoamento
concentrado em
pequenas aldeias
rurais.
Neste concelho
herdeiro de uma
história antiga,
ainda podemos
admirar muitos
vestígios da
presença dos
povos que, pelo
menos desde há 6
mil anos, o têm
povoado.
Desde a fundação
da nacionalidade
que a
importância
estratégica de
Mogadouro o tem
presenteado, não
só com
estruturas
defensivas, mas
também com
solares e
palácios que
ainda hoje aqui
nos lembram a
vida dos
portugueses de
séculos
passados.
Concessão dos
Templários e
posteriormente
dos Cavaleiros
de Cristo,
muitas foram as
relíquias
deixadas por
todo o concelho
e que, ainda
hoje, merecem a
nossa
admiração.
No
concelho de
Mogadouro, quase
todos os
edifícios
religiosos de
maior dimensão
se integram no
estilo românico,
embora tardio.
Na idade
Moderna, a
história de
Mogadouro está
associada a uma
das famílias
mais poderosas
da nobreza do
Antigo Regime:
os Távoras.
Domínio dos
Távoras, desde o
séc. XV, foi
grande a riqueza
deste concelho
que, não fora a
destruição
levada a cabo
pelo marquês de
Pombal, muito
teria hoje para
nos mostrar
daquele passado
de opulência.
Muitos e
valiosos
documentos que
poderiam lançar
luz na história
do concelho
desapareceram no
funesto incêndio
que, em 25 de
Março de 1885,
destruiu
parcialmente o
antigo convento
de S. Francisco.
No
entanto, apesar
de tudo, o
concelho de
Mogadouro é
ainda detentor
de um património
digno de se
admirar.
No
séc. XVIII, o
desenvolvimento
da olivicultura
com a
consequente
acumulação de
riqueza, terá
tido manifesto
impacto nas
povoações mais
próximas do
Douro, e na
edificação de
solares. Entre
estes
destacam-se o de
Castelo Branco (Pimentéis),
o de S. Martinho
do Peso (Sarmentos),
e outros em
Mogadouro
(Carvalhos
Machados) e em
Tó.
Fauna:
A
natureza foi
pródiga nesta
região que
integra na sua
raia o Parque
Natural do Douro
Internacional,
verdadeiro
santuário
europeu da
águia-real e da
águia-de-bonelli,
do
abutre-do-egipto,
do grifo e da
cegonha-preta.
Neste cenário de
excelência as
espécies
cinegéticas
encontraram
também óptimas
condições para o
seu
desenvolvimento,
sendo possível,
nas épocas
próprias, caçar
coelhos, lebres,
perdizes e
javalis.
Clima:
Os invernos são,
aqui,
relativamente
rigorosos,
sobretudo na
zona central do
concelho, mais
sujeita aos
ventos do que as
zonas protegidas
do vale do Douro
e da bacia do
Sabor. O verão,
relativamente
curto, surge
quente e seco. A
primavera e o
outono, frescos
e bem
demarcados,
emprestam à
paisagem a
beleza das cores
matizadas dos
matos floridos
de branco,
amarelo e
violáceo ou das
folhosas
outonais em tons
de cobre e
ferrugem.
População:
A
população é
eminentemente
rural, cujas
principais
actividades são
a agricultura e
a pecuária. Aqui
cultiva-se o
olival e
produz-se um dos
melhores azeites
do país.
Cultivam-se
também as
amendoeiras, os
sobreiros, as
vinhas que levam
ao mundo o tão
conhecido vinho
rosé, o trigo e
algum centeio,
as hortas junto
às linhas de
água e a
castanha mais
para o Sul. Na
pecuária, o
destaque vai
para o gado
bovino,
actualmente
sobretudo na
produção de
leite. Quanto à
carne,
salientamos a
qualidade do
gado Mirandês
que deu origem,
na gastronomia,
à já célebre
Posta Mirandesa.
Para além do
gado bovino, os
caprinos e os
ovinos assumem,
também, neste
concelho, uma
relativa
importância nas
economias
familiares,
produzindo
carne, lã e
leite.
Entretanto,
provavelmente
trazidos pelos
mouros ou
vulgarizados
durante a
ocupação
mourisca, os
burros foram, e
continuam a ser,
um auxiliar
precioso de
pequena economia
rural, tanto no
transporte como
na lavra de
terrenos de
difícil acesso
ou pequenos
demais para
justificar o
tractor.
Adaptação de
textos de:
Domingos Marcos,
Rui Cunha e
Maria João Cunha
LENDA DO CASTELO
DE MOGADOURO
Era uma vez, uma
menina que
guardava cabras
e costumava ir
com elas para as
arribas.
