Distrito de AVEIRO

Concelhos deste Distrito: Águeda; Albergaria-a-Velha; Anadia; Arouca; Aveiro (concelho de); Castelo de Paiva; Espinho; Estarreja; Ílhavo; Mealhada; Murtosa; Oliveira de Azeméis; Oliveira do Bairro; Ovar; Santa Maria da Feira; São João da Madeira; Sever do Vouga; Vagos; Vale de Cambra.

O Distrito de Aveiro

É um distrito, pertencente à província tradicional da Beira Litoral, salvo os concelhos mais a norte que pertencem ao Douro Litoral. Limita a norte com o Distrito do Porto, a leste com o Distrito de Viseu, a sul com o Distrito de Coimbra e a oeste com o oceano Atlântico. Área: 2808 km² . Capital e  Sede de distrito: cidade de Aveiro.

 

 
 
Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):
“Distrito de Aveiro, formado em parte pela antiga província do Douro. Superfície 2.76º Km2 e uma população de 303.169 habitantes. Compreende 17 concelhos e 181 freguesias. Os concelhos são: Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Arouca, Aveiro, Castelo de Paiva, Espinho, Estarreja, Feira, Ílhavo, Maceira de Cambra, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos. Povoações principais: Aveiro, Ovar e Ílhavo. O seu terreno montanhoso apresenta entre outras, as serras de Moldes, de Caramulo (esta em parte também no distrito de Viseu). É banhado pelo Vouga e seu afluentes, Águeda e Caima e pelo Paiva, afluente do Douro. Produções agrícolas, marinhas de sal, minas de cobre e de chumbo”.
 
 
 
Aveiro (Cidade)
 
 
 
 
As origens do povoado continuam desconhecidos em grande parte. Porém, temos conhecimento de que em 959, por testamento da condessa Mumadona Dias, esta região foi legada ao Mosteiro de Guimarães. Só nos reinados de D. Duarte e de D. Afonso 5º, Aveiro, passaria a vila. D. Pedro, duque de Coimbra, cercou-a de muralhas e promoveu outros importantes melhoramentos.

Aveiro é a capital de um distrito de contrastes, em que a montanha, arrogante, de vales profundos e cristas escarpadas, acaba por se casar com a planície doce da laguna, que é conhecida por ria, que se alonga por cerca de 45 Km de comprimento, desde Ovar a Mira, num vasto emaranhado de canais, recebe, a norte da cidade, as águas do  rio Vouga, depois de percorrerem 132 Km num vale de grande fertilidade e não menos beleza.

No século XVll crescem as ordens religiosas dentro e fora das muralhas, mas a angústia pesa já sobre a população. As dificuldades da navegação aumentam, agravam-se as condições de vida, a barra fecha-se ao comércio e à produção de sal, redobrando a desolação dos habitantes ao ver crescer o alagadiço sobre as propriedades então férteis – salinas e lezírias – e definhando a população, que chega no século XVlll a menos de 4 mil habitantes. Mesmo empobrecida, Aveiro foi, em 1759, elevada à categoria de cidade por D. José, depois da execução do duque de Aveiro e confiscação dos respectivos bens, sendo também sede do bispado entre 1774 e 1881.

Só a 3 de Abril de 1808, depois da abertura da barra, se conseguiu a ligação do mar com a ria, após obras que se arrastaram por dezenas de anos e em que foram utilizados grandes troços de muralhas. A partir de então, Aveiro modifica-se. A burguesia, depois a Revolução de 1820, quer participar no vida política, combatendo a estrutura social do antigo regime. É assim que se levanta contra D. Miguel, em 16 de Maio de 1828. Falhada a revolta, alguns aveirenses são justiçados por decisão da Alçada do Porto. A cidade dá, no período constitucional, boa colaboração à reconstrução de um Portugal novo.

Quanto ao nome (Aveiro) também é objecto duma infinidade de contravérsias entre os autores; uns o fazem derivar de «Aviarium» por haver ali abundância de aves; outros querem que seja corrupção de «Aveyrau», nome dado pelos navegantes gascões e normandos, que a estes pontos da costa aproavam frequentemente.

Fernão de Oliveira na sua «Linguagem Portuguesa» diz que este nome lhe foi dado por ali morar um caçador de aves, por isso chamado «Aveiro», o que não tem visos de verosimilhança; e Brudant, no «Lexicon Geographico» lhe dá o nome de «Lavare», antigo,  e o moderno por corrupção daquele. Não se sabe também desde quando usa o nome porque hoje está conhecida, sendo apenas certo que já assim era designada no tempo do conde D. Henrique. (O Domingo Ilustrado, Vol. 1º (1897) – pág. 109).

Aveiro é nome bem misterioso para quem não vá atrás de explicações mais ou menos engenhosas. Tenho diante de mim a primeira Gramática da Língua Portuguesa feita em 1536 por Fernão de Oliveira. No capítulo XXXl, esse pai Adão das nossas gramáticas trata das «nossas dicções», isto é, «aqueles que nasceram entre nós ou são já tão antigas que não sabemos se vieram de fora».

Diz que «aveyro» é «nome de lugar, porque dantes nessa terra morava um caçador de aves ao qual como alcunha chamavam o “Aveiro”». Se non é vero, é bene trovato. Devemos reconhecer que a coisa está fantasiosamente bem engenhada. Falta, porém, saber quem era esse caçador de aves, quando foi esse «dantes» e falta o melhor: o documento que prove que “Aveiro” se explica por tal fantasia. Nem a tradição nos dá nada que abone o caçador de aves como originador de Aveiro.

O Dr. Leite de Vasconcelos nas Lições de Filologia Portuguesa não adiantou mais do que isto: «Talvez a palavra seja de origem ibérica, isto é, pré-romana». Manda confrontar o vasconço “Alava”. Isto, porque Aveiro foi Alavário e Aaveyro.

O Dr. Leite de Vasconcelos citou, no Onomástico Ibérico, a forma “Alaba”. Acrescentarei às formas dadas pelo Mestre, uma outra que encontro em Quicherat: «Existiu um povo da Hispânia Tarraconense chamado do “Alabanenses”».

É possível que na forma primitiva de Aveiro, isto é, Alavário esteja o mesmo desconhecido elemento pré-romano destes Alabanenses.

Enfim, tudo menos Aveiro tirado do nome do tal «caçador de aves».

(O Povo e a Língua, do Prof. Vasco Botelho do Amaral, inserto no Mensário das Casas do Povo – ano lV de Setembro de 1949, nº 39).

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“Aveiro, cidade e capital do distrito e cabeça de concelho. Tem 9000 habitantes e tem Caminho de Ferro. É banhada pelos diferentes braços, em que se ramifica o rio Vouga. D. José l, quando a elevou à categoria cidade deu-lhe o nome de Nova Bragança, mas o nome de Aveiro prevaleceu. Pátria de João Afonso de Aveiro, descobridor do Benin, e de José Estêvão Coelho de Magalhães, a quem Aveiro erigiu uma estátua. O concelho tem 10 freguesias e 24.919 habitantes”.

 

Aveiro

"No documento de doação testamentária efectuada pela condessa Mumadona Dias, ao mosteiro de Guimarães em 26 de Janeiro de 959, consta a referência a "Suis terras in Alauario et Salinas", sendo esta a mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro.
No século XIII, Aveiro foi elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel e situada onde é, hoje, a Praça da República, vindo esse templo a ser demolido em 1835.
Mais tarde, D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas que, já no século XIX, foram demolidas, sendo parte das pedras utilizada na construção dos molhes da barra nova.
Em 1434, D. Duarte concedeu à vila privilégio de realizar uma feira franca anual que chegou aos nossos dias e é conhecida por Feira de Março.
Em 1472, a filha de Afonso V, Infanta D. Joana, entrou no Convento de Jesus, onde viria a falecer, em 12 de Maio de 1490, efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do Rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.
O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.
A magnífica situação geográfica propiciou, desde muito cedo, a fixação da população, sendo a salinagem, as pescas e o comércio marítimo factores determinantes de desenvolvimento.
Em finais do século XVI, princípios do XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da laguna, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes - muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa - e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filípina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.
Em 1759, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, em 1547, por D. João III.
Em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente XIV instituiu uma nova diocese, com sede em Aveiro.
No século XIX, destaca-se a activa participação de aveirenses nas Lutas Liberais e a personalidade de José Estêvão Coelho de Magalhães, parlamentar que desempenhou um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, muito especialmente, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto, obras estas de capital importância para o desenvolvimento da cidade, permitindo-lhe ocupar, hoje em dia lugar de topo no contexto económico nacional."

BIBLIOGRAFIA: "DIAS, Diamantino, Revista AVEIRO, Câmara Municipal de Aveiro, pp. 8, 2ª Edição, Julho de 1997."
 
 

 

Águeda - (Concelho do Distrito de Aveiro)
 
 

 

Povoação muito antiga,  remonta possivelmente a 370 a.C. Foi habitada pelos celtas, túrdulos e gregos, tendo sido denominada Anergia e Ágata. D. Manuela 1º incluiu-a no foral que, em 1515, concedeu a Aveiro.

Aparece referida em documentos da Reconquista, sendo provável que a razão do seu crescimento ande relacionada com a importância da ligação norte-sul com ponte sobre o rio Águeda. Nas vizinhanças têm-se encontrado vestígios da romanização e mesmo anteriores. Deve ter perdido importância em benefício de Assequins (agora um lugar da vila), que recebeu foro manuelino. Mas o padroado de Santa Eulália, padroeira da vila, pertenceu ao ducado de Aveiro, tendo sido anexado pela Coroa no século XVlll, após a extinção daquele. Ganhou particular importância após a 2ª e 3ª invasões francesas, bem como com as lutas liberais e, mais tarde, com os combates travados em 1919 em disputa da ponte.

O nome Águeda tem a sua origem na forma feminina do adjectivo grego “agathós-é-ón” que quer dizer bom. Do agathé, boa, tiraram os romanos Agatha que usaram como cognome de mulher e que precedeu o actual nome da vila portuguesa (assim lhe chamaram no concílio de Toledo, de 606), sendo também ao mesmo tempo o nome dado a uma determinada espécie de pedras preciosas.

Águeda significa, pois, etimologicamente, BOA.

(Dos Topónimos e Gentílicos de Xavier Fernandes (1944).

Nota do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“Águeda, vila e cabeça de concelho (distrito de Aveiro), na margem direita do rio Águeda, com uma população de 4 mil habitantes. O concelho tem 19 freguesias com 20.416 habitantes”.

 

Águeda

 

Águeda, sede de concelho desde 1834 e cidade desde 1985, deve a sua fundação aos celtas, Túrdulos e Gregos remontando ao ano de 370 Ac.
A antiguidade da ocupação desta região é revelada por diversos monumentos megalíticos e pelo Cabeço do Vouga, importante estação arqueológica localizada junto do trajecto da via militar romana de Olissipo a Bracara.
No século XI, Águeda é um burgo próspero, com um comércio desenvolvido e o seu porto movimentado, abastecendo-se a si e às populações vizinhas de além Alcoba (hoje Caramulo). É referida, em documentos de 1050 e 1077, tanto pelo seu nome primitivo Casal Lousado (lat. Casal Lousato) como pelo seu nome próprio latinizado Anegia, Agatha e Ágada.
Águeda não teve foral na Idade Média, ao contrário de outras povoações vizinhas, por ser terra reguenga e couto dos mosteiros de Lorvão e Vacariça.
Águeda era ponto de apoio dos caminhos de Santiago. Na sua albergaria ter-se-á recolhido em 1325 a Rainha Santa Isabel, quando se dirigia em peregrinação para Santiago de Compostela.
Em 1834, Águeda ascende à categoria de sede de concelho, por consequência da revolução liberal dando-se uma reforma administrativa devido à sua capital importância na estratégia político-militar da resistência, à 2ª invasão francesa, pois possuía um hospital militar que socorria os feridos provenientes das batalhas. Desde que foi elevada à categoria de concelho, Águeda começou a ter uma vida política bastante movimentada, mas foi sempre muito bem representada por nomes influentes da terra.
No dia 8 de Julho de 1985, a vila de Águeda é elevada à categoria de cidade. 
Águeda actua como fronteira entre o mar e a serra devido à sua privilegiada situação geográfica, sendo servida por vias rodoviárias e ferroviárias de fácil acesso.
Hoje, Águeda é uma cidade em franco desenvolvimento económico e social, sendo uma das cidades mais industrializadas do País.

