Distrito de Bragança

Concelhos de: Amares, Barcelos, Braga (concelho),

Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Esposende, Fafe,

Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro,

Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão,

Vila Verde, Vizela.

 

 

 

Distrito pertencente à província tradicional de Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte e a leste com Espanha, a sul com o Distrito da Guarda e com o Distrito de Viseu e a oeste com o Distrito de Vila Real. Área: 6608 km². Capital e sede de distrito: A cidade de Bragança.

 

Bragança (Capital e concelho de)

 

 

 

 

“Segundo muitos escritores Bragança foi fundada por Brigo lV, rei de Espanha, no ano de 1906 antes de Cristo. O douto Abade de Baçal, porém, reputa essas afirmações dado como lendária a existência desse rei Brigo.
A princípio chamava-se Celobriga, mais tarde Brigâncio ou Brigância.
No tempo dos romanos era Bragança já uma cidade de grande importância, a que Augusto César pôs o nome de Julióbriga, em homenagem a seu tio Júlio César, que a tinha reedificado e fez município do antigo direito latino.”
(Dr. Rocha Martins 1889).
“Derivou de Briganti, como se vê nos Brigantinos. Não se julgue que não houve outras Brigancias. Quicherat regista uma cidade Brigantia na Gália Cipalpina (hoje Briançon), e também Brigantia, cidade da Vindelícia, região entre os Alpes e o Danúbio.
Todas essas Brigantiae devem ter origem celta. Brigantia passou a Bragança por meio de uma forma Bregança. Talvez que a forma Braga ajudou a passar-se Bregança para BRAGANÇA. (Prof. Dr. Vasco Botelho do Amaral - 1949).
A primeira povoação, bastante importante, foi fundada anteriormente à era cristã. Talvez no ano de 1906 antes de Cristo.
Durante as guerras entre cristãos e mouros foi saqueada e ficou completamente arruinada, tendo sido reconstruída no século Xll, no local onde se encontra actualmente. D. Sancho l concedeu-lhe foral em 1187. D. Fernando ofereceu-a como dote a uma das suas cunhadas, irmã de D. Leonor Teles. Voltou à Coroa e foi dada, como ducado, a um filho natural de D. João l, ficando então definitivamente na posse da Casa de Bragança.
Encravada nas montanhas do Nordeste Transmontano, a antiga Bragança, olha com orgulho, do alto da sua cidadela, todos quanto a ignoram sem que a conhecerem.
Nascida nos confins do tempo, destruída pelas lutas cristãs – islamitas, reconstruída, em território pertencente ao Mosteiro Beneditino de Castro de Avelãs por cedência de outras e quiçá mais vastas áreas, Por Fernão Mendes, cunhado do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, Bragança só em 1187, com D. Sancho l, vem a conhecer o primeiro foral.
Ter-lhe-ia sido dado esse foral pela sua afectiva importância militar, uma vez que se situava na linha de fronteiriça com a Galiza ?
Apesar do gesto meio tardio e das contínuas guerras e consequentes devastações que a assolaram, Bragança – ainda que obrigada a render-se aos espanhóis em 1762 e ocupada pelos franceses em 1808 – contra todos se revolta, persistindo em continuar bastião português.
Ducado em 1442, tendo como primeiro duque D. Afonso, filho ilegítimo de D. João l e genro do Condestável, Nuno Álvares Pereira, tornou-se uma das mais importantes casas da Europa. Dela sairão mais tarde alguns dos reis portugueses.
Em 1455, é-lhe concedida uma feira franca, o que revela bem a importância do burgo, e D. Afonso V eleva-a à categoria de cidade em 1466.
Ainda que fracamente impulsionada pelos seus duques, a cidade veio a conhecer relativo desenvolvimento com os Judeus, que nela encontravam acolhimento e “asilo quase seguro”. E, entre os séculos XV e XlX, tornou-se importante centro de cultura do sirgo e da indústria da seda.
O Castelo, com as suas duas cinturas castrenses, pelo interior das quais se estende a cidadela, hoje ainda surpreendentemente bem conservada e habitada, é um dos mais bem preservados de Portugal.
Franqueando os dois arcos da entrada que não conservam já as antigas portas, depara-se-nos a altiva torre de menagem, gótica, com 33 metros de altura e 17 de base, erguida no reinado de D. João l, ao qual a praça – forte aderira com prontidão. Já não existe a ponte levadiça, mas uma enorme porta que, no entanto, não dá acesso à torre. Este faz-se por extensa escadaria exterior, pela qual se pode penetrar em vários pisos. E se, no fundo, se podem ver a cisterna e o ergástulo (cárcere) – de meter medo ao mais bem intencionado forasteiro - , lá no alto, espreitando pelas ameias, de onde, em remotas eras, os defensores davam as boas-vindas aos atacantes com grandes caldeirões de líquidos ferventes (azeites, seiva de pinheiro, etc), poderá agora desfrutar-se uma inolvidável paisagem, do melhor miradouro da cidade.
Como que erguida por mãos diferentes e um pouco apressadas, encontra-se do lado setentrional A Torre da Princesa, que está na origem da lenda tão ciosamente guardada pelo povo.
Segundo a lenda (Linda Princesa):
“ Uma bela princesa, apaixonada por um jovem guerreiro e recusando os pretendentes fidalgos que lhe oferecia seu cruel tio, persistiu em esperar pelo noivo, que, partido para as lides da guerra, já muito tardava.
Entretanto, o tio, servindo-se de um estratagema, tentou provar-lhe que o noivo do seu coração estava morto. Assim, entrou furtivamente no quarto da princesa altas horas da noite, fingindo-se fantasma, para a aconselhar a escolher marido. Mas logo a outra porta do quarto se abriu e um raio de sol o iluminou, vendo-se assim descoberto na sua traição.
Esta é também a origem dos nomes da Porta do Sol e da Porta da Traição. E, embora a lenda erudita reze que a princesa se manteve na sua torre esperando o ansiado noivo, o povo mantém que o Romeu, numa noite tempestuosa, a conseguiu raptar, fornecendo-lhe uma espécie de guarda-chuva com o qual ela se lançou nos braços”.
Dentro da cidadela encontra-se um interessante pelourinho – onde eram amarrados e castigados os réus de grandes delitos – formado por uma coluna encimada com algumas esculturas e cuja base é uma porca toscamente esculpida em granito, à qual ainda hoje se chama “porca da vida”.
Frente ao castelo ergue-se, curiosamente pentagonal, a “Domus Municipalis”, monumento único da arquitectura civil medieva na Península Ibérica e que se pensa ter sido edificada como casa de água, fazendo a cachorraria interior e exterior converter para a cisterna e sua nascente as águas pluviais. Mais tarde, tornando-se o lugar de reunião dos “homens bons” do concelho.
Ainda dentro do castelo poder-se-á apreciar a velhíssima Igreja de Santa Maria, românica, mas na qual se misturam o estilo renascença e o barroco, em consequência da transformação que sofreu aquado da sua reconstrução no século XVlll. Esta é também a época da pintura que se pode ver no tecto da igreja.
Não se pense, porém, que as muralhas do castelo encerram todos os monumentos dignos de ser apreciados na velha cidade.
Rica em arquitectura religiosa – mais do que na civil - , em que os estilo se confundem um pouco mercê das destruições havidas e posteriores reconstruções, oferece-nos, ao descer as ruas que dão acesso à cidadela, a Igreja de São Vicente, primitivamente românica (século Xlll) e reconstruída no século XVll.
Embora o pórtico de acesso seja renascentista, esconde no interior uma capela rica em talha dourada e com uma abóbada pintada e igualmente dourada. À volta da nave, tem interessante azulejaria do século XVll; lateral e exteriormente, encontra-se também um painel de azulejos, alusivo à proclamação, em 1808, do general Sepúlveda contra a ocupação napoleónica. De interesse ainda o artístico fontanário situado na parede deste painel.
Foi nesta igreja, segundo reza a tradição, que teve lugar o casamento secreto de D. Pedro l com D. Inês de Castro, abençoado pelo deão da Sé da Guarda.
A mesma tradição conta que D. Isabel, que se dirigia para Trancoso para a celebração do seu casamento com D. Dinis, pernoitou na até há pouco Igreja de São Francisco (que posteriormente dotou de grandes bens). Esta ao tempo era convento, segundo a tradição edificado na presença de São Francisco de Assis. Mais tarde, foi convertido em hospital militar e ainda, depois, em asilo.
A Igreja de São Bento, padroeiro da cidade, apresenta uma pintura do tecto, atribuida ao pintor religioso Bustamante, considerada uma relíquia do barroco nordestino.
Dignas de atenta observação são a Capela da Casa da Misericórdia, com um retábulo de talha dourada do século XVll, e a velha Igreja de Santa Clara (conventual), onde novamente se confundem o estilo renascença com o barroco, e que possui uma apreciável pintura no tecto, datada do século XVlll.
Na Praça da Sé, aprincipal da cidade, em cujo centro se ergue um interessante e trabalhado cruzeiro, encontra-se a velha Sé – Catedral, templo quinhentista doado aos Jesuítas, que aqui instalaram um colégio até à data da sua expulsão. Pouco depois, este templo foi doado à Mitra de Miranda, mais tarde transferida para Bragança. Também aqui o estilo renascença se deixou infiltrar pelo barroco, sendo de apreciar as suas janelas trabalhadas e, no interior, o arco renascentista, o rodapé de azulejo do século XVll, o retábulo de talha dourada e o tecto da sacristia, apainelado e pintado. A igreja liga com o claustro onde funcionava o colégio jesuíta, mais tarde adaptado a liceu, a que dava vida uma imensa e azougada população flutuante de estudantes. Como curiosidade, há que referir a existência de uma filha da célebre “cabra” de Coimbra (relógio da Universidade coimbrã), que os estudantes brigantinos cognominaram de “cabrita:
“Se Coimbra tem a cabra, / Bragança tem a cabrita. / E em começando as aulas, / Se a mãe berra ... a filha grita”.
Em frente da Sé e representante da arquitectura civil, ergue-se o Solar dos Caladinhos, com uma pedra de armas; pouco mais abaixo, encontra-se a Casa dos Vargas, com uma interessante fiada de varandas com grades de ferro, e a Casa do Arco, também ela velho solar, construída no século XVll, com pedra de armas e uma fachada dupla para duas ruas, ligadas por um curioso arco transversal coberto.
Se o visitante que está a apreciar este interessante arco palmilhar um pouco mais a rua, encontrará o Museu do Abade de Baçal, que se estende por dois andares e pelo jardim do antigo Paço dos Bispos. Nas suas bem recheadas salas podem apreciar-se notáveis obras de arte, desde alabardas da época de Bronze e esculturas zoomórficas pré – romanas a móveis dos séculos XVll e XVlll, retratos, pinturas, faianças, etc.
É certo que muito tempo será necessário para o visitante percorrer o museu e admirar o recheio de todas as salas; mas também é certo que, numa próxima vinda à cidade, não prescindirá de rever o velho museu, que o carinho do abade de Baçal transformou num dos melhores deste país.
Mas a velha urbe transmontana tem mais para oferecer ao visitante. Um passeio pela Estrada do Turismo, ladeada de frondosas árvores, põe agora a cidade a seus pés, numa espectacular policromia, e permite-lhe ainda subir ao cabeço de São Bartolomeu, onde poderá entrar na pequena mas interessante ermida, de onde se desfruta um panorama inesquecível. Depois, percorrendo a estrada do circuito, está-se de regresso à cidade.
Vale ainda a pena descer a Estrada do Sabor e, na sua magnífica praia fluvial, à sombra das árvores, observar os peixes do rio e gozar um sossego cada vez mais raro.
MUSEU DO ABADE DE BAÇAL
Está situado num edifício de sóbrio estilo seiscentista, alterado na primeira metade do século XVlll, (1737), sob a orientação de D. João de Sousa Carvalho, bispo de Miranda; possui um amplo jardim onde se encontra uma valiosa colecção epigráfica luso – romana, que constitui, assim uma secção do museu ao ar livre. A fachada ostenta o brasão de D. João de Sousa Carvalho.
O Museu do Abade de Baçal é, pelas suas características gerais, um museu de arte, arqueologia e etnografia. A data da sua fundação remonta ao último decénio do século XlX e a ideia da sua criação deve-se a um núcleo de ilustres bragançanos, perfeitamente actualizados nas tendências culturais da época, entre os quais o coronel Albino Pereira Lopo. Sob a sua direcção, abriu ao público em 14 de Março de 1807 o Museu Municipal de Bragança, que ficou instalado no edifício dos Paços do Concelho, transitando, mais tarde, para o antigo Paço Episcopal.
O conjunto das peças está dividido pelas seguintes secções: Arqueologia - Epigrafia - Etnografia - Ourivesaria e Paramentos -
Mobiliário - Escultura e Artes Decorativas.
Apontamento do Jornal do Comércio do ano de 1900:
“Bragança, capital de Distrito e cabeça de Concelho, tem 5.535 habitantes, está situada à beira do rio Fervença, junto das ruínas da antiga Brigantia. Antiga praça de armas. Deu-lhe D. Sancho 1 o seu primeiro foral em 1187. Tem alguns bons edifícios, um museu de antiguidades e uma casa de câmara, que parece ser edifício românico da alta Idade Média. O concelho tem 49 freguesias e 30.790 habitantes.
O Distrito de Bragança, formado de uma parte da antiga província de Trás-os-Montes, tem uma superfície de 6.510 Km2 e uma população de 185.200 habitantes. Abrange 12 concelhos e 301 freguesias. Os concelhos são: Alfândega da Fé – Bragança – Carrazeda de Anciães – Freixo de Espada à Cinta – Macedo de Cavaleiros – Mirando do Douro – Mirandela – Modadouro . Torre do Moncorvo – Vila Flor – Vimioso e Vinhais. O seu terreno é muito montanhoso e apresenta as serra de: Nogueira (1.321 metros acima do nível do mar) ; Bornes de Montesinho (1.596 m); Coroa (1.270 m); Vinhais (1.027 m). O Distrito é banhado pelos rios Douro, que forma grande parte do limite do do distrito, Sabor , Tua, Rabaçal. Possui ainda muitos terrenos incultos. Produtos agrícolas, vinhos, sericicultura. Costumes e trajos populares muito interessantes. Dialectos locais bem marcados, dentro dos quais se salienta o “mirandês”.
AS FESTAS DO NATAL ( e as máscaras diabólicas)
Na região compreendida entre os concelhos de Freixos de Espada à Cinta, Miranda do Douro e Bragança, intervém um tipo especial de mascarados no ciclo das Festas do Natal: os “caretos”, “chocalheiros” , “zangarrões” – “mascarões”. A despeito de se apresentarem como as personagens mais características, eles actuam, incongruamente, como meros mendicantes ao serviço da igreja, percorrendo as localidades a recolher esmolas, na companhia dos respectivos mordomos.
Em Bemposta (Mogadouro), onde o costume mantém plena vigência, essas personagens saiem nos “dias do chocalheiro”, a 26 de Dezembro a 1 de Janeiro, a partir da meia-noite.
Máscara e indumentária são pertença da aldeia, e durante o ano ficam à guarda da igreja. O cargo de “chocalheiro” é leiloado todos os anos pelo mordomo da festa, mantendo-se os licitantes em segredo, atinge somas por vezes vultuosas e é exercido em cumprimento de promessas.
Na companhia dos mordomos, o “chocalheiro” percorre a freguesia batendo a todas as casas e recolhendo as esmolas que ninguém lhe recusa. Exercendo prerrogativa de excepção, entra não raro nas casas e delas leva o que bem entende, especialmente chouriços.
A sua actuação na rua é insólita e temida, sobretudo pelas mulheres solteiras, com quem permite liberdades licenciosas, e também pelo rapazio, que foge espavorido, gritando com todas as forças: “Vem aí o “chocalheiro” – Vem aí o diabo !”.
De facto ele exibe vários atributos conotados com o diabo, além da máscara, o fato azul mostra uma série de listas brancas e vermelhas, uma caveira pintada nas costas, um rabo de crinas comprido, uma bexiga de porco pendente do capuz e uma figura de serpente a tiracolo.
A tradição local consagra a superstição de que, se alguém morre no dia em que ele deambula pelas ruas, vai para o inferno, o mesmo sucedendo àquele que por ventura morra investido naquela figura. Na verdade, a actuação destes “caretos” denuncia uma personalidade que os situa no domínio do fantástico.
Assumindo inteiramente uma natureza diabólica, a sua aparição impõe pelo terror a presença de um ser que se coloca fora da lei e das convenções, que escapa às normas quotidianas e autoriza o que é interdito. Aos olhos das gentes das raras aldeias em que sobrevivem, aparecem como uma verdadeira entidade mágica, sombria e inquietante, mas necessária. E pode pensar-se que sua aceitação se justifica por conter um sentido vago de protecção da comunidade, sendo através deles que se normalizam certas forças estranhas e difusas que nesse período se crêem desencadeadas.

