Distrito de Braga

 

Concelhos deste Distrito: Amares, Barcelos, Braga (concelho de),

Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Esposende, Fafe, Guimarães,

Póvoa do Lanhoso, Terras de Bouro,

Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão,

Vila Verde, Vizela.

 

 

 

 

O Distrito de Braga pertencente à província tradicional do Minho. Limita a norte com o Distrito de Viana do Castelo e com Espanha, a leste com o Distrito de Vila Real, a sul com o Distrito do Porto e a oeste com o oceano Atlântico. Área: 2673 km² . Capital e Sede de distrito: a cidade de Braga.

 

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio): “Distrito de Braga, formado de uma parte da antiga província do Minho, com uma superfície de 2.693 Km2 e uma população de 357.200 habitantes. O distrito compreende 13 concelhos e 517 freguesias. Os concelhos: Amares, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Esposende, Fafe, Guimarães , Póvoa do Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde. Povoações principais: Braga, Guimarães e Barcelos. As suas serras principais: Cabreira (1.276 m) e Gerês (1.442 m). Na sua formação geológica predomina o granito. É banhado pelos rios: Vizela, Ave, Este, Cavado, Homem e Neiva. Excelentes pastos, gado bovino, produtos agrícolas, incluindo os melhores vinhos verdes do País. Indústrias importantes como a dos chapéus, curtumes, tecidos e cutelaria.

 

 

 

Braga – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

Cidade de remotíssimas origens, que perdem nas brumas de muito milénios de existência, não conserva tantos monumentos como seria de esperar da importância de que sempre gozou, de sede de convento jurídico romano, de capital da Galícia, cabeça do Reino Suevo-Bracarense, metrópole eclesiástica, perdida e restaurada, elevada a sé primacial. As invasões que sofreu no decorrer dos tempos, determinou a perda irreparável de muitos dos seus valores artísticos. É, porém notável ainda o que nos foi legado.

Por vezes, Braga é designada pela autonomásia de Roma portuguesa, tal a sua importância eclesiástica.

Nas suas cercanias orientais, há vestígios de uma citânia. Aí seria o primeiro núcleo urbano e ponto de partida da cidade de hoje. Durante a romanização, teve grande incremento. A administração imperial elevou-a à categoria de cabeça de um conventus juridicus. Era então a prestigiosa Bracara Augusta. Diversas vias aí convergiam; a mais importante seria a de Astorga, passando por Chaves e Venda Nova.

Desfeito o Império Romano, a cidade caiu em poder dos Suevos, que deve fizeram por algum tempo a sua capital. Era a época tremenda, em que Idácio, Bispo de Chaves e Orósio, bispo bracarense, escreviam as suas memórias e meditações.

Nos meados do século Vl os visigodos arrebataram-na e puseram-na a saque.

Em 716 com a invasão mourisca, sofreu novas depredações.

A sua reconstrução foi lenta. Pois só no século Xl a antiga capital eclesiástica passara à posse definitiva dos cristão, sendo restaurada por D. Pedro, de (1070 a 1093) o primeiro bispo restituído a Braga, já no tempo de Sancho 2º, rei de Leão.

Nos fins do século Xll ficaram sendo sufragâneos de Braga os bispados espanhóis de Astorga, Tui, Lugo, Orense e Mondonhedo, e os portugueses do Porto, Coimbra e Viseu, talvez até ao século XV.

À sombra da Sé catedral e ao abrigo dos muros foi crescendo, pouco a pouco, a colectividade bracarense que formava parte da hoste dos primazes cujo báculo não excluía o gládio.

Na tomada de Lisboa, em 1147, no segundo cerco de Alcácer do Sal em 1218, na batalha do Salado em 1340, na derrota do infante galego Castro, na passagem do rio Leça em 1336, os arcebispos de Braga tiveram a sua tenda e reconhecido quinhão na luta. O avô do condestável, D. Gonçalo Pereira, que esteve na batalha do Salado, reforçou, durante a sua prelazia, no segundo quartel do século XlV, a defesa da cidade, levantando a cidadela.

Depois Braga conheceu períodos de fulgor intelectual e artístico e crises de administração civil e episcopal. Vindo juntar-se a estas últimas, em 1809, Ada segunda invasão francesa, que pôs Braga a saque. E durante a Guerra Civil, Braga serviu por algum tempo de quartel-general de D. Miguel.

Por ocasião da Patuleia, a cidade voltou a viver dias de grande perturbações. Importando ainda mencionar o movimento político do 18 de Maio de 1926, chefiado pelo General Gomes da Costa que pôs termo à vigência da constituição política de 1911 e implantou no País a Ditadura Militar.

Opinião sobre a origem do nome:

«Prof. Vasco Botelho do Amaral, em O Povo e a Língua (1949): “Braga provém do chamadoiro do trajo usado pelos primitivos habitantes a chamada braca. Quando, já no domínio romano, Braga passou a denominar-se Bracara e, quando ganhou a estima e a protecção de César Augusto, Bracara Augusta e nomeou. A transformação de Braca em Braga é perfeitamente explicável pelo abrandamento da consoante forte “c” em branda “g” (por exemplo: lacu – lago).»

 

Braga

A ocupação humana da região onde se integra o município de Braga remonta a milhares de anos, estando documentada por vestígios que adquirem monumentalidade a partir do período megalítico.
Na época correspondente à Idade do Ferro, desenvolveu-se a denominada "cultura castreja", característica do povo "brácaro" que ocupava estrategicamente sítios fortificados nos pontos altos do relevo.
O processo de romanização iniciou-se por volta do ano 200 A.C., consolidando-se a partir dos primórdios da nossa era, com a fundação da primeira cidade de Braga - Bracara Augusta.
A partir do século V, as invasões bárbaras (povos: Suevo e Visigodo), trouxeram à região profunda conturbação que se prolongou com os Árabes até finais do século VIII, só se iniciando o processo reorganizativo nos finais do século seguinte.
Cerca de 1070, D. Pedro, primeiro Bispo de Braga, reorganiza a Diocese, conhecendo a cidade e a área envolvente um clima de franco fortalecimento das suas estruturas fundamentais.
A urbe vai-se desenvolvendo em torno da Catedral circunscrita ao núcleo amuralhado e sucessivamente fortificado ( D. Henrique, D. Dinis e D. Fernando), não sofre significativa expansão.
Braga no século XVI, é uma cidadela que vive à margem dos ventos dos descobrimentos e do "progresso" consagrado na época. D. Diogo de Sousa (insigne Arcebispo), homem de ideias renascentistas, vai transformá-la de tal forma, que se pode falar em refundação, sobrevivendo a nova Bracara, quase inalterada, até ao século XIX.
Ao período vivido entre meados de quinhentos e as primeiras décadas de setecentos, associa-se um fervoroso clima de religiosidade, patente na afluência de comunidades religiosas que vão construir Mosteiros, Conventos e Igrejas, apagando sucessivamente os edifícios de traça romana e influenciando a própria arquitectura civil através do recobrimento das fachadas do casario com gelosias.
No século XVIII, Braga ressurge e brilha nas floreadas curvas do Barroco, protagonizadas pelos Arcebispos da Casa de Bragança e pelo génio artístico de André Soares (Arquitecto 1720- 1769), que lhe conferiram para a eternidade, um legado excepcional, verdadeiro Ex-Libris do Barroco em Portugal. No final do século assiste-se com Carlos Amarante (Engenheiro e Arquitecto 1742-1815) à transição para o Neoclássico.
A centúria seguinte traz consigo focos de conflito e destruição (invasões francesas e lutas liberais), afluindo a partir da segunda metade, o dinheiro e o gosto dos "brasileiros" (emigrados portugueses regressados do Brasil). Introduzem-se na cidade algumas "melhorias" a nível de infra-estruturas e equipamentos e o centro cívico deixa a tradicional zona da Sé, passando para o Jardim Público, hoje chamado Avenida Central.
A viagem em curso pelo século XX, consolidou e implementou novos instrumentos de desenvolvimento (água, saneamento, transportes, etc.), importando mencionar em termos de património construído o edifício do Teatro Circo e o conjunto de fachadas que definem o topo nascente da Avenida da Liberdade.
O período pós-revolução traduziu-se num enorme crescimento a todos os níveis (demográfico, económico, cultural, urbanístico), convertendo-se Braga, muito provavelmente na terceira cidade do País.
Ao nível das intervenções arquitectónicas, há que referir ainda, embora com a devida ressalva da proximidade temporal, o Mercado Municipal do Carandá e o Palácio de Exposições e Desportos, edifícios considerados importantes no contexto da arquitectura portuguesa contemporânea. Por outro lado, assiste-se a uma actuação permanente e sensibilizada em prol do magnífico património arquitectónico bracarense.

 

 

 

 

 

Amares – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

Pequeno concelho agrícola, marcado pelo vale do troço médio do rio Cavado a sul e do rio Homem a norte, o concelho de Amares tem um solo granítico com farta abundância de águas que correm para aqueles dois rios.

Pode dizer-se que o actual concelho de Amares representa a antiga Terra de Entre-Homem-e-Cávado, circunscrição medieval desaparecida em virtude de uma das muitas reformas administrativas por que o País passou.

 

Amares
Amares, situada em pleno coração do Minho, estende os seus 83 km2 desde os contrafortes da serra do Gerês, até à confluência dos rios Homem e Cávado.
Ladeada pelas águas cristalinas dos dois rios, tem no verde da paisagem, nos rios e nas pontes, nos monumentos e casas senhoriais, na gastronomia e nos vinhos, nas festas e romarias, nos costumes e tradições, nas termas de Caldelas; os atractivos necessários para uma visita atenta.
O Minho e Amares, terras de grande fervor religioso, desde o alvorecer da nacionalidade, foram um bastião da religião cristã, bem patente na monumentalidade dos Mosteiros de Rendufe, Bouro e Abadia, que outrora dominaram toda a região envolvente.
O Mosteiro de Santo André de Rendufe, pertenceu à Ordem Beneditina, fundado por D. Egas Pais de Penegate no séc. XI. A Igreja do Mosteiro, única parte ainda utilizada, foi reconstruída entre 1716-1719. Da sua fachada simétrica, flanqueada por duas torres, destacam-se os frontões, a portada central encimada por três janelas de igual tamanho e os nichos com imagens. No interior pode-se contemplar a magnífica talha dourada de estilo barroco-rococó, quer no altar-mor, quer no coro e no órgão. O visitante pode admirar o que resta do claustro, destruído num incêndio no séc. XIX e as ruínas da parte conventual.
Seguindo a E.N. 308, em direcção ao Gerês, e chegados a Bouro Santa Maria, depara com o Mosteiro de Santa Maria de Bouro, da Ordem de Cister, fundado no séc. XII.
O corpo da igreja sofreu importantes obras no séc. XVII e XVIII, sendo de realçar a sacristia, uma das mais importantes do Minho, apresenta o tecto decorado com caixotões dourados cujos painéis, assim como os arcos que o dividem, estão cobertos de pinturas ornamentais. As paredes estão revestidas de painéis de azulejo, do inicio do séc. XVIII, apresentando cenas da vida de S. Bernardo. O edifício conventual encontra-se transformado numa Pousada de Portugal, da Enatur.
Fazendo um desvio pelo C.M. 1243, ao fim de 4 km alcança o Santuário de Nossa Senhora da Abadia. À sua volta impera uma natureza deslumbrante, oxigenada pelos plátanos enormes que marginam o terreiro que dá acesso ao adro do grande santuário e a vegetação do ribeiro que se escapa entre agrestes serranias, quebrando o silêncio religioso de um recanto de oração e lazer.
As terras de Entre-Homem-e-Cávado foram atravessadas outrora, pela estrada romana da Geira, que ligava Braga a Astorga, da qual restam alguns vestígios (troços e marcos milenários). Berço de nobres ilustres, como D. Gualdim Pais, 1." Mestre da Ordem dos Templários, e D. Mendo Moniz, herói da tomada de Santarém, recolheu no seu seio o ilustre poeta Francisco Sá de Miranda, que viveu na Casa da Tapada e se encontra sepultado na Igreja de Carrazedo.
As ruínas do Solar de Vasconcelos, em Ferreiros; a Torre do Outeiro, em Dornelas; a Casa do Castro, em Carrazedo; a Casa da Tapada, em Fiscal; a Ponte do Porto e a de Caldelas, são locais a merecer uma visita.
Depois de um passeio pelos montes S. Pedro e Abadia, ou uma visita às margens dos rios Homem e Cávado, onde poderá encontrar recantos de rara beleza, nada melhor que provar a nossa gastronomia.
A boa mesa de Amares prima pelo paladar caseiro e gostoso das ementas confeccionadas, acrescidas de um surpreendente requinte da apresentação a encher os olhos de quem nos visita, escolhe a nossa terra para os tempos de lazer, de um passeio ocasional. ou faz de Amares uma boa opção para as suas férias.
As papas de sarrabulho, os rojões à minhota, o cozido à portuguesa, o bacalhau assado no forno, o cabrito assado e a vitela assada são algumas das iguarias do cardápio, que temos para oferecer, regados com um bom vinho verde e acompanhados de um bom pudim ou uma suculenta laranja para a sobremesa.
Nas encostas soalheiras do Cávado produz-se um dos melhores vinhos verdes. A influência da mãe natureza, aliada às características da «casa loureiro), e à técnica de produção utilizada, originam um vinho de excelente qualidade e inconfundível sabor. O aroma, a leveza e o agradável paladar, tornam os vinhos de Amares um verdadeiro néctar.

 

 

 

 

 

Barcelos – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

Antiga vila ducal, dotada ainda de algumas castiças relíquias da arquitectura romano-gótica, elevada à categoria de cidade em 1928. Ao pé, passa-lhe o rio Cavado, que liga Barcelos a Barcelinhos. Diz-se que Barcelos remonta à época da romanização, dada a existência da desmantelada citânia da Franqueira, onde teria existido uma tribo de Brácaros que vencidos por Dário Bento ou Júlio César se fixaram na orla arável do Cavado.

D. Afonso Henriques concedeu-lhe, em meados do século Xll, à obscura povoação, a sua primeira carta de foral, confirmada por D. Afonso ll, em 1218. Um pouco mais tarde, D. Dinis querendo destacar o timbre da nobreza de um parente seu, D. João Telo Meneses, concedeu-lhe o título de conde de Barcelos. Desde D. Henrique de Borgonha, era a primeira vez que no reinado portugalense, de novo, surgia o título de conde. Com a morte do segundo conde senhor da terra, com o título de conde, D. Dinis concedeu o título a seu filho bastardo D. Pedro.