Enquanto tomava
conta das
cabras, fiava a
lã, que levava
na roca, e
cantava.
Um dia, estando
a menina sentada
numa fraga,
muito triste,
pois o dia
estava escuro e
sombrio, ao
levantar-se para
ver onde estavam
as suas
cabrinhas,
reparou, com
grande espanto
seu,
que, no outro
extremo, se
encontrava
sentado um
rapaz, já com 16
ou 18 anos.
Assustou-se e ia
fugir mas o
rapaz, por
gestos, fez com
que a menina se
acalmasse e
continuasse
junto das suas
cabras.
A este dia
sucederam-se
outros. A menina
continuou a ir
com a cabrada
para as arribas
e o rapaz a ir
para junto dela.
Cada dia que
passava ia-a
acompanhando até
mais perto da
vila.
Um dia, já junto
de uma das
entradas da
vila, o rapaz
aleijou-se num
prego e começoua
gritar e a falar
em espanhol. A
menina
assustou-se e
desatou a fugir
e o rapaz foi
atrás dela. Ela
entrou no largo
do castelo e
desapareceu por
um buraco de
umas escadas que
lá existiam.
Os dias foram
passando e as
semanas também.
A menina nunca
mais apareceu
com as suas
cabras, nas
arribas. O
rapaz,
preocupado,
resolveu ir
procurá-la.
Chegou junto às
escadas e
desceu-as, uma a
uma. Só parou
quando viu água.
Não vendo lá
nada a não ser
um poço,
sentou-se
triste, a
pensar. Começou
a cantar as
mesmas canções
que a menina
cantava com as
suas cabras. Eis
que, de repente,
a menina aparece
e o rapaz,
assustado,
deixou-se cair
para trás,
dentro do poço.
A menina chorou
mas o rapaz
nunca mais
apareceu.
Diz-se que os
suspiros da
menina são
ouvidos nas
noites de luar,
no outro extremo
da vila, num
lugar onde há
outro poço.
Daí dizer-se que
os poços
comunicam entre
si.
Torre de
Moncorvo -
(Concelho de
Bragança)

O topónimo
deriva da
existência de
uma torre
habitada por um
senhor local de
nome Mendo
Curvo, o qual,
por evolução
fonética, deu
Moncorvo.
Recebeu o
primeiro foral
do mencionado
senhor em 1062,
confirmado por
D. Afonso
Henriques entre
1128 e 1140. D.
Manuel l
outorgou-lhe
foral novo em
1512.
Tem raízes em
medievos tempos
e pensa-se que
terá sido um
grande senhor da
época, Mendo
Curvo, que junto
à serra do
Reboredo,
construiu uma
fortaleza com
uma torre, no
século Xl,
existindo ainda
no local algumas
ruínas – ou
simplesmente
Mendo, que tinha
uma casa com uma
torre e um
corvo, quem
primeiro lhe deu
foral e o nome
também.
De, J. de
Vilhena Barbosa,
em “As Cidades e
Vllas da
Monarchia
Portugueza, que
têm Brasão
d’Armas” (1862):
“ A fundação
desta vila data
do século Xll ou
Xlll, e teve
princípio em uma
Torre, que aí
edificou um tal
Mendo ou Mem
Corvo, para sua
morada e
segurança.
Segundo o
costume, e
necessidade
daqueles tempos,
os aldeões
pobres, que
viviam isolados
naquelas
circunstâncias,
demandando o
abrigo de uma
casa forte e a
protecção de um
rico
proprietário,
foram mudando
pouco a pouco as
suas choupanas
pra junto da
Torre. Assim se
formou, ao que
parece o
primeiro núcleo
da povoação.
Passado pouco
tempo aumentou
rapidamente à
custa da vila de
Santa Cruz, que
ficava dali uma
légua, em sítio
tão doentio, e
falto de água,
que os seus
moradores
foram-se
transferindo
para a nova
povoação, que
lhes oferecia a
triplicada
vantagem de ares
salubres
abundância de
água, e
excelentes
terrenos para
cultura.
A vila de Santa
Cruz abandonada
completamente,
caiu em ruínas,
e hoje raros
vestígios mostra
o nome por que
era conhecida a
torre, começou a
chamar-se Torre
de Mendo Corvo
ou de Mem Corvo.