 

Lenda da Princesa
Quando a cidade de Bragança era ainda a aldeia da Benquerença, existia uma princesa bela e órfã que vivia com o seu tio, o senhor do Castelo. A princesa tinha-se apaixonado por um jovem nobre e valoroso mas pobre, que também a amava, e que tinha partido para procurar fortuna, prometendo só voltar quando se achasse digno de a pedir em casamento. Durante muitos anos a princesa recusou todas as propostas de casamento até que o tio resolveu forçá-la a casar-se com um nobre cavaleiro seu amigo. Quando a jovem foi apresentada ao cavaleiro decidiu contar-lhe que o seu coração era do homem por quem esperava há 10 anos, o que encheu de cólera o tio que resolveu vingar-se. Nessa noite, o senhor do Castelo disfarçou-se de fantasma e entrando por uma das duas portas dos aposentos da princesa, disse-lhe que esta seria condenada para sempre se não acedesse a casar com o cavaleiro. Quando estava a ponto de a obrigar a jurar por Cristo, a outra porta abriu-se e, apesar de ser de noite, entrou um raio de sol que desmascarou o falso fantasma. A partir de então a princesa nunca mais foi obrigada a quebrar a sua promessa e passou a viver recolhida numa torre que ficou para sempre lembrada como a Torre da Princesa. As duas portas ficaram a ser conhecidas pela Porta da Traição e a Porta do Sol.
Fonte: Diciopédia 2000

 

 

 

 

 

Alfândega da Fé (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

 

De fundação árabe, daí lhe advém o nome Alfandagh, acrescentando que foi o “da Fé”, que alguns cavaleiros cristão, de esporas douradas, lhe granjearam aquando da ajuda que prestaram aos habitantes de Chacim e Castro Vicente, para os libertar da tutela e imposto desonroso do rei mouro que ali governava. A escassas dezenas de quilómetros da sede do distrito, no sopé da Serra de Bornes, Alfândega da Fé, que remonta a tempos pré-históricos, como se pode comprovar pelas gravuras rupestres da Quinta de Ridevives, recebeu forais do rei D. Dinis, em 1294 e de D. Manuel l, em 1510.

Em tempos distantes, Alfândega da Fé foi centro de cultura do bicho-da-seda.

Do Domingo Ilustrado de 1897): “ O seu nome deriva-se da palavra Alfandaq com que no Oriente e na África são designados os hospícios públicos e que em português equivale a albergaria. O seu nominativo significa, pois, literalmente, “Hospício” ou “Albergaria da Fé”.

Presentemente não tem esta povoação nada que recomende a sua passada grandeza, a não ser o sobrenome que lhe foi concedido pelo denodado valor dos seus habitantes nas cruéis e sanguinolentas pelejas contra os sectários de Mafona.

Possuindo os mouros uma fortaleza no monte do Carrascal, próximo da vila de Chacim, saíram de Alfândega da Fé, vinte  cinco cavaleiros «de esporas douradas», que auxiliando os de Chacim e de Castro Vicente, desbarataram o inimigo, produzindo tantos actos de arrojo e bravura, que obtiveram para a sua terra, então somente chamada Alfândega, o sobrenome “Da Fé”, que hoje desfruta”.

 

Alfândega da Fé

Alfândega (da Fé) é um nome de origem árabe que a localidade deve ter adquirido entre os séculos VIII-IX. É muito possível que anteriormente a este período já existisse algum povoado de origem Castreja, o que não será de admirar, até porque na área do concelho existem muitos vestígios arqueológicos desse e até de períodos anteriores.
No entanto, a transformação em concelho medieval só aconteceu com a carta de foral de D. Dinis, datada a 8 de Maio de 1294, o qual viria a ser confirmado por D. Manuel, em 1510.
Em 1320 o mesmo rei D. Dinis mandou reconstruir o seu castelo, que era anterior ao primeiro foral e provavelmente construído pelos mouros. Este castelo desapareceu com o tempo. O recenseamento do ano de 1530 já indica o castelo como “derrubado e malbaratado” e nunca mais foi recuperado, muito embora o Tombo dos Bens do Concelho de 1766 ainda identifique os “antigos muros” pelo que, a Torre do Relógio, actual ex-libris da vila, e que fica na zona conhecida por Castelo, parece ser o que resta do antigo castelo medieval.
Na sede do concelho merecem ainda uma visita a Capela da Misericórdia, a Capela de S. Sebastião, (inicialmente ermida) cujo campanário actual veio da casa dos Távora, de que resta apenas, do original, a porta de entrada da capela familiar, o portal da mesma casa e a Capela dos Ferreiras, com brasão picado, a identificar ligações àquela família.
Sendo um concelho antigo e para mais com um nome de origem árabe, é fácil de compreender porque razão o imaginário popular gira fundamentalmente em torno das lendas das “mouras encantadas”, não havendo quase freguesia nenhuma onde esse tipo de situações não nos apareça.
Contudo, existem duas lendas mais estruturadas e, de certa forma, com ligação a factos históricos, como é o caso da “Lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas”, que pretende explicar uma parte do nome da vila e marca a resistência dos cristãos face à ocupação muçulmana e a “Lenda de Frei João Hortelão”, relacionada com uma personagem real e que, como veremos adiante, tenta explicar a existência, na localidade de Valverde, de uma importante cruz processional.

 

Lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas

Segundo essa lenda, no lugar da ermida, havia antigamente uma mesquita em honra de Maomé; e, no sítio do convento, um castelo ocupado por soldados mouros, às ordens dum rei cruel, inimigo figadal dos cristãos aos quais impunha, além de pesados impostos pecuniários, o humilhante imposto das donzelas.
Esse imposto consistia na obrigação de todas as raparigas dos seus domínios passarem a primeira noite do seu casamento no seu harém, para satisfazer os seus caprichos animalescos e libidinosos.
Amedrontados pelo seu grande poderio e pela sua extrema crueldade, os súbditos submetiam-se, embora revoltados, a esta ignominiosa prepotência, por se reconhecerem incapazes de se lhe oporem com êxito.
Longos anos se passaram debaixo desta humilhação revoltante, até que, um dia, um jovem filho do chefe dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila Alfândega, destemido e audaz, resolveu pôr fim a esta odiosa servidão.
Na véspera do seu casamento na aldeia de castro, a cerca de 15 Km do castelo mouro, jurou à noiva que não a deixaria sujeitar-se àquela desonra insuportável. A noiva, receosa da vingança do despótico tirano, implorou fervorosamente a protecção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-Lhe uma capela se Ela lhe valesse naquela angustiosa aflição.
No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado o plano da revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem a tão alto Senhor.
O pedido foi aceite e a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, à guisa de presentes.
Quando o rei moiro apareceu, acompanhado da sua guarda real, para receber os presentes e levar a noiva para a sua alcova, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros faziam o mesmo aos guardas que o acompanhavam.
Aos gritos lancinantes dos moribundos, irromperam na sala estrepitosamente os restantes soldados, em grande número e armados até aos dentes.
A luta foi terrível e desigual: dum lado, a coragem e a determinação; do outro, a crueldade e a força. E, como contra a força não há resistência, a vitória pendia naturalmente para o lado dos mouros.
Aparição
Mas, quando os cristãos começavam a fraquejar, feridos pelos alfanjes dos maometanos e tudo parecia irremediavelmente perdido, apareceu surpreendentemente, no meio deles, uma Senhora alta, toda vestida de branco, com um vaso de bálsamo na mão, que começou a ungir-lhes as feridas.
À medida que a Senhora desconhecida os ungia, as feridas ficavam subitamente curadas e a coragem renascia-lhes dentro da alma. Renovadas as forças e empolgados com esta aparição, atiraram-se, como S. Tiago aos mouros e a sorte do combate começou a mudar.
Agora, eram os mouros que retrocediam, apavorados com aquela aparição inopinada e inexplicável que atribuíam a alguma feitiçaria dos inimigos e contra a qual se sentiam impotentes para lutar.
Desmoralizados, incapazes de continuar a luta, puseram-se em fuga, precipitadamente, encosta abaixo, atropelando-se uns aos outros, para salvarem a vida. Mas encontraram pela frente os Cavaleiros das Esporas Douradas, a quem se junta também a população que entretanto tomou conhecimento da revolta dos jovens e se preparou para os ajudar.
Então, os mouros, atacados pela frente e pela retaguarda, sofreram uma terrível chacina que os vitimou implacavelmente.
E assim acabou a abominável opressão do domínio sarraceno e começou a liberdade dos habitantes da região, os quais, atribuindo a vitória a Nossa Senhora, que, com o bálsamo na mão, curou as feridas dos seus filhos e lhes infundiu ânimo para levarem de vencida os odiados opressores, e ainda para darem cumprimento à promessa de noiva, iniciaram a construção da capela em sua honra, precisamente no local da antiga mesquita.
A Nossa Senhora deram o nome de Senhora do Bálsamo na Mão, que depois evoluiu para Senhora de Balsamão.
E ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, à terra da noiva chamaram Vicente, hoje é conhecida por Castro Vicente e em homenagem à fé dos Cavaleiros da vila de Alfândega, chamaram Alfândega da Fé. Estes são os nomes por que estas terras são conhecidas.
(Rui Miranda)

 

 

 

 

Carrazeda de Ansiães  (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

Teve o primeiro foral concedido por D. Afonso Henriques, em 1160. D. Sancho l, deu-lhe novo foral em 1198, confirmado por D. Afonso ll, em 1219, e D. Manuela l outorgou-lhe novo foral em 1510.

A actual vila, cuja fundação é anterior à da Nacionalidade, teve vários forais que lhe começaram a ser outorgados no século lX, por Fernando Magno. Esta antiguidade deixou por aqui vestígios que ainda hoje se podem comprovar pela anta de Zedes ou a gruta da Rapa, onde ainda hoje se podem ver inscrições rupestres.