Mais tarde o título passaria para Nuno Álvares Pereira, de modo que, o citado conde seria o genro do condestável, D. Nuno Áfono, filho bastardo de d. João l e depois 1º duque de Bragança.

Em 1373, quando Nuno Gonçalves era alcaide do Castelo de Faria, por ocasião da guerra que Henrique ll, de Castela, moveu contra o rei Português, D. Fernando, foi o mesmo Nuno Gançalves preso. E receando que o filho, a quem havia confiado o castelo, o entregasse com o fim de o resgatar, informou o inimigo que ele próprio desejaria negocial com o filho e entrega da fortaleza.

Nota: Esta lenda é contada neste texto, maia abaixo.

Outro feito heróico de que se honra Barcelos, é o fim do alferes Gaspar Góis do Rego, morgado de Santa Eugénia de Rio Covo, morto na batalha de Alcácer Quibir, a 14 de Agosto de 1578, ao lado do 2º duque de Barcelos, D. Teodósio.

 

Origem do nome:
“O rio Celus, que agora chamamos rio Celos, deu o nome a uma barca, que traficava donde é hoje Barcelos até Fam, sendo conhecida pela Barca Celos.
Da Barca Celos se derivou Barcelos”. (Pe. Jerónimo Gonçalves Chaves – 1929)).
“é uma das vilas mais antigas de Portugal e a sua origem tão remota que se supõe Ter sido das primeiras fundações da antiga Lusitânia; era uma cidade populosa e importante, no tempo dos romanos que lhe deram o nome de “Aguas Celenas”, por correr junto dela o rio então chamado “Celano”, hoje Cávado, tendo recebido dos árabes o nome por que actualmente é conhecido.
Além daquele nome, já citado, teve, também, segundo dizem alguns escritores antigos, o de Barrelos equivalente a Barra Celani, ou barra do rio “Celano” o que deu lugar a supor-se que a antiga cidade fora situada mais perto da foz do Cávado, do que hoje se acha.
Outros sustentam que foi edificada pelos cartagineses, e ainda alguns cronistas opinam pelos romanos, e na confusão que há sempre quando se trata de procurar a origem de um nome remotamente usado, apuraram estes que a derivação da palavra Barcelos vem de Barca Celi por causa duma barca de passagem, assim chamada, onde se atravessa o rio Celano”. (C. Azevedo – 1944).
Apontamento de 1900 tirado do “Jornal do Comércio”:
“Barcelos é vila e cabeça de concelho de Braga. Fica na margem direita do rio Cávado, em frente a Barcelinhos, com 3.300 habitantes. O concelho tem 94 freguesias e 46.953 habitantes.
O condado de Barcelos foi o primeiro a ser criado em Portugal, e foi-lhe concedido em 1298, D. Dinis a D. João Afonso Teles de Meneses. D. Nuno Álvares Pereira, que foi o 8º conde de Barcelos (título que D. João l lhe autorgou com prédio da vitória da Batalha de Valverde), deu mais tarde o condado a seu genro D. Afonso 1, 1º Duque de Bragança (filho de D. João 1 e de D. Inês Fernandes, senhora de origem judia e filha de Barbadão)”.
Barcelos é uma antiga vila ducal, dotada ainda de algumas castiças relíquias da arquitectura romano-gótica, elevada à categoria de cidade em 1928, e actualmente cabeça do maior concelho rural do país. Ao pé, passa-lhe o rio Cávado, que liga Barcelos a Barcelinhos.
Diz-se que Barcelos remonta à época da romanização, dada a existência da desmantelada citânia da Tranqueira, onde teria existido uma tribo de Brácaros que vencidos por Dário Bento ou Júlio César se fixaram na orla arável do rio Cávado.
D. Afonso Henriques concedeu, em meados do século Xll, à obscura povoação, a sua primeira carta de foral, confirmada por D. Afonso ll, em 1218. Um pouco mais tarde, D. Dinis querendo destacar o timbre da nobreza de um parente seu, D. João Telo de Meneses, concedeu-lhe o título de Barcelos, com jurisdição sobre muitas terras de Entre-Douro-e-Minho. Desde D. Henrique de Borgonha (pai do 1º rei de Portugal, D. Afonso Henriques), era a primeira vez que no reinado Portacalense, de novo, surgia o título de conde.
Com a morte do segundo senhor da terra, com o título de conde, D. Dinis concedeu o título a seu filho bastardo, D. Pedro (um dos primeiros historiadores portugueses).
Mais tarde o título passaria para D. Nuno Álvares Pereira, de modo que, o citado conde seria o genro do Condestável, D. Afonso, filho bastardo de D. João l e de D. Inês Fernandes (de origem judia), que depois foi o 1º Duque de Bragança (a última dinastia reinante).
Em 1373, quando Nuno Gonçalves era alcaide do Castelo de Faria, por ocasião da guerra que Henrique ll, de Castela, moveu contra o rei português, D. Fernando, foi o mesmo Nuno Gonçalves preso. Este episódio e magistralmente contado pelo escritor Alexandre Herculano, em "Lendas e Narrativas".
Um troço de besteiros e de homens de armas subia a encosta do monte da Franqueira, levando no meio de si o bom alcaide Nuno Gonçalves.
O Adiantado de Galiza seguia atrás com o grosso da hoste, e a costaneira ou ala direita, capitaneada por João Rodrigues de Viedma, estendia-se, rodeando os muros pelo outro lado. O exército vitorioso ia tomar posse do Castelo de faria, que lhe prometera das nas mãos o seu cativo alcaide.
Quando o troço dos homens de armas que levavam preso Nuno Gonçalves vinha já a pouca distância da barbacã, os besteiros que coroavam as ameias encurvavam as bestas e os homens dos engenhos preparavam-se para arrojar sobre os contrários os seus quadrelos e virotões, enquanto o clamor e o choro se alevantavam no terreiro, onde o povo inerme estava apinhado.
Um arauto saiu do meio da gente da vanguarda inimiga e caminhou para a barbacã; todas as bestas se inclinaram para o chão, e o ranger das máquinas converteu-se num silêncio profundo.
“Moço alcaide, moço alcaide – bradou o arauto – teu pai, cativo do mui nobre Pedro Rodrigues Sarmento, Adiantado da Galiza pelo muito excelente e temido D. Henrique de Castela, deseja falar contigo, de fora do teu castelo”.
Gonçalo Nunes, o filho do velho alcaide, atravessou então o terreiro e, chegando à barbacã, disse ao arauto: - A Virgem proteja meu pai, dizei-lhe que eu o espero.
O arauto voltou ao grosso de soldados que rodeavam Nuno Gonçalves, e, depois de breve demora, o tropel aproximou-se da barbaçã. Chegados ao pé dela, o velho guerreiro saiu de entre os seus guardadores e falou com o filho:
-“Sabes tu, Gonçalo Nunes, de quem é esse castelo, que, segundo o regimento de guerra, entreguei à tua guarda, quando vim em socorro e ajuda do esforçado conde de Saia ?”.
-“É – respondeu Gonçalo Nunes – de nosso rei e senhor D. Fernando de Portugal, a quem por ele fizeste preito e menagem”.
-“Sabes tu, Gonçalo Nunes, que o dever de um alcaide é de nunca entregar, por nenhum caso, o seu castelo a inimigos, embora fique enterrado debaixo das ruínas dele ?”.
-"Sei, ó meu pai ! – prosseguiu Gonçalo Nunes em voz baixa, para não ser ouvido dos castelhanos, que começavam a murmurar. – Mas não vês que a tua morte é certa, se os inimigos perceberem que me aconselhaste a resistência ?”.
Nuno Gonçalves, como se não tivera ouvido as reflexões do filho, clamou então: - “Pois se sabes, cunpre o teu dever, alcaide do Castelo de Faria. Maldito por mim, sepultado sejas tu no inferno, como Judas, o traidor, na hora em que os que me cercam entrarem nesse castelo, sem tropeçarem no teu cadáver”.
-“Morra ! – gritou o almocadém castelhano – morra o que nos atraiçoou”. E Nuno Gonçalves caiu no chão atravessado de muitas espadas e lanças.
-"Defende-te, alcaide !” foram as últimas palavras que ele murmurou.
Gonçalo Nunes corria como louco ao redor da barbacã, clamando vingança. Uma nuvem de frechas partiu do alto dos muros; grande porção dos assassinos de Nuno Gonçalves misturaram o próprio sangue com o sangue do homem leal ao seu juramento.
Os castelhanos acometeram o castelo; no primeiro dia de combate o terreiro da barbacã ficou alastrado de cadáveres tisnados e de colmos e ramos reduzidos a cinzas. Um soldado de Pedro Rodrigues Sarmento tinha sacudido com a ponta da sua longa chuça um colmeiro incendiado para dentro da cerca; o vento suão soprava nesse dia com violência, e em breve os habitantes da povoação, que haviam buscado o amparo do castelo, pereceram juntamente com as suas frágeis moradas.
Mas Gonçalo Nunes lembrava-se da maldição de seu pai: lembrava-se de que o vira morinbundo no meio dos seus matadores, e ouvia a todos os momentos o último grito do bom Nuno Gonçalves: - “Defende-te, alcaide !”.
O orgulhoso Sarmento viu a sua soberba abatida diante dos torvos muros do castelo de Faria. O moço alcaide defendia-se como um leão, e o exército castelhano foi constrangido a levantar o cerco. (Alexandre Herculano – do livro “Lendas e Narrativas”).
Outro feito heróico de que se honra Barcelos, é o fim do alferes Gaspar Góis do Rego, morgado de Santa Eugénia de Rio Covo, morto na batalha de Alcácer Quibir, a 14 de Agosto de 1578, ao lado do 2º Duque de Barcelos, D. Teodósio.
Perto da cidade fica Galegos onde se fabricam os afamados galos de Barcelos. Nas bermas da estrada encontram-se imensas casas com exposição de barros artesanais, tão do gosto dos turistas.
Esta povoação é constituída por duas freguesias, São Martinho e Santa Maria, situadas no sopé da serra de Airó, que são daquelas que nos tempos actuais mais longe levam o nome de Portugal.
Centro principal da olaria tradicional figurativa do concelho, aí nasceram e viveram oleiros como Rosa Ramalho, Mistério e Rosa Cota.
Barcelos é uma pequena cidade com uma população de cerca de 7 mil habitantes, cabeça de um concelho eminentemente agrícola e profundamente dividido por uma infindável quantidade de pequenas freguesias, ou seja, 88, o maior número em todos os concelhos de Portugal.
É o mais importante centro de artesanato de Portugal, mercê da sua influente feira e da grande qualidade oficional da sua população.
Concelho cortado em dois pelo rio Cávado, de solos marcadamente graníticos, mas também com grandes reservas de barros e caulinos (cidade de Barcelos, Manhente, São Romão da Ucha, etc., e barros negros em Vila Fria), conta ainda com filões de estanho (Milhazes) e quartzo (Igreja Nova).
Região medianamente acidentada, tem vales abertos e diversos alvéolos de erosão que abrem largas clareiras de terras úberes. Estas são intensamente agricultadas de milho, vinha, feijão e pomares e circundadas de relevos cobertos de pinhais. Os pontos mais elevados do concelho encontram-se no Alto de São Gonçalo (492 m), na serra de Airó (413 m) e na serra da Fanqueira.
De economia predominantemente agrícola e artesanal, reforçada ao longo dos séculos pela extracção e transformação do barro, o concelho de Barcelos, sofreu em meados deste século, a introdução da indústria têxtil – seda artificial e algodão.
Região onde a presença humana desce ao Paleolítico (jazidas quaternárias em Rio Covo, Manhente, etc.) e com importantes povoações na Idade do Ferro (Franqueira, Santa Maria de Galegos, etc.), Barcelos, conhecida dos romanos, que utilizavam as suas águas termais de Santa Eulália de Águas Santas, viu a sua influência reforçada com a velha ponte gótica, do século XlV.
Barcelos é, por excelência, a terra do galo. Para e história do seu aparecimento há um documento iconográfico excepcional: o cruzeiro quatrocentista que se encontra no Museu Arqueológico local.
Os habitantes de uma aldeia andavam alarmados com um crime que lá acontecera e que ainda hoje não se descobrira o autor.
Um dia, um galego (natural da província espanhola da Galiza), em cumprimento de uma promessa a Sant’Iago. Por qualquer razão, tronou-se estranho e foi preso e condenado à forca. Em vão proclamou a sua inocência, pois nem sequer o juiz lhe deu ouvidos. Até que, desesperado, apontou para um galo assado que ali estava e disse: “É tão certo eu estar inocente como esse galo cantar quando me enforcarem”.
Embora todos rissem, ninguém tocou no galo. No dia seguinte, no momento em que o iam enforcar, o galo ergueu-se e cantou. P juiz, aflito, correu à forca e conseguiu ainda evitar a morte do inocente galego.
Mandado em paz, voltaria alguns anos mais tarde, para erigir o monumento em honra da Virgem, a Sant’Iago e ao galo seu salvador.
Etnograficamente, o concelho é extremamente rico, sendo de salientar diversas actividades artesanais, entre as quais se contam olaria e cerâmica, alcofas de palha, bordados e rendas, calçado de madeira, chapéus de palha, carros de bois, cestaria, ferraria, gamelas, jugos, latoaria, rocas, fusos, dobradiças e sarilhos, tecelagem, trabalhos de cobre, mobiliário, etc..
Embora quase todos estes objectos se encontrem facilmente em Barcelos, no Centro de Artesanato e em casas comerciais, e haja múltiplos postos de venda de barros espalhados um pouco por todo o lado, é aconselhável a sua aquisição junto dos próprios artesãos ou então na Feira de Barcelos. Semanalmente, às quintas-feiras, a maior feira do Minho tem lugar no centro da cidade, enchendo por completo o Campo da feira, vasto quadrilátero de 200x250 metros.
Uma das freguesias de Barcelos é São Bartolomeu do Mar, que é uma pequena praia de lavradores e pedreiros, de dunas altas e areia fina, é particularmente conhecida pela sua romaria, entre 22 e 24 de Agosto, em honra de São Bartolomeu. No último dia, segundo o povo, o “dia dos demónios à solta” os romeiros levam seus filhos a banhar. Segundo a tradição popular, o “Banho Santo” de mar tem a virtude de livrar as crianças do medo, da gaguez e da epilepsia, tornando-as mais inteligentes, alegres e sadias, e de afastar o mau olhado e as doenças dos animais, que muitas pessoas ali levam. Os votos que se oferecem ao santo neste dia são frangos – hoje de cores diversas, mas outrora apenas de plumagem negra.
No fim da tarde procede-se à arrematação dos frangos, revertendo o dinheiro apurado para as despesas da festa. Na manhã do 1º dia de romaria tem lugar uma feira do linho, que, infelizmente, vai sofrendo cada vez mais a ofensiva dos tecidos sintéticos.