Pretendem alguns
antiquários, que
a etimologia de
Moncorvo se
deriva de Mons
Curvus, dizendo
que assim
designavam o
monte Reboredo,
por ser um tanto
curvo ou
arqueado. Não se
pode, porém,
aceitar esta
opinião, visto
achar-se em
todos os
documentos
antigos, que
falam desta
terra, o nome de
Torre de
Moncorvo, e não
Moncorvo, como
agora dizemos.
Outros querem
que o seu
primeiro nome
fosse Torre do
Monte do Corvo
ou dos Corvos,
autorizando-se
com o brasão
d’armas da vila.
A respeito da
fundação da
Torre, e da
etimologia do
nome, há uma
tradição no
povo, que apesar
de não merecer
crédito, a vamos
referir pela
originalidade, e
por julgarmos
próprio desta
obra
consignarmos
nela as lendas,
históricas ou
fabulosas, que
as crenças
populares têm
enlaçado com a
origem das
povoações.
Conta, pois, a
tradição que um
pobre lavrador
chamado Mendo,
que vivia com
sua mulher em
uma choupana não
longe do monte
Roboredo, achara
um tesouro
enterrado.
Vendo-se de
repente tão rico
cuidou perder o
juízo; mas
voltando a si,
reconheceu a
necessidade de
fazer segredo do
achado para que
lho não
roubassem. O seu
primeiro
pensamento foi
referir o caso à
consorte, tanto
para que ela
tomasse parte
nas suas
alegrias, como
para que o
ajudasse na
guarda do
precioso
tesouro. Porém,
a esta ideia
sucedeu logo
outra na alma
desconfiada do
lavrador. Seria
sua mulher capaz
de conservar em
si o segredo ?
este receio
levou-o a pôr a
provar a
discrição dela,
e para isso lhe
disse que
acabava de
presenciar um
acontecimento
nunca visto até
então, mas que
lhe pedia um
segredo
inviolável. Era
o caso que vira
um corvo pariu
uns poucos
corvozinhos. A
mulher ficou
pasmada, e não
podendo conter
em si um
mistério tão
maravilhoso,
foi-o divulgando
às vizinhas,
acrescentando o
número de
filhos, que o
corvo parira;
mas a cada uma
ia pedindo o
mais absoluto
sigilo. De boca
em boca foi
correndo o conto
até não haver
quem o ignorasse
em todas aquelas
imediações. À
vista disto
resolveu-se o
lavrador a
ocultar o
tesouro a sua
mulher, e para o
ter mais seguro,
edificou uma
Torre para sua
morada, e
depósito dele.
Do nome do
lavrador e do
caso do corvo,
ficaram chamando
ao edifício a
Torre de Mendo
do Corvo, nome
que com o tempo
se corrompeu em
Torre de
Moncorvo e
depois
Moncorvo”.
Torre de
Moncorvo
Torre de
Moncorvo teria
nascido de uma
remota Vila da
Alta Idade
Média, que em
antigos
documentos vem
designada Vila
Velha de Santa
Cruz da Vilariça,
situada no topo
da margem
direita do Rio
Sabor e nas
proximidades do
núcleo de vida
pré-histórica do
Baldoeiro.
Segundo a
tradição, os
habitantes desta
povoação, devido
à insalubridade
do local muito
sujeito às
emanações
palustres e,
talvez, também,
em consequência
dos estragos
sofridos com as
Razias Mouriscas
tão frequentes
na época
abandonaram-na
deslocando-se
para o ponto
mais arejado no
sopé da Serra do
Roboredo. De
qualquer
maneira, a
ter-se dado o
abandono da Vila
de Santa Cruz da
Vilariça, este
ter-se-ia
processado nos
fins do séc.
XIII. No
principio desse
século existia
ainda a Vila de
Santa Cruz da
Vilariça e dava
sinais de
relativa
vitalidade, pois
recebeu de D.
Sancho II, em
1225, uma carta
foral que lhe
concedia
importantes
isenções e
regalias fiscais
e penais.
Quanto à origem
do topónimo de
Torre de
Moncorvo,
segundo as
Memórias
Paroquiais de
1978, " hé
tradição que se
mudava da Villa
de Santa Cruz
pela multidão de
formigas, que
não só faziam
dano
considerável em
todos os
viveres, mas aos
mesmos viventes
lhe cauzavão
notável
opressão, e
resolvendo-se a
evitar estes
incomodos forão
para o pé do
Monte Reboredo
aonde havia uns
cazaes de que
era senhor um
homem chamado
Mendo, o qual
dizem que na sua
casa tinha uma
torre e
domesticando
nela um corvo.
Crescendo depois
a povoação e
tendo o foral de
Villa lhe
chamarão de
Villa de Mendo
do Corvo, que
com fácil
corrupção se
continuou a
chamar a Villa
de Moncorvo".