Segundo; Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Num foral do século Xl, encontra-se Ansilanes, por Ansilanis, que é o genitivo de Ansila, isto é, Ansilanis villa, quinta de Ansila. A evolução de Ansilanis, que é o étimo, deu-lhe normalmente: queda do “l” e do “n” intervocálicos e nasalação do vocal anterior a esta última consoante. O topónimo é de origem germânica e nenhuma dúvida há quanto ao seu étimo; consequentemente, nenhuma dúvida pode haver quanto à respectiva representação gráfica. Segundo se tem afirmado, o topónimo quer dizer vila dos velhos ou vila velha”

 

Carrazeda de Ansiães

Carrazeda de Ansiães teve o seu próprio percurso Histórico, Administrativo, Judicial e até Religioso. Pelo que deverá conhecer-se uma síntese do mesmo, até para melhor compreensão da actual realidade daquele concelho.
É na extinta Vila de Ansiães, situada a cerca de 4 quilómetros da actual sede municipal, que começa a administração daquela zona territorial. Carrazeda era, nessa altura, um lugar com poucas habitações e pessoas, situado já na zona planáltica para norte do Castelo de Ansiães.
Assim é indicado nos Forais da Vila de Ansiães: o 1º pensa-se que tenha sido dado por Fernando o Magno, Rei de Leão e Castela no século XI, e depois confirmado por D. Afonso Henriques por volta de 1160. D. Sancho I volta a confirmar este foral em 6 de Abril de 1198. D. Afonso II reconfirma-o em Guimarães em Abril de 1219.
Mais tarde, D. Manuel I dá-lhe Novo Foral a 1 de Junho de 1510.
Em 1384 D. João I manda os moradores dos lugares de Freixiel, Murça e Abreiro "prestarem adua nos muros", ajudando a dar mais resistência com cinturas fortes e torres defensivas e usando pedra maior, pois até aí era miúda. E, em 1443 o regente D. Pedro deu aos seus moradores os "resíduos" (imposto) das Vilas de Freixiel, Abreiro e Vilarinho da Castanheira para consertar os muros, devendo auxiliar os moradores.
Os arranjos dos muros da fortaleza de Ansiães foram também efectuados às custas das terças reais em 1580 e 1591. Em 1640, quando se deu a restauração da Independência de Portugal, expulsando os reis Filipes de Espanha, o povo reforçou e arranjou partes do Castelo.
A importância do Castelo de Ansiães na defesa da região e nomeadamente da linha do Rio Douro foi assim contínua desde a Formação de Portugal até ao século XVII. Na Vila tinham os seus solares famílias importantes, como os Mesquitas, os Magalhães e os Sampaios.
É nesta altura que o povoado de Carrazeda começa a ganhar mais importância, enquanto que a Vila de Ansiães deixa de ter esse enorme valor defensivo e municipal, e entra em estagnação e até certa decadência.
Em 1721 tinha a Vila de Ansiães "2 Juízes ordinários, 3 vereadores, 1 procurador, 2 almotacéis, hum Juiz de Órfãos, 4 tabeliães... 1 escrivão de Câmara e 1 alcaide".
E para Regimen da Milícia tem Cappitam mor e sargento mor, e cinquo Companhias com cinquo cappitans e ofticiaes, a saber a 1.ª da Vila, a 2.ª do Seixo, a 3.ª da Fonte Longa, a 4.ª do Pinhal da Ribeira e a 5.ª de Linhares". O golpe fatal é dado com o bacharel José Álvaro d'Almeida. Os nobres e homens bons tinham-se ausentado dela indo com D. Sebastião para Álcácer-Quibir (África), desaparecendo a acção das leis e da Justiça. Então era o Juiz de Fora que representava o rei e em 1734 foi nomeado aquele bacharel para Juiz de Fora. Este consegue a mudança da Vila de Ansiães para Carrazeda.
Não se fez sem oposição, pelo que o Juiz de Fora Dr. Justiniano Ferraz de Araújo e Castro, para desfazer e acabar com os prestígios e privilégios que os da Vila tinham, manda derrubar e despedaçar o Pelourinho de Ansiães que era o símbolo da autonomia judicial.
Era elegante e tinha 4 faces cada uma com as armas reais, uma Torre com duas portas, um castelo com porta e com uma chave segura por uma mão, e ainda um Velho barbado, com os braços meio erguidos e maça na mão direita, numa atitude combativa. (Seria o Velho Ansinales).
O local começa a entrar em declínio rápido e, em meados do século XIX Ansiães estava abandonada. Ficou o Castelo, muralhas e outros monumentos ao tempo, para recordar aos vindouros a heróica época da sua existência.
Simultaneamente Carrazeda passa a ser sede do município com o nome de Carrazeda de Ansiães, e ganha outro impulso, o seu desenvolvimento a partir do antigo núcleo que fica junto da Igreja Matriz que data de 1790.
Ali são edificadas construções essenciais para qualquer município da época: o Pelourinho com coluna octogonal, 3 metros de altura e assente em 4 degraus, com o escudo nacional Joanino, e a Casa da Câmara ou Paços do Concelho que ostenta a data de 1736-1737.
A primitiva Vila de Ansiães era da coroa e chamava-se concelho. Era constituído pelos seguintes lugares:
Amedo, Beira Grande, Belver, Carrazeda, Castanheiro, Fontelonga, Luzelos, Marzagão, Mogo (de Malta), Parambos, Pinhal (do Norte), Pombal, Ribalonga, Samorinha, Selores, Seixo (de Ansiães), Zedes, e ainda as Quintas de: Alganhafres, Arcas, Arnal, Besteiros, Brunheda, Campelos, Coleja, Fontoira, Felgueira, Fiolhal, Lavandeira, Misquel, Paradela, Penafria, Tralhariz, Sentrilha.
Ao mesmo tempo a Vila e concelho de Vilarinho da Castanheira era formado pelos lugares de Carvalho de Egas, Castedo, Lousa, Mourão, Seixo de Manhoses, Valtorno, e pelas Quintas de Alagoa, Gavião, Pinhal (do Douro) e São Painho.
Ora, os lugares e quintas pertencentes ao concelho de Ansiães passaram em 1734 para o de Carrazeda de Ansiães, mas Vilarinho continuou a ser concelho.
É já no século XIX com o liberalismo e as suas reformas administrativas que o concelho de Vilarinho da Castanheira é extinto definitivamente em 31 de Dezembro de 1853, passando esta Vila juntamente com Pinhal do Douro para o concelho de Carrazeda. Lousa e Castedo foram integradas no de Torre de Moncorvo, e os restantes no de Vila Flor.
Também o concelho de Freixiel foi extinto em 1836 e as freguesias de Pereiros, Codeçais e Mogo de Malta passaram a integrar o concelho de Carrazeda.
Formava-se assim o actual concelho de Carrazeda de Ansiães, que, em número de freguesias variou ao longo dos anos, pois como se sabe, até 1936 Samorinha foi freguesia, assim como Pinhal do Douro.
Em termos religiosos Ansiães tinha três Comendas: a de S. Salvador, a de S. João e a de Linhares.
A Comenda de S. Salvador de Ansiães era da apresentação paroquial do reitor de Ansiães e englobava os seguintes lugares: Alganhafres, Ansiães, Beira Grande, Belver, Besteiros, Coleja, Fontelonga, Lavandeira, Mogo de Ansiães, Pena Fria, Samorinha, Seixo de Ansiães, Selores, Seixo das Carvas e Vale de Pedro.
A Comenda de S. João Baptista era apresentada pelo respectivo reitor e incluía os seguintes lugares: Amêdo, Areias, Brunheda, Carrazeda, Felgueira, Fontana, Luzelos, Marzagão, Paradela, Pinhal do Norte, Pombal, Sentrilha e Zêdes.
A Comenda de Linhares era também da Ordem de Cristo, do padroado real e tinha os seguintes lugares: Arnal, Campelos, Carrapatosa, Castanheiro, Fiolhal, Foz Tua, Linhares, Misquel, Parambos, Ribalonga e Tralhariz.
Pereiros, Codeçais e Mogo de Malta eram ramos da Comenda da Ordem de Malta. Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro, de outro concelho na altura, eram do Cabido da Sé de Braga.
Com a redução de abadias em reitorias, veio também a reduzir-se e a limitar-se a de S. Salvador que se estendeu somente até Lavandeira e seu arrabalde, desanexando-se os outros lugares. Em 1556 funda-se a Igreja Paroquial de Santo António de Beira Grande. Em 1569 é a vez da de Selores a Igreja de S. Gregório e com a anexa Alganhafres. No reinado de D. João III funda-se a de Belver com Mogo de Ansiães, a Nossa Senhora das Neves. E a de Santa Cruz da Samorinha que até então era sujeita a Fontelonga.
Também a Comenda e a Paróquia de S. João se desanexou no Reinado de D. Sebastião: Luzelos e Quinta de Fontoura passou a ser a Igreja de Santo Amaro de Luzelos; a de Santa Águeda para Carrazeda; a de S. Gonçalo para Zedes desanexando-se da de S. Tiago de Amedo; a de Nossa Senhora das Neves de Pinhal do Norte também se desanexa de S. Lourenço de Pombal e ficando com as anexas Brunheda, Sentrilha e Felgueira. Não são referidas a de Castanheiro e Ribalonga, pelo que devem ser anteriores.
Em 11 de Setembro de 1833 a Junta do Exame do Estado Actual e Melhoramento Temporal das Ordens Religiosas propôs que as dioceses fossem reduzidas, em harmonia com as divisões administrativas.
Estava-se no período Liberal em que as reformas se sucediam com frequência. No entanto, aquela proposta não se concretizou devido a factores diversos, dos quais se destaca a interrupção das relações do governo português com a Santa Sé que só se restabelecem em 1841.
Depois disso os governos continuaram a pensar nessa redução das dioceses religiosas, mas a intenção de conservar a de Bragança manteve-se sempre.
Através das Letras Apostólicas do Santíssimo Padre Leão XIII - Gravíssimum Christi Ecclesiam Regendi et Gubernandi Manus, de 30 de Setembro de 1881, que foram executadas a 4 de Setembro de 1882 pelo Cardeal Bispo do Porto, D. Américo, as freguesias do concelho de Carrazeda de Ansiães passavam definitivamente para o Bispado de Bragança em termos religiosos.
Nas questões judiciais, nos séculos XVI e XVII os concelhos de Ansiães, Vilarinho da Castanheira e Freixiel aos quais pertenciam as freguesias que hoje constituem o actual concelho de Carrazeda, eram todos da Comarca de Moncorvo.
Em 1706 eram da Comarca e Provedoria da Vila de Torre de Moncorvo. Em 1734 pertenciam à Correição de Torre de Moncorvo e em 1762 o concelho de Carrazeda de Ansiães fazia parte ainda daquela Correição. Em 1864 era ainda da Comarca de Torre de Moncorvo.
Em 1940 Carrazeda de Ansiães era Julgado Municipal. As freguesias de Beira Grande, Carrazeda de Ansiães, Castanheira, Lavandeira, Linhares, Parambos, Seixo de Ansiães e Vilarinho da Castanheira pertenciam à Comarca de Moncorvo. As restantes eram da Comarca de Vila Flor.

 