 

 

 

 

 

Albergaria-a-Velha - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

 

 

 

Povoação fundada por D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1120. O nome foi-lhe dado atribuído por existir também neste lugar uma albergaria fundada pela mesma rainha e destinada a recolher e socorrer viajantes pobres. Sobre a porta desta casa subsiste uma inscrição: “Albergaria de pobres e passageiros da Rainha Dona Teresa”.

Segundo a tradição popular, a sua origem anda associada a extensos matagais por onde seria obrigatória a passagem de pessoas estranhas nas ligações norte-sul. Uma velhinha ter-se-ia perdido e, caída a noite, batia de porta em porta, pedindo abrigo. Nem uma porta, porém, se abriu, receando as feras, os ladrões ou os vadio. E, com o frio, a velhinha morreu. Na manhã seguinte, as pessoas justificavam-se: “A gente albergaria a velha, se …”. A verdade é que Albergaria – povoada desde tempos remotos, como provam as muitas mamoas da região, e situada em boas condições na estrada de acesso à Galiza (Santiago) – era no tempo de D. Teresa, zona de matagais e ladrões, onde se sucediam assaltos e mortes a peregrinos e viajantes. Esta rainha aqui fundou uma albergaria com privilégios especiais. No monte da Senhora do Socorro e nos Paços do Concelho da vila existem pedras intimamente ligadas a este período histórico e importantes para o estudo da assistência em Portugal.

Próximo da vila, no Bico do Monte, ergueu-se em 1855, a Capela de Nossa Senhora do Socorro, resultado de promessa feita à Virgem quando a cólera-morbo parecia dizimar toda a população. No alto da capela, um miradouro domina toda a região lagunar.

Do “Domingo Ilustrado” de 1897:

“Nos primeiros séculos da monarquia sofriam grandes trabalhos os viandantes em Portugal; além, de menos habituados, o que dava lugar a existirem largos tratos de terreno em estado bravio, sucedia também que os desconhecidos se viam sempre com receio de terror, porque a todo o passo se temia recolher um malfeitor ou um “espia dos mouros”.

Movidos de santa piedade, não só a rainha D. Teresa, mulher do conde D. Henrique, mas também a esposa do primeiro rei – a virtuosa D. Mafalda – Começaram de fundar em diversos pontos do país, onde era mais frequente a passagem de viajantes, uns hospícios, a que se deu o nome de “albergarias” e nas quais o caminheiro não só recebia pousada, mas, se o carecia, algum auxílio para continuar sua jornada.

Eis pois de que deriva o nome da vila, a qual se chama “velha” para a distinguir da aldeia do mesmo nome, a que se chama “nova”.

 

Albergaria-a-Velha


A história do concelho começa em 1120 quando D. Teresa, "rainha" de Portugal e mãe de Afonso Henriques, doou ao fidalgo Gonçalo Eris vastas terras. Como contrapartida, o fidalgo se comprometeu a manter aberta uma Albergaria para acolher os viajantes pobres. É interessante notar que sobre a porta desta casa continua marcado "Albergaria de pobres e passageiros da Rainha D. Teresa".
Os primeiros registos de Albergaria como Vila, surgem em meados do século XVI, na forma de uma lápide existente nos Paços do Concelho, mas que foi oriunda da frontaria do primeiro Hospital.

 

 

 

Anadia - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

Teve foral dado por D. Manuel 1º em 1514. O senhorio da vila pertenceu, desde o começo da monarquia, aos frades de Santa Cruz de Coimbra, passando para a Universidade no reinado de D. João 3º, e na posse dela esteve até às lutas liberais.
Situam-se em Anadia algumas das principais caves de vinho de Portugal. A dois passos ficam as Termas da Cúria que, com as de Vale da Mó, muito contribuem para certa animação da vila durante o Verão. É ainda centro mineiro de manganés (Freixial e Vilarinho da HortaI e de carvão (As Quintas e covão das Mestras). Pêro fica a Malaposta, onde ainda se conserva, com fisionomia antiga, mas ligeiramente alterada, uma das 23 estações entre Lisboa e Porto criadas por Fontes Pereira de Melo.
Segundo Xavier Fernandes, em Topónimos e Gentílicos (1944): “O nome advém, segundo uns – e esta é talvez a opinião mais espalhada – houve, nos princípios do nosso primeiro rei, um casal junto à estrada de Coimbra, onde uma mulher chamada Ana Dias se tornou afamada por vender aos viajantes um precioso vinho, que os deliciava; do casal teria nascido a primitiva povoação que, por ser conhecida por aquele nome de mulher, alterando-se depois para a designação actual, Anadia.
Embora, se diga que há documentos que assim o contam, tudo isto é hipotético e pouco de aceitar”.
 
Anadia

Anadia é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Aveiro, região Centro e subregião do Baixo Vouga, com cerca de 5 500 habitantes.
É sede de um município com 217,13 km² de área e 31 546 habitantes (2001), subdividido em 15 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Águeda, a leste por Mortágua, a sul pela Mealhada, a sul e oeste por Cantanhede e a noroeste por Oliveira do Bairro.
O concelho recebeu foral de D. Manuel I em 1514. O actual município foi criado em 1839 pela fusão de vários concelhos, tendo a vila sido elevada a cidade em 9 de Dezembro de 2004.
 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro -  Marinha Grande - Portugal
 
 

 Arouca - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

Vila muito antiga, deve ter sido edificada pelos Galo-Celtas quatro ou cinco séculos antes de Cristo. César, no ano 34 a. C., ali fundou uma cidade com o nome de Arauca, Aruca ou Araducta, que existiu até ao ano de 716 da nossa era, data em que foi destruída pelos árabes. D. Afonso Henriques deu-lhe foral em 1151, confirmado por D. Afonso 2º, em Coimbra, em 1217 e em 1513 D. Manuel 1º deu-lhe novo foral.
Deve olhar-se o casario da vila antes de contemplar os cerros vizinhos, afundados numa cova imensa, verde, formosa, perfumada pelos frutos no Outono e pelo cheiro da terra arada na Primavera. Arouca aninha-se à sombra do velho mosteiro cisterciense, que permanece indiferente ao tempo, com mais de mil anos de história. A terra é rica. Mas a vila tem um ar sossegado, como que herança do tempo em que a gente parava para ouvir os monges cantar.
Mafalda – Princesa Desditosa
À terra de Arouca deixou seu nome a princesa D. Mafalda, nascida em Coimbra em 1195 e filha de D. Sancho 1º.
Interesses políticos conduziram ao casamento da jovem com Henrique l, herdeiro do trono da Castela, adolescente ainda e seu primo em 5º grau. Mas a desventurada “rainha” viu em breve anulado o seu casamento com o pequeno “rei”, morto entretanto num acidente ocorrido no palácio. Regressada a Portugal, D. Mafalda recolhe à clausura e, estabelecida em Arouca, torna-se padroeira do mosteiro, que reforma segundo o hábito cisterciense. Depois de ter consumido os seus haveres em obras de devoção e bem-fazer, faleceu em 1290, no desaparecido Convento de Rio Tinto. Como era seu desejo, foi sepultada em Arouca. Ao longo do trajecto do convento para o mosteiro edificaram-se os curiosos monumentos, “moimentos” ou “marmorais”, no sítio onde descansava a burrinha que transportava o esquife. Mais tarde, o seu corpo foi achado incorrupto. O povo, logo a sua morte, chamou-lhe a Rainha Santa (a outra Rainha Santa, é a que está em Coimbra – Portugal tem duas rainhas santas). E de toda a parte vinha gente pedir graças. E juntavam-se ex-votos no seu altar, o que ainda hoje sucede.
Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “O povoado destruído pelos árabes, no ano 716 e reconstruído pouco depois, dir-se-ia chamado primeiramente Arauca, posteriormente Aruca, e mais tarde, no tempo dos godos, Araducta. O que, porventura, era aquele primeiro nome, suposto étimo de Arouca, ainda ninguém o disse satisfatoriamente, não valendo apenas a conjecturar soluções, assentes em simples hipóteses”.
Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio):
“Arouca, vila e concelho do Distrito de Aveiro. Tem 1.154 habitantes. Está situada no vale de Arouca, entre as serras da Freita, da Mó e gamarão. Antigo mosteiro (agora extinto), de fundação mui remota, ampliado por D. Mafalda, filha de D. Sanchos 1º, depois canonizada. O concelho tem 19 freguesias e 16.671 habitantes”.
  

Mosteiro de Arouca


Segundo a documentação existente, o antigo mosteiro de S. Pedro data do séc. X. No ano de 1210 o Mosteiro de Arouca é legado a D. Mafalda, por seu pai, D. Sancho I, Rei de Portugal. No entanto, o início do seu padroado ocorre apenas em 1217 ou mesmo 1220. Embora nos seus primórdios a regra adoptada no Mosteiro tenha sido a da Ordem de S. Bento, no início do séc. XII viria a ser adoptada a da Ordem de Cister, que se manteria até aos finais do séc. XIX.
Nos sécs. XV e XVI foram realizadas diversas obras de reconstrução e ampliação do Mosteiro, datando o imponente edifício, tal como vemos hoje, dos sécs. XVII e XVIII.
Os espaços mais notáveis de todo o conjunto são a Igreja, o Coro das Freiras, os Claustros, o Refeitório e a Cozinha. Merece referência especial o magnífico Museu de Arte Sacra que nele se alberga - um dos melhores, no seu género, em toda a Península Ibérica -, no qual, para além de múltiplos objectos de culto, paramentos, peças de mobiliário, manuscritos litúrgicos, se podem encontrar peças raríssimas nas artes da escultura, pintura, tapeçaria, ourivesaria, etc.
O Mosteiro de Arouca foi classificado como Monumento Nacional pelo decreto de 16-06-1910. Z.E.P., D.G. 2.ª Série, n.º 164 de 15-07-1960. Está sob a responsabilidade do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico.
 

 

 

 

 

Castelo de Paiva - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

 

 

 
Vila pequena, implantada numa região verde com muita vinha de enforcado a cobrir as encostas envolventes, para a serra e para o rio Douro. Castelo de Paiva possui espigueiros de guardar o milho que vão até ao meio do casario.
Com ar mais solene, tem uma praça interior cheia de sombras de tílias, com a estátua do conde de Castelo de Paiva no meio de um jardim frequentado por velhos e crianças, tudo em família. Em torno do povoado há locais agradáveis para dar bons passeios.
Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “É mais uma expressão topónimicas, em que entra o nome comum castelo, do latim “Castellu” (lugar fortificado). O último elemento é o nome do rio, Paiava, que banha a povoação principal e é um dos elementos do rio Douro”.
 
Castelo de Paiva

Castelo de Paiva tem uma história rica, com os seus pergaminhos a atestarem a nobreza das suas origens e a galhardia dos seus feitos. Terra bendita e permanentemente rejuvenescida, Castelo de Paiva vale sempre cada vez mais!!!
Conheça aqui as nossas raízes.
Primitivamente o concelho era designado por " Paiva " e só há cem anos atrás passou a designar-se " Castelo de Paiva ", visto que, sendo a acta mais antiga – existente nos arquivos municipais - de 1850, é no dia 4 de Março que aparece o nome de " Castelo de Paiva " para designar o concelho.
O concelho é herdeiro da antiga honra de Sobrado (Payva de Riba Douro) e D. Manuel I concedeu-lhe o foral a 1 de Dezembro de 1513.
Consta-se que nos Paços de Gondim, viveu Martim de Bulhões, que casou com Maria Teresa Taveira, na Igreja do Mosteiro Beneditino (do qual não há qualquer vestígio) e deste enlace teria nascido Fernão de Bulhões, mais tarde Santo António de Lisboa.
Um dos últimos descendentes dos Bulhões foi Martinho Pinto de Miranda Montenegro Vasconcelos Bulhões, grande benemérito e primeiro Conde de Castelo de Paiva, que foi " par do reino " e Governador Civil, um homem bom cuja acção em prol do concelho e da região perdura através dos tempos na memória de todos os paivenses, que recordam a sua actividade intelectual e os rasgos da sua benemerência.
Este concelho, que faz fronteiras com os municípios de Arouca, Feira, Penafiel e Cinfães, foi comarca até 1927, tem actualmente nove freguesias e mais de 17000 habitantes.