Seja como for, o
certo é que só a
partir do tempo
de D. Dinis, no
pensar do
erudito padre
Francisco Manuel
Alves, Moncorvo
adquire "o seu
incremento".
Este Rei
concede-lhe
foral em 12 de
Abril de 1285
passando então o
concelho a ter
nova sede e nova
designação que
seria o Concelho
de TORRE DE
MONCORVO.
Em 1372 D.
Fernando
considera
Moncorvo como
uma vila das
melhores de "Tralus
Montes" e
atendendo à
valentia dos
seus moradores,
demonstrada nas
guerras com os
castelhanos,
dá-lhe como
termo as vilas
de Vilarinho da
Castanheira e a
de Mós.
D. Manuel I, a 4
de Maio de 1512,
concede a
Moncorvo novo
foral depois de
visto o foral da
dita vila dado
por el-rei D.
Dinis.
Entretanto ao
mesmo tempo do
foral começa a
erguer-se o
padrão manuelino
da Igreja
Matriz, já
extra-muros,
dominadora e
acolhedora e o
casario
acantoa-se à sua
volta.
Segundo Duarte
Nunes de Leão em
1609, Torre de
Moncorvo era uma
das grandes
correições em
que se dividia
judicialmente o
País. Estava a
par de
correições tais
como Miranda,
Vila Real e
Coimbra de
grande extensão
e relevo.
Padre Joaquim M.
Rebelo
Lenda de
Moncorvo
Segundo a lenda,
viveu naquela
região, há muito
tempo atrás,
alguns séculos,
um homem chamado
Mendo ou Mem.
Dizem uns que
era um nobre
senhor, mas a
nossa lenda faz
dele um pobre
lavrador que
habitava uma
choupana com sua
mulher, não
muito longe do
monte Reboredo.
Aconteceu certo
dia que Mendo
achou um tesouro
enterrado sob um
penedo do monte.
Vendo-se, de
repente, tão
rico - o tesouro
era fabuloso -,
o homem sentiu
fugir-lhe o
juízo. Em breve,
porém, recuperou
o sangue frio e,
reconhecendo ser
melhor manter em
segredo aquele
achado, para que
lho não
cobiçassem
tratou de pensar
no que lhe
fazer, onde o
guardar.
Tão grande era a
sua alegria que
não cabia em si
e no fundo,
desejava
partilhar o seu
segredo com
alguém que
consigo se
regozijasse. E,
como a pessoa
que mais perto
de si estava por
muitas razões
óbvias, era a
mulher, sentiu
uma imensa
vontade de lhe
contar a
felicidade que
acabara de ter.
Contudo, Mendo
era desconfiado,
e como conhecia
a mulher de
ginjeira achou
que ela não
seria capaz de
guardar segredo
por muito tempo.
Assim, decidiu
arranjar uma
mentira para a
pôr à prova.
Depois de muito
pensar,
encontrou o que
dizer e foi ter
com ela.
- Anda cá,
mulher, senta-te
aqui comigo
nesta pedra!
Quero contar-te
uma coisa, mas
tens de prometer
guardar
segredo...
- Então o que é?
Conta, homem,
conta!!
- Juras que não
contas nada
disto a ninguém?
- Juro pois! ...
por estes dois
que a terra
há-de comer! ...
- disse ela
apontando para
os olhos.
- Então lá vai:
calcula que vi
hoje um corvo
parir um par de
corvinhos!...
- Ora homem,
isso é lá
possível!?
- ... eu seja
ceguinho!
A mulher
ficou-se um
pouco incrédula,
sentada na
pedra, enquanto
ele se afastava
para ir à sua
vida, contente
com a história
que arranjara.
Agora era só
esperar algum
tempo, ter um
pouco de
paciência e...
ver o resultado.
Durante algum
tempo, a mulher
quedou-se
pasmada com a
história que
Mendo lhe
contara: «era lá
possível um
corvo parir,
parir como
gente!? ... Não,
não é verdade!
Aquilo foi o
homem a mangar
comigo!...».
Sem poder
conter-se mais,
e como segredo é
aquilo que se
conta a uma
pessoa de cada
vez, foi dali à
vizinha mais
próxima relatar
o que dissera o
marido. Desta
vez o corvo já
não tinha parido
dois corvinhos,
mas quatro e, é
claro, tudo isto
era um segredo.