A LENDA DAS SETE SENHORAS


[O narrador/informante]
O informante, Sr. Macieira é, com a vasta experiência dos seus 71 anos, um notável contador de estórias, como outros naturais da sua terra, a aldeia de Misquel, e diz tê-la lido num livro que encontrou no monte quando era pastor. Antes de pela primeira vez ter saído da terra para cumprir o serviço militar, terá escondido esse livro em buraco aberto numa das paredes da casa dos pais, que na sua ausência fora reparada, não tendo por isso conseguido dar depois com esse esconderijo. Hoje, com a idade de 71 anos, reformado e residente na sua terra natal, o sr. Macieira, “endireita”(compõem ossos partidos e deslocados das pessoas), foi vagoneiro nas minas de Volfrâmio na Pranheira (Amedo) , por ocasião da II Guerra Mundial, emigrou depois para Angola onde viveu e trabalhou no porto de Luanda de 1954 a 1974, “retornado” e depois funcionário administrativo na Câmara de Carrazeda de Ansiães e durante 20 anos massagista no Clube de Futebol de Carrazeda de Ansiães.
[Transcrição da Narrativa Oral]
A história das sete senhoras… li-a num livro que encontrei debaixo de uma pedra quando andava no monte a guardar o gado, numa altura em que para me distrair andava à procura de lacraus… a capa tinha as letras em chumbo… as letras eram repetidas… dois pp, dois ll… fixei e vi que era uma história. Foi no morro onde esteve a Senhora da Assunção, em Parambos. Onde eles acampavam… os cavaleiros e outros homens que acompanhavam as Senhoras ainda hoje lá estão ciganos… por exemplo os ciganos da Pranheira por onde passou a Srª da Graça que pertence à Samorinha ou os de Penude em Lamego… distrito de Viseu… onde está a Senhora dos Remédios… até os farrapeiros do Moinho do Vento no fundo da vila vieram de lá… ah! não sabia ?... pois era… a Srª dos Remédios... tinha outros nomes… ervas do chá são remédios… no morro dela… cortou umas ervas para curar os da caravana que já vinham doentes…foi a primeira a dizer “eu já fico aqui…”
a caravana das sete senhoras saiu dos lados lá de Castro Daire, Viseu, passou por Lamego e outras terras até chegar a Mirandela….
seguiram caminho, passaram o Marão, desceram, desceram e tinham de fazer a travessia do Douro… foram então até ao lugar mais estreito onde hoje é a Ponte Nova… Como passar?…” lindo serviço”… então os homens especializados - pedreiros, carpinteiros e outros - que vinham na caravana das senhoras irmãs e primas… sim elas também levavam primas… puseram uns vimeiros – um pau direito mais uns vimes - ao longo do rio e dois deles, um puxava para um lado e outro para o outra… mas o vimeiro inclinava-se e a senhora que ia na frente gritava “socorro socorro” enquanto os que faziam de barqueiros diziam um para o outro “faz peso na régua”e lá acabaram por chegar… ficaram acampados onde passa a Ponte Nova e onde estão os ciganos que são descendentes dos árabes… a Senhora do Socorro que estava abalada da viagem disse “eu já fico aqui”e ainda hoje lá está no Peso da Régua que ficou a chamar-se assim por causa disso…
… as outras seguiram à margem do Douro…olharam em frente para os lados de Carrazeda e viram uns morros muito altos e desanimaram..."onde paramos?" perguntavam umas às outras … olharam para o lado e disseram …"para ali já"… daí vem o nome de Alijó… Alijó já é do distrito de Vila Real… e perto, num morro, a Senhora dos Prazeres… que era prima familiar das sete senhoras disse …"fico já aqui, estou cansada" e lá ficou para toda a vida…
…as outras seguiram pela linha de água…queriam vir para os nossos morros altos, para as serras mais altas… mas tinham que fazer a passagem do rio Tua… desceram então para o Amieiro, ali onde depois fizeram a ponte que veio hoje abaixo… entre o Amieiro e o Pombal há um lugar mais estreito… foi assim que encontraram S. Lourenço [em versão anterior era o S. Bartolomeu e o barco era de cortiça e andava à pesca no ribeiro do Amedo e Paradela que passa no Frarigo] que andava a pescar com um cesto de vimes… pois S. Lourenço é pescador… então não vê que no andor dele leva sempre o barco…?! … mas na altura dele o barco era um cortiço e ele ia remando com a mão…passaram duas de cada vez dando ao pé… [em versão anterior passou uma de cada vez]… continuaram viagem… queriam ir para os morros mais altos porque nos baixos era húmido… nos sítios altos eram secos e as culturas não secam nos morros altos… demoraram um tempo imenso… foram ao longo do ribeiro… viraram mais à direita onde chegaram onde hoje é Paradela… e uma das senhoras foi ali fazer xixi e as outras disseram “esperemos aqui par ela”… daí o nome de Paradela … umas continuaram pela Lama Grande entre Paradela e Amedo e quando chegaram lá em baixo disseram “isto aqui mete medo”… daí o nome Amedo… mas como iam muito cansadas… aguentaram muitos sacrifícios … foi por isso que foram santas… fizeram umas barracas com paus e giestas ou árvores ou escolhiam uma gruta que fazia uma espécie de cabana… onde estavam os mantos?... não havia… eram do tempo de Adão e Eva… ficaram então lá sete dias e sete noites… daí o nome ainda hoje de Sete Amedos… a origem?... sabe-se lá andou por aqui tanta gente….!...então uma das senhoras viu um morro alto ali perto e disse eu vou para ali e já lá fico… foi a Senhora da Graça… as outras viraram à direita… não havia caminhos… então por onde passava a caravana delas que agora já vinha muito mais pequena… as ervas não nasciam e assim por aí se faziam os caminhos…a Senhora da Graça estava sempre a rir, sempre com chalaças..não foi capaz de parar num sítio só… andava de um Amedo para o outro até que ao sétimo dia subiu e foi para o morro da Samorinha… mas ela pertencia ao Amedo…
…viraram entre Paradela [versão anterior era Parambos] e Castanheiro e acamparam aí, no lugar onde estão hoje as Alminhas ou Cruzeiro que ficou a assinalar onde morreu um homem da caravana que ia com elas… as Alminhas estão ao pé do lagar de azeite, onde hoje ainda lá estão…o Castanheiro é frio… e a Santa Marinha que era prima das senhoras queria ir mais para baixo, para os lados da Ribalonga, onde a temperatura é maior…acampou para os lados da Lavandeira, na “lameira de ferro” … tem lá uma fonte de águas férreas mas as formigas apoderaram-se dela e ela só gritava “vou-me deitar ao Douro…” deitou a correr e as formigas despegaram-se dela na Ribalonga… e é por isso que as formigas ainda hoje lá estão… Ribalonga é a terra das formigas porque lá ficaram e os terrenos ainda hoje se chamam de Santa Marinha são dos de Parambos…
As outras que ficaram para trás vamos ver por onde seguiram…?
…iam cansadas porque era a subir e perguntaram umas para as outras “onde paramos?” então disseram “paramos já aqui”… donde, Parambos… o pai de S. Bartolomeu era barbeiro… estava a sair da igreja e ao ver a caravana das senhoras disse “já tenho namorada para o meu filho”…. S. Bartolomeu foi morto e esfolado vivo e mesmo sem pele aguentou e fugiu … para ao pé de uma fraga que ainda hoje tem lá a forma de uma cadeirinha… uma espécie de francela de fazer o queijo… no dia da Assunção do Senhor faziam lá festa… em Maio… em dia conforme a Páscoa… a fraga quando o dia estava limpo pingava e curava os olhos… se chovia não pingava… as pessoas iam lá lavar as vistas…

 

…a Senhora da Assunção fugiu de noite para Vilas Boas, por causa do pai de S. Bartolomeu… a Senhora da Assunção e a Senhora da Paixão seguiam juntas e deixavam os caminhos sem erva… a erva não nascia mais por onde elas passavam… foram de Parambos até à Venda Nova… a Senhora da Paixão virou para Arnal e passou pela Fonte Bieita… a burreca onde ela ia parou e ali bebeu… então a Senhora disse “ficaste satisfeita”… daí “Fonte Bieita”… a água ficou benzida pela Senhora da Paixão… a Fonte Bieita era onde iam lavar os engegados … os que lá vão têm que seguir para a frente e lavar-se e beber lá… tem que ser no local... é a fonte dos engegados… dos que não estavam nutridos, que passavam fome… se a criança que era lá lavada chorava na água saía curada, se não chorava estava morta …
… a Senhora da Paixão continuou caminho e ao passar pelas lameiras que tem sempre muita água, a burrita queria comer “arre burra que esta água faz-te mal”... lá está Arnal e a Senhora da Paixão…
… a Senhora da Assunção e a Senhora do Amparo que ficaram para trás…estiveram ali uma noite ou duas ao pé da irmã…. “Eu vou para aquele cabeço além” disse a Senhora da Assunção …desceu a Cabreira, passou por Freixiel e seguiu para o Vieiro … passou no caminho num sítio onde não havia água mas apareceu depressa uma bica na estrada que vem de Vila Flor para o Vieiro que está sempre a correr e seguiu então para o que é hoje Vilas Boas…há por ali muitos cruzeiros altos… são dos homens que iam na caravana das senhoras … e quantos dias eles não estiveram ali acampados…!... ao chegar a Vilas Boas descansaram puseram as burras a pastar…”prado é livre, não tem dono”… ficou o terreiro já na povoação das Vilas Boas … hoje ainda lá está…na escadaria que vai da povoação para o cabeço da Senhora da Assunção, esta bebeu na fonte que aí há e disse “ai que águas tão boas”… ficou no morro e lá está…
… a Senhora do Amparo viu os morros em frente ao passar o rio do Cachão, viu as serras do lado esquerdo e disse …"temos de pássaro rio para o lado de lá no lado mais estreito ao pé do Vilarinho das Azenhas"… até que chegou a Mirandela ao lugar de Golfeiras onde hoje está o hospital… ali morreu o pessoal todo que ia com ela… não podia passar para o outro lado do rio que era longe… e disse “não faz mal daqui já miro ela”… a irmã … e ficou ali… e lá ficou também a nossa Mirandela….
[ respostas a uma pergunta minha, já que ao longo da narrativa referiu as propriedades milagrosas e curativas das águas, sobre as ervas medicinais mais usadas em terras do concelho de C. de Ansiães e suas aplicações, para além das referidas pelo pároco redactor das Memórias Paroquiais para a aldeia de Marzagão e que lhe citei…“… tem… e árvores medecinais, como ruda nemeada violeta, funcho ou fiolho, tamaris, tamargueira e outros a que nom sei os nomes…” ]... a ruda é para defumar as pessoas, para cortar o mau olhado…o fiolho penso que é uma erva boa para o fígado… mas depois há mais… o freixo fêmea é boa para tirar as gorduras do corpo, para o clorestrol e para as tensões… como se distingue se o freixo é fêmea ou macho?... ah! a freixa bota flores… a salgueira fêmea dá flores… o macho tem a folha mais larga…semearam-na ao longo de Luzelos…a oliveira é boa para as tensões mas tem que se saber cortar… a carqueja, as azedas e o alecrim são para os temperos da comida… as águas de Coleja da fonte santa são boas para o reumatismo… ao fim de 2 dias lá já vinham curados…
[A narrativa ainda prosseguiu mas por outros veios da tradição e história oral de C.Ansiães]
(Maria Otília Pereira Lage. Guimarães, Abril 2003)

 

 

 

Freixo do Espada à Cinta (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

São várias as versões quanto à origem do nome desta vila. Possivelmente anterior a Cristo, possivelmente pré-romana. Se já no tempo de D. Afonso Henriques foi vila populosa, bem anterior terá sido o seu nascimento. Depois do foral do primeiro rei, em 1152, vários outros se seguiram. Uma lenda atribui a sua fundação a um fidalgo de apelido Feijão, cujas armas eram um freixo e uma espada. Uma outra, afirma que um capitão godo de nome Espadacinta, ao chegar a este lugar, cansado de batalhas, se deitara à sombra de um grande freixo. O conjunto dos dois nomes, o da árvore e o do homem, passaram à povoação que ali se começou a fundar pouco depois.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Efectivamente, já no século XVl, o Dr. João de Barros no seu “Livro das Antiguidades de Entre Douro e Minho”, edição de 1549, contava que a vila foi fundada por um primo de São Rosendo, de apelido Feijão, que morreu em 977, e que, por ter nas suas mãos um freixo e uma espada se ficou chamando Freixo de Espada à Cinta. A mesma lenda aparece contada, com mais lógica e mais romantismo, num velho manuscrito, onde se narra, que um cavaleiro cristão, o mesmo primo de São Rosendo, perseguido por uma horda de aventureiros, se viu em grande perigo de sofrer morte afrontosa, visto achar-se sozinho. Sentindo perto os inimigos, cingiu a espada a um freixo e ocultou-se entre os ramos com esperança de escapar, como aconteceu, porque seus perseguidores, vendo a árvore cingindo uma arma, encheram-se de pavor e fugiram em debanda. Lançaram-se logo os fundamentos da povoação, a que o fundador deu o nome de Freixo de Espada à Cinta.

Noutra lenda – esta, pouco romântica – conta-se que um cavaleiro godo, de nome Espadacinta, olhando-se muito fatigado depois de uma batalha e encontrando um copado freixo deitou-se a descansar à sobra dele. Tão grata recordação lhe deixou esse tempo de repouso, que resolveu lá fundar uma povoação, a que deu o seu nome, o qual, com o decurso do tempo, se transformou na actual designação.

Tem havido quem afirme que no século XVlll ainda existia o tal freixo das lendas, cercado de assentos de pedra e próximo da igreja matriz da vila, e que os freixenistas, descendentes dos medievais freixenos, o tinham em grande estima”

 