 

 

 

 

 

 

Cabeceiras de Basto – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 


Como o próprio nome está a dizer, cabeça antiga região de Basto, vila modesta e de origem monástica.
Hubner estudou duas inscrições encontradas no aro de Basto, das quais se infere que esta região foi objecto de administração imperial. Pouco depois da época das invasões dos povos germânicos, que penetraram na Península Ibérica nos angustiosos tempos dos bispos Idácio e Orósio, este recatado termo de Riba-Tâmega parece ter sido escolhido para retiro monacal de uma comunidade beneditina. Tal seria a origem do primitivos mosteiro de Refojos, cuja origem remonta ao século Xll. D. Afonso Henriques concedeu-lhe carta de couto em 1131. O actual edifício foi totalmente reconstruído no século XVll. Os arcos das galerias do claustro assentam em colunas toscanas. A igreja, de grandes proporções, apresenta uma frontaria flanqueda por duas torres, com cúpula de pedra, e nas quais estão abertos nichos com as imagens de São Bento e de Santa Escolástica, padroeiros da Ordem Beneditina. Sobre o pórtico corre um varandim com um nicho onde se abriga a imagem do padroeiro do mosteiro, São Miguel. Sobre o cruzamento das naves está um zimbório. No lanternim que o coroa ergue-se uma estátua, de 2 metros de altura, representando São Miguel. Rodeando a construção corre uma balustrada sobre a qual figuram as estátuas dos Doze Apóstolos. Na fachada sul abre-se uma escadaria com varadim de colunatas. O interior é todo decorado com talha do século XVlll. Ornamentam os altares concheados e lambrequins. O cadeiral, executado em 1767, consta de 45 cadeiras em U com a cadeira do abade ao centro. No próprio topónimo transparece a ideia de retiro pouco acessível ou refúgio que se encontra na raiz obscura de tantos mosteiros e cenóbios proto-medievos. Parece que a fundação do mosteiro, à sombra do qual se formaria a vila, teria sido promovido por um tal Hermígio Fafes, prócere deste território. Mais tarde, no século Xll, o mesmo mosteiro teria recebido de D. Afonso Henriques, em troco de 800 maravedis, um amplo couto. Era então abade co convento D. Bento Mendes.
No tempo de D. João l (1403), o mosteiro passou para abades comendatários. A vila começou então decerto a ganhar alforria. Em 1514, D. Manuel l deu-lhe foral. Um pouco mais tarde, em 1529, D. João lll concedeu as rendas do convento, que eram pingues, a seu filho bastardo D. Duarte, arcebispo de Braga e prior de Santa Cruz de Coimbra. Na era tridentina, o papa Paulo lll, por meio de um breve, decidiu extinguir o mosteiro, reservando os seus réditos para a fundação de dois colégios conimbricenses (São Bento e São Jerónimo). Os frades de Basto opuseram-se, porém, tão vigoroso embargo à decisão pontifícia que, a pedido do arcebispo Frei Diogo de Murça, Roma anulou o breve e manteve-se o mosteiro, isto em 1655. Foi nesta quadra, nos meados do século XVll, que a fábrica do mosteiro foi inteiramente reformada,fruindo dos amplos redimentos que lhe advinham de muitos foros e tributos que levantavam na região e fora dela, sobretudo na região de Barroso, onde era possuidor e fruidor de muitos bens deixados pelo fidalgo Vasco Gonçalves Barroso, primeiro marido de D. Leonor Alvim, casada em segundas núpcias com D. Nuno Álvares Pereira. O mosteiro possuía justiças privativas dentro do seu amplo couto. Tanto no cível como no crime, o abade era o ouvidor de todas as queixas e pleitos. O centro da vila é o amplo terreiro do mosteiro, mas desde 1910 designada a Praça da República. Nele desembocam as estradas de Celorico de Basto e de Braga. À entrada da primeira, mal se transpõe o ribeiro do Mosteiro, destaca-se uma estátua avantajada e tosca de figura de um guerreiro galaico. Bastante obliterada por pinturas posteriores, atribui-lhe a tradição popular a representação do fundador da vila. Também segundo outra tradição local, a referida estátua seria do frade Hermígio Rodrigues, o “Traga-Mouros”, que, certa vez numa luta entre os mouros e os frades, gritava no apogeu da luta, enquanto esgrimia o seu enorme varapau com que punha fim aos sarracenos: “Em Basto, basto eu !”. E daí, talvez, veio o nome de Basto. Embora a estátua em questão deva ser uma escultura primitiva de um guerreiro lusitano, a quem mais tarde desfiguraram (1612) com barretina, bigodes e coturnos. D. Manuel l deu-lhe foral em 1510. A praça principal de Cabeceiras de Basto, antigo terreiro conventual, local da feira e de comércio no século XlX, foi fortemente marcada pelo gosto arquitectónico daquela época. Na vila erguem-se algumas casas solarengas e brasonadas dos séculos XVlll e XlX, pertencentes à aristocracia da região de Basto, delas se destacando as Casas de Alvite, Pielas, Mourigo e Breia. Continuando no concelho, que foi condado e julgado medieval, foi mais tarde, no reinado de D. Manuel l, transformado em concelho com sede no Castelo de Celorico (Castelo de Arnóia). A sede do concelho foi, em 1719, por provisão de D. João V, mudada para Vila Nova de Freixieiro (Britelo). Nos arredores de Celorico de Basto erguem-se belos solares, dos quais se salientam a Casa do Campo, em Molares /séculos XVll-XVlll), Casas da Boa Vista e do Outeiro (século XVlll), Casa do Prado (século XlX), Casa da Igreja, no Corgo (século XVlll). Casa da Veiga e Casa do Pomar. Outras localidades que ficam perto de Cabeceiras de Basto:
 

ABADIM: Foi couto municipal e recebeu foral de D. Manuel l em 1514. Actualmente, é uma das aldeias de montanha da região de Basto. Conserva um pelourinho e a torre da antiga Casa do Tronco, em ruínas. Na estrada que conduz de Abadim ao alto da serra da Cabreira, junto de uma levada de água, existe um notável conjunto de moinhos – os Moinhos de Rei. A vida desta aldeia ainda se processa nos velhos moldes comunitários, com o envio do gado para as pastagens da serra da Cabreira. “O nome desta freguesia vem do árabe abbadim , cujo sentido é ser religioso e devoto , o que leva a crer que era povoação escolhida para os que se devotavam ao culto” (Domingo Ilustrado – 1897).
 

ALVITE: Nesta freguesia é de salientar a Casa da Torre, de origem medieval, brasonada, reconstruída no século XVlll e recentemente restaurada. “É nome germânico e representa o genitivo de Alvitus”.
 

ARCO DE BAÚLHE: Situado no antigo trajecto de ligação Porto-Braga-Chaves, mais tarde encruzilhada de estradas. Arco de Baúlhe desempenhou um papel fundamental no percurso das diligências que cruzavam a região de Basto. Nessa época estação de mudas de equídeos. Actualmente, é o término da linha férrea do vale do Tâmega.
 

ARNÓIA: Freguesia muito antiga, desenvolveu-se em redor de um mosteiro beneditino, possivelmente fundado por D. Arnaldo Baião no ano de 995. Na igreja deste mosteiro encontra-se o túmulo medieval de Munio Moniz, a quem também é atribuída a sua fundação. São ainda de salientar o pelourinho, a coluna da forca e as Casas de Telhô, do Casal, de Travassinhos e de Arnóia. No limite poente da localidade, ergue-se o Castelo condal de Celorico, o Castelo de Moreira ou de Arnóia, também coevo da Reconquista.
 

ARÕES: Nesta freguesia rural, situada nas proximidades de Fafe, são de assinalar a Igreja de São Romão de Arões, de traça românica, do século Xlll (1237), como consta de uma inscrição gravada no tímpano da porta lateral sul. Na fachada principal abre-se uma porta cujo tímpano apresenta esculpido um Agnes Dei. O interior é coberto por um tecto de caixotões, com pinturas, do século XVlll. O arco triunfal tem arquivoltas quebradas, assentes em capitéis ordenados de motivos românicos (aves bebendo num vaso comum e animais devorantes), afins de outros de Rates. A obside, abobadada, é dividida ao meio por um arco sobre capitéis decorados. Os dois altares laterais ostentam talha do século XVlll. O autor anónimo da Igreja de São Romão, meteu-se também a pesquisador de etimologias toponímicas; e, não tendo em vista o método indispensável nesta ordem de investigações, escreveu: “ ... o local desse quase votivo foi escolhido junto de uma herdade a que chamavam Arões, por abundarem ali, espontaneamente nascidas, certas plantas com tal nome e que o cultivo útil do solo ainda não lograra exterminar” (Igreja de São Romão). Há efectivamente uma planta conhecida entre os cientistas por um nome parecido com esse. Pertence à família que Lineu (1707-1778) denominou de aráceas. Ao género arum estabelecido pelo mesmo Lineu em 1735, pertence a única espécie conhecida em Portugal, o arum Italicum de Mille: (1802-1856), com uma variedade, arum pictum, classificado pelo nosso Pereira Coutinho (1851-1939). O nome vulgar da planta agora cultivada como ornamental, é jarro; e foi esta palavra, vertida em grego, aron, pelos cientistas, que deu origem ao raríssimo aro, e ao arão ainda menos vulgar. Desta palavra só conheço a abonação que vem na última edição do Grande Dicionário de António Morais Silva, e essa mesma em forma de receita farmacológica: (... de féculas raízes de arão, a que chamam jarro, três onças ...), de Curvo Semedo – “Atalaia da Vida 72). E escusava-se de tanto palavreado. Bastava ter dito. A planta arão não podia Ter dado nome à terra de Arões, porque tem uma existência meramente artificial e erudita, e ainda assim só apareceu depois do século XVlll, ao passo que o Mandamento de Arones já é conhecido por esse nome ao menos desde o princípio do século Xl. Arões, de cuja etimologia tratei em primeira mão na Acção Católica , boletim da Arquidiocese de Braga, em 1948, não é nome exclusivamente de duas fraguesias do concelho de Fafe. Há uma freguesia assim chamada em Macieira de Cambra, e um lugar do mesmo nome em Mosteiró, concelho de Vila do Conde.
Ora, é sabido que as villas eram em geral designadas pelo nome do proprietário-organizador em genitivo, e conhecermos um magnate do século lX e X que pode muito bem ter sido, e foi com certeza, o fundador de villa oi “mandamento Arones” ou Aronis. Filho de Fernando e de mãe desconhecida, chama-se Erro em documentos que vão de 899 a 926; casou com Adosinda e foi avê de Hermenegildo Gonçalves, marido da celebérrima Mumadona Dias, fundadora do Mosteiro de Guimarães. Era além disso tio-avô paterno desta senhora, porque Fernando pai era Eros, era avô de Mumadona. Dado este parantesco e atenta a cronologia, é sem dúvida este Erro ilustre pai de Gundesindo – “Gundesindus Eroni” – que tem em 926 assinante como confirmante a escritura de Creixomil – “villa nominata Crexemir” – feita por Ramiro ll a Hermenegildo e Mumadona. O genitivo Eroni em vez de Eronis, ou melhor, ao lado de Eronis não surpreende ninguém, porque, como diz e mostra José Leite de Vasconcelos, na pág. 105 da Antroponímia Portuguesa, é encontradiço em nomes germânicos. É por isso que aparece Zendoni como genitivo de Zendo e Braolioni de Braolio. Demais estas anomalias levaram à duplicidade de nominativos na latinização destes nomes de origem gótica, donde aparecer Eronis ao lado de Erro e Mironis em vez de Miro. O antropónimo Erro aparece em muitos cartulários. No Livro Preto, vem no texto dum documento de 922, em que o rei Ordonho ll (914-924) faz doações generosas ao Bispo Gomado de Coimbra e ao Mosteiro de Crestuma. Fala este documento de várias terras entre Douro e Mondego, e por isso pode ser o Erro filho de Vimara – Erro Vimariz – aqui referido quem deu o próprio nome ao Arões de Macieira de Cambra. Era bom que isso se conseguisse provar, porque este antigo possessor parece filho de Vimara Peres, fundador de Guimarães, (Villa Vimaranis), e irmão de Lucídio Guimarães, citado na mesma carta de doação. O fundador e denominador de Arões de Mosteiró pode ser Eros, filho de Trutesindo, que em 946 assinou como testemunha um documento do Mosteiro de Moreira da Maia”. (Cónego Arlindo Ribeiro da Cunha).
 

BUCOS: Sede de freguesia que abrange as aldeias de Bucos, Vila Nova de Bucos e São Bartolomeu de Bucos, forma com elas um conjunto tipicamente serrano, de economia agro.- pastoril e costumes comunitários, como as vezeiras do gado, característico das terras próximas do Barroso. Bucos possui uma escola de jogo do pau e um intenso artesanato da lã.
 

CAVÊS: Esta freguesia, situada na margem direita do Tâmega, é sobretudo conhecida pela sua ponte, do século XVll, que liga esta região com Vila Pouca de Aguiar. É um monumento de granito com quatro arcos ligeiramente apontados. Três dos Pegões estão reforçados por talha-mares. A Igreja Matrix, de raiz românica, foi totalmente modificada, apenas subsistindo do primitivo estilo parte da arquitrave do coro. Camilo Castelo Branco visitou esta igreja em 1842 e a ela se refere num dos seus romances, bem como à Romaria de São Bartolomeu, que se realiza na capela da mesma invocação, que se ergue junto à ponte. Crê-se que a imagem de São Bartolomeu existente nesta capela tem o poder de esconjurar o Diabo. Perto, uma nascente de águas sulfurosas cura doenças da pele. Nas imediações existem várias pontes românicas sobre afluentes do Tâmega, no percurso da aniga Via Braga – Chaves.
 