Acabada a
conversa,
despediram-se as
vizinhas e foi
dali cada uma
contar a outra
pessoa. De tal
modo se espalhou
o segredo que em
breve toda a
gente da região
conhecia a
história do
corvo parindo em
variadissimas
versões.
Em vista disto,
Mendo, o
lavrador,
decidiu ocultar
de todos o seu
segredo, o seu
tesouro, e para
isso construiu
uma grande torre
onde passou a
morar para
melhor defender
o seu ouro.
Do nome do
lavrador e da
história do
corvo, ficaram a
chamar ao
edifício Torre
do Mendo (ou Mem)
do Corvo. Com o
tempo, esquecida
a história, o
povo foi
simplificando o
nome até chamar
ao local TORRE
DE MONCORVO.
Vila Flor -
(Concelho de
Bragança)

Vila Flor
A Póvoa de
Além-Sabor,
fértil e linda,
entrou no
coração do nosso
rei-poeta-lavrador
(D. Dinis), que
mandou dar-lhe o
nome de Vila
Flor e lhe deu
um foral em
1286, mandando-a
cingir de
muralhas, de que
apenas se
conservam a
Porta Sul, ou
Arco de D.
Dinis, e restos
daquelas. Vila
Flor teve também
o seu
pelourinho, de
cuja parte
medieval apenas
resta parte do
fuste, sendo os
ornamentos já do
século XVll;
conserva ainda a
sua fonte
romana, bem
interessante, a
testar a
presença romana
naquelas
paragens, e o
Solar dos Lemos,
excelente
exemplar de casa
nobre.
De, J. Vilhena
Barbosa de “As
Cidades e Villas
de Monarchia
Portugueza que
têm Brasão d’
Armas (1862):
“Não temos
encontrado
memória da
origem desta
vila; é certo,
porém, que tem
bastante
antiguidade,
pois conta que
el-rei D. Dinis
lhe reformou o
foral antigo e,
segundo a
tradição dos
habitantes, lhe
mudou o antigo
nome de Póvoa de
Além do Sabor no
de Vila Flor”.
Vila Flor
Vila Flor não
oferece grande
notabilidade
histórica
documentada
antes do século
XIII, mas há
quem avente que
a sua fundação
remonta ao
século XI, após
o declínio das
invasões
mouriscas e ao
início da
política real de
repovoamento do
território. Os
vestígios
arqueológicos de
fortificações
castrejas são
também a prova
de povoamento
recente.
A sede do
concelho foi
durante algum
tempo conhecida
por "Póvoa de
Além Sabor". A
criação ou
fundação desta
póvoa revela que
o topónimo teria
origem no centro
populacional de
Castela. a que
estaria
subordinada.
Ficando esta
povoação aquém
do Sabor. em
relação à
capital do
Condado
Portucalense,
compreende-se
que ela fosse
denominada
"Póvoa de Além
Sabor", além
portanto, a
Castela. O nome
de "Vila Flor"
aparece, pela
primeira vez,
referenciado no
foral concedido
a 24 de Maio de
1286 pelo Rei D.
Dinis.
Segundo a
tradição,
aquando da sua
visita a esta
terra por
ocasião do
encontro com D.
Isabel., sua
noiva, D. Dinis
ficara
surpreendido
pela beleza da
paisagem e
colorida pela
sua diversidade
de flores
campestres.
Em 1295, o "Rei
Poeta" manda
erguer em redor
de Vila Flor uma
cinta de
muralhas com 5
portas em arco
como forma de
protecção,
restando apenas
uma -a porta sul
ou Arco de D.
Dinis, com 3,5 m
de largura por 4
m de altura,
aliás
considerado
monumento de
interesse
público.
No século XV é
fundada em Vila
Flor a Santa
Casa da
Misericórdia.
Por tudo isto
Vila Flor
oferece um
conjunto de
valores que
marcaram
profundamente as
gerações
passadas.
A sua idade
média é
florescente,
recebendo
notável impulso
com o
acolhimento de
famílias
judaicas fugidas
ás perseguições
movidas pela
Europa fora e
que aqui
desenvolveram a
agricultura, o
comércio e as
indústrias de
curtumes e
ourivesaria.
Em 4 de Maio de
1512 o Rei D.
Manuel I
atribui-lhe novo
foral reformando
o anterior e,
devido à sua
política
anti-judaica, os
judeus foram
expulsos,
levando consigo
artistas
engenhosos e o
segredo de
rendosas artes.
Como
consequência, a
população desceu
consideravelmente
e as suas
habitações
caíram em
ruínas. Mas,
ainda restam as
pedras da
calçada da Rua
Nova, da Rua do
Saco e da
Portela.