Freixo de Espada à Cinta


Freixo de Espada à Cinta está situado no extremo sul do distrito de Bragança, inserido bem no coração do Parque Natural do Douro Internacional, fazendo fronteira com Espanha. Possui uma série de mais valias turísticas, oferecendo ao visitante diversas alternativas de lazer.
O concelho é banhado no seu todo pelo rio Douro, que se enrosca por entre agrestes desfiladeiros de arribas repletas com a maior mancha de Lodões (Celcis australis) da Europa, albergando em conjunto diversas espécies raras, cujo destaque vai para a protegida Cegonha Negra que nidifica em abundância neste local. O rio desafia a um revigorante passeio por águas calmas. Na praia fluvial da Congida poder-se-á embarcar num barco da Sociedade Transfronteiriça Congida – La Barca e usufruir um passeio ímpar por uma paisagem bela e sem igual.
Ao longo do ano a paisagem natural varia em extremos de tonalidade de acordo com as estações. Todos os locais são um convite para desfrutar o espaço envolvente: desde a frescura de extensos pedaços verdes, passando pelos fortes aromas da terra castanha e cor de mel até às tonalidades rosa e esbranquiçadas de fragrâncias suaves características das Amendoeiras em Flor, o ex-libris turístico de Freixo de Espada à Cinta, todo o horizonte ao longo do ano inunda os sentidos.  
 É um concelho que possui qualidades invulgares para a prática de BTT e 4x4 bem como outros desportos que envolvam o contacto directo com a natureza, tais como a caça e a pesca.
Poder-se-á vislumbrar esta paisagem excepcional de uma outra perspectiva, recorrendo a uma rede de miradouros existente no concelho, autênticas varandas sobre a planície de Salamanca.
É nestes locais que se poderão observar uma série de espécies de aves destacando-se o Grifo, o Abutre do Egipto, a Águia Real e a Águia de Bonelli.
Fazendo parte da região demarcada do Douro, produz-se neste concelho vinho fino de elevada qualidade. A gastronomia é uma das potencialidades de Freixo de Espada à Cinta, destacando-se o fumeiro tradicional, os doces de amêndoa e ovos, a empada (folar da Páscoa), o queijo de ovelha ou cabra, a azeitona certificada “Negrinha de Freixo” e o azeite virgem.
Freixo de Espada à Cinta possui também um rico passado histórico. Supõe-se que a vila seja bastante anterior à fundação do reino de Portugal, pelo menos ao tempo dos árabes ou ainda à época de ocupação romana.
D. Afonso Henriques, no foral que lhe concedeu em 1155/57, já fazia referência ao castelo e D. Sancho II, em 1240, elevou Freixo à categoria de Vila, como recompensa de os seus habitantes se terem defendido heroicamente das invasões do rei de Leão, ao contrário dos de Alva (anterior concelho), que se renderam sem resistência. Existem várias versões relativas à origem do nome, uma das quais, reza a lenda, El Rei D. Dinis, estando severamente fatigado da viagem que empreendeu até Freixo, colocou o seu cinturão com a majestosa espada no tronco de um freixo, que ainda hoje se encontra no outeiro do castelo, e adormeceu à sua sombra, embalado pela brisa suave que batia nas folhas da possante árvore. No seu sono profundo, teve um sonho.  
Sonhou com o espírito do freixo, ansioso que um rei português dependurasse a sua espada real no seu corpo, com a intenção de lhe conferenciar directrizes sábias para o futuro do reino de Portugal. Quando o rei acordou do revigorante descanso, re-baptizou a vila, chamando-a de Freixo de Espada à Cinta. No princípio do século XVI, a vila era uma bela e poderosa praça de guerra medieval, cujo castelo tinha três imponentes torres mestras, das quais resta apenas hoje uma colossal torre heptagonal de granito, a torre do Galo. Em 1512 D. Manuel concedeu ao concelho um novo foral.
Freixo de Espada à Cinta é a vila mais Manuelina de Portugal. Existem inúmeras portas e janelas com motivos simples, quase sempre alusivos aos descobrimentos, apesar de Freixo de Espada à Cinta estar longe do mar, demonstrando desta forma que era uma terra próspera no reinado de D. Manuel. Como exemplo emblemático deste estilo temos a Igreja Matriz do começo do século XVI, cujo interior é uma réplica da igreja dos Jerónimos e onde se podem admirar na capela-mor um valorosíssimo retábulo quinhentista com 16 telas atribuídas a Grão Vasco.
É também curiosa a existência de uma figura de São Mateus envergando um par de lunetas, objecto não muito vulgar na altura de edificação da igreja. O pelourinho que se encontra em frente aos Paços do Concelho é também um dos monumentos ilustres que merece referência.
Quanto a outro património histórico deste concelho, é de destacar o “Cavalo de Mazouco”, gravura rupestre atribuída ao paleolítico superior, e a “Calçada de Alpajares”, uma via medieval (e possivelmente romana) que se encontra em excelente estado de conservação.
Sob o ponto de vista cultural, Freixo de Espada à Cinta é a terra natal do poeta Guerra Junqueiro, deputado e escritor consagrado, autor de “Os Simples” e “A Velhice do Padre Eterno”, cuja casa onde nasceu ainda poderá ser admirada, bem como a Casa Junqueiro, que pertencia aos seus pais, desempenhando actualmente funções de Museu Regional.
“ Os Sete Passos”, procissão pagã com cenário medieval a representar a encomendação das almas, onde se entoam cânticos fúnebres da autoria de Gil Vicente e o “Enterro do Entrudo”, um divertido costume profano, são tradições que se realizam há séculos e que passaram de geração em geração até aos dias de hoje, demonstrando-se com estas cerimónias a identidade do povo freixenista. 
 Peças em Seda   
Quanto ao artesanato, Freixo de Espada à Cinta é detentor de uma arte tradicional inédita no país: a criação do bicho da seda e extracção da seda por processos artesanais.
Através da Associação de Artesanato local, dinamiza-se todo o ciclo da seda que vai desde o cultivo de amoreiras e apanha das suas folhas para alimentação do bicho da seda, passando pela recolha dos casulos e posterior extracção da seda destes. Após obter-se esta altiva matéria prima, habilidosas artesãs utilizando teares tradicionais fabricam as mais belas colchas, almofadas e panos em seda.

 

 

 

Macedo de Cavaleiros (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

O topónimo parece dever-se a D. Álvaro Gil de Macedo, que foi seu donatário. Em 1853 passou a chamar-se Macedo de Cavaleiros e foi elevada à categoria de vila, em 1863.

Conta a lenda que lá viviam, no tempo dos mouros, dois cavaleiros que usavam fortes maças de armas no combates, pelo que todos os conheciam pelos cavaleiros da maça. Tão bravos e fortes eram que a sua fama, já corredora do Mundo, chegou aos ouvidos do rei, que, depois de assistir, extasiado, aos feitos dos cavaleiros, resolveu conceder-lhe grande honra, chamando ao lugar Macedo de Cavaleiros. É terra de gente simples e hospitaleira onde se diz: “Para cá do Marão, mandam os que cá estão”.

Do Domingo Ilustrado (1998): “Provém o nome de um fidalgo espanhol D. Álvaro Gil de Macedo, primeiro donatário, suposto que a freguesia teve, e é isso quanto cosnta na região”.

 

Macedo de Cavaleiros

A história de Macedo de Cavaleiros funde-se no vasto quadro da evolução histórico- administrativa do território bragançano. Marcada pela sua individualização como unidade administrativa, em meados do século XIX; a sua história é a história das diversas circunscrições administrativas que se agregaram para o constituir.
A estrutura geográfica em que se insere Macedo de Cavaleiros levou-o, naturalmente, ao isolamento. Apesar disso, existem vestígios do seu povoamento em épocas remotas, desde do Neolítico que a presença humana deixou marcas nesta região.
A invasão dos Bárbaros marca o início de uma luta multissecular pela posse da Península Ibérica. Depois dos Suevos que, fundaram o seu reino no noroeste da Península, incorporando as terras bragançanas, Godos e Árabes impuseram, sucessivamente o seu domínio.
O território que o Tuela delimita a oeste e agora corresponde ao Distrito de Bragança, só se incorporou na Terra de Portugal a partir do século XII, repartido por três Distritos ou Terras: Bragança, a norte; Lampaças, no centro, à qual pertencia a povoação de Masaedo ( actual vila de Macedo de Cavaleiros ); e Ledra, no sul.
No termo destas últimas se veio a recortar, 700 anos depois o Concelho de Macedo de Cavaleiros.
A divisão pré- nacional do território aquém- Tuela em três Distritos manteve-se, na monarquia portuguesa, até que, pelo foral de Junho de 1187, D. Sancho I erigiu a cidade de Bragança em sede de um vasto Concelho que conglomerava os termos de Bragança e Lampaças. Ao Concelho de Bragança passaram, assim a pertencer todas as povoações do actual concelho de Macedo de Cavaleiros que faziam parte da extinta Terra de Lampaças
D. Sancho I impôs a Bragança o povoamento dos "vilares veteros" do Concelho. Na área do actual concelho de Macedo de Cavaleiros foram povoados por Bragança, além de outros vilares, Valdrês, Limãos e Vale de Prados.
No concelho de Macedo de Cavaleiros, eram vilares, além das povoações atrás referidas, as de Talhas, Travanca, Burga, Peredo, Bousende, Azibeiro e Masaedo.
Segundo as Inquirições de D. Afonso III, em 1258, o território de Macedo pertencia a um cavaleiro de Chacim, D. Nuno Martins, da estirpe dos Bragançãos, e a um outro D. Mendes Gonçalves. No entanto, este lugar não seria mais do que uma pequena povoação, já que não assumiu nestes tempos a importância administrativa de outras localidades suas vizinhas, como por exemplo Nozelos, Vale Prados, Cortiços, Sezulfe e Pinhovelo, as quais, durante o surto municipalista do reinado de D. Dinis, receberam Cartas de Foral.
A partir do século XIV, Masaedo surge designado por Macedo dos Cavaleiros. Este aditivo deve-se provavelmente à categoria dos seus donatários.
No começo do século XVI, a grande reforma de D. Manuel concedeu forais novos a Sezulfe (1504), a Vale Prados (1510), a Chacim (1514) e aos Cortiços (1517). As linhas gerais da divisão territorial mantiveram-se. O País dividia-se em seis grandes Comarcas ou Províncias, entre as quais se contava a de Trás-os-Montes.
A Comarca de Trás-os-Montes aparece subdividida, na 1ª metade do século em quatro Comarcas ou Corregedorias: Moncorvo, Miranda, Vila Real e Bragança. À Comarca de Moncorvo pertenciam os concelhos de Chacim, Sezulfe e Cortiços; Nozelos, Vale de Prados e Pinhovelo e toda a parte leste do actual Concelho, continuaram integradas na Comarca de Bragança.
Em 1722, D. João V passou "carta de reguengueiros da Casa de Bragança aos moradores da quinta" de Macedo. Este documento do século XVIII testemunha ainda a pequena dimensão de Macedo, ao designá-lo como quinta.
Em 18 de Julho de 1835 decretava-se a nova divisão administrativa. O país ficava dividido em Distritos, estes em Concelhos e os Concelhos em Freguesias. No mapa n.º2 anexo ao Decreto, mencionavam-se, entre os 44 Concelhos que ficavam a constituir o Distrito de Bragança, os de Chacim, Cortiços, Nozelos, Sezulfe e Vale de Prados.
A 6 de Novembro de 1836, reduziram-se a dois - Chacim e Cortiços - os velhos Concelhos que viriam a constituir o núcleo de Concelho de Macedo de Cavaleiros.
Uma nova divisão administrativa é aprovada em 1853 e institui Macedo dos Cavaleiros como Julgado e Concelho, suprimindo os antigos concelhos de Chacim e Cortiços. Um erro gráfico dá forma definitiva ao nome Macedo de Cavaleiros. Em 1863 a povoação de Macedo de Cavaleiros é elevada á categoria de vila. Indubitavelmente o crescimento da antiga povoação de Masaedo deve ter sido enorme entre o início do século XVIII e a segunda metade do século de XIX, passando duma simples "quinta" a sede de concelho e a vila.
A 13 de Maio de 1999 é votada na Assembleia da República a elevação de Macedo de Cavaleiros a cidade.

 

Lenda dos Cavaleiros Da Maça

Diz a lenda que... “no lugar de Macedo, existiam dois cavaleiros que se apresentavam nos combates, armados de pesadas maças de ferro.
Numa batalha em que entravam as tropas de um dos primeiros Reis de Portugal, estas eram levadas de vencidas pelos soldados inimigos.
Mas no momento em que as hostes do Monarca estavam prestes a deixar o campo da peleja, feridos pela derrota, apareceram os cavaleiros da Maça e foi tal a sua bravura no batalhar, que o próprio Rei, admirado da valentia dos dois esforçados cavaleiros não pôde deixar de gritar, cheio de entusiasmo: - Maça, Macedo!... Maça, Macedo!...
Criaram alento as tropas portuguesas com os repetidos e bem tocados golpes desferidos pelas Maças dos dois cavaleiros de Macedo e foi ganha a batalha. Como prémio deste heróico feito, ficou o lugar com direito a usar o nome de Macedo de Cavaleiros e os dois fidalgos cheios de honras”.
Provavelmente, esta lenda filia-se no facto do timbre das armas dos “Macedos” ser “um braço vestido de azul, a mão de carnação empunhando uma maça de ouro, armada de prata.

 

 

 

 

 

Miranda do Douro - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

 

De, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Miranda é comum a Portugal, à Espanha e ao Brasil. Além desta Miranda, cuja designação oficial completa é Miranda do Douro, temos Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra e A Miranda no Alto Minho. Os espanhóis têm Miranda de Douro, Miranda de Ebro e Miranda del Castanar. O mesmo nome existe ainda na toponímia brasileira.

O étimo está muito determinado e é simplesmente o latim mirandus-a-um, digno de admiração, gerundivo de minor, por sua vez derivado de mirus, estranho, maravilhoso, o que parece mostrar que o nome deve ter sido posto em consequência do deslumbramento provocado pelo panorama local, que é, com efeito, merecedor de alto apreço”

 

Miranda do Douro


Miranda do Douro, Cidade da província de Trás-os-Montes, sede de concelho e do distrito de Bragança.
Está situada na parte mais meridional da província, sobre a margem direita do rio Douro, que a separa da província de Leão, Espanha, em terreno montanhoso e acantilado.
Diz o padre António Carvalho da Costa, Coreografia Portuguesa, com outros escritores Portugueses que Miranda foi uma cidade importantíssima no tempo dos romanos, que lhe deram o nome de Conticum, depois de Paramica, e por fim de Seponcia.

 

Castelo de Miranda do Douro

Deste castelo medieval do séc. XIII, reedificado no séc. XVII,  restam ainda extensos panos de muralha a rodear o núcleo antigo da cidade, depois de em 1760 ter sido parcialmente destruído pela explosão do paiol de pólvora. O castelo propriamente dito formava um quadrilátero, reforçado nos três ângulos externos por três cubelos, dois deles rectangulares e um hexagonal. A cerca teria um perímetro total de cerca de seiscentos passos e tinha três  portas de arco ligeiramente quebrado: A Porta da Senhora do Amparo, situada ao fundo da rua da Costanilha, a Porta Falsa, junto à zona do castelo e, do lado nascente, o Postigo, sobre a margem alcantilada do rio Douro. A zona das ameias foi recuperada em tempo recente apresentando aparelho incertum. No canto sul situa-se a Sé de Miranda e os Paços Episcopais. No lado oposto, a cerca de 682 m de altitude, localiza-se a Torre de Menagem.