FAFE: Vila de formação muito recente (1836), foi edificada ao gosto da 2ª metade do século XlX. A sua arquitectura apresenta fortes marcas dos “brasileiros de torna-viagem”, que ali construíram residências apalaçadas e investiram os seus capitais em fábricas de têxteis e no comércio, além da parte meramente filantrópica, representada pelo hospital, os asilos e o Passeio Público, original exemplar daquele tipo de jardim. Das notáveis construções existentes na vila salientam-se a Igreja Matriz de Santa Eulália (séculos XVlll e XlX), os Solares do Santo (século XVlll) e da Luz (séculos XVlll e seguinte). No monte de Santo Ovídio, próximo, existem as ruínas de um castro e ali foi encontrada uma estátua de guerreiro galaico, actualmente no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães.
 

GANDARELA: Lugar da freguesia de São Clemente, aqui se erguem a Casa da Gandarela, do século XVlll, brasonada e com jardim, e a antiga Casa de Arosa. Nos arredores pode admirar-se a Igreja de São Clemente, de raiz românica, muito modificada no século XVll. Também próximo de Gandarela, no monte do Ladário, subsistem as ruínas de uma povoação pré-romana.
 

MOREIRA do REI: Antigo couto pertencente à Colegiada de Santa Maria da Oliveira, de Guimarães, mantém-se uma freguesia predominantemente rural, com grandes e antigas casas de lavoura. Camilo Castelo Branco, na sua obra “O Morgado de Fafe em Lisboa”, retratou o conflito que, no século XlX, opôs o velho poder rural dos morgados de Moreira do Rei às novas ideias liberais dos “brasileiros” de Fafe. Na estrada de Moreira do Rei – Cabeceiras de Basto pode ainda observar-se o antigo local da forca (no Confurco).
 

PEDRAÇA: Nesta freguesia existiu o solar de D. Leonor de Alvim, mulher de D. Nuno Álvares Pereira. Numa bouça vizinha conservam-se vestígios do que se supõe ter sido um picadeiro onde o Condestável treinava os seus cavalos.
REFOGOS de BASTO: Esta freguesia desenvolveu-se em redor do Mosteiro de Refojos, de fundação muito antiga. Após a extinção das Ordens Religiosas, veio a ser o local da sede do concelho de Cabeceiras de Basto.
 

SANTA SENHORINHA de BASTO: Esta freguesia teve origem num pequeno mosteiro de fundação muito antiga (século X) e foi um importante centro de peregrinação durante a Idade Média. A igreja actual foi construída no século XVlll.
 

SÃO GENS: Situada na estrada Fafe – Basto, é uma antiga freguesia rural onde existiu um mosteiro do qual resta uma igreja com vestígios de antiga traça românica. No monte da Cividade existem ruínas que datam provavelmente da época da romanização. Até ao século XVl realizou-se em São Gens uma importante feira, posteriormente transferida para Fafe.

 

Cabeceiras de Basto


Mas a história do concelho perde-se no tempo. Apesar de da pouca informação existente sobre o seu primitivo povoamento, vários achados arqueológicos permitem dizer, com convicção, que Cabeceiras de Basto remonta a um período anterior a Cristo, nomeadamente a épocas pré-românicas, senão antes, pela existência de vestígios castrenses e construções dolménicas.
Também a arqueologia, nos desvenda outras informações através das ruínas do Mosteiro de St.ª Comba, onde se supõe terá existido, um tempo de vestais. Os objectos de cerâmica e inscrições achadas, as estátuas de guerreiros e as moedas de prata e bronze com as efígies de Augusto, Galliano e Constantino dão força á tese da existência da povoação no tempo dos romanos.
A própria etimologia de Cabeceiras de Basto, apesar de controversa, leva-nos a crer que o primeiro povo que deu o nome à região foram os Bastos (Bástulos ou bastianos) que, oriundos da Andaluzia, passaram por esta bela província de Entre Douro e Minho e fundaram uma cidade chamada Basto, que se localizava próxima do Mosteiro de Santa Senhorinha, cuja presença árabe nestas terras, se encarregou de destruir. Corria o ano de 711. Daí que, com Cabeceiras no sentido de cabeça destas antigas regiões e Basto de Bástulos, se explique a designação deste concelho
No entanto, entre o século XII e XVI, é praticamente inexistente a documentação escrita sobre Cabeceiras de Basto. Apesar de se tratar de uma povoação antiga, que gozava de grande prosperidade, como atesta o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, outrora o mais rico do Minho, só em 1514 é que Cabeceiras vê criado o concelho, por Foral de D. Manuel I. Foi, igualmente, um importante centro de peregrinação na Idade Média. Por este motivo a ele se associaram nomes de santos, nobres e guerreiros como são o caso de Santa Senhorinha de Basto, D. Pedro, D. Inês de Castro, D. Nuno Álvares Pereira, que aqui casou em 1376.
Aqui passaram, também, nomes de vulto ligados à literatura como Sá de Miranda com a obra “Carta a D. António Pereira”, senhor de Basto, Bernardim Ribeiro e Camilo Castelo Branco, com várias das suas obras a referirem Cabeceiras de Basto, nomeadamente, a “Bruxa de Monte Cordova” e “Noites de Lamego”.
De salientar também, a existência de vários locais cuja origem remonta à época pré-histórica. É o caso, e tal como comprova a arqueologia, dos vestígios encontrados na zona de Chacim e Outeirinho de Mouros, na freguesia de Refojos, em Formigueiro, na freguesia de Riodouro, e que constituem, um testemunho do tempo, de grande significado e importância histórica.
De referir também a existência de testemunhos da época medieval encontrados no Lugar de Eiró, freguesia de Riodouro, que tudo indica, e tendo em conta as suas características arquitectónico-construtivas, tratar-se de uma construção tipo "mota" da qual se encontram exemplos de extraordinária semelhança na região francesa da Bretanha, onde foram comuns no séc. XI e XII. Em Portugal deve ter sido ocupado durante o século XIII. Este tipo de construção, de grande valor histórico-cultural regional, pelos contextos sociais e históricos que evoca, traduz-se num excepcional exemplar de arquitectura senhorial fortificada, dos séculos centrais da Idade Média em Portugal.
Também o local pré-histórico de Lameiras Chãs, freguesia de Cabeceiras de Basto, concentra diversos vestígios de ocupação antiga, certamente correspondentes à pré-história, reveladores de uma distinta modalidade de apropriação e exploração do espaço.
Pelas suas características e pela diversidade funcional, e ainda pelos vestígios arqueológicos que aí se implantam, traduz-se num excelente exemplo de uma boa obra conjunta do ser humano e da natureza que se constitui de valor inegável para a compreensão humana da região durante a pré-história.
Já anteriormente referido, o povoado proto-histórico de Formigueiro, freguesia de Riodouro, é o único do género conhecido na Serra da Cabreira, tanto pela morfologia, como pela altitude em que se situa, bem como pela eventual associação, com evidências arqueológicas do tipo “megalítico”. Constitui assim um testemunho importante da ocupação antiga dos espaços serranos da região, com grande interesse etnográfico e paisagístico, onde persistem as características desde o tempo da fixação medieval.

 

A Lenda de Cabeceiras de Basto

O Império Visigodo não resistiu aos ataques dos Mouros comandados por Tarik. Espalhando o terror, estes avançaram “ávidos de glória”, através da Galiza. Os ecos dos seus ataques chegaram ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, mas não merecem crédito.
Bracara Augusta caiu também nas suas mãos. Então acreditaram e preparam-se para a defesa com uma centúria de servos e homens de armas, comandados por D. Gelmiro, o venerando abade do Mosteiro.
Hermígio Romarigues, parente do fundador do Mosteiro, era o guerreiro-monje que mais se destacava pelo seu porte avantajado de grandes e possantes membros e com o rosto retalhado por mil golpes das escaramuças passadas.
Postado junto à ponte que dava acesso ao Mosteiro, ao aproximar das tropas de Tarik estendeu a mão possante, Assegurando:
- Até ali, por S. Miguel, até ali, basto eu!"
E bastou! Três vezes arremeteram os mouros contra as débeis defesas do Mosteiro. Mas por três vezes foram repelidos pela espada de Hermígio Romarigues. A ponte sobre a ribeira ficou atulhada de corpos e os chefes infiéis tiveram de tratar com D. Gelmiro de igual para igual, gorando-se, deste modo, a suposta intenção de arrasarem o Mosteiro e decapitarem os monges.
Posteriormente o monge-guerreiro ter-se-á integrado no reduto cristão situado nas Astúrias, de onde irradiava já a Reconquista a partir de Covadonga, sob o comando de Pelágio.
Hermígio Romarigues “O Basto” foi imortalizado através da estátua que erigiram em sua homenagem, como reconhecimento pelos serviços prestados a El-Rei Pelágio.

 

 

 

 

Celorico de Basto – (Concelho de Braga)

 

 

 

 

 

Recebeu foral concedido por D. Manuel l, em 1520. Encontra-se nesta região um grande números de solares, dos quais se destacam: a Casa do Campos de Molares, do século XVll; a Casa da Boavista e a Casa do Outeiro, do século XVlll. O seu castelo fica situado num morro, é construído por uma torre quadrangular ligada a um recinto amuralhado poligonal. Conserva um portal de verga recta sem lavares. Foi possivelmente construído no século Xl, sobre fundamentos de uma fortificação anterior.

No século Xl existia no ermo de Arnóia um mosteiro beneditino, sob a protecção de um guerreiro de nome D. Múnio Moniz, senhor do Castelo que então se chamava talvez, o “Castelo dos Mouros”.

A terra era ainda no século XlV, tão escassa de moradores que o alcaide do castelo, Fernando Coutinho, requereu e obteve uma carta régia que concedia à terra o privilégio de “couto de homisidiados”. Na reinado de Filipe ll, a alcaidaria passou para a família dos Castros. João Pinto Ribeiro, um dos conspiradores de 1640, radicou-se em Arnóia.

Em 1719, a sede do concelho, que era em Arnóia, passou para o lugar de Freixieiro, hoje, oficialmente, Celorico de Basto.

Há quem diga que o nome de Celorico veio à terra da primitiva tribo dos celerinos.

 

 

 

 

 

Esposende – (Concelho e Distrito de Braga)

 

 

 

 

 

Povoação de grande importância a partir do século XVl, foi elevada à categoria de vila por D. Sebastião.

José Augusto Vieira, autor do “Minho Pitoresco”, escreve sobre Esposende: “Existe u quadro bíblico formoso, em que Susana, casta como o cetim nevado das camélias, entra no banho timidamente, sem suspeitar que a estão vendo. Pois esta impressão casta de Frescura, essa tímida cor modesta encastoada no azul, sente-a quem pela vez primeira surpreende a deliciosa filha do Cavado, sorrindo para o seu eterno e ciumento noivo – o mar”.

Diversos documentos da mais alta antiguidade se referem a Esposende. Até que na era dos Descobrimentos aparece já como aglomerado demográfico bastante para ser elevado à categoria de vila (1572).

Segundo, Xavier Fernandes, em Topónimos e Gentílicos (1944): “ A origem deste topónimo é germânico, em que a segunda sílaba deve ler-se “pó”, e não “pu”, por ser a vogal resultante da contracção de “oo”. A evolução do étimo foi “Spanusindi , Spãosende e Spoosende”, parecendo que a segunda forma é apenas deduzida e não documentada.

Na província espanhola de Orense também existe a designação toponímica, e em Portugal, no concelho de Marco de Canaveses, aparece como topónimo o plural aparente Esposendes, que é de facto um patronímico de Esposende”.

 

Esposende 
Esposende, antiga estação naval, fortaleza marítima, estaleiros medievais, aparece-nos nas inquirições de 1258 como povoação «Esposendi», e pertencente à Freguesia de S.Miguel de Cepães. No séc.XVI, já D.Frei Bartolomeu dos Mártires reconhecia o seu interesse pastoral (1560) e D.Sebastião dota aquela «pobra» de pescadores como Vila, em 19 de Agosto 1572 através da Carta Régia.