Castelo de Paiva, terra bendita e permanentemente rejuvenescida, tem uma história rica, com os seus pergaminhos a atestarem a nobreza da sua origem e a galhardia dos seus feitos.
O feriado municipal é comemorado a 24 de Junho, integrado nas festas populares de S. João, uma iniciativa assumida pela autarquia que arrasta a população e forasteiros para vários dias de folia.
Desde o paleolítico que a magnífica posição geográfica de Castelo de Paiva constituiu um pólo de atracção de diversas civilizações que aí se fixaram, usufruindo das potencialidades e riquezas que o território lhes proporcionava. A prova disso, está na presença de diversos monumentos megalíticos conhecidos por todo o concelho, que podem ser estudados através da Carta Arqueológica, publicada pela iniciativa da Câmara Municipal.
A ocupação romana é também evidenciada, assumindo particular relevo os monumentos funerários medievais, como o Marmoiral da Boavista, e ainda, a chamada Pia dos Mouros, túmulo hispano – romano, localizado no ligar de Curvite, em Sobrado.
Na Idade Média, esta região fazia parte do território da Anégia. Só a partir do Século XI, e com a reconquista definitiva da região é que se começa a forjar a verdadeira identidade da desde então chamada Terra de Paiva. Na verdade, foi a partir dos primeiros anos desse século que estas terras formaram um verdadeiro conjunto sujeito a uma mesma autoridade administrativa, judicial e militar.
Inicialmente, o concelho era designado apenas por "Paiva". Essa designação vem já de tempos muito antigos, tendo sido encontrada num documento datado do ano de 883. Só há cerca de um século passou a designar-se " Castelo de Paiva ", visto que, sendo a acta mais antiga existente no Arquivo Municipal, datada de 1850, é no dia 4 de Março de 1852 que aparece o nome do concelho tal e qual como hoje é designado.
A palavra " Castelo ", que juntamente com " Paiva " forma o nome do concelho, tem a sua origem na povoação do Castelo, um pitoresco lugar da freguesia de Fornos, situado na foz do Rio Paiva, que ali desagua no Douro.
O concelho de Castelo de Paiva tem foral dado por El – Rei D. Manuel, em Dezembro de 1513. Porém, há quem defenda que o Rei D. João III, em 1260, já teria outorgado um primeiro foral a esta terra do Vale do Paiva.
O concelho passou de Julgado a Comarca em Outubro de 1890, permanecendo Comarca até 1927. Actualmente é formado por nove freguesias e tem cerca de 17 mil habitantes, ocupando uma área aproximada de 109 quilómetros quadrados.
Castelo de Paiva é um concelho rico de testemunhos doutras eras, desde a pré-história até à data setecentista. Desde mamoas, túmulos medievais, casa senhoriais, marmoiral e riquíssimos retábulos com belas imagens dos séculos XVI, XVII e XVIII, de Real a Sardoura, e de Pedorido a Sobrado.


 

 

Espinho - (Concelho do Distrito de Aveiro)
 

 

Teve a sua origem no século XlX, quando os pescadores do Furadouro aqui se instalaram e desenvolveram a povoação.
Se a pesca provocou o aparecimento da povoação espinhense, o aproveitamento da praia para férias e “curas de mar” lançou as bases da sua expansão futura. Enquanto os veraneantes e “fidalgos” faziam o Espinho Terra, os descendentes dos vareiros de Ovar continuavam a sua vida piscatória, criando em torno do lugar conhecido por Rio Largo o Espinho Mar. A sardinha que pescavam começava a tornar-se famosa nos mercados do Porto. Os banhistas que inicialmente afluíram à praia era sobretudo da Feira e, ainda que fossem gentes de posses, não tinham outra alternativa senão instalarem-se nos palheiros dos pescadores ou construírem os seus próprios palheiros. Este convívio entre pescadores (vareiros), pessoas das aldeias (vilões) e banhistas (fidalgos) caracterizou-se social e economicamente os primórdios do desenvolvimento espinhense.
Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “O vocábulo é, sem dúvida, o mesmo nome comum espinho, onde existe a raiz latina spin, de spina ou seja espinha”.
 
Espinho

Espinho teve a sua origem num vasto areal denominado "Espinho-Mar" que, em conjunto com um povoado conhecido como "Espinho-Terra", constituía o lugar de Espinho, parte integrante da freguesia de S. Félix da Marinha, do concelho de Vila Nova de Gaia. As referências a este lugar remontam à época da integração do território no reino das Astúrias e Leão, existindo documentos (datados de 985,1055 ou 1080) em que aparece a designação de "villa" Spinu (ou Espinu), relativa a uma propriedade rural localizada a poente do monte de Seitela (perto do mar) e confrontada com o lugar de Brito (a norte) e com Anta (a sul). O vasto areal terá surgido muito depois do período de dominação romana, quando as águas do oceano recuaram por força da sedimentação de areias e da formação dunar, sendo referido como local de pesca numa carta de D. Manuel (datada de 1510), que concede os direitos da pescaria realizada "na costa do mar da foz despinho atee foz de vouga".
A utilização de locais próximos do Porto para a pesca marítima, de carácter esporádico, tornou-se mais frequente com movimentos migratórios, principalmente  provenientes de Ovar, por necessidade de aproximação a mercados capazes de proporcionarem o necessário escoamento do produto, em virtude de se desconhecerem processos de conservação. A costa de Espinho, como local de trabalho de um grupo de pescadores, é citada no relato de uma revolta, em 1737, de várias colónias (em que se incluíam as de S. Jacinto, Torreira e Furadouro), como protesto a restrições ao uso de recursos florestais, ordenadas pelo administrador do pinhal da Estrumada (Ovar). Na segunda metade do séc. XVIII, esta faixa costeira foi alvo de reformulação administrativa, determinada pelo Bispo do Porto, tendo como ponto de referência uma pequena lagoa, cuja margem norte se manteve integrada no lugar de Espinho da paróquia de S. Félix da Marinha, ao passo que a margem sul transitou para a paróquia de Anta, dando origem a um novo lugar de Espinho.

 

 

Estarreja - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

A sua origem está ligada à freguesia de Beduído – povoação de certa importância e antiguidade, orago de Sant’Iago, em cuja igreja se pode ver inscrição de D. Afonso 3º -, que foi comenda da Ordem de Cristo.

Estarreja teria herdado os foros do antigo concelho de Antuã (hoje lugar da freguesia de Salreu), que nem sequer foi suprimido. Só a denominação deve ter sido alterada. Como se tratava de propriedades da Coroa, designava-se, muito simplesmente, por «Esta é régia». Recebeu, em 1519, foral de D. Manuel 1º. A mineração de chumbo tem, nesta área, uma certa importância. Em todo o concelho, mas com maior incidência no norte, aparecem as vistosas cangas pintadas. Os Paços do Concelho da vila são um belo imóvel, construído nos finais do século XlX, que testemunha a importância do novo concelho.

Segundo Xavier Fernandes nos seus Topónimos e Gentílicos (1944): “Afirma-se que em tempos muito remotos houve um conflito travado entre dois conventos, que entre si dividiam o território local; as freiras dum deles aproveitaram uma noite escura para colocar em lugar de evidência uma grande pedra branca com a inscrição “ista rege” ou “esta rege”, legenda a simbolizar supremacia e triunfo. Com o decorrer dos anos, as duas palavras latinas juntas e modificadas, teriam produzido o nome actual Estarreja”.

Estarreja

Com uma população de cerca de 27 mil habitantes distribuídos por uma área de 125 Km2, o concelho de Estarreja é constituído por sete freguesias: Avanca, Beduído, Canelas, Fermelã, Pardilhó, Salreu e Veiros. Até 1926, o concelho incluía igualmente as freguesias de Bunheiro e Murtosa, que então se juntaram às da Torreira e Monte, para formar o novo concelho da Murtosa.
Situado a 22 Km da capital do distrito, o concelho detém óptima localização geográfica, ao contactar directamente com os concelhos de Aveiro, Murtosa, Ovar, Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha.
A história de Estarreja tem as suas raízes na freguesia de Beduído, à qual pertence enquanto vila e sede de concelho. Este topónimo tem, provavelmente, origem na palavra árabe “Badani” (“Beduíno”), cujo significado seria “homem do campo”. Por tal razão, alguns autores consideram esta uma terra de camponeses.
O facto de existirem poucos documentos que nos dêem conta da existência mais remota do território do concelho, dificulta o seu historial. De qualquer modo, tudo indica que desde os primeiros tempos da fundação da Nacionalidade, os lugares de Santiago de Beduído e de Antuã (Salreu) fossem já povoados. Na igreja paroquial de Santiago de Beduído existe, aliás, uma inscrição pertencente ao rei D. Afonso III, da segunda metade do século XIII, o que leva a crer ser esta povoação já relativamente importante naquela época.
Quanto à actual freguesia de Avanca, o seu padroado foi doado ao bispo do Porto por D. Sancho II, passando depois para a posse de Arouca. Nestas terras terá existido uma congregação religiosa, o Convento de Santa Marinha, pertencente ao Mosteiro de Crestuma desde a primeira metade do século X.
A presença da ria de Aveiro é marcante no concelho, principalmente através dos esteiros, que entram terra adentro, tornando-a fértil. Os mais importantes são os do Telhadouro, Taboada, Bulhas, d’Aldeia, Ameiro, Teixugueira, Estarreja, Salreu e de Canelas.
De todo o concelho, talvez o mais importante pólo de atracção para os visitantes seja a chamada Casa do Marinheiro, em Avanca, onde viveu o professor Egas Moniz, hoje transformada em Casa-Museu, como era vontade do prestigiado cientista. Além do valor arquitectónico do rico edifício, construído nos princípios deste século, o maior interesse vai para o seu interior, onde se encontram colecções de pintura — particularmente as diversas obras do pintor José Malhoa — e cerâmica, estas compostas por valiosas peças indo-portuguesas e ricas porcelanas da fábrica da Vista Alegre.

 

 

Ílhavo - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

Segundo a lenda, Ílhavo teria sido fundada pelos gregos. É sem dúvida, uma povoação muito antiga, anterior à Nacionalidade. Recebeu o primeiro foral de D.Dinis em 1296, renovado por D. Manuel 1º em 1514.

É corrente que a sua fundação se deve aos fenícios. E curioso é notar que, até há poucas décadas, os habitantes de Ílhavo constituíam como que um clã à parte, em que o próprio sotaque se diferenciava do de todas as outras povoações vizinhas. Ainda hoje, quando alguém é muito falador ou usa expressões pouco vulgares, se costuma dizer: “É de Ílhavo” !”. Nos séculos Xl e seguinte são correntes as referências (Ílhavo, Ilavum, Illiabum). Em 1514, recebeu foral manuelino, contando a população cerca de 520 habitantes. É no reinado de D. Manuel 1º que a jurisdição da vila passa à posse dos Borges, do senhorio de Carvalhais, cujo paço ficava na Moita.

O sal juntamente com a pesca, a grande atracção; depois a navegação costeira e a pesca nos mares distantes, o comércio marítimo e o arroteamento das terras deram maior corpo ao agregado urbano.

Várias opiniões sobre a origem do nome:

“Adverte-se que o nome Ílhavo se deve pronunciar esdrúxulo, isto é, com acento na primeira, e não na penúltima sílaba como alguns menos advertidos na corte, e outros lugares distantes erradamente pronunciam. Quanto à etimologia do nome Ílhavo, pouca atenção merece a notícia que agora, sucintamente daremos. Um célebre Domingos da Cruz, sacristão que foi da Matriz que se gastava bom humor fleumático, costumava e a próprio cérebro, formar, e fingir etimologias dos nomes das terras, e chegando a Ílhavo dizia ele que a origem e razão de assim se chamar fora, porque sendo “Chousa Velha” (lugar vizinho), povoação mais antiga era nesse tempo Ílhavo, ilha ou terra apaulada e pantanosa e que na tal ilha ou paul criavam muitas aves ou ades e costumavam os moradores da Chousa Velha ir tirar-lhes os ovos. Sucedia, pois, que uma velha costumava ir com um neto que tinha a mesma diligência, e  que quando se descuidava, o neto acostumado àquela guloseima lhe lembrava: “Vamos à Ilha, avó” e que daqui, corrupto vocábulo ficara Ílhavo”.