Lenda de Vila
Flor
Conta a lenda
que D. Dinis, no
caminho para a
raia de Miranda,
ao encontro de
sua noiva -
Isabel de
Aragão, achou o
lugar tão belo e
florido que, a
jeito de
trovador, lhe
chamou ”FLOR”.
Desconhece-se
qualquer
documento
anterior ao
século XIII que
fale da
existência deste
povoado, mas há
quem avente que
a sua fundação
remonta ao
século XI, após
o declínio das
invasões
mouriscas e ao
início da
política real de
repovoamento do
território.
O nome de Vila
Flor aparece,
pela primeira
vez,
referenciado no
Foral de 24 de
Agosto de 1286,
outorgado pelo
Rei Poeta, que
manda erguer em
seu redor uma
cinta de
muralhas com
cinco portas em
arco, restando
actualmente
apenas uma - a
Porta sul ou
Arco de D.
Dinis. É então
que o nome desta
vila passa de
Póvoa de Além
Sabor para Vila
Flor.
Vimioso -
(Concelho de
Bragança)

O mais antigo
documento
referente a esta
povoação data de
1187 e respeita
à aquisição por
D. Sancho l do
“chão” para
fundar uma
“cidade”. Porém,
o seu povoamento
só se processou
no reinado de D.
Sancho ll.
Seu nome
formou-se da
raiz de vime,
vim – e o sufixo
– oso.
Correspondem-lhe
as antigas
formas
adjectivas,
Vimioso e vimoso.
Implantado entre
os rios Maçãs e
Angueira,
constituiu, nos
primórdios da
Nacionalidade,
ponto táctico de
defesa
fronteiriça
juntamente com
Miranda do Douro
e, por outro
lado, um ponto
de equilíbrio
contra a
influência das
Ordens de Malta
e dos
Templários,
senhoras de
Mogadouro, Penas
Roías e Algoso.
Nada resta do
castelo da vila
e pouco mais da
atalaia a que se
dizia subjacente
em castro
romano.
Vimioso
A antiga vila
transmontana de
Algoso foi sede
de concelho até
1855, ano em que
foi extinto e
incorporado no
município de
Vimioso. No
extremo sul da
povoação,
ergue-se o
castelo, obra de
Mendo Rufino dos
finais do século
XII,
possivelmente
ainda no reinado
de D. Afonso
Henriques,
embora alguns
autores se
inclinem mais
para a sua
construção, pelo
menos Mendes
Rufino, mas já
no tempo de D,
Sancho I, a quem
de resto
patrocinador do
reduto o
ofereceu,
recebendo a
título de
recompensa o
Senhoria de
Vimioso.
O castelo surge
no alto do Monte
da Penênciada,
um cabeço
penhascoso que
se despenha
quase a pique, a
mais de 600
metros, sobre o
rio Angueira,
que, por sua
vez, vai
confluir a oeste
com o rio Maçãs.
Quem segue pela
estrada de
Mogadouro para
Vimioso não pode
deixar de se
impressionar
quando, a meio
caminho se
desfruta uma
vista
deslumbrante.
Deslumbrante é,
também, o
castelo, de
reduzidas
dimensões, que
fez parte de uma
linha defensiva
de antiquíssimos
tempos com mais
três
fortificações: a
de Milhão,
Santulhão,
destruídas
talvez pelos
leoneses ainda
durante os
primeiros
reinados
portugueses, e a
de Outeiro,
hoje,
praticamente em
completa ruína.
O Castelo de
Algoso,
construído à
base de xisto
quártizo e
granito, é de
planta
rectangular, com
entrada pelo
lado Norte por
porta em arco
pleno, defendida
pelo que resta
de um cubelo, já
sem merlões.
Surge então a
pequena praça de
armas. Onde
aparecem, tal
como no
exterior, panos
de muralha em
paralelo com a
penedia, que em
muitos pontos
funciona como
alicerce de
cerca.
A torre de
menagem
apresenta sinais
de três
registos. Os
dois primeiros
destinavam-se à
zona
habitacional e o
último à defesa.
Ainda na época
Medieval, o
Castelo de
Algoso foi
cedido, por D.
Sancho II à
Ordem do
Hospital (depois
Ordem de Malta),
em 1226, e nele
residiu o
representante
real das terras
de Miranda e de
Penas Roías,
ambas ainda
acasteladas nos
tempos de hoje,
se bem que,
nesta última
localidade,
muito pouca
resta da
fortificação aí
erguida.