Carta Régia de D.Sebastião 
 
«Dom Sebastião ...
Faço saber aos que esta carta virem que os moradores do lugar d'Esposende, termo da vila de Barcelos me fizeram a pitição de que o tres llado he o seguinte:
Dizem os moradores do lugar d'Esposende termo da villa de Barçellos tera e jurdição do Duque de Bragança que no dito lugar ha trezentos e setenta pera quatrocentos vizinhos juntos e arruados e muyto nobre de casaryas gente rryca e abastada e a mayor parte della do serviço de Vossa Alteza por ser porto de mar, e que ha setenta pera oytenta naujos grandes e mujtos pilotos e homens do mar de contino con elles servem A Vossa Alteza em o qual lugar por ser tão nobre tem Vossa Alteza allfandega e offjciais della e sendo tal não ha nelle escryuão nem taballjão nem outro allguu official de justiça pera aver de fazer aos moradores delle salluo os da dita villa de Barçellos que he duas legoas mujto grandes do dito lugar em cujo termo ha passante de vinte mil fogos a que comodamente se não pode dar despacho por rrezão de todos estarem debaixo de hua so judicatura e por elles sopricantes serem homens do mar e terem suas nevega çõis não podem ir a ditta Villa rrequerer suas justiças antes mujtas vezes a deixão perder pellas quais ja vosso avó que esta em glloria foy jnformado deste lugar em tempo que não era tão nobre como agora nem estaua tanto arrisquo de ser saqueado como ora por os mujtos cosayros do mar que facilmente o podem fazer sem contradição allgua por fallta de justiça que nelle não rresjde pera aver de constranger a gente com a presteza e penas que pera tal caso he necessajo e ocorer a outros muitos desagujsados que cada dia no dito lugar soçedem lhes tjnha fejto merçe de os fazer villa e sendo despachada a pitição pera se fazer a proujsão moreo o procurador do dito lugar e perdeo se a dita pitição e por que tão bem Vossa Alteza jnformado do dito lugar ser tão grande e nobre lhes fez merçe de s'apartar sobre si nas rrepartiçõis das sjsas da dita Villa de Barçellos e asj lhe fez merçe da jmpossição pera a jgreja do dito lugar pedem a Vossa Alteza que avendo rrespeito a todo o acima aja por bem fazer lhes merçe de os fazer villa dando lhes termo conueniente com que se posão socorer e governar porque desta maneira Vossa Alteza sera milhor seruydo e o pouo menos avexado e opremjdo e rreceberam merçe E visto seu rrequerymento antes de outro despacho mandey ao provedor da comarca e provedorya da Villa de Viana Foz de Lyma que de jnformase do contiudo na dita pitição e soubesse quantos vizinhos no dito lugar avia e a callydade delles e quantos nauyos tinha e a distancia que avia do dito lugar a dita villa de Barçellos e que fizesse dar a vista da dita pytição ao procurador do Duque de Bragança meu muyto amado e prezado sobrinho cujo he o dito lugar e que ouvjse acerqua disso os officiaes da camara da villa de Barçellos e que de tudo achasse e hus e outros disesem fizesem fazer autos e me enujase o tresllado delles autentico e me escrevese seu pareçcer acerqua do que os moradores do dito lugar d'Esposende pidião ao que foj pello dito prouedor satisfeyto e me enuyou os ditos autos e eu os mandey ver pellos desembargadores do paço que delles me deram jnformação e consta pellos ditos autos aver duas legoas grandes do dito lugar d'Esposende a dita Villa de Barçellos e aver nelle trezentos e setenta vizinhos mareantes e ter sessenta e quatro nauyos d'allto bordo a que chamão carauellas e se mostram mais pellos ditos autos serem ouuydos sobre este caso os offiçiaes da camara da dita Villa de Barçelos e rrequerem ao dito prouedor que tomasse jnformação dos oradores do lugar de Fão e das freguesjas conjuntas a Esposende por que dellas era o prejuiza fazerse o dito lugar Villa e que serya grande deminujção de Barçellos apartarse e jsentarse delle Esposende e que o dito lugar avia muyto poucas causas e negocios e lhe abastaua o juiz que tem com a justiça da dita villa e que não avia gente para se governar por andar sempre sobre mar e que fazendose Villa era necessaryo fazerem-se despesas pera as quais o pouo ao presente não era poderoso a asj se vio a carta e jnformação do dito prouedor em que diz que seu parecer he que o dito lugar se deue fazer villa por muyta avexação que os moradores delle rreçebem em jrem rrequerer seus negoçios de justiça a dita villa de Barçellos onde as cousas e demandas do termo erão tantas que se não compadecião por passar de dezojte mil vizinhos a que comodamente se não podia dar aviamento e que pera mais justifficação se deuya de tomar o parecer de Dom Pedro da Cunha do meu conselho e presydente d'allçada que la andara ao qual mandey mostrar os ditos autose a carta do dito provedor e por seu asjnado declarou que pello que tinha visto do dito lugar d'Esposende onde estivera com a allçada lhe parecia por mujtas rrezois que eu lhe deuya de conçeder a merçe que me pidia e o deuja de fazer villa e contudo mandey que o procurador que o Duque tem em minha corte ouuese a vista da pitição que os moradores do dito lugar sobre este caso me fizeram e rrespondeo por sua parte o que fazya a bem de sua justiça o que todo visto avendo rrespeito as causas e rrezois allegadas e a dilljgencia sobre este caso fejta ey por bem e me praz de fazer villa o dito lugar d'Esposende e que o que d'aquy em diante pera sempre se posa chamar e chame Villa d'Esposende e a tiro e aparto de qualquer sogeição e suprjorjdade que a dita villa de Barçellos nelle tem sem embargo de quaisquer priuilégios e posse que em contrario aja por quanto pelos ditos rrespejtos e por lhe fazer merçe o ej asj por bem e lhe dou por termo deta maneira de mea legoa em circuyto a saber: D'Esposende pera a parte Norte ate São Bertollameu do Mar e dahj direito a Villa Chã e Samcroj e Gemeses e dahj ate o Rio Cabado no quel ljmite de mea legoa a seis freguesias que tem seteçentos vezinhos e esta merçe que asy faço a dita vila d'Esposende não perjudicará em cousa allgua as doaçõis do Duque nem ao allcayde mor da villa de Barçellos e o dito allcayde mor tera na dita villa d'Esposende os direitos que ate ora teve E mandoaos meus desembargadores coregedores juizes justiças officiaes e pessoas a que o conhecimento disto pertençer que em todo cumpram e guardem esta carta como se nella comtem a quall se rregistará no Livro da Chancelarja da Camara da villa de Viana Foz de Lima e no Livro da Camara da dita Villa de Barçellos e da dita Villa d'Esposende e esta propria se tera no cartoryo della em boa guarda qual por firmeza disso lhe mandej passar per mjm asjnada e asellada do meu sello de chumbo.

Balltasar Ferraz a fez em Lisboa a XIX (19) dias do mes d'Agosto anno do nascimento de Nosso Senhor Jhesu Christo de JbcLXXIJ (1572) Fernão da Costa o fez escrever
Conçertada António d'Aguiar»


O Concelho de Esposende situa-se no Norte de Portugal, no Minho, pertencendo ao Distrito de Braga. Deste distrito, com 13 concelhos, é o único com território litoral. Limitam-no a Norte o concelho de Viana do Castelo, a Sul o da Póvoa de Varzim, e a Nascente o de Barcelos. O Oceano Atlântico banha-o a Poente numa extensão aproximada de 14 Km. O seu território estende-se por uma área de 95,18 Km2, representando 3,41% da área total do Distrito de Braga. É atravessado pelos rios Cávado, mais a Sul, e pelo Neiva a Norte.
História
A maior parte dos povoados do concelho, cujo povoamento remonta aos tempos pré-históricos, tem a sua origem ligada ao aproveitamento agrícola dos campos, pesca e recolha de plantas marinhas. Admite-se que Fão seja de origem celta e tenha constituído uma grande cidade e um importante porto no tempo do domínio romano. Apúlia parece ter origem romana (o seu núcleo litoral nasceu com o aproveitamento dos terrenos arenosos e com a pesca), da mesma forma que se aponta como possível que na sede do concelho/ Esposende, vila desde 1572, tenha havido um povoado romano. Sinais de salinas, da época medieval, foram encontrados na foz do Neiva e em S.Bartolomeu do Mar.
Turismo
O Concelho de Esposende possui um rico património que reúne alminhas, igrejas, moinhos de vento, castros, azenhas, casas solarengas, um passado de arte que convida a descobrir. Para além de um conjunto assinalável de monumentos que nos conduzem desde épocas pré-históricas até aos confins da Idade Média, é a partir do séculos XVI, com forte incidência na era setecentista, que Esposende vê o seu território ocupado por belos e interessantes monumentos representativos do nosso património civil, militar e religioso. São sinal de uma pujança económica cuja base representa a caminhada farta do ouro do Brasil que em grande parte transformou a paisagem concelhia.

 

 

 

 

Fafe – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

A origem do topónimo está provavelmente ligada a D. Egas Fafe, prócere desta região na época remota da Reconquista. Contudo, Fafe é uma povoação relativamente recente, pois o primeiro documento que a ela se refere está datado de 1836.

Vila situada na vizinhança das três nascentes do Rio Vizela e da linha divisória das Terras de Basto.

É povoação relativamente moderna que, pelo topónimo, se pressupõe provir da estirpe proto-medieva de Egas Fafe. Mas há quem afirme que a origem do nome do concelho talvez esteja ligada à família de D. Fafe Sarrazim, conde de Lanhoso.

O primeiro documento conhecido, que existe na Câmara Municipal e no qual se alude a Fafe, é de 8 de Fevereiro de 1836, não se sabendo ao certo a que data em que o concelho mudou de nome, pois a antiga cabeça do concelho era Moreira de Rei.

Nas faldas de uma pequena colina, a nascente, onde, desde p século XVlll, existe uma capela votiva dedicada a Santo Ovídio, encontram-se as ruínas de uma cividade castreja, bastante semelhante à citânia de Briteiros. Além das mais variadas peças de arqueologia, apareceu aqui a estátua sepulcral de um guerreiro lusitano, adquirida em 1878 pela sociedade de Martins Sarmento. É de granito, mutilada. Completa devia medir cerca de dois metros e sessenta, é muito idêntica à do “Basto”, de Cabeceiras de Basto, à aparecida em São Paio de Meixedo e em esposição em Viana do Castelo, e uma outra que existe em Portalegre e recolhida no Museu Etnográfico de Lisboa.

 

Fafe

 

Fafe é uma jovem cidade do Minho, mas com origens antigas. Por aqui andaram povos como os Lusitanos e os Romanos que deixaram marcas consideráveis, hoje pontos atractivos aos visitantes.
Fafe é uma terra, pequena, mas com valor, pois possui inúmeros monumentos e agradáveis espaços verdes.
            Fafe é também conhecida pelo lema “ Com Fafe ninguém fanfe”, lema esse que apareceu quando, há muitos anos atrás, se fez justiça a favor do Visconde Moreira de Rei. Nesse tempo, como agora, o lema provoca um sorriso de simpatia por todos os fafenses. Talvez por isso e por ser uma pequena cidade que tão bem acolhe os visitantes, Fafe foi e ainda é considerada a SALA DE VISITAS DO MINHO
           Fafe é uma cidade recente, mas que, como povoação, existe desde o Séc. XIII, sendo apenas uma freguesia do conselho de Montelongo o qual recebeu o foral do Rei D. Manuel em 5 de Novembro de 1513. Esta freguesia desde muito cedo, iniciou o seu desenvolvimento. Assim em 1836 torna-se sede de conselho e quatro anos mais tarde sobe à categoria de Vila, tomando para designação o nome Fafe em desfavor do nome Montelongo. Este Topónimo surge como que por homenagem às duas famílias mais poderosas da região ( Egas Fafe e Dom Fafes Serafins).
          É nesta altura, com cerca de 10.282 habitantes que Fafe começa o seu verdadeiro desenvolvimento. Durante o próximo século a sua população aumenta. Torna-se uma Vila que vive à base da indústria têxtil, da agricultura e dos serviços. Em 1980 já tinha 48.000 habitantes, 36 freguesias e era uma Vila bastante desenvolvida. Passando então, por mérito próprio à categoria de Cidade.
         O continuado desenvolvimento da cidade deve-se aos autarcas, como também à sua população, visto ser esta uma das principais responsáveis por toda a evolução da nossa terra pois sempre se preocupou em trabalhar quer na agricultura ( no seu inicio), quer nos outros ramos, indústria e comercio (mais recentemente ) para que a nossa terra enriquecesse tanto a nível financeiro, como a nível cultural.
         Fafe é agora uma terra relativamente desenvolvida, mas que tem na memória o seu passado e as suas origens. 
Localização geográfica:
         Fafe é uma das cidades da província do Minho, do distrito e arquidiocese de Braga e situa-se a 32 Km a este da Capital de Distrito.
      O conselho de Fafe possui uma área de 216,72 Km2 aproximadamente, de que fazem parte 36 freguesias, às quais se encontram circundadas pelos conselhos de Cabeceiras e Celorico de Basto, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Felgueiras  e Vieira do Minho.
        Fafe situa-se num vale entre a Serra da Lameira, os Montes da Penha e outras montanhas. Numa vista aérea destacam-se três rios ladeados por arvoredo e que se espreguiçam pela periferia da cidade. São eles o Rio Ferro que tem a sua nascente para o lado de Moreira de Rei, o Rio do Bugio que inicia o seu percurso para os lados de S. Gens e o Rio Vizela que acolhe os outros dois e desagua no Rio Ave.
Ainda recentemente o Rio Vizela foi enriquecido com uma Barragem na freguesia de Queimadela, podendo proporcionar aos visitantes o agradável sossego e frescura de uma praia fluvial ladeada pela verdura da natureza. 
Monumentos históricos
O concelho de Fafe possui alguns monumentos históricos, deixados pelos primeiros povos que por aqui passaram, tais como a civilização castreja de que é testemunho o castro de S. to Ovídeo onde podemos ver vestígios das suas construções, e onde foi encontrada a estátua de um guerreiro Galaico, actualmente exposto no Museu Martins Sarmento em Guimarães.
Existem ainda duas igrejas de estilo Românico apesar de se encontrarem já bastante adulteradas, são elas a Igreja Românica de Arões, construída no séc.XIII e a Igreja de S. Gens que é o que resta de um antigo Mosteiro de traça Românica.
 Existem ainda residências apalaçadas de arquitectura com fortes marcas brasileiras, uma vez que foram construídas por “ brasileiros de torna – viagem “ como forma de investir os seus capitais.
Nestas arquitecturas é de salientar a Igreja Matriz de S. ta   Eulália (séc. XVIII-XIX ), o Solar do Santo Velho (séc. XVIII), o Solar da Luz (séc. XVIII-XIX) e o Teatro- Cinema construído em 1923 que apresenta uma bela fachada pintada.
Lendas e tradições
 A Justiça de Fafe 

 A Justiça de Fafe “ é o símbolo que mais caracteriza a cidade. Falar de Fafe, para muitos, é falar da “ Terra da Justiça” e consequentemente da lenda “ Com Fafe Ninguém Fanfe “. pelo nosso Portugal fora, Fafe é conhecido principalmente pela imagem da Justiça e pelo lema que a ela está associado, marcando assim os seus habitantes.
Contam as pessoas mais antigas que esta tradição surgiu quando nas Cortes do Reino, um Visconde de Moreira de Rei se atrasou para uma sessão e ao chegar um Fidalgo que assistia o insultou, julgando-o um vilão. No momento o Visconde ignorou os insultos, mas no final da sessão, o Fidalgo continuou a censurá-lo, atirando-lhe as luvas à cara. Então ajustou--se um duelo, na qual o Visconde é que escolhia as armas. Marcou-se o dia, a hora e o local.
        De acordo com o combinado, apareceram todos e constatou-se que a arma era um pau de marmeleiro. Visto que o Fidalgo não sabia muito bem manejar o pau num duelo, o Visconde deu a primeira paulada. A assistência, vendo tal “ palhaçada”, pois o Fidalgo limitou-se a defender-se, o que fez com que todos se desatassem às gargalhadas, proclamando “ Viva a Justiça de Fafe e com Fafe Ninguém Fanfe”.
Explica-se assim o aparecimento da nossa mais conhecida lenda, da qual não se sabe a data, mas orgulhou e orgulha os habitantes desta Terra.