(Das memórias Paroquiais de 1758, publicado em “O Arqueólogo Português” de 1898)

Outra:

“Ílhavo é, incontestavelmente, uma derivante de Avia, como se torna evidente pela decomposição morfológica do seu étimo medieval, que em latim era Illiabum. Um notável etimólogo francês, o Prof. Albert Dauzat demonstrou com eficiência que o profixo Illi (ou Ili), junto a certos topónimos, tem a significação de Vila, e entre outros exemplos, cita o de Illi-Berris que traduzido é Vila Nova.

Fundamentando-nos sobre as conclusões a que chegámos quando explicamos a etimologia de Aviarium, a agora ainda mais corroborada fica, se juntarmos Illi a Avia, não teremos formado o composto Ílliavia, que nas eras medievais se grafava “Illiabum”, “Illiavo” e “Iliavo”, donde, pela evolução natural, proveio o actual topónimo Ílhavo ?

Por consequência, sendo Avia o vocábulo latino por que a Ria se designa, como vimos quando o estudámos, Ílhavo fica lógica e concludentemente significando a Vila da Ria”.


(Das Notas Toponímicas, de João Oliveira Coelho (1953)

 
Ílhavo

Certos vestígios arqueológicos tornam plausível a hipótese de ter existido, num dos extremos da povoação (no local da Malhada), um povoado romanizado.
A referência documental mais antiga remonta aos anos de 1037 a 1065, e encontra-se no cartulário do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, designado por Livro Preto da Sé de Coimbra, vindo mencionada a doação de Recemondo ao Mosteiro da Vacariça, em meados do século XI, um ano depois da tomada definitiva de Coimbra, parecendo dever concluir-se que tanto os direitos como a terra remontam à primeira Reconquista Cristã, sendo já referida como Vila, “(…) in villa iliauo (...)", constituindo uma unidade rural.
Muitos houve que acreditaram que Ílhavo deve a sua origem a colónias pelágicas, fenícias, ítalo-gregas, nada havendo que se possa provar, embora “(…) segundo a tradição, pelos anos de 1372 a.C., Baco, filho de Semele, acompanhado de muitos gregos, aportou à Lusitânea, e relacionando-se com os povos daquela região, deu-lhes para rei Lysias.”
Foi provavelmente por aquela época, ou pouco depois, que uma colónia de gregos, da formosa raça pelágica, entrou pela foz do Vouga e se estabeleceu nas suas margens. Dessa colónia procedem, embora já muito cruzados com outras raças, os ilhavenses, que ainda hoje conservam o tipo gracioso e elegante daquela formosa raça.”
Ainda no século XI, 1088, o Conde Sesnando faz doação da Ermida de S. Cristóvão ao presbítero Rodrigo, que por sua vez, em 1095 a dá de doação à Sé de Coimbra.

Os Forais

Já no século XIII, D. Dinis encontra Ílhavo bem povoado, concedendo-lhe, a 13 de Outubro de 1296, o seu primeiro foral, dando-lhe várias regalias expressas na Carta Régia.
A 8 de Março de 1514, D. Manuel I, no âmbito da reforma dos forais iniciada pela carta régia de 22 de Novembro de 1497, concede-lhe foral novo; foral este que viria a reger a vida concelhia até à lei de Mousinho da Silveira, de 13 de Agosto de 1832, que em todo o país extingue os forais e anulou as doações Régias.
Terra reguenga, a sua jurisdição passou por vários donatários, vindo a fixar-se ainda no reinado de D. Manuel I na família dos Borges Pereira de Miranda, mantendo-se na sua posse até 1854, ano em que faleceu o Conde de Carvalhais, seu último donatário.
A Reforma Administrativa
O Concelho de Ílhavo foi criado pelos decretos de 09 de Novembro e 31 de Dezembro de 1836.
Em 21 de Novembro de 1895, para grande surpresa e descontentamento dos ilhavenses, o concelho era suprimido e anexado ao de Aveiro, mas passados três anos, o mesmo era restaurado e era-lhe devolvida a sua antiga autonomia, tendo sido celebrada entusiasticamente pelos Ilhavenses, a 31 de Dezembro de 1898.
Elevação a Cidade
E passado quase um século da restauração do seu poder concelhio, a Vila de Ílhavo vê-se elevada a Cidade, a 13 de Julho de 1990, fruto do desenvolvimento socio-económico e crescimento urbano.
A Vila da Gafanha da Nazaré segue-lhe o exemplo e é elevada a Cidade a 19 de Abril de 2001.
Concelho desde sempre dedicado ao mar, cedo as suas gentes descobriram a sobrevivência económica através dele. A criação de pequenas comunidades piscatórias ao longo do litoral português, são sinónimo da sua forte vivência com o mar.
O Grande Desafio - O Futuro
A pesca do bacalhau e toda a sua epopeia vivida nos mares frios da Gronelândia e da Terra Nova, está presente na memória colectiva, sendo um património dos portugueses, onde os pescadores e capitães desta terra foram baluartes.
Paralelamente à existência de uma agricultura intensiva (pois eram estas terras as melhores do Baixo Vouga), nascia nos finais do século XIX, a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, que pela sua dimensão na época e influência cultural exercida, foi um factor de forte desenvolvimento do concelho, bem como de zonas limítrofes.
A localização privilegiada e a vocação marítima, propiciou o aparecimento de zonas portuárias, particularmente de pesca longínqua, com todas as actividades de construção e reparação naval, bem como indústrias de secagem e de frio, que foram um factor marcante no desenvolvimento económico e social.
Ao longo das últimas duas décadas do Século XX, Ílhavo sofreu profundas mutações sociais, culturais e económicas, que ficaram a dever-se à diminuição da oferta de emprego no sector das pescas, obrigando as gentes Ilhavenses , que quase nasciam com o destino marcado no mar, a virar-se para outras actividades, ligadas ao comércio marítimo e a outros sectores, nomeadamente a indústria. Também a construção do Porto de Aveiro com as suas instalações centradas no nosso concelho, bem como a construção da IP5 que liga as belas praias da Costa Nova e Barra ao interior do país e à fronteira, e a implantação de duas zonas industriais no concelho, a zona industrial da Mota e a zona industrial das Ervosas, vieram propiciar novas condições de dinamização económica, com predominância nos sectores industriais e no turismo.

 

Mealhada - (Distrito de Aveiro)
 

 

Povoação muito antiga, teve origem provavelmente à beira de uma via romana. É já referida num documento datado de 1288. Em 1514, recebeu de D. Manuel 1º foral novo.

Remonta ao Paleolítico os primeiros vestígios da presença humana na Mealhada. Do período romano têm aparecido significativos testemunhos um pouco por todos os lugares da freguesia. Na época medieval surge o topónimo Mealhada Má, sobrevivendo depois somente o de Mealhada. Andou, até há poucas décadas, legadas à freguesia da Vacariça. A estação de caminho de ferro activou a pequena povoação, o que, juntamente com o rejuvenescimento da Bairrada (depois do repovoamento autorizado por D. Maria 1ª) e com o cruzamento das estradas Norte-Sul e Mealhada-Santa Comba, esta última para o interior, veio a contribuir para o seu rápido crescimento.

Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Quanto à origem do topónimo, poder-se-á ver nele um derivado de “mealha” com o sufixo “Ada”, mas será realmente este verdadeiro étimo?

Mealhada

Limite sul do distrito aveirense, a Mealhada estende-se entre a Serra do Buçaco e a orla gandareza de Cantanhede, acompanhando o pequeno rio Cértima desde a nascente até se perder em meandros na fronteira territorial do vizinho concelho de Anadia.
Remonta ao ano 39 dc o marco miliário da Mealhada, testemunho da passagem da via romana Conimbriga-Braccara Augusta pela região, com inscrições que referem o imperador Calígula.
Em 1002 existia no território do actual concelho, o Mosteiro da Vacariça que exerceu larga influência religiosa em toda a região, estendendo-se o seu património para além dos rios Mondego, a sul e Douro, a Norte, tendo sido proprietário do Mosteiro de Leça e terras da Maia.
A sua dimensão e importância estão bem documentadas, entre outras fontes, no Livro Preto da Sé de Coimbra, mas da opulência e riqueza deste mosteiro dos tempos da reconquista não existe hoje qualquer vestígio físico.
Administrativamente, vamos ao rei D. Manuel I colher o Foral da Vacariça e Mealhada, datado de 12 de Setembro de 1514 e a D. Maria II se deve a criação do concelho da Mealhada em 24 de Outubro de 1855 com a consequente extinção da primitiva autarquia da Vacariça, centro nevrálgico duma rica região agrícola.
Em 1628 estabelece-se no Buçaco uma comunidade de frades carmelitas, ali edificando o convento de Santa Cruz do Bussaco e inúmeras ermidas e capelas de penitência, que são hoje o património classificado do concelho. A Ordem dos Carmelitas Descalços ali permaneceu durante 200 anos até à sua extinção em 1834.
Em 1810, também em plena Serra do Buçaco, sofre Napoleão uma das primeiras derrotas do império durante a terceira invasão francesa comandada pelo marechal Esseling Massena, perante o exército anglo-luso sob o comando do Duque de Wellington. O espólio da luta, recolhido no Museu Militar do Buçaco é o testemunho vivo desse episódio da história de Portugal.
Nos finais do séc. XIX foi edificado em terrenos do antigo convento o Palace Hotel do Buçaco, uma obra em estilo neo-manuelino com traço do cenógrafo italiano Luigi Manini. Destinado inicialmente a pavilhão de caça do Rei D. Carlos, nunca lhe coube satisfazer essas funções e em 1917 foi transformado em hotel de luxo concessionado a pioneiros da industria do turismo em Portugal como o suiço Paul Bergamin ou o natural do concelho, Alexandre Almeida. É hoje uma prestigiada unidade hoteleira referenciada em todo o mundo.
Limite sul do distrito aveirense, a Mealhada estende-se entre a Serra do Buçaco e a orla gandareza de Cantanhede, acompanhando o pequeno rio Cértima desde a nascente até se perder em meandros na fronteira territorial do vizinho concelho de Anadia.
Remonta ao ano 39 dc o marco miliário da Mealhada, testemunho da passagem da via romana Conimbriga-Braccara pela região, com inscrições que referem o imperador Calígula.
Em 1002 existia no território do actual concelho, o Mosteiro da Vacariça que exerceu larga influência religiosa em toda a região, estendendo-se o seu património para além dos rios Mondego, a sul e Douro, a Norte, tendo sido proprietário do Mosteiro de Leça e terras da Maia.
A sua dimensão e importância estão bem documentadas, entre outras fontes, no Livro Preto da Sé de Coimbra, mas da opulência e riqueza deste mosteiro dos tempos da reconquista não existe hoje qualquer vestígio físico.
Administrativamente, vamos ao rei D. Manuel I colher o Foral da Vacariça datado de 12 de Setembro de 1514 e a D. Maria II se deve a criação do concelho da Mealhada em 24 de Outubro de 1855 com a consequente extinção da primitiva autarquia da Vacariça, centro nevrálgico duma rica região agrícola.
Em 1628 estabelece-se no Buçaco uma comunidade de frades carmelitas, ali edificando o convento de Santa Cruz do Bussaco e inúmeras ermidas e capelas de penitência, que são hoje o património classificado do concelho. A Ordem dos Carmelitas Descalços ali permaneceu durante 200 anos até à sua extinção em 1834.
Em 1810, também em plena Serra do Buçaco, sofre Napoleão uma das primeiras derrotas do império durante a terceira invasão francesa comandada pelo marechal Esseling Massena, perante o exército anglo-luso sob o comando do Duque de Wellington. O espólio da luta, recolhido no Museu Militar do Buçaco é o testemunho vivo desse episódio da história de Portugal.
Nos finais do séc. XIX foi edificado em terrenos do antigo convento o Palace Hotel do Buçaco, uma obra em estilo neo-manuelino com traço do cenógrafo italiano Luigi Manini. Destinado inicialmente a pavilhão de caça do Rei D. Carlos, nunca lhe coube satisfazer essas funções e em 1917 foi transformado em hotel de luxo concessionado a pioneiros da industria do turismo em Portugal como o suiço Paul Bergamin ou o natural do concelho, Alexandre de Almeida. É hoje uma prestigiada unidade hoteleira referenciada em todo o mundo.