 

 

 

 

 

 Mirandela - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

 

Uma das mais importantes vilas nordestinas, bem no coração do úbérrimo vale do Tua, Mirandela teve o primeiro foral em 1250, mas foi o rei D. Dinis quem fez implantar a povoação no cabeço de São Miguel, a dotou de castelo e lhe definiu os limites por carta de foro em 1291.Um fragmento do chamado Arco de Santo António é a única ponta que resta do Castelo, tendo igualmente desaparecido o pelourinho da vila.

Opiniões sobre a origem do nome Mirandela:

Pinho Leal de Portugal Antigo e Moderno (1935): “Dizem que quem fundou Miradela foi o rei árabe ou emir Orelhão, governador daquelas terras. Habitava na serra de Santa Comba, e, por estar em frente daquela serra aquel vila, deu-lhe o nome de A mira dela, donde Mirandela”.

Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “ Quanto a Miradela, é mais uma terra portuguesa que apresenta a sua lenda, com que pretende explicar a origem do nome. A simples título de curiosidade, registamos essa lenda, tal como foi contada bem recente por um jornal local. «A tradição da vila anda muito ligada à lenda do Orelhão. Emir árabe, que vivia na serra hoje chamada de Santa Comba e por ser fronteira à povoação que deu a Mirandela de hoje, dizia ele estar à mira dela.

Fantasia ?

Comba era uma recatada lavradeirinha, que teve a má sorte de aquele chefe mouro a encontrar com o irmão no amanho do campo. Pretendeu-a, primeiro a bem, depois à forç. Neste último lance, matou o irmão e degolou-a depois.

Hoje existe uma povoação a vinte e um quilómetros, chamada Lamas de Orelhão, que decerto é adulteração de Lágrimas de Orelhão, as choradas por ele, arrependido do seu negro feito contra a pobre Comba».

Mas o topónimo Mirandela, evidentemente não provém de mira dela nem de mirando ela, como se conta numa variante da mesma lenda, pois não é mais do que um derivado de Miranda, com um sufixo diminutivo …

Mirandela tem, pois, o significado etimológico de Miranda pequena”.

 

Mirandela

 

Mirandela, Mirandela,
Mira-a bem, ficarás nela;
Quem Mirandela mirou,
em Mirandela ficou.
Vestígios históricos dão-nos a conhecer as influências deixadas pelas civilizações celtas, romanas e visigóticas, mostrando-nos o passado destas terras, cuja história se perde nos limiares do período histórico da Lusitânia.

O lugar de Mirandela teve a sua origem no monte de S. Martinho, junto ao monte do Mourel, onde hoje ainda se identifica o Castelo Velho. Mais tarde foi transferida para o cabeço de S.Miguel, actualmente centro histórico da cidade. D. Afonso III deu-lhe a carta de foral a 25 de Maio de 1250.

Cognominada a "Coimbra do Norte", pela configuração geográfica e traço paisagístico do rio e suas pontes, Mirandela tem a dominá-la o célebre e majestoso Palácio dos Távoras, a perpetuar o seu passado de glória e por tapete o cerimonioso rio Tua, de águas tranquilas e mansas que a beija e embala constantemente.

Mirandela é a sede de um extenso concelho que ocupa uma área aproximada de 674 Km2 e engloba 105 aldeias agrupadas em 37 freguesias. Tem 29 807 habitantes em 10 043 fogos, dos quais 8 501 vivem na sede.
Situada no centro geográfico da imensa região de Trás-os-Montes e Alto Douro, o concelho de Mirandela é com toda a certeza o mais próspero do distrito de Bragança.
Como centro propulsor de toda a actividade comercial, industrial e agrícola, a cidade de Mirandela viveu na última década uma explosão urbanística e demográfica que a  coloca em lugar altaneiro no panorama distrital.

Pela sua maravilhosa situação geográfica em consonância com as vias de comunicação que a cortam em todas as direcções, as quais constituem um eixo rodoviário por  excelência, e pelo extraordinário desenvolvimento do seu comércio e da sua indústria, cada vez mais florescentes, Mirandela antevê um futuro risonho, na esperança de poder afirmar-se como uma potência económica do Nordeste Transmontano.

 

Mirandela

Historia » Contos
Abreiro
 Diz a lenda que a ponte, a Arcã e cruzeiro foram construídos pelo diabo de noite, que prometeu fazer também uma estrada da ponte até à povoação em troca da alma de uma moça que lha entregaria, para mais comodamente passar o rio a fim de ir buscar água a uma fonte sita na margem esquerda. Segundo o contrato, o diabo daria a ponte concluída numa só noite, antes de cantar o galo. Quanto mais afanosa trabalhava uma legião de demónios carreando, aparelhando e assentando pedras, cantou o galo. Que galo é? - perguntou o rei das trevas infernais. - Galo branco - responderam-lhe. Ande o canto - ordenou ele. A breve espaço novo canto. Que galo é? Galo preto. - Pico quedo vociferou ele. Faltava apenas uma pedra para assentar nas guardas da ponte e assim ficou, por mais vezes que os homens tenham lá colocado, aparece derrubada pelo diabo no rio na noite seguinte. Lenda semelhante é apontada a respeito da calçada de Alpajares, também conhecida por Calçada Mourisca, e à ponte a ela ligada no termo de Poiares, que causa pasmo pela sua duração de tantos séculos (Alves, 1934).
 
Romeu
 A capela de N. Sra. de Jerusalém foi construída pelo povo a pedido de uma pastora a quem a Senhora apareceu, incumbindo-a de dizer ao mesmo que a edificasse, e em confirmação da sua sobrenaturalidade, para que a pastora bebesse, visto ser a terra muito falha de água, fez brotar a fonte da encosta do cabeço, onde está a capelinha ainda hoje existente. O dinheiro para a obra, segundo a tradição, era dado pela pastora que o tirava de um buraco ou de uma lapa, de onde a Senhora mandara à mesma pastorinha que o tirasse para a edificação da sua casa (Alves, 1934).
 
Torre de D.Chama
 Há na província de Trás-os-Montes umas esculturas zoomorfas em pedra representando quadrúpedes, conhecidos por porcas ou porcos, segundo indica a marcação sexual clara nuns, irreconhecível noutros.
Idênticas esculturas encontram-se nas províncias vizinhas de Salamanca e Zamora. Em Portugal são desconhecidos fora da região transmontana.
No Outeiro sobranceiro à vila, onde têm aparecido várias antigualhas romanas e pré históricas, é que segundo a lenda, existia a torre habitada por D. Chama, castelã lúbrica, sempre pronta a dormir com quantos cavaleiros a procuravam e, para que não divulgassem o segredo de que tinha pernas de cabra, mandava-os matar no dia seguinte. Um dos mais ardiloso tirou-lhe o anel do dedo enquanto dormia e, ao sair, apresentou-o aos guardas do castelo como sinal de aliança com a dama, que o deixaram passar.
Quando acordou e deu por falta, mandou os criados após o fugitivo, gritando-lhe: a dona chama, a dona chama; de onde o nome de D. Chama à vila, mas nada conseguiram, e então ela, vendo-se desacreditada e descoberto o segredo, ficou encantada com os seus tesouros e a lira popular a dedilhar (Alves, 1934):
D. Chama chamorra
Pernas de cabra
Cara de senhora
 
Franco
 Quase no sopé da Serra de Orelhão existe uma entrada (hoje quase aterrada pela erosão) que dá acesso a um corredor, que depois de percorridos alguns metros se subdivide em várias galerias que têm uma altura superior à de um Homem. Diz o povo que em tempos várias pessoas tentaram explorar o interior desta galeria com candeias ou velas acesas. Depois de penetrarem alguns metros pelo interior destas galerias, a luz apagava-se, não permitindo que se continuasse a fazer a exploração das mesmas. Diz também o povo que no final de uma das galerias está depositado um grande tesouro de ouro, que passará a ser propriedade de quem conseguir chegar junto do mesmo. Quando em menino me contaram esta história, ainda tentei reunir mais um ou dois amigos para fazermos a exploração destas galerias e pedi ao meu pai, que várias vezes visitou o local por fora que nos levasse ao local, entretanto no momento da decisão, faltou-me a coragem e nem sequer ficamos a saber a localização exacta do local de entrada (Paulo Pontes, Presidente de Junta do Franco, 2001).

 

 

 

 

Mogadouro - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

 

D. Afonso ll, concedeu-lhe o primeiro foral em 1272, que renovou no ano seguinte. Em 1512, D. Manuel l outorgou-lhe foral novo.

O topónimo, de origem árabe – Macaduron -, é uma reminiscência do domínio sarraceno no Nordeste Transmontano. Mogadouro nasce para a nacionalidade portuguesa em 1272. Em 1297, D. Dinis concedera a vila aos Templários, que por todo o concelho semearam relíquias, ainda hoje dignas de admiração, até que a Ordem de Cristo se sobrepôs àqueles, sendo esta, por sua vez, destituída pelo poderio dos Távoras, que ali implantaram novo quartel até à perseguição pombalina que os arrastou, a atrás de si a própria vila, cujo anterior grandeza jamais voltará a conhecer.

Desses tempos restam ainda a torre do antigo castelo mandado construir por D. Dinis, pêro da qual se poderá ver o pelourinho, de fuste hexagonal e cabeça de quatro pontes.

Segundo, Rocha Martins, do Arquivo Nacional (1936): “É Mogadouro povoação muito antiga, ignorando-se, porém, quem foram os seus fundadores. Há quem atribua a origem dela aos romanos, os quais a teriam designado por Macaduron, que com o tempo se corrompeu em Mogadouro, nome actualmente possui e que designa esta florescente vila de Trás-os-Montes, do distrito de Bragança.

Macaduron significa – coisa fatal, inevitável”.

 

Mogadouro

O concelho de Mogadouro caracteriza-se por um povoamento concentrado em pequenas aldeias rurais. 
Neste concelho herdeiro de uma história antiga, ainda podemos admirar muitos vestígios da presença dos povos que, pelo menos desde há 6 mil anos, o têm povoado.
Desde a fundação da nacionalidade que a importância estratégica de Mogadouro o tem presenteado, não só com estruturas defensivas, mas também com solares e palácios que ainda hoje aqui nos lembram a vida dos portugueses de séculos passados. Concessão dos Templários e posteriormente dos Cavaleiros de Cristo, muitas foram as relíquias deixadas por todo o concelho e que, ainda hoje, merecem a nossa admiração.              
            No concelho de Mogadouro, quase todos os edifícios religiosos de maior dimensão se integram no estilo românico, embora tardio.
   Na idade Moderna, a história de Mogadouro está associada a uma das famílias mais poderosas da nobreza do Antigo Regime: os Távoras.
   Domínio dos Távoras, desde o séc. XV, foi grande a riqueza deste concelho que, não fora a destruição levada a cabo pelo marquês de Pombal, muito teria hoje para nos mostrar daquele passado de opulência.
            Muitos e valiosos documentos que poderiam lançar luz na história do concelho desapareceram no funesto incêndio que, em 25 de Março de 1885, destruiu parcialmente o antigo convento de S. Francisco.
            No entanto, apesar de tudo, o concelho de Mogadouro é ainda detentor de um património digno de se admirar.
            No séc. XVIII, o desenvolvimento da olivicultura com a consequente acumulação de riqueza, terá tido manifesto impacto nas povoações mais próximas do Douro, e na edificação de solares. Entre estes destacam-se o de Castelo Branco (Pimentéis), o de S. Martinho do Peso (Sarmentos), e outros em Mogadouro (Carvalhos Machados) e em Tó.     
            Fauna:
            A natureza foi pródiga nesta região que integra na sua raia o Parque Natural do Douro Internacional, verdadeiro santuário europeu da águia-real e da águia-de-bonelli, do abutre-do-egipto, do grifo e da cegonha-preta. Neste cenário de excelência as espécies cinegéticas encontraram também óptimas condições para o seu desenvolvimento, sendo possível, nas épocas próprias, caçar coelhos, lebres, perdizes e javalis.  
Clima:
Os invernos são, aqui, relativamente rigorosos, sobretudo na zona central do concelho, mais sujeita aos ventos do que as zonas protegidas do vale do Douro e da bacia do Sabor. O verão, relativamente curto, surge quente e seco. A primavera e o outono, frescos e bem demarcados, emprestam à paisagem a beleza das cores matizadas dos matos floridos de branco, amarelo e violáceo ou das folhosas outonais em tons de cobre e ferrugem. 
           População:
           A população é eminentemente rural, cujas principais actividades são a agricultura e a pecuária. Aqui cultiva-se o olival e produz-se um dos melhores azeites do país. Cultivam-se também as amendoeiras, os sobreiros, as vinhas que levam ao mundo o tão conhecido vinho rosé, o trigo e algum centeio, as hortas junto às linhas de água e a castanha mais para o Sul. Na pecuária, o destaque vai para o gado bovino, actualmente sobretudo na produção de leite. Quanto à carne, salientamos a qualidade do gado Mirandês que deu origem, na gastronomia, à já célebre Posta Mirandesa. Para além do gado bovino, os caprinos e os ovinos assumem, também, neste concelho, uma relativa importância nas economias familiares, produzindo carne, lã e leite. Entretanto, provavelmente trazidos pelos mouros ou vulgarizados durante a ocupação mourisca, os burros foram, e continuam a ser, um auxiliar precioso de pequena economia rural, tanto no transporte como na lavra de terrenos de difícil acesso ou pequenos demais para justificar o tractor.   
Adaptação de textos de: Domingos Marcos, Rui Cunha e Maria João Cunha


LENDA DO CASTELO DE MOGADOURO

Era uma vez, uma menina que guardava cabras e costumava ir com elas para as arribas. Enquanto tomava conta das cabras, fiava a lã, que levava na roca, e cantava.
Um dia, estando a menina sentada numa fraga, muito triste, pois o dia estava escuro e sombrio, ao levantar-se para ver onde estavam as suas cabrinhas, reparou, com grande espanto seu,
que, no outro extremo, se encontrava sentado um rapaz, já com 16 ou 18 anos. Assustou-se e ia fugir mas o rapaz, por gestos, fez com que a menina se acalmasse e continuasse junto das suas cabras.
A este dia sucederam-se outros. A menina continuou a ir com a cabrada para as arribas e o rapaz a ir para junto dela. Cada dia que passava ia-a acompanhando até mais perto da vila.
Um dia, já junto de uma das entradas da vila, o rapaz aleijou-se num prego e começoua gritar e a falar em espanhol. A menina assustou-se e desatou a fugir e o rapaz foi atrás dela. Ela entrou no largo do castelo e desapareceu por um buraco de umas escadas que lá existiam.
Os dias foram passando e as semanas também. A menina nunca mais apareceu com as suas cabras, nas arribas. O rapaz, preocupado, resolveu ir procurá-la. Chegou junto às escadas e desceu-as, uma a uma. Só parou quando viu água. Não vendo lá nada a não ser um poço, sentou-se triste, a pensar. Começou a cantar as mesmas canções que a menina cantava com as suas cabras. Eis que, de repente, a menina aparece e o rapaz, assustado, deixou-se cair para trás, dentro do poço. A menina chorou mas o rapaz nunca mais apareceu.
Diz-se que os suspiros da menina são ouvidos nas noites de luar, no outro extremo da vila, num lugar onde há outro poço.
Daí dizer-se que os poços comunicam entre si.