 

 

 

 

 

Guimarães – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 


Apontamento de do ano de 1900:
“Guimarães é cidade do Minho, e cabeça de concelho. Fica entre os rios Ave e Vizela, com 9.100 habitantes e é servida pelos caminhos de ferro de Guimarães. Tem notáveis edifícios e indústria de cutelaria e de tecidos de linho. Ali nasceu o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques e também Santo Damaso. O concelho tem 79 freguesias e 54.750 habitantes”.
Possível origem do nome:
Guimarães é cidade e sede de concelho do Distrito de Braga e da Província do Minho. São variadíssimas as fontes etimológicas que diversos autores atribuem ao nome da cidade. Entretanto, a mais natural e é a que o supõe a corrupção do termo Vimaranes, nome da antiquíssima povoação, existente num lugar próximo, ou no mesmo lugar onde hoje assenta a importante cidade do Minho, émula a muitos respeitos da sua vizinha Braga. Este mesmo nome de Vimmaranes tem duvidosa origem, portanto uns supõem dado por Vimarano, chefe celta ou galo-celta. Outros por um conde também assim chamado, que no tempo dos godos governava a região de Entre Douro e Minho; e outros ainda por Vimarano, irmão do rei godo D. Fruela, que imperou no século Vll da era cristã.
O seu altaneiro castelo o que se atribui o nascimento da Fundação de Portugal, cuja construção se deve a várias épocas, provavelmente desde o tempo do Conde D. Henrique até ao de D. João l “ o Boa Memória” substitui uma outra fortificação anterior, provavelmente feita de madeira, mandado edificar pela condessa Mumadona no século X e que fora destruída por normandos ou mouros.
Actualmente ainda se pode ver no castelo a sua torre de menagem de 27 metros de altura no centro, rodeada por muralhas em que se abrem três torres defensivas, bem como as ruínas da alcáçova, do século XlV.
Mais abaixo, fica a Igreja de São Miguel do Castelo, estilo românico. De pequenas dimensão, construída por uma só nave e cabeceira rectangular, a sua construção é atribuída ao século Xll.
No seu interior existe uma pia baptismal que a tradição celebrou como aquela em que D. Afonso Henriques foi baptizado.
Não há dúvida é que Guimarães é de fundação anterior à Monarquia e é considerada berço da Nacionalidade Portuguesa, por aqui ter nascido D. Afonso Henriques.
Segundo alguns autores, recebeu o primeiro foral em 1111, concedido pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, confirmado em 1128 por sua mulher, D. Teresa. Em 1254, D. Afonso lll outorgou-lhe novo foral e aumentou-lhe os privilégios, o qual foi confirmado e renovado em 1517 por D. Manuel l. Em 1853, em pleno reinado de D. Maria ll, foi elevada à categoria de cidade.
Guimarães foi cenário de várias Cortes, e é da tradição que as primeiras aqui realizadas, em 1093, onde foi decidido entregar o Governo do Condado Portucalense ao Conde D. Henrique.
Muitas vezes apontada pela designação de “berço da nacionalidade portuguesa”, como honorífica autonomásia de terra materna do primeiro rei português, Guimarães prende a atenção do turista pela singularidade da sua fisionomia de cidade antiga, coroada pelo venerando roqueiro afonsino (dos mais perfeitos que a Península Ibérica possui) e de cidade actual, com enorme fulcro industrial e comercial.
Em épocas muito anteriores à vinda dos Romanos, a região era já bastante povoada, tal como o comprovam os vestígios da vida originária existentes nos montes da Penha, Polvoeira, Briteiros, Sabroso, etc.
Foi no século X e em consequência das sucessivas razias mouriscas e de bandos Normandos que se teria determinado a construção do castelo de Vimaranes, obra promovida pela condessa Mumadona, viúva do Conde Hermenegildo Mendes.
Foi em Guimarães, na alcáçova do castelo ou no paço, vizinho do castelo, que nasceu D. Afonso Henriques. Estava na primeira meninice quando seu pai morreu em Astorga. De modo que os negócios do Condado passaram a ser geridos pela condessa D. Teresa, tendo o infante sido confiado ao poderoso cavaleiro Egas Moniz que o educou e preparou para a lides da guerra nas suas terras de Riba Douro, em Paços de Sousa, Cárquere, Resende e Tarouca.
Aos 14 anos, o Infante (mais tarde o primeiro rei), arma-se cavaleiro pelas suas próprias mãos, na catedral de Zamora ( Galiza – Espanha). Até que depois de vários acontecimentos bélicos, se dá o combate de São Mamede em que D. Afonso Henriques derrota os partidários de D. Teresa, sua mãe.
Foi após a Batalha de Ourique que D. Afonso Henriques instituiu a chamada “Colegiada da Igreja de Santa Maria de Oliveira”, qual faria parte uma das maiores figuras do pensamento escolástico europeu do século Xlll, Pedro Julião (ou Pedro Hispânico), mais tarde Papa João xxi, o único pontífice português que a História da Igreja católica apostólica romana regista.
A história de Guimarães é a própria história de Portugal durante os primeiros reinados.
Mais tarde e após a vitória da Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), D. João l cumpriu a sua promessa, entrando na antiga vila descalço e entregando na “colegiada” parte de sua armadura de combate, o altar de prata ganho na batalha, e dando começo às grandes obras de ampliação do templo.
Guimarães foi elevada à categoria de cidade em 21 de Junho de 1853, e nela ainda poderá encontrar:
MURALHAS MEDIEVAIS: Guimarães foi cingida por uma cerca amuralhada mandada construir por D. Dinis. O penoso e custoso cerco que D. João l fez à então vila, logo após as Cortes de Coimbra (Curia), para tentar submeter o alcaide partidário do rei castelhano, pôs bem à prova o seu poder defensivo.
O GÓTICO E
O BARROCO: no centro e a caminho da Igreja de S. Francisco, depara-se-nos anorte uma fachada corrida de casas do século XlX que até ao Toural se desenvolve numa sequência cheia de ritmo e harmonia, com suas cantarias, azulejos e algumas estatuetas de cerâmica. Na Igreja de São Francisco somos postos perante a presença fortíssima de duas épocas: a gótica e a barroca. De facto, embora noutras ocasiões se tenham feito obras no convento -
nomeadamente nos séculos XVl e seguinte - na igreja são estas as que mais avultam, a primeira na estrutura da capela-mor, a segunda nos azulejos e talhas. A sacristia e o claustro, com as salas do capítulo, merecem uma visita, bem como a Capela da Ordem de São Francisco. As traseiras da Ordem de São Francisco dão já para a zona da cidade que até muitos vimaranenses desconhecem - a zona dos curtumes, junto ao rio dos Couros, até há poucos anos centro de intenso labor da curtimenta das peles, cujo cheiro pouco agradável afastava as pessoas.
Com os antigos edifícios fabris abandonados e eu ruínas ou reutilizados para novas indústrias, os pelames transformados em lixeiras e o saneamento por fazer, tem sido difícil sobrepor a estes aspectos o valor histórico e estético que este conjunto de facto tem.
Ao longo da Rua de Camões, vamos encontrando algumas das mais bonitas varandas de torneados, especialmente um grupo ao fundo e à esquerda, quase em frente da Igreja das Dominicanas, esta bastante desfigurada com o “descasque” de que foi vítima durante as últimas obras. Ao cimo da Rua de D. João l, com uma série de interessantes casas de várias épocas, muito estragadas quer pelo tempo, quer pelos restauros, surgem a Igreja de São Domingos, gótica, e o edifício barroco da Ordem Terceira, da mesma invocação.
No Toural entramos na zona de grande movimento comercial, com as fachadas dos séculos XVlll e seguinte. Pela Porta da Vila passa-se à Rua da Rainha, que faz a ligação com o Largo da Oliveira e continua a ser também uma artéria de comércio, aliás desde há longos anos, como o indica o seu anterior topónimo - Rua Nova dos Mercadores. A ela vão dar algumas travessas muito características. A caminho da Oliveira passa-se pelo Largo da Misericórdia, com a sua igreja, e vê em seguida a Casa (barroca) dos Lobos Machados.
Também do Toural parte outra rua comercial e quase toda do século XlX a Rua de Santo António, que, como a Rua Paio Galvão, liga o centro às Estradas de Braga e Famalicão e à zona do Estádio Municipal, junto do qual se realiza a feira todas as sextas feiras. Se do Toural descermos a Rua D. João l, encontramos no fundo desta o Cruzeiro dos Pombais, ou de D. João l, que a tradição indica como local de início da peregrinação de agradecimento feita por aquele rei depois da Batalha de Aljubarrota até ao outro cruzeiro existente junto à Igreja da Oliveira.
Não podemos deixar ainda de referir um outro ponto de grande interesse para quem visite esta cidade. À esquerda deste cruzeiro e ao cimo da Rua das Lameiras, antes da mata do Costeado, existe ainda a última oficina de oleiro desta zona, tradicionalmente ocupada pelos fabricantes quer de louça comum, quer das célebres cantarinhas de prendas. Actualmente, já ninguém trabalha neste ofício, mas o conjunto formado pela casa onde está instalada a oficina e os seus fornos e um grupo de habitações e antigas oficinas mais acima é não só um testemunho de um tipo de vida que aqui se desenvolveu, como mais um dos monumentos a acrescentar ao grupo dos três da “colina sagrada”.
Guimarães e Famalicão são dois dos concelhos mais industrializados de Portugal. Ligados por uma estrada coalhada de importantes fábricas têxteis, têm outras de grande importância no domínio das cutelarias, couros, etc. Concretamente, parece ter existido em Vizela a primeira fábrica de papel da Europa. Rio de Couros, ainda dentro de Guimarães, foi importantíssimo centro de tratamento de peles, hoje em ruínas, mas, felizmente, classificado já como imóvel de interesse público, tornando-se assim o primeiro complexo industrial de Portugal merecedor de tal distinção. Em Santiago da Cruz (Famalicão) existe a maior fábrica têxtil de Portugal. Esta predominância tão forte do sector terciário não invalida um concreto tratamento agrícola dos campos( milho, vinho, batata e feijão), um cuidado muito especial na doçaria e uma forte alegria de vida, traduzível em múltiplas festas e romarias de intenso colorido e vibração.
A Província do Minho, onde Guimarães está inserida, é considerada o “Jardim de Portugal” tal as suas belezas naturais.
Tem lindas quintas típicas quintas que são construídas sobre uma base, a toda a largura do edifício, destinada às adegas, onde a uva era, e em muitos casos ainda é pisada e o vinho amadurecido em grandes pipas. Esta é também a configuração da Quinta da Casa de Sezim, que fica situada a poucos quilómetros da bela e laboriosa cidade histórica de Guimarães. Na parte frontal do jardim, onde é visível por o terreno por o terreno ficar mais baixo. A todo o comprimento da casa existe uma varanda larga e comprida, com elegantes colunas e balaustradas em ferro, conferindo-lhe um aspecto colonial distinto. A varanda dá para um jardim formal, de canteiros de buxo, enquanto nos terraços inferiores existem caminhos abrigados da luz do sol através de pérgolas em arco, rodeadas de pereiras.
Uma visita a Guimarães ficaria incompleta sem uma visita a esta preciosidade, que, à medida que nos aproximamos a casa vai-se tornando visível a meio caminho da encosta de um monte. As suas linhas alongadas e os telhados baixos conferem-lhe uma escala simples. Os muros baixos que cercam a propriedade estão cobertos por cascatas de mimosas que nesta região nasce por toda a parte. Conforme vamos subindo por um caminho sinuoso, ao qual largas bermas dão aparência de ampla avenida, desvela-se pouco a pouco, a fisionomia da casa.
Neste trabalho foram referidas algumas figuras históricas:

EGAS MONIZ: Fidalgo português e aio de D. Afonso Henriques. Deu a sua honrada palavra como D. Afonso Henriques lhe prestaria vassalagem, quando este cercou Guimarães. Como o rei português não cumpriu a promessa, Egas Moniz descalço e de corda ao pescoço, seguido pela mulher e pelos filhos, partiu para Toledo onde se encontrava Afonso Vll de Leão e Castela, para ele o justiçar. Ao ver tanta grandeza de carácter, Afonso Vll mandou-o em paz.
D. Afonso Henriques - D. Dinis
D. João l : já referidos noutros trabalhos.

 

 

 

 

Póvoa de Lanhoso – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

 

 

Recebeu foral de D. Dinis em 1292, renovado por D. Manuel l, em 1514. Este concelho está ligado à figura, real ou lendária, de Maria da Fonte, símbolo das lutas da época do liberalismo (1848).

Vila de raiz medieval, ultimamente ligada à evolução de um dos momentos históricos mais decisivos da formação da nacionalidade portuguesa.

Nos flancos do íngreme penhasco sobre o qual assenta o possante castelo roqueiro, há ainda vestígios de habitações castrejas pré-históricas. O castelo devia ser já muito importante nos princípios do século Xll, pois nele se refugiou e se defendeu a rainha D. Teresa de uma tentativa de aprisionamento que a rainha D. Urraca, sua irmã, lhe moveu, acompanhada do famoso bispo de São Tiago, D. Gelmires. Em dado momento, o bispo abandonou o cerco, acompanhado da sua hoste e a rainha de Castela teve de desistir do intento, compondo-se com a condessa portucalense (pacto de Lanhoso).

Algum tempo depois, o castelo voltou a ser sitiado (1126). Desta vez o imperador das Espanhas, Afonso lll, que procurava submeter a “pulcherrima Regina”, sua tia, aliada à estirpe poderosa dos Travas. Daí resultou nova composição, associada à que, em Guimarães, foi negociada e obtida por Egas Moniz.

A confusa rebelião popular usualmente conhecida pelo nome de Revolução da Maria da Fonte, eclodiu no concelho de Póvoa de Lanhoso, na freguesia de Fonte Arcada, no primavera de 1846.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos: “ O nome Póvoa, de origem latina e que já existia na linguagem antiga, é comuníssimo na toponímia portuguesa … e significa etimologicamente “pequena povoação”. Completou-se a designação Póvoa de Lanhoso, com o nome da antiquíssima povoação Lanhoso, cujo histórico castelo é sempre citado ao descrever-se a vida de D. Teresa, mãe do nosso primeiro rei”.