Falar de turismo no concelho da Mealhada pode começar pela referência ao primeiro recurso gastronómico da região, o leitão assado, precisamente à moda da Mealhada.
Esta é uma iguaria conhecida de norte a sul, dispensa outras apresentações, assado no forno a lenha, amarelo, e fumegante, assim deve ser visto na mesa, para depois ser saboreado no prato.
Prato que se completa se for acompanhado por um vinho seleccionado entre um bom Bairrada, amadurecido aqui, nas encostas do concelho, pisado e produzido pelos vinhateiros locais, com o enlevo e o saber da secular experiência.
Um bom espumante natural é uma sugestão...
A água do Luso nasce também no município da Mealhada e para além daquela que se bebe da célebre fonte pública de S. João, e da que se vende pelo país inteiro há a que faz parte dos tratamentos termais dirigidos particularmente a doenças da pele e do aparelho urinário e que são o emblema das Termas do Luso, em plena encosta da serra do Buçaco.
Mas há um recurso que se sobrepõe a todos os outros, que é a Mata Nacional do Buçaco.
Património histórico religioso e militar, a Mata Nacional é sobretudo um património botânico de incalculável valor e uma referência turística no concelho, no país e no mundo.
Duma riqueza dendrológica incalculável, a Mata Nacional alberga árvores das mais diversas partes do globo, trazidas pelos frades carmelitas quando ali se estabeleceram no seu Mosteiro de Santa Cruz.
É fácil encontrar uma sequóia da América do Norte, um chorão japonês, um imbondeiro africano, árvores oriundas do Brasil, do México, dos Himalaias, uma mistura de espécies que não tem paralelo em parques europeus, o que faz da Mata Nacional um verdadeiro templo botânico.

 

 

Murtosa - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 


Sede de concelho desde 1926, as suas principais actividades andam ligadas à pesca e às conservas, aos lacticínios e à criação de gado. Tende a perder-se a tradição da apanha do moliço.

A origem da Murtosa é geralmente atribuída a colónias de pescadores estrangeiros, nórdicos e mediterrânicos, aqui se fixaram, correspondendo à política dos reis da 1ª dinastia.

Hoje, mantém-se a Murtosa que poetas e pintores imortalizaram. Só que, no Verão, que a Ponte de Varelas e as praias vizinhas dão-lhe um ar verdadeiramente cosmopolita.

Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Um pouco pitorescamente, foi assim explicada algures a origem da designação, Murtosa: Seus campos e areais, outrora áridos e despovoados, apresentavam-se cobertos de variadas flores de rosas e muitas outras plantas, que devido ao sopro da viração e ao tórrido calor, facilmente murchavam. Seus poucos habitantes por tal motivo lhe chamavam flores da murta, que facilmente veio dar ao lugar o nome de Murtosa. O autor desta explicação, o murtoseiro J. J. S. , ignorava por certo que numa doação feita ao Convento de Tarouca, no ano de 1243 está citada uma marinha de sal, com o nome de Morrecosa ou Mortecosa denominação esta que já foi aproximada das origens de Murtosa. Não repugnaria aceitar como étimo do topónimo o nome comum de vegetal, “murta”, acrescentado de um sufixo”.

Murtosa

A Murtosa é uma vila portuguesa, situada no Distrito de Aveiro, região Centro e subregião do Baixo Vouga, com cerca de 3 100 habitantes.
É sede de um pequeno município com 73,65 km² de área e 9 458 habitantes (2001), subdividido em 4 freguesias. O município é dividido em dois pelo braço norte da ria de Aveiro. O território principal, onde se localiza a vila, é limitado a nordeste pelo município de Estarreja e a sul liga-se aos municípios de Albergaria-a-Velha e Aveiro através da ria de Aveiro, que também o rodeia a ocidente. O território secundário é limitado a norte, por terra, pelo município de Ovar e a sul pelo de Aveiro, e tem litoral na ria de Aveiro a leste e no oceano Atlântico a oeste. O concelho foi criado em 1926 por desmembramento de Estarreja.

 

 

Oliveira de Azeméis - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

Povoação muito antiga, já é referida num documento de doação feita a um bispo pelo rei Ordonho em 922. Beneficiou do foral outorgado a Feira por D. Manuel 1º, em 1514.

A tradição popular refere a origem de Oliveira de Azeméis ligada à existência, nesta terra, de uma ou várias oliveiras a que se prendiam as azémolas ou azeméis que vinham por conta do Mosteiro de Arouca receber os foros que as terras e populações a ele anexas lhe pagavam. Em documento de 922 é referida como Villa Olivaria e em princípios do século XVl é comenda real. Com D. Manuel 1º usa-se já a actual designação. Em 5 de Janeiro de 1799, passou a vila e, com Mouzinho da Silveira, a sede de concelho, extinguindo-se então o de Pinheiro da Bemposta. Beneficiando de excelente posição geográfica, aqui foi instalada, no século XlX, uma paragem e muda de mala-posta.

Segundo o “Domingo Ilustrados” de 1898: “A tradição popular atribuí a etimologia do seu nome a uma puerilidade inaceitável. Ei-la: Em tempos antigos houve no sítio uma venda de vinho, que tinha defronte da porta uma bela e frondosa oliveira. Ora, os donatos dos mosteiros usavam ir por ali descansar e refrescar as goelas, e sentavam-se à sombra daquele símbolo da paz, e refazerem-se de forças para prosseguirem no peditório. Chamavam aos pobres donatos também azeméis, e daqui proveio a denominação de Oliveira de Azeméis, com que ficou a localidade.

Segundo, porém, a opinião mais sensata, de escritores de grande probidade literária, o nome provém do árabe “algemê”, que significa ajuntamento, arraial, associação de coisas ou pessoas. No século XVl ainda se empregava este vocábulo na Língua Portuguesa, e o primeiro escritor Damião de Góis a empregou várias vezes, como por exemplo, na Crónica de El-Rei D. Manuel, parte terceira, onde se lê: «Mandou Nuno Fernandes, a Lopo Barriga, que fosse ao “azemel” de Abida, onde os capitães dos Cabildas e Aduares, tinha em suas tendas» etc. 

 

Oliveira de Azeméis
História do Município de Oliveira de Azeméis
A primeira referência documental a Oliveira de Azeméis data de 922, e trata-se de uma doação feita pelo rei Ordonho a um Bispo do Mosteiro de Crestuma. Dessa época existem hoje vestígios de ocupações proto-históricas e romanas.
Até ao séc. VII, o que marca Oliveira de Azeméis é o cruzamento de rotas tradicionais para o interior e para o litoral, para o norte e para o sul, bem como o facto de ser ponte de ligação da via militar romana que liga Lisboa a Braga, que aqui tinha o seu tão conhecido Marco Miliário da Milha XII.
Do séc. VII ao X, é alcaria e arraial de moçarebes e berberes que aqui se fixaram e desmantelaram a vida institucional anterior, assim como topónimos da área, hábitos típicos e o próprio traje regional. O próprio topónimo Azeméis tem uma etimologia que apela não só para uma colónia de Almocreves, mas ainda para colonizadores árabes da família Azemede.
Do séc. X ao XV, Oliveira de Azeméis é palco de lutas renhidas entre árabes e chefes militares leoneses e portucalenses, incluindo colonos adstritos aos mosteiros de Pedroso, Grijó e Cucujães, aos quais se deve o repovoamento e fundação das 19 freguesias, o aproveitamento dos cursos de água locais para a indústria de moagem e de irrigação das terras marginais, o desenvolvimento da já referida colónia de almocreves (Azemeles) e a instalação de uma acolhedora hospedaria para peregrinos e veraneantes que aqui vinham descansar, caçar ou pescar.
No período que vai do séc. XV ao XVIII, a história de Oliveira de Azeméis ficou marcada pela implementação da Comenda Real da Ordem de Cristo, em 1517, e destinada a arregimentar milícias para a defesa do território e policiamento do trânsito regional.
Em 5 de Janeiro de 1799, foi elevada à categoria de Vila e tornou-se Sede do Concelho. Com Mouzinho da Silveira, Oliveira de Azeméis passou a ser o Concelho que é hoje.
No dia 16 de Maio de 1984 é elevada a Cidade do distrito de Aveiro e diocese do Porto, mercê do seu notável progresso, densidade demográfica e categoria das suas estruturas urbanas.
Oliveira de Azeméis é elevada à categoria de vila em 05 de Janeiro de 1779, pois era terra sem Foral, que apenas aproveitara do Foral da Feira, dado por D Manuel I, em Lisboa a 10 de Novembro de 1514. O Alvará de criação de vila foi ampliado em 24 de Outubro de 1779, criando-se o Concelho de Oliveira de Azeméis, a que foram anexadas por decreto do Príncipe Regente de 27 de Setembro de 1801, as freguesias de Santa Maria de Arrifana e a de S. João da Madeira, para preencher o nº de 20 freguesias marcado no Alvará de 05 de Janeiro de 1779.
A Arrifana voltou ao seu antigo Concelho, que era o da Feira e S. João da Madeira tornou-se Concelho. Em 1855, extinto o Concelho do Pinheiro da Bemposta, as 5 freguesias que o constituíam, passaram para Oliveira de Azeméis.

 

 

Oliveira do Bairro - (Distrito de Aveiro)

 

 

D. Manuel 1º outorgou-lhe foral novo em 1514.

Sede de concelho predominantemente agrícola, pertencendo parte das suas terras à região da Bairrada, recebeu em 1514 foral manuelino, pelo qual foi elevada à categoria de vila. Foram seus donatários os condes de Miranda e o marquês de Arronches e, mais tarde, os duques de Lafões.

O mercado municipal – a praça – assume aos sábados características de verdadeira feira.

Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos :” Este topónimo primitivamente não é mais que o nome comum “oliveira”, designação duma conhecidíssima árvore.

O determinativo “do Bairro”, deve ser devido à natureza argilosa do terreno”.

 

 

 

Ovar - (Concelho do Distrito de Aveiro)
 

 

 

Primitivamente denominada Var ou O Var, resultou da fusão de várias vilas próximas. Documentos dos séculos X e seguinte já se referiam a esta localidade. D. Afonso 4º concedeu-lhe privilégios e D. Manuel 1º outorgou-lhe foral novo em 1514.

 

Segundo alguns historiadores, Ovar teria feito parte do condado do Porto desde o século lX, passando depois, sucessivamente, aos de Coimbra, Barcelos e Feira, até ficar na Casa do Infantado. Recebeu foral manuelino, e admite-se que o lugar de Cabanõs tenha sido o primeiro a ser povoado.

A pesca, tanto a marítima como a da ria (e outrora o sal), foi prendendo aqui os habitantes, que se estenderam ao longo da faixa costeira, dando origem a novos povoados. A costa do Furadouro, junto a Ovar, chegou a ter, até meados do século passado, uma indústria de conservas. Mas as indústrias de laminagem de aço, construção de motores e montagem de automóveis têm vindo a substituir as tradicionais.

Aqui viveu o escritor Júlio Dinis.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Pinho Leal opiniou que, tendo lá ido estabelecer-se alguns marinheiros franceses do Var, na costa da Provença, em memória da sua terra dariam ao lugar o seu nome, e que chamando-lhe em d’Ovar…

Outra versão conta que os primeiros habitantes do povoado, “Cabanões”, em muitos vocábulos trocariam o “l” pelo “r”, como ainda hoje acontece, e que assim os pescadores de “Cabanões”, quando iam ao vale, em que depois foi edificada a vila, diriam «vou ao var» e desta forma se teria feito Var e por fim Ovar”.

 

Ovar

Ovar é um concelho composto por oito freguesias (Ovar, Esmoriz, Válega, Cortegaça, Maceda, S.João, Arada e S. Vicente de Pereira). Abrange uma área superior a 160 Km2 e é um dos 19 concelhos do distrito de Aveiro, ocupando uma posição privilegiada no litoral norte. Tem cerca de trinta mil habitantes para a área de 150 Km2 e, aproximadamente, 20. 000 no centro urbano para uma área de 20,65 Km2, perfazendo um total aproximado de 50 000 habitantes.
O seu regular desenvolvimento sócio-económico terá de associar-se, obrigatoriamente à proximidade do Mar e da Ria, à fertilidade do solo e à planura da região. O concelho beneficia ainda da sua excelente localização relativamente à cidade e porto de Aveiro - 32/35 Km a sul e 35 Km a norte do Porto - situando-se num dos eixos estratégicos do desenvolvimento nacional. É servido pela Estrada Nacional 109, pela linha dos Caminhos de Ferro (desde 1863) e dispõe de acessos à Auto-estrada Porto/Lisboa a cerca de 10 Km. Não há transportes urbanos; apenas algumas carreiras de autocarros para os lugares e vilas do concelho, assim como para S. João da Madeira, Feira, Oliveira de Azeméis e Espinho. A rede de transportes escolares cobre a generalidade das localidades adaptando, na sua maior parte, os transportes públicos existentes.
Ovar Organiza o melhor Carnaval de Portugal,  é a cidade do Pão de Ló e do Azulejo.