Já no século
XVIII, mais
concretamente em
1710, por
alturas da
invasão
espanhola
motivada pela
Guerra dos Sete
Anos, Algoso
sofreu saques,
tal como outras
terras da
região. O
principal alvo
dos espanhóis
foi Miranda do
Douro, cuja
fortaleza quase
se viu reduzida
a escombros, na
sequência de
enorme explosão
no paiol, mas as
localidades da
zona de Vimioso
também não
escaparam à
fúria da nação
vizinha. Algoso,
no entanto,
conseguiu
resistir aos
ataques e evitou
a ocupação,
apesar da sua
guarnição,
comandada por
alferes, ser
pouco numerosa.
Aquando das
invasões
francesas, ficou
célebre o nome
de juiz de fora
de Algoso,
Jacinto de
Oliveira Castelo
Branco. Este
magistrado, além
de não acatar,
em 1808, as
ordens de Junot,
continuava a
usar nos
processos o nome
da Sua Alteza
Real, apesar de
D. João VI já
ter embarcado
com a família
para o Brasil e
os franceses
terem declarado
abolida a
Dinastia de
Bragança.
Orago: S.
Sebastião
População: 279
habitantes
Actividades
económicas:
Agricultura e
pecuária,
olivicultura,
vinicultura,
amêndoa,
cortiça,
construção
civil,
serralharias e
pequeno
comércio.
Feiras: Mensal
(9 de cada mês)
e Feira Anual
“S. Lourenço” (9
de Agosto)
Festas e
Romarias: Santo
António (13 de
Junho), São João
(24 de Junho),
Nossa Senhora da
Assunção (15 de
Agosto) e São
Roque (16 de
Agosto)
Património
Cultural
edificado:
Igreja Matriz,
Castelo de
Algoso,
Pelourinho,
Capela da
Misericórdia,
Capela de S.
Roque, Capela de
S. João Baptista
e de Nossa
Senhora da
Assunção,
Estrada Romana,
Ponte Romana,
Fonte Santa,
Antigos Paços do
Concelho e
ruínas do
convento.
Gastronomia:
Posta Mirandesa,
cordeiro assado,
cabrito assado e
em caldeirada,
rosquinhos de S.
João, bolo de
Páscoa, bolo de
centeio,
dormidos,
fumeiro e folar.
Artesanato:
Rendas, bordados
e carpintaria.
Colectividades:
Grupo Cultural e
Desportivo de
Algoso
Aldeia Anexa:
Vale de Algoso
(Turismo Rural).
In Roteiro
Turístico de
Vimioso
Vinhais -
(Concelho de
Bragança)

D. Afonso 111
concedeu-lhe o
primeiro foral
em 1253. D.
Manuel l
outorgou-lhe
foral novo, em
1512.
Fundada no
século Xlll por
D. Sancho ll,
manteve o nome
de Póvoa Rica
até ao século
XVl, tendo sido
entretanto
fortificada por
D. Dinis.
Passava por aqui
a via imperial
que ligava Braga
a Astorga, sendo
atribuída aos
romanos a
construção da
Ponte da Rauca,
de três arcos,
enquanto aos
Godos é a Igreja
de São Facundo,
hoje templo do
cemitério.
Do velho castelo
pouco resta já,
chamando-se
ainda “vila” ao
conjunto de
casas existentes
dentro das suas
muralhas, com um
dos acessos por
curioso arco. No
seu interior, um
pelourinho num
pequeno largo e
a Igreja Matriz.
Segundo, Xavier
Fernandes em
Topónimos e
Gentílicos
(1944): “Na
antiga linguagem
portuguesa
usou-se muito o
vocábulo vinhal,
derivado do
latim vinealis e
empregado para
designar terreno
com vinhas. Como
topónimo Vinhais
é um plural
morfológico,
embora seja um
singular
semântico.
Tem-se dito que
o nome foi dado
à terra pela
fertilidade do
respectivo solo
e pela grande
produção de
vinho”.
Vinhais
O concelho de
Vinhais pertence
à região de
Trás-os-Montes e
insere-se na
bacia do rio
Douro, sendo
atravessado
pelos rios
Rabaçal, Tuela,
Mente e Baceiro.
Com um relevo
muito acentuado,
vales profundos
e encaixados, o
concelho
apresenta
valores
altimétricos
compreendidos
entre os 300m e
os 1 273m;
situando-se a
altitudes mais
frequentes entre
os 500m e os
900m.
O clima é
continental e é
extremo.
A vegetação da
região é
diversificada.