 

 

 

 

Torre de Moncorvo - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

 

O topónimo deriva da existência de uma torre habitada por um senhor local de nome Mendo Curvo, o qual, por evolução fonética, deu Moncorvo. Recebeu o primeiro foral do mencionado senhor em 1062, confirmado por D. Afonso Henriques entre 1128 e 1140. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo em 1512.

Tem raízes em medievos tempos e pensa-se que terá sido um grande senhor da época, Mendo Curvo, que junto à serra do Reboredo, construiu uma fortaleza com uma torre, no século Xl, existindo ainda no local algumas ruínas – ou simplesmente Mendo, que tinha uma casa com uma torre e um corvo, quem primeiro lhe deu foral e o nome também.

De, J. de Vilhena Barbosa, em “As Cidades e Vllas da Monarchia Portugueza, que têm Brasão d’Armas” (1862): “ A fundação desta vila data do século Xll ou Xlll, e teve princípio em uma Torre, que aí edificou um tal Mendo ou Mem Corvo, para sua morada e segurança. Segundo o costume, e necessidade daqueles tempos, os aldeões pobres, que viviam isolados naquelas circunstâncias, demandando o abrigo de uma casa forte e a protecção de um rico proprietário, foram mudando pouco a pouco as suas choupanas pra junto da Torre. Assim se formou, ao que parece o primeiro núcleo da povoação. Passado pouco tempo aumentou rapidamente à custa da vila de Santa Cruz, que ficava dali uma légua, em sítio tão doentio, e falto de água, que os seus moradores foram-se transferindo para a nova povoação, que lhes oferecia a triplicada vantagem de ares salubres abundância de água, e excelentes terrenos para cultura.

A vila de Santa Cruz abandonada completamente, caiu em ruínas, e hoje raros vestígios mostra o nome por que era conhecida a torre, começou a chamar-se Torre de Mendo Corvo ou de Mem Corvo. Pretendem alguns antiquários, que a etimologia de Moncorvo se deriva de Mons Curvus, dizendo que assim designavam o monte Reboredo, por ser um tanto curvo ou arqueado. Não se pode, porém, aceitar esta opinião, visto achar-se em todos os documentos antigos, que falam desta terra, o nome de Torre de Moncorvo, e não Moncorvo, como agora dizemos. Outros querem que o seu primeiro nome fosse Torre do Monte do Corvo ou dos Corvos, autorizando-se com o brasão d’armas da vila.

A respeito da fundação da Torre, e da etimologia do nome, há uma tradição no povo, que apesar de não merecer crédito, a vamos referir pela originalidade, e por julgarmos próprio desta obra consignarmos nela as lendas, históricas ou fabulosas, que as crenças populares têm enlaçado com a origem das povoações.

Conta, pois, a tradição que um pobre lavrador chamado Mendo, que vivia com sua mulher em uma choupana não longe do monte Roboredo, achara um tesouro enterrado. Vendo-se de repente tão rico cuidou perder o juízo; mas voltando a si, reconheceu a necessidade de fazer segredo do achado para que lho não roubassem. O seu primeiro pensamento foi referir o caso à consorte, tanto para que ela tomasse parte nas suas alegrias, como para que o ajudasse na guarda do precioso tesouro. Porém, a esta ideia sucedeu logo outra na alma desconfiada do lavrador. Seria sua mulher capaz de conservar em si o segredo ? este receio levou-o a pôr a provar a discrição dela, e para isso lhe disse que acabava de presenciar um acontecimento nunca visto até então, mas que lhe pedia um segredo inviolável. Era o caso que vira um corvo pariu uns poucos corvozinhos. A mulher ficou pasmada, e não podendo conter em si um mistério tão maravilhoso, foi-o divulgando às vizinhas, acrescentando o número de filhos, que o corvo parira; mas a cada uma ia pedindo o mais absoluto sigilo. De boca em boca foi correndo o conto até não haver quem o ignorasse em todas aquelas imediações. À vista disto resolveu-se o lavrador a ocultar o tesouro a sua mulher, e para o ter mais seguro, edificou uma Torre para sua morada, e depósito dele.

Do nome do lavrador e do caso do corvo, ficaram chamando ao edifício a Torre de Mendo do Corvo, nome que com o tempo se corrompeu em Torre de Moncorvo e depois Moncorvo”.

 

Torre de Moncorvo

Torre de Moncorvo teria nascido de uma remota Vila da Alta Idade Média, que em antigos documentos vem designada Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça, situada no topo da margem direita do Rio Sabor e nas proximidades do núcleo de vida pré-histórica do Baldoeiro.
Segundo a tradição, os habitantes desta povoação, devido à insalubridade do local muito sujeito às emanações palustres e, talvez, também, em consequência dos estragos sofridos com as Razias Mouriscas tão frequentes na época abandonaram-na deslocando-se para o ponto mais arejado no sopé da Serra do Roboredo. De qualquer maneira, a ter-se dado o abandono da Vila de Santa Cruz da Vilariça, este ter-se-ia processado nos fins do séc. XIII. No principio desse século existia ainda a Vila de Santa Cruz da Vilariça e dava sinais de relativa vitalidade, pois recebeu de D. Sancho II, em 1225, uma carta foral que lhe concedia importantes isenções e regalias fiscais e penais.
Quanto à origem do topónimo de Torre de Moncorvo, segundo as Memórias Paroquiais de 1978, " hé tradição que se mudava da Villa de Santa Cruz pela multidão de formigas, que não só faziam dano considerável em todos os viveres, mas aos mesmos viventes lhe cauzavão notável opressão, e resolvendo-se a evitar estes incomodos forão para o pé do Monte Reboredo aonde havia uns cazaes de que era senhor um homem chamado Mendo, o qual dizem que na sua casa tinha uma torre e domesticando nela um corvo. Crescendo depois a povoação e tendo o foral de Villa lhe chamarão de Villa de Mendo do Corvo, que com fácil corrupção se continuou a chamar a Villa de Moncorvo".
 
Seja como for, o certo é que só a partir do tempo de D. Dinis, no pensar do erudito padre Francisco Manuel Alves, Moncorvo adquire "o seu incremento". Este Rei concede-lhe foral em 12 de Abril de 1285 passando então o concelho a ter nova sede e nova designação que seria o Concelho de TORRE DE MONCORVO.
Em 1372 D. Fernando considera Moncorvo como uma vila das melhores de "Tralus Montes" e atendendo à valentia dos seus moradores, demonstrada nas guerras com os castelhanos, dá-lhe como termo as vilas de Vilarinho da Castanheira e a de Mós.
D. Manuel I, a 4 de Maio de 1512, concede a Moncorvo novo foral depois de visto o foral da dita vila dado por el-rei D. Dinis. Entretanto ao mesmo tempo do foral começa a erguer-se o padrão manuelino da Igreja Matriz, já extra-muros, dominadora e acolhedora e o casario acantoa-se à sua volta.
Segundo Duarte Nunes de Leão em 1609, Torre de Moncorvo era uma das grandes correições em que se dividia judicialmente o País. Estava a par de correições tais como Miranda, Vila Real e Coimbra de grande extensão e relevo.
Padre Joaquim M. Rebelo

 

Lenda de Moncorvo

 

Segundo a lenda, viveu naquela região, há muito tempo atrás, alguns séculos, um homem chamado Mendo ou Mem. Dizem uns que era um nobre senhor, mas a nossa lenda faz dele um pobre lavrador que habitava uma choupana com sua mulher, não muito longe do monte Reboredo.
Aconteceu certo dia que Mendo achou um tesouro enterrado sob um penedo do monte. Vendo-se, de repente, tão rico - o tesouro era fabuloso -, o homem sentiu fugir-lhe o juízo. Em breve, porém, recuperou o sangue frio e, reconhecendo ser melhor manter em segredo aquele achado, para que lho não cobiçassem tratou de pensar no que lhe fazer, onde o guardar.
Tão grande era a sua alegria que não cabia em si e no fundo, desejava partilhar o seu segredo com alguém que consigo se regozijasse. E, como a pessoa que mais perto de si estava por muitas razões óbvias, era a mulher, sentiu uma imensa vontade de lhe contar a felicidade que acabara de ter. Contudo, Mendo era desconfiado, e como conhecia a mulher de ginjeira achou que ela não seria capaz de guardar segredo por muito tempo.
Assim, decidiu arranjar uma mentira para a pôr à prova. Depois de muito pensar, encontrou o que dizer e foi ter com ela.
- Anda cá, mulher, senta-te aqui comigo nesta pedra! Quero contar-te uma coisa, mas tens de prometer guardar segredo...
- Então o que é? Conta, homem, conta!!
- Juras que não contas nada disto a ninguém?
- Juro pois! ... por estes dois que a terra há-de comer! ... - disse ela apontando para os olhos.
- Então lá vai: calcula que vi hoje um corvo parir um par de corvinhos!...
- Ora homem, isso é lá possível!?
- ... eu seja ceguinho!
A mulher ficou-se um pouco incrédula, sentada na pedra, enquanto ele se afastava para ir à sua vida, contente com a história que arranjara. Agora era só esperar algum tempo, ter um pouco de paciência e... ver o resultado. Durante algum tempo, a mulher quedou-se pasmada com a história que Mendo lhe contara: «era lá possível um corvo parir, parir como gente!? ... Não, não é verdade! Aquilo foi o homem a mangar comigo!...».
Sem poder conter-se mais, e como segredo é aquilo que se conta a uma pessoa de cada vez, foi dali à vizinha mais próxima relatar o que dissera o marido. Desta vez o corvo já não tinha parido dois corvinhos, mas quatro e, é claro, tudo isto era um segredo.
Acabada a conversa, despediram-se as vizinhas e foi dali cada uma contar a outra pessoa. De tal modo se espalhou o segredo que em breve toda a gente da região conhecia a história do corvo parindo em variadissimas versões.
Em vista disto, Mendo, o lavrador, decidiu ocultar de todos o seu segredo, o seu tesouro, e para isso construiu uma grande torre onde passou a morar para melhor defender o seu ouro.
Do nome do lavrador e da história do corvo, ficaram a chamar ao edifício Torre do Mendo (ou Mem) do Corvo. Com o tempo, esquecida a história, o povo foi simplificando o nome até chamar ao local TORRE DE MONCORVO.

 

 

 

Vila Flor - (Concelho de Bragança)

 

 

 

Vila Flor

A Póvoa de Além-Sabor, fértil e linda, entrou no coração do nosso rei-poeta-lavrador (D. Dinis), que mandou dar-lhe o nome de Vila Flor e lhe deu um foral em 1286, mandando-a cingir de muralhas, de que apenas se conservam a Porta Sul, ou Arco de D. Dinis, e restos daquelas. Vila Flor teve também o seu pelourinho, de cuja parte medieval apenas resta parte do fuste, sendo os ornamentos já do século XVll; conserva ainda a sua fonte romana, bem interessante, a testar a presença romana naquelas paragens, e o Solar dos Lemos, excelente exemplar de casa nobre.

De, J. Vilhena Barbosa de “As Cidades e Villas de Monarchia Portugueza que têm Brasão d’ Armas (1862): “Não temos encontrado memória da origem desta vila; é certo, porém, que tem bastante antiguidade, pois conta que el-rei D. Dinis lhe reformou o foral antigo e, segundo a tradição dos habitantes, lhe mudou o antigo nome de Póvoa de Além do Sabor no de Vila Flor”.