 

Lenda da Nossa Senhora da Graça (Ovar) 
Segundo rezam as crónicas, aí pelos princípios do séc. XV, talvez nos tempos de el-rei D. Duarte, os vareiros foram surpreendidos com o aparecimento duma imagem de Nossa Senhora, sobre um grande penedo, no meio do espesso arvoredo, outrora existente no local onde hoje confluem as ruas Elias Garcia e Gomes Freire.
Aos pés da imagem, uma inscrição ordenava que " naquele lugar se edificasse uma casa em seu louvor", com a promessa de livrar a população das pestes que naquele tempo passavam e assustavam.
Entretanto a imagem foi levada para a Igreja Matriz, mas passados tempos, inexplicavelmente e com surpresa geral, voltou a aparecer sobre o mesmo penedo. A cena voltou-se a repetir e então os vareiros devotos como eram e receosos que algo de mal lhes acontecesse, resolveram erguer uma capela, que dedicaram a Nossa Senhora da Graça.

 

 

Santa Maria da Feira - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

Nesta região têm sido encontrados vestígios pré-históricos e ainda, e principalmente, da época romana. Foi a Civitas Sanctae Mariae, cabeça de um território – a terra de Santa Maria - , documentada desde o século X. A narrativa do cruzado Oeberno, no século X, faz-lhe referência. Na época da rainha D. Teresa já era uma povoação designada pelo nome de Feira, topónimo certamente derivado de uma feira que desde épocas remotas tinham lugar neste local.

O centro vital das Terras de Santa Maria é a vila da Feira. Uma hipótese sobre as suas origens, provavelmente a mais verosímil, é a seguinte: nos terrenos baixos, junto ao monte de floresta onde se ergue o castelo, surgiu e desenvolveu-se uma povoação com base no mercado onde vendiam os produtos das colheitas, alfaias, ferramentas e panos, artigos necessários ao viver quotidiano dos vassalos camponeses, que vinham ao castelo trazer os impostos, pagos pela utilização das terras senhoriais. Essa feira tornou-se tão importante que a aglomeração e posteriormente a vila tomaram o seu nome.

Num documento de 1117, de D. Teresa, o local é designado por «Terra de Santa Maria onde chamam Feira». Assim, o castelo, a povoação e toda a região passaram a ser conhecidos por Santa Maria da Feira, nome posteriormente abreviado para Feira, como é conhecida. O foral de D. Manuel 1º, de 1514, já foi concedido à vila da Feira e Terra de Santa Maria.

Em todo o concelho se realizam numerosas feiras e mercados, merecendo especial referência as de Arrifana, a 4 e 22 de cada mês, a da Vila, nos dias 20, além do mercado dos domingos e da feira anual no primeiro domingo de Agosto, as de Lourosa e Fiães, nos dias 10 e 28, a dos 7 em Paços Brandão, a dos 17 em São João de Ver, e São Jorge, a dos 25 em Espargo, a do Souto em 26, a de Mozeles a 25, e a do Canedo no segundo domingo de cada mês. Muitas destas feira têm existências multisseculares, e o próprio nome da Vila tira a sua origem dum desses mercados, talvez da Feira da Linhaça, à porta do Castelo, no terreiro, que sempre se chamou Feira de Março, e que se realizava a 25 deste mês. Sabe-se que já em 1117, em documento da rainha D. Teresa, se falava da Terra de Santa Maria, onde chamam feira; e conhece-se a carta de D. João 1º, de 27 de Junho de 1407, instituindo a requerimento do cavaleiro João Álvares Pereira, uma feira quinzenal no concelho, que veio a ser a Vila da Feira, e que então estava incluído na Terra de Santa Maria, vasta circunscrição de limites ainda não suficientemente fixados ao Sul do Douro.

Apontamento do ano de 1900 (Jornal do Comércio): “Feira, vila e cabeça de concelho do distrito de Aveiro, nas margens do rio Caster ou Lavadeira; tem 2.670 habitantes. Cereais, vinho; fábricas de papel, chapéus, panos. Castelo pitoresco. O concelho tem 35 freguesias e 44.619 habitantes”.

 

Santa Maria da Feira

As Terras de Santa Maria abrangem os actuais Concelhos de Albergaria-a-Velha, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Estarreja, Gondomar, Murtosa, Oliveira de Azeméis, Ovar, S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Sever do Vouga, Vale de Cambra e Vila Nova de Gaia, sendo fruto de uma designação antiga e remota do século XI.
Situada no cruzamento dos eixos Norte-Sul e Litoral-Interior, dispõe de um posicionamento geográfico estratégico que faz com que esta região, desde os primórdios da civilização em Portugal, seja um local de encontro e passagem de muitos e variados povos.
O Castelo da Feira, construído no início do séc. XI, local de pagamento de tributo, era local privilegiado de comércio (de produtos das colheitas, ferramentas agrícolas, vestuário,...). Esta feira, tornou-se tão importante que a aglomeração tomou o seu nome Civitas Sanctae Mariae, dando origem à actual cidade de Santa Maria da Feira.
Desde bem cedo, devido a acontecimentos históricos e, sobretudo, a factores geográficos bem demarcados (a Norte, o rio Douro; a Sul, o Vouga; a Oeste o Oceano Atlântico e a Leste as regiões montanhosas de Arouca, Vale de Cambra e Sever do Vouga) a delimitação exacta dos seus limites não acarretou os problemas que era normal acontecer.
Tal facto, levou à criação de uma zona sócio-económica pujante e de grande vitalidade, por força da diversidade das suas terras (as planícies forneciam os cereais, a vinha e a horticultura: o rio e o mar proporcionavam a pesca e as serras, a caça, pastorícia e a exploração dos bosques) e ao seu posicionamento estratégico entre os dois pólos políticos e comerciais de então: Porto e Coimbra.
É nesta envolvência geográfica, económica, militar, sociológica e cultural que surgem, nos inícios do séc. XIII, as convulsões políticas resultantes da morte do Conde D. Henrique e que irão reforçar o prestígio e a importância das Terras de Santa Maria.
Com efeito, a viúva (Rainha D. Teresa) deixou-se envolver por Fernão Perez de Trava que pretendia tomar controlo do Condado Portucalense. Para isso, começou a retirar poder, cargos e terras à nobreza portucalense e a dar às famílias galegas da sua confiança.
Ao aperceberem-se disso, algumas das principais famílias do Alto Minho e das Terras de Santa Maria, resolveram juntar forças e revoltar-se contra este movimento de usurpação. Nasceu assim, a revolta que culminou com a batalha de S. Mamede.
Nesta batalha, foi preponderante o papel dos habitantes e Senhores das Terras de Santa Maria, com a determinação da sua força militar organizada, o dinamismo económico e as influências que possuíam (a nível político, social e religioso) que permitiram a Independência do reino e a consolidação do Condado Portucalense.
Ao longo dos anos, a Terra de Santa Maria manteve a sua importância geográfica estratégica e um orgulho na sua História e tradições, mas foi perdendo a sua influência política, económica e cultural, facto que lhe retirou visibilidade mediática a nível nacional.
No entanto, com o ressurgimento da democracia, acordou decisivamente de uma certa letargia e, actualmente, assiste-se a uma simbiose e uma complementaridade entre a agricultura (predominante nas áreas montanhosas do interior) e a indústria (especialmente a cortiça, calçado, papel, metalomecânica, metalúrgica, cerâmica e equipamentos para crianças), sendo o sector terciário aquele que tem registado mais elevadas taxas de crescimento, de forma a tornar esta região competitiva e afirmar-se a nível nacional e internacional, tendo epicentro deste desenvolvimento Santa Maria da Feira.
As Terras de Santa Maria da Feira resistem a conservar as memórias da sua história mas, estão abertas às "ondas de modernidade e progresso", afirmando-se, através desta dupla personalidade, num quotidiano que responde aos desafios da viragem do milénio, sem pôr em causa a sua génese cultural.
Santa Maria da Feira é uma cidade situada no norte de Portugal, distando cerca de 30Km do Porto e 45 de Aveiro. Como mostra o mapa, a cidade é servida por 2 auto-estradas (a A1 e o IC1) e ainda pela estrada nacional N1-IC2.
Com uma população de 120 mil habitantes este concelho ocupa 211 Km2 repartidos por 31 freguesias.
Devido à sua proximidade com o mar, a cidade goza de um clima suave e húmido no Inverno e relativamente quente de Verão. As amplitudes térmicas de Inverno são de 5º - 18º e 16º - 32º de Verão.
 

Fogaceiras  
Tudo começou em 1505, quando apareceu uma epidemia, então os Condes do Castelo da Feira apelaram ao mártir S. Sebastião para que acabasse com ela, prometendo oferecer ao Santo uma fogaça todos os anos.
O voto da fogaça, foi suspenso durante 4 anos (entre 1749 e 1753), logo apareceu de novo um surto de peste.
Então, o Infante D. Pedro determinou, por Alvará de 30 de Julho de 1753 que a Câmara Municipal assumisse a realização da «Festa das Fogaceiras», para a qual contribuía com 30 mil réis.
As «fogaças de voto» foram inicialmente distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres, mais tarde pelos presos e pelas personalidades, em fatias chamadas «mandados».
Hoje em dia, a festa e procissão solene realizam-se na sede de Santa Maria da Feira, no dia 20 de Janeiro, feriado municipal.
A celebração tem ínicio com um cortejo cívico dos Paços do Concelho para a Igreja Matriz, no qual se integram autoridades civis de dezenas de crianças. Fogaceiras vestidas de branco com faixas coloridas à cintura, levando à cabeça uma Fogaça-doce regional feita com farinha de trigo e cujo formanto foi inspirado nas 4 torres do Castelo-enfeitada com bandeiras coloridas: Três das crianças transportam fogaças de tamanho grande, que são entregues às autoridades religiosas, politicas e militar, outra das crianças transporta um tabuleiro com as velas do voto e ainda outra com a miniatura do Castelo da Feira, em madeira. Da parte da tarde organiza-se a procissão, no centro da cidade com os andores de S. Sebastião e de Nossa Senhora.
Nos tempos mais remotos, no fim da procissão, as crianças mais desfavorecidas partiam a sua fogaça benzida em fatias e distribuíam ofertas.

Viagem Medieval
Quem visitar Santa Maria da Feira durante a Viagem Medieval poderá recuar no tempo, até à época medieval, revivendo o seu quotidiano, sentindo o dinamismo de mercadores e artesãos, a azáfama do trabalho dos artífices, o desafio dos jogos, das pelejas e dos torneios, o prazer dos momentos de convívio em ceias e grandes festas, onde domina a música, a dança e a magia.
Num tempo e num espaço diferentes, os visitantes poderão reviver o passado de um território que teve como centro de poder administrativo o burgo da Feira e o castelo como centro do poder militar.

Imaginarius  
O Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua, organizado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e pela Feira Viva - Cultura e Desporto, E.M com direcção artística da Associação Cultural Sete Sóis Sete Luas. O Imaginarius é um evento de qualidade ímpar na área das artes do espectáculo, sendo a principal referência do teatro de rua em Portugal.
Este Festival
procura impulsionar o teatro de rua através da mostra de espectáculos e projectos de incontornável qualidade nacional e internacional, a realizar em espaços abertos e públicos no centro histórico de Santa Maria da Feira.