 

Póvoa de Lanhoso 

O Castelo de Lanhoso é a principal referência histórica e um dos ex-libris do concelho. Este castelo teve importância na fundação da nacionalidade, tendo sido um baluarte da Reconquista cristã. Nele se refugiou D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, dos exércitos de sua irmã D. Urraca que acaba por o cercar mas, perante a impossibilidade de o tomar, chega a um entendimento, assinando o Tratado de Lanhoso, acontecimento de grande importância para a fundação de Portugal.
Nas últimas décadas do Século XII, o Castelo de Lanhoso volta a ser falado devido a um episódio de infidelidade conjugal por parte de D. Inês Sanches, esposa de D. Rodrigo Gonçalves Pereira. Este, convencido da infidelidade da esposa, manda incendiar o castelo queimado a esposa e o seu cúmplice e todos os que haviam coniventes com a situação.
Em 1292 é criado o concelho das Terras de Lanhoso por D. Dinis que lhe atribui foral e em 1514, o concelho de Lanhoso recebe nova carta de foral, de D. Manuel I, reformando o anterior.
Outra grande marca da história da Póvoa de Lanhoso é a Revolta da Maria da Fonte em 1846. Trata-se de um acontecimento histórico, de cariz popular, que se iniciou neste concelho, tendo abrangido todo o pais num movimento de contestação ao governo dos Cabrais.

 

História Castelo de Lanhoso:

A sua história está envolta em alguma controvérsia, logo no que respeita à sua fundação. Não existindo documentos que atestem inequivocamente a sua edificação, e sendo o actual espaço existente o resultado da intervenção promovida pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais durante no 2.º quartel do século XX, que respeitando os elementos essenciais da sua traça marcadamente românica, os vestígios ali encontrados levam-nos, no entanto, a estabelecer uma datação algo mais recuada.
Na década de 30 foram postos a descoberto elementos comprovativos da ocupação do local onde hoje vislumbramos o Castelo de Lanhoso, de períodos bem mais recuados no tempo, nomeadamente associados às Culturas Castrejas.
Da época da Romanização também são vastos os vestígios, nomeadamente o relato de Pinho Leal, segundo o qual ali existira uma epígrafe que remeteria a sua edificação para o ano 75 da nossa era "CRASTINUS ÆDIFICAVIT".
Uma outra epígrafe que foi já objecto de diversos desdobramentos, por diversos especialistas, que atribuíam responsabilidades na sua edificação quer a D. Teresa, quer ao Bispo D. Pedro (Como o faz Carlos Alberto Ferreira de Almeida na sua "Castelogia Medieval de Entre Douro - e - Minho".
O Castelo de Lanhoso, pela sua localização estratégica no controlo dos importantes cursos de água que eram o Rio Ave e o Rio Cávado, e no último caso importância reforçada pela passagem das vias romanas que de Braga ligavam à Galiza (Caminhos de Santiago) foi objecto de grandes disputas no seu domínio.
Uma das figuras que se liga particularmente à sua História é a mãe de D. Afonso Henriques, o nosso primeiro Rei, D. Teresa. A si estão associados importantes momentos da nossa história comum, a história de Portugal, nomeadamente ao denominado Tratado de Lanhoso celebrado entre D. Teresa e D. Urraca. É também no Castelo de Lanhoso que D. Teresa passa importantes momentos da sua vida, e muito concretamente aquando da sua derrota na Batalha de S. Mamede, de onde decorre a lenda do chamado "Pecado Original", quando D. Afonso Henriques aprisiona sua mãe neste Castelo de Lanhoso.
"Um dos mais obscuros obreiros na causa da independência de Portugal"
Damião Peres
Castelo de Lanhoso - Monumento Nacional, classificado por Decreto de 16.06.1910.
Datado do Século XII, foi alvo de restauro que lhe conferiu o aspecto actual.
A 1 km. da Póvoa de Lanhoso, na estrada Braga - Chaves / freguesia de N.ª Sr.ª do Amparo.
Boletim N.º 29 da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
"O Castelo de Lanhoso foi objecto de musealização no ano de 1996.
Ali estão patentes alguns dos achados mais importantes e significativos da história deste sítio.
Um significativo conjunto de achados desde um capacete céltico em bronze, esculturas graníticas, cossoiros e fragmentos diversos de tegulaes e ímbrices provenientes de diversas campanhas de escavações que ao longo do século XX ali foram promovidas.
Através da consulta do seu Quiosque digital é possível aceder a um significativo conjunto de informações disponíveis sobre a história do sítio e do conjunto formado pelos diversos vestígios e marcos de ocupação do monte de Lanhoso."

 

 

 

 

 

Terras do Bouro – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

 

Vila de feição serrana, situada na margem esquerda do rio Homem, encostada a um dos contrafortes da Serra do Gerês. A sede do concelho é cova. Razão porque na própria estrada, a partir de Caldelas, se encontra nos marcos a indicação de Covas em vez de Terras do Bouro.

Passa por aqui uma estrada de fácil acesso à histórica Portela do Homem, interessante passagem serrana e transversal do vale do Homem para a vertente galega do rio Lima. Foi por essa via rápida mas áspera que as forças liberais da Junta do Porto, derrotadas em 1828, se retiraram para a Galiza, sob o comando de alguns oficiais, entre eles o heróico Bernardo de Sá.

Pertencem a Terras de Bouro os Santuários de São Bento da Porta Aberta, e da Senhora da Abadia, importantes centros de peregrinação.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “O mesmo nome comum terra, de origem latina – é vulgar na toponímia portuguesa …

Bouro proveio de Buiro e este, de Burio, tal como Douro proveio de Duriu. Bouro alterna como popular Boiro e a forma latinizada burium filia-se no germânico, búr, casa ou casal”.

 

Terras de Bouro
 

Terras de Bouro é um concelho de montanha cujo povoamento se perde na memória dos tempos, como atestam as pinturas rupestres e vestígios da Idade do Bronze. A presença humana mais marcante, porém, remonta ao tempo dos Romanos, utilizadores da água termal do Gerês e construtores da Geira (via Romana).
Visitar esta região é contactar com o vasto património que os antepassados: a via Romana XVIII, vulgo Geira, com a maior concentração de marcos milenários epigrafados do Noroeste peninsular, reconhecida como património Nacional e em fase de candidatura a Património Mundial; é reviver as agruras do povo Búrio na defesa da zona raiana e do seu castelo, o castelo de Bouro, honrando o compromisso assumido aquando da atribuição de privilégio reais e cujas trincheiras testemunham o heroísmo deste povo; é contactar com tradições ancestrais, (trilhos dos pastores, dos contrabandistas, dos regadios, dos moinhos) que possibilitaram, durante séculos, a sobrevivência de um povo simples e honrado, amante da sua terra e disposto a dar a vida pela pátria. É desfrutar da natureza, em toda a sua plenitude, como escreveu Miguel Torga onde “tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição.”
Hoje, tornou-se um destino turístico por excelência, quer pelas marcas da ruralidade, não obstante ficar perto de Braga e Porto, quer pelo património cultural, ambiental, paisagístico, termal e religioso.
É esta riqueza e mescla patrimonial que potencia Terras de Bouro para a procura turística alicerçada na oferta de motivos vários que agradam a quem o visita: a via romana, a rede de trilhos pedestres “Na senda de Miguel Torga”, as termas do Gerês, a riqueza do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o espelho de águas das albufeiras da Caniçada e de Vilarinho das Furnas, o santuário do S. Bento da Porta Aberta, o centro náutico de Rio caldo, o clube de saúde do Gerês, as dezenas de casas de turismo rural, a gastronomia e o artesanato (Gerês, Covide, Brufe e Cibões), o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, o intercâmbio histórico da serra do Gerês com a do Xurés, em Lobios (Galiza), constituem um excelente motivo para visitar Terras de Bouro e o Gerês.
Ao movimentar-se neste Portal, deparar-se-á com um vasto leque de informações e imagens que despertarão o interesse de percorrer, in situ, este paraíso minhoto, para a fruição de uns dias bem passados esquecendo o bulício dos centros urbanos!
Seja Bem-Vindo!
O Presidente da Câmara Municipal
António José Ferreira Afonso, Dr.

 

 

 

 

Vieira do Minho – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

 

Designou-se primitivamente Vernaria, nome que figura no foral outorgado por D. Manuel l em 1514. Só por decreto de 1933 passou a ter a denominação actual.

Vila de meia altitude (394 m), abrigada do Norte e do Nascente pelo biombo orogr´fico, relativamente próximo, da Serra da Cabreira.

Na região abundavam ainda há pouco mais de um século, por entre seus frondosos bosques e no cimo dos seus alcantilados montes de feição pré-canbrática, muitos vestígios de vida castreja. De todos eles, vandalamente destruídos, apenas subsiste o castro de Vila Seca, típico reduto pré-histórico alcandorado num picoto sobranceiro ao rio Ave, e o da Mourinha.

Na época afonsina Vieira era apenas uma unidade territorial e judicial conhecida pelo nome de “terra de Vieira”, abrangendo as actuais freguesias de Salamonde, Eire Vedra, Cantelães, Tabuaças, Vieira, Pinheiro, Anissó, Vilar Chão e Mosteiro. E a localidade representante actualmente a sede do concelho, era outrora conhecida pelo nome de Brancelhe. Vieira era a antiga Velaria, no século Xll.

Na “Terra de Vieira” (freguesia de Ventosa), existiu um castelo roqueiro e outro na actual  freguesia de Cantelães.

No tempo de D. João l, a “Terra de Vieira” passou a ser senhorio de juro e herdade, de Gonçalo Pires Colho. Na primavera de 1809, o concelho foi duas vezes atravessado pelas tropas napoleónicas do marechal Shout: a primeira em 15 de Março, em impetuoso avanço a caminho de Braga; a segunda, em 17 de Maio, em ofegante retirada, sem artilharia e sem bagagens, concluída com rara fortuna pela ponte de Ruivães, no dia exacto em que as forças anglo-lusas de Wellesley chegavam ao alto de Salamonde, como fito de lhes atalhar o caminho.

No decorrer do grande levantamento popular da Maria da Fonte ou “Patuleia” a terra de Vieira foi teatro de muitos sucessos, em que interveio, como caudilho, um tal padre Casimiro, que Camilo Castelo Branco evoca nas suas insuperáveis pochades.

Próximo de Vieira, fica a Serra da Cabreira, destacado lombo granítico, erguido a Sul do Gerês, na linha de transição do Minho para Trás-os-Montes.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “ Foi o foral desse ano de 1514, concedido por D. Manuel 1, que transformou a antiga terra de Vernaria no moderno e pitoresco concelho minhoto. Mas o étimo não deve estar em Vernaria (talvez erro gráfico do copista) e, sim, em Venaria, de “vena-venae”, conduto, veio ou fio de água ou de metal, tudo isto, de preferência a dizer-se que Vieira é simples forma sincopada de Videira”

 

Veira do Minho

Não se tem a certeza sobre a origem do nome de Vieira, mas avançam-se duas hipóteses: derivou da palavra Velleira – nome do mosteiro de São João da Velleira; o surgiu do nome de um dos habitantes importantes da zona: Rui Vieira, referenciado nas inquisições de D. Dinis.
A zona da serra da Cabreira sabe-se que foi habitada no período pré-histórico, como é atestado pelos vários monumentos da época existentes. Além da serra, também nas localidades de Salamonde e Ruivães possuem vestígios de antepassados longínquos. Existem, na região, vestígios de mamoas, menires, gravuras rupestres, castros e, indicando presenças em épocas posteriores, fojos medievais.
Importante ponto estratégico da região, Vieira do Minho foi ocupada pelos diversos povos que passaram pela península antes da nacionalidade, nomeadamente Romanos e Suevos.
A vila também foi ponto de passagem de tropas na época das guerras napoleónicas e esteve muito envolvida, já no século XIX nas lutas liberais. Em Vieira do Minho vivia, de resto, o padre Casimiro José Vieira, um dos mentores da revolta da Maria da Fonte.
Gastronomia e artesanato
O trabalho do cobre é a principal actividade de artesanato na região de Vieira do Minho. No entanto, é ainda possível encontrar trabalhos de cestaria.
Existem também trabalhos de Tecelagem e bordados tradicionais. Por exemplo, na aldeia Turística de Agra, podem-se encontrar as quentes e típicas mantas de burel, bem como outros lanifícios e bordados tradicionais.

 

 

 

 

Vila Nova de Famalicão

 

 

 

 

Na era da Romanização, passava neste local a via militar de Bracara a Cale. Diversos marcos miliários, alguns já desaparecidos, e dois dos quais se encontram na ponte, em Trofa Velha, assim o assinalam. A povoação de Famalicão recebeu foral em 1205.

A terra dominante adjacente era a de Vermoim, onde, nos primeiros tempos da Reconquista, parece ter existido um castelo roqueiro.

Nos princípios do século XVl (em 1527) contava sessenta e um morador. E submetida como estava ao concelho de Barcelos, foi muito custosa a sua alforria.

Pela reforma aministrativa do regime liberal foi elevada à categoria de sede do concelho, recebendo, em 1841, oficialmente o título da vila, concedido por D. Maria ll. A rainha visitou a nova vila em 5 de Maio de 1852.

O único facto histórico que nela se passou foi o encontro, em 27 de Maio de 1926, entre o comandante das forças vindas do Porto para combater as do general Gomes da Costa, sublevadas em Braga. Desse entendimento imprevisto (assinado pelo Coronel Rodrigues e pelo aludido general) resultou a queda do governo constitucional, em Lisboa, e a implantação da Ditadura Militar.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “A parte final foi historicamente explicada como provindo do nome de homem. “Famelião”, assim se teria chamado o primeiro habitante do local que lá se teria estabelecido com uma venda, onde servia os viajantes entre Porto e Braga. Parece que no século XlV havia já um agrupamento de habitantes, começando a formar-se o povoado, a que se chamou depois “Aldeia de Famelicão”, com o nome do tendeiro alterado. Posteriormente, isto é, muito mais tarde, talvez em 1841, D. Maria ll eleva a povoação à categoria de vila, que aparece denominada Vila Nova de Famalicão, fixando-se por fim na forma actual, embora, segundo autores, já assim se chamasse antes”.