 

Vila Flor


Vila Flor não oferece grande notabilidade histórica documentada antes do século XIII, mas há quem avente que a sua fundação remonta ao século XI, após o declínio das invasões mouriscas e ao início da política real de repovoamento do território. Os vestígios arqueológicos de fortificações castrejas são também a prova de povoamento recente.
A sede do concelho foi durante algum tempo conhecida por "Póvoa de Além Sabor". A criação ou fundação desta póvoa revela que o topónimo teria origem no centro populacional de Castela. a que estaria subordinada.
Ficando esta povoação aquém do Sabor. em relação à capital do Condado Portucalense, compreende-se que ela fosse denominada "Póvoa de Além Sabor", além portanto, a Castela. O nome de "Vila Flor" aparece, pela primeira vez, referenciado no foral concedido a 24 de Maio de 1286 pelo Rei D. Dinis.
Segundo a tradição, aquando da sua visita a esta terra por ocasião do encontro com D. Isabel., sua noiva, D. Dinis ficara surpreendido pela beleza da paisagem e colorida pela sua diversidade de flores campestres. 
 
Em 1295, o "Rei Poeta" manda erguer em redor de Vila Flor uma cinta de muralhas com 5 portas em arco como forma de protecção, restando apenas uma -a porta sul ou Arco de D. Dinis, com 3,5 m de largura por 4 m de altura, aliás considerado monumento de interesse público.
No século XV é fundada em Vila Flor a Santa Casa da Misericórdia.
Por tudo isto Vila Flor oferece um conjunto de valores que marcaram profundamente as gerações passadas.
A sua idade média é florescente, recebendo notável impulso com o acolhimento de famílias judaicas fugidas ás perseguições movidas pela Europa fora e que aqui desenvolveram a agricultura, o comércio e as indústrias de curtumes e ourivesaria.  
Em 4 de Maio de 1512 o Rei D. Manuel I atribui-lhe novo foral reformando o anterior e, devido à sua política anti-judaica, os judeus foram expulsos, levando consigo artistas engenhosos e o segredo de rendosas artes. Como consequência, a população desceu consideravelmente e as suas habitações caíram em ruínas. Mas, ainda restam as pedras da calçada da Rua Nova, da Rua do Saco e da Portela.

 

Lenda de Vila Flor

Conta a lenda que D. Dinis, no caminho para a raia de Miranda, ao encontro de sua noiva - Isabel de Aragão, achou o lugar tão belo e florido que, a jeito de trovador, lhe chamou ”FLOR”. Desconhece-se qualquer documento anterior ao século XIII que fale da existência deste povoado, mas há quem avente que a sua fundação remonta ao século XI, após o declínio das invasões mouriscas e ao início da política real de repovoamento do território.
O nome de Vila Flor aparece, pela primeira vez, referenciado no Foral de 24 de Agosto de 1286, outorgado pelo Rei Poeta, que manda erguer em seu redor uma cinta de muralhas com cinco portas em arco, restando actualmente apenas uma - a Porta sul ou Arco de D. Dinis. É então que o nome desta vila passa de Póvoa de Além Sabor para Vila Flor.

 

 

 

 

 

Vimioso - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

O mais antigo documento referente a esta povoação data de 1187 e respeita à aquisição por D. Sancho l do “chão” para fundar uma “cidade”. Porém, o seu povoamento só se processou no reinado de D. Sancho ll.

Seu nome formou-se da raiz de vime, vim – e o sufixo – oso.

Correspondem-lhe as antigas formas adjectivas, Vimioso e vimoso.

Implantado entre os rios Maçãs e Angueira, constituiu, nos primórdios da Nacionalidade, ponto táctico de defesa fronteiriça juntamente com Miranda do Douro e, por outro lado, um ponto de equilíbrio contra a influência das Ordens de Malta e dos Templários, senhoras de Mogadouro, Penas Roías e Algoso. Nada resta do castelo da vila e pouco mais da atalaia a que se dizia subjacente em castro romano.

 

Vimioso

A antiga vila transmontana de Algoso foi sede de concelho até 1855, ano em que foi extinto e incorporado no município de Vimioso. No extremo sul da povoação, ergue-se o castelo, obra de Mendo Rufino dos finais do século XII, possivelmente ainda no reinado de D. Afonso Henriques, embora alguns autores se inclinem mais para a sua construção, pelo menos Mendes Rufino, mas já no tempo de D, Sancho I, a quem de resto patrocinador do reduto o ofereceu, recebendo a título de recompensa o Senhoria de Vimioso.
O castelo surge no alto do Monte da Penênciada, um cabeço penhascoso que se despenha quase a pique, a mais de 600 metros, sobre o rio Angueira, que, por sua vez, vai confluir a oeste com o rio Maçãs. Quem segue pela estrada de Mogadouro para Vimioso não pode deixar de se impressionar quando, a meio caminho se desfruta uma vista deslumbrante.
Deslumbrante é, também, o castelo, de reduzidas dimensões, que fez parte de uma linha defensiva de antiquíssimos tempos com mais três fortificações: a de Milhão, Santulhão, destruídas talvez pelos leoneses ainda durante os primeiros reinados portugueses, e a de Outeiro, hoje, praticamente em completa ruína.
O Castelo de Algoso, construído à base de xisto quártizo e granito, é de planta rectangular, com entrada pelo lado Norte por porta em arco pleno, defendida pelo que resta de um cubelo, já sem merlões. Surge então a pequena praça de armas. Onde aparecem, tal como no exterior, panos de muralha em paralelo com a penedia, que em muitos pontos funciona como alicerce de cerca.
A torre de menagem apresenta sinais de três registos. Os dois primeiros destinavam-se à zona habitacional e o último à defesa. Ainda na época Medieval, o Castelo de Algoso foi cedido, por D. Sancho II à Ordem do Hospital (depois Ordem de Malta), em 1226, e nele residiu o representante real das terras de Miranda e de Penas Roías, ambas ainda acasteladas nos tempos de hoje, se bem que, nesta última localidade, muito pouca resta da fortificação aí erguida.
Já no século XVIII, mais concretamente em 1710, por alturas da invasão espanhola motivada pela Guerra dos Sete Anos, Algoso sofreu saques, tal como outras terras da região. O principal alvo dos espanhóis foi Miranda do Douro, cuja fortaleza quase se viu reduzida a escombros, na sequência de enorme explosão no paiol, mas as localidades da zona de Vimioso também não escaparam à fúria da nação vizinha. Algoso, no entanto, conseguiu resistir aos ataques e evitou a ocupação, apesar da sua guarnição, comandada por alferes, ser pouco numerosa.
Aquando das invasões francesas, ficou célebre o nome de juiz de fora de Algoso, Jacinto de Oliveira Castelo Branco. Este magistrado, além de não acatar, em 1808, as ordens de Junot, continuava a usar nos processos o nome da Sua Alteza Real, apesar de D. João VI já ter embarcado com a família para o Brasil e os franceses terem declarado abolida a Dinastia de Bragança.
Orago: S. Sebastião
População: 279 habitantes
Actividades económicas: Agricultura e pecuária, olivicultura, vinicultura, amêndoa, cortiça, construção civil, serralharias e pequeno comércio.
Feiras: Mensal (9 de cada mês) e Feira Anual “S. Lourenço” (9 de Agosto)
Festas e Romarias: Santo António (13 de Junho), São João (24 de Junho), Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto) e São Roque (16 de Agosto)
Património Cultural edificado: Igreja Matriz, Castelo de Algoso, Pelourinho, Capela da Misericórdia, Capela de S. Roque, Capela de S. João Baptista e de Nossa Senhora da Assunção, Estrada Romana, Ponte Romana, Fonte Santa, Antigos Paços do Concelho e ruínas do convento.
Gastronomia: Posta Mirandesa, cordeiro assado, cabrito assado e em caldeirada, rosquinhos de S. João, bolo de Páscoa, bolo de centeio, dormidos, fumeiro e folar.
Artesanato: Rendas, bordados e carpintaria.
Colectividades: Grupo Cultural e Desportivo de Algoso
Aldeia Anexa: Vale de Algoso (Turismo Rural).
In Roteiro Turístico de Vimioso

 

 

 

 

Vinhais - (Concelho de Bragança)

 

 

 

 

D. Afonso 111 concedeu-lhe o primeiro foral em 1253. D. Manuel l outorgou-lhe foral novo, em 1512.

Fundada no século Xlll por D. Sancho ll, manteve o nome de Póvoa Rica até ao século XVl, tendo sido entretanto fortificada por D. Dinis. Passava por aqui a via imperial que ligava Braga a Astorga, sendo atribuída aos romanos a construção da Ponte da Rauca, de três arcos, enquanto aos Godos é a Igreja de São Facundo, hoje templo do cemitério.

Do velho castelo pouco resta já, chamando-se ainda “vila” ao conjunto de casas existentes dentro das suas muralhas, com um dos acessos por curioso arco. No seu interior, um pelourinho num pequeno largo e a Igreja Matriz.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Na antiga linguagem portuguesa usou-se muito o vocábulo vinhal, derivado do latim vinealis e empregado para designar terreno com vinhas. Como topónimo Vinhais é um plural morfológico, embora seja um singular semântico. Tem-se dito que o nome foi dado à terra pela fertilidade do respectivo solo e pela grande produção de vinho”.

 

Vinhais

O concelho de Vinhais pertence à região de Trás-os-Montes e insere-se na bacia do rio Douro, sendo atravessado pelos rios Rabaçal, Tuela, Mente e Baceiro.
Com um relevo muito acentuado, vales profundos e encaixados, o concelho apresenta valores altimétricos compreendidos entre os 300m e os 1 273m; situando-se a altitudes mais frequentes entre os 500m e os 900m.
O clima é continental e é extremo.
A vegetação da região é diversificada. Em poucos quilómetros podem observar-se seculares carvalhais, sardoais e soutos que, juntamente com os pinheiros, freixos, vidoeiros e outras espécies autóctones, representam a riqueza de espaços florestais coloridos e frescos.
O concelho reveste-se de grande importância faunística a nível europeu, pela existência de espécies em vias de extinção, como o lobo ibérico, a águia real e a cegonha branca, bem como espécies raras e vulneráveis, como a lontra, a marta, toupeira de água e a víbora cornuda. De referir ainda o corço, o veado, o coelho, a lebre, a perdiz e o javali.
História:

 

Pelourinho:
Trata-se de um pelourinho manuelino, reconstruído no século XX. A coluna, de fuste hexagonal, liso e com duas secções, tem uma base prismática que assenta sobre um soco poligonal de cinco degraus. O remate é constituído por um bloco, com corpo principal decorado com duas mãos, dois pés e duas maças, destacando-se as armas de Portugal encimadas por uma coroa. Sobre estes elementos ergue-se uma cruz grega, possuindo nos topos cabeças de serpente, uma das quais ainda possui uma argola de ferro. Remata o conjunto uma pirâmide de formato cónico que contém uma esfera armilar. 
Vinhais é uma povoação muito antiga, anterior à fundação da nacionalidade, outrora chamou-se Póvoa Rica.
As sua origens remontam ao período anterior à Idade Média. Encontram-se alguns vestígios da vida pró-histórica em Dine.
Com a chegada dos romanos, o local escolhido, para residência e vigilância, seria o picoto mais elevado, conhecido hoje por "Cidadela", por ser o de mais desafogada visão da região, cruzado pela via militar de Braga-Chaves-Astorga. Foi aqui que a vila foi fundada nos meados do séc. XIII pelo rei D. Sancho II.
Os reis D. Afonso III e D. Dinis distinguiram a vila com diversas regalias e obras defensivas.
Da antiga cerca medieval apenas restam as ruínas dos muros e a Porta da Vila, monumento nacional.
A visitar:
O convento de São Francisco e a igreja de São Facundo. 
Concelho de Vinhais, freguesia de Vinhais
A igreja de S. Facundo é um templo de traça românica que mostra algumas semelhanças com um outro localizado em Mazouco, no concelho de Freixo de Espada à Cinta.  A fachada, com um portal de arco levemente apontado, ladeado por vestígios de esculturas, é rematada por um campanário com dois pequenos sinos.
No interior, tem uma única nave de pequenas dimensões, que alberga, do lado da Epístola, um túmulo quatrocentista em xisto. A porta existente ao lado do túmulo é em arco levemente apontado, sendo na altura da construção da pequena sacristia alterada para um vão de verga recta. Na zona do arco triunfal, ostenta, do lado do evangelho, um pequeno altar em talha. A capela-mor, iluminada por dois vãos, encontra-se completamente preenchida pelo altar de talha.
Acesso: Lug. de São Facundo (situado no cemitério).
Protecção: Imóvel de Interesse Público, Dec. nº 95/78, DR 210 de 12 Setembro 1978.
Nos arredores não perca o solar de Vilar de Ossos, a igreja de Moimenta e outros.

 

Lenda da figueira do campanário da igreja de S. Francisco de Vinhais

Aquando da expulsão dos frades de S. Francisco de Vinhais em 1834, apesar da violência e do terror espalhado pelos liberais, um frade missionário ainda pôde subir ao púlpito e fazer ao povo um discurso de despedida. No final proferiu estas palavras proféticas: " Só tornará a haver missões nesta igreja quando virdes uma figueira no campanário do templo da Ordem Terceira ..."
Efectivamente, decorridos muitos anos, uma figueira nasceu na fenda de duas cantarias do campanário onde ainda hoje se pode observar, oscilando às fortes rajadas da ventania agreste. Tem metro e meio de altura e dá frutos que não amadurecem.
Diz o povo que "quando a figueira secar o mundo acabará!...". Crenças populares.

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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