 

Castelo da Santa Maria da Feira
O conjunto apresenta planta oval irregular, orientada no sentido norte-sul, em estilo gótico, tendo incorporado elementos de outros estilos ao longo dos séculos.
Com muralhas em alvenaria e cantaria de pedra, do período inicial, a Torre de Menagem domina a alcáçova; do final do século XV, datam as adaptações às demandas da pirobalística. Em seu interior, na ampla praça de armas, encontram-se ainda os vestígios do antigo palácio seiscentista.
A porta da barbacã, coroada pelo brasão dos Pereiras é protegida por duas torres quadrangulares adossadas: a sudoeste, a Torre da Casamata, atrás da qual se encontra um recinto quadrangular e abobadado onde se alojavam os soldados e que servia como bateria com troneiras nos muros exteriores; no lado oposto a Torre do Poço, protegendo a nascente.
Pela porta da barbacã acessam-se, sucessivamente, a porta da Vila e a praça de armas, na qual se situa a Torre de Menagem. Esta torre-alcáçova, ergue-se em três pavimentos: no inferior, a cisterna; no segundo o salão nobre, destacando-se três lareiras, um fogão e quatro janelas, três delas com conversadeiras; no terceiro a área residencial íntima.
A seguir à Torre de Menagem, rematada com coruchéus cónicos, o visitante encontra a tenalha, precedida pelo chamado pátio da traição (onde se abre a respectiva porta). Em lado oposto à tenalha, adossada à muralha da cerca erguem-se a capela, de planta hexagonal, sob a invocação de Nossa Senhora da Encarnação, e a Casa da Capelania, em estilo barroco.

 

 

 

São João da Madeira - (Concelho do Distrito de Aveiro)

 

 

É povoação antiga que fez parte da doação do couto de Cucujães, feita por D. Afonso Henriques. Aparece nas Inquisições de D. Afonso 3º e volta a ser referida no foral manuelino dado às terras da Feira. Por detrás da igreja, de invocação de São João Baptista, passava a via romana.

Aqui ocorreu, durante a 2ª invasão francesa, um episódio triste, que bem marcou o crescimento de São João da Madeira. Quando Soult avançava para a linha do Vouga, tentando o caminho de Lisboa, um dos seus oficiais de prestígio foi morto em pequeno recontro, dentro dos limites da freguesia. Soult mandou um general vingar o acontecido. A igreja foi cercada à hora da missa e a população foi “quintada”, sendo os infelizes sorteados logo fuzilados, num campo denominado a Bussiqueira.

Segundo Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Quanto a São João da Madeira, nos Anais do Município de Oliveira de Azeméis (pág. 280), lê-se que é povoação muito antiga, pois já existia com o nome de Madeira ou fraguesia da Madeira, em 1251, visto estar mencionada nas Inquisições tiradas no mês de Agosto deste ano, para provarem a existência do foral velho, sem data, que às Terras de Santa Maria deu D. Sancho 1º, no fim do século Xll.

Não é, porém, inteiramente exacto este informe, pois as referidas Inquisições não dizem simplesmente Madeira, mas sim Sancto Joahane de Madeyra, ao contrário do que registaram os mencionados Anais, sem dúvida, copiados do incerto Pinho Leal.

Também se afirma que o determinativo final se deve explicar pela abundante vegetação florestal, encontrada primitivamente no lugar”.

 

São João da Madeira
As origens de S. João da Madeira remontam a longínquos tempos, como comprovam os legados das civilizações celta, romana, árabe e visigótica. É, no entanto, em 1088 que aparece pela primeira vez, em fontes escritas, a menção a S. João da Madeira. A expressão “Uilla de Sancto Ioanne de Mateira” é a primeira referência documental e surge em duas cartas de venda, em pergaminho. A designação de Madeira prende-se, ao que tudo indica, com a abundância de matéria lenhosa desde sempre existente na região.
No século XIX, S. João da Madeira regista um intenso crescimento, fruto do desenvolvimento comercial e industrial, sobretudo com a indústria dos chapéus e dos lacticínios, transformando radicalmente a situação do povoado. A prosperidade adquirida – para a qual viria a contribuir decisivamente também a indústria do calçado - só foi possível pelo dinamismo e espírito de trabalho dos seus habitantes.
Com o progresso e modernização veio a alteração radical do panorama arquitectónico da povoação. Assim, a primitiva igreja foi demolida em 1883 e no ano seguinte iniciou-se a construção da igreja nova que, a 11 de Julho de1888, era benzida e inaugurada. Em 1908 El Rei D. Manuel II inaugurava o troço de linha de Caminho de Ferro do Vale do Vouga, contribuindo muito para o incremento das vias de comunicação paralelamente à construção de estradas e caminhos. Foi também criado o hospital, chegou a luz eléctrica e nasceu o Grupo Patriótico Sanjoanense que deu novo impulso ao progresso local.
O apogeu de todo este desenvolvimento viria com emancipação concelhia por decreto em de 11 de Outubro de 1926, sendo assim criado o concelho de S. João da Madeira. Este decreto considerava o novo concelho como o “centro industrial mais importante do distrito de Aveiro” e o seu desenvolvimento económico e social estava a ser “prejudicado, sufocado pela sua inferior categoria administrativa”. A elevação a cidade viria em 16 de Maio de 1984, como reconhecimento do intenso labor dos habitantes de S. João da Madeira, traduzido no desenvolvimento e progresso que hoje se pode atestar nas mais diversas realizações arquitectónicas, desportivas, sociais, culturais, urbanísticas.

 

 

 

Sever do Vouga - (Distrito de Aveiro)

 

 

Recebeu foral de D. Manuel 1º em 1514.

Segundo a tradição, deriva do conde Sevérus, de origem visigoda, e daí aparecerem as terras de Sever (i) quando Teodorico ll venceu os suevos. Terá decaído com as contínuas investidas mouras, mas ganhou de novo importância a partir da Reconquista. Ao lado de D. Afonso Henriques, em São Mamede. Teria estado o conde Severi, primeiro senhor também das terras de Santa Maria (Feira).

Com D. Manuel 1º, Sever do Vouga recebeu foral em 1514. No período constitucional, depois de extinto, foi de novo restaurado em 13 de Janeiro de 1898. O velho pelourinho, classificado de imóvel de interesse público, foi adaptado  chafariz. E o cruzeiro da igraja, de 28 palmos de altura, coluna em forma de espiral encimada por uma cruz suportada por um grupo de anjos, é obra barroca, de rara sensibilidade artística pra manifestações do género.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimo e Gentílicos (1944): “Os mais antigos documentos referentes à primativa povoação, que é hoje vila concelhia do distrito de Aveiro, designam-na por Villa Severi. Eram correntes estas expressões toponímicas na Idade Média – Villa Recaredi, Villa Romarizi, Villa Vermudi, Vill Viliulfi, Villa Vimaranis, etc, etc, - onde ao conhecido vocábulo Villa se acrescentava um genitivo dum nome próprio de homem; assim, Villa Severi (de Severus) queria dizer simplesmente «vila ou quinta de Severo». Errada se supor que Sever teria vindo de Soeiro, nome de origem germânica, mas bastará notar que a forma antiga Soeiro teria de ser Suarius, muito afastado do primitivo nome da terra severense”.  

 

Sever do Vouga
Sever parece derivar de Sevéri, irmão de Teodorico II dos Visigodos, que aqui se teria fixado, apropriando-se de vastos domínios por volta do ano 510 e dando o nome às Terrae Severi (Terras de Sever).
No sítio da Igreja Matriz, teriam existido dois mosteiros, da invocação de S.to André e S. Cristovão. Teve Sever do Vouga foral novo concedido pelo rei D. Manuel I, em 29 de Abril de 1514.
O Solar do Paço da Vala, na Senhorinha, de boa traça arquitectónica, terá sido berço dos "Condes de Sever, Duques de Guterre, Condes das Terras de Santa Maria e Barões de Sever", segundo uma lápide nele existente.
É sua Padroeira Stª Maria. A história de Sever do Vouga está documentada desde os séc. IX-X, sendo a que mais elementos fornece sobre a permanência das populações cristãs debaixo do jugo muçulmano.
Teve então um mosteiro moçarabe na vila, o qual, posteriormente surge dependente do de Vacariça.
Tudo leva a crer que o mosteiro de Sever teria sido fundado antes de 897 por D. Gondesindo (ou Gosendo) Eres e sua mulher D. Enderquina.
Mais tarde, à roda de 950, seu filho D. Soeiro Gondesindes e sua mulher D. Goldrogodo, que de seu pai herdara a terra de Sever, doaram-na com o mosteiro ao abade Jacob para nele viver monasticamente, segundo a regra beneditina.
Falecido o abade Jacob, sem herdeiros, os bens da aldeia de Sever e Mosteiro foram restituídos aos filhos dos doadores, Sandino Soares e Gondesindo Soares. Em 964, estes doaram a dois irmãos, o diácono Sandino e o presbitero Gudesteu, e respectivos frades que o habitavam, a que se juntou algumas terras nas proximidades de Cedrim.
Alexandre Herculano baseado num documento de 1019, escreveu: «Faleceu o presbítero, a tempo que eram já falecidos também os segundos doadores (que eram D. Soeiro Sandines e D. Fernando Sandines, filhos de D. Sandino Soares e de D. Ximena), ficando só, no mosteiro, Sandino, o diácono». Por essa altura, deu-se então nova e terrível incursão de Almançor «et tunc surrexerunt in ipsis tempororibus fillii perditiones gens ismaelitarum et prenderunt ipsa terram in qua erat illum monasterium ipsam et aliam de Dorio usque in Corduba». Ocorreu então, como refere o texto transcrito, surgirem os esmaelitas, filhos da perdição e apoderaram-se daquele território e do mais desde o Douro até Córdova.
Sandino, o pobre diácono, ligou-se ao conde Froila Gonçalves, de certo modo um renegado e desertor, filho do conde Gonçalo Moniz, governador de Montemor em consequência da sua sujeição a Almansor. Seguindo-o, e apesar da existência dos filhos dos doadores e padroeiros, vendeu-lhe o mosteiro de Sever com as suas casarias, pomares, soutos, terras lavradas e moinhos, por escritura de venda datada de 13 de Dezembro de 1005, que recebera com seu irmão o presbítero Gudesteu, venda que foi confirmada pelo abade Andérias do mosteiro da Vacariça, que Froila também protegia dos árabes.
A situação mudou. Froila, mandante em Sever, governou de Montemor até 1015 ou 1016, altura em que foi batido pelas tropas de D. Afonso V de Leão, sob o comando do conde cristão D. Mendo Luci ou Lucides. Prevendo tal situação, encarregou sua prima D. Toda Velaiz, mulher de D. Ermenegildo e mãe da condessa D. Elduara, da transferência dos seus bens para o mosteiro da Vacariça.
D. Toda Velaiz honra o compromisso com Froila e por escritura de 1018 transfere para o mosteiro da Vacariça os bens que seu primo então possuía, desde o monte Zebrario ao Vouga, entre os quais se contava Sever com o mosteiro e suas pertenças e rendas, incluindo uma herdade em Nespereira, que houvera de um certo Eita Toderedez, bem como a quarta parte da «villa spinitello» (Espindelo), ao sul do Vouga - precisamente a quarta parte doada por D. Sandino Soares e D. Gondesindo Soares ao mosteiro, nos meados do século X. Nessa época sopravam já os ventos da mudança no território, que pouco tempo depois ditaram o domínio absoluto do estandarte cristão sobre o crescente africano.
Os filhos do conde Fernando Soares, Nuno Fernandes e Sandino Fernandes, netos do ilustre prócer D. Soeiro Gondesindes, não se conformaram com a doação dos bens que Froila possuía em Sever a favor da Vacariça. Invocando os legítimos direitos de únicos senhores do mosteiro e seus haveres, alegaram a nulidade da doação feita pelo diácono Sandino a Froila, direitos que lhes foram reconhecidos, sendo-lhes restituídos todos os documentos referentes à posse desses bens. São eles próprios, senhores de Sever, que de tudo fazem nova doação ao mosteiro da Vacariça na pessoa do abade Tudeíldo, como é referido em escritura de 4 de Dezembro de 1019. Diz o documento: - que Alexandre Herculano traduziu assim: «Agora teve Deus misericórdia e restitui esta terra ao poder dos cristãos e governando em Montemor Froila Gonçalves, Deus não quis tolerar este estado de coisas e Mendo Lucides subjugou-o e expropriou-o daquele mosteiro e desta cidade e de toda esta terra e tomou-lhe tudo o que adquirira e apoderou-se de todos os documentos relativos ao mosteiro».  Um documento de 1023 refere uma delimitação de terras vendidas por um Citelo Iben Alazate e sua mulher Ermegodo ao Abade Tudeildo da Vacariça, por trezentos soldos de prata, bens herdados de seus parentes Manualdo e Sesilde, os quais dividiam pelos termos de Silva Escura, Paçô e Nogueira «et per terminnos antiquos» (alguns por ventura ainda persistentes da antiga «villa» romana Severi).
Ainda noutro documento de venda do mesmo Citelo a Gonçalo Galindiz e sua mulher, do mesmo ano, bens que lhe pertenciam por herança e compra situados «in villa severi...», também se diz a propósito da sua localização: «...et determinat cum monasterio severi et alias pars cum Silva scura et alias pars de santo Martino...».
O mosteiro de Sever acabou quando foi doado o mosteiro da Vacariça à Sé de Coimbra, em 1094, não havendo desde então qualquer outra notícia dele.
Menos de meio século depois da extinção do mosteiro de Sever (1094), mais concretamente em 1135, nova instituição monástica nascia em Sever, obra do abade João Cirita que o era também do mosteiro de S. João de Tarouca, da ordem beneditina e mais tarde de Cister.
Haviam decorridos apenas seis anos da fundação do mosteiro de S. Tiago de Sever quando o abade Todereu, com a autorização do bispo D. Bernaldo fez a sua doação ao mosteiro de S. João de Tarouca e, simultaneamnete a sua filiação, como refere o documento datado de Julho de 1141. Quatro meses depois, 11 de Novembro de 1141, Afonso Henriques coutou o mosteiro de S. Tiago de Sever, em cujo documento serviu de notário Petrus prior, presumivelmente o prior desse mosteiro, Pedro Miguéis, que no documento que a seguir transcrevemos figura como o agraciado nesse coutamento.
São testemunhas Egas Moniz, mordomo-mor nessa data, Fernando Peres que fora alferes-mor e que substituiu Egas Moniz após a sua morte, Lourenço Viegas, Gonçalo de Sousa e Fernando Mendes, todos conhecidos por terem firmado outros documentos da chancelaria, Álvaro Rabaldes (que parece ter sido de Lourizela e veio a ser frade do mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra), e Afonso Pais, nome que figura noutros documentos. A confirmação do documento deste coutamento é feita pelo bispo Bernardo e pelo arquidiácono Martinho.
A 10 de Janeiro de 1164, da Era de Cristo, faleceu o Abade João Cirita. Cirita não é patronímico, mas sim título que lhe adveio da sua vida solitária durante muitos anos, ao contrário de outros eremitas que viviam em mosteiros ou ermidas. O sepulcro que guarda os restos do venerável Abade, em S. Cristovão de Lafões, tem o seguinte epitáfio: «Joannes Abbas Cirit... Obiit X Kal. Januarij E. MCCII».
No ano de 1180, da questão de Rocas com a intervenção do rei, resultou a atribuição de seis casais ao mosteiro de S. Tiago de Sever e aos «heredes», não sabemos em que proporção, mas provavelmente em partes iguais, dado que nas inquirições de 1258 (1220) se refere que o mosteiro ou «heremitágio» tinha metade dos frutos de seis casais, além de um casal no Espinheiro e outro em Paradela.
Referem as Inquirições de 1258 (1220), em face dos depoimentos prestados pelos jurados, que eram «homens bons velhos», haver em Sever três coutos: O de Legiôo (Irijó), o de S. Fins e o da Hermida, tão antigos que ninguém sabia por quem tinham sido instituídos.
Em 1340 o mosteiro de S. Tiago de Sever ainda existia, disso temos conhecimento pela sentença proferida pelo Rei D. Afonso IV, contra o mosteiro de Tarouca, a propósito do couto de S. Tiago da Ermida. O couto da Hermida é aquele que D. Afonso Henriques fez a favor do mosteiro, quatro meses depois sob a tutela do mosteiro de Tarouca por força da sua filiação e sobre o qual o abade exercia jusridição ao tempo de D. Afonso IV, tendo como procurador o prior da ermida, frei João Martins, e da qual viria a resultar uma questão que o rei resolveria a seu favor.
D. Manuel concedeu foral à vila de Sever em 29.04.1514.
A antiga freguesia era abadia de apresentação da Mitra(segundo outros, da apresentação alternada da Stª Sé e da Mitra; alternada da Coroa e da Mitra, segundo a Estatística Parochial, de 1862).
Bibliografia: Sever do Vouga - Uma Viagem no Tempo, Fernando Soares Ramos, 1998; Diccionário Geográfico; Corog. Port.; Portugal Antigo e Moderno; Albino Costa, Cedrim [...], Cx., 1915; Dicc. Chorog.; Herculano, História de Portugal, III, ppp.348-352.