 

Vila Nova de Famalicão

Vila Nova de Famalicão, uma das mais jovens cidades (1985) de Portugal e do Minho, sede de concelho e comarca, nasce para a história em 1205, com o foral de D. Sancho I. Sendo terra e povoação antiga, Vila Nova de Famalicão, é um concelho moderno, criado em 1835, por carta foral da rainha D. Maria II, por onde importantes figuras da literatura portuguesa (Camilo Castelo Branco...) e da política ( José Ferreira Salgado, Bernardino Machado) passaram e fizeram história.
È inequívoco o carácter industrial dominante, onde o sector têxtil assume a primazia no perfil do concelho. Assumem ainda particular destaque a indústria da madeira e mobiliário, a indústria das peles, a indústria da alimentação, a indústria de produtos metálicos e a indústria da borracha.
Infra-estruturas como o CITEVE, a Universidade Lusíada, Escolas Profissionais, Conservatório de Música, Casa das Artes, Biblioteca Camilo Castelo Branco, Museu da Indústria Têxtil confirmam o rumo de desenvolvimento do concelho.

 

 

 

 

Vila Verde – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, é já mencionada num documento de 960.

O concelho actual foi criado em 1855, passando a agrupar os coutos de Vila Chã, Valdreus, Cervães, Penela, Prado, Aboim da Nóbrega e Pico de Regalados. Este último constituiu um couto concedido por D. Afonso Henriques a D. Paio Mendes, seu aliado e arcebispo de Braga. D. Manuel l deu-lhe foral em 1514. Prado tem carta de foral concedida em 1260 por D. Afonso lll e renovado por D. Manuel 1, em 1510.

Em alguns comoros da periferia do concelho, subsistem sinais de vida castreja, como por exemplo, no monte de São João. Outra relíquia de acentuado valor arqueológico é a chamada Torre de Penegate.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Provável é que o adjectivo verde (do latim viride -, através duma forma verde -, verde, verdejante), aproveitado em formações toponímicas, seja uma alusão à vegetação verdejante das respectivas terras”.

 

Vila Verde

Falar-se da história do concelho de Vila Verde é bastante complexo em virtude da escassa documentação existente.
Há quem opine que é um concelho de história recente, com o que eu não concordo. Com efeito, recuando-se ao ano de 1220 encontramos as Inquirições de D. Afonso II, ordenadas pelo monarca no ano referido. Nessas inquirições deparamos com a paróquia de Sancto Pelagii de Vila Plana, isto é, S. Paio de Vila Verde. Lendo-se o inquérito constata-se que entre os jurados, que testemunharam e validaram o escrito, um deles se chamava de Fáfias. Este patronímico, apesar de terem decorrido mais de 800 anos, não é estranho a qualquer um dos moradores da sede do concelho. Com efeito, ele sinaliza o Lugar de Fáfias, ou Rua de Fáfias.
Sem pretender fazer desta crónica um dado histórico, não posso deixar de acrescentar que Fáfias faz parte da história antiga do concelho de Vila Verde, tendo por isso desempenhado papel importantíssimo na mesma.
Inicialmente Fáfias teria sido, a meu ver, uma grande herdade de um dos donatários da terra, denominado de Fafes, de onde, provavelmente, vem o nome de Fáfias.
A herdade do Fafes teria sido transaccionada (emprazada, vendida, doada ou mesmo confiscada). Em 1220 era seu senhor um homem jurado nas inquirições, que adoptara como apelido o topónimo da herdade. Porém, eram os Fafes nobres muito poderosos, descendentes do conde D. Fafes Serrazino, senhor das Terras e Castelo de Lanhoso o qual viveu e morreu ao serviço do Rei de Portugaliae D. Garcia, no séc.XI. O filho deste conde, D. Fafes Luz, foi genro de um outro homem muito poderoso – D. Egas Pais de Penegate, de Rendufe e de Bouro – tenem militar do conde D. Henrique e D. Teresa no séc.XII.
Como o apelido Fafes era originário do conde Serrazino, o seu filho, D. Fafes Luz, transmitiu-o a seu primogénito D. Egas Fafes sendo este herdeiro de todas as terras de seu pai. Assinalava-se assim nos antigos territórios do concelho de Vila Verde a consagração por D. Afonso Henriques, com honra, da herdade do Lameirão em S. Vicente de Ponte sendo seu donatário, e da freguesia, o filho de D. Fafes Luz – D. Egas Fafes – neto paterno do conde Serrazino e de D. Egas Pais de Penegate.
A herdade de Fafes, pelos motivos acima apontados, continuaria a ser assim designada. Todavia, o seu senhor, ou rendeiro por emprazamento, em 1220 não podia ser designado de Fafes porque não era um Fafes e como tal, em vez de Fafes, passou a ser designado por Fáfias, patronímico que prevalece em nossos dias.
Chamo agora a vossa especial atenção para o apelido Viegas, actualmente pouco generalizado mas que na Alta Idade Média era vulgaríssimo, e isto porque Viegas queria dizer ‘filho de Egas’. ‘Domno Gomecio Viegas’ – D. Gomes Viegas foi filho de D. Egas Fafes, neto de D. Fafes Luz e bisneto do conde Serrazino e de D. Egas Pais de Penegate.
Nas supra citadas inquirições aparece D. Gomes Viegas, não como jurado porque essa condição era inferior à sua qualidade de nobre senhor, mas sim como donatário e senhor dos coutos de S. Paio de Vila Verde e do de Stª Eulália de Loureira. Quer isto dizer que em 1220 Vila Verde já era sede de um pequeno concelho rural em que o sistema político que nele vigorava era o ‘Poder Senhorial’. Aqui não entravam os oficiais do rei nem se lhe pagava foros.
Como se verifica a história do concelho de Vila Verde, apesar de complexa, não se inicia em 1855, uma vez que a sua sede já era uma terra com administração própria no séc.XIII.
Autor: TI | 2005/02/15

 

 

 

 

Vizela – (Concelho do Distrito de Braga)

 

 

 

 


Foi no rio Vizela que começou a história deste novo concelho.
Com 40 km de curso, o rio Vizela nasce na serra de Cabeceiras, entre as freguesias de Aboim e Gontim, concelho de Fafe e distrito de Braga. Desagua na margem esquerda do rio Ave, perto da freguesia de S. Miguel das Aves, concelho de Santo Tirso e distrito do Porto.
À volta do rio Vizela, começaram a surgir as primeiras populações, uma vez que as suas margens eram muito férteis e possuíam uma grande capacidade agrícola, sendo o cultivo dos campos, até ao século XIX, praticamente a única actividade destas populações.
Vizela está integrada no Vale do Vizela, que se inicia na serra de Santa Catarina, a Norte. A Sul, faz fronteira com parte do concelho de Lousada, através da serra do Carvelo.
Foi em Vizela que começou toda a actividade económica e política desta região. As condições geográficas do Vale de Vizela desde muito cedo atraíram o homem. Como a água abundava em todo o vale, as actividades de maior relevo eram a agricultura e a pecuária.
A descoberta das águas termais
A chegada dos Romanos à Península Ibérica, no século III a.C., trouxe grandes transformações, nomeadamente para a região de Vizela, transformando por completo os hábitos, costumes e modos de vida das populações que aí viviam.
A grande transformação operada pelos Romanos nesta região foi a descoberta das águas termais de Vizela, com capacidades únicas no tratamento de determinadas doenças, entre as quais o reumatismo e as afecções das vias respiratórias.
Assim, os Romanos construíram, a partir do século I a.C., uma espécie de complexo termal, tendo surgido, à sua volta, toda uma povoação. Era aqui que as populações das diferentes classes sociais passavam horas de lazer e tentavam as curas para os seus males.
Vizela tornou-se, assim, conhecida pelas virtudes terapêuticas das suas múltiplas nascentes de água. Aqui, acorria gente de toda a Ibéria.
Outra obra com a assinatura dos povos romanos é a ponte de Vizela, conhecida por "ponte velha", e que resistiu a séculos de utilização, estando classificada como monumento nacional.
Com as invasões bárbaras, no século V, o Império Romano desmoronou-se por completo, assistindo-se à ascensão do Cristianismo, que invadiu todas as populações.
Após a Reconquista, formaram-se novos aglomerados populacionais. No ano de 607, século VII, realizou-se um concílio para a divisão do território em bispados, surgindo, assim, as primeiras paróquias portuguesas, entre as quais, Oculis, ou seja, Caldas de Vizela.
1361: Vizela foi concelho
A evolução política provocou, a partir de meados do século XI, a ascensão de Portucale, como centro de uma vasta área. O poder era exercido a partir de um centro, que começou por ser Guimarães. Vizela, como estava mesmo ao lado, aproveitou o facto para crescer e adquirir uma certa importância no contexto geral da governação do país.
O ano de 1361 foi o primeiro grande momento da história de Vizela, tendo esta alcançado a independência administrativa e formado, pela primeira vez, concelho próprio. D. João foi, assim, o primeiro governante de Vizela.
Contudo, o concelho teve uma duração efémera: 47 anos. Pensa-se que os motivos da extinção estejam ligados aos conflitos entre os poderes municipais de Vizela e os conventos minhotos de Guimarães e Roriz.
Mais tarde, nesta região, nasceu um novo concelho, desta vez com sede em Barrosas e que agrupou grande parte das actuais freguesias de Vizela.
Em Tagilde, a 10 de Julho de 1372, assinou-se um importante acordo político, o chamado pacto de Tagilde, um tratado de aliança entre Portugal e Inglaterra.
Entre o século XV e XVIII, pouco aconteceu em Vizela. Depois de um certo período de adormecimento, as termas renasceram no século XVIII. Em 1785, iniciou-se a construção, no sítio da Lameira, de uma barraca coberta de colmo, que iria constituir as primeiras instalações das termas de Vizela.
Como a afluência foi enorme, nos anos seguintes, foram construídas algumas barracas em pedra. Já no século XIX, foi dada autorização régia para a construção dos banhos, os antecessores da actual Companhia.
As actuais instalações termais começaram a ser construídas em finais do século XIX (1870). Em 1873, é fundada a Companhia dos Banhos de Vizela, que ainda hoje concede ao concelho características de turismo muito particulares e que contribuiu, de forma preponderante, para o urbanismo vizelense, dos séculos XIX e XX.
O renascer do espírito independentista
Com a criação da Companhia dos Banhos, a povoação cresce, e com ela renasce a consciencialização autonómica da população, que estava enfraquecida há vários séculos, dando origem, durante o século XIX, ao renascer da luta pela autonomia de Vizela.
A partir de 1822, efectuam-se as primeiras alterações administrativas, dividindo-se o país em distritos. Trinta anos depois, foi extinto o concelho de Barrosas, aumentando, assim, o sentimento de independência de todo o vale de Vizela.
Em 1852, a Rainha D. Maria II inicia uma viagem pelo país, anunciando a sua passagem por Vizela. Apesar da promessa, esta visita acabou por não se efectuar e os vizelenses não esconderam a sua insatisfação e revolta.
Foi a partir daqui que se intensificou o desejo de autonomia dos vizelenses, o desejo de um concelho independente de Guimarães.
Com a implantação da República, em 1910, Vizela acalentou novas esperanças na sua luta e, pouco tempo depois enviou uma comissão, a Lisboa, com o objectivo de apresentar os motivos de tão antigas reivindicações.
Assim, em 1914, Vizela apresentou uma proposta de criação do município, com 26 freguesias, a maioria desanexada de Guimarães. Doze anos depois, a mesma proposta já contemplava apenas 17 freguesias.
Naquela altura, Vizela vivia momentos de grande vigor económico, sendo a estância termal considerada uma das melhores do país, servindo de pólo dinamizador de toda a região.
Em finais do século XIX, viviam em Vizela mais de 5000 habitantes. A indústria têxtil, nomeadamente o tecido de seda, algodão e linho, era a principal actividade económica de Vizela. A indústria mecânica, da serração de madeira e a do pão-de-ló, o famoso Bolinhol, também estavam desenvolvidas.
Na altura, existiam dois casinos, que representavam uma fatia importante da economia vizelense, e algumas unidades hoteleiras, que serviam de apoio às termas de Vizela.
O desenvolvimento económico de Vizela estava à vista e os gritos de independência iam-se fazendo ouvir, cada vez mais alto.
Elevação a Vila
Em 1929, Vizela é elevada à categoria de vila, em plena ditadura de pré-Estado Novo. Mas, os vizelenses não ficaram satisfeitos e não desistiram da sua luta pela criação do concelho.
Em 1964, é fundado o MRCV - Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, que se propôs liderar a luta pela criação do concelho.
Em meados do século XX, assistiu-se a um certo declínio das termas, contrastando com um forte surto industrial, nomeadamente nos sectores têxtil, calçado e construção civil.
Com o 25 de Abril, veio a promessa de uma nova lei sobre os municípios e as esperanças dos vizelenses aumentaram. Mas, mais uma vez, as tentativas não tiveram resultados positivos.
Nos anos 80, os acontecimentos na Assembleia da República foram acidentados. Em 1982, o Partido Popular Monárquico apresentou uma proposta de criação do concelho, mas esta foi rejeitada. O PSD também fez promessas, que não cumpriu.
Como resposta, os vizelenses boicotaram as eleições autárquicas de Dezembro desse mesmo ano.
Em 1985, foi aprovada a nova lei-quadro dos municípios, em que uma das cláusulas impedia a criação de novos concelhos, antes da regionalização.
Contudo, Vizela nunca desistiu de lutar pelos seus interesses, que viriam a ser satisfeitos em Março de 1998. Mas, em 1997, Vizela ainda sofreu outra decepção, quando, mais uma vez, viu chumbada a sua proposta e, ao mesmo tempo, aprovada a elevação de Fátima a cidade.
Aliado a isto, as relações entre Vizela e Guimarães iam-se deteriorando, pois estava no ar que o concelho de Vizela, mais cedo ou mais tarde, iria ser criado. Em 1997, foi apresentada uma proposta de lei do Partido Popular sobre a criação do concelho que, mais uma vez, foi chumbada. Mas, esta seria a última decepção dos vizelenses.
Luta valeu a pena
Em 1998, estavam na agenda da Assembleia da República, três projectos-lei de elevação de Vizela a concelho. A 19 de Março, os projectos-lei foram aprovados e Vizela era, finalmente, elevada à categoria de cidade.
Mais de seis mil vizelenses, que se tinham deslocado até Lisboa, fizeram a festa, à porta da Assembleia da República. Também em Vizela, a festa foi rija e culminou com um espectáculo de fogo de artifício, organizado pelo MRCV.
A luta valeu a pena...
O desejo concretizou-se...
Vizela era concelho!

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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