Em poucos
quilómetros
podem
observar-se
seculares
carvalhais,
sardoais e
soutos que,
juntamente com
os pinheiros,
freixos,
vidoeiros e
outras espécies
autóctones,
representam a
riqueza de
espaços
florestais
coloridos e
frescos.
O concelho
reveste-se de
grande
importância
faunística a
nível europeu,
pela existência
de espécies em
vias de
extinção, como o
lobo ibérico, a
águia real e a
cegonha branca,
bem como
espécies raras e
vulneráveis,
como a lontra, a
marta, toupeira
de água e a
víbora cornuda.
De referir ainda
o corço, o
veado, o coelho,
a lebre, a
perdiz e o
javali.
História:
Pelourinho:
Trata-se de um
pelourinho
manuelino,
reconstruído no
século XX. A
coluna, de fuste
hexagonal, liso
e com duas
secções, tem uma
base prismática
que assenta
sobre um soco
poligonal de
cinco degraus. O
remate é
constituído por
um bloco, com
corpo principal
decorado com
duas mãos, dois
pés e duas
maças,
destacando-se as
armas de
Portugal
encimadas por
uma coroa. Sobre
estes elementos
ergue-se uma
cruz grega,
possuindo nos
topos cabeças de
serpente, uma
das quais ainda
possui uma
argola de ferro.
Remata o
conjunto uma
pirâmide de
formato cónico
que contém uma
esfera armilar.
Vinhais é uma
povoação muito
antiga, anterior
à fundação da
nacionalidade,
outrora
chamou-se Póvoa
Rica.
As sua origens
remontam ao
período anterior
à Idade Média.
Encontram-se
alguns vestígios
da vida
pró-histórica em
Dine.
Com a chegada
dos romanos, o
local escolhido,
para residência
e vigilância,
seria o picoto
mais elevado,
conhecido hoje
por "Cidadela",
por ser o de
mais desafogada
visão da região,
cruzado pela via
militar de
Braga-Chaves-Astorga.
Foi aqui que a
vila foi fundada
nos meados do
séc. XIII pelo
rei D. Sancho II.
Os reis D.
Afonso III e D.
Dinis
distinguiram a
vila com
diversas
regalias e obras
defensivas.
Da antiga cerca
medieval apenas
restam as ruínas
dos muros e a
Porta da Vila,
monumento
nacional.
A visitar:
O convento de
São Francisco e
a igreja de São
Facundo.
Concelho de
Vinhais,
freguesia de
Vinhais
A igreja de S.
Facundo é um
templo de traça
românica que
mostra algumas
semelhanças com
um outro
localizado em
Mazouco, no
concelho de
Freixo de Espada
à Cinta. A
fachada, com um
portal de arco
levemente
apontado,
ladeado por
vestígios de
esculturas, é
rematada por um
campanário com
dois pequenos
sinos.
No interior, tem
uma única nave
de pequenas
dimensões, que
alberga, do lado
da Epístola, um
túmulo
quatrocentista
em xisto. A
porta existente
ao lado do
túmulo é em arco
levemente
apontado, sendo
na altura da
construção da
pequena
sacristia
alterada para um
vão de verga
recta. Na zona
do arco
triunfal,
ostenta, do lado
do evangelho, um
pequeno altar em
talha. A
capela-mor,
iluminada por
dois vãos,
encontra-se
completamente
preenchida pelo
altar de talha.
Acesso: Lug. de
São Facundo
(situado no
cemitério).
Protecção:
Imóvel de
Interesse
Público, Dec. nº
95/78, DR 210 de
12 Setembro
1978.
Nos arredores
não perca o
solar de Vilar
de Ossos, a
igreja de
Moimenta e
outros.
Lenda da
figueira do
campanário da
igreja de S.
Francisco de
Vinhais
Aquando da
expulsão dos
frades de S.
Francisco de
Vinhais em 1834,
apesar da
violência e do
terror espalhado
pelos liberais,
um frade
missionário
ainda pôde subir
ao púlpito e
fazer ao povo um
discurso de
despedida. No
final proferiu
estas palavras
proféticas: " Só
tornará a haver
missões nesta
igreja quando
virdes uma
figueira no
campanário do
templo da Ordem
Terceira ..."
Efectivamente,
decorridos
muitos anos, uma
figueira nasceu
na fenda de duas
cantarias do
campanário onde
ainda hoje se
pode observar,
oscilando às
fortes rajadas
da ventania
agreste. Tem
metro e meio de
altura e dá
frutos que não
amadurecem.
Diz o povo que
"quando a
figueira secar o
mundo
acabará!...".
Crenças
populares.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro –
Marinha Grande -
Portugal
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