 

 

Vagos - (Concelho de Distrito de Aveiro)
 

 

D. Manuel 1º deu-lhe foral em 1514.

Vagos domina o litoral dunar na zona sul da ria (de Aveiro), entre o Boco e o braço de água salgada que da barra se estende até Mira. Férteis aluviões tornam esta região ubérrima, com prados verdejantes e matas nos areais que os seus habitantes, disciplinada e operosamente, vão arroteando, alargando cada vez mais o riquíssimo chão em que vivem. Não surpreende, portanto, que os responsáveis pelas produções agrícolas do País estejam de olhos postos nesta terra e aldeias vizinhas.

A sua origem virá da romanização Vacus e o seu primeiro donatário foi, no século XlV, o alcaide-mor de Montemor-o-Novo. D. Manuel 1º deu-lhe foral em 1514, mas desde o século XV que o padroado da igreja, que era real, passou para o Mosteiro de São Marcos, junto a Coimbra. Próximo da Capela, encontram-se ainda vestígios de um forte militar, bastante danificado pela invasão de areias. Mas já no século XVlll era referido como tal.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Tem-se afirmado que a antiga vila foi reedificada sobre as ruínas duma povoação, que foi a venerada Vacus dos romanos, mas este suposto étimo, por si só, não explica satisfatoriamente o topónimo actual por causa da sua forma do plural aparente”.

 

Vagos 

Lenda da Nossa Senhora de Vagos
A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição. Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso. Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizemque perto da praiada Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.
Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia. Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze. O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem. Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário. Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515. É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva. Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita. Penso que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.
Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava à mais de quatro anos. A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. Toda a gente tomou esse rumo. Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu. Em face de tão grande milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ... Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor. Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos.
Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remota ao século dezassete, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde. Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

 

 

 

Vale de Cambra - (Concelho de Distrito de Aveiro)

 

 

Não é propriamente um aglomerado sede de concelhos. É mais a confluência dos rios Caima (aproveitado na Barragem Duarte Pacheco), Vigues e Muscoso, que tornam este vale de uma fertilidade invulgar. Daí o nome de vila de Vale de Cambra (a que chamam a Suiça Portuguesa), numa zona zona onde há muito a dizer desde os tempos da Pré-História.

A vila de Cambra (Macieira) recebeu foral manuelino, denominando-se, até 1926, Maceira de Cambra (de que conserva o pelourinho), passando depois a designar-se por Vale de Cambra, com sede no lugar de Ganda, alargado posteriormente a outros lugares. Na freguesia de Macieira existe ainda uma ponte romana chamada Ponte Velha de Padrastos.

Segundo, Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944): “Vale é o simples nome comum vale, filiado no latim valle. Quanto ao elemento que completa o topónimo, embora exista a forma popular “Cambra”, correspondente a Câmara e já explicada foneticamente por mais de um autor, Cambra, nome próprio, é outra coisa, para o que basta atender às respectivas formas antigas “Cambra (século XV) e “Calambria (século XVl) “.

 

Vale de Cambra

 A História de Vale de Cambra está forçosamente ligada à história de Macieira de Cambra, vila que até 1926 foi sede de concelho.
A formação das terras de Cambra perde-se na antiguidade dos tempos.
Ainda são visíveis hoje, os dolméns e castros na freguesia de Arões e, em Cepelos, encontram-se vestígios da Idade do Bronze, perpetuados no Outeiro dos Riscos.
Da cultura castreja restam achados em Vila Cova do Perrinho, nas Baralhas, Moutides e
Castelo de Sandiães, também denominado de Castelo de S. Mamede, as pontes e alguns troços de estradas romanas, como o demonstra, exemplarmente a "ponte velha" de Padrastos.
Cambra... a evolução de um nome
Têm sido várias as interpretações para a designação "Cambra". Alguns autores acreditam que a mais verosímil  é a que considera a forma actual Cambra como resultado da evolução etimológica de Calambriga. Da forma original, a palavra terá evoluído para Calambria (por volta do século VI) e, posteriormente, nos séculos XII e XIV, seria já conhecida por Caãmbria. 
Outras interpretações etimológicas pretendem ver na denominação "Cambra" urna forma actualizada de Câmara ou, mesmo, de Coimbra, baseando-se na designação durante certo tempo atribuída ao então concelho de Macieira, ou seja, Câmara do Bispo de Coimbra. Considera-se, no entanto, que a primeira interpretação será mais aceitável, embora não seja possível determinar com rigor onde reside a verdadeira explicação.    
Sabe-se com a certeza dos documentos que a freguesia mencionada na doação (ano de 922) feita pelo rei Ordonho ao bispo de Gomado e ao Mosteiro de Crestuma, fazendo mais tarde parte das terras de Santa Maria de Vandoma, pelo que, durante muitos anos, foi conhecida pelo nome de Santa Maria de Caymbra.
Para além dos nomes já referidos, outros documentos se lhe referem sucessivamente como Caymbra, Braveira de Cambra e Macieira de Cambra.
O concelho de Macieira de Cambra
Era de começo uma freguesia rural, com as suas "quintaneas", "agras", "póvoas", "vilares" e "chaves". Mais tarde, devido a uma importância sempre crescente, quer pela riqueza do seu solo, quer pelo aumento constante da sua população, é elevada à categoria de município. 
Naquele tempo, numerosos fidalgos possuíam terras e bens neste vale fértil, situando-se no século XII o início da estirpe dos "de Cambra". Esta família deriva da linhagem dos Riba Vizela e teve como precursor D. Afonso Anes, filho de D. João Fernandes de Riba Vizela e de D. Maria Fernandes Varela.
O senhorio da terra de Cambra pertencia espiritualmente, por aquela época, à diocese de Mérida, passando posteriormente para o Bispado de Coimbra, depois para o de Aveiro e ainda, para o do Porto.
Mais tarde, o senhorio de Cambra passou, no século XIV, para as mãos dos condes da Feira – os Pereiras. Com a extinção daquela vila, o senhorio foi definitivamente para a Casa do Infantado.


O Foral das Terras de Cambra
Macieira de Cambra recebeu foral novo, de D. Manuel I, em Lisboa, a 10 de Fevereiro de 1514, tratando das terras seguintes: Aljeriz, Areias, Armental, Arões, Cabril, Cabrum, Campo de Ançã, Cavião, Chão de Carvalho, Codal, Coelhosa, Castelões, Ervedosa, Lourosela, Merlães, Padaruça e Refojos.
Cita também os lugares novos que se estavam povoando e desenvolvendo: Espinhal, Bouço, Folgorosa, Agrincha, Vale de Cabra, Ponte da Amieira, Póvoa das Lasouras e Póvoa dos Cousos.
Um marco importante na história desta freguesia é sem dúvida, a atribuição da Carta de Foral, a 10 de Fevereiro de 1514, pelo Rei D. Manuel I à terra e concelho de Cambra, com sede em Macieira de Cambra.
A instauração do Concelho de Vale de Cambra
O Concelho de Macieira de Cambra é extinto em 1926, a 31 de Dezembro, pelo decreto 12.976, dando lugar ao Concelho de Vale de Cambra, com sede no lugar da Gandra na freguesia de Vila Chã.
Factor determinante na extinção do concelho de Macieira de Cambra foi a Feira dos Nove e, mais tarde, a dos Vinte e Três, como é popularmente conhecida, transferindo-se a sede para o lugar da Gandra, local privilegiado de trocas e de convívio, passando o concelho e a povoação a denominar-se de Vale de Cambra.
No ano de 1927, a 11 de Dezembro, teve lugar um plebiscito.
Este plebiscito, determinado pelo Decreto 14.173, realizou-se no Edifício da Ex - Casa de Saúde Almeida Pinho, sem que até ao momento se conheça o resultado oficial do mesmo.
A história do actual concelho, começa a partir de 1926, encontrando-se, sem duvida, ligada ao seu forte desenvolvimento industrial.
Com o avanço do século XX cresce também uma Indústria que conquista um lugar primordial no desenvolvimento de Vale de Cambra, protagonizando alterações na sua fisionomia e no modo de vida dos seus habitantes.
Este crescimento económico que transforma uma vila rural num concelho industrial esteve também na origem da elevação da sua sede a cidade, a 20 de Maio de 1993